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Raquel Diniz|Farmácia 
REFERÊNCIAS: Neves, DP. Parasitologia Humana, 11ª ed, São Paulo, Atheneu, 2005. 
 
 
GLOSSÁRIO 
 
• Agente Etiológico: É o agente causador ou responsável 
pela origem da doença. Pode ser um vírus, bactéria, fungo, 
protozoário, helminto. 
• Agente Infeccioso: Parasito, sobretudo, microparasitos 
(bactérias, fungos, protozoários, vírus etc.), inclusive 
helmintos, capazes de produzir infecção ou doença 
infecciosa. 
• Anfixenose: Doença na qual tanto os humanos quanto os 
animais funcionam como hospedeiros do agente. 
Por exemplo: doença de Chagas, na qual o Trypanosoma cruzi 
pode circular nos seguintes tipos de ciclo: 
→ Ciclo silvestre: gambá-triatomíneo-gambá; 
→ Ciclo peridoméstico: ratos, cão-triatomíneo-ratos, cão; 
→ Ciclo doméstico: humano-triatomíneo-humano; cão, gato-
triatomíneo-cão, gato. 
• Antroponose: Doença exclusivamente humana. Por 
exemplo, gripe. 
• Antropozoonose: Doença primária de animais, que pode 
ser transmitida aos humanos. Exemplo: brucelose, na qual 
o homem é um hospedeiro acidental. 
• Cepa: Grupo ou linhagem de um agente infeccioso, de 
ascendência conhecida, compreendida dentro de uma 
espécie e que se caracteriza por alguma propriedade 
biológica e/ou fisiológica. 
• Contaminação: É a presença de um agente infeccioso na 
superfície do corpo, roupas, água, leite, alimentos etc. 
• Doença Metaxênica: Quando parte do ciclo vital de um 
parasito se realiza no vetor, isto é, o vetor não só 
transporta o agente, mas é um elemento obrigatório para 
maturação e/ ou multiplicação do agente. Ex.: malária, 
esquistossomose. 
• Enzoose: Doença exclusivamente de animais. Por exemplo, 
a peste suína, o Dioctophime renale, parasitando rim de 
cão e lobo etc. 
• Endemia: Doença infecciosa que ocorre habitualmente e 
com incidência significativa em dada população e/ou 
região (número esperado de casos em determinada 
época). 
• Epidemia: Surto periódico de uma doença infecciosa em 
dada população e/ou região. O número de casos ultrapassa 
nitidamente a incidência normalmente esperada de uma 
doença. 
• Epidemiologia: É o estudo da distribuição (idade, sexo, 
raça, geografia etc.) e dos fatores determinantes (tipo de 
patógeno, meios de transmissão etc.) da frequência de 
uma doença (ou outro evento). 
• Espécies Alopátricas: São espécies ou subespécies do 
mesmo gênero, que vivem em ambientes diferentes, 
devido a existência de barreiras que as separaram. 
• Espécies Simpátricas: São espécies ou subespécies do 
mesmo gênero, que vivem num mesmo ambiente. 
• Espécie Eurítopa: É a que possui ampla distribuição 
geográfica, com ampla valência ecológica, e até com 
hábitats variados. 
• Espécie Estenótopa: É a que apresenta distribuição 
geográfica restrita com hábitats restritos. 
• Estádio: É a fase intermediária ou intervalo entre duas 
mudas da larva de um artrópode ou helminto. 
Ex.: larva de 1º estádio, larva de 3º estádio, estádio adulto (em 
entomologia, estádio adulto é sinônimo de instar). 
• Estágio: É a forma de transição (imaturos) de um artrópode 
ou helminto para completar o ciclo biológico. Ex.: estágio 
de ovo, larva ou pupa (portanto, o estágio larva pode 
passar por dois ou três estádios). 
• Fase Aguda: É aquele período após a infecção em que os 
sintomas clínicos são mais marcantes (febre alta etc.). É um 
período de definição: o indivíduo se cura, entra na fase 
crônica ou morre. 
• Fase Crônica: Caracteriza-se pela diminuição da 
sintomatologia clínica e existe um equilíbrio relativo entre 
o hospedeiro e o agente infeccioso. O número de parasitos 
mantém uma certa constância (É importante dizer que este 
equilíbrio pode ser rompido em favor de ambos os lados.). 
• Fômite: É representado por utensílios que podem veicular 
o parasito entre hospedeiros. Por exemplo: roupas, 
seringas, espéculos etc. 
• Fonte de infecção: É a pessoa, coisa ou substância da qual 
um agente infeccioso passa diretamente a um hospedeiro. 
• Hábitat: É o ecossistema, local ou órgão onde determinada 
espécie ou população vive. Ex.: o Ascaris lumbricoides tem 
por hábitat o intestino delgado humano. 
• Hospedeiro: É um organismo que hospeda o parasito. 
Exemplo: o hospedeiro do Ascaris lumbricoides é o ser 
humano. 
 
