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história da arte N E O C L A C I S S I S M O , R O M A N T I S M O , R E A L I S M O E I M P R E S S I O N I S M O – D A S R E V O L U Ç Õ E S À M O D E R N I D A D E INTRODUÇÃO Mudanças na sociedade nos séculos XVIII e XIX. Nova maneira de enxergar o mundo. Homem era capaz de alterar o sistema vigente por meio da razão. Iluminismo. Voltaire, Diderot e Rousseau. Igualdade, fraternidade e liberdade. Contestava os abusos do Estado e da Igreja. A revolução do pensamento desencadeou a revolução Americana (1776) e Francesa (1789). O movimento Neoclassicista utilizou do racionalismo clássico e negou o excesso de emoção barroca. Os personagens e a arquitetura surgiram nas pinturas. Traziam os ideais filosóficos. Jacques Louis David registrou cenas da Revolução Francesa (A morte de Marat). O mundo moderno foi caracterizado pelo homem procurando compreender e buscar sua identidade. Romantismo representou o conflito interno do homem mediante as questões novas. Inquietude emocional dos personagens. O Realismo constava a vida difícil do trabalhador e os problemas cotidianos. Para as artes, os artistas devem pintar o que veem e não um momento que já não existe. Édouard Manet abriu caminho para os impressionistas, retratando a vida ao ar livre (plein-air). NEOCLASSICISMO Neo significa novo (grego). O Novo Classicismo adotou os valores greco-romanos da arte. Para os artistas, as obras de arte deveriam imitar as obras clássicas do Renascimento Italiano. Últimas décadas do século XVIII e início do século XIX. Surge uma nova e fortalecida burguesia após a Revolução Francesa. “A arte neoclássica reflete a glória que foi a Grécia e a grandeza que foi Roma”. A arte buscou austeridade e razão, diferentemente do Rococó. ARQUITETURA NEOCLÁSSICA Se caracteriza pela simplicidade das construções clássicas. Se apropria de fundamentos básicos como a simetria e o equilíbrio. Jacques Germain Souflot foi um dos primeiros arquitetos neoclássicos responsável pela construção do Panteão de Paris (1755). Esse projeto foi desenhado para ser uma igreja dedicada à Santa Genoveva, mas a construção reiniciou depois da Revolução Francesa e se tornou uma necrópole (para personalidades importantes da França). O edifício teve sua fachada decorada com um pórtico de seis colunas de estilo coríntio (frontão triangular com trabalhos escultóricos). O edifício é coroado por uma cúpula, com um lanternim no topo. Planta em forma de cruz grega. Na Alemanha, as construções se devem ao arquiteto Karl Gotthard Langhans. O Portão de Brandemburgo foi sua obra mais famosa. Características: construção feita em arenito, grandes colunas dóricas, estrutura retangular, escultura em bronze (de Johann Gottfreid Shadow). PINTURA NEOCLÁSSICA Buscou inspiração nas poses das esculturas, na linearidade, anatomia correta e perfeição do traçado de caráter ilustrativo e literário (hábitos da burguesia comerciária, a Revolução Francesa, o grande Império de Napoleão, as histórias gregas e romanas e a mitologia). Jacques-Louis David foi o melhor e mais expressivo pintor da Revolução Francesa e do Império de Napoleão. Aprendeu com as obras clássicas e com os mestres italianos. Pintou fatos históricos franceses. “Bonaparte atravessando os Alpes”, tinha como objetivo apresentar Napoleão como um homem capaz de liderar seu exército tranquilamente. “A morte de Marat” foi sua obra mais importante. Era uma homenagem a Jean-Pauk Marat, que morreu em uma banheira pela monarquista Marie-Anne Charlotte Cordey. Seu grande realismo inspirou outros pintores do período. Jean Dominique Ingres foi um dos últimos pintores neoclássicos. Suas obras marcam a passagem do Neoclassicismo para o Romantismo. Produziu obras com altíssimo acabamento técnico. Ênfase maior no desenho que na cor. A qualidade de suas linhas foi elogiada. Fez paisagens, retratos e nus. Abordou temas mitológicos e literários. A inspiração clássica aparece na obra “A banhista de Valpinçon” (nome do primeiro proprietário). A qualidade vem do domínio ao criar tons de luz e sombra (na pele e no ambiente). A ausência de alegorias no fundo das obras é uma de suas principais características. John Singleton Copley (América do Norte) superou seus contemporâneos com apenas 20 anos. “Watson e o tubarão”. É uma alegoria moral, onde o tubarão é a encarnação do mal que cerca o jovem indefeso. ESCULTURA NEOCLÁSSICA Roma foi a grande sede. Antonio Canova, Bertel Thorvaldsen e Johann Gottfreid Shadow . Antonio Canova foi um grande escultor deste