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Revista Quero Saber, v. 3, n. 2, 2022, Toledo–PR/BRAZIL 
www.institutoquerosaber.org/revista 
SENTIDO, SIGNIFICADO E SÍMBOLO: DIÁLOGOS 
ENTRE VIKTOR FRANKL E CARL JUNG1 
Júlio da Silveira Moreira2 
Glaucia Kasper3 
RESUMO 
Este trabalho aproxima as teorias de Viktor Frankl e Carl Jung, ao analisar seus questionamentos — “Qual 
é o sentido da minha vida? Qual é a missão da minha vida?”. Salienta que os campo psíquico e noético 
incluem a dimensão religiosa, que, ao ser ignorada, pode causar neuroses com sintomas leves ou 
acentuados. O ser humano contemporâneo deve assumir a responsabilidade e buscar ao longo de sua 
vida o sentido, o significado da sua existência. Tem-se observado um vazio existencial, uma perda de 
sentido e consequentemente um alto índice de suicídio. Tal esvaziamento se deve a escolhas mais ou 
menos conscientes, bem como na busca em coisas externas e mundanas para o preenchimento desse 
vazio. O real e verdadeiro sentido da vida só poderá ser alcançado quando o sujeito buscar ouvir e realizar 
os caminhos particulares, singulares e espirituais da sua subjetividade, performando a sua personalidade. 
Desse modo, todo processo visa proporcionar ao indivíduo uma re-ligação entre o eixo ego (consciência) 
e self (inconsciente), o centro regulador de toda a psique humana. Podendo concluir-se que ao longo da 
vida o indivíduo tem por objetivo encontrar a si mesmo, no encontro com seu próprio Deus. 
Palavras-chave: Logoterapia. Psicoterapia. Símbolo. Sonhos. 
SENSE, MEANING AND SYMBOL: DIALOGUES 
BETWEEN VIKTOR FRANKL AND CARL JUNG 
ABSTRACT 
This work approaches the theories of Viktor Frankl and Carl Jung, when analyzing their questions — 
“What is the meaning of my life? What is my life's mission? It states out that the psychic and noetic fields 
include the religious dimension, which, when ignored, can cause neuroses with mild or severe symptoms. 
The contemporary human being must assume responsibility and seek throughout his life the sense, the 
meaning of his existence. There has been an existential void, a loss of meaning and consequently a high 
suicide rate. Such emptying is due to more or less conscious choices, as well as the search for external and 
mundane things to fill this void. The real and true meaning of life can only be achieved when the subject 
seeks to listen and carry out the particular, singular and spiritual paths of his subjectivity, performing his 
personality. In this way, the whole process aims to provide the individual with a re-connection between 
the axis ego (consciousness) and self (unconscious), the regulatory center of the entire human psyche. It 
 
1 Esse trabalho é fruto de reflexões sobre a Logoterapia e Análise Existencial, trabalhado na disciplina de Tópicos 
Especiais de Ética Contemporânea I: A ética da responsabilidade de Viktor Frankl, ministrada pelo Prof. Júlio da 
Silveira Moreira e supervisionada pelo Prof. José Francisco de Assis Dias, no Programa de Pós-Graduação em 
Filosofia da Unioeste, Campus Toledo-PR. 
2 Pós-doutor em Filosofia pela Universidade Estatual do Oeste do Paraná. Doutor em Sociologia pela Universidade 
Federal de Goiás. Mestre em Direto, Relações Internacionais e Desenvolvimento pela Pontifícia Universidade 
Católica de Goiás. Graduado em Direito pela Universidade Federal de Goiás. 
Contato: juliomoreira.arquivo@gmail.com 
3 Mestranda em Filosofia pela Universidade Estadual do Oeste do Paraná. Graduada em Psicologia pela Pontifícia 
Universidade Católica do Paraná. 
Contato: glauciapsicoanalitica@gmail.com 
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can be concluded that throughout life the individual aims to find himself, in the encounter with his own 
God. 