 
 Raquel Diniz|Farmácia 
REFERÊNCIAS: Neves, DP. Parasitologia Humana, 11ª ed, São Paulo, Atheneu, 2005. 
 
• Hospedeiro Definitivo: É o que apresenta o parasito em 
fase de maturidade ou em fase de atividade sexual. 
• Hospedeiro Intermediário: É aquele que apresenta o 
parasito em fase larvária ou assexuada. 
• Hospedeiro Paratênico ou de Transporte: É o hospedeiro 
intermediário no qual o parasito não sofre 
desenvolvimento, mas permanece encistado até que o 
hospedeiro definitivo o ingira. Exemplo: Hymenolepis nana 
em coleópteros (besouros e as joaninhas). 
• Incidência: É a frequência com que uma doença ou fato 
ocorre num período de tempo definido e com relação à 
população (casos novos, apenas). 
• Infecção: Penetração e desenvolvimento, ou 
multiplicação, de um agente infeccioso dentro do 
organismo de humanos ou animais (inclusive vírus, 
bactérias, protozoários e helmintos). 
• Infecção Inaparente: Presença de infecção num 
hospedeiro, sem o aparecimento de sinais ou sintomas 
clínicos. (Nesse caso, pode estar em curso uma patogenia 
discreta, mas sem sintomatologia; quando há 
sintomatologia a infecção passa a ser uma doença 
infecciosa.) 
• Infestação: É o alojamento, desenvolvimento e 
reprodução de artrópodes na superfície do corpo ou 
vestes. 
• Letalidade: É a proporção entre o número de mortes por 
uma doença e o número total de doentes que sofrem dessa 
doença, ao longo de um determinado período de tempo. 
Por ex.: 100% das pessoas não-vacinadas, quando 
atingidas pelo vírus rábico, morrem. 
• Morbidade: Expressa o número de pessoas doentes com 
relação a população. Exemplo: na época do inverno, a 
morbidade da gripe é alta [isto é, o número de pessoas 
doentes (incidência) é grande]. 
• Mortalidade: Determina o número geral de óbitos em 
determinado período de tempo e com relação a 
população. 
• Parasitemia: Reflete a carga parasitária no sangue do 
hospedeiro. Exemplo: camundongos X apresentam 2.000 
tripanossomas por cm3 de sangue. 
• Parasitismo: É a associação entre seres vivos, em que 
existe unilateralidade de benefícios, sendo um dos 
associados prejudicados pela associação. Desse modo, o 
parasito é o agressor, o hospedeiro é o que alberga o 
parasito. Podemos ter vários tipos de parasitos: 
→ Endoparasito: O que vive dentro do corpo do 
hospedeiro (provoca infecção). Exemplo: Ancylostoma 
duodenale. 
→ Ectoparasito: O que vive externamente ao corpo do 
hospedeiro (provoca infestação). Exemplo: Pediculus 
humanus (piolho). 
→ Hiperparasito: O que parasita outro parasito. Exemplo: 
E. histolytica sendo parasitado por fungos (Sphoerita 
endogena) ou mesmo por cocobacilos. 
• Parasito Acidental: É o que parasita outro hospedeiro que 
não o seu normal. Exemplo: Dipylidium caninum, 
parasitando criança. 
• Parasito Errático: É o que vive fora do seu hábitat normal. 
• Parasito Estenoxênicos: É o que parasita uma ou poucas 
espécies de vertebrados muito próximas. Exemplo: 
algumas espécies de Plasmodium só parasitam primatas; 
outras, só aves etc. 
• Parasito Eurixeno: É o que parasita espécies de 
vertebrados muito diferentes. Exemplo: o Toxoplasma 
gondii, que pode parasitar todos os mamíferos e até aves. 
• Parasito Facultativo: É o que pode viver parasitando, ou 
não, um hospedeiro (nesse último caso, isto é, quando não 
está parasitando, é chamado vida livre). Exemplo: larvas de 
moscas Sarcophagidae, que podem desenvolver-se em 
feridas necrosadas ou em matéria orgânica (esterco) em 
decomposição. 
• Parasito Obrigatório: É aquele incapaz de viver fora do 
hospedeiro. Exemplo: Toxoplasma gondii, Plasmodium, S. 
mansoni. 
• Parasito Periódico: É oque frequenta o hospedeiro 
intervaladamente. Exemplo: os mosquitos que se 
alimentam sobre o hospedeiro a cada três dias. 
• Parasito Heterogenético: É o que apresenta altenância de 
gerações. Exemplo: Plasmodium, com ciclo assexuado no 
mamífero e sexuado no mosquito. 
• Parasito Monogenético: É o que não apresenta alternância 
de gerações (isto é, possui um só tipo de reprodução 
sexuada ou assexuada). Exemplos: Ascaris lumbricoides, 
Ancylostomatidae, Entamoeba histolytica. 
• Parasito Heteroxênico: É o que possui hospedeiro 
definitivo e intermediário. Exemplos: Trypanosoma cruzi, 
S. mansoni. 
• Parasito Monoxênico. É o que possui apenas o hospedeiro 
definitivo. Exemplos: Enterobius vermicularis, A. 
lumbricoides. 
• Parasitóide. É a forma imatura (larva) de um inseto (em 
geral da ordem Hymenoptera) que ataca outros 
invertebrados, quase sempre levando-os a morte. 
• Partenogênese: Refere-se a um tipo de reprodução 
assexuada em que o ovo se desenvolve sem ocorrência da 
 
