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Poços de Caldas 
2020 
BEATRIZ MYRIAM GONÇALVES NEGRÃO 
 
CONTRIBUIÇOES DA TERAPIA COGNITIVO- 
COMPORTAMENTAL PARA O TRATAMENTO DE 
ADOLESCENTES VÍTIMAS DE BULLYING 
 
 
Poços de Caldas 
2020 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
CONTRIBUIÇOES DA TERAPIA COGNITIVO- 
COMPORTAMENTAL PARA O TRATAMENTO DE 
ADOLESCENTES VÍTIMAS DE BULLYING 
 
 
Trabalho de Conclusão de Curso apresentado à 
Faculdade Pitágoras, como requisito parcial 
para a obtenção do título de graduado em 
Psicologia. 
Orientador: Daniele Sita 
 
 
BEATRIZ MYRIAM GONÇALVES NEGRÃO 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
BEATRIZ MYRIAM GONÇALVES NEGRÃO 
 
 
CONTRIBUIÇOES DA TERAPIA COGNITIVO- 
COMPORTAMENTAL PARA O TRATAMENTO DE 
ADOLESCENTES VÍTIMAS DE BULLYING 
 
 
Trabalho de Conclusão de Curso apresentado 
à Faculdade Pitágoras, como requisito parcial 
para a obtenção do título de graduado em 
Psicologia. 
 
BANCA EXAMINADORA 
 
 
Prof(a). Titulação Nome do Professor(a) 
 
 
Prof(a). Titulação Nome do Professor(a) 
 
 
Prof(a). Titulação Nome do Professor(a)? 
 
 
Poços de Caldas, ? de ? de 2020. 
 
 
AGRADECIMENTOS 
 
Primeiramente agradeço a Deus e minha família que me ajudou e deu forças 
durante essa caminhada. Tenho motivos especiais para agradecer a minha mãe Rosa 
por todo o apoio dado desde o início até este momento. Á todas as pessoas envolvidas 
meus sinceros agradecimentos, e principalmente ás amizades construídas durante o 
curso, que resultou hoje em amigos mais próximos, e sempre presentes. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
“Há mais na superfície do que nosso olhar alcança” 
(Aaron T. Beck) 
NEGRÃO, Beatriz M. G. Contribuições da Terapia Cognitivo-Comportamental 
para o tratamento de adolescentes vítimas de Bullying. 2020. 33f. Trabalho de 
Conclusão de Curso (Graduação em Psicologia) – Faculdade Pitágoras, Poços de 
Caldas, 2020. 
 
RESUMO 
 
Este trabalho trata-se de uma revisão bibliográfica sobre o conceito do Bullying e os 
principais danos psicológicos que ele provoca a vítima. O objetivo foi verificar aspectos 
da terapia cognitivo-comportamental e como essa contribui no atendimento de 
adolescentes vítimas de Bullying. Para sua elaboração foram analisados artigos 
científicos e livros localizados em bases de dados e em bibliotecas físicas, a partir de 
descritores concernentes à temática proposta. Considera-se que a pesquisa atingiu 
os objetivos delimitados e, a partir da leitura e análise das publicações na área, foi 
apresentado as possibilidades de aplicação da terapia cognitivo-comportamental 
frente ao fenômeno, bem como na prevenção do mesmo. 
Palavras-chave: Bullying; tratamento; cognitivo-comportamental; adolescentes; 
saúde mental 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
NEGRÃO, Beatriz M. G. Contributions of Cognitive-Behavioral Therapy to the 
treatment of adolescent victims of Bullying. 2020. 33f. Trabalho de Conclusão de 
Curso (Graduação em Psicologia) – Faculdade Pitágoras, Poços de Caldas, 2020. 
ABSTRACT 
 
This work is a bibliographic review on the concept of Bullying and the main 
psychological damage it causes to the victim, condensed with some aspects of 
cognitive-behavioral therapy and how it contributes to the care of adolescent victims of 
Bullying. For its elaboration, scientific articles and books located in databases and in 
physical libraries were analyzed, using descriptors concerning the proposed theme. It 
is considered that the research reached the defined objectives and, from the reading 
and analysis of publications in the area, the possibilities of applying cognitive-
behavioral therapy in the face of the phenomenon, as well as in preventing it, were 
presented. 
Key-words: Bullying; treatment; cognitive-behavioral; adolescents; mental health 
 
LISTA DE ABREVIATURAS E SIGLAS 
 
ABNT Associação Brasileira de Normas Técnicas 
TC Terapia Cognitiva 
TCC Terapia Cognitivo-Comportamental 
SUMÁRIO 
 
1. INTRODUÇÃO ................................................................................................... 13 
2. ASPECTOS GERAIS DA TERAPIA COGNITIVO-COMPORTAMENTAL ........ 15 
3. PRINCIPAIS CARACTERÍSTICAS DO BULLYING E OS DANOS QUE ELE 
ACARRETA À SAÚDE MENTAL DA VÍTIMA .......................................................... 21 
4. CONTRIBUIÇÕES DA TERAPIA COGNITIVO-COMPORTAMENTAL NO 
ATENDIMENTO DE ADOLESCENTES VÍTIMAS DE BULLYING. .......................... 26 
5. CONSIDERAÇÕES FINAIS ............................................................................... 31 
REFERÊNCIAS ......................................................................................................... 32 
 
 
 
