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Autora: Profa. Raquel Gonçalves Octávio
Colaboradoras: Profa. Silmara Maria Machado
 Profa. Christiane Mazur Doi
Gestão da Escola de 
Educação Infantil
Professora conteudista: Raquel Gonçalves Octávio 
Doutora em Educação pela Universidade Estadual de Campinas. Mestre em Educação pela Universidade São 
Francisco. Graduada em Letras, Pedagogia, História e Psicologia. Como docente, ministra aulas em cursos de graduação 
e de pós‑graduação (lato sensu) na área da educação e psicologia. Na área de educação, trabalha como docente e 
pesquisadora em dois eixos temáticos, um referente aos processos de formação inicial e continuada de professores 
e outro concernente às práticas de leitura de professores e alunos. Nos dois eixos de atuação, utiliza aportes teóricos 
das áreas da educação, da psicologia e da sociologia. Atua, ainda, como secretária de Educação no município de Casa 
Branca, interior paulista.
© Todos os direitos reservados. Nenhuma parte desta obra pode ser reproduzida ou transmitida por qualquer forma e/ou 
quaisquer meios (eletrônico, incluindo fotocópia e gravação) ou arquivada em qualquer sistema ou banco de dados sem 
permissão escrita da Universidade Paulista.
Dados Internacionais de Catalogação na Publicação (CIP)
O21g Octávio, Raquel Gonçalves.
Gestão da Escola de Educação Infantil / Raquel Gonçalves 
Octávio. – São Paulo: Editora Sol, 2025.
124 p., il.
Nota: este volume está publicado nos Cadernos de Estudos e 
Pesquisas da UNIP, Série Didática, ISSN 1517‑9230.
1. Gestão. 2. Planejamento. 3. PPP. I. Título.
CDU 371.2
U521.50 – 25
Prof. João Carlos Di Genio
Fundador
Profa. Sandra Rejane Gomes Miessa
Reitora
Profa. Dra. Marilia Ancona Lopez
Vice-Reitora de Graduação
Profa. Dra. Marina Ancona Lopez Soligo
Vice-Reitora de Pós-Graduação e Pesquisa
Profa. Dra. Claudia Meucci Andreatini
Vice-Reitora de Administração e Finanças
Profa. M. Marisa Regina Paixão
Vice-Reitora de Extensão
Prof. Fábio Romeu de Carvalho
Vice-Reitor de Planejamento
Prof. Marcus Vinícius Mathias
Vice-Reitor das Unidades Universitárias
Profa. Silvia Renata Gomes Miessa
Vice-Reitora de Recursos Humanos e de Pessoal
Profa. Laura Ancona Lee
Vice-Reitora de Relações Internacionais
Profa. Melânia Dalla Torre
Vice-Reitora de Assuntos da Comunidade Universitária
UNIP EaD
Profa. Elisabete Brihy
Profa. M. Isabel Cristina Satie Yoshida Tonetto
Material Didático
Comissão editorial: 
 Profa. Dra. Christiane Mazur Doi
 Profa. Dra. Ronilda Ribeiro
Apoio:
 Profa. Cláudia Regina Baptista
 Profa. M. Deise Alcantara Carreiro
 Profa. Ana Paula Tôrres de Novaes Menezes
Projeto gráfico: Revisão:
 Prof. Alexandre Ponzetto Lucas Ricardi
 Vitor Andrade
Sumário
Gestão da Escola de Educação Infantil
APRESENTAÇÃO ......................................................................................................................................................7
INTRODUÇÃO ........................................................................................................................................................ 10
Unidade I
1 EDUCAÇÃO INFANTIL E OS DIREITOS FUNDAMENTAIS DAS CRIANÇAS ................................... 13
1.1 A educação de bebês e crianças de 0 a 5 anos nas políticas públicas 
e na legislação educacional: avanços e retrocessos ...................................................................... 16
2 FUNDAMENTAÇÃO E PRINCÍPIOS DA EDUCAÇÃO E DA GESTÃO DA ESCOLA 
DE EDUCAÇÃO INFANTIL .................................................................................................................................. 19
2.1 Gestão democrática na Educação Infantil ................................................................................. 28
3 QUEM SÃO OS PROFISSIONAIS QUE COMPÕEM A GESTÃO ESCOLAR E QUAIS 
SÃO AS SUAS FUNÇÕES? ................................................................................................................................. 32
3.1 Diretor e vice‑diretor escolar .......................................................................................................... 33
3.2 Coordenador pedagógico .................................................................................................................. 37
3.3 Orientador pedagógico ...................................................................................................................... 40
4 GESTÃO ESCOLAR PARA A FORMAÇÃO E IDENTIDADE DE PROFISSIONAIS 
DE EDUCAÇÃO INFANTIL .................................................................................................................................. 43
Unidade II
5 FUNDAMENTOS DE GESTÃO, PLANEJAMENTO E ORGANIZAÇÃO DA ESCOLA 
DE EDUCAÇÃO INFANTIL .................................................................................................................................. 53
5.1 Projetos Político‑Pedagógicos em instituições de Educação Infantil ............................. 57
5.2 Planejamento e organização do trabalho escolar na creche ............................................. 59
5.3 Planejamento e organização do trabalho escolar na pré‑escola ..................................... 62
5.4 O compartilhamento da educação e do cuidado das crianças: tensões 
e possibilidades ............................................................................................................................................. 68
6 GESTÃO ESCOLAR E A RELAÇÃO COM AS FAMÍLIAS ......................................................................... 75
6.1 Formas de comunicação com as famílias ................................................................................... 76
6.2 Participação das famílias no conselho da escola de Educação Infantil ......................... 78
6.3 Participação das famílias na Associação de Pais e Mestres ................................................ 81
Unidade III
7 PROJETO POLÍTICO‑PEDAGÓGICO PARA UMA EDUCAÇÃO DE QUALIDADE: 
GARANTIA DO DESENVOLVIMENTO INTEGRAL ....................................................................................... 93
7.1 Inclusão de crianças com necessidades educacionais especiais (NEE) ........................... 99
7.2 Relações étnico‑raciais e gênero na infância .........................................................................102
7.3 Cenas inspiradoras .............................................................................................................................106
8 A VEZ E A VOZ DAS CRIANÇAS: PROTAGONISMO INFANTIL .......................................................108
7
APRESENTAÇÃO
Olá, aluno!
Os temas abordados neste livro‑texto contemplam singularidades inerentes à fundamentação e aos 
princípios que orientam a Educação Infantil, bem como a gestão de creches e de pré‑escolas. São temas 
que estão diretamente alinhados com a concepção do curso de Pedagogia, que preconiza o incentivo à 
sólida formação geral e ao desenvolvimento da pessoa humana.
Nosso objetivo é incentivar você, aluno, a fazer reflexões que subsidiem a formação de um 
profissional capaz de compreender e atuar no campo da Educação Infantil, articulando teoria e prática 
para enfrentar os desafios da gestão e da organização desse nível de ensino.
De acordo com Libâneo (2004), a gestão pedagógica é caracterizada pelo conjunto de exercícios 
empreendidos pelos educadores, incluindo as famílias, para coordenar os diferentes elementos que, na 
unidade educacional, servem de mediadores das vivências e das aprendizagens. Esse conceito vai além 
da organização administrativa e burocrática, pois prioriza a articulação das práticas pedagógicas com 
o Projeto Político‑Pedagógico (PPP) da instituição. Logo, a gestão pedagógica não se limita às questões 
operacionais, mas envolve a construção constante e dinâmica de um ambiente de aprendizagem que 
reflete os princípios, os valores e os objetivos educacionais.
Isto posto, vê‑se que esse processo implica a integração de todos os atores envolvidos no cotidiano 
escolar, como professores, gestores,promovendo uma educação de qualidade e criando um ambiente que favoreça o aprendizado, a 
convivência e o desenvolvimento integral dos alunos. Ela abrange aspectos pedagógicos, administrativos, 
financeiros e humanos, sempre considerando a participação ativa da comunidade escolar e o alinhamento 
com as diretrizes educacionais.
No que tange a dimensão pedagógica, ela foca no processo de ensino e aprendizagem e envolve o 
planejamento curricular, o acompanhamento do desempenho dos alunos e a formação continuada dos 
professores. Ainda, é responsável por garantir a implementação do Projeto Político‑Pedagógico (PPP).
Já a dimensão administrativa é responsável por organizar os recursos materiais, financeiros e 
logísticos da escola, a manutenção da infraestrutura, a aquisição de materiais e a gestão do orçamento, 
buscando eficiência nos processos operacionais da escola.
E a dimensão financeira é responsável por gerenciar os recursos financeiros da escola de maneira 
transparente e responsável. Envolve a elaboração do orçamento, a captação de recursos e a prestação de 
contas e visa otimizar os investimentos para atender às necessidades educacionais.
Convém mencionar a dimensão que envolve a gestão de pessoas, a qual trata do relacionamento 
com os profissionais da escola, promovendo um ambiente de trabalho saudável e colaborativo, e inclui 
a formação, motivação e avaliação da equipe escolar.
No âmbito da gestão escolar estão os seus princípios, que englobam:
• Participação: envolver todos os atores da comunidade escolar no planejamento e na tomada 
de decisões.
• Transparência: garantir clareza e acesso às informações sobre o funcionamento da escola.
33
GESTÃO DA ESCOLA DE EDUCAÇÃO INFANTIL
• Equidade: promover oportunidades iguais para todos os alunos e respeitar a diversidade.
• Qualidade: buscar continuamente a melhoria dos processos e resultados educacionais.
• Eficiência: utilizar os recursos disponíveis de forma otimizada para atingir os objetivos educacionais.
Muitos são os desafios da gestão escolar, sobretudo para garantir a articulação entre as dimensões 
pedagógica e administrativa, gerenciar recursos limitados de forma eficiente, promover a formação 
contínua da equipe escolar, enfrentar desigualdades educacionais e sociais e estimular a participação 
ativa da comunidade escolar em um contexto democrático.
Nesse contexto, uma gestão escolar eficaz impacta diretamente a qualidade da educação. Ela é 
essencial para criar um ambiente que promova o desenvolvimento integral dos alunos, incentive a 
inovação e a criatividade no processo de ensino, garanta a inclusão e o respeito à diversidade e fortaleça 
os laços entre a escola e a comunidade.
Desta feita, a gestão escolar, ao integrar essas dimensões e princípios, tem o potencial de transformar 
a escola em um espaço de aprendizado, convivência e cidadania, contribuindo para a formação de 
indivíduos críticos e participativos.
De acordo com Libâneo (2004), os profissionais que compõem a gestão escolar desempenham papéis 
vitais para o funcionamento eficiente da instituição de ensino. Esses profissionais atuam de forma 
articulada, integrando diferentes áreas e dimensões, com o objetivo de garantir a qualidade da educação 
e promover uma administração participativa e integrada.
A gestão escolar é composta por profissionais que assumem funções específicas, mas complementares, 
garantindo que os aspectos pedagógicos, administrativos, financeiros e sociais sejam atendidos. A seguir, 
veremos os principais profissionais e suas funções.
3.1 Diretor e vice‑diretor escolar
Pais
Alunos
Gestão
Educadores
Escola
Figura 4 – Articulação de ações e práticas na escola
34
Unidade I
Segundo Libâneo (2004), o diretor escolar é o principal líder da instituição de ensino, com a 
responsabilidade de articular, organizar e coordenar as diversas dimensões da gestão escolar. Sua 
atuação é essencial para garantir o funcionamento eficiente da escola, promover a qualidade do ensino 
e consolidar uma cultura de convivência democrática.
No cenário brasileiro as funções do diretor escolar são regulamentadas por leis e normas, sendo 
sua principal responsabilidade a administração da escola para garantir o cumprimento da missão 
educacional. Essa função é embasada pela LDB, a Lei n. 9.394/96.
Entre as principais funções do diretor escolar está a gestão pedagógica, a qual consiste em 
coordenar a elaboração, implementação e avaliação do PPP, bem como garantir a articulação entre 
professores, coordenadores pedagógicos e a comunidade escolar para melhorar os processos de ensino 
e aprendizagem e promover ações que valorizem o desenvolvimento integral dos alunos.
O diretor também tem a função da gestão administrativa, que implica supervisionar a administração 
de recursos materiais e financeiros da escola, organizar e manter a infraestrutura escolar em condições 
adequadas para as atividades educativas e coordenar o planejamento e a execução do calendário escolar.
No âmbito da gestão de pessoas, o diretor tem a função de liderar a equipe escolar, promovendo a 
integração entre os diferentes profissionais, incentivar a formação continuada dos professores e demais 
colaboradores e resolver conflitos e promover um ambiente de trabalho saudável e colaborativo.
No que concerne à gestão financeira, o diretor tem a função de supervisionar o uso do orçamento 
escolar de forma eficiente e transparente e garantir a prestação de contas junto aos órgãos competentes 
e à comunidade escolar.
Na esteira de suas funções, mencionamos questões relativas à gestão relacional e democrática, 
que tem a ver com a estimulação e a participação ativa de alunos, pais, professores e comunidade no 
planejamento e na tomada de decisões, como também a representação da escola perante a sociedade, 
estabelecendo parcerias e fortalecendo os vínculos com outras instituições. Ele deve, ainda, assegurar 
um ambiente escolar inclusivo, equitativo e participativo.
Suas funções também preconizam o cumprimento de normas e diretrizes, no que tange a assegurar 
que a escola esteja em conformidade com as políticas educacionais vigentes, monitoramento e 
cumprimento das diretrizes curriculares e das legislações educacionais.
Nesse contexto, o diretor deve apresentar características eficazes, as quais devem contemplar 
aspectos atrelados a uma liderança transformadora, a qual inspira e mobiliza a equipe para alcançar os 
objetivos educacionais. Deve apresentar também uma visão estratégica, que busca antecipar demandas e 
propor soluções inovadoras, habilidade de comunicação, que busca facilitar o diálogo entre os diferentes 
membros da comunidade escolar, e competência administrativa, para gerenciar recursos e processos 
com eficiência. E não podemos esquecer da empatia e resiliência para compreender as necessidades de 
alunos e colaboradores, enfrentando desafios com equilíbrio.
35
GESTÃO DA ESCOLA DE EDUCAÇÃO INFANTIL
Sendo assim, a figura diretor escolar é central na gestão educacional, pois atua como mediador entre 
as necessidades da escola, as políticas públicas e as expectativas da comunidade. Ele tem o papel de 
garantir que a instituição de ensino seja um espaço de aprendizado significativo, inclusão, convivência 
harmônica e formação cidadã.
A liderança do diretor é um fator determinante para o sucesso da escola, pois sua atuação impacta 
diretamente a qualidade do ensino, a motivação da equipe escolar e o desempenho dos alunos. Como 
gestor, ele exerce um papel estratégico ao integrar diferentes dimensões da gestão escolar, garantindo 
que todas as ações estejam alinhadas aos objetivos pedagógicos e administrativos da instituição.
Monção (2021) destaca que a liderança eficaz do diretor promove muitos resultados positivos, entre 
eles a qualidade do ensino, pois, ao supervisionar e apoiar o desenvolvimento do PPP, o diretor assegura 
que as práticas pedagógicas sejam coerentes e eficazes, gerando melhores resultados no aprendizado 
dos alunos. Ainda, a sua capacidadede articular professores e coordenadores pedagógicos permite a 
adoção de metodologias inovadoras e a superação de desafios educacionais.
Promove também a equipe escolar, já que como líder é responsável por criar um ambiente de trabalho 
colaborativo e acolhedor, no qual professores e demais funcionários sintam‑se valorizados. E quando 
atua na resolução de conflitos e no fortalecimento das relações interpessoais, aumenta o engajamento 
dos colaboradores.
Consequentemente, toda essa liderança positiva e eficaz acaba impactando diretamente o 
desempenho dos alunos, uma vez que um ambiente escolar bem gerido, com infraestrutura adequada e 
práticas pedagógicas eficientes, influencia diretamente o desempenho dos estudantes. Assim, o diretor, 
ao garantir um espaço seguro, inclusivo e democrático, favorece o desenvolvimento integral dos alunos, 
incentivando a aprendizagem e a cidadania.
Por essas razões, o diretor é mais do que um gestor administrativo; ele é um agente essencial para 
transformar a escola em um espaço de aprendizado significativo, convivência saudável e formação 
cidadã. Sua liderança define o rumo e o alcance dos objetivos educacionais, tornando‑se uma peça‑chave 
para o sucesso escolar.
Contudo, o diretor escolar não realiza a gestão da escola de forma isolada. Ele conta com o apoio 
de uma equipe composta por outros profissionais que, juntos, contribuem para o funcionamento 
eficiente da instituição e para o alcance de seus objetivos educacionais. Essa atuação conjunta permite 
a articulação entre as diferentes dimensões da gestão escolar e promove uma administração mais 
integrada e democrática. No próximo tópico, conheceremos as funções do coordenador pedagógico.
Já o vice‑diretor, também chamado de assistente de direção, diretor adjunto ou diretor substituto, 
desempenha um papel fundamental na administração da escola. Ele é o principal apoio do diretor, 
auxiliando na gestão das atividades diárias e na execução das políticas educacionais. Suas atribuições 
podem incluir a coordenação de equipes pedagógicas e o acompanhamento do cumprimento de normas 
e regulamentos, além da tomada de decisões em situações emergenciais ou na ausência do diretor.
36
Unidade I
O vice‑diretor tem um papel vital no funcionamento e na gestão escolar. Ele não apenas auxilia o 
diretor nas suas funções cotidianas, mas também assume uma série de responsabilidades próprias e, em 
casos de ausência do diretor, garante a continuidade da administração escolar. Ele é um elo importante 
entre a equipe pedagógica, os professores, os alunos e a comunidade escolar.
Entre as responsabilidades dessa função destacam‑se às relacionadas à gestão administrativa 
e pedagógica, pois auxilia na organização administrativa da escola, como o acompanhamento de 
documentos e registros, controle de frequência de alunos e gestão de recursos. O vice‑diretor ainda 
participa no planejamento pedagógico, colaborando na implementação do currículo, no desenvolvimento 
de projetos educativos e na organização de atividades pedagógicas.
No âmbito da gestão da disciplina, ele fica encarregado de questões disciplinares, resolvendo conflitos, 
orientando alunos e promovendo um ambiente escolar respeitoso e organizado. Também implementa 
políticas e práticas para a manutenção de um ambiente escolar saudável, com foco na convivência e no 
respeito mútuo.
O vice‑diretor também acompanha o desenvolvimento das atividades pedagógicas, supervisionando 
aulas e observando o trabalho dos professores, e auxilia na avaliação e melhoria da qualidade do ensino, 
de modo a garantir que as metodologias aplicadas estejam alinhadas às diretrizes curriculares e aos 
objetivos da escola.
Quando atua na gestão de projetos educacionais, pode ser encarregado de coordenar e implementar 
projetos educacionais, como feiras de ciências, eventos culturais, atividades extracurriculares, entre outros. 
Assim, envolve‑se na inovação de práticas pedagógicas e na integração de atividades interdisciplinares, 
com foco no desenvolvimento integral dos alunos.
E, quando o diretor está ausente, ele faz a representação da direção, ou seja, a representação 
institucional, assumindo as funções do diretor em reuniões, eventos e decisões administrativas, de 
modo a garantir a continuidade da gestão escolar, sem comprometer o andamento das atividades e a 
resolução de questões urgentes.
No mais, o vice‑diretor atua como intermediário entre a escola e as famílias, mantendo uma 
comunicação constante com os pais sobre o desempenho e a convivência dos alunos. Assim, facilita a 
participação da comunidade nas atividades escolares, promovendo a colaboração e o envolvimento de 
todos os envolvidos no processo educativo.
No que tange ao perfil do vice‑diretor, ele deve ter habilidades de liderança, organização e 
comunicação eficaz. Ele deve ser capaz de lidar com diferentes situações e demandas de forma 
estratégica e colaborativa. A capacidade de trabalhar em equipe, a competência para lidar com questões 
administrativas e pedagógicas, e a habilidade de mediar conflitos são fundamentais para o sucesso 
dessa função.
Ao exercer todas essas responsabilidades, o vice‑diretor contribui diretamente para a melhoria do 
ambiente escolar e para o fortalecimento da qualidade educativa na instituição. Há muitas instituições 
37
GESTÃO DA ESCOLA DE EDUCAÇÃO INFANTIL
de ensino que não têm um vice‑diretor escolar. Já há outras que chegam a ter três. O fator determinante 
para isso é o número de alunos da escola. Por conta disso, esse é um cargo sempre presente em redes 
públicas, que são as que têm mais alunos. Nelas, é comum que haja até um por turno. Já nas escolas 
particulares, esse profissional tende a aparecer apenas nas maiores, geralmente pertencentes a uma 
rede. Nesse caso, é possível que haja mais de um também. Se houver níveis de ensino divididos em 
diferentes prédios, por exemplo, pode haver um vice em cada um.
É importante mencionar que, na maioria dos casos, o profissional que exerce essa função é escolhido 
ou indicado por alguém. Isso ocorre por várias razões, entre elas a confiabilidade e a lealdade: o diretor 
pode indicar alguém em quem confia e que compartilha seus valores e objetivos. Outra razão está 
atrelada às experiências e habilidades específicas que sejam necessárias para o cargo, bem como o fator 
continuidade, pois a indicação do vice‑diretor pode garantir a continuidade das políticas e dos projetos 
em andamento.
Nesse contexto, o processo de indicação do vice‑diretor pode variar dependendo da instituição ou 
organização. Geralmente, envolve quatro fatores:
• Análise de necessidades: o diretor ou a equipe de liderança identifica as necessidades e os 
desafios da instituição.
• Seleção de candidatos: o diretor ou a equipe de liderança seleciona candidatos potenciais 
para o cargo.
• Avaliação e entrevistas: os candidatos são avaliados e entrevistados para avaliar suas habilidades 
e experiências.
• Indicação: o diretor ou a equipe de liderança indica o candidato escolhido para o cargo.
Vê‑se que a indicação de um vice‑diretor é, sem dúvida, uma estratégia fundamental para preparar 
a instituição para o futuro, garantindo a continuidade e a estabilidade da gestão escolar. Essa figura de 
liderança não apenas exerce um papel de apoio ao diretor, mas também contribui significativamente 
para o desenvolvimento e a sustentabilidade da escola a longo prazo.
3.2 Coordenador pedagógico
O coordenador pedagógico é um profissional essencial na gestão escolar, com foco na dimensão 
pedagógica. Sua atuação é voltada para acompanhamento, orientação e suporte aos professores e 
alunos, garantindo que o processo de ensino e aprendizagem esteja alinhado ao PPP da escola e às 
políticas educacionais vigentes.
De acordo com Libâneo (2004, p . 75):
O coordenador pedagógico ou professor‑coordenador supervisiona, 
acompanha, assessora, apoia, avalia as atividades pedagógico‑curriculares. 
38
Unidade I
Sua atribuição prioritária é prestar assistênciapedagógico‑didática aos 
professores em suas respectivas disciplinas, no que diz respeito ao trabalho 
interativo com os alunos. Outra atribuição que cabe ao coordenador 
pedagógico é o relacionamento com os pais e a comunidade, especialmente 
no que se refere ao funcionamento pedagógico‑curricular e didático da 
escola e comunicação e interpretação da avaliação dos alunos.
Isto posto, vê‑se que as principais funções do coordenador pedagógico englobam o planejamento 
pedagógico, principalmente nos aspectos quem envolvem a coordenação, elaboração e implementação 
do planejamento pedagógico da escola, de modo a assegurar a coerência entre o currículo, o PPP 
e as práticas de ensino desenvolvidas em sala de aula. Ele também propõe estratégias para superar 
dificuldades no processo de aprendizagem.
O coordenador ainda realiza ações de acompanhamento e avaliação, pois observa e avalia as práticas 
pedagógicas, oferecendo feedbacks construtivos aos professores, bem como monitora o desempenho 
acadêmico dos alunos e propõe intervenções pedagógicas quando necessário. Esse profissional também 
promove práticas de formação continuada para os professores, incentivando o aprimoramento de 
práticas educacionais, e atualiza a equipe sobre tendências pedagógicas, novas metodologias e 
diretrizes educacionais.
Além disso, realiza mediação de conflitos entre professores, alunos e famílias, ajudando a resolver 
conflitos que possam surgir no ambiente escolar. Atua também como um facilitador de diálogos 
entre a comunidade escolar para garantir a harmonia e o bom relacionamento. Procura promover 
práticas pedagógicas inclusivas que respeitem as diversidades culturais, sociais e individuais dos 
alunos e desenvolve estratégias para atender às necessidades específicas dos estudantes, promovendo 
a equidade educacional.
É importante mencionar que o coordenador também produz práticas de fomento à inovação 
pedagógica, pois incentiva o uso de tecnologias educacionais e metodologias inovadoras que enriqueçam 
o processo de ensino e aprendizagem e estimula a interdisciplinaridade e projetos que integrem diferentes 
áreas do conhecimento.
Segundo Monção (2021), um coordenador pedagógico eficaz deve apresentar uma visão pedagógica 
ampla, pois deve compreender os processos de ensino e aprendizagem de forma global. Deve também 
ter habilidade de liderança, para inspirar e orientar a equipe docente, ter capacidade de comunicação, 
para facilitar o diálogo e a troca de ideias entre os membros da escola, ter empatia e sensibilidade, para 
entender e apoiar as necessidades de professores e alunos, e, por último, ter resiliência e organização, 
para lidar com desafios diários e manter o planejamento pedagógico em dia.
Consequentemente, o coordenador pedagógico se apresenta como um elo entre a gestão escolar 
e os professores, sendo responsável por transformar diretrizes em práticas pedagógicas significativas. 
Ele tem um papel fundamental na qualidade do ensino, pois acompanha e orienta os professores, para 
melhorar continuamente suas práticas, e os apoia, de modo a oferecer suporte para superar desafios em 
sala de aula.
39
GESTÃO DA ESCOLA DE EDUCAÇÃO INFANTIL
Assim, ele atua no desenvolvimento dos alunos, garantindo que todos tenham oportunidades iguais 
de aprendizado e na consolidação do PPP, ajudando a escola a alcançar seus objetivos educacionais.
A presença de um coordenador pedagógico competente é essencial para o sucesso da escola, pois 
ele desempenha um papel estratégico na criação de um ambiente de aprendizado eficaz, acolhedor e 
inclusivo. Sua atuação vai além do suporte técnico aos professores, pois envolve a mediação de relações, 
a promoção de inovações pedagógicas e a garantia de que o currículo seja executado de forma alinhada 
às diretrizes educacionais e às necessidades da comunidade escolar.
Desse modo, o coordenador pedagógico tende a potencializar os resultados da escola, principalmente 
no que tange à qualidade do ensino, isso porque um coordenador competente trabalha para assegurar 
que os professores desenvolvam práticas pedagógicas significativas e inovadoras, aprimorando 
continuamente os processos de ensino e aprendizagem. Ele, ao acompanhar os indicadores de desempenho 
dos alunos, consegue propor intervenções pedagógicas que promovam a superação de dificuldades.
Convém mencionar que práticas eficazes desse profissional também preveem o acolhimento  e 
bem‑estar, de modo a promover um ambiente de trabalho colaborativo e acolhedor para professores 
e funcionários, fortalecendo o engajamento e a motivação da equipe. Ele ainda trabalha para que os alunos 
se sintam respeitados e apoiados, criando um espaço seguro para o desenvolvimento emocional e social.
O fator da promoção da inclusão educacional também compõe as funções do coordenador, haja vista 
ele ter o compromisso de garantir que as práticas pedagógicas sejam adaptadas às necessidades dos alunos 
com deficiência, dificuldades de aprendizagem ou condições de vulnerabilidade, bem como valorizar as 
diversidades culturais, sociais e individuais, promovendo a equidade dentro do ambiente escolar.
A promoção de um ambiente acolhedor também integra a lista de suas funções, pois estimula a escuta 
de ideias, tal qual a adoção de novas metodologias, ferramentas tecnológicas e práticas interdisciplinares 
que enriqueçam o aprendizado. São ações que estimulam e incentivam o desenvolvimento de projetos 
pedagógicos que envolvam toda a comunidade escolar. Isto posto, as funções impactam diretamente o 
fortalecimento do PPP, uma vez que o coordenador atua como guardião do PPP, assegurando que ele 
seja implementado de maneira efetiva e atualizado conforme as demandas educacionais e sociais.
Nesse universo de ações funções, vê‑se que a competência do coordenador pedagógico, portanto, é 
um diferencial que impacta diretamente os resultados escolares. Seu trabalho reflete‑se na formação de 
cidadãos mais preparados, conscientes e inseridos em uma sociedade plural e democrática, reafirmando 
o compromisso da escola com a qualidade e a inclusão educacional.
No que tange às suas competências para desempenhar suas funções com excelência, Libâneo (2004) 
nos informa que esse profissional deve ter habilidade de liderança, ou seja, inspirar e orientar a equipe 
docente; ter empatia e sensibilidade, para compreender as necessidades individuais de professores e 
alunos; ter visão pedagógica estratégica, ao planejar ações que promovam o ensino de qualidade; 
demonstrar capacidade de comunicação, para facilitar o diálogo entre os diferentes membros da escola; 
e se atualizar constantemente, se mantendo em sintonia com as novas tendências educacionais e as 
legislações vigentes.
40
Unidade I
Diante dessas considerações, vê‑se que o coordenador pedagógico é um agente transformador no 
ambiente escolar. Sua atuação vai além de acompanhar o trabalho docente; ele desempenha um papel 
estratégico na construção de um ambiente de aprendizagem acolhedor, inovador e inclusivo. Com 
sua liderança, é possível alinhar os objetivos pedagógicos aos desafios contemporâneos, contribuindo 
significativamente para o sucesso da escola e para a formação integral.
3.3 Orientador pedagógico
O orientador pedagógico, muitas vezes chamado de orientador educacional, é uma figura que 
desempenha um papel essencial na mediação entre os diferentes atores do ambiente escolar – alunos, 
professores, famílias e equipe gestora. Ele tem como foco promover o desenvolvimento integral dos 
estudantes, fortalecendo o processo de ensino‑aprendizagem e a qualidade do trabalho pedagógico.
Dessa maneira, ele tem como principal função apoiar o processo de ensino‑aprendizagem, auxiliando 
estudantes, pais e professores em questões relacionadas ao desenvolvimento acadêmico, social e 
emocional dos alunos. Suas responsabilidades podem variar de acordo com o contexto da instituição 
de ensino, mas geralmente incluem o apoio psicológico e emocional, uma vez que esse profissional 
ajuda osalunos a lidar com questões emocionais, comportamentais e sociais que podem interferir no 
aprendizado, como ansiedade, bullying ou dificuldades familiares.
Libâneo (2004) nos esclarece que o orientador pedagógico é uma peça‑chave para construir 
um ambiente educacional acolhedor, participativo e voltado para a formação de cidadãos críticos e 
conscientes de seu papel na sociedade. Esse profissional apresenta características que definem o seu 
papel de atuação.
A seguir, listamos algumas de suas funções:
• Facilitador do aprendizado, pois identifica desafios no processo educativo e trabalha para 
criar estratégias que promovam a inclusão, a superação de dificuldades e a melhoria contínua 
da aprendizagem.
• Promotor do diálogo, já que é tido como um elo de comunicação entre a escola e as famílias, 
haja vista que promove um relacionamento saudável e colaborativo em prol do bem‑estar 
dos estudantes.
• Apoiador da equipe docente, uma vez que orienta e acompanha os professores, propondo 
metodologias, reflexões e estratégias pedagógicas que favoreçam uma prática educativa eficiente 
e inovadora.
• Mediador de conflitos, pois atua para resolver situações de conflito no ambiente escolar, 
seja entre alunos, entre professores ou entre alunos e professores, com foco no respeito e na 
convivência harmônica.
41
GESTÃO DA ESCOLA DE EDUCAÇÃO INFANTIL
• Articulador do projeto pedagógico, já que ele participa da construção e execução do PPP, 
garantindo que ele fique alinhado às necessidades da escola e da comunidade escolar.
• Incentivador do desenvolvimento humano, já que ele trabalha não apenas os aspectos 
acadêmicos, mas também as questões emocionais e sociais, entendendo que a educação é um 
processo integral e contínuo.
À vista disso, vê‑se que o orientador pedagógico também desempenha um papel fundamental na 
educação, pois é responsável por apoiar e orientar os professores e alunos em questões relacionadas 
ao ensino e aprendizagem. Ele oferece suporte ao professor principalmente em ações relacionadas ao 
desenvolvimento de habilidades e conhecimentos dos docentes, melhorando a qualidade do ensino. 
Auxilia também no planejamento de aulas e gestão da sala de aula.
Segundo Longo e Pereira (2011, p. 5):
Cabe ao orientador educacional, em sua prática educativa com os 
professores, assessorá‑los no acompanhamento e compreensão de sua 
turma, integrar‑se às diversas disciplinas visando ao desenvolvimento de 
um trabalho comum e à formulação das habilidades didático‑pedagógicas a 
serem desenvolvidas com os alunos.
No que se refere ao suporte aos alunos, esse profissional auxilia na orientação acadêmica, no apoio 
emocional e no desenvolvimento de habilidades. E quanto às contribuições à escola como um todo, o 
seu suporte tende a impactar diretamente a melhoria da qualidade do ensino, o desenvolvimento de 
políticas educacionais e a avaliação e melhoria contínua.
Longo e Pereira (2011) ainda ressaltam um aspecto crucial do papel do orientador educacional, 
que vai além da prática pedagógica dentro da escola, incluindo a construção de uma rede de apoio e 
comunicação entre a escola, a família e a comunidade. Esse envolvimento do orientador educacional 
com os pais e responsáveis visa criar um ambiente de colaboração, no qual as necessidades do aluno são 
focadas de maneira integral, considerando suas necessidades e potencialidades.
Ao orientar, ouvir e dialogar com os pais, o orientador fortalece a parceria entre a escola e a família, 
possibilitando que ambos os lados fiquem alinhados quanto ao desenvolvimento e à aprendizagem dos 
estudantes. Essa inter‑relação é fundamental para o sucesso educacional, pois permite uma abordagem 
mais holística, que considera o aluno em seus múltiplos contextos e fortalece o suporte necessário para 
seu crescimento acadêmico e sua formação integral.
Ademais, a colaboração com a comunidade amplia as possibilidades de recursos e apoio, 
favorecendo a criação de um ambiente educacional mais acolhedor e participativo. O trabalho conjunto 
do orientador com a família e a comunidade contribui para o desenvolvimento de estratégias que 
atendam às necessidades dos alunos e para o fortalecimento do papel da escola como um agente de 
transformação social.
42
Unidade I
O orientador pedagógico, de fato, tem ainda responsabilidade não apenas de apoiar o processo de 
ensino‑aprendizagem, bem como de se comprometer com a evolução constante de seus conhecimentos. 
Esse comprometimento envolve a busca por atualização em teorias e práticas contemporâneas que se 
mostram detalhadas, atendendo às demandas de tempos e espaços.
Destarte, o orientador pedagógico deve estar alinhado com os objetivos educacionais  que 
transcendem  a formação acadêmica, promovendo o desenvolvimento de habilidades e valores 
que contribuem para a construção da cidadania e o fortalecimento do papel social do indivíduo. Isso 
significa que, ao agir, o orientador precisa considerar não apenas as questões pedagógicas e acadêmicas, 
mas também o impacto social da educação.
Essa perspectiva amplia a visão do papel do orientador pedagógico, que deve estar atento tanto aos 
avanços teóricos e metodológicos quanto às necessidades sociais e individuais dos alunos, buscando 
sempre um equilíbrio entre todos os envolvidos no processo de ensinar e aprender.
Diante do exposto, vê‑se que o orientador pedagógico desempenha um papel crucial no processo 
educacional, funcionando como um elo de apoio entre os professores, os alunos e a gestão escolar. Ele 
contribui diretamente para a qualidade do ensino, para o desenvolvimento contínuo da instituição e 
para a promoção de um ambiente educacional mais eficaz, inclusivo e acolhedor.
Desta feita, o orientador pedagógico apresenta‑se como uma peça‑chave para a qualidade 
educacional de uma instituição. Seu trabalho é fundamental para o suporte aos professores, para o 
acompanhamento dos alunos e para a gestão do ambiente escolar como um todo. Ele contribui para a 
criação de um espaço educacional mais integrado, coeso e voltado ao desenvolvimento integral de cada 
aluno, apoiando a constante evolução da instituição.
Figura 5 – Identidade de profissionais da Educação Infantil
Disponível em: https://tinyurl.com/5c4a926u. Acesso em: 20 mar. 2025.
43
GESTÃO DA ESCOLA DE EDUCAÇÃO INFANTIL
4 GESTÃO ESCOLAR PARA A FORMAÇÃO E IDENTIDADE DE PROFISSIONAIS 
DE EDUCAÇÃO INFANTIL
A gestão escolar desempenha um papel fundamental na formação e na construção da identidade 
dos profissionais da educação, haja vista a gestão apresentar‑se como referência para os profissionais 
da escola, tanto referência positiva como negativa. Ela exerce uma influência direta nas práticas 
pedagógicas, nas condições de trabalho e no ambiente educacional como um todo, sendo um fator 
essencial para a qualidade do ensino.
No domínio das referências positivas, a gestão escolar atua como um modelo para os profissionais 
de Educação Infantil ao estabelecer diretrizes claras, criar um ambiente de apoio e incentivar a formação 
continuada. Para mais, ela define os princípios e as práticas pedagógicas que propendem a orientação de 
ações dos educadores, alinhando‑se às necessidades das crianças e às demandas da comunidade escolar.
