Logo Passei Direto
Buscar
Material
páginas com resultados encontrados.
páginas com resultados encontrados.
left-side-bubbles-backgroundright-side-bubbles-background

Crie sua conta grátis para liberar esse material. 🤩

Já tem uma conta?

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

left-side-bubbles-backgroundright-side-bubbles-background

Crie sua conta grátis para liberar esse material. 🤩

Já tem uma conta?

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

left-side-bubbles-backgroundright-side-bubbles-background

Crie sua conta grátis para liberar esse material. 🤩

Já tem uma conta?

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

left-side-bubbles-backgroundright-side-bubbles-background

Crie sua conta grátis para liberar esse material. 🤩

Já tem uma conta?

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

left-side-bubbles-backgroundright-side-bubbles-background

Crie sua conta grátis para liberar esse material. 🤩

Já tem uma conta?

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

Prévia do material em texto

DIDÁTICA DO ENSINO SUPERIOR (CONTINUAÇÃO)
O PROFESSOR E O ENSINO SUPERIOR
Objetivos 
Neste conteúdo analisaremos o papel do professor e sua atuação no Ensino Superior com base na legislação que rege a educação no Brasil, a Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDBEN nº 9.394/1996), enfatizando a importância de uma formação específica e pedagógica para um ensino de qualidade.
1- O Professor Do Ensino Superior E A Legislação
· Professor é uma profissão;
· Formação específica X Formação pedagógica;
· Didática: disciplina pedagógica.
· LDBEN (9394/96): Art.61 – atuação na educação básica
 Art.52 – titulação acadêmica
 Art.66 – exercício magistério
 Superior/Pós-graduação: Ms. e Dr.
· Titulação acadêmica não representa formação pedagógica;
· Falta de exigência legal na formação pedagógica – consequências no processo de ensino-aprendizagem;
· Refletir sobre o que ensinar, como ensinar, como os alunos aprendem, etc.(...)
O magistério é uma profissão que historicamente foi marcada pela precondição da vocação (Fernandes, 2002), acreditando-se que, para ser professor, bastava esse fator. Essa visão está totalmente equivocada, pois essa é uma profissão como qualquer outra, que exige estudo e conhecimento. Para ser exercida, é necessário haver formação, afinal, ninguém nasce professor, mas pode se tornar um, o que exigirá muito estudo e reflexão. Nessa profissão, são fundamentais uma formação específica e uma formação pedagógica.
Vocação: Vocação é um termo derivado do verbo no latim vocare, que significa “chamar”. É uma inclinação, uma tendência ou habilidade que leva o indivíduo a exercer determinada carreira ou profissão. Vocação é uma competência que estimula as pessoas para a prática de atividades associadas aos seus desejos de seguir determinado caminho. Por extensão, vocação é um talento, uma aptidão natural, um pendor, uma capacidade específica para executar algo que vai lhe dar prazer. Fonte: significados.com.br/vocacao.
A formação específica é o domínio de um conteúdo de um campo científico. Por exemplo, um professor de História da Arte deve saber sobre arte, história e a influência da arte na vida das pessoas, entre outros conhecimentos. Já a formação pedagógica é aquela voltada para compreender o papel do professor, a função da escola, o processo de ensinar e de como os alunos aprendem, como se pode ensiná-los e avaliá-los, entre outros aspectos.
Como nos lembra Libâneo (2007):
Para se ensinar matemática a João, eu preciso:
- saber matemática;
- saber como se ensina matemática, como ajudo João a pensar com o modo próprio de pensar e operar mentalmente a matemática;
- saber em que contexto sociocultural e institucional João vive: como esse contexto influi na sua aprendizagem e como esse contexto pode ser modificado.
O “saber matemática” é a formação específica que o professor teve enquanto se formava nessa área de conhecimento; já “saber como se ensina matemática”, “conhecer o João” e “conhecer o seu contexto sociocultural” estão atrelados à formação pedagógica.
Todo professor precisa ter clareza do seu papel em sala de aula como agente de transformação social, alguém que pode ajudar as pessoas a se transformarem e a transformarem o meio em que vivem. Mas precisa compreender, principalmente, o verdadeiro sentido de ensinar e aprender diante de toda a complexidade que existe nesse processo.
A didática é uma das disciplinas pedagógicas que mais contribuem para essa formação dos professores que atuam nos diferentes níveis de ensino, da Educação Básica ao Ensino Superior. Porém há algumas questões para se refletir sobre a formação pedagógica dos professores no nosso país.
A lei que rege a educação no país, Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDBEN, nº 9.394/1996), no Título VI – Dos Profissionais da Educação –, traz definições sobre a formação dos profissionais da Educação Básica. Vale lembrar que isso se refere à atuação do professor nos níveis da Educação Infantil ao Ensino Médio. O art. 61, parágrafo único, apresenta (Brandão, 2010):
Art. 61. […] § único. A formação dos profissionais da educação, de modo a atender às especificidades do exercício de suas atividades, bem como aos objetivos das diferentes etapas e modalidades da educação básica, terá como fundamentos:
I – a presença de sólida formação básica, que propicie o conhecimento dos fundamentos científicos e sociais de suas competências de trabalho;
II – a associação entre teorias e práticas, mediante estágios supervisionados e capacitação em serviço (grifos nossos).