Keywords: Logotherapy. Psychotherapy. Symbol. Dreams. 
1 INTRODUÇÃO 
O tema proposto neste artigo é tão delicado quanto necessário nos dias atuais. O ser 
humano contemporâneo busca esclarecimentos e conhecimentos diante dos sofrimentos 
psíquicos, sejam eles, leves, moderados ou graves, mas para isso é preciso coragem, atitude e 
principalmente humildade para saber reconhecer os sinais que chegam até ele por meio de 
sonhos4, sincronicidades ou coincidências que lhe acontecem no dia a dia de sua vida. Esse artigo 
tenta de trazer luz sobre alguns conteúdos dos campos sombrios pessoal e coletivo, lançando a 
pergunta: “Se as pessoas os possuem ou são possuídas por eles?” 
Com base nos escritos e teorias do psiquiatra austríaco Viktor Emil Frankl (1905-1997) e 
do psiquiatra suíço Carl Gustav Jung (1875-1961) desenvolvidos ao longo de suas vidas, encontra-
se um grande auxílio para encontrar o significado ou o sentido de sua vida e a partir disso realizar 
uma escolha consciente dos fatos que lhe acontecem. Frankl desenvolveu a terceira escola da 
psicoterapia vienense, nomeada de Logoterapia e Analise Existencial. Jung desenvolveu os 
conceitos de personalidade extrovertida e introvertida, inconsciente pessoal e coletivo, bem como 
dos arquétipos — sombra, anima, animus e Self, nomeando sua cosmovisão de Psicologia 
Analítica. 
2 O DESPERTAR INICIAL 
Em qualquer etapa de sua trajetória, a pessoa pode se fazer um questionamento central 
— “Qual é o sentido da minha vida?”, do mesmo modo que os respectivos autores Viktor Frankl 
e Carl Jung tiveram em sua existência um despertar inicial e a partir de uma “escolha”, uma 
atitude, ambos buscaram a compreensão, o sentido e o significado de tudo aquilo que lhes 
acontecia, construindo então seu legado e sua história. 
 
4 “O sonho é uma porta estreita, dissimulada naquilo que a alma tem de mais obscuro e íntimo; essa porta se abre 
para a noite cósmica original, que continha a alma muito antes da consciência do eu e que a perpetuará muito além 
daquilo que a ciência individual poderá atingir. [...] Mediante o sonho, inversamente, penetramos no ser humano 
mais profundo, mais geral, mais verdadeiro, mais durável, mergulhado ainda na penumbra da noite original, 
quando ainda estava no Todo e o Todo nele, no seio da natureza indiferenciada e despersonalizada. O sonho 
provém dessas profundezas, onde o universo ainda está unificado, quer assuma as aparências mais pueris, as mais 
grotescas, as mais imorais” (JUNG, 2016, p. 411). 
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Viktor Frankl demonstrou interesse por filosofia e psicologia ainda durante o ensino 
médio, vindo a proferir uma palestra sobre o sentido da vida. Ainda jovem, trocou 
correspondências com Sigmund Freud para realizar seu trabalho de conclusão de curso intitulado 
“Sobre a psicologia do pensamento filosófico”, escrito em 1923. Posteriormente, Frankl entrou 
para a Faculdade de Medicina na Universidade de Viena e começou a estudar casos de depressão 
e suicídio, vindo a publicar seu primeiro artigo cientifico intitulado “A origem da mímica da 
afirmação e da negação” na revista International Journal of Individual Psychology (FUKS, 2019). 
Foi considerado o fundador da terceira Escola de Psicoterapia, nomeada de Logoterapia 
e Análise Existencial. Segundo Frankl (2007), a virtude de responsabilidade pode ser aplicada à 
análise existencial, pois “a análise existencial passa a interpretar a existência humana, em sua 
essência mais profunda, como ser-responsável e compreende a si própria como uma ‘analise 
dirigida ao ser responsável’ [...]” (FRANKL, 2007, p. 16). 
