Prévia do material em texto
DIGESTIVO Ruminantes e Monogástricos RUMINANTES Retículo = barrete = bonete > epitélio cornificado Rúmen = pança Omaso = folhoso = 60 folhas Abomaso O alimento recém ingerido, pouco trabalhado e os gases ficam na parte superior do rúmen (a formação de metano propicia o aumento do pH por integrar CO2 e H2) > 50% das bactérias formam metano O alimento mais trabalhado fica na parte inferior do rúmen. pH do rúmen: 5,5 a 7. Obs.: objetos pontiagudos podem causar a Reticulite Traumática que pode levar a uma Pericardite Traumática Deve-se retirar objetos estranhos do rúmen através de ímã ou esvaziá-lo (ruminotomia) MOTILIDADE Centro nervoso regulador > Bulbo: centro da motilidade gástrica (vago X) Contração primária – Onda A: sentido rostro-caudal faz mistura e trânsito em direção ao omaso Bifásica do retículo: fraca > forte Saco dorsal: joga alimento pra baixo Saco ventral: contamina o alimento com as bactérias, mistura Contração secundária – Onda B: sentido caudo-rostral faz erutação e mistura Saco cego caudo ventral Saco cego caudo dorsal Saco dorsal Saco ventral # Timpanismo ou Meteorismo Por uma obstrução no esôfago o gás contido dentro do rúmen não consegue sair e acaba se acumulando ali; as bactérias continuam fermentando e formando mais gás > animal acaba por entrar em acidose e insuficiência respiratória, já que o rúmen comprime o pulmão. Obs.: trevo branco (leguminosa) causa timpanismo. Alto teor de proteínas; e o sal amargo (Sulfato de Mg) previne a doença por contrair a parede do rúmen. Na onda reta não tem contração do saco ventral (não há mistura); este caso ocorre quando o alimento está sendo triturado. CONTRAÇÃO DO OMASO Função: desumidificação do conteúdo ruminal e trituração contração do retículo > passa pro canal do omaso > corpo do omaso quando o canal contrai o corpo relaxa. Relação Rúmen x Omaso O corpo do omaso e o saco ventral contraem juntos! 2 abomaso Corpo do omaso Regulação da Motilidade Receptores excitatórios – estímulo da motilidade - mecanorreceptores da boca: mastigação - tensoceptores de baixo limiar do retículo - ácido-sensíveis do abomaso: é ativado quando pH baixa, pois se baixa quer dizer que o abomaso está vazio. Receptores Inibitórios – diminui a motilidade - dor: simpático - tensoceptores de alto limiar do retículo - mecanorreceptores do abomaso: indica que o órgão está cheio/repleto. Ruminação = Ruminase = Mastigar Aumenta a superfície de contato e tampona o pH intra- ruminal Fases da ruminação: 1) regurgitação a) fase de aspiração b) fase de expulsão 2) ruminação propriamente dita 3) deglutição pH ruminal: 5,5 a 7 pH saliva: 8 a 8,6 (100/200L/dia) > tampona pH ruminal. Fase de aspiração fecha a glote > inspiração forçada (caixa torácica dilata e consequentemente o esôfago também) > sucção do conteúdo ruminal para esôfago Onda peristáltica (cannon): reflexo ascendente excitatório (contração anterior) e reflexo descendente inibitório (relaxamento posterior); a contração e o relaxamento são simultâneos. b) Fase de expulsão: ocorre a onda anti-peristáltica (do rúmen para a boca) Na ruminação propriamente dita: - contrai o palato mole - glote fecha - apnéia ( 0,5 a 3 s) - relaxa o esfíncter esofagiano cranial - boca fechada: deslocamento das cartilagens da laringe (pra frente e pra cima) Digestão e Absorção de Proteínas no Rúmen Proteína > Bactérias proteolíticas > AA > proteína microbiana > protozoário ingere Rúmen [ ] HCl e Pepsina, a qual digere o protozoário que envolvia a proteína microbiana Abomaso Proteína Microbiana > AA (por ação de proteases pancreáticas) Intestino Delgado AA que veio do ID: vira proteína e vai pro sangue ou sofre desaminação e vira ureia Fígado Ureia pode voltar pro rúmen passando pela Gl. Salivar ou não; lá vira amônia e AA de novo (bactérias ureolíticas) e é reaproveitada; ou vai pro rim. Obs.: todas proteínas do plasma provém do fígado. Encefalopatia Hepática: excesso de amônia causa mudanças comportamentais. A amônia em excesso se liga ao alfa-cetoglutarato do ciclo de krebs, o convertendo em glutamato, o qual é neurotoxigênico. O ciclo de krebs simplesmente para de funcionar. Microbiologia do Rúmen Condições: 1) pH 5,5 a 7 2) TR: 39º C 