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MODELAGEM E SIMULAÇÃO Professor: Dr. Edwin B. Mitacc Meza emitacc@id.uff.br Conceitos Fundamentais da Simulação de Sistemas Aspectos Gerais Simulação de Sistemas Modelos Analíticos X Modelos de Simulação Fases de um Projeto de Simulação Geração de Números Aleatórios Distribuições de Probabilidade Simulação de Sistemas por Eventos e por Processos Relógio de Simulação Variáveis do Sistema Elementos Abstratos do Sistema Aspectos Gerais Modelagem e Simulação 4 É uma coleção de elementos que se encontram interligados e que interagem entre si para alcançar um objetivo comum. Sistema Exemplos: Um sistema de Manufatura de um produto, um sistema de serviço de atendimento de um supermercado, um sistema de serviço de emergência de um hospital, etc. Modelagem e Simulação 5 Relação entre Processo e Sistema Processo É um conjunto de operações, atividades ou tarefas que criam uma saída (output) com base em uma ou mais entradas (input). Sistema É um conjunto de elementos usados para executar um processo, para o qual se requer também recursos e controles. Recursos Controles Atividades Sistema Entidades de entrada Entidades de saída Desenho de Processos→ o que está sendo executado no sistema Desenho de Sistemas→ como, onde e quando são executados os processos Modelagem e Simulação 6 Entidades: São os itens que transitam pelo sistema para serem processados ou receberem um serviço. Podem-se caracterizar pelo custo, a ordem, a prioridade, o status, etc. Elementos de um Sistema Existem 3 tipos: • Humanos ou animados: Clientes de supermercado, pacientes de um hospital, etc. • Inanimados: produtos, peças, documentos, etc. • Intangíveis: chamadas telefônicas, correios eletrônicos, projetos, etc. Modelagem e Simulação 7 Atividades: São as tarefas que se realizam num sistema, podem estar vinculadas direta ou indiretamente no processamento das entidades. As atividades tem uma duração e geralmente estão associados ao uso de recursos: Elementos de um Sistema Podem-se classificar em: • Processo de entidades: Corte de uma peça, serviço a clientes, etc. • Movimento de entidades e recursos: Transporte em um elevador, etc. • Ajuste, manutenção e reparação de recursos: configurar uma máquina, etc. Modelagem e Simulação 8 Recursos: São os meios para poder executar as atividades. Fornecem o suporte de máquinas, equipamentos, pessoal e facilidades em geral: Elementos de um Sistema Podem ser: • Humanos ou animados: Operadores, pessoal de manutenção, etc. • Inanimados: Equipamentos, ferramentas, dinheiro, espaço de armazenamento, etc. • Intangíveis: Informação, tempo, energia elétrica, etc. Modelagem e Simulação 9 Controles: Definem como, quando e onde são executados as atividades, também determinam as ações que se devem tomar quando certo evento ou condição ocorre. Elementos de um Sistema Exemplo: • Inicio ou fim da execução das atividades; • Priorização e sequenciamento de atividades; • Programas de produção; • Programas de manutenção. Modelagem e Simulação 10 Elementos de um Sistema Saída Armazém 1 Armazém 2 Operação 1 Operação 2 Operação 3 Inspeção peça Produto em processo Produto em processo Produto rejeitado Produto terminado Sistema de Manufatura Entidades: peças Atividades: operações Controle: normas técnicas do processo de produção Recursos: funcionários, máquinas Modelagem e Simulação 11 Complexidade de um sistema: Um sistema torna-se complexo basicamente pelo número e tipos de entidades, atividades, recursos e controles que o compõem. Esta complexidade é função de 2 fatores: Elementos de um Sistema Interdependência Cada elemento do sistema afeta a outros elementos Exemplo: Quando se produz uma falha numa máquina. Variabilidade Existe variabilidade no comportamento dos elementos do sistema, o que produz uma incerteza. Exemplo: A incerteza na entrega dos fornecedores, o comportamento aleatório nas falhas dos equipamentos, flutuações da demanda, etc. Modelagem e Simulação 12 Modelo: Da perspectiva de um sistema, um modelo pode ser definido