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O papel do Contexto
Prof. ME Ricardo lima trindade
Por que nos comportamos, às vezes, de formas tão distintas em situações diferentes?
Já aprendemos: a consequência de um comportamento exerce controle sobre sua ocorrência futura, ou seja, altera a probabilidade de que o comportamento se repita.
Vamos aprender: o que acontece antes do comportamento operante, isto é, o contexto no qual ocorre, também passa a exercer controle sobre ele.
Estímulo antecedente: O estímulo antecedente é o que acontece antes do comportamento e influencia sua ocorrência.
Os estímulos antecedentes são aquelas modificações no ambiente ou em parte do ambiente que precedem temporalmente o comportamento e que alteram a probabilidade de ocorrência do comportamento.
Os comportamentos operantes acontecem na presença de uma infinidade de estímulos antecedentes, os quais interferem na probabilidade de sua ocorrência.
estímulos antecedentes que no passado foram correlacionados a consequências reforçadoras aumentam a probabilidade de o comportamento ocorrer.
antecedentes que no passado foram correlacionados à extinção ou à punição de um dado comportamento diminui a probabilidade de este acontecer.
Exemplo
Imagine que, toda vez que você está na presença de um aviso de "promoção" em uma loja, você acaba comprando algo (pois no passado, o ato de ver esse aviso estava frequentemente associado a boas ofertas). 
Esse aviso de "promoção" pode aumentar a probabilidade de você comprar algo, porque, no passado, a presença desse estímulo (aviso) estava correlacionada a uma consequência reforçadora (a compra de um produto desejado por um bom preço).
Antecedente: O aviso de "promoção" na loja. Ele é o estímulo que ocorre antes do comportamento e que aumenta a probabilidade de o comportamento acontecer.
Comportamento: Comprar algo na loja. Esse é o comportamento operante que ocorre como resposta ao antecedente (aviso de promoção).
Consequência: A compra de um produto desejado por um bom preço. Esta é a consequência que ocorre após o comportamento, reforçando-o.
Tipo de reforçador: Reforço positivo. O comportamento (comprar algo) é reforçado pela consequência de obter um produto desejado por um bom preço. Isso aumenta a probabilidade de o comportamento se repetir sempre que o antecedente (aviso de promoção) estiver presente.
Nosso foco principal de estudo hoje
Operante discriminado e discriminação operante
Um comportamento operante discriminado é aquele que é emitido em uma situação específica devido à presença de um estímulo que sinaliza que esse comportamento será reforçado ou punido.
Imagine que um estudante só estuda de forma eficaz quando está em um ambiente tranquilo e silencioso, como sua biblioteca em casa. Quando ele entra na biblioteca (o estímulo antecedente), ele começa a estudar de forma concentrada (o comportamento operante). Porém, se ele tenta estudar em um local barulhento, como na sala de estar, ele não consegue se concentrar, e o comportamento de estudar eficazmente não ocorre.
Neste caso, o ambiente silencioso da biblioteca é um estímulo antecedente que controla o comportamento de estudar de forma eficaz. A discriminação ocorre porque o estudante aprende a associar esse comportamento de estudar com o ambiente tranquilo, discriminando entre os diferentes ambientes com base no que reforça a sua concentração e produtividade.
A discriminação operante é um processo comportamental básico que descreve a ocorrência de respostas específicas na presença de estímulos específicos. 
É a capacidade de discriminar entre diferentes estímulos e responder de acordo com as consequências que esses estímulos geram.
Imagine que um cachorro aprende que deve sentar quando seu dono diz "senta" (estímulo específico). Quando o dono diz "senta", o cachorro responde sentando-se (comportamento específico). No entanto, quando o dono diz "deita", o cachorro responde deitando-se. Nesse caso, o cachorro discrimina entre os estímulos "senta" e "deita", e responde de forma específica a cada um.
A discriminação operante ocorre porque o cachorro aprende a associar respostas específicas a estímulos específicos, ou seja, ele só senta quando ouve "senta" e deita quando ouve "deita".
Diferença 
Operante discriminado é o comportamento que ocorre quando um estímulo discriminativo está presente e o reforço está associado a ele.
Discriminação operante é o processo de aprender a responder de maneira diferente a estímulos distintos, baseado nas consequências que se seguem.