 
 Raquel Diniz|Farmácia 
REFERÊNCIAS: Neves, DP. Parasitologia Humana, 11ª ed, São Paulo, Atheneu, 2005. 
 
fecundação (parthenos = virgem, mais genesis = geração). 
Ex.: Strongyloides stercoralis. 
• Patogenia ou Patogênese: É o mecanismo com que um 
agente infeccioso provoca lesões no hospedeiro. Ex.: o S. 
mansoni provoca lesões no organismo através de ovos, 
formando granulomas. 
• Patogenicidade: É a capacidade de um agente infeccioso 
provocar lesões. Ex.: Leishmania braziliensi tem urna 
patogenicidade alta; Taenia saginata tem patogenicidade 
baixa. 
• Patognomônico: Sinal ou sintoma característico de uma 
doença. 
• Pedogênese: É a reprodução ou multiplicação de uma 
forma larvária (pedos =jovem, mais genesis = geração). Ex.: 
a formação de esporocistos secundários e rédias a partir 
do esporocisto primário. 
• Período de Incubação: É o período decorrente entre o 
tempo de infecção e o aparecimento dos primeiros 
sintomas clínicos. 
• Periodo Pré-Patente: É o período que decorre entre a 
infecção e o aparecimento das primeiras formas 
detectáveis do agente infeccioso. 
• Portador: Hospedeiro infectado que alberga o agente 
infeccioso, sem manifestar sintomas, mas capaz de 
transmiti-lo a outrem ("portador assintomático"); quando 
ocorre doença e o portador pode contaminar outras 
pessoas em diferentes fases, temos o "portador em 
incubação", "portador convalescente", "portador 
temporário", "portador crônico". 
• Premunição ou Imunidade Concomitante: É um tipo 
especial do estado imunitário ligado a necessidade da 
presença do agente infeccioso em níveis assintomáticos no 
hospedeiro. Normalmente, a premunição é encarada 
como sendo um estado de imunidade que impede 
reinfecções pelo agente infeccioso específico. 
Ex.: na malária, em algumas regiões endêmicas, o paciente 
apresenta-se em estado crônico constante, não havendo 
reagudização da doença. Existe um equilíbrio perfeito entre o 
hospedeiro o hóspede. 
• Prevalência: Termo geral utilizado para caracterizar o 
número total de casos de uma doença ou qualquer outra 
ocorrência numa população e tempo definidos (casos 
antigos somados aos casos novos). 
• Profilaxia: É o conjunto de medidas que visam a 
prevenção, erradicação ou controle de doenças ou fatos 
prejudiciais aos seres vivos. ("profilaxia" → medidas contra 
uma doença já estabelecida; "prevenção"→ medidas para 
evitar o estabelecimento de uma doença.). 
• Reservatório: São o homem, os animais, as plantas, o solo 
e qualquer matéria orgânica inanimada onde vive e se 
multiplica um agente infecioso, sendo vital para este a 
presença de tais reservatórios e sendo possível a 
transmissão para outros hospedeiros. 
• Sinantropia: É a habilidade de certos animais silvestres 
(mamíferos, aves, insetos) frequentar habitações 
humanas; isto é, pela alteração do meio ambiente natural 
houve uma adaptação do animal que passou a ser capaz de 
conviver com o homem. Ex.: moscas, ratos e morcegos 
silvestres frequentando ou morando em residências 
humanas. 
• Vetor: Veículo que transmite o parasito entre dois 
hospedeiros. 
• Vetor Biológico: É quando o parasito se multiplica ou se 
desenvolve no vetor. Exemplos: o T. cruzi, no T. infestans; 
o S. mansoni, no Biomphalaria glabrata. 
• Vetor Mecânico: É quanto o parasito não se multiplica nem 
se desenvolve no vetor, este simplesmente serve de 
transporte. Ex.: Tunga penetrans veiculando 
mecanicamente esporos de fungo. 
• Virulência: Grau de patogenicidade, determinada pelos 
fatores de virulência expressos pelas células. É a 
severidade e rapidez com que um agente infeccioso 
provoca lesões no hospedeiro. Ex.: a E. histolytica pode 
provocar lesões severas, rapidamente. 
• Zooantroponose: Doença primária dos humanos, que 
pode ser transmitida aos animais. Ex.: a esquistossomose 
hansoni no Brasil. O humano é o principal hospedeiro. 
• Zoonose: Doenças e infecções que são naturalmente 
transmitidas entre animais vertebrados e os humanos. 
Atualmente, são conhecidas cerca de 100 zoonoses. Ex.: 
doença de Chagas, toxoplasmose, raiva, brucelose. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 Raquel Diniz|Farmácia 
REFERÊNCIAS: Neves, DP. Parasitologia Humana, 11ª ed, São Paulo, Atheneu, 2005. 
 
