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CITOLOGIA E GENÉTICA SEMANA 1 E 6: INTRODUÇÃO AO ESTUDO CELULAR - células eucariontes - células procariontes -> CÉLULA EUCARIONTE · Membrana plasmática: é o que envolve a célula, que a delimita e tem a função de permeabilidade seletiva, quer dizer, é ela que vai liberar o que vai entrar e o que vai sair. Sua composição é de duas camadas de lipídeos. · Núcleo: encontrado nas células eucariontes, guarda o material genético, o DNA do ser vivo e comanda tudo que acontece dentro da célula. · Mitocôndria: tem a função principal de respiração celular, de produzir energia (ATP) para aquela célula funcionar e exercer suas atividades. Tem seu próprio DNA e seus próprios ribossomos. · Ribossomos: fazem a síntese proteica, ou seja, produzem a proteína, que são compostos extremamente importantes para todo o funcionamento das células, principalmente o DNA. · Lisossomos: têm função de digestão celular, são “bolsinhas” que contém enzimas que vão realizar a degradação de substâncias dentro da célula. Eles podem digerir substâncias que vêm de fora (heterofagia), ou pode digerir substâncias que já estão ali dentro (autofagia). · Retículo endoplasmático: conjunto de bolsas e tubos que têm função principal de transportar algumas substâncias. E quais substâncias eles vão transportar, depende de qual retículo endoplasmático nós estamos falando. Existem dois tipos, Rugoso ou Granuloso (RER) e Liso ou Agranuloso (REL). O granuloso tem esse nome por conter vários ribossomos grudadinhos nele, aí a sua função será a síntese de proteínas. A diferença é que ele vai sintetizar proteínas que serão utilizadas fora da célula. Os ribossomos que ficam soltos pela célula irão sintetizar proteínas que são utilizadas pelas células. O retículo endoplasmático liso tem a função de sintetizar lipídeos. Ele vai desintoxicar a célula, vai degradar as substâncias tóxicas que estão ali dentro. · Complexo de Golgi: formado também por bolsas, um pouco mais achatadas, formando como se fossem cisternas, tem a função de secreção celular, isto é, de levar o que está dentro da célula para fora dela. Também tem a função de sintetizar carboidratos do tipo polissacarídeos. · Centríolos: são formados por microtúbulos que vão ajudar os cromossomos a se separarem na hora da divisão celular. Estão presentes também em cílios e flagelos, auxiliando na locomoção de algumas células. · Peroxissomos: tem a função de quebrar água-oxigenada. Isso mesmo! Essas substâncias podem estar presentes dentro das células devido a alguns processos, e dentro dessas bolsinhas têm uma enzima chamada catalase, que vai quebrar a água-oxigenada, que é uma substância tóxica para a célula. · Citoplasma: é composto por uma substância gelatinosa chamada citosol, e pelas organelas presentes naquela célula, é todo o espaço onde as organelas estão “presas”. · Citoesqueleto: é o que dá sustentação e forma àquela célula, formado por um conjunto de estruturas proteicas que ficam no citoplasma e ajudam nessa sustentação. prática: SEMANA 2: CITOESQUELETO E ESTRUTURA NUCLEAR: Núcleo Celula O núcleo é a região da célula onde se encontra o material genético (DNA) dos organismos tanto unicelulares como multicelulares. O núcleo é o que caracteriza os organismos eucariontes e os diferencia dos procariontes que não possuem núcleo. Função O núcleo é como o "cérebro" da célula, pois é a partir dele que partem as "decisões". É onde se localizam os cromossomos compostos de moléculas de ácido desoxirribonucleico, DNA, que carrega toda a informação sobre as características da espécie e participa dos mecanismos hereditários. Cada região do DNA é composto por genes que codificam as informações para a síntese de proteínas, que ocorre nos ribossomos. De acordo com o gene codificado, será sintetizada um tipo de proteína, que será usada para fins específicos. Além disso, quando o organismo precisa crescer ou se reproduzir a célula passa por divisões que acontecem também no núcleo. Componentes do Núcleo O núcleo contém nucleoplasma, substância onde fica mergulhado o material genético e as estruturas que são importantes para que desempenhe suas funções, como os nucléolos. E também há a carioteca ou membrana celular, que delimita o núcleo e envolve o material genético. Carioteca A membrana que envolve o núcleo é chamada de carioteca, tem natureza semelhante às restante membranas celulares, ou seja, dupla camada de lipídios e proteínas. A membrana mais externa está ligada ao retículo endoplasmático e muitas vezes possui ribossomos aderidos. No lado interno da membrana interior há uma rede de proteínas (lâmina nuclear) que ajudam na sustentação