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UNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO GRANDE – FURG ESCOLA DE QUÍMICA E ALIMENTOS – EQA CURSO DE ENGENHARIA BIOQUÍMICA DISCIPLINA DE BIOQUÍMICA II Extração da enzima invertase de levedura Saccharomyces cerevisiae: influência do pH e da temperatura na atividade enzimática Gabriel da Rosa Nunes (135433) Mariana Teixeira de Avila (137968) Rio Grande, 2023 RESUMO A atividade enzimática está relacionada com a velocidade com que a enzima converte substratos em produtos e é medida afim de quantificar a ação de uma enzima. A invertase (E.C. 3.4.2.36) é uma enzima que catalisa a hidrólise de sacarose em glicose e frutose. A atividade enzimática é influenciada por fatores como pH e temperatura, uma vez que estes impactam na estrutura e função das enzimas. A hidrólise do substrato resulta na produção de açúcares redutores totais, representados geralmente por glicose. Assim, a quantificação pode ser realizada por espectrofotometria, consistindo na determinação do produto da redução de 3,5-DNS por açúcares redutores. Diante disso, o objetivo foi avaliar a influência do pH e da temperatura na atividade enzimática de invertase extraída da levedura Saccharomyces cerevisiae. A extração da invertase foi realizada utilizando fermento comercial e o extrato foi diluído 200 vezes. Para o ensaio de influência do pH na atividade, foi fixada a temperatura ambiente de 22 ºC e analisados diferentes pHs (3,0; 5,0; 6,5; 8,0). Para o ensaio de influência da temperatura, foi fixado um pH de 6,5 e analisadas diferentes temperaturas (22, 40, 60 e 90 ºC). Foi construída uma curva padrão de açúcares redutores a partir de diferences diluições da solução de glicose 1,0 mg/mL. Todas as amostras passaram por reação com 3,5-DNS e foi realizada a leitura da transmitância em espectrofotômetro ajustado em 540 nm. A curva padrão apresentou equação da reta 𝑦 = 1,8008𝑥 − 0,132 e coeficiente de correlação 𝑅² = 0,9972. As concentrações de glicose nas amostras foram determinadas através da eq. da reta para posterior cálculo da atividade enzimática. Os resultados de pH apresentaram duas faixas distintas, 3,0 e 6,5. A melhor temperatura obtida foi de 60ºC. Se faz necessário avaliar uma maior faixa de pH e temperatura, bem como estudos de melhoria de estabilidade. Palavras-chave: 3,5-DNS; açúcares redutores totais; hidrolase 1. INTRODUÇÃO A atividade enzimática, que se refere à velocidade com que a enzima converte substratos em produtos, é medida para quantificar a ação de uma enzima. A unidade (U) de medida é a quantidade de enzima que produz 1 µmol de produto em 1 minuto. Para determinar essa atividade, um substrato específico é utilizado e os produtos da reação são quantificados. A taxa de reação é inferida pela variação na concentração de substrato ou produto ao longo do tempo. A espectrofotometria é o método mais adequado para medir essa conversão, e a atividade pode ser medida mesmo na presença de outras proteínas devido à especificidade de cada enzima (BRACHT; ISHII-IWAMOTO, 2003; STRYER; BERG; TYMOCZKO, 2002). A invertase (E.C. 3.2.1.26), também conhecida como sacarase ou β-frutofuranosidase, é uma enzima que catalisa a hidrólise da ligação α-1,4-glicosídica entre D-glicose e D-frutose da sacarose, transferindo o resíduo αβ-D-O-frutofuranosídeo para um substrato aceptor. Assim, a invertase tem atividade hidrolisante e de transferência de grupos, sendo esta última mais evidente em alta concentração de sacarose. A enzima também hidrolisa outros oligossacarídeos, como rafinose e estaquiose. As invertases de interesse comercial são geralmente derivadas de cepas de Saccharomyces sp. (KOTWAL; SHANKAR, 2009; MANOOCHEHRI et al., 2020). A atividade enzimática é altamente influenciada pelo pH e temperatura, visto que esses fatores impactam a estrutura e função das enzimas. Cada enzima possui um pH ótimo onde sua atividade é máxima, já que mudanças de pH podem alterar a carga das moléculas de aminoácidos na enzima, afetando sua estrutura tridimensional. Se o pH estiver muito abaixo ou acima do pH ótimo, a atividade enzimática pode diminuir significativamente ou até mesmo cessar. A temperatura também é crucial, pois seu aumento geralmente acelera a reação enzimática devido ao aumento da energia cinética e frequência de colisão das moléculas. Contudo, acima de uma determinada temperatura, a atividade enzimática começa a diminuir devido a desnaturação da enzima causada pelo calor, resultando na perda de sua estrutura tridimensional (NELSON; COX, 2011). A hidrólise resulta na produção de açúcares redutores totais (ART), que são geralmente representados como glicose. Esses açúcares podem ser quantificados por meio de um método espectrofotométrico. O método consiste na reação entre o açúcar e o ácido 3,5-dinitrossalisílico (DNS), onde o DNS é reduzido em meio alcalino e passa da coloração amarela para a laranja- avermelhada gerando um composto estável chamado 3-amino 5-nitrosalicílico (MILLER, 1959). 2. OBJETIVOS Avaliação da influência do pH e da temperatura na atividade enzimática de invertase extraída da levedura Saccharomyces cerevisiae. 3. MATERIAIS E MÉTODOS 3.1 Material • Fermento comercial; • Solução de bicarbonato de sódio (NaHCO3) 0,15 M; • Solução de glicose 1,0 mg/mL; • Reagente 3,5-DNS; • Solução de sacarose 0,3 M em soluções tampão 5 mM (pH 3,0; 5,0; 6,5; 8,0); • Tubos de ensaio; • Pipetas graduadas; • Frasco Erlenmeyer 500 mL; • Banho de gelo; • Balança semi-analítica; • Banho termostatizado; • Agitador shaker; • Espectrofotômetro. 3.2 Métodos 3.2.1 Curva padrão de açúcares redutores Para a construção da curva padrão de açucares redutores foi utilizada a solução de glicose 1 mg/mL e todos os tubos foram preparados conforme a Tabela 1. Foram pipetadas alíquotas dessa solução e água, afim de obter diferentes concentrações de glicose, em tubos de ensaio. Após a homogeneização das soluções, o reagente 3,5-DNS foi adicionado aos tubos e levado em banho de água fervente por 5 min. Após parar a reação resfriando os tubos em água corrente seguido por banho de gelo, foi adicionado aos tubos o volume especificado de água destilada. TABELA 1 – Dados para a construção da curva padrão de açúcares redutores Tubos 0 1 2 3 4 5 Solução estoque de glicose (mL) 0 0,4 0,8 1,2 1,6 2,0 Água destilada (mL) 2,0 1,6 1,2 0,8 0,4 0 3,5-DNS (mL) 1,0 1,0 1,0 1,0 1,0 1,0 Banho à 100 ºC (min) 5 5 5 5 5 5 Esfriar e adicionar H2O (mL) 8,0 8,0 8,0 8,0 8,0 8,0 Com as soluções preparadas, os tubos foram agitados e foi realizada a leitura da transmitância (T) no espectrofotômetro ajustado para 540 nm de acordo com o método. Com a transmitância, foi possível calcular a absorbância (Abs) de cada amostra pela Equação 1. 𝐴𝑏𝑠 = 2 − log(𝑇) (1) Afim de remover alguma interferência causada por componentes presentes no meio reacional, a amostra 0 foi utilizada como branco, logo os demais valores de absorbância obtidos tiveram o valor do branco subtraído de acordo com a Equação 2. 𝐴𝑐𝑜𝑟𝑟𝑖𝑔𝑖𝑑𝑎 = 𝐴𝑛 − 𝐴0 (2) Onde: 𝐴𝑐𝑜𝑟𝑟𝑖𝑔𝑖𝑑𝑎 é a absorbância com o valor do branco descontado 𝐴𝑛 é a absorbância da amostra; sendo 𝑛 o correspondente da amostra 𝐴0 é a absorbância do branco As diferentes concentrações de glicose para a curva padrão foram obtidas com base na Equação 3. 𝐶1 × 𝑉1 = 𝐶2 × 𝑉2 (3) Onde: 𝐶1 é a concentração da solução padrão de glicose 𝑉1 é o volume utilizado da solução padrão 𝐶2 é a concentração de glicose na amostra 𝑉2 é o volume da amostra Posteriormente, com o auxílio da planilha eletrônicafoi obtido o gráfico da curva padrão de glicose que relaciona os dados de absorbância corrigida com as concentrações de glicose nas amostras afim de obter a equação da reta e o coeficiente de correlação (R²). 3.2.2 Extração da invertase de S. cerevisiae Para a extração da enzima invertase da levedura S. cerevisiae, foram pesadas 50 g do fermento comercial e adicionadas em 250 mL de solução de bicarbonato de sódio (NaHCO3) 0,15 M em um frasco Erlenmeyer de 500 mL. O frasco foi vedado e levado em banho à 37°C para autólise (ruptura da parede celular), por 24 h com agitação em shaker. Após incubação, a solução passou por centrifugação e o sobrenadante (extrato enzimático) foi coletado. O extrato enzimático foi diluído 200× (𝐹𝐷 = 200) e permaneceu em banho de gelo até a realização dos ensaios afim de evitar a desnaturação da enzima. 3.2.3 Influência do pH na atividade enzimática Em diferentes tubos de ensaio, foi adicionado 1 mL de solução do substrato sacarose 0,3 M com diferentes pH (3,0; 5,0; 6,5; 8,0). Para a reação enzimática, foi adicionado 1 mL do extrato enzimático em cada tubo, estes foram misturados e mantidos em temperatura ambiente (22 ºC) por 10 min. O ensaio do branco foi realizado em pH 5,0 no qual o substrato enzimático foi substituído por 1 mL de água destilada. Após o tempo de reação, 1 mL de 3,5-DNS foi adicionado a cada tubo e estes foram colocados em banho fervente por 5 min. Posteriormente, os tubos foram resfriados em água corrente e banho de gelo, seguido por adição de 8 mL de água destilada. Por fim, foi realizada a leitura da transmitância (T) das soluções no espectrofotômetro ajustado para comprimento de onda de 540 nm. 3.2.4 Influência da temperatura na atividade enzimática Foi adicionado 1 mL de solução do substrato sacarose 0,3 M pH 6,5 em diferentes tubos de ensaio. Para a reação enzimática, foi adicionado 1 mL do extrato enzimático em cada tubo, estes foram misturados e mantidos em diferentes temperaturas (40, 60 e 90 ºC) por 10 min. Foi utilizado o mesmo branco do experimento do ensaio de influência do pH. Após o tempo de reação, foi adicionado 1 mL de 3,5-DNS em cada tubo e estes foram levados em banho fervente por 5 min. Posteriormente, os tubos foram resfriados em água corrente e banho de gelo, seguido por adição de 8 mL de água destilada. Assim, foi realizada a leitura da transmitância (T) das soluções no espectrofotômetro ajustado em 540 nm. 3.2.5 Determinação da atividade enzimática Após as reações, o branco foi utilizado para calibrar o espectrofotômetro e posteriormente, a transmitância (T) dos compostos presentes nas soluções foi medida. Com os valores de transmitância, foi possível obter a absorbância de cada solução através da Equação 1. Após os cálculos, os valores de absorbância foram colocados em 𝑦 na equação da reta gerada pela curva padrão de açúcares redutores para obtenção das concentrações (𝑥). Assim, foi possível obter a atividade enzimática (U/mL) de cada solução de acordo com a Equação 4. 𝐴𝑡𝑖𝑣𝑖𝑑𝑎𝑑𝑒𝑒𝑛𝑧𝑖𝑚á𝑡𝑖𝑐𝑎(𝑈 𝑚𝐿⁄ ) = ( [𝑔𝑙𝑖𝑐𝑜𝑠𝑒] 𝑀𝑀𝑔𝑙𝑖𝑐𝑜𝑠𝑒 )×𝑉𝑟𝑒𝑎çã𝑜×𝐹𝐷×10 6 𝑉𝑎𝑚𝑜𝑠𝑡𝑟𝑎×𝑡 (4) Onde: 𝑈 𝑚𝐿⁄ é a unidade de atividade da enzima por mL de extrato; sendo 𝑈 em 𝜇𝑚𝑜𝑙 𝑚𝑖𝑛⁄ [𝑔𝑙𝑖𝑐𝑜𝑠𝑒] é o fator de concentração da curva padrão de glicose (g/L) 𝑀𝑀𝑔𝑙𝑖𝑐𝑜𝑠𝑒 é a massa molar de glicose (180 g/mol) 𝑉𝑟𝑒𝑎çã𝑜 é o volume total do tubo de reação (0,002 L) 𝑉𝑎𝑚𝑜𝑠𝑡𝑟𝑎 é o volume de extrato enzimático utilizado (mL) 𝐹𝐷 é o fator de diluição do extrato bruto enzimático (medida adimensional) 106 é a conversão de mol para µmol 𝑡 é o tempo de reação (min) 4. RESULTADOS E DISCUSSÃO 4.1 Curva padrão de açúcares redutores A partir da transmitância obtida para cada amostra por espectrofotometria, os valores de absorbância foram calculados pela Equação 1. Posteriormente as absorbâncias foram corrigidas com o branco conforme a Equação 2. As diferentes concentrações de glicose das amostras para a curva padrão foram calculadas utilizando a Equação 3 e estão apresentadas na Tabela 2. TABELA 2 – Concentração de glicose nas amostras da curva padrão Amostra Concentração de glicose (mg/mL) Tubo 0 (branco) 0 Tubo 1 0,2 Tubo 2 0,4 Tubo 3 0,6 Tubo 4 0,8 Tubo 5 1,0 Com os valores de absorbância corrigida e concentração das amostras, foi obtido o gráfico da curva padrão de açúcares redutores que está apresentado na Figura 1. FIGURA 1 – Curva padrão de açúcares redutores Com a curva padrão de açúcares redutores foi obtida a equação da reta 𝑦 = 1,808𝑥 − 0,132 e o coeficiente de correlação 𝑅2 = 0,9972. A equação da reta foi utilizada para calcular os fatores de concentração de glicose das diferentes soluções dos ensaios de influência do pH e da temperatura. 4.2 Determinação da atividade enzimática Os valores de absorbância foram calculados utilizando a Equação 2 com base na transmitância da amostra obtidas espectrofotometricamente. Neste caso, os valores de absorbância não precisaram de correção com o branco pois este foi utilizado para a calibração do equipamento. Portanto, realizando os cálculos, os valores de transmitância e absorbância das soluções utilizadas nos ensaios de influência do pH e da temperatura estão listados na Tabela 3. TABELA 3 – Dados de transmitância e absorbância das amostras e branco Ensaio de influência do pH Amostra Transmitância (%) Absorbância Tubo 0 (branco) 100 0 Tubo 1 (pH 3,0) 40,4 0,3936 Tubo 2 (pH 5,0) 46,3 0,3344 Tubo 3 (pH 6,5) 44,0 0,3565 Tubo 4 (pH 8,0) 50,01 0,3009 TABELA 3 – Dados de transmitância e absorbância das amostras e branco Ensaio de influência da temperatura Amostra Transmitância (%) Absorbância Tubo 0 (branco) 100 0 Tubo 1 (22 ºC) 44,0 0,3565 Tubo 2 (40 ºC) 06,1 1,2146 Tubo 3 (60 ºC) 0,08 3,0969 Tubo 4 (90 ºC) 81,8 0,0872 Posteriormente, os valores de absorbância foram inseridos na equação da reta para obtenção do fator de concentração de glicose de cada solução. Estes foram obtidos em mg/mL e convertidos para g/L para o cálculo da atividade enzimática (U/mL) que foi realizado de acordo com a Equação 4. Os valores obtidos para ambos os cálculos estão apresentados na Tabela 4. TABELA 4 – Dados de concentração de glicose e atividade enzimática Ensaio de influência do pH Amostra Fator de concentração de glicose (g/L) Atividade enzimática (U/mL) Tubo 1 (pH 3,0) 0,2918 64,84 Tubo 2 (pH 5,0) 0,2589 57,53 Tubo 3 (pH 6,5) 0,2712 60,26 Tubo 4 (pH 8,0) 0,2403 53,40 Ensaio de influência da temperatura Amostra Fator de concentração de glicose (g/L) Atividade enzimática (U/mL) Tubo 1 (22 ºC) 0,2712 60,26 Tubo 2 (40 ºC) 0,7477 166,15 Tubo 3 (60 ºC) 1,7930 398,44 Tubo 4 (90 ºC) 0,1217 27,04 Com os valores de atividade enzimática de cada solução foi possível obter os gráficos de pH versus atividade enzimática (U/mL) e temperatura (ºC) versus atividade enzimática (U/mL) e estes estão apresentados nas Figuras 2 e 3, respectivamente. FIGURA 2 – Gráfico pH versus atividade enzimática FIGURA 3 – Gráfico temperatura versus atividade enzimática A Figura 2 mostra que os resultados de pH máximo correspondente ao “pH ótimo” de hidrólise à 22 ºC revelaram duas faixas de pH distintos, 3,0 e 6,5. A atividade catalítica de uma reação enzimática é geralmente alcançada dentro de um intervalo estreito de pH, com a maioria das enzimas tendo um pH ótimo entre 4,5 e 8,0 (BOBBIO; BOBBIO,1995). Almeida et al. (2005) sugerem que, especificamente, a invertase de levedura apresenta pH ótimo no intervalo de 3,5 e 6,0. Bora et al. (2005) obtiveram o pH ótimo para invertase igual a 5,0. Amaya-Delgado et al (2005) analisaram a influência do pH na faixa de 5,0 a 7,0 onde a maior atividade enzimática foiobtida em pH de 5,5. Goulart, Adalberto e Monti (2003) obtiveram duas faixas de pH ótimo, com máximos em 6,0 e 9,0, no entanto, a invertase utilizada em seu trabalho foi extraída do fungo Rhizopus sp. O pH influencia significativamente a atividade e estabilidade das enzimas. A carga da enzima, influenciada pelo pH, afeta a catálise enzimática, pois os aminoácidos que compõe a estrutura da proteína possuem grupos laterais básicos, neutros ou ácidos, assim a enzima pode ser carregada positiva ou negativamente. Apenas um estado específico de ionização permite que a enzima esteja catalíticamente ativa. A taxa de reação aumenta com o pH até um valor ótimo, após o qual diminui devido à desnaturação ou estados de ionização inadequados (SEGEL, 1979; DIXON; WEBB, 1979). A Figura 3 mostra que na temperatura de 60 ºC a invertase apresentou maior atividade enzimática entre as temperaturas analisadas, sendo esse o máximo correspondente à “temperatura ótima”. No entanto, um aumento além dessa temperatura levou a uma rápida diminuição da atividade enzimática, provavelmente devido à desnaturação térmica da enzima. No entanto, não existem dados precisos sobre a temperatura ótima de atividade desta enzima. Em alguns casos, utiliza-se a temperatura de 55 ºC para soluções diluídas de sacarose e 65 a 70 ºC para soluções concentradas (UHLIG, 1998). Amaya-Delgado et al. (2005) também observaram a influência da temperatura na atividade da invertase na hidrólise de sacarose, apresentando maior atividade enzimática na faixa de 55 a 65 ºC seguida por uma queda acentuada a partir de 70 ºC. Enquanto Draetta (1971) destaca que a temperatura ótima depende do grau de purificação da enzima e da concentração de substrato, tendo encontrado valores entre 23 e 55 ºC. Wiseman e Woodward (1975) sugerem que a estabilidade térmica da invertase pode ser atribuída à sua estrutura terciária, que inclui interações carboidrato-proteína e ligações cruzadas na cadeia polipeptídica. Bailey e Ollis (1986) acrescentam que a estabilidade térmica de uma enzima é influenciada por fatores como pH, concentração de substrato, presença de estabilizadores e se a enzima está em sua forma livre ou imobilizada. 5. CONSIDERAÇÕES FINAIS Este estudo destaca a importância da enzima invertase, que é amplamente utilizada para o processamento de carboidratos. Assim, uma boa atividade enzimática é crucial para aplicações industriais. A melhor temperatura de hidrólise da invertase foi de 60 ºC, e os pHs ideais obtidos foram 3,0 e 6,5. O estudo sugere a necessidade de explorar uma gama maior de pH e temperatura. Além disso, a concentração de substrato e a imobilização da enzima são áreas importantes a serem estudadas futuramente, visando melhorar a estabilidade da enzima. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ALMEIDA, A. C. S.; ARAÚJO, L. C.; ABREU, C. A. M.; LIMA, M. A. G. A.; PALHA, M. L. P. F. 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