 
Relação parasito-hospedeiro 
 
 
 INTRODUÇÃO 
• O inter-relacionamento entre os seres vivos é 
fundamental para a manutenção da vida. 
• Nenhum ser vivo é capaz de sobreviver e reproduzir -se 
independentemente de outro. 
• Esse relacionamento varia entre os diversos reinos, 
filos, ordens, gêneros e espécies. 
• A ecologia é a ciência que estuda a interdependência 
funcional entre as diferentes espécies e o meio 
ambiente/sua relação com o meio orgânico e 
inorgânico. 
• A relação entre os seres vivos é dinâmica: 
 
 
 
 
 
 
• Se o desequilíbrio for brusco, rápido ou muito 
abrangente, pode haver destruição das espécies 
envolvidas. 
DOENÇAS PARASITÁRIAS 
o As doenças parasitárias encontram um campo fértil na 
pobreza, na falta de educação e de saneamento básico. 
o A dinâmica populacional tem sido muito intensa, com 
acentuado êxodo rural e formação de favelas na 
periferia das cidades: 
→ 1940 (41 milhões de habitantes): 30% viviam em 
ambientes urbanos e 70% em ambientes rurais; 
→ Atualmente (170 milhões de habitantes): 80% 
vivem em ambientes urbanos e 20% em ambientes 
rurais. 
o As doenças que eram chamadas de “endemias rurais” 
devem hoje ser estudadas como “endemias urbanas”. 
o O relacionamento entre os seres vivos visa dois 
aspectos: obtenção de alimento e/ou proteção. 
 
Ciclo pobreza x doença, OMS 
ORIGEM DO PARASITISMO E TIPOS DE 
ADAPTAÇÕES 
• O parasitismo surgiu quando um organismo se sentiu 
beneficiado, quer pela proteção, quer pela obtenção de 
alimentos. 
• Adaptação é a marca do parasitismo → evolução de 
modo a proporcionar um melhor relacionamento do 
parasito com o seu hospedeiro. 
• As principais modificações ou adaptações são as 
seguintes: 
MORFOLÓGICAS 
a) Degenerações: representadas por perdas ou atrofia 
de órgãos locomotores, aparelho digestivo, etc. 
b) Hipertrofia: encontradas principalmente nos 
órgãos de fixação, resistência ou proteção e 
reprodução. Por exemplo, alguns helmintos 
possuem órgãos de fixação muito forte. 
BIOLÓGICAS 
a) Capacidade reprodutiva: para suplantar as 
dificuldades de atingirem novo hospedeiro e 
escaparem da predação externa, os parasitos são 
capazes de produzir grandes quantidades de ovos, 
cistos ou outras formas infectantes. 
Adaptação
Evolução
Busca do 
equilíbrio
 
 
 Raquel Diniz|Farmácia 
REFERÊNCIAS: Neves, DP. Parasitologia Humana, 11ª ed, São Paulo, Atheneu, 2005. 
 
