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5ºAula Vigilância Sanitária Objetivos de aprendizagem Ao término desta aula, vocês serão capazes de: • definir vigilância sanitária com base na Lei Federal nº 8080/90; • identificar os conceitos básicos e históricos em que é fundamentada a relevância da vigilância sanitária; • descrever os campos de trabalho em que a vigilância sanitária possui prerrogativas de controlar; • entender os focos de trabalho que visam a qualidade e garantia de saúde dentro de processos industriais, realização de técnicas de assistência à saúde, desenvolvimentos de produtos e equipamento e, por fim, a certificação de entidades. Nesta aula, estudaremos a colocação da vigilância sanitária como instrumento legal de controle e garantia da proteção à saúde humana. Abordaremos como um conjunto básico de conceitos técnicos e ferramentas sobre o que se caracteriza no Brasil, como vigilância sanitária, dentro de foco prático, direcionado à instrumentalização dos agentes responsáveis. Trataremos também dos campos de trabalho dos diversos focos de atuação. Esta aula tem o objetivo de apresentar a vocês alunos, possíveis diretrizes de trabalho com as quais vocês poderão se deparar durante o exercício de sua profissão Bons estudos! 32Epidemiologia e Vigilância Sanitária 1 - Introdução 2 - Conceitos Básicos 3 - Campo de Trabalho 4 - Foco de Atuação 1 - Introdução A Lei nº 8080, de 19 de setembro de 1990, denominada Lei Orgânica da Saúde, determina Vigilância Sanitária como “um conjunto de ações capaz de eliminar, diminuir, ou prevenir riscos à saúde e de intervir nos problemas sanitários decorrentes do meio ambiente, da produção e circulação de bens e da prestação de serviços de interesse da saúde abrangendo: I - o controle de bens de consumo que, direta ou indiretamente, se relacionem com a saúde, compreendidas todas as etapas e processos, da produção ao consumo; II - o controle da prestação de serviços que se relacionam direta ou indiretamente com a saúde.” Da Vigilância Sanitária e sua atuação preventiva decorrem as práticas de promoção, proteção, recuperação e reabilitação da saúde, constituindo desta maneira uma conformação profunda de Saúde Pública. A vigilância sanitária trabalha com o fator de risco relacionado ao produto, insumo e serviço de saúde, meio ambiente e o ambiente de trabalho, com o fluxo universal de transportes, cargas e pessoas. Os conhecimentos e experiência da vigilância sanitária estão fixos na área de muitas matérias do conhecimento humano, como a química, a farmacologia, a epidemiologia (que estudamos nas aulas anteriores), a engenharia civil, a engenharia sanitária e ambiental, a sociologia política, o direito, a economia, a administração pública, o planejamento e gerência, a biossegurança, bioética e tantas outras. A vigilância sanitária se sustenta desta multidisciplinaridade para ser cada vez mais. 2 - Conceitos Básicos Existem indícios do surgimento da vigilância sanitária por volta dos séculos XVII e XVIII no continente europeu. Já na América Latina e Brasil, teve origem uma pouco mais adiante durante os séculos XVIII e XIX com a incumbência de normatizar os exercícios profissionais, certificar a limpeza das cidades, opor-se aos vigaristas, inspecionar os navios que saíam ou chegavam nos portos, a comercialização de produtos de subsistência, com intuito de impedir a disseminação de doenças e pragas. Estas ações, à época, formaram na sociedade a visão de “polícia sanitária”, que com o passar do tempo obteve vários sentidos, conforme a compreensão que se tinha de danos à saúde e de quais formas poderiam acontecer. No Brasil, considerada a prática mais antiga entre as que visam a manutenção da saúde pública, a polícia sanitária emerge no tempo em que imaginava que as doenças surgiam dos mal odores oriundos da matéria em decomposição presente no solo e nas águas, em virtude da falta de saneamento da Seções de estudo época. A prática de polícia sanitária se transforma e se associa na maneira de apreciar os acontecimentos