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DOENÇAS PERIODONTAIS NA INFÂNCIA E NA 
ADOLESCÊNCIA. 
As doenças periodontais englobam um grupo de condições inflamatórias que afetam 
os tecidos de suporte dos dentes, como gengiva, osso alveolar, ligamento 
periodontal e cemento. Apesar de serem mais prevalentes em adultos, essas 
doenças também podem acometer crianças e adolescentes, com manifestações 
clínicas distintas e muitas vezes associadas a fatores sistêmicos, hábitos de higiene 
oral e predisposições genéticas. A identificação precoce dessas alterações é 
essencial para a manutenção da saúde bucal a longo prazo e prevenção de 
complicações mais graves na vida adulta. 
Durante a infância, a condição periodontal mais comum é a gengivite induzida por 
placa, caracterizada por inflamação gengival sem perda de inserção. Já na 
adolescência, além da gengivite, pode-se observar o surgimento de formas mais 
severas de doença periodontal, como a periodontite agressiva, que ocorre em 
indivíduos sistemicamente saudáveis, porém com destruição rápida do tecido de 
suporte dental. 
A etiologia dessas condições está fortemente ligada ao acúmulo de biofilme 
dentário, mas fatores como alterações hormonais da puberdade, má higiene oral, 
baixa condição socioeconômica, uso de aparelhos ortodônticos e presença de 
doenças sistêmicas (como diabetes mellitus, síndrome de Down e síndrome de 
Papillon-Lefêvre) também desempenham papel fundamental no desenvolvimento 
das doenças periodontais nessa fase da vida. 
É fundamental que cirurgiões-dentistas, especialmente aqueles que atuam com 
pacientes pediátricos e adolescentes, estejam atentos aos sinais precoces dessas 
condições. O diagnóstico precoce e a intervenção adequada podem evitar perdas 
dentárias futuras, além de melhorar significativamente a qualidade de vida dos 
indivíduos. 
 
 
DOENÇAS PERIODONTAIS NA INFÂNCIA E NA 
ADOLESCÊNCIA: UMA REVISÃO ABRANGENTE 
As doenças periodontais, que afetam os tecidos de suporte dos dentes, são 
frequentemente associadas a adultos. No entanto, crianças e adolescentes também 
podem ser acometidos por essas condições, apresentando manifestações clínicas 
específicas e frequentemente relacionadas a fatores sistêmicos, hábitos de higiene 
oral e predisposições genéticas. A identificação precoce e o manejo adequado 
dessas doenças são essenciais para a manutenção da saúde bucal e prevenção de 
complicações futuras. 
PRINCIPAIS SINTOMAS: 
 Gengivas avermelhadas, inchadas e sensíveis 
 Sangramento durante a escovação ou uso do fio dental 
 Presença de placa bacteriana e/ou tártaro 
 Mau hálito constante (halitose) 
 Sensação de coceira ou desconforto nas gengivas 
1.Causas Comuns: 
 Higiene bucal inadequada 
 Falta de orientação sobre escovação correta 
 Uso irregular de fio dental 
 Alimentação rica em açúcares 
 Respiração bucal 
2.Periodontite Agressiva Juvenil 
 Forma rara e grave de periodontite que afeta adolescentes, podendo causar 
perda rápida de suporte ósseo e mobilidade dentária. 
 Principais Sintomas: 
 Perda rápida de inserção gengival e osso 
 Mobilidade dentária precoce 
 Sangramento gengival intenso 
 Gengiva retraída, com dentes parecendo mais longos 
 Má oclusão ou espaçamento entre dentes 
 Pouca presença de placa, apesar da gravidade 
FATORES CAUSADORES: 
As doenças periodontais podem se desenvolver na infância e adolescência, 
surgindo geralmente como gengivite e quando não tratadas evoluem para 
periodontite. 