b) Tipos diversos de reprodução: mecanismos de 
reprodução que permitem ou uma mais fácil ou 
mais segura reprodução da espécie. Por exemplo: 
 Hermafroditismo (autofecundação) - 
organismos capazes de produzir tantogametas masculinos quanto femininos, 
assumindo papel de macho e fêmea (tênia). 
 Partenogênese (ausência de fecundação) – 
desenvolvimento de um ovo sem fecundação. 
 Poliembrionia – formação de dois ou mais 
seres a partir de uma única célula-covo. 
 Esquizogonia – a célula sofre sucessivas 
divisões em seu núcleo acompanhadas de 
idêntico número de divisões no citoplasma 
(constitui vários indivíduos isolados 
simultaneamente). 
c) Capacidade de resistência à agressão do 
hospedeiro – presença de antiquinase, que é uma 
enzima que neutraliza a ação dos sucos digestivos 
sobre numerosos helmintos; capacidade de resistir 
à ação de anticorpos ou de macrófagos, 
capacidade de induzir uma imunossupressão, etc. 
d) Tropismos – facilitam a propagação, a reprodução 
ou sobrevivência de determinada espécie de 
parasito (quando o movimento ocorre em direção 
ao fator estimulante diz-se que é positivo. Quando 
ocorre em direção contrária, diz-se que é 
negativo.) Os mais importantes são: 
 Geotropismos – abrigar-se na terra – diz-se 
neste caso que é positivo- e abrigar-se acima 
da superfície da terra – neste caso é negativo. 
 Termotropismo – influência atrativa (positivo) 
ou repulsiva (negativo) que o calor exerce 
sobre o protoplasma vivo, seu crescimento e o 
sentido da sua direção. 
 Quimiotropismo - ocorre quando um 
organismo cresce direcionado por um 
estímulo químico. 
 Heliotropismo – movimento ou crescimento 
em direção ao sol. 
AÇÃO DO PARASITO SOBRE O HOSPEDEIRO 
• A ação do parasito sobre o hospedeiro tem grande 
importância na parasitologia, pois é por intermédio 
dela que poderá ocorrer doença no hospedeiro. 
• A patogenicidade dos parasitos é o resultado de uma 
adaptação entre as espécies, podendo chegar a um 
equilíbrio dinâmico entre a patogenicidade do parasito 
e a resistência do hospedeiro. 
• As principais tipos são: 
MECÂNICA 
o É uma ação exercida pela presença do parasito em 
determinado órgão, podendo ser uma ação obstrutiva 
ou destrutiva durante sua migração. 
o Exemplo: Enovelamento do Ascaris Lumbricoides no 
intestino delgado humano provocando a necrose de 
segmento da alça do intestino delgado atingida. 
ESPOLIATIVA 
o Quando o parasito retira nutrientes do hospedeiro. 
o Exemplo: Competição alimentar entre Ascaris 
lumbricoides, tênias e o hospedeiro. 
TRAUMÁTICA 
o Quando o parasito promove traumas no hospedeiro, 
tanto na forma adulta (fixação dos anscilostomídeos na 
mucosa duodenal) como na fase larvária (migração de 
larvas de helmintos no fígado ou nos pulmões). 
TÓXICA 
o Quando produtos do metabolismo do parasito são 
tóxicos para o hospedeiro. 
o Exemplo: formação de granulomas pelos ovos de 
Schistosoma mansoni. 
IMUNOGÊNICA 
o Quando partículas antigênicas de parasitos 
sensibilizam tecidos do hospedeiro, aumentando a 
resposta imunitária, a qual agrava a parasitose. 
o Exemplo: malária, doença de Chagas e leishsmaniose 
são doenças tipicamente agravadas pela resposta 
imune. 
IRRITATIVA 
o Deve-se à presença constante do parasito que, sem 
produzir lesões traumáticas, irrita o local parasitado. 
o Exemplo: ação das ventosas dos Cestodas ou dos lábios 
do Áscaris lumbricoides na mucosa intestinal. 
 
 
 
 Raquel Diniz|Farmácia 
REFERÊNCIAS: Neves, DP. Parasitologia Humana, 11ª ed, São Paulo, Atheneu, 2005. 
 