ao integrar as múltiplas convicções que surgiam, como as nascidas na era bacteriológica, no período da inclusão terapêutica, depois com as teorias sistêmicas e do planejamento, desenham-se os sistemas de vigilância à saúde e sua introdução e funcionalidade no controle da concepção de defesa da cidadania e do direito do consumidor. A definição da Lei 8080 de 1990 agrega a autoridade de interferência na formação das posições econômica e social em todas as possíveis causas decisórias do processo saúde– doença. Segundo o Artigo 6º parágrafo 3º da Lei 8080/90: através das vigilâncias epidemiológica e sanitária, busca-se “a promoção e proteção à saúde dos trabalhadores”, bem como sua recuperação e reabilitação em decorrência “dos riscos e agravos advindos das condições de trabalho...”, além de agregar a consciência de meio ambiente e as relações sociais humanas, a vigilância sanitária começa a atuar no ambiente laboral. Algumas das atribuições da vigilância sanitária estão ligadas ao seu poder de polícia como a fiscalização, observação, licenciamento de estabelecimentos, apreciação de danos, cumprimento de penas, porém seus aspectos normativos, educativos com o propósito de garantir a saúde, o direito do consumidor e a cidadania, possuem um peso maior na construção da visão do seu trabalho. A comprovação da inabilidade do mercado de consumo de ser eficiente na defesa do direito do consumidor traz à luz a partir da Constituição Federal a Lei nº 8078/90 – O Código de Defesa do Consumidor que estabelece como direito básico do consumidor a proteção, saúde e segurança em discordância aos riscos resultantes do consumo de produtos e serviços prejudiciais. O Código de Defesa do Consumidor concebe uma atual relação entre Estado, sociedade e vigilância sanitária, sendo essa uma relação que sai do campo unicamente punitivo e se torna de suporte em face às legislações vigentes, colocando a sociedade como integrante fundamental na gestão dos processos produtivos e dos serviços. O intermédio do Estado no vínculo entre consumidor e produtor deve ser analisado de dois modos: o primeiro como normatizador, definindo normas e instruções, operando a fiscalização na gestão das boas práticas de produção para impedir algum dano no consumo; e o segundo na determinação do benefício legal e essencial do consumidor e sua atuação no julgamento de ações danosas, e na disponibilização do instrumento que garantirão a correção do dano. Dessa forma, o Código de Defesa do Consumidor possibilita a garantia da qualidade de produtos e serviços fundindo duas consideráveis concepções: a de controle interno, onde o produtor ou fornecedor deve se responsabilizar por toda sua produção ou serviço garantindo a gestão de todos os possíveis equívocos, falhas e danos. E a outra concepção é a do controle externo, que será exercida diretamente pelo Estado, ou pela sociedade organizada, como os conselhos de classes, na prevenção e defesa do direito do consumo. A segunda concepção determina o trabalho dos órgãos de fiscalização e autuação, em foco a vigilância sanitária que além de fiscalizar e autuar também será referência para ações orientativas, 33 concepção de legislações e aplicação de determinações que visem a manutenção e proteção da saúde pública. Podemos descrever sobre quatro aspectos intrínsecos do papel da vigilância sanitária: aspecto político, aspecto ideológico, aspecto tecnológico e aspecto jurídico. Em seguida, iremos descrevê-los. • Aspecto Político: este aspecto está associado à finalidade de melhora dos processos em privilégio da população. É considerado um instrumento de saúde coletiva, de vigilância e de defesa do cidadão, competindo ao Estado responder os problemas. O aspecto jurídico encontra-se na área de conflito de interesses, porque para prevenir ou eliminar riscos deve-se intervir na produção econômica e social. Esta intervenção se baseará no grau de desenvolvimentotecnológico dos setores produtores e prestadores, da consciência sanitária ou mercantil, e da atuação e consciência do