movimento. Recebeu muitos convites para sair da Itália, preferiu ficar em Roma (recebia muitas encomendas de reis e da Igreja). “Eros e Psiquê” Mármore. Gosto pelos temas clássicos. Representação das figuras como ideal de beleza. Eros acorda Psiquê com um beijo. Ele se preocupava com a forma como suas esculturas seriam vistas. Esta foi feita para ser vista por todos os lados e sob uma luz suave e colorida. Bertel Thorvaldsen era o principal rival de Canova. “Ganimedes e Júpiter”. A touca que o jovem usa é símbolo de liberdade durante a Revolução Francesa. ROMANTISMO 1800 - 1850. Surgiu como reação à racionalidade do Neoclassicismo. Valorizavam os sentimentos e a imaginação do indivíduo acima da razão. O indivíduo era centro do universo. Procuravam se libertar das convenções acadêmicas em favor da livre expressão. “O artista deve pintar não só o que vê a sua frente, mas também o que vê dentro de si”. O Romantismo se expressou na literatura e na filosofia, e depois nas artes plásticas. Se inspirava em Kant e Hegel (que discursavam sobre o mundo interior). O principal tema era o drama humano (amores trágicos, ideais e locais utópicos, natureza, desejo de fugir ou escapar de coisas ou situações). PINTURA ROMÂNTICA A pintura recupera a emoção, o drama e o dinamismo do Barroco. Pintores: Goya, Delacroix, Turner e Constable. Goya era um grande desenhista, pintor e gravador. Trabalhou com diversos temas (retratos de personalidades da corte espanhola e de pessoas do povo, paisagens, cenas mitológicas, horrores da guerra, deuses e demônios). “Três de Maio”. Representa o fuzilamento por soldados franceses de cidadãos espanhóis. Um grupo de pessoas aparece acuado, com feições de medo. Direcionamento do olhar para a camisa branca do homem (personagem principal) de braços levantados (crucificação de Cristo). Forte contraste ente a luminosidade e o fundo escuro. Dramaticidade. Características fazem menção a forte carga emocional contida nas obras do Barroco. Série “Caprichos” (gravuras). Composta por 80 gravuras. Sátira social, sarcasmo, erotismo e a feitiçaria são expressados. Criou um atrito entre ele e a igreja. A obra precisou ser retirada do mercado. “Desastres da guerra”. Mostra os horrores da Guerra da Independência Espanhola que ocorreram durante a Guerra Peninsular. Napoleão invadiu e se apoderou do trono espanhol. O povo espanhol expulsou os franceses. “Touromaquia” Mostra a fixação de Goya pelas touradas. 33 gravuras. “Provérbios ou disparates” Temas de monstros e espíritos (sonhos e pesadelos). 22 trabalhos. Ferdinand Victor Eugène Delacroix foi o mais importante representante francês do Romantismo. Foi influenciado pelos temas das obras de Rubens e pelos poemas de Lord Byron. Em suas pinturas, as cenas de paixão, violência e sensualidade eram recorrentes. “A liberdade guiando o povo”. Exaltação à Revolução de Julho de 1830. Causou grande furor no Salão de Paris. Representa o triunfo dos rebeldes republicanos. Composição piramidal. Dramaticidade e emoção. O foco está na mulher no centro da composição, sendo caracterizada como uma alegoria da liberdade. As cores vermelho, branco e azul reforçam o tema e a mensagem. O céu de nuvens agitadas caracterizava o momento difícil pelo qual o país passava. “A agitação de Tânger”. Documenta os hábitos e costumes dos habitantes de Marrocos. Anuncia o Impressionismo através da luminosidade transparente do céu, da luz intensamente refletida nas casas em oposição às áreas de sombra. Foi no Romantismoque a pintura de paisagem ganhou importância, tornando-se um gênero. Os artistas estabeleceram um relacionamento entre seus sentimentos e a natureza. Eles projetavam suas emoções, paixões e sonhos. Caspar David Friedrich era pintor, desenhista, gravurista, escultor e paisagista. Se expressava através de cores tristes (violeta, púrpura e azul-marinho). Em seus trabalhos, as paisagens eram escuras com sombras e poucas figuras. “O oceano polar”. Inspirado na expedição de William Perry ao ártico. A obra retrata pedaços de gelo quebrados e amontoados em forma de pirâmide (perigosa a qualquer embarcação que se aproximasse). Imobilidade dos elementos, o silêncio e a solidão dão tom a cena. O ambiente inóspito reflete melancolia. Joseph Mallord William Turner. Era conhecido pela sua criatividade e rapidez. Começou pintando aquarelas e consagrou-se com paisagens cheias de paixão, energia e força. Suas representações detalhadas de paisagem são substituídas pela preocupação nas cores e brilhos (centro da tela). “Chuva, vapor e velocidade”. Primeiro