INFLAMATÓRIA 
o O próprio parasito ou produtos de seu metabolismo 
estimulam o afluxo de células inflamatórias. 
o Exemplo: Formação de granulomas em torno de ovos 
de S. mansoni. 
ENZIMÁTICA 
o É o que ocorre na penetração da pele por cercárias de 
Schistosoma mansoni ou a penetração de trofozoítos 
de Entamoeba histolytica na mucosa do intestino 
grosso. 
ANÓXIA 
o Quando ocorre grande consumo de O2 pelo parasito 
nas hemácias, podendo provocar anóxia generalizada. 
o Exemplo: parasitismo de hemácias pelos plasmódios 
ou em infecções maciças pelos ancilostomídeos. 
TIPOS DE ASSOCIAÇÕES ENTRE OS 
ANIMAIS 
• Harmônicas ou Positivas: há benefício mútuo ou 
ausência de prejuízo. Por exemplo: comensalismo, 
mutualismo e simbiose. 
• Desarmônicas ou negativas: há prejuízo para algum 
dos participantes. Por exemplo: competição, 
canibalismo, predatismo e parasitismo. 
COMENSALISMO 
o É a associação harmônica entre duas espécies, na qual 
uma obtém vantagens (o hóspede) sem prejuízo para o 
outro (hospedeiro). Por exemplo: Entamoeba coli 
vivendo no intestino grosso humano. 
o Vantagens: proteção, transporte e nutrição. 
o Pode ser dividido em: 
→ Forésia: é quando na associação uma espécie 
fornece suporte, abrigo ou transporte a outra 
espécie. Alguns autores denominam a forésia de 
"comensalismo epizóico". 
→ Inquilinismo: é quando uma espécie vive no interior 
de outra, sem se nutrir à custa desta, mas utilizando 
o abrigo e parte do alimento que a outra capturou. 
→ Sinfilismo ou protocooperação: ocorre quando 
duas espécies se associam para benefício mútuo, 
mas sem obrigatoriedade, isto é, a associação não é 
necessária para a sobrevivência de ambas. 
MUTUALISMO 
o Duas espécies se associam para viver e ambas são 
beneficiadas. 
o O exemplo clássico é a associação que ocorre no 
intestino de cupins com os protozoários do gênero 
Hypermastiginia. 
SIMBIOSE 
o Associação entre seres vivos, na qual há uma troca de 
vantagens a nível de esses seres serem incapazes de 
viver isoladamente. 
COMPETIÇÃO 
o Associação desarmônica na qual exemplares da mesma 
(competição intraespecífica) ou de espécies diferentes 
(competição interespecífica) lutam pelo mesmo abrigo 
ou alimentos. 
CANIBALISMO 
o Relacionamento desarmônico que se constitui no ato 
de um animal se alimentar de outro da mesma espécie 
ou a mesma família. Quase sempre ocorre devido à 
superpopulação e deficiência alimentar. 
PREDATISMO 
o É quando uma espécie animal de alimenta de uma 
outra espécie. 
PARASITISMO 
o Associação entre seres vivos na qual há unilateralidade 
de benefícios, ou seja, o hospedeiro é espoliado pelo 
parasito, pois fornece alimento e abrigo para este. ESTA 
RELAÇÃO TENDE PARA O EQUILÍBRIO. 
Então por que tem havido casos graves ou epidemias 
de parasitoses? Isso ocorre devido a alteração do meio 
ambiente, concentração populacional e baixas 
condições higiênicas e alimentares, que levam a existir 
condições propícias para a multiplicação do parasito ou 
do vetor junto a uma população suscetível. 
o Logo, para haver doença parasitária, deve existir alguns 
fatores: 
a) Inerentes ao parasito: número de exemplares, 
tamanho, localização, virulência, metabolismo etc. 
 
 
 Raquel Diniz|Farmácia 
REFERÊNCIAS: Neves, DP. Parasitologia Humana, 11ª ed, São Paulo, Atheneu, 2005. 
 
b) Inerentes ao hospedeiro: idade, nutrição, nível de 
resposta imune, intercorrência de outras doenças, 
hábitos, uso de medicamentos etc. 
 
Da combinação desses fatores poderemos ter: 
✓ Doente. 
✓ Portador assintomático. 
✓ Não-parasitado. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
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Ecologia parasitária 
 
• A Ecologia é o estudo das relações dos seres vivos entre 
si e o meio ambiente. 
• A Parasitologia é a ciência que estuda os parasitas, os 
seus hospedeiros e as relações entre eles. 
ALGUNS CONCEITOS IMPORTANTES 
• ECOSSISTEMA 
→ Comunidade ecológica ou um ambiente natural, onde 
há um estreito relacionamento entre as várias 
espécies de animais, vegetais e minerais: grandes 
lagos, o mar, florestas, desertos e campos. 
• HETEROTRÓFICOS 
→ São os seres que utilizam das substâncias orgânicas 
produzidas pelos seres autotróficos. São os 
elementos consumidores. Exemplo: herbívoros e 
carnívoros. 
• AUTOTRÓFICOS 
→ São os seres capazes de fixar energia luminosa (solar) 
e sintetizaralimentos a partir de elementos 
inorgânicos. São as plantas e algas verdes, que são os 
elementos produtores. 
• DECOMPOSITORES (OU SAPRÓFITAS) 
→ São os seres heterotróficos capazes de decompor os 
elementos autototróficos e heterotróficos que 
morreram, transformando-os em substâncias mais 
simples e reutilizáveis pelos autotróficos. Exemplo: 
bactérias. 
 