consumidor. • Aspecto Ideológico: representa a face devolutiva que a vigilância deverá realizar uma vez que a manutenção e proteção da saúde é uma necessidade social. • Aspecto Tecnológico: este aspecto reflete a demanda por apoio das áreas do conhecimento científico, métodos, técnicas, que propõem uma fundamentação epidemiológica no seu funcionamento. Aqui, incluímos o encargo de avaliar processos, situações e agravos manifestados por meio de julgamentos a partir da advertência e cumprimento de normas e padrões técnicos. • Aspecto Jurídico: Este aspecto se difere dos anteriores, por possuir um significativo direito manifestado no papel de polícia e pela sua incumbência normatizadora. O papel da vigilância sanitária possui consequências legislatórias na proteção à saúde da população, indo das ações educativas e normativas que estabelecem exigências ou advertências, até o poder de polícia, na imposição de penalidades. Com base no direito sanitário, o aspecto jurídico nos traz que todas as atitudes decisórias implicarão na esfera jurídica, e por isso todas as ações da vigilância sanitária deverão estar embasadas na legislação vigente, portanto é fundamental o conhecimento dos objetos processuais, das atribuições legais e responsabilidades. O desenvolvimento do pensamento da sociedade agregou ao cidadão a condição de consumidor, e as bases jurídicas a de garantia da qualidade nas relações entre os prestadores e fornecedores e o consumidor, o que leva a vigilância sanitária a realizar suas atribuições nos processos produtivos para melhorar a qualidade de vida e saúde da população. 3 - Campo de Trabalho O campo de trabalho da vigilância sanitária é amplo e desmedido, como definido na Lei 8080/90, é intervir em toda situação que possa impactar na saúde da população. Para melhor demonstrar, adotamos que seu campo de trabalho é constituído por dois conjuntos, da seguinte forma: bens e serviços de saúde; e meio ambiente. Bens e serviços de saúde O sistema de produção de bens de consumo e serviços de saúde, que impactam direta ou indiretamente na saúde do consumidor ou da população, de interesse da vigilância sanitária que atua como órgão controlador, são: 1. As técnicas direcionadas aos alimentos, relativas aos dispositivos e fórmulas e processos produtivos de alimentos essenciais à subsistência e alimentação dos seres humanos. 2. As técnicas de estética, limpeza e higiene, relativas aos dispositivos e fórmulas e processos produtivos de cosméticos, perfumes, produtos de higiene pessoal e saneantes domissanitários. 3. As técnicas industriais e agrícolas, relacionadas à produção de outros bens indispensáveis à vida do ser humano, como produtos agrícolas, químicos e drogas veterinárias. 4. As técnicas da medicina, que impactam diretamente no corpo humano, com objetivo de tratar doenças, aliviar dores e equilibrar a saúde, integrados por medicamentos, vacinas, equipamentos médico- hospitalares, técnicas cirúrgicas, clínicas de atenção à saúde, atendimento direto ao paciente, diagnóstico por imagem ou anatomopatológico, técnicas terapêuticas, técnicas preventivas e educacionais. 5. As tecnologias do entretenimento, relacionadas aos locais onde são realizadas as atividades não médicas, mas impactam na saúde da população, como centros esportivos, espaços culturais, cabeleireiros, barbeiros, manicures, centro de estética, clubes, hotéis, etc. 6. As técnicas de ensino e convívio, relacionadas aos locais onde ser realizam, como escolas, universidades, creches, asilos, orfanatos, presídios, e aglomerações humanas que possam impactar na saúde da população (ANVISA, 2015). Meio ambiente Sistema que descreve os componentes naturais, a construção humana e as relações sociais. É constituído pelos seguintes componentes: 1. O meio natural, correlato a água, ar, solo e a atmosfera. São interessantes à vigilância sanitária as técnicas usuais na composição de sistemas de abastecimento de água para o consumo humano, na salvaguarda de nascentes, no gerenciamento da poluição atmosférica, na proteção do solo, no gerenciamento de técnicas de tratamento de esgoto sanitário e resíduos sólidos, objetivando à proteção dos recursos naturais, do meio ambiente e da saúde humana. 