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INTERAÇÃO E PERMEABILIDADE PROF. ME. MARIA VICTÓRIA DIFERENÇA ENTRE PENETRAÇÃO, PERMEAÇÃO E ABSORÇÃO CUTÂNEA ▪ Penetração: processo pelo qual um ativo atravessa a camada mais superficial da pele, o estrato córneo, mas sem necessariamente atingir camadas mais profundas. ▪ Permeação: processo pelo qual uma substância atravessa todas as camadas da pele, saindo da epiderme e alcançando a derme ou até tecidos subjacentes. ▪ Absorção: processo pelo qual uma substância atinge a circulação sistêmica após atravessar todas as camadas da pele. VIAS DE PENETRAÇÃO CUTÂNEA VIAS DE PENETRAÇÃO CUTÂNEA Via intercelular (entre as células da epiderme): ▪ Ativos lipofílicos (solúveis em óleo) preferem essa via. ▪ Dependem da afinidade com os lipídios do estrato córneo. VIAS DE PENETRAÇÃO CUTÂNEA Via transcelular (através das células da epiderme) ▪ O ativo precisa ser anfifílico (ter partes hidrofílicas e lipofílicas). ▪ Depende da capacidade de atravessar tanto as membranas lipídicas quanto o citoplasma aquoso das células. VIAS DE PENETRAÇÃO CUTÂNEA Via anexial (pelos folículos pilosos e glândulas sudoríparas) ▪ Ativos hidrofílicos e macromoléculas podem usar essa via. ▪ Rápida absorção, mas limitada devido à baixa quantidade de anexos cutâneos. FUNDAMENTOS FARMACOCINÉTICOS PARA PRODUTOS DE USO TÓPICO A disponibilização do fármaco é dividida em quatro estágios denominados “ADME”: 1. Absorção a partir do local de administração 2. Distribuição pelo organismo 3. Metabolização 4. Eliminação FUNDAMENTOS FARMACOCINÉTICOS PARA PRODUTOS DE USO TÓPICO O estudo da Absorção, Distribuição, Metabolização e Eliminação (ADME) para medicamentos e cosméticos tópicos é essencial para entender sua eficácia, segurança e tempo de ação. Diferente das formulações sistêmicas, os produtos tópicos têm barreiras específicas para atravessar antes de atingirem seu local de ação. ABSORÇÃO A PARTIR DO LOCAL DE ADMINISTRAÇÃO A absorção cutânea refere-se à passagem do fármaco ou ativo cosmético através da pele até atingir camadas mais profundas ou a circulação sistêmica. Diferente da administração oral ou injetável, a pele limita fortemente a absorção devido à presença da barreira cutânea. ABSORÇÃO A PARTIR DO LOCAL DE ADMINISTRAÇÃO Fatores que Influenciam a Absorção Cutânea: Estrutura da Pele e suas Barreiras Estrato córneo: Principal barreira à absorção. Formado por células mortas ricas em queratina e uma matriz lipídica, que dificulta a passagem de moléculas hidrofílicas. Epiderme viável: Camada de células vivas, sem vascularização. Ocorre difusão passiva de moléculas lipossolúveis. Derme: Rica em vasos sanguíneos. Se o fármaco ou ativo atinge essa camada, pode entrar na circulação sistêmica. Hipoderme: Contém tecido adiposo e também pode influenciar na retenção de substâncias lipossolúveis. ABSORÇÃO A PARTIR DO LOCAL DE ADMINISTRAÇÃO Fatores que Influenciam a Absorção Cutânea: Propriedades Físico-Químicas da Substância Lipofilicidade: Substâncias lipofílicas (solúveis em gordura) penetram melhor na pele, pois interagem com a matriz lipídica do estrato córneo. Tamanho Molecular: Moléculas pequenas (rins (ex.: metabólitos hidrossolúveis). ▪ Biliar: Substâncias lipossolúveis podem ser excretadas na bile e eliminadas nas fezes. TEMPO DE PERMANÊNCIA NA PELE ▪ Substâncias muito hidrofóbicas podem ter retenção prolongada. ▪ Produtos voláteis, como alguns perfumes e álcool, evaporam rapidamente. ▪ Ativos de liberação controlada (ex.: adesivos transdérmicos) são formulados para liberação prolongada. FATORES RELACIONADOS ÀS PROPRIEDADES DOS ATIVOS Lipofilicidade (Coeficiente