Prévia do material em texto
Raquel Diniz|Farmácia
REFERÊNCIAS: Neves, DP. Parasitologia Humana, 11ª ed, São Paulo, Atheneu, 2005.
GLOSSÁRIO
• Agente Etiológico: É o agente causador ou responsável
pela origem da doença. Pode ser um vírus, bactéria, fungo,
protozoário, helminto.
• Agente Infeccioso: Parasito, sobretudo, microparasitos
(bactérias, fungos, protozoários, vírus etc.), inclusive
helmintos, capazes de produzir infecção ou doença
infecciosa.
• Anfixenose: Doença na qual tanto os humanos quanto os
animais funcionam como hospedeiros do agente.
Por exemplo: doença de Chagas, na qual o Trypanosoma cruzi
pode circular nos seguintes tipos de ciclo:
→ Ciclo silvestre: gambá-triatomíneo-gambá;
→ Ciclo peridoméstico: ratos, cão-triatomíneo-ratos, cão;
→ Ciclo doméstico: humano-triatomíneo-humano; cão, gato-
triatomíneo-cão, gato.
• Antroponose: Doença exclusivamente humana. Por
exemplo, gripe.
• Antropozoonose: Doença primária de animais, que pode
ser transmitida aos humanos. Exemplo: brucelose, na qual
o homem é um hospedeiro acidental.
• Cepa: Grupo ou linhagem de um agente infeccioso, de
ascendência conhecida, compreendida dentro de uma
espécie e que se caracteriza por alguma propriedade
biológica e/ou fisiológica.
• Contaminação: É a presença de um agente infeccioso na
superfície do corpo, roupas, água, leite, alimentos etc.
• Doença Metaxênica: Quando parte do ciclo vital de um
parasito se realiza no vetor, isto é, o vetor não só
transporta o agente, mas é um elemento obrigatório para
maturação e/ ou multiplicação do agente. Ex.: malária,
esquistossomose.
• Enzoose: Doença exclusivamente de animais. Por exemplo,
a peste suína, o Dioctophime renale, parasitando rim de
cão e lobo etc.
• Endemia: Doença infecciosa que ocorre habitualmente e
com incidência significativa em dada população e/ou
região (número esperado de casos em determinada
época).
• Epidemia: Surto periódico de uma doença infecciosa em
dada população e/ou região. O número de casos ultrapassa
nitidamente a incidência normalmente esperada de uma
doença.
• Epidemiologia: É o estudo da distribuição (idade, sexo,
raça, geografia etc.) e dos fatores determinantes (tipo de
patógeno, meios de transmissão etc.) da frequência de
uma doença (ou outro evento).
• Espécies Alopátricas: São espécies ou subespécies do
mesmo gênero, que vivem em ambientes diferentes,
devido a existência de barreiras que as separaram.
• Espécies Simpátricas: São espécies ou subespécies do
mesmo gênero, que vivem num mesmo ambiente.
• Espécie Eurítopa: É a que possui ampla distribuição
geográfica, com ampla valência ecológica, e até com
hábitats variados.
• Espécie Estenótopa: É a que apresenta distribuição
geográfica restrita com hábitats restritos.
• Estádio: É a fase intermediária ou intervalo entre duas
mudas da larva de um artrópode ou helminto.
Ex.: larva de 1º estádio, larva de 3º estádio, estádio adulto (em
entomologia, estádio adulto é sinônimo de instar).
• Estágio: É a forma de transição (imaturos) de um artrópode
ou helminto para completar o ciclo biológico. Ex.: estágio
de ovo, larva ou pupa (portanto, o estágio larva pode
passar por dois ou três estádios).
• Fase Aguda: É aquele período após a infecção em que os
sintomas clínicos são mais marcantes (febre alta etc.). É um
período de definição: o indivíduo se cura, entra na fase
crônica ou morre.
• Fase Crônica: Caracteriza-se pela diminuição da
sintomatologia clínica e existe um equilíbrio relativo entre
o hospedeiro e o agente infeccioso. O número de parasitos
mantém uma certa constância (É importante dizer que este
equilíbrio pode ser rompido em favor de ambos os lados.).
• Fômite: É representado por utensílios que podem veicular
o parasito entre hospedeiros. Por exemplo: roupas,
seringas, espéculos etc.
• Fonte de infecção: É a pessoa, coisa ou substância da qual
um agente infeccioso passa diretamente a um hospedeiro.
