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Contrato de Empréstimo 
 
● Empréstimo: 
↳ Os contratos de empréstimos se dividem em três: 
1) Contrato de Comodato; 
2) Contrato de Mútuo; 
3) Contrato de Depósito. 
 
● Contrato de Comodato: 
⇘ Art. 579. O comodato é o empréstimo gratuito de coisas não fungíveis. 
Perfaz-se com a tradição do objeto. 
↳ É o contrato po meio da qual uma pessoa, o comodante, entrega coisa 
infungível (móvel ou imóvel), para uso, por prazo determinado ou 
indeterminado a outra pessoa, chamada de comodatário. 
↳ Características: 
a) gratuito; 
b) unilateral; 
c) intuito personae; 
d) informal (tanto escrito quanto verbal); 
e) real; 
f) paritário ou por adesão; 
↳ Não é necessária a titularidade do bem (transferência da posse). 
⇘ posso apenas exercer a posse JUSTA de um bem. 
↳ Bens sob administração necessitam ser autorizados judicialmente (tutores, 
curadores, etc). 
⇘ Art. 580. Os tutores, curadores e em geral todos os administradores de bens 
alheios não poderão dar em comodato, sem autorização especial, os bens 
confiados à sua guarda. 
 
● Prazo Determinado ou Indeterminado: 
⇘ Art. 581. Se o comodato não tiver prazo convencional, presumir-se-lhe-á o 
necessário para o uso concedido; não podendo o comodante, salvo 
necessidade imprevista e urgente, reconhecida pelo juiz, suspender o uso e 
gozo da coisa emprestada, antes de findo o prazo convencional, ou o que se 
determine pelo uso outorgado. 
↳ Dessa forma, a retomada do bem imotivada gera perdas e danos. 
↳ Situação da mora ex re e ex persona, suficiência de mera notificação. 
↳Ultrapassagem do prazo: reintegração de pose a arbitramento de aluguel por 
parte do comodante. 
⇘ Art. 582. O comodatário é obrigado a conservar, como se sua própria fora, a 
coisa emprestada, não podendo usá-la senão de acordo com o contrato ou a 
natureza dela, sob pena de responder por perdas e danos. O comodatário 
constituído em mora, além de por ela responder, pagará, até restituí-la, o 
aluguel da coisa que for arbitrado pelo comodante. 
↳ “A regra do parágrafo único do art. 575 do novo Código Civil que autoriza a 
limitação pelo juiz do aluguel-pena arbitrado pelo locador, aplica se também 
ao aluguel arbitrado pelo comodante, autorizado pelo art. 582, 2º parte, do 
novo Código Civil.”- Enunciado 180, IIIJDC. 
 
● Deveres de Cuidado: 
↳ Despesas com conservação correm pelo comodatário. 
 
⇘ Art. 584. O comodatário não poderá jamais recobrar do comodante as 
despesas feitas com o uso e gozo da coisa emprestada. 
⇘ Art. 1.219. O possuidor de boa-fé tem direito à indenização das benfeitorias 
necessárias e úteis, bem como, quanto às voluptuárias, se não lhe forem 
pagas, a levantá-las, quando o puder sem detrimento da coisa, e poderá 
exercer o direito de retenção pelo valor das benfeitorias necessárias e úteis. 
↳ STJ tem admitido a renuncia prévia à indenização pela benfeitorias. 
⇘ se o contrato foi de adesão, a renúncia será nula de pleno direito. 
 
● Comodato Solidário: 
↳ Quando eu realizo contrato de comodato com uma ou mais pessoas. 
⇘ Art. 585. Se duas ou mais pessoas forem simultaneamente comodatárias de 
uma coisa, ficarão solidariamente responsáveis para com o comodante. 
 
● Contrato de Mútuo: 
⇘ Art. 586. O mútuo é o empréstimo de coisas fungíveis. O mutuário é obrigado 
a restituir ao mutuante o que dele recebeu em coisa do mesmo gênero, 
qualidade e quantidade. 
↳ É o contrato por meio do qual uma parte, chamada de MUTUANTE, transfere 
a outra parte, chamada de MUTUÁRIO, um bem fungível (que pode ser 
substituído) móvel para consumo. 
↳ É um contrato quase translativo. 
↳ As despesa pelo risco da coisa correm por conta do mutuário APÓS a 
tradição. 
⇘ Art. 587. Este empréstimo transfere o domínio da coisa emprestada ao 
mutuário, por cuja conta correm todos os riscos dela desde a tradição. 
↳ Características: 
a) gratuito; 
b) unilateral; 
c) real; 
d) temporário; 
e) informal; 
⇘ Art. 588. O mútuo feito a pessoa menor, sem prévia autorização daquele sob 
cuja guarda estiver, não pode ser reavido nem do mutuário, nem de seus 
fiadores. (SCHULD SEM HAFTUNG). 
⇘ se um incapaz realiza um contrato de mútuo, ele não precisa devolver a 
coisa, mesmo o contrato sendo anulado, por mera proteção da lei. 
⇘ existe a obrigação, mas sem a responsabilidade. 
↳ VALIDADE DA FIANÇA!!!! 
⇘ Art. 824. As obrigações nulas não são suscetíveis de fiança, exceto se a 
nulidade resultar apenas de incapacidade pessoal do devedor. 
↳ EXCEÇÕES DO ART. 588, OU SEJA, EXCEÇÕES EM QUE SE PODE COBRAR O 
MENOR! 
⇘ Art. 589. Cessa a disposição do artigo antecedente: 
I - se a pessoa, de cuja autorização necessitava o mutuário para contrair o 
empréstimo, o ratificar posteriormente; 
II - se o menor, estando ausente essa pessoa, se viu obrigado a contrair o 
empréstimo para os seus alimentos habituais; 
III - se o menor tiver bens ganhos com o seu trabalho. Mas, em tal caso, a 
execução do credor não lhes poderá ultrapassar as forças; 
IV - se o empréstimo reverteu em benefício do menor; 
V - se o menor obteve o empréstimo maliciosamente. 
 
 
 
● Mútuo Feneratício: 
↳ É o mais usado. 
↳ É o empréstimo bancário porém não se aplica aos bancos. 
↳ Existem regras próprias para os bancos, em leis próprias ou em 
jurisprudências. 
↳ As regras estudadas no Código Civil sobre juros são usadas para 
empréstimos feitos fora de relações bancários. 
⇘ Art. 591. Destinando-se o mútuo a fins econômicos, presumem-se devidos 
juros, os quais, sob pena de redução, não poderão exceder a taxa a que se 
refere o art. 406, permitida a capitalização anual. 
↳ Lei da Usura (Decreto 22.626/33) 
⇘ Art. 1º É vedado, e será punido nos termos desta lei, estipular em quaisquer 
contratos taxas de juros superiores ao dobro da taxa legal. 
⇘ “Nos contratos bancários não regidos por legislação específica, os juros 
moratórios poderão ser convencionados até o limite de 1% ao mês.” - Súmula 
347 STJ. 
⇘ “A estipulação de juros remuneratórios superiores a 12% ao ano, por si ó, 
não indica abusividade.” - Súmula 382 STJ. 
↳ CDC X Mútuo Bancário. 
⇘ o CDC é muito mais protetivo. 
 
● Desconto em Salário: 
↳ Havia um instituto que realizava o desconto em folha de salário a depender 
do empréstimo de mútuo realizado. 
↳ A Súmula 603 do STJ que regularizava essa situação foi cancelada. 
 
● Prazo do Mútuo: 
⇘ Art. 592. Não se tendo convencionado expressamente, o prazo do mútuo 
será: 
I - até a próxima colheita, se o mútuo for de produtos agrícolas, assim para o 
consumo, como para semeadura; 
II - de trinta dias, pelo menos, se for de dinheiro; 
III - do espaço de tempo que declarar o mutuante, se for de qualquer outra 
coisa fungível. 
 
● Contrato de Depósito: 
⇘ Art. 627. Pelo contrato de depósito recebe o depositário um objeto móvel, 
para guardar, até que o depositante o reclame. 
↳ Contrato pelo qual o depositante entrega coisa corpórea (bem móvel ou 
imóvel) ao depositário, a fim de que seja guardada por tempo determinado. 
↳ Classificações: 
a) voluntário (convencional); 
b) necessário (obrigatório); 
↳ dividido em: 
a) legal; (expresso na lei) 
b) miserável; (situações de calamidade). 
↳ Características: 
a) unilateral; 
b) gratuito; (exceção para o depósito remunerado). 
c) comutativo; 
d) intuito personae; 
e) real; 
f) informal; 
https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/decreto/d22626.htm
 
⇘ Art. 646. O depósito voluntário provar-se-á por escrito. 
↳ Via de regra, a coisa é infungível (depósito regular), mas podem existir 
situações de depósito de coisas fungíveis (depósito irregular). 
↳ Contrato de Depósito X Contrato de Comodato: 
⇘ Art. 629. O depositário é obrigado a ter na guarda e conservação da coisa 
depositada o cuidado e diligência que costuma com o que lhe pertence, bem 
como a restituí-la, com todos os frutos e acrescidos, quando o exija o 
depositante. 
⇘ Art. 640. Sob pena de responder por perdas e danos, não poderá o 
depositário, sem licença expressa do depositante, servir-se da coisa 
depositada, nem a dar em depósito a outrem. 
Parágrafo único. Se o depositário, devidamenteautorizado, confiar a coisa em 
depósito a terceiro, será responsável se agiu com culpa na escolha deste. 
↳ Via de regra, o bem deve ser entregue no mesmo local e nas mesmas 
condições em que foi depositado, inclusive quanto ao eventual sigilo. 
⇘ Art. 630. Se o depósito se entregou fechado, colado, selado, ou lacrado, 
nesse mesmo estado se manterá. 
↳ A coisa depositada em favor de terceiro pode ser a ele devolvida, 
independentemente de quem depositou. 
⇘ Art. 632. Se a coisa houver sido depositada no interesse de terceiro, e o 
depositário tiver sido cientificado deste fato pelo depositante, não poderá ele 
exonerar-se restituindo a coisa a este, sem consentimento daquele. 
↳ O depósito, se houver prazo determinado, deve ser devolvido ao seu fim, salvo 
se o depositando exigir, EXCETO quando: 
⇘ Art. 633. Ainda que o contrato fixe prazo à restituição, o depositário 
entregará o depósito logo que se lhe exija, salvo se tiver o direito de retenção a 
que se refere o art. 644, se o objeto for judicialmente embargado, se sobre ele 
pender execução, notificada ao depositário, ou se houver motivo razoável de 
suspeitar que a coisa foi dolosamente obtida. 
↳ O depositária não responde por fortuito ou força maior. 
⇘ Art. 642. O depositário não responde pelos casos de força maior; mas, para 
que lhe valha a escusa, terá de prová-los. 
↳ O depositante deve pagar as despesas com a coisa. 
⇘ Art. 642. O depositário não responde pelos casos de força maior; mas, para 
que lhe valha a escusa, terá de prová-los. 
↳ Se o depositário se tornar incapaz, a coisa depositada será devolvida por 
quem ficou responsável pela administração (resolução por inexecução 
involuntária). 
⇘ Art. 641. Se o depositário se tornar incapaz, a pessoa que lhe assumir a 
administração dos bens diligenciará imediatamente restituir a coisa 
depositada e, não querendo ou não podendo o depositante recebê-la, 
recolhê-la-á ao Depósito Público ou promoverá nomeação de outro 
depositário. 
↳ Por ser um contrato personalíssimo, o contrato se EXTINGUE com a morte 
das partes. 
⇘ Art. 637. O herdeiro do depositário, que de boa-fé vendeu a coisa 
depositada, é obrigado a assistir o depositante na reivindicação, e a restituir 
ao comprador o preço recebido. 
 
● Depósito Necessário: 
⇘ Art. 647. É depósito necessário: 
I - o que se faz em desempenho de obrigação legal; 
II - o que se efetua por ocasião de alguma calamidade, como o incêndio, a 
inundação, o naufrágio ou o saque. 
 
 
↳ Em regra, não se presume gratuito. 
 
1) Depósito Legal: 
↳ É o depósito que decorre da lei, é o determinado por decisão judicial. 
⇘ Art. 641. Se o depositário se tornar incapaz, a pessoa que lhe assumir 
a administração dos bens diligenciará imediatamente restituir a coisa 
depositada e, não querendo ou não podendo o depositante recebê-la, 
recolhê-la-á ao Depósito Público ou promoverá nomeação de outro 
depositário. 
 
2) Depósito Miserável: 
↳ É o depósito que decorre de uma calamidade. 
 
3) Depósito Hospedeiro: 
↳ É o depósito que decorre do dever de guardar bagagens. 
⇘ Art. 649. Aos depósitos previstos no artigo antecedente é equiparado 
o das bagagens dos viajantes ou hóspedes nas hospedarias onde 
estiverem. 
 
● A Prisão do Depositário Infiel: 
1) Código Civil: 
⇘ Art. 652. Seja o depósito voluntário ou necessário, o depositário que 
não o restituir quando exigido será compelido a fazê-lo mediante prisão 
não excedente a um ano, e ressarcir os prejuízos. 
 
2) Constituição Federal: 
⇘ Art. 5º 
LXVII - não haverá prisão civil por dívida, salvo a responsável pelo 
inadimplemento voluntário e inescusável de obrigação alimentícia e a 
do depositário infiel. 
 
3) Súmula Vinculante 25 - STF: 
É ilícita a prisão civil de depositária infiel, qualquer que seja a 
modalidade de depósito. 
 
● Pacto São José da Costa Rica (Decreto n. 678/92): 
⇘ Art. 7; 
7. Ninguém deve ser detido por dívida. Este princípio não limita os mandados 
de autoridade judiciário competente expedidos em virtude de inadimplemento 
de obrigação alimentar. 
↳ Terá caráter supralegal - controle de convencionalidade. 
 
1) Constituição Federal: 
⇘ Art. 5º 
§3º Os tratados e convenções internacionais sobre direitos humanos 
que forem aprovados, em cada Casa do Congresso Nacional, em dois 
turnos, por três quintos dos votos dos respectivos membros, serão 
equivalentes às emendas constitucionais.

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