registro de uma máquina a vapor. “A última viagem do HMS Temeraire”. Se refere ao velho navio de guerra Temeraire. Homenagem ao marco final da era da navegação à vela. A composição é feita com contrastes de cores, frias à esquerda e quentes à direita onde o sol se põe. John Constable. Pintor mais importante de paisagens. Pintava campos ingleses, moinhos, barcaças e rios. A pintura de paisagens deveria ser observada e captar a perfeição dos efeitos naturais e puros. O céu era utilizado para a atmosfera emocional, conferindo sentimentos à representação. “A Carroça de feno”. Extraordinária gama de cores. O reflexo da luz no rio confirma a importância da luminosidade. Ganhou medalha de ouro no Salão de Paris. As obras eram enriquecidas de muitos detalhes. ESCULTURA ROMÂNTICA Período de calma e momento de transição. Adaptação do estilo neoclássico por parte dos artistas. A linguagem ganhou a teatralidade e a emoção do período Barroco. Françoise Rude. La Marseillase. O painel escultórico representa a defesa da República feita pelos soldados. Corpos cheios de energia e em posição de movimento. Sua face está cheia de expressão. Jean Baptiste Carpeaux. A dança. Foi feita para a Ópera de Paris. As figuras movimentam-se alegres. Detalhes que remetem ao Rococó (flores, folhas) contornam toda a cena. ARQUITETURA ROMÂNTICA Industrialização e o surgimento de novos materiais para a construção (ferro e aço). Rearranjo da vida nas cidades. A construção de edifícios públicos e de moradias para a classe média e alta burguesia foram realizadas. As classes menos favorecidas e mais exploradas foram esquecidas em bairros distantes e em condições precárias. Surge a arquitetura eclética (resgate dos estilos anteriores). O apogeu se deu com o edifício da Ópera de Paris (Charles Garnier). Repleto de esculturas e ornamentação. Luxuoso e cheio de glamour (reflexo da Revolução Industrial). REALISMO Últimas décadas do século XIX. Movimento contrário às ideias do Romantismo. Baseava-se na observação da realidade, na razão e na ciência. Deixava de lado as visões subjetivas e emotivas da realidade. PINTURA Segue os princípios da ciência. O artista deve representar a realidade de forma objetiva. A beleza surge se estiver presenta na realidade. Os aspectos característico eram expressivos e não imaginativos. Pintura social. Denunciava as desigualdades entre as classes de trabalhadores e a burguesia. Industrialização e o desenvolvimento crescente geram uma grande classe de trabalhadores vivendo em condições precárias e desumanas. Gustave Courbet (pai do movimento). A pintura devia ser a representação de algo concreto. Foi o responsável pela criação do nome do movimento. Teve uma de suas obras rejeitada pelo Salão de Paris. Criou uma galeria particular para exposições (Pavilhão do Realismo). “O interior do meu atelier”. O pintor se representa pintando uma paisagem acadêmica. À sua esquerda estão pessoas comuns, do povo, e do seu lado direito, amigos e admiradores. Foi considerado o criador da pintura social. Mostrava em suas pinturas o cotidiano da classe trabalhadora (sem idealizações). A essência do Realismo é a negação do ideal. “Quebradores de pedra”. Apresenta de forma clara a sua visão sobre o mundo, a sociedade e a pintura. Sua forma de pintar fazia com que suas obras fossem criticadas pelos conservadores. Os homens são trabalhadores que Courbet viu quando passava em uma estrada. Pintou sem nenhum tipo de sentimentalismo. Um é muito jovem para o trabalho enquanto o outro é muito velho. O PAI DA ARTE MODERNA Édouard Manet. Suas obras geravam polêmica pois não seguiam as regras da academia. Preferia a perspectiva natural ao ponto de fuga único. Incluía em seus quadros representações de pessoas do povo. “Olympia”. Personagem principal era uma prostituta. Pose semelhante à Vênus de Urbino (de Ticiano). Foi influenciado por Charles Baudelaire, que incentivava a ser um pintor da vida moderna. O artista é de difícil classificação. Suas obras ficam entre o Realismo e o Impressionismo. “Almoço na relva”. A obra foi recusada pelo júri do Salão. Pode ser vista em uma exposição paralela no Salão dos Recusados (com um novo título: Le Bain). A obra retrata dois homem elegantes ao lado de uma jovem nua no campo. Foi inspirado na tela “Concerto campestre” (de Giorgione e Ticiano). As mulheres nuas eram representações de ninfas. “O julgamento de Páris” foi outra referência. O artista toma emprestado a composição sem nenhuma preocupação histórica. A recusa de sua obra se deu pelo tema e pela técnica. O