13 
1. INTRODUÇÃO 
 
O bullying é um assunto importante a ser tratado e necessita ser trabalhado, 
principalmente, com o público adolescente. Uma vítima desse fenômeno pode 
acarretar sintomas e outras consequências para o resto da vida se não for 
devidamente tratado e a terapia cognitivo-comportamental apresenta muito eficácia 
no tratamento de vítimas de bullying. 
Este trabalho se trata de uma pesquisa bibliográfica, sendo assim, tem uma 
importância significativa, pois os conteúdos a serem abordados têm embasamento 
científico e a partir desta pesquisa podem-se promover discussões, indagações, bem 
como acréscimo de conhecimento a respeito do tema. 
Na esfera social este trabalho poderá contribuir para a instrução e 
esclarecimento de dúvidas relacionadas ao tratamento do bullying com adolescentes 
para pais, professores, psicólogos e profissionais em geral e promover reflexões 
acerca do tema. Para a comunidade acadêmica acredita-se que este poderá ser 
utilizado como referencial para estudantes de psicologia ou outros cursos, bem como 
escolas ou outras instituições que queiram aprofundar o seu conhecimento sobre a 
temática aqui proposta. 
Diante do exposto até o momento o problema desse trabalho consistiu na 
seguinte questão de pesquisa: Quais as possíveis contribuições da terapia cognitivo-
comportamental no processo de tratamento de adolescentes vítimas de bullying? 
Para se responder à questão proposta foi delimitado o seguinte objetivo geral: Discutir 
as contribuições terapia cognitivo–comportamental no processo de tratamento de 
adolescentes vítimas de bullying. Na perspectiva de se atingir o objetivo geral 
delimitou-se como objetivos específicos: descrever os aspectos gerais da Terapia 
Cognitivo-Comportamental; pontuar as principais características do bullying e os 
danos que ele acarreta à saúde mental da vítima; discutir as possibilidades de 
aplicação e as possíveis contribuições da Terapia Cognitivo-Comportamental no 
atendimento de adolescentes vítimas de bullying. 
Para o desenvolvimento deste Trabalho de Conclusão de Curso foi feita uma 
pesquisa bibliográfica, de caráter descritivo e qualitativo, que consistiu em reunir e 
analisar materiais científicos relacionados à temática proposta, a fim de serem 
utilizados como base para a elaboração de um texto coeso seguindo as normas da 
 
 
14 
Associação Brasileiras de Normas Técnicas (ABNT) respondendo a situação-
problema. 
Os materiais a serem utilizados para a pesquisa foram publicados nos últimos 
20 anos. Para a construção do referencial teórico foram utilizados livros e artigos 
científicos de autores como Beck (2000), Banaco (1999) e Knapp (2008). A consulta 
dos livros se deu na biblioteca física e digital da Faculdade Pitágoras de Poços de 
Caldas e os artigos em bases de dados disponíveis na internet, tal como o portal de 
Periódicos Eletrônicos de Psicologia (PePSIC) e Scientific Electronic Library Online 
(SCIELO). Para localização das produções foram empregadas as seguintes palavras-
chaves: cognitivo - comportamental; bullying; tratamento. 
 
 
 
15 
2. ASPECTOS GERAIS DA TERAPIA COGNITIVO-COMPORTAMENTALDe acordo com Knapp e Beck (2008) a Terapia Cognitivo-Comportamental 
(TCC) é um modelo de psicoterapia que consiste na combinação de técnicas da 
abordagem cognitiva e um conjunto de estratégias comportamentais que visam a 
modificação e aprendizado de comportamentos. 
A Terapia Cognitiva (TC) foi desenvolvida por Aaron Beck em 1960 para 
tratamento de uma ampla variedade de transtornos como ansiedade, depressão e 
síndrome do pânico. Se trata de uma abordagem de psicoterapia breve, focada na 
resolução de problemas específicos do contexto atual que o paciente se encontra, tal 
como medo de dirigir, dificuldade em falar em público, ansiedade excessiva ao 
interagir socialmente, entre outros (KNAPP; BECK, 2008). 
Já a Terapia Comportamental pode ser considerada a aplicação dos princípios 
behavioristas no campo da psicoterapia. Segundo Skinner (2006), o behaviorismo 
demonstra que o indivíduo aprende por associação, reforço e pelas consequências 
dos seus atos. Busca-se então, a modificação de comportamentos disfuncionais pela 
aquisição e aprendizagem de novos comportamentos. 
Quando houve uma junção dos propósitos da terapia cognitiva e da 
comportamental, surgiu a terapia cognitivo-comportamental (TCC). Knapp e Beck 
(2008) afirmam que ultimamente esse termo acaba abrangendo muitas formas de 
terapia, algumas com enfoque mais cognitivista, outras mais comportamentalistas, 
porém em geral todas buscam mudanças adaptativas. 
Baseada no modelo mediacional do psicólogo Edward Tolman, que diz que a 
resposta a um estímulo é produto de uma mediação cognitiva do organismo, ou seja, 
o estimulo é processado no cérebro antes do organismo emitir uma resposta, a TCC 
defende que uma mudança cognitiva media ou leva a uma mudança comportamental. 
Assim a maneira como um indivíduo pensa, percebe e atribui significado a uma 
situação influencia diretamente no humor e no comportamento do mesmo (BECK, 
2000). 
Beck (2014) destaca que a criança, desde as primeiras relações com o 
ambiente e com as figuras cuidadoras, constrói crenças de si e do mundo que a cerca. 
Podem ser crenças positivas ou negativas. As negativas são classificadas em 
desamparo, desamor e desvalor. De desamparo quando a pessoa apresenta crenças 
como “sou incompetente, inadequado, um fracasso”; de desamor quando tem certeza 
 