da carioteca e participam do processo de divisão celular, contribuindo para a fragmentação e reconstituição do núcleo. Existem poros na carioteca que são importantes para controlar a entrada e saída de substâncias. Cromatina As moléculas de DNA associadas às proteínas histonas compõem a cromatina. A cromatina pode estar mais densa, mais enrolada, sendo chamada heterocromatina que se diferencia da região de consistência mais frouxa, a eucromatina. O conjuntos dos cromossomos que constituem cada espécie é o cariótipo; no ser humano, por exemplo, são 22 pares de cromossomos autossômicos e 1 par de cromossomos sexuais. Os cromossomos humanos, por exemplo, têm forma e tamanho típicos o que facilita a sua identificação. Nucléolos Os nucléolos são corpos densos e arredondados compostos de proteínas, com RNA e DNA associados. É nessa região do núcleo onde são fabricadas as moléculas de RNA ribossômico que se associam a certas proteínas para formar as subunidades que compõem os ribossomos. Essas subunidades ribossômicas ficam armazenadas no nucléolo e saem no momento de realização da síntese proteica. VEJA TAMBÉM: Biologia Molecular Divisão Celular Nos organismos unicelulares a divisão celular representa a reprodução desses seres. Já nos multicelulares a divisão é importante para o crescimento e desenvolvimento do organismo. O surgimento de uma nova célula e todo processo de divisão é chamado de ciclo celular. A divisão celular em que a célula origina duas células-filhas idênticas é denominado mitose. Os cromossomos se tornam tão condensados que podem inclusive ser vistos ao microscópio. Depois ocorrem diversas fases: prófase, metáfase, anáfase e telófase até que são originadas duas novas células. Já quando na divisão a célula origina células-filhas com a metade do número de cromossomos o processo é chamado de meiose. Na meiose acontecem dois ciclos de divisões consecutivas, chamadas de Meiose I e Meiose II. O CITOESQUELETO O Citoesqueleto das células eucariontes é composto de complexos protéicos fibrilares, formados pela polimerização de proteínas globulares. Sua pricincipal função é coordenar a distribuição de organelas na célula e orientar sua forma geral. O Citoesqueleto das células eucariontes é composto de complexos protéicos fibrilares, formados pela polimerização de proteínas globulares. Sua pricincipal função é coordenar a distribuição de organelas na célula e orientar sua forma geral. Ele é responsável pelas alterações de forma e da distribuição de organelas desencadeadas por interações entre a célula e seu meio e entre células diferentes. É também responsável pela sustentação e resistência da célula. O Citoesqueleto é composto por Microfilamentos, Filamentos Espessos, Filamentos Intermediários e Microtúbulos. Esses componentes se associam entre si, formando uma complexa rede citoplasmática. Através de proteínas associadas, eles se ligam à membrana plasmática e às membranas de outras organelas. É uma estrutura dinâmica, que se altera através de variações entre taxas de polimerização e despolimerização. Associação do Citoesqueleto com a membrana plasmática: As junções entre células podem apresentar diferentes funções de acordo com sua estrutura. A Junções de Oclusão são contínuas em torno da célula nos pontos de contato com as células vizinhas e vedam compartimentos. São formadas por proteínas transmembranares, associadas internamente ao citesqueleto de microfilamentosde actina. Ex: Lume Intestinal, bexiga, vias respiratórias. As junções de adesão podem ser contínuas como a Zona de Adesão, ou pontuais como os desmossomas e hemidesmossomas. A Zona de Adesão associa-se aos microfilamentos de actina da malha próxima à membrana plasmática. Os desmossomas e hemidesmossomas se associam a filamentos intermediários. Componentes Diâmetro Principal proteína Participam de: Microfilamentos ~5nm Actina Contração muscular, endocitose, pinocitose, migração celular Filamentos Espessos ~15nm Miosina Contração muscular Filamentos Intermediários ~10nm Citoqueratina (células epiteliais) Vimentina(células mesenquimais) Neurofilamentos, etc. Lamina (lâmina nuclear) Sustentação: desmossomas e hemidesmossomas Microtúbulos ~25nm Tubulina-a e Tubulina-b Cilindro oco de diâmetro Formação do fuso mitótico Transporte de vesículas e outras organelas Estruturas com microtúbulos organizados Estrutura Localização Flagelos 9+2 Espermatozóide e em protozoários Cílios 9+2 Epitélio das viás aéreas Centríolos 3x9 Todas as células animais; região organizadora de microtúbulos Corpúsculos Basais 3x9 Ancoragem e origem dos cílios Doenças associadas a alterações do citoesqueleto: Ação de drogas sobre o citoesqueleto: Microtúbulos: A Colchicina é um alcalóide que se liga aos dímeros da tubulina e impede a polimerização dos microtúbulos mais sensíveis como os do fuso mitótico. Ela é utilizada para se estudar células em mitose. O Taxol é um alcalóide utilizado no tratamento de tumores pois também impede a mitose. Ele acelera a polimerização e estabiliza os microtúbulos, impedindo a despolimerização. Outras drogas utilizadas no tratamento de tumores, que também interferem com a dinâmica de microtúbulos, são a Vincristina e a vimblastina. Microfilamentos: Produtos de fungos como as citocalasinas e as faloidinas interferem com a dinâmica de polimerização e despolimerização da actina, interferindo com o movimento celular. As citocalasinas se ligam à actina impedindo a polimerização, enquanto as faloidinas se ligam lateralmente aos microfilamentos estabilizando-os. Filamentos intermediários: A disposição dos filamentos intermediários depende da presença de microtúbulos. Prática: - síndrome de kninfelter: dois cromossomos x – 47XXY - síndrome de down: três cromossomos 21 - síndrome de Edwards: três cromossomos 18 - síndrome de turner: apenas um cromossomo sexual (X) – 45X #euploidia: número correto de cromossomos # citotécnica: . 3 ml de sangue com heparina (anticoagulante pouco ofensivo) . coloca em um meio de cultura com AAs, antibiótico e fitohemaglutinina (agente mitogênico) . leva para estufa a 37°C (com O2 por 3 dias) . adiciona colchinha (37°C – 1 hora) . adiciona KCl para hipotonizar o meio (estourar célula para sair o cromossomo) . adiciona fixador de carnoy (3:1) SEMANA 3: CICLO CELULAR O Ciclo celular é definido como a sequência de acontecimentos que levam ao o crescimento e a divisão da célula, de forma contínua e repetitiva. Considera-se, assim, que o ciclo celular compreende a mitose e o tempo que decorre entre duas mitoses, a interfase (Fig. 1). Figura 1. Esquema do ciclo celular I – interfase; M – mitose. (A duração da fase mitótica em relação às outras fases encontra-se exagerada.) A interfase é um período relativamente longo quando comparado com a mitose, podendo demorar horas, anos ou até perpetuar-se até à morte da célula, sem que nova divisão ocorra (ex. maioria das células nervosas e musculares). Durante este período ocorre a síntese de diversos constituintes que conduzem ao crescimento e à maturação celulares, para que a célula esteja preparada se ocorrer uma nova divisão. À interfase correspondem três períodos: G1, S e G2 (alguns organismos unicelulares, como a levedura não possuem G2). · Período G1: a designação desta etapa deriva de ‘gap’ do inglês intervalo, e decorre imediatamente após a mitose. É um período de intensa iploides bioquímica, no qual a célula cresce em volume e o número de organelos aumenta. Ocorre a síntese de RNA no sentido de a célula sintetizar (fabricar) proteínas, lípidos e glícidos. · Período S: de síntese do inglês ‘synthesis’ é caracterizado pela replicação do DNA. Às novas moléculas de DNA associam-se proteínas básicas chamadas histonas, formando-se cromossomas, constituídos por dois cromatídeos ligados pelo centrómero. · Período G2: síntese de mais proteínas e produção de estruturas membranares que serão utilizadas nas células-filhas resultantes da mitose. A fase mitótica embora varie em aspectos mínimos de uns organismos para os outros, é basicamente semelhante na maior parte das células eucarióticas. Esta fase em que uma célula se divide em duas células-filhas, podem ser considerada 2 processos consecutivos: a Mitose propriamente dita ou a Cariocinese (divisão do núcleo) e a Citocinese (divisão do citoplasma). A mitose pode ser dividida em quatro fases embora seja um processo contínuo: iploid, iploide, anafase e iploide (gerando a célebre mnemónica “PRÓximo da META a ANA TELefonou”) (Fig. 2). Neste processo, associado à divisão de células somáticas, o material genético sintetizado no período S da interfase é dividido igualmente por dois núcleos resultantes. A mitose é regulada por diferentes classes de proteínas, iniciando-se quando uma delas, as ciclinas, atingem determinadas concentração no citoplasma e activa o iplo promotor da mitose (MPF) proteico citoplasmático, que inicia a condensação dos cromossomas. Nas células animais e vegetais a diferença no processo de mitose é a ausência de centrómeros nas células vegetais e, por consequência, a formação do fusos multipolares. Fases da Mitose: · Profase: É a etapa mais longa da mitose. Nesta fase a cromatina condensa-se gradualmente em cromossomas bem definidos, sendo por vezes visível que são compostos por dois cromatídeos enrolados um no outro (o DNA já tinha sido duplicado durante a fase S da