artista utilizou fortes contrastes de luz e sombra e da acabamento bem delineado das figuras com um fundo apenas esboçado. Não se preocupava tanto com a perspectiva tradicional. A luminosidade e os efeitos da luz natural sobre as cenas foi considerado como elemento precursor do Impressionismo. IMPRESSIONISMO A obra “Impressão, nascer do sol” (Claude Monet) foi criticado por Louis Leroy no texto “A exposição impressionista”. Exposição do novo grupo de artistas no estúdio de Félix Nadar. Os artistas adotaram o nome Impressionismo como forma de assumir as características do grupo e desafiar a crítica. O movimento rompia com o passado através de uma nova metodologia de fazer arte. Observação direta dos efeitos da luz solar (em plein-air) eram retratada diretamente na tela. Contornos nítidos não existiam. As áreas eram luminosas. Os contrastes de luz e sombra eram obtidos com as cores complementares. As misturas de tintas deviam ser feitas na tela, em pequenas pinceladas. Monet. Gostava de pintar ao ar livre. Seus estudos da luz sobre as pessoas e a natureza ficaram mais consistentes. “Fachada da Catedral de Rouen”. Os efeitos da luz eram registrados nos quadros da fachada ao longo do dia. As diferenças da luz eram registradas sobre as pedras, arcos, rosácea e vitrais da construção. Pierre-Auguste Renoir. Foi o pintor mais popular e reconhecido pela crítica. Seus quadros mostram a movimentação da vida dos parisienses (final do século XIX). “Baile no Moulin de la Galette”. Apresenta uma atmosfera cheia de alegria. As pessoas se encontravam e dançavam ao ar livre. As pinceladas coloridas constroem as roupas das pessoas (parecendo refletir a luz que ilumina a cena). A luz sugere movimento enquanto as pessoas dançam. Jacob Camille Pissarro. Considerado um dos mais importantes paisagistas do Impressionismo. Extraiu novos temas para suas pinturas e inspiração para suas obras. Observação de janelas de quartos de hotéis. Conseguia captar a atmosfera dos lugares por meio da luz. “Boulevard Montmartre: noite”. Atmosfera de névoa. Pequenas pinceladas de cores combinadas. Edgar Degas. Valorizava o desenho e não apenas a cor. Tinha uma posição distinta do grupo. Seus quadros representam cenas em ambientes fechados com luz artificial. Gostava de pintar bailarinas adolescentes da Ópera de Paris durante os ensaios ou descansando. “A aula de dança”. Degas gostava de apresentarmomentos íntimos. Mães e bailarinas conversando com o professor. Captava instantes como se fosse uma máquina fotográfica. Os detalhes conferem à pintura a naturalidade do momento. Tinha gosto pela fotografia. O governo francês fundou o Muses Jeu de Paume (Museu dos Impressionistas). Em 1986 as obras foram transferidas para o Museu D’Orsay. ESCULTURA IMPRESSIONISTA Auguste-René Rodin Se tornou um dos maiores expoentes da escultura, apesar de ter sido recusado 3 vezes pela École de Beaux-Arts. Rodin era mais um modelador do que um escultor. Modelava suas peças em argila. As pinceladas do pintor eram visíveis. Posteriormente, as peças eram fundidas em bronze. Luminosidade especial pelas reentrâncias do processo. As obras de Michelangelo inspiraram sua primeira grande escultura. “A idade do bronze”. “O pensador”. Escultura mais conhecida. Criada para compor a “Porta do Inferno”. A porta deveria ter estátuas que representassem os personagens da “Divina Comédia”. O pensador representa Dante. Foi feito para ficar sobre o lintel (verga das portas/janelas). Representa o próprio pensamento que se reflete no corpo da escultura. “Os burgueses de Calais”. Conjunto escultórico. Narra a Guerra dos Cem Anos. A cena representa o momento em que 6 homens dirigem-se ao acampamento invasor, onde vão se apresentar para morrer. A falta de nobreza das figuras não agradou as autoridades. PONTILHISMO OU DIVISIONISMO Última exposição coletiva dos impressionistas. 1886. Georges Seurat e Paul Signac. Apresentaram pinturas que reconstruíram a cor e a luz com um método científico sobre a tela. Reduziam as pinceladas a pontos uniformes e justapostos. Usavam cores complementares ou contrastantes (ampliava o efeito da vibração luminosa). As cores vistas à distância se misturam na retina do observador (pareciam unidas e vibrantes). Ficou conhecido como Pontilhismo (França) e Divisionismo (Itália). “Tarde de domingo na Grande Jatte” Tem o tema, cores brilhantes e os efeitos da luz do Impressionismo. A obra não é uma impressão rápida e fugidia de um momento. É um instante cheio de detalhes. Tinha figuras de contorno precisos. Apresentação imóvel.