Estímulo discriminativo (SD) e estímulo delta (SΔ)
Os estímulos discriminativos são aqueles que sinalizam que uma dada resposta provavelmente será reforçada.
Considerando que assistir ao Jornal Nacional da Rede Globo seja um estímulo reforçador, por exemplo, então o relógio marcando 20h30min seria um SD para o comportamento de ligar o aparelho de televisão. Caso o comportamento de ligar a televisão seja emitido em outros horários, ele não será reforçado com o acesso ao Jornal Nacional. 
Se você tentar ligar a televisão em outro horário, por exemplo, às 15h00, o comportamento de ligar a TV não será reforçado com o Jornal Nacional, porque o horário não corresponde ao momento em que o programa começa. Nesse caso, o comportamento de ligar a televisão não será reforçado, já que não é acompanhado pela consequência reforçadora (o Jornal Nacional), demonstrando que o estímulo discriminativo (20h30min) controla esse comportamento.
O estímulo discriminativo (20h30min) faz com que o comportamento de ligar a TV seja mais provável de ocorrer, pois ele é seguido pela consequência reforçadora (assistir ao Jornal Nacional). Outros horários, sem o programa, não têm o mesmo efeito de reforço.
Já os estímulos correlacionados com o não reforçamento de uma dada resposta são chamados de estímulos delta, cuja sigla é SΔ. 
Os SΔ também são definidos como aqueles que sinalizam que uma resposta não será reforçada, isto é, sinalizam a indisponibilidade do reforço (i.e., extinção). 
Voltando aos exemplos anteriores, o relógio marcando outro horário se constitui em SΔ para a resposta de ligar a TV e, consequentemente, assistir o Jornal Nacional;
Presença de João é um SD (estímulo discriminativo) para você emitir a resposta verbal "Oi, João". Isso significa que, quando você vê João, você tem mais probabilidade de cumprimentá-lo com um "Oi, João", porque no passado, João geralmente retribuiu o cumprimento. Ou seja, você aprendeu que, na presença de João, ele costuma responder ao seu "Oi, João", tornando essa resposta mais provável.
Presença de João é SΔ (estímulo Delta) para você emitir a resposta verbal "Oi, Marcelo". Isso significa que, embora você saiba que João é seu amigo, a presença dele não é associada à resposta "Oi, Marcelo". Isso acontece porque, quando você tenta cumprimentar João com "Oi, Marcelo", ele não costuma retribuir esse cumprimento, já que ele é João, e a resposta correta seria "Oi, João". O comportamento de cumprimentá-lo como "Oi, Marcelo" não será reforçado na presença de João.
Contingência tríplice (contingência de três termos)
JÁ APRENDEMOS: descrevemos o comportamento operante utilizando a contingência de dois termos: 
R → SC, 
(resposta  estimulo consequente)
A partir de agora, passamos a considerar o papel do contexto sobre o comportamento operante. 
A contingência que descreve o comportamento operante discriminado é composta por três termos: 
SA – R → SC
(estimulo antecedente – Resposta  estimulo consequente) 
Essa contingência é chamada de contingência de três termos, contingência tríplice ou tríplice contingência e se constitui como unidade básica de investigação em Análise do Comportamento.
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Com a inclusão dos estímulos antecedentes no paradigma operante, completamos a unidade de análise do comportamento operante. 
Todos os comportamentos operantes, dos mais simples (p. ex., abrir uma lata de Coca-Cola) aos mais complexos (p. ex.,escrever um poema), serão analisados de acordo com a contingência tríplice, ou seja, considerando-se um estímulo antecedente, umaresposta e um estímulo consequente.
Exemplo:
Estímulo antecedente (SD): O sinal de trânsito fica verde.
Comportamento (R): O motorista acelera o carro e começa a atravessar a rua.
Consequência (C): O motorista chega ao seu destino mais rapidamente.
Explicação da tríplice contingência:
Estímulo antecedente (SD): O sinal de trânsito verde é o sinal que indica que é seguro avançar. Ele serve como um estímulo que antecipa a ação do motorista.
Comportamento (R): O comportamento é o ato de acelerar e atravessar a rua, pois o motorista sabe que o sinal verde permite que ele avance.