3) anaerobiose 4) umidade 5) substrato constante 6) excreção constante BACTÉRIAS RUMINAIS Adquiridas por via aérea Maioria cocos e bacilos curtos Produzem AGV Utilizam ácidos: fumárico, málico e succínico São celuliticas, hemicelulíticas e amilolíticas Utilizam açúcares (di e monossacarídeos) Proteolíticas, ureolíticas e produtoras de amoníaco (substrato para produção de AA) Produtoras de metano Sintetizadoras de vitaminas lipolíticas PROTOZOÁRIOS 1) classe ciliada subclasses: Holotricha > Isotricha e Dasytricha (gêneros) Oligotricha ou Espirotricha > Diploclinium, Entodinium, Endodinium, Optiryoscolex Fagocitam bactérias e fungos, produzem AGV, são celulíticos, armazenam amido. BIOQUÍMICA DO RÚMEN 1) carboidrato todo açúcar digerido será transformado em glicose e xilose e depois transformados em AGV: - ác. Acético >>> acetato (no sangue) - ác. Propiônico >>> propionato - ác. Butírico >>> butirato No fígado: o propionato será reconvertido em glicose e o ác. Butírico em acetil-Coa. Ác. butírico Ác. graxo Ciclo de krebs >> ATP O ácido acético é pouco captado pelo fígado, então vai direto para tecidos periféricos e será transformado em acetil-coa, sendo convertido em ácido graxo ou ATP – vantagem: fornecimento rápido de energia para esses tecidos. DIGESTIVO DE MONOGÁSTRICOS # Funções: 1) Digestão: Mecânica e Química Mecânica por meio da mastigação e região pilórica (trituração, trânsito para duodeno e mistura do quimo) Química por meio de enzimas >>> o pâncreas fornece as enzimas para degradação de macromoléculas Obs.: No enterócito só entra monossacarídeo, se não houver enzima lactase, a lactose se acumula na luz do ID e puxa água, resultado em diarréia. 2) Excreção: Bile >> Endobióticos: Bilirrubina, colesterol Xenobióticos: fármacos Macrófago degrada a hemácia velha (hemocaterese) transformando o grupo heme da hemoglobina em bilirrubina. 3) Região Hidroeletrolítica 4) Endócrina: célula G é RESTRITA à região pilórica: produção de HCl. * Gastrinoma >> cél G se espalha por tudo e ocorre superprodução de ácido (síndrome de zollinger-ellison) ESTÔMAGO Funções: 1) armazenamento: regula a repleção do ID (piloro); nas aves é o PAPO. 2) secreção: HCl, enzimas; nas aves é o estômago glandular ou PROVENTRÍCULO que faz a função 3) trituração: nas aves é a MOELA. Quanto mais vazio está o estômago, mais ácido ele fica. O pH baixo do estômago cria uma barreira antimicrobiana, exceto a Helycobacter pylori que sobrevive ao pH ácido, formando um manto de amônia >> é natural, mas quando imunidade baixa ela ataca >> digere o muco >> causa gastrite. MOTILIDADE Distensão do estômago e chegada ao bulbo pelo vago >> reflexo vagal: VIP: relaxa o fundo Ach: aumenta esvaziamento e aumenta secreção GRP: atua na célula G liberando gastrina (estimula secreção de HCl) Estímulos para liberar GASTRINA: GRP, AA na luz e estiramento (são independentes.) REGULAÇÃO DA DIMINUIÇÃO DO ESVAZIAMENTO GÁSTRICO 1) Nervosa: reflexo enterogástrico (do intestino para o estômago) - quimo ácido - distensão duodenal - quimo [ ] >> pára o esvaziamento para puxar água e para as enzimas poderem atuar. 2) Hormonal - secretina: estimula liberar bile alcalina e HCO3 do ducto pancreático para neutralizar a acidez - colecistocinina: contra a vesícula biliar para diminuir o esvaziamento gástrico. Gordura e peptídeo estimulam a CCK - GIP: gordura e glicose são os estímulos >> aumenta a insulina SECREÇÃO GÁSTRICA Glândulas: 1) cárdica: célula mucosa 2) fúndica ou gástrica: célula mucosa, célula parietal/oxíntica (HCl, fatores protetores da vit. B12), célula principal/zimogênica (pepsinogênio e lipase gástrica), célula D ou somatostatina (inibe célula somatotrofa) 3) pilórica:célula mucosa (muco espesso e alcalino), célula G e célula D. # o excesso de ácido no estômago inibe a célula G e estimula a célula D para que esta iniba a célula G e a célula parietal também. Célula principal ou zimogênica pepsinogênio >> pepsina: age em AA aromático (tirosina, fenilalanina, triptofano) Célula parietal ou oxíntica: bomba de prótons ou H, K, ATPase >> produção de HCl. Gastrina, Histamina e Ach estimulam a produção de HCl. Omeprazol: inibidor da bomba de prótons >> não tem produção de HCl. Antagonistas de H2: Cimetidina, Ranitidina e Fanitidina >> bloqueiam o receptor e histamina NÃO age. Bomba de prótons: Cl- sai do vaso sanguíneo e entra na célula parietal ou oxíntica em troca da saída de bicarbonato (HCO3-).. O cloreto possui um canal de saída na mesma célula. O H+ por sua vez sai da célula para encontrar com o Cl- e no seu lugar entra K+, por isso a [ ] de KCl fora da célula diminui e a de HCl aumenta. O HCO3- e o H+ são dissociados do H2CO3 que por sua vez foi formando com a entrada de CO2 e H20 da célula. FÍGADO Função secretora: formação e secreção de bile secreção de bilirrubina, colesterol, sais biliares na bile. 70% do sangue que chega no fígado é proveniente da veia porta – sangue venoso. Células do fígado: células de kupffer células estreladas hepatócitos Membrana luminal: canalículos (secreção de bile) Membrana basolateral: delimita os capilares (entra eles o espaço de Disse >> células de kupffer. Secreção Biliar >> 67% composta de ácidos/sais biliares, os quais fazem digestão e absorção dos lipídios. Colerese: Secreção e excreção de bile pelo fígado - ácidos biliares primários - colesterol - fosfolipídeos - fluido isotônico: Na, K, Cl, HCO3 # Colagiócitos: estão na parede dos canalículos e modificam a bile primária; secretam bicarbonato e fazem reabsorção de glicose e AA. Obs.: secretina aumenta secreção de bicarbonato pelos colangiócitos >> fluxo de bile é aumentado. Bile primária (formada nos canalículos) Na vesicula biliar ocorre concentração da bile. No período interdigestivo a bile é armazenada. Cavalos não tem VB. A bile vesicular é mais ácida do que a bile hepática. 1) colecistocinina: contrai a VB, relaxa esfincter de oddi ( do duodeno), estimulada pela gordura presente no duodeno. 2) acetilcolina: faz contração da VB também. Colesterol Ácido Cólico Ácido quenodesoxicólico Ácido desoxicólico Ácido litocólico Ácidos Biliares Conjugados Taurina, Glicina.. É a mistura dos ácidos. Nos hepatócitos No duodeno Ác. Biliares primários Ác. Biliares secundários Obs.: os ácidos biliares são sempre reabsorvidos no íleo, por isso não são muito secretados! Componentes da Bile Colesterol: proporção entra lecitina, colesterol e sais biliares é muito importante >> se houver desbalanço ocorre cálculos biliares. * lecitina aumenta solubilidade do colesterol nas micelas. - apx. 4% dos sólidos totais Bilirrubina: proveniente da degradação de hemácias >> transformação do grupo heme da hemoglobina em biliverdina >> depois bilirrubina A bilirrubina não é solúvel no sangue, portanto precisa de um transportador, que é a albumina. Esta carrega a bilirrubina até os hepatócitos, onde a bilirrubina se conjuga com o ácido diglicuronídeo >> sai na secreção biliar >> chega no intestino e vira urobilinogênio >> pode ir pro rim e formar urobilina (cor à urina) ou pode ir pro fígado e chegar no intestino de novo, onde se transforma em estercobilinogênio >> estercobilina (fezes) Icterícia: alta [ ] de bilirrubina a) pré-hepática: causada por hemólise acentuada >> causa alta [ ] de bilirrubina NÃO conjugada no plasma. b) hepatocelular: ocorre por destruição dos hepatócios, por problema na captura da bilirrubina ou na conjugação. >> causa alta [ ] de bilirrubina não conjugada ou conjugada (depende do problema) c) pós-hepática: por obstrução dos ductos biliares aumenta [ ] de bilirrubina >> não consegue liberar a bile. Aumenta a [ ] de bilirrubina conjugada. PÂNCREAS Ácinos >> fazem parte do pâncreas exócrino e produzem a secreção pancreática. Composição da secreção pancreática: componente aquoso: rico em HCO3 componente enzimático: rico em enzimas para digerir proteínas, carboidratos e lipídios. # célula acinar: larga produção de enzimas estocadas em grânulos >> muito RER # célula ductal: muitas mitocôndrias (geram ATP) para dar energia aos transportadores. Presença de microvilosidades pra aumentar eficácia na troca de eletrólitos para produção de HCO3 Síntese proteica pelas células acinares: tomada de AA > RER > complexo Golgi > grânulos de zimogênio > exocitose dos grânulos CCK e Ach tem receptores na membrana basolateral da célula acinar >> se ligam nos receptores (acoplado a uma proteína G > 2º mensageiro: Ca++) e aumenta [ ] de Ca++ intracelular fazendo