• ABIÓTICOS 
→ São os componentes físicos e químicos do meio. 
• BIOMA 
→ Apresenta significado semelhante ao termo 
ecossistema; entretanto, é aplicado quando se quer 
designar grandes comunidades, ou seja, florestas de 
coníferas, pradarias etc. 
• POTENCIAL BIÓTICO 
→ Capacidade máxima reprodutiva de uma espécie. 
• BARREIRAS – fatores que intervêm na manutenção do 
equilíbrio de um ecossistema: 
→ Físicas: presença de montanhas, rios ou mesmo terra 
para as espécies aquáticas, e vice-versa; 
→ Climáticas: temperatura e umidade variando durante 
o ano (estações), regulando o potencial biótico; 
→ Biológicas: ausência de hospedeiros, de alimento, 
presença de inimigos naturais e a própria densidade 
populacional (crowding), em que a "superpopulação" 
inibe a reprodução. 
• HÁBITAT 
→ É o ecossistema, local ou órgão, onde determinada 
espécie ou população vive. 
• NICHO ECOLÓGICO 
→ É a atividade de uma espécie ou população dentro do 
hábitat. 
• ECÓTOPO 
→ É o abrigo fisico do animal. 
• ECÓTONO 
→ É uma região de transição entre dois ecossistemas ou 
biomas estabelecidos. 
• BIÓTOPO 
→ É o local onde as condições para a sobrevivência de 
uma ou várias espécies são uniformes e mantêm-se 
constantes em diferentes áreas ou regiões. 
• BIOCENOSE 
→ É a associação de vários organismos habitando o 
mesmo biótopo. 
FOCO NATURAL DE UMA PARASITOSE 
• O foco natural da doença é composto pelas condições 
indispensáveis exigidas pela espécie parasita para que 
esta se instale numa região e se propague. 
• É representado pelo biótopo (local) e pela biocenose 
(hospedeiros vertebrados, os vetores etc.). 
→ Foco elementar: área, constituída pelo domicílio, o 
peridomicílio e seus moradores, onde circula o 
parasita. 
→ Foco zoonótico: envolve animais silvestres ou 
domésticos, nos domicílios e peridomicílios das 
regiões endêmicas. 
→ Foco natural: reunião dos focos elementares ou 
zoonóticos. 
 
 
 Raquel Diniz|Farmácia 
REFERÊNCIAS: Neves, DP. Parasitologia Humana, 11ª ed, São Paulo, Atheneu, 2005. 
 
RESISTÊNCIA AO PARASITO
SUSCETIBILIDADE AO PARASITA 
CONDIÇÕES ESSENCIAIS PARA QUE 
EXISTAM OS FOCOS NATURAIS DE UMA 
PARASITOSE 
• Presença simultânea, no espaço e no tempo, dos 
membros da cadeia epidemiológica que asseguram a 
circulação do parasito (hospedeiro e vetores). 
• Existência de condições ambientais compatíveis com as 
necessidades que os ovos, cistos ou larvas dos parasitos 
têm para que possam sobreviver. 
• Presença do parasito ou sua introdução em dado 
momento no ecossistema adequado à sua manutenção. 
RELAÇÕES ENTRE O PARASITO E SEU 
HOSPEDEIRO 
 
 
 
 
CLASSIFICAÇÃO DOS PARASITOS SEGUNDO 
OS MODOS DE TRANSMISSÃO 
• Parasitos transmitidos entre pessoas devido ao contato 
pessoal ou objetos de uso pessoal (fômites): S. scabiei, 
P. pubis, P. humanus, T. vaginalis. 
• Parasitos transmitidos pela água, alimentos, mãos sujas 
ou poeira: E. histolytica, G. lamblia, T. gondii, H. nana, 
cisticercose (ovos de T. solium), A. lumbricoides, T. 
trichiura, E. vermicularis. 
• Parasitos transmitidos por solos contaminados por 
larva (geo-helmintoses): A. duodenale, N. americanus, S. 
stercoralis. 
• Parasitos transmitidos por vetores ou hospedeiros 
intermediários: Leishmania sp., T. cruzi, Plasmodium sp., 
S. mansoni, T. solium, T. saginata, K. bancrojii, O. 
volvulus, M. ozzardi. 
 
 
 
 
NOMENCLATURA DAS DOENÇAS 
PARASITÁRIAS 
• Deve-se agregar 'ose' ao nome do gênero do agente 
etiológico, para designar doença ou infecção. 
• Exemplos: leishmaniose, tricomonose, naegleriose, 
criptosporidiose, toxoplasmose, plasmodiose, 
balantidiose, schistossomose, fasciolose. 
• Vale lembrar que para algumas parasitoses, o termo já 
consagrado pelo uso é mais eufônico que o proposto, 
como por exemplo: amebíase/amebose; 
tripanossomíase/tripanossomose. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 Raquel Diniz|Farmácia 
REFERÊNCIAS: Neves, DP. Parasitologia Humana, 11ª ed, São Paulo, Atheneu, 2005. 
 