• Hábitat: É o ecossistema, local ou órgão onde determinada
espécie ou população vive. Ex.: o Ascaris lumbricoides tem
por hábitat o intestino delgado humano.
• Hospedeiro: É um organismo que hospeda o parasito.
Exemplo: o hospedeiro do Ascaris lumbricoides é o ser
humano.
Raquel Diniz|Farmácia
REFERÊNCIAS: Neves, DP. Parasitologia Humana, 11ª ed, São Paulo, Atheneu, 2005.
• Hospedeiro Definitivo: É o que apresenta o parasito em
fase de maturidade ou em fase de atividade sexual.
• Hospedeiro Intermediário: É aquele que apresenta o
parasito em fase larvária ou assexuada.
• Hospedeiro Paratênico ou de Transporte: É o hospedeiro
intermediário no qual o parasito não sofre
desenvolvimento, mas permanece encistado até que o
hospedeiro definitivo o ingira. Exemplo: Hymenolepis nana
em coleópteros (besouros e as joaninhas).
• Incidência: É a frequência com que uma doença ou fato
ocorre num período de tempo definido e com relação à
população (casos novos, apenas).
• Infecção: Penetração e desenvolvimento, ou
multiplicação, de um agente infeccioso dentro do
organismo de humanos ou animais (inclusive vírus,
bactérias, protozoários e helmintos).
• Infecção Inaparente: Presença de infecção num
hospedeiro, sem o aparecimento de sinais ou sintomas
clínicos. (Nesse caso, pode estar em curso uma patogenia
discreta, mas sem sintomatologia; quando há
sintomatologia a infecção passa a ser uma doença
infecciosa.)
• Infestação: É o alojamento, desenvolvimento e
reprodução de artrópodes na superfície do corpo ou
vestes.
• Letalidade: É a proporção entre o número de mortes por
uma doença e o número total de doentes que sofrem dessa
doença, ao longo de um determinado período de tempo.
Por ex.: 100% das pessoas não-vacinadas, quando
atingidas pelo vírus rábico, morrem.
• Morbidade: Expressa o número de pessoas doentes com
relação a população. Exemplo: na época do inverno, a
morbidade da gripe é alta [isto é, o número de pessoas
doentes (incidência) é grande].
• Mortalidade: Determina o número geral de óbitos em
determinado período de tempo e com relação a
população.
• Parasitemia: Reflete a carga parasitária no sangue do
hospedeiro. Exemplo: camundongos X apresentam 2.000
tripanossomas por cm3 de sangue.
• Parasitismo: É a associação entre seres vivos, em que
existe unilateralidade de benefícios, sendo um dos
associados prejudicados pela associação. Desse modo, o
parasito é o agressor, o hospedeiro é o que alberga o
parasito. Podemos ter vários tipos de parasitos:
→ Endoparasito: O que vive dentro do corpo do
hospedeiro (provoca infecção). Exemplo: Ancylostoma
duodenale.
→ Ectoparasito: O que vive externamente ao corpo do
hospedeiro (provoca infestação). Exemplo: Pediculus
humanus (piolho).
→ Hiperparasito: O que parasita outro parasito. Exemplo:
E. histolytica sendo parasitado por fungos (Sphoerita
endogena) ou mesmo por cocobacilos.
• Parasito Acidental: É o que parasita outro hospedeiro que
não o seu normal. Exemplo: Dipylidium caninum,
parasitando criança.
• Parasito Errático: É o que vive fora do seu hábitat normal.
• Parasito Estenoxênicos: É o que parasita uma ou poucas
espécies de vertebrados muito próximas. Exemplo:
algumas espécies de Plasmodium só parasitam primatas;
outras, só aves etc.
• Parasito Eurixeno: É o que parasita espécies de
vertebrados muito diferentes. Exemplo: o Toxoplasma
gondii, que pode parasitar todos os mamíferos e até aves.
• Parasito Facultativo: É o que pode viver parasitando, ou
não, um hospedeiro (nesse último caso, isto é, quando não
está parasitando, é chamado vida livre). Exemplo: larvas de
moscas Sarcophagidae, que podem desenvolver-se em
feridas necrosadas ou em matéria orgânica (esterco) em
decomposição.
• Parasito Obrigatório: É aquele incapaz de viver fora do
hospedeiro. Exemplo: Toxoplasma gondii, Plasmodium, S.
mansoni.