Esse artigo da LDBEN, ao afirmar o “conhecimento de suas competências de trabalho” e a “associação entre teorias e práticas”, salienta a importância de o professor desenvolver, durante sua formação, habilidades para ser competente na tarefa de ensinar e compreender como os alunos aprendem. Isso é uma formação pedagógica que pode ser aprendida, refletida nos cursos de licenciatura com as disciplinas pedagógicas e, depois de formado, enquanto exerce sua profissão, conforme vai construindo sua identidade docente. A LDBEN pontua esses aspectos referindo-se ao professor que atuará na educação básica.
E sobre a atuação do professor do Ensino Superior? O que a lei apresenta?
No Título V, Capítulo IV – Da Educação Superior –, o art. 52 salienta apenas que as instituições de Ensino Superior (IES) deverão ter “II - um terço do corpo docente, pelo menos, com titulação acadêmica de mestrado ou doutorado; III - um terço do corpo docente em regime de tempo integral” (Brandão, 2010).
Percebemos que não há uma menção quanto à importância de uma formação pedagógica para o professor atuar nesse nível de ensino, somente quanto ao percentual de mestres e/ou doutores que a IES precisa ter para ser reconhecida. Ainda na LBDEN: “Art. 66. A preparação para o exercício do magistério superior far-se-á em nível de pós-graduação, prioritariamente em programas de mestrado e doutorado” (Brandão, 2010, grifos nossos).
O fato de um professor ter titulação de mestre e/ou doutor nem sempre indica que ele refletiu sobre o processo de ensinar e aprender enquanto cursava a pós-graduação, até porque a maioria dos programas de pós-graduação stricto sensu no Brasil não oferece uma disciplina voltada para a formação pedagógica. Formam-se, na maioria das vezes, pesquisadores, não professores que saberão compreender a complexidade de uma sala de aula, o que é um problema muito sério e que deveria ser revisto nesses programas. É preciso ser um professor pesquisador como apontado por Freire (2019, p. 29):
[…] Enquanto ensino continuo buscando, reprocurando. Ensino porque busco, porque indaguei, porque indago e me indago. Pesquiso para constatar, constatando, intervenho, intervindo educo e me educo. Pesquiso para conhecer o que ainda não conheço e comunicar ou anunciar a novidade.
Essa postura de professor pesquisador exige a investigação, a inquietude epistemológica e a compreensão do que é ensinar e aprender.
Inquietude epistemológica: A epistemologia é a ciência que estuda a teoria do conhecimento. A inquietude epistemológica é uma busca pelo conhecimento, e está associada ao perfil do professor pesquisador. Fonte: elaborado pela autora (2024).
Alguns estudos apontam que, no Ensino Superior, até por esse descuido legal, ocorre a admissão de professores com formação, ao nível de pós-graduação, específica da área de atuação, desconsiderando a sua formação pedagógica. Para ilustrar, tomemos como exemplo um advogado bacharel em Direito e, por ter cursado um bacharelado, não teve nenhuma disciplina pedagógica em sua formação. Depois, fez mestrado e/ou doutorado também em Direito, tendo uma ótima formação específica na sua área. Se vier a ministrar aulas no Ensino Superior, até porque a titulação o permite, esse professor pode nunca ter refletido sobre como devemos ensinar ou como os alunos aprendem.
Para ser professor no Ensino Superior, é necessária a formação específica,mas a formação pedagógica é fundamental. Quando um professor não a teve em seus cursos de graduação e/ou pós-graduação, ela pode ser oferecida pelas IES em cursos de capacitação, reuniões em que se discutirão questões relacionadas ao ensinar e ao aprender.
Saiba mais: Para saber mais sobre a formação pedagógica do professor universitário, recomendamos a leitura complementar a seguir: scielo.br.
A não exigência legal da formação pedagógica dos docentes nas IES pode gerar sérias consequências no processo de ensino-aprendizagem, porque dar aula não é simplesmente entrar em sala de aula e despejar um conteúdo aos alunos.
Um professor do Ensino Superior sem a formação pedagógica acaba tendo dificuldade em compreender a complexidade do processo de ensino-aprendizagem, o papel que ele exerce nesse processo e o ato político implícito no ato de ensinar. É necessária uma consciência do papel político que há em sala de aula.
O professor, ao entrar em sala de aula para ensinar uma disciplina, não deixa de ser um cidadão, alguém que faz parte de um povo, de uma nação, que se encontra em um processo histórico e dialético, que participa da construção da vida e da história do seu povo. […] E isso não se desprega de sua pele no instante em que ele entra em sala de aula (Masetto, 2002, p. 23).
Muitas vezes, esse professor sem formação pedagógica acabará ministrando suas aulas nos modelos dos mestres que teve enquanto foi aluno na graduação e/ou na pós-graduação. Esses modelos copiados podem, muitas vezes, estar equivocados e ser questionados. Enquanto ministra aulas, um professor deve refletir sobre o que é ensinar e como os alunos aprendem, estar aberto e repensar seus posicionamentos.
Parafraseando Freire (1994), que aos 74 anos dizia que, até aquele momento, quando entrava em sala de aula, aprendia a dar aula, podemos começar a perceber o quanto nos tornamos professores e devemos procurar compreender, por exemplo, aquele aluno que chegou atrasado para o início da aula ou que não conseguiu trazer o trabalho solicitado para aquele dia por ter passado as noites com o filho hospitalizado.
Recapitulando
Este conteúdo apresentou a necessidade de o professor estar em constante processo de formação para conseguir exercer sua função pedagógica, tornando o processo de ensino-aprendizagem eficaz e atingindo os objetivos de uma educação crítica, humana e democrática.
https://www.youtube.com/watch?v=4M69rga5ENo
image1.png
image2.png
image3.png

Mais conteúdos dessa disciplina