Consequência (C): A consequência de atravessar a rua com o sinal verde é que o motorista chega mais rapidamente ao seu destino. Esse reforço (chegar mais rápido) aumenta a probabilidade de o motorista continuar a agir da mesma maneira sempre que o sinal ficar verde.
Treino discriminativo e controle de estímulos
O treino discriminativo é o processo pelo qual um comportamento é aprendido e ocorre em resposta a um estímulo específico (estímulo discriminativo, ou SD). Esse tipo de treino envolve a associação entre um comportamento e um estímulo antecedente que sinaliza que, se o comportamento for emitido, ele será reforçado (ou punido, dependendo do contexto).
Laboratório 
https://www.youtube.com/watch?v=tOMKrJ1yE2Q
Exemplo
Uma discriminação que aprendemos desde cedo refere-se ao comportamento de pedir algo ao pai ou à mãe, por exemplo (Fig.6.3). Precocemente aprendemos a discriminar as expressões faciais de nossos pais. Aprendemos que “cara feia” é um SΔ para pedir algo, e que uma “cara boa” é um SD para esse mesmo comportamento.
Constantemente estamos passando por treinos discriminativos. 
Todas as palavras que você lê e usa corretamente, os nomes das pessoas, dos objetos, das cores, etc. – ou seja, praticamente toda a aquisição do comportamento verbal –, dependem de treinos discriminativos. 
Comportar-se de uma determinada maneira na sala de aula e de outra em bares, de uma maneira em casa com os pais e de outra com os amigos, usar corretamente aparelhos eletrônicos, guiar o carro seguindo os sinais de trânsito, entre outros incontáveis exemplos, depende da ocorrência de treinos discriminativos em nosso dia a dia.
As diferentes funções dos estímulos antecedentes
Um estímulo elicia uma resposta, e que chamamos essa
relação de reflexo
Uma resposta no
paradigma operante somente terá a sua probabilidade aumentada com a apresentação de um estímulo discriminativo caso tenha sido
reforçada no passado na presença desse mesmo estímulo.
Exemplo
O mesmo estímulo (cisco no olho) pode exercer duas funções diferentes sobre o comportamento, dependendo do tipo de resposta que ele está controlando.
No caso do lacrimejar: O cisco no olho é um estímulo incondicionado (um estímulo natural que provoca uma resposta automática), e o lacrimejar é a resposta incondicionada. Isso é uma relação reflexa, como no paradigma respondente, onde o estímulo (cisco) elicia uma resposta automática (lacrimejar), sem depender de aprendizado prévio.
No caso da resposta verbal: O cisco no olho também pode funcionar como um estímulo discriminativo para a resposta verbal "isto é um cisco". Ou seja, em contextos onde você aprendeu que, ao ver um cisco, é esperado que você diga "isto é um cisco", o cisco é um sinal que aumenta a probabilidade de você emitir essa resposta. A diferença aqui é que, ao contrário do lacrimejar, a resposta verbal depende de um aprendizado prévio e da relação do estímulo (cisco) com as consequências dessa resposta verbal (por exemplo, o reforço social de ser entendido ou de fazer sentido ao falar).
Generalização de estímulos operante
A generalização de estímulos operante ocorre quando um comportamento aprendido em presença de um estímulo discriminativo específico é emitido também diante de estímulos semelhantes.
Uma resposta terá maior probabilidade de ocorrer na presença de um novo estímulo quanto maior for a similaridade entre este e o estímulo discriminativo previamente treinado.
Por exemplo, se o comportamento de dizer “bola” de uma criança foi modelado na presença de uma bola de futebol, é mais provável que essa resposta verbal ocorra na presença de uma bola de vôlei do que na de uma bola de futebol americano.
Quanto maior for a similaridade física entre os estímulos, maior será a probabilidade de a generalização ocorrer.
Um individuo responde da mesma forma a estímulos diferentes que compartilham características com o estimulo original.
Quanto mais diferente for um novo estímulo do estímulo discriminativo treinado, menores serão as
chances de a resposta aprendida ocorrer.
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A generalização é um processo importante porque as respostas tornam-se prováveis sem a necessidade de um procedimento específico de treino discriminativo delas na presença de cada novo estímulo apresentado.