A primeira escola foi a Psicanálise fundada por Sigmund Freud (1856-1939) , dentre as 
virtudes se enquadra na objetividade, isto é, “fez do ser humano uma coisa [...] que vê o paciente 
como sendo regido por mecanismos, e o terapeuta como aquele que sabe lidar com tais 
mecanismos [...] e conhece a técnica de consertar esses mecanismos quando defeituosos” 
(FRANKL, 2007, p. 14). 
A segunda escola foi a Psicologia Individual, fundadapor Alfred Adler (1870-1937). Para 
Frankl (2007), a mesma pertence à virtude da coragem, pois segundo ele todo adleriano “encara 
o procedimento terapêutico, em última análise, como nada mais que uma tentativa de encorajar 
o paciente [...] com o propósito de ajudá-lo a vencer seu sentimento de inferioridade” (FRANKL, 
2007, p. 13). 
E assim a sociedade passa a dispor de várias ciências que ao longo dos anos, que buscam 
contribuir com o desenvolvimento psicológico e bem-estar psíquico do homem contemporâneo, 
mas a atitude em compreender e tornar consciente o que tal ciência tem a fornecer para auxiliar 
o homem em seu desenvolvimento depende única e exclusivamente dele próprio, pois nada lhe 
é imposto, tudo na vida torna-se uma questão de “escolhas”. Talvez o leitor possa estar se 
perguntando — “Como assim?”. Bom, o que podemos dizer é que essa não seria a pergunta mais 
adequada, no entanto se reformularmos a questão talvez ela se torna compreensível: “Minha 
escolha está sendo consciente ou inconsciente?” E desse modo a pergunta poderá levar o 
indivíduo a uma identificação e compreensão do quão sua vida é um reflexo de suas escolhas 
mediante os fatos. 
 
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3 COMPREENDENDO OS CAMPOS: PSÍQUICO E NOÉTICO 
O campo responsável pela criação e manifestação dos respectivos questionamentos é o 
campo noético ou espiritual. Para Frankl (2007) a dimensão subjetiva é compreendida e 
composta por um campo consciente e outro inconsciente, neste último encontra-se uma 
espiritualidade inconsciente, à qual ele denomina inconsciente espiritual, que vai além de uma 
visão situada no psicofísico, ou seja os fenômenos humanos não são reduzidos a esta facticidade, 
ele passa a ter uma visão mais ampla e reconhece no homem contemporâneo em sua totalidade 
a dimensão noológica, que inclui uma visão valorativa, intelectual e artística. 
Como terapeuta, Frankl (2007, p. 7) 
[...] descobriu ainda a religiosidade em estado latente no interior do sujeito, 
muitas vezes só revelada através da análise de sonhos, [...]. É a essa tendência 
inconsciente para Deus que Frankl chamou de estado inconsciente de relação 
com Deus ou ‘presença ignorada de Deus’. Não constitui a divinização do 
inconsciente, como o próprio autor esclarece, nem pode ser considerada uma 
afirmação panteísta ou ocultista, nem é uma afirmação teológica de que Deus 
vive no inconsciente. Frankl fala de uma espécie de ‘fé’ inconsciente e de um 
‘inconsciente transcendental’ que inclui a dimensão religiosa. 
Quando o homem não torna consciente tais aspectos (incluindo a religiosidade reprimida 
que se encontra dentro de si), essa atrofia transforma-se em neuroses e na escala social degenera-
se em superstição, conformismo ou fanatismo. Ou seja, em nível individual e social desenvolve-
se o vazio existencial. Nos dias atuais, destaca-se o suicídio, que tem se agravado de forma muito 
significativa entre os jovens com idade de 15 a 29 anos principalmente, vindo a ser considerada 
pela Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS) a segunda maior causa de morte entre os 
jovens, cerca de 800 mil pessoas morrem por suicídio todos os anos. 