2. O meio construído, relacionado às obras físicas, como as edificações e o uso e parcelamento do solo. É responsabilidade da vigilância sanitária as tecnologias empregadas na construção civil e as técnicas de uso e parcelamento do solo no ambiente 34Epidemiologia e Vigilância Sanitária urbano e rural, também acerca dos mecanismos de locomoção e a infraestrutura urbana e serviços; com foco na prevenção de acidentes, danos individuais e coletivos e proteção ao meio ambiente. 3. O ambiente de trabalho, relacionado às circunstâncias do ambiente laboral, originado dos moldes de processos produtivos de alto risco. É de interesse da vigilância sanitária esta presentes nestes ambientes, devido à frequência, o trabalhador é forçado a realizar suas atividades em condições insalubres e perigosas, além de sistemas repetitivos, competitivos e sob pressão, que impactam a saúde física e mental da população trabalhadora. 4 - Foco da Atuação A natureza do trabalho da vigilância sanitária é uma ação definitiva de avaliação e decisões, sendo essencial o relacionamento com os marcos teóricos e metodologias avaliativas. A ação fiscalizatória e o poder de polícia são atributos antigos à atuação da vigilância sanitária que foram modificados com o passar dos anos, a evolução das tecnologias e o desenvolvimento da própria humanidade. Aqui, iremos discorrer sobre os focos de atuação da vigilância sanitária que contribuem para métodos mais eficientes na defesa do cidadão, na promoção da qualidade de vida e saúde da população. Foco epidemiológico As ferramentas de controle epidemiológico necessitam ser de responsabilidade da vigilância sanitária, uma vez que o controle de risco é uma ação integrada na própria definição. A concepção de risco epidemiológico é coincidente à concepção de probabilidade. Aqui, estabelecemos qual a probabilidade de os membros de uma população desenvolverem um agravo à saúde em um determinado período. É responsabilidade da vigilância sanitária observar, detectar riscos e propor ações preventivas e eliminatórias. O foco epidemiológico é necessário para a determinação das prevalências diante da realidade de atuação da vigilância sanitária, a composição do cenário sanitário, o acolhimento de falhas e subsídio às soluções. Foco de planejamento e programação Para garantir a funcionalidade de identificar riscos e acionar mecanismos que visem eliminar, prevenir e minimizem estes, a vigilância sanitária planeja as suas ações de maneira programática sobre os problemas sanitários e execução avaliativa. A atuação necessita ser desenhada através do reconhecimento do problema, pois este reproduz a necessidade da população, os possíveis agravos à saúde, diante das condições de vida e do modo produtivo econômico e social. O reconhecimento de problemas sanitários deve ser uma ação de planejamento das ações de vigilância sanitária, introduzida de forma sistêmica. O reconhecimento pode iniciar com o levantamento da área geográfica de atuação da vigilância sanitária, mapeamento dos problemas locais e as prevalências baseadas na informação, em denúncias e censos ou ainda fenômenos que expressam risco à saúde e à vida humana, e desta forma obter o diagnóstico da situação, priorizar intervenções, estabelecendo objetivos e organizando recursos disponíveis, articulação com setores internos e externos para a operacionalização das intervenções e decisões. Após a delimitação da problemática é essencial instrumentar um grupo de ações visando a solução. Embora existam muitos debates sobre as diversas definiçõesde ações programadas em saúde, compreendemos como intervenções planejadas de ações objetivando o acolhimento das necessidades de saúde da população. Programar é organizar e racionalizar a ação e os insumos para obter metas e objetivos que foram estipulados. Foco na avaliação de qualidade Atualmente, ainda temos a