 
16 
que não é amada, que é rejeitada e de desvalor quando acredita que não possui valor, 
é inaceitável. E podem ser em relação a si mesmos, como as citadas anteriormente, 
ou em relação ao mundo e às pessoas como “as pessoas são más” ou “o mundo é 
perigoso”. 
De acordo com Beck (2014) estas crenças, gradualmente, formam estruturas 
cognitivas que servem de orientação para a percepção de próximas experiências que 
serão vividas ao longo dos anos. Estas estruturas cognitivas denominamos de 
esquemas. Os esquemas são como pastas arquivadas em uma gaveta e as crenças 
seriam os conteúdos dentro das pastas. 
Porém, algumas crenças formadas podem apresentar distorções. Durante a 
interpretação de uma situação vivenciada, é comum as pessoas focarem 
seletivamente em informações que provem a veracidade das crenças que possui e 
ignora fatos que as contradizem. É um movimento automático que torna a crença mais 
forte, mesmo não sendo real (BECK, 2014). 
Beck (2014) cita exemplos de distorções cognitivas. São elas: enxergar as 
situações em apenas duas categorias, como certo ou errado, sucesso ou fracasso, 
desprezando o meio termo; catastrofizar o futuro, superestimando a possibilidade de 
ocorrências negativas e acreditar que eventos negativos ou comportamentos 
aversivos de terceiros, se devem a fato que a própria pessoa fez, dentre outros. 
Ter uma ideia excessivamente rígida de como deve ser o seu comportamento 
e grande exigência sobre a sua performance; descartar características positivas das 
vivências, evidenciando as negativas e chegar a conclusões na ausência de 
evidências também são considerados desvios de cognição (BECK,2014). 
Beck (2014) declara que essas distorções são expressas por meio de 
pensamentos automáticos. Os pensamentos automáticos são pensamentos breves, 
que acontecem espontaneamente e manifestam a maneira como significamos as 
situações bem como as distorções que fazemos da realidade. Na maior parte das 
vezes não são percebidos, embora se possa fazer isto com um pouco de treino. Em 
geral, estamos mais cientes da emoção que sentimos em decorrência deles do que 
do próprio pensamento. Podem estar em formas verbais, visuais ou ambas. 
Geralmente, estes pensamentos automáticos são assumidos como verdades 
absolutas pelos pacientes, porém, quando eles tomam consciência dos mesmos e os 
ligam às crenças centrais, verificam o sentido dos pensamentos e quão realistas eles 
 
 
17 
são, declara Beck (2014). Há aqueles que não conseguem mudar a forma de pensar 
por ter as crenças muito rígidas. Essa rigidez acaba trazendo sofrimento ao indivíduo, 
que pode começar a apresentar sintomas. 
Segundo Beck (2014), temos ainda as crenças intermediárias. Estas 
constituem basicamente de regras e suposições como “eu devo”, “eu tenho que”, “se 
então”, a fim de reduzir o sofrimento provocado pelas crenças centrais. Uma pessoa 
que desenvolve um esquema ligado ao abandono devido a um relacionamento 
passado, pode desenvolver uma crença central como “eu não mereço ser amado”, 
como crença intermediaria terá “se eu não namorar mais ninguém, ninguém me 
abandonará” como uma forma de proteção. Em situações futuras de um possível flerte 
ela poderá emitir pensamentos automáticos como “não é comigo mesmo, acho que 
devo ignorar”. 
É comum que as pessoas utilizem de estratégias compensatórias para camuflar 
crenças afirma Beck (2014). Por exemplo, toda ocasião que o marido viaja, a esposa 
tem o pensamento automático “ele pode sofrer acidente e bater o carro”. Então, ela 
liga para ele e certifica que está tudo bem. É uma forma de aliviar a angústia que os 
pensamentos trazem a curto prazo, mas a longo prazo não é funcional, pois só reforça 
o comportamento compensatório, de ligar para o marido neste caso. 
A Terapia cognitivo-comportamental realiza uma Reestruturação Cognitiva, que 
consiste em intervir sobre as cognições disfuncionais para que o paciente 
gradualmente aprenda maneiras assertivas de interpretar as situações e assim 
modificar emoções e comportamentos que lhe trazem prejuízo. Este processo é 
também chamado de empirismo colaborativo, já que terapeuta e paciente procuram 
juntos evidências a favor e contra as crenças atuais (BANACO, 1999). 
De acordo com Beck (2014) os pacientes são ensinados a identificar os 
padrões afetivos, cognitivos e comportamentais que pioram os seus sintomas. Após a 
identificação é aplicado técnicas da Terapia Cognitiva a fim de modificar essas 
percepções ou comportamentos. São técnicas mais verbais como avaliação e 
questionamento das crenças; procurar evidências que provam e outras que 
contradizem a crença manifesta; imaginar que um amigo tem a mesma crença e ele 
deve convencer o amigo de que a é equivocada, entre outras. 
 
 
18 
O terapeuta ajuda o paciente a identificar as principais cognições e a adotar 
percepções mais realistas e adaptativas das situações, que o leva a se sentir melhor 
emocionalmente e ter uma melhora nos sintomas. 
Por outro lado, algumas vezes as crenças realmente são verdadeiras, mas 
ainda sim acarretam comportamentos disfuncionais que trazem sofrimento ao 
paciente. Então, o terapeuta utiliza estratégias para modificar comportamentos não 
assertivos. Entre as técnicas utilizadas, incluem treinamento de habilidades sociais; 
prescrições comportamentais de tarefas para casa e técnicas de solução de 
problemas (BECK, 2014). 
Em alguns casos, afirma Beck (2014), pode acontecer do paciente conseguir 
perceber que uma crença é disfuncional, mas emocionalmente ainda acredita que seja 
verdade. Dada essa circunstância, recomenda-sea técnica de role-play, em que 
terapeuta e paciente fazem um diálogo onde um desempenha a parte intelectual e o 
outro a parte racional. Em um segundo momento, os papéis são invertidos. Essa 
técnica permite que o paciente observe com distanciamento ás suas próprias crenças 
e teste a validade das mesmas. 
Por fim, é feito um Treinamento de Assertividade, em que se treina o paciente 
a agir de modo mais assertivo em possíveis situações futuras que ele irá enfrentar 
como forma de prevenção de recaída de comportamentos emitidos anteriormente nas 
mesmas situações (BECK,2014). 
Entretanto, Banaco (1999) enfatiza que para os objetivos terapêuticos serem 
atingidos é necessário estabelecer e manter uma boa relação terapêutica entre 
ambos. 
Segundo Knapp e Beck (2008) a Terapia cognitivo-comportamental é altamente 
respeitada por ter sua eficácia comprovada cientificamente no tratamento de 
transtornos emocionais como depressão, ansiedade, fobias. Tem se adaptado a 
diversas culturas e ambientes como hospitais, escolas, programas vocacionais, 
prisões com um público de diferentes idades que vão desde crianças pequenas até 
adultos com idade mais avançada (BECK, 2014). 
Em relação à adolescência, Neufeld (2017) destaca que é importante 
considerar que é uma fase que contém particulares que influenciam nas crenças do 
paciente, e isto precisa ser considerado durante o processo terapêutico. 
 
