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Introdução às boas práticas laboratoriais Serão abordados conceitos básicos de boas práticas laboratoriais, englobando biossegurança, sistemas de tratamento de água em laboratórios clínicos, descontaminação laboratorial e descartes de resíduos, de modo a garantir a confiabilidade dos resultados laboratoriais. Profa. Patrícia de Castro Moreira Dias, Prof. Daniel Clemente de Moraes 1. Itens iniciais Objetivos Descrever os conceitos básicos de boas práticas aplicados aos laboratórios clínicos. Identificar as técnicas de purificação de água e a descontaminação de acordo com as boas práticas de laboratório. Introdução O estudante que escolhe a área de saúde como profissão precisa compreender logo de início que, mais cedo ou mais tarde, ele estará dentro de um laboratório, seja este voltado para o ensino, para a pesquisa ou para as práticas laboratoriais. E os laboratórios podem ser considerados áreas de trabalho complexas, uma vez que convivem ali os mais diferentes tipos de artefatos, desde pessoas a equipamentos, reagentes, solventes, vidrarias, microrganismos e documentos. Dessa forma, é preciso garantir a segurança de todos no dia a dia de trabalho, evitando os riscos de acidentes e contaminação com agentes biológicos e químicos. Esses cuidados são conhecidos como boas práticas laboratoriais (BPL) e se aplicam a todos os tipos de laboratórios – químicos, biológicos, físicos e clínicos. Neste tema, abordaremos as boas práticas de laboratórios clínicos voltadas mais especificamente aos laboratórios de análises clínicas. Nesse contexto, é necessário observar as interações que contribuem para o sistema, tais como fatores humanos, ambientais, tecnológicos, educacionais e normativos. Geralmente, isso tudo está associado a um conceito mais abrangente relacionado à biossegurança em laboratórios clínicos. Assim, as BPL caminham com a biossegurança em laboratórios clínicos. Para compreendermos melhor esses conceitos, abordaremos as instalações físicas de um laboratório clínico, suas acomodações e infraestrutura, as condutas e as contenções laboratoriais. Conheceremos os processos de desinfecção e esterilização e os sistemas de tratamento de água utilizados na prática analítica e clínica. Falaremos ainda sobre os tipos de riscos químicos e biológicos e o descarte de resíduos gerados pelos laboratórios. Por fim, conheceremos a legislação e as regulamentações que abrangem as atividades laboratoriais no Brasil. • • 1. Conceitos básicos de boas práticas laboratoriais Biossegurança em laboratório clínico Introdução às boas práticas laboratoriais (BPL) As boas práticas de laboratório são definidas pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA) como um: Sistema da qualidade relativo à organização e às condições sob as quais os estudos em laboratório e no campo são planejados, realizados, monitorados, registrados, relatados e arquivados. (Anvisa, 2001) Esse conceito abrange todos os tipos de laboratórios de forma geral sem focar em nenhum tipo específico, contemplando os produtos para a saúde humana, vegetal, animal e ao meio ambiente, como nos seguintes casos: Testes de produtos químicos, biológicos ou biotecnológicos para obtenção de propriedades físicas, químicas e físico-químicas. Concessão, renovação ou modificação de registro e pesquisa de produtos químicos, biológicos ou biotecnológicos, tais como produtos farmacêuticos, correlatos, agrotóxicos e afins; produtos veterinários; cosméticos; aditivos de alimentos e rações e produtos químicos industriais. De forma resumida, portanto, podemos observar o seguinte: Definição Boas práticas de laboratório são o conjunto de normas que dizem respeito à organização e às condições sob as quais estudos em laboratórios e/ou campo são planejados, realizados, monitorados, registrados e relatados. Princípios As BPL fixam os padrões mínimos para um laboratório funcionar adequadamente visando o homem/ vegetais/animais e o meio ambiente. Abrangência Os princípios das BPL são aplicáveis a estudos relacionados à saúde humana, vegetal, animal e ao meio ambiente, nos casos previstos nas respectivas normas. Infraestrutura laboratorial • • Profissionais em um laboratório. Para garantir a segurança dos laboratórios é necessário o planejamento adequado de toda a sua área com as regulamentações específicas e com o nível de biossegurança exigido para cada tipo de laboratório, de acordo com os diferentes níveis de riscos existentes. Atualmente, no Brasil, a legislação que regulamenta esse setor é a RDC nº 50 de 21 de fevereiro de 2002, que dispõe sobre o regulamento técnico para planejamento, programação, elaboração e avaliação de projetos físicos de estabelecimentos assistenciais de saúde. O layout de um laboratório pode também ser considerado um tipo de contenção laboratorial conhecida como barreira secundária. Os níveis de riscos em biossegurança são estabelecidos de acordo com o agente patológico de maior classe de risco envolvido, e as características físicas, estruturais e de contenção de um laboratório estão relacionadas justamente ao nível de risco que será manipulado naquele local. De acordo com a legislação atual, os níveis de biossegurança estão classificados em quatro grupos e os projetos de laboratórios podem ser planejados segundo esta classificação de risco, como veremos a seguir (Brasil, 2002): Nível 1 de biossegurança (NB-1) É o nível de risco mais baixo para o indivíduo e a comunidade, no qual podem ser manipulados agentes biológicos conhecidos por não causarem doenças no homem ou nos animais adultos sadios, como: Lactobacillus spp. e Bacillus subtilis. Laboratório NB-1 Todo o laboratório deve apresentar a identificação do seu nível de segurança e dos agentes biológicos respectivos. Risco biológico Observe a imagem a seguir: Risco biológico. Em relação à avaliação de risco, devemos descriminar os seguintes pontos: Organismo Classe de Risco • • Pesquisador responsável Telefone para contato Precisamos observar que é proibida a entrada de pessoas não autorizadas, com acesso controlado e separação do acesso ao público. As paredes, pisos e tetos devem ser impermeáveis e resistentes à desinfecção. A autoclave deve estar próxima do laboratório e ter local para armazenar os equipamentos de proteção individual (EPI) de uso exclusivo do laboratório, como podemos observar na próxima imagem: Layout de laboratório NB-1. Analisando a imagem sobre laboratório NB-1, observamos que esse tipo de laboratório possui controle de acesso, pia para lavar as mãos, mapa de risco, equipamentos de proteção individual, bancadas impermeáveis e autoclave. Nível 2 de biossegurança (NB-2) É o nível de risco moderado para o indivíduo e limitado para a comunidade, no qual podem ser manipulados os agentes biológicos que provocam infecções no homem ou nos animais, de forma limitada e para os quais existem medidas profiláticas e terapêuticas conhecidas, como, por exemplo: Schistosoma mansoni e o vírus da rubéola. Laboratório NB-2 Esse laboratório deve apresentar todos os critérios recomendados nos laboratórios NB-1 e, além da pia, lavatório próxima à entrada do laboratório com acionamento sem uso das mãos; sistema central de ventilação com janelas vedadas; sistema de geração de emergência elétrica; antecâmara e cabine de segurança biológica. Mais adiante, compreenderemos melhor o uso desses equipamentos na imagem a seguir: Layout de laboratório NB-2. A seguir, conheceremos outros níveis de biossegurança. Vamos lá! Nível 3 de biossegurança (NB-3) É o nível de risco alto para o indivíduo e moderado para a comunidade, no qual podem ser manipulados os agentes biológicos que possuem capacidade de transmissão, em especial por via respiratória, e que causam doenças em humanos ou animais potencialmente letais, para as quais existem usualmente medidas profiláticas e terapêuticas. Representam risco se disseminados na comunidade e no meio ambiente, podendo se propagar de pessoa a pessoa, como por exemplo: Bacillus anthracis e vírus da imunodeficiênciauma série de efeitos adversos, causando irritação severa do trato respiratório. Formaldeído Ainda nos dias atuais o formaldeído pode ser utilizado em áreas (cabines de segurança biológica) e superfícies de laboratórios para o processo de desinfecção por meio do método da fumigação, apesar de sua alta toxicidade. Ele possui atividade para bactérias Gram-positivas e Gram-negativas, fungos e vírus. Devido à sua alta toxicidade, o operador deverá utilizar EPI com proteção ocular, máscara de gás com filtro adequado e manter os devidos cuidados para o trato respiratório. Compostos quaternários de amônio Recentemente, esta classe de agentes desinfetantes tem sido bastante difundida devido à sua baixa toxicidade. Essa substância foi amplamente empregada na descontaminação de superfícies e ambientes, como pontos de ônibus e ambientes das comunidades, durante a pandemia do coronavírus. Apesar disso, é necessário avaliar as concentrações de uso e eficácia desses agentes a fim de garantir a eficácia do processo de desinfecção. Exemplo de desinfetante: Cloreto de cetil trimetil amônio. Descontaminação de material, pessoal e do laboratório O vídeo vai explicar as etapas de descontaminação, que dependem do nível de contaminação, os agentes germicidas que agem sob as bactérias e os principais desinfetantes utilizados no processo de descontaminação dos laboratórios, ou seja, vai abordar o uso de agentes químicos. Conteúdo interativo Acesse a versão digital para assistir ao vídeo. Atividade 3 Com base no que aprendeu até aqui, por que é importante seguir as instruções de diluição e o tempo de contato recomendados ao usar agentes químicos para descontaminação? A Para garantir que as superfícies não fiquem danificadas. B Para maximizar a eficácia do agente químico contra os microrganismos. C Para evitar reações alérgicas nos usuários. D Para reduzir o custo operacional. E Para minimizar a produção de resíduos tóxicos. A alternativa B está correta. A diluição correta garante que a concentração do agente seja ideal para eliminar os microrganismos, enquanto o tempo de contato adequado permite que o agente tenha ação suficiente para atingir esse objetivo. Assim, seguir essas instruções é essencial para garantir resultados eficazes na descontaminação das superfícies. Desinfecção por agentes físicos Conforme citado anteriormente, os processos de desinfecção podem ser realizados por meios físicos, utilizando-se basicamente o calor. Dentre essas técnicas, destacam-se: Pasteurização É muito utilizada para alimentos como leite e sucos de frutas, porém, mais especificamente, para produtos suscetíveis a altas temperaturas. Foi desenvolvida pelo cientista Louis Pasteur em 1864 e consiste em aquecer os produtos a 60°C por um determinado tempo e depois resfriá-los. Dessa forma, reduz-se o número de microrganismos presentes evitando a deterioração do produto. Tindalização É um tipo de esterilização fracionada na qual é aplicado vapor d’água contínuo (entre 60°C e 90°C) durante 30 a 60 minutos, repetidas vezes, resfriando-se entre cada aquecimento. O número de operações varia de 3 a 12 ciclos dependendo do grau de contaminação. Durante o período de resfriamento (cerca de 24 horas), as formas esporuladas passam novamente às formas vegetativas e podem ser eliminadas quando submetidas ao vapor contínuo mais uma vez. Esse processo é muito utilizado na indústria de alimentos e na indústria farmacêutica em produtos sensíveis à temperatura. Esterilização