visão de que o trabalho da vigilância sanitária é a fiscalização limitada à estrutura física, à emissão de licenças, à verificação das habilitações profissionais, depreciativamente chamada de “vigilância de piso, parede e teto”. Partimos do princípio que uma boa estrutural, boas instalações, equipamentos modernos, produtos para higiene podem resultar em processos mais adequados, porém não é o bastante. Uma boa estrutura, por si só, não garante bons resultados. Nosso objetivo aqui é nortear o trabalho da vigilância sanitária, abordando modelos de avaliação que integram a qualidade de produtos e serviços em seu escopo. Apresentaremos, a seguir, modelos que facilitaram a composição de ferramentas de gestão a serem empregadas na fiscalização e análise processuais, assumindo a Tríade de Donabedian para avaliação de estrutura, processo e resultado, conforme: • Estrutura: Aspectos físicos e estáveis, como conjunturas organizacionais, equipamentos e recursos humanos. • Processo: Grupo de tarefas realizadas nas associações de processos produtivos, como os serviços de saúde, entre profissionais e pacientes, na indústria e serviços. • Resultado: Aspecto almejado da resposta de produtos ou serviços, sem erros, imperfeições ou nocividades. São resultados a melhoria do meio ambiente e trabalho, ou melhora da saúde dos pacientes, imputado ao cuidado fundido e às tecnologias inseridas. Cada elemento descrito acima necessariamente comtemplará um grupo de dados que expressem da melhor maneira a situação a ser estudada. Elencamos os sete aspectos da qualidade propostos pela Tríade de Donabedian: 1) Eficácia: a habilidade do cuidado, na sua forma mais perfeita, de contribuir para a melhoria das condições de saúde. 2) Efetividade: o quanto de melhorias possíveis nas condições de saúde são obtidas. 3) Eficiência: a habilidade de obter a maior melhoria possível nas condições de saúde, ao menor custo 35 possível. 4) Otimização: a mais benéfica relação entre custos e benefícios. 5) Aceitabilidade: concordância com as prioridades do paciente no que tange à acessibilidade, relação médico–paciente, os efeitos e o custo do cuidado prestado. 6) Legitimidade: concordância com as prioridades sociais relacionadas ao citado acima. 7) Equidade: equidade no oferecimento do cuidado e de seus efeitos sobre a saúde. A ação fiscalizatória é uma prática de análise e apreciação, que fundamentalmente deverá coincidir com um ato deliberativo. A inspeção de estabelecimentos, processos produtivos, serviços médicos e ambientais, a todo tempo desenvolverá uma análise que irá traduzir as necessidades de aspectos estruturais, processos e resultados sejam observados e avaliados em relação ao risco que possam causar à saúde e à vida humana. Foco na avaliação de tecnologias em saúde Os dispositivos, procedimentos médicos e cirúrgicos, e os sistemas organizacionais de atenção médica e de apoio são considerados tecnologias médicas ou de saúde; as drogas, equipamentos médicos e demais segundo a definição do Office of Technology Assessment (OTA – Escritório de Avaliação de Tecnologia), como descrito acima, é um campo de trabalho da vigilância sanitária (OLIVEIRA, 2015). Em 1972, surge nos Estados Unidos da América a área de trabalho nomeada como avaliação de tecnologia, a partir do conceito geral de tecnologia e da formação do OTA. Logo mais adiante, precisamente no ano de 1975, concebido pelo OTA, nasce o programa de saúde com o objetivo de avaliar a eficácia, a eficiência e a segurança das tecnologias em saúde. A vigilância sanitária já desenvolve um processo de avaliação da tecnologia dentro do seu escopo e foco de trabalho, como controle de processos, gerenciamento de tecnologias, programas de manutenção de equipamentos, entre vários outros. A seguir, elencamos as principais diferenças de acordo com o tipo de tecnologia para seu desenvolvimento, validação e difusão. • Medicamentos e substâncias destinadas à assistência à saúde Foram concebidos com base nas ciências químicas, farmacológicas e patofisiológicas, sendo a