• Parasito Periódico: É oque frequenta o hospedeiro
intervaladamente. Exemplo: os mosquitos que se
alimentam sobre o hospedeiro a cada três dias.
• Parasito Heterogenético: É o que apresenta altenância de
gerações. Exemplo: Plasmodium, com ciclo assexuado no
mamífero e sexuado no mosquito.
• Parasito Monogenético: É o que não apresenta alternância
de gerações (isto é, possui um só tipo de reprodução
sexuada ou assexuada). Exemplos: Ascaris lumbricoides,
Ancylostomatidae, Entamoeba histolytica.
• Parasito Heteroxênico: É o que possui hospedeiro
definitivo e intermediário. Exemplos: Trypanosoma cruzi,
S. mansoni.
• Parasito Monoxênico. É o que possui apenas o hospedeiro
definitivo. Exemplos: Enterobius vermicularis, A.
lumbricoides.
• Parasitóide. É a forma imatura (larva) de um inseto (em
geral da ordem Hymenoptera) que ataca outros
invertebrados, quase sempre levando-os a morte.
• Partenogênese: Refere-se a um tipo de reprodução
assexuada em que o ovo se desenvolve sem ocorrência da
Raquel Diniz|Farmácia
REFERÊNCIAS: Neves, DP. Parasitologia Humana, 11ª ed, São Paulo, Atheneu, 2005.
fecundação (parthenos = virgem, mais genesis = geração).
Ex.: Strongyloides stercoralis.
• Patogenia ou Patogênese: É o mecanismo com que um
agente infeccioso provoca lesões no hospedeiro. Ex.: o S.
mansoni provoca lesões no organismo através de ovos,
formando granulomas.
• Patogenicidade: É a capacidade de um agente infeccioso
provocar lesões. Ex.: Leishmania braziliensi tem urna
patogenicidade alta; Taenia saginata tem patogenicidade
baixa.
• Patognomônico: Sinal ou sintoma característico de uma
doença.
• Pedogênese: É a reprodução ou multiplicação de uma
forma larvária (pedos =jovem, mais genesis = geração). Ex.:
a formação de esporocistos secundários e rédias a partir
do esporocisto primário.
• Período de Incubação: É o período decorrente entre o
tempo de infecção e o aparecimento dos primeiros
sintomas clínicos.
• Periodo Pré-Patente: É o período que decorre entre a
infecção e o aparecimento das primeiras formas
detectáveis do agente infeccioso.
• Portador: Hospedeiro infectado que alberga o agente
infeccioso, sem manifestar sintomas, mas capaz de
transmiti-lo a outrem ("portador assintomático"); quando
ocorre doença e o portador pode contaminar outras
pessoas em diferentes fases, temos o "portador em
incubação", "portador convalescente", "portador
temporário", "portador crônico".
• Premunição ou Imunidade Concomitante: É um tipo
especial do estado imunitário ligado a necessidade da
presença do agente infeccioso em níveis assintomáticos no
hospedeiro. Normalmente, a premunição é encarada
como sendo um estado de imunidade que impede
reinfecções pelo agente infeccioso específico.
Ex.: na malária, em algumas regiões endêmicas, o paciente
apresenta-se em estado crônico constante, não havendo
reagudização da doença. Existe um equilíbrio perfeito entre o
hospedeiro o hóspede.
• Prevalência: Termo geral utilizado para caracterizar o
número total de casos de uma doença ou qualquer outra
ocorrência numa população e tempo definidos (casos
antigos somados aos casos novos).
• Profilaxia: É o conjunto de medidas que visam a
prevenção, erradicação ou controle de doenças ou fatos
prejudiciais aos seres vivos. ("profilaxia" → medidas contra
uma doença já estabelecida; "prevenção"→ medidas para
evitar o estabelecimento de uma doença.).
• Reservatório: São o homem, os animais, as plantas, o solo
e qualquer matéria orgânica inanimada onde vive e se
multiplica um agente infecioso, sendo vital para este a
presença de tais reservatórios e sendo possível a
transmissão para outros hospedeiros.
• Sinantropia: É a habilidade de certos animais silvestres
(mamíferos, aves, insetos) frequentar habitações
humanas; isto é, pela alteração do meio ambiente natural
houve uma adaptação do animal que passou a ser capaz de
conviver com o homem. Ex.: moscas, ratos e morcegos
silvestres frequentando ou morando em residências
humanas.
• Vetor: Veículo que transmite o parasito entre dois
hospedeiros.