como uma representação simplificada do sistema e suas relações (causa-efeito, fluxo e espaço). O objetivo da modelagem de sistemas é entender, predizer, controlar e melhorar o comportamento ou desempenho do sistema. Elementos de um Sistema Conceito Modelo Modelagem e Simulação 13 Modelo: Tem sido classificados de muitas formas: Elementos de um Sistema • Modelos simbólicos: Representados pelos diagramas de fluxo. • Modelos Analíticos: Representados por formulas matemáticas que produzem resultados quantitativos. • Modelos de Simulação: Capazes de reproduzir o mesmo comportamento que ocorre num determinado sistema. Um modelo de simulação deverá ser visto como uma ferramenta “que acontece se?”, que permite ao especialista experimentar desenhos alternativos e estratégias para ver o impacto que aquelas decisões tem no sistema em estudo. Simulação de Sistemas Modelagem e Simulação 15 É o processo de desenhar um modelo logico-matemático de um sistema real e reproduzir suas condições, seu comportamento operacional e dinâmico, para estuda-lo e testa-lo, com o objetivo de alcançar um maior grau de conhecimento na toma de decisões. A simulação avalia e NÃO gera soluções, quer dizer não produz uma solução ótima, pelo contrário, é uma ferramenta de avaliação que orienta para uma melhor solução. Definição de Simulação Modelagem e Simulação 16 Algumas Aplicações da Simulação na Indústria • Análise e redução do tempo de ciclo • Sequenciamento das tarefas • Análise de gargalos • Melhoria da qualidade • Redução de custos • Redução de estoques • Melhoria da produtividade • Layout da planta • Simulação do sistema MRP • Balanceamento de linhas • Tamanho ótimo de lote • Planejamento da produção • Programação dos recursos • Programas de manutenção • Desenho e controle de sistemas A Simulação ao trabalhar num cenário virtual evita perdas de tempo e não interrompe o funcionamento do sistema real, já que estes podem trabalhar juntos. Quer dizer, todo o contrário às técnicas tradicionais de teste e erro. Modelagem e Simulação 17 Características da Simulação ➢ Captura a interdependência que existe entre os elementos do sistema. ➢ Considera a variabilidade no sistema. ➢ É suficientemente versátil para modelar qualquer sistema. ➢ Mostra o comportamento do sistema dinâmico. ➢ Fornece informação estatística sobre diversos indicadores de desempenho. ➢ Executa-se em tempo curto ou em tempo real. ➢ Os resultados são visuais ou quantitativos. Simulação Entrada aleatória Saída aleatória Modelagem e Simulação 18 Simulação baseada no avanço do tempo: Tipos de Simulação Simulação Estática O avanço do tempo não é considerado. A simulação é a representação do sistema num instante de tempo especifico. Muitas vezes, envolve amostras aleatórias para gerar relatórios estatísticos, chama-se também de simulação de Monte Carlo. Simulação Dinâmica Leva em consideração o avanço do tempo. Um mecanismo de relógio move o avanço do tempo e o estado das variáveis do sistema são atualizadas. Modelagem e Simulação 19 Simulação baseada no uso de variáveis aleatórias: Tipos de Simulação Simulação determinística Simulação estocástica ou probabilística Simulação Informação de saída: Valores aleatórios Dados de entrada: Valores aleatórios Simulação Informação de saída: Valores constantes Dados de entrada: Valores constantes 4 3,4 5 47 15,7 Num modelo estocástico muitas réplicas de simulação (amostras) devem ser realizadas, então, o resultado é a média das réplicas e fornece só uma estimativa do desempenho do modelo. Modelagem e Simulação 20 Simulação baseada na continuidade da ocorrência dos eventos: Tipos de Simulação Simulação Discreta É aquela na qual os eventos acontecem em pontos discretos de tempo, sendo atualizados também os valores das variáveis de estado do modelo naqueles pontos.Existe um intervalo de tempo variável entre a ocorrência de um evento e outro. Simulação Contínua É aquela na qual as variáveis do estado do modelo mudam continuamente em relação ao tempo. O intervalo de tempo entre a ocorrência de um evento e outro pode ser considerado infinitésimo. Simulação Combinada Acontece quando no sistema em estudo ocorrem ambos sistemas: discretos e contínuos (sistemas híbridos). Modelagem e Simulação 21 Exemplo de Simulação Discreta: Tipos de Simulação C h e g a d a s Selecionar itens Pagar no caixa FILA R FILA A FILA B Modelagem e Simulação 22 Exemplo de Simulação Contínua: Tipos de Simulação Modelagem e Simulação 23 Tipos de Simulação Qual a diferença entre variáveis discretas e variáveis contínuas? A diferença está na forma como mudam de valor. As variáveis discretas mudam de valor com a ocorrência de eventos no sistema. Enquanto não ocorra um evento seus valores permanecem constantes. Já as variáveis contínuas mudam com o simples avanço do tempo, sendo seus valores governados por uma equação em função do tempo. Tempo Valores Mudanças Discretas Mudanças Contínuas Modelagem e Simulação 24 Exemplo de Simulação Combinada: Tipos de Simulação Produção de Vidro Areia Descarregamento discreto F lu x o c o n tí n u o Fluxo contínuo Fluxo contínuo Fluxo contínuo F lu x o c o n tí n u o Fluxo contínuo Silos de Matéria Prima Secadora Misturador F lu x o c o n tí n u o Forno Fornecimento discreto Fluxo contínuo Modelos Analíticos versus Modelos de Simulação Modelagem e Simulação 26 Modelos Analíticos ➢ Representam geralmente situações estáticas do problema em estudo, quer dizer, assume-se que as condições são constantes no período de tempo em estudo. Exemplo: Programação Linear e Não Linear ➢ Os resultados representam a solução ótima para o problema considerando um único objetivo, sacrificando outros objetivos secundários. Exemplo: Programação Linear. ➢ Não é possível considerar situações aleatórias que possam ocorrer no sistema, o analista é forçado a utilizar tempos médios de processo ou outros indicadores que podem produzir resultados enganosos. Exemplo: técnicas PERT-CPM. ➢ São incapazes de resolver problemas de grande aleatoriedade. Modelagem e Simulação 27 Modelos de Simulação ➢ Fornecem uma medida quantitativa do desempenho do sistema, como a porcentagem de utilização dos recursos, os tempos de ciclo, etc. ➢ A simulação é uma ferramenta de avaliação de cenários que permite ao desenhador do experimento conhecer que alternativas de desenho e estratégias operativas têm maior impacto no desempenho do sistema. ➢ Determinam como o sistema responde a mudanças na sua estrutura e ambiente, ou sob certos pressupostos. ➢ Não resolve um problema ou otimiza um desenho. Ajuda a avaliar uma solução porém não gera solução alguma. A solução só pode ser alcançado através de experimentos, executando e comparando os resultados das soluções alternativas. ➢ Permite monitorar as mais complexas flutuações estatísticas e interdependências no sistema. Fases de um Projeto de Simulação Modelagem e Simulação 29 Considerações Requer de Planejamento, Coordenação e Compreensão dos requerimentos de cada uma das tarefas envolvidas. A modelagem requer capacidades ou habilidades analítica, estatística, organizacional e de engenharia. O especialista deve ser capaz de entender o sistema que está sendo estudado e deve listar relações complexas de causa-efeito. Modelagem e Simulação 30 Considerações Etapas recomendadas de um projeto de simulação: • Definir o problema, os objetivos e os requerimentos; • Desenhar o modelo conceitual; • Coleta e analise estatístico dos dados para o modelo; • Construção do modelo de simulação; • Verificação do modelo; • Validação do modelo; • Desenho dos experimentos de simulação, execução e análise estatístico; • Apresentação e documentação dos resultados. Modelagem e Simulação 31 1º Definir o problema, os objetivos e os requerimentos ➢ É importante definir o problema entendendo seu contexto, identificando os objetivos que definem o motivo e o proposito do projeto de simulação. ➢ O objetivo deve ser realista e viável de ser executado, e seus requerimentos devem-se definir em termos de recursos, tempo e orçamento. Sua capacidade atual de produção? As medidas de desempenho atuais? Quais são as restrições ou gargalos? Qual é a viabilidade de alcançar indicadores meta de desempenho? Que variáveis de decisão são mais sensíveis no desempenho global do sistema Modelagem e Simulação 32 1º Definir o problema, os objetivos e os requerimentos ➢ Na identificação dos objetivos deve-se realizar as seguintes questões. • Qual é o proposito da simulação? • Para quem é o modelo? Quem será o usuário final do modelo? • Qual será a importância das decisões que serão tomadas como resultado do modelo de simulação? • Quais são as expectativas do cliente? • Qual é o orçamento? • Qual é a data limite para finalizar o projeto? ➢ O projeto será bem sucedido na medida em que os objetivos sejam definidos de forma clara e as restrições sejam bem compreendidos. ➢ A simulação só será executada quando se tenha plena convicção de que a ferramenta seja a mais conveniente para aqueles objetivos. Modelagem e Simulação 33 2º Desenho do Modelo Conceitual ➢ O especialista deve traduzir o sistema do mundo real num modelo conceitual. ➢ No desenho do modelo conceitual deve-se estabelecer a logica das operações no modelo em termos dos elementos estruturais do sistema e do fluxo de entidades que passam através do sistema. ➢ Assim, o especialista deve entender a estrutura e as regras de operação do sistema que está analisando e ser capaz de extrair suas características importantes. Modelagem e Simulação 34 ➢ Deve-se levar em consideração os seguintes aspectos, como: • No modelo podem ser feitas suposições razoáveis; • Os componentes que devem ser incluídos no modelo e suas interações entre eles; • A sequencia das operações; • Os recursos que competem pelas entidades; • O escopo do modelo (nível de detalhe); • Identificar os requerimentos de dados para cada componente do modelo; • Planejamento de experimentos (configurações a serem avaliadas); • Determinar o formato da apresentação dos resultados. 2º Desenho do Modelo Conceitual Modelagem e Simulação 35 3º Obtenção e Análise Estatístico dos Dados ➢ Após ser identificado os requerimentos dos dados, procede-se ao levantamento dos mesmos para que sejam utilizados durante a etapa de construção do modelo. ➢ Os dados referentes ao sistema estão envolvidos com a estrutura da mesma, com os componentes individuais existentes, as interações entre os componentes e as operações do sistema. ➢ Os possíveis estados do sistema são estabelecidos a partir desta informação. Modelagem e Simulação 36 ➢ Importante ressaltar: • A fonte para obtenção dos dados pode vir da execução de um estudo de tempo, de entrevistas com os operadores do sistema ou de outras fontes; • Este processo é importante e envolve tempo e custo, portanto, deve ser executado de forma inteligente e sistemática para assegurar a construção do modelo apropriado; • Após a obtenção dos dados, estes devem passar por certos testes estatísticos para ver se estas se aderem a alguma distribuição estatística. 3º Obtenção e Análise Estatístico dos Dados Modelagem e Simulação 37 4º Construção do Modelo de Simulação ➢ Nesta etapa deve-se traduzir o modelo conceitual em um modelo de simulação computacional, a qual baseia-se nas regras do sistema selecionado, por exemplo, os softwares Arena, Promodel, FlexSim, etc. ➢ Um bom modelo não é aquele que necessariamente é real, senão aquele que é suficientemente útil. ➢ Um modelo é útil se tem detalhe e precisão suficiente para encontrar os objetivos da simulação. Modelagem e Simulação 38 5º Verificação do Modelo ➢ Através do processo de verificação se determina se o modelo de simulação construídoreflete corretamente o modelo conceitual desenhado. ➢ Deve-se detectar erros involuntários no modelo (de dados, de logica, etc) e eliminá-los. Modelagem e Simulação 39 6º Validação do Modelo ➢ A validação é um processo racional na qual o especialista tira conclusões sobre a precisão do modelo, com base em alguma evidencia disponível. ➢ A validade do modelo determina se corresponde ao sistema real, ou se pelo menos representa com precisão o cenário em análise. ➢ Um exemplo de validação é comparar a medição de um indicador de desempenho obtido na simulação, com a medição do mesmo indicador coletado no sistema real. Modelagem e Simulação 40 ➢ A Verificação e Validação do modelo representam fatores críticos para o sucesso do projeto de simulação. ➢ Decisões importantes se baseiam na informação obtida do experimento de simulação e, portanto, isto é uma evidência que demonstra a validade do modelo. Modelo Conceitual Sistema Real Modelo de Simulação Modelagem e Simulação 41 7º Desenho dos experimentos de simulação, execução e análise estatístico ➢ Em um experimento de simulação existem variáveis chamadas “independentes” ou “de decisão” que podem ser modificadas. ➢ Os efeitos destas modificações em outras variáveis “dependentes” ou “de desempenho” são medidos. ➢ Vários tipos de experimentos podem ser executados usando simulação: ▪ Encontrar o desempenho do desenho de um sistema. ▪ Encontrar o valor ótimo para uma variável de decisão. ▪ Encontrar a combinação ótima de valores para dois ou mais variáveis de decisão. ▪ Determinar a sensibilidade do modelo a mudanças em uma ou mais variáveis. ▪ Comparar alternativas na configuração de sistemas. Modelagem e Simulação 42 7º Desenho dos experimentos de simulação, execução e análise estatístico ➢ O objetivo na realização de experimentos não é para encontrar o quão bem um sistema em particular funciona, senão ter suficiente conhecimento de como melhorar o desempenho do sistema. ➢ O conjunto de valores de cada indicador, que resulta da execução do experimento de simulação, deverá ser submetido a testes estatísticos de bondade de ajuste à distribuição normal, ou seja, basicamente aos testes de chi-quadrado, Kolmogorov-Smirnov e Anderson Darling. ➢ O objetivo é verificar que se aplica o Teorema do Limite Central para o indicador em estudo, ou seja, que os N valores médios resultantes das N replicações formam um conjunto de valores que se ajustam a uma distribuição normal, e, portanto, será possível realizar inferência estatística do indicador. Modelagem e Simulação 43 ➢ Aspectos importantes no desenho de experimentos: • Existe o interesse em analisar o comportamento do estado estável do sistema, ou existe um determinado período de tempo que deseja-se medir? • Qual é a melhor forma de assegurar que os resultados reflitam somente o período de interesse e não sejam influenciados por outras condições? • Qual é o intervalo de tempo apropriado para executar a simulação? • Quantas replicações devem ser executadas? 7º Desenho dos experimentos de simulação, execução e análise estatístico Modelagem e Simulação 44 8º Apresentação e documentação dos resultados ➢ Nesta etapa são descritas as recomendações para melhorar o sistema real com base nos resultados do modelo de simulação. ➢ Deve ser apresentado um relatório descrevendo o cenário em análise, o desenvolvimento do modelo e os experimentos executados. Geração de Números Aleatórios Modelagem e Simulação 46 Considerações A característica mais importante da simulação é a capacidade de imitar o comportamento aleatório que existe nos sistemas estocásticos. Para isto, se requer de um método que forneça a geração destes números aleatórios bem como de rotinas para gerar variações aleatórias, com base em distribuições de probabilidade. Modelagem e Simulação 47 Gerador de Números Aleatórios ➢ Um gerador de números aleatórios é um algoritmo determinístico, usado para criar valores reais distribuídos entre 0 e 1. Deve-se considerar: ▪ A ocorrência de qualquer valor é equiprovável ou uniforme; ▪ O valor da amostra anterior não afeta a probabilidade do valor da próxima amostra (independência). ➢ Estes números podem ser transformados em valores que se ajustam a uma determinada distribuição de probabilidade. ➢ Existem vários métodos para geração destes números, os mais usados são os métodos congruentes, que podem ser: aditivos, multiplicativos ou mistos. 