Quando aprendemos a dirigir um carro de autoescola. Dificilmente dirigiremos o mesmo carro utilizado para o nosso treinamento após obtermos a carteira de habilitação. Porém, é provável que emitiremos os comportamentos treinados no veículo da autoescola na presença de novos carros. Se não houvesse a generalização, o treinamento desses comportamentos deveria ocorrer com cada novo carro, o que, certamente, resultaria num grande tempo de adaptação aos diversos modelos que dirigiríamos ao longo de nossas vidas.
, guarulhos parou aqui
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Exemplo João
Cenário: João, de 5 anos, aprende a levantar a mão para falar na sala de aula.
Treinamento inicial:
Estímulo discriminativo (SD): A professora na sala de aula.
Resposta: João levanta a mão antes de falar.
Consequência: A professora permite que ele fale (reforço positivo).
Generalização de estímulo:
Em casa, João também começa a levantar a mão antes de falar com seus pais, mesmo que nunca tenha sido explicitamente ensinado a fazer isso nesse contexto.
Aqui, os pais atuam como estímulos semelhantes ao SD original (a professora), levando João a emitir o mesmo comportamento aprendido.
Explicação: João generalizou o comportamento aprendido para um novo contexto, porque os pais compartilham características com a professora (adultos que ele respeita e que controlam a conversa).
Diferença
Generalização Respondente:
Ocorre quando um estímulo que se assemelha ao estímulo condicionado (EC) também elicia a resposta condicionada (RC). Para que um comportamento respondente condicionado seja generalizado, não pode ser desemparelhado.
QUANDO UMA RESPOSTA REFLEXA APRENDIDA DEIXA DE SER INTIMAMENTE ASSOCIADA ÀQUELA COM A QUAL HOUVE O EMPARELHAMENTO INICIAL, HÁ A EXTINÇÃO RESPONDENTE.
Exemplo: Se um cachorro foi condicionado a salivar ao ouvir um sino de determinada frequência (EC), ele pode também salivar ao ouvir sinos de frequências semelhantes, mesmo sem treinamento específico.
Generalização Operante:
Ocorre quando uma resposta aprendida em uma situação é emitida em situações semelhantes sem reforço adicional.
Exemplo: Uma criança que aprendeu a dizer "obrigado" quando recebe um presente pode começar a dizer "obrigado" em outras situações sociais, como ao receber um favor.
Gradiente de generalização
É uma forma de medir quanto a resposta de um organismo (como o cachorro) varia quando ele é exposto a estímulos semelhantes, mas não idênticos ao que foi usado no treino original.
No exemplo do cachorro:
Você ensinou o cachorro a sentar quando ouve o comando exato "senta".
Esse comando "senta" é o Estímulo Discriminativo (SD): ele sinaliza que, se o cachorro se sentar, vai ganhar uma recompensa.
E se você disser algo diferente, como "sentar" ou "senta, cachorro"?
Essas variações não são idênticas ao SD original ("senta"), mas são parecidas. Como o cachorro generaliza, ele ainda pode responder (sentar), mas a chance de ele fazer isso vai diminuindo conforme o estímulo se afasta do original.
 
O gradiente de generalização é isso:
Uma curva (mental ou representada em gráfico) que mostra como a resposta diminui quanto mais diferente é o novo estímulo em relação ao original.
Se você disser"senta" → Alta chance de sentar.
Se você disser "sentar" → Um pouco menor.
Se você disser "sento" → Menor ainda.
Se você disser "banana" → Provavelmente ele nem senta.
Efeito do reforçamento diferencial sobre o gradiente de generalização
O reforçamento diferencial é uma estratégia que consiste em reforçar seletivamente uma resposta específica enquanto outras são colocadas em extinção ou recebem menor reforço. 
O objetivo é aumentar a frequência de um comportamento desejado e reduzir comportamentos indesejados sem recorrer a punições diretas.
O reforçamento diferencial produz um gradiente de generalização mais estreito, ou seja, diminui o grau de generalização.
No exemplo da criança que chamava todos os homens adultos de papai, se o seu comportamento de emitir essa resposta verbal for reforçado na presença apenas de seu genitor, e não na presença dos demais homens adultos, ela passará a dizer “papai” apenas na presença dele.