Além disso, uma gestão escolar eficaz respeita a diversidade de saberes dos educadores, criando um 
ambiente de trabalho colaborativo e acolhedor. Esse espaço favorece a construção de uma identidade 
profissional sólida, em que os educadores se sentem valorizados e motivados a contribuir para o processo.
E essa situação não é diferente no contexto da Educação Infantil. Sendo assim, ela é responsável por 
criar um ambiente pedagógico e organizacional que favoreça o desenvolvimento não apenas das crianças, 
mas também dos educadores que trabalham diretamente com elas. Isso inclui a promoção de condições 
adequadas de trabalho, a valorização profissional, o apoio contínuo ao desenvolvimento pedagógico e a 
criação de uma cultura escolar que respeite e potencializeas práticas da Educação Infantil.
Isto posto, essa gestão está intimamente atrelada à formação dos profissionais de Educação Infantil, 
a qual, segundo Monção (2021), deve ser vista como um processo contínuo, pois suas funções vão além 
das ações de planejamento, coordenação e direção.
A construção da identidade do profissional/gestor que atua na Educação Infantil não se limita 
apenas às formações institucionais formais, mas também se apoia em saberes, vivências e experiências 
acumuladas no dia a dia da prática educativa. Isso implica que o processo de desenvolvimento 
profissional é enriquecido por uma visão holística e contextualizada, que considera tanto a teoria 
quanto a experiência prática vivida dentro da escola.
Essa perspectiva mais ampla permite que os profissionais, sejam educadores ou gestores, compreendam 
melhor o contexto da Educação Infantil, que envolve a atenção da criança de 0 a 5 anos, com suas 
necessidades específicas de desenvolvimento cognitivo, emocional e social. A reflexão contínua sobre 
as exigências atuais para atender a essa faixa etária é essencial, pois o campo da Educação Infantil está 
em constante evolução, sendo necessário que os profissionais se adaptem e se capacitem de maneira a 
atender essas demandas.
O fortalecimento da identidade do profissional de Educação Infantil também está condicionado à 
sua capacidade de construir práticas pedagógicas e de gestão que sejam mais democráticas, inclusivas 
e colaborativas. Ao compreendê‑la como uma etapa fundamental na formação humana, o educador 
44
Unidade I
e o gestor devem buscar constantemente formas de promover um ambiente escolar que respeite  a 
diversidade das crianças, que permita a participação ativa da comunidade escolar e que garanta 
a igualdade de oportunidades entre todos.
A Educação Infantil, como a primeira etapa da Educação Básica, desempenha um papel crucial no 
desenvolvimento integral da criança, sendo responsável por aspectos cognitivos, sociais, emocionais e 
físicos fundamentais para sua formação. Nos últimos anos, houve uma transformação significativa em 
sua função social e política, refletida em uma maior valorização dessa etapa educacional. Essa mudança 
representa uma oportunidade ímpar para a gestão escolar alinhar e articular as diretrizes legais, sobretudo 
a BNCC (2018), com as demandas e necessidades que ora estão presentes na ambiência escolar.
Ao articular os documentos legais às práticas pedagógicas, os gestores educacionais, sejam eles 
diretores, coordenadores pedagógicos ou orientadores, têm a oportunidade de planejar e implementar 
atividades significativas que respeitem as especificidades da Educação Infantil, de modo a promoverem 
um ambiente de aprendizagem mais envolvente e transformador.
Nesse processo é essencial que se considerem não apenas as diretrizes normativas, mas também 
as concepções que fundamentam a gestão da Educação Infantil e as compreensões sobre o que é ser 
criança e o que se entende por desenvolvimento infantil.
As concepções de gestão de Educação Infantil envolvem uma abordagem que vai além da 
administração administrativa e financeira; ela abrange práticas pedagógicas que respeitam e valorizam 
o desenvolvimento integral da criança. Consequentemente, a gestão deve ser focada na criação de um 
ambiente de aprendizagem acolhedor, estimulante e seguro, que favoreça o desenvolvimento cognitivo, 
social, emocional e físico das crianças.
Nesse sentido, a gestão escolar precisa ser reflexiva, participativa e democrática, envolvendo todos 
os atores da comunidade escolar – professores, coordenadores pedagógicos, pais e responsáveis – no 
processo de construção de um projeto interdisciplinar e integrador.
Essa abordagem de gestão deve considerar as especificidades da Educação Infantil, com a adaptação 
de conteúdos e métodos pedagógicos às características da faixa etária, que exijam estratégias mais 
lúdicas, interativas e contextualizadas. E mais, é fundamental que a gestão escolar esteja alinhada com 
os documentos legais e as diretrizes educacionais.
A gestão de Educação Infantil deve ainda estar alinhada à concepção de criança que considera 
esse ser como sujeito ativo e protagonista de seu próprio processo de aprendizagem, com direitos, 
capacidades e necessidades próprias de fase de desenvolvimento. Essa visão implica compreender que a 
criança é um ser em constante construção, com um potencial imenso para aprender, explorar e interagir 
com o mundo ao seu redor.
Além disso, a gestão deve considerar que a infância é uma etapa única e essencial na formação do ser 
humano, merecendo um olhar atento às suas especificidades. Sendo assim, a concepção de criança que 
45
GESTÃO DA ESCOLA DE EDUCAÇÃO INFANTIL
orienta a gestão da Educação Infantil, ao considerar a infância como uma etapa única e fundamental 
no processo de formação do ser humano, deve priorizar, sobretudo, o respeito aos direitos da criança.
De acordo com o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), de 1990, e as normativas e diretrizes 
para essa modalidade de ensino, a criança é um sujeito de direitos, o que significa que, além de ser 
destinatária de cuidados e afetos, ela tem direito a uma educação de qualidade, à proteção e à promoção 
do seu desenvolvimento integral.
Assim, a gestão da Educação Infantil, bem como o perfil dos profissionais que trabalham nessa 
modalidade, precisam estar comprometidas em garantir que esses direitos sejam não apenas reconhecidos, 
mas efetivamente assegurados no ambiente escolar. Isso implica uma série de práticas que envolvem 
numerosas ações, em específico, o acesso à educação de qualidade. Logo, esses profissionais devem 
garantir que todas as crianças tenham acesso a uma educação que seja inclusiva, que respeitem suas 
diversidades e que promovam seu desenvolvimento de forma integral, ponderando suas necessidades 
cognitivas, emocionais, sociais e físicas. Isso envolve desde a organização do currículo até a escolha de 
metodologias pedagógicas que favoreçam o aprendizado significativo.
Faz‑se mister mencionar ações em prol ao respeito à individualidade e ao desenvolvimento das 
crianças, pois cada criança é única e tem seu próprio ritmo de aprendizagem e desenvolvimento. Desta 
feita, esses profissionais devem criar um ambiente pedagógico que respeite essas individualidades, 
permitindo que as crianças se desenvolvam em seu próprio tempo e de acordo com suas próprias 
capacidades. Isso pode ser feito por meio de práticas pedagógicas diferenciadas, que incentivem a 
curiosidade e a autonomia das crianças, além de promoverem a inclusão e a participação ativa de todos 
no processo de aprendizagem.
Sob tais entendimentos, vê‑se que a gestão escolar tende a contribuir significativamente para 
a formação e identidade de profissionais de Educação Infantil, em razão de desempenhar um papel 
fundamental na criação de ambientes que favoreçam o desenvolvimento pedagógico e o fortalecimento 
da prática profissional.
A gestão escolar, ao investir em ações que favorecem a capacitação contínua dos educadores, na 
valorização do seu trabalho e no apoio às suas necessidades, contribui diretamente para a construção 
de uma identidade profissional sólida e segura. Além disso, ao promover um ambiente colaborativo, em 
que os educadores se sintam integrados e participantes do processo educativo, a gestão escolar reforça 
o comprometimento e a motivação dos profissionais com o trabalho que desempenham.
Outro aspecto crucial é a promoção de uma cultura de respeito e valorização das práticas 
pedagógicas, o que resulta na confiança dos educadores em suas próprias habilidades e na realização de 
uma prática pedagógica de qualidade. A gestão escolar atua, portanto, como uma força estruturante e 
dinamizadora, que não só organiza e orienta a rotina escolar, mas também contribui para a formação 
de  uma identidade profissional que é continuamente reconfigurada por meio da experiência e da 
reflexão sobre a prática educativa.
46
Unidade I
Em síntese,a gestão escolar exerce um papel essencial na construção e na consolidação da identidade 
dos profissionais de Educação Infantil, ao criar as condições necessárias para que esses educadores se 
sintam preparados, valorizados e inseridos em um processo coletivo de formação e melhoria constante 
da educação.
Exemplos de aplicação
Exemplo 1. Na Educação Infantil, as aprendizagens e o desenvolvimento das crianças têm como 
eixos estruturantes as interações e a brincadeira, assegurando‑lhes os direitos de:
I – conviver;
II – brincar;
III – participar;
IV – refletir;
V – expressar‑se;
VI – interagir.
Assinale a alternativa que contempla todos os objetivos assegurados dentro da BNCC:
A) Somente as afirmativas I, II, III e V estão corretas.
B) Somente as afirmativas II, III, IV e VI estão corretas.
C) Somente as afirmativas III, IV, V e VI estão corretas.
D) Somente as afirmativas I, III, V e VI estão corretas.
E) Somente as afirmativas III e IV estão corretas.
Resolução
A BNCC (Brasil, 2018) estabelece seis direitos de aprendizagem para que as crianças possam 
aprender e se desenvolver na Educação Infantil. São eles: conviver, brincar, participar, explorar, expressar 
e conhecer‑se. 
Logo, a alternativa A está correta.
47
GESTÃO DA ESCOLA DE EDUCAÇÃO INFANTIL
Exemplo 2. A gestão democrática é um pilar para a organização e bom funcionamento das instituições 
de ensino, e adquire desafios adicionais quando se trata de implementar um modelo inclusivo.
Assinale a opção que indica, corretamente, um dos principais obstáculos nesse caso:
A) A falta de uma estrutura burocrática rígida e hierarquizada dificulta a tomada rápida de decisões.
B) As demandas particulares de cada aluno exigem adaptações e personalizações constantes.
C) O apego dos professores aos modelos tradicionais de ensino cria resistência às mudanças 
necessárias.
D) A multiplicidade de vozes da comunidade escolar dificulta a implementação eficaz das 
ações inclusivas.
E) A interferência das famílias nas decisões da escola retira a autonomia decisória da instituição 
de ensino.
Resolução
O apego dos professores aos modelos tradicionais de ensino pode, de fato, ser considerado um 
entrave à implementação de mudanças necessárias para melhorar a educação. Isso ocorre porque, 
quando os educadores estão muito ligados a práticas pedagógicas tradicionais e muitas vezes 
ultrapassadas, pode ser mais difícil incorporar novas metodologias, tecnologias ou abordagens que 
promovam uma educação mais inclusiva, dinâmica e adaptada às necessidades atuais dos alunos. 
Logo, a alternativa C está correta.
 Observação
A gestão eficaz precisa ser centrada não só na organização e na 
estrutura da instituição, mas também na criação de um ambiente de 
aprendizagem acolhedor, estimulante e seguro. Esse tipo de gestão propõe 
um olhar atento às necessidades de desenvolvimento cognitivo, social, 
emocional e físico da criança, criando condições para que cada uma delas 
possa explorar seu potencial de maneira plena e respeitosa. Ao integrar esses 
aspectos, a gestão educacional promove a formação de cidadãos críticos 
e conscientes, respeitando a infância como uma fase única e fundamental 
na construção do ser humano.
48
Unidade I
 Saiba mais
Leia mais sobre gestão escolar para a formação e identidade de 
profissionais da Educação Infantil na obra a seguir:
LIBÂNEO, J. C. Organização e gestão escolar: teoria e prática. 5. ed. 
Goiânia: Alternativa, 2004. Disponível em: https://tinyurl.com/4brfekp2. 
Acesso em: 11 mar. 2025.
49
GESTÃO DA ESCOLA DE EDUCAÇÃO INFANTIL
 Resumo
Nesta unidade, vimos que os temas abordados neste livro‑texto 
contemplam singularidades da gestão escolar da Educação Infantil. 
Estudamos conceitos inerentes aos direitos fundamentais das crianças, 
sobretudo no contexto da Educação Infantil.
Verificamos que, na Educação Infantil, os direitos das crianças 
são fundamentais para garantir o seu desenvolvimento integral e  a 
promoção de um ambiente educativo inclusivo e acolhedor. Esses direitos 
estão garantidos por diversos documentos legais, como a Constituição 
Federal  (1988), o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) (1990) e 
a Base Nacional Comum Curricular (BNCC) (2018), além de outras normas 
e diretrizes que asseguram um atendimento adequado às necessidades das 
crianças em sua primeira etapa educacional.
Estudamos, ainda, assuntos relacionados à educação de bebês e de 
crianças de 0 a 5 anos nas políticas públicas e na legislação educacional 
no que tange aos avanços e aos retrocessos. Aprendemos que a educação 
de bebês e de crianças de 0 a 5 anos, no Brasil, tem sido um tema central 
nos debates da área, refletindo tanto ganhos quanto desafios persistentes 
em garantir a universalização e a qualidade do atendimento educacional 
nessa faixa etária.
Abordamos conteúdos relativos à fundamentação e aos princípios da 
educação e da gestão da escola de Educação Infantil: vimos que eles são 
essenciais para a construção de um ambiente pedagógico que respeite o 
desenvolvimento integral das crianças, assegure seus direitos e favoreça a 
aprendizagem significativa.
Para tal, a gestão democrática na Educação Infantil é mais do que 
importante e necessária, visto que promove a participação ativa de todos 
os envolvidos no processo educacional, como educadores, familiares, 
gestores e comunidade, assegurando que as decisões sejam tomadas 
de forma colaborativa e levando em consideração as necessidades e os 
interesses das crianças.
Explicamos quem são os profissionais que compõem a gestão 
escolar  e  quais são as suas funções, visto que o sucesso de uma 
gestão  democrática e de qualidade na Educação Infantil depende da 
atuação conjunta e eficiente desses profissionais, que desempenham 
papéis fundamentais para o desenvolvimento das crianças e para a criação 
50
Unidade I
de um ambiente escolar saudável e eficaz. Estamos falando do diretor, do 
vice‑diretor, do coordenador pedagógico e do orientador educacional, 
profissionais que desempenham funções essenciais na gestão e no 
desenvolvimento do trabalho pedagógico da Educação Infantil. Cada um 
tem um papel específico na estrutura escolar, mas todos têm em comum a 
responsabilidade de garantir que a instituição ofereça uma educação de 
qualidade, respeitando os direitos das crianças e promovendo um ambiente 
de aprendizagem positivo e inclusivo.
Por fim, vimos conteúdos relativos à gestão escolar para a formação e 
a consolidação da identidade de profissionais de Educação Infantil. Esses 
conteúdos são fundamentais para compreender como a gestão pedagógica 
e as práticas de formação continuada influenciam a identidade profissional 
dos educadores, bem como o impacto dessas práticas no desenvolvimento 
da Educação Infantil de qualidade.
A gestão escolar, quando bem estruturada, vai além da administração de 
recursos e de processos. Ela também tem um papel central na formação 
contínua dos profissionais, na construção da identidade e na valorização dos 
educadores que atuam com as crianças de 0 a 5 anos.
Isto posto, nesta unidade, procuramos ensinar a você, aluno do 
curso de Pedagogia, que a gestão da escola de Educação Infantil é um 
componente essencial para garantir que as crianças tenham acesso a uma 
educação de qualidade, que favoreça seu desenvolvimento integral e que 
respeite seus direitos e suas necessidades. Essa gestão envolve uma série 
de práticas administrativas, pedagógicas e de organização que devem 
ser articuladas de forma a criar um ambiente de aprendizagem seguro, 
acolhedor e estimulante.
51
GESTÃO DA ESCOLA DE EDUCAÇÃO INFANTIL
 Exercícios
Questão 1. Vimos, no livro‑texto, que a transformação mais significativa na história da Educação 
Infantil no Brasil ocorreu com a Constituição de 1988.
Em relação a esse tema, avalie as asserções e a relação proposta entre elas:
I – A Constituição de 1988 é um ponto de inflexão que chancela a Educação Infantil como parte da 
Educação Básica e considera‑a um direito da criança.porque
II – Antes de 1988, a Educação Infantil era predominantemente vista como um serviço assistencialista 
voltado para atender às demandas das mulheres trabalhadoras, com foco no cuidado, e não na 
educação em si.
Assinale a alternativa correta:
A) As asserções I e II são verdadeiras, e a asserção II justifica a asserção II.
B) As asserções I e II são verdadeiras, e a asserção II não justifica a asserção I.
C) A asserção I é verdadeira, e a asserção II é falsa.
D) A asserção I é falsa, e a asserção II é verdadeira.
E) As asserções I e II são falsas.
Resposta correta: alternativa A.
Análise da questão
A Constituição de 1988 reconheceu a Educação Infantil como um direito da criança, e não apenas 
como uma necessidade da mulher trabalhadora. Trata‑se de um ponto de inflexão que chancela a 
Educação Infantil como parte da Educação Básica e considera‑a um direito da criança.
De acordo com Silva (2020), a Constituição Federal de 1988 foi um marco fundamental para a 
Educação Infantil no Brasil ao garantir que essa etapa fosse reconhecida como parte integrante 
da Educação Básica, estabelecendo‑a como um direito da criança e um dever do Estado e da família.
52
Unidade I
Questão 2. Vimos, no livro‑texto, que a Educação Infantil deve ser entendida como um direito que 
abrange não apenas o acesso, mas também a permanência em condições adequadas.
Em relação aos direitos a serem garantidos na Educação Infantil, avalie os itens a seguir:
I – Pluralidade cultural.
II – Ambiente seguro e acolhedor.
III – Brincadeiras e interações.
IV – Universalização da pré‑escola.
São direitos a serem garantidos na Educação Infantil os citados em:
A) I e II, apenas.
B) III e IV, apenas.
C) I, II e III, apenas.
D) II, III e IV, apenas.
E) I, II, III e IV.
Resposta correta: alternativa E.
Análise da questão
Entre os direitos a serem garantidos na Educação Infantil, temos os que seguem:
• Pluralidade cultural: devem ser respeitadas as diferenças culturais, sociais e linguísticas das 
crianças e das suas famílias.
• Ambiente seguro e acolhedor: devem existir espaços que promovam o bem‑estar físico e 
emocional da criança.
• Brincadeiras e interações: o brincar deve ser reconhecido como um direito central da infância e 
como um elemento essencial no processo de aprendizagem.
• Universalização da pré-escola: o PNE e as políticas locais reforçam a universalização da 
pré‑escola (4 e 5 anos) e a ampliação do atendimento em creches (0 a 3 anos).
53
GESTÃO DA ESCOLA DE EDUCAÇÃO INFANTIL
Unidade II
5 FUNDAMENTOS DE GESTÃO, PLANEJAMENTO E ORGANIZAÇÃO DA 
ESCOLA DE EDUCAÇÃO INFANTIL
Figura 6 – Gestão e cotidiano escolar: organização do tempo e espaço
Nesta unidade, apresentaremos a você, aluno do curso de Pedagogia, conteúdos inerentes aos 
processos burocráticos presentes na Educação Infantil. Abordaremos assuntos relacionados aos PPP 
em instituições de Educação Infantil, planejamento e organização do trabalho escolar na creche, 
planejamento e organização do trabalho escolar na pré‑escola e compartilhamento da educação e do 
cuidado das crianças: tensões e possibilidades.
Acreditamos que, ao abordar esses conteúdos no contexto do curso de Pedagogia, estamos tratando 
de questões essenciais para a formação de um pedagogo qualificado, capaz de compreender e atuar 
nas diversas dimensões da Educação Infantil. Convém lembrar que o pedagogo desempenha um papel 
crucial na organização, no planejamento e na implementação de práticas pedagógicas que atendem às 
necessidades de crianças pequenas; para isso, é necessário um conhecimento profundo das teorias e das 
práticas que envolvem tanto o cuidado quanto a educação.
De acordo com Monção (2021), a atuação do pedagogo na Educação Infantil transcende o papel de 
facilitador do aprendizado, exigindo uma compreensão profunda e articulada do desenvolvimento 
infantil em suas diversas dimensões. Para a autora, o pedagogo deve ir além da simples transmissão 
de conteúdos e ser capaz de integrar o planejamento pedagógico às necessidades específicas de cada 
criança, levando em conta que elas estão em um processo de desenvolvimento integral. Esse 
54
Unidade II
desenvolvimento abrange aspectos cognitivos, emocionais, sociais e físicos, que são interdependentes e 
se influenciam mutuamente.
Isto posto, entende‑se que ao planejar e implementar as práticas pedagógicas, o pedagogo deve 
levar em conta que as crianças estão em um processo de crescimento holístico, no qual todos esses 
aspectos estão interligados e se influenciam mutuamente. Logo, o desenvolvimento de uma área não 
pode ser visto de forma isolada, já que o desenvolvimento cognitivo, por exemplo, está diretamente 
relacionado ao emocional e social.
Portanto, o pedagogo precisa adotar uma abordagem integrada, em que as atividades pedagógicas 
promovam o crescimento das crianças de forma equilibrada e completa. Sendo assim, é imprescindível 
que as escolas sejam gestadas por meio de projetos e planejamentos, os quais contemplam todas as 
especificidades, necessidades e demandas dessa modalidade de ensino.
Os fundamentos de gestão, planejamento e organização da escola de Educação Infantil são vitais para 
garantir a qualidade da educação oferecida às crianças nessa etapa crucial de desenvolvimento. Esses 
aspectos envolvem não apenas a organização pedagógica e administrativa da instituição, mas também 
a promoção de um ambiente que favoreça o desenvolvimento integral das crianças e a colaboração 
entre todos os membros da comunidade escolar.
A gestão escolar na Educação Infantil compreende um conjunto de práticas, princípios e processos 
que visam organizar e dirigir a instituição de maneira eficiente, assegurando que a educação oferecida 
atenda às necessidades das crianças e aos objetivos pedagógicos definidos.
Segundo Monção (2021), essa gestão escolar deve ser democrática, com a participação ativa de todos 
os membros da comunidade escolar, incluindo gestores, professores, pais, funcionários e até mesmo as 
crianças, em algumas práticas. A gestão participativa promove a tomada de decisões compartilhada, 
favorecendo a construção de um ambiente educacional inclusivo e respeitoso.
É importante destacar o papel da liderança pedagógica na gestão escolar, a qual é fundamental, 
pois ela orienta as práticas pedagógicas, organiza o trabalho dos educadores e promove a formação 
contínua. A liderança precisa garantir que a proposta pedagógica seja implementada de forma eficaz, 
respeitando as diretrizes legais, sobretudo a BNCC (Brasil, 2018), e os objetivos da Educação Infantil.
Outro ponto de destaque é a gestão de recursos humanos, que envolve o planejamento da formação e 
da atuação dos profissionais da educação, com foco na qualidade pedagógica e na formação continuada 
dos educadores. É determinante garantir que todos os profissionais envolvidos no processo educacional, 
como professores, auxiliares e demais funcionários, estejam comprometidos com a proposta pedagógica 
e capacitados para desenvolver seu trabalho de forma eficaz.
Na esteira da gestão e planejamento, também se faz presente a gestão de recursos financeiros 
e materiais, que se apresentam como um aspecto‑chave para garantir que a escola tenha os meios 
necessários para desenvolver suas atividades pedagógicas. Isso envolve o planejamento orçamentário, 
55
GESTÃO DA ESCOLA DE EDUCAÇÃO INFANTIL
a alocação de recursos para materiais pedagógicos, infraestrutura, formação de profissionais e outras 
necessidades da escola, sempre com foco na qualidade do atendimento educacional.
A gestão do ambiente escolar é apontada como aquela que deve garantir que as condições físicas 
da escola sejam adequadas para o desenvolvimento das crianças. Isso inclui salas de aula, áreas de lazer, 
brinquedos, materiais pedagógicos e infraestrutura segura e acessível. O ambiente deve ser acolhedor, 
estimulante e propício para o desenvolvimento físico, emocional, cognitivo e social das crianças.
No que concerne aos fundamentos do planejamentoescolar na Educação Infantil, Silva (2020) 
evidencia que esse planejamento deve ser pensado de maneira integrada e holística, garantindo que 
as práticas pedagógicas favoreçam o desenvolvimento integral das crianças. O planejamento deve ser 
flexível, adaptável às necessidades das crianças e ao contexto da escola.
Dessa forma, o planejamento pedagógico envolve a definição de objetivos claros para as práticas 
educativas, alinhados aos objetivos da Educação Infantil, como o desenvolvimento da linguagem, a 
socialização, o desenvolvimento motor e o afeto. A partir desses objetivos, os educadores devem planejar 
atividades que favoreçam a aprendizagem por meio de experiências lúdicas e interativas.
Com presteza, o planejamento curricular deve ser alinhado à BNCC e ter foco em conteúdos e 
atividades que respeitem o estágio de desenvolvimento das crianças. Deve promover a integração entre 
diferentes áreas do conhecimento, considerando o brincar, a arte, a música, as brincadeiras externas, 
entre outros elementos que favorecem o aprendizado das crianças nessa fase.
O planejamento deve também considerar a avaliação formativa, que tem como objetivo o 
acompanhamento contínuo do desenvolvimento das crianças, observando suas interações, atitudes, 
comportamentos e aprendizado ao longo do processo educativo. A avaliação deve ser qualitativa, 
focando nas potencialidades e necessidades de cada criança, e não apenas nos resultados acadêmicos.
É vital considerar fatores ligados à organização da rotina escolar, a qual também faz parte do 
planejamento. A rotina na Educação Infantil deve ser estruturada de maneira equilibrada, permitindo que 
as crianças tenham momentos de aprendizado, brincadeiras livres, descanso e alimentação. É imperativo 
que essa rotina seja flexível, adaptando‑se às necessidades do grupo e proporcionando um ambiente 
seguro e acolhedor.
Quanto à organização escolar na Educação Infantil, esta envolve a maneira como a escola é 
estruturada para atender às necessidades das crianças e às demandas pedagógicas. Isso inclui a gestão 
do espaço, a organização de horários, a distribuição de turmas e a gestão das atividades pedagógicas. Por 
conseguinte, o espaço escolar deve ser planejado e organizado de forma a promover o desenvolvimento 
físico, cognitivo e emocional das crianças. As salas de aula devem ser seguras, bem iluminadas, ventiladas 
e contar com materiais pedagógicos adequados. Além disso, a escola deve dispor de espaços para 
brincadeiras e atividades de interação social, como pátios, jardins e áreas de lazer.
56
Unidade II
Nesse contexto, a organização do tempo escolar deve ser equilibrada, considerando o tempo 
dedicado ao ensino, às atividades lúdicas, ao descanso e à alimentação. O planejamento deve garantir 
que as crianças tenham a oportunidade de se envolver em diferentes atividades que atendam às suas 
necessidades de desenvolvimento e bem‑estar.
Além da organização do tempo, há que se considerar a organização das turmas, a qual contempla 
a faixa etária das crianças, criando grupos homogêneos, mas também respeitando as necessidades 
específicas de cada criança. A formação das turmas pode ser ajustada para garantir que os grupos de 
crianças tenham uma experiência educativa mais personalizada, respeitando os diferentes ritmos 
de aprendizagem.
A organização escolar deve incluir estratégias para envolver as famílias no processo educativo. 
A comunicação com os pais e responsáveis é essencial para garantir que a educação da criança seja 
contínua e que a escola possa entender as necessidades individuais de cada aluno. Além disso, deve 
haver espaço para a participação da comunidade escolar, tornando a escola um ponto de integração 
social e de desenvolvimento comunitário.
Os fundamentos de gestão, planejamento e organização da escola de Educação Infantil devem estar 
estreitamente relacionados aos objetivos pedagógicos e às necessidades das crianças. A gestão deve 
ser democrática e participativa, com foco na qualidade e no desenvolvimento integral das crianças. 
O planejamento deve ser flexível, adaptado à realidade da escola e das crianças, e a organização 
deve garantir que a infraestrutura e as rotinas favoreçam o aprendizado significativo e o bem‑estar 
das crianças.
Dessa forma, esses fundamentos asseguram uma Educação Infantil de qualidade, capaz de proporcionar 
uma base sólida para o desenvolvimento das crianças nas diversas dimensões de sua formação.
Para garantir o planejamento e a organização eficaz da escola de Educação Infantil, é fundamental a 
elaboração do PPP, além de planejamentos específicos para essa modalidade de ensino. Esses documentos 
são a espinha dorsal para o funcionamento da instituição, direcionando todas as suas ações pedagógicas, 
administrativas e relacionais. A seguir, abordaremos essa temática do PPP em instituições de Educação 
Infantil, o planejamento e a organização do trabalho escolar na creche, o planejamento e a organização do 
trabalho escolar na pré‑escola e fatores ligados ao compartilhamento da educação e do cuidado das 
crianças no que tange às tensões e possibilidades.
 Observação
A organização da escola de Educação Infantil é um aspecto essencial 
para garantir um ambiente seguro, acolhedor e estimulante para as 
crianças. Esse processo envolve a gestão dos espaços, a estruturação do 
planejamento pedagógico, a formação dos profissionais e a interação 
com as famílias.
57
GESTÃO DA ESCOLA DE EDUCAÇÃO INFANTIL
5.1 Projetos Político‑Pedagógicos em instituições de Educação Infantil
O PPP é um documento coletivo, elaborado de forma participativa pela comunidade escolar (gestores, 
professores, funcionários, pais e alunos), que visa organizar a proposta pedagógica da instituição. 
Esse  projeto deve refletir a identidade e os valores da escola, além de ser um guia para a prática 
pedagógica e para as ações de gestão. Ele também deve estar alinhado às diretrizes legais e normativas 
da Educação Infantil, como a BNCC, e às políticas públicas voltadas para a infância.
Em instituições de Educação Infantil , os PPP desempenham um papel fundamental na definição das 
diretrizes e práticas pedagógicas de uma escola, sendo um instrumento de gestão que orienta tanto os 
aspectos educacionais quanto administrativos de uma instituição de ensino. No contexto da Educação 
Infantil, o PPP é ainda mais relevante, pois ele busca garantir que as práticas pedagógicas atendam às 
necessidades específicas das crianças, respeitando o desenvolvimento integral delas e considerando 
aspectos cognitivos, emocionais, sociais e físicos.
Sob tais perspectivas na Educação Infantil, o PPP tem como principais objetivos:
Quadro 3 – Objetivos do PPP da Educação Infantil
Objetivos Ações
Garantir o desenvolvimento 
integral da criança
O projeto deve orientar ações que envolvam os aspectos cognitivos, 
emocionais, sociais e físicos do desenvolvimento infantil, respeitando 
as particularidades e as fases de crescimento das crianças
Apoiar a formação dos 
profissionais de educação
O PPP também deve refletir a formação continuada dos educadores, 
promovendo práticas pedagógicas atualizadas e compatíveis com as 
necessidades do contexto educacional
Promover uma 
educação inclusiva
O PPP precisa garantir que todas as crianças, independentemente 
de suas condições sociais, econômicas ou de aprendizagem, tenham 
acesso a uma educação de qualidade, respeitando a diversidade e 
promovendo a equidade
Fortalecer a relação entre 
escola e família
O projeto também deve ser uma ferramenta para estreitar a 
comunicação entre escola e comunidade, criando canais de 
participação das famílias no processo educativo
Esses objetivos, segundo Monção (2021), são fundamentais para orientar as práticas pedagógicas 
e garantir que as crianças dessa faixa etária recebam uma educação de qualidade, que promova seu 
desenvolvimento integral. Esses objetivos estão alinhados com as diretrizes nacionais, como a BNCC, 
que define as competências e habilidadesque as crianças devem desenvolver desde a Educação Infantil.
Para a consolidação dos objetivos da Educação Infantil, é essencial que os elementos fundamentais de 
um PPP estejam alinhados com esses objetivos, pois eles orientam diretamente as práticas pedagógicas e 
a organização da escola. Esses elementos não apenas proporcionam a base para as decisões pedagógicas, 
mas também garantem a integração de aspectos que favorecem o desenvolvimento integral das 
crianças, respeitando suas particularidades e necessidades.
Os elementos principais de um PPP para a Educação Infantil são essenciais para a organização 
da escola e para o desenvolvimento de práticas pedagógicas eficazes que atendam aos objetivos da 
58
Unidade II
Educação Infantil. Ao garantir a integração e a articulação entre esses elementos, o PPP promove um 
ambiente de aprendizado integral e dinâmico, que favorece o crescimento cognitivo, emocional, social 
e físico das crianças. Dessa forma, o PPP contribui para uma educação de qualidade, inclusiva e que 
respeite as especificidades e necessidades dos alunos, preparando‑os para os desafios futuros de forma 
equilibrada e completa.
Entre os principais elementos, destacam‑se os relacionados ao diagnóstico institucional, ou seja, ao 
levantamento das condições da escola, como infraestrutura, recursos pedagógicos, perfil dos alunos e 
necessidades da comunidade escolar e à visão e missão da escola, a qual envolve a proposta de formação 
das crianças, a visão de futuro da escola e os valores que orientam a Educação Infantil. A missão deve 
estar centrada na ideia de que a Educação Infantil é a base para o desenvolvimento integral da criança.
Sob tais perspectivas, os elementos fundamentais do PPP para a Educação Infantil tendem a garantir 
a coerência e a articulação com os objetivos propostos e com normativas, legislação, diretrizes e a BNCC. 
Isso significa que o projeto pedagógico da escola precisa estar articulado de maneira a garantir que 
todas as práticas e ações da escola favoreçam o desenvolvimento integral da criança, considerando os 
aspectos cognitivos, emocionais, sociais e físicos. Dessa forma, o PPP orienta tanto o planejamento das 
atividades pedagógicas quanto as práticas de gestão escolar.
Monção (2021) entende que o PPP deve fomentar a participação coletiva e democrática, a qual 
envolve a participação de todos os membros da comunidade escolar, incluindo gestores, professores, 
pais e alunos. Esse processo de construção coletiva garante que os valores, os objetivos e as práticas 
pedagógicas da escola atendam às necessidades da comunidade e estejam alinhados com as expectativas 
e realidades locais. A participação ativa de todos permite que o projeto seja mais democrático e 
plural, refletindo a diversidade do contexto escolar e ampliando a capacidade da escola de atender às 
necessidades das crianças.
A autora ainda acredita que o PPP deve definir uma visão e missão da escola claras que orientem 
as ações pedagógicas e administrativas da escola. A visão da instituição deve estar centrada no 
compromisso com o desenvolvimento integral das crianças, visando à formação de cidadãos críticos, 
criativos e respeitosos. A missão da escola deve refletir os princípios e valores da Educação Infantil, 
como inclusão, diversidade, respeito às diferenças e cuidado com o desenvolvimento emocional e social 
das crianças.
Quanto aos objetivos, estes devem ser detalhados pelo PPP com foco no alcance de práticas 
exitosas. Esses objetivos devem estar diretamente relacionados aos objetivos da Educação Infantil, 
como o desenvolvimento cognitivo, emocional, social e físico das crianças. O planejamento pedagógico, 
portanto, deve incluir metas claras e estratégias que busquem promover o desenvolvimento de 
habilidades e competências, como o desenvolvimento da linguagem, a autonomia, a expressão artística 
e a socialização.
No que tange ao PPP e à organização curricular, Monção (2021) defende que o currículo da 
Educação Infantil deve ser pensado de maneira a contemplar as dimensões do desenvolvimento integral 
da criança, com atividades que estimulem tanto o aprendizado cognitivo quanto o emocional, o social 
59
GESTÃO DA ESCOLA DE EDUCAÇÃO INFANTIL
e o físico. No PPP, o currículo deve ser flexível e adaptado às necessidades dos alunos, respeitando seus 
ritmos e oferecendo experiências que promovam o aprendizado significativo e lúdico. O currículo deve, 
ainda, estar alinhado com as diretrizes nacionais e com as necessidades da comunidade escolar.
Para a efetivação desse currículo, o PPP deve definir as metodologias de ensino que serão adotadas 
pela instituição, com base nos objetivos pedagógicos e nas características do grupo de crianças 
atendido. As práticas pedagógicas devem ser lúdicas, interativas e focadas no desenvolvimento integral 
da criança. A utilização de atividades que incentivem o brincar, a exploração do ambiente, a criação, o 
dialogar e a colaboração são essenciais para alcançar os objetivos da Educação Infantil. Essas práticas 
devem estar sempre em sintonia com os princípios da BNCC e com as diretrizes da Educação Infantil, 
que visam ao desenvolvimento das competências e habilidades.
Com relação às estratégias de avaliação na Educação Infantil, esta deve ser formativa e processual, 
focada no acompanhamento contínuo do desenvolvimento das crianças. O PPP deve estabelecer formas 
de avaliar de maneira holística, respeitando o tempo e o ritmo de cada criança, e não apenas com 
base em resultados de provas ou testes. A avaliação deve observar aspectos como a interação social, o 
desenvolvimento emocional, a participação nas atividades e o desempenho cognitivo, além de ser usada 
como uma ferramenta para reflexão pedagógica e ajuste das práticas educacionais.
No âmbito da gestão escolar e participação da comunidade, o PPP deve organizar a gestão escolar, 
incluindo a administração de recursos humanos, financeiros e materiais, de maneira a garantir que 
todos os objetivos pedagógicos sejam alcançados. Isso inclui a formação contínua dos profissionais 
de educação, o envolvimento das famílias e a comunicação com a comunidade. O envolvimento da 
comunidade escolar é essencial para o sucesso do projeto e para a promoção de um ambiente educativo 
positivo, que acolha todas as crianças e suas famílias.
