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SISTEMA ARTERIAL 4.1 O sistema arterial é o que transporta o sangue desde o coração até os pulmões (circulação pulmonar) e até os órgãos e tecidos de todo o corpo (circulação sistémica). 4.1.1 As veias do sistema venoso têm geralmente percursos paralelos às artérias do sistema arterial, mas de sentido contrário (desde pulmões e tecidos até o coração). Para melhor Disciplina de Anatomia e Fisiologia 1º. Semestre 203 entender este conceito, artérias e veias de cada região aparecem juntas nas figuras do bloco seguinte (em este bloco aparecem apenas as referências para a sua consulta). 4.2 Circulação pulmonar arterial. 4.2.1 A circulação pulmonar começa no ventrículo direito, de onde sai o tronco pulmonar. 4.2.2 O tronco logo se bifurca nas artérias pulmonares direita e esquerda, as quais entram em cada pulmão (pelo “hilo pulmonar”), onde se dividem em diferentes ramos para cada lobo e segmento. 4.2.3 Esses ramos principais continuam-se dividindo até formarem as redes capilares, em torno dos alvéolos pulmonares (sacos microscópicos onde circula o ar inspirado), onde se efectua o intercâmbio gasoso (hematose - entra o O2 na circulação sanguínea, e sai o CO2). Figura 9. Circulação Pulmonar e Sistêmica 4.3 Circulação sistémica arterial. Parte do ventrículo esquerdo do coração pela artéria aorta. Esta artéria é a maior do corpo com cerca de 2 a 3 cm de diâmetro, da qual partem todas as artérias sistémicas. É dividida regionalmente em: aorta ascendente, que inclui a válvula semi-lunar aórtica, da que partem as artérias coronárias que irrigam o próprio coração. arco aórtico, que origina ramos para cabeça e para os membros superiores aorta torácica, que origina ramos para o tórax aorta abdominal, que origina ramos para o abdómen e para os membros inferiores. 4.3.1 Excepto em alguns casos que serão mencionados posteriormente, a circulação arterial sistémica é simétrica (igual nos dois lados do corpo: direito e esquerdo). 4.4 Do arco aórtico partem sequencialmente todas as artérias pares, excepto as dos troncos principais que não são simétricos: 4.4.1 “Tronco arterial braquio-cefálico direito”, que divide-se em artéria carótida comum e artéria subclávia direita (que já terão os mesmos ramos que as esquerdas). 4.4.2 “Carótida comum esquerda”, que sobe para irrigar a cabeça e divide-se (na parte alta do pescoço) em “carótida interna” (que irriga o encéfalo) e “carótida externa” (que irriga a parte externa da cabeça e a face). Disciplina de Anatomia e Fisiologia 1º. Semestre 204 4.4.3 “Subclávia esquerda”, da qual partem a arteria “Vertebral” (para a coluna e partes do encéfalo, anastomosándo-se a ramos da carótida interna: sistema vértebro-basilar), o “Tronco tíreo-cervical” (para tiróide e outras estruturas do pescoço), a “Torácica interna” e o “Tronco costo-cervical”. Figura 10. Artéria Aorta e seus Ramos Figura 11. Artérias para o pescoço e cabeça Disciplina de Anatomia e Fisiologia 1º. Semestre 205 Quando a artéria subclávia passa por baixo da clavícula, passa a chamar-se “Artéria axilar”, que considera-se já um vaso terminal (que vai a uma estrutura concreta, onde termina), que originará todos os ramos arteriais do membro superior: Artéria “Braquial”, no braço, que dividir-se-á no cotovelo em Artéria “Ulnar” e “Radial”, no antebraço, que finalmente irrigarão a mão. Figura 12. Artérias do Membro Superior 4.5 Da aorta torácica partem sequencialmente todas artérias pares: 4.5.1 Na sua face anterior, artérias que vão às estruturas intra-torácicas: Artérias “Bronquiais” (que levam sangue oxigenado aos pulmões e correm paralelas às da circulação pulmonar), Artérias “Pericárdicas” (para o pericárdio), Artérias “Esofágicas” (para o esófago) e Artérias “Frénicas” (para o diafragma). 4.5.2 Na sua face latero-posterior, os ramos Artérias “Vertebrais torácicas” (para coluna e medula) e Artérias “Intercostais”, um para cada espaço intercostal, para irrigar toda a parede torácica. 4.6 Da aorta abdominal partem sequencialmente artérias pares (excepto as mencionadas como únicas): Disciplina de Anatomia e Fisiologia 1º. Semestre 206 4.6.1 “Tronco celíaco” (único), com 3 ramos: Artéria “Gástrica esquerda”, que irriga o estômago. Artéria “Hepática”, que irriga o fígado (com sangue oxigenada, fora do sistema porta). Artéria “Esplénica”, que irriga o pâncreas e o baço. 4.6.2 Artéria “Mesentérica superior” (única), que irriga o intestino delgado e grosso, até o transverso. 4.6.3 Artérias “Renais” e “Supra-renais”, que irrigam estes órgãos. 4.6.4 Artéria “Testicular” (em homens) ou “Ovariana” (em mulheres), que desce até os correspondentes órgãos reprodutores. 4.6.5 Artéria “Mesentérica inferior” (única), que irriga o intestino grosso desde o tranverso e o recto. 4.6.6 Artérias “Vertebrais lombares”, continuação da sequência dos torácicos, partem da face postero-lateral da aorta, para irrigar coluna e medula. Figura 13. Circulação arterial dos órgãos abdominais. 