• Vetor Biológico: É quando o parasito se multiplica ou se
desenvolve no vetor. Exemplos: o T. cruzi, no T. infestans;
o S. mansoni, no Biomphalaria glabrata.
• Vetor Mecânico: É quanto o parasito não se multiplica nem
se desenvolve no vetor, este simplesmente serve de
transporte. Ex.: Tunga penetrans veiculando
mecanicamente esporos de fungo.
• Virulência: Grau de patogenicidade, determinada pelos
fatores de virulência expressos pelas células. É a
severidade e rapidez com que um agente infeccioso
provoca lesões no hospedeiro. Ex.: a E. histolytica pode
provocar lesões severas, rapidamente.
• Zooantroponose: Doença primária dos humanos, que
pode ser transmitida aos animais. Ex.: a esquistossomose
hansoni no Brasil. O humano é o principal hospedeiro.
• Zoonose: Doenças e infecções que são naturalmente
transmitidas entre animais vertebrados e os humanos.
Atualmente, são conhecidas cerca de 100 zoonoses. Ex.:
doença de Chagas, toxoplasmose, raiva, brucelose.
Raquel Diniz|Farmácia
REFERÊNCIAS: Neves, DP. Parasitologia Humana, 11ª ed, São Paulo, Atheneu, 2005.
Relação parasito-hospedeiro
INTRODUÇÃO
• O inter-relacionamento entre os seres vivos é
fundamental para a manutenção da vida.
• Nenhum ser vivo é capaz de sobreviver e reproduzir -se
independentemente de outro.
• Esse relacionamento varia entre os diversos reinos,
filos, ordens, gêneros e espécies.
• A ecologia é a ciência que estuda a interdependência
funcional entre as diferentes espécies e o meio
ambiente/sua relação com o meio orgânico e
inorgânico.
• A relação entre os seres vivos é dinâmica:
• Se o desequilíbrio for brusco, rápido ou muito
abrangente, pode haver destruição das espécies
envolvidas.
DOENÇAS PARASITÁRIAS
o As doenças parasitárias encontram um campo fértil na
pobreza, na falta de educação e de saneamento básico.
o A dinâmica populacional tem sido muito intensa, com
acentuado êxodo rural e formação de favelas na
periferia das cidades:
→ 1940 (41 milhões de habitantes): 30% viviam em
ambientes urbanos e 70% em ambientes rurais;
→ Atualmente (170 milhões de habitantes): 80%
vivem em ambientes urbanos e 20% em ambientes
rurais.
o As doenças que eram chamadas de “endemias rurais”
devem hoje ser estudadas como “endemias urbanas”.
o O relacionamento entre os seres vivos visa dois
aspectos: obtenção de alimento e/ou proteção.
Ciclo pobreza x doença, OMS
ORIGEM DO PARASITISMO E TIPOS DE
ADAPTAÇÕES
• O parasitismo surgiu quando um organismo se sentiu
beneficiado, quer pela proteção, quer pela obtenção de
alimentos.
• Adaptação é a marca do parasitismo → evolução de
modo a proporcionar um melhor relacionamento do
parasito com o seu hospedeiro.
• As principais modificações ou adaptações são as
seguintes:
MORFOLÓGICAS
a) Degenerações: representadas por perdas ou atrofia
de órgãos locomotores, aparelho digestivo, etc.
b) Hipertrofia: encontradas principalmente nos
órgãos de fixação, resistência ou proteção e
reprodução. Por exemplo, alguns helmintos
possuem órgãos de fixação muito forte.
BIOLÓGICAS
a) Capacidade reprodutiva: para suplantar as
dificuldades de atingirem novo hospedeiro e
escaparem da predação externa, os parasitos são
capazes de produzir grandes quantidades de ovos,
cistos ou outras formas infectantes.
Adaptação
Evolução
Busca do
equilíbrio
Raquel Diniz|Farmácia
REFERÊNCIAS: Neves, DP. Parasitologia Humana, 11ª ed, São Paulo, Atheneu, 2005.
b) Tipos diversos de reprodução: mecanismos de
reprodução que permitem ou uma mais fácil ou
mais segura reprodução da espécie. Por exemplo:
Hermafroditismo (autofecundação) -
organismos capazes de produzir tantogametas masculinos quanto femininos,
assumindo papel de macho e fêmea (tênia).
Partenogênese (ausência de fecundação) –
desenvolvimento de um ovo sem fecundação.