O periodonto é composto pela gengiva, ligamento periodontal, cemento radicular e 
osso alveolar. A sua função é de unir o dente ao osso alveolar, protegendo essa 
estrutura contra as forças mastigatórias, além de preservar toda a mucosa da 
cavidade bucal. No entanto, essa rede de suporte pode ter sua integridade afetada 
por meio de doenças periodontais, que ao evoluírem poderão causar a destruição 
desses tecidos . 
As doenças periodontais são inflamatórias, infecciosas e multifatoriais, que 
decorrem de microrganismos presentes no biofilme, que afetam os tecidos que 
circundam e suportam os dentes. Elas são consideradas um dos problemas de 
saúde bucal mais prevalentes no mundo. 
Inicialmente as doenças periodontais se manifestam geralmente por meio da 
gengivite, que clinicamente caracteriza-se pela inflamação da gengiva marginal e 
sangramento à sondagem, porém não ocorre destruição do ligamento periodontal ou 
tecido ósseo. Esta enfermidade pode ser controlada com a realização do adequado 
tratamento. 
No entanto, quando a gengivite não é tratada pode evoluir para periodontite, que é 
uma doença mais complexa,que resulta na destruição dos tecidos de suporte do 
dente, podendo levar à mobilidade, perda dentária em decorrência de perdas 
ósseas alveolares que pode resultar em destruição das estruturas periodontais. 
Assim como adultos, as crianças e adolescentes podem ser afetados pelas doenças 
periodontais, que decorrem principalmente da inadequada higiene bucal. 
O diagnóstico e tratamento precoce da periodontite é essencial, porém, este 
enfrenta dificuldades principalmente em crianças pré-escolares, pois pode ser 
confundido com o processo fisiológico de esfoliação da dentição decídua, devido à 
mobilidade dentária e perda óssea. Ao ser diagnosticado tardiamente, este agravo 
pode progredir dificultando o seu tratamento e trazendo graves prejuízos à saúde do 
periodonto. Sendo assim, o principal fator etiológico das doenças periodontais é a 
precária higiene bucal. 
TRATAMENTO: 
Normalmente, cuidados adequados de higiene oral, com uma correta remoção da 
placa bacteriana por métodos mecânicos, eventualmente auxiliada de métodos 
químicos, são normalmente suficientes. É importante incentivar uma correta técnica 
de escovação, com escova manual ou eléctrica, e o recurso a pastas dentífricas e 
colutórios para bochechos diários, contendo substâncias antissépticas 
(clorexidina,triclosan ou flúor, por exemplo) (LESCO; BROWNSTEIN, 1982) 
Porém, a odontopediatra deve ficar atento às doses recomendadas, pois essas 
preparações possuem formulações para uso preventivo com alta diluição e outras 
17 para uso na fase aguda que são mais concentradas. Deve-se evitar o uso de 
medicamentos mais concentrados por mais de três semanas, pelo risco de 
superinfecções. Porém, em situações mais graves, pode ser necessária medicação 
sistêmica ou mesmo cirurgia (TATAKIS, 2005). O tipo de dieta pode favorecer o 
aparecimento da doença periodontal, pois a resistên cia do hospedeiro à infecção 
pode ser reduzida em casos de má nutrição, tornando o hospedeiro mais suscetível 
à doença. Por esse motivo, em alguns casos de suspeita de deficiência nutricional, 
suplementos vitamínicos e minerais podem ser recomendados como forma de 
superar uma doença infecciosa (LESCO; BROWNSTEIN, 1982). 
Quanto mais precoce for o diagnóstico, mais hipóteses de sucesso terá o tratamento 
(CALIFANO, 2005), sendo, por isso, de extrema importância do reencaminhamento 
destes doentes para o médico dentista ou odontopediatra. 
RISCOS: 
As doenças periodontais, quando presentes na infância e adolescência, não são 
apenas um problema localizado, mas podem gerar consequências que afetam o 
desenvolvimento bucal, sistêmico e psicossocial desses indivíduos. Abaixo, 
destacam-se os principais riscos: 
1. Perda precoce dos dentes 
A progressão da periodontite pode levar à destruição dos tecidos periodontais e à 
consequente perda dos dentes permanentes, mesmo em idades muito precoces. 