 
19 
Piaget (1960) apud Neufeld (2017) expõe que neste estágio do 
desenvolvimento é esperado que se atinja uma maturação cognitiva que permite que 
os adolescentes estejam aptos a realizar processos avaliativos e reflexivos a respeito 
de sua própria imagem, bem como dos relacionamentos aos quais se vinculam. Eles 
já conseguem elaborar hipóteses a respeito de si mesmo e seus propósitos pessoais. 
No entanto, é um período de mudanças física, hormonais, de autoestima, 
identidade. Esses aspectos, declara Neufeld (2017), implicam em alterações 
emocionais significativas que podem dificultar o uso das técnicas da TCC, uma vez 
que os pacientes praticam técnicas complexas como autorreflexão, avaliação de 
consequências de seu padrão comportamental e questionamento de crenças. 
Neufeld (2017) pontua que devido a alterações hormonais, os adolescentes 
tendem a ter mais produção de cortisol (hormônio do estresse). Por esse motivo, estão 
mais propensos a desenvolverem estados mais emotivos, intensos e se envolverem 
em situações de risco como uso de substâncias psicoativas ou práticas sexuais de 
risco. 
Nesta fase, eles tendem a se encaixar em grupos e os comportamentos que 
emitem, na maior parte, são para terem uma boa reputação no grupo que valorizam 
socialmente e isso contribua para uma percepção favorável a respeito de si mesmo 
(NEUFELD, 2017). 
Para intervenção, o que determinará a escolha de técnicas predominantemente 
cognitivas ou comportamentais, segundo Neufeld (2017) é se as dificuldades dos 
adolescentes são do tipo internalizantes (ansiedade e depressão) ou externalizantes 
(oposição, desafios e condutas antissociais). No primeiro, predomina-se recursos 
cognitivos enquanto na segunda recursos comportamentais. 
Neufeld (2017) recomenda, portanto, que o terapeuta faça perguntas ao 
paciente sobre essas dificuldades características do período adolescente. Se 
identificar alguma dessas situações, pode-se aplicar técnicas de regulação da emoção 
e trabalhar recursos de enfrentamento juntamente com técnicas de relaxamento para 
estresse ou ansiedade. Os comportamentos de risco como ideações suicidas por 
exemplo devem ser investigados e monitorados. 
Uma técnica que permitem auxiliar os jovens a obter maior consciência de suas 
emoções, pensamentos e sensações, sem necessariamente reagir ou julgar, é a 
mindfulness. Os adolescentes, revela Neufeld (2017), são ensinados a desenvolver 
 
 
20 
uma percepção sem julgamento de suas cognições, seus estados afetivos e suas 
experiências somáticas. Ao se atentar, deixam de apenas reagir com base apenas no 
hábito ou de modo inapropriado, passam a revisar seus valores e atitudes e torna-los 
mais assertivos. 
A Terapia Cognitivo-Comportamental, portanto, tem como princípio norteador a 
relação colaborativa estabelecida pela dupla terapêutica, na qual o profissional 
psicoeduca o paciente sobre suas emoções, pensamentos e comportamentos. A 
abordagem faz uso de técnicas cognitivas e comportamentais ao longo da 
intervenção, visando auxiliar os clientes no planejamento e no aprendizado de novos 
comportamentos, com alívio ou remissão de sintoma; melhora na qualidade de vida e 
desenvolvimento de estratégias mais adaptativas de enfrentamento 
(NEUFELD,2017). 
 
 
21 
3. PRINCIPAIS CARACTERÍSTICAS DO BULLYING E OS DANOS QUE ELE 
ACARRETA À SAÚDE MENTAL DA VÍTIMA 
 
O bullying despertou interesse na década de 70, quando o pesquisador Dan 
Olweus observou a interação com práticas violentas entre crianças de escolas da 
Noruega e ainda hoje é um fenômeno social significativo. (LISBOA; BRAGA; 
EBERT,2009). Apesar da temática ser uma preocupação também em outros públicos 
- como em adultos em empresas ou universidades - de acordo com Caballo (2003), 
as escolas são os locais onde o fenômeno mais surge e permanece, sobretudo entre 
crianças e adolescentes. 
“O termo bullying deriva de bully que, em inglês, significa “valentão” (LISBOA 
et. al., 2014.p.456) e corresponde a uma agressividade física ou psíquica entre pares 
tal como apelidos, insultos, deboches, chutes, empurrões ou ameaças, de forma 
contínua e sem motivo aparente, a um indivíduo por um ou mais agressores. As 
atitudes agressivas, além de repetidas, são intencionais, executadas dentro de uma 
relação desigual de poder, causando dor, angústia, humilhação e exclusão (PIGOZI; 
MACHADO, 2015). 
Há quatro papeis diferentes envolvidos no fenômeno: os agressores, as 
vítimas, os agressores/vítimas, os reforçadores e as testemunhas. Os agressores são 
aqueles que praticam a violência nas diversas formas contra a vítimas, que geralmente 
por medo e insegurança, não conseguem defender-se. Há os agressores/vítimas que 
são aqueles que oram agridem os colegas, ora são agredidos. Os reforçadores são 
aqueles que incentivam o agressor, reforçando-o com risadas por exemplo, e 
encorajando-o a fazer novamente, já as testemunhas são os que presenciam este tipo 
de violência mas permanecem neutros em relação a situação (LISBOA et.al., 2014). 
Lisboa et.al. (2014) enfatizam que bullying é diferente de brincadeiras inocentes 
entre amigos. A diferença se encontra justamente no fato de que em uma brincadeira 
todos estão se divertindo, já no bullying há sofrimento em algumas das partes. Logo, 
quando existe sofrimento já não é mais apenas divertimento, é violência. 
Silva (2015) assegura que há diversos tipos de bullying que podem acontecer 
isolados ou em conjunto. São eles: verbal (insultar, ofender), físico ou material (bater, 
chutar, roubar), psicológico (ameaçar, intimidar, fazer intrigas), sexual (abusar, 
 