Poliembrionia – formação de dois ou mais
seres a partir de uma única célula-covo.
Esquizogonia – a célula sofre sucessivas
divisões em seu núcleo acompanhadas de
idêntico número de divisões no citoplasma
(constitui vários indivíduos isolados
simultaneamente).
c) Capacidade de resistência à agressão do
hospedeiro – presença de antiquinase, que é uma
enzima que neutraliza a ação dos sucos digestivos
sobre numerosos helmintos; capacidade de resistir
à ação de anticorpos ou de macrófagos,
capacidade de induzir uma imunossupressão, etc.
d) Tropismos – facilitam a propagação, a reprodução
ou sobrevivência de determinada espécie de
parasito (quando o movimento ocorre em direção
ao fator estimulante diz-se que é positivo. Quando
ocorre em direção contrária, diz-se que é
negativo.) Os mais importantes são:
Geotropismos – abrigar-se na terra – diz-se
neste caso que é positivo- e abrigar-se acima
da superfície da terra – neste caso é negativo.
Termotropismo – influência atrativa (positivo)
ou repulsiva (negativo) que o calor exerce
sobre o protoplasma vivo, seu crescimento e o
sentido da sua direção.
Quimiotropismo - ocorre quando um
organismo cresce direcionado por um
estímulo químico.
Heliotropismo – movimento ou crescimento
em direção ao sol.
AÇÃO DO PARASITO SOBRE O HOSPEDEIRO
• A ação do parasito sobre o hospedeiro tem grande
importância na parasitologia, pois é por intermédio
dela que poderá ocorrer doença no hospedeiro.
• A patogenicidade dos parasitos é o resultado de uma
adaptação entre as espécies, podendo chegar a um
equilíbrio dinâmico entre a patogenicidade do parasito
e a resistência do hospedeiro.
• As principais tipos são:
MECÂNICA
o É uma ação exercida pela presença do parasito em
determinado órgão, podendo ser uma ação obstrutiva
ou destrutiva durante sua migração.
o Exemplo: Enovelamento do Ascaris Lumbricoides no
intestino delgado humano provocando a necrose de
segmento da alça do intestino delgado atingida.
ESPOLIATIVA
o Quando o parasito retira nutrientes do hospedeiro.
o Exemplo: Competição alimentar entre Ascaris
lumbricoides, tênias e o hospedeiro.
TRAUMÁTICA
o Quando o parasito promove traumas no hospedeiro,
tanto na forma adulta (fixação dos anscilostomídeos na
mucosa duodenal) como na fase larvária (migração de
larvas de helmintos no fígado ou nos pulmões).
TÓXICA
o Quando produtos do metabolismo do parasito são
tóxicos para o hospedeiro.
o Exemplo: formação de granulomas pelos ovos de
Schistosoma mansoni.
IMUNOGÊNICA
o Quando partículas antigênicas de parasitos
sensibilizam tecidos do hospedeiro, aumentando a
resposta imunitária, a qual agrava a parasitose.
o Exemplo: malária, doença de Chagas e leishsmaniose
são doenças tipicamente agravadas pela resposta
imune.
IRRITATIVA
o Deve-se à presença constante do parasito que, sem
produzir lesões traumáticas, irrita o local parasitado.
o Exemplo: ação das ventosas dos Cestodas ou dos lábios
do Áscaris lumbricoides na mucosa intestinal.
Raquel Diniz|Farmácia
REFERÊNCIAS: Neves, DP. Parasitologia Humana, 11ª ed, São Paulo, Atheneu, 2005.
INFLAMATÓRIA
o O próprio parasito ou produtos de seu metabolismo
estimulam o afluxo de células inflamatórias.
o Exemplo: Formação de granulomas em torno de ovos
de S. mansoni.
ENZIMÁTICA
o É o que ocorre na penetração da pele por cercárias de
Schistosoma mansoni ou a penetração de trofozoítos
de Entamoeba histolytica na mucosa do intestino
grosso.
ANÓXIA
o Quando ocorre grande consumo de O2 pelo parasito
nas hemácias, podendo provocar anóxia generalizada.
o Exemplo: parasitismo de hemácias pelos plasmódios
ou em infecções maciças pelos ancilostomídeos.
TIPOS DE ASSOCIAÇÕES ENTRE OS
ANIMAIS
• Harmônicas ou Positivas: há benefício mútuo ou
ausência de prejuízo. Por exemplo: comensalismo,
mutualismo e simbiose.