interfase). Os centrossomas (dois pares de centríolos) afastam-se para pólos opostos, formando entre eles o fuso acromático (em plantas os fusos são multipolares por ausência de centrómeros). As fibras do fuso acromático são feixes de microtúbulos ligados a complexos proteicos especializados – cinetócoros – desenvolvidos nos centrómeros durante a iploid. O nucléolo desintegra-se determinando o final da etapa e o invólucro nuclear desagrega-se. · Metafase: os cromossomas atingem a sua máxima condensação. Os cromossomas no centro do fuso, alinham-se no plano equatorial da célula, formando a chamada placa equatorial. Os dois cromatídeos de cada cromossoma estão em posição oposta, permitindo que se separem na fase seguinte. · Anafase: divisão pelo centrómero e separação simultânea de todos os cromatídeos (cada cromatídeo passa agora a ser designado por cromossoma). Os cromossomas iniciam a ascensão polar ao longo dos feixes de microtúbulos. No final da Anafase dois conjuntos idênticos de cromossomas encontram-se em cada pólo da célula. · Telofase: inicia-se a organização dos núcleos das células-filhas. Forma-se o invólucro nuclear em torno dos cromossomas, a partir do retículo endoplasmático rugoso. As fibras do fuso acromático desorganizam-se, os cromossomas começam a descondensar, tornando-se novamente indistintos. O nucléolo é reconstituído e cada célula-filha entra na interfase. Terminada a divisão nuclear (cariocinese) geralmente inicia-se a divisão citoplasmática (citocinese), completando-se desta forma a divisão celular que originará duas células-filhas. Nas células animais (sem parede celular) o início da citocinese é marcado pelo surgimento de uma constrição da membrana citoplasmástica na zona equatorial da célula. Este estrangulamento resulta da contracção de um conjunto de filamentos proteicos localizados juntos da membrana plasmática. O resultado é a clivagem da célula mãe em duas células-filhas. Nas células vegetais a existência da parede celular esquelética não permite a citocinese por estrangulamento. A clivagem da célula mãeocorre através da formação do fragmoplasto, estrutura formada por vesículas resultantes do complexo de Golgi, contendo diferentes polissacáridos entre os quais celulose e proteínas que são depositadas na região equatorial da célula aproveitando os microtúbulos entre os dois pólos celulares, e formando uma placa celular, a lamela média. À medida que as vesículas de Golgi se vão fundindo, origina-se uma parede celular que acabará por dividir a célula em duas. A deposição de celulose junto à lamela média vai dar origem às duas paredes celulares que, geralmente se formam do centro da célula-mãe para a periferia. As paredes celulares formadas muitas vezes não são herméticas (estanques), existindo poros de comunicação, denominador plasmodesmos, que permitem a comunicação entre o citoplasma das diferentes células. I ao III iploid; IV iploide; V e VI anafase; VII e VIII iploide. Mitose versus Meiose São ambos processos de divisão nuclear que ocorrem ao longo do ciclo de vida dos organismos mas apresentam aspectos que os distinguem. Mitose Meiose Ocorre em células somáticas Ocorre em células sexuais para produção de gâmetas Origina duas células-filhas, cujo número de cromossomas é igual ao da célula mãe Origina quatro células-filhas com metade do número de cromossomas da célula mãe Ocorre em células iploides e haplóides Nunca ocorre em células haplóides Não há emparelhamento de cromossomas homólogos (cada cromossoma comporta-se de forma independente do outro) Há emparelhamento de cromossomas homólogos Quase nunca ocorre crossing-over Há crossing-over entre cromatídeos de cromossomas homólogos As células-filhas podem continuar a dividir-se As células-filhas não podem sofrer mais divisões meióticas Centrómeros dividem-se longitudinalmente na anafase Centrómeros dividem-se longitudinalmente apenas na anafase II (divisão equacional) Só ocorre uma divisão Ocorrem duas divisões sucessivas (primeira dita reducional e a segunda equacional, semelhante à mitose) Prática: SEMANA 4: ESTUDO MITOCONDRIAL As mitocôndrias são organelas celulares relacionadas com o processo de respiração celular. São frequentemente referidas como “casas de força” das células, pois, por meio do processo de respiração celular, uma grande quantidade de ATP é gerada. Leia também: O que é ATP? → Características das mitocôndrias As mitocôndrias são organelas de formato esférico ou alongado encontradas em quase todas as células eucariontes, isto é, células que se caracterizam pela presença de material genético envolto pela membrana nuclear. Em células procariontes, as mitocôndrias não estão presentes. As