 
22 
assediar) e virtual (mais conhecido como cyberbullying, quando os insultos acontecem 
por meios de comunicação eletrônico, como as redes sociais). 
Em relação ao gênero, os meninos parecem mais envolvidos em agressões 
físicas, roubos, ameaças e ofensas verbais, enquanto as meninas envolvem-se de 
maneira indireta como indiferença, exclusão, difamação, ações as quais são mais 
difíceis de identificar e verificar (LISBOA et.al., 2014). 
Martins e Faust (2018) apontam que entre os motivos que contribuem para o 
surgimento do bullying incluem às relações parentais ineficientes e escassa 
supervisão ao contexto escolar com orientação insuficiente a professores e alunos 
quanto ao fenômeno, principalmente aos adolescentes. 
Segundo Neufeld (2017), desde o início da adolescência, os indivíduos tendem 
a se comparar aos pares e compreender que seus comportamentos estão sendo 
avaliados pelaspessoas do seu convívio. A construção da sua identidade pessoal e a 
visão que possuem de si mesmos é influenciada por esse julgamento social. 
A percepção do adolescente em relação a si mesmo influencia na maneira 
como desenvolve as cognições a respeito do self e das próprias habilidades sociais. 
O senso e o fato de se sentir eficiente nesta fase pode influenciar decisivamente o 
curso de suas vidas. Quando essa percepção do sentido de vida dos adolescentes 
condiz com a sua identidade e seus valores pessoais, eles se desenvolvem de forma 
mais saudável e apresentam maiores níveis de felicidade, autoestima estável e 
comportamento pró-social (NEUFELD,2017). 
Entretanto, adolescentes que são vítimas de bullying geralmente apresentam 
um desenvolvimento pouco saudável. De acordo com Carvalhosa (2010), as vítimas 
são introvertidas, não confiam nas suas habilidades físicas nem sociais e não 
possuem boa visão de si mesmos. Faltam-lhes competências sociais, demonstrando 
comportamentos menos assertivos (como chorar) e de submissão (se afastar), com 
uma passividade comunicativa que lhe impede de defender seus próprios direitos e 
se defender das provocações (MARTINS; FAUST, 2018). 
Boulton e Smith (1994) apud Carvalhosa (2010) compreendem a vítima como 
sendo alguém com quem frequentemente implicam, batem, ou fazem diversas coisas 
desagradáveis sem um motivo racional. Também apresentam, segundo Carvalhosa 
(2010) sentimentos de infelicidade e de tristeza, possuem baixa autoestima e fraca 
 
 
23 
autoconfiança. Geralmente, têm consideráveis problemas de saúde mental e um bem-
estar escasso, podendo isso refletir-se e perdurar até a vida adulta. 
Carvalhosa (2010) menciona que na esfera das relações interpessoais, as 
vítimas têm maior dificuldade em fazer amigos por sofrer rejeição dos pares, se isolam 
e se sentem sozinhas. No contexto escolar, é comum exibirem sintomas de evitamento 
e afastamento dos demais, apresentando insegurança. Faltam com frequência ás 
aulas pois veem a escola como um lugar desagradável, o que gera prejuízos 
significativos à sua aprendizagem. 
Pigozi e Machado (2015) igualmente declaram que o bullying na infância e 
adolescência acarreta sintomas e outras consequências à saúde mental dos 
indivíduos. Podem apresentar temperamentos depressivos, apáticos, instáveis ou 
ansiosos acompanhado de tristeza, baixa autoestima, baixo autocontrole, 
principalmente, quando precisa enfrentar momentos difíceis ou resolver problemas. 
Carvalhosa (2010) afirma que as vítimas tendem a pertencer a famílias que são 
caracterizadas como tendo uma educação de restrição e excesso de proteção pelos 
pais. Nas vítimas-agressoras - aquelas que alternam entre passividade e 
agressividade - há um padrão de comportamento reativo em excesso e desregulado 
emocionalmente, com elevada tendência a depressão. 
Esse padrão de desregulação emocional que caracteriza as vítimas- 
agressoras, destaca Carvalhosa (2010), pode ser consequência de uma exposição a 
violência e abusos em casa, ou pais punitivos. Os pais reagem de forma agressiva ao 
comportamento dos filhos e, às vezes, até os rejeitam. Então os filhos, pela exposição 
ao negativismo parental e excesso de proteção materno, repetem a mesma reação 
com os colegas na escola. 
A relação familiar serve como modelo para o aprendizado de padrões 
comportamentais e sociais das crianças. Em famílias que a violência conjugal ou 
punições severas se faz presente a saúde mental das crianças e adolescente que ali 
convivem fica comprometida e provoca comportamentos prejudiciais à interação 
social. Até mesmo na idade adulta, dificuldades de ordem psicológicas podem ter 
relação com eventos de violência na infância e/ou adolescência (SA, 2010). 
Silva (2015) afirma que a exposição dos jovens à intimidação constante 
provoca consequências psíquicas e comportamentais. A prática do bullying pode 
agravar problemas com a autoestima que a vítima já dispõe, que chegam a 
 
 
24 
desenvolver transtornos psíquicos. Entre eles estão: transtorno de ansiedade, 
síndrome do pânico, fobia escolar ou social, depressão, transtorno de estresse- pós-
traumático, transtorno obsessivo- compulsivo ou alimentares como anorexia e bulimia 
e o desenvolvimento - muito comum - de sentimentos excessivos de raiva. 
Além disso, é comum apresentarem sintomas psicossomáticos, expõe Silva 
(2015), que causam desconforto e prejudicam o dia-a-dia dos indivíduos. Alguns dos 
sintomas são: cansaço crônico, cefaleia, insônia, enjoo, dificuldade de concentração, 
diarreia, sudorese, tensão muscular, entre outros. 
Esses malefícios, se não forem devidamente tratados, permanecem até a vida 
adulta. De acordo com Lisboa e Habigzang (2017) “vítimas de bullying apresentam 
um significativo déficit em habilidades sociais, presença de crenças negativas a 
respeito de si mesmas e dificuldades para a resolução de problemas”. Algumas 
pessoas chegam a demonstrar sintomas de estresse pós-traumático e maior 
tendência ao uso de drogas (PIGOZI; MACHADO, 2015). 
Para identificar casos de bullying faz-se necessário estar atento aos 
comportamentos típicos dos envolvidos, tanto no ambiente escolar quanto no 
ambiente doméstico. Segundo Silva (2015), as vítimas se encontram frequentemente 
isoladas na escola. Dentro da sala geralmente apresenta postura mais retraída dos 
demais. Faltam com frequência as aulas e as vezes mostram-se tristes ou aflitas. Em 
casa, queixam-se constantemente de dor de cabeça ou estômago, tem insônia, 
perdem o apetite, ficam sonolentas durante o dia e apresentam mudanças frequentes 
e intensas no estado de humor e explosões repentinas de irritação ou raiva. 
Sousa (2015) informa que recentemente foi sancionada a Lei Nº 13.185, 
conhecida como Lei Anti- bullying, que determina a criação do Programa de Combate 
à Intimidação Sistemática em todo o território nacional. A lei, que entrou em vigor em 
fevereiro de 2016, determina que as escolas devem promover atividades para prevenir 
a prática do bullying e preparar os docentes para lidar com agressores e vítimas no 
dia a dia. 
O fato do bullying ser um fenómeno grupal, sugere que os programas de 
prevenção da violência escolar devem dirigir-se mais aos grupos, escolas e 
turmas, do que aos indivíduos; e o fato de se manifestar sob diferentes formas 
– físico, verbal e indireto – sugere que as estratégias de intervenção ou 
prevenção deverão levar em consideração o tipo de bullying que pretendam 
prevenir ou erradicar. (MARTINS, 2005, p. 403). 
 
 
 
25 
De forma geral, deve-se trabalhar, tanto em casa quanto na escola, a 
importância de se ter empatia e cuidado com o próximo. Humanizar a forma com que 
veem uns aos outros, entendendo que mesmo que o outro seja diferente e apresente 
suas particularidades, ele é um ser humano que possui sentimentos e uma história de 
vida. O respeito pelo próximo independe de suas diferenças físicas, personalidade ou 
de ideias, visão de mundo. 
É importante o trabalho junto a professores e demais membros da equipe 
escolar, orientando-os a intervir caso identifiquem situações de bullying. No processo 
de tratamento, os pais devem ser igualmente incluídos nas intervenções, para que 
limitem comportamentos reativos de seus filhos, auxiliem para que consigam se 
expressar de forma mais assertiva e apoiem o estabelecimento de novas relações 
interpessoais, as quais sejam saudáveis para esses jovens (LISBOA E HABIGZANG, 
2017). 
 
 
26 
4. CONTRIBUIÇÕES DA TERAPIA COGNITIVO-COMPORTAMENTAL NO 
ATENDIMENTO DE ADOLESCENTES VÍTIMAS DE BULLYING 
 
Diversas técnicas da TCC são usadas como intervenção no tratamento de 
vítimas de violência que pode ser aplicada nas modalidades grupal ou individual. 
Destaca-se a psicoeducação, reestruturação cognitiva, pareamento de lembranças 
dessensibilização, manejo das emoções, bem como treinamento de habilidades 
sociais e assertividade para prevençãoda recaída (LISBOA; HABIGZANG, 2017). 
A Psicoeducação, segundo Martins (2018) é uma técnica baseada na ideia de 
que as pessoas podem aprender novas habilidades para mudar suas crenças, para 
controlar seu humor e realizar mudanças no comportamento. Pode ser utilizada para 
ampliar o conhecimento que o adolescente tem sobre o bullying, sobre as emoções, 
as crenças, ampliando assim as habilidades para enfrentamento do bullying, bem 
como ressignificar as crenças dos jovens envolvidos sobre si mesmos, sobre suas 
capacidades/habilidades e interações sociais (LISBOA; HABIGZANG, 2017). 
Entretanto, Monteiro e Rizo (2013) manifestam que o terapeuta não deve focar 
simplesmente nas técnicas a serem utilizadas, a empatia neste momento é o mais 
importante. O paciente se encontra em sofrimento e necessita de uma compreensão 
genuína e acolhedora do mesmo. 
Um dos impactos negativos do bullying é a tendência de a vítima ficar revivendo 
a situação traumática com sofrimento e ressentimento. De acordo com Lisboa e 
Habigzang (2017), o primeiro passo para se trabalhar com a vítima é ajudá-la a 
internalizar a ideia de que a situação já passou e é necessário sair desse lugar de 
vitimização. O objetivo é a compreensão de que sentimentos como ressentimento e 
mágoas não somam nenhum benefício e não há possibilidades de se mudar o 
passado, mas o presente sim. 
O terapeuta, ao longo do tratamento, deve trabalhar o autoconhecimento e 
ressignificação de crenças e pensamentos que foram provocados pelo evento. Lisboa 
e Habigzang (2017) declaram que intervenções clínicas a envolvidos com bullying 
devem focar a ressignificação de distorções cognitivas que reforçam estereótipos 
sobre diferenças sociais, estéticas, culturais ou religiosas, assim como crenças de 
vitimização, rejeição, incapacidade, desvalor muito comum nas vítimas. Esse 
processo de ressignificação de crenças denomina-se restruturação cognitiva. 
 
