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Prática Clínica no Processo de Cuidar da Saúde do Adulto Responsabilidades do Enfermeiro Institucionalmente, espera-se que um enfermeiro seja capaz de: Responder pelo cuidado do grupo de pessoas. Ser um profissional instrumentalizado para interagir em equipe. Identificar e intervir em situações clínicas específicas. Deter o domínio intelectual da dinâmica assistencial da unidade. Reconhecer o contexto de prática. Avaliar clinicamente o estado de saúde do indivíduo. Utilizar uma ferramenta científica de trabalho (Processo de Enfermagem). Promover o controle da evolução de patologias de natureza transmissível e crônico- degenerativa. Utilizar-se do teor educativo (indivíduo/família) para o autocuidado. Atender à demanda dos serviços de saúde. Encaminhar a outros profissionais (caso necessário). Assistir a pessoa de forma individualizada, atendendo suas necessidades sistematicamente. Raciocínio Clínico Definição: Processo de aplicação do conhecimento e da perícia junto a uma situação clínica para o desenvolvimento de uma proposta de solução. Objetivo: Analisar os dados, identificar problemas e ajudar o indivíduo, família, grupo ou coletividade, a encontrar meios de resolver, adaptar-se à situação ou mesmo prevenir agravos. Acurácia do diagnóstico: Preocupação constante, pois diagnósticos são avaliações clínicas probabilísticas e sempre possuem risco de imprecisão. Respostas humanas: Apresentam-se de forma holística, complexa e única, e conclusões incorretas podem gerar diagnósticos incorretos. Número de manifestações: O enfermeiro trabalha com um número reduzido de manifestações para afirmar um diagnóstico. Pensamento crítico: Essencial para que se realize o processo diagnóstico. Processo de Enfermagem (PE) Histórico: Remonta ao surgimento da Enfermagem Moderna, com Florence Nightingale. Introduzido no Brasil por Wanda de Aguiar Horta. Definição (Horta, 1979): Dinâmica das ações sistematizadas e inter-relacionadas, visando à assistência ao ser humano. Legislação: Lei do Exercício Profissional da Enfermagem n° 7.498 (1986): Inclui a prescrição da assistência de enfermagem como atividade do enfermeiro. Decisão Coren-SP DIR/008/1999 e Decisão Cofen nº 001/2000: Tornou obrigatória a implementação da Sistematização da Assistência de Enfermagem (SAE) em todas as instituições de saúde em São Paulo. Resolução Cofen 272/2002: Primeira vez que o termo PE aparece na legislação. Resolução Cofen 358/2009: Dispõe sobre a SAE e a implementação do PE em todos os ambientes de cuidado. Etapas (inter-relacionadas, interdependentes e recorrentes): Coleta de dados de enfermagem ou histórico de enfermagem.1. Diagnóstico de enfermagem.2. Planejamento da assistência de enfermagem.3. Implementação.4. Avaliação de enfermagem.5. PE como ferramenta: Norteia o processo de raciocínio clínico e a tomada de decisão diagnóstica, de resultados e de intervenções. Permite a documentação dos dados. Etapas do Processo de Enfermagem Coleta de Dados ou Investigação Objetivo: Obter dados subjetivos e objetivos das pessoas de quem cuida, de forma deliberada e sistemática. Quando: Na admissão da pessoa no serviço de saúde, mas pode ser contínua. Instrumento: Construir instrumento de coleta de dados para obter informações do paciente em todo seu contexto. As Necessidades Humanas Básicas podem ser o arcabouço do instrumento. Dados: Válidos: Exemplo: relato verbal de dor. Confiáveis: Obtidos por meio de instrumentos acurados e representativos da resposta humana. Relevantes: Exemplo: observação da presença de edema (quando ocorre). Diagnóstico de Enfermagem Definição: Julgamento clínico sobre as respostas humanas reais ou potenciais apresentadas por indivíduos, famílias e comunidades a problemas de saúde ou processos de vida. Base: Para a seleção de intervenções para atingir resultados pelos quais o enfermeiro é responsável. Análise: Analisar título, definição, características definidoras e fatores relacionados. Linguagem padronizada: Utilizar um sistema de linguagem padronizada (NANDA-I, CIPE, Sistema Omaha, Sistema de Classificação de Cuidados Clínicos de Sabba). Priorização: Segundo sua importância vital, em problemas urgentes. Quantidade: Abranger o(s) problema(s) essencial(is) naquele momento e buscar diagnósticos que possam sanar o máximo possível dos problemas. Ênfase na causa: Exemplo: Troca de gases prejudicada x padrão respiratório ineficaz. Planejamento da Enfermagem Atores