mitocôndrias são organelas celulares encontradas em grande quantidade em células com grande atividade metabólica. O número de mitocôndrias varia de uma célula para outra, porém, normalmente, observam-se centenas de mitocôndrias em uma única célula. Um número maior é observado em células que apresentam grande atividade metabólica. Além disso, as mitocôndrias acumulam-se nos locais do citoplasma que possuem maior gasto de energia. Essas organelas apresentam um comprimento que varia de 1,0 µm a 10 µm e largura entre 0,5 µm e 1,0 µm. Apresentam duas membranas: uma membrana interna, que apresenta projeções para seu interior (cristas mitocondriais), e uma membrana mais externa, que é lisa. Entre a membrana externa e a interna, há o chamado espaço intermembranoso. A membrana interna, por sua vez, delimita um espaço interno, o qual contém a matriz mitocondrial. Observe atentamente as principais partes de uma mitocôndria. As cristas mitocondriais são responsáveis por garantir o aumento da superfície da membrana interna. Nessa crista, é possível perceber a presença de enzimas e também outros componentes que são importantes no processo de respiração celular. As células que consomem muita energia apresentam mitocôndrias com grande quantidade de cristas. Na matriz mitocondrial, encontra-se uma grande quantidade de enzimas que atuam na respiração celular, outras proteínas, material genético (DNA e RNA) e ribossomos. O DNA encontrado nas mitocôndrias é muito semelhante ao das bactérias, apresentando-se como filamentos duplos e circulares. Os filamentos de DNA são sintetizados na própria organela, e sua duplicação ocorre sem interferência do DNA nuclear. Não pare agora... Tem mais depois da publicidade ;) Como dito, o RNA está também presente nas mitocôndrias. Nessas organelas, ocorrem o RNA ribossomal, RNA mensageiro e RNA transportador. Os ribossomos também são encontrados no interior das mitocôndrias, porém são diferentes daqueles encontrados no citoplasma da célula. Esses ribossomos da mitocôndria são menores e assemelham-se muito aos das bactérias. Nas mitocôndrias, também são sintetizadas algumas proteínas, mas em menor quantidade. As mitocôndrias são capazes de se fundir e de se dividir por fissão binária, assim como organismos procariontes. → Funções das mitocôndrias As mitocôndrias funcionam como um sítio do processo de respiração celular. Esse processo metabólico extrai energia armazenada na glicose e também em outros combustíveis orgânicos, havendo decomposição desses combustíveis, na presença de oxigênio, em gás carbônico e água. A energia liberada é utilizada para realizar diversas atividades celulares, como o transporte através da membrana. Se quiser compreender mais detalhadamente o processo de respiração celular, acesse o texto: Respiração Celular. → Origem das mitocôndrias A origem das mitocôndrias, e também dos cloroplastos, é explicada por meio da teoria endossimbionte. De acordo com essa teoria, um ancestral das células eucariontes fagocitou um pequeno procarionte ancestral aeróbio (utilizava oxigênio para metabolizar as moléculas orgânicas), que começou a viver em seu interior. Esse procarionte ancestral foi englobado, mas não foi digerido pela célula e, por fornecer vantagem a essa célula, começou a viver de maneira simbiótica, isto é, em uma relação que beneficiava todos os envolvidos. As mitocôndrias provavelmente eram organismos procariontes que foram englobados por uma célula mais complexa. Algumas características das mitocôndrias sugerem que essa teoria realmente está correta, como a presença de duas membranas, a capacidade de se dividir como alguns procariontes, a presença de DNA circular e a presença de ribossomos semelhantes aos de procariotos. → Resumo sobre mitocôndrias · As mitocôndrias são encontradas em células eucariontes. · Mitocôndrias estão relacionadas com o processo de respiração celular e são encontradas em maior número em células que apresentam grande atividade metabólica. · Mitocôndrias são organelas que apresentam dupla membrana. · A membrana mais interna da mitocôndria forma as cristas mitocondriais. · As cristas mitocondriais delimitam a matriz mitocondrial, na qual são encontradas proteínas, DNA, RNA e ribossomos. · O DNA das mitocôndrias é semelhante ao de bactérias. · A origem das mitocôndrias pode ser explicada pela teoria endossimbiótica. · A teoria endossimbiótica foi proposta por Lynn Margulis, em 1981, e admite que algumas organelas (mitocôndrias e cloroplastos) existentes nas células eucarióticas surgiram graças a uma associação simbiótica. Acredita-se que mitocôndrias e cloroplastos são descendentes de organismos procariontes que foram