𝒙𝒏+𝟏 = 𝒂 ∗ 𝒙𝒏 + 𝒄 mod𝒎 Número pseudoaleatório gerado Semente multiplicador incremento 𝑚 = 2𝑏 onde 𝑏 > 2 Módulo: resto da divisão inteira Modelagem e Simulação 48 Gerador de Números Aleatórios ➢ Os números gerados não são estritamente aleatórios porque são previsíveis e reproduzíveis, por este motivo estes números gerados são chamados de pseudoaleatórios. ➢ Porém, eles se encaixam de forma aproximada à aleatoriedade do mundo real, para fins de simulação. ➢ Determinar a sequencia completa de números aleatórios considerando: x0=6, a=6, c=6 e m=10. Modelagem e Simulação 49 Gerador de Números Aleatórios ➢ A sequencia será: 0,2; 0,8; 0,4; 0; 0,6, e logo se repete a mesma sequencia. ➢ Todos os números aleatórios gerados tem um período, ou seja, após uma certa quantidade de números aleatórios a série volta a ser a mesma. ➢ Como o módulo é 10, os valores gerados não irá exceder 10. ➢ Os valores gerados são pseudoaleatórios, porque o seguinte número se gera partir do anterior. Modelagem e Simulação 50 Gerador de Números Aleatórios ➢ Para representar o próximo resultado do evento aleatório é necessário gerar um número aleatório uniformemente distribuído entre 0 e 1. ➢ O valor é comparado com o valor da probabilidade, definida no modelo (0,85). ➢ Se o valor gerado se encontra entre 0 e 0,85, então a entidade é aprovado na inspeção, caso contrário a entidade é descartada. Inspeção Armazém Descarte Deseja-se avaliar a decisão, se a entidade que entra no módulo de decisão aprova ou reprova a inspeção Variáveis Aleatórias Modelagem e Simulação 52 Considerações ➢ É aquela variável que pode assumir um valor (não previsível) de um determinado conjunto finito (variável aleatória discreta) ou infinito (variável aleatória continua) de possíveis valores. ➢ É uma função que assume um número a cada possível resultado de um experimento (espaço amostral). Embora a sequencia exata de valores não pode ser prevista, é possível conhecer o intervalo de valores na qual pode variar bem como a probabilidade de ter que designar um certo valor. ➢ Um processo estocástico evolui no tempo e envolve a uma variável aleatória, de modo que o comportamento do processo não pode ser previsto com exatidão. ➢ Na simulação, os valores que pode ter uma variável aleatória, como a duração de uma atividade, o tempo entre chegadas das entidades no sistema, são representados por uma distribuição de probabilidade. Distribuições de Probabilidade Modelagem e Simulação 54 Considerações ➢ A distribuição de probabilidade permite relacionar um conjunto de valores ou medidas, com sua frequência relativa de ocorrência. ➢ Frequentemente, os sistemas estocásticos apresentam situações que implicam na definição de valores de tempo ou quantidade, que variam de acordo a uma densidade e a um determinado intervalo. ➢ Ex: O instante em que deverá ocorrer o próximo evento, o tempo de uma consulta médica, o tempo para se deslocar até a caixa de atendimento, etc. ➢ Os resultados ou valores possíveis fazem parte do universo de valores que está definido na variável aleatória e podem ser representados através de uma distribuição de probabilidade. Modelagem e Simulação 55 Distribuições de Probabilidade no Excel Simulação de Sistemas por Eventos e por Processos Modelagem e Simulação 57 Considerações Simulação por Eventos Um evento é um ocorrência, um fato que acontece num instante de tempo. No mundo real os eventos acontecem simultaneamente. Já no mundo virtual, os eventos acontecem um por vez, mesmoquando estes acontecem no mesmo instante. Quando a modelagem de sistemas tem como foco a ocorrência de eventos denomina-se orientação por eventos. Simulação por Processos Outro foco é a orientação por processos, que consiste em representar o funcionamento de um sistema em função da dinâmica das entidades através do fluxo do processo. ➢ No FlexSim, a simulação é realizado por processos de forma explicita, através da rede de objetos. Porém, paralela e implicitamente (internamente) a simulação é realizada por eventos, utilizando um calendário predeterminado e eventos condicionais. Modelagem e Simulação 58 Lógica de Eventos Discretos ➢ Na simulação de eventos discretos, as mudanças no estado do sistema acontecem em pontos discretos do tempo, como resultado da ocorrência de eventos, como por exemplo: ▪ A chegada de uma entidade a uma estação de trabalho; ▪ A falha de uma máquina; ▪ O inicio de uma atividade; ▪ O fim de uma atividade; ▪ O fim de um turno de trabalho; ▪ O fim da simulação, etc. Modelagem e Simulação 59 Lógica de Eventos Discretos Chegadas Saídas Tempo Entidades na Fila Modelagem e Simulação 60 Tipos de Eventos Evento programado no tempo (calendário) É aquele cujo tempo ocorrência pode ser determinado com antecedência. Para estes eventos, o avanço do relógio de simulação está disponível segundo o próximo evento programado. Assim, a execução de eventos programados continua até que finalize a simulação. Evento Condicional Um evento condicional é executado quando se dá uma condição em alguma das variáveis de estado do sistema e não através da programação no tempo. Relógio de Simulação Modelagem e Simulação 62 Relógio de Simulação ➢ O relógio de simulação é uma variável utilizada para controlar o tempo percorrido durante a simulação e para interagir com o calendário de eventos. ➢ É um relógio não convencional, porque não controla o tempo de forma continua, pelo contrário oscila para frente, através de pulos em instantes discretos de tempo. ➢ Indica o instante em que é executado um evento durante a simulação, logo pula ao tempo do seguinte evento. Cada “pulo” implica numa mudança no estado do sistema e uma atualização do calendário de eventos. Relógio Valor atual do tempo Tempo Variáveis do Sistema Modelagem e Simulação 64 Variáveis do Sistema ➢ No desenho de um novo sistema ou na melhoria de um já existente é importante entender como os elementos do sistema se inter-relacionam e afetam uns aos outros. Variáveis de Decisão (independentes) É possível alterar os valores destas variáveis (critério técnico). Cada vez que isto acontece é afetado o sistema. Ex: Aumentar o número de funcionários na linha de produção, adicionar um novo turno de trabalho, etc. Variáveis de Resposta (dependente) São chamadas de variáveis de desempenho, porque medem o desempenho do sistema em resposta a alguma variável de decisão. Ex: O tempo médio que uma entidade permanece na fila, o número de entidade processadas em um período determinado, etc. Variável de Estado As variáveis de estado contém valores individuais, porém em forma conjunta descrevem o status do sistema em qualquer instante de tempo. Ex. O número atual de entidades em fila, o estado atual da máquina, etc. Elementos Abstratos do Sistema Modelagem e Simulação 66 Entidades ➢ Representam os elementos que entram no sistema para receber um serviço ou para serem processadas, representam as entradas e saídas do sistema (produtos, clientes, documentos, etc). ➢ As entidades, ao percorrer o sistema, mudam de status, influenciam e são influenciados por outras entidades, portanto, influenciam também no relatório final dos indicadores de desempenho. ➢ Podem ser elementos discretos (clientes) ou contínuos (liquido). ➢ No modelo virtual de simulação, uma entidade pode ser dividido ou “ser clonado” e formar outras entidades. Também podem-se juntar duas ou mais entidades e formar uma única entidade. Modelagem e Simulação 67 Recursos ➢ São elementos que dão suporte, direta ou indiretamente, ao processamento das entidades no sistema. ➢ Existe sempre interesse por conhecer como são utilizados os recursos ou como afeta o fluxo das entidades, representado nos tempos de espera pela disponibilidade do recurso. Modelagem e Simulação 68 Atributos ➢ São variáveis associadas exclusivamente às entidades, armazenam valor ou informação sobre cada entidade. ➢ Para individualizar entidades é necessário vincular-lhes atributos. ➢ As entidades possuem atributos que contém características para cada entidade (ex: peso, idade, hora de chegada, prioridades, tipo, etc). Atributo Hora de chegada Fila Hora de chegada Modelagem e Simulação 69 Atributos Hora de chegada Idade Modelagem e Simulação 70 Variáveis Globais ➢ Estas variáveis representam uma parte da informação que reflete alguma característica do sistema em estudo, independentemente da quantidade ou tipo de entidades. ➢ Diferentemente dos atributos, as variáveis não estão associadas a nenhuma entidade especifica. Porém, são accessíveis para qualquer destas, inclusive para alterar os valores que o contém. ➢ Podem representar algo que muda de forma persistente durante a simulação. ➢ Essas variáveis podem ser arranjos de uma ou mais dimensões, como vetores e matrizes. Modelagem e Simulação 71 Variáveis Globais Exemplo: Contar as caixas que entram no veículo. Solução: CONTA = CONTA +1 Modelagem e Simulação 72 Variáveis Globais Exemplo: Como podemos acumular o peso? Solução: ACUMULA = ACUMULA + ATRIBUTO PESO Peso variável por caixa Simulação Manual por Eventos - Analisar o comportamento de um sistema - Realizar uma simulação manual - Identificar os dados de entrada necessários para realizar o estudo - Estimar os indicadores de desempenho do sistema Modelagem e Simulação 74 Estudo de Caso 1 Considere um sistema simples, de uma fila e um servidor. Neste sistema existem 3 diferentes elementos: clientes (entidades) que chegam ao sistema, uma fila FIFO e um servidor para atendimento dos clientes. O tempo entre chegadas de clientes à fila muda aleatoriamente. Os clientes são atendidos individualmente no servidor. Assume-se que os tempos entre chegadas e a duração do serviço se ajustam a funções estatísticas de distribuição de probabilidade, cujos valores são: Chegada Saída Fila Servidor Modelagem e Simulação 75 Estudo de Caso 1 C = Tempo entre Chegadas (minutos) S = Tempo de Serviço (minutos) Pede-se: 1. Realizar uma simulação manual tendo em conta os dados do problema em estudo. O final da simulação acontece no instante que o quinto cliente sai do sistema. 2. Estimar os indicadores de desempenho que considere importantes no estudo do sistema. C: S: Modelagem e Simulação 76 Solução do Estudo de Caso 1 1. Analisando o estudo de caso, podemos afirmar que existe 2 tipos de eventos que devem ser levados em consideração na simulação: A chegada de um cliente e a Saída de um cliente do sistema. Modelagem e Simulação 77 Estudo de Caso 1 - Solução Chegadas Saídas Tempo Clientes na Fila Fim A sequencia de eventos segundo o avanço do relógio de simulação é a seguinte: Modelagem e Simulação 78 Estudo de Caso 1 - Solução Tempo Clientes no Sistema Modelagem e Simulação 79 Estudo de Caso 1 - Solução 2. Medidas de Desempenho Tempo Médio na Fila: Observação: O sexto cliente fez a fila completa porém não iniciou seu atendimento devido ao fim da simulação. Tempo Médio no Sistema: Observação: Considera-se somente 5 clientes que foram atendidos e saíram do sistema durante o tempo de simulação. Tempofila = 𝟏𝟒, 𝟐 𝟔 = 𝟐, 𝟒 Temposistema = 𝟐𝟓, 𝟒 𝟓 = 𝟓, 𝟎𝟖 Modelagem e Simulação 80 Estudo de Caso 1 - Solução Tamanho Médio na Fila: Observação: O tamanho médio da fila é obtido da média ponderada das áreas que são formados no gráfico. Tamanhofila = 𝟎 𝟕, 𝟐 + 𝟏 𝟓, 𝟏 + 𝟐(𝟓, 𝟑) 𝟏𝟕, 𝟔 = 𝟎, 𝟖𝟗 Tempo Clientes na Fila FimModelagem e Simulação 81 Estudo de Caso 1 - Solução Número Médio de Clientes no Sistema: Observação: O número médio de clientes no sistema é obtido da média ponderada das áreas que são formados no gráfico. Clientessistema = 𝟎 𝟏, 𝟐 + 𝟏 𝟔 + 𝟐 𝟓, 𝟏 + 𝟑(𝟓, 𝟑) 𝟏𝟕, 𝟔 = 𝟑𝟐, 𝟏 𝟏𝟕, 𝟔 = 𝟎, 𝟖𝟗 Tempo Clientes no Sistema Modelagem e Simulação 82 Estudo de Caso 1 - Solução Utilização do Servidor: Observação: O estado ocupado é representado pelo número 1 e o estado desocupado pelo número 0. Usoservidor = 𝟏𝟕, 𝟔 − 𝟏, 𝟐 ∗ 𝟏 𝟏𝟕, 𝟔 = 𝟏𝟔, 𝟒 𝟏𝟕, 𝟔 = 𝟎, 𝟗𝟑 Tempo Estado do Servidor Modelagem e Simulação 83 Estudo de Caso 1 - Solução Velocidade do Servidor: Observação: O atendimento médio do servidor foi de 0,28 clientes por minuto. Velocidade = Clientes atendidos Tempo de simulação = 𝟓 𝟏𝟕, 𝟔 = 𝟎, 𝟐𝟖 Tempo Médio de Atendimento: Observação: O tempo médio de atendimento do servidor foi de 3,28 minutos por cliente. Tempo = 𝟏𝟔, 𝟒 𝟓 = 𝟑, 𝟐𝟖