Taxonomia 
• É a ordenação dos seres vivos em classes, baseando-se 
no parentesco, semelhança ou ambos. 
 
• ESPÉCIE 
→ Coleção de indivíduos atuais ou fósseis que se 
assemelham tanto entre si como com os seus 
ascendentes e descendentes. Tal semelhança decorre 
de esses indivíduos possuírem patrimônio genético. 
 
• GÊNERO 
→ Reunião de espécies próximas. 
 
• NOMENCLATURA 
→ É a aplicação de nomes distintos a cada uma das 
classes reconhecidas numa dada classificação. 
 
• NOMENCLATURA BINOMINAL 
→ Normas para designar cada espécie de ser vivo com 
dois nomes: o primeiro indicando o gênero e o 
segundo a espécie. 
 
• LEI DA PRIORIDADE 
→ Considera-se como válido para designar uma espécie 
o nome que foi primeiro atribuído a ela. 
→ O autor da espécie deve ter obedecido às regras da 
nomenclatura binominal e dado, ao mesmo tempo 
que o nome, uma descrição da mesma capaz de 
caracterizá-la sem ambiguidade. 
 
 
 
 
 
 
 
 
→ Sinonímia: ocorre quando um mesmo e 
único táxon tenha recebido duas denominações 
distintas, propostas por dois pesquisadores 
diferentes, a segunda denominação perde sua 
validade devido a "Lei da Prioridade”. 
 
UNIDADE TAXONÔMICA 
 
Níveis de classificação ou categoria taxonômica: 
➢ Reino 
➢ Filo 
➢ Classe 
➢ Ordem 
➢ Família 
➢ Gênero 
➢ Espécie 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
https://pt.wikipedia.org/wiki/T%C3%A1xon
 
 
 Raquel Diniz|Farmácia 
REFERÊNCIAS: Neves, DP. Parasitologia Humana, 11ª ed, São Paulo, Atheneu, 2005. 
 
Epidemiologia 
• Ciência que estuda a distribuição de doenças ou 
enfermidades assim como os seus determinantes 
(fatores de risco) na população humana. 
• OBJETIVO: Promoção da saúde através da prevenção de 
doenças em grupos populacionais. 
 RACIOCÍNIO EPIDEMIOLÓGICO 
• Pessoa: identificar quais, como e por que as 
características das pessoas enfermas diferem das 
pessoas não enfermas. 
• Lugar: determinar por que em uma área geográfica uma 
enfermidade ou grupo de enfermidades ocorre com 
maior frequência. 
• Tempo: determinar se ocorreram mudanças (aumento 
ou decréscimo) na frequência de determinada doença 
através do tempo. 
TRÍADE EPIDEMIOLÓGICA 
 
 
 
 
 
CLASSIFICAÇÃO DOS AGENTES DE DOENÇAS 
• Agentes biológicos: protozoários, bactérias, fungos, etc. 
• Elementos nutritivos: excesso de colesterol, deficiência 
de vitaminas. 
• Agentes químicos: veneno, alérgenos, etc. 
• Agentes físicos: trauma, radiação, fogo, etc. 
CARACTERÍSTICAS DO HOSPEDEIRO 
• Fatores demográficos: sexo, idade, grupo étnico. 
• Biológicos: fadiga, estresse, estado nutricional. 
• Sociais: dieta, exercício físico, acesso aos serviços de 
saúde. 
• Resposta imune: resistência natural, infecção, doença 
autoimune. 
FORMAS DE DISSEMINAÇÃO DAS DOENÇAS 
• Veículo comum: água, ar, alimentos. 
• Porta de entrada no hospedeiro humano: trato 
respiratório, gastrintestinal, cutâneo, etc. 
 DOENÇAS CLÍNICAS E SUBCLÍNICAS 
• Indivíduos apresentando sinais e sintomas → Clínica; 
• Indivíduo sem sinais e sintomas → Subclínica. 
PREVENÇÃO E CONTROLE DE INFECÇÕES 
• Primeiro nível: relacionado com o paciente e é de 
responsabilidade do médico. 
• Segundo nível: desenvolvido por uma entidade 
hospitalar mediante comissão de infecção. 
• Terceiro nível: abrangência comunitária ou até mesmo 
nacional, mediante políticas de prevenção e controle 
vetorial. 
• Quarto nível: controle de pandemias, endemias ou 
epidemias medianteestratégias globais.

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