• Desarmônicas ou negativas: há prejuízo para algum
dos participantes. Por exemplo: competição,
canibalismo, predatismo e parasitismo.
COMENSALISMO
o É a associação harmônica entre duas espécies, na qual
uma obtém vantagens (o hóspede) sem prejuízo para o
outro (hospedeiro). Por exemplo: Entamoeba coli
vivendo no intestino grosso humano.
o Vantagens: proteção, transporte e nutrição.
o Pode ser dividido em:
→ Forésia: é quando na associação uma espécie
fornece suporte, abrigo ou transporte a outra
espécie. Alguns autores denominam a forésia de
"comensalismo epizóico".
→ Inquilinismo: é quando uma espécie vive no interior
de outra, sem se nutrir à custa desta, mas utilizando
o abrigo e parte do alimento que a outra capturou.
→ Sinfilismo ou protocooperação: ocorre quando
duas espécies se associam para benefício mútuo,
mas sem obrigatoriedade, isto é, a associação não é
necessária para a sobrevivência de ambas.
MUTUALISMO
o Duas espécies se associam para viver e ambas são
beneficiadas.
o O exemplo clássico é a associação que ocorre no
intestino de cupins com os protozoários do gênero
Hypermastiginia.
SIMBIOSE
o Associação entre seres vivos, na qual há uma troca de
vantagens a nível de esses seres serem incapazes de
viver isoladamente.
COMPETIÇÃO
o Associação desarmônica na qual exemplares da mesma
(competição intraespecífica) ou de espécies diferentes
(competição interespecífica) lutam pelo mesmo abrigo
ou alimentos.
CANIBALISMO
o Relacionamento desarmônico que se constitui no ato
de um animal se alimentar de outro da mesma espécie
ou a mesma família. Quase sempre ocorre devido à
superpopulação e deficiência alimentar.
PREDATISMO
o É quando uma espécie animal de alimenta de uma
outra espécie.
PARASITISMO
o Associação entre seres vivos na qual há unilateralidade
de benefícios, ou seja, o hospedeiro é espoliado pelo
parasito, pois fornece alimento e abrigo para este. ESTA
RELAÇÃO TENDE PARA O EQUILÍBRIO.
Então por que tem havido casos graves ou epidemias
de parasitoses? Isso ocorre devido a alteração do meio
ambiente, concentração populacional e baixas
condições higiênicas e alimentares, que levam a existir
condições propícias para a multiplicação do parasito ou
do vetor junto a uma população suscetível.
o Logo, para haver doença parasitária, deve existir alguns
fatores:
a) Inerentes ao parasito: número de exemplares,
tamanho, localização, virulência, metabolismo etc.
Raquel Diniz|Farmácia
REFERÊNCIAS: Neves, DP. Parasitologia Humana, 11ª ed, São Paulo, Atheneu, 2005.
b) Inerentes ao hospedeiro: idade, nutrição, nível de
resposta imune, intercorrência de outras doenças,
hábitos, uso de medicamentos etc.
Da combinação desses fatores poderemos ter:
✓ Doente.
✓ Portador assintomático.
✓ Não-parasitado.
Raquel Diniz|Farmácia
REFERÊNCIAS: Neves, DP. Parasitologia Humana, 11ª ed, São Paulo, Atheneu, 2005.
Ecologia parasitária
• A Ecologia é o estudo das relações dos seres vivos entre
si e o meio ambiente.
• A Parasitologia é a ciência que estuda os parasitas, os
seus hospedeiros e as relações entre eles.
ALGUNS CONCEITOS IMPORTANTES
• ECOSSISTEMA
→ Comunidade ecológica ou um ambiente natural, onde
há um estreito relacionamento entre as várias
espécies de animais, vegetais e minerais: grandes
lagos, o mar, florestas, desertos e campos.
• HETEROTRÓFICOS
→ São os seres que utilizam das substâncias orgânicas
produzidas pelos seres autotróficos. São os
elementos consumidores. Exemplo: herbívoros e
carnívoros.
• AUTOTRÓFICOS
→ São os seres capazes de fixar energia luminosa (solar)
e sintetizaralimentos a partir de elementos
inorgânicos. São as plantas e algas verdes, que são os
elementos produtores.
• DECOMPOSITORES (OU SAPRÓFITAS)
→ São os seres heterotróficos capazes de decompor os
elementos autototróficos e heterotróficos que
morreram, transformando-os em substâncias mais
simples e reutilizáveis pelos autotróficos. Exemplo:
bactérias.