Há que se dizer que todos esses fatores, quando alinhados, tendem a produzir uma cultura de 
cuidado e educação, pois reforçam a importância do cuidado e da educação integral das crianças, em 
um ambiente que promova tanto o cuidado físico quanto o emocional, respeitando as necessidades 
das crianças. O cuidado pedagógico deve ser um eixo central das ações educativas, garantindo que as 
crianças se sintam seguras, acolhidas e motivadas a aprender.
5.2 Planejamento e organização do trabalho escolar na creche
O planejamento e organização do trabalho escolar na creche desempenham papel fundamental no 
desenvolvimento integral das crianças, que nessa faixa etária estão em uma fase de exploração intensa 
do mundo ao seu redor, por meio de experiências sensoriais, afetivas e sociais.
A educação na creche vai muito além do simples cuidado. Ela é um espaço fundamental para o 
desenvolvimento integral das crianças pequenas e deve ser organizada de maneira que favoreça não 
apenas o cuidado básico, como alimentação, higiene e descanso, mas também o desenvolvimento 
cognitivo, emocional, social e físico.
60
Unidade II
A creche desempenha um papel crucial na formação inicial das crianças, sendo a base para os desafios 
futuros e para a aprendizagem ao longo da vida. Para que esse papel seja cumprido de forma eficaz, o 
planejamento e a organização do trabalho escolar são fundamentais. Monção (2021) nos evidencia que 
esses dois elementos garantem que a Educação Infantil na creche seja de qualidade e que as crianças 
possam se desenvolver de maneira integral.
Isto posto, o planejamento na creche deve ser cuidadosamente estruturado, considerando 
as característicasdas crianças dessa faixa etária, que geralmente têm de 0 a 3 anos. A abordagem 
pedagógica deve ser flexível, adaptável às necessidades individuais e ao ritmo das crianças e pautada 
no desenvolvimento integral.
O planejamento pedagógico na creche envolve a definição de objetivos claros para o desenvolvimento 
das crianças, com foco nas dimensões cognitivas, emocionais, sociais e físicas. Ademais, deve levar em 
conta os princípios da BNCC (Brasil, 2018), que orienta a Educação Infantil no Brasil. No planejamento, 
devem ser definidos objetivos claros para a aprendizagem de cada criança, como o desenvolvimento 
de habilidades de linguagem, socialização, autonomia e habilidades motoras. Para isso, a divisão de 
atividades pedagógicas deve equilibrar momentos de brincadeira, exploração sensorial, leitura, canto, 
dança e outras práticas lúdicas que favoreçam o desenvolvimento global das crianças, com foco em uma 
avaliação formativa – dito de outra forma, uma avaliação constante e qualitativa, concentrando‑se em 
observações diárias que possibilitem acompanhar o desenvolvimento individual das crianças e ajustar 
as práticas pedagógicas conforme necessário.
Nessa ambiência, a rotina na creche deve ser planejada de forma a proporcionar segurança e 
previsibilidade para as crianças. Elas se sentem mais seguras quando sabem o que esperar durante o 
dia e podem se concentrar no aprendizado e nas interações sociais. Destacamos aqui as práticas de 
acolhimento: o planejamento diário deve começar com um momento de acolhimento, no qual as crianças 
são recebidas de forma calorosa e adaptam‑se ao ambiente escolar. Sublinhamos também as atividades 
dirigidas e livres, as quais devem ser equilibradas com atividades mais estruturadas, como  as rodas 
de conversa e as atividades pedagógicas com momentos de brincadeira livre, fundamentais para 
o desenvolvimento criativo e social.
A rotina também precisa incluir cuidados com alimentação, higiene e descanso, que devem ser 
tratados como oportunidades educativas para promover a autonomia das crianças.
À vista disso, nota‑se que a organização do trabalho escolar na creche envolve a coordenação de 
diversos aspectos, como o uso do espaço, a divisão de tarefas entre os educadores e a integração 
da creche com a comunidade escolar e as famílias.
No que tange à organização do espaço, a creche deve ser organizada para garantir que o ambiente 
seja seguro, acolhedor e estimulante. Cada área da creche deve ser pensada de forma a promover 
diferentes tipos de aprendizagem, como atividades motoras, cognitivas, sensoriais e sociais. Dessa 
maneira, o espaço deve contemplar espaços para brincar. São essenciais as áreas amplas para jogos e 
brincadeiras, o que permite que as crianças se movimentem livremente, desenvolvendo a coordenação 
motora grossa.
61
GESTÃO DA ESCOLA DE EDUCAÇÃO INFANTIL
Deve contemplar ainda ambientes para atividades sensoriais e cognitivas, cujos espaços devem ser 
convidativos para atividades de leitura, música, artes e outras experiências sensoriais. Esses espaços 
favorecem o desenvolvimento das habilidades cognitivas e a expressão criativa.
Ambientes para descanso e alimentação também são importantes e necessários, pois são áreas 
tranquilas para a hora do descanso e ambientes adequados para as refeições, o que garante o bem‑estar 
físico das crianças.
O planejamento e a organização do trabalho escolar na creche incluem a divisão de funções da 
equipe pedagógica, a qual é composta por educadores, auxiliares, psicólogos e outros profissionais. Eles 
devem trabalhar de forma colaborativa e organizada.
Cada profissional tem funções específicas, mas todos devem estar alinhados com os objetivos 
pedagógicos da instituição. Professores e auxiliares devem trabalhar juntos, planejando e executando 
atividades pedagógicas que favoreçam o desenvolvimento das crianças. A colaboração entre eles é 
essencial para garantir uma educação de qualidade.
O planejamento e a organização do trabalho escolar na creche também devem garantir uma 
comunicação constante com as famílias. A participação dos pais e responsáveis no processo educativo é 
fundamental para criar um vínculo entre a creche e o contexto familiar das crianças.
Assim, reuniões de pais regulares permitem que os educadores compartilhem o progresso das crianças, 
discutam desafios e envolvam as famílias no processo pedagógico. Importante ainda procurar manter 
um diálogo constante com as famílias sobre as necessidades de cada criança, o que permite que os 
educadores adaptem as atividades e ofereçam o suporte necessário para o desenvolvimento individual.
A gestão de recursos e materiais também é um ponto importante. O planejamento deve considerar 
a disponibilidade de materiais pedagógicos como brinquedos educativos, livros, jogos, materiais de arte 
e outros e a gestão de recursos financeiros para a manutenção do ambiente escolar e a realização 
de atividades extracurriculares. Indispensável também garantir que a creche tenha uma variedade de 
materiais que favoreçam o aprendizado e o desenvolvimento das habilidades cognitivas e motoras 
das crianças.
Planejar a utilização dos recursos disponíveis de forma eficiente e estratégica é uma das chaves 
para garantir um ambiente de aprendizagem enriquecedor e diversificado na creche. Ao fazer isso, os 
educadores asseguram que todos os espaços e materiais pedagógicos sejam aproveitados de maneira 
máxima, proporcionando experiências educativas significativas para as crianças. A organização desses 
recursos deve ser pensada para estimular o desenvolvimento cognitivo, emocional, social e físico das 
crianças, respeitando suas necessidades e interesses.
Monção (2021) nos alerta que o planejamento e a organização do trabalho escolar na creche são 
fundamentais para garantir que as crianças possam se desenvolver de maneira integral e que a creche 
cumpra seu papel educativo de maneira eficaz. Um bom planejamento pedagógico, aliado a uma 
organização cuidadosa do espaço e da rotina, proporciona um ambiente seguro, acolhedor e estimulante, 
62
Unidade II
no qual as crianças têm a oportunidade de aprender, explorar, se expressar e se socializar de maneira 
saudável e criativa.
Através de um trabalho bem planejado e bem organizado, a creche contribui significativamente para 
o desenvolvimento das crianças, preparando‑as para os próximos desafios educacionais e formando 
uma base sólida para a aprendizagem ao longo de toda a vida.
5.3 Planejamento e organização do trabalho escolar na pré‑escola
O planejamento e a organização do trabalho escolar na pré‑escola são fundamentais para o 
desenvolvimento integral das crianças e para a criação de um ambiente educacional que promova 
aprendizagens significativas. Na pré‑escola, as crianças estão em uma fase de transição, na qual 
começam a se preparar para os desafios do Ensino Fundamental. Nesse sentido, a forma como a 
educação é planejada e organizada tem um impacto direto no desenvolvimento cognitivo, emocional, 
social e físico delas.
O planejamento na pré‑escola deve ser elaborado com o objetivo de promover o desenvolvimento 
integral das crianças, proporcionando experiências de aprendizagem que contemplem diferentes 
dimensões do crescimento infantil. Assim, esse planejamento na pré‑escola deve ser elaborado com 
alguns objetivos, os quais serão vistos no quadro a seguir.
Quadro 4 – Objetivos da pré‑escola
Objetivos Ações
Fomentar a autonomia 
e a criatividade
As atividades planejadas devem possibilitar que as crianças 
se tornem protagonistas do seu aprendizado, promovendo a 
curiosidade e a experimentação
Desenvolver habilidades 
cognitivas
A pré‑escola deve proporcionar um ambiente onde as crianças 
possam explorar conceitos básicos de matemática, linguagem e 
ciências, sempre de maneira lúdica e contextualizada
Estimular as 
interações sociais
A convivência com os colegas e os adultos da escola deve ser 
estimulada, para que as crianças aprendam a lidar com as 
emoções, o respeito,alunos e famílias, de maneira colaborativa e reflexiva, articulando a 
promoção do desenvolvimento integral das crianças e a criação de uma cultura escolar que valorize o 
aprendizado, a participação, a inclusão e a equidade.
A gestão pedagógica deve ser, portanto, um meio para garantir que as decisões pedagógicas sejam 
consistentes com as necessidades da comunidade escolar e com as diretrizes educacionais vigentes, 
permitindo que o projeto pedagógico seja constantemente revisado e alinhado às demandas cotidianas.
Nesse sentido, é fundamental destacar a importância de formar educadores e gestores que 
compreendam as especificidades da infância e sua relação com os espaços educativos, sobretudo da 
Educação Infantil.
De acordo com Ostetto (2018), a Educação Infantil, como primeira etapa da Educação Básica, exige 
um olhar atento e uma prática e gestão pedagógica que respeitem as singularidades das crianças, a 
fim de promover o desenvolvimento integral e em todas as suas dimensões: física, emocional, social 
e cognitiva. Essa abordagem solicita que educadores e gestores sejam capazes de criar ambientes 
educativos que valorizem as experiências infantis, promovam interações significativas e incentivem 
a autonomia das crianças.
8
Ostetto (2018) ainda evidencia que a prática pedagógica e de gestão na Educação Infantil deve ser 
pautada na escuta sensível e no respeito às expressões das crianças, reconhecendo‑as como sujeitos 
de direitos e protagonistas de suas aprendizagens. Essa perspectiva reforça a necessidade de um 
planejamento pedagógico que articule o brincar, as interações e as diversas linguagens como eixos 
centrais da prática.
Assim, a formação inicial e continuada dos profissionais da Educação Infantil deve integrar teoria e 
prática, permitindo‑lhes enfrentar os desafios cotidianos da gestão e organização desse nível de ensino. 
Essa formação deve considerar não apenas os conhecimentos técnicos e científicos, mas também a 
capacidade de refletir criticamente sobre o contexto sociocultural.
Na mesma perspectiva, Monção (2021) defende que a gestão da escola de Educação Infantil desempenha 
papel central na garantia de um ambiente educativo de qualidade, voltado para o desenvolvimento 
integral da criança. Trata‑se de um processo que envolve a organização, o planejamento e a articulação de 
práticas pedagógicas, administrativas e sociais, em consonância com os princípios da gestão democrática 
e participativa, que são preconizadas pela LDB (Lei n. 9394/96).
Nesse contexto, esta disciplina apresenta como objetivos:
• assegurar meios para que os estudantes possam compreender a fundamentação e os princípios da 
Educação Infantil e da gestão de creches e pré‑escolas;
• problematizar o papel e as atribuições dos gestores educacionais e escolares no cenário das 
demandas da Educação Infantil na contemporaneidade;
• descrever e analisar o cenário da Educação Infantil no Brasil na perspectiva das políticas públicas;
• examinar e discutir a estrutura, a organização e a cultura das instituições escolares de Educação 
Infantil tendo como referência o princípio da gestão democrática;
• analisar a organização e a gestão escolar na Educação Infantil (creches e pré‑escolas);
• compreender as relações entre gestão e cotidiano da escola de Educação Infantil, de modo a 
problematizar o papel social da educação na sociedade contemporânea.
Por meio dos objetivos propostos, nossa intenção é orientar seu olhar, enquanto aluno e futuro professor, 
oferecendo recursos que permitam compreender os fundamentos e os princípios que embasam a Educação 
Infantil e a gestão de creches e de pré‑escolas. Isso por meio de documentos norteadores, formativos e 
legais, com destaque para a Base Nacional Comum Curricular (BNCC) (Brasil, 2018), que, para a Educação 
Infantil, no Brasil, estabelece diretrizes e objetivos com o intuito de garantir o desenvolvimento integral 
das crianças de maneira alinhada às necessidades contemporâneas de formação. Para a Educação Infantil, 
a BNCC enfatiza o desenvolvimento intelectual das crianças, promovendo a aquisição de competências e 
de habilidades que são essenciais para o seu aprendizado e o seu crescimento.
9
É importante mencionar que essa modalidade de ensino, em especial a gestão dela, enquanto tema 
de pesquisas, segundo Monção (2021), ainda passa por estudos e processos de consolidação no Brasil 
e no mundo, situação que requer do gestor uma abordagem específica, sensível às necessidades e às 
singularidades da infância.
Nesse contexto, este livro‑texto também objetiva estimular reflexões que fortaleçam sua capacidade 
de articular teoria e prática, promovendo uma visão ampla sobre a importância da Educação Infantil 
como base do desenvolvimento integral das crianças. Esperamos que, ao longo desta leitura, este material 
contribua para a formação de profissionais comprometidos com práticas educativas de qualidade e de 
gestão eficientes, alinhadas às demandas contemporâneas.
Convidamos você a participar desse percurso formativo, refletindo e dialogando sobre os desafios 
e as possibilidades de envolvimento na gestão e nas políticas públicas da Educação Infantil. Juntos, 
poderemos construir um entendimento mais amplo e aprofundado das responsabilidades e das 
oportunidades que essa etapa educativa oferece, contribuindo para o aprimoramento da qualidade do 
ensino e para o desenvolvimento integral das crianças.
Ótima leitura!
10
INTRODUÇÃO
Esta disciplina visa apresentar a você, aluno do curso de Pedagogia, temas atinentes à gestão da 
Educação Infantil, como a gestão de políticas de Educação Infantil no Brasil e a gestão democrática 
nessa modalidade de ensino. Ainda, intenciona discorrer sobre a escola como espaço sociocultural, sobre 
a cultura e o cotidiano na escola de Educação Infantil: sujeitos, saberes, espaços, tempos e formas de 
organização. E, por fim, busca desenvolver aspectos relativos à relação entre educadores e famílias.
Nessa perspectiva, evidencia‑se a relevância da disciplina no contexto atual, visto que a Educação 
Infantil no Brasil passa por desafios contínuos, principalmente relacionados à qualidade do ensino, 
ao acesso e à permanência de crianças em idade escolar, considerando sempre a diversidade. Logo, a 
formação de pedagogos com uma visão crítica e preparada para lidar com esses desafios é essencial para 
transformar o ambiente educacional.
A disciplina contribui diretamente para essa formação ao preparar os alunos para atuarem de 
maneira competente em um contexto educacional que exige não apenas conhecimento pedagógico, 
mas também habilidades de gestão, acolhimento e colaboração. Assim, ao concluir esta disciplina, você 
estará apto a organizar e administrar espaços educativos que favoreçam o desenvolvimento integral das 
crianças, respeitando as diversidades e promovendo um ambiente de aprendizagem seguro, inclusivo 
e democrático.
Para atingir os objetivos propostos na disciplina e oferecer conhecimentos e subsídios para a 
excelência da atuação profissional, este material está organizado em três unidades.
Na unidade I, estudaremos aspectos relacionados ao cenário e à gestão escolar da Educação Infantil 
no Brasil, no que tange às fundamentações e aos princípios dessa modalidade, bem como a Educação 
Infantil e os direitos fundamentais das crianças. Veremos a educação de bebês e de crianças de 0 a 5 anos 
em termos de políticas públicas e de legislação educacional. Abordaremos os avanços, os retrocessos e as 
identidades profissionais da Educação Infantil: professor, coordenador, orientador educacional e diretor.
Já na unidade II, estudaremos questões relativas às relações entre gestão e cotidiano da escola de 
Educação Infantil no que diz respeito aos fundamentos de gestão; ao planejamento e à organização 
da escola de Educação Infantil; aos projetos político‑pedagógicos em instituições de Educação Infantil; 
ao planejamento e à organização do trabalho escolar na creche; ao planejamento e à organização doa colaboração e o trabalho em equipe
Fortalecer a 
relação afetiva
Deve‑se criar um espaço onde as crianças se sintam seguras e 
acolhidas, favorecendo o desenvolvimento emocional e social
Segundo Monção (2021), esses objetivos têm como principal finalidade promover o desenvolvimento 
integral das crianças, preparando‑as para os desafios futuros e para a continuidade do processo de 
aprendizagem no Ensino Fundamental; devem ser amplos e englobar várias áreas do desenvolvimento 
infantil, sendo vitais para garantir que as crianças adquiram as habilidades e competências necessárias 
para o seu crescimento.
No que diz respeito à estrutura do planejamento, Silva (2020) nos esclarece que o planejamento 
na pré‑escola deve considerar diversos aspectos, desde a organização da rotina até a escolha das 
atividades pedagógicas.
63
GESTÃO DA ESCOLA DE EDUCAÇÃO INFANTIL
A rotina diária deve ser cuidadosamente planejada para garantir uma sequência de atividades que 
contemplem os diferentes aspectos do desenvolvimento da criança. A rotina deve ser clara e consistente, 
mas também flexível para atender às necessidades do grupo e de cada criança individualmente.
Orienta‑se iniciar o dia com momentos de acolhimento, recebendo as crianças com carinho. Esse 
momento inicial é essencial para criar um ambiente de confiança e segurança, aspectos imprescindíveis 
para o desenvolvimento emocional e social das crianças. A maneira como elas são recebidas no início 
do dia pode influenciar diretamente a disposição para aprender, interagir e explorar o ambiente escolar.
É mister destacar que as práticas de acolhimento apresentam muitos objetivos, pois isso ajuda as 
crianças a se sentirem seguras e preparadas para o que virá durante o dia. A rotina de chegada deve ser 
estável e previsível, permitindo que as crianças se ajustem emocionalmente ao ambiente escolar.
O acolhimento tende a fortalecer os laços afetivos, pois ao ser recebida com carinho e atenção, a 
criança fortalece sua relação afetiva com o educador e com o ambiente escolar, o que contribui para seu 
bem‑estar emocional e para a construção de uma relação de confiança. Ele ainda facilita a adaptação, 
especialmente para crianças que estão começando na pré‑escola ou que têm dificuldades de separação. 
O acolhimento torna a transição para o ambiente escolar mais suave, ajudando na adaptação ao novo 
espaço e à nova rotina.
As práticas de acolhimento também promovem a autoestima, pois, ao se sentir valorizada, respeitada 
e bem recebida, a criança fortalece sua autoestima e começa o dia de maneira positiva, o que impacta 
diretamente sua motivação para as atividades ao longo do dia.
Planejamento e organização do trabalho escolar na pré‑escola também preveem atividades 
estruturadas, com ênfase no planejamento de atividades que permitem o desenvolvimento cognitivo, 
como rodas de conversa, jogos de linguagem, atividades de contagem e reconhecimento de formas e cores.
Nesse cenário, destacamos ainda as atividades livres e exploratórias, as quais oferecem tempo para 
brincadeiras nas quais as crianças possam manipular materiais diversos e escolher as atividades de 
acordo com seus interesses.
Intervalos e alimentação são elementos essenciais na rotina da pré‑escola, pois além de promoverem 
o bem‑estar físico das crianças, contribuem para o seu desenvolvimento emocional, social e cognitivo. 
Esses momentos devem ser cuidadosamente planejados para garantir que as crianças se sintam acolhidas. 
Temos que garantir momentos de descanso e alimentação adequados, respeitando o ritmo das crianças 
e promovendo hábitos saudáveis.
No plano da divisão das atividades pedagógicas na pré‑escola, elas devem ser planejadas de forma 
a englobar os quatro grandes eixos do desenvolvimento infantil: linguagem, matemática, natureza e 
sociedade, e arte. Além disso, essas atividades devem ser lúdicas e contextualizadas ao cotidiano das 
crianças, para que elas se sintam motivadas e possam aprender de forma prazerosa.
64
Unidade II
Vale mencionar as atividades relacionadas à linguagem oral e escrita, as quais envolvem a 
contação de histórias, dramatizações, conversas em grupo, exploração de livros e letras, que incentivem 
o  desenvolvimento da comunicação oral e da linguagem escrita. Já as atividades de matemática 
contemplam jogos e brincadeiras que envolvem contagem, comparação, ordenação de objetos, 
identificação de formas geométricas e conceitos básicos de números, promovendo o raciocínio lógico e 
a resolução de problemas.
Para a área de ciências e natureza, as atividades podem permitir a exploração do ambiente natural, 
como observação de plantas, animais e fenômenos naturais, além de incentivar a curiosidade e o 
questionamento sobre o mundo ao redor. E na área de artes, destacam‑se as atividades que envolvem 
pintura, desenho, modelagem, dança e música, as quais são essenciais para o desenvolvimento da 
expressão criativa, motora e sensorial.
É imprescindível mencionar as contribuições do trabalho pedagógico com base na integração 
das  áreas do conhecimento na pré‑escola; assim, as diferentes áreas do conhecimento devem ser 
trabalhadas de forma integrada. Em vez de separar as atividades por disciplinas, é importante que 
as experiências de aprendizagem contemplem múltiplos aspectos do conhecimento simultaneamente. 
Por exemplo, uma atividade de pintura pode envolver a exploração de cores (matemática), a expressão 
criativa (arte) e o uso da linguagem (descrição e narração de um processo).
Essa abordagem integrada nas práticas pedagógicas da Educação Infantil, o que inclui a pré‑escola, 
dialoga com as propostas articuladas pela BNCC (Brasil, 2018) no que tange à ideia de que as áreas do 
conhecimento não sejam trabalhadas de forma fragmentada ou isolada, mas de maneira integrada e 
interligada, favorecendo a construção do aprendizado de forma mais contextualizada e significativa 
para as crianças.
Ao organizar as atividades de forma integrada, a educação na pré‑escola promove um ambiente de 
aprendizagem mais dinâmico e enriquecedor, onde as crianças são estimuladas a explorar diferentes 
dimensões do conhecimento simultaneamente. A ideia é que cada atividade, como a pintura mencionada, 
não se limite a um único campo, mas envolva diversas possibilidades de aprendizado.
A BNCC, portanto, propõe que as experiências de aprendizagem na Educação Infantil sejam mais 
complexas e que as crianças desenvolvam competências que abrangem múltiplas áreas do conhecimento 
ao mesmo tempo, refletindo a natureza interconectada do mundo real e promovendo uma aprendizagem 
mais rica e significativa. Isso favorece a formação integral da criança, considerando seus diversos 
aspectos: cognitivo, social, emocional e cultural.
Com relação aos aspectos inerentes às avaliações, ela deve ser contínua e focada no acompanhamento 
do processo de aprendizagem das crianças, sem comparações ou julgamentos. A avaliação serve 
como uma ferramenta para os educadores entenderem o progresso de cada criança, identificar suas 
necessidades e ajustar as práticas pedagógicas.
Nesses contextos, as observações devem ser realizadas de forma diária. Desse modo, deve‑se observar 
e registrar o comportamento, as interações e os avanços de cada criança nas atividades cotidianas. 
65
GESTÃO DA ESCOLA DE EDUCAÇÃO INFANTIL
Deve‑se ainda considerar o feedback construtivo, que consiste em fornecer orientações e estímulos às 
crianças, valorizando seus esforços e conquistas, e trabalhando em conjunto com elas para a superação 
de desafios.
No plano dos registros, destaca‑se a elaboração de portfólios com trabalhos e, consequentemente, 
registros das atividades realizadas pelas crianças, para documentar seu desenvolvimento ao longo do 
tempo. Lembrando que esse desenvolvimento envolve o planejamento da organização dos espaços e 
materiais, os quais devem ser organizados para incentivar a exploração, a criatividade e a aprendizagem 
ativa. Os materiais pedagógicos também devem ser cuidadosamenteescolhidos e disponibilizados de 
forma acessível para as crianças.
No tocante aos ambientes de aprendizagem, considera‑se importante dividir o espaço da sala de 
aula em áreas que permitam diferentes tipos de atividades e interações. Nessa divisão, destacamos 
a área destinada à leitura e contação de histórias, a qual deve ser um espaço confortável com livros, 
fantoches e materiais de leitura que estimulem o gosto pela leitura e o desenvolvimento da linguagem.
Outra área significativa é a destinada à construção e criatividade. São espaços com blocos, 
peças de encaixe e materiais de arte que estimulam e incentivam o desenvolvimento motor e criativo. 
As áreas de  jogos e socialização também são importantes, pois são locais destinados a brincadeiras 
coletivas, jogos de tabuleiro e quebra‑cabeças, o que favorece as habilidades sociais, de colaboração e 
de resolução de problemas.
Destacamos, ainda, a essencialidade das áreas ao ar livre, espaços externos fundamentais nos quais 
as crianças possam brincar, correr, explorar a natureza e desenvolver suas habilidades motoras. Esses 
ambientes ao ar livre são indispensáveis para promover o desenvolvimento físico, cognitivo, emocional 
e social das crianças, sendo um contexto privilegiado para o aprendizado e a integração com o 
mundo ao seu redor.
De acordo com a BNCC (Brasil, 2018), o brincar ao ar livre oferece inúmeras oportunidades para que 
as crianças desenvolvam diversas habilidades e competências, pois, ao brincar em ambientes externos, 
elas têm a chance de explorar e interagir com o espaço, com diferentes elementos naturais e com outras 
crianças. Além disso, o brincar ao ar livre estimula a criatividade, a autonomia, o trabalho em equipe, a 
resolução de problemas e a percepção sensorial, favorecendo as práticas educativas.
A BNCC também destaca a importância de proporcionar às crianças experiências que envolvem o corpo 
e o movimento, para que elas possam se expressar de diferentes formas, explorar os limites do próprio 
corpo e aprender sobre suas capacidades e desafios. O contato com a natureza e com espaços abertos 
promove uma conexão maior com o mundo ao redor e contribui para a formação de hábitos saudáveis.
No quadro a seguir, apresentamos possibilidades de desenvolvimentos e respectivas experiências por 
meio de práticas pedagógicas produzidas em espaços externos.
66
Unidade II
Quadro 5 – Objetivos da pré‑escola
Objetivos Experiências
Desenvolver habilidades 
motoras
O espaço externo permite que as crianças se movimentem livremente, correndo, 
pulando, subindo, escalando e se equilibrando. Essas atividades são essenciais para 
o aprimoramento das habilidades motoras grossas, além de contribuírem para o 
fortalecimento físico e o desenvolvimento da coordenação motora
Explorar a 
natureza
A vivência em ambientes naturais desperta a curiosidade e o interesse das crianças 
pelos fenômenos naturais, como o clima, as plantas, os animais e os elementos do 
ambiente. O contato com a natureza é uma oportunidade rica para o aprendizado 
prático sobre o meio ambiente, promovendo o entendimento de conceitos ecológicos, 
o respeito à biodiversidade e a conscientização ambiental
Estímulo à 
socialização
Ao brincar ao ar livre, as crianças têm mais oportunidades de interagir com os colegas, 
criando laços de amizade e desenvolvendo habilidades sociais importantes, como a 
cooperação, o compartilhamento, a resolução de conflitos e a negociação de regras. 
Esses momentos são essenciais para a construção da identidade social da criança
Estímulo à imaginação 
e criatividade
O ambiente externo, com sua diversidade de estímulos e possibilidades, favorece a 
criatividade das crianças. Elas podem criar histórias, inventar jogos, explorar novas 
formas de brincar e utilizar o espaço de maneira criativa, o que fortalece a sua 
capacidade de imaginação e expressão
Saúde e 
bem‑estar
A atividade física realizada ao ar livre, além de promover o desenvolvimento físico, 
contribui para a saúde mental e emocional da criança, proporcionando momentos 
de relaxamento, lazer e descontração. A exposição ao sol e ao ar livre também tem 
benefícios comprovados para o fortalecimento do sistema imunológico e para o 
aumento do bem‑estar emocional
Por meio dessas experiências, o espaço ao ar livre se torna um campo de aprendizagem vital, onde 
as crianças podem explorar seu corpo, suas emoções, suas relações e seu ambiente de maneira mais 
livre e natural. Portanto, a integração de áreas externas de aprendizagem no cotidiano das crianças da 
Educação Infantil é uma estratégia pedagógica que favorece o desenvolvimento integral e harmonioso 
dos pequenos, em consonância com as diretrizes da BNCC (Brasil, 2018).
Isto posto, esses campos de experiências são explorados e colocados em movimentos, de modo a levar 
a criança a desenvolver suas múltiplas potencialidades, integrando suas aprendizagens e experiências 
de maneira significativa. Convém lembrar que a BNCC propõe que as práticas pedagógicas na Educação 
Infantil se articulem em cinco campos de experiências, os quais já foram citados anteriormente neste 
livro‑texto e que são áreas de aprendizagem que favorecem a exploração de diferentes dimensões do 
conhecimento e do ser. Esses campos de experiências têm o objetivo de proporcionar à criança as 
condições para desenvolver‑se de forma integral, considerando suas capacidades cognitivas, motoras, 
emocionais, sociais e culturais, conforme a BNCC (Brasil, 2018, p. 13):
O currículo por campos de experiências defende a necessidade de se conduzir 
o trabalho pedagógico na Educação Infantil por meio da organização  de 
práticas abertas às iniciativas, desejos e formas próprias de agir das crianças, 
e que são mediadas pelos professores, constituindo um rico contexto 
de significativas aprendizagens. Assim, os campos de experiências apontam 
para a imersão da criança em situações em que constroem noções, afetos, 
habilidades, atitudes e valores, e constituem sua identidade. Eles mudam o 
foco do currículo da perspectiva do professor para a da criança, que empresta 
um sentido singular às situações que vivencia e efetiva aprendizagens.
67
GESTÃO DA ESCOLA DE EDUCAÇÃO INFANTIL
No tocante ao planejamento, este também deve incluir formas de integrar a família no processo 
educativo. As famílias são fundamentais para o sucesso da aprendizagem na pré‑escola, pois oferecem 
continuidade ao trabalho realizado na escola. Sendo assim, são muito significativas as reuniões periódicas 
para discutir o desenvolvimento das crianças, compartilhar progressos e identificar áreas que precisam 
de mais atenção.
Atividades conjuntas são importantes, uma vez que ao envolver as famílias em eventos escolares, 
como feiras, festas ou apresentações, vê‑se possibilidades de fortalecer a parceria escola‑família. 
A comunicação constante também é muito necessária, pois manter canais de comunicação abertos, 
como agendas ou plataformas digitais, para informar as famílias sobre o progresso das crianças tende a 
propiciar ações de vínculo e comprometimento.
Vê‑se que o planejamento e a organização do trabalho escolar na Educação Infantil, especialmente 
na pré‑escola, são de fato processos complexos, pois envolvem uma série de aspectos que devem ser 
cuidadosamente pensados para promover o desenvolvimento integral das crianças.
A BNCC enfatiza que nessa modalidade escolar o planejamento deve considerar as especificidades 
de cada criança, suas vivências, interesses e ritmos de aprendizagem, o que exige uma flexibilidade 
constante por parte dos educadores.
Portanto, alguns pontos que tornam o planejamento e a organização do trabalho escolar na 
pré‑escola complexos incluem a diversidade das crianças, uma vez que as turmas são compostas por 
crianças com diferentes histórias de vida, necessidades e ritmos de desenvolvimento. Isso exige que 
o planejamento seja adaptável e que os professores se preparem para lidar com essa diversidade, 
promovendo um ambiente inclusivo eacolhedor.
Outro ponto refere‑se ao desenvolvimento integral, já que, de acordo com a BNCC (Brasil, 2018), na 
Educação infantil busca‑se promover o desenvolvimento integral das crianças, ou seja, contemplando não 
apenas o aspecto cognitivo, mas também o emocional, social e físico. Isso exige que o planejamento seja 
multidimensional, considerando atividades que estimulem a expressão artística, a comunicação, o 
movimento, o julgamento lógico, a resolução de problemas e as interações sociais.
Dessa forma, é fundamental criar um equilíbrio entre diferentes tipos de experiências, de modo que 
todas as áreas de desenvolvimento da criança sejam estimuladas de maneira harmoniosa.
Na esteira dessa complexidade entram ações atreladas à interação com o ambiente, flexibilidade no 
planejamento, integração entre as áreas do conhecimento e a relação com as famílias e a comunidade.
Esses pontos indicam que o planejamento na pré‑escola deve ser pensado de forma a atender a 
diversidade de necessidades das crianças, estimulando o desenvolvimento de maneira global e integrada, 
ao mesmo tempo que se ajusta às situações e contextos específicos do grupo. A complexidade do 
trabalho do educador está justamente em equilibrar todos esses aspectos de forma a proporcionar uma 
experiência educativa rica e inclusiva.
68
Unidade II
 Lembrete
O planejamento na Educação Infantil é um processo essencial para 
garantir um ensino de qualidade, promovendo o desenvolvimento integral 
da criança. Ele deve ser flexível, dinâmico e alinhado às necessidades e 
interesses dos pequenos, respeitando seu ritmo de aprendizagem.
 Saiba mais
Leia mais sobre a BNCC no texto a seguir:
PEREZ, T. (org.). A Base Nacional Comum Curricular na prática da 
gestão escolar e pedagógica. São Paulo: Moderna, 2018. Disponível em: 
https://tinyurl.com/4fhc5jfs. Acesso em: 12 mar. 2025.
5.4 O compartilhamento da educação e do cuidado das crianças: tensões 
e possibilidades
O compartilhamento da educação e do cuidado das crianças é, sem dúvida, um processo essencial 
para o desenvolvimento infantil, uma vez que busca oferecer um cuidado e uma educação que atendam 
de forma integrada às diversas dimensões da criança.
A visão de Monção (2021) sobre o compartilhamento da educação entre profissionais e famílias 
destaca um ponto crucial para a construção de uma Educação Infantil de qualidade e democrática. Ao 
reconhecer que a colaboração entre a escola e a família é essencial, tem‑se a propositura de uma visão 
mais ampla e inclusiva da educação das crianças pequenas, alinhando‑se com as novas configurações 
familiares e os desafios das sociedades contemporânea.
Esse entendimento vai além de uma simples divisão de responsabilidades entre família e escola. Ele 
implica uma participação ativa e compartilhada, em que ambos os espaços educacionais, domésticos e 
escolares se reconhecem mutuamente como fundamentais para o desenvolvimento das crianças. Essa 
abordagem não apenas fortalece a qualidade do atendimento, mas também reflete um princípio de 
respeito à diversidade de contextos familiares.
Monção (2021) ainda destaca que o compartilhamento da educação da criança pequena situa‑se 
em dois âmbitos: nas políticas públicas, no que diz respeito ao papel do Estado, que é o de garantir a 
universalização e a qualidade das creches e pré‑escolas por meio de uma política pública que se paute 
nos direitos fundamentais das crianças; e nas práticas cotidianas nas unidades de Educação Infantil, 
ao consolidar uma cultura de diálogo e negociação, entre famílias e educadores, sobre a educação das 
crianças pequenas.
69
GESTÃO DA ESCOLA DE EDUCAÇÃO INFANTIL
Desta feita, essa abordagem envolve a colaboração entre a família, a escola e a comunidade, que 
juntas devem trabalhar para garantir o bem‑estar, a aprendizagem e o desenvolvimento da criança, 
considerando suas necessidades físicas, emocionais, cognitivas e sociais.
Logo, fica claro que no cotidiano das unidades de Educação Infantil é fundamental que exista um 
diálogo contínuo e colaborativo entre os adultos responsáveis pela educação das crianças, ou seja, 
entre escola, família e comunidade. Esse compartilhamento é essencial para garantir que os direitos 
e as necessidades das crianças pequenas sejam atendidos de maneira integral e eficaz, promovendo o 
desenvolvimento saudável e harmonioso dos alunos.
É essencial ainda porque a faixa etária das crianças que frequentam a Educação Infantil, que 
abrange, em geral, de 0 a 5 anos, é um período de intensa formação e desenvolvimento. Durante esses 
primeiros anos de vida, as crianças experimentam transformações físicas, cognitivas, emocionais e 
sociais fundamentais, e o papel dos adultos responsáveis é crucial nesse processo.
Destarte, o acompanhamento e o compartilhamento próximo e contínuo de família, educadores e 
comunidade permitem que as crianças construam, gradualmente, conhecimentos sobre si mesmas 
e sobre o mundo ao seu redor. Ademais, esse enfoque atende o parecer sobre a revisão das DCNEI no 
que tange ao atendimento integral dos direitos da criança:
[...] requer que as instituições de Educação Infantil, na organização de sua 
proposta pedagógica e curricular, assegurem espaços e tempos para a 
participação, o diálogo e a escuta cotidiana das famílias, o respeito e a 
valorização das diferentes formas em que elas se organizam (Brasil, 2009, p. 13).
Essa afirmação está relacionada ao princípio de que as instituições de Educação Infantil devem 
considerar e integrar as famílias no processo pedagógico e curricular, respeitando a diversidade e as 
diferentes formas de organização familiar.
Ao garantir espaços e tempos para a participação das famílias, as instituições garantem que os pais 
ou responsáveis possam dialogar, opinar e compartilhar suas perspectivas sobre o desenvolvimento e 
a educação das crianças. Esse envolvimento contribui para a construção de uma educação mais rica, 
contextualizada e inclusiva, que respeite as particularidades de cada criança e família.
Essa abordagem, que enfatiza a participação ativa da família, escola e comunidade no processo 
educativo, favorece uma educação mais democrática e inclusiva, pois promove o respeito à diversidade 
e a valorização das diferenças de cada criança. Ao integrar diferentes perspectivas e contextos no 
cotidiano escolar, essa parceria contribui para um ambiente educacional mais acolhedor, onde todos os 
alunos se sentem valorizados e respeitados, independentemente de sua origem social, cultural, étnica 
ou econômica.
Quando os pais ou responsáveis se envolvem na vida escolar das crianças, contribuem para a formação 
de um vínculo muito mais estreito entre a família e a escola, o que favorece a criação de um ambiente 
mais seguro e acolhedor para as crianças. Esse vínculo fortalece a confiança mútua e o entendimento 
70
Unidade II
sobre as necessidades e os interesses da criança, permitindo que a escola ofereça um atendimento mais 
personalizado e adequado ao seu desenvolvimento.
Vale mencionar que essa participação pode se dar de várias formas, como a colaboração em atividades 
pedagógicas, o acompanhamento do desenvolvimento da criança, a construção conjunta de projetos 
ou até mesmo momentos de diálogo com os educadores para alinhar objetivos e expectativas. Ao se 
envolver nesse processo, as famílias tendem a colaborar para os processos de ensino e aprendizagem.
Além disso, o envolvimento familiar permite que os educadores compreendam melhor o contexto social 
e emocional das crianças, facilitando a personalização do atendimento e a identificação de necessidades 
específicas, criando um ambiente mais inclusivo e sensível ao desenvolvimento de cada criança.
A BNCC e outras diretrizes educacionais acentuam a importância da parceria entre a escola e a 
família, pois ratifica que o processo educativo não se limita ao espaço da sala de aula, mas envolve uma 
atuação conjunta entre os educadores, as famílias e a comunidade. Dessa forma, é fundamental para 
garantiruma educação de qualidade, que considere as diversas dimensões do desenvolvimento infantil 
e que busque o bem‑estar e o crescimento integral das crianças.
Esse documento de caráter normativo deixa claro que a educação não pode ser vista como um 
processo isolado, restrito à escola ou à família de forma individualizada, mas sim como um esforço 
compartilhado entre esses diferentes espaços.
Assim, a parceria entre a escola e a família, conforme orientado pela BNCC (Brasil, 2018), não é apenas 
uma estratégia de apoio, mas uma condição essencial para a formação de um ambiente educativo mais 
completo e eficaz, que favorece o desenvolvimento integral das crianças e assegura uma educação 
de qualidade.
Como vimos, o compartilhamento da educação e do cuidado das crianças na pré‑escola é vital. 
Segundo Monção (2021), isso pode se dar por meio de uma parceria efetiva e contínua entre educadores, 
famílias e a comunidade, levando em consideração que a Educação Infantil envolve tanto o aprendizado 
formal quanto o cuidado emocional e físico da criança.
A parceria entre família, escola e comunidade aparece como um propulsor nesse compartilhamento, 
haja vista a família ser a primeira responsável pela formação de valores e atitudes e pelo cuidado 
emocional, enquanto a escola tem a função de proporcionar o aprendizado formal  e facilitar a 
socialização. Já a comunidade, por sua vez, pode contribuir com experiências culturais, sociais e de apoio 
às famílias, fornecendo recursos e infraestrutura. Quando esses três elementos se comunicam e colaboram 
efetivamente, o processo de educação e cuidado da criança torna‑se mais completo e integrado. Contudo, 
o compartilhamento apresenta possibilidades e desafios, fatores imperativos para serem abordados.
No âmbito das possibilidades, o compartilhamento da educação e do cuidado das crianças oferece 
uma série de oportunidades que podem beneficiar diretamente o desenvolvimento da criança e a 
qualidade do processo educativo. Ao reconhecer a importância da colaboração entre a escola, a família 
e a comunidade, é possível criar um ambiente mais seguro, coeso e propício ao aprendizado.
71
GESTÃO DA ESCOLA DE EDUCAÇÃO INFANTIL
O quadro a seguir apresenta algumas das principais possibilidades desse compartilhamento.
Quadro 6 – Possibilidades de compartilhamento
Possibilidades/Ações Compartilhamento
Criação de um ambiente 
de aprendizagem mais 
coeso e seguro
O compartilhamento da educação e do cuidado entre a escola e a família fortalece o vínculo entre 
esses dois ambientes, criando uma continuidade na experiência da criança. Esse alinhamento 
entre o que é vivido em casa e o que acontece na escola contribui para que a criança se sinta mais 
segura e acolhida, o que facilita seu desenvolvimento emocional e cognitivo. O apoio contínuo de 
ambos os espaços permite que a criança tenha um ambiente mais estável e previsível, essencial 
para o seu crescimento saudável
Personalização do 
atendimento educacional
Ao compartilhar informações sobre as necessidades, os interesses e as características individuais 
de cada criança, a escola pode oferecer um atendimento mais personalizado e adaptado. A 
colaboração com as famílias possibilita aos educadores compreenderem melhor o contexto social 
e familiar da criança, o que pode ser usado para ajustar práticas pedagógicas e atividades que 
atendam de maneira mais eficaz o desenvolvimento de cada uma delas. Além disso, a troca de 
informações permite que os pais ajudem a reforçar o aprendizado em casa, tornando o processo 
mais contínuo
Comunicação aberta 
e constante
A troca contínua de informações entre escola e família permite que ambas as partes acompanhem 
o progresso da criança, compreendam suas dificuldades e necessidades, e ajam rapidamente para 
ajustar estratégias e apoio. Esse fluxo de comunicação pode ser feito de modo formal, através de 
reuniões e relatórios, ou informalmente, por meio de conversas diárias, ou até mesmo pelo uso de 
tecnologias, como aplicativos de comunicação
Estímulo ao 
desenvolvimento 
socioemocional
Quando a escola e a família trabalham juntas, elas podem apoiar de forma mais efetiva o 
desenvolvimento socioemocional da criança. A colaboração permite a criação de estratégias 
conjuntas para lidar com comportamentos e emoções, o que é especialmente importante na 
pré‑escola, em que as crianças estão começando a desenvolver habilidades como empatia, 
autocontrole e resolução de conflitos. Os pais podem reforçar em casa o que a escola ensina, 
criando uma continuidade no processo de socialização da criança
Promoção da inclusão e 
respeito à diversidade
O compartilhamento de responsabilidades entre a escola e a família cria um espaço mais inclusivo, 
no qual as diferenças culturais, sociais e familiares são respeitadas. As famílias têm a oportunidade 
de compartilhar com a escola as particularidades de suas culturas e valores, permitindo que o 
ambiente escolar se torne mais receptivo e adaptado à diversidade dos alunos. Isso contribui para 
uma educação mais democrática, que reconhece e valoriza as diferenças, além de promover a 
construção de um ambiente de respeito e solidariedade
Maior engajamento 
da família no 
processo educacional
Quando a escola promove o envolvimento das famílias na educação de seus filhos, elas se sentem 
mais comprometidas e motivadas a participar ativamente no desenvolvimento escolar da criança. 
Esse engajamento pode ocorrer de diversas maneiras, como em reuniões escolares, atividades de 
voluntariado, participação em projetos educacionais ou mesmo no acompanhamento das atividades 
realizadas em sala de aula. O envolvimento da família não só contribui para o aprendizado da 
criança, mas também fortalece a relação de confiança entre a escola e a comunidade
Melhoria do bem‑estar 
geral da criança
O compartilhamento entre escola e família também está diretamente relacionado à melhoria do 
bem‑estar da criança. Quando a escola e a família estão em sintonia, as necessidades da criança 
podem ser melhor atendidas, desde o aspecto acadêmico até o cuidado emocional e social. 
Esse acompanhamento conjunto contribui para o equilíbrio da criança, reduzindo ansiedades e 
promovendo um desenvolvimento mais saudável
Reforço das 
competências familiares
Ao promover a participação das famílias, a escola contribui para o fortalecimento das competências 
parentais. Pais e responsáveis podem aprender novas formas de apoiar o desenvolvimento dos 
filhos, receber orientação sobre como lidar com desafios comportamentais e educacionais e ser 
orientados sobre como engajar as crianças de maneira positiva em atividades de aprendizado em 
casa. Essa capacitação contínua das famílias, por meio de orientação e apoio da escola, pode ter um 
impacto positivo no desenvolvimento a longo prazo da criança
Integração da comunidade 
no processo educativo
O compartilhamento também pode incluir a comunidade como um todo. A escola, ao integrar as 
famílias e outros agentes da comunidade, pode promover um aprendizado mais contextualizado, 
com experiências enriquecedoras que envolvem diferentes realidades sociais e culturais. Isso 
pode incluir parcerias com organizações locais, realização de eventos comunitários, projetos 
de voluntariado ou mesmo programas de apoio a famílias em situação de vulnerabilidade. A 
participação comunitária pode criar uma rede de apoio sólida, que beneficia tanto as crianças 
quanto as suas famílias
72
Unidade II
As possibilidades de ações que acabamos de apresentar nesse quadro, no que tange aos 
compartilhamentos da educação e do cuidado das crianças, têm o potencial de criar um ambiente de 
aprendizado mais seguro, coeso e inclusivo, onde a continuidade entre a escola e a família favorece 
o desenvolvimento integral das crianças. A colaboração entre esses dois espaços fortalece o processo 
educativo, promove o bem‑estar emocional da criança e garante que ela receba o apoio necessário para 
seu crescimento, tanto no aspecto acadêmico quanto social.Acreditamos que a continuidade entre o ambiente escolar e o familiar proporciona uma experiência 
de aprendizagem mais fluida e consistente, em que a criança sente que está sendo apoiada e 
compreendida  em ambos os contextos. Esses compartilhamentos favorecem a construção de uma 
rede de suporte sólida, em que todos os envolvidos, desde educadores até familiares e membros da 
comunidade, trabalham juntos para o bem‑estar e o desenvolvimento da criança.
Quando a criança percebe que está sendo apoiada e compreendida tanto na escola quanto em casa, 
ela se sente mais segura e motivada a se engajar no processo de aprendizagem. Essa continuidade é 
essencial para que a criança desenvolva confiança em seus educadores e familiares, o que facilita sua 
adaptação e crescimento em ambos os contextos.
De acordo com Monção (2021), o compartilhamento entre escola, família e comunidade é 
um ponto‑chave para a construção de uma rede de suporte sólida, que favorece o bem‑estar e o 
desenvolvimento integral da criança. Quando todos os envolvidos trabalham de forma colaborativa, os 
esforços se somam, criando uma estrutura de apoio que vai além das práticas pedagógicas tradicionais.
Embora o compartilhamento da educação e do cuidado das crianças entre a escola e a família 
ofereça muitas possibilidades e benefícios, também apresenta uma série de desafios que precisam ser 
abordados para garantir uma parceria eficaz e produtiva. Esses desafios envolvem questões relacionadas a 
comunicação, recursos, tempo, diversidade de contextos familiares e, muitas vezes, à falta de preparação 
ou capacitação tanto para os educadores quanto para os pais.
No que tange às diferenças de valores e expectativas, devemos considerar a ideia de que famílias 
e a escola podem ter valores e expectativas diferentes sobre o que é mais importante no processo 
educativo, o que pode gerar conflitos ou mal‑entendidos. Por exemplo, enquanto a escola pode focar 
no desenvolvimento acadêmico da criança, a família pode dar mais ênfase ao cuidado emocional ou 
valores culturais específicos. Para esse caso, acreditamos que a melhor solução se pauta na promoção 
de diálogos abertos e respeitosos entre pais e educadores pode ajudar a alinhar expectativas e criar uma 
compreensão mútua sobre as prioridades e os objetivos educacionais da criança.
Outro desafio muito comum e presente no cotidiano escolar são as barreiras de comunicação 
entre a escola e as famílias, que nem sempre é fluida ou eficiente. Barreiras como a falta de tempo, a 
distância geográfica, o uso de diferentes meios de comunicação ou até dificuldades no entendimento 
de mensagens podem dificultar a troca de informações essenciais sobre o desenvolvimento da criança. 
Acreditamos que a solução para esse desafio pode estar no encontro presencial – por exemplo, em 
reuniões – e no uso de tecnologias de comunicação, como aplicativos de celulares, que pode facilitar 
a troca de informações. Ademais, é importante que a comunicação seja clara, objetiva e acessível, 
considerando o perfil das famílias.
73
GESTÃO DA ESCOLA DE EDUCAÇÃO INFANTIL
A diversidade de contextos familiares também é um desafio, pois, no entendimento de Monção (2021), 
as famílias têm realidades muito diferentes entre si, o que pode dificultar o compartilhamento efetivo 
de responsabilidades. Algumas podem ter recursos financeiros limitados, dificuldades de tempo ou até 
problemas sociais e emocionais que impactam a participação ativa dos pais na vida escolar.
Sendo assim, uma solução é considerar que a escola deve ser sensível às diferentes realidades 
familiares e oferecer suporte personalizado para as famílias, seja por meio de programas de apoio e 
serviços de aconselhamento ou ajudando na criação de estratégias que respeitem a diversidade e a 
individualidade de cada criança e sua família.
Fatores como a falta de preparação e capacitação de educadores, infelizmente, também são desafios, 
haja vista muitos educadores não estarem suficientemente preparados para lidar com a diversidade 
de contextos familiares e a complexidade da colaboração entre escola e família. Isso inclui desafios 
relacionados ao acolhimento de diferentes valores, culturas e práticas pedagógicas nas famílias. Para 
amenizar essa situação, é essencial que a formação dos educadores inclua práticas de capacitação 
contínua sobre o envolvimento da família e a diversidade cultural, assim como habilidades de comunicação 
eficazes para lidar com situações delicadas e variadas no contexto educacional.
É importante mencionar que a falta de tempo e disponibilidade das famílias também se apresenta 
como um desafio, na medida em que a rotina agitada de muitas famílias, especialmente aquelas em que 
ambos os pais trabalham fora de casa, pode dificultar a participação ativa no processo educativo dos filhos. 
Isso inclui dificuldades para comparecer a reuniões escolares, colaborar com atividades educacionais 
ou manter uma comunicação constante com os educadores. Para a melhoria dessa situação, a escola 
pode adaptar seus horários e formas de interação, como agendar reuniões fora do horário comercial 
ou fornecer atualizações online sobre o progresso das crianças. Além disso, as escolas podem sugerir 
atividades educacionais que as famílias possam realizar em casa, aproveitando o tempo disponível.
Os desafios relacionados ao apoio emocional e psicológico também são importantes, uma vez 
que muitas famílias podem não estar preparadas ou ser incapazes de fornecer o apoio emocional 
necessário para o desenvolvimento das crianças, especialmente em situações de estresse ou dificuldades 
emocionais. Isso pode afetar o comportamento da criança na escola e sua interação com os outros. Logo, 
deve‑se oferecer apoio psicológico tanto para as crianças quanto para as famílias, criando programas de 
orientação e apoio emocional. No mais, os educadores podem ser treinados para identificar sinais 
de dificuldades emocionais e colaborar com psicólogos e outros profissionais de saúde mental.
A desigualdade de acesso a recursos e oportunidades é outro desafio, pois pode afetar a capacidade 
das famílias de participar plenamente da educação dos filhos. Isso inclui o acesso limitado a recursos 
como livros, internet, materiais pedagógicos, atividades extracurriculares e até mesmo o apoio emocional 
necessário. Nesse caso, as escolas podem implementar estratégias inclusivas, como fornecer recursos 
para as famílias em situação de vulnerabilidade, criar programas de auxílio escolar e promover parcerias 
com organizações locais para garantir que todas as crianças tenham as mesmas oportunidades de 
aprendizado e desenvolvimento.
74
Unidade II
Expectativas irrealistas ou sobrecarga de responsabilidades aparecem com muita frequência nas 
unidades escolares. Em alguns casos, as escolas podem ter expectativas excessivas de participação das 
famílias, o que pode gerar sobrecarga, especialmente para aquelas que enfrentam desafios econômicos 
ou sociais. De mais a mais, os educadores podem sentir que precisam assumir responsabilidades que 
deveriam ser compartilhadas com os pais, como o cuidado emocional das crianças. Sem demora, é 
importante que a escola promova um equilíbrio entre as responsabilidades dos educadores e das 
famílias, garantindo que as expectativas sejam realistas e que a colaboração ocorra de maneira saudável 
e sustentável. A escola pode oferecer orientações claras sobre como as famílias podem se envolver de 
forma significativa, sem causar sobrecarga.
Nota‑se também que aspectos atrelados à resistência à mudança ou relacionados à desconfiança 
são muito presentes nas escolas, uma vez que algumas famílias se mostram resistentes à ideia de 
colaborar com a escola, seja por desconfiança, falta de informações sobre os benefícios da parceria ou 
experiências anteriores negativas com a educação formal. Isso pode dificultar o estabelecimento de uma 
relação de confiança mútua.
Com presteza, a escola deve construir gradualmente a confiança com as famílias,mostrando de forma 
clara e consistente os benefícios da colaboração para o desenvolvimento das crianças. Isso pode ser feito 
através de encontros informativos, mostrando exemplos de sucesso e criando um ambiente acolhedor 
e aberto ao diálogo.
Em algumas situações, o esforço para estabelecer uma colaboração eficaz entre a escola e a família 
tende a sobrecarregar os educadores, que já têm a responsabilidade de ensinar e cuidar das crianças. 
Esse peso adicional pode afetar a qualidade do trabalho educacional e a saúde mental dos profissionais. 
Para essa situação, as escolas devem garantir que os educadores recebam apoio institucional, como 
treinamento, apoio administrativo e espaço para refletir sobre suas práticas. Além disso, a colaboração 
com as famílias deve ser compartilhada de maneira equilibrada, com a escola oferecendo estratégias 
para facilitar essa parceria.
De acordo com o exposto, vê‑se que os desafios no compartilhamento da educação e do cuidado das 
crianças exigem um esforço contínuo de todos os envolvidos. Para superar essas barreiras, é essencial 
adotar abordagens flexíveis, inclusivas e colaborativas, que considerem as diversidades e as necessidades 
específicas de cada criança e família. Ao enfrentar esses desafios de forma consciente e estratégica, 
acreditamos ser possível fortalecer a parceria entre escola e família, garantindo um desenvolvimento 
integral e uma educação de qualidade para todas as crianças.
 Lembrete
A parceria entre escola e família é essencial para o desenvolvimento 
integral das crianças na Educação Infantil. Quando ambos os espaços 
compartilham a responsabilidade pelo cuidado e pela educação, criam‑se 
oportunidades para um crescimento mais harmonioso, respeitando as 
necessidades emocionais, sociais e cognitivas dos pequenos.
75
GESTÃO DA ESCOLA DE EDUCAÇÃO INFANTIL
6 GESTÃO ESCOLAR E A RELAÇÃO COM AS FAMÍLIAS
Figura 7 – Integração família e escola
Fonte: https://tinyurl.com/375hscbm. Acesso em: 18 mar. 2025.
A gestão escolar desempenha um papel fundamental na construção e manutenção de uma relação 
eficaz e colaborativa entre a escola e as famílias. A maneira como a gestão escolar organiza, planeja e 
implementa estratégias de interação com as famílias pode influenciar diretamente a qualidade do 
processo educativo e o desenvolvimento integral das crianças. Essa ideia é ratificada por Libâneo 
(2004, p. 125), sobretudo quando defende que:
As concepções de gestão escolar refletem diferentes posições políticas 
e concepções do papel da escola e da formação humana na sociedade. 
Portanto, o modo como uma escola se organiza e se estrutura tem um 
caráter pedagógico, ou seja, depende de objetivos mais amplos sobre a 
relação da escola com a conservação ou transformação social.
Assim, a relação entre escola e família deve ser vista como uma parceria contínua, em que ambos 
os lados contribuem para o sucesso educacional das crianças. Para isso, a gestão escolar precisa criar 
estruturas e práticas que facilitem e incentivem esse envolvimento, considerando as necessidades e os 
contextos diversos das famílias.
Entre essas estratégias, neste tópico destacamos as formas de comunicação com as famílias, a 
participação delas no conselho da escola de Educação Infantil e a participação delas na Associação de 
Pais e Mestres. Elas são essenciais para promover a colaboração e o engajamento ativo entre as escolas 
de Educação Infantil e as famílias.
Essas estratégias são fundamentais para promover a colaboração e o engajamento ativo entre as 
escolas de Educação Infantil e as famílias, estabelecendo um ciclo de apoio mútuo que beneficia o 
desenvolvimento das crianças. Cada uma dessas ações cria um ambiente mais integrado, acolhedor e 
eficaz para o processo educativo, refletindo diretamente na qualidade do ensino e no bem‑estar das 
crianças. A seguir, vamos analisar detalhadamente as três principais estratégias destacadas.
76
Unidade II
6.1 Formas de comunicação com as famílias
A comunicação eficaz entre a escola e as famílias na Educação Infantil é essencial para o 
desenvolvimento completo das crianças. Ela cria uma rede de apoio sólida, favorece o aprendizado 
contínuo e alinhado, permite a identificação precoce de desafios e promove uma cultura de parceria que 
é vital para o sucesso educacional e emocional das crianças.
Ademias, ao criar um ambiente de confiança e respeito mútuo, a escola e as famílias trabalham 
juntas para garantir o bem‑estar e o desenvolvimento integral de cada criança, contribuindo para a 
construção de uma sociedade mais justa e solidária.
 Observação
A comunicação entre escola e família, conforme Monção (2021), não 
se limita a transmitir informações, mas envolve um intercâmbio constante 
que permite que ambas as partes compreendam as necessidades do aluno, 
compartilhem responsabilidades e colaborem para o sucesso educacional.
Esse processo é fundamental por várias razões; entre elas, destaca‑se o fortalecimento do apoio ao 
aluno, pois quando a escola e a família estão alinhadas, as estratégias para apoiar o desenvolvimento 
do aluno são mais eficazes. A troca de informações permite que se identifiquem e resolvam problemas 
de forma mais rápida e precisa.
Acentua‑se ainda a promoção da confiança mútua, uma vez que a comunicação aberta e transparente 
entre escola e família estabelece um relacionamento de confiança, no qual as famílias se sentem mais 
confortáveis para discutir preocupações e apoiar as decisões da escola.
Desta feita, percebe‑se que para as estratégias de comunicação, a gestão escolar deve adotar práticas 
que favoreçam uma comunicação constante, clara e eficaz com as famílias. Para tal, algumas estratégias 
se fazem importantes:
• Reuniões periódicas: reuniões de pais e mestres são uma ferramenta tradicional e eficaz para 
promover a troca de informações sobre o progresso do aluno, discutir comportamentos ou 
preocupações específicas e alinhar expectativas.
• Ferramentas de comunicação digital: o uso de plataformas online, e‑mails ou aplicativos 
educacionais permite uma comunicação mais rápida e prática. Essas ferramentas podem ser 
usadas para enviar atualizações sobre o desempenho dos alunos, eventos escolares, notas e outros 
comunicados importantes.
• Cadernos de comunicação: para escolas que preferem uma abordagem mais tradicional, o 
caderno de comunicação, também conhecido como agenda, também é uma boa escolha. Nele, 
professores e pais trocam informações diárias ou semanais.
77
GESTÃO DA ESCOLA DE EDUCAÇÃO INFANTIL
• Relatórios de progresso: a gestão escolar pode fornecer relatórios regulares sobre o desempenho 
acadêmico e comportamental dos alunos. Esses relatórios ajudam a informar os pais sobre o 
desenvolvimento do aluno e facilitam o acompanhamento por parte da família.
Nesse contexto, tem‑se a concepção de que a comunicação não deve ser unidirecional, ou seja, 
não deve ser apenas a escola enviando informações. A escuta ativa da família também é crucial. Desse 
modo, a gestão escolar deve escutar as necessidades e preocupações das famílias, já que a família pode 
ter percepções e informações valiosas sobre o aluno que a escola não tem. No mais, ouvir os pais 
pode ajudar a identificar questões que afetam o desempenho acadêmico e social da criança, como 
dificuldades em casa ou fatores emocionais.
A gestão deve ainda procurar envolver as famílias nas decisões que afetam a vida escolar do aluno. 
Essa prática pode incluir decisões sobre projetos pedagógicos, atividades extracurriculares ou até 
mesmo questões disciplinares. Deve oferecer suporte emocional e pedagógico, como já mencionamos 
anteriormente. A escola deve estar aberta a fornecer suporte, especialmente quando as famílias 
enfrentam dificuldades em apoiar o desenvolvimento educacional de seus filhos.
Assim, a equipe gestora tem algumas funções, entre elas orientar os docentes sobre como transmitir 
e solicitar as informações, definir e formalizar os processos de comunicação e promover ações que 
reforcemos laços com as famílias. É preciso ainda zelar para que os valores e a missão da escola sejam 
preservados na abordagem com os familiares, pois algumas questões podem ser difíceis de lidar. Para 
isso, é preciso reforçar, durante as capacitações pedagógicas, a importância de ouvir os pais sem rotular 
nem culpar as crianças.
Dessa maneira, é mister esclarecer que a troca de informações visa ao planejamento de intervenções 
que levarão ao bem‑estar e ao desenvolvimento da identidade e da autonomia e, consequentemente, 
ao desenvolvimento pleno da criança.
Uma boa comunicação entre a escola e a família tem um impacto positivo no desempenho escolar 
e no bem‑estar dos alunos, pois quando a família e a escola trabalham juntas, o aluno recebe apoio 
consistente, seja em relação às atividades escolares, ao comportamento ou às necessidades emocionais. 
Isso ajuda a melhorar o foco e o desempenho acadêmico. Tal aspecto ainda impacta a resolução de 
problemas, dado que a comunicação aberta ajuda a identificar problemas precocemente. A resolução 
rápida de problemas pode evitar que pequenas dificuldades se tornem grandes obstáculos no 
aprendizado do aluno.
É importante reforçar que embora a comunicação entre escola e família seja fundamental, alguns 
desafios se fazem presentes nos processos da comunicação; contudo, existem ações para superá‑los. 
Um desses desafios refere‑se às barreiras de tempo: como já dissemos, muitos pais e/ou responsáveis 
têm horários de trabalho flexíveis ou agendas apertadas, situação que pode apresentar dificuldades para 
participar de reuniões presenciais ou eventos escolares. A gestão escolar pode superar isso oferecendo 
alternativas, como reuniões virtuais ou comunicações digitais.
78
Unidade II
Outro desafio concerne às diferenças culturais ou linguísticas, uma vez que em contextos com 
famílias de diferentes origens culturais, ou que falam outros idiomas, a gestão escolar deve adotar 
práticas inclusivas, como oferecer tradutores ou materiais informativos em diferentes idiomas.
O desinteresse ou resistência dos pais, infelizmente, é um desafio muito presente no cotidiano escolar. 
Algumas famílias podem não perceber a importância e as contribuições da comunicação constante com 
a escola. Sem demora, a gestão escolar deve criar estratégias para conscientizar e envolver as famílias, 
seja por meio de campanhas informativas ou oferecendo formas acessíveis e atraentes de participação.
A gestão escolar e a comunicação com as famílias são fundamentais para criar um ambiente de 
aprendizagem colaborativo, eficiente e acolhedor. A escola deve buscar estratégias para facilitar essa 
comunicação, assegurando que todos os envolvidos, alunos, pais, professores e gestores trabalhem 
juntos para o sucesso educacional e o bem‑estar das crianças. A parceria entre a escola e a família é um 
dos pilares para garantir o desenvolvimento pleno dos alunos, tanto no aspecto acadêmico quanto no 
social e emocional.
6.2 Participação das famílias no conselho da escola de Educação Infantil
A participação das famílias no conselho da escola de Educação Infantil é uma prática fundamental 
para garantir uma gestão democrática, inclusiva e colaborativa, fortalecendo a parceria entre a escola e 
as famílias. O Conselho Escolar, segundo Libâneo (2004), é um espaço de decisão coletiva em que 
educadores, pais, alunos e membros da comunidade podem debater e propor melhorias para a gestão 
da escola, influenciando diretamente a qualidade do ensino e do ambiente escolar.
A participação das famílias no conselho escolar permite que as decisões sobre a gestão e os processos 
pedagógicos sejam tomadas de forma democrática e colaborativa. Isso contribui para a construção de 
uma escola mais transparente, onde todos os envolvidos têm voz ativa.
Nesse contexto, as famílias que participam ativamente do conselho podem discutir e aprovar decisões 
relacionadas a currículos, eventos escolares e até mesmo questões de infraestrutura, como a criação de 
espaços mais adequados para o desenvolvimento das crianças. Ao incluir as famílias no conselho, a escola 
garante que as diversidades culturais, socioeconômicas e de necessidades das crianças sejam levadas 
em conta nas decisões. Pais e responsáveis podem expressar as necessidades específicas de seus filhos 
e da comunidade, o que torna as decisões mais alinhadas com a realidade da escola. Como exemplo, 
podemos citar uma família que vivencia a realidade de crianças com NEE, pois ela pode contribuir com 
ideias e sugestões para melhorar a inclusão na escola.
A participação no conselho escolar, no entendimento de Libâneo (2004), reforça a ideia da promoção 
da responsabilidade compartilhada – dito de outra forma, de que a educação é uma responsabilidade 
coletiva, envolvendo tanto a escola quanto a família na formação e no desenvolvimento das crianças. 
À vista disso, tem‑se uma visão mais integrada e conjunta do processo educativo, no qual todos 
trabalham pelo sucesso da criança. Citando um caso análogo, ao discutir políticas de acompanhamento 
pedagógico ou atividades extracurriculares, as famílias podem colaborar com ideias para melhorar o 
desenvolvimento social e acadêmico das crianças.
79
GESTÃO DA ESCOLA DE EDUCAÇÃO INFANTIL
Por conseguinte, Silva (2020) destaca que o conselho escolar propicia o fortalecimento da 
comunidade escolar, pois é um espaço importante para a integração de toda a comunidade escolar, 
criando um ambiente mais acolhedor e coeso. Ao envolver as famílias nas decisões, cria‑se uma rede 
de apoio que fortalece o vínculo entre a escola e a comunidade ao redor. A realização de eventos como 
feiras culturais, apresentações ou festas comemorativas se torna mais rica e integrada quando há a 
participação ativa dos pais, que trazem suas próprias experiências e contribuições.
A participação das famílias no conselho escolar de Educação Infantil ocorre através de eleições 
democráticas de representantes, nas quais os pais e responsáveis escolhem seus representantes. Essa 
prática garante que a voz dos familiares seja ouvida de forma legítima e que as decisões do conselho 
reflitam as preocupações e interesses da comunidade.
É importante mencionar que, na maioria das vezes, essa eleição é anual e deve ser organizada 
preconizando a garantia de que todos os pais ou responsáveis possam votar e ser votados, incentivando 
a participação de diferentes grupos da comunidade escolar.
Para que a participação das famílias no conselho escolar seja efetiva, é essencial que o conselho 
realize reuniões regulares, nas quais os pais possam discutir questões relevantes e tomar decisões em 
conjunto com os educadores e demais membros da escola. Logo, vê‑se a importância de se realizar 
reuniões mensais ou bimestrais para discutir questões pedagógicas, estratégias de inclusão e eventos 
escolares, com a participação ativa de representantes das famílias.
Além de reuniões formais, o conselho escolar pode, no entendimento de Silva (2020), incentivar a 
formação de grupos de trabalho com pais, educadores e outros membros da comunidade para discutir 
temas específicos e desenvolver soluções coletivas. Uma boa sugestão é criar grupos de trabalho 
para planejar atividades extracurriculares, como excursões, eventos culturais ou programas de apoio 
psicopedagógico, com a participação de pais interessados em contribuir com suas ideias e habilidades.
A unidade escolar deve adotar uma postura inclusiva e acessível, incentivando a participação de 
todas as famílias, independentemente de sua situação socioeconômica ou cultural. Isso pode incluir 
a realização de reuniões em horários flexíveis e a utilização de diferentes formas de comunicação 
para alcançar um maior número de pais. Para tal, deve oferecer reuniões à noite ou durante os finais 
de semana, além de utilizar aplicativos de comunicação e grupos de WhatsApp para manter os pais 
informados e integrados ao processo decisório.
A respeito do papel dos pais e educadores, é importante que o conselho escolarrespeite a diversidade 
de opiniões e saiba conciliar os diferentes pontos de vista, garantindo um ambiente de diálogo respeitoso 
e construtivo. A escola deve promover um clima de cooperação entre educadores e famílias, para que 
todos sintam que suas contribuições são valorizadas. Como resultado, durante as reuniões, é preciso 
promover espaços para que todos os membros do conselho possam se expressar e contribuir de maneira 
equitativa, garantindo que todas as vozes sejam ouvidas.
80
Unidade II
Desta feita, vê‑se que a participação das famílias no conselho da escola de Educação Infantil  é 
um dos pilares para o fortalecimento da gestão democrática e colaborativa nas escolas. Ao garantir 
que as famílias tenham voz ativa na tomada de decisões, a escola contribui para um ambiente mais 
integrado, inclusivo e respeitoso. Essa parceria entre pais, educadores e comunidade escolar resulta em 
uma educação de maior qualidade, que considera as necessidades e potencialidades de cada criança, 
e fortalece o vínculo entre a escola e a comunidade ao redor.
Ademais, a participação das famílias no conselho escolar promove o entendimento de que a Educação 
Infantil é um processo compartilhado, no qual a escola e a família são protagonistas em conjunto no 
desenvolvimento integral das crianças. A presença das famílias no conselho escolar permite que elas 
compreendam os melhores objetivos pedagógicos da escola, as metodologias de ensino adotadas e 
as práticas que impactam diretamente o desenvolvimento das crianças. Isso cria uma rede de apoio 
que beneficia a aprendizagem, pois a criança percebe que tanto a escola quanto a família estão 
comprometidas com seu crescimento. Essa colaboração estreita entre os dois ambientes fortalece o 
processo educativo, garantindo que as ações da escola sejam complementadas pelo apoio e incentivo 
das famílias.
No mais, Silva (2020) destaca que quando os pais compreendem melhor as práticas pedagógicas 
e as metodologias utilizadas, eles podem contribuir de maneira mais eficaz no acompanhamento do 
desenvolvimento de seus filhos, tanto em casa quanto na escola. Esse engajamento conjunto cria um 
ambiente mais rico e harmonioso para a criança, o que favorece e enriquece seu aprendizado e bem‑estar.
Quando família e escola trabalham juntas, a criança se beneficia de uma rede de apoio que promove 
seu crescimento não apenas acadêmico, mas também emocional e social.
Além disso, esse envolvimento fortalece a percepção da criança de que é importante valorizar tanto 
os aspectos escolares quanto os familiares, criando uma base sólida para sua confiança, autoestima e 
motivação. Esse vínculo estreito favorece a construção de valores como a cooperação, a responsabilidade 
e o respeito, essenciais para o desenvolvimento integral dos alunos.
 Saiba mais
Leia mais sobre conselhos escolares na obra a seguir:
PANTALEÃO, E.; NUNES, K. R.; BRITO, R S. Conselhos escolares e formação 
humana. Curitiba: CRV, 2017. Disponível em: https://tinyurl.com/533faxs7. 
Acesso em: 13 mar. 2025.
81
GESTÃO DA ESCOLA DE EDUCAÇÃO INFANTIL
6.3 Participação das famílias na Associação de Pais e Mestres
A Associação de Pais e Mestres (APM), de acordo com Libâneo (2004), desempenha um papel 
fundamental na construção de uma parceria entre a escola e a comunidade, buscando sempre melhorar 
a qualidade do processo educacional. Como uma entidade sem fins lucrativos, sua principal missão é 
apoiar o desenvolvimento escolar, proporcionando um ambiente onde pais, alunos e professores possam 
trabalhar juntos para o bem‑estar dos estudantes e o aprimoramento da educação.
A APM oferece um espaço para que todos os envolvidos no ambiente escolar possam expressar 
suas opiniões e contribuir com sugestões e iniciativas que favoreçam o aprendizado. Através dessa 
colaboração, as decisões podem ser tomadas de maneira mais democrática e inclusiva, assegurando que 
todos os pontos de vista sejam considerados.
Esse modelo de gestão compartilhada favorece a construção de soluções que atendam tanto às 
necessidades dos alunos quanto aos objetivos educacionais da instituição, sempre com foco na qualidade 
do ensino e no bem‑estar da comunidade escolar.
A APM, de acordo com Borges (2015), é uma entidade que tem como objetivo promover a colaboração 
entre os pais, os mestres, professores e demais profissionais da educação e a escola, criando um ambiente 
de parceria para o desenvolvimento educacional das crianças. Essa associação desempenha um papel 
importante na gestão escolar, no apoio às atividades pedagógicas e na promoção de ações que visam à 
melhoria da qualidade do ensino e da infraestrutura escolar.
Ela tem um papel fundamental na integração entre a escola e a comunidade escolar, incluindo os 
pais, responsáveis e professores. Sua atuação deve ser orientada para a melhoria contínua do ambiente 
educacional, visando alcançar os objetivos pedagógicos e educacionais estabelecidos pela instituição. 
Além disso, a APM pode contribuir de várias formas, como:
• Apoio ao desenvolvimento de ações educacionais: deve ser um elo entre as necessidades 
da escola e as expectativas dos pais e responsáveis, criando um ambiente de colaboração que 
favoreça o aprendizado dos alunos.
• Promoção de comunicação e engajamento: facilita o diálogo entre a comunidade escolar e 
a escola, garantindo que os pais e responsáveis estejam informados e engajados nas questões 
pedagógicas e administrativas.
• Apoio nas atividades extracurriculares: além de colaborar na implementação de atividades 
culturais, recreativas e de saúde, a APM pode organizar eventos que promovam o bem‑estar dos 
alunos e fortaleçam o vínculo entre todos os envolvidos no processo educativo.
• Apoio ao fortalecimento da parceria entre pais, responsáveis e professores: pode criar 
oportunidades para os pais e professores trabalharem juntos em prol do sucesso escolar dos 
alunos, promovendo reuniões, palestras e eventos de formação.
82
Unidade II
• Atuação na resolução de demandas da comunidade: também deve estar atenta às necessidades 
da comunidade escolar, agindo como um canal para identificar e resolver possíveis desafios ou 
demandas que possam surgir.
Portanto, vê‑se que, pelas colaborações que acabamos de listar, a APM tem uma função estratégica 
no fortalecimento da parceria entre a escola, os pais e a comunidade, buscando sempre o melhor para 
o desenvolvimento educacional e pessoal dos alunos.
Faz‑se mister esclarecer que não há uma legislação federal específica que trate da criação e da gestão 
das APMs no Brasil; contudo, sua atuação está prevista em algumas normativas que se relacionam com 
o financiamento da educação e a participação da comunidade escolar. Embora não haja uma lei federal 
obrigatória para a criação dessas associações em todas as escolas do país, a sua formação e atuação são 
comuns em muitas instituições, principalmente no contexto das escolas públicas.
Entretanto, a existência da APM torna‑se obrigatória em casos específicos, como quando a escola 
recebe recursos do Programa Dinheiro Direto na Escola (PDDE), que é uma iniciativa do Governo Federal. 
Esse programa tem como objetivo repassar verbas para escolas públicas com a finalidade de melhorar 
a infraestrutura e a qualidade do ensino, e uma das condições para o recebimento desses recursos é a 
formação de uma APM para gerir, de forma transparente, os recursos recebidos. Para mais, em algumas 
normas estaduais e municipais, pode haver disposições sobre a criação de APMs nas escolas públicas.
Portanto, a APM é uma entidade de participação voluntária, cuja criação e funcionamento dependem, 
em grande parte, da estrutura de gestão local, do interesse da comunidade escolar e de eventuais 
exigências vinculadas ao recebimento de recursos públicos (como no já mencionado PDDE).
Cabe ainda mencionar, sobre essas participações, o artigo 14 da Lei n. 9.394/96 (LDB), que garante 
a gestão democrática do ensino público por meio da participação dos profissionais da educaçãona 
elaboração do projeto pedagógico da escola e da participação das  comunidades escolar e local em 
conselhos escolares ou equivalentes, assim como de  diferentes atores da comunidade escolar no 
processo decisório das escolas. A referida lei estabelece que as escolas públicas  devem promover a 
gestão democrática do ensino, assegurando que haja a participação de profissionais da educação, como 
professores e funcionários, alunos, pais, responsáveis e a comunidade local na elaboração do projeto 
pedagógico da escola e nas decisões sobre as diretrizes educacionais. Como já dito, a gestão democrática 
visa criar um ambiente de diálogo, colaboração e corresponsabilidade entre todos os envolvidos no 
processo educacional.
Além disso, a lei menciona a necessidade de participação das comunidades escolar e local em 
conselhos escolares ou equivalentes, conteúdos vistos recentemente. Esses conselhos são espaços de 
deliberação coletiva, onde pais, professores e representantes da comunidade podem discutir e influenciar 
decisões sobre a gestão administrativa e pedagógica da escola, além de contribuir para o fortalecimento 
do projeto educativo.
83
GESTÃO DA ESCOLA DE EDUCAÇÃO INFANTIL
A LDB, portanto, reconhece que a educação é uma responsabilidade compartilhada entre a escola, a 
família e a sociedade. Essa gestão democrática é um dos pilares da construção de uma educação pública 
de qualidade, já que fomenta a participação ativa e o controle social, promovendo um ambiente mais 
inclusivo e alinhado com as necessidades da comunidade escolar.
A APM também é considerada na Estratégia 19.4 do PNE, que visa o fortalecimento das entidades 
representativas da comunidade escolar, como as APMs e os grêmios estudantis. Tal estratégia trata da 
necessidade de fortalecer as APMs e os grêmios estudantis para que desempenhem um papel mais ativo 
e eficaz nas escolas, contribuindo para a gestão democrática e o engajamento da comunidade escolar.
A Estratégia 19.4 do PNE afirma que é fundamental promover a participação das famílias e da 
comunidade escolar na gestão das escolas, com ênfase na organização de atividades que envolvam 
tanto os pais e responsáveis quanto os estudantes. Isso inclui, entre outras ações, o fortalecimento das 
APMs como espaços de gestão e deliberação das questões relacionadas à escola e ao processo educativo.
O fortalecimento das APMs e dos grêmios estudantis no PNE está alinhado com a proposta da gestão 
democrática da educação, permitindo que as decisões escolares envolvam um número maior de partes 
interessadas. Com isso, cria‑se um ambiente mais colaborativo e transparente, essencial para a melhoria 
da qualidade do ensino e para a construção de um espaço educacional mais inclusivo e participativo.
Assim, a Estratégia 19.4 do PNE reforça a ideia de que a participação ativa das famílias e da 
comunidade escolar na gestão escolar é um dos fatores que contribui para o sucesso da educação 
no Brasil, destacando a importância das APMs como entidades que promovem essa participação de 
forma estruturada.
A APM na Educação Infantil desempenha um papel crucial na construção de uma parceria sólida 
entre a escola e as famílias. Nesse estágio inicial da vida escolar, a colaboração entre pais, professores e 
gestores é especialmente importante, pois as experiências educativas vívidas nessa fase têm um impacto 
profundo no desenvolvimento emocional, social e cognitivo das crianças. A APM, portanto, é um espaço 
que facilita esse envolvimento, promovendo ações e práticas que beneficiam diretamente o ambiente 
escolar e o aprendizado das crianças.
Acima de tudo, a APM auxilia a diretoria, os coordenadores pedagógicos e os educadores a cumprir 
o PPP da escola e a representar os interesses de pais e familiares na comunidade escolar. A APM tem, 
portanto, objetivos administrativos e pedagógicos. Na prática, acaba sendo mais percebida pela atuação 
no âmbito financeiro da escola, pois as unidades de ensino não têm autonomia para gerir diretamente 
as verbas recebidas de estados e municípios e de programas como o PDDE.
84
Unidade II
 Saiba mais
Leia mais sobre o Programa Dinheiro Direto na Escola (PDDE) no 
link a seguir:
BRASIL. Ministério da Educação. Programa Dinheiro Direto na Escola. 
Brasília, [s.d.]. Disponível em: https://tinyurl.com/nps6y3a9. Acesso em: 
14 mar. 2025.
A APM também tem um papel multifacetado que vai além de uma simples representação dos 
interesses dos pais e responsáveis. Ela desempenha um papel fundamental tanto na gestão pedagógica 
quanto na administração financeira das escolas, contribuindo significativamente para a implementação 
do PPP e para a gestão democrática.
No que tange aos objetivos administrativos e pedagógicos, Borges (2015) destaca que a associação, 
ao se envolver nas decisões pedagógicas, colabora com a diretoria, coordenadores pedagógicos e 
educadores na criação de um ambiente que favoreça o desenvolvimento dos alunos e a efetividade 
do ensino. Já a sua atuação no âmbito financeiro, na prática, é a mais visível, haja vista ela ser mais 
percebida por essa atuação, especialmente porque a autonomia financeira das escolas no Brasil, em 
muitos casos, é limitada. As escolas não têm liberdade total para administrar os recursos públicos 
provenientes de estados, municípios e programas como o PDDE, que são essenciais para o funcionamento 
das unidades de ensino.
Como muitas vezes essas verbas não são suficientes para cobrir todas as necessidades da escola, a 
APM tem um papel importante na captação de recursos adicionais, por meio de eventos, campanhas 
de arrecadação, parcerias com empresas e comunidade local e gestão transparente dos recursos. A APM 
ajuda a gerir esses recursos de forma a garantir que a escola tenha condições mínimas para oferecer 
um ambiente adequado de aprendizagem, cobrindo áreas como infraestrutura, materiais pedagógicos e 
apoio a projetos educacionais e culturais.
O fortalecimento da APM, portanto, é essencial para garantir uma gestão participativa, alinhada 
aos objetivos pedagógicos e às necessidades da comunidade escolar. Ela ajuda a equilibrar a falta de 
autonomia financeira das escolas, sendo um pilar de apoio administrativo e pedagógico.
Por conseguinte, ao representar os interesses de pais e responsáveis, a APM assegura que a voz 
da comunidade seja ouvida no processo de tomada de decisões da escola, o que contribui para a 
transparência, responsabilidade e qualidade do ensino.
Por fim, a transparência na gestão dos recursos da APM é crucial para criar um ambiente de confiança 
e para garantir que os recursos captados sejam bem aplicados em benefício dos alunos e da comunidade 
escolar como um todo.
85
GESTÃO DA ESCOLA DE EDUCAÇÃO INFANTIL
A transparência na gestão dos recursos da APM é um elemento vital para o bom funcionamento 
da associação e para o fortalecimento da gestão democrática da escola. Quando a APM adota práticas 
transparentes, ela não só garante que os recursos sejam bem aplicados, mas também cria um ambiente 
de confiança entre os pais, responsáveis, professores e toda a comunidade escolar.
Essa confiança é essencial para que todos se sintam parte do processo e se engajem ativamente nas 
decisões e ações da escola.
No quadro a seguir, apresentamos alguns postos‑chave sobre a importância da transparência na 
gestão dos recursos da APM.
Quadro 7 – Prestação de contas da APM: pontos‑chave
Possibilidades/Ações Compartilhamento
Prestação de contas
A APM deve sempre prestar contas claras e detalhadas sobre a origem e o uso dos 
recursos captados, seja através de eventos, doações ou programas de financiamento 
como o PDDE. Essa prestação de contas deve ser feita regularmente, por exemplo, em 
assembleias de pais, reuniões com a comunidade escolar ou por meio de relatórios 
financeiros acessíveis a todos. Dessa forma, os envolvidos podem acompanhar como 
o dinheiro está sendo utilizado e se os recursos estão sendo aplicados de maneira 
eficiente e de acordo com as necessidades da escolaControle social
A transparência permite o controle social, ou seja, a comunidade escolar tem o 
direito e a possibilidade de acompanhar e até questionar a utilização dos recursos. 
Isso assegura que a APM atue de maneira ética e responsável, sempre voltada para 
o benefício dos alunos e para o cumprimento dos objetivos educacionais. O controle 
social também contribui para evitar abusos e irregularidades na gestão financeira
Aumento do engajamento
Quando a APM adota uma postura transparente, ela estimula o engajamento da 
comunidade escolar. Os pais e responsáveis, sabendo onde e como os recursos estão 
sendo aplicados, tendem a se sentir mais motivados a participar das atividades da 
escola, a colaborar com novos projetos e a fortalecer a parceria com a gestão escolar. 
Isso cria um ciclo positivo, em que maior participação gera mais recursos e ações 
bem‑sucedidas para a escola
Eficiência na aplicação dos recursos
A transparência também contribui para uma melhor alocação dos recursos, pois ao 
manter uma gestão clara e organizada, a APM pode planejar e aplicar os recursos de 
forma estratégica, atendendo às necessidades prioritárias da escola e dos alunos. Isso 
reduz desperdícios e garante que cada centavo seja utilizado de maneira eficaz, com 
foco no desenvolvimento educacional e na qualidade do ambiente escolar
Fortalecimento da imagem da APM
A transparência ajuda a fortalecer a credibilidade da APM tanto dentro da escola 
quanto na comunidade. Quando pais e responsáveis veem que a APM é responsável 
e honesta na gestão dos recursos, isso fortalece a confiança e a disposição para 
colaborar com a associação, seja por meio de doações, trabalho voluntário ou mesmo 
por participação ativa nas decisões da escola
Os dados que acabamos de expor nos permitem inferir que a transparência na gestão dos recursos 
da APM não é apenas uma exigência ética, mas também uma estratégia importante para manter a 
confiança da comunidade escolar e garantir que os recursos sejam aplicados de maneira a melhorar 
a qualidade do ensino e o bem‑estar dos alunos. Isso influencia diretamente a criação de um ambiente 
escolar saudável, com maior engajamento e participação ativa de todos os envolvidos.
Como resultado, a transparência na gestão da APM é mais do que uma prática de boa governança, 
ela é uma ferramenta poderosa para construir uma escola mais participativa, colaborativa e eficaz. Ao 
garantir que os recursos sejam aplicados de maneira responsável e estratégica, a APM contribui para 
86
Unidade II
o fortalecimento do ambiente escolar, promovendo a qualidade do ensino e o bem‑estar de todos os 
envolvidos no processo educacional. Em última análise, ela desempenha um papel crucial no sucesso da 
escola como um todo.
Exemplos de aplicação
Exemplo 1. Em um pequeno município, um grupo de pais e mães se reuniu para solicitar à escola 
da comunidade o acesso ao seu PPP. Eles queriam entender melhor as diretrizes educacionais e os 
valores transmitidos aos seus filhos. No entanto, quando formalizaram o pedido, a direção da escola 
simplesmente negou o acesso. A resposta gerou descontentamento e desconfiança entre os pais, que 
consideravam o PPP uma peça fundamental para a transparência e a confiança no processo educativo. 
Diante dessa situação, os pais se organizaram para pressionar a escola por mais transparência e maior 
envolvimento da comunidade nas decisões pedagógicas. Eles acreditavam que uma educação de 
qualidade só poderia ser alcançada com a participação ativa de todos.
Algumas hipóteses foram discutidas entre os solicitantes. Analise‑as:
I – O PPP não existe, uma vez que a LDB – Lei n. 9.394/1996 garante às instituições educacionais, 
por meio da gestão democrática, uma maior autonomia decisória, facultando à sua gestão a feição ou 
não do documento.
II – O PPP existe, mas a equipe responsável da escola pode considerar que ele esteja mal elaborado 
e incipiente e optar por não apresentá‑lo a nenhum observador externo.
III – O PPP existe, mas a direção ou coordenação pedagógica da escola pode entender que ele é um 
documento privativo da unidade e que não deve circular.
IV – A existência do PPP é obrigatória, sendo uma condição para que o poder público autorize o 
funcionamento de escolas públicas e privadas a cada ano.
V – O PPP é um documento público e qualquer cidadão ou cidadã pode solicitá‑lo, mesmo que não 
faça parte da comunidade escolar.
Está correto apenas o que se afirma em:
A) V.
B) IV.
C) IV e V.
D) I, II e III.
E) II.
87
GESTÃO DA ESCOLA DE EDUCAÇÃO INFANTIL
Resolução
É correto afirmar que a existência do PPP é obrigatória e constitui uma condição para o 
funcionamento de escolas públicas e privadas, conforme a LDB. Também é fato que o PPP é um 
documento público e qualquer cidadão ou cidadã pode solicita‑lo, mesmo que não faça parte da 
comunidade escolar. De acordo com a Lei de Acesso à Informação (Lei n. 12.527/2011), documentos 
públicos, como o PPP, devem ser acessíveis a qualquer pessoa. Isso assegura a transparência e a 
responsabilidade pública das instituições de ensino. 
Logo, a alternativa C está correta.
Exemplo 2. A rotina das creches e pré‑escolas se constitui de atividades organizadas que, de uma 
maneira ou de outra, lidam com o espaço e o tempo a todo o momento. Desse modo, sobre a organização 
dos tempos, dos espaços e dos materiais na Educação Infantil, assinale a alternativa correta:
A) Organizar o cotidiano das crianças da Educação Infantil pressupõe pensar que o estabelecimento 
de uma sequência básica de atividades diárias é, antes de mais nada, o resultado da leitura que se 
faz das crianças de forma individual, a partir, principalmente, de suas necessidades.
B) Na organização do cotidiano das crianças da Educação Infantil, é importante que o professor 
observe apenas em que espaços as crianças preferem ficar, o que lhes chama mais atenção e em 
que momentos do dia estão mais tranquilas ou mais agitadas.
C) No que se refere à organização das atividades no tempo, nas escolas de Educação Infantil, 
são necessários momentos diferenciados, organizados conforme as necessidades biológicas, 
psicológicas, sociais e históricas das crianças.
D) A organização do tempo nas creches e pré‑escolas deve considerar as necessidades relacionadas 
exclusivamente a repouso, alimentação e higiene de cada criança, sem levar em conta sua faixa 
etária, suas características pessoais, sua cultura e o estilo de vida que traz de casa para a escola.
E) Na organização da vida diária nas escolas de Educação Infantil, o professor deve priorizar práticas 
de cuidado e educação como forma de promover o desenvolvimento infantil.
Resolução
É correto dizer que na organização das atividades no tempo, nas escolas de Educação Infantil, são 
necessários momentos diferenciados, organizados conforme as necessidades biológicas, psicológicas, 
sociais e históricas das crianças. Cada criança tem um ritmo e uma necessidade de desenvolvimento 
distintos, o que exige que o educador planeje atividades que atendam às diversas facetas do seu 
crescimento. 
Logo, a alternativa C está correta.
88
Unidade II
 Resumo
Nesta unidade, estudamos as relações entre gestão e cotidiano 
da escola de Educação Infantil, com ênfase nos fundamentos de 
gestão, planejamento  e organização. Trata‑se de temas que pautam 
a prática pedagógica e  administrativa nas instituições de Educação 
Infantil, promovendo um ambiente estruturado e acolhedor para o 
desenvolvimento das crianças.
Nesse sentido, discorremos a respeito da relação entre gestão e 
cotidiano da escola, que é essencial para garantir que o espaço educativo 
seja planejado de forma eficaz, considerando as necessidades de aprendizado, 
as especificidades de cada criança e as condições estruturais da instituição.
Isto posto, a gestão escolar na Educação Infantil não se limita à 
administração, mas envolve também o planejamento pedagógico, 
a organização do ambiente escolar e a valorização das práticas de 
cuidado e educação.trabalho escolar na pré‑escola; ao compartilhamento da educação; ao cuidado das crianças (tensões e 
possibilidades); e à gestão escolar e sua relação com as famílias.
Por fim, na unidade III, estudaremos práticas exitosas de gestão escolar na Educação Infantil, com 
enfoque no PPP para uma educação de qualidade. Abordaremos a garantia do desenvolvimento integral, 
a inclusão de crianças com necessidades educacionais especiais (NEE) e as relações étnico‑raciais e de 
gênero na infância.
Os conteúdos deste livro‑texto são de extrema importância para você, aluno e futuro profissional da 
Educação Básica, uma vez que contemplam questões essenciais sobre a gestão da escola de Educação 
11
Infantil. Esses conteúdos foram cuidadosamente elaborados para proporcionar uma compreensão 
aprofundada dos desafios e das responsabilidades que envolvem esse tipo de gestão, de modo a 
prepará‑lo para atuar com competência e comprometimento na formação das novas gerações.
Ao longo deste material, exploramos aspectos teóricos, normativos e legais que visam fortalecer 
sua base de conhecimentos e oferecer subsídios para enfrentar as demandas cotidianas da profissão de 
gestor, as quais não se resumem apenas à gestão. Com isso, esperamos contribuir para sua formação 
integral, capacitando‑o a se tornar um pedagogo reflexivo, crítico e inovador, capaz de promover uma 
educação de qualidade e inclusiva.
Bom estudo!
13
GESTÃO DA ESCOLA DE EDUCAÇÃO INFANTIL
Unidade I
1 EDUCAÇÃO INFANTIL E OS DIREITOS FUNDAMENTAIS DAS CRIANÇAS
Educação Infantil no Brasil é um direito fundamental garantido pela Constituição Federal de 
1988, e seu desenvolvimento tem sido acompanhado por políticas públicas que buscam expandir o 
acesso e melhorar a qualidade desse nível de ensino. No entanto, a realidade da Educação Infantil ainda 
enfrenta desafios em termos de acesso, qualidade e gestão. Para compreender a gestão escolar, nesse 
contexto, é essencial analisar o cenário atual da Educação Infantil no Brasil, os avanços conquistados, 
as dificuldades persistentes e as perspectivas de melhoria.
Para começar a nossa conversa, é importante mencionar que a Educação Infantil no Brasil ocupa 
um papel central no desenvolvimento social, cognitivo e afetivo das crianças. A partir dessa perspectiva, 
a Educação Infantil tem como objetivo garantir a formação integral da criança, por meio de ações 
pedagógicas que favoreçam o seu desenvolvimento nas dimensões cognitiva, emocional, social e física. 
Isso está intimamente ligado ao cumprimento dos direitos fundamentais das crianças, que são essenciais 
para garantir um futuro mais justo, equitativo e inclusivo.
A trajetória da Educação Infantil no Brasil reflete uma transformação significativa nas concepções 
sobre o papel das instituições de ensino voltadas para a primeira infância, desde um espaço voltado para o 
atendimento assistencialista até a concepção atual de um direito da criança, que visa um desenvolvimento 
integral. Esse percurso histórico está intimamente ligado ao contexto social, econômico e político do 
país, especialmente em relação ao papel da mulher no mercado de trabalho e às necessidades sociais 
da infância.
Figura 1 – Educar, brincar e cuidar na Educação Infantil
Disponível em: https://tinyurl.com/yzhk9bns. Acesso em: 20 mar. 2025.
14
Unidade I
A transformação mais significativa na história da Educação Infantil no Brasil ocorreu com a 
Constituição de 1988, que passou a reconhecer essa modalidade de ensino como direito da criança, 
e não apenas uma necessidade da mulher trabalhadora. Esse marco legal é um ponto de inflexão que 
chancela a Educação Infantil como parte da Educação Básica e a considera um direito da criança.
De acordo com Silva (2020), a Constituição Federal de 1988 foi um marco fundamental para a 
Educação Infantil no Brasil, ao garantir que essa etapa fosse reconhecida como parte integrante 
da Educação Básica, estabelecendo‑a como um direito da criança e um dever do Estado e da família. 
Sob essa perceptiva Silva (2020, p. 29) ainda reforça e nos alerta que questões relacionadas ao processo 
histórico fazem parte dessa garantia:
Muitas vezes se menciona a Constituição Federal de 1988 e a LDB (1996) 
como marcos da Educação Infantil. Porém, nem sempre se lembra de 
fatos e acontecimentos anteriores, cujos desdobramentos repercutem na 
atualidade. O reconhecimento oficial da Educação Infantil como direito da 
criança pequena é fruto de um longo processo histórico, que só foi assumido 
pelo Estado, efetivamente, ao ser mencionada na Lei máxima do país.
Antes de 1988, a Educação Infantil era predominantemente vista como um serviço assistencialista 
voltado para atender às demandas das mulheres trabalhadoras, com foco no cuidado, e não na educação 
em si. Com a Constituição houve uma mudança de paradigma ao enfatizar que a Educação Infantil deve 
promover o desenvolvimento integral da criança, em seus aspectos físico, psicológico, intelectual e social.
Além disso, esse reconhecimento pavimentou o caminho para legislações complementares, como a 
LDB ou LDBEN de 1996, que regulamentou a Educação Infantil como a primeira etapa da Educação 
Básica, destinada a crianças de 0 a 5 anos, e estabeleceu princípios pedagógicos voltados para o pleno 
desenvolvimento infantil, e também para o Estatuto da Criança e do Adolescente (Lei n. 8.069, de 13 
de julho de 1990), Diretrizes Curriculares Nacionais da Educação Infantil  (2010), Plano Nacional de 
Educação (Lei n. 13.005, de 25 de junho de 2014), BNCC (2018), entre outros.
Essa transformação consolidou a visão de que a Educação Infantil é essencial para a formação 
integral da criança e deve ser garantida como um direito universal, independentemente de gênero, 
classe social ou contexto familiar.
Com o reconhecimento da criança como cidadã de fato e de direito, o Estado assumiu a 
responsabilidade de oferecer uma educação pública e de qualidade que respeite sua condição de sujeito 
sócio‑histórico e cultural. Isso significa que a criança passa a ser vista em sua integralidade, demandando 
práticas pedagógicas que contemplem todas as dimensões de seu desenvolvimento: físico, emocional, 
social e cognitivo.
15
GESTÃO DA ESCOLA DE EDUCAÇÃO INFANTIL
A ruptura com os modelos sanitarista e assistencialista, predominantes antes de 1988, foi essencial 
para que a Educação Infantil se distanciasse de abordagens que limitavam a escola à função de cuidado 
básico e vigilância. Logo, passa a haver um entendimento de que essa etapa deve ser orientada por 
práticas político‑pedagógicas comprometidas com o desenvolvimento integral da criança.
Para esse desenvolvimento, a Educação Infantil deve ser entendida como um direito que abrange 
não apenas o acesso, mas também a permanência em condições adequadas, garantindo o que se lê no 
quadro a seguir.
Quadro 1 – Garantia de direitos e ações na Educação Infantil
Direitos Ações
Ambiente seguro e acolhedor Espaços que promovam o bem‑estar físico e emocional da criança
Brincadeiras e interações Reconhecendo o brincar como um direito central da infância e um elemento 
essencial no processo de aprendizagem
Pluralidade cultural Respeitando as diferenças culturais, sociais e linguísticas das crianças e 
suas famílias
Políticas públicas e universalização
O Plano Nacional de Educação (PNE) e políticas locais reforçam a 
universalização da pré‑escola (4 e 5 anos) e a ampliação do atendimento 
em creches (0 a 3 anos). Tais políticas visam reduzir desigualdades e garantir 
igualdade de oportunidades para todas as crianças
Educação como transformação social
Ao garantir a Educação Infantil como direito fundamental, o Estado reconhece 
seu papel na promoção da equidade social, no fortalecimento das bases 
para o aprendizado ao longo da vida e na formação de cidadãos conscientes 
e participativos. Essa abordagem integrada faz da Educação Infantil uma 
ferramenta essencial para o desenvolvimento humano, para a redução de 
desigualdades e para a construção de uma sociedadeEsses elementos são interdependentes, pois uma 
gestão eficaz contribui diretamente para a qualidade das práticas 
educativas, o desenvolvimento integral das crianças e o engajamento da 
comunidade escolar.
Nesse contexto, abordamos aspectos que envolvem o PPP em 
instituições de Educação Infantil. O PPP é um documento essencial para 
a definição da identidade da escola e o direcionamento das suas práticas 
pedagógicas, organizando o trabalho educacional de maneira alinhada 
com as necessidades da comunidade escolar, os direitos das crianças e as 
diretrizes da educação brasileira.
O PPP é mais do que um documento formal: ele reflete a visão 
educacional da instituição, os valores que a norteiam e as estratégias 
pedagógicas adotadas para promover o desenvolvimento integral das 
crianças. Além disso, o PPP deve ser elaborado de forma coletiva, envolvendo 
toda a comunidade escolar – professores, gestores, pais e até as próprias 
crianças, quando possível – para que seja um reflexo real das necessidades 
e das expectativas de todos.
Ainda nesta unidade, acentuamos o planejamento e a organização 
do trabalho escolar na creche, que são essenciais para a criação de um 
ambiente educativo eficaz e acolhedor para as crianças. O planejamento 
na creche é um processo contínuo e reflexivo que visa garantir que as 
atividades e as práticas pedagógicas sejam adequadas às necessidades de 
89
GESTÃO DA ESCOLA DE EDUCAÇÃO INFANTIL
desenvolvimento das crianças de 0 a 5 anos, promovendo seu crescimento 
cognitivo, emocional, social e físico de maneira integrada.
No âmbito do planejamento e da organização do trabalho escolar, 
abordamos diversos tópicos essenciais para o trabalho na pré‑escola, que 
são fundamentais para a construção de um ambiente educativo 
que  favoreça o desenvolvimento integral das crianças, respeitando suas 
necessidades, seus interesses e suas potencialidades. A pré‑escola é uma 
etapa crucial na Educação Infantil, pois prepara as crianças para os desafios 
do Ensino Fundamental e para o convívio social, desenvolvendo habilidades 
cognitivas, emocionais, sociais e motoras.
Também exploramos o tema do compartilhamento da educação e do 
cuidado das crianças, destacando as tensões e as possibilidades que surgem 
nesse processo, especialmente na Educação Infantil. Esse tema é central, 
pois envolve a integração de práticas pedagógicas com práticas de cuidado, 
algo fundamental para o desenvolvimento infantil.
Assim, conhecer as relações entre gestão e cotidiano da escola de 
Educação Infantil é de extrema relevância para um pedagogo, pois permite 
que ele compreenda e atue de maneira eficaz no processo educativo, 
considerando a dinâmica da gestão escolar e suas implicações diretas na 
rotina das crianças e no desenvolvimento do ambiente escolar.
90
Unidade II
 Exercícios
Questão 1. Vimos, no livro‑texto, que os Projetos Político‑Pedagógicos (PPP) em instituições de 
Educação Infantil desempenham papel fundamental na definição das diretrizes e das práticas pedagógicas 
de uma escola, sendo um instrumento de gestão que orienta tanto os aspectos educacionais quanto 
os administrativos de uma instituição de ensino. No contexto da Educação Infantil, o PPP é ainda mais 
relevante, pois ele busca garantir que as práticas pedagógicas atendam às necessidades específicas 
das crianças, respeitando o desenvolvimento integral delas e levando em conta aspectos cognitivos, 
emocionais, sociais e físicos.
Considerando os objetivos do PPP nas perspectivas na Educação Infantil, avalie os itens a seguir:
I – Garantir o desenvolvimento integral da criança.
II – Apoiar a formação dos profissionais de educação.
III – Promover a educação inclusiva.
IV – Arrefecer a relação entre escola e família.
São objetivos do PPP nas perspectivas na Educação Infantil os colocados em:
A) I e II, apenas.
B) II e IV, apenas.
C) I, II e III, apenas.
D) I, II e IV, apenas.
E) I, II, III e IV.
Resposta correta: alternativa C.
91
GESTÃO DA ESCOLA DE EDUCAÇÃO INFANTIL
Análise da questão
Entre os objetivos do PPP nas perspectivas na Educação Infantil, temos os que seguem:
• Garantir o desenvolvimento integral da criança: o PPP deve orientar ações que envolvam 
os aspectos cognitivos, emocionais, sociais e físicos do desenvolvimento infantil, respeitando as 
particularidades e as fases de crescimento das crianças.
• Apoiar a formação dos profissionais de educação: o PPP deve refletir a formação continuada dos 
educadores, promovendo práticas pedagógicas atualizadas e compatíveis com as necessidades do 
contexto educacional.
• Promover a educação inclusiva: o PPP deve garantir que todas as crianças, independentemente 
das suas condições sociais, econômicas ou de aprendizagem, tenham acesso à educação de 
qualidade, respeitando a diversidade e promovendo a equidade.
• Fortalecer a relação entre escola e família: o PPP deve ser uma ferramenta para estreitar 
a comunicação entre escola e comunidade, criando canais de participação das famílias no 
processo educativo.
Questão 2. Vimos, no livro‑texto, que o planejamento na pré‑escola deve ser elaborado visando 
promover o desenvolvimento integral das crianças, proporcionando experiências de aprendizagem que 
contemplem diferentes dimensões do crescimento infantil.
Considerando os objetivos do planejamento na pré‑escola, avalie os itens a seguir:
I – Restringir a autonomia e a criatividade.
II – Desenvolver habilidades cognitivas.
III – Estimular as interações sociais.
IV – Fortalecer a relação afetiva.
São objetivos do planejamento na pré‑escola os colocados em:
A) I e II, apenas.
B) II e IV, apenas.
C) I, II e III, apenas.
D) II, III e IV, apenas.
E) I, II, III e IV.
Resposta correta: alternativa D.
92
Unidade II
Análise da questão
Entre os objetivos do planejamento na pré‑escola, temos os que seguem:
• Fomentar a autonomia e a criatividade: as atividades planejadas devem possibilitar que as 
crianças se tornem protagonistas do seu aprendizado e promover a curiosidade e a experimentação.
• Desenvolver habilidades cognitivas: as atividades planejadas devem proporcionar um ambiente 
em que as crianças possam explorar conceitos básicos de matemática, linguagem e ciências, 
sempre de maneira lúdica e contextualizada.
• Estimular as interações sociais: as atividades planejadas devem incentivar a convivência com 
os colegas e com os adultos da escola, para que as crianças aprendam a lidar com as emoções, o 
respeito, a colaboração e o trabalho em equipe.
• Fortalecer a relação afetiva: as atividades planejadas devem criar um espaço em que as crianças 
se sintam seguras e acolhidas, favorecendo o desenvolvimento emocional e social.
93
GESTÃO DA ESCOLA DE EDUCAÇÃO INFANTIL
Unidade III
7 PROJETO POLÍTICO‑PEDAGÓGICO PARA UMA EDUCAÇÃO DE QUALIDADE: 
GARANTIA DO DESENVOLVIMENTO INTEGRAL
Figura 8 – Práticas exitosas: gestão eficiente
Disponível em: https://tinyurl.com/3vunn62e. Acesso em: 20 mar. 2025.
A gestão escolar eminente na Educação Infantil é essencial para garantir um ambiente de 
aprendizagem seguro, acolhedor e eficaz para as crianças. De acordo com Borges (2015), as práticas 
exitosas de gestão escolar nesse nível de ensino envolvem a construção de uma estrutura sólida que 
favoreça o desenvolvimento integral dos alunos, o envolvimento da família e a melhoria contínua do 
processo pedagógico.
Para tanto, muitas ações e práticas são necessárias, as quais destacamos como exitosas, como 
planejamento participativo, ajustes constantes nos planejamentos, formação continuada de professores, 
troca de experiências e vivências, foco na individualidade das crianças, monitoramento contínuo do 
desenvolvimento, gestão da infraestrutura de recursos, integração família e escola, avaliação diagnóstica, 
formativa e contínua do processo de ensino aprendizagem, ações para inclusão, promoção do brincar 
e do desenvolvimento socioemocional, parcerias com a comunidade, gestão democrática e  um 
consistente PPP.
94
Unidade III
Essas práticas,conforme Borges (2015), tendem a contribuir para uma gestão escolar eficaz, que 
assegura um ambiente educativo rico, acessível e estimulante para as crianças da Educação Infantil. Ao 
adotar tais estratégias, as escolas podem proporcionar experiências de aprendizagem significativas, que 
favoreçam o desenvolvimento pleno dos alunos e sua preparação para os desafios futuros.
Isto posto, vê‑se que práticas exitosas de gestão escolar na Educação Infantil envolvem uma 
combinação de gestão democrática, planejamento colaborativo, atendimento à diversidade e valorização 
do ambiente escolar, sempre com o foco no desenvolvimento integral da criança. Uma gestão eficiente 
e comprometida com esses princípios garante que a Educação Infantil seja um espaço de aprendizado 
significativo, de socialização saudável e de construção de bases sólidas para o desenvolvimento 
futuro dos alunos.
Em relação às unidades escolares, a LDB (Brasil, 1996, p. 6), no artigo 15, explicita que “[...] os 
sistemas de ensino assegurarão às unidades escolares públicas de Educação Básica que os integram 
progressivos graus de autonomia pedagógica e administrativa e de gestão financeira, observadas as 
normas gerais de direito financeiro público”.
Nesse contexto, ficam concedidas à escola possibilidades de produção de ambientes pautados por 
princípios autônomos, os quais envolvem fatores pedagógicos, administrativos e de gestão financeira. 
Isto posto, permitiu‑se à instituição escolar criar seus planos de trabalho, definir seus objetivos e 
planejar suas atividades de modo a responder às expectativas da comunidade local, em atendimento 
às suas demandas e às suas necessidades. Isso de modo democrático e participativo, conforme prevê 
a LDB (1996).
Desta feita, todas as ações propostas para a construção da realidade que se deseja alcançar devem 
ser discutidas, planejadas e consolidadas em documentos que evidenciem essas ações, referência 
aqui para o PPP.
Compreensivelmente, o PPP ou qualquer uma das expressões equivalentes mencionadas  como 
Proposta Pedagógica ou Projeto Pedagógico Curricular, na concepção de Veiga (2015), tem como principal 
função orientar e direcionar as ações pedagógicas de uma instituição de ensino, refletindo sobre as 
práticas educacionais e visando à formação integral do educando, com foco no exercício da cidadania e 
na consciência crítica. Esse documento é fundamental para a qualidade da educação, pois estabelece as 
diretrizes que nortearão todas as ações da escola no processo de ensino‑aprendizagem.
Libâneo (2004) define o PPP como importante e necessário para a escola. Afirma, ainda, que se trata 
de um documento orientador e estratégico para o processo educativo dentro da instituição. Para ele, o 
PPP não é apenas um plano formal, mas um reflexo da cultura da escola, que envolve a identidade, os 
valores e os princípios que orientam o trabalho educacional.
Essa visão sublinha a ideia de que o PPP é mais do que uma descrição de objetivos e ações, esse 
documento é um instrumento de reflexão sobre o processo pedagógico e deve ser construído de maneira 
coletiva, com a participação de diversos atores da comunidade escolar.
95
GESTÃO DA ESCOLA DE EDUCAÇÃO INFANTIL
Veiga (2015, p. 22) comunga das mesmas concepções e complementa, afirmando que:
[...] todo projeto pedagógico da escola é, também, um projeto político 
por estar intimamente articulado ao compromisso sócio‑político com os 
interesses reais e coletivos da população majoritária. É político no sentido 
de compromisso com a formação do cidadão para um tipo de sociedade [...]. 
Pedagógico, no sentido de definir as ações educativas e as características 
necessárias às escolas de cumprirem seus propósitos e sua intencionalidade.
É mister destacar que a LDB (1996), em seu artigo 12 – I, assegura à escola a autoridade pela produção 
e execução de sua proposta pedagógica, bem como aos docentes participarem da sua construção, 
conforme artigo 13 – I, como evidenciamos a seguir:
Artigo 12 – Os estabelecimentos de ensino, respeitadas as normas comuns e 
as do seu sistema de ensino terão a incumbência de: I – Elaborar e executar 
sua proposta pedagógica.
Artigo 13 – Os docentes incumbir‑se‑ão de: I – Participar da elaboração da 
proposta pedagógica do estabelecimento de ensino (Brasil, 1996, p. 5).
Na esteira de legislações e normativas, é importante mencionar o PNE (Decênio 2014‑2024), que, 
por meio da Lei n. 13.005/2014, define também como uma de suas diretrizes a “promoção do princípio 
da gestão democrática da educação pública” (Art. 2 – VI, p. 32). Por conseguinte, todos os sistemas de 
ensino necessitaram se reorganizar, em adequação à legislação vigente, de modo a promover um novo 
modelo educativo que responda as demandas sociais, impactadas e influenciadas pelo desenvolvimento 
científico e tecnológico.
Consequentemente, o PPP deve refletir não apenas as estratégias e os objetivos educacionais, mas 
também as marcas das intenções e valores dos diferentes atores da comunidade escolar e da sociedade 
de forma geral. Assim, vê‑se que o PPP não é apenas um documento técnico, mas uma expressão do 
compromisso ético e pedagógico da escola, sendo um reflexo das visões de mundo, das expectativas e 
dos desejos de seus integrantes, como gestores, educadores, familiares e alunos.
Em outras palavras, o PPP deve ser construído com a participação ativa e o envolvimento de todos os 
segmentos da comunidade escolar, assegurando que seja plural, democrático e sensível às necessidades 
e realidades de cada contexto.
Segundo Veiga (2015), o PPP ressalta a sua importância como um instrumento de orientação 
estratégica para as escolas, pois ao ser construído ele precisa ser focado nas intenções e nos objetivos 
futuros da instituição. Para a autora, o PPP não é apenas um documento que descreve o estado atual 
da escola, mas sim um plano de ação que projeta para o futuro, orientando as decisões pedagógicas e 
administrativas para alcançar um modelo de educação cada vez melhor e de qualidade.
96
Unidade III
Sob essas perspectivas, nota‑se que o PPP assume um papel fundamental, pois é o documento que 
orienta as ações da escola para a promoção de uma educação de qualidade, inclusiva e transformadora. 
O PPP, portanto, deve ser elaborado com foco na integração dos saberes e na formação integral dos 
alunos, para garantir que sua aprendizagem vá além da sala de aula, abordando as múltiplas dimensões 
do desenvolvimento humano.
No que concerne à elaboração de um PPP para uma educação de qualidade, Silva (2020) destaca que 
sua produção é um processo fundamental para garantir que a instituição escolar atenda de maneira 
eficiente às necessidades educacionais da comunidade, respeitando a diversidade e promovendo o 
desenvolvimento integral dos alunos. Diante disso, o PPP se apresenta como um documento coletivo 
que orienta todas as ações pedagógicas e administrativas da escola, sendo uma ferramenta estratégica 
para a construção de um ensino de qualidade.
No bojo de sua estrutura, muitos elementos devem ser considerados, isso em prol de uma educação 
eficaz e eficiente, consequentemente, de qualidade. Entre esses elementos, ressaltamos a garantia da 
identidade da escola, o que estabelece os princípios, valores e as diretrizes que definem a proposta 
pedagógica da instituição, considerando sua missão, visão e os objetivos educacionais. Essa identidade 
deve refletir sobre as características culturais, sociais e econômicas da comunidade escolar, além de 
orientar as práticas pedagógicas e administrativas, promovendo uma atuação coerente e consistente.
Outro elemento muito necessário se refere à contextualização da realidade escolar, a qual implica o 
diagnóstico da comunidade escolar, ou seja, a análise do perfil dos alunos, das condições socioeconômicas 
da comunidade, dos recursos disponíveis, das características culturais e da infraestrutura da escola. 
Nesse elemento também devem ser considerados dados inerentes aos desafios e potencialidades,como a 
identificação de dificuldades enfrentadas pela escola (por exemplo, desigualdade de acesso à educação), 
e ainda os pontos fortes, como o engajamento da comunidade ou iniciativas pedagógicas inovadoras.
Princípios e valores, segundo Veiga (2015), também são elementos significativos, pois expressam 
compromisso com a educação, em especial as práticas de inclusão, as quais versam sobre a promoção de 
uma educação que valorize a diversidade e seja acessível a todos os alunos, independentemente de sua 
origem, condição social, gênero, etnia ou necessidades especiais. Eles também envolvem eixos temáticos 
tocantes à ética e à cidadania, uma vez que a educação deve preparar os alunos não só para o mercado 
de trabalho, mas também para serem cidadãos críticos, éticos e engajados na sociedade. Referem‑se, 
ainda, à qualidade no ensino no sentido de estimular o pensamento crítico, a autonomia e a criatividade 
dos alunos, com metodologias ativas e avaliações formativas.
No que tange aos objetivos do PPP, estes devem estabelecer as finalidades da educação oferecida pela 
escola, como formar cidadãos plenos, críticos e participativos, de modo a promover o desenvolvimento 
integral dos alunos. Destarte, é imperativo detalhar metas pedagógicas para cada etapa da educação 
(Educação Infantil, Ensino Fundamental e Ensino Médio), considerando as competências e habilidades a 
serem desenvolvidas em cada etapa.
97
GESTÃO DA ESCOLA DE EDUCAÇÃO INFANTIL
Segundo Borges (2015), no PPP de uma escola, deve estar claramente definida a proposta pedagógica, 
que é um dos elementos centrais do documento. Essa proposta estabelece as diretrizes, os objetivos e os 
princípios que nortearão as práticas de ensino e aprendizagem na instituição, alinhando‑as com a visão 
e os valores da escola. Ela é essencial para garantir que a educação oferecida seja coerente, inclusiva e 
de qualidade, atendendo às necessidades dos alunos e à realidade da comunidade escolar.
A proposta pedagógica no PPP deve contemplar os seguintes aspectos: objetivos e finalidades da 
educação, princípios e valores pedagógicos, currículo e conteúdo, metodologia de ensino, avaliação e 
acompanhamento, formação e desenvolvimento de educadores, organização do tempo e do espaço 
escolar, inclusão e diversidade, projetos e atividades complementares e apoio e orientação pedagógica.
No que diz respeito aos objetivos e finalidades da educação, deve‑se ter a ideia de que a proposta 
pedagógica precisa definir quais são os objetivos da escola para a formação dos alunos. Esses objetivos 
devem estar alinhados com as diretrizes do sistema educacional e com as necessidades e características 
dos estudantes. Devem estabelecer, ainda, as finalidades da educação – dito de outra forma, estabelecer 
qual é o perfil de aluno que a escola deseja formar: cidadãos críticos, autônomos, solidários e preparados 
para enfrentar os desafios do mundo contemporâneo.
A proposta pedagógica deve fixar princípios e valores pedagógicos que estimulem o desenvolvimento 
integral do aluno. Dessa maneira, deve eleger os princípios que guiarão as práticas educativas da escola, 
como inclusão, democracia, respeito à diversidade, valorização do aprendizado significativo e formação 
integral do aluno. Quanto aos valores, estes estão atrelados a ética, solidariedade, justiça social, direitos 
humanos e respeito às diferenças, devendo ser enfatizados, considerando a realidade sociocultural da 
comunidade escolar.
No âmbito do currículo e conteúdos, a proposta pedagógica deve detalhar como o currículo será 
desenvolvido na escola, considerando a flexibilidade para atender às necessidades dos alunos e a 
integração entre as disciplinas. Além disso, o currículo deve ser construído com base em competências e 
habilidades a serem desenvolvidas ao longo da escolaridade, promovendo o aprendizado ativo e crítico. 
Integração de conceitos como a interdisciplinaridade e a flexibilidade curricular devem ser um foco 
importante para o desenvolvimento de um currículo que contemple as diferentes formas de aprender.
As escolhas das metodologias de ensino devem ser claras na proposta pedagógica, indicando se a 
escola adota, por exemplo, metodologias ativas (como aprendizagem baseada em projetos, ensino por 
investigação, sala de aula invertida) ou outras abordagens inovadoras que favoreçam a participação 
ativa dos alunos. Chamamos a atenção para o fato de que é importante que a metodologia seja adaptada 
à realidade dos estudantes e ao contexto educacional da escola.
Outros pontos não menos importantes são a avaliação e o acompanhamento. A proposta pedagógica 
deve especificar como será realizada a avaliação do aprendizado dos alunos. A avaliação deve ser 
contínua, processual, e não apenas sumativa, com o objetivo de acompanhar o desenvolvimento do 
aluno ao longo do tempo. Assim, devem ser indicadas as formas de feedback e acompanhamento 
das dificuldades e progressos dos alunos, e é importante incluir os próprios alunos e suas famílias 
nesse processo.
98
Unidade III
A proposta pedagógica deve incluir estratégias de formação continuada para os professores e demais 
profissionais da educação, visando à atualização constante de suas práticas pedagógicas. No mais, 
deve enfatizar a importância do trabalho coletivo entre os educadores para promover uma educação 
integrada e colaborativa.
A organização do tempo e do espaço escolar é outro fator que deve estar bem explicitado na 
proposta. É importante definir como será organizada a jornada escolar e os espaços de aprendizagem. 
A proposta pedagógica deve indicar como os espaços da escola serão utilizados para criar um ambiente 
de aprendizagem dinâmico e estimulante. Podem‑se incluir, também, ações pedagógicas fora da sala 
de aula, como atividades extracurriculares, oficinas, projetos comunitários e eventos culturais, que 
contribuem para a formação integral do aluno.
A proposta pedagógica deve ter como um de seus pilares a promoção da inclusão e o atendimento 
às diversidades de aprendizagem. Isso envolve garantir que alunos com necessidades especiais, alunos 
de diferentes culturas e com diferentes realidades sociais tenham acesso igualitário ao aprendizado e ao 
desenvolvimento. Nesse contexto, deve ser destacado também como a escola promoverá a diversidade 
étnico‑racial, o respeito à identidade de gênero e outras questões relacionadas à formação de cidadãos 
conscientes e inclusivos.
A proposta pedagógica pode incluir sugestões para projetos interdisciplinares, ações comunitárias, 
atividades culturais e esportivas, entre outras, que contribuem para o desenvolvimento de outras 
dimensões do aluno além do conhecimento acadêmico. O envolvimento da escola com a comunidade 
local também pode ser um componente importante da proposta pedagógica, com a criação de parcerias 
e intercâmbios que enriquecem a aprendizagem.
Por fim, o apoio e a orientação pedagógica também são fatores necessários na proposta, a qual 
deve estabelecer como será organizado o apoio pedagógico aos alunos, incluindo serviços de orientação 
educacional, apoio psicológico e acompanhamento pedagógico, para garantir que todos os alunos 
recebam o suporte necessário para seu aprendizado e desenvolvimento emocional.
A proposta pedagógica é, portanto, uma parte fundamental do PPP de uma escola. Ela define 
a identidade educacional da instituição, orienta as práticas pedagógicas e garante que a educação 
oferecida seja de qualidade, inclusiva, significativa e capaz de preparar os alunos para os desafios do 
futuro. Essa proposta deve ser construída de forma colaborativa, envolvendo toda a comunidade escolar, 
e deve ser constantemente avaliada e ajustada conforme as necessidades e os desafios que surgem ao 
longo do tempo.
99
GESTÃO DA ESCOLA DE EDUCAÇÃO INFANTIL
 Observação
O PPP na Educação Infantil desempenha um papel fundamental 
no processo educacional, pois orienta a prática pedagógica, estabelece 
diretrizes para a organização do currículo e reflete os princípiose 
valores que  norteiam a escola. Sua importância pode ser destacada em 
vários aspectos, entre eles a orientação e o planejamento educacional, a 
construção de identidade e cultura escolar, o desenvolvimento de práticas 
pedagógicas consistentes, a promoção da inclusão, a participação da 
comunidade escolar, o acompanhamento e a avaliação.
7.1 Inclusão de crianças com necessidades educacionais especiais (NEE)
O direito à educação de qualidade para todos os cidadãos, incluindo aqueles com NEE, é garantido 
pela Constituição Brasileira. Esse direito está expressamente previsto na Constituição Federal de 1988, 
no artigo 205, que estabelece que a educação deve ser “direito de todos e dever do Estado e da família” e 
deve visar ao pleno desenvolvimento da pessoa, ao preparo para o exercício da cidadania e à qualificação 
para o trabalho.
Foi por meio da luta de movimentos sociais, educacionais e dos próprios familiares das crianças com 
necessidades que o Brasil começou a garantir os direitos dessas crianças e a transformar sua educação 
em um processo inclusivo. A legislação e os documentos internacionais e nacionais desempenharam um 
papel crucial nesse avanço. Para tanto, foram produzidos vários documentos reafirmando os direitos 
humanos da pessoa com deficiência, a saber, a Declaração da Salamanca (1994); a LDB (Lei n. 9.394/96); 
a Política Nacional de Educação Especial na Perspectiva da Educação Inclusiva (2008), entre outros 
documentos importantes que trouxeram grande auxílio para a inclusão dessas crianças.
Portanto, com base nesses documentos, percebe‑se que o sistema educacional brasileiro tem 
permitido e dado melhores assistências aos estudantes com NEE, isso com o propósito de contribuir com 
o seu desenvolvimento e concedendo a eles a possibilidade de uma educação de qualidade por meio de 
acesso, permanência e formação.
Com base nos documentos e políticas mencionadas, o sistema educacional brasileiro tem avançado 
significativamente na garantia de direitos e na promoção de condições de inclusão para estudantes 
com NEE. O objetivo central dessas políticas é proporcionar a essas crianças e adolescentes uma 
educação de qualidade, assegurando seu acesso à educação, sua permanência no ambiente escolar e 
seu desenvolvimento pleno dentro das escolas.
A valorização das diferenças no contexto educacional é um princípio essencial da educação inclusiva, 
que deve ser promovido em todos os níveis de ensino, desde a Educação Infantil até o Ensino Superior. 
Esse processo não envolve apenas a presença de alunos com NEE nas salas de aula, mas também a criação 
100
Unidade III
de condições pedagógicas que favoreçam o aprendizado e o desenvolvimento de todos, respeitando as 
diferentes formas de aprender.
As políticas educacionais brasileiras, amparadas pela Declaração de Salamanca, pela LDB, pela 
Política Nacional de Educação Especial e pela Lei Brasileira de Inclusão (Lei n. 13.146/2015), garantem 
que crianças com NEE tenham o direito de acesso à educação nas mesmas escolas que as demais 
crianças, com os suportes necessários para a superação das barreiras que possam surgir devido às suas 
necessidades específicas.
Isso implica a oferta de recursos adaptados, como materiais didáticos acessíveis, tecnologias 
assistivas, atendimento especializado e apoio pedagógico contínuo, tudo com o objetivo de facilitar a 
aprendizagem desses alunos e garantir que eles possam ter as mesmas oportunidades de sucesso que 
seus colegas.
Assim, a permanência desses alunos no ambiente escolar é igualmente um objetivo prioritário. Para 
isso, a legislação tem incentivado a criação de estruturas de apoio, como salas de recursos, onde os 
alunos com NEE podem receber assistência especializada sem que isso implique a separação deles do 
contexto da sala regular. Além disso, a formação continuada de professores e a sensibilização de toda a 
comunidade escolar para as necessidades desses alunos são fundamentais para garantir um ambiente 
acolhedor e favorável ao seu desenvolvimento.
A adaptação de currículos e a implementação de metodologias pedagógicas inclusivas, como o 
ensino colaborativo, individualizado ou baseado em projetos, são práticas que buscam garantir que os 
alunos com NEE se sintam parte do ambiente escolar, contribuindo para sua permanência no processo 
educacional e para sua integração social.
Destarte, de acordo com Borges (2015), a formação desses alunos se refere ao desenvolvimento 
de suas habilidades cognitivas, sociais, emocionais e físicas, com o objetivo de prepará‑los para uma 
participação plena na sociedade. Ao garantir o direito à educação para todos, o sistema educacional 
busca promover o desenvolvimento integral desses alunos, possibilitando o aprendizado de conteúdos 
acadêmicos e habilidades essenciais para a cidadania e a independência.
A inclusão educacional também se reflete na promoção de valores sociais e emocionais, como a 
empatia, o respeito às diferenças e a cooperação, essenciais para a construção de um ambiente escolar 
verdadeiramente inclusivo. Isso contribui não só para o desenvolvimento intelectual, mas também 
para o bem‑estar emocional dos estudantes com NEE, promovendo uma aprendizagem significativa e 
enriquecedora para todos os envolvidos.
Nesse contexto, a educação inclusiva, que busca garantir o acesso de todos à aprendizagem, deve 
ser fundamentada no respeito e no reconhecimento das diversidades culturais e sociais. O resgate e a 
valorização dos valores culturais contribuem para a identidade individual e coletiva, e isso é um fator 
importante na formação de um ambiente escolar inclusivo e democrático.
101
GESTÃO DA ESCOLA DE EDUCAÇÃO INFANTIL
Sendo assim, o respeito ao ato de aprender também é fundamental, pois cada aluno tem seu ritmo 
e seu estilo de aprendizagem. No âmbito da educação inclusiva, é crucial que a escola compreenda 
que o ato de aprender é um processo dinâmico e único para cada estudante. Construir conhecimento 
é um processo que envolve a interação com o meio, com os colegas e com o professor. A escola deve, 
portanto, estar aberta a diferentes formas de expressão e aprendizagem, respeitando as condições 
individuais de cada aluno.
Para que a educação de qualidade seja realmente acessível a todos, é necessário que a escola se 
redimensione e se torne um espaço que não apenas aceite a diversidade, mas a celebre. Isso pode ser 
alcançado por meio de algumas práticas, tidas como necessárias: adaptação de currículo e metodologia, 
formação continuada dos educadores, acessibilidade física e digital, promoção da cidadania e valores 
éticos e outros, a depender das necessidades e demandas de cada instituição escolar e aluno.
Com relação à adaptação de currículo e metodologia, como já emocionado anteriormente, a 
adaptação do currículo e a aplicação de metodologias diferenciadas são essenciais para que os alunos 
com NEE e os demais alunos possam aprender conforme suas capacidades e interesses.
Já a formação continuada dos educadores mostra‑se fundamental e também preconizada em lei, 
para que eles possam lidar com a diversidade em sala de aula. Isso envolve tanto o treinamento sobre 
as necessidades específicas dos alunos quanto o desenvolvimento de habilidades para utilizar métodos 
pedagógicos inclusivos.
No que se refere à acessibilidade física e digital, vê‑se a necessidade de garantir que todos os alunos, 
incluindo aqueles com deficiências físicas ou sensoriais, tenham acesso a espaços e materiais que 
favoreçam seu aprendizado, por meio de adaptações físicas (rampas, mobiliário adequado) e recursos 
tecnológicos (softwares educativos, dispositivos assistivos).
E sobre a promoção da cidadania e valores éticos, a escola deve ser um espaço de formação cidadã, 
onde todos os alunos aprendem sobre seus direitos e deveres, incluindo o respeito às diferenças. 
Atividades que incentivem a convivência harmoniosa e a empatia entre os alunos são essenciais para 
promover um ambiente inclusivo.
É essencial também mencionaro papel da família e da comunidade nos processos de inclusão 
educacional, pois ela não depende apenas do ambiente escolar, mas também da participação ativa das 
famílias e da comunidade. A família desempenha um papel crucial na identidade e no desenvolvimento 
da criança e deve ser uma parceira da escola na promoção da educação inclusiva. A escola, por sua vez, 
deve estar aberta a dialogar com a comunidade e promover ações que integrem todos os atores sociais 
no processo de aprendizagem.
Diante do exposto, vê‑se que a garantia de educação para todos e a valorização das diferenças 
exigem um compromisso de toda a sociedade, com destaque para a escola, que deve ser um espaço 
não apenas de aceitação, mas de celebração da diversidade. Essa valorização, ao resgatar e fortalecer 
os valores culturais, permite que o aluno com NEE, assim como todos os outros, se sinta parte de uma 
comunidade educacional que respeita suas individualidades e promove seu pleno desenvolvimento.
102
Unidade III
Isto posto, evidencia‑se que o sistema educacional brasileiro, respaldado por legislações e políticas 
que buscam garantir a educação inclusiva, tem se mostrado cada vez mais preparado para oferecer 
as condições adequadas para que os estudantes com NEE possam acessar a educação, permanecer na 
escola e se desenvolver plenamente. A educação de qualidade para esses estudantes não é apenas um 
direito, mas uma responsabilidade coletiva da escola, dos familiares e da sociedade, que devem trabalhar 
juntos para garantir um ambiente inclusivo, acessível e acolhedor para todos os alunos.
Por fim, podemos afirmar que a educação inclusiva é uma poderosa ferramenta de transformação 
social, pois promove a igualdade de oportunidades e o respeito à dignidade humana, fundamentais para 
a construção de uma sociedade mais justa e equitativa para todos.
 Lembrete
A inclusão de crianças com NEE na Educação Infantil é um direito 
fundamental, previsto pela LDB e pela Declaração Universal dos Direitos 
Humanos, e visa garantir que todas as crianças, independentemente de 
suas condições físicas, emocionais, intelectuais ou sensoriais, tenham 
acesso a uma educação de qualidade, sem discriminação.
7.2 Relações étnico‑raciais e gênero na infância
As relações étnico‑raciais e de gênero na infância são temas centrais para a construção de 
uma sociedade mais justa e igualitária. De acordo com Borges (2015), as experiências vividas pelas 
crianças desde a primeira infância são fundamentais para a formação de suas identidades e para o 
desenvolvimento de valores e atitudes que refletem ou perpetuam normas sociais, culturais e políticas 
sobre raça, etnia e gênero.
Abordar esses temas desde a primeira infância, no ambiente escolar e familiar, contribui para que 
as crianças se tornem adultos conscientes de suas responsabilidades sociais e capazes de respeitar e 
valorizar as diferenças. Além disso, há de serem consideradas na implementação de práticas pedagógicas 
que abordem as questões de raça e gêneros as Leis n. 10.639/2003 e 11.645/2008, que têm um papel 
crucial na promoção da educação étnico‑racial e de valorização da cultura afro‑brasileira, indígena e de 
outros povos tradicionais dentro das escolas brasileiras.
As relações étnico‑raciais na infância referem‑se ao modo como as crianças percebem e interagem 
com as diferenças de raça e etnia, além das influências que essas relações exercem em suas identidades 
e representações sociais. No contexto brasileiro, em um país com uma história marcada pelo racismo 
estrutural e pela diversidade étnica, é fundamental que as questões étnico‑raciais sejam abordadas 
nas escolas e nas famílias de forma a combater a discriminação racial e promover uma convivência 
harmoniosa e igualitária.
103
GESTÃO DA ESCOLA DE EDUCAÇÃO INFANTIL
A importância do ensino sobre relações étnico‑raciais na infância está atrelada ao respeito à 
diversidade racial, pois acreditamos que, a partir da educação, as crianças podem aprender a valorizar as 
diferenças, compreendendo que todas as raças e etnias têm igual valor e dignidade. Isso ajuda a prevenir 
a formação de preconceitos e estereótipos raciais.
Portanto, para a abordagem dessas temáticas é imperativa a promoção da autoestima e 
do fortalecimento da identidade racial, que é um aspecto fundamental no processo de ensino, 
especialmente para crianças de grupos historicamente marginalizados, como os povos indígenas, negros 
e outras etnias. Ao ensinar histórias, culturas e perspectivas dessas comunidades, não só se promove 
o reconhecimento e a valorização de suas contribuições para a sociedade, como também se combate 
estereótipos e preconceitos.
Além disso, esse ensino contribui para a construção de um ambiente mais inclusivo, onde as crianças, 
independentemente de sua origem racial ou étnica, podem se sentir representadas e valorizadas. Isso 
também pode ter um impacto positivo na formação da identidade de crianças que pertencem a esses 
grupos, ajudando a fortalecer a confiança em si mesmas e a importância de suas raízes culturais.
É essencial que as escolas e os educadores adotem práticas que integrem as diversas culturas, 
promovendo uma educação mais justa, igualitária e respeitosa para todos. Sob tais perspectivas, a 
Educação Infantil promoverá um ambiente onde o respeito impera, isso com ações pedagógicas que 
incentivem o respeito à diversidade racial.
As práticas pedagógicas para abordagem de relações étnico‑raciais podem usar a literatura como 
propulsora, ou seja, livros e histórias que representem as diferentes culturas, identidades raciais e 
experiências de crianças negras, indígenas e de outras etnias, as quais são essenciais para ampliar o 
horizonte das crianças e dar visibilidade às culturas e histórias muitas vezes silenciadas.
Podem ainda fazer uso de atividades artísticas e culturais com base em projetos que envolvam dança, 
música, culinária e outras manifestações culturais de diferentes grupos étnico‑raciais, o que permite 
que as crianças experienciem outras culturas de forma prática e afetiva, favorecendo a compreensão e 
o respeito pela diversidade.
A formação de educadores também é considerada, uma vez que os profissionais de educação devem 
ser capacitados para trabalhar de forma inclusiva e crítica, com abordagens que combatam estereótipos 
raciais e promovam o respeito à diversidade.
Cabe destacar que as relações de gênero envolvem as construções sociais e culturais sobre o 
que significa ser homem ou mulher em uma sociedade específica. Desde a infância, as crianças são 
socializadas em torno de normas e expectativas de gênero que definem comportamentos, escolhas, 
roupas e até profissões baseadas no sexo biológico. Essa socialização pode limitar as possibilidades de 
desenvolvimento de meninas e meninos, além de reforçar desigualdades e estereótipos que impactam 
negativamente sua liberdade e autoestima.
104
Unidade III
Quanto à influência das relações de gênero na infância, vale saber que muitos são os desafios aos 
estereótipos de gênero, pois desde cedo as crianças são expostas a normas de gênero que, muitas vezes, 
delimitam suas opções de comportamento, como a ideia de que meninos devem ser agressivos e fortes, 
enquanto meninas devem ser doces e sensíveis. Essas limitações influenciam a forma como elas se veem 
e se relacionam com os outros.
Assim, o empoderamento e a igualdade de gênero são temas que devem ser abordados nesse cenário, 
em razão de ser fundamental que as crianças, independentemente de seu sexo biológico, tenham as 
mesmas oportunidades e liberdade para escolher suas atividades, hobbies, profissões e até expressões de 
sentimentos. Ensinar sobre igualdade de gênero desde a infância promove um futuro mais igualitário.
Questões como autonomia e respeito também entram na lista de temas, visto que a construção de 
uma identidade de gênero saudável é importante para o desenvolvimento da autonomia e do respeito 
pelas escolhas dos outros, sem reforçar as desigualdades de poderentre meninos e meninas ou entre 
pessoas com diferentes orientações de gênero.
No tocante às práticas pedagógicas para abordagem das relações de gênero, é importante considerar 
jogos e atividades não segregadas por gênero. Isso significa evitar a divisão de atividades em “para 
meninos” e “para meninas” e permitir que todos participem de qualquer tipo de brincadeira, sem a 
imposição de estereótipos. Isso é uma maneira de incentivar a liberdade de escolha e o respeito pelas 
diferenças de gênero.
Devemos, ainda, pensar sobre a representação da mídia e da literatura; assim, é importante escolher 
livros, brinquedos, personagens e atividades que mostrem a pluralidade de representações de gênero, 
quebrando a ideia de que existem comportamentos e profissões para homens ou para mulheres. Essas 
ações ajudam as crianças a se perceberem como seres livres para tomar suas próprias decisões.
O eixo temático educação emocional é tão complexo quanto necessário para ser abordado; logo, 
devemos ensinar as crianças a lidar com suas emoções sem que isso esteja vinculado a normas rígidas de 
gênero, como “meninos não poderem chorar” ou “meninas não poderem ser fortes”.
Nesse contexto, é importante compreender que gênero e raça/etnia não são questões isoladas. As 
crianças que pertencem a grupos negros, indígenas ou outros grupos étnicos marginalizados podem 
enfrentar desafios específicos relacionados à interseção de raça e gênero, o que pode afetar de maneira 
diferenciada seu desenvolvimento, autoestima e oportunidades de vida.
Importante também que sejam produzidas práticas pedagógicas interseccionais por meio de uma 
educação que reconheça as intersecções – melhor dizendo, ensinar sobre como as questões de raça e 
gênero se entrelaçam pode ajudar as crianças a compreender a complexidade da experiência humana 
e a perceber as diferentes formas de opressão e desigualdade que existem.
105
GESTÃO DA ESCOLA DE EDUCAÇÃO INFANTIL
Para a percepção e compreensão da complexidade da experiência humana, histórias diversas  e 
representativas são muito necessárias e significativas. Desse modo, apresentar exemplos de mulheres 
e  homens de diferentes etnias que desafiaram as normas de gênero e racismo, mostrando suas 
conquistas e lutas, pode ser um modo de empoderar as crianças, especialmente aquelas que estão em 
grupos marginalizados.
Isto posto, trabalhar as relações étnico‑raciais e de gênero na infância não apenas contribui para a 
formação de indivíduos mais justos e respeitosos, mas também ajuda a construir uma sociedade que 
seja verdadeiramente inclusiva.
Ao garantir que as crianças aprendam a valorizar a diversidade e a respeitar as diferenças de gênero, 
raça e etnia desde cedo, contribuímos para a construção de um futuro mais igualitário, no qual todos têm 
o direito de ser quem são e de desenvolver seu potencial sem as limitações impostas por preconceitos 
e estereótipos.
Acreditamos que quando as crianças crescem em um ambiente onde são encorajadas a respeitar e 
celebrar as diferenças, elas se tornam adultos mais empáticos, conscientes e capazes de contribuir para 
uma sociedade mais justa e inclusiva.
Além disso, ao ensinar sobre igualdade de gênero e a desconstruir normas rígidas de identidade 
e comportamento, criamos oportunidades para que todas as crianças, independentemente de seu 
sexo ou identidade de gênero, possam expressar suas individualidades sem medo de julgamento ou 
discriminação. Isso é fundamental para que elas se sintam livres para explorar seu potencial e desenvolver 
suas habilidades de forma plena, sem as limitações impostas por preconceitos.
Ao promover um ambiente educacional que valorize essas questões, estamos não apenas formando 
cidadãos mais críticos e conscientes, mas também dando um passo importante para a construção de um 
futuro mais igualitário e acolhedor para todos.
 Lembrete
Trabalhar as relações étnico‑raciais e de gênero desde a infância é 
fundamental não apenas para o desenvolvimento de indivíduos mais justos 
e respeitosos, mas também para a construção de uma sociedade inclusiva e 
igualitária. A infância é uma fase crucial para a formação das percepções 
e atitudes que as crianças terão ao longo da vida, e é durante esse período 
que é possível plantar as sementes de uma cultura de respeito e diversidade.
106
Unidade III
 Saiba mais
Leia mais a respeito da Lei n. 10.639/2003, sobre educação para as relações 
étnico‑raciais, no link a seguir:
BRASIL. Lei n. 10.639, de 9 de janeiro de 2003. Altera a Lei n. 9.394, de 
20 de dezembro de 1996, que estabelece as diretrizes e bases da educação 
nacional, para incluir no currículo oficial da Rede de Ensino a obrigatoriedade 
da temática “História e Cultura Afro‑Brasileira”, e dá outras providências. 
Brasília, 2003. Disponível em: https://tinyurl.com/4cpf3tmn. Acesso em: 
14 mar. 2025.
7.3 Cenas inspiradoras
Cenas inspiradoras na Educação Infantil são aquelas que capturam o impacto positivo que uma 
abordagem pedagógica acolhedora e inclusiva pode ter no desenvolvimento das crianças. Essas cenas 
mostram como a educação tem o poder de transformar vidas, criando um espaço onde as crianças se 
sentem seguras, respeitadas e estimuladas a explorar seu potencial de forma integral.
Esses momentos, na concepção de Borges (2015), podem ocorrer de diversas maneiras, como na 
presença atenta do educador, na construção de um ambiente inclusivo, nos momentos de descoberta e 
curiosidade, na promoção do protagonismo infantil e muitas outras mais.
Em relação à presença atenta do educador, vê‑se que um educador que escuta ativamente cada 
criança, validando suas emoções e experiências, promove um vínculo afetivo fundamental para o 
aprendizado. Isso ajuda a criança a se sentir valorizada, o que fortalece sua autoestima e confiança.
Aspectos atrelados à construção de um ambiente inclusivo são tidos como muito necessários, pois 
ver todas as crianças participando de atividades, independentemente de suas origens, habilidades ou 
características, é uma cena marcante. O respeito às diferenças e o incentivo à colaboração entre elas são 
fundamentais para o desenvolvimento de uma mentalidade inclusiva.
Os momentos de descoberta e curiosidade também são fatores basilares, visto que quando as 
crianças se envolvem com uma atividade que as fascina, como uma experiência prática de ciência, arte 
ou um projeto de aprendizagem ao ar livre, elas vivenciam o poder da curiosidade e da descoberta, o que 
impulsiona o desejo de aprender.
Uma cena inspiradora pode ser uma situação na qual as crianças têm autonomia para tomar 
decisões, escolher atividades e expressar suas ideias, aprendendo a assumir responsabilidades e a confiar 
em seu próprio julgamento. Essas experiências não só favorecem o aprendizado cognitivo, mas também 
desenvolvem habilidades socioemocionais que são essenciais para a formação de indivíduos críticos, 
respeitosos e preparados para contribuir positivamente na sociedade.
107
GESTÃO DA ESCOLA DE EDUCAÇÃO INFANTIL
Cenas inspiradoras na Educação Infantil refletem a magia do processo de aprendizagem, em que 
as crianças são protagonistas de sua própria jornada, explorando o mundo de forma curiosa e criativa, 
enquanto os educadores oferecem suporte e orientação para que esse desenvolvimento aconteça de 
maneira plena e significativa. Essas cenas mostram que momentos de descoberta, interação e construção 
de conhecimento são fundamentais para o crescimento emocional, social e cognitivo das crianças.
A Educação Infantil é a base da formação humana e, quando bem conduzida, tem um impacto 
profundo e duradouro na vida das crianças. Nesse período de desenvolvimento, as sementes de valores 
como respeito, empatia, solidariedade e colaboração são plantadas, criando uma fundação sólida 
para que a criança cresça e se desenvolva de forma equilibrada, tanto no aspecto cognitivo quanto 
emocional e social.
Essas sementes são responsáveis por moldar a maneira como as crianças veem o mundo e 
interagem comele. Borges (2015) destaca que quando a Educação Infantil oferece um ambiente 
acolhedor e estimulante, onde as crianças se sentem seguras para explorar, questionar e aprender, elas 
são incentivadas a cultivar sua curiosidade, autoestima e autoconfiança. Isso cria condições para o 
desenvolvimento  de habilidades que as acompanharão ao longo de toda a vida, como pensamento 
crítico, resolução de problemas, criatividade e habilidades interpessoais.
Ademais, a Educação Infantil é um espaço crucial para combater preconceitos, promover a diversidade 
e ensinar as crianças a respeitar as diferenças, sejam elas de gênero, raça, etnia ou cultura. Ao ensinar 
esses valores desde cedo, podemos formar cidadãos mais conscientes e preparados para construir um 
mundo mais justo, igualitário e respeitoso.
Sendo assim, cenas inspiradoras podem ser pequenas e grandes vivências, experiências e/ou atividades 
que expressam como a Educação Infantil pode ser um ambiente rico e transformador, no qual as crianças 
desenvolvem suas habilidades cognitivas, emocionais e sociais de maneira lúdica e significativa. Cada 
interação, brincadeira, atividade ou momento de aprendizagem pode ser uma oportunidade única para 
as crianças explorarem seu potencial e se tornarem protagonistas de sua própria trajetória educacional. 
A magia da Educação Infantil está na criação de momentos significativos que formam as bases para o 
desenvolvimento futuro dos alunos.
Portanto, ela é fundamental para a formação de indivíduos emocionalmente saudáveis, críticos 
e capazes de contribuir para a transformação social, tornando‑se assim uma etapa essencial para a 
construção de um futuro melhor para todos, isso em múltiplas cenas inspiradoras.
108
Unidade III
8 A VEZ E A VOZ DAS CRIANÇAS: PROTAGONISMO INFANTIL
A vez e a voz das crianças vinculada ao protagonismo infantil é um conceito fundamental na 
Educação Infantil que reconhece as crianças como sujeitos ativos, de direitos e protagonistas no seu 
processo de aprendizagem e desenvolvimento. Em vez de serem apenas receptoras de conhecimento, as 
crianças devem ser vistas como participantes ativas, com direito a expressar suas opiniões e escolhas e 
contribuir com suas ideias no ambiente educacional.
Segundo Onofre (2019), o protagonismo vai além da ação individual, destacando a importância de o 
aluno se enxergar como o agente principal de sua própria vida, com capacidade para responsabilizar‑se 
por suas atitudes e expressar iniciativa. Essa visão do protagonismo é extremamente relevante no 
contexto educacional, pois reflete uma visão poderosa sobre o papel do aluno no processo educacional e 
em sua própria vida. Essa definição destaca elementos‑chave que não apenas fortalecem a aprendizagem 
acadêmica, mas também promovem o desenvolvimento de competências sociais e emocionais essenciais 
para a formação integral do indivíduo.
O protagonismo infantil é contemplado pela BNCC (2018), como nos informa Onofre (2019), e esse 
enfoque aparece mais de 60 vezes no documento, fato que reflete a ideia de que as crianças e jovens 
devem ser vistos como sujeitos ativos no processo de sua própria aprendizagem e na construção de seu 
projeto de vida. A BNCC promove um modelo pedagógico que coloca o estudante no centro da educação, 
garantindo que ele tenha voz, escolha e ação ao longo de sua trajetória escolar.
Isto posto, o protagonismo infantil apresenta princípios e aplicações para a produção e estimulação 
desse protagonismo. Dentre essas apresentações, há destaque para a aprendizagem significativa e 
contextualizada, que prevê que os conhecimentos adquiridos pelos alunos devem ser aplicados na vida 
real, fazendo com que o aprendizado seja mais relevante e significativo.
Assim, o protagonismo dos estudantes é incentivado quando o conteúdo escolar é relacionado ao 
seu cotidiano, cultura e experiências, o que dá sentido ao que é aprendido. Por exemplo, ao abordar 
temas que conectam a história local, questões ambientais ou problemas sociais, os estudantes podem 
entender melhor o valor do que estão aprendendo e como isso se aplica no mundo fora da escola.
Outro ponto muito significativo para a promoção do protagonismo refere‑se à importância do contexto 
e das vivências do aluno. A BNCC (2018) ressalta que, para que o conhecimento seja verdadeiramente 
significativo, ele deve estar inserido no contexto de vida dos alunos. O protagonismo infantil se manifesta 
quando o aluno vê sua realidade refletida nas atividades e conteúdos da escola, o que o torna mais ativo 
no processo de aprendizagem. Isso implica criar ambientes que valorizem a diversidade, reconheçam 
as experiências de vida dos alunos e incentivem sua participação no planejamento e na execução das 
atividades escolares.
A construção do projeto de vida há também que ser considerado, haja vista esse documento 
normativo reforçar a ideia de que o protagonismo está diretamente relacionado à construção do projeto 
de vida dos estudantes. A educação não deve se limitar apenas ao desenvolvimento cognitivo, mas deve 
também ajudar os alunos a refletir sobre seus objetivos, interesses e potencialidades. Desde a Educação 
109
GESTÃO DA ESCOLA DE EDUCAÇÃO INFANTIL
Infantil até os anos finais do Ensino Fundamental, as crianças e jovens devem ser incentivados a serem 
responsáveis por suas escolhas, a refletirem sobre seu futuro e a desenvolverem a autonomia necessária 
para construir uma trajetória de vida mais consciente e realizada.
Na Educação Infantil, a BNCC destaca a importância de garantir que as crianças exerçam seu 
protagonismo de maneira ativa e significativa. A ideia é que elas, desde as primeiras etapas da educação 
básica, participem ativamente na criação e realização das atividades cotidianas, como as brincadeiras, a 
escolha de materiais e a organização do ambiente, o que fortalece o papel delas como agentes de seu 
próprio processo de aprendizagem. O documento normativo assim se posiciona:
Os seis direitos de aprendizagem e desenvolvimento asseguram, na 
Educação Infantil, as condições para que as crianças aprendam em situações 
nas quais possam desempenhar papel ativo em ambientes que as convidem 
a vivenciar desafios e a sentirem‑se provocadas a resolvê‑los, nas quais 
possam construir significados sobre si, os outros e o mundo social e natural 
(Brasil, 2018, p. 35).
Assim, conforme a BNCC, o protagonismo na prática não se resume a participar passivamente das 
atividades escolares. Ao contrário, ele implica em o aluno tomar decisões sobre o que, como e quando 
aprender, sempre com a mediação e o apoio do educador. Isso significa que os alunos são incentivados 
a expressar suas opiniões, a se envolver nas escolhas pedagógicas e a trabalhar de forma colaborativa 
na resolução de problemas. Esse protagonismo na prática escolar favorece o  desenvolvimento de 
competências como autonomia, responsabilidade e criatividade, habilidades essenciais para a formação 
de cidadãos críticos e reflexivos.
Por esse caminho, o desenvolvimento de competências sociais e cidadãs se faz presente, uma 
vez que, ao incentivar a participação ativa dos alunos na comunidade escolar e em projetos sociais, 
o protagonismo fortalece habilidades como o trabalho em equipe, a comunicação e o respeito à 
diversidade. A educação deve, portanto, preparar os estudantes não apenas para o mundo do trabalho, 
mas para uma vida de interação social, engajamento e transformação positiva da sociedade.
Portanto, o papel do educador no protagonismo infantil é essencial. O docente não é mais visto 
como o único detentor do conhecimento, mas como mediador e facilitador da aprendizagem. A BNCC 
propõe que os educadores criem ambientes que estimulem a participação ativa dos alunos, valorizando 
suas ideias e promovendo uma educação mais personalizada e democrática.
Sendo assim, o educador, então, deve criar condições para que as crianças possam expressar 
seus pontos de vista, fazer escolhas e interagir com os conteúdos de forma que o aprendizado seja 
genuinamentesignificativo para elas.
À vista disso, a BNCC coloca o protagonismo infantil no centro da prática pedagógica, reconhecendo 
as crianças e os jovens como sujeitos ativos em seu processo de aprendizagem e na construção de 
seu futuro. Ao defender que o conhecimento deve ser aplicado à vida real e estar contextualizado, a 
Base reforça a importância de uma educação que respeite as experiências de vida dos alunos, valorize 
110
Unidade III
suas vozes e os ajude a desenvolver competências essenciais para a vida em sociedade. Dessa forma, o 
documento normativo propõe uma educação mais participativa, inclusiva e voltada para o desenvolvimento 
integral dos estudantes.
Desse modo, o protagonismo infantil vai além da simples participação das crianças em numerosas 
atividades, ele envolve inúmeros aspectos, entre eles a autonomia e a decisão, a valorização da voz da 
criança, o estímulo à curiosidade e à iniciativa, o desenvolvimento de habilidades socioemocionais, o 
espaço para a expressão artística e criativa, a apreciação das escolhas individuais e muitos outros que 
são imprescindíveis para o ser e estar do aluno na ambiência escolar e fora dela.
Aspectos atrelados à autonomia e à decisão incentivam as crianças a tomarem decisões sobre o que 
aprender, como aprender e até mesmo sobre a organização do espaço e das atividades. Esse senso de 
autonomia é essencial para o desenvolvimento da confiança e da responsabilidade.
Os aspectos que acabamos de mencionar valorizam a voz da criança, uma vez que o protagonismo 
infantil envolve ouvir as crianças com respeito, considerando suas opiniões, desejos e sentimentos. Ao 
se sentir ouvida, a criança aprende a se expressar com mais segurança e passa a compreender que suas 
ideias são importantes.
No que concerne ao estímulo à curiosidade e à iniciativa, quando as crianças têm a oportunidade 
de usar esses fatores – ou, melhor dizendo, explorar seus próprios interesses –, elas se tornam mais 
motivadas a aprender. O educador, nesse contexto, atua como facilitador, proporcionando ferramentas 
e espaços para que as crianças descubram o mundo ao seu redor.
O desenvolvimento de habilidades socioemocionais também está ligado ao protagonismo, já que 
o desenvolvimento de habilidades como empatia, colaboração, respeito à diversidade e negociação 
propiciam engajamento pessoal e social. Quando as crianças participam ativamente de decisões coletivas, 
elas aprendem a lidar com diferenças, a trabalhar em grupo e a respeitar as opiniões dos outros.
Exemplos de aplicação
Exemplo 1. Criança não é um adulto em miniatura. Ela apresenta características próprias de sua 
idade e é competente socialmente. Um adulto que compartilha dessa compreensão tende a possibilitar 
que as crianças sejam ativas no seu processo de desenvolvimento. Esse adulto certamente apresentará 
o seguinte comportamento:
A) Entender a brincadeira entre pares de crianças como um passatempo, sem benefícios efetivos 
para o desenvolvimento infantil.
B) Observar as brincadeiras infantis como um importante momento de trocas sociais entre as crianças.
C) Atuar como mediador em situações de conflitos entre as crianças, resolvendo os problemas por elas.
111
GESTÃO DA ESCOLA DE EDUCAÇÃO INFANTIL
D) Não permitir que os amigos sentem próximos na sala, garantindo que não ocorra conversa paralela.
E) Reconhecer que a criança apenas assimila aspectos da sua cultura, mas não interfere na 
transformação cultural, independentemente da faixa etária.
Resolução
As brincadeiras não são apenas uma atividade recreativa, mas também um meio essencial de 
interação social. Durante as brincadeiras, as crianças aprendem a se comunicar, a compartilhar, a 
colaborar e a resolver conflitos, o que são habilidades sociais fundamentais para o seu desenvolvimento. 
Através da brincadeira, as crianças têm a oportunidade de experimentar numerosas práticas exitosas. 
Logo, a alternativa B está correta.
Exemplo 2. Considerando‑se a criança como protagonista e a sua interação no contexto da Educação 
Infantil, avalie se as afirmativas são certas (C) ou erradas (E):
I – ( ) As mais novas abordagens sobre o fazer pedagógico na Educação Infantil têm trazido à tona 
a valorização do protagonismo das crianças.
II – ( ) É sempre necessário investigar e propor, em todos os espaços das instituições de Educação 
Infantil, lugares em que as crianças possam recriar novos limites, novas maneiras de organizar espaços 
para representar simbolicamente ou mesmo atuar com distintos materiais que respondam a suas ações 
das mais diversas formas, permitindo‑lhes enriquecidos modos de relações sociais.
III – ( ) O protagonismo infantil é uma ação compartilhada entre professores, crianças, conhecimento, 
espaço e tempo. Nessa ação, em diferentes momentos, alguns desses elementos podem se destacar 
sobre os outros, porém todos se entrelaçam de modo indissolúvel.
Agora, assinale a sequência correspondente:
A) C – C – C.
B) E – E – C.
D) C – E – E.
D) E – C – C.
E) E – C – E.
112
Unidade III
Resolução
É correto afirmar que as mais novas abordagens sobre o fazer pedagógico na Educação Infantil têm 
trazido à tona a valorização do protagonismo das crianças. Essa valorização do protagonismo infantil 
tem sido uma tendência crescente nas práticas pedagógicas, especialmente a partir das últimas décadas, 
com ênfase na autonomia e no engajamento das crianças no processo de aprendizagem. Ao assumir 
o protagonismo, as crianças são incentivadas a tomar decisões, a explorar e a se expressar de maneira 
ativa, sendo consideradas sujeitos de direito, com opiniões e necessidades que devem ser ouvidas e 
respeitadas no contexto educativo.
É vital investigar e propor, em todos os espaços das instituições de Educação Infantil, ambientes que 
possibilitem às crianças recriar novos limites e novas maneiras de organizar os espaços. Essas práticas 
são essenciais para o desenvolvimento de criatividade, autonomia e interações sociais saudáveis. Ao 
proporcionar espaços que respondem às ações das crianças de diferentes maneiras, a Educação Infantil 
permite que elas explorem e experimentem novos significados e aprendam a resolver problemas, agir de 
forma colaborativa e representar simbolicamente suas experiências e sentimentos. Essas  atividades 
de recriação e organização dos espaços são oportunidades para que as crianças desenvolvam suas 
habilidades cognitivas, emocionais e sociais, além de estimularem a expressão e a comunicação.
O protagonismo infantil realmente é uma ação compartilhada e integrada entre professores, 
crianças, conhecimento, espaço e tempo. Em uma abordagem pedagógica que valoriza o protagonismo 
das crianças, todos esses elementos desempenham papéis essenciais e, em momentos distintos, alguns 
podem se destacar mais do que outros, mas sempre de forma interdependente. 
Logo, a alternativa A está correta.
 Observação
Espaços para a expressão artística e criativa mostram‑se relevantes, 
pois as crianças, ao se expressarem por meio de diversas formas artísticas, 
como música, dança, pintura e teatro, não só exercem sua criatividade, 
mas também têm a chance de refletir sobre si mesmas e sobre o mundo 
que as cerca. Isso amplia seu repertório de formas de se comunicar e de se 
entender no contexto coletivo.
A apreciação das escolhas individuais contempla o protagonismo infantil, que, por sua vez, também 
envolve o respeito às individualidades de cada criança. Cada uma tem o direito de desenvolver seu próprio 
ritmo, interesses e habilidades, o que deve ser reconhecido e respeitado dentro da dinâmica educacional.
Quando as crianças são valorizadas em seu protagonismo, elas não apenas se tornam mais 
confiantes e engajadas no processo de aprendizagem, mas também desenvolvem uma visão de mundo 
mais crítica e participativa, com capacidade de atuar e transformar a sociedade. Assim, o protagonismo 
113
GESTÃO DA ESCOLA DE EDUCAÇÃO INFANTIL
infantil não é apenas uma ferramenta pedagógica, mas um princípio de cidadania,a partir do qual as 
crianças são preparadas para serem agentes de mudanças positivas em sua comunidade e no mundo.
 Saiba mais
Leia mais sobre protagonismo infantil no texto a seguir:
BRASIL. Ministério da Educação. O uso de metodologias ativas 
colaborativas e a formação de competências. Brasília, 2019. Disponível em: 
https://tinyurl.com/3f88h5bw. Acesso em: 18 mar. 2025.
114
Unidade III
 Resumo
Nesta unidade, apresentamos conteúdos inerentes a práticas exitosas 
de gestão escolar na Educação Infantil, com ênfase no PPP para uma 
educação de qualidade, de modo a garantir o desenvolvimento integral, 
também com enfoque na inclusão de crianças com NEE e nas relações 
étnico‑raciais e de gênero na infância.
Reforçamos que se trata de temas que pautam a construção de uma 
Educação Infantil de qualidade, que respeita e valoriza a diversidade e os 
direitos das crianças. Ao abordar práticas exitosas de gestão escolar, o foco é 
garantir um ambiente educativo que seja inclusivo, acolhedor e respeitoso, 
promovendo o desenvolvimento integral das crianças e assegurando que 
todas tenham acesso a oportunidades de aprendizagem que atendam às 
suas necessidades individuais.
O PPP, enquanto documento norteador da prática educativa, deve ser 
construído coletivamente pela comunidade escolar e deve contemplar as 
diretrizes que orientam a gestão e as práticas pedagógicas da instituição, 
sempre com vistas à qualidade da educação.
A inclusão das crianças com NEE deve ser parte integrante desse 
planejamento, garantindo a elas uma educação acessível e adaptada às 
suas especificidades.
As relações étnico‑raciais e de gênero precisam ser tratadas de forma 
transversal, promovendo a valorização da identidade de cada criança e 
combatendo qualquer forma de preconceito, discriminação ou violência. 
A Educação Infantil é um espaço crucial para o desenvolvimento dessas 
questões, pois é nessa fase que se alicerçam as primeiras noções de respeito 
à diversidade e os alicerces para a construção de uma sociedade mais 
justa e igualitária.
Portanto, esses temas não só são fundamentais para o desenvolvimento 
de uma educação mais inclusiva e diversificada, mas também são essenciais 
para a formação de profissionais da educação que compreendam a 
importância de um ensino que promova o desenvolvimento integral, 
respeite a diversidade e valorize as identidades culturais, sociais e de 
gênero das crianças, independentemente de suas condições sociais, 
culturais ou cognitivas.
115
GESTÃO DA ESCOLA DE EDUCAÇÃO INFANTIL
Ao considerar o PPP um instrumento vital, é possível estabelecer 
diretrizes claras que guiem as práticas pedagógicas e a organização 
do cotidiano escolar de forma coesa e eficaz. A gestão democrática e 
o envolvimento da comunidade escolar na construção desse projeto 
fortalecem o compromisso com a qualidade educacional e asseguram que 
todos os aspectos da formação da criança sejam contemplados.
A inclusão de crianças com NEE é um dos pilares dessa gestão, 
proporcionando adaptações e recursos pedagógicos que atendam às 
suas necessidades específicas, garantindo que elas tenham as mesmas 
oportunidades de desenvolvimento que as demais. Além disso, a valorização 
das questões étnico‑raciais e de gênero na infância é essencial para a 
promoção de uma educação antirracista e  igualitária, formando crianças 
que respeitem e reconheçam as diferenças como um valor fundamental.
Assim, essas discussões contribuem para que os gestores escolares e os 
educadores possam implementar práticas que fortaleçam a identidade de 
cada criança, promovam relações saudáveis e estimulem o protagonismo 
infantil, criando um ambiente de aprendizagem que seja significativo e 
transformador para todos os envolvidos.
116
Unidade III
 Exercícios
Questão 1. (Enade 2021) Leia os textos I e II a seguir:
Texto I
A discussão coletiva na construção do Projeto Político Pedagógico (PPP) constitui‑se em referência 
importante para que os vários segmentos da escola descubram formas de participação, muitas vezes, 
ainda não percebidas por eles. Além disso, pode levar os indivíduos a constatarem que é possível – 
apesar de autoritarismos velados ou explícitos presentes na escola – interferir nas decisões que vão 
orientar a organização do trabalho pedagógico como um todo.
SOUSA, J. V.; CORRÊA, J. Projeto Pedagógico: a autonomia construída no cotidiano da escola. In: VIEIRA, S. L. (org.). 
Gestão da escola: desafios a enfrentar. Rio de Janeiro: DP&A, 2002 (com adaptações).
Texto II
O Projeto Político Pedagógico (PPP) é um mecanismo que possibilita o conhecimento e a transformação 
da realidade escolar mediante reflexão e ação, propondo, para tanto, a participação como estratégia para 
efetivar a prática democrática – algo que implica uma construção contínua e coletiva. Isto pressupõe 
conhecimento da realidade escolar, do dia a dia da comunidade atendida, de seus problemas sociais e de 
suas práticas, necessidades, perspectivas e possibilidades.
SILVA, D. C.; CARNEIRO, I. M. S. P.; CAVALCANTE, M. M. D. Projeto Político‑Pedagógico: uma explicação necessária. 
In: MARIN, A. J.; PIMENTA, S. G. Didática: teoria e prática. Araraquara: Junqueira & Marin, 2015 (com adaptações).
Considerando o Projeto Político Pedagógico (PPP) e sua relevância na organização do trabalho 
escolar, avalie as afirmativas:
I – O PPP procura fortalecer as relações da escola com as famílias e com a comunidade, articulando 
as ações escolares com o contexto local em que os estudantes estão inseridos.
II – O PPP estimula a criação de atividades de formação da equipe pedagógica, fortalecendo a escola 
como espaço de formação em serviço.
III – O PPP propõe ações para interferir na escola como um todo: organização escolar, formação, 
trabalho pedagógico e avaliação do desempenho de todos os envolvidos.
IV – O PPP é elaborado conjuntamente por toda a comunidade escolar e implementado pelos 
dirigentes da escola, que são os responsáveis pela sua execução.
117
GESTÃO DA ESCOLA DE EDUCAÇÃO INFANTIL
É correto apenas o que se afirma em:
A) I e IV.
B) II e III.
C) III e IV.
D) I, II e III.
E) I, II e IV.
Resposta correta: alternativa D.
Análise das afirmativas
I – Afirmativa correta.
Justificativa: de fato, o PPP procura fortalecer as relações da escola com as famílias e com a 
comunidade, por meio da articulação das ações escolares com o contexto local em que os estudantes 
estão inseridos.
II – Afirmativa correta.
Justificativa: o PPP realmente deve estimular a criação de atividades de aperfeiçoamento da equipe 
pedagógica, a fim de fortalecer a escola como espaço de formação em serviço.
III – Afirmativa correta.
Justificativa: o PPP propõe ações para interferir na organização escolar, na formação, no trabalho 
pedagógico e na avaliação do desempenho de todos os envolvidos, ou seja, na escola como um todo.
IV – Afirmativa incorreta.
Justificativa: o PPP é elaborado conjuntamente por toda a comunidade escolar, mas não deve 
ser implementado apenas pelos dirigentes da escola; todos os envolvidos (direção, coordenação, 
professorado, alunado e comunidade) devem ser responsáveis por colocar em prática o PPP.
118
Unidade III
Questão 2. (Enade 2021, adaptada) Leia o texto a seguir:
O currículo da Educação Infantil é concebido como um conjunto de práticas que buscam articular as 
experiências e os saberes das crianças com os conhecimentos que fazem parte do patrimônio cultural, 
artístico, científico e tecnológico. É importante apoiar as crianças, desde cedo e ao longo de todas as 
suas experiências cotidianas na Educação Infantil no estabelecimento de uma relação positiva com 
a instituição educacional, no fortalecimento de sua autoestima, no interesse e na curiosidade pelo 
conhecimento do mundo, na familiaridade com diferentes linguagens, na aceitação e no acolhimento 
das diferenças entre as pessoas. Coerente com essa perspectiva, espera‑se que as propostas curriculares 
da Educação Infantil promovam experiências variadas comas diferentes linguagens, reconhecendo que 
o mundo no qual estão inseridas, por força da própria cultura, é amplamente marcado por imagens, 
sons, falas e escritas. Nesse processo, é preciso valorizar o lúdico, as brincadeiras e as culturas infantis.
BRASIL. Ministério da Educação. Diretrizes Curriculares Nacionais Gerais da Educação Básica. Secretaria de 
Educação Básica. Diretoria de Currículos e Educação Integral. Diretrizes Curriculares para o Ensino 
Fundamental. Brasília: MEC, SEB, DICEI, 2013 (com adaptações).
Com base na leitura e nos seus conhecimentos, avalie as afirmativas:
I – As múltiplas linguagens são de fundamental importância no desenvolvimento integral da 
criança e oferecem oportunidades para criar vivências, para melhorar a expressão e para explorar mais 
o ambiente no qual está inserida.
II – O estímulo ao conhecimento pelo uso das múltiplas linguagens só acontecerá se houver um 
trabalho voltado para o uso de diferentes linguagens, entre elas, a oral, a escrita, a pictográfica, a 
musical, a corporal, a teatral e a visual.
III – A linguagem expressiva na criança no desenho, no jogo simbólico, na dramatização espontânea 
ou na música, por exemplo, é fundamental para a construção da infância.
É correto o que se afirma em:
A) I, apenas.
B) II, apenas.
C) III, apenas.
D) I e II, apenas.
E) I, II e III.
Resposta correta: alternativa E.
119
GESTÃO DA ESCOLA DE EDUCAÇÃO INFANTIL
Análise da questão
No âmbito da Educação Infantil, espera‑se que as propostas curriculares propiciem experiências 
diversificadas, com diferentes linguagens, que reconheçam o mundo e a cultura nos quais as crianças 
estão inseridas, e que levem em consideração a importância do lúdico, das imagens, dos sons e das falas, 
enfim, dos diferentes tipos de linguagem.
Logo, a prática de diferentes linguagens no processo de ensino‑aprendizagem é crucial para os 
alunos da Educação Infantil. As diversas linguagens são essenciais para promover o desenvolvimento 
integral da criança, como a linguagem pictórica, a oral, a escrita, a teatral, a musical etc. Experiências 
diversificadas trazem novas vivências às crianças, que as fazem ter uma leitura de mundo mais diversa 
e mais ampla.
Todas as formas de linguagem são ricas e possíveis no trabalho com a Educação Infantil e permitem 
uma gama de novas vivências e de novas experiências que ampliam o repertório cultural das crianças, 
proporcionando diversas interações com o material utilizado e com seus pares.
120
REFERÊNCIAS
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BRASIL. Base Nacional Comum Curricular: educação é a base. Brasília, MEC/Consed/Undime, 2018. 
Disponível em: https://tinyurl.com/3wj7jphj. Acesso em: 10 mar. 2025.
BRASIL. Constituição da República Federativa do Brasil de 1988. Brasília, 1988. Disponível em: 
https://shre.ink/MKgm. Acesso em: 10 mar. 2025.
BRASIL. Lei n. 8.069, de 13 de julho de 1990. ECA – Estatuto da Criança e do Adolescente. Brasília, 1990. 
Disponível em: https://tinyurl.com/mtd8danx. Acesso em: 10 mar. 2025.
BRASIL. Lei n. 9.394, de 20 de dezembro de 1996. Estabelece as diretrizes e bases da educação nacional. 
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BRASIL. Lei n. 10.639, de 9 de janeiro de 2003. Altera a Lei n. 9.394, de 20 de dezembro de 1996, 
que estabelece as diretrizes e bases da educação nacional, para incluir no currículo oficial da Rede de 
Ensino a obrigatoriedade da temática “História e Cultura Afro‑Brasileira”, e dá outras providências. 
Brasília, 2003. Disponível em: https://tinyurl.com/4cpf3tmn. Acesso em: 14 mar. 2025.
BRASIL. Lei n. 13.005, de 25 de junho de 2014. Aprova o Plano Nacional de Educação – PNE e dá outras 
providências. Brasília, 2014. Disponível em: https://shre.ink/MKbZ. Acesso em: 18 mar. 2025.
BRASIL. Ministério da Educação. Programa Dinheiro Direto na Escola. Brasília, [s.d.]. Disponível em: 
https://tinyurl.com/nps6y3a9. Acesso em: 14 mar. 2025.
BRASIL. Ministério da Educação. Resolução n. 5, de 17 de dezembro de 2009. Fixa as Diretrizes Curriculares 
Nacionais para a Educação Infantil. Brasília, 2009. Disponível em: https://tinyurl.com/pdsjcrf7. Acesso em: 
10 mar. 2025.
BRASIL. Ministério da Educação. O uso de metodologias ativas colaborativas e a formação de 
competências. Brasília, 2019. Disponível em: https://tinyurl.com/3f88h5bw. Acesso em: 18 mar. 2025.
LIBÂNEO, J. C. Organização e gestão escolar: teoria e prática. 5. ed. Goiânia: Alternativa, 2004. 
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LONGO, M.; PEREIRA, C. O papel do orientador educacional na promoção do relacionamento interpessoal 
entre alunos e professores contribuindo no processo ensino aprendizagem. Perspectiva, Erechim, v. 35, 
n. 132, p. 183‑196, dez. 2011. Disponível em: https://tinyurl.com/5xjcvrhm. Acesso em: 12 mar. 2025.
MONÇÃO, M. A. G. Gestão na Educação Infantil: cenários do cotidiano. São Paulo: Loyola, 2021.
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ONOFRE, C. O que a BNCC diz sobre o protagonismo dos alunos? Dentro da História, 2019. Disponível 
em: https://tinyurl.com/2sp2t7x6. Acesso em: 15 jan. 2025.
OSTETTO, L. E. (org.). Registros na Educação Infantil: pesquisa e prática pedagógica. Campinas: 
Papirus, 2018. Disponível em: https://tinyurl.com/452v4963. Acesso em: 15 jan. 2025.
PANTALEÃO, E.; NUNES, K. R.; BRITO, R S. Conselhos escolares e formação humana. Curitiba: CRV, 2017. 
Disponível em: https://tinyurl.com/533faxs7. Acesso em: 13 mar. 2025.
PEREZ, T. (org.). A Base Nacional Comum Curricular na prática da gestão escolar e pedagógica. São Paulo: 
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SILVA, O. H. F. Gestão democrática na Educação Infantil. Contagem: Escola Cidadão, 2020. Disponível em: 
https://tinyurl.com/388z8jky. Acesso em: 10 mar. 2025.
VEIGA, I. P. A. Projeto Político‑Pedagógico da escola: uma construção possível. São Paulo: Papirus, 2015.
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Informações:
www.sepi.unip.br ou 0800 010 9000mais justa e inclusiva
Isto posto, essa nova concepção de ensino necessita reconhecer a singularidade da criança, no 
que diz respeito a considerar sua trajetória de vida, cultura e contexto social, respeitando sua voz e 
protagonismo; promover o direito de brincar, de modo a valorizar o brincar como forma de expressão, 
aprendizagem e desenvolvimento; garantir um ambiente acolhedor e inclusivo, o qual promova 
interações saudáveis e estimule a autonomia e a criatividade; e integrar as múltiplas linguagens, ou 
seja, trabalhar aspectos pedagógicos pautados nas dimensões como a oralidade, a leitura, a escrita, 
a música, o corpo e a natureza.
Toda essa transformação, fundamentada nos marcos legais e nas políticas públicas subsequentes, foi 
determinante para que a Educação Infantil se consolidasse como um espaço educativo e formador, além 
de contribuir para a construção de uma sociedade mais equitativa, em que as crianças são reconhecidas 
como sujeitos de direitos desde a primeira infância.
Silva (2020) informa que no cenário atual a Educação Infantil é vista como um direito da criança e 
um objetivo em si mesma, não mais apenas como uma etapa preparatória para o Ensino Fundamental. 
A ênfase está no desenvolvimento global da criança, considerando suas necessidades afetivas, cognitivas, 
motoras e sociais. A criança deve ser reconhecida como um sujeito de direitos, e a educação deve ser 
vista como um processo ativo e participativo, no qual a criança é protagonista do seu aprendizado, não 
mais apenas receptora de cuidados ou conhecimentos transmitidos passivamente.
16
Unidade I
A gestão da Educação Infantil no cenário contemporâneo deve, portanto, segundo Silva (2020), 
ser orientada para o desenvolvimento integral das crianças, com práticas pedagógicas que promovam 
o brincar, o aprender pela experiência e o respeito às diversas formas de expressão e aprendizagem. 
A  escola de Educação Infantil não é mais vista como um espaço apenas para guardar as crianças 
enquanto os pais trabalham, mas como um espaço de aprendizagem e socialização, onde se promovem 
as primeiras experiências educativas.
 Saiba mais
Leia mais sobre o assunto nos documentos a seguir:
BRASIL. Lei n. 9.394, de 20 de dezembro de 1996. Estabelece as diretrizes e bases 
da educação nacional. Brasília, 1996. Disponível em: https://tinyurl.com/4cedb7bk. 
Acesso em: 10 mar. 2025.
BRASIL. Lei n. 8.069, de 13 de julho de 1990. ECA – Estatuto da Criança e 
do Adolescente. Brasília, 1990. Disponível em: https://tinyurl.com/mtd8danx. 
Acesso em: 10 mar. 2025.
1.1 A educação de bebês e crianças de 0 a 5 anos nas políticas públicas e na 
legislação educacional: avanços e retrocessos
A educação de bebês e crianças de 0 a 5 anos tem sido alvo de avanços significativos nas últimas 
décadas, mas também enfrenta desafios e retrocessos no contexto das políticas públicas e da legislação 
educacional no Brasil.
Nas últimas décadas, a Educação Infantil no Brasil, destinada a crianças de 0 a 5 anos, passou por 
importantes transformações que garantiram maior reconhecimento, acesso e qualidade dessa etapa da 
Educação Básica. Os avanços estão diretamente ligados a mudanças na legislação, políticas públicas e 
práticas pedagógicas.
No que diz respeito aos avanços, mencionamos novamente os aspectos legais, em especial ao 
reconhecimento constitucional (1988), que consolidou a Educação Infantil como um direito da criança 
e um dever do Estado, rompendo com a visão assistencialista e sanitarista predominante até então, e 
estabeleceu a creche e a pré‑escola como parte da Educação Básica, ampliando sua relevância social.
Outro avanço foi a regulamentação dada pela LDB (Brasil, 1996), que definiu a Educação Infantil 
como a primeira etapa da Educação Básica, com foco no desenvolvimento integral da criança e no 
respeito à  sua individualidade, e ressaltou o papel pedagógico dessa etapa, fixando diretrizes para 
o atendimento em creches (0 a 3 anos) e pré‑escolas (4 e 5 anos).
17
GESTÃO DA ESCOLA DE EDUCAÇÃO INFANTIL
Ainda na esteira dos avanços, citamos o PNE (2014‑2024), que em sua meta 1 estabeleceu a 
universalização da pré‑escola para crianças de 4 e 5 anos e a ampliação progressiva do atendimento em 
creches para pelo menos 50% das crianças de 0 a 3 anos. O referido plano ainda definiu a qualificação 
do atendimento, no que tange à formação continuada de professores, e melhorias na infraestrutura 
das unidades escolares têm sido prioridade em diversos estados e municípios, com incentivo ao uso de 
abordagens pedagógicas centradas no brincar, nas múltiplas linguagens e na interação social. Estabeleceu 
também práticas efetivas de equidade e inclusão pautadas em políticas voltadas para atender crianças 
de grupos vulneráveis, como as populações indígenas, quilombolas e crianças com deficiência, que têm 
ganhado força nos últimos anos.
Nesse contexto de ampliação do acesso na Educação Infantil, vale mencionar a universalização da 
Pré‑Escola (4 e 5 anos), a qual tornou obrigatória a matrícula para crianças de 4 e 5 anos, conforme a 
Emenda Constitucional n. 59/2009 e a LDB (1996), garantindo maior alcance dessa etapa educacional.
Destaque também para o aumento no atendimento em creches e políticas como o ProInfância, 
que ampliaram o número de creches públicas, beneficiando crianças de 0 a 3 anos, especialmente em 
comunidades de baixa renda. Importante informar que o ProInfância diz respeito ao Programa Nacional 
de Reestruturação e Aquisição de Equipamentos para a Rede Escolar Pública de Educação Infantil, 
instituído pela Resolução n. 6, de 24 de abril de 2007, e foi uma importante iniciativa do Ministério da 
Educação (MEC), integrada ao Plano de Desenvolvimento da Educação (PDE). Seu objetivo principal é 
ampliar o acesso de crianças a creches e pré‑escolas, além de promover a melhoria da infraestrutura 
física das unidades de Educação Infantil em todo o Brasil.
Os avanços também contemplaram a valorização do papel pedagógico da Educação Infantil, com 
destaque para as Diretrizes Curriculares Nacionais para a Educação Infantil (DCNEI), de 2010, as quais 
estabeleceram princípios e práticas que valorizam o brincar, as múltiplas linguagens e as interações, 
reconhecendo a criança como protagonista do processo educativo, e a BNCC, de 2018, que definiu 
direitos de aprendizagem e desenvolvimento para a Educação Infantil, estruturando uma abordagem 
pedagógica que respeita as especificidades dessa etapa.
Silva (2020) menciona que para os avanços também foram preconizadas ações orçamentárias 
como a criação do Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica e de Valorização 
dos Profissionais da Educação (Fundeb) no ano de 2007, fato que, pela primeira vez no país, fez valer a 
representação de uma política de financiamento público para a Educação Infantil.
Outro ponto de ação para garantir melhorias e eficiências na Educação Infantil foram os programas 
de formação de professores e profissionalização, bem como exigência de formação específica para atuar 
nessa modalidade de ensino. Assim, a LDB e as DCNEI passaram a exigir formação em Pedagogia ou 
áreas correlatas para professores da Educação Infantil e aumento de iniciativas de formação continuada 
para profissionais dessa etapa.
Ações de inclusão e equidade para a atendimento às crianças com deficiência também ganharão 
potência para o avanço da Educação infantil, isso com a expansão de políticas para inclusão de crianças 
com NEE na Educação Infantil, com adaptações pedagógicas e infraestrutura acessível. Outras ações 
18
Unidade I
potentes foram as de valorização da diversidade cultural como ponto de defesa, isso com a promoção 
de práticas pedagógicas que respeitam e incorporam a diversidade cultural, étnica e social das crianças 
e suas famílias.
No âmbito das ações de potencialização, verifica‑se o fortalecimento das políticas públicas – como 
já mencionado, o PNE (2014‑2024 – meta 1) –, programas federais e locais, iniciativas como o Bolsa 
Família eo Brasil Carinhoso ajudaram a garantir que crianças em situação de vulnerabilidade tivessem 
acesso à Educação Infantil.
Vale mencionar, nesse contexto, a integração entre educação e cuidado, quanto à superação do 
modelo assistencialista, promovendo uma visão integral que considera a criança como um sujeito de 
direitos, com necessidades cognitivas, sociais, emocionais e físicas a serem atendidas simultaneamente.
Isto posto, verifica‑se que os avanços na Educação Infantil têm contribuído para a redução das 
desigualdades educacionais, promoção de uma base sólida para a aprendizagem ao longo da vida e 
fortalecimento da equidade social, com maior inclusão de crianças em situações de vulnerabilidade.
Apesar dos desafios que persistem, os avanços conquistados representam passos fundamentais 
na consolidação da Educação Infantil como um direito essencial para o desenvolvimento humano e a 
construção de uma sociedade mais justa e inclusiva.
No que tange às situações de retrocessos, há destaques para desafios de financiamento, uma vez 
que a Emenda Constitucional n. 95/2016, ao estabelecer o teto de gastos públicos, comprometeu o 
investimento em políticas educacionais, dificultando a ampliação e a manutenção de vagas em creches 
e pré‑escolas. No âmbito orçamentário, há que se evidenciar que os recursos são insuficientes para 
atender à demanda crescente, especialmente em áreas periféricas e comunidades rurais.
Outro ponto de retrocessos refere‑se às desigualdades regionais. Apesar dos avanços, ainda há 
disparidades significativas no acesso à Educação Infantil entre regiões urbanas e rurais, bem como entre 
estados do Norte e Nordeste em relação ao Sul e Sudeste.
Mencionamos aqui a retrocessão vinculada à descontinuidade de políticas, haja vista que a 
alternância de governos e as mudanças na prioridade dada à Educação Infantil causam descontinuidade 
na implementação de programas e projetos de longo prazo. Outro ponto que causa retrocesso está 
vinculado às políticas que valorizam o aspecto assistencialista em detrimento do pedagógico e que 
ainda persistem em alguns contextos.
Cabe citar também fatores destacados por Silva (2020), os quais são ligados à desvalorização do 
profissional, pois muitos profissionais da Educação Infantil ainda enfrentam baixos salários, condições 
precárias de trabalho e falta de reconhecimento social. Evidencia‑se que a ausência de uma política 
nacional estruturada para a formação inicial e continuada dos educadores afeta diretamente a qualidade 
do atendimento.
19
GESTÃO DA ESCOLA DE EDUCAÇÃO INFANTIL
Os avanços conquistados na Educação Infantil no Brasil são inegáveis, mas é necessário reforçar a 
luta contra os retrocessos que ameaçam a universalização e a qualidade do atendimento. A educação de 
bebês e crianças pequenas deve ser prioridade contínua nas políticas públicas, com foco no investimento 
adequado, formação dos profissionais e garantia de acesso equitativo e inclusivo.
A valorização da Educação Infantil como direito humano e base do desenvolvimento integral exige 
esforços conjuntos entre sociedade civil, gestores públicos e legisladores, garantindo que essa etapa seja 
preservada como essencial na construção de um futuro mais justo e inclusivo.
 Lembrete
A Educação Infantil é a etapa da Educação Básica destinada a crianças 
de 0 a 5 anos e tem um papel crucial no desenvolvimento integral da 
criança. Além de ser um direito garantido pela Constituição Brasileira, a 
Educação Infantil deve garantir uma formação que respeite os direitos 
fundamentais das crianças, como o direito à vida, à liberdade, à dignidade, à 
saúde, à convivência familiar e comunitária, entre outros. Esses direitos são 
essenciais para assegurar que as crianças possam crescer em um ambiente 
seguro, estimulante e respeitador de suas individualidades.
 Saiba mais
Para entender mais sobre o tema, acesse o Fundo Nacional de Desenvolvimento 
da Educação (FNDE):
Disponível em: https://tinyurl.com/mr3vmnam. Acesso em: 10 mar. 2025.
2 FUNDAMENTAÇÃO E PRINCÍPIOS DA EDUCAÇÃO E DA GESTÃO DA ESCOLA 
DE EDUCAÇÃO INFANTIL
A Educação Infantil é a primeira etapa da Educação Básica e tem como objetivo o desenvolvimento 
integral das crianças de 0 a 5 anos, contemplando aspectos físicos, emocionais, sociais e cognitivos. 
A gestão da escola de Educação Infantil deve estar alinhada a esses propósitos e fundamentada em 
princípios pedagógicos, éticos e organizacionais que garantam um ambiente de qualidade para o 
desenvolvimento infantil.
Monção (2021) entende a Educação Infantil como espaço de socialização das crianças pequenas, 
direito delas e de suas famílias, o qual deve ser convertido em uma política pública, e sinaliza que os 
aspectos inerentes às fundamentações da Educação Infantil, no que tange à base legal, são estruturados 
pela Constituição Federal de 1988, que reconhece a Educação Infantil como direito da criança e dever 
do Estado, e pela LDB (Brasil, 1996), que define essa modalidade como a primeira etapa da Educação 
20
Unidade I
Básica, destinada a crianças de 0 a 5 anos, com foco no desenvolvimento integral nos aspectos físico, 
psicológico, intelectual e social.
Conforme o Parecer n. 20/2009 – CNE/CEB e a Resolução n. 5/2009 – CNE/CEB, as DCNEI reforçam 
que essa etapa, a da Educação Básica, deve ser primeiramente planejada e estruturada para garantir os 
direitos das crianças a uma educação de qualidade. O foco está na criação de ambientes que promovam 
o aprendizado, o cuidado e a socialização. Esses espaços devem ser organizados de maneira a atender 
às necessidades físicas, emocionais, sociais e cognitivas das crianças, respeitando sua diversidade e 
seus contextos culturais. Além disso, é essencial que o planejamento das atividades pedagógicas seja 
integrado com a organização do espaço físico, do tempo e dos recursos disponíveis, garantindo que o 
processo educativo seja inclusivo e significativo.
Desta feita, por seu caráter educativo atrelado à exigência de formação mínima e específica 
dos profissionais e ao fato de estarem submetidas a legislações que regulam seu credenciamento e 
funcionamento, a Educação Infantil como primeira etapa da Educação Básica deve seguir os princípios 
estabelecidos nas suas diretrizes, os quais são definidos na Resolução n. 5/2009 – CNE/CEB, no artigo 6º:
I – Éticos: da autonomia, da responsabilidade, da solidariedade e do respeito 
ao bem comum, ao meio ambiente e às diferentes culturas, identidades 
e singularidades.
II – Políticos: dos direitos de cidadania, do exercício da criticidade e do 
respeito à ordem democrática.
III – Estéticos: da sensibilidade, da criatividade, da ludicidade e da 
liberdade de expressão nas diferentes manifestações artísticas e culturais 
(Brasil, 2009, p. 2).
Trata‑se de princípios que se complementam e expressam uma formação fundamentada  na 
integralidade do ser humano, que precisa se apropriar dos sentidos éticos, políticos e estéticos 
na construção de sua identidade pessoal e social. Esses princípios estão vinculados à BNCC (Brasil, 2018) 
por meio da definição de seis direitos de aprendizagem e desenvolvimento, os quais visam garantir 
uma educação que respeite as diversidades, promover a igualdade de oportunidades e contribuir para o 
desenvolvimento pleno dos alunos.
Sob essas perspectivas, os direitos de conhecer‑se e de conviver relacionam‑se aos princípios éticos, 
os direitos de expressar e de participar partem dos princípios políticos e os direitos de brincar e de 
explorar contemplam os princípios estéticos. A figura a seguir exemplifica esses vínculos:
21
GESTÃO DA ESCOLA DE EDUCAÇÃO INFANTIL
Expressar Brincar
Explorar
Conviver
Participar
Conhecer‑se
Ético
Político Estético
Figura 2 – Direitos de aprendizagem
No que tange aos princípios éticos, estes estão relacionados às ações e às relações adversas com 
e entre as crianças, com e entre os adultos das unidades de Educação Infantil e também com os 
familiares, com experiências de responsabilidade, solidariedadee respeito. Nesse sentido, é necessária 
a intencionalidade na organização do trabalho pedagógico, partindo de saberes e conhecimentos que 
garantam a participação e a expressão das crianças, de modo a objetivar a autonomia delas.
Em razão disso, no percurso da aprendizagem e do desenvolvimento, há que se considerar a 
afetividade e os vínculos estabelecidos pelas crianças, de modo que promovam uma autoestima 
positiva e uma construção da identidade da sua autonomia. A afetividade, ao ser considerada no 
planejamento pedagógico, contribui para que as crianças se sintam seguras, validadas e respeitadas em 
sua autoimagem positiva. Tudo isso também tem um impacto direto na formação da identidade social, 
de um vínculo sólido, de empatia e de solidariedade. Portanto, ao integrar a afetividade e os vínculos 
sociais no processo pedagógico, a Educação Infantil não apenas favorece os aspectos educacionais, 
como também o desenvolvimento pleno da criança, na perspectiva biopsicossocial.
Nesse contexto e processo, a criança tem a possibilidade de conhecer‑se, conhecer o outro e conviver 
na diversidade étnico‑racial, cultural, regional, religiosa, entre outras, respeitando o ser humano e os 
espaços em que vive. Dessa forma, de acordo com a BNCC (Brasil, 2018, p. 36):
Conhecer-se e construir sua identidade pessoal, social e cultural, 
constituindo uma imagem positiva de si e de seus grupos de pertencimento, 
nas diversas experiências de cuidados, interações, brincadeiras e linguagens 
vivenciadas na instituição escolar e em seu contexto familiar e comunitário.
Conviver com outras crianças e adultos, em pequenos e grandes grupos, 
utilizando diferentes linguagens, ampliando o conhecimento de si e do 
outro, o respeito em relação à cultura e às diferenças entre as pessoas.
22
Unidade I
Essas experiências são fundamentais para o desenvolvimento da criança e estão alinhadas aos princípios 
da BNCC, que expressam direitos e objetivos essenciais para a formação integral dos alunos. Ela reforça a 
importância de ações educativas que promovam o autocuidado e o respeito ao próximo e ao meio ambiente.
Com relação à intencionalidade que acabamos de citar, Ostetto (2018) evidencia que o planejamento 
intencional na Educação Infantil é de suma importância, haja vista a organização pedagógica voltada 
para as necessidades de reflexão cuidadosa e estratégica, em especial nas questões cognitivas, sociais, 
emocionais e físicas.
Já os princípios políticos expressam a ideia de cidadania, criticidade e democracia, que, ligada aos 
princípios políticos, tende a fomentar a participação empreendedora do sujeito ativo. Logo, a função da 
educação é a de formadora de cidadãos críticos, agentes de mudanças, que saibam considerar o coletivo 
e o individual.
É mister, então, que as crianças aprendam a ouvir e a respeitar a opinião do outro, bem como a 
expressar suas opiniões, sentimentos e ideias sobre si, o outro e o mundo. Esse processo de escuta ativa 
e expressão cria as condições para que as crianças se sintam valorizadas, compreendidas e capazes de 
interagir com os outros de maneira construtiva e respeitosa. Com isso, a educação, ao promover esses 
direitos e habilidades desde a Educação Infantil, ajuda a formar uma geração de cidadãos conscientes, 
capazes de pensar criticamente, respeitando as diferentes ações do bem‑estar comum.
Nessa linha de considerações concernentes aos princípios políticos, a BNCC (2018, p. 36) assim 
se posiciona:
Expressar, como sujeito dialógico, criativo e sensível, suas necessidades, emoções, 
sentimentos, dúvidas, hipóteses, descobertas, opiniões, questionamentos, por 
meio de diferentes linguagens.
Participar ativamente, com adultos e outras crianças, tanto do 
planejamento da gestão da escola e das atividades propostas pelo educador 
quanto da realização das atividades da vida cotidiana, tais como a escolha 
das brincadeiras, dos materiais e dos ambientes, desenvolvendo diferentes 
linguagens e elaborando conhecimentos, decidindo e se posicionando.
Esses direitos são essenciais para crianças no que diz respeito ao seu desenvolvimento integral, pois 
favorecem a construção da autonomia, da identidade e da capacidade de se comunicar de maneira clara 
e respeitosa. Assim, ao garantirmos esses direitos no contexto da Educação Infantil, estamos colaborando 
não só para a promoção do desenvolvimento integral, mas também preparando‑os para se tornarem 
agentes ativos de transformação social, com habilidade na comunicação.
Os princípios estéticos referem‑se às ideias de que ser aplicado na Educação Infantil envolve muito 
mais do que apenas o contato com as manifestações artísticas. Ele está intimamente ligado à construção 
da sensibilidade da criança, ou seja, à sua imaginação criativa e às habilidades cognitivas e emocionais, 
que por sua vez impulsionam o seu desenvolvimento.
23
GESTÃO DA ESCOLA DE EDUCAÇÃO INFANTIL
Quanto às práticas pedagógicas, os princípios estéticos propõem atividades que envolvem diferentes 
tipos de expressões culturais e artísticas, como percepção estética e exercício de habilidades cognitivas. 
Dessa forma, os momentos e possibilidades de criação afloram.
Na BNCC (Brasil, 2018, p. 36), os princípios estéticos aparecem nos direitos de:
Brincar cotidianamente de diversas formas, em diferentes espaços e tempos, 
com diferentes parceiros (crianças e adultos), ampliando e diversificando 
seu acesso a produções culturais, seus conhecimentos, sua imaginação, sua 
criatividade, suas experiências emocionais, corporais, sensoriais, expressivas, 
cognitivas, sociais e relacionais.
Explorar movimentos, gestos, sons, formas, texturas, cores, palavras, emoções, 
transformações, relacionamentos, histórias, objetos, elementos da natureza, 
na escola e fora dela, ampliando seus saberes sobre a cultura, em suas 
diversas modalidades: as artes, a escrita, a ciência e a tecnologia.
Isto posto, as brincadeiras, as quais são tidas como manifestações culturais e artísticas próprias 
da infância, tendem a permitir a expressão da liberdade e da ludicidade. Logo, a brincadeira é uma 
forma de interação e também uma promotora do desenvolvimento. É preciso considerar que, ao brincar, 
a criança explora objetos, aprende sobre as diferentes funções sociais da cultura e desenvolve o controle 
de conduta, pois realiza as ações de um adulto, imitando‑o em diferentes situações.
À vista disso, esses pensamentos estão alinhados com a compreensão de que a infância é uma fase 
crucial no desenvolvimento humano. Os princípios e direitos das crianças precisam ser contextualizados 
de acordo com as especificidades dessa fase, levando em conta não apenas as necessidades físicas, mas 
também as emocionais, cognitivas e sociais. Dessa forma, as políticas e práticas educacionais devem ser 
fundamentadas em um entendimento profundo do que é ser criança e de como elas interagem com 
o mundo à sua volta, respeitando suas etapas de desenvolvimento e proporcionando um ambiente 
propício para seu crescimento integral.
Sob tais perspectivas, o objetivo final das leis, diretrizes e normativas é garantir que a Educação 
Infantil seja uma etapa fundamental para o desenvolvimento integral das crianças. Nesse contexto, 
busca‑se proporcionar experiências educativas que respeitem os direitos humanos e promovam 
valores democráticos.
Por meio de práticas pedagógicas intencionais, que consideram o cuidado, o aprendizado e a 
socialização, a Educação Infantil desempenha um papel essencial na garantia de uma educação inclusiva, 
equitativa e de qualidade, contribuindo para o desenvolvimento das capacidades físicas, emocionais, 
cognitivas e sociais das crianças. Assim, essa etapa inicial da educação pública cumpre seu papel não 
apenas como um direito garantido, mas também como um investimento na formação integral do ser 
humano, promovendo uma base sólida para a construção de uma sociedade mais justa, consciente 
e participativa.
24
Unidade I
No âmbito dos aspectos pedagógicos, mencionamos aquias DCNEI, que definem os fundamentos 
pedagógicos e organizacionais que orientam a prática educativa nessa etapa. A abordagem pedagógica 
define que a Educação Infantil é pautada em concepções teóricas que enfatizam a criança como sujeito de 
direitos, pois ela é reconhecida em sua singularidade, diversidade e potencialidade e como sujeito ativo, 
uma vez que é participante no processo de construção de conhecimentos, a partir de suas vivências, 
interesses e interações.
Nesse contexto, impera o desenvolvimento integral; logo, a prática pedagógica deve contemplar 
os aspectos cognitivos, relacionados ao estímulo da curiosidade, da criatividade e da resolução de 
problemas. Deve contemplar ainda os aspectos sociais e emocionais, atrelados à promoção de relações 
saudáveis e desenvolvimento de habilidades socioemocionais, e os aspectos físicos e sensoriais, com 
relação ao incentivo à motricidade e ao uso dos sentidos e à inclusão e diversidade, de modo a promover 
a inclusão, garantindo o acesso de todas as crianças, independentemente de suas condições físicas, 
sociais, culturais ou econômicas, a um ambiente educativo respeitoso e acolhedor.
Sendo assim, o planejamento das atividades pedagógicas e a organização dos elementos 
fundamentais, como espaço, tempo e recursos, devem ser intencionalmente orientados para atender às 
necessidades físicas, emocionais, sociais e cognitivas das crianças. Essa estruturação deve atender às suas 
especificidades individuais, o contexto cultural em que estão inseridas e as fases de desenvolvimento, 
garantindo o equilíbrio entre o cuidar e o educar, que são eixos essenciais da educação.
Na esfera dos princípios que orientam a Educação Infantil no Brasil, estes estão fundamentados nos 
direitos de aprendizagem e desenvolvimento das crianças, os quais preconizam:
• Direito à educação de qualidade: a Educação Infantil deve garantir o acesso universal, 
igualitário e inclusivo a todas as crianças, independentemente de suas condições sociais, culturais 
ou econômicas.
• Indissociabilidade entre cuidar e educar: os processos de cuidado e educação devem ser 
integrados, assegurando o bem‑estar físico e emocional das crianças, bem como seu aprendizado.
• Respeito à singularidade e à diversidade: deve‑se considerar a individualidade de cada criança, 
respeitando suas origens culturais, étnicas e sociais.
• Brincar como direito fundamental: o brincar é reconhecido como elemento central no 
desenvolvimento infantil, sendo a principal linguagem da criança e uma forma de expressão, 
interação e aprendizagem.
• Desenvolvimento integral: a Educação Infantil deve promover o desenvolvimento físico, 
cognitivo, emocional, social, cultural e ético das crianças.
• Participação da família e da comunidade: a colaboração entre escola, família e comunidade é 
essencial para criar um ambiente educativo acolhedor e participativo.
25
GESTÃO DA ESCOLA DE EDUCAÇÃO INFANTIL
• Organização do espaço e do tempo: o ambiente escolar deve ser seguro, estimulante e adaptado 
às necessidades das crianças, com um planejamento que respeite seus ritmos e interesses.
• Inclusão e equidade: a Educação Infantil deve ser inclusiva, atendendo às necessidades de crianças 
com deficiência, transtornos globais do desenvolvimento e altas habilidades/superdotação.
• Avaliação processual e qualitativa: a avaliação deve acompanhar o desenvolvimento das 
crianças de forma contínua e não classificatória, respeitando seus ritmos de aprendizagem.
No que diz respeito às práticas pedagógicas fundamentais, sobretudo aos direitos de aprendizagem e 
desenvolvimento, a BNCC representa um marco significativo na consolidação da Educação Infantil 
como uma etapa essencial da Educação Básica no Brasil. Ao estabelecer seis direitos de aprendizagem 
e  desenvolvimento, o documento orienta os educadores a promover experiências significativas que 
favoreçam o desenvolvimento integral de bebês e crianças de 0 a 5 anos.
No quadro a seguir, evidenciamos, de maneira explicativa, os seis direitos definidos pela BNCC, bem 
como as possibilidades para garantir esses direitos.
Quadro 2 – Direitos de aprendizagem na Educação Infantil, de acordo com a BNCC
Direitos Significação Possibilidades para garantir esses direitos
Conviver
“Conviver com outras crianças e adultos, em 
pequenos e grandes grupos, utilizando diferentes 
linguagens, ampliando o conhecimento de si e 
do outro, o respeito em relação à cultura e às 
diferenças entre as pessoas” (Brasil, 2018, p. 38)
Situações em que os pequenos possam brincar 
e interagir com os colegas são fundamentais. 
Jogos, por exemplo, são importantes para que 
as crianças convivam em uma situação em que 
precisam respeitar regras
Permitir que as crianças participem da 
organização da convivência do grupo, 
envolvendo‑as nas tarefas que viabilizam o 
cotidiano, como organizar o ambiente das 
refeições ou acomodar os brinquedos
Brincar
“Brincar cotidianamente de diversas formas, em 
diferentes espaços e tempos, com diferentes 
parceiros (crianças e adultos), ampliando e 
diversificando seu acesso a produções culturais, 
seus conhecimentos, sua imaginação, sua 
criatividade, suas experiências emocionais, 
corporais, sensoriais, expressivas, cognitivas, 
sociais e relacionais” (Brasil, 2018, p. 38)
As brincadeiras são essenciais e devem estar 
presentes intensamente na rotina da criança. 
Trata‑se de iniciativas infantis que o adulto 
deve acolher e enriquecer, porém devem ser 
planejadas e variadas. Para isso, a partir da 
observação dos pequenos brincando, o professor 
pode disponibilizar materiais que auxiliem 
o desenvolvimento da brincadeira ou que 
conduzam a outras experiências. Ele também 
pode promover conversas posteriores para discutir 
o que observou
Participar 
Participar ativamente, com adultos e outras 
crianças, tanto do planejamento da gestão da 
escola e das atividades propostas pelo educador 
quanto da realização das atividades da vida 
cotidiana, tais como a escolha das brincadeiras, 
dos materiais e dos ambientes, desenvolvendo 
diferentes linguagens e elaborando 
conhecimentos, decidindo e se posicionando” 
(Brasil, 2018, p. 38) 
Procurar envolver a família nas tarefas escolares. 
Um exemplo é construção de casinhas de 
brinquedo
Permitir que elas participem das decisões que 
dizem respeito a elas mesmas e que organizam o 
cotidiano coletivo é fundamental
26
Unidade I
Direitos Significação Possibilidades para garantir esses direitos
Explorar
“Explorar movimentos, gestos, sons, 
formas, texturas, cores, palavras, emoções, 
transformações, relacionamentos, histórias, 
objetos, elementos da natureza, na escola e fora 
dela, ampliando seus saberes sobre a cultura, em 
suas diversas modalidades: as artes, a escrita, a 
ciência e a tecnologia” (Brasil, 2018, p. 38)
Permitir que as crianças explorem sozinhas 
diferentes materiais fornecidos pelo professor
Além da exploração de elementos concretos, 
explorar os elementos simbólicos, como músicas e 
histórias, por exemplo
Criar momentos de reflexão para que, a partir de 
observação e escuta, o professor perceba o que é 
pertinente e necessário para os pequenos
Expressar
“Expressar, como sujeito dialógico, criativo 
e sensível, suas necessidades, emoções, 
sentimentos, dúvidas, hipóteses, descobertas, 
opiniões, questionamentos, por meio de 
diferentes linguagens” (Brasil, 2018, p. 38)
Rodas de conversa são imprescindíveis para que 
as crianças tenham seu direito garantido
É importante que essas situações sejam 
frequentes para que o professor apresente 
materiais variados para que a criança explore e se 
expresse a partir de diferentes linguagens
Criação de momentos de falas e de escuta 
Conhecer‑se
“Conhecer‑se e construir sua identidade pessoal, 
social e cultural, constituindo uma imagem 
positiva de si e de seus grupos de pertencimento, 
nas diversas experiências de cuidados, interações, 
brincadeiras e linguagens vivenciadas na 
instituição escolar e em seu contexto familiar e 
comunitário” (Brasil,2018, p. 38) 
Ajudar os alunos nas práticas de autopercepção, 
isso para que eles aprendam do que gostam. Para 
isso, o professor pode, a partir da observação, 
criar situações simples, mas que os auxiliem a 
descobrir a si próprios e aos outros 
Os direitos que acabamos de apresentar evidenciam que a BNCC organiza a Educação Infantil em 
campos de experiência, garantindo a articulação entre as vivências e os direitos de aprendizagem, e 
seus objetivos articulam as vivências das crianças com os direitos de aprendizagem, promovendo um 
desenvolvimento integral. Essa estrutura assegura que as práticas pedagógicas considerem a criança 
como protagonista, respeitando suas necessidades, interesses e contextos socioculturais.
Isto posto, vê‑se que a Educação Infantil se fundamenta no reconhecimento da criança como sujeito 
de direitos, cuja formação integral requer práticas pedagógicas inclusivas, afetivas e contextualizadas. 
Ao respeitar os princípios de cuidado, educação, brincadeira e inclusão, essa etapa torna‑se essencial 
para a construção de bases sólidas para o desenvolvimento humano e social. A escola de Educação 
Infantil deve ser um espaço democrático, acolhedor e transformador, que priorize o bem‑estar e a 
aprendizagem das crianças.
A Educação Infantil, ao respeitar os princípios de cuidado, educação, brincadeira e inclusão, cumpre 
um papel essencial na construção das bases para o desenvolvimento humano e social. Um espaço 
de acolhimento, aprendizado e transformação, a escola de Educação Infantil é o ponto de partida 
para a formação de cidadãos conscientes, solidários e preparados para contribuir positivamente com 
a sociedade.
Nesse contexto, para respeitar os princípios e direitos de cuidado, educação, brincadeira e inclusão 
e ainda promover o desenvolvimento pleno da criança, o modelo mais indicado para a gestão é o 
democrático e participativo, defendidos pelos amparos legais.
A gestão democrática e participativa é essencial para garantir que as necessidades e direitos das 
crianças sejam atendidas de forma equitativa e respeitosa, permitindo uma educação inclusiva e de 
27
GESTÃO DA ESCOLA DE EDUCAÇÃO INFANTIL
qualidade. Além disso, esse modelo de gestão fortalece o relacionamento entre todos os membros da 
comunidade escolar, promove a troca de experiências e saberes e contribui para a construção de um 
ambiente educacional mais justo, transparente e democrático, em consonância com os valores 
defendidos pela Constituição Federal (1988), pela Lei de Diretrizes e Bases da Educação (1996) e pelas leis 
e normativas posteriores.
A implementação de uma gestão eficaz nos espaços de Educação Infantil é, de fato, um fator 
essencial para garantir que esses ambientes sejam mais do que locais de aprendizagem. Eles devem ser 
espaços que promovem o desenvolvimento integral das crianças, em que o cuidado, a educação e o 
respeito aos direitos dos pequenos são fundamentais.
Importante ratificar que a gestão de qualidade na Educação Infantil deve englobar aspectos de 
organização, planejamento e práticas pedagógicas que incentivem a participação ativa das crianças e 
de todos os envolvidos na comunidade escolar.
Esses aspectos são vitais para criar um ambiente educacional onde as crianças possam se desenvolver 
de forma integral e ativa, sendo reconhecidas como sujeitos de direitos e protagonistas de seu próprio 
aprendizado. A participação ativa das crianças, assim como de todos os membros da comunidade escolar, 
é crucial para garantir uma educação inclusiva, colaborativa e significativa.
 Observação
Educação Infantil vai além da simples preparação para o Ensino 
Fundamental; ela é um espaço de crescimento emocional, social, 
cognitivo e físico, em que os direitos das crianças devem ser protegidos 
e promovidos de maneira contínua e eficaz. A ideia de que os direitos 
fundamentais como o direito à vida, liberdade, dignidade, saúde e à 
convivência familiar e comunitária devem ser respeitados e garantidos 
no ambiente educacional é essencial para criar uma base sólida para o 
desenvolvimento da criança.
 Saiba mais
Leia mais sobre a BNCC no documento a seguir:
BRASIL. Base Nacional Comum Curricular: educação é a base. Brasília, 
MEC/Consed/Undime, 2018. Disponível em: https://tinyurl.com/3wj7jphj. 
Acesso em: 10 mar. 2025.
28
Unidade I
2.1 Gestão democrática na Educação Infantil
Figura 3 – As engrenagens da gestão democrática
Disponível em: https://shre.ink/MCRK. Acesso em: 20 mar. 2025.
A gestão escolar tem sua garantia fundamentada em dispositivos legais de grande relevância, sendo 
as principais referências a Constituição Federal de 1988 e a Lei n. 9.394/96 (LDB) com destaque para a 
gestão democrática do ensino público.
Embora esses marcos legais garantam a democratização das instituições públicas de ensino, sua 
implementação ainda enfrenta resistências. Questões culturais, estruturais e até mesmo políticas, 
muitas vezes, dificultam a consolidação de práticas democráticas nas escolas. Essa resistência pode 
ser atribuída a modelos tradicionais de gestão centralizada que ainda persistem em algumas regiões e 
sistemas educacionais.
Segundo Monção (2021), esses instrumentos legais, no entanto, têm sido fundamentais para a 
contribuição de reformas educacionais no campo da gestão escolar. Eles promovem a descentralização 
administrativa, a participação coletiva nos processos decisórios e a criação de instâncias colegiadas, 
como os conselhos escolares e grêmios estudantis, que fortalecem o papel da comunidade escolar na 
definição das políticas e práticas pedagógicas.
Assim, a gestão democrática e participativa se apresenta como um modelo de gestão que não 
apenas promove a autonomia da escola, mas também fortalece o vínculo entre os diferentes atores 
da educação, permitindo a troca de ideias, o compartilhamento de responsabilidades e a construção 
conjunta de ações.
Ao adotar uma gestão democrática e participativa, a escola, nesse caso de Educação Infantil, reforça 
seu compromisso com o desenvolvimento integral das crianças, garantindo que seus direitos sejam 
respeitados e que o ambiente escolar seja um espaço de aprendizagem, cuidado e inclusão, como 
preconizam as DCNEI (2010), os princípios defendidos pela Constituição Federal (1988) e as orientações 
apresentadas pela BNCC (2018).
29
GESTÃO DA ESCOLA DE EDUCAÇÃO INFANTIL
Portanto, esse tipo de gestão é essencial para que a Educação Infantil e as demais etapas da Educação 
Básica possam efetivamente cumprir seu papel de promover a formação de cidadãos conscientes, críticos 
e engajados, contribuindo para o fortalecimento da democracia e a construção de uma sociedade mais 
justa e solidária.
A gestão democrática e participativa é, portanto, uma ferramenta que tende a promover o 
envolvimento de todos os atores da comunidade escolar – professores, pais, alunos, funcionários e 
gestores – na tomada de decisões. Sendo assim, esse modelo de gestão possibilita a construção de 
soluções coletivas e mais adequadas às necessidades de cada grupo.
Monção (2021) nos esclarece que a gestão envolve dois principais processos. O primeiro é o uso mais 
adequado dos recursos existentes (os meios) e o segundo é o foco em determinado objetivo (os fins). Há 
que se compreender, todavia, que os meios e o fins são interdependentes e mutuamente condicionados. 
Dessa forma, diante de um determinado fim, é importante selecionar os meios mais adequados para se 
alcançar o que deseja. De forma similar, meios inadequados acabam por desvirtuar os fins ou mesmo 
tornam‑se inválidos para alcançar o propósito desejado.
Nesse contexto, Silva (2020) nos alerta que na Educação Infantil, uma das primeiras questões 
necessárias para se pensar em relação às instituições de atendimento à infância é refletir sobre qual é 
a finalidade delas. Dessa forma, a reflexão proposta pelo autor nos convida a questionar a finalidade 
das instituições de Educação Infantil, destacando que essa etapa da educação não deve ser apenas um 
espaço decuidado, mas, sobretudo, um lugar de direitos, desenvolvimento integral e formação cidadã. 
Esse olhar crítico é essencial no contexto da gestão democrática, pois reforça a necessidade de alinhar 
as práticas institucionais aos objetivos sociais, culturais e educacionais da infância.
No que tange às principais finalidades da Educação Infantil, destaca‑se a garantia dos direitos das 
crianças. Assim, as instituições que oferecem essa modalidade têm o papel de assegurar os direitos 
fundamentais da criança e na Constituição Federal (1988). Isso inclui o direito à educação, ao lazer, à 
saúde, à proteção e à participação.
Tais instituições devem promover o desenvolvimento integral das crianças em seus aspectos físico, 
emocional, social e cognitivo, respeitando suas especificidades e o ritmo de cada uma, de modo a 
oferecer uma educação de qualidade. Isso implica práticas pedagógicas planejadas e fundamentadas, 
que promovam experiências significativas e respeitem a diversidade cultural e individual das crianças 
por meio de ambientes acolhedores e seguros, onde as crianças possam interagir, aprender com seus 
pares e construir valores sociais como respeito, cooperação e empatia.
Ainda no domínio das principais finalidades da Educação Infantil, é mister destacar o favorecimento 
e a participação da comunidade, que inclui o fortalecimento dos laços entre a escola e a comunidade, 
promovendo a participação ativa das famílias e outros atores sociais no processo educativo. Também 
convém destacar fatores atrelados à preparação para a vida em sociedade, uma vez que embora a 
Educação Infantil não tenha caráter escolarizante, ela deve ajudar as crianças a desenvolver 
competências e habilidades que as preparem para a vida em sociedade, como o diálogo, a autonomia e 
o pensamento crítico.
30
Unidade I
À vista disso, refletir sobre a finalidade das instituições de Educação Infantil é essencial para orientar 
práticas de gestão democrática que respeitem os direitos das crianças e garantam a construção de um 
espaço educativo que valorize a infância. Isso implica:
• Planejar com propósito: alinhar o planejamento pedagógico à visão de infância como uma 
etapa crucial do desenvolvimento humano.
• Formar parcerias: engajar a comunidade escolar e as famílias nesse diálogo sobre a finalidade e 
os objetivos da Educação Infantil.
• Valorizar a voz das crianças: incorporar a perspectiva das crianças no planejamento e nas 
decisões pedagógicas, reconhecendo‑as como sujeitos ativos no processo educativo.
• Monitorar e avaliar: verificar continuamente se as práticas institucionais estão de fato 
promovendo os direitos e as finalidades propostas.
A provocação de Silva (2020) serve como um guia para que as instituições de Educação Infantil se 
tornem verdadeiros espaços de transformação social e desenvolvimento humano. Essa reflexão é um 
passo indispensável para construir uma gestão democrática que valorize e respeite a infância.
Essa afirmação sintetiza a importância de um olhar crítico e consciente sobre o papel das instituições 
de Educação Infantil, especialmente em contextos em que a gestão democrática é o princípio norteador.
Nesse contexto, Silva (2020) destaca a necessidade de ressignificar as práticas educativas e 
administrativas, considerando a infância como uma etapa essencial e autônoma do desenvolvimento 
humano, com finalidades próprias e direitos garantidos.
Ao refletir sobre a finalidade dessas instituições, reconhecemos que elas não se limitam a cuidados 
básicos, são espaços de transformação social, onde crianças são vistas como sujeitos de direitos, com 
potencial para contribuir ativamente no presente e para construir o futuro. Nessa perspectiva, convém 
considerarmos questões vinculadas:
• À transformação social, uma vez que as instituições de Educação Infantil têm o poder de 
transformar a realidade social ao proporcionar às crianças vivências que promovem equidade, 
inclusão e respeito às diversidades. Ao fomentar o diálogo com a comunidade, fortalecem o senso 
de pertencimento e a construção coletiva.
• Ao desenvolvimento humano integral, haja vista compreender a infância em sua totalidade, 
o que implica promover o desenvolvimento físico, cognitivo, social e emocional das crianças. 
Logo, a gestão democrática desempenha um papel central nesse processo ao ouvir, respeitar e 
incorporar as necessidades e as vozes de todas as partes envolvidas: crianças, famílias, educadores 
e comunidade.
31
GESTÃO DA ESCOLA DE EDUCAÇÃO INFANTIL
• À cultura da participação, já que a gestão democrática valoriza o diálogo e a corresponsabilidade, 
garantindo que as decisões institucionais estejam alinhadas às finalidades educativas e aos 
interesses das crianças. Assim, a reflexão sobre as práticas institucionais se torna um processo 
contínuo de aprendizagem e aperfeiçoamento.
• Ao respeito e valorização da infância, já que, ao colocar a infância no centro das reflexões, as 
instituições podem construir ambientes que respeitem os tempos, os ritmos e as necessidades 
próprias das crianças, promovendo o bem‑estar e a autonomia desde os primeiros anos de vida.
Portanto, as considerações de Silva (2020) acentuam que educadores, gestores e comunidades 
escolares devem assumir um compromisso ético com a infância. Refletir sobre a finalidade das instituições 
de Educação Infantil não é apenas uma questão teórica, mas uma prática vital para consolidar espaços 
democráticos que contribuam para a construção de uma sociedade mais justa e humana.
Assim, a gestão democrática na Educação Infantil tende a promover um ambiente educacional que 
valoriza a participação ativa de todos os envolvidos, garantindo transparência nos processos de tomada 
de decisão e fortalecendo o vínculo entre escola, famílias e comunidade.
Essa abordagem possibilita respeitar e valorizar a voz das crianças, reconhecendo‑as como sujeitos 
de direitos e participantes no processo educativo, com escuta ativa e inclusão em práticas significativas. 
Possibilita, ainda, o fortalecimento do diálogo com as famílias, de modo a ampliar o envolvimento delas 
nas decisões pedagógicas e administrativas, criando uma corresponsabilidade no desenvolvimento das 
crianças. Esse diálogo também é fortalecido com toda a equipe que desempenha papéis nas escolas, 
como professores e outros profissionais.
Além disso, propicia a promoção da inclusão e a equidade, porque constrói estratégias que atendem à 
diversidade e asseguram que todas as crianças tenham acesso às mesmas oportunidades de aprendizado 
e cuidado. E mais, articula políticas e práticas, pois alinha‑se às diretrizes legais e promove ações que 
refletem as demandas reais da comunidade escolar. Por fim, cria espaços de reflexão e colaboração, 
priorizando o planejamento coletivo e o aperfeiçoamento contínuo das práticas pedagógicas 
e administrativas.
Dessa forma, a gestão democrática na Educação Infantil se consolida como uma prática 
transformadora, que contribui para o desenvolvimento integral das crianças, o fortalecimento da 
cidadania e a construção de uma sociedade mais justa e participativa.
 Lembrete
A importância de um olhar crítico e consciente sobre o papel das 
instituições de Educação Infantil, especialmente em contextos de gestão 
democrática, é fundamental para garantir que as práticas educativas e 
administrativas respeitem a infância como uma fase essencial e autônoma 
do desenvolvimento humano.
32
Unidade I
 Saiba mais
Leia mais sobre gestão escolar e gestão democrática na Educação Infantil 
na obra a seguir:
SILVA, O. H. F. Gestão democrática na Educação Infantil. Contagem: 
Escola Cidadão, 2020. Disponível em: https://tinyurl.com/388z8jky. Acesso 
em: 10 mar. 2025.
3 QUEM SÃO OS PROFISSIONAIS QUE COMPÕEM A GESTÃO ESCOLAR E 
QUAIS SÃO AS SUAS FUNÇÕES?
A gestão escolar é o processo de organização, planejamento, coordenação e controle das atividades 
realizadas em uma instituição de ensino. Seu principal objetivo é garantir o funcionamento eficiente da 
escola,

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