Turma de 3 feira liberdade
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Efeitos do reforçamento adicional sobre o gradiente de generalização
O reforçamento adicional é um conceito que se refere à aplicação de reforços extras para fortalecer um comportamento desejado. Ele é utilizado para aumentar a probabilidade de um comportamento ocorrer com mais frequência ou consistência.
Ele ocorre quando um comportamento é reforçado não apenas em um estímulo específico, mas também em variações desse estímulo. Isso ajuda a aumentar a probabilidade de o comportamento ocorrer em um conjunto mais amplo de estímulos semelhantes.
Se uma criança aprende a dizer "avião" apenas quando vê um caça militar, ela pode não usar essa palavra ao ver aviões comerciais ou de pequeno porte.
Mas se reforçarmos o comportamento de dizer "avião" também na presença de aviões comerciais, jatos particulares e aviões de carga, a criança generalizará melhor esse conceito.
Esse reforçamento adicional aumenta a probabilidade de ela chamar corretamente qualquer aeronave de "avião", pois a resposta foi reforçada diante de diversas variações do estímulo.
Classes de estímulos
Classes de estímulos são conjuntos de estímulos diferentes que provocam a mesma resposta comportamental por parte do indivíduo, ou seja, são funcionalmente equivalentes.
Permite entender como os indivíduos aprendem a responder de forma semelhante a diferentes estímulos dentro de uma mesma classe (generalização).
Ajuda a entender como os indivíduos distinguem 
estímulos de diferentes classes (discriminação).
Atenção e controle discriminativo por propriedades específicas dos estímulos
Atenção e Controle Discriminativo
Atenção: O comportamento de perceber e responder a certos estímulos relevantes no ambiente.
Não é a atenção que determina o estímulo ou parte do estímulo sob cujo controle o comportamento ficará: são as consequências do comportamento
Controle Discriminativo: Ocorre quando um comportamento é emitido diante de um estímulo específico porque, no passado, esse estímulo esteve correlacionado com reforço ou punição.
O comportamento de uma pessoa é influenciado por sua história de reforçamento e punição, ou seja, pelas consequências que experimentou no passado.
Estímulos que estiveram correlacionados a certas consequências no passado têm uma probabilidade maior de exercer controle sobre o nosso comportamento. 
Controle por Propriedades Específicas do Estímulo
Nem sempre um estímulo como um todo exerce controle sobre o comportamento; muitas vezes, apenas certas propriedades dele são relevantes. Isso ocorre porque, no passado, essas propriedades específicas foram reforçadas.
Exemplo Prático:
Em uma aula, um aluno pode focar mais nas palavras do professor, enquanto outro pode focar mais nos slides, pois cada um teve experiências de reforçamento diferentes no passado.
No trânsito, motoristas que já receberam multas podem aprender a prestar atenção especificamente nos radares de velocidade, ignorando outros detalhes do ambiente.
Treino discriminativo sucessivo
​O treino discriminativo sucessivo é um procedimento da Análise do Comportamento em que um organismo aprende a diferenciar entre dois ou mais estímulos apresentados separadamente no tempo, e não simultaneamente. 
Nesse tipo de treino, cada estímulo é apresentado isoladamente, e a resposta correta é reforçada apenas na presença do estímulo discriminativo (Sd), enquanto respostas na presença do estímulo delta (SΔ) não são reforçadas.
Por exemplo, em um experimento com animais, uma luz verde (Sd) pode ser acesa em um momento, sinalizando que pressionar uma barra resultará em comida, enquanto uma luz vermelha (SΔ) é acesa em outro momento, indicando que pressionar a barra não terá consequência.​
Reforço Contingente ao Estímulo: O comportamento é reforçado apenas na presença do Sd. 
Técnica de esvanecimento
A técnica de esvanecimento, ou fading, é um procedimento que visa transferir gradualmente o controle de um comportamento de um estímulo para outro, promovendo a independência do indivíduo em relação a estímulos auxiliares.