 
27 
Beck (2014) ressalta que o terapeuta deve ensinar ao paciente que as crenças 
e pensamentos que ele tem podem estar distorcidos e é preciso procurar evidências 
que comprovem a sua veracidade, assim como evidências que a contradizem. A partir 
dessas evidências e questionamentos, se avalia a perspectiva mais realista que se 
pode obter. Por exemplo: uma perspectiva mais realista da crença “sou inaceitável, 
sou rejeitado” seria: “houve momentos que alguém me rejeitou, mas isso não significa 
que sou e serei rejeitado sempre”. 
O pareamento de lembranças é um exemplo de ressignificação acerca das 
memórias instaladas e postas como rígidas e dolorosas. Gradativamente, são feitas 
associações com as quais é possível promover uma redução do impacto causado 
pelas lembranças de sofrimento, permitindo assim uma modificação clara da forma 
como o paciente reage e como o mesmo passa a perceber seus agressores e 
envolvidos nas situações (BECK,2014). 
O segundo passo, de acordo com Caballo (2003), é ensiná-la sobre a distinção 
entre comportamentos assertivos, passivos e agressivos, apresentando maneiras 
assertivas de impor respeito e limite ao outro para que o bullying não aconteça mais. 
Uma pessoa passiva é aquela que deixa suas necessidades de lado para 
atender as de outras pessoas, geralmente sentem dificuldade em dizer não e possuem 
extrema vontade de sempre querer agradar. A pessoa agressiva é o contrário, aquela 
que não respeita as vontades de ninguém e se impõe de forma hostil, sempre a favor 
de suas próprias necessidades (CABALLO, 2003). 
A assertividade se encontra no meio termo. Um dos objetivos do tratamento na 
TCC é ensinar ao paciente a reagir de forma mais assertiva ás situações. 
Assertividade, segundo Caballo (2003) é um estilo de comportamento que envolve 
vários componentes verbais e não verbais, que se relacionam com a capacidade de 
expressão adequada de sentimentos e a responder adequadamente às críticas, sem 
passividade ou agressão. Aprende-se a resolver problemas, defender seus direitos e 
ter respeito por si, mas sem desrespeitar os direitos e às necessidades do próximo. 
Monteiro e Rizo (2013) expõe que a forma como o jovem se coloca frente aos 
atos de violência é determinante para a continuidade ou não das agressões. Se ele 
impor limite ao agressor e se colocar numa relação igual de poder, estará diminuindo 
drasticamente a probabilidade de continuar a ser vítima das agressões. Porém, se 
 
 
28 
reage de forma passiva ou se mostra humilhado, estará aumentando a probabilidade 
de as agressões perpetuarem. 
 Para que o jovem consiga adquirir essa postura, o terapeuta pode realizar uma 
breve psicoeducação, ensinando ao jovem o que é ser assertivo, quais as posturas 
que são esperadas em determinadas situações e como estas posturas o ajudarão 
efetivamente no seu dia a dia (MONTEIRO; RIZO, 2013). Caballo (2003) enfatiza que 
é importante o desenvolvimento de um sistema de crenças que mantenha um grande 
respeito pelos direitos dos demais e pelos próprios direitos, o que facilitaria a 
determinação de limites ao outro. 
Após, o terapeuta pode realizar a dessensibilização ou imaginário. Consiste em 
pedir para o paciente imaginar situações temidas que considera difícil enfrentar, nesse 
caso por exemplo, enfrentar os agressores na sala de aula. Assim, ele cria estratégias 
de enfrentamento para essas situações e as memoriza. Voltar na situação e se 
imaginar reagindo diferente, quando vivenciar essas situações novamente já terá um 
repertório de como responder a elas (BECK, 2014). 
Caballo (2003) denomina essa técnica de ensaio do comportamento. No ensaio 
de comportamento, o paciente representa curtas cenas que simulam situações da vida 
real, com o objetivo de aprender a modificar modos de resposta não-adaptativos, 
substituindo-os por novas respostas. 
Se ainda sentir dificuldade, o paciente deve observar uma pessoa que sirva de 
modelo que mostre corretamente o modo de atuação e aprenda com a observação. 
Segundo Caballo (2003) esse modelo costuma ser representado pelo terapeuta ou 
por algum membro do seu convívio e pode apresentar-se ao vivo ou apenas no ensaio. 
Por meio de tal procedimento, representam-se maneiras apropriadas e concretas de 
colocar-se frente as situações da vida real que são problemáticas para o paciente para 
que depois o mesmo reproduza o que observou e aprendeu. 
No manejo da raiva e da ansiedade, pode-se apresentar ao paciente o Treino 
em Respiração Diafragma. Nessa técnica, pede-se que o indivíduo preste atenção em 
sua própria respiração e identifique os movimentos de inspirar e expirar colocando a 
mão sobre o abdômen e a região peitoral. Em seguida, pede-se que respire lenta e 
pausadamente, inspirando por três segundos, segurando a respiração por mais três 
segundos e soltando a respiração pela boca por seis segundos. Essa respiração 
impede a hiperventilação dos pulmões diminuindo sintomas involuntários do corpo e 
 
 
29 
a tensão muscular. Por conseguinte, há uma diminuição da raiva e ansiedade 
(OLIVEIRA; DUARTE, 2004). 
Outra técnica bastante eficaz para manejo da raiva é do termômetro. Segundo 
Stallard (2008) apud Monteiro e Rizo (2013), consiste em ajudar o paciente a 
identificar seu estado de raiva imaginando que sua raiva é o “líquido vermelho” do 
termômetro e que ele expresse que temperatura esse líquido atinge. Assim, passa a 
identificar quais são os sinais de raiva que seu corpo expressa, se a nuca fica quente, 
se a visão fica turva, etc. para que quando reconhecer os sinais, realize a respiração 
diafragmática. 
Outro relaxamento que pode ser ensinado, informa Monteiro e Rizo (2013), é o 
Relaxamento Muscular, que poderá ser realizado pelo jovem após enfrentar a situação 
que lhe gera ansiedade e também todos os dias quando chegar do colégio, para que 
ele consiga relaxar e não “acumule” no corpo a tensão das situações vivenciadas. 
Consiste em contrair o músculo e depois descontrai-lo de formalenta e gradual, 
enquanto se inspira e expira profundamente. 
Além das estratégias anteriores, podem ser utilizadas também técnicas de 
relaxamento e atenção como o treino em mindfulness (atenção plena) a fim de que 
essa seja mais uma estratégia de prevenir reações explosivas da vítima frente a 
situações que possam caracterizar o bullying (MARTINS; FAUST, 2018). 
De acordo com Kabat-Zinn (1990) apud Vandenberghe e Sousa (2006), 
mindfulness é a atenção plena no momento presente, ou seja, concentrar os 
pensamentos inteiramente no aqui e agora sem se envolver com lembranças 
passadas ou com pensamentos sobre o futuro. Como exercita a atenção, a pessoa 
sempre precisa raciocinar antes de agir. Assim, essa prática evita que a pessoa reaja 
ás situações de forma impulsiva ou rígida, com explosões de raiva por exemplo. 
O último passo é manter o comportamento. Para isso o paciente deve obter 
reforço. Conforme diz Caballo (2003), o reforço tem lugar relevante ao longo das 
sessões e serve tanto para adquirir novos comportamentos, recompensando 
aproximações sucessivas, como para aumentar determinados comportamentos 
adaptativos no paciente. As recompensas sociais por exemplo são reforços efetivos 
para a maioria das pessoas por meio do elogio, de expressão facial feliz, aplausos, 
palmadas nas costas, entre outros. 
 