capturados e adotados por alguma célula, vivendo, assim, em simbiose. · → Como mitocôndrias e cloroplastos passaram a viver no interior das células? · Segundo a teoria endossimbiótica, podemos considerar que os ancestrais das mitocôndrias e cloroplastos eram organismos endossimbiontes, ou seja, organismos que vivem dentro de outro organismo. Possivelmente, a célula hospedeira era uma espécie de fagócito heterotrófico capaz de englobar partículas. · Após englobar a célula, ela permaneceu mantida no citoplasma da célula hospedeira sem que houvesse degradação. Os dois organismos, então, começaram a viver em simbiose e, posteriormente, ficaram incapacitados de viver isoladamente. O procarionte provavelmente beneficiou a célula hospedeiracom o processo de respiração (mitocôndria) e fotossíntese (cloroplasto), e a célula hospedeira fornecia proteção e nutrientes. · Não pare agora... Tem mais depois da publicidade ;) · → Quais características das mitocôndrias e cloroplastos apoiam essa teoria? · - Cloroplastos e mitocôndrias assemelham-se a bactérias em tamanho e forma, além da semelhança genética e bioquímica, o que sugere que possam ter ancestrais procarióticos; · - Cloroplastos e mitocôndrias possuem DNA e ribossomos próprios; · - DNA de cloroplastos e mitocôndrias são bastante diferentes daquele existente no núcleo da célula; · - As duas organelas possuem o seu próprio sistema de membranas internas e a presença de duas membranas revestindo-as; · - Tanto cloroplastos quanto mitocôndrias possuem capacidade de autoduplicação. · Curiosidade: Atualmente, podemos observar o processo de endossimbiose em algumas espécies. A Vorticella é um protista que estabelece esse tipo de relação com algas verdes do gênero Chlorella. A alga fornece produtos resultantes do processo de fotossíntese e recebe do protista nutrientes minerais. SEMANA 5: SISTEMA NERVOSO Sistema Nervoso Central O Sistema Nervoso Central é constituído pelo encéfalo e pela medula espinhal, ambos envolvidos e protegidos por três membranas denominadas meninges. Encéfalo O encéfalo, que pesa aproximadamente 1,5 quilo, está localizado na caixa craniana e apresenta três órgãos principais: o cérebro, o cerebelo e o tronco encefálico; Cérebro É o órgão mais importante do sistema nervoso. Considerado o órgão mais volumoso, pois ocupa a maior parte do encéfalo, o cérebro está dividido em duas partes simétricas: o hemisfério direito e o hemisfério esquerdo. Assim, a camada mais externa do cérebro e cheia de reentrâncias, chama-se córtex cerebral, o responsável pelo pensamento, visão, audição, tato, paladar, fala, escrita, etc. Ademais, é sede dos atos conscientes e inconscientes, da memória, do raciocínio, da inteligência e da imaginação, e controla ainda, os movimentos voluntários do corpo. Cerebelo Está situado na parte posterior e abaixo do cérebro, o cerebelo coordena os movimentos precisos do corpo, além de manter o equilíbrio. Além disso, regula o tônus muscular, ou seja, regula o grau de contração dos músculos em repouso. Tronco Encefálico Localizado na parte inferior do encéfalo, o tronco encefálico conduz os impulsos nervosos do cérebro para a medula espinhal e vice-versa. Além disso, produz os estímulos nervosos que controlam as atividades vitais como os movimentos respiratórios, os batimentos cardíacos e os reflexos, como a tosse, o espirro e a deglutição. Medula Espinhal A medula espinhal é um cordão de tecido nervoso situado dentro da coluna vertebral. Na parte superior está conectada ao tronco encefálico. Sua função é conduzir os impulsos nervosos do restante do corpo para o cérebro e coordenar os atos involuntários (reflexos). Sistema Nervoso Periférico O sistema nervoso periférico é formado por nervos que se originam no encéfalo e na medula espinhal. Sua função é conectar o sistema nervoso central ao resto do corpo. Importante destacar que existem dois tipos de nervos: os cranianos e os raquidianos. · Nervos Cranianos: distribuem-se em 12 pares que saem do encéfalo, e sua função é transmitir mensagens sensoriais ou motoras, especialmente para as áreas da cabeça e do pescoço. · Nervos Raquidianos: são 31 pares de nervos que saem da medula espinhal. São formados de neurônios sensoriais, que recebem estímulos do ambiente; e neurônios motores que levam impulsos do sistema nervoso central para os músculos ou para as glândulas. De acordo com a sua atuação, o sistema nervoso periférico pode ser dividido em sistema nervoso somático e sistema nervoso autônomo. · Sistema Nervoso Somático: regula as ações voluntárias, ou seja, que estão sob o controle da nossa vontade bem como regula a musculatura esquelética de todo o corpo. · Sistema