Contexto: Uma criança está aprendendo a ler palavras simples. Inicialmente, ela necessita de auxílio para reconhecer e pronunciar as palavras corretamente.​
No início, o professor fornece dicas verbais e visuais significativas. Por exemplo, ao apresentar a palavra "gato", o professor pode apontar para cada letra enquanto pronuncia o som correspondente, ajudando a criança a associar as letras aos sons.​
Redução Gradual das Dicas (Esvanecimento): À medida que a criança demonstra progresso, o professor diminui gradualmente a intensidade das dicas. Isso pode incluir:​
Reduzir a ênfase na pronúncia dos sons das letras.​
Diminuir o uso de gestos que indicam a sequência das letras.​
Incentivar a criança a tentar ler a palavra com menos assistência.​
Independência na Leitura: Com o tempo, a criança passa a reconhecer e ler a palavra "gato" sem necessitar das dicas iniciais. O controle do comportamento de leitura foi transferido das dicas fornecidas pelo professor para o próprio estímulo da palavra escrita.
Abstração
Abstração é a capacidade de uma pessoa ou animal reagir a uma característica específica de um estímulo, ignorando outras características que não são relevantes para a situação. 
Essa ideia vem da discriminação, que é quando um organismo aprende a responder a um estímulo específico e não a outros estímulos semelhantes, com base em características particulares.
Por exemplo, imagine que você tenha um triângulo e um quadrado com cores de fundo diferentes. Se o comportamento de um animal, como um pombo, for reforçado apenas quando ele bicá o triângulo (independente da cor do fundo), ele aprende a responder apenas ao triângulo (forma) e não à cor de fundo. Nesse processo, ele está abstraindo a forma do estímulo, ou seja, respondendo apenas à forma do triângulo, que é a característica relevante, e ignorando a cor do fundo, que não tem importância para o reforço.
Em resumo, abstração é a habilidade de focar em uma característica específica de um estímulo e ignorar outras características que não são relevantes, controlando o comportamento de acordo com a característica importante (como a forma, e não a cor).
Exemplo do dia a dia 
Imagine que você está no supermercado e precisa escolher uma maçã para comprar. Você não se deixa influenciar pela cor da maçã (vermelha, verde, amarela) ou pela textura da casca. 
Você está focando na forma da maçã — sua estrutura esférica — e ignorando as variações de cor ou textura, que não são importantes para sua decisão.
Isso é uma forma de abstração: você está respondendo ao estímulo da forma da maçã (a característica relevante para sua escolha) e ignorando outras propriedades (como a cor ou textura) que não são determinantes para o que você deseja.
Reforçamento diferencial e adicional na abstração
Reforçamento diferencial: Esse tipo de reforçamento ocorre quando um comportamento específico é reforçado enquanto outros comportamentos, que são semelhantes mas não desejados, são ignorados ou extintos. 
Exemplo em abstração: Imagine que você queira que umpombo responda apenas ao triângulo e não à cor do fundo. Você reforçaria (daria recompensa) as respostas do pombo apenas quando ele bicaria o triângulo, independentemente da cor do fundo. Assim, ele aprenderia a abstrair a forma (triângulo) como a característica relevante para a resposta, enquanto a cor de fundo seria ignorada e não reforçada. Nesse caso, o reforçamento diferencial está sendo usado para fortalecer a resposta ao triângulo e não à cor.
continue
Reforçamento adicional: Esse reforçamento ocorre quando um comportamento é reforçado com um reforço extra, ou seja, além do reforço que já está sendo dado. 
Unindo os dois conceitos:
Exemplo em abstração: Continuando com o exemplo do pombo, além de reforçar as respostas corretas ao triângulo, o pesquisador pode também reforçar o pombo quando ele ignorar características irrelevantes (como a cor de fundo). 
Esse reforço adicional pode ser utilizado para garantir que o pombo não se distraia com estímulos irrelevantes e que a abstração (responder ao triângulo) se torne mais forte.
Encadeamento de respostas 
O encadeamento de respostas é um processo pelo qual uma sequência de comportamentos simples se combina para formar um comportamento mais complexo. Cada resposta na sequência é reforçada por um estímulo que serve como um reforçador condicionado para o próximo comportamento. O encadeamento envolve a associação de uma resposta com outra, onde o comportamento anterior atua como um reforçador para o comportamento seguinte.
Exemplo de encadeamento de respostas: Imagine um cão sendo treinado a realizar um truque de pegar uma bola e colocar em um recipiente. O treinamento pode ser feito em etapas:
O cão é ensinado primeiro a pegar a bola.
Depois, ele aprende a caminhar até o recipiente.