A esterilização é um processo de eliminação de todas as formas de microrganismos, incluindo as esporuladas. Dessa forma, este processo promove a eliminação completa de todos os microrganismos em um determinado material, superfície ou ambiente. É possível afirmarmos que geralmente os processos de esterilização utilizam métodos físicos, e os de desinfecção, métodos químicos. Entretanto, isso não necessariamente é uma regra, já que os métodos químicos também podem ser utilizados para o processo de esterilização, principalmente os gasosos. Os métodos de esterilização podem ser classificados em 3 tipos: Processos físicos Calor e radiação. Processos mecânicos Filtração. Processos químicos Agentes bactericidas. Dentre os métodos mais utilizados para a esterilização em laboratórios estão os métodos físicos, que podem ser por calor seco ou úmido, ou ainda por irradiações. Calor seco Esta técnica pode ser dividida em flambagem e circulação de ar quente. Flambagem ou incineração Muito utilizada em laboratórios para eliminar microrganismos por calor direto, utilizando-se a alça bacteriológica e o bico de Bunsen. Quando a alça estiver totalmente incandescente, é sinal de que ocorreu a esterilização. Estufas de esterilização ou forno de pasteur Utilizada geralmente para materiais que não suportam calor úmido e que são resistentes a altas temperaturas, tais como o aço, o vidro e os pós (termorresistentes, óleos e gorduras). As estufas de ar circulante são as mais utilizadas, apresentando temperaturas que variam de 160°C a 250°C. Calor úmido Este processo consiste em submeter os produtos ao contato com calor úmido e à alta pressão, utilizando-se uma autoclave. É considerado o método de esterilização mais eficiente e deve ser sempre o de primeira escolha. Esquema de Autoclave. Conforme ocorre um aumento da pressão, maior será o ponto de ebulição da água. Observe a seguir: 0,5 atm............... 110°C 1 atm ................. 121°C 1,5 atm .............. 127°C É possível esterilizar os mais diversos tipos de materiais como borracha, látex, ampolas cheias, meios de cultura, roupas e equipamentos diversos. Para controlar e garantir a eficácia do processo de esterilização, é possível utilizar-se de indicadores químicos e biológicos durante a autoclavação, como as fitas ou etiquetas adesivas e o Bacillus stearothermophilus. Irradiação Ainda dentro dos processos de esterilização por métodos físicos, a irradiação é uma alternativa aos processos que utilizam calor. Existem dois tipos de irradiação: as ionizantes, que utilizam comprimentos de onda mais curtos e de maior energia (como os raios gama, por exemplo), e as não ionizantes (como a radiação ultravioleta). Raios gama É um tipo de radiação ionizante que pode ser utilizada para a esterilização de grandes lotes de produtos, tais como seringas, agulhas, luvas, cateteres etc. Elimina os microrganismos sem aumento de temperatura. Ainda representa alto custo para as empresas. • • • Raios uv É um tipo de radiação não ionizante e que, apesar do seu baixo poder de penetração, é muito eficiente em processos de purificação de água, no âmbito hospitalar e nas câmaras de segurança biológica como lâmpadas UV, auxiliando no processo de esterilização após a desinfecção das superfícies. Deve-se tomar cuidado, pois pode causar danos aos olhos e à pele. Filtração É um processo mecânico de esterilização que depende do tipo de material filtrante utilizado. Para filtrações esterilizantes é necessário que as membranas filtrantes apresentem tamanho de poro de 0,22µm. Comentário Esse método pode ser utilizado para esterilizar pequenos volumes, quando é conhecido como microfiltração, mas é mais comum ser usado para a filtração do ar em ambientes estéreis, utilizando os filtros HEPA, como nas câmaras de segurança biológica. Conforme visto anteriormente, os agentes químicos geralmente são mais utilizados para os processos de desinfecção. Entretanto, os agentes químicos gasosos como o óxido de etileno também podem ser usados como método de esterilização. Isso se deve ao seu alto poder de penetração e ação esporicida. Ainda assim, seu uso é bastante restrito por se tratar de gás explosivo e de alto custo de processo. Diversos métodos químicos e físicos podem ser utilizados para redução da carga microbiana em objetos e superfícies. Imagine que a direção de um laboratório de análises clínicas consultou você para escolher os melhores métodos de descontaminação a serem utilizados no laboratório. Para cada item abaixo,sugira um método de descontaminação apropriado. 1 - Água destilada Filtração 2 - Mãos Sabão 3 - Bancada de trabalho Álcool 70% 4 - Meios de cultura Autoclavação ou filtração Desinfecção por meios físicos O vídeo vai explicar e demonstrar como funciona a desinfecção por meios físicos, utilizando o calor e a radiação, explicar a pasteurização e a tindalização. Vai demonstrar flambagem, circulação de ar quente em estufas, fornos de Pasteur, mencionar e mostrar brevemente a autoclave e demonstrar uso de raios UV. Conteúdo interativo Acesse a versão digital para assistir ao vídeo. Atividade 4 Interessante o que aprendemos sobre a desinfecção de laboratórios por agentes físicos, não é? Agora reflita e responda qual é mesmo o principal mecanismo pelo qual uma autoclave esteriliza materiais? A Radiação ultravioleta B Filtração por membrana C Desidratação D Calor úmido sob pressão E Eletroquímica A alternativa D está correta. Autoclaves utilizam vapor de água aquecido a alta temperatura e pressão para esterilizar materiais. Esse calor úmido é altamente eficaz na eliminação de microrganismos, incluindo bactérias, vírus e esporos, tornando o processo de autoclavagem um dos métodos mais confiáveis para esterilização em ambientes médicos, laboratoriais e industriais. Descarte de resíduos Recipientes de lixo com símbolo de risco biológico. As atividades de rotina dos laboratórios clínicos geram diferentes tipos de resíduos que devem ser armazenados e descartados de acordo com a legislação vigente. Atualmente, a legislação que regulamenta e classifica os tipos de resíduos é a RDC nº 222/2018 da Agência Nacional de Vigilância Sanitária. Os grupos de resíduos de saúde podem ser classificados da seguinte maneira: Com exceção do grupo C, a maioria dos laboratórios clínicos apresentam resíduos pertencentes a todos os outros grupos. Uma vez que os resíduos do grupo D não apresentam riscos à saúde e podem ser equiparados aos resíduos domiciliares, devemos focar, portanto, nos grupos A, B e E. Grupo A Resíduos com a possível presença de agentes biológicos que, por suas características, podem apresentar risco de infecção (A1, A2, A3, A4, A5). Grupo B Resíduos contendo produtos químicos que apresentam periculosidade à saúde pública ou ao meio ambiente, dependendo de suas características de inflamabilidade, corrosividade, reatividade, toxicidade, carcinogenicidade, teratogenicidade, mutagenicidade e quantidade. Grupo C Qualquer material que contenha radionuclídeo em quantidade superior aos níveis de dispensa especificados em norma da Comissão Nacional de Energia Nuclear (CNEN) e para os quais a reutilização é imprópria ou não prevista. Grupo D Resíduos que não apresentam risco biológico, químico ou radiológico à saúde ou ao meio ambiente, podendo ser equiparados aos resíduos domiciliares. Grupo E Materiais perfurocortantes ou escarificantes, tais como lâminas de barbear, agulhas, escalpes, ampolas de vidro, brocas, limas endodônticas, pontas diamantadas, lâminas de bisturi, lancetas tubos capilares, ponteiras de micropipetas, lâminas e lamínulas, espátulas, todos os utensílios de vidro quebrados no laboratório (pipetas, tubos de coleta sanguínea e placas de Petri) e outros similares. Com exceção do grupo C, a maioria dos laboratórios clínicos apresentam resíduos pertencentes a todos os outros grupos. Uma vez que os resíduos do grupo D não apresentam riscos à saúde e podem ser equiparados aos resíduos domiciliares, devemos focar, portanto, nos grupos A, B e E. Grupo A O grupo A ainda é subdivido em A1, A2, A3, A4 e A5. Neste grupo, destacam-se os subtipos A1 e A4. O descarte de resíduos do grupo A1 deve sofrer tratamento prévio para a redução e eliminação da carga microbiana e, ainda no caso de materiais de Nível III, inativação total da carga microbiana. Os Resíduos de Serviços de Saúde (RSS) do grupo A4 não necessitam de tratamento prévio e devem ser embalados em saco branco leitoso devidamente identificado para descarte final em ambiente adequado. Segundo a RDC n° 222/2018, alguns exemplos de RSS do grupo A4: Recipientes e materiais resultantes do processo de assistência à saúde, que não contenha sangue ou líquidos corpóreos na forma livre; Cadáveres, carcaças, peças anatômicas, vísceras e outros resíduos provenientes de animais não submetidos a processos de experimentação com inoculação de microrganismos. Bolsas transfusionais vazias ou com volume residual pós-transfusão. Sobras de amostras de laboratório e seus recipientes contendo fezes, urina e secreções, provenientes de pacientes que não contenham e nem sejam suspeitos de conter agentes classe de risco 4, e nem apresentem relevância epidemiológica e risco de disseminação, ou microrganismo causador de doença emergente que se torne epidemiologicamente importante ou cujo mecanismo de transmissão seja desconhecido ou com suspeita de contaminação com príons. Agora confira os dois últimos grupos que devemos nos atentar. Grupo B Para o descarte dos RSS do grupo B é necessário avaliar a periculosidade das substâncias presentes de acordo com as respectivas FISPQs (Ficha de informações de segurança de produtos químicos), respeitando suas características de inflamabilidade, corrosividade, reatividade e toxicidade. Esses resíduos devem ser previamente tratados de acordo com as suas características químicas e é proibido o encaminhamento de RSS na forma líquida para disposição final em aterros sanitários. Grupo E Os materiais perfurocortantes do grupo E devem ser descartados em recipientes identificados, rígidos, providos com tampa, resistentes à punctura, ruptura e vazamento. O recipiente de acondicionamento deve conter a identificação de todos os riscos presentes. As seringas e agulhas devem passar por tratamento prévio antes do descarte final. Gestão de resíduos O vídeo vai abordar o descarte e a gestão de resíduos, contextualizando com estudo de caso sobre gestão de resíduos, focando nos grupos principais para laboratórios clínicos, grupos A, B e E. Conteúdo interativo Acesse a versão digital para assistir ao vídeo. Atividade 5 Por que você acha que o descarte correto de resíduos de serviços de saúde é de extrema importância? A Para reduzir os custos operacionais dos serviços de saúde. B Para evitar a contaminação do meio ambiente e proteger a saúde pública. • • • • C Para criar empregos na área de gestão de resíduos. D Para maximizar a eficiência energética dos sistemas de tratamento de resíduos. E Para garantir a segurança dos funcionários dos serviços de saúde. A alternativa B está correta. O descarte inadequado de resíduos de serviços de saúde pode resultar na disseminação de patógenos, produtos químicos e materiais biológicos perigosos para o meio ambiente e para as comunidades circundantes. O descarte correto é essencial para prevenir riscos à saúde pública, proteger ecossistemas e garantir um ambiente seguro para todos. Aplicando o conhecimento Numa cidade de médio porte, a clínica Amanhecer, especializada em serviços de saúde diversos, incluindo