Nervoso Autônomo: atua de modo integrado com o sistema nervoso central e apresenta duas subdivisões: o sistema nervoso simpático, que estimula o funcionamento dos órgãos, e o sistema nervoso parassimpático que inibe o seu funcionamento. De maneira geral, esses dois sistemas têm funções contrárias.Enquanto o sistema nervoso simpático dilata a pupila e aumenta a frequência cardíaca, o parassimpático, por sua vez, contrai a pupila e diminui os batimentos cardíacos. Enfim, a função do sistema nervoso autônomo é regular as funções orgânicas, para que as condições internas do organismo se mantenham constantes. CÉLULAS DO SISTEMA NERVOSO: Neurônios Os neurônios (figura 01) são os principais tipos celulares do tecido nervoso. São células excitáveis especializadas em transmitir estímulos nervosos graças a uma série complexa de atividades físico-químicas da sua membrana. Podem ter diversas formas, características, comprimentos e funções diversas, segundo o papel desempenhado por cada neurônio. Geralmente não se dividem; os que morrem, seja naturalmente ou por efeitos de toxinas ou traumatismos, não serão substituídos. Tipicamente, apresentam três componentes Dendritos: extensões citoplasmáticas numerosas, especializadas na função de receber os estímulos do meio ambiente, de células epiteliais sensoriais ou de outros neurônios. Possuem múltiplas ramificações, podendo receber estímulos de vários neurônios simultaneamente. Corpo celular (pericário): centro trófico da célula, que aloja todas as funções celulares. Também é capaz de receber estímulos. Nesta estrutura ocorre a síntese proteica e a convergência das correntes elétricas geradas nos dendritos. Cada corpo celular neuronal contém apenas um núcleo que se encontra no centro da célula. Axônio: prolongamento único de calibre regular, especializado na condução de impulsos que transmitem informações do neurônio a outras células (musculares ou glandulares). Sua porção final é muito ramificada e termina na célula seguinte do circuito, por meio de botões terminais, que fazem parte da sinapse. De acordo com o tamanho e forma de seus prolongamentos, os neurônios podem ser classificados em: unipolares, bipolares, multipolares ou pseudo-unipolares (DINIZ, 2010): Unipolares: tipo raro de neurônio que possui apenas um corpo celular e um prolongamento axonal (ex.: processos embrionários). Bipolares: possuem um dendrito e um axônio (ex.: retina e mucosa olfatória). Multipolares: possuem mais de dois prolongamentos celulares. A maior parte dos neurônios faz parte deste grupo (ex.: neurônios motores). Pseudo-unipolares: apresentam próximo ao corpo celular um prolongamento único, mas este logo se divide em dois, dirigindo-se um ramo para a periferia e outro para o Sistema Nervoso Central (SNC) (ex.: gânglios espinhais). Os neurônios podem ser classificados ainda de acordo com a sua função em: motores, sensoriais ou interneurônios. Neurônios motores ou efetuadores (eferentes): controlam órgãos efetores, tais como glândulas exócrinas e endócrinas e fibras musculares, transmitindo o sinal do sistema nervoso central ao órgão efetor para que este realize a ação que foi ordenada pelo encéfalo ou pela medula espinhal. Neurônios receptores ou sensitivos (aferentes): recebem estímulos sensoriais do meio ambiente e do próprio organismo. Sua constituição difere dos outros dois tipos de neurônios. De um lado do axônio existem os sensores que captam os estímulos. Do outro lado as telodendrites. O corpo celular localiza-se no meio do axônio. Interneurônios (associativos ou conectores): grupo de neurônios mais numeroso. Estabelecem conexões entre outros neurônios formando circuitos complexos e transmitindo sinais dos neurônios sensitivos ao sistema nervoso central. Liga também neurônios motores entre si. Neste tipo de neurônio o axônio é bastante reduzido, estando o corpo celular e os dendritos ligados diretamente à arborização terminal, onde se localizam as telodendrites. Células da glia As células da glia (neuroglia), também presentes no tecido nervoso, exercem a função de sustentar e nutrir os neurônios, além deauxiliar seu funcionamento. Constituem cerca de metade do volume do encéfalo humano. Há diversos tipos de células da glia. Astrócitos: maiores células da glia, com grande número de prolongamentos, cujas extremidades podem espessar-se e envolver a parede de capilares sanguíneos. Participam do processo de cicatrização do tecido nervoso, preenchendo áreas lesadas. Possuem receptores para neurotransmissores podendo realizar sinapses com neurônios ou grupos neuronais específicos. São classificados como protoplasmáticos (presentes na substância cinzenta) ou