• ABIÓTICOS
→ São os componentes físicos e químicos do meio.
• BIOMA
→ Apresenta significado semelhante ao termo
ecossistema; entretanto, é aplicado quando se quer
designar grandes comunidades, ou seja, florestas de
coníferas, pradarias etc.
• POTENCIAL BIÓTICO
→ Capacidade máxima reprodutiva de uma espécie.
• BARREIRAS – fatores que intervêm na manutenção do
equilíbrio de um ecossistema:
→ Físicas: presença de montanhas, rios ou mesmo terra
para as espécies aquáticas, e vice-versa;
→ Climáticas: temperatura e umidade variando durante
o ano (estações), regulando o potencial biótico;
→ Biológicas: ausência de hospedeiros, de alimento,
presença de inimigos naturais e a própria densidade
populacional (crowding), em que a "superpopulação"
inibe a reprodução.
• HÁBITAT
→ É o ecossistema, local ou órgão, onde determinada
espécie ou população vive.
• NICHO ECOLÓGICO
→ É a atividade de uma espécie ou população dentro do
hábitat.
• ECÓTOPO
→ É o abrigo fisico do animal.
• ECÓTONO
→ É uma região de transição entre dois ecossistemas ou
biomas estabelecidos.
• BIÓTOPO
→ É o local onde as condições para a sobrevivência de
uma ou várias espécies são uniformes e mantêm-se
constantes em diferentes áreas ou regiões.
• BIOCENOSE
→ É a associação de vários organismos habitando o
mesmo biótopo.
FOCO NATURAL DE UMA PARASITOSE
• O foco natural da doença é composto pelas condições
indispensáveis exigidas pela espécie parasita para que
esta se instale numa região e se propague.
• É representado pelo biótopo (local) e pela biocenose
(hospedeiros vertebrados, os vetores etc.).
→ Foco elementar: área, constituída pelo domicílio, o
peridomicílio e seus moradores, onde circula o
parasita.
→ Foco zoonótico: envolve animais silvestres ou
domésticos, nos domicílios e peridomicílios das
regiões endêmicas.
→ Foco natural: reunião dos focos elementares ou
zoonóticos.
Raquel Diniz|Farmácia
REFERÊNCIAS: Neves, DP. Parasitologia Humana, 11ª ed, São Paulo, Atheneu, 2005.
RESISTÊNCIA AO PARASITO
SUSCETIBILIDADE AO PARASITA
CONDIÇÕES ESSENCIAIS PARA QUE
EXISTAM OS FOCOS NATURAIS DE UMA
PARASITOSE
• Presença simultânea, no espaço e no tempo, dos
membros da cadeia epidemiológica que asseguram a
circulação do parasito (hospedeiro e vetores).
• Existência de condições ambientais compatíveis com as
necessidades que os ovos, cistos ou larvas dos parasitos
têm para que possam sobreviver.
• Presença do parasito ou sua introdução em dado
momento no ecossistema adequado à sua manutenção.
RELAÇÕES ENTRE O PARASITO E SEU
HOSPEDEIRO
CLASSIFICAÇÃO DOS PARASITOS SEGUNDO
OS MODOS DE TRANSMISSÃO
• Parasitos transmitidos entre pessoas devido ao contato
pessoal ou objetos de uso pessoal (fômites): S. scabiei,
P. pubis, P. humanus, T. vaginalis.
• Parasitos transmitidos pela água, alimentos, mãos sujas
ou poeira: E. histolytica, G. lamblia, T. gondii, H. nana,
cisticercose (ovos de T. solium), A. lumbricoides, T.
trichiura, E. vermicularis.
• Parasitos transmitidos por solos contaminados por
larva (geo-helmintoses): A. duodenale, N. americanus, S.
stercoralis.
• Parasitos transmitidos por vetores ou hospedeiros
intermediários: Leishmania sp., T. cruzi, Plasmodium sp.,
S. mansoni, T. solium, T. saginata, K. bancrojii, O.
volvulus, M. ozzardi.
NOMENCLATURA DAS DOENÇAS
PARASITÁRIAS
• Deve-se agregar 'ose' ao nome do gênero do agente
etiológico, para designar doença ou infecção.
• Exemplos: leishmaniose, tricomonose, naegleriose,
criptosporidiose, toxoplasmose, plasmodiose,
balantidiose, schistossomose, fasciolose.
• Vale lembrar que para algumas parasitoses, o termo já
consagrado pelo uso é mais eufônico que o proposto,
como por exemplo: amebíase/amebose;
tripanossomíase/tripanossomose.
Raquel Diniz|Farmácia
REFERÊNCIAS: Neves, DP. Parasitologia Humana, 11ª ed, São Paulo, Atheneu, 2005.
Taxonomia
• É a ordenação dos seres vivos em classes, baseando-se
no parentesco, semelhança ou ambos.
• ESPÉCIE
→ Coleção de indivíduos atuais ou fósseis que se
assemelham tanto entre si como com os seus
ascendentes e descendentes. Tal semelhança decorre
de esses indivíduos possuírem patrimônio genético.
• GÊNERO
→ Reunião de espécies próximas.
• NOMENCLATURA
→ É a aplicação de nomes distintos a cada uma das
classes reconhecidas numa dada classificação.
• NOMENCLATURA BINOMINAL
→ Normas para designar cada espécie de ser vivo com
dois nomes: o primeiro indicando o gênero e o
segundo a espécie.
• LEI DA PRIORIDADE
→ Considera-se como válido para designar uma espécie
o nome que foi primeiro atribuído a ela.
→ O autor da espécie deve ter obedecido às regras da
nomenclatura binominal e dado, ao mesmo tempo
que o nome, uma descrição da mesma capaz de
caracterizá-la sem ambiguidade.
→ Sinonímia: ocorre quando um mesmo e
único táxon tenha recebido duas denominações
distintas, propostas por dois pesquisadores
diferentes, a segunda denominação perde sua
validade devido a "Lei da Prioridade”.
UNIDADE TAXONÔMICA
Níveis de classificação ou categoria taxonômica:
➢ Reino
➢ Filo
➢ Classe
➢ Ordem
➢ Família
➢ Gênero
➢ Espécie
https://pt.wikipedia.org/wiki/T%C3%A1xon
Raquel Diniz|Farmácia
REFERÊNCIAS: Neves, DP. Parasitologia Humana, 11ª ed, São Paulo, Atheneu, 2005.
Epidemiologia
• Ciência que estuda a distribuição de doenças ou
enfermidades assim como os seus determinantes
(fatores de risco) na população humana.
• OBJETIVO: Promoção da saúde através da prevenção de
doenças em grupos populacionais.
RACIOCÍNIO EPIDEMIOLÓGICO
• Pessoa: identificar quais, como e por que as
características das pessoas enfermas diferem das
pessoas não enfermas.
• Lugar: determinar por que em uma área geográfica uma
enfermidade ou grupo de enfermidades ocorre com
maior frequência.
• Tempo: determinar se ocorreram mudanças (aumento
ou decréscimo) na frequência de determinada doença
através do tempo.
TRÍADE EPIDEMIOLÓGICA
CLASSIFICAÇÃO DOS AGENTES DE DOENÇAS
• Agentes biológicos: protozoários, bactérias, fungos, etc.
• Elementos nutritivos: excesso de colesterol, deficiência
de vitaminas.
• Agentes químicos: veneno, alérgenos, etc.
• Agentes físicos: trauma, radiação, fogo, etc.
CARACTERÍSTICAS DO HOSPEDEIRO
• Fatores demográficos: sexo, idade, grupo étnico.
• Biológicos: fadiga, estresse, estado nutricional.
• Sociais: dieta, exercício físico, acesso aos serviços de
saúde.
• Resposta imune: resistência natural, infecção, doença
autoimune.
FORMAS DE DISSEMINAÇÃO DAS DOENÇAS
• Veículo comum: água, ar, alimentos.
• Porta de entrada no hospedeiro humano: trato
respiratório, gastrintestinal, cutâneo, etc.
DOENÇAS CLÍNICAS E SUBCLÍNICAS
• Indivíduos apresentando sinais e sintomas → Clínica;
• Indivíduo sem sinais e sintomas → Subclínica.
PREVENÇÃO E CONTROLE DE INFECÇÕES
• Primeiro nível: relacionado com o paciente e é de
responsabilidade do médico.
• Segundo nível: desenvolvido por uma entidade
hospitalar mediante comissão de infecção.
• Terceiro nível: abrangência comunitária ou até mesmo
nacional, mediante políticas de prevenção e controle
vetorial.
• Quarto nível: controle de pandemias, endemias ou
epidemias medianteestratégias globais.