Segundo a American Academy of Periodontology (AAP), a periodontite agressiva 
juvenil pode levar à perda dentária severa se não for tratada imediatamente. 
2. Impacto no crescimento facial e oclusão 
A perda de dentes e inflamações recorrentes podem interferir no desenvolvimento 
ósseo facial, resultando em problemas de oclusão e alterações no padrão de 
crescimento. 
O desenvolvimento ósseo alveolar está diretamente relacionado à presença dos 
dentes e suafunção mastigatória. 
3. Problemas psicossociais 
Comprometimentos estéticos, mau hálito (halitose) e inflamação gengival podem 
afetar a autoestima e o convívio social dos jovens. 
Estudos mostram que a aparência bucal influencia diretamente a autoimagem e a 
interação social em adolescentes. 
4. Risco aumentado para doenças sistêmicas 
A inflamação periodontal crônica pode atuar como porta de entrada para bactérias 
na corrente sanguínea, podendo contribuir para doenças sistêmicas. 
Embora mais estudada em adultos, essa relação começa desde a infância e pode 
predispor a doenças cardiovasculares e respiratórias ao longo da vida. 
5. Interferência em tratamentos ortodônticos 
Pacientes com periodontite ativa apresentam riscos aumentados durante 
tratamentos ortodônticos, podendo haver mobilidade dentária ou perda óssea 
agravada. 
É essencial controlar a inflamação antes de iniciar a movimentação ortodôntica. 
FATORES ASSOCIADOS: 
As doenças periodontais em crianças e adolescentes apresentam uma origem 
multifatorial, sendo a higiene bucal inadequada um dos principais fatores 
causadores. A má remoção do biofilme bacteriano nas superfícies dos dentes, tanto 
acima quanto abaixo da gengiva, favorece a proliferação de bactérias, 
desencadeando processos inflamatórios e infecciosos que podem evoluir de 
gengivite para periodontite (Inácio et al., 2020; Liu et al., 2022; Tankova, Lazarova e 
Mitova, 2024). 
A obesidade também se destaca como um fator predisponente, uma vez que está 
associada a hábitos alimentares pouco saudáveis e à higiene bucal deficiente, 
comuns na infância e adolescência. Além disso, o excesso de tecido adiposo 
promove um desequilíbrio nos sistemas imunológico e inflamatório, por meio da 
liberação de hormônios e citocinas inflamatórias, aumentando a vulnerabilidade à 
destruição dos tecidos periodontais (Costa, Calderan e Cruvinel, 2021; Santos et al., 
2021; Marchetti et al., 2022). 
O tabagismo é considerado um dos principais fatores de risco para a periodontite, 
pois a exposição à fumaça do tabaco afeta diretamente a cavidade bucal. Essa 
exposição altera o ambiente do biofilme, reduz a resposta de defesa e favorece o 
crescimento de microrganismos patogênicos. Também prejudica a microcirculação 
gengival, comprometendo a resistência do tecido gengival às bactérias. Entre 
adolescentes, o consumo de cigarro eletrônico e narguilé, comuns por seu apelo 
social, apresenta os mesmos efeitos nocivos do tabaco tradicional (Rocha et al., 
2019; Nazaryan et al., 2020; Souza et al., 2023). 
Durante a puberdade, as alterações hormonais – especialmente o aumento de 
estrogênio e progesterona – afetam a resposta do tecido periodontal ao biofilme, 
tornando os adolescentes mais suscetíveis às doenças periodontais, sobretudo 
quando a higiene bucal não é adequada (Fan et al., 2021; Liu et al., 2022; Păunica 
et al., 2023). 
O uso de aparelhos ortodônticos também contribui para o desenvolvimento dessas 
doenças, já que os braquetes e fios dificultam a escovação e o uso do fio dental, 
favorecendo o acúmulo de placa bacteriana (Costa, Calderan e Cruvinel, 2021; 
Malik e Alkadhi, 2020). 