Esta patologia presente ao longo do tempo foi para Viktor Frankl, assim como continua 
sendo na atualidade, a principal causa de morte na humanidade. Quando a vida se esvazia de 
sentido e o homem não mais encontra sabor e prazer, pode dar fim à mesma. Sabemos que a 
vida lhe interroga e as respostas dadas pelo homem “serão ‘através de seus atos’, é tão somente 
pela ação que elas poderão ser verdadeiramente respondidas. E as respostas são dadas pela 
responsabilidade assumida na existência, mediante cada situação” (FRANKL, 2007, p. 17). 
Além da liberdade de escolha, exige-se do indivíduo contemporâneo um senso de 
responsabilidade e de presença no “aqui e agora”, ou seja, “algo precisa se conscientizar, precisa 
ser tornado consciente” (FRANKL, 2007, p. 17) por meio de seus atos no momento presente e 
que na análise existencial trata-se de algo espiritual. Isso que vem a consciência do homem é seu 
próprio eu e o mesmo se torna consciente de si mesmo e encontra-se a si mesmo. 
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O pensamento filosófico de Frankl engloba uma visão de corpo, psique e espírito. Devido 
ao fato do ser humano, 
[...] encontrar-se centrado como indivíduo em uma pessoa determinada (como 
centro espiritual e existencial), e somente por isso, o ser humano é também um 
ser integrado: somente a pessoa espiritual estabelece a unidade e totalidade do 
ente humano. Ela forma essa totalidade como sendo biopsicoespiritual. [...] 
somente essa totalidade tripla torna o ser humano completo (FRANKL, 2007, 
p. 23). 
Tendo em vista que a dimensão espiritual-existencial é sempre inconsciente Frankl (2007) 
nos aponta para uma direção no sentido de que o homem só pode realizar verdadeiramente uma 
análise dirigida a sua existência quando seus atos constituírem uma pura realidade de execução, 
ou seja, entende-se que é por meio das atitudes concretas e das suas escolhas, que o homem 
existe e transcende. Sendo o homem um ser e uma unidade na multiplicidade, ele possui a 
necessidade de engajamento pessoal na sociedade da qual faz parte. 
E consequentemente o sentido da vida de cada um de nós, deve afirmar-se através da 
realização de três categorias valorativas, são elas: 
[...] aqueles que se realizam mediante um ato criador, os valores criadores, os 
que se realizam na experiência vital, os valores vivenciais e os valores de atitude 
que se verificam quando a pessoa está numa situação em que nada mais pode 
fazer do que suportá-la e aceitá-la. A pessoa, em tais circunstâncias, terá em sua 
frente um dilema: como suportar e como aceitar a situação na qual se encontra 
(RODRIGUES, BARROS, 2009, p. 14-15). 
Dada as circunstâncias que Frankl experienciou ao longo de sua vida, dois devem ser os 
pontos centrais na vida do indivíduo, sendo eles: a liberdade e o sentido que este atribui a 
experiencia pela qual esteja passando. De tal modo que é necessário ao homem contemporâneo 
se questionar disso. Em outras palavras como “dizia Frankl, na esteira de Nietzsche, que ‘quem 
tiver um por-que-viver suporta quase sempre o como-viver’...” (RODRIGUES, BARROS, 2009, 
p. 12). É como se, ele estivesse perguntando a cada um de nós também “Qual é o seu por-que-
viver?” Ou, como salienta Jung “Qual a missão de sua vida?” 
4 SIGNIFICADO E SENTIDO NA PSICOLOGIA DE JUNG 
Dando sequência ao objetivo desta revisão encontra-se juntamente aos estudos 
desenvolvidos na Psicologia Analítica de Jung, o autor e comentador Edward F. Edinger (1922–
1998) analista junguiano mais influente dos Estados Unidos, que esteve na vanguarda daqueles 
que realizaram o trabalho iniciado pelo psiquiatra suíço, levando seus conceitos para uma nova 
geração de analistas americanos. De uma maneira similar, apontou que o homem 
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contemporâneo em sua existência deve buscar o significado da sua vida, ou seja, o mesmo deve 
se perguntar como que diariamente — “Qual é o significado da minha vida? Qual é o significado 
do meu dia? Qual é a missão de minha vida?” 