de Partição Log P): Log P Penetração Cutânea Observações 3-4 (muito lipofílico) Baixa (retenção no estrato córneo) Fica preso nos lipídios do estrato córneo e não penetra profundamente. FATORES RELACIONADOS ÀS PROPRIEDADES DOS ATIVOS Lipofilicidade (Coeficiente de Partição Log P): Tretinoína (Log P ≈ 6) → Retida no estrato córneo Como a tretinoína é altamente lipofílica (Log P elevado), ela tem dificuldade de atravessar além do estrato córneo. Muitas formulações buscam aumentar sua penetração usando nanocarreadores, solventes ou emulsões. A tretinoína tende a se acumular no estrato córneo, o que pode ser benéfico para efeitos superficiais (ex.: tratamento da acne, renovação celular), mas pode limitar sua ação em camadas mais profundas. FATORES RELACIONADOS ÀS PROPRIEDADES DOS ATIVOS Tamanho Molecular e Peso Molecular Moléculas pequenas ( 500 Da) → Geralmente ficam retidas na camada superficial, exceto se usarem a via anexial. EX: Ácido hialurônico (alto peso molecular) penetra pouco, enquanto a niacinamida (122 Da) atravessa facilmente a epiderme. FATORES RELACIONADOS ÀS PROPRIEDADES DOS ATIVOS Grau de Ionização e pH Moléculas neutras (não ionizadas) → Melhor absorção, pois atravessam mais facilmente as membranas celulares. Moléculas ionizadas → Baixa penetração, pois têm dificuldade em atravessar a camada lipídica da pele. EX: O ácido salicílico (pKa ≈ 3) penetra melhor em pH ácido, pois fica na forma não ionizada. FATORES RELACIONADOS ÀS PROPRIEDADES DOS ATIVOS Grau de Ionização e pH ▪ A pele humana apresenta um pH ligeiramente ácido, que geralmente varia entre 4,5 e 5,5. ▪ O pH ácido da pele ajuda a manter a função da barreira cutânea, impedindo que microrganismos patogênicos (bactérias, fungos, vírus) se proliferem. ▪ Ele também ajuda a preservar a integridade da camada córnea (estrato córneo), responsável por impedir a desidratação e perda de nutrientes. ▪ Esse ambiente é conhecido como "manto ácido", que protege a pele contra infecções. FATORES RELACIONADOS ÀS PROPRIEDADES DOS ATIVOS Fatores que relacionados a cosméticos que influenciam o pH da Pele ▪ Sabões alcalinos (com pH > 7) podem deteriorar a barreira cutânea, deixando a pele seca e sensível. ▪ Produtos de limpeza e cosméticos com pH muito ácido ou muito alcalino podem prejudicar o equilíbrio natural da pele. FATORES RELACIONADOS ÀS PROPRIEDADES DOS ATIVOS Solubilidade em Água e Veículo Ativos solúveis em água → Dificuldade para atravessar a barreira lipídica; podem precisar de promotores de permeação. Ativos solúveis em óleo → Melhor absorção pelo estrato córneo, mas podem ficar retidos na pele. O veículo (creme, gel, emulsão, nanopartículas) pode aumentar ou reduzir a penetração do ativo. FATORES RELACIONADOS ÀS PROPRIEDADES DOS ATIVOS Uso de Promotores de Permeação Algumas substâncias ajudam a aumentar a permeação dos ativos, como: ▪ Solventes (etanol, propilenoglicol, dimetilsulfóxido - DMSO) → Alteram a estrutura lipídica do estrato córneo. ▪ Tensoativos → Modificam a fluidez da membrana celular. ▪ Nanotecnologia (lipossomas, nanopartículas, microemulsões) → Facilitam a entrega do ativo às camadas mais profundas. BIOTIPOS DE PELE E SUA RELAÇÃO COM OS VEÍCULOS COSMÉTICOS A escolha do veículo cosmético é fundamental para a eficácia do produto, pois ele deve ser compatível com as necessidades do biotipo de pele para garantir boa absorção, conforto e eficácia. O veículo é a base em que o ativo cosmético é formulado, e o biotipo de pele influencia diretamente na escolha de sua composição, textura e forma de aplicação. PELE NORMAL ▪ Características: Boa hidratação, sem oleosidade excessiva ou