4.7 A aorta terminal supõe o fim da aorta abdominal, quando se divide na entrada da pélvis (“bifurcação aórtica”) nas “Ilíacas comuns” (uma para cada membro inferior), que darão os seguintes ramos: 4.7.1 Artéria “Ilíaca interna”, que origina ramos para os órgãos pélvicos e para a parede pélvica e períneo. 4.7.2 Artéria “Ilíaca externa”, que dará as seguintes artérias: “Femoral” (na coxa), que chamar-se-á “Poplítea” a partir da sua passagem parte posterior do joelho, onde dará: “Tibial anterior e posterior” e “Fibular” na perna, que finalmente irrigarão o pé. Disciplina de Anatomia e Fisiologia 1º. Semestre 207 Figura 14. Artérias dos Membros Inferiores BLOCO 4: SISTEMA VENOSO 4.1 Circulação pulmonar venosa. Supõe o retorno de sangue oxigenado desde os pulmões até o coração. O sangue procedente do intercâmbio gasoso alveolar, retorna pelo extremo capilar venoso para se incorporar a veias confluentes de progressivo maior calibre, até formar as 4 “veias pulmonares” (direitas, superior e inferior, e esquerdas, superior e inferior), que entram directamente na aurícula esquerda. 4.2 Circulação sistémica venosa. O sangue retornará desde todos os órgãos do corpo até a aurícula direita pelas veias cava superior e inferior, nas que desembocam todas as veias sistémicas: Os territórios irrigados por ramos do arco aórtico e da aorta torácica (cabeça, pescoço, membros superiores e tórax) drenam à veia cava superior. Os territórios irrigados por ramos da aorta abdominal e das ilíacas (abdómen, pélvis e membros inferiores) drenam à veia cava inferior. Figura 15. Circulação venosa Disciplina de Anatomia e Fisiologia 1º. Semestre 208 Excepto em alguns casos (que serão mencionados), a circulação sistémica venosa também é simétrica. Em muitos casos, mas não sempre, as veias que drenam um certo território seguem, de retorno, o mesmo caminho anatómico que as artérias correspondentes, e têm os mesmos nomes (por ex.: artéria e veia femorais). Ao contrário que as artérias, que são muito constantes na sua posição, as veias, especialmente as mais periféricas e superficiais, não são exactamente iguais em todos os indivíduos. As “veias coronárias”, drenam o sangue do miocárdio ao “seio coronário”, que desemboca directamentena aurícula direita. 4.3 A veia cava superior forma-se da junção do “sistema ázigos” (conjunto de pequenos vasos que drenam o sangue da coluna e parede torácica) e das duas “veias braquiocefálicas” (que retornam sangue das vísceras do tórax, cabeça e membros superiores). As principais veias que desembocam nas braquiocefálicas são: 4.3.1 4.3.2 4.3.3 4.3.4 4.3.5 “Ázigos” (única, no lado direito) e “Hemiázigos” (duas, no lado esquerdo, que finalmente tributam na ázigos), retornam o sangue procedente da parede torácica (pelas “Intercostais”), da coluna e medula (pelas “Vertebrais”), dos pulmões (“Bronquiais”) e do pericárdico (“Pericárdicas”). “Tiróidea”, “Traqueal”, “Frénica”, “Mediastínicas”, “Esofágica” e “Tímica”, que drenam as estruturas correspondentes. “Jugular interna”, drena sangue do encéfalo e pescoço. “Vetebral” e “Cervical profunda”, que drenam coluna cervical e parte posterior do pescoço. “Jugular externa”, drena sangue do exterior da cabeça e face. 4.3.6 “Subclávia”, drena o sangue vindo do membro superior, a través dos seus ramos: veias superficiais de antebraço e braço: “Basílica” (medial) e “Cefálica” (lateral). veias profundas: “Ulnar” e “Cubital” (do antebraço) que confluem na “Braquial” (do braço). Figura 16. Veias dos Membros Superiores Disciplina de Anatomia e Fisiologia 1º. Semestre 209 4.4 Na veia cava inferior drenam as veias procedentes do abdómen, pélvis e membros inferiores: 4.4.1 “Frénicas inferiores”, que drenam a face inferior do diafragma. 4.4.2 “Vertebrais lombares”, continuação da sequência das torácicas, drenam à face postero lateral da cava. 4.4.3 “Sistema portal hepático” (único), pelo que drenam as vísceras intra-abdominais até o fígado (vide detalhes na Aula 19). 4.4.4 “Renais” e “Supra-renais”, que drenam estes órgãos. 4.4.5 “Testicular” (em homens) ou “Ovariana” (em mulheres), que drenam os correspondentes órgãos reprodutores (a direita drena directamente na cava inferior, mas a esquerda drena na v. renal esquerda, o qual têm implicações clínicas) 4.5 A veia cava inferior forma-se da confluência das “Ilíacas comuns” (uma desde cada membro inferior), que pela sua vez recebem sangue dos ramos: 4.5.1 “Ilíaca interna”, que drena os órgãos pélvicos e a parede pélvica e períneo. Figura 17. Circulação arterial e venosa da pélvis. 4.5.2 “Ilíaca externa”, onde confluem as veias que drenam o membro inferior: veias superficiais de perna e coxa: “Safena” (medial). veias profundas: “Tibial anterior e posterior” e “Fibular” (da perna) que confluem na “Poplítea” (posterior do joelho), que chamar-se-á “Femoral” no seu trajecto pela coxa, para formar a ilíaca externa.