tratamentos médicos e odontológicos, enfrenta um desafio crescente: o manejo adequado de seus resíduos de serviço de saúde (RSS). Diariamente, a clínica gera diferentes tipos de resíduos, incluindo materiais perfurocortantes, resíduos químicos de exames laboratoriais e medicamentos vencidos ou parcialmente utilizados. A falta de um plano eficaz de gestão desses resíduos começou a levantar preocupações sobre os riscos ambientais e de saúde pública associados ao descarte inadequado. Para resolver essa questão, a administração da clínica Amanhecer decidiu implementar um programa de gestão de resíduos que inclui a segregação na fonte, acondicionamento seguro, transporte, tratamento e disposição final ambientalmente adequada dos RSS. A segregação na fonte exige que os funcionários da clínica classifiquem os resíduos no ponto de geração, separando-os conforme suas características e riscos associados. Materiais perfurocortantes, por exemplo,Máscaras e protetores faciais Protetores faciais ou face shields Máscaras de proteção Máscaras de proteção respiratória Luvas Luvas de proteção para o manuseio de material biológico Luvas de proteção ao frio e calor Luvas de proteção para o manuseio de produtos químicos Toucas ou gorros Protetores oculares e protetores auriculares Óculos de proteção Protetores auriculares Propés Calçados de segurança Equipamentos de Proteção Coletiva (EPC) Atenção Chuveiro de emergência Lava-olhos Atividade 4 Aplicando o conhecimento Gestão de riscos em laboratório Conteúdo interativo 2. Água laboratorial e processos de descontaminação Água no laboratório clínico e sistemas de filtração Sistemas de purificação de água Contaminantes da água Atenção Tipos de água para uso laboratorial Pré-filtração Filtração por adsorção por carvão vegetal ativado Ultrafiltração Microfiltração A água na prática laboratorial Conteúdo interativo Atividade 1 Osmose reversa, destilação, deionização, abrandadores e radiação UV Osmose reversa Relembrando Destilação Deionização Tratamento com abrandadores (softeners) Radiação ultravioleta 185 nm + 254 nm 254 nm Osmose reversa, abrandadores e radiação UV Conteúdo interativo Teoria na prática 1 - Osmose reversa 2 - Filtração em carvão ativado 3 - Lâmpada ultravioleta Atividade 2 Descontaminação de laboratórios e uso de agentes químicos Atenção Limpeza Desinfecção Álcoois Compostos á base de cloro Formaldeído Compostos quaternários de amônio Descontaminação de material, pessoal e do laboratório Conteúdo interativo Atividade 3 Desinfecção por agentes físicos Pasteurização Tindalização Esterilização Processos físicos Processos mecânicos Processos químicos Calor seco Flambagem ou incineração Estufas de esterilização ou forno de pasteur Calor úmido Irradiação Raios gama Raios uv Filtração Comentário 1 - Água destilada 2 - Mãos 3 - Bancada de trabalho 4 - Meios de cultura Desinfecção por meios físicos Conteúdo interativo Atividade 4 Descarte de resíduos Grupo A Grupo B Grupo C Grupo D Grupo E Grupo A Grupo B Grupo E Gestão de resíduos Conteúdo interativo Atividade 5 Aplicando o conhecimento 3. Conclusão Considerações finais Explore + Referênciashumana (HIV). Laboratório NB-3 • • Local em que são manipulados agentes biológicos patogênicos que podem causar danos à saúde humana, à saúde animal e ao meio ambiente. Esse tipo de laboratório pode ser designado para análises clínicas, laboratórios universitários ou de pesquisa. A equipe de trabalho desse tipo de laboratório deve usar os equipamentos de proteção individual (EPI) específicos para essas atividades e deve passar por treinamentos periódicos sob a supervisão de profissional qualificado como podemos ver na imagem a seguir: Layout de laboratório NB-3. Ao analisar a imagem de um laboratório NB-3, constatamos que esse tipo de instalação possui acesso ao laboratório com porta dupla com fechamento automático, controle de acesso, chuveiro, mapa de riscos, pia para lavar as mãos, tubulação selada, cabine de segurança biológica, equipamentos de proteção individual (máscaras com filtro HEPA), bancada, autoclave (deve estar próximo ao laboratório), exaustão com filtro HEPA e descontaminação dos efluentes. Nível 4 de biossegurança (NB-4) É o nível de risco mais alto, tanto para o indivíduo como para a comunidade, no qual podem ser manipulados os agentes biológicos com alto poder de transmissibilidade, em geral a via respiratória, ou de transmissão desconhecida. Não costumam existir medidas profiláticas ou terapêuticas eficazes contra essas infecções. Exemplos: o vírus Ebola e o da varíola. Laboratório NB-4 Este é o laboratório mais complexo que trata de agentes patológicos de alto risco de contágio, podendo causar a morte. Nesses laboratórios, há o maior nível de contenção, no qual requer, além dos requisitos físicos e operacionais dos níveis 1, 2 e 3, barreiras de contenção (instalações, desenho e equipamentos de procedimentos especiais de segurança). Esse laboratório deve ser separado ou estar em uma zona isolada de outros prédios, com porta dupla de entrada, escoamento interno do ar unidirecional, sistemas aperfeiçoados para suprimento, exaustão do ar, formação de vácuo e descontaminação. A antessala deve ter a entrada fechada, com pisos, paredes e tetos vedados de forma a se obter espaço lacrado. Os profissionais devem trabalhar com equipamentos de proteção pressurizados e devem ter no laboratório sempre dois funcionários trabalhando como podemos observar na imagem a seguir: Layout de laboratório NB-4. O que são as BPL e os níveis de biossegurança Este vídeo aborda a definição das boas práticas laboratoriais segundo a Anvisa e os diferentes níveis de biossegurança, descrevendo as diferenças entre cada um dos quatro níveis quanto à infraestrutura e os agentes biológicos manipulados. Conteúdo interativo Acesse a versão digital para assistir ao vídeo. Atividade 1 Questão 1 Os níveis de biossegurança (NB) são classificações que refletem o grau de risco associado ao manuseio de microrganismos e outros agentes biológicos. Esses níveis determinam as medidas de segurança necessárias para proteger os trabalhadores de laboratório e o meio ambiente. Reflita sobre o que aprendeu até aqui e indique qual das seguintes afirmações melhor descreve a progressão dos níveis de biossegurança de NB1 a NB4. A NB1 é o nível mais alto, requerendo instalações de contenção máxima, enquanto NB4 é o nível mais baixo, aplicável a agentes que não causam doenças em humanos adultos saudáveis. B Todos os níveis de biossegurança requerem as mesmas medidas de segurança, variando apenas o tipo de agente manipulado. C À medida que o nível de biossegurança aumenta, de NB1 para NB4, diminui-se a necessidade de equipamento de proteção individual, devido à maior eficácia das cabines de segurança biológica. D NB1 aplica-se a agentes que são conhecidos por não causarem doenças em humanos adultos saudáveis, enquanto NB4 aplica-se a agentes que representam um alto risco de transmissão por via aérea e causam doenças graves ou potencialmente letais. E A principal diferença entre NB2 e NB3 é que NB2 permite o trabalho com agentes biológicos em espaços abertos, enquanto NB3 exige a realização de todos os procedimentos em ambientes externos ao laboratório. A alternativa D está correta. Funcionários do laboratório utilizando os equipamentos. A diferença entre os níveis de biossegurança (NB) está na natureza progressiva e na finalidade específica de cada nível, refletindo o grau de risco associado e as medidas de segurança necessárias para manipular diferentes tipos de agentes biológicos. Cada aumento no nível de biossegurança traz consigo uma maior complexidade nas medidas de segurança e no design das instalações, refletindo diretamente o aumento do risco associado aos agentes manipulados. Equipamentos, materiais e reagentes Equipamentos Todo laboratório, para ter um bom funcionamento, necessita de uma série de equipamentos, os quais devem ser instalados em locais seguros, com os devidos cuidados em sua rede elétrica, livres de vibrações, correntes de ar, incidência de luz solar, umidade e calor. Para que os equipamentos funcionem corretamente, é necessário seguir as recomendações dos fabricantes, elaborar o procedimento operacional padrão (POP), seguir o plano de validação, qualificação, calibração e manutenção. É recomendado também um plano de manutenção preventiva para os equipamentos científicos de uso rotineiro, a fim de se garantir uma maior vida útil deles, segundo Molinaro (2009). Dentre os muitos tipos de equipamentos necessários para um laboratório clínico, destacaremos aqui as capelas de exaustão e as câmaras de segurança. Acompanhe! Capelas de exaustão As capelas de exaustão são, na verdade, consideradas equipamentos de proteção coletiva (EPC) dentro de um laboratório e, portanto, são praticamente de uso obrigatório. Capelas de exaustão. É recomendado também um plano de manutenção preventiva para os equipamentos científicos de uso rotineiro, a fim de se garantir uma maior vida útil deles, segundo Molinaro (2009). Dentre os muitos tipos de equipamentos necessários para um laboratório clínico, destacaremos aqui as capelas de exaustão e as câmaras de segurança. Acompanhe! Cabine de fluxo laminar. Câmaras de segurança biológica e fluxos laminares Muito parecidos com as capelas de exaustão, as câmaras de segurança biológica e os fluxos laminares são utilizados para a manipulação de agentes biológicos, meios de cultura e diluentes que necessitem de um ambiente estéril. Muitas vezes, é difícil para o estudante diferenciar uma capela de um fluxo laminar olhando-os rapidamente ou a certa distância. A grande diferença entre eles é justamente a capacidade que os fluxos laminares possuem de produzir um ambiente estéril, protegendo o operador e o produto manipulado da contaminação biológica. Essas cabines de fluxo laminar utilizam filtros absolutos ou HEPA, considerados filtros de alta eficiência. Os filtros HEPA, cuja palavra origina-se do inglês (High Efficiency Particulate Arrestance). O filtro HEPA retém 99.97% das partículas de 0.3 µm de diâmetro e 99.99% das partículas maiores ou mais pequenas. Existem basicamente dois tipos de cabines de fluxo laminar: Já as câmaras de segurança biológica (ou cabines de segurança biológica) são equipamentos mais completos e garantem a proteção do operador, do produto e do meio ambiente. Isso ocorre porque esse tipo de equipamento funciona com pressão negativa, evitando a saída do ar para o meio ambiente. As cabines de segurança biológica são classificadas em três tipos: Classe I Esta é a menos utilizada, pois funciona basicamente como uma capela de exaustão, protegendo apenas o operador e o ambiente, mas não protegendo o produto. Utiliza um filtro HEPA para proteger o meio ambiente. Ela é utilizada para a manipulação de produtos químicos voláteis. Fluxo vertical Tipo de cabine que tende a apresentar maior eficiência de proteção tanto ao operador quanto ao produto manipulado. Geralmente, ocorre 100% de recirculação do ar. Fluxo horizontal Tipo de cabine na qual ocorre apenas a proteção do produto manipulado e só deve ser utilizadacom materiais que não tragam risco de contaminação para o operador. Geralmente, ocorre 100% de renovação do ar. Recomendações para equipamentos, materiais e reagentes Classe II Esta é a classe mais utilizada, apresentando várias subdivisões: A (A1, A2) e B (B1, B2) e pode ser usada para manipular agentes biológicos dos grupos de risco 2 e 3. Esse tipo de cabine possui uma grelha frontal por onde o ar entra e passa por um filtro HEPA, protegendo o operador e proporcionando uma diminuição na contaminação da área de trabalho interna. Na cabine tipo A1, ocorre a recirculação de 70% do ar e 30% da renovação do ar liberados para o interior do laboratório. No tipo A2, ocorre o mesmo processo da A1, mas os 30% de ar renovado são liberados para o meio externo por meio de um sistema de dutos. Por outro lado, nas cabines do tipo B há uma pequena diferença: na do tipo B1, 30% do ar recircula e 70% é expelido por exaustão externa assim como 30% do ar é renovado, formando, portanto, uma cortina protetora na parte frontal do equipamento. Já nas do tipo B2, ocorre 100% da renovação do ar com dois filtros HEPA, sendo um utilizado para o insuflamento de ar e o outro para a exaustão, conduzindo o ar para fora do laboratório por meio de um sistema de dutos. Classe III Esta é a cabine de segurança biológica mais completa, na qual pode-se operar com um nível 3 e 4 de biossegurança. O sistema é todo fechado, ventilado e controlado por filtros HEPA, com pressão negativa, e a operação ocorre por meio de braços com luvas de borracha. Todo o material utilizado segue para a esterilização antes de ser descartado. No Brasil, as cabines do tipo A1 são as mais utilizadas devido ao preço e o melhor custo-benefício. É preciso observar que tal sistema não pode ser utilizado para produtos tóxicos ou voláteis, uma vez que o ar contaminado não é eliminado para o ambiente. Materiais e reagentes Os materiais e reagentes utilizados no dia a dia de um laboratório clínico deverão ser de boa procedência e qualidade. Para isso, é preciso que haja a qualificação dos fornecedores, apresentando toda a documentação necessária e as informações pertinentes aos materiais e reagentes, tais como origem, identidade, composição, data de fabricação, validade, condições de armazenamento e informações de periculosidade. Por se tratarem, na sua maioria, de reagentes químicos e biológicos, um dos pontos críticos diz respeito à estocagem e ao armazenamento desses produtos, que devem seguir rigorosamente as normas técnicas e regulações dos órgãos competentes. Recomendações para equipamentos, materiais e reagentes Este vídeo aborda as recomendações para equipamentos (POP, instalação, posicionamento, calibração, manutenção), materiais e reagentes (boa procedência e qualidade, estocagem, armazenamento, data de validade), destacando os cuidados necessários com equipamentos laboratoriais, materiais e reagentes para garantir seu correto funcionamento. Conteúdo interativo Acesse a versão digital para assistir ao vídeo. Atividade 2 Você conheceu as capelas de exaustão e de segurança biológica e entendeu que existem diferenças entre elas. Vamos relembrar? Escolha a opção que melhor descreve tais diferenças. A As capelas de exaustão são usadas exclusivamente para trabalhos com materiais radioativos, enquanto as capelas de segurança biológica são usadas apenas para manipulação de agentes químicos voláteis. B Ambos os tipos de capela servem o mesmo propósito, que é filtrar e recircular o ar de volta ao laboratório, sem diferenças significativas nas suas funções ou aplicações. C As capelas de exaustão protegem o usuário de vapores químicos nocivos, exaurindo o ar para fora do edifício, enquanto as capelas de segurança biológica protegem o usuário e o material de trabalho de contaminação cruzada, através de um fluxo de ar filtrado. D A principal diferença está na capacidade de ajuste da velocidade do ar. Capelas de exaustão permitem ajustes manuais detalhados da velocidade do ar, enquanto as capelas de segurança biológica operam com uma velocidade de ar fixa. E As capelas de segurança biológica são utilizadas para armazenar produtos químicos perigosos a longo prazo, enquanto as capelas de exaustão são empregadas para a eliminação segura de resíduos químicos. A alternativa C está correta. A diferença entre capelas de exaustão e de segurança biológica reflete suas respectivas funções críticas em um laboratório. Capelas de exaustão focam em salvaguardar o operador de exposições perigosas a compostos voláteis, removendo o ar contaminado do espaço de trabalho. Diferentemente, capelas de segurança biológica são projetadas para um duplo propósito, proteger o operador de agentes patogênicos ou materiais potencialmente infecciosos e também preservar a integridade das amostras manipuladas de qualquer contaminação externa. Riscos laboratoriais Para garantir a segurança no laboratório e minimizar riscos de acidentes, todos os laboratórios deverão ser sinalizados de forma a orientar e advertir quanto aos potenciais riscos ali presentes. Para isso existe um padrão de sinalização com símbolos que representam riscos e prevenções. Veja algumas simbologias de riscos a seguir: Piso molhado Choque elétrico Não fume Radiação Perigos Vários Extintor Tóxico Corrosivo Nocivo Inflamável Explosivo Oxidante Além da simbologia, também é utilizado um sistema padrão de cores, regulamentado pelo Ministério do Trabalho, visando a prevenção de acidentes e identificando os equipamentos de segurança, delimitando áreas de risco, identificando os sistemas de condução de líquidos e gases nas indústrias e, principalmente, advertindo contra os possíveis riscos de acidentes. Atenção Somente a utilização de um sistema de cores não é suficiente para garantir a qualidade de um sistema de segurança e que este deve estar associado a outras estratégias de prevenção de acidentes. Podemos compreender que, para cada material, deverá existir um local definido e identificado para o armazenamento, assim como um fluxo de entrada e saída de materiais para garantir a segurança e o armazenamento desses produtos. Esses ambientes geralmente necessitam de controle de temperatura e umidade. Um ponto de destaque nesse contexto são os produtos considerados inflamáveis ou explosivos, como os solventes orgânicos e algumas substâncias químicas. Estes precisam ser armazenados em local devidamente demarcado, sinalizado e livre de quaisquer outras interferências. Alguns produtos de origem biológica também precisam de armazenamento sob refrigeração para se garantir uma estocagem segura e sem riscos para a comunidade e para os trabalhadores. Agentes de riscos Podemos perceber que os laboratórios são considerados ambientes de risco, pois envolvem uma série de atividades como a utilização de equipamentos, materiais e reagentes que podem gerar acidentes e doenças para o profissional que trabalha na rotina diária desses locais. Atenção A constante capacitação do pessoal é fundamental para evitar os riscos inerentes a esse tipo de trabalho e o possível desenvolvimento de doenças. Dentre os principais agentes de riscos desse tipo de trabalho destacam-se os agentes físicos, os químicos e os biológicos. Existem também os riscos ergonômicos, mas estes são considerados riscos ocupacionais, relacionados às situações de trabalho que envolvam o equilíbrio físico, o mental e o social, e não necessariamente acidentes ou enfermidades. A seguir, é possível observar melhor, de acordo com a NR-5, os principais grupos de riscos ambientais e ocupacionais. Físicos Ruídos, vibrações, pressões anormais, temperaturas extremas, radiações etc. Químicos Poeiras, fumos, névoas, neblinas, gases, vapores que podem ser absorvidos por via respiratória ou através da pele etc. Biológicos Bactérias, fungos, protozoários, vírus, entre outros. Ergonômicos Trabalho físico pesado, movimentos repetitivos, jornada prolongada, postura incorreta, tensões emocionais, monotonia, exigência de uma maior atenção, responsabilidadee concentração, jornadas longas de trabalho, treinamento inadequado ou inexistente, conflitos etc. Acidentais Arranjo físico inadequado, máquinas e equipamentos sem proteção, iluminação inadequada, eletricidade, animais peçonhentos, probabilidade de incêndio ou explosão etc. Neste tópico, abordaremos apenas os riscos químicos e biológicos. Agentes de riscos biológicos Esse tipo de risco está relacionado à probabilidade de infecção do profissional por um desses agentes patogênicos. Toda a equipe de trabalho desse tipo de laboratório precisa estar ciente, treinada de acordo com o agente biológico usado e, preferencialmente, ser imunizada. Atenção Os agentes de riscos biológicos são, na sua grande maioria, agentes patogênicos como vírus, bactérias, fungos e parasitas. No item Infraestrutura laboratorial, vimos que os laboratórios são classificados de acordo com o seu grau de risco e que essa classificação está justamente relacionada à classificação do grau de risco dos microrganismos. De acordo com o Ministério da Saúde (2021), os graus de risco são: Classe 1 Esta classe contempla os agentes biológicos que não são capazes de causar doenças no homem ou em animais adultos, até o momento. Agentes biológicos: Bacillus subtilis Classe 2 Esta classe contempla os agentes biológicos capazes de causar risco moderado ao homem ou animais adultos sadios e risco limitado à comunidade. Incluem agentes biológicos nos quais o índice de propagação e disseminação é limitado e para os quais existem medidas terapêuticas e/ou profiláticas. Agentes biológicos: Bactérias: Pseudomonas aeruginosa Fungos: Candida albicans Vírus: Herpes simplex Protozoários: Toxoplasma gondii • • • • Manipulação de líquido químico em laboratório. Classe 3 Esta classe contempla os agentes biológicos capazes de causar alto risco ao homem ou animais adultos e risco moderado à comunidade. Inclui os agentes biológicos que possuem capacidade de transmissão por via respiratória e que causam patologias potencialmente letais e para os quais existem, usualmente, medidas terapêuticas e/ou de prevenção. Agentes biológicos: Bactérias: Bacillus anthracis Fungos: Coccidioides immitis Vírus: SARS-COV-2 Classe 4 Esta classe contempla os agentes biológicos capazes de causar alto risco ao homem ou animais adultos e para a comunidade. Inclui os agentes biológicos com grande poder de transmissibilidade por via respiratória ou de transmissão desconhecida. Até o momento, não há medidas profiláticas ou terapêuticas que sejam eficazes. Causam doenças em humanos e animais de alta gravidade, com grande capacidade de disseminação na comunidade e no meio ambiente. Agentes biológicos: Ebolavirus As cabines de segurança biológica são fundamentais para proteger operadores, produtos e o ambiente durante a manipulação de agentes biológicos e químicos. Imagine que, em um laboratório de análises clínicas, uma equipe está trabalhando no processamento de amostras que podem conter um vírus altamente contagioso e perigoso. Durante o procedimento, um dos técnicos percebe que a tampa de uma das amostras não foi fechada corretamente e uma pequena quantidade do conteúdo parece ter se espalhado pela bancada. O sistema de filtragem de ar do laboratório está funcionando, mas o risco de contaminação é elevado. Diante dessa situação, qual abordagem você adotaria? Vamos refletir sobre cada uma das seguintes opções e entender as respectivas respostas para cada uma dessas questões proposta. Acompanhe! 1 - Avisar ao supervisor e isolar a área, mas esperar até o final do expediente para fazer a descontaminação, uma vez que a exposição de curto prazo não é crítica devido ao funcionamento do sistema de filtragem de ar. Incorreto, pois esperar até o final do expediente para realizar a descontaminação subestima o risco de exposição ao vírus, mesmo com o sistema de filtragem de ar em operação. Isso pode aumentar o risco de contaminação cruzada e exposição dos funcionários do laboratório ao patógeno. • • • Agentes químicos perigosos armazenados. 2 - Notificar imediatamente o supervisor, isolar a área afetada e seguir o protocolo de descontaminação estabelecido pelo laboratório para tais incidentes, garantindo que a área seja tratada adequadamente e o risco minimizado. Correto! A notificação imediata do supervisor, o isolamento da área afetada e a adesão aos protocolos de descontaminação são fundamentais em uma situação de risco biológico. Essa abordagem assegura que medidas adequadas sejam tomadas rapidamente para proteger todos no laboratório e manter a integridade das amostras processadas. 3 - Limpar o derramamento imediatamente com desinfetante e continuar o trabalho, assumindo que a ação rápida pode evitar a necessidade de envolver mais pessoas e procedimentos complicados. Incorreto, pois a tentativa de limpar o derramamento com desinfetante e prosseguir com o trabalho ignora os protocolos de segurança estabelecidos para lidar com materiais potencialmente infecciosos. Essa ação pode não apenas ser insuficiente para neutralizar completamente o risco, mas também pode aumentar a exposição ao patógeno e a chance de contaminação cruzada. Em suma, a resposta imediata e a adesão aos protocolos de descontaminação são essenciais para garantir a segurança e minimizar os riscos em situações de derramamento de amostras potencialmente contagiosas em um laboratório. Agentes de riscos químicos Os reagentes químicos utilizados em laboratório são os produtos que mais contribuem para riscos químicos à saúde do homem e ao meio ambiente. Para se evitar possíveis acidentes e contaminações são necessários cuidados rigorosos em relação ao armazenamento, à movimentação dentro do laboratório e, o mais importante, ao descarte desses resíduos. Geralmente, os fornecedores de reagentes químicos concedem as fichas de informação de segurança de produto químico (FISPQ), documento este que contém indicações sobre os cuidados em relação à proteção, à segurança, à saúde e ao meio ambiente, além das recomendações de ações necessárias para os casos de emergência. Além disso, os reagentes químicos também apresentam características diversas e podem ser carcinogênicos, corrosivos, irritantes, tóxicos, teratogênicos, mutagênicos, alergênicos, explosivos e espontaneamente combustíveis. Todas essas características apresentam possibilidades de risco à saúde humana e ao meio ambiente e devem ser tomadas medidas preventivas a fim de se evitar possíveis acidentes. Dentre todas as características apresentadas, o risco de explosão e combustão é o mais comum e o que merece maior atenção. Os produtos químicos com capacidade de combustão possuem características distintas e, dessa forma, são classificados de acordo com o tipo de material e a classe de incêndio. Existem, portanto, 5 classes de incêndio distintas, e para cada uma delas deve-se utilizar um extintor de incêndio específico. Os extintores de incêndio podem também ser considerados equipamentos de proteção coletiva (EPC). Veja no quadro a seguir as classes de incêndio e os tipos de extintores utilizados em cada uma delas. A seguir conheceremos as classes de incêndio e tipos de extintores. Vamos lá! A Descrição: Fogo em materiais sólidos que deixam resíduos, tais como a madeira, o papel, o tecido e a borracha. Tipo de extintor: Areia (em jato ou pulverizada). Classe de incêndio: A Vantagens: Deve ser usada sempre que não haja contraindicações (de preferência, deve ser pulverizada). Tem bom poder de penetração. B Descrição: Fogo em líquidos inflamáveis, graxas e gases combustíveis. Tipo de extintor: Neve carbônica (com dióxido de carbono sob pressão que solidifica quando se expande bruscamente). Classe de incêndio: BC Vantagens: Não deixa resíduo, o que a torna mais adequada para equipamento sensível e a mais indicada para líquidos extremamente inflamáveis. C Descrição: Classe de incêndio em equipamentos elétricos energizados. Tipo de extintor: Espuma física (mistura de água e substâncias tensoativas por injeçãomecânica de ar). Classe de incêndio: AB Vantagens: Muito boa para líquidos extremamente inflamáveis. Pode ser utilizada em situações de incêndio iminente com ação preventiva. A cobertura de espuma evita reignições. D Descrição: Classe de incêndio que tem como combustível os metais pirofóricos, tais como magnésio, selênio, antimônio, lítio, potássio, alumínio fragmentado, zinco, titânio, sódio, urânio e zircônio. Tipo de extintor: Espuma química (reação que liberta o gás dióxido de carbono que fica disperso em um líquido formando espuma). Classe de incêndio: AB Vantagens: Muito boa para líquidos extremamente inflamáveis. A cobertura de espuma evita reignições. K Descrição: Classificação do fogo em óleo vegetal e gorduras de origem animal, em cozinhas. Tipos de extintores: Pó normal (o pó é bicarbonato de sódio ou de potássio) Classe de incêndio: BC Vantagens: Forma uma nuvem de poeira que protege o operador. Pó polivalente (o pó é dihidrogenofosfato de amônio) Classe de incêndio: ABC Vantagens: Forma uma nuvem de poeira que protege o operador. Atende a três classes de fogos. Pó especial (o pó é grafite ou cloreto de sódio ou pó de talco) Classe de incêndio: D Vantagens: Único extintor adequado para incêndios da classe D. Qualquer outro tipo de extintor provoca reações violentas. Solução especial (o acetato de potássio se encontra diluído em água) Classe de incêndio: K Vantagens: Ao se considerar a segurança do pessoal que trabalha em cozinhas e restaurantes, o extintor classe K é o mais fácil de ser utilizado. Atua por formação de neblina e o fogo é extinto por resfriamento e pelo efeito asfixiante da espuma. Agentes de riscos físicos, químicos e biológicos Este vídeo aborda os riscos de acidentes em laboratórios e como podem ser minimizados. Apresenta todos os símbolos de risco, os agentes de risco físicos, químicos e biológicos, sempre exemplificando como afetam a segurança no laboratório. Conteúdo interativo Acesse a versão digital para assistir ao vídeo. Atividade 3 Sobre a aplicação das diretrizes de biossegurança que acabamos de estudar, responda. Os microrganismos Candida albicans, SARS-CoV-2 e Ebolavirus pertencem a quais classes de risco, respectivamente? A Candida albicans – Classe 1, SARS-CoV-2 – Classe 2, Ebolavirus – Classe 3 • • • • • • • • B Candida albicans – Classe 2, SARS-CoV-2 – Classe 3, Ebolavirus – Classe 4 C Candida albicans – Classe 1, SARS-CoV-2 – Classe 3, Ebolavirus – Classe 2 D Candida albicans – Classe 2, SARS-CoV-2 – Classe 4, Ebolavirus – Classe 4 E Candida albicans – Classe 3, SARS-CoV-2 – Classe 2, Ebolavirus – Classe 1 A alternativa B está correta. A classificação de risco baseia-se na patogenicidade e no risco de transmissão: Candida albicans é um patógeno oportunista de Classe 2 por causar infecções tratáveis. SARS-CoV-2 é causador da COVID-19 e de transmissão pessoa a pessoa, é Classe 3, indicando um risco sério à saúde. Ebolavirus tem alta letalidade e transmissão eficiente, é Classe 4, representando um risco extremo e exigindo máxima contenção. Contenção laboratorial De acordo com o Ministério da Saúde, a contenção laboratorial pode ser classificada de duas formas: Entende-se por contenção laboratorial todas as práticas realizadas com o objetivo de reduzir os riscos de acidentes e proteger a equipe de profissionais que trabalham no laboratório contra a exposição aos riscos da ação de agentes químicos e biológicos. Tudo isso depende de um complexo planejamento das análises de riscos que envolvem o laboratório e do conhecimento técnico dos profissionais que ali trabalham. Contenção primária A contenção primária ou barreira primária é mais conhecida como o uso de: Contenção primária Também conhecida como barreira primária. Visa garantir a proteção do ambiente interno do laboratório, assim como dos trabalhadores. Contenção secundária Também conhecida como barreira secundária. Está relacionada à proteção do ambiente externo por meio das práticas operacionais e da infraestrutura planejada para o laboratório. Profissional utilizando jaleco. Equipamentos de proteção individual (EPI) Os EPI visam primariamente a proteção individual do trabalhador, garantindo sua saúde e integridade física. Variam de acordo com a análise de risco do laboratório e os níveis de biossegurança determinados. Equipamentos de proteção coletiva (EPC) Os EPC estão associados à proteção do ambiente, mas também visam garantir a manutenção da saúde e integridade física dos trabalhadores de um determinado setor ou área específica. Uso de EPI, EPC e a importância da lavagem das mãos no dia a dia do laboratório No vídeo a seguir, você conhecerá um pouco mais sobre os EPI e EPC utilizados no dia a dia do laboratório e também a correta lavagem de mãos. Conteúdo interativo Acesse a versão digital para assistir ao vídeo. A seguir, veremos alguns dos principais Equipamentos de Proteção Coletiva (EPC) usados em laboratórios clínicos. Jaleco O uso de jaleco ou avental nos laboratórios clínicos é obrigatório e serve como uma barreira de proteção para o trabalhador. Ele deve ser feito, preferencialmente, de algodão ou fibra sintética e obrigatoriamente não inflamável. Os jalecos devem ser utilizados de forma restrita aos laboratórios e não devem ser levados para as áreas comuns, banheiros ou refeitórios. Em suma, o uso de jalecos ou aventais nos laboratórios clínicos é essencial para a proteção dos trabalhadores, devendo ser confeccionados com materiais não inflamáveis e usados exclusivamente dentro dos laboratórios, evitando sua circulação em áreas comuns. Máscaras e protetores faciais São equipamentos que protegem a face do trabalhador contra impactos, substâncias tóxicas e radiação, protegendo as vias aéreas superiores. A seguir, conheceremos os diversos tipos disponíveis e suas funções: Protetores faciais ou face shields São fabricados em plástico resistente como propionatos, acetatos e policarbonatos, podendo ser revestidos com metais para a absorção de radiações infravermelhas. Protegem o profissional contra partículas sólidas (impacto), substâncias tóxicas (líquidos e vapores químicos) e radiação (ultravioleta e infravermelha). Máscaras de proteção São fabricadas em tecido ou fibra sintética e geralmente são descartáveis. Servem para proteger as vias aéreas (nariz e boca) do profissional, evitando os respingos de perdigotos e a contaminação. Existem vários tipos de materiais para a confecção de máscaras de acordo com o risco ao qual o trabalhador será exposto, como as chamadas N95 ou PFF2. Essas máscaras possuem filtro e são capazes de reter cerca de 95% de partículas maiores que 0,3 µm, além de vapores tóxicos e contaminantes na forma de aerossóis, como alguns vírus e bactérias. Máscaras de proteção respiratória São utilizadas quando se manipulam substâncias químicas que geram gases tóxicos (formaldeído, amônia, cloreto de hidrogênio). Elas possuem filtros que podem ser mecânicos, químicos ou combinados. Portanto, os equipamentos de proteção facial e respiratória, como protetores faciais, máscaras de proteção e máscaras de proteção respiratória, são essenciais para proteger os trabalhadores contra impactos, substâncias tóxicas e radiação, garantindo a segurança das vias aéreas superiores em diversos ambientes de risco. Luvas As luvas são utilizadas com o objetivo de prevenir a contaminação por agentes químicos, físicos (cortes, calor, radiações) e biológicos. Elas devem ser sempre utilizadas quando houver um procedimento com exposição a sangue, hemoderivados e fluidos orgânicos. As luvas podem ser confeccionadas com materiais diversos e devem ser escolhidas de acordo com a finalidade de uso: Luvas de proteção para o manuseio de material biológico São também conhecidas como luvas de procedimento, quando não estéreis, ou luvas cirúrgicas, quando estéreis. Geralmente são de látex e descartáveis, mas podem também ser de vinil ou PVC (cloreto de polivinil). Luvas de proteção ao frio e calor São de tecidoresistente ou revestidas com algum material à prova de calor. As mais comuns são as luvas de amianto e as do tipo kevlar, resistentes a altas temperaturas. As luvas de proteção ao frio podem ser de lã ou de tecido emborrachado com revestimento interno de fibras naturais ou sintéticas. Touca. Luvas de proteção para o manuseio de produtos químicos Podem ser de borracha natural, neoprene, PVC, PVA (álcool polivinílico) e borracha de butadieno. A escolha do tipo de luva deverá ser feita de acordo com o produto químico a ser manipulado. Em suma, as luvas de proteção são essenciais para garantir a segurança dos trabalhadores em diversas situações como no manuseio de material biológico, proteção contra frio e calor, e manuseio de produtos químicos com materiais específicos escolhidos conforme a necessidade de cada tarefa. Toucas ou gorros São equipamentos de proteção individual mais utilizados em áreas estéreis e de manipulação de produtos e servem para evitar que os cabelos contaminem uma determinada área ou produto, ou ainda, para protegê-los de respingos, líquidos ou aerossóis. Podem ser confeccionadas nos mais diferentes tipos de materiais e devem ser de fácil lavagem e desinfecção. Protetores oculares e protetores auriculares São mais conhecidos como óculos de proteção e protetores de ouvido. Óculos de proteção Os óculos de proteção funcionam como uma barreira contra respingos de produtos químicos e corrosivos, além de atuarem também como uma barreira biológica, evitando as lesões oculares. Protetores auriculares Já os protetores auriculares têm a função de proteger os ouvidos de ruídos oriundos de equipamentos e processos produtivos. Em resumo, os óculos de proteção e os protetores auriculares são fundamentais para a segurança dos trabalhadores, protegendo os olhos contra respingos químicos e biológicos, e os ouvidos contra ruídos provenientes de equipamentos e processos produtivos. Propés Esses equipamentos são sapatilhas utilizadas em áreas estéreis e geralmente são descartáveis, confeccionadas em algodão. Botas de borracha de segurança. Exemplo de propés. Calçados de segurança Assim como os propés, que são sapatilhas descartáveis utilizadas em áreas estéreis, os calçados de segurança são essenciais para proteger os trabalhadores, especialmente nas áreas de limpeza dos laboratórios, oferecendo resistência a produtos químicos e corrosivos, além de possuírem solado antiderrapante. Além disso, são mais utilizados pelos trabalhadores das áreas de limpeza dos laboratórios e devem ser resistentes aos produtos químicos e corrosivos, além de possuírem solado antiderrapante. Podem também ser utilizados de acordo com outras atividades desempenhadas pelos laboratórios. Agora, vamos conhecer o segundo tipo de equipamento primordial de proteção. Venha! Equipamentos de Proteção Coletiva (EPC) Os equipamentos de proteção coletiva servem para a proteção de toda a equipe do laboratório e também do meio ambiente. Atenção As capelas de exaustão e as cabines de fluxo laminar ou cabines de segurança biológica são EPC já mencionados anteriormente no item Equipamentos, materiais e reagentes. Todo laboratório deve conter o chuveiro de emergência e o lava-olhos para lavagem e eliminação de contaminantes químicos e biológicos em caso de acidentes. Chuveiro de emergência Deve ter aproximadamente 30 cm de diâmetro, deve ser acionado por meio de alavancas e deve estar instalado em local de fácil acesso. Lava-olhos É um equipamento formado por uma bacia metálica, geralmente associada ao chuveiro de emergência, com dois dispositivos que emitem jatos de água direcionados à região dos olhos. Atividade 4 Atenção, no contexto de segurança do trabalho em ambientes industriais e laboratoriais, à diferenciação entre equipamento de proteção individual (EPI) e equipamento de proteção coletiva (EPC) é fundamental. Sabendo disso, é hora de relembrar as diferenças entre EPI e EPC. Marque a alternativa abaixo que representa uma diferença entre esses dois grupos de equipamentos. A EPI é utilizado para proteger o meio ambiente, enquanto EPC é projetado para a segurança individual do trabalhador. B EPI refere-se a dispositivos mecânicos de segurança, como barreiras e sinalizações, enquanto EPC engloba itens de uso pessoal, como luvas e óculos de segurança. C EPI e EPC são termos intercambiáveis, ambos referindo-se a equipamentos que garantem a segurança do ambiente de trabalho como um todo. D EPI é destinado à proteção individual, minimizando os riscos específicos ao trabalhador, como luvas e máscaras, enquanto EPC inclui dispositivos de proteção utilizados coletivamente, como exaustores e sinalizações de segurança. E EPC é uma categoria especial de EPI que inclui apenas equipamentos de alta tecnologia, como trajes herméticos e sistemas de respiração assistida. A alternativa D está correta. Enquanto o EPI foca na proteção individual, atuando como uma barreira entre o trabalhador e o perigo, o EPC tem uma abordagem mais ampla, visando remover ou reduzir o risco no ambiente de trabalho para todos os presentes. Aplicando o conhecimento Imagine uma empresa hipotética, a LifeCode Biomedical, especializada em desenvolver vacinas. A empresa conta com uma equipe composta por pesquisadores, técnicos de laboratório e gestores de projeto, trabalhando em um ambiente repleto de agentes biológicos, substâncias químicas e equipamentos especializados. O sucesso da LifeCode Biomedical depende diretamente da capacidade de manipular esses elementos de forma segura e eficaz, minimizando os riscos laboratoriais associados. Certo dia, durante o desenvolvimento de uma nova vacina, um técnico derrama acidentalmente uma solução contendo um vírus atenuado. Embora o vírus não represente um grande risco para indivíduos saudáveis, a exposição inadvertida pode ser perigosa para colegas com sistemas imunológicos comprometidos. Para resolver essa situação e evitar futuros acidentes, a empresa decide implementar um programa de treinamento intensivo em biossegurança para toda a equipe. O treinamento aborda técnicas de manuseio seguro de materiais biológicos e químicos, uso correto de equipamentos de proteção individual (EPIs), e procedimentos de emergência. Além disso, a empresa investe em melhorias nas infraestruturas de segurança do laboratório, incluindo sistemas de ventilação apropriados, áreas de contenção para trabalhar com patógenos e esterilização e descontaminação eficazes dos equipamentos e áreas de trabalho. Após a implementação dessas medidas, a LifeCode Biomedical observa uma redução de 95% nos incidentes de laboratório no último trimestre. Os funcionários se sentem mais seguros e capacitados para realizar suas atividades. A gestão de riscos laboratoriais se torna um componente central da cultura da empresa, refletindo positivamente na produtividade e na inovação. Esse cenário ilustra como a conscientização e a prevenção de riscos no ambiente de trabalho são cruciais não apenas para a segurança dos funcionários, mas também para o sucesso e sustentabilidade da empresa no competitivo mercado de biotecnologia. Após a leitura do case, é hora de aplicar seus conhecimentos! Atividade Discursiva Com base no caso da LifeCode, explique a importância de investir em infraestruturas de segurança como sistemas de ventilação apropriados e áreas de contenção no laboratório de uma empresa de biotecnologia. Como esses investimentos ajudam a minimizar os riscos associados ao manuseio de patógenos e substâncias químicas perigosas? Chave de resposta Um sistema de ventilação eficiente é essencial para controlar a exposição a agentes biológicos e substâncias químicas perigosas. Esses sistemas asseguram que partículas e vapores nocivos sejam adequadamente filtrados e expelidos do ambiente laboratorial, minimizando o risco de inalação ou contato que poderia levar a intoxicações, infecções ou outras condições adversas de saúde. Além disso, uma ventilação adequada evita a acumulação de substâncias inflamáveis, reduzindo o riscode explosões ou incêndios. A criação de áreas específicas para manuseio de materiais perigosos ou patógenos é importante para prevenir a contaminação cruzada entre diferentes áreas do laboratório. Isso é particularmente importante em um cenário no qual agentes infecciosos ou geneticamente modificados estão sendo manipulados. As áreas de contenção são desenhadas para manter esses agentes isolados, garantindo que qualquer vazamento ou derramamento seja contido dentro de um espaço controlado. A infraestrutura também deve incluir sistemas eficazes para esterilização e descontaminação de equipamentos e áreas de trabalho. Esses processos são fundamentais para eliminar patógenos e outros contaminantes, preparando o ambiente para novas atividades sem riscos de contaminação residual. Gestão de riscos em laboratório Agora, confira o vídeo abordando gestão de riscos em laboratório descrevendo o caso de uma empresa hipotética especializada em desenvolver vacinas que sofre acidente com um vírus, o que provoca a necessidade de implementar um programa de treinamento intensivo em biossegurança para toda a equipe. Conteúdo interativo Acesse a versão digital para assistir ao vídeo. 2. Água laboratorial e processos de descontaminação Água no laboratório clínico e sistemas de filtração Sistemas de purificação de água A água é o solvente mais utilizado na prática laboratorial e, por isso mesmo, é chamada de solvente universal. Devido ao seu grau de importância, a água para uso laboratorial deve atender aos requisitos de qualidade de acordo com a sua finalidade de uso. Uma boa forma de se orientar é lendo as determinações e os padrões de qualidade para a utilização da água nos laboratórios clínicos e patológicos que estão descritos no capítulo 8.5 da Farmacopeia Brasileira, 6a Edição (2019) e que devem ser rigorosamente atendidos e seguidos. A água potável abastece as cidades e a maioria das casas e é considerada uma água tratada. A água purificada não deve ser utilizado no trabalho laboratorial, pois apresenta possíveis incompatibilidades entre os contaminantes presentes e os procedimentos laboratoriais que serão realizados. A água potável não é regulamentada pela ANVISA e nem pela Farmacopeia Brasileira. Ela deve atender aos órgãos responsáveis regionais, tais como o Instituto Estadual do Ambiente (INEA), no Rio de Janeiro, e a Agência Nacional de Água (ANA), no Distrito Federal. Para a água ser considerada potável ela deve apresentar menos de 0,1% de sólidos totais. Isso é obtido a partir da evaporação de uma amostra de 100 mL de água até completa secagem e pesagem dos resíduos sólidos que devem ser inferiores a 100 mg. (ALLEN Jr., 2013) Contaminantes da água Os principais contaminantes da água potável são de origem: Física Química Biológica Os contaminantes físicos são os mais facilmente eliminados por meio do processo de filtração, já os contaminantes químicos e biológicos são difíceis de serem eliminados e comprometem a qualidade final da água, podendo alterar as análises laboratoriais, gerando resultados falhos e até mesmo comprometendo anos de pesquisas e de estudo. O controle de contaminantes da água para uso laboratorial é, portanto, fundamental para atender às especificações estabelecidas pelos órgãos reguladores. Observe a figura a seguir para entender quais são os principais contaminantes da água: • • • Principais contaminantes da água. Os contaminantes químicos podem ser orgânicos ou inorgânicos e precisam ser removidos por dois motivos principais: Para se evitar que interfiram nas fases de pré-tratamento dos sistemas de purificação de água. Para proteger a saúde das pessoas. Esses contaminantes químicos apresentam diversas origens, por exemplo: Da fonte de alimentação. Da extração de materiais com os quais a água entra em contato. Da absorção de gases da atmosfera. De resíduos poluentes, ou resíduos de produtos utilizados na limpeza e sanitização de equipamentos. Podem ser removidos por um sistema de osmose reversa ou por técnicas associadas como deionização, carvão ativado, ozônio e radiação ultravioleta. Falaremos sobre essas técnicas adiante. Os contaminantes microbiológicos podem ser fungos, bactérias e vírus, sendo que a contaminação bacteriana é a mais preocupante e apresenta um grande desafio à qualidade da água. Atenção O controle microbiológico da água é certamente o mais importante e prioritário e deve ser constantemente verificado e atualizado de acordo com os parâmetros legais. Tipos de água para uso laboratorial Existem 3 métodos principais utilizados para a obtenção de água purificada: Destilação Deionização Osmose reversa A escolha de um método específico depende do tipo e da qualidade de água desejados, e também do volume necessário. Um projeto de instalação de um sistema de purificação de água depende de algumas condições específicas listadas a seguir: A qualidade da água de fornecimento e da água desejada ao final. 1. 2. • • • • • • • • A vazão necessária. A distância entre o sistema de produção e os pontos de uso. O layout da tubulação e conexões. O material empregado. Facilidades de assistência técnica e manutenção. Os instrumentos adequados para o monitoramento. Na realidade, a escolha de um sistema de purificação eficiente depende da qualidade da água de entrada, ou seja, das características da água potável que irá alimentar o sistema e também do tipo e da qualidade da água que se deseja. Apresentaremos a seguir, em uma ordem sequencial lógica, as principais tecnologias de purificação de água encontradas para a remoção dos diversos tipos de contaminantes seguindo etapas na sequência de purificação. Pré-filtração A pré-filtração, segundo Brasil (2019), destina-se a remover sólidos particulados com tamanhos entre 5 e 10 μm, essencialmente para proteger as tecnologias subsequentes, utilizando filtros de areia ou uma combinação de filtros. Sistema de pré-filtração carvão, areia e zeólitos. Deve estar associada a todos os sistemas de purificação de água com o objetivo de proteger os equipamentos mais sensíveis e caros. Filtração por adsorção por carvão vegetal ativado Pode ser considerada também uma técnica de pré-filtração, mas, nesse caso, o carvão vegetal ativado tem a capacidade de remover compostos orgânicos como as cloraminas e o cloro livre, os quais adsorve em sua superfície. Essa tecnologia é muito importante para, por exemplo, proteger as membranas da osmose reversa. • • • • • • Filtro de carvão ativado. Deve-se tomar cuidado com a formação de biofilme, que implica na necessidade de sanitização do carvão ativado com vapor quente ou da troca do material filtrante. Ultrafiltração A ultrafiltração utiliza uma tecnologia de filtração com membranas especiais que têm a capacidade de reter endotoxinas e moléculas de acordo com o seu peso molecular e sua estereoquímica. Um dos sistemas de ultrapurificação de água mais conhecidos do mundo é o chamado do tipo Milli-Q. Na verdade, uma água conhecida como do tipo Milli-Q é uma água ultrapurificada (AUP) obtida por essa marca de sistema que é registrada pelo grupo Merck. Assim como outros sistemas de purificação que envolvem alta tecnologia, esse sistema deve ser validado, passar por um pré-tratamento, ter suas condições operacionais controladas e procedimentos adequados de limpeza e sanitização. Essa técnica pode estar associada a outras, mas geralmente é mais utilizada em laboratórios que envolvem alta tecnologia como biologia molecular e espectrometria de massas. Microfiltração Assim como a ultrafiltração, esta tecnologia também pode estar associada a outros sistemas de purificação de água. Trata-se de um processo que utiliza membranas filtrantes microporosas de poros de diâmetro de 0,22 µm, e pode ser considerada uma filtração esterilizante por causa disso, mas, para tanto, precisa ser validada. Essas membranas podem estar associadas a um sistema de osmose reversa, mas também podem ser utilizadas de forma individualizadaem pequenos filtros isolados. A água na prática laboratorial O vídeo vai abordar a importância da água como o solvente mais utilizado na prática laboratorial e explicando os sistemas de filtração de água pré-filtração, filtração por adsorção por carvão vegetal ativado, ultrafiltração e microfiltração. Conteúdo interativo Acesse a versão digital para assistir ao vídeo. Atividade 1 Reflita e responda: Por que é importante usar água com alto grau de purificação em laboratórios clínicos, especialmente para análises sensíveis e preparo de soluções? A Para aumentar o custo operacional do laboratório, garantindo um uso mais eficiente dos recursos financeiros. B A água altamente purificada é usada para facilitar o processo de limpeza dos equipamentos, não afetando a qualidade dos experimentos. C A presença de minerais e outras impurezas na água potável pode interferir nas reações químicas e nos testes biológicos, comprometendo a precisão e a confiabilidade dos resultados. D O uso de água ultrapura é uma medida de precaução desnecessária, pois a água potável já está livre de contaminantes que poderiam afetar experimentos laboratoriais. E A água purificada é recomendada apenas para o consumo dos técnicos de laboratório, sem relação com os procedimentos experimentais. A alternativa C está correta. A utilização de água altamente purificada em laboratórios clínicos é crucial devido à sensibilidade dos testes e experimentos realizados. A água potável, embora segura para consumo, contém impurezas como minerais, íons, partículas orgânicas e microrganismos que podem afetar significativamente os resultados laboratoriais. Osmose reversa, destilação, deionização, abrandadores e radiação UV Osmose reversa Atualmente, a osmose reversa vem se tornando a tecnologia de primeira escolha como sistema de purificação de água devido à sua alta versatilidade. Essa tecnologia atende a todo tipo de demanda, existindo equipamentos para larga escala industrial (1.000 L/ hora) e pequenos equipamentos para a escala laboratorial, com capacidade de cerca de 10 L/hora, por exemplo. Equipamento de osmose reversa. Essa tecnologia se baseia na utilização de membranas semipermeáveis com propriedades específicas utilizadas para a remoção de íons, microrganismos e endotoxinas bacterianas. É um processo altamente eficiente e que remove de 90% a 99% dos contaminantes. Justamente por isso, diversos fatores podem afetar significativamente essa tecnologia, tais como o pH, a pressão diferencial ao longo da membrana, a temperatura, o polímero da membrana e a construção dos cartuchos de osmose reversa. Para entendermos melhor como ocorre o processo de osmose reversa, vamos primeiro recordar o que é um processo de osmose. Relembrando A osmose é um processo celular que ocorre naturalmente, ou seja, sem gasto de energia. Ela consiste na passagem de um solvente através de uma membrana semipermeável de um meio hipotônico para um meio hipertônico. Fica fácil entendermos agora que a osmose reversa seria um processo contrário ao da osmose, ou seja, a passagem do solvente do meio hipertônico para o meio hipotônico. O problema é que isso não aconteceria naturalmente ou sem gasto de energia. Dessa forma, é necessário pressurizar o sistema para que o processo de osmose reversa possa acontecer. Esquema de osmose reversa. É importante que se compreenda que o processo de osmose reversa nada mais é do que um processo de filtração, utilizando as membranas semipermeáveis como elemento filtrante. Sendo assim, é fundamental que exista um sistema de pré-tratamento que remova particulados, agentes oxidantes e contaminantes que favoreçam incrustações como cálcio e magnésio, a fim de proteger e preservar as membranas. Outro ponto importante é a sanitização do sistema, evitando a formação de biofilme e a contaminação microbiana. O sistema de purificação de água por osmose reversa vem se tornando tão acessível, de fácil instalação e baixo custo de manutenção que já existem sistemas de osmose reversa de duplo passo, no qual a água purifica em uma primeira etapa e alimenta o sistema em uma segunda etapa, aumentando a capacidade de purificação. Destilação Este sistema de purificação de água é certamente o mais antigo do mundo. Como já sabemos, a destilação é um processo de separação de líquidos por meio do vapor. O princípio da destilação consiste em evaporar a água por aquecimento e, por resfriamento e através de um duto condensador, liquefazer o vapor d’água novamente. Esquema de destilação. Durante centenas de anos esse foi o principal método de escolha como sistema de purificação de água e o mais utilizado para a prática laboratorial, a indústria farmacêutica, as farmácias magistrais, dentre outras áreas da Saúde. Um sistema de destilação de água consiste num método de fácil instalação e reutilizável, com baixo custo de instalação e alta eficiência. Apesar disso, esta técnica apresenta algumas desvantagens, tais como os altos custos de consumo de água e eletricidade, a difícil manutenção, o arraste de contaminantes pelo processo de condensação e o arraste de impurezas voláteis. Por esses motivos, atualmente a substituição de destiladores por sistemas de osmose reversa tem se mostrado uma opção mais eficiente e econômica. Deionização A técnica de deionização ou desmineralização é muito utilizada para a obtenção de água purificada para uso rotineiro no laboratório. Ela remove apenas sais inorgânicos através de resinas de troca iônica específicas para cátions e ânions. Nesses casos, as resinas catiônicas capturam os íons catiônicos, liberando H+, e as resinas aniônicas capturam os íons aniônicos, liberando OH-. Observe a figura abaixo e entenda melhor como essa troca acontece. Processo de deionização da água. Apesar de ser uma técnica relativamente simples, rápida e barata, a deionização não produz uma água de alta pureza e deve ser associada a outras tecnologias, a fim de melhorar a qualidade da água e atender às exigências da legislação específica e necessidade de algumas metodologias empregadas no laboratório. Outro problema é a necessidade de regeneração das resinas devido à possibilidade de formação de biofilme. Existem dois tipos de deionizadores no mercado: o de leito misto (uma única resina mista) e o de leito separado (com duas resinas, uma catiônica e uma aniônica). Tratamento com abrandadores (softeners) Em muitos lugares que utilizam água de poço como fonte primária para o abastecimento do sistema de purificação, é necessária a utilização de abrandadores, uma vez que essa água é rica em íons de cálcio, ferro e magnésio – também conhecida como água “dura”. O tratamento com abrandadores é muito parecido com a deionização e utiliza também resinas de troca iônica que capturam os íons metálicos e liberam íons sódio na água. É importante observar a necessidade de sanitização ou troca das resinas periodicamente, evitando a formação de biofilme e contaminação da água. Sistema de tratamento de água com abrandadores. Radiação ultravioleta Esta é uma tecnologia que deve ser utilizada sempre de forma associada a outro sistema. Isoladamente, esta técnica não produz água purificada. Lâmpadas ultravioleta. A radiação ultravioleta é utilizada em 2 comprimentos de onda que promovem efeitos distintos. São eles: 185 nm + 254 nm Oxidação de compostos orgânicos e consequente redução de sua concentração para atender aos limites da água purificada (AP), água para fabricação de produtos injetáveis (API) e água ultrapurificada (AUP). 254 nm Ação germicida nos diversos pontos da sequência de purificação para reduzir a contagem microbiana. De acordo com Brasil (2019), esta técnica é muito utilizada ao longo dos tanques de armazenamento de água para reduzir a contaminação microbiana e é associada a capelas de fluxo laminares. Osmose reversa, abrandadores e radiação UV Agora, confira o vídeo explicando e demonstrando como funciona a osmose reversa, o tratamento com abrandadores (softeners) e a radiação ultravioleta no tratamentode água para laboratório. Serão explicados os mecanismos de purificação de água de cada um desses métodos, suas aplicações, vantagens e desvantagens. Conteúdo interativo Acesse a versão digital para assistir ao vídeo. Teoria na prática Com base no que aprendeu até aqui sobre a purificação de água para uso em laboratórios, analise o exemplo abaixo e decida sobre as opções mais indicadas. Imagine que em um laboratório de análises clínicas, a direção decidiu atualizar o sistema de purificação de água para garantir a máxima qualidade na preparação de reagentes e na limpeza de equipamentos. Esse laboratório enfrentava desafios com a qualidade da água, que tinha impacto na precisão dos testes analíticos. O comitê técnico do laboratório avaliou diferentes tecnologias de purificação de água para implementar a solução mais eficaz. Diante dessa situação, qual método de purificação de água você julgaria o mais adequado para o laboratório clínico, considerando a necessidade de água de alta pureza para análises sensíveis e precisas? Passe o cursor em cima dos sistemas de purificação a seguir, e decida dentre eles qual seria o ideal para ser utilizado nesse caso. 1 - Osmose reversa 2 - Filtração em carvão ativado 3 - Lâmpada ultravioleta Atividade Discursiva E aí, tomou sua decisão? Agora escreva no campo abaixo qual o melhor sistema para ser utilizado e porque o escolheu. Chave de resposta Dentre os métodos apresentados, a osmose reversa seria o mais indicado, por ser altamente eficaz na remoção de uma ampla variedade de contaminantes, incluindo íons, microrganismos e outras impurezas. A radiação ultravioleta apenas elimina microrganismos, já a filtração em carvão ativado remove compostos orgânicos, sendo utilizada como um sistema de pré-filtração, mas não é adequada como sistema de purificação principal de água para laboratórios. Atividade 2 Agora que estudou sobre a deionização da água, relembre e responda: qual é o princípio fundamental por trás da troca iônica nesse processo? A Aumento da temperatura da solução para remover os íons. B Separação dos íons por meio de membranas semipermeáveis. C Transferência de elétrons entre os íons presentes na solução. D Substituição de íons presentes na solução por íons de carga oposta em uma matriz sólida. E Evaporação da água para eliminar os íons dissolvidos. A alternativa D está correta. A troca iônica é baseada na interação entre íons presentes em uma solução e grupos funcionais de uma matriz sólida, como resinas. Esses grupos funcionais têm afinidade por íons de carga oposta, permitindo a substituição dos íons presentes na solução pelos íons da resina. Descontaminação de laboratórios e uso de agentes químicos Já aprendemos que os laboratórios são classificados de acordo com as suas classes de riscos e essa classificação serve também para direcionar o sistema de descontaminação de material, pessoal e do laboratório. É preciso, portanto, existir uma rotina de higienização bem descrita e consolidada através de procedimentos operacionais padrão (POP) a fim de garantir as boas práticas de laboratório e evitar o risco de acidentes e contaminações. Atenção Quando se trata de laboratórios clínicos, os riscos maiores envolvem a contaminação microbiana, então a descontaminação deve acontecer periodicamente, sempre após cada uso. É fundamental a conscientização e o treinamento do pessoal envolvido na rotina sobre os riscos de infecções e das ações preventivas necessárias para garantir as boas práticas de laboratório e a biossegurança do local, da equipe e do meio ambiente. O processo de descontaminação é definido como a técnica utilizada para a eliminação total ou parcial de microrganismos ou ainda a remoção e neutralização de produtos químicos perigosos e material radioativo. O objetivo principal é tornar o material biológico seguro para o descarte ou para a sua reutilização. As etapas de descontaminação dependem do nível de contaminação e podem ser resumidas como: Limpeza Desinfecção Esterilização Além dos processos de descontaminação, as atividades dos laboratórios geram diferentes tipos de resíduos que devem ser armazenados e descartados de acordo com a legislação vigente. Atualmente, a legislação que regulamenta e classifica os tipos de resíduos é a RDC nº 222/2018 da ANVISA. A partir de agora, conheceremos as principais etapas do processo de descontaminação e o os cuidados relacionados ao armazenamento e ao descarte de resíduos biológicos e químicos. Limpeza • • • Limpeza sendo realizada no ambiente. Profissional realizando a desinfecção com burrifador. A limpeza é o processo de remoção de partículas ou de material orgânico e pode estar associada tanto aos materiais contaminados, como ao pessoal e ao ambiente. É o primeiro passo num processo de descontaminação e inclui ações e cuidados de higiene dos materiais e dos ambientes. Os procedimentos de limpeza devem ser padronizados, incluindo o tipo de água usada, além do sabão e o detergente neutro que serão utilizados. Deve- se usar pano úmido para retirar poeiras e impurezas das superfícies. Os funcionários da limpeza poderão ser terceirizados, mas é preciso realizar treinamentos contínuos e específicos a fim de garantir a eficácia dos procedimentos de limpeza. Desinfecção A desinfecção é a etapa do processo de descontaminação que visa a eliminação dos microrganismos em sua forma vegetativa, de ambientes, dos materiais, da pele e das mãos. Esse processo não elimina as formas esporuladas dos agentes infecciosos e pode ser realizado por meios físicos e químicos. Os procedimentos de desinfecção por meios físicos basicamente utilizam o calor como técnica para desinfecção. Já os procedimentos químicos podem ser líquidos ou gasosos utilizando-se desinfetantes ou germicidas. Os agentes germicidas agem sob as bactérias por dois métodos distintos: A seguir, conheceremos os principais desinfetantes utilizados no processo de descontaminação dos laboratórios: Álcoois Os álcoois mais utilizados nos processos de desinfecção são o álcool etílico (etanol) e o álcool isopropílico (isopropranol). Embora ambos apresentem ação desinfetante, o etanol é mais utilizado, pois possui maior ação germicida, menor custo e menor toxicidade. Os estudos demonstram que a melhor faixa de concentração do etanol em água é entre 60% e 80% para a ação sobre os microrganismos. Utiliza-se, usualmente, o álcool etílico a 70% como agente desinfetante e esse é o mais importante dentro do laboratório para desinfecção de superfícies e materiais. Até hoje o mecanismo de ação desinfetante do álcool não está muito esclarecido, mas acredita-se que ocorra por desnaturação das proteínas de membrana. Dessa forma, é necessário que o álcool esteja diluído, uma vez que na ausência de água as proteínas não são desnaturadas tão rapidamente, por isso o álcool absoluto não é tão eficaz quanto o diluído a 70%. Ação bactericida Elimina as bactérias e estas não são mais capazes de se reproduzirem. Ação bacteriostática Inibe a multiplicação das bactérias no ambiente que for utilizado. Compostos á base de cloro O cloro inorgânico é um agente germicida altamente potente, entretanto, não deve ser utilizado em sua forma pura devido ao seu alto poder oxidante, alta volatilidade e toxicidade. Assim, ele é usado na forma de hipoclorito de sódio em concentrações de 2% a 4%. Nos laboratórios, é muito utilizado na desinfecção de superfícies e materiais, inclusive quando contaminados com sangue, e para recipientes de descarte como, por exemplo, ponteiras de pipetas e swabs. É muito ativo para agentes infecciosos em sua forma vegetativa, como bactérias Gram-positivas e Gram-negativas, fungos, vírus e micobactérias. O tempo de exposição necessário para sua ação de germicida é de cerca de 10 minutos, com 1% de cloro ativo livre. Mesmo quando diluído, é necessário tomar os devidos cuidados na manipulação do hipoclorito de sódio, utilizando EPI adequados e seguindo os procedimentos corretos de diluição, pois o produto possuiMáscaras e protetores faciais Protetores faciais ou face shields Máscaras de proteção Máscaras de proteção respiratória Luvas Luvas de proteção para o manuseio de material biológico Luvas de proteção ao frio e calor Luvas de proteção para o manuseio de produtos químicos Toucas ou gorros Protetores oculares e protetores auriculares Óculos de proteção Protetores auriculares Propés Calçados de segurança Equipamentos de Proteção Coletiva (EPC) Atenção Chuveiro de emergência Lava-olhos Atividade 4 Aplicando o conhecimento Gestão de riscos em laboratório Conteúdo interativo 2. Água laboratorial e processos de descontaminação Água no laboratório clínico e sistemas de filtração Sistemas de purificação de água Contaminantes da água Atenção Tipos de água para uso laboratorial Pré-filtração Filtração por adsorção por carvão vegetal ativado Ultrafiltração Microfiltração A água na prática laboratorial Conteúdo interativo Atividade 1 Osmose reversa, destilação, deionização, abrandadores e radiação UV Osmose reversa Relembrando Destilação Deionização Tratamento com abrandadores (softeners) Radiação ultravioleta 185 nm + 254 nm 254 nm Osmose reversa, abrandadores e radiação UV Conteúdo interativo Teoria na prática 1 - Osmose reversa 2 - Filtração em carvão ativado 3 - Lâmpada ultravioleta Atividade 2 Descontaminação de laboratórios e uso de agentes químicos Atenção Limpeza Desinfecção Álcoois Compostos á base de cloro Formaldeído Compostos quaternários de amônio Descontaminação de material, pessoal e do laboratório Conteúdo interativo Atividade 3 Desinfecção por agentes físicos Pasteurização Tindalização Esterilização Processos físicos Processos mecânicos Processos químicos Calor seco Flambagem ou incineração Estufas de esterilização ou forno de pasteur Calor úmido Irradiação Raios gama Raios uv Filtração Comentário 1 - Água destilada 2 - Mãos 3 - Bancada de trabalho 4 - Meios de cultura Desinfecção por meios físicos Conteúdo interativo Atividade 4 Descarte de resíduos Grupo A Grupo B Grupo C Grupo D Grupo E Grupo A Grupo B Grupo E Gestão de resíduos Conteúdo interativo Atividade 5 Aplicando o conhecimento 3. Conclusão Considerações finais Explore + Referências