indústria sua genitora. Praticamente em todo o mundo existem processos industriais de medicamentos, em que os ciclos e etapas do processo de assemelham muito. A criação de uma nova fórmula necessita de autorização das autoridades estatais, no Brasil temos a ANVISA (Agência Nacional de Vigilância Sanitária), para testes de qualidade e estudos de segurança clínica. O órgão público fará uma rigorosa análise, apresentará suas considerações e então se a fórmula for eficaz no que é proposta ela é autorizada e dispensada para o mercado. O objetivo desta avaliação e autorização é a garantia da eficiência do produto e principalmente a proteção da saúde da população. Novas ferramentas de análise, com o passar dos anos, foram inseridas neste processo pela ANVISA, com o intuito de ampliar o controle e a garantia de qualidade do processo industrial de medicamentos e insumos. Porém, a execução das tecnologias usuais não é empregada sistematicamente, uma vez que ainda nos deparamos com ações de recolhimento de medicamentos e fórmulas que apresentaram algum dano à saúde, que culminam na cassação de registro e proibição de fabricação. • Combinações de técnicas médicas e cirúrgicas com drogas ou dispositivos As pesquisas da área da medicina que são executadas por especialistas são responsáveis pela concepção de experiências, ensaios, grupos de controle e observações empíricas. Os especialistas, os cientistas e a comunidade acadêmica que desenvolvem pesquisas possuem um lugar de grande relevância no surgimento de novas técnicas, drogas e dispositivos. O desenvolvimento de novos processos que colaboram na assistência à saúde, é de complexidade elevada uma vez que o desempenho do profissional não possui controle algum, o que pode gerar experiências danosas à saúde, principalmente com foco na saúde dos pesquisadores. A evolução das técnicas existentes está submetida ao estímulo e comprometimento do profissional com a causa, necessita ainda de muitas e as vezes insignificantes mudanças nos exercícios habituais da medicina, e por muitas vezes, não são reconhecidas. Nota-se atualmente um incremento na quantidade de novos protocolos, novas condutas, novas técnicas e processos quando olhamos para o Brasil e para o Mundo, e sua grande maioria foram desenvolvidas dentro de unidades hospitalares. Vale destacar a importância do emprego da ética neste campo, para garantir um ambiente experimental seguro e que possa desenvolver verdadeiramente técnicas melhores que contribuam na melhora da assistência à saúde. Em nosso país, ainda não existe uma sistemática avaliação para análise e autorização de nova técnicas, porém existem portarias e notas técnicas que norteiam estes processos. O trabalho da vigilância sanitária dentro deste tema é dar suporte diante de qualquer incerteza, atender possíveis denúncias com foco na garantia da qualidade e proteção à saúde, buscar o apoio de especialista e conselhos profissionais da área para se abastecer de conhecimentos específicos. Esta é uma metodologia fragmentada e limitada que é estimulada por denúncias frente a possíveis negligências ou charlatanismo, e não possui uma avaliação sistematizada vigente. • Equipamentos médico-hospitalares e correlatos Para tratar deste tema, devemos ressaltar que o seu desenvolvimento deve ser pautado na legislação sanitária brasileira, pois exige conhecimento na área de ciências biomédicas, engenharia, computação e muitas outras. Oriunda da experiência de médicos que criaram seus experimentos, decidiram abandonara assistência à saúde com o objetivo de gerirem o próprio negócio, que posteriormente se tornam grandes empresas, uma vez que obtiverem sucesso na aplicação do novo equipamento. O Brasil rege a regulamentação e normatização destes produtos e equipamentos, através de processos de análise, 36Epidemiologia e Vigilância Sanitária aprovação e registro do equipamento e certificação da empresa fabricante, para serem liberados para o mercado. A certificação de empresas e o registro de equipamentos contam com o auxílio de