fibrosos (presentes na substância branca). Oligodendrócitos: células responsáveis pela formação e manutenção das bainhas de mielina dos axônios, no sistema nervoso central, função em que no sistema nervoso periférico é executada pelas células de Schwann. Apresentam menor número de prolongamentos, podendo ocorrer associados ao corpo celular ou ao axônio. Neste, os prolongamentos enrolam-se, formando uma bainha de mielina do SNC. Ocorrem tanto na substância branca como na cinzenta. Ependimárias: células que envolvem o canal medular e os ventrículos encefálicos, preenchidos por liquor. Atapetam os ventrículos cerebrais. Micróglia: células macrofágicas que apresentam região central alongada e pequena, de onde partem muitas ramificações curtas, com numerosas saliências, o que lhe dá aspecto espinhoso. São células responsáveis pela fagocitose no tecido nervoso, ocorrendo tanto na substância branca como na cinzenta. Os neurônios e as células da glia estão em estreito relacionamento no sistema nervoso. A substância cinzenta é assim chamada por que mostra essa coloração quando observada macroscopicamente. É formada principalmente por corpos celulares dos neurônios e células da glia, contendo também prolongamentos de neurônios. A substância branca não contém corpos celulares de neurônios, sendo constituída por prolongamentos de neurônios e por células da glia. Seu nome origina-se da presença de grande quantidade de um material esbranquiçado denominado mielina, que envolve certos prolongamentos dos neurônios (axônios). Prática: SEMANA 7: A parede do estômago é constituída por uma mucosa com submucosa, uma camada muscular externa e uma túnica serosa. A mucosa pode ser glandular ou não glandular nos animais domésticos. No estômago simples do cão e do gato, a mucosa é glandular. No cavalo e no porco existe uma região não-glandular (esofágica) e uma região glandular. Nos ruminantes, a parte não-glandular apresenta 3 compartimentos: o rúmen, o retículo e omaso; o estômago glandular dos ruminantes é um compartimento separado e chama-se abomaso. A verdadeira mucosa gástrica caracteriza-se pela presença de inúmeras glândulas. Estas evidenciam-se em 3 tipos, que, pela sua localização recebem os nomes de glândulas cárdicas, fúndicas e pilóricas. As glândulas são esparsa e com poucas células na região cárdica, mas muito abundantes e com muitas células na região fúndica. Glândulas cardíacas: Do tipo seroso. Mostram abundantes ramificações. O seu corpo glandular ocupa a metade basal da lâmina própria. Os ductos excretores estão associados entre s Glândulas fúndicas: São ligeiramente tortuosas e apresentam menos ramificações e vários segmentos: istmo (porção superior), colo (porção média) e o fundo (porção inferior, situada profundamente na mucosa). Podem considerar-se mistas. Existem 5 tipos celulares nas glândulas gástricas: células mucosas, da superfície e do colo, ou células acessórias, secretam muco; células parietais (espalhadas ao longo da glândula), grandes e poliédricas, com núcleo central e citoplasma eosinófilo, secretam o ácido clorídrico; células principais, ou zimogénicas (na base das glândulas), basófilas, com grânulos de secreção apicais, núcleo basal, secretam o pepsinogénio que depois é convertido em pepsina; células entero-endócrinas, constituem uma população celular difusa, não reconhecíveis em preparações de H&E, apenas identificáveis com colorações especiais de prata, secretam serotonina, gastrina, somatostatina, entre outras hormonas; células estaminais (principalmente no colo da glândula) dividem-se e regeneram a superfície do epitélio, formando os outros tipos celulares, difíceis de identificar nas preparações de H&E. Glândulas pilóricas: Do tipo mucos, são intensamente ramificadas e sinuosas. Corte de estômago em aumento de 4x, corado por Azul de Toluidina. Em 1, observa-se a camada mucosa, composta pelo epitélio cilíndrico simples, lâmina própria e glândulas gástricas; em 2, a camada submucosa; em 3, a camada muscular, composta de músculo liso; e em 4, a camada serosa. A seta aponta a camada muscular da mucosa. Corte de estômago em aumento de 10x, corado por Azul de Toluidina. Em 1 observa-se a camada mucosa; em 2, a submucosa; e em 3, a camada muscular. A seta aponta a camada muscular da mucosa. Corte de estômago em aumento de 40x, corado por Azul de Toluidina. As setas pretas apontam as células zimogênicas, enquanto as setas laranjas indicam as células parietais. image3.jpeg image4.jpeg image5.jpeg image6.png image7.jpeg image8.png image9.png image10.jpeg image11.jpeg image12.jpeg image13.jpeg image1.png image14.png image15.jpeg image16.jpeg image17.jpeg image18.jpeg image2.jpeg