Ao fazer tais questionamentos, o mesmo passa a ter condições de obter respostas, visto 
que o significado da vida estaria estreitamente ligado ao sentimento de identidade pessoal e o 
efeito 
É mais ou menos o mesmo que indagar ‘Quem sou eu? Como eu sou? Como 
se eu fosse? Quem será, que sou eu?’ Estas questões são claramente subjetivas 
e nos mostram muitas facetas de nós. E uma resposta adequada para elas só 
podem vir de dentro da pessoa.Assim, podemos dizer que: o significado da 
vida está na subjetividade (EDINGER, 1972 p. 156). 
Duas das locuções presentes acima merecem devida atenção, pois são de grande 
importância e de extrema complexidade nos dias atuais, até mesmo para os pesquisadores da 
área: significado e subjetividade. Nesta breve exposição não conseguiremos aprofundar os 
conceitos de maneira adequada, tal tarefa torna-se delicada visto que cada escritor e leitor “possui 
e constrói” sua própria subjetividade e significado. E ambos têm seu início de formação 
juntamente com a personalidade ainda no início da sua infância e tudo aquilo que se vivencia 
torna-se um fator determinante na vida adulta. Isso continuamente se dá na atualidade ao homem 
contemporâneo. Estamos nos referindo à formação e desenvolvimento psíquico, que é parte 
constituinte da personalidade humana. 
Os autores provocam indagações quanto ao uso e percepção das palavras subjetivo e 
significado; por exemplo, se atualmente o homem desejar uma vida introvertida, aonde irá 
encontrá-la; teria este a aprovação da sociedade coletiva, das pessoas com as quais convive e se 
relaciona? Do contrário, todas as tendências seguem na direção oposta, a sociedade, a mídia, os 
meios de comunicação, bombardeiam o homem contemporâneo por uma vida cheia de sentido 
e significado em coisas externas e com objetividade, ou seja, é preciso ser concreto e visível 
apenas, esquecendo-se do campo invisível e interior. Comumente usam de frases como: 
“conheça nosso hotel e seja feliz”, “Compre e você será feliz”, dentre outras tantas pressões e 
expressões de uso da sociedade coletiva que sutilmente levam o homem contemporâneo na 
direção oposta àquela que os autores Edinger, Jung e Frankl nos propõem com suas teorias. 
É preciso compreender que a psique humana “é um fator autônomo, e os enunciados 
religiosos (ou simbólicos) são confissões psíquicas que têm por base, em última análise, processos 
... inconscientes” (EDINGER, 1972, p. 161). Ela contém em si uma multiplicidade de realidades 
próprias, ela é, como um outro ser dentro de nós, que possui necessidades particulares, dentre 
elas as necessidades espirituais como mencionado pelos autores. Entende-se que para os autores 
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supracitados, a alma possui necessidades que ao longo da vida precisam e irão buscar se revelar 
e mostrar ao homem qual o caminho a ser seguido para que tais necessidades de experiencia 
religiosa e intrínsecas sejam atendidas, ou seja tornam-se conscientes ao homem. 
A formação da personalidade tem suas origens desde a infância e as experiências 
dolorosas deste período (assim como os efeitos desagregadores da cultura) são fortes indícios de 
uma desorientação psico-noética, vindo a causar uma falta de sentido da vida ou à perda do 
caminho espiritual. 
5 EGO E SÍMBOLO 
Estando o homem fadado ao desenvolvimento subjetivo, para suprir suas necessidades 
espirituais como consequência possível, Edinger apresenta que o mesmo está designado a 
relacionar-se com o símbolo e “estabelecer-se” em um dos três padrões psíquicos abaixo 
apresentados; ou seja, a relação entre o ego (eu) e a psique arquetípica (símbolo), pode ser 
identificada da seguinte maneira. Ambos os padrões psíquicos 1 e 2 são considerados pelo autor 
como sendo problemáticos. 
1.O ego pode identificar-se com o símbolo. Nesse caso, a imagem simbólica 
será vivida concretamente. O ego e a psique arquetípica serão uma só entidade. 
2. O ego pode estar alienado do símbolo. Embora a vida simbólica não possa 
ser destruída, nesse caso ela funcionará de forma degradada, fora da 
consciência. O símbolo será reduzido a signo. As necessidades misteriosas e 
urgentes do símbolo só serão compreendidas em termos de fatores elementares 
e abstratos (EDINGER, 1972. p. 159). 
Como terceira possibilidade, a relação de tornar-se consciente é estabelecida entre o eixo 
ego self, sendo considerada a mais benéfica e saudável para os indivíduos. 
3. Nesse caso, o ego, embora claramente separado da psique arquetípica, é 
receptivo aos efeitos das imagens simbólicas. Torna-se possível uma espécie de 
dialogo consciente entre o ego e os símbolos que emergem. Assim, o símbolo 
é capaz de realizar sua função própria de liberador e transformador de energia 
psíquica com a plena participação do entendimento consciente (EDINGER, 
1972. p. 159). 
No 1º padrão, quando o ego se encontra identificado com o símbolo esse fenômeno é 
identificado como participation mystique5, perceptível nas crianças recém-nascidas. 
 
5 Participation mystique encontra-se uma definição de Jung para o termo em Tipos psicológicos. “O termo provém 
de Lucien Lévy-Bruhl, significa uma espécie singular de vinculação psicológica com o objeto. Consiste em que o 
sujeito não consegue distinguir-se claramente do objeto, mas com ele está ligado por relação direta que poderíamos 
chamar identidade parcial. Essa identidade se baseia numa unicidade apriorística de objeto e sujeito. A participação 
mística é, portanto, um resíduo desse estado primitivo” (Jung, [1920] 2013: parágrafo 871). 
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Em seguida, a criação de consciência leva o indivíduo a adentrar no 2º padrão. Neste 
estágio, é preciso separar-se do símbolo para novamente e num constante renascer de mim em 
mim, modificar o olhar e voltar-se para dentro em busca de sentido religando-se ao símbolo. 
Neste estágio se encontra o maior número de indivíduos da atualidade. Aqui, o ego alienado do 
símbolo perde o sentido da vida e o que era simbólico vira um signo para o mesmo, pois a 
presença de valor está ausente e consequentemente ocorre a perda d’alma devido a relação de 
separação e dissociação entre o ego e o símbolo, manifestando-se o estado mental das neuroses 
patológicas ao qual se encontra a grande maioria dos homens contemporâneos. 
Segundo Edinger (1972) o conceito de “valor” diz respeito a tudo aquilo que tem valor 
para o indivíduo. Podemos identificar a ausência de valor nos indivíduos com comportamentos 
assintomáticos, podendo ser eles: leves, moderados, graves e gravíssimos. Em que “sua vida não 
vale nada, tem baixa-autoestima — a pessoa desconhece seu valor, e muitos chegam ao suicídio, 
dada a incompreensão das necessidades que sua alma manifesta por meio dos sintomas ou 
sonhos. 
Para exemplificar tal processo recorre-se à alquimia antiga. Neste estágio o indivíduo 
encontra-se na operação da nigredo. Nesta etapa do processo alquímico, 
O resíduo morto [...] o sem valor torna-se o mais precioso e o ultimo torna-se 
o primeiro. Essa é uma lição que todos devemos aprender constantemente. 
Encontramos, no lugar sem valor e desprezado, a psique. Os padrões 
convencionais do nosso ambiente consideram a psique como um nada, um 
nada absoluto. Um exemplo pessoal: sinto-me vazio e irritadiço; sento-me 
durante horas em minha cadeira buscando minha libido perdida. Que dolorosa 
humilhação ser submetido a essa impotência catatônica! Até a imaginação ativa 
se recusa a funcionar. Por fim, obtenho uma parca imagem — um pequeno e 
negro pote de louça. Conterá ele alguma coisa ou está vazio como eu? Eu o 
viro. Surge uma gota de fluido dourado, que se solidifica em contato com o ar. 