envolvidos: Enfermagem, paciente, família, equipe transdisciplinar, serviços disponíveis. Objetivo: Formulação de metas e prescrições das ações de enfermagem. Classificações: Classificação de Resultados de Enfermagem (NOC) é a mais utilizada. Resultados esperados: Devem ser sensíveis às intervenções de enfermagem, mensuráveis e atingíveis. Intervenções: Propor intervenções de enfermagem e prescrever ações de enfermagem que visem a reduzir ou eliminar os fatores que contribuem para o diagnóstico, promover níveis mais elevados de saúde, prevenir problemas e/ou monitorar o estado de saúde atual ou o surgimento de problemas. Linguagem padronizada para intervenções: Classificação de Intervenções de Enfermagem (NIC) e a Cipe. Considerações importantes: O que é possível o paciente responder! Não há como ter planejamento com metas impossíveis! Primeira ação: avaliar o que o paciente, família ou comunidade são passíveis de realizar. Implementação Definição: Execução, pela equipe de enfermagem das atividades prescritas na etapa de Planejamento da Assistência. Intervenções: Ações do enfermeiro (atividades demonstradas no NIC). Prescrições: Ações para a equipe de enfermagem (atividades demonstradas no NIC prescritos pelo enfermeiro). Tipos de cuidado: Cuidado direto: Realizado diretamente para a pessoa. Cuidado indireto: Realizado sem a presença da pessoa (coordenação e controle do ambiente). Responsabilidades: Enfermeiro: Avaliar, Monitorar, Supervisionar, Controlar, Planejar, Organizar, Coordenar. Equipe de enfermagem: Realizar, Verificar, Auxiliar, Registrar, Anotar, Encaminhar. Avaliação Objetivo: Revisão do plano de cuidados no que concerne aos diagnósticos de enfermagem, os resultados esperados e alcançados e as intervenções/atividades de enfermagem implementadas. Processo: Deliberado, sistemático e contínuo de verificação de mudanças nas respostas do indivíduo, da família ou da comunidade. Perguntas chave: Os resultados esperados foram alcançados? Os indicadores se modificaram? Se não, por quê? Fatores a considerar: Acurácia do diagnóstico inicial, adequação das intervenções, impacto das intervenções nas manifestações do diagnóstico. Classificação de Diagnósticos de Enfermagem da NANDA-I Tipos de diagnósticos: Diagnósticos com foco no problema (antigos diagnósticos reais): Descrevem respostas humanas a condições de saúde/processos vitais existentes. Componentes: título, definição, características definidoras (sinais e sintomas) e fatores relacionados (causas). Diagnósticos de risco: Julgamentos clínicos sobre experiências/respostas humanas que têm elevada probabilidade de ocorrer. Componentes: título, definição e fatores de risco. Diagnósticos de promoção da saúde: Julgamentos da motivação e do desejo de aumentar o bem-estar. Componentes: título, definição e características definidoras. Diagnósticos de síndrome: Descrevem um grupo específico de diagnósticos de enfermagem que ocorrem simultaneamente. Componentes: título, definição, características definidoras e fatores relacionados. Processo de identificação: Reconhecer as evidências (pistas) apresentadas pelo paciente.1. Interpretar e agrupar as evidências.2. Identificar hipóteses diagnósticas.3. Classificação dos Resultados de Enfermagem NOC Estrutura: Domínios, classes e resultados. Conteúdo: 490 resultados, sete domínios e 32 classes. Avaliação: Cada resultado tem uma lista de indicadores e uma escala tipo Likert de cinco pontos. NIC - Classificação das Intervençõesde Enfermagem Definição: Qualquer tratamento, baseado no julgamento e no conhecimento clínico, realizado por um enfermeiro para melhorar os resultados do paciente. Conteúdo: 554 intervenções de enfermagem, organizadas em sete domínios e 30 classes. Componentes: título, definição, lista de atividades e referências bibliográficas. Tipos de atividades: assistenciais diretas e indiretas, intervenções iniciadas por enfermeiros (independentes) ou por outros profissionais de saúde (colaborativas). Localização das intervenções: Ordem alfabética, domínios e classes, especialidades, diagnósticos de enfermagem. Prescrições devem ser completas e objetivas: O que, Como, Quando, Onde, Com que frequência, Por quanto tempo/quanto fazer. Escala de Braden Pontuação da Escala: 6 a 23 pontos. Quanto mais baixa for a pontuação, maior será o potencial para desenvolver uma úlcera de pressão. Médio Risco: 15 a 18 pontos Risco Moderado: 13 a 14 pontos Alto Risco: 10 a 12 pontos Altíssimo Risco: Menor que 10