 
30 
O próprio terapeuta ou paciente pode reforçar o comportamento desejado. De 
acordo com Caballo (2003), uma boa estratégia é o paciente se auto recompensar 
com reforços próprios - serve também para manter comportamentos que não são 
recompensados pelo ambiente externo. Uma forma de ajudar o processo de auto 
reforço é associa-lo a um reforço secundário, como algo que goste ou autoelogios. 
Por exemplo, depois de uma resposta assertiva ele reconhece e se faz um elogio ou 
se presenteia com um sorvete. 
Por fim, é importante ver o feedback das pessoas a volta sobre as novas 
atitudes tomadas. O feedback, afirma Caballo (2003), proporciona informações 
especificas essenciais para desenvolvimento e melhora de uma habilidade. Também 
pode ser dada pelo terapeuta ou outros membros do grupo de convívio social. Se o 
feedback é oferecido por outros membros do grupo, estes devem ser orientados para 
que ofereçam devolutivas de tal modo que seja benéfica para o paciente. 
De forma geral, declaram Monteiro e Rizo (2013), os jovens que vivenciaram 
bullying precisam passar por um trabalho de promoção de resiliência. Resiliência, de 
acordo com Taboada et. al. (2006) significa capacidade de se adaptar de forma 
saudável frente as adversidades da vida, ou seja, sem que causem impactos 
negativos e desequilibre o estado emocional. Esse trabalho é importante para que o 
paciente deixe de focar na experiência negativa e comece a se concentrar na lição 
que a experiência proporciona, assim como nas atitudes ele pode tomar para que da 
próxima vez tenha um resultado mais agradável. 
Ser resiliente permite, segundo Monteiro e Rizo (2013), o jovem se desprender 
do momento que experenciou o estresse emocional, sem adquirir “sequelas 
psicológicas”. Isso não significa tentar apagar da memória momentos estressantes 
ou deixar de vivenciar e ignorar as situações, mas sim passar por estas de forma mais 
assertiva que conseguir. 
Por fim, Monteiro e Rizo (2013) mencionam que durante todo o tratamento 
deve-se manter um foco nas potencialidades do indivíduo, na sua capacidade de 
enfrentamento, mostrando sempre como ele é capaz de se tornar um agente ativo no 
processo de mudança, sem precisar adotar comportamentos considerados 
disfuncionais para lidar com as situações de agressões por ele vivenciadas. Cada 
caso demandará procedimentos diferentes, mas as técnicas descritas servem como 
um norte e podem ser aplicadas tanto no tratamento como na prevenção do bullying. 
 
 
31 
5. CONSIDERAÇÕES FINAIS 
 
O desenvolvimento do presente estudo possibilitou alcançar os objetivos 
propostos inicialmente. Entretanto o trabalho, por ser bibliográfico, não permite 
verificar in loco as informações aqui discutidas e, portanto, as informações se 
restringem apenas à pesquisa literária. 
Observou-se que estar exposto a situações constantes de violência, como o 
bullying, é capaz de distorcer as cognições dos jovens sobre si mesmos, o mundo e 
em relação ás pessoas a sua volta, provocando desequilíbrios emocionais e 
comportamentais que podem perdurar até a vida adulta. Apresentam um 
desenvolvimento pouco saudável que implicam em prejuízos determinantes nas 
relações interpessoais, na autoestima e na vida escolar. 
A terapia cognitivo-comportamental tem como foco o contexto atual do paciente 
e possui diversas técnicas que colaboram de forma efetiva no tratamento de 
adolescentes vítimas de bullying, bem como na prevenção do mesmo. São 
procedimentos que visam trabalhar as crenças do jovem sobre a situação vivenciada 
e ajuda-lo a adotar percepções mais realistas e adaptativas, que o leva ter uma 
melhora nos sintomas, além de auxilia-lo na aprendizagem de novo repertório 
cognitivo e comportamental. 
No entanto, é importante considerar que a adolescência é um período de 
mudanças físicas, hormonais, de autoestima, identidade que exercem grande 
influência sobre seu psicológico. O terapeuta deve compreender que durante todo o 
processo terapêutico essas particularidades estarão presentes e podem dificultar o 
uso das técnicas. Cada caso demandará recursos de enfrentamento diferentes, 
juntamente com técnicas de relaxamento para regulação das emoções. 
Contudo, empenhar-se na prevenção de práticas violentas ainda é a melhor 
atitude. Deve-se trabalhar, tanto em casa quanto na escola, o respeito pelo próximo 
independe de suas diferenças físicas, personalidade ou de ideias, visão de mundo. As 
escolas podem promover atividades que preparem os professores, demais membros 
da equipe escolar e os pais, orientando-os a identificar e intervir em situações de 
bullying. 
 
 
32 
REFERÊNCIAS 
 
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	1. INTRODUÇÃO
	2. aspectos gerais da Terapia Cognitivo-Comportamental
	3. principais características do bullying e os danos que ele acarreta à saúde mental da vítima
	4. contribuições da Terapia Cognitivo-Comportamental no atendimento de adolescentes vítimas de bullying
	5. CONSIDERAÇÕES FINAIS
	REFERÊNCIAS

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