ressecamento. Textura suave e homogênea. ▪ Necessidades: Manter a hidratação e equilíbrio, sem causar oleosidade ou ressecamento. ▪ Veículos recomendados: emulsões leves, géis hidratantes, loções fluidas, e serúm. ▪ Produtos com textura leve e fácil absorção são ideais PELE SECA ▪ Características: Sensação de repuxamento, descamação, perda de oleosidade natural. Frequentemente mais fina e sensível. ▪ Necessidades: Hidratação intensa e reposição de lipídios. ▪ Veículos recomendados: Cremes mais espessos, pomadas, bálsamos ou emulsões ricas em lipídios, como óleos vegetais ou manteigas (ex.: manteiga de karité, óleo de abacate). ▪ Produtos com textura mais densa, que criam uma barreira oclusiva para evitar a perda de água da pele. PELE OLEOSA ▪ Características: Excesso de sebo, poros dilatados, brilho excessivo, tendência a acne. ▪ Necessidades: Controle da oleosidade e manutenção da hidratação sem o aumento de sebo. ▪ Veículos recomendados: Géis, loções aquosas ou emulsões leves. ▪ Fórmulas não comedogênicas e oil-free (sem óleo) para evitar o entupimento dos poros. Produtos com ácido salicílico ou ácido glicólico também ajudam a controlar a oleosidade. PELE MISTA ▪ Características: Pele oleosa na zona T (testa, nariz e queixo) e seca ou normal nas bochechas e região ao redor dos olhos. ▪ Necessidades: Equilibrar a oleosidade na zona T e fornecer hidratação para as áreas mais secas. ▪ Veículos recomendados: Emulsões equilibradas, géis-cremes e loções hidratantes. ▪ Fórmulas leves, com controle de oleosidade na zona T, mas que também ofereçam hidratação para as áreas secas. TESTES DE PERMEAÇÃO NA PELE TESTES IN VITRO Realizados em um ambiente controlado de laboratório, com a utilização de modelos artificiais de pele ou pele humana isolada. Objetivo: Avaliar a permeabilidade de ativos sem a necessidade de ensaios em seres vivos. Vantagens: Mais éticos e mais rápidos. Permite a padronização das condições de teste. TESTES IN VITRO Células de difusão (células de Franz): Consiste em um recipiente com uma divisão entre a pele (ou modelo de pele) e um receptor contendo um fluido simulando os líquidos corporais. MODELOS DE PELE SINTÉTICA (PELE 3D) ▪ Substituem a pele humana em testes in vitro, como o EpiDerm e o SkinEthic. ▪ Esses modelos são usados para estudar a toxicidade, irritabilidade e a permeabilidade de substâncias TESTES EX VIVO ▪ Podem ser obtidas de cirurgias estéticas, a pele descartada é usada nos experimentos, com consentimento do paciente e aprovação do comitê de ética. TESTES IN VIVO ▪ Realizados em seres vivos (humanos ou animais), esses testes têm como objetivo avaliar a absorção da substância em condições fisiológicas reais. ▪ Objetivo: Observar como o ativo se comporta na pele em termos de absorção, distribuição e eliminação. ▪ Método: A substância é aplicada na pele de um voluntário ou animal, e as concentrações do ativo podem ser monitoradas no plasma sanguíneo ou em amostras de urina, para verificar a absorção e metabolização do produto. MÉTODOS DE ANÁLISE DA PENETRAÇÃO DE ATIVOS 1. Análise de concentração do ativo no fluido receptor: A quantidade de ativo no fluido receptor é medida em intervalos de tempo para determinar a taxa de absorção e a distribuição do ativo. 2. Espectrometria de massas ou HPLC: Técnicas como a cromatografia líquida de alta eficiência (HPLC) ou espectrometriade massas são utilizadas para quantificar a concentração do ativo no fluido receptor ou nas camadas da pele. 3. Microscopia confocal ou fluorescência: Para visualizar a distribuição do ativo nas diferentes camadas da pele, utilizando substâncias fluorescentes ou marcadores.