com que ocorra a exocitose. Secreção aquosa: produzida também pelas células acinares; serve pra hidratar a secreção de enzimas; é isotônica (formada por NaCl) - células ductais: produzem o HCO3- esta célula possui um canal de Cl- o qual tem que sair da célula para ficar mais [ ] fora e assim entrar novamente por difusão em troca da saída de HCO3-. O HCO3- pode ser originado dentro da célula pela união de CO2 e H2O, que forma H2CO3, e este se dissocia em HCO3- e H+, o qual sairá da célula e entrará no seu lugar o sódio. Depois o sódio sai da célula pela bomba de Na e K, e depois ele entra de novo carregando o bicarbonato junto com ele (é outra forma do bicarbonato entrar na célula.) REGULAÇÃO HORMONAL Secretina “anti-ácido” - estimula secreção pancreática aquosa - estimula secreção aquosa de bile - inibe secreção gástrica de HCl - reduz velocidade de esvaziamento gástrico: contrai piloro até que ocorra a neutralização do quimo que está no duodeno. CCK - liberada em resposta a presença de lipídios e peptídeos no duodeno. - estimula secreção enzimática e liberação da bile # Ach potencializa ação da CCK. Composição da secreção pancreática Tripsinogênio >>> tripsina ( atua sobre ela mesma e sobre todas as outras enzimas) Quimiotripsinogênio >>> quimiotripsina Proelastase >>> elastase Proenzimas: previnem da autodigestão Alfa-amilase pancreática: endoamilase > atua na ligação alta 1,4 Enzimas lipolíticas: lipase pancreática, colesterol ester-hidrolase, fosfolipase A2 # Prevenção da auto-digestão pancreática: - geração de ambiente ácido dentro dos grânulos > inibe enzimas de atuarem - proenzimas - armazenamento em grânulos Digestão e Absorção de Carboidratos Alfa amilase salivar - ptialina Alfa amilase pancreática são endoamilases >>> só lisam ligações alfa 1,4; ou seja, não geram hexoses livres, como glicose, frutose e galactose. # na borda em escova do enterócito se encontram enzimas que clivam os produtos formandos pelas amilases, transformando-os em monossacarídeos, que agora podem ser absorvidos pelo enterócito. São oligossacaridases. Obs.: A glicose sempre entra na célula junto do sódio pelo transportador SGLT1, e sai pelo GLUT2. Digestão e Absorção de Proteínas A digestão acontece só até o íleo proximal e inicia no estômago. A) fase gástrica: o HCl do estômago ativa a proteína pepsina (a qual tb faz autocatálise); PEPSINA: endopeptidase; digestão do colágeno; seus produtos são estímulo pra CCK B) Fase intestinal chega quimo ácido no intestino >> CCK, secretina >> HCO3 e enzimas pancreáticas * as enzimas pancreáticas depois de ativas (tripsina, quimiotripsina, elastase) atuam como endopeptidases, formando oligopeptídeos, dipeptídeos e tripeptídeos, NÃO FORMAM AA LIVRE. * só exopeptidases formam AA livres. Os di e tripeptídeos podem ser absorvidos pelo enterócitos e dentro da célula sua digestão termina, chegando na forma de AA livre. # obs.: amino-oligopeptidases estão na borda em escova do intestino e quebram os oligopeptídeos em di e tripeptídeos para que possam entrar na célula. Digestão e Absorção de Lipídios # a digestão é feita por sais biliares, enzimas lipolíticas e pelo próprioperistaltismo que quebra a gordura em gotículas menores (maior área superficial) Lipase lingual Lipase gástrica: secretada pelas células principais, estimulada pela gastrina. pH 3 a 6. * essas lipases são pré-duodenais, fazem a hidrólise da gordura no estômago, mas não são essenciais. Lipase Pancreática: secretada em alta quantidade, tem alta atividade hidrolítica, liberada na forma inativada >> precisa de um cofator para se ativar, que é a colipase. * sais biliares bloqueiam a ação da lipase; e a colipase possibilita que a lipase se ligue à micela, fazendo parte de sua digestão no lúmen >> chegando na células os produtos degradados são resintetizados novamente a triglicerídeos, fosfolipidios e colesterol >> ocorre formação do quilomicron (apolipoproteinas + lipidios) Os quilomicrons conseguem passar a membrana basolateral por exocitose e entram no capilar linfático (que é fenestrado) >> passa pra linfa >> ducto torácico >> deságua na corrente sanguínea >> fígado >> quilomicrons remanescentes viram HDL e LDL. image1.jpeg image2.png image3.png image4.png