laboratórios de controle de muitas universidades, que também realizam pesquisas de qualidade e desempenho destes produtos e equipamentos. Recentemente, o Ministério da Saúde disponibilizou alguns regulamentos técnicos que a empresas fabricantes e seus desenvolvedores devem seguir, principalmente quando estes produtos e equipamentos forem destinados ao comércio internacional. Desta maneira, o governo federal instituiu um programa de garantia de qualidade que relaciona avaliação dos equipamentos e procedimentos à atuação da vigilância sanitária na avaliação tecnológica. • Organizações médicas e de apoio Aqui, se inserem as designações de tecnologia médica e de saúde. Em muitos países, as organizações médicas e de apoio à saúde estão sujeitas a regulamentações governamentais. No Brasil, este controle fica a cargo da vigilância sanitária e dos conselhos profissionais que licenciam quanto a profissão e suas especialidades. A Vigilância Sanitária realiza este controle por intermédio de normatizações e fiscalização, baseando- se no que está oficialmente reconhecido como científico, consagrado e legalmente fundamentado. Existem sistemas particulares de certificação, encarregados a comitês e à sociedade especializada que definem aspectos técnicos de avaliação da qualidade para a acreditação destas instituições. É de responsabilidade da vigilância sanitária, como descrito anteriormente, a certidão de produtos, dispositivos e equipamentos médico-hospitalares, a certificação de indústria de medicamentos e fórmulas, e a certificação de protocolos de serviços de assistência a saúde, com base em padrões e notas técnicas que refletem o entendimento científico. Nos dias atuais, a fração relacionada ao exercício da vigilância sanitária julga que alguma entidade já realizou a validação de suas tecnologias, restando à própria vigilância sanitária, dentro deste tema, a formalização oficial, autorização dos produtos e correlatos e a observação das condições técnicas de funcionamento das organizações de saúde ou daquelas que fabricam ou comercializam produtos relacionados à saúde. A metodologia de aplicação desta avaliação é baseada na observação referenciada e na aceitação das tecnologias. Também é seu papel planejar ações com bases legais diante de qualquer procedimento ou aplicação sem base cientifica comprovada. Este campo necessita de uma nova roupagem no que condiz à política sanitária e à ciência e tecnologia. Ao final desta quinta aula, vamos recordar sobre o que aprendemos até aqui. Retomando a aula 1- Introdução Iniciamos a aula trazendo os aspectos e conceitos que deram origem à vigilância sanitária. Abordamos também os aspectos legais da Lei Federal nº 8080/90 que define suas ações. 2 - Conceitos Básicos Nesta seção, trouxemos os conceitos básicos da vigilância sanitária, os aspectos políticos e históricos que estão enraizados nas suas funções. Abordamos os conceitos de controle de bens de consumo e controle de serviços. 3 - Campo de Trabalho Aqui, discorremos sobre as áreas e campos onde o trabalho da vigilância sanitária é fundamental. Nesta seção, adotamos os dois principais campos de trabalho como os de bens e serviços de saúde e o meio ambiente, onde a vigilância poderá intervir para garantir a proteção à saúde humana. 4 - Foco de Atuação Finalizamos esta aula abordando os moldes de trabalho da vigilância sanitária e em que a sua análise e validação são indispensáveis. Esta última seção é para agregar ao conhecimento do engenheiro ambiental e sanitarista um meio de trabalho, ou ainda em que áreas de sua atuação dependerá da validação da vigilância sanitária. Acessar: https://www.gov.br/anvisa/pt-br O site da Agência Nacional da Vigilância Sanitária, onde está disponível o arcabouço de legislações pertinentes aos trabalhos desta agência. V e r : h t t p s : / / w w w . y o u t u b e . c o m / watch?v=mHqEcokB2hI Vídeo do Hospital Sentinela Moinho dos Ventos que demonstra como está organizado o sistema de vigilância sanitária no Brasil. Vale a pena acessar Minhas anotações