Eis tudo aquilo de que eu precisava! Essa única gota de ouro sólido liberou uma 
cadeia de associações e, com elas, a libido. Essa gota veio do pote negro, da 
cabeça negra de Osíris, que personificava meu estado de treva e de 
esvaziamento, um estado que desprezei enquanto me encontrava nele 
(EDINGER, 2006, p. 183-184). 
O autor, por meio desta comparação, revela que o processo de tornar consciente exige a 
chamada introversão de valores, ou seja é preciso olhar para dentro de si, buscar na solidão,na 
sua dor o entendimento a sabedoria, liberando novamente a libido sua energia psíquica que 
estava aprisionada ao sintoma. O que de fato não é tarefa fácil, diante de inúmeros pensamentos 
acelerados e sintomas de ansiedade e depressão o que mais tem-se é uma busca incessante por 
medicalização, que não proporcionará um êxito total e poderá ainda causar maiores danos a 
psique. Os sintomas físicos e emocionais enquanto não reparados e percebidos pelo homem 
sempre estarão “gritando” para que sejam trazidos a consciência, de volta a vida. E assim 
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sucessivamente a cada dia, diante de cada problema, situação de desespero, medo e dor com o 
qual o homem se defrontar, sempre haverá algo a ser aprendido, transformado e transcendido 
por ele, em busca de manter uma ligação viva com o eixo ego self o que torna por assim dizer, 
sua vida simbólica ou cheia de sentido. 
Continuando, Edinger (2006, p. 184-185) cita que para Jung: 
[...] a cabeça da morte também leva a ideia de um diálogo com uma cabeça ou 
crânio. Jung fala da cabeça oracular, que simbolizaria a consulta a própria 
totalidade (self) de cada um a fim de obter informações que ultrapassem a visão 
do ego. [...] O crânio [...] ele produz reflexões a respeito da mortalidade pessoal 
de cada um e serve como pedra de toque para os valores falsos e verdadeiros. 
Refletir sobre a morte pode nos levar a encarrar a vida sob a perspectiva da 
eternidade e, desse modo, a negra cabeça da morte pode transformar-se em 
ouro. Com efeito a origem e o crescimento da consciência parecem estar 
vinculados de maneira peculiar a experiencia da morte. 
O indivíduo necessita refletir sobre si mesmo, e somente com a auto-reflexão poderá 
sobreviver, ou seja, ele precisa se manter sempre consciente de sua impotência. Isso é revelado 
pela alquimia quando Edinger (2006) fazendo uso de uma linguagem analógica, nos apresenta “a 
decapitação da cabeça”, nesta passagem o autor nos revela que o indivíduo necessita passar por 
uma experiencia de deixar seu ego ser derrotado e viver uma experiencia do si-mesmo integrando 
os conteúdo do inconsciente que serão experimentados pelo indivíduo por meio dos símbolos 
da morte, da mutilação, do envenenamento, ou por meio da hidropisia6. 
Raramente alguém opta por ter essa experiência, de forma consciente, ela costuma ser 
imposta pela vida, quer a partir do interior (sonhos) quer do mundo exterior 
(sincronicidades/coincidências). O que torna esse processo transformador para a psique do 
indivíduo é o grau de consciência gerado, ou seja, a mudança de estado psíquico ou a atitude 
consciente adquirida do contrário tudo que lhe é imposto pela vida (sofrimento ou graça) é por 
ele visto com maus olhos e devido sua ignorância, Deus é injusto ou sua presença ignorada e a 
humanidade não acessa a verdade (EDINGER, 2006). 