Finalmente, ele aprende a colocar a bola no recipiente.
Cada uma dessas respostas se encadeia com a anterior, sendo reforçada por um reforçador condicionado (como um petisco ou carinho). 
Reforçadores condicionados
Os reforçadores condicionados são estímulos que inicialmente não têm valor de reforço, mas adquirem esse valor através de sua associação com um reforçador primário (como comida ou água). Ou seja, um estímulo que inicialmente é neutro torna-se capaz de reforçar comportamentos devido à associação com um estímulo que já é reforçador.
Exemplo de reforçador condicionado: Imagine que, durante o treinamento de um animal, um som (como um apito) seja associado com a entrega de comida. Inicialmente, o som do apito não tem valor, mas após ser repetidamente associado à comida, o som do apito se torna um reforçador condicionado, capaz de aumentar a probabilidade de o animal realizar o comportamento desejado, mesmo na ausência da comida.
Exemplo do dia a dia – Encadeamento de Repostas
Cozinheira Aprendendo a Fazer um Novo Prato
Imaginemos que uma pessoa deseja aprender a fazer um bolo pela primeira vez. O processo envolve um encadeamento de respostas (onde uma tarefa leva à próxima) e reforçadores condicionados (associações que mantêm a motivação ao longo do processo).
Encadeamento de Respostas:
Primeira etapa: A cozinheira começa separando os ingredientes (resposta 1), como farinha, ovos, açúcar, etc.
Reforço condicionado: A cozinheira pode sentir uma sensação de organização e controle, além de um pequeno reforço, como um sorriso de aprovação de alguém que a observa ou um elogio pela preparação inicial. 
Segunda etapa: Ela começa a misturar os ingredientes na batedeira (resposta 2) Reforço condicionado: A sensação de satisfação ao ver a massa crescendo pode funcionar como um reforço.
Terceira etapa: A cozinheira coloca a massa na forma e coloca no forno (resposta 3).
Reforço condicionado: Ela sente a ansiedade positiva de esperar que o bolo cresça, associada à expectativa do resultado final. Esse momento gera um reforço de prazer antecipado.
Quarta etapa: O bolo sai do forno e ela decora o bolo com cobertura (resposta 4).
Reforço condicionado: A sensação de orgulho ao ver o bolo pronto e decorado é um reforço positivo que a motiva a continuar o processo. Além disso, o reconhecimento de amigos ou familiares ao ver o bolo pronto pode ser um reforço social importante.
Estímulos reforçadores condicionados generalizados
Estímulos reforçadores condicionados generalizados são estímulos que, por meio de múltiplas associações com reforçadores primários , passam a reforçar uma ampla gama de comportamentos em diferentes contextos. 
Dinheiro: Como mencionado, o dinheiro é um reforçador condicionado generalizado, pois está associado a uma gama de reforçadores primários, como alimentos, bens materiais, serviços e experiências prazerosas. Isso faz com que o dinheiro seja capaz de reforçar uma grande variedade de comportamentos, como trabalhar para ganhar dinheiro, comprar produtos e pagar por serviços.
Sorriso de uma pessoa: O sorriso de uma pessoa pode se tornar um reforçador condicionado generalizado se for associado com emoções positivas e aprovação. Esse sorriso pode reforçar diversos comportamentos, como interações sociais positivas, ajudar alguém, ou até mesmo modificar o comportamento de forma geral, devido à associação com sentimentos de afeto, aceitação.
Reforçadores condicionados simples
Reforçadores condicionados simples são estímulos que adquirem a capacidade de reforçar um comportamento após serem associados a um reforçador primário ou a outros reforçadores condicionados. 
Esses estímulos inicialmente neutros, ou seja, que não possuem poder de reforço, tornam-se eficazes somente por causa de sua associação com algo que já tem um valor de reforço intrínseco.
Som de uma campainha: Se um som de campainha é associado consistentemente com a entrega de alimento a um animal, o som da campainha pode se tornar um reforçador condicionado simples. Mesmo que o som da campainha, inicialmente, não tenha valor de reforço, ele se torna capaz de reforçar comportamentos como o animal vir ao som da campainha. Ou seja, o comportamento de se aproximar da campainha será reforçado pela associação com a comida.
Consulte a tabela
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