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Técnico em administração Ferramentas de apoio ao exportador / importador Você já percebeu a quantidade de produtos importados que as lojas oferecem? São infindáveis as opções que encontramos nos segmentos eletrônicos, artigos esportivos, roupas, alimentos e até automóveis. E certamente você já viu muitas notícias sobre os produtos produzidos no Brasil que são vendidos e exportados em grande escala para outros países, especialmente matérias-primas, como: soja, carne bovina e de frango, minério de ferro, frutas tropicais e até aviões, por exemplo. O assunto que vamos tratar aqui visa refletir justamente como funcionam essas ações de importação e exportação, ou seja, como funciona o chamado comércio internacional. Vamos, neste tópico, aprender sobre as ferramentas que fazem parte dessas operações comerciais: o Portal Siscomex e os Incoterms que orientam os contratos internacionais. Não custa relembrar que o comércio internacional existe porque nem todos os países produzem tudo o que precisam. Isso pode ocorrer por causa das condições geográficas: clima, solo, geografia que não permitem cultivar todos os alimentos, ou manter florestas para extrair madeira, ou extrair minérios para industrializar, por exemplo. E também por 18/05/2025, 20:38 Versão para impressão about:blank 1/16 impossibilidade de condições de produção (mão de obra, recursos para investimento, domínio da tecnologia etc.). Há ainda as vantagens de preços e câmbio, pois em determinadas condições é menos caro comprar de outros países do que produzir internamente. Essa etapa de aprendizagem levará a você, futuro Técnico em Administração, informações básicas sobre como é realizado no Brasil o processo de compra e venda internacional de mercadorias. Veremos também como as operações de importação e exportação foram modernizadas por meio da criação do Sistema Integrado de Comércio Exterior, um portal eletrônico que centralizou todas as informações legais e operações com os órgãos públicos responsáveis pelo controle das importações e exportações. Conheceremos, por fim, a terminologia comum dos contratos que regem o comércio internacional de mercadorias, as famosas INCOTERMS. Dica do professor: É muito importante toda a atenção aos conceitos que vamos apresentar. São informações necessárias para compreender quais as referências que orientam as compras e as vendas internacionais (importação e exportação). Vamos começar? O Portal SISCOMEX assim como as INCOTERMS são ferramentas de apoio ao importador e ao exportador. Veremos, na sequência, a que se destina cada uma dessas ferramentas. Sistema Integrado de Comércio Exterior – SISCOMEX O Sistema Integrado de Comércio Exterior – SISCOMEX – é um portal eletrônico (computadorizado) do governo brasileiro que faz a integração de todas as atividades de registro e controle das operações de comércio exterior. O Portal SISCOMEX foi criado pelo Governo Federal com o objetivo de centralizar as informações e dar transparência para as negociações de exportação e importação. É administrado pela Secretaria de Comércio Exterior, pela 18/05/2025, 20:38 Versão para impressão about:blank 2/16 Secretaria da Receita Federal e pelo Banco Central do Brasil. Na sua estruturação, contou com a colaboração das entidades atuantes nesse segmento, das associações de importadores e exportadores, dos bancos, dos corretores etc. O Portal Siscomex padronizou, simplificou e reduziu a burocracia nas operações de comércio exterior e diminuiu os prazos de liberação das mercadorias importadas e do embarque das mercadorias exportadas. Sua criação também ampliou o número de pontos de atendimento no país, cobrindo todo o território nacional. Além disso, no portal, encontramos todas as regras relacionadas com as atividades de importação e exportação para atender às empresas e aos profissionais desse comércio. Ele permite acompanhar a saída e o ingresso de mercadorias no país em diversos níveis de acesso. Por intermédio do próprio Sistema, o exportador (ou o importador) troca informações com os órgãos responsáveis pela autorização e pela fiscalização. Por meio desse portal, os operadores do comércio internacional (exportadores, importadores, transportadores, despachantes aduaneiros etc.) acessam os serviços e sistemas governamentais, como a Receita Federal e a legislação relacionada às operações de comércio exterior (que é a base de dados do sistema). Ainda relembrando, temos aqui definições básicas de quatro conceitos: 18/05/2025, 20:38 Versão para impressão about:blank 3/16 Exemplo: Se uma empresa estiver interessada em importação e exportação de mercadorias, deverá entrar eletronicamente no Portal SISCOMEX. No portal, deve credenciar-se junto à Secretaria da Receita Federal e passar a operar no sistema, onde estão todas as exigências legais e administrativas inerentes ao processo de exportação e importação. Todos os passos para obtenção das licenças e autorizações são concedidos dentro do sistema. No Portal, além de toda a legislação específica destinada ao comércio exterior, encontram-se também manuais, formulários e notícias que orientam o comércio internacional. O sistema também permite às empresas a realização de pesquisas e consultas sobre operações já concluídas ou em andamento. Também podem ser feitas simulações de tratamento aduaneiro ou administrativo em relação a países de onde se quer importar ou exportar. 18/05/2025, 20:38 Versão para impressão about:blank 4/16 Todas as fases da exportação, inclusive o despacho aduaneiro (liberação de cargas) de exportação e importação também são processados por meio do Siscomex. Vamos ver como funciona o fluxo de uma operação de comércio internacional no Portal Siscomex? Na Figura 1, aparece o fluxo das três fases da operação de comércio internacional: obtenção das anuências prévias (licenças); logística portuária; inspeção portuária. (objetos/img3-900.png) 18/05/2025, 20:38 Versão para impressão about:blank 5/16 https://alt-638e5f8fa10ff.blackboard.com/bbcswebdav/pid-12737679-dt-content-rid-237424505_1/institution/Senac%20RS/_cursos_tecnicos/TAD/UC15/HTML/conteudo/ferramentas/objetos/img3-900.png https://alt-638e5f8fa10ff.blackboard.com/bbcswebdav/pid-12737679-dt-content-rid-237424505_1/institution/Senac%20RS/_cursos_tecnicos/TAD/UC15/HTML/conteudo/ferramentas/objetos/img3-900.png https://alt-638e5f8fa10ff.blackboard.com/bbcswebdav/pid-12737679-dt-content-rid-237424505_1/institution/Senac%20RS/_cursos_tecnicos/TAD/UC15/HTML/conteudo/ferramentas/objetos/img3-900.png Figura 1 – Fluxo de operação de comércio internacional no Portal Siscomex Fonte: . Podemos observar na Figura 1 que o Portal Siscomex viabiliza e facilita os contatos necessários nas várias fases por meio do acesso à base de dados (legislação específica) e pelos órgãos públicos responsáveis. As setas indicam a interface entre os operadores (importadores, exportadores, transportadores), a base de dados e os órgãos de governo. A imagem mostra como o Portal Siscomex funciona de forma integrada. Numa ponta, está o exportador/importador/transportador acessando o portal eletrônico SISCOMEX, captando as informações necessárias da base de dados, retornando com a documentação exigida pelos órgãos licenciadores e deles recebendo a respectiva resposta para passar à fase seguinte. No centro da figura, temos a base de dados, que está relacionada a todos os órgãos competentes. Conforme a fase da operação e a natureza dos produtos importados/exportados e as licenças e autorizações a serem obtidas, esses órgãos são: Anuências (licenças) prévias Secretaria do Comércio Exterior (SECEX), Agência Nacional de Petróleo (ANP), Polícia Federal, Instituto Nacional de Metrologia, Qualidade e Tecnologia (INMETRO), Instituto Brasileiro do Meio Ambiente (IBAMA), Ministério de Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), Comissão Nacional de Energia Nuclear (CNEN), Exército Brasileiro. 18/05/2025, 20:38Versão para impressão about:blank 6/16 Logística portuária Secretaria de Portos (SEP) Inspeção do porto Receita Federal, Polícia Federal, Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA), Vigilância Agropecuária Internacional (VIGIAGRO). Em suma, o Portal SISCOMEX oportunizou mais as vendas e compras internacionais, permitindo mais velocidade para as exportações e importações, diminuindo o fluxo burocrático. International Commercial Terms (Incoterms): origem, conceito, finalidade, códigos e descrições Agora, vamos conhecer as palavras-chaves que orientam os contratos de comércio internacional. São as chamadas condições internacionais de venda de mercadorias. Elas determinam as obrigações e os direitos do exportador e do importador. Referem-se aos custos das transações comerciais e à responsabilidade por perdas e danos que possam ocorrer. Indicam, do ponto de vista legal, quando estão cumpridas as obrigações do exportador, ou seja, o momento em que as mercadorias são consideradas entregues ao importador, quando o exportador fica isento de responsabilidades sobre o produto exportado e adquire o direito de receber o seu pagamento. Atenção: as regras que vamos esmiuçar a seguir referem-se apenas a exportadores e importadores. Elas não têm efeitos sobre as outras partes, como transportadores, seguradores e despachantes. 18/05/2025, 20:38 Versão para impressão about:blank 7/16 Essas regras estão definidas numa compilação de termos reconhecida internacionalmente como INCOTERMS, abreviação de International Commercial Terms. Os INCOTERMS são uma série de regras internacionais que orientam os contratos de compra e venda e definem quem é responsável pelos custos e riscos em cada momento das operações (se o importador ou o exportador). A terminologia INCOTERMS foi criada pela Câmara Internacional de Comércio, com sede em Paris, reunindo fórmulas contratuais em uso no ano de 1936. Ao longo do tempo, ocorreram várias alterações. Atualmente, está em vigência o INCOTERMS 2010. Os INCOTERMS são utilizados de forma praticamente universal no comércio internacional. Características dos INCOTERMS Estabelecem regras sobre a responsabilidade pelos custos e riscos – quem paga o quê a cada fluxo da operação de exportação e importação (por exemplo, frete, responsabilidade por perdas e danos das mercadorias, liberação alfandegária etc. desde a saída da mercadoria até a chegada ao seu destino). São representados por siglas de três letras, definindo os direitos e obrigações do vendedor e do comprador em relação a: fretes, seguros, liberação em alfândegas e obtenção de licenças. 18/05/2025, 20:38 Versão para impressão about:blank 8/16 Grupos e códigos Em 2010, os INCOTERMS ficaram divididos em quatro grupos. O termo ou família "E" Ex Works ou Ex Factory: significa "na fábrica", ou um lugar designado. A mercadoria fica à disposição do comprador nas instalações do vendedor. Os termos ou família "F" FCA, FAS e FOB: O vendedor deve entregar a mercadoria a um transportador ou em local designado pelo comprador, responsabilizando-se pelo pagamento do frete. Os termos "C" CFR, CIF, CPT e CIP: o vendedor tem a obrigação de contratar o transporte, mas não é responsável pelo seguro até o embarque das mercadorias. A partir daí, o vendedor é responsável pelo frete internacional, mas quem assume os riscos pela viagem internacional é o importador. Os termos “D” DAT, DAP E DDP: o vendedor assume a responsabilidade por todas as operações relativas à chegada da mercadoria no local designado. Atenção! Os termos “F” e “E” indicam que o risco é transferido do exportador para o importador ainda no país de origem. 18/05/2025, 20:38 Versão para impressão about:blank 9/16 Grupo E EXW – EX Works ou Ex Factory (a partir do local de produção): O exportador tem a única obrigação de apresentar a mercadoria embalada, no seu estabelecimento, para entregá-la. O importador é responsável por todas as providências e despesas para a retirada da mercadoria do país do vendedor. 18/05/2025, 20:38 Versão para impressão about:blank 10/16 Grupo F FAS – Free Alongside Ship (livre no costado do navio): O comprador assume todas as despesas e responsabilidades por perdas e danos, assim que a mercadoria é colocada à sua disposição, ao lado do costado do navio (frete, seguros internacionais e carregamento). O vendedor deve realizar o desembaraço na alfândega para a exportação. Utilizado unicamente em transportes aquaviários (marítimo, fluvial e lacustre). FOB – Free On Board (livre a bordo): O exportador deve entregar a mercadoria desembaraçada (liberada pela alfândega), a bordo do navio indicado pelo importador, no porto de embarque, sendo responsável pelas despesas e riscos até aquele momento. Quando a mercadoria transpõe a murada do navio é o importador que assume os riscos de perda ou danos. Vale para o transporte marítimo ou hidroviário interior. FCA – Free Carrier (transportador livre): A mercadoria deve ser entregue até o transportador designado pelo importador. A partir desse momento, o importador assume o custo de transporte, frete marítimo, seguro e outras formalidades de exportação. 18/05/2025, 20:38 Versão para impressão about:blank 11/16 Pode ser utilizada em qualquer tipo de transporte. 18/05/2025, 20:38 Versão para impressão about:blank 12/16 Grupo C Transporte principal pago pelo exportador e risco por conta do importador CFR – Cost and Freight (custo e frete): O vendedor deve realizar a reserva de espaço no navio, contratar e efetuar o pagamento do frete da mercadoria até o porto de destino. Até o momento em que a mercadoria ultrapassar a amurada do navio no porto de embarque nomeado, os riscos são por conta do vendedor. Ele também é responsável pelos pagamentos de impostos e taxas, documentos de exportação e despesas para carga da mercadoria a bordo do navio. Com a mercadoria dentro do navio (embarcada), os custos e riscos passam ao comprador. Esse termo só vale para transporte aquaviário (marítimo, fluvial e lacustre). CIF – Cost, Insurance And Freight (custo, seguro e frete): Indica que a obrigação do vendedor estará cumprida quando a mercadoria ultrapassar a amurada do navio no porto de embarque nomeado. Todas as providências anteriores (pagamentos de impostos e taxas, obtenção de licença e documentos de exportação, carga da mercadoria para bordo do navio) são de sua responsabilidade. Após o embarque, os custos e riscos ficam por conta do comprador. 18/05/2025, 20:38 Versão para impressão about:blank 13/16 Válido apenas para transporte aquaviário (marítimo, fluvial e lacustre). CPT – Carriage Paid To (transporte pago até): O vendedor deve contratar o transportador estipulado pelo vendedor e pagar o frete da mercadoria até o local de destino. A obrigação do vendedor termina quando a mercadoria for entregue ao transportador, podendo ser no veículo ou no terminal. Válido para qualquer modal de transporte e transporte multimodal (várias modalidades de transporte viabilizadas por um único contrato de transporte). CIP – Carriage and Insurance Paid to (transporte e seguro) : O vendedor deve contratar o transportador estipulado pelo vendedor e pagar o frete da mercadoria até o local de destino. Além disso, paga o seguro de risco de perda ou dano em favor do comprador. Aplica-se a qualquer modalidade de transporte. 18/05/2025, 20:38 Versão para impressão about:blank 14/16 Grupo D DAT - Delivered At Terminal (entregue no terminal nomeado no porto ou local de destino): O vendedor obriga-se a colocar a mercadoria à disposição do comprador, na data ou período acordado, num terminal de destino nomeado (cais, terminal de contêineres ou armazém etc.), descarregada do veículo transportador. O desembaraço alfandegário para importação não é sua obrigação. DAP - Delivered At Place (entregue no local de destino nomeado) De modo semelhante ao termo anterior, o vendedor põe a mercadoria à disposição do comprador,na data ou período acordado, num local de destino indicado que não seja um terminal, pronta para ser descarregada do veículo transportador. Também nesse caso o desembaraço alfandegário para importação não é sua obrigação. DDP – Delivery Duty Paid (entregue direitos pagos) : O vendedor entrega a mercadoria desembaraçada (liberada pela alfândega) para a importação, no local de destino designado pelo importador. O vendedor compromete-se com todos os custos e riscos do transporte da mercadoria dentro do país até o estabelecimento do importador. Mas fica desobrigado do desembarque da mercadoria. 18/05/2025, 20:38 Versão para impressão about:blank 15/16 Aprendemos, nesse tópico, o significado dos termos de venda internacionais INCOTERMS, que regem os contratos do comércio internacional de mercadorias. Vimos o quanto são importantes para definir as responsabilidades dos exportadores e importadores, fixando as obrigações de cada um, em cada etapa do processo de comércio internacional. Nessa parte do nosso curso, conhecemos o Portal Siscomex, que é a ferramenta eletrônica criada pelos órgãos de governo do Brasil para facilitar, modernizar, agilizar e tornar transparentes todas as operações de importação e exportação realizadas no país. Aprendemos também o significado dos termos de venda internacionais INCOTERMS, que regem os contratos do comércio internacional de mercadorias. Ambas as ferramentas auxiliam os importadores e os exportadores, promovendo agilidade e segurança para as negociações internacionais. Dica: Pesquise na internet sobre termo de comércio internacional – INCOTERMS e visite o Portal SISCOMEX para familiarizar-se com essa ferramenta e buscar um maior aprofundamento sobre todos os recursos que o site oferece. Válido para qualquer modalidade de transporte. 18/05/2025, 20:38 Versão para impressão about:blank 16/16