Outro fator relevante é o apinhamento dentário, que pode comprometer a anatomia 
da gengiva e do osso alveolar, além de reduzir a vascularização local. Essas 
alterações tornam o tecido periodontal mais vulnerável à ação de microrganismos 
(Liu et al., 2022). 
Por fim, os fatores genéticos também influenciam a predisposição às doenças 
periodontais, já que a resposta inflamatória às bactérias pode seguir padrões 
familiares, aumentando a susceptibilidade de crianças e adolescentes a esses 
agravos (Marchetti et al., 2022). 
CONCLUSÃO: 
As doenças periodontais na infância e adolescência, embora menos prevalentes 
que em adultos, representam uma preocupação relevante na saúde bucal 
pediátrica. Gengivite e, em casos mais severos, a periodontite agressiva juvenil, 
podem comprometer seriamente os tecidos de suporte dos dentes, afetando o 
desenvolvimento oral e a qualidade de vida dos jovens pacientes. Fatores como má 
higiene bucal, alterações hormonais, predisposição genética, uso de aparelhos 
ortodônticos, má nutrição e condições sistêmicas são determinantes importantes no 
surgimento e na progressão dessas doenças. 
O diagnóstico precoce, aliado à intervenção profissional adequada, é fundamental 
para evitar complicações e perdas dentárias futuras. Além disso, ações educativas, 
acompanhamento regular com o cirurgião-dentista e orientação contínua sobre 
hábitos saudáveis de higiene oral são estratégias essenciais para a prevenção. 
Reconhecer a multifatorialidade dessas enfermidades permite um manejo mais 
efetivo e individualizado, promovendo a saúde periodontal desde os primeiros anos 
de vida e garantindo melhor prognóstico a longo prazo. 
REFERENCIAS: 
Ferreira, S. M. M., et al. (2015). Alterações periodontais associadas às doenças 
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Mariotti, A., Hefti, A. Defining periodontal health. Journal of Periodontology, 
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Machion, L. Periodontia Clínica. São Paulo: Santos Editora, 2011. 
Novaes Jr, A. B., Novaes, A. B. Periodontia Básica. São Paulo: Pancast, 2002. 
Souza, C. M. et al. Doença Periodontal em Crianças e Adolescentes: Revisão 
de Literatura. Revista Saúde e Desenvolvimento, 2017. 
Cury, P. R., Cury, M. D. B. Odontopediatria na Primeira Infância: Atenção 
Básica à Saúde Bucal. Artmed, 2020. 
Brasil. Ministério da Saúde. Cadernos de Atenção Básica: Saúde Bucal. 
Brasília: MS, 2018. 
DOENÇA PERIODONTAL EM CRIANÇAS E 
ADOLESCENTES –REVISÃO DE 
LITERATURACUIABÁ2023: 
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http://www.perio.org/
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faipe/article/view/797-1/127 
DOENÇAS PERIODONTAIS EM CRIANÇAS E ADOLESCENTES: FATORES 
ASSOCIADOS E TRATAMENTO: 
https://revistaft.com.br/doencas-periodontais-em-criancas-e-adolescentes- 
fatores-associados-e-tratamento/ 
Reynolds I, Duane B. Periodontal considerations in the management of the 
orthodontic patient. Dent Update. 2020;47(8):672-681.) 
	DOENÇAS PERIODONTAIS NA INFÂNCIA E NA ADOLESCÊNCIA.
	DOENÇAS PERIODONTAIS NA INFÂNCIA E NA ADOLESCÊNCIA: UMA REVISÃO ABRANGENTE
	PRINCIPAIS SINTOMAS:
	FATORES CAUSADORES:
	TRATAMENTO:
	RISCOS:
	FATORES ASSOCIADOS:
	CONCLUSÃO:
	REFERENCIAS: