Logo Passei Direto
Buscar
Material
páginas com resultados encontrados.
páginas com resultados encontrados.

Prévia do material em texto

Introdução às boas práticas
laboratoriais
Serão abordados conceitos básicos de boas práticas laboratoriais, englobando biossegurança, sistemas
de tratamento de água em laboratórios clínicos, descontaminação laboratorial e descartes de resíduos, de
modo a garantir a confiabilidade dos resultados laboratoriais.
Profa. Patrícia de Castro Moreira Dias, Prof. Daniel Clemente de Moraes
1. Itens iniciais
Objetivos
Descrever os conceitos básicos de boas práticas aplicados aos laboratórios clínicos.
Identificar as técnicas de purificação de água e a descontaminação de acordo com as boas práticas de 
laboratório.
Introdução
O estudante que escolhe a área de saúde como profissão precisa compreender logo de início que, mais cedo
ou mais tarde, ele estará dentro de um laboratório, seja este voltado para o ensino, para a pesquisa ou para as
práticas laboratoriais. E os laboratórios podem ser considerados áreas de trabalho complexas, uma vez que
convivem ali os mais diferentes tipos de artefatos, desde pessoas a equipamentos, reagentes, solventes,
vidrarias, microrganismos e documentos. Dessa forma, é preciso garantir a segurança de todos no dia a dia de
trabalho, evitando os riscos de acidentes e contaminação com agentes biológicos e químicos. Esses cuidados
são conhecidos como boas práticas laboratoriais (BPL) e se aplicam a todos os tipos de laboratórios –
químicos, biológicos, físicos e clínicos.
Neste tema, abordaremos as boas práticas de laboratórios clínicos voltadas mais especificamente aos
laboratórios de análises clínicas. Nesse contexto, é necessário observar as interações que contribuem para o
sistema, tais como fatores humanos, ambientais, tecnológicos, educacionais e normativos. Geralmente, isso
tudo está associado a um conceito mais abrangente relacionado à biossegurança em laboratórios clínicos.
Assim, as BPL caminham com a biossegurança em laboratórios clínicos.
Para compreendermos melhor esses conceitos, abordaremos as instalações físicas de um laboratório clínico,
suas acomodações e infraestrutura, as condutas e as contenções laboratoriais. Conheceremos os processos
de desinfecção e esterilização e os sistemas de tratamento de água utilizados na prática analítica e clínica.
Falaremos ainda sobre os tipos de riscos químicos e biológicos e o descarte de resíduos gerados pelos
laboratórios. Por fim, conheceremos a legislação e as regulamentações que abrangem as atividades
laboratoriais no Brasil.
• 
• 
1. Conceitos básicos de boas práticas laboratoriais
Biossegurança em laboratório clínico
Introdução às boas práticas laboratoriais (BPL)
As boas práticas de laboratório são definidas pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA) como
um:
Sistema da qualidade relativo à organização e às condições sob as quais os estudos em laboratório e no
campo são planejados, realizados, monitorados, registrados, relatados e arquivados. 
(Anvisa, 2001)
Esse conceito abrange todos os tipos de laboratórios de forma geral sem focar em nenhum tipo específico,
contemplando os produtos para a saúde humana, vegetal, animal e ao meio ambiente, como nos seguintes
casos:
Testes de produtos químicos, biológicos ou biotecnológicos para obtenção de propriedades físicas,
químicas e físico-químicas.
Concessão, renovação ou modificação de registro e pesquisa de produtos químicos, biológicos ou
biotecnológicos, tais como produtos farmacêuticos, correlatos, agrotóxicos e afins; produtos
veterinários; cosméticos; aditivos de alimentos e rações e produtos químicos industriais.
De forma resumida, portanto, podemos observar o seguinte:
Definição
Boas práticas de laboratório são o conjunto de normas que dizem respeito à organização e às
condições sob as quais estudos em laboratórios e/ou campo são planejados, realizados, monitorados,
registrados e relatados.
Princípios
As BPL fixam os padrões mínimos para um laboratório funcionar adequadamente visando o homem/
vegetais/animais e o meio ambiente.
Abrangência
Os princípios das BPL são aplicáveis a estudos relacionados à saúde humana, vegetal, animal e ao
meio ambiente, nos casos previstos nas respectivas normas.
Infraestrutura laboratorial
• 
• 
Profissionais em um laboratório.
Para garantir a segurança dos laboratórios é necessário o planejamento adequado de toda a sua área com as
regulamentações específicas e com o nível de biossegurança exigido para cada tipo de laboratório, de acordo
com os diferentes níveis de riscos existentes.
Atualmente, no Brasil, a legislação que
regulamenta esse setor é a RDC nº 50 de 21 de
fevereiro de 2002, que dispõe sobre o
regulamento técnico para planejamento,
programação, elaboração e avaliação de
projetos físicos de estabelecimentos
assistenciais de saúde. O layout de um
laboratório pode também ser considerado um
tipo de contenção laboratorial conhecida como
barreira secundária.
Os níveis de riscos em biossegurança são
estabelecidos de acordo com o agente
patológico de maior classe de risco envolvido, e
as características físicas, estruturais e de
contenção de um laboratório estão
relacionadas justamente ao nível de risco que será manipulado naquele local.
De acordo com a legislação atual, os níveis de biossegurança estão classificados em quatro grupos e os
projetos de laboratórios podem ser planejados segundo esta classificação de risco, como veremos a seguir
(Brasil, 2002):
Nível 1 de biossegurança (NB-1)
É o nível de risco mais baixo para o indivíduo e a comunidade, no qual podem ser manipulados agentes
biológicos conhecidos por não causarem doenças no homem ou nos animais adultos sadios, como: 
Lactobacillus spp. e Bacillus subtilis.
Laboratório NB-1
Todo o laboratório deve apresentar a identificação do seu nível de segurança e dos agentes biológicos
respectivos.
Risco biológico
Observe a imagem a seguir:
Risco biológico.
Em relação à avaliação de risco, devemos descriminar os seguintes pontos:
Organismo
Classe de Risco
• 
• 
Pesquisador responsável
Telefone para contato
Precisamos observar que é proibida a entrada de pessoas não autorizadas, com acesso controlado e
separação do acesso ao público. As paredes, pisos e tetos devem ser impermeáveis e resistentes à
desinfecção. A autoclave deve estar próxima do laboratório e ter local para armazenar os equipamentos de
proteção individual (EPI) de uso exclusivo do laboratório, como podemos observar na próxima imagem:
Layout de laboratório NB-1.
Analisando a imagem sobre laboratório NB-1, observamos que esse tipo de laboratório possui controle de
acesso, pia para lavar as mãos, mapa de risco, equipamentos de proteção individual, bancadas impermeáveis
e autoclave.
Nível 2 de biossegurança (NB-2)
É o nível de risco moderado para o indivíduo e limitado para a comunidade, no qual podem ser manipulados os
agentes biológicos que provocam infecções no homem ou nos animais, de forma limitada e para os quais
existem medidas profiláticas e terapêuticas conhecidas, como, por exemplo: Schistosoma mansoni e o vírus
da rubéola.
Laboratório NB-2
Esse laboratório deve apresentar todos os critérios recomendados nos laboratórios NB-1 e, além da pia,
lavatório próxima à entrada do laboratório com acionamento sem uso das mãos; sistema central de ventilação
com janelas vedadas; sistema de geração de emergência elétrica; antecâmara e cabine de segurança
biológica. Mais adiante, compreenderemos melhor o uso desses equipamentos na imagem a seguir:
Layout de laboratório NB-2.
A seguir, conheceremos outros níveis de biossegurança. Vamos lá!
Nível 3 de biossegurança (NB-3)
É o nível de risco alto para o indivíduo e moderado para a comunidade, no qual podem ser manipulados os
agentes biológicos que possuem capacidade de transmissão, em especial por via respiratória, e que causam
doenças em humanos ou animais potencialmente letais, para as quais existem usualmente medidas
profiláticas e terapêuticas. Representam risco se disseminados na comunidade e no meio ambiente, podendo
se propagar de pessoa a pessoa, como por exemplo: Bacillus anthracis e vírus da imunodeficiênciauma série de efeitos adversos, causando irritação severa
do trato respiratório.
Formaldeído
Ainda nos dias atuais o formaldeído pode ser utilizado em áreas (cabines de segurança biológica) e
superfícies de laboratórios para o processo de desinfecção por meio do método da fumigação, apesar
de sua alta toxicidade. Ele possui atividade para bactérias Gram-positivas e Gram-negativas, fungos e
vírus. Devido à sua alta toxicidade, o operador deverá utilizar EPI com proteção ocular, máscara de
gás com filtro adequado e manter os devidos cuidados para o trato respiratório.
Compostos quaternários de amônio
Recentemente, esta classe de agentes desinfetantes tem sido bastante difundida devido à sua baixa
toxicidade. Essa substância foi amplamente empregada na descontaminação de superfícies e
ambientes, como pontos de ônibus e ambientes das comunidades, durante a pandemia do
coronavírus.
Apesar disso, é necessário avaliar as concentrações de uso e eficácia desses agentes a fim de
garantir a eficácia do processo de desinfecção.
Exemplo de desinfetante: Cloreto de cetil trimetil amônio.
Descontaminação de material, pessoal e do laboratório
O vídeo vai explicar as etapas de descontaminação, que dependem do nível de contaminação, os agentes
germicidas que agem sob as bactérias e os principais desinfetantes utilizados no processo de
descontaminação dos laboratórios, ou seja, vai abordar o uso de agentes químicos. 
Conteúdo interativo
Acesse a versão digital para assistir ao vídeo.
Atividade 3
Com base no que aprendeu até aqui, por que é importante seguir as instruções de diluição e o tempo de
contato recomendados ao usar agentes químicos para descontaminação?
A
Para garantir que as superfícies não fiquem danificadas.
B
Para maximizar a eficácia do agente químico contra os microrganismos.
C
Para evitar reações alérgicas nos usuários.
D
Para reduzir o custo operacional.
E
Para minimizar a produção de resíduos tóxicos.
A alternativa B está correta.
A diluição correta garante que a concentração do agente seja ideal para eliminar os microrganismos,
enquanto o tempo de contato adequado permite que o agente tenha ação suficiente para atingir esse
objetivo. Assim, seguir essas instruções é essencial para garantir resultados eficazes na descontaminação
das superfícies.
Desinfecção por agentes físicos
Conforme citado anteriormente, os processos de desinfecção podem ser realizados por meios físicos,
utilizando-se basicamente o calor. Dentre essas técnicas, destacam-se:
Pasteurização
É muito utilizada para alimentos como leite e sucos de frutas, porém, mais especificamente, para
produtos suscetíveis a altas temperaturas. Foi desenvolvida pelo cientista Louis Pasteur em 1864 e
consiste em aquecer os produtos a 60°C por um determinado tempo e depois resfriá-los. Dessa
forma, reduz-se o número de microrganismos presentes evitando a deterioração do produto.
Tindalização
É um tipo de esterilização fracionada na qual é aplicado vapor d’água contínuo (entre 60°C e 90°C)
durante 30 a 60 minutos, repetidas vezes, resfriando-se entre cada aquecimento. O número de
operações varia de 3 a 12 ciclos dependendo do grau de contaminação. Durante o período de
resfriamento (cerca de 24 horas), as formas esporuladas passam novamente às formas vegetativas e
podem ser eliminadas quando submetidas ao vapor contínuo mais uma vez. Esse processo é muito
utilizado na indústria de alimentos e na indústria farmacêutica em produtos sensíveis à temperatura.
Esterilização
A esterilização é um processo de eliminação de todas as formas de microrganismos, incluindo as esporuladas.
Dessa forma, este processo promove a eliminação completa de todos os microrganismos em um determinado
material, superfície ou ambiente. É possível afirmarmos que geralmente os processos de esterilização utilizam
métodos físicos, e os de desinfecção, métodos químicos. Entretanto, isso não necessariamente é uma regra,
já que os métodos químicos também podem ser utilizados para o processo de esterilização, principalmente os
gasosos.
Os métodos de esterilização podem ser classificados em 3 tipos:
Processos físicos
Calor e radiação.
Processos mecânicos
Filtração.
Processos químicos
Agentes bactericidas.
Dentre os métodos mais utilizados para a esterilização em laboratórios estão os métodos físicos, que podem
ser por calor seco ou úmido, ou ainda por irradiações.
Calor seco
Esta técnica pode ser dividida em flambagem e circulação de ar quente.
Flambagem ou incineração
Muito utilizada em laboratórios para eliminar microrganismos por calor direto, utilizando-se a alça
bacteriológica e o bico de Bunsen. Quando a alça estiver totalmente incandescente, é sinal de que
ocorreu a esterilização.
Estufas de esterilização ou forno de pasteur
Utilizada geralmente para materiais que não suportam calor úmido e que são resistentes a altas
temperaturas, tais como o aço, o vidro e os pós (termorresistentes, óleos e gorduras). As estufas de
ar circulante são as mais utilizadas, apresentando temperaturas que variam de 160°C a 250°C.
Calor úmido
Este processo consiste em submeter os produtos ao contato com calor úmido e à alta pressão, utilizando-se
uma autoclave. É considerado o método de esterilização mais eficiente e deve ser sempre o de primeira
escolha.
Esquema de Autoclave.
Conforme ocorre um aumento da pressão, maior será o ponto de ebulição da água. Observe a seguir:
0,5 atm............... 110°C
1 atm ................. 121°C
1,5 atm .............. 127°C
É possível esterilizar os mais diversos tipos de materiais como borracha, látex, ampolas cheias, meios de
cultura, roupas e equipamentos diversos. Para controlar e garantir a eficácia do processo de esterilização, é
possível utilizar-se de indicadores químicos e biológicos durante a autoclavação, como as fitas ou etiquetas
adesivas e o Bacillus stearothermophilus.
Irradiação
Ainda dentro dos processos de esterilização por métodos físicos, a irradiação é uma alternativa aos processos
que utilizam calor.
Existem dois tipos de irradiação: as ionizantes, que utilizam comprimentos de onda mais curtos e de maior
energia (como os raios gama, por exemplo), e as não ionizantes (como a radiação ultravioleta).
Raios gama
É um tipo de radiação ionizante que pode ser utilizada para a esterilização de grandes lotes de
produtos, tais como seringas, agulhas, luvas, cateteres etc. Elimina os microrganismos sem aumento
de temperatura. Ainda representa alto custo para as empresas.
• 
• 
• 
Raios uv
É um tipo de radiação não ionizante e que, apesar do seu baixo poder de penetração, é muito
eficiente em processos de purificação de água, no âmbito hospitalar e nas câmaras de segurança
biológica como lâmpadas UV, auxiliando no processo de esterilização após a desinfecção das
superfícies. Deve-se tomar cuidado, pois pode causar danos aos olhos e à pele.
Filtração
É um processo mecânico de esterilização que depende do tipo de material filtrante utilizado. Para filtrações
esterilizantes é necessário que as membranas filtrantes apresentem tamanho de poro de 0,22µm.
Comentário
Esse método pode ser utilizado para esterilizar pequenos volumes, quando é conhecido como
microfiltração, mas é mais comum ser usado para a filtração do ar em ambientes estéreis, utilizando os
filtros HEPA, como nas câmaras de segurança biológica. 
Conforme visto anteriormente, os agentes químicos geralmente são mais utilizados para os processos de
desinfecção. Entretanto, os agentes químicos gasosos como o óxido de etileno também podem ser usados
como método de esterilização. Isso se deve ao seu alto poder de penetração e ação esporicida. Ainda assim,
seu uso é bastante restrito por se tratar de gás explosivo e de alto custo de processo.
Diversos métodos químicos e físicos podem ser utilizados para redução da carga microbiana em objetos e
superfícies. Imagine que a direção de um laboratório de análises clínicas consultou você para escolher os
melhores métodos de descontaminação a serem utilizados no laboratório. Para cada item abaixo,sugira um
método de descontaminação apropriado.
1 - Água destilada
Filtração
2 - Mãos
Sabão
3 - Bancada de trabalho
Álcool 70%
4 - Meios de cultura
Autoclavação ou filtração
Desinfecção por meios físicos
O vídeo vai explicar e demonstrar como funciona a desinfecção por meios físicos, utilizando o calor e a
radiação, explicar a pasteurização e a tindalização. Vai demonstrar flambagem, circulação de ar quente em
estufas, fornos de Pasteur, mencionar e mostrar brevemente a autoclave e demonstrar uso de raios UV. 
Conteúdo interativo
Acesse a versão digital para assistir ao vídeo.
Atividade 4
Interessante o que aprendemos sobre a desinfecção de laboratórios por agentes físicos, não é? Agora reflita e
responda qual é mesmo o principal mecanismo pelo qual uma autoclave esteriliza materiais?
A
Radiação ultravioleta
B
Filtração por membrana
C
Desidratação
D
Calor úmido sob pressão
E
Eletroquímica
A alternativa D está correta.
Autoclaves utilizam vapor de água aquecido a alta temperatura e pressão para esterilizar materiais. Esse
calor úmido é altamente eficaz na eliminação de microrganismos, incluindo bactérias, vírus e esporos,
tornando o processo de autoclavagem um dos métodos mais confiáveis para esterilização em ambientes
médicos, laboratoriais e industriais.
Descarte de resíduos
Recipientes de lixo com símbolo de risco biológico.
As atividades de rotina dos laboratórios clínicos
geram diferentes tipos de resíduos que devem
ser armazenados e descartados de acordo com
a legislação vigente. Atualmente, a legislação
que regulamenta e classifica os tipos de
resíduos é a RDC nº 222/2018 da Agência
Nacional de Vigilância Sanitária. Os grupos de
resíduos de saúde podem ser classificados da
seguinte maneira:
Com exceção do grupo C, a maioria dos
laboratórios clínicos apresentam resíduos
pertencentes a todos os outros grupos. Uma
vez que os resíduos do grupo D não
apresentam riscos à saúde e podem ser equiparados aos resíduos domiciliares, devemos focar, portanto, nos
grupos A, B e E.
Grupo A
Resíduos com a possível presença de agentes biológicos que, por suas características, podem
apresentar risco de infecção (A1, A2, A3, A4, A5).
Grupo B
Resíduos contendo produtos químicos que apresentam periculosidade à saúde pública ou ao meio
ambiente, dependendo de suas características de inflamabilidade, corrosividade, reatividade,
toxicidade, carcinogenicidade, teratogenicidade, mutagenicidade e quantidade.
Grupo C
Qualquer material que contenha radionuclídeo em quantidade superior aos níveis de dispensa
especificados em norma da Comissão Nacional de Energia Nuclear (CNEN) e para os quais a
reutilização é imprópria ou não prevista.
Grupo D
Resíduos que não apresentam risco biológico, químico ou radiológico à saúde ou ao meio ambiente,
podendo ser equiparados aos resíduos domiciliares.
Grupo E
Materiais perfurocortantes ou escarificantes, tais como lâminas de barbear, agulhas, escalpes,
ampolas de vidro, brocas, limas endodônticas, pontas diamantadas, lâminas de bisturi, lancetas tubos
capilares, ponteiras de micropipetas, lâminas e lamínulas, espátulas, todos os utensílios de vidro
quebrados no laboratório (pipetas, tubos de coleta sanguínea e placas de Petri) e outros similares.
Com exceção do grupo C, a maioria dos laboratórios clínicos apresentam resíduos pertencentes a todos os
outros grupos. Uma vez que os resíduos do grupo D não apresentam riscos à saúde e podem ser equiparados
aos resíduos domiciliares, devemos focar, portanto, nos grupos A, B e E.
Grupo A
O grupo A ainda é subdivido em A1, A2, A3, A4 e A5. Neste grupo, destacam-se os subtipos A1 e A4. O
descarte de resíduos do grupo A1 deve sofrer tratamento prévio para a redução e eliminação da carga
microbiana e, ainda no caso de materiais de Nível III, inativação total da carga microbiana. Os Resíduos de
Serviços de Saúde (RSS) do grupo A4 não necessitam de tratamento prévio e devem ser embalados em saco
branco leitoso devidamente identificado para descarte final em ambiente adequado.
Segundo a RDC n° 222/2018, alguns exemplos de RSS do grupo A4:
Recipientes e materiais resultantes do processo de assistência à saúde, que não contenha sangue ou
líquidos corpóreos na forma livre;
Cadáveres, carcaças, peças anatômicas, vísceras e outros resíduos provenientes de animais não
submetidos a processos de experimentação com inoculação de microrganismos.
Bolsas transfusionais vazias ou com volume residual pós-transfusão.
Sobras de amostras de laboratório e seus recipientes contendo fezes, urina e secreções, provenientes
de pacientes que não contenham e nem sejam suspeitos de conter agentes classe de risco 4, e nem
apresentem relevância epidemiológica e risco de disseminação, ou microrganismo causador de doença
emergente que se torne epidemiologicamente importante ou cujo mecanismo de transmissão seja
desconhecido ou com suspeita de contaminação com príons.
Agora confira os dois últimos grupos que devemos nos atentar. 
Grupo B
Para o descarte dos RSS do grupo B é necessário avaliar a periculosidade das substâncias presentes de
acordo com as respectivas FISPQs (Ficha de informações de segurança de produtos químicos), respeitando
suas características de inflamabilidade, corrosividade, reatividade e toxicidade. Esses resíduos devem ser
previamente tratados de acordo com as suas características químicas e é proibido o encaminhamento de RSS
na forma líquida para disposição final em aterros sanitários.
Grupo E
Os materiais perfurocortantes do grupo E devem ser descartados em recipientes identificados, rígidos,
providos com tampa, resistentes à punctura, ruptura e vazamento. O recipiente de acondicionamento deve
conter a identificação de todos os riscos presentes. As seringas e agulhas devem passar por tratamento
prévio antes do descarte final.
Gestão de resíduos
O vídeo vai abordar o descarte e a gestão de resíduos, contextualizando com estudo de caso sobre gestão de
resíduos, focando nos grupos principais para laboratórios clínicos, grupos A, B e E. 
Conteúdo interativo
Acesse a versão digital para assistir ao vídeo.
Atividade 5
Por que você acha que o descarte correto de resíduos de serviços de saúde é de extrema importância?
A
Para reduzir os custos operacionais dos serviços de saúde.
B
Para evitar a contaminação do meio ambiente e proteger a saúde pública.
• 
• 
• 
• 
C
Para criar empregos na área de gestão de resíduos.
D
Para maximizar a eficiência energética dos sistemas de tratamento de resíduos.
E
Para garantir a segurança dos funcionários dos serviços de saúde.
A alternativa B está correta.
O descarte inadequado de resíduos de serviços de saúde pode resultar na disseminação de patógenos,
produtos químicos e materiais biológicos perigosos para o meio ambiente e para as comunidades
circundantes. O descarte correto é essencial para prevenir riscos à saúde pública, proteger ecossistemas e
garantir um ambiente seguro para todos.
Aplicando o conhecimento
Numa cidade de médio porte, a clínica Amanhecer, especializada em serviços de saúde diversos, incluindo
tratamentos médicos e odontológicos, enfrenta um desafio crescente: o manejo adequado de seus resíduos
de serviço de saúde (RSS). Diariamente, a clínica gera diferentes tipos de resíduos, incluindo materiais
perfurocortantes, resíduos químicos de exames laboratoriais e medicamentos vencidos ou parcialmente
utilizados. A falta de um plano eficaz de gestão desses resíduos começou a levantar preocupações sobre os
riscos ambientais e de saúde pública associados ao descarte inadequado.
Para resolver essa questão, a administração da clínica Amanhecer decidiu implementar um programa de
gestão de resíduos que inclui a segregação na fonte, acondicionamento seguro, transporte, tratamento e
disposição final ambientalmente adequada dos RSS. A segregação na fonte exige que os funcionários da
clínica classifiquem os resíduos no ponto de geração, separando-os conforme suas características e riscos
associados. Materiais perfurocortantes, por exemplo,Máscaras e protetores faciais
	Protetores faciais ou face shields
	Máscaras de proteção
	Máscaras de proteção respiratória
	Luvas
	Luvas de proteção para o manuseio de material biológico
	Luvas de proteção ao frio e calor
	Luvas de proteção para o manuseio de produtos químicos
	Toucas ou gorros
	Protetores oculares e protetores auriculares
	Óculos de proteção
	Protetores auriculares
	Propés
	Calçados de segurança
	Equipamentos de Proteção Coletiva (EPC)
	Atenção
	Chuveiro de emergência
	Lava-olhos
	Atividade 4
	Aplicando o conhecimento
	Gestão de riscos em laboratório
	Conteúdo interativo
	2. Água laboratorial e processos de descontaminação
	Água no laboratório clínico e sistemas de filtração
	Sistemas de purificação de água
	Contaminantes da água
	Atenção
	Tipos de água para uso laboratorial
	Pré-filtração
	Filtração por adsorção por carvão vegetal ativado
	Ultrafiltração
	Microfiltração
	A água na prática laboratorial
	Conteúdo interativo
	Atividade 1
	Osmose reversa, destilação, deionização, abrandadores e radiação UV
	Osmose reversa
	Relembrando
	Destilação
	Deionização
	Tratamento com abrandadores (softeners)
	Radiação ultravioleta
	185 nm + 254 nm
	254 nm
	Osmose reversa, abrandadores e radiação UV
	Conteúdo interativo
	Teoria na prática
	1 - Osmose reversa
	2 - Filtração em carvão ativado
	3 - Lâmpada ultravioleta
	Atividade 2
	Descontaminação de laboratórios e uso de agentes químicos
	Atenção
	Limpeza
	Desinfecção
	Álcoois
	Compostos á base de cloro
	Formaldeído
	Compostos quaternários de amônio
	Descontaminação de material, pessoal e do laboratório
	Conteúdo interativo
	Atividade 3
	Desinfecção por agentes físicos
	Pasteurização
	Tindalização
	Esterilização
	Processos físicos
	Processos mecânicos
	Processos químicos
	Calor seco
	Flambagem ou incineração
	Estufas de esterilização ou forno de pasteur
	Calor úmido
	Irradiação
	Raios gama
	Raios uv
	Filtração
	Comentário
	1 - Água destilada
	2 - Mãos
	3 - Bancada de trabalho
	4 - Meios de cultura
	Desinfecção por meios físicos
	Conteúdo interativo
	Atividade 4
	Descarte de resíduos
	Grupo A
	Grupo B
	Grupo C
	Grupo D
	Grupo E
	Grupo A
	Grupo B
	Grupo E
	Gestão de resíduos
	Conteúdo interativo
	Atividade 5
	Aplicando o conhecimento
	3. Conclusão
	Considerações finais
	Explore +
	Referênciashumana
(HIV).
Laboratório NB-3
• 
• 
Local em que são manipulados agentes biológicos patogênicos que podem causar danos à saúde humana, à
saúde animal e ao meio ambiente. Esse tipo de laboratório pode ser designado para análises clínicas,
laboratórios universitários ou de pesquisa. A equipe de trabalho desse tipo de laboratório deve usar os
equipamentos de proteção individual (EPI) específicos para essas atividades e deve passar por treinamentos
periódicos sob a supervisão de profissional qualificado como podemos ver na imagem a seguir:
Layout de laboratório NB-3.
Ao analisar a imagem de um laboratório NB-3, constatamos que esse tipo de instalação possui acesso ao
laboratório com porta dupla com fechamento automático, controle de acesso, chuveiro, mapa de riscos, pia
para lavar as mãos, tubulação selada, cabine de segurança biológica, equipamentos de proteção individual
(máscaras com filtro HEPA), bancada, autoclave (deve estar próximo ao laboratório), exaustão com filtro HEPA
e descontaminação dos efluentes.
Nível 4 de biossegurança (NB-4)
É o nível de risco mais alto, tanto para o indivíduo como para a comunidade, no qual podem ser manipulados
os agentes biológicos com alto poder de transmissibilidade, em geral a via respiratória, ou de transmissão
desconhecida. Não costumam existir medidas profiláticas ou terapêuticas eficazes contra essas infecções.
Exemplos: o vírus Ebola e o da varíola.
Laboratório NB-4
Este é o laboratório mais complexo que trata de agentes patológicos de alto risco de contágio, podendo
causar a morte. Nesses laboratórios, há o maior nível de contenção, no qual requer, além dos requisitos físicos
e operacionais dos níveis 1, 2 e 3, barreiras de contenção (instalações, desenho e equipamentos de
procedimentos especiais de segurança). Esse laboratório deve ser separado ou estar em uma zona isolada de
outros prédios, com porta dupla de entrada, escoamento interno do ar unidirecional, sistemas aperfeiçoados
para suprimento, exaustão do ar, formação de vácuo e descontaminação. A antessala deve ter a entrada
fechada, com pisos, paredes e tetos vedados de forma a se obter espaço lacrado. Os profissionais devem
trabalhar com equipamentos de proteção pressurizados e devem ter no laboratório sempre dois funcionários
trabalhando como podemos observar na imagem a seguir:
Layout de laboratório NB-4.
O que são as BPL e os níveis de biossegurança
Este vídeo aborda a definição das boas práticas laboratoriais segundo a Anvisa e os diferentes níveis de
biossegurança, descrevendo as diferenças entre cada um dos quatro níveis quanto à infraestrutura e os
agentes biológicos manipulados.
Conteúdo interativo
Acesse a versão digital para assistir ao vídeo.
Atividade 1
Questão 1
Os níveis de biossegurança (NB) são classificações que refletem o grau de risco associado ao manuseio de
microrganismos e outros agentes biológicos. Esses níveis determinam as medidas de segurança necessárias
para proteger os trabalhadores de laboratório e o meio ambiente.
 
Reflita sobre o que aprendeu até aqui e indique qual das seguintes afirmações melhor descreve a progressão
dos níveis de biossegurança de NB1 a NB4.
A
NB1 é o nível mais alto, requerendo instalações de contenção máxima, enquanto NB4 é o nível mais baixo,
aplicável a agentes que não causam doenças em humanos adultos saudáveis.
B
Todos os níveis de biossegurança requerem as mesmas medidas de segurança, variando apenas o tipo de
agente manipulado.
C
À medida que o nível de biossegurança aumenta, de NB1 para NB4, diminui-se a necessidade de equipamento
de proteção individual, devido à maior eficácia das cabines de segurança biológica.
D
NB1 aplica-se a agentes que são conhecidos por não causarem doenças em humanos adultos saudáveis,
enquanto NB4 aplica-se a agentes que representam um alto risco de transmissão por via aérea e causam
doenças graves ou potencialmente letais.
E
A principal diferença entre NB2 e NB3 é que NB2 permite o trabalho com agentes biológicos em espaços
abertos, enquanto NB3 exige a realização de todos os procedimentos em ambientes externos ao laboratório.
A alternativa D está correta.
Funcionários do laboratório utilizando os equipamentos.
A diferença entre os níveis de biossegurança (NB) está na natureza progressiva e na finalidade específica
de cada nível, refletindo o grau de risco associado e as medidas de segurança necessárias para manipular
diferentes tipos de agentes biológicos. Cada aumento no nível de biossegurança traz consigo uma maior
complexidade nas medidas de segurança e no design das instalações, refletindo diretamente o aumento do
risco associado aos agentes manipulados.
Equipamentos, materiais e reagentes
Equipamentos
Todo laboratório, para ter um bom
funcionamento, necessita de uma série de
equipamentos, os quais devem ser instalados
em locais seguros, com os devidos cuidados
em sua rede elétrica, livres de vibrações,
correntes de ar, incidência de luz solar,
umidade e calor.
Para que os equipamentos funcionem
corretamente, é necessário seguir as
recomendações dos fabricantes, elaborar o
procedimento operacional padrão (POP), seguir
o plano de validação, qualificação, calibração e
manutenção.
É recomendado também um plano de
manutenção preventiva para os equipamentos científicos de uso rotineiro, a fim de se garantir uma maior vida
útil deles, segundo Molinaro (2009).
Dentre os muitos tipos de equipamentos necessários para um laboratório clínico, destacaremos aqui as
capelas de exaustão e as câmaras de segurança. Acompanhe!
Capelas de exaustão
As capelas de exaustão são, na verdade, consideradas equipamentos de proteção coletiva (EPC) dentro de
um laboratório e, portanto, são praticamente de uso obrigatório.
Capelas de exaustão.
É recomendado também um plano de manutenção preventiva para os equipamentos científicos de uso
rotineiro, a fim de se garantir uma maior vida útil deles, segundo Molinaro (2009).
Dentre os muitos tipos de equipamentos necessários para um laboratório clínico, destacaremos aqui as
capelas de exaustão e as câmaras de segurança. Acompanhe!
Cabine de fluxo laminar.
Câmaras de segurança biológica e fluxos laminares
Muito parecidos com as capelas de exaustão, as câmaras de segurança biológica e os fluxos laminares são
utilizados para a manipulação de agentes biológicos, meios de cultura e diluentes que necessitem de um
ambiente estéril.
Muitas vezes, é difícil para o estudante diferenciar uma capela de um fluxo laminar olhando-os rapidamente ou
a certa distância. A grande diferença entre eles é justamente a capacidade que os fluxos laminares possuem
de produzir um ambiente estéril, protegendo o operador e o produto manipulado da contaminação biológica.
Essas cabines de fluxo laminar utilizam filtros
absolutos ou HEPA, considerados filtros de alta
eficiência.
Os filtros HEPA, cuja palavra origina-se do
inglês (High Efficiency Particulate Arrestance).
O filtro HEPA retém 99.97% das partículas de
0.3 µm de diâmetro e 99.99% das partículas
maiores ou mais pequenas.
Existem basicamente dois tipos de cabines de
fluxo laminar:
Já as câmaras de segurança biológica (ou cabines de segurança biológica) são equipamentos mais completos
e garantem a proteção do operador, do produto e do meio ambiente.
Isso ocorre porque esse tipo de equipamento funciona com pressão negativa, evitando a saída do ar para o
meio ambiente.
As cabines de segurança biológica são classificadas em três tipos:
Classe I
Esta é a menos utilizada, pois funciona basicamente como uma capela de exaustão, protegendo
apenas o operador e o ambiente, mas não protegendo o produto. Utiliza um filtro HEPA para proteger
o meio ambiente. Ela é utilizada para a manipulação de produtos químicos voláteis.
Fluxo vertical 
Tipo de cabine que tende a apresentar maior
eficiência de proteção tanto ao operador
quanto ao produto manipulado. Geralmente,
ocorre 100% de recirculação do ar. 
Fluxo horizontal 
Tipo de cabine na qual ocorre apenas a
proteção do produto manipulado e só
deve ser utilizadacom materiais que
não tragam risco de contaminação para
o operador. Geralmente, ocorre 100% de
renovação do ar. 
Recomendações para equipamentos, materiais e
reagentes
Classe II
Esta é a classe mais utilizada, apresentando várias subdivisões: A (A1, A2) e B (B1, B2) e pode ser
usada para manipular agentes biológicos dos grupos de risco 2 e 3. Esse tipo de cabine possui uma
grelha frontal por onde o ar entra e passa por um filtro HEPA, protegendo o operador e
proporcionando uma diminuição na contaminação da área de trabalho interna. Na cabine tipo A1,
ocorre a recirculação de 70% do ar e 30% da renovação do ar liberados para o interior do laboratório.
No tipo A2, ocorre o mesmo processo da A1, mas os 30% de ar renovado são liberados para o meio
externo por meio de um sistema de dutos. Por outro lado, nas cabines do tipo B há uma pequena
diferença: na do tipo B1, 30% do ar recircula e 70% é expelido por exaustão externa assim como 30%
do ar é renovado, formando, portanto, uma cortina protetora na parte frontal do equipamento. Já nas
do tipo B2, ocorre 100% da renovação do ar com dois filtros HEPA, sendo um utilizado para o
insuflamento de ar e o outro para a exaustão, conduzindo o ar para fora do laboratório por meio de
um sistema de dutos.
Classe III
Esta é a cabine de segurança biológica mais completa, na qual pode-se operar com um nível 3 e 4 de
biossegurança. O sistema é todo fechado, ventilado e controlado por filtros HEPA, com pressão
negativa, e a operação ocorre por meio de braços com luvas de borracha. Todo o material utilizado
segue para a esterilização antes de ser descartado.
No Brasil, as cabines do tipo A1 são as mais utilizadas devido ao preço e o melhor custo-benefício. É preciso
observar que tal sistema não pode ser utilizado para produtos tóxicos ou voláteis, uma vez que o ar
contaminado não é eliminado para o ambiente.
Materiais e reagentes
Os materiais e reagentes utilizados no dia a dia
de um laboratório clínico deverão ser de boa
procedência e qualidade. Para isso, é preciso
que haja a qualificação dos fornecedores,
apresentando toda a documentação necessária
e as informações pertinentes aos materiais e
reagentes, tais como origem, identidade,
composição, data de fabricação, validade,
condições de armazenamento e informações de
periculosidade.
Por se tratarem, na sua maioria, de reagentes
químicos e biológicos, um dos pontos críticos
diz respeito à estocagem e ao armazenamento
desses produtos, que devem seguir
rigorosamente as normas técnicas e regulações
dos órgãos competentes.
Recomendações para equipamentos, materiais e reagentes
Este vídeo aborda as recomendações para equipamentos (POP, instalação, posicionamento, calibração,
manutenção), materiais e reagentes (boa procedência e qualidade, estocagem, armazenamento, data de
validade), destacando os cuidados necessários com equipamentos laboratoriais, materiais e reagentes para
garantir seu correto funcionamento. 
Conteúdo interativo
Acesse a versão digital para assistir ao vídeo.
Atividade 2
Você conheceu as capelas de exaustão e de segurança biológica e entendeu que existem diferenças entre
elas. Vamos relembrar? Escolha a opção que melhor descreve tais diferenças.
A
As capelas de exaustão são usadas exclusivamente para trabalhos com materiais radioativos, enquanto as
capelas de segurança biológica são usadas apenas para manipulação de agentes químicos voláteis.
B
Ambos os tipos de capela servem o mesmo propósito, que é filtrar e recircular o ar de volta ao laboratório,
sem diferenças significativas nas suas funções ou aplicações.
C
As capelas de exaustão protegem o usuário de vapores químicos nocivos, exaurindo o ar para fora do edifício,
enquanto as capelas de segurança biológica protegem o usuário e o material de trabalho de contaminação
cruzada, através de um fluxo de ar filtrado.
D
A principal diferença está na capacidade de ajuste da velocidade do ar. Capelas de exaustão permitem ajustes
manuais detalhados da velocidade do ar, enquanto as capelas de segurança biológica operam com uma
velocidade de ar fixa.
E
As capelas de segurança biológica são utilizadas para armazenar produtos químicos perigosos a longo prazo,
enquanto as capelas de exaustão são empregadas para a eliminação segura de resíduos químicos.
A alternativa C está correta.
A diferença entre capelas de exaustão e de segurança biológica reflete suas respectivas funções críticas
em um laboratório. Capelas de exaustão focam em salvaguardar o operador de exposições perigosas a
compostos voláteis, removendo o ar contaminado do espaço de trabalho. Diferentemente, capelas de
segurança biológica são projetadas para um duplo propósito, proteger o operador de agentes patogênicos
ou materiais potencialmente infecciosos e também preservar a integridade das amostras manipuladas de
qualquer contaminação externa.
Riscos laboratoriais
Para garantir a segurança no laboratório e minimizar riscos de acidentes, todos os laboratórios deverão ser
sinalizados de forma a orientar e advertir quanto aos potenciais riscos ali presentes. Para isso existe um
padrão de sinalização com símbolos que representam riscos e prevenções. Veja algumas simbologias de
riscos a seguir:
Piso molhado
Choque elétrico
Não fume
Radiação
Perigos Vários
Extintor
Tóxico
Corrosivo
Nocivo
Inflamável
Explosivo
Oxidante
Além da simbologia, também é utilizado um sistema padrão de cores, regulamentado pelo Ministério do
Trabalho, visando a prevenção de acidentes e identificando os equipamentos de segurança, delimitando áreas
de risco, identificando os sistemas de condução de líquidos e gases nas indústrias e, principalmente,
advertindo contra os possíveis riscos de acidentes.
Atenção
Somente a utilização de um sistema de cores não é suficiente para garantir a qualidade de um sistema
de segurança e que este deve estar associado a outras estratégias de prevenção de acidentes. 
Podemos compreender que, para cada material, deverá existir um local definido e identificado para o
armazenamento, assim como um fluxo de entrada e saída de materiais para garantir a segurança e o
armazenamento desses produtos. Esses ambientes geralmente necessitam de controle de temperatura e
umidade.
Um ponto de destaque nesse contexto são os produtos considerados inflamáveis ou explosivos,
como os solventes orgânicos e algumas substâncias químicas. Estes precisam ser armazenados em
local devidamente demarcado, sinalizado e livre de quaisquer outras interferências.
Alguns produtos de origem biológica também precisam de armazenamento sob refrigeração para se garantir
uma estocagem segura e sem riscos para a comunidade e para os trabalhadores.
Agentes de riscos
Podemos perceber que os laboratórios são considerados ambientes de risco, pois envolvem uma série de
atividades como a utilização de equipamentos, materiais e reagentes que podem gerar acidentes e doenças
para o profissional que trabalha na rotina diária desses locais.
Atenção
A constante capacitação do pessoal é fundamental para evitar os riscos inerentes a esse tipo de
trabalho e o possível desenvolvimento de doenças. 
Dentre os principais agentes de riscos desse tipo de trabalho destacam-se os agentes físicos, os químicos e
os biológicos. Existem também os riscos ergonômicos, mas estes são considerados riscos ocupacionais,
relacionados às situações de trabalho que envolvam o equilíbrio físico, o mental e o social, e não
necessariamente acidentes ou enfermidades.
A seguir, é possível observar melhor, de acordo com a NR-5, os principais grupos de riscos ambientais e
ocupacionais.
Físicos
Ruídos, vibrações, pressões anormais, temperaturas extremas, radiações etc.
Químicos
Poeiras, fumos, névoas, neblinas, gases, vapores que podem ser absorvidos por via respiratória ou
através da pele etc.
Biológicos
Bactérias, fungos, protozoários, vírus, entre outros.
Ergonômicos
Trabalho físico pesado, movimentos repetitivos, jornada prolongada, postura incorreta, tensões
emocionais, monotonia, exigência de uma maior atenção, responsabilidadee concentração, jornadas
longas de trabalho, treinamento inadequado ou inexistente, conflitos etc.
Acidentais
Arranjo físico inadequado, máquinas e equipamentos sem proteção, iluminação inadequada,
eletricidade, animais peçonhentos, probabilidade de incêndio ou explosão etc.
Neste tópico, abordaremos apenas os riscos químicos e biológicos.
Agentes de riscos biológicos
Esse tipo de risco está relacionado à probabilidade de infecção do profissional por um desses agentes
patogênicos. Toda a equipe de trabalho desse tipo de laboratório precisa estar ciente, treinada de acordo com
o agente biológico usado e, preferencialmente, ser imunizada.
Atenção
Os agentes de riscos biológicos são, na sua grande maioria, agentes patogênicos como vírus, bactérias,
fungos e parasitas. 
No item Infraestrutura laboratorial, vimos que os laboratórios são classificados de acordo com o seu grau de
risco e que essa classificação está justamente relacionada à classificação do grau de risco dos
microrganismos. De acordo com o Ministério da Saúde (2021), os graus de risco são:
Classe 1
Esta classe contempla os agentes biológicos que não são capazes de causar doenças no homem ou
em animais adultos, até o momento.
Agentes biológicos: Bacillus subtilis
Classe 2
Esta classe contempla os agentes biológicos capazes de causar risco moderado ao homem ou
animais adultos sadios e risco limitado à comunidade. Incluem agentes biológicos nos quais o índice
de propagação e disseminação é limitado e para os quais existem medidas terapêuticas e/ou
profiláticas.
Agentes biológicos:
Bactérias: Pseudomonas aeruginosa
Fungos: Candida albicans
Vírus: Herpes simplex
Protozoários: Toxoplasma gondii
• 
• 
• 
• 
Manipulação de líquido químico em laboratório.
Classe 3
Esta classe contempla os agentes biológicos capazes de causar alto risco ao homem ou animais
adultos e risco moderado à comunidade. Inclui os agentes biológicos que possuem capacidade de
transmissão por via respiratória e que causam patologias potencialmente letais e para os quais
existem, usualmente, medidas terapêuticas e/ou de prevenção.
Agentes biológicos:
Bactérias: Bacillus anthracis
Fungos: Coccidioides immitis
Vírus: SARS-COV-2
Classe 4
Esta classe contempla os agentes biológicos capazes de causar alto risco ao homem ou animais
adultos e para a comunidade. Inclui os agentes biológicos com grande poder de transmissibilidade
por via respiratória ou de transmissão desconhecida. Até o momento, não há medidas profiláticas ou
terapêuticas que sejam eficazes. Causam doenças em humanos e animais de alta gravidade, com
grande capacidade de disseminação na comunidade e no meio ambiente.
Agentes biológicos: Ebolavirus
As cabines de segurança biológica são fundamentais para proteger operadores, produtos e o ambiente
durante a manipulação de agentes biológicos e químicos.
Imagine que, em um laboratório de análises
clínicas, uma equipe está trabalhando no
processamento de amostras que podem conter
um vírus altamente contagioso e perigoso.
Durante o procedimento, um dos técnicos
percebe que a tampa de uma das amostras não
foi fechada corretamente e uma pequena
quantidade do conteúdo parece ter se
espalhado pela bancada. O sistema de
filtragem de ar do laboratório está funcionando,
mas o risco de contaminação é elevado.
Diante dessa situação, qual abordagem você
adotaria? Vamos refletir sobre cada uma das
seguintes opções e entender as respectivas
respostas para cada uma dessas questões proposta. Acompanhe!
1 - Avisar ao supervisor e isolar a área, mas esperar até o final do expediente para fazer
a descontaminação, uma vez que a exposição de curto prazo não é crítica devido ao
funcionamento do sistema de filtragem de ar.
Incorreto, pois esperar até o final do expediente para realizar a descontaminação subestima o risco
de exposição ao vírus, mesmo com o sistema de filtragem de ar em operação. Isso pode aumentar o
risco de contaminação cruzada e exposição dos funcionários do laboratório ao patógeno.
• 
• 
• 
Agentes químicos perigosos armazenados.
2 - Notificar imediatamente o supervisor, isolar a área afetada e seguir o protocolo de
descontaminação estabelecido pelo laboratório para tais incidentes, garantindo que a
área seja tratada adequadamente e o risco minimizado.
Correto! A notificação imediata do supervisor, o isolamento da área afetada e a adesão aos protocolos
de descontaminação são fundamentais em uma situação de risco biológico. Essa abordagem
assegura que medidas adequadas sejam tomadas rapidamente para proteger todos no laboratório e
manter a integridade das amostras processadas.
3 - Limpar o derramamento imediatamente com desinfetante e continuar o trabalho,
assumindo que a ação rápida pode evitar a necessidade de envolver mais pessoas e
procedimentos complicados.
Incorreto, pois a tentativa de limpar o derramamento com desinfetante e prosseguir com o trabalho
ignora os protocolos de segurança estabelecidos para lidar com materiais potencialmente infecciosos.
Essa ação pode não apenas ser insuficiente para neutralizar completamente o risco, mas também
pode aumentar a exposição ao patógeno e a chance de contaminação cruzada.
Em suma, a resposta imediata e a adesão aos protocolos de descontaminação são essenciais para garantir a
segurança e minimizar os riscos em situações de derramamento de amostras potencialmente contagiosas em
um laboratório.
Agentes de riscos químicos
Os reagentes químicos utilizados em laboratório
são os produtos que mais contribuem para
riscos químicos à saúde do homem e ao meio
ambiente. Para se evitar possíveis acidentes e
contaminações são necessários cuidados
rigorosos em relação ao armazenamento, à
movimentação dentro do laboratório e, o mais
importante, ao descarte desses resíduos.
Geralmente, os fornecedores de reagentes
químicos concedem as fichas de informação de
segurança de produto químico (FISPQ),
documento este que contém indicações sobre
os cuidados em relação à proteção, à
segurança, à saúde e ao meio ambiente, além
das recomendações de ações necessárias para
os casos de emergência.
Além disso, os reagentes químicos também apresentam características diversas e podem ser carcinogênicos,
corrosivos, irritantes, tóxicos, teratogênicos, mutagênicos, alergênicos, explosivos e espontaneamente
combustíveis. Todas essas características apresentam possibilidades de risco à saúde humana e ao meio
ambiente e devem ser tomadas medidas preventivas a fim de se evitar possíveis acidentes. Dentre todas as
características apresentadas, o risco de explosão e combustão é o mais comum e o que merece maior
atenção.
Os produtos químicos com capacidade de combustão possuem características distintas e, dessa forma, são
classificados de acordo com o tipo de material e a classe de incêndio. Existem, portanto, 5 classes de
incêndio distintas, e para cada uma delas deve-se utilizar um extintor de incêndio específico. Os extintores de
incêndio podem também ser considerados equipamentos de proteção coletiva (EPC). Veja no quadro a seguir
as classes de incêndio e os tipos de extintores utilizados em cada uma delas.
A seguir conheceremos as classes de incêndio e tipos de extintores. Vamos lá!
A
Descrição: Fogo em materiais sólidos que deixam resíduos, tais como a madeira, o papel, o tecido e a
borracha.
Tipo de extintor: Areia (em jato ou pulverizada).
Classe de incêndio: A
Vantagens: Deve ser usada sempre que não haja contraindicações (de preferência, deve ser
pulverizada). Tem bom poder de penetração.
B
Descrição: Fogo em líquidos inflamáveis, graxas e gases combustíveis.
Tipo de extintor: Neve carbônica (com dióxido de carbono sob pressão que solidifica quando se
expande bruscamente).
Classe de incêndio: BC
Vantagens: Não deixa resíduo, o que a torna mais adequada para equipamento sensível e a mais
indicada para líquidos extremamente inflamáveis.
C
Descrição: Classe de incêndio em equipamentos elétricos energizados.
Tipo de extintor: Espuma física (mistura de água e substâncias tensoativas por injeçãomecânica de
ar).
Classe de incêndio: AB
Vantagens: Muito boa para líquidos extremamente inflamáveis. Pode ser utilizada em situações de
incêndio iminente com ação preventiva. A cobertura de espuma evita reignições.
D
Descrição: Classe de incêndio que tem como combustível os metais pirofóricos, tais como magnésio,
selênio, antimônio, lítio, potássio, alumínio fragmentado, zinco, titânio, sódio, urânio e zircônio.
Tipo de extintor: Espuma química (reação que liberta o gás dióxido de carbono que fica disperso em
um líquido formando espuma).
Classe de incêndio: AB
Vantagens: Muito boa para líquidos extremamente inflamáveis. A cobertura de espuma evita
reignições.
K
Descrição: Classificação do fogo em óleo vegetal e gorduras de origem animal, em cozinhas.
Tipos de extintores:
Pó normal (o pó é bicarbonato de sódio ou de potássio)
Classe de incêndio: BC
Vantagens: Forma uma nuvem de poeira que protege o operador.
Pó polivalente (o pó é dihidrogenofosfato de amônio)
Classe de incêndio: ABC
Vantagens: Forma uma nuvem de poeira que protege o operador. Atende a três classes de
fogos.
Pó especial (o pó é grafite ou cloreto de sódio ou pó de talco)
Classe de incêndio: D
Vantagens: Único extintor adequado para incêndios da classe D. Qualquer outro tipo de
extintor provoca reações violentas.
Solução especial (o acetato de potássio se encontra diluído em água)
Classe de incêndio: K
Vantagens: Ao se considerar a segurança do pessoal que trabalha em cozinhas e restaurantes,
o extintor classe K é o mais fácil de ser utilizado. Atua por formação de neblina e o fogo é
extinto por resfriamento e pelo efeito asfixiante da espuma.
Agentes de riscos físicos, químicos e biológicos
Este vídeo aborda os riscos de acidentes em laboratórios e como podem ser minimizados. Apresenta todos os
símbolos de risco, os agentes de risco físicos, químicos e biológicos, sempre exemplificando como afetam a
segurança no laboratório. 
Conteúdo interativo
Acesse a versão digital para assistir ao vídeo.
Atividade 3
Sobre a aplicação das diretrizes de biossegurança que acabamos de estudar, responda. Os microrganismos 
Candida albicans, SARS-CoV-2 e Ebolavirus pertencem a quais classes de risco, respectivamente?
A
Candida albicans – Classe 1, SARS-CoV-2 – Classe 2, Ebolavirus – Classe 3
• 
• 
• 
• 
• 
• 
• 
• 
B
Candida albicans – Classe 2, SARS-CoV-2 – Classe 3, Ebolavirus – Classe 4
C
Candida albicans – Classe 1, SARS-CoV-2 – Classe 3, Ebolavirus – Classe 2
D
Candida albicans – Classe 2, SARS-CoV-2 – Classe 4, Ebolavirus – Classe 4
E
Candida albicans – Classe 3, SARS-CoV-2 – Classe 2, Ebolavirus – Classe 1
A alternativa B está correta.
A classificação de risco baseia-se na patogenicidade e no risco de transmissão: Candida albicans é um
patógeno oportunista de Classe 2 por causar infecções tratáveis. SARS-CoV-2 é causador da COVID-19 e
de transmissão pessoa a pessoa, é Classe 3, indicando um risco sério à saúde. Ebolavirus tem alta
letalidade e transmissão eficiente, é Classe 4, representando um risco extremo e exigindo máxima
contenção.
Contenção laboratorial
De acordo com o Ministério da Saúde, a contenção laboratorial pode ser classificada de duas formas:
Entende-se por contenção laboratorial todas as práticas realizadas com o objetivo de reduzir os riscos de
acidentes e proteger a equipe de profissionais que trabalham no laboratório contra a exposição aos riscos da
ação de agentes químicos e biológicos. Tudo isso depende de um complexo planejamento das análises de
riscos que envolvem o laboratório e do conhecimento técnico dos profissionais que ali trabalham.
Contenção primária
A contenção primária ou barreira primária é mais conhecida como o uso de:
Contenção primária 
Também conhecida como barreira primária.
Visa garantir a proteção do ambiente interno
do laboratório, assim como dos
trabalhadores.
Contenção secundária 
Também conhecida como barreira
secundária. Está relacionada à proteção
do ambiente externo por meio das
práticas operacionais e da infraestrutura
planejada para o laboratório.
Profissional utilizando jaleco.
Equipamentos de proteção individual
(EPI)
Os EPI visam primariamente a proteção
individual do trabalhador, garantindo sua saúde
e integridade física. Variam de acordo com a
análise de risco do laboratório e os níveis de
biossegurança determinados.
Equipamentos de proteção coletiva
(EPC)
Os EPC estão associados à proteção do
ambiente, mas também visam garantir a
manutenção da saúde e integridade física dos
trabalhadores de um determinado setor ou área
específica.
Uso de EPI, EPC e a importância da lavagem das mãos no dia a dia do
laboratório
No vídeo a seguir, você conhecerá um pouco mais sobre os EPI e EPC utilizados no dia a dia do laboratório e
também a correta lavagem de mãos.
Conteúdo interativo
Acesse a versão digital para assistir ao vídeo.
A seguir, veremos alguns dos principais Equipamentos de Proteção Coletiva (EPC) usados em laboratórios
clínicos.
Jaleco
O uso de jaleco ou avental nos laboratórios
clínicos é obrigatório e serve como uma
barreira de proteção para o trabalhador. Ele
deve ser feito, preferencialmente, de algodão
ou fibra sintética e obrigatoriamente não
inflamável.
Os jalecos devem ser utilizados de forma
restrita aos laboratórios e não devem ser
levados para as áreas comuns, banheiros ou
refeitórios.
Em suma, o uso de jalecos ou aventais nos
laboratórios clínicos é essencial para a proteção dos trabalhadores, devendo ser confeccionados com
materiais não inflamáveis e usados exclusivamente dentro dos laboratórios, evitando sua circulação em áreas
comuns.
Máscaras e protetores faciais
São equipamentos que protegem a face do trabalhador contra impactos, substâncias tóxicas e radiação,
protegendo as vias aéreas superiores. A seguir, conheceremos os diversos tipos disponíveis e suas funções:
Protetores faciais ou face shields
São fabricados em plástico resistente como propionatos, acetatos e
policarbonatos, podendo ser revestidos com metais para a absorção de
radiações infravermelhas. Protegem o profissional contra partículas
sólidas (impacto), substâncias tóxicas (líquidos e vapores químicos) e
radiação (ultravioleta e infravermelha).
Máscaras de proteção
São fabricadas em tecido ou fibra sintética e geralmente são
descartáveis. Servem para proteger as vias aéreas (nariz e boca) do
profissional, evitando os respingos de perdigotos e a contaminação.
Existem vários tipos de materiais para a confecção de máscaras de
acordo com o risco ao qual o trabalhador será exposto, como as
chamadas N95 ou PFF2. Essas máscaras possuem filtro e são capazes
de reter cerca de 95% de partículas maiores que 0,3 µm, além de vapores
tóxicos e contaminantes na forma de aerossóis, como alguns vírus e
bactérias.
Máscaras de proteção respiratória
São utilizadas quando se manipulam substâncias químicas que geram
gases tóxicos (formaldeído, amônia, cloreto de hidrogênio). Elas possuem
filtros que podem ser mecânicos, químicos ou combinados.
Portanto, os equipamentos de proteção facial e respiratória, como protetores faciais, máscaras de proteção e
máscaras de proteção respiratória, são essenciais para proteger os trabalhadores contra impactos,
substâncias tóxicas e radiação, garantindo a segurança das vias aéreas superiores em diversos ambientes de
risco.
Luvas
As luvas são utilizadas com o objetivo de prevenir a contaminação por agentes químicos, físicos (cortes, calor,
radiações) e biológicos. Elas devem ser sempre utilizadas quando houver um procedimento com exposição a
sangue, hemoderivados e fluidos orgânicos.
As luvas podem ser confeccionadas com materiais diversos e devem ser escolhidas de acordo com a
finalidade de uso:
Luvas de proteção para o manuseio de material biológico
São também conhecidas como luvas de procedimento, quando não
estéreis, ou luvas cirúrgicas, quando estéreis. Geralmente são de látex e
descartáveis, mas podem também ser de vinil ou PVC (cloreto de
polivinil).
Luvas de proteção ao frio e calor
São de tecidoresistente ou revestidas com algum material à prova de
calor. As mais comuns são as luvas de amianto e as do tipo kevlar,
resistentes a altas temperaturas. As luvas de proteção ao frio podem ser
de lã ou de tecido emborrachado com revestimento interno de fibras
naturais ou sintéticas.
Touca.
Luvas de proteção para o manuseio de produtos químicos
Podem ser de borracha natural, neoprene, PVC, PVA (álcool polivinílico) e
borracha de butadieno. A escolha do tipo de luva deverá ser feita de
acordo com o produto químico a ser manipulado.
Em suma, as luvas de proteção são essenciais para garantir a segurança dos trabalhadores em diversas
situações como no manuseio de material biológico, proteção contra frio e calor, e manuseio de produtos
químicos com materiais específicos escolhidos conforme a necessidade de cada tarefa.
Toucas ou gorros
São equipamentos de proteção individual mais
utilizados em áreas estéreis e de manipulação
de produtos e servem para evitar que os
cabelos contaminem uma determinada área ou
produto, ou ainda, para protegê-los de
respingos, líquidos ou aerossóis. Podem ser
confeccionadas nos mais diferentes tipos de
materiais e devem ser de fácil lavagem e
desinfecção.
Protetores oculares e
protetores auriculares
São mais conhecidos como óculos de proteção e protetores de ouvido.
Óculos de proteção
Os óculos de proteção funcionam como uma
barreira contra respingos de produtos químicos
e corrosivos, além de atuarem também como
uma barreira biológica, evitando as lesões
oculares.
Protetores auriculares
Já os protetores auriculares têm a função de
proteger os ouvidos de ruídos oriundos de
equipamentos e processos produtivos.
Em resumo, os óculos de proteção e os protetores auriculares são fundamentais para a segurança dos
trabalhadores, protegendo os olhos contra respingos químicos e biológicos, e os ouvidos contra ruídos
provenientes de equipamentos e processos produtivos.
Propés
Esses equipamentos são sapatilhas utilizadas em áreas estéreis e geralmente são descartáveis,
confeccionadas em algodão.
Botas de borracha de segurança.
Exemplo de propés.
Calçados de segurança
Assim como os propés, que são sapatilhas
descartáveis utilizadas em áreas estéreis, os
calçados de segurança são essenciais para
proteger os trabalhadores, especialmente nas
áreas de limpeza dos laboratórios, oferecendo
resistência a produtos químicos e corrosivos,
além de possuírem solado antiderrapante. Além
disso, são mais utilizados pelos trabalhadores
das áreas de limpeza dos laboratórios e devem
ser resistentes aos produtos químicos e
corrosivos, além de possuírem solado
antiderrapante. Podem também ser utilizados
de acordo com outras atividades
desempenhadas pelos laboratórios.
Agora, vamos conhecer o segundo tipo de
equipamento primordial de proteção. Venha!
Equipamentos de Proteção Coletiva (EPC)
Os equipamentos de proteção coletiva servem para a proteção de toda a equipe do laboratório e também do
meio ambiente.
Atenção
As capelas de exaustão e as cabines de fluxo laminar ou cabines de segurança biológica são EPC já
mencionados anteriormente no item Equipamentos, materiais e reagentes. 
Todo laboratório deve conter o chuveiro de emergência e o lava-olhos para lavagem e eliminação de
contaminantes químicos e biológicos em caso de acidentes.
Chuveiro de emergência
Deve ter aproximadamente 30 cm de diâmetro,
deve ser acionado por meio de alavancas e
deve estar instalado em local de fácil acesso.
Lava-olhos
É um equipamento formado por uma bacia
metálica, geralmente associada ao chuveiro de
emergência, com dois dispositivos que emitem
jatos de água direcionados à região dos olhos.
Atividade 4
Atenção, no contexto de segurança do trabalho em ambientes industriais e laboratoriais, à diferenciação entre
equipamento de proteção individual (EPI) e equipamento de proteção coletiva (EPC) é fundamental.
 
Sabendo disso, é hora de relembrar as diferenças entre EPI e EPC. Marque a alternativa abaixo que representa
uma diferença entre esses dois grupos de equipamentos.
A
EPI é utilizado para proteger o meio ambiente, enquanto EPC é projetado para a segurança individual do
trabalhador.
B
EPI refere-se a dispositivos mecânicos de segurança, como barreiras e sinalizações, enquanto EPC engloba
itens de uso pessoal, como luvas e óculos de segurança.
C
EPI e EPC são termos intercambiáveis, ambos referindo-se a equipamentos que garantem a segurança do
ambiente de trabalho como um todo.
D
EPI é destinado à proteção individual, minimizando os riscos específicos ao trabalhador, como luvas e
máscaras, enquanto EPC inclui dispositivos de proteção utilizados coletivamente, como exaustores e
sinalizações de segurança.
E
EPC é uma categoria especial de EPI que inclui apenas equipamentos de alta tecnologia, como trajes
herméticos e sistemas de respiração assistida.
A alternativa D está correta.
Enquanto o EPI foca na proteção individual, atuando como uma barreira entre o trabalhador e o perigo, o
EPC tem uma abordagem mais ampla, visando remover ou reduzir o risco no ambiente de trabalho para
todos os presentes.
Aplicando o conhecimento
Imagine uma empresa hipotética, a LifeCode Biomedical, especializada em desenvolver vacinas. A empresa
conta com uma equipe composta por pesquisadores, técnicos de laboratório e gestores de projeto,
trabalhando em um ambiente repleto de agentes biológicos, substâncias químicas e equipamentos
especializados. O sucesso da LifeCode Biomedical depende diretamente da capacidade de manipular esses
elementos de forma segura e eficaz, minimizando os riscos laboratoriais associados.
Certo dia, durante o desenvolvimento de uma nova vacina, um técnico derrama acidentalmente uma solução
contendo um vírus atenuado. Embora o vírus não represente um grande risco para indivíduos saudáveis, a
exposição inadvertida pode ser perigosa para colegas com sistemas imunológicos comprometidos.
Para resolver essa situação e evitar futuros acidentes, a empresa decide implementar um programa de
treinamento intensivo em biossegurança para toda a equipe. O treinamento aborda técnicas de manuseio
seguro de materiais biológicos e químicos, uso correto de equipamentos de proteção individual (EPIs), e
procedimentos de emergência. Além disso, a empresa investe em melhorias nas infraestruturas de segurança
do laboratório, incluindo sistemas de ventilação apropriados, áreas de contenção para trabalhar com
patógenos e esterilização e descontaminação eficazes dos equipamentos e áreas de trabalho.
Após a implementação dessas medidas, a LifeCode Biomedical observa uma redução de 95% nos incidentes
de laboratório no último trimestre. Os funcionários se sentem mais seguros e capacitados para realizar suas
atividades. A gestão de riscos laboratoriais se torna um componente central da cultura da empresa, refletindo
positivamente na produtividade e na inovação. Esse cenário ilustra como a conscientização e a prevenção de
riscos no ambiente de trabalho são cruciais não apenas para a segurança dos funcionários, mas também para
o sucesso e sustentabilidade da empresa no competitivo mercado de biotecnologia.
Após a leitura do case, é hora de aplicar seus conhecimentos!
Atividade Discursiva
Com base no caso da LifeCode, explique a importância de investir em infraestruturas de segurança como
sistemas de ventilação apropriados e áreas de contenção no laboratório de uma empresa de biotecnologia.
Como esses investimentos ajudam a minimizar os riscos associados ao manuseio de patógenos e substâncias
químicas perigosas?
Chave de resposta
Um sistema de ventilação eficiente é essencial para controlar a exposição a agentes biológicos e
substâncias químicas perigosas. Esses sistemas asseguram que partículas e vapores nocivos sejam
adequadamente filtrados e expelidos do ambiente laboratorial, minimizando o risco de inalação ou contato
que poderia levar a intoxicações, infecções ou outras condições adversas de saúde. Além disso, uma
ventilação adequada evita a acumulação de substâncias inflamáveis, reduzindo o riscode explosões ou
incêndios. A criação de áreas específicas para manuseio de materiais perigosos ou patógenos é
importante para prevenir a contaminação cruzada entre diferentes áreas do laboratório. Isso é
particularmente importante em um cenário no qual agentes infecciosos ou geneticamente modificados
estão sendo manipulados. As áreas de contenção são desenhadas para manter esses agentes isolados,
garantindo que qualquer vazamento ou derramamento seja contido dentro de um espaço controlado. A
infraestrutura também deve incluir sistemas eficazes para esterilização e descontaminação de
equipamentos e áreas de trabalho. Esses processos são fundamentais para eliminar patógenos e outros
contaminantes, preparando o ambiente para novas atividades sem riscos de contaminação residual.
Gestão de riscos em laboratório
Agora, confira o vídeo abordando gestão de riscos em laboratório descrevendo o caso de uma empresa
hipotética especializada em desenvolver vacinas que sofre acidente com um vírus, o que provoca a
necessidade de implementar um programa de treinamento intensivo em biossegurança para toda a equipe.
Conteúdo interativo
Acesse a versão digital para assistir ao vídeo.
2. Água laboratorial e processos de descontaminação
Água no laboratório clínico e sistemas de filtração
Sistemas de purificação de água
A água é o solvente mais utilizado na prática laboratorial e, por isso mesmo, é chamada de solvente universal.
Devido ao seu grau de importância, a água para uso laboratorial deve atender aos requisitos de qualidade de
acordo com a sua finalidade de uso.
Uma boa forma de se orientar é lendo as determinações e os padrões de qualidade para a utilização da água
nos laboratórios clínicos e patológicos que estão descritos no capítulo 8.5 da Farmacopeia Brasileira, 6a
Edição (2019) e que devem ser rigorosamente atendidos e seguidos.
A água potável abastece as cidades e a maioria das casas e é considerada uma água tratada.
A água purificada não deve ser utilizado no trabalho laboratorial, pois apresenta possíveis
incompatibilidades entre os contaminantes presentes e os procedimentos laboratoriais que serão
realizados.
A água potável não é regulamentada pela ANVISA e nem pela Farmacopeia Brasileira. Ela deve atender aos
órgãos responsáveis regionais, tais como o Instituto Estadual do Ambiente (INEA), no Rio de Janeiro, e a
Agência Nacional de Água (ANA), no Distrito Federal.
Para a água ser considerada potável ela deve apresentar menos de 0,1% de sólidos totais. Isso é obtido a
partir da evaporação de uma amostra de 100 mL de água até completa secagem e pesagem dos
resíduos sólidos que devem ser inferiores a 100 mg. 
(ALLEN Jr., 2013)
Contaminantes da água
Os principais contaminantes da água potável são de origem:
 
Física
Química
Biológica
Os contaminantes físicos são os mais facilmente eliminados por meio do processo de filtração, já os
contaminantes químicos e biológicos são difíceis de serem eliminados e comprometem a qualidade final da
água, podendo alterar as análises laboratoriais, gerando resultados falhos e até mesmo comprometendo anos
de pesquisas e de estudo.
O controle de contaminantes da água para uso laboratorial é, portanto, fundamental para atender às
especificações estabelecidas pelos órgãos reguladores.
Observe a figura a seguir para entender quais são os principais contaminantes da água:
• 
• 
• 
Principais contaminantes da água.
Os contaminantes químicos podem ser orgânicos ou inorgânicos e precisam ser removidos por dois motivos
principais:
Para se evitar que interfiram nas fases de pré-tratamento dos sistemas de purificação de água.
Para proteger a saúde das pessoas.
Esses contaminantes químicos apresentam diversas origens, por exemplo:
Da fonte de alimentação.
Da extração de materiais com os quais a água entra em contato.
Da absorção de gases da atmosfera.
De resíduos poluentes, ou resíduos de produtos utilizados na limpeza e sanitização de equipamentos.
Podem ser removidos por um sistema de osmose reversa ou por técnicas associadas como deionização,
carvão ativado, ozônio e radiação ultravioleta. Falaremos sobre essas técnicas adiante.
Os contaminantes microbiológicos podem ser fungos, bactérias e vírus, sendo que a contaminação bacteriana
é a mais preocupante e apresenta um grande desafio à qualidade da água.
Atenção
O controle microbiológico da água é certamente o mais importante e prioritário e deve ser
constantemente verificado e atualizado de acordo com os parâmetros legais. 
Tipos de água para uso laboratorial
Existem 3 métodos principais utilizados para a obtenção de água purificada:
 
Destilação
Deionização
Osmose reversa
A escolha de um método específico depende do tipo e da qualidade de água desejados, e também do volume
necessário.
Um projeto de instalação de um sistema de purificação de água depende de algumas condições específicas
listadas a seguir:
A qualidade da água de fornecimento e da água desejada ao final.
1. 
2. 
• 
• 
• 
• 
• 
• 
• 
• 
A vazão necessária.
A distância entre o sistema de produção e os pontos de uso.
O layout da tubulação e conexões.
O material empregado.
Facilidades de assistência técnica e manutenção.
Os instrumentos adequados para o monitoramento.
Na realidade, a escolha de um sistema de purificação eficiente depende da qualidade da água de entrada, ou
seja, das características da água potável que irá alimentar o sistema e também do tipo e da qualidade da água
que se deseja.
Apresentaremos a seguir, em uma ordem sequencial lógica, as principais tecnologias de purificação de água
encontradas para a remoção dos diversos tipos de contaminantes seguindo etapas na sequência de
purificação.
Pré-filtração
A pré-filtração, segundo Brasil (2019), destina-se a remover sólidos particulados com tamanhos entre 5 e 10
μm, essencialmente para proteger as tecnologias subsequentes, utilizando filtros de areia ou uma combinação
de filtros.
Sistema de pré-filtração carvão, areia e zeólitos.
Deve estar associada a todos os sistemas de purificação de água com o objetivo de proteger os
equipamentos mais sensíveis e caros.
Filtração por adsorção por carvão vegetal ativado
Pode ser considerada também uma técnica de pré-filtração, mas, nesse caso, o carvão vegetal ativado tem a
capacidade de remover compostos orgânicos como as cloraminas e o cloro livre, os quais adsorve em sua
superfície. Essa tecnologia é muito importante para, por exemplo, proteger as membranas da osmose reversa. 
• 
• 
• 
• 
• 
• 
Filtro de carvão ativado.
Deve-se tomar cuidado com a formação de biofilme, que implica na necessidade de sanitização do carvão
ativado com vapor quente ou da troca do material filtrante.
Ultrafiltração
A ultrafiltração utiliza uma tecnologia de filtração com membranas especiais que têm a capacidade de reter
endotoxinas e moléculas de acordo com o seu peso molecular e sua estereoquímica. Um dos sistemas de
ultrapurificação de água mais conhecidos do mundo é o chamado do tipo Milli-Q. Na verdade, uma água
conhecida como do tipo Milli-Q é uma água ultrapurificada (AUP) obtida por essa marca de sistema que é
registrada pelo grupo Merck.
Assim como outros sistemas de purificação que envolvem alta tecnologia, esse sistema deve ser validado,
passar por um pré-tratamento, ter suas condições operacionais controladas e procedimentos adequados de
limpeza e sanitização.
Essa técnica pode estar associada a outras, mas geralmente é mais utilizada em laboratórios que envolvem
alta tecnologia como biologia molecular e espectrometria de massas.
Microfiltração
Assim como a ultrafiltração, esta tecnologia também pode estar associada a outros sistemas de purificação de
água. Trata-se de um processo que utiliza membranas filtrantes microporosas de poros de diâmetro de 0,22
µm, e pode ser considerada uma filtração esterilizante por causa disso, mas, para tanto, precisa ser validada.
Essas membranas podem estar associadas a um sistema de osmose reversa, mas também podem ser
utilizadas de forma individualizadaem pequenos filtros isolados.
A água na prática laboratorial
O vídeo vai abordar a importância da água como o solvente mais utilizado na prática laboratorial e explicando
os sistemas de filtração de água pré-filtração, filtração por adsorção por carvão vegetal ativado, ultrafiltração
e microfiltração. 
Conteúdo interativo
Acesse a versão digital para assistir ao vídeo.
Atividade 1
Reflita e responda: Por que é importante usar água com alto grau de purificação em laboratórios clínicos,
especialmente para análises sensíveis e preparo de soluções?
A
Para aumentar o custo operacional do laboratório, garantindo um uso mais eficiente dos recursos financeiros.
B
A água altamente purificada é usada para facilitar o processo de limpeza dos equipamentos, não afetando a
qualidade dos experimentos.
C
A presença de minerais e outras impurezas na água potável pode interferir nas reações químicas e nos testes
biológicos, comprometendo a precisão e a confiabilidade dos resultados.
D
O uso de água ultrapura é uma medida de precaução desnecessária, pois a água potável já está livre de
contaminantes que poderiam afetar experimentos laboratoriais.
E
A água purificada é recomendada apenas para o consumo dos técnicos de laboratório, sem relação com os
procedimentos experimentais.
A alternativa C está correta.
A utilização de água altamente purificada em laboratórios clínicos é crucial devido à sensibilidade dos
testes e experimentos realizados. A água potável, embora segura para consumo, contém impurezas como
minerais, íons, partículas orgânicas e microrganismos que podem afetar significativamente os resultados
laboratoriais.
Osmose reversa, destilação, deionização, abrandadores e
radiação UV
Osmose reversa
Atualmente, a osmose reversa vem se tornando a tecnologia de primeira escolha como sistema de purificação
de água devido à sua alta versatilidade.
Essa tecnologia atende a todo tipo de demanda, existindo equipamentos para larga escala industrial (1.000 L/
hora) e pequenos equipamentos para a escala laboratorial, com capacidade de cerca de 10 L/hora, por
exemplo.
Equipamento de osmose reversa.
Essa tecnologia se baseia na utilização de membranas semipermeáveis com propriedades específicas
utilizadas para a remoção de íons, microrganismos e endotoxinas bacterianas.
É um processo altamente eficiente e que remove de 90% a 99% dos contaminantes. Justamente por isso,
diversos fatores podem afetar significativamente essa tecnologia, tais como o pH, a pressão diferencial ao
longo da membrana, a temperatura, o polímero da membrana e a construção dos cartuchos de osmose
reversa.
Para entendermos melhor como ocorre o processo de osmose reversa, vamos primeiro recordar o que é um
processo de osmose.
Relembrando
A osmose é um processo celular que ocorre naturalmente, ou seja, sem gasto de energia. Ela consiste na
passagem de um solvente através de uma membrana semipermeável de um meio hipotônico para um
meio hipertônico. 
Fica fácil entendermos agora que a osmose reversa seria um processo contrário ao da osmose, ou seja, a
passagem do solvente do meio hipertônico para o meio hipotônico.
O problema é que isso não aconteceria naturalmente ou sem gasto de energia. Dessa forma, é necessário
pressurizar o sistema para que o processo de osmose reversa possa acontecer.
Esquema de osmose reversa.
É importante que se compreenda que o processo de osmose reversa nada mais é do que um processo de
filtração, utilizando as membranas semipermeáveis como elemento filtrante. Sendo assim, é fundamental que
exista um sistema de pré-tratamento que remova particulados, agentes oxidantes e contaminantes que
favoreçam incrustações como cálcio e magnésio, a fim de proteger e preservar as membranas. Outro ponto
importante é a sanitização do sistema, evitando a formação de biofilme e a contaminação microbiana.
O sistema de purificação de água por osmose reversa vem se tornando tão acessível, de fácil instalação e
baixo custo de manutenção que já existem sistemas de osmose reversa de duplo passo, no qual a água
purifica em uma primeira etapa e alimenta o sistema em uma segunda etapa, aumentando a capacidade de
purificação.
Destilação
Este sistema de purificação de água é certamente o mais antigo do mundo.
Como já sabemos, a destilação é um processo de separação de líquidos por meio do vapor. O princípio da
destilação consiste em evaporar a água por aquecimento e, por resfriamento e através de um duto
condensador, liquefazer o vapor d’água novamente.
Esquema de destilação.
Durante centenas de anos esse foi o principal método de escolha como sistema de purificação de água e o
mais utilizado para a prática laboratorial, a indústria farmacêutica, as farmácias magistrais, dentre outras áreas
da Saúde.
Um sistema de destilação de água consiste num método de fácil instalação e reutilizável, com baixo custo de
instalação e alta eficiência. Apesar disso, esta técnica apresenta algumas desvantagens, tais como os altos
custos de consumo de água e eletricidade, a difícil manutenção, o arraste de contaminantes pelo processo de
condensação e o arraste de impurezas voláteis. Por esses motivos, atualmente a substituição de destiladores
por sistemas de osmose reversa tem se mostrado uma opção mais eficiente e econômica.
Deionização
A técnica de deionização ou desmineralização é muito utilizada para a obtenção de água purificada para uso
rotineiro no laboratório. Ela remove apenas sais inorgânicos através de resinas de troca iônica específicas para
cátions e ânions. Nesses casos, as resinas catiônicas capturam os íons catiônicos, liberando H+, e as resinas
aniônicas capturam os íons aniônicos, liberando OH-. Observe a figura abaixo e entenda melhor como essa
troca acontece.
Processo de deionização da água.
Apesar de ser uma técnica relativamente simples, rápida e barata, a deionização não produz uma água de alta
pureza e deve ser associada a outras tecnologias, a fim de melhorar a qualidade da água e atender às
exigências da legislação específica e necessidade de algumas metodologias empregadas no laboratório. Outro
problema é a necessidade de regeneração das resinas devido à possibilidade de formação de biofilme.
Existem dois tipos de deionizadores no mercado: o de leito misto (uma única resina mista) e o de leito
separado (com duas resinas, uma catiônica e uma aniônica).
Tratamento com abrandadores (softeners)
Em muitos lugares que utilizam água de poço como fonte primária para o abastecimento do sistema de
purificação, é necessária a utilização de abrandadores, uma vez que essa água é rica em íons de cálcio, ferro
e magnésio – também conhecida como água “dura”. O tratamento com abrandadores é muito parecido com a
deionização e utiliza também resinas de troca iônica que capturam os íons metálicos e liberam íons sódio na
água. É importante observar a necessidade de sanitização ou troca das resinas periodicamente, evitando a
formação de biofilme e contaminação da água.
Sistema de tratamento de água com abrandadores.
Radiação ultravioleta
Esta é uma tecnologia que deve ser utilizada sempre de forma associada a outro sistema. Isoladamente, esta
técnica não produz água purificada.
Lâmpadas ultravioleta.
A radiação ultravioleta é utilizada em 2 comprimentos de onda que promovem efeitos distintos. São eles:
185 nm + 254 nm
Oxidação de compostos orgânicos e consequente redução de sua concentração para atender aos
limites da água purificada (AP), água para fabricação de produtos injetáveis (API) e água
ultrapurificada (AUP).
254 nm
Ação germicida nos diversos pontos da sequência de purificação para reduzir a contagem microbiana.
De acordo com Brasil (2019), esta técnica é muito utilizada ao longo dos tanques de armazenamento de água
para reduzir a contaminação microbiana e é associada a capelas de fluxo laminares.
Osmose reversa, abrandadores e radiação UV
Agora, confira o vídeo explicando e demonstrando como funciona a osmose reversa, o tratamento com
abrandadores (softeners) e a radiação ultravioleta no tratamentode água para laboratório. Serão explicados
os mecanismos de purificação de água de cada um desses métodos, suas aplicações, vantagens e
desvantagens.
Conteúdo interativo
Acesse a versão digital para assistir ao vídeo.
Teoria na prática
Com base no que aprendeu até aqui sobre a purificação de água para uso em laboratórios, analise o exemplo
abaixo e decida sobre as opções mais indicadas.
Imagine que em um laboratório de análises clínicas, a direção decidiu atualizar o sistema de purificação de
água para garantir a máxima qualidade na preparação de reagentes e na limpeza de equipamentos. Esse
laboratório enfrentava desafios com a qualidade da água, que tinha impacto na precisão dos testes analíticos.
O comitê técnico do laboratório avaliou diferentes tecnologias de purificação de água para implementar a
solução mais eficaz. Diante dessa situação, qual método de purificação de água você julgaria o mais
adequado para o laboratório clínico, considerando a necessidade de água de alta pureza para análises
sensíveis e precisas? Passe o cursor em cima dos sistemas de purificação a seguir, e decida dentre eles qual
seria o ideal para ser utilizado nesse caso.
1 - Osmose reversa
2 - Filtração em carvão ativado
3 - Lâmpada ultravioleta
Atividade Discursiva
E aí, tomou sua decisão? Agora escreva no campo abaixo qual o melhor sistema para ser utilizado e porque o
escolheu.
Chave de resposta
Dentre os métodos apresentados, a osmose reversa seria o mais indicado, por ser altamente eficaz na
remoção de uma ampla variedade de contaminantes, incluindo íons, microrganismos e outras impurezas. A
radiação ultravioleta apenas elimina microrganismos, já a filtração em carvão ativado remove compostos
orgânicos, sendo utilizada como um sistema de pré-filtração, mas não é adequada como sistema de
purificação principal de água para laboratórios.
Atividade 2
Agora que estudou sobre a deionização da água, relembre e responda: qual é o princípio fundamental por trás
da troca iônica nesse processo?
A
Aumento da temperatura da solução para remover os íons.
B
Separação dos íons por meio de membranas semipermeáveis.
C
Transferência de elétrons entre os íons presentes na solução.
D
Substituição de íons presentes na solução por íons de carga oposta em uma matriz sólida.
E
Evaporação da água para eliminar os íons dissolvidos.
A alternativa D está correta.
A troca iônica é baseada na interação entre íons presentes em uma solução e grupos funcionais de uma
matriz sólida, como resinas. Esses grupos funcionais têm afinidade por íons de carga oposta, permitindo a
substituição dos íons presentes na solução pelos íons da resina.
Descontaminação de laboratórios e uso de agentes
químicos
Já aprendemos que os laboratórios são classificados de acordo com as suas classes de riscos e essa
classificação serve também para direcionar o sistema de descontaminação de material, pessoal e do
laboratório. É preciso, portanto, existir uma rotina de higienização bem descrita e consolidada através de
procedimentos operacionais padrão (POP) a fim de garantir as boas práticas de laboratório e evitar o risco de
acidentes e contaminações.
Atenção
Quando se trata de laboratórios clínicos, os riscos maiores envolvem a contaminação microbiana, então
a descontaminação deve acontecer periodicamente, sempre após cada uso. É fundamental a
conscientização e o treinamento do pessoal envolvido na rotina sobre os riscos de infecções e das
ações preventivas necessárias para garantir as boas práticas de laboratório e a biossegurança do local,
da equipe e do meio ambiente. 
O processo de descontaminação é definido como a técnica utilizada para a eliminação total ou parcial de
microrganismos ou ainda a remoção e neutralização de produtos químicos perigosos e material radioativo. O
objetivo principal é tornar o material biológico seguro para o descarte ou para a sua reutilização.
As etapas de descontaminação dependem do nível de contaminação e podem ser resumidas como:
 
Limpeza
Desinfecção
Esterilização
Além dos processos de descontaminação, as atividades dos laboratórios geram diferentes tipos de resíduos
que devem ser armazenados e descartados de acordo com a legislação vigente. Atualmente, a legislação que
regulamenta e classifica os tipos de resíduos é a RDC nº 222/2018 da ANVISA.
A partir de agora, conheceremos as principais etapas do processo de descontaminação e o os cuidados
relacionados ao armazenamento e ao descarte de resíduos biológicos e químicos.
Limpeza
• 
• 
• 
Limpeza sendo realizada no ambiente.
Profissional realizando a desinfecção com burrifador.
A limpeza é o processo de remoção de
partículas ou de material orgânico e pode estar
associada tanto aos materiais contaminados,
como ao pessoal e ao ambiente. É o primeiro
passo num processo de descontaminação e
inclui ações e cuidados de higiene dos
materiais e dos ambientes. Os procedimentos
de limpeza devem ser padronizados, incluindo o
tipo de água usada, além do sabão e o
detergente neutro que serão utilizados. Deve-
se usar pano úmido para retirar poeiras e
impurezas das superfícies.
Os funcionários da limpeza poderão ser
terceirizados, mas é preciso realizar
treinamentos contínuos e específicos a fim de
garantir a eficácia dos procedimentos de limpeza.
Desinfecção
A desinfecção é a etapa do processo de
descontaminação que visa a eliminação dos
microrganismos em sua forma vegetativa, de
ambientes, dos materiais, da pele e das mãos.
Esse processo não elimina as formas
esporuladas dos agentes infecciosos e pode
ser realizado por meios físicos e químicos. Os
procedimentos de desinfecção por meios
físicos basicamente utilizam o calor como
técnica para desinfecção. Já os procedimentos
químicos podem ser líquidos ou gasosos
utilizando-se desinfetantes ou germicidas.
Os agentes germicidas agem sob as bactérias
por dois métodos distintos:
A seguir, conheceremos os principais desinfetantes utilizados no processo de descontaminação dos
laboratórios:
Álcoois
Os álcoois mais utilizados nos processos de desinfecção são o álcool etílico (etanol) e o álcool
isopropílico (isopropranol). Embora ambos apresentem ação desinfetante, o etanol é mais utilizado,
pois possui maior ação germicida, menor custo e menor toxicidade. Os estudos demonstram que a
melhor faixa de concentração do etanol em água é entre 60% e 80% para a ação sobre os
microrganismos. Utiliza-se, usualmente, o álcool etílico a 70% como agente desinfetante e esse é o
mais importante dentro do laboratório para desinfecção de superfícies e materiais. Até hoje o
mecanismo de ação desinfetante do álcool não está muito esclarecido, mas acredita-se que ocorra
por desnaturação das proteínas de membrana. Dessa forma, é necessário que o álcool esteja diluído,
uma vez que na ausência de água as proteínas não são desnaturadas tão rapidamente, por isso o
álcool absoluto não é tão eficaz quanto o diluído a 70%.
Ação bactericida 
Elimina as bactérias e estas não são mais
capazes de se reproduzirem.
Ação bacteriostática 
Inibe a multiplicação das bactérias no
ambiente que for utilizado.
Compostos á base de cloro
O cloro inorgânico é um agente germicida altamente potente, entretanto, não deve ser utilizado em
sua forma pura devido ao seu alto poder oxidante, alta volatilidade e toxicidade. Assim, ele é usado na
forma de hipoclorito de sódio em concentrações de 2% a 4%. Nos laboratórios, é muito utilizado na
desinfecção de superfícies e materiais, inclusive quando contaminados com sangue, e para
recipientes de descarte como, por exemplo, ponteiras de pipetas e swabs. É muito ativo para agentes
infecciosos em sua forma vegetativa, como bactérias Gram-positivas e Gram-negativas, fungos, vírus
e micobactérias. O tempo de exposição necessário para sua ação de germicida é de cerca de 10
minutos, com 1% de cloro ativo livre. Mesmo quando diluído, é necessário tomar os devidos cuidados
na manipulação do hipoclorito de sódio, utilizando EPI adequados e seguindo os procedimentos
corretos de diluição, pois o produto possuiMáscaras e protetores faciais
	Protetores faciais ou face shields
	Máscaras de proteção
	Máscaras de proteção respiratória
	Luvas
	Luvas de proteção para o manuseio de material biológico
	Luvas de proteção ao frio e calor
	Luvas de proteção para o manuseio de produtos químicos
	Toucas ou gorros
	Protetores oculares e protetores auriculares
	Óculos de proteção
	Protetores auriculares
	Propés
	Calçados de segurança
	Equipamentos de Proteção Coletiva (EPC)
	Atenção
	Chuveiro de emergência
	Lava-olhos
	Atividade 4
	Aplicando o conhecimento
	Gestão de riscos em laboratório
	Conteúdo interativo
	2. Água laboratorial e processos de descontaminação
	Água no laboratório clínico e sistemas de filtração
	Sistemas de purificação de água
	Contaminantes da água
	Atenção
	Tipos de água para uso laboratorial
	Pré-filtração
	Filtração por adsorção por carvão vegetal ativado
	Ultrafiltração
	Microfiltração
	A água na prática laboratorial
	Conteúdo interativo
	Atividade 1
	Osmose reversa, destilação, deionização, abrandadores e radiação UV
	Osmose reversa
	Relembrando
	Destilação
	Deionização
	Tratamento com abrandadores (softeners)
	Radiação ultravioleta
	185 nm + 254 nm
	254 nm
	Osmose reversa, abrandadores e radiação UV
	Conteúdo interativo
	Teoria na prática
	1 - Osmose reversa
	2 - Filtração em carvão ativado
	3 - Lâmpada ultravioleta
	Atividade 2
	Descontaminação de laboratórios e uso de agentes químicos
	Atenção
	Limpeza
	Desinfecção
	Álcoois
	Compostos á base de cloro
	Formaldeído
	Compostos quaternários de amônio
	Descontaminação de material, pessoal e do laboratório
	Conteúdo interativo
	Atividade 3
	Desinfecção por agentes físicos
	Pasteurização
	Tindalização
	Esterilização
	Processos físicos
	Processos mecânicos
	Processos químicos
	Calor seco
	Flambagem ou incineração
	Estufas de esterilização ou forno de pasteur
	Calor úmido
	Irradiação
	Raios gama
	Raios uv
	Filtração
	Comentário
	1 - Água destilada
	2 - Mãos
	3 - Bancada de trabalho
	4 - Meios de cultura
	Desinfecção por meios físicos
	Conteúdo interativo
	Atividade 4
	Descarte de resíduos
	Grupo A
	Grupo B
	Grupo C
	Grupo D
	Grupo E
	Grupo A
	Grupo B
	Grupo E
	Gestão de resíduos
	Conteúdo interativo
	Atividade 5
	Aplicando o conhecimento
	3. Conclusão
	Considerações finais
	Explore +
	Referências

Mais conteúdos dessa disciplina