Se analisarmos mais profundamente o que nos foi apresentado é o que encontramos na 
atualidade identificado como um ato real de decapitação, comumente conhecido como suicídio, 
onde ao invés de viver simbolicamente o que se propõe, o indivíduo contemporâneo entende e 
sente isso como um ato concreto e real, não que de fato isso, não o seja, pois ele sente no corpo 
e na psique todos os sintomas da doença e tudo o que ele mais deseja é pôr fim ao sofrimento. 
 
6 Hidropisia “representada no aenigma Merlini (enigma de Merlin) pela ingestão excessiva de água pelo rei. Ele 
bebe tanta água que acaba se dissolvendo a si mesmo e precisando de ajuda dos médicos alexandrinos para ser 
curado. Ele superestima suas forças diante do inconsciente e acaba se dissociando” (Jung [1957] 2012b, parágrafo. 
472, p. 150-151). 
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Em virtude da sua confusão e sensação de não pertencimento e falta de sentido para tudo o que 
esteja vivendo o mesmo, em meio ao caos em que se encontra não mais consegue encontrar o 
fio condutor da sua vida, que é único, intrínseco e que lhe daria sentido para seguir adiante. 
Tudo aquilo que o homem vive psiquicamente tem um fundo imaginário e torna-se real 
em muitos casos manifestando-se no ato de tirar a própria vida. Ao ser questionado pela vida e 
não encontrando as respostas, que lhe tão sentido e significado, infelizmente o homem concretiza 
em um ato externo e extremo, em virtude de não dar conta de integrar os conteúdos psíquicos 
do campo inconsciente a sua consciência. E tudo aquilo que deveria ser transformado 
internamente ao longo do processo de individuação para depois ser manifestado no mundo 
concreto e no seu entorno com um novo sentido e significado dado a vida, ainda é visto e 
incompreendido por muitos que com um ato buscam dar fim ao sofrimento psíquico. 
Trazemos em nós o nosso passado, isto é, o homem primitivo e inferior com 
seus apetites e emoções, e só com um enorme esforço podemos libertar-nos 
desse peso. Nos casos de neurose, deparamos sempre com uma sombra 
consideravelmente densa. E para curar-se tal caso, devemos encontrar um 
caminho através do qual a personalidade consciente e a sombra possam 
conviver. 
Isto constitui um sério problema para todos aqueles que se acham numa 
situação desagradável como esta, ou para os que devem ajudar um doente a 
voltar a vida normal. A simples repressão não constitui remédio algum, tal 
como a decapitação não é um remédio para a dor de cabeça. De nada ajuda 
também a destruição da moral de um homem, pois isso seria o mesmo que 
matar o seu ‘Si-mesmo’, sem o qual a sombra perderia seu sentido (JUNG, 
[1939] 2012a, p. 97-98). 
Em termos psicológicos, a sequência dos passos que compõe o processo trágico envolve 
a “superação do ego, a derrota da vontade consciente, para que o Si-mesmo, a epifania final, se 
manifeste. [...] Nesse ponto, a negra cabeça da morte se transforma em ouro. [...] o Si-mesmo 
substitui o ego; o negrume se transforma em ouro” (EDINGER, 2006, p. 189-190). 
A vida simbólica constitui, de certa forma, um pré-requisito da saúde psíquica. 
Sem ela, o ego fica alienado de sua fonte suprapessoal e cai vítima de uma 
ansiedade cósmica. Os sonhos com frequência tentam curar o ego alienado 
mediante a veiculação de algum sentido a respeito de sua origem (EDINGER, 
1972, p. 167-168). 
Eis um exemplo de sonho desse gênero, 
Duas amigas conversavam ao telefone sobre isso, como se estivem contando o 
que havia acontecido, mas a sonhadora via a imagem a sua frente. Primeiro 
tudo parecia estar acontecendo num teatro, as poltronas estavam todas lotadas 
e uma moça começa a passar mal, um rapaz percebendo se aproxima dela, toca 
em suas mãos e começa a conversar com ela, a sonhadora ouve ele perguntