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Técnico em administração
Ferramentas de apoio ao exportador /
importador
Você já percebeu a quantidade de produtos importados que as lojas
oferecem? São infindáveis as opções que encontramos nos segmentos
eletrônicos, artigos esportivos, roupas, alimentos e até automóveis. E certamente
você já viu muitas notícias sobre os produtos produzidos no Brasil que são
vendidos e exportados em grande escala para outros países, especialmente
matérias-primas, como: soja, carne bovina e de frango, minério de ferro, frutas
tropicais e até aviões, por exemplo.
O assunto que vamos tratar aqui visa refletir justamente como funcionam
essas ações de importação e exportação, ou seja, como funciona o chamado
comércio internacional. Vamos, neste tópico, aprender sobre as ferramentas que
fazem parte dessas operações comerciais: o Portal Siscomex e os Incoterms
que orientam os contratos internacionais.
Não custa relembrar que o comércio
internacional existe porque nem todos os países
produzem tudo o que precisam.
Isso pode ocorrer por causa das condições geográficas: clima, solo,
geografia que não permitem cultivar todos os alimentos, ou manter florestas para
extrair madeira, ou extrair minérios para industrializar, por exemplo. E também por
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impossibilidade de condições de produção (mão de obra, recursos para
investimento, domínio da tecnologia etc.). Há ainda as vantagens de preços e
câmbio, pois em determinadas condições é menos caro comprar de outros países
do que produzir internamente.
Essa etapa de aprendizagem levará a você, futuro Técnico em
Administração, informações básicas sobre como é realizado no Brasil o processo
de compra e venda internacional de mercadorias. Veremos também como as
operações de importação e exportação foram modernizadas por meio da criação
do Sistema Integrado de Comércio Exterior, um portal eletrônico que centralizou
todas as informações legais e operações com os órgãos públicos responsáveis
pelo controle das importações e exportações. Conheceremos, por fim, a
terminologia comum dos contratos que regem o comércio internacional de
mercadorias, as famosas INCOTERMS.
Dica do professor: É muito importante toda a atenção aos conceitos que
vamos apresentar. São informações necessárias para compreender quais as
referências que orientam as compras e as vendas internacionais (importação e
exportação). Vamos começar?
O Portal SISCOMEX assim como as INCOTERMS são ferramentas de apoio
ao importador e ao exportador. Veremos, na sequência, a que se destina cada
uma dessas ferramentas.
Sistema Integrado de Comércio Exterior –
SISCOMEX
O Sistema Integrado de Comércio Exterior – SISCOMEX – é um portal
eletrônico (computadorizado) do governo brasileiro que faz a integração de todas
as atividades de registro e controle das operações de comércio exterior.
O Portal SISCOMEX foi criado pelo Governo Federal com o objetivo de
centralizar as informações e dar transparência para as negociações de exportação
e importação. É administrado pela Secretaria de Comércio Exterior, pela
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Secretaria da Receita Federal e pelo Banco Central do Brasil. Na sua
estruturação, contou com a colaboração das entidades atuantes nesse segmento,
das associações de importadores e exportadores, dos bancos, dos corretores etc.
O Portal Siscomex padronizou, simplificou e reduziu a burocracia nas
operações de comércio exterior e diminuiu os prazos de liberação das mercadorias
importadas e do embarque das mercadorias exportadas. Sua criação também
ampliou o número de pontos de atendimento no país, cobrindo todo o território
nacional.
Além disso, no portal, encontramos todas as regras relacionadas com as
atividades de importação e exportação para atender às empresas e aos
profissionais desse comércio. Ele permite acompanhar a saída e o ingresso de
mercadorias no país em diversos níveis de acesso. Por intermédio do próprio
Sistema, o exportador (ou o importador) troca informações com os órgãos
responsáveis pela autorização e pela fiscalização.
Por meio desse portal, os operadores do comércio internacional
(exportadores, importadores, transportadores, despachantes aduaneiros etc.)
acessam os serviços e sistemas governamentais, como a Receita Federal e a
legislação relacionada às operações de comércio exterior (que é a base de dados
do sistema).
Ainda relembrando, temos aqui definições básicas de quatro conceitos:
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Exemplo:
Se uma empresa estiver interessada em importação e exportação de mercadorias,
deverá entrar eletronicamente no Portal SISCOMEX. No portal, deve credenciar-se
junto à Secretaria da Receita Federal e passar a operar no sistema, onde estão
todas as exigências legais e administrativas inerentes ao processo de exportação
e importação. Todos os passos para obtenção das licenças e autorizações são
concedidos dentro do sistema.
No Portal, além de toda a legislação específica destinada ao comércio
exterior, encontram-se também manuais, formulários e notícias que orientam o
comércio internacional. O sistema também permite às empresas a realização de
pesquisas e consultas sobre operações já concluídas ou em andamento. Também
podem ser feitas simulações de tratamento aduaneiro ou administrativo em
relação a países de onde se quer importar ou exportar.
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Todas as fases da exportação, inclusive o despacho aduaneiro (liberação de
cargas) de exportação e importação também são processados por meio do
Siscomex.
Vamos ver como funciona o fluxo de uma operação de comércio internacional
no Portal Siscomex?
Na Figura 1, aparece o fluxo das três fases da operação de comércio
internacional:
obtenção das anuências prévias (licenças);
logística portuária;
inspeção portuária.
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Figura 1 – Fluxo de operação de comércio internacional no Portal Siscomex
Fonte: .
Podemos observar na Figura 1 que o Portal Siscomex viabiliza e facilita os
contatos necessários nas várias fases por meio do acesso à base de dados
(legislação específica) e pelos órgãos públicos responsáveis. As setas indicam a
interface entre os operadores (importadores, exportadores, transportadores), a
base de dados e os órgãos de governo.
A imagem mostra como o Portal Siscomex funciona de forma integrada.
Numa ponta, está o exportador/importador/transportador acessando o portal
eletrônico SISCOMEX, captando as informações necessárias da base de dados,
retornando com a documentação exigida pelos órgãos licenciadores e deles
recebendo a respectiva resposta para passar à fase seguinte.
No centro da figura, temos a base de dados, que está relacionada a todos os
órgãos competentes.
Conforme a fase da operação e a natureza dos produtos
importados/exportados e as licenças e autorizações a serem obtidas, esses
órgãos são:
Anuências (licenças) prévias
Secretaria do Comércio Exterior (SECEX), Agência Nacional de Petróleo
(ANP), Polícia Federal, Instituto Nacional de Metrologia, Qualidade e
Tecnologia (INMETRO), Instituto Brasileiro do Meio Ambiente (IBAMA),
Ministério de Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), Comissão Nacional de
Energia Nuclear (CNEN), Exército Brasileiro.
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Logística portuária
Secretaria de Portos (SEP)
Inspeção do porto
Receita Federal, Polícia Federal, Agência Nacional de Vigilância Sanitária
(ANVISA), Vigilância Agropecuária Internacional (VIGIAGRO).
Em suma, o Portal SISCOMEX oportunizou mais as vendas e compras
internacionais, permitindo mais velocidade para as exportações e importações,
diminuindo o fluxo burocrático.
International Commercial Terms (Incoterms):
origem, conceito, finalidade, códigos e descrições
Agora, vamos conhecer as palavras-chaves que orientam os contratos de
comércio internacional. São as chamadas condições internacionais de venda de
mercadorias. Elas determinam as obrigações e os direitos do exportador e do
importador. Referem-se aos custos das transações comerciais e à
responsabilidade por perdas e danos que possam ocorrer.
Indicam, do ponto de vista legal, quando estão cumpridas as obrigações do
exportador, ou seja, o momento em que as mercadorias são consideradas
entregues ao importador, quando o exportador fica isento de responsabilidades
sobre o produto exportado e adquire o direito de receber o seu pagamento.
Atenção: as regras que vamos esmiuçar a seguir referem-se apenas a
exportadores e importadores. Elas não têm efeitos sobre as outras partes, como
transportadores, seguradores e despachantes.
