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1. Introdução
· O melasma é uma dermatose comum caracterizada pelo aumento localizado da pigmentação da pele devido à hiperatividade dos melanócitos.
· As manchas acastanhadas ocorrem principalmente no rosto, mas também podem afetar o pescoço, tórax e braços.
· Afeta mais frequentemente mulheres em idade fértil e pessoas de fototipos intermediários (tons de pele mais escuros).
· Sua fisiopatologia ainda não é completamente compreendida, mas envolve fatores genéticos, hormonais, exposição solar e o uso de alguns medicamentos e cosméticos.
2. Mecanismos da Pigmentação Cutânea
A cor da pele é determinada por três principais componentes:
✅ Melanina – Pigmento produzido pelos melanócitos, sendo o principal responsável pela coloração da pele.
✅ Carotenóides – Pigmentos amarelos derivados da dieta.
✅ Hemoglobina – Contribui com tons avermelhados e azulados conforme a oxigenação do sangue.
· Os melanócitos, localizados na camada basal da epiderme, produzem melanina e a transferem para os ceratinócitos.
· Essa transferência ocorre por meio de melanossomas, organelas especializadas que armazenam e transportam a melanina.
· A intensidade da pigmentação não está relacionada ao número de melanócitos, mas sim à atividade melanogênica, ao tamanho e à distribuição dos melanossomas.
3. Papel da Radiação Ultravioleta (RUV)
· A exposição solar é um dos principais fatores desencadeantes e agravantes do melasma.
· A radiação ultravioleta (RUV) estimula diretamente os melanócitos a produzirem mais melanina.
· A UVA (320-400 nm) tem maior penetração e pode afetar as camadas mais profundas da pele, aumentando a pigmentação de longa duração.
· A UVB (290-320 nm) estimula a atividade da tirosinase, enzima chave na produção de melanina.
· A exposição repetida ao sol provoca aumento na síntese e transferência de melanina para os ceratinócitos, tornando as manchas persistentes.
4. Influência dos Hormônios no Melasma
O hormônio estimulador de melanócitos (α-MSH) tem um papel essencial na regulação da pigmentação.
✔ Ele age através do receptor MC1-R (receptor de melanocortina 1), promovendo a produção de eumelanina (pigmento marrom-escuro).
✔ Mulheres que usam anticoncepcionais ou estão grávidas têm maior risco de desenvolver melasma devido ao aumento de estrogênio e progesterona, que potencializam a ação do α-MSH.
✔ Estudos indicam que receptores estrogênicos estão aumentados nas áreas afetadas pelo melasma, o que explica sua prevalência maior em mulheres.
5. Características Clínicas do Melasma
O melasma apresenta três padrões clínicos principais:
📌 Centrofacial – Atinge a testa, bochechas, nariz e buço (forma mais comum).
📌 Malar – Afeta as maçãs do rosto.
📌 Mandibular – Localiza-se na região do queixo e mandíbula.
· Sua manifestação ocorre de forma simétrica, com limites bem definidos, mas contornos irregulares.
· O diagnóstico é essencialmente clínico, podendo ser complementado pelo exame com luz de Wood, que ajuda a diferenciar a profundidade do pigmento na pele.
6. Impacto Psicossocial do Melasma
· Autoestima e Qualidade de Vida: O melasma tem grande impacto emocional e psicológico, pois afeta a aparência e a percepção da própria imagem.
· Muitas pessoas evitam interações sociais e desenvolvem ansiedade e depressão devido à insatisfação com a pele.
· O MELASQoL (Melasma Quality of Life Scale) foi criado para avaliar esse impacto, demonstrando que as principais áreas afetadas são:
✅ Vida social
✅ Autoestima e bem-estar emocional
✅ Relações interpessoais
7. Tratamento e Desafios
Atualmente, não há cura definitiva para o melasma, e o tratamento visa reduzir a pigmentação e evitar recidivas. As principais estratégias incluem:
1️⃣ Fotoproteção
☀ Uso diário de protetor solar com FPS 30 ou superior, preferencialmente com filtros físicos (óxido de zinco e dióxido de titânio).
☀ Evitar exposição direta ao sol, especialmente entre 10h e 16h.
☀ Uso de chapéus e óculos de sol para minimizar a exposição.
2️⃣ Clareadores tópicos
🧴 Hidroquinona (2-4%) – Agente despigmentante mais utilizado, inibe a tirosinase.
🧴 Ácido kójico, ácido azelaico e arbutina – Alternativas à hidroquinona, com menos efeitos adversos.
🧴 Vitamina C – Potente antioxidante que reduz a hiperpigmentação.
🧴 Retinoides (tretinoína, adapaleno) – Aceleram a renovação celular e promovem clareamento gradual.
3️⃣ Procedimentos Dermatológicos
💎 Peelings químicos – Uso de ácidos como ácido glicólico e ácido salicílico para remover células pigmentadas.
💎 Laser e Luz Pulsada – Tratamentos que destroem seletivamente os melanossomas, mas devem ser usados com cautela para evitar efeito rebote.
8. Considerações Finais
📌 O melasma é uma condição crônica e de difícil controle, exigindo tratamentos contínuos e adaptação às rotinas de cuidados com a pele.
📌 Evitar exposição solar e o uso adequado de protetores solares são essenciais para prevenir novas manchas.
📌 A associação de clareadores tópicos e procedimentos dermatológicos pode trazer bons resultados, mas sempre sob orientação de um dermatologista.
📌 Estudos indicam que há forte influência genética e hormonal, sendo importante considerar esses fatores no tratamento.
Dicas Práticas
✔ Aplique protetor solar todos os dias, reaplicando a cada 2 horas quando exposto ao sol.
✔ Evite exposição solar direta, especialmente em horários de pico.
✔ Use clareadores tópicos sob orientação médica para evitar irritações.
✔ Evite cosméticos agressivos ou produtos que causem inflamação na pele.
✔ Opte por maquiagens com FPS para proteção adicional.
✔ Procure um dermatologista para definir o melhor tratamento para o seu caso.

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