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Essas regras estão definidas numa compilação de termos reconhecida
internacionalmente como INCOTERMS, abreviação de International Commercial
Terms.
Os INCOTERMS são uma série de regras internacionais que orientam os
contratos de compra e venda e definem quem é responsável pelos custos e riscos
em cada momento das operações (se o importador ou o exportador).
A terminologia INCOTERMS foi criada
pela Câmara Internacional de Comércio, com
sede em Paris, reunindo fórmulas contratuais
em uso no ano de 1936. Ao longo do tempo,
ocorreram várias alterações. Atualmente, está
em vigência o INCOTERMS 2010.
Os INCOTERMS são utilizados de forma praticamente universal no comércio
internacional.
Características dos INCOTERMS
Estabelecem regras sobre a responsabilidade pelos custos e riscos – quem
paga o quê a cada fluxo da operação de exportação e importação (por exemplo,
frete, responsabilidade por perdas e danos das mercadorias, liberação
alfandegária etc. desde a saída da mercadoria até a chegada ao seu destino).
São representados por siglas de três letras, definindo os direitos e obrigações do
vendedor e do comprador em relação a: fretes, seguros, liberação em alfândegas
e obtenção de licenças.
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Grupos e códigos
Em 2010, os INCOTERMS ficaram divididos em quatro grupos.
O termo ou família "E"
Ex Works ou Ex Factory: significa
"na fábrica", ou um lugar
designado. A mercadoria fica à
disposição do comprador nas
instalações do vendedor.
Os termos ou família "F"
FCA, FAS e FOB: O vendedor
deve entregar a mercadoria a um
transportador ou em local
designado pelo comprador,
responsabilizando-se pelo
pagamento do frete.
Os termos "C"
CFR, CIF, CPT e CIP: o vendedor
tem a obrigação de contratar o
transporte, mas não é responsável
pelo seguro até o embarque das
mercadorias. A partir daí, o
vendedor é responsável pelo frete
internacional, mas quem assume
os riscos pela viagem
internacional é o importador.
Os termos “D”
DAT, DAP E DDP: o vendedor
assume a responsabilidade por
todas as operações relativas à
chegada da mercadoria no local
designado.
Atenção!
Os termos “F” e “E” indicam que o risco é transferido do exportador para o
importador ainda no país de origem.
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Grupo E
EXW – EX Works ou Ex Factory (a partir do local de
produção):
O exportador tem a única obrigação de apresentar a mercadoria
embalada, no seu estabelecimento, para entregá-la.
O importador é responsável por todas as providências e despesas para
a retirada da mercadoria do país do vendedor.
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Grupo F
FAS – Free Alongside Ship (livre no costado do
navio):
O comprador assume todas as despesas e responsabilidades por perdas
e danos, assim que a mercadoria é colocada à sua disposição, ao lado do
costado do navio (frete, seguros internacionais e carregamento). O vendedor
deve realizar o desembaraço na alfândega para a exportação.
Utilizado unicamente em transportes aquaviários (marítimo, fluvial e
lacustre).
FOB – Free On Board (livre a bordo): 
O exportador deve entregar a mercadoria desembaraçada (liberada pela
alfândega), a bordo do navio indicado pelo importador, no porto de embarque,
sendo responsável pelas despesas e riscos até aquele momento.
Quando a mercadoria transpõe a murada do navio é o importador que
assume os riscos de perda ou danos.
Vale para o transporte marítimo ou hidroviário interior.
FCA – Free Carrier (transportador livre): 
A mercadoria deve ser entregue até o transportador designado pelo
importador. A partir desse momento, o importador assume o custo de
transporte, frete marítimo, seguro e outras formalidades de exportação.
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Pode ser utilizada em qualquer tipo de transporte.
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Grupo C
Transporte principal pago pelo exportador e risco por conta do
importador
CFR – Cost and Freight (custo e frete): 
O vendedor deve realizar a reserva de espaço no navio, contratar e
efetuar o pagamento do frete da mercadoria até o porto de destino.
Até o momento em que a mercadoria ultrapassar a amurada do navio no
porto de embarque nomeado, os riscos são por conta do vendedor. Ele
também é responsável pelos pagamentos de impostos e taxas, documentos
de exportação e despesas para carga da mercadoria a bordo do navio.
 Com a mercadoria dentro do navio (embarcada), os custos e riscos
passam ao comprador.
Esse termo só vale para transporte aquaviário (marítimo, fluvial e
lacustre).
CIF – Cost, Insurance And Freight (custo, seguro e
frete): 
Indica que a obrigação do vendedor estará cumprida quando a
mercadoria ultrapassar a amurada do navio no porto de embarque nomeado.
Todas as providências anteriores (pagamentos de impostos e taxas, obtenção
de licença e documentos de exportação, carga da mercadoria para bordo do
navio) são de sua responsabilidade.
Após o embarque, os custos e riscos ficam por conta do comprador.
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Válido apenas para transporte aquaviário (marítimo, fluvial e lacustre).
CPT – Carriage Paid To (transporte pago até):
O vendedor deve contratar o transportador estipulado pelo vendedor e
pagar o frete da mercadoria até o local de destino.
A obrigação do vendedor termina quando a mercadoria for entregue ao
transportador, podendo ser no veículo ou no terminal.
Válido para qualquer modal de transporte e transporte multimodal (várias
modalidades de transporte viabilizadas por um único contrato de transporte).
CIP – Carriage and Insurance Paid to (transporte e
seguro) :
O vendedor deve contratar o transportador estipulado pelo vendedor e
pagar o frete da mercadoria até o local de destino. Além disso, paga o seguro
de risco de perda ou dano em favor do comprador.
Aplica-se a qualquer modalidade de transporte.
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Grupo D
DAT - Delivered At Terminal (entregue no terminal
nomeado no porto ou local de destino):
O vendedor obriga-se a colocar a mercadoria à disposição do
comprador, na data ou período acordado, num terminal de destino nomeado
(cais, terminal de contêineres ou armazém etc.), descarregada do veículo
transportador. O desembaraço alfandegário para importação não é sua
obrigação.
DAP - Delivered At Place (entregue no local de
destino nomeado)
De modo semelhante ao termo anterior, o vendedor põe a mercadoria à
disposição do comprador,na data ou período acordado, num local de destino
indicado que não seja um terminal, pronta para ser descarregada do veículo
transportador. Também nesse caso o desembaraço alfandegário para
importação não é sua obrigação.
DDP – Delivery Duty Paid (entregue direitos pagos)
:
O vendedor entrega a mercadoria desembaraçada (liberada pela
alfândega) para a importação, no local de destino designado pelo importador.
O vendedor compromete-se com todos os custos e riscos do transporte da
mercadoria dentro do país até o estabelecimento do importador. Mas fica
desobrigado do desembarque da mercadoria.
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Aprendemos, nesse tópico, o significado dos termos de venda internacionais
INCOTERMS, que regem os contratos do comércio internacional de mercadorias.
Vimos o quanto são importantes para definir as responsabilidades dos
exportadores e importadores, fixando as obrigações de cada um, em cada etapa
do processo de comércio internacional.
Nessa parte do nosso curso, conhecemos o Portal Siscomex, que é a
ferramenta eletrônica criada pelos órgãos de governo do Brasil para facilitar,
modernizar, agilizar e tornar transparentes todas as operações de importação e
exportação realizadas no país. Aprendemos também o significado dos termos de
venda internacionais INCOTERMS, que regem os contratos do comércio
internacional de mercadorias. Ambas as ferramentas auxiliam os importadores e
os exportadores, promovendo agilidade e segurança para as negociações
internacionais.
Dica: Pesquise na internet sobre termo de comércio internacional –
INCOTERMS e visite o Portal SISCOMEX para familiarizar-se com essa
ferramenta e buscar um maior aprofundamento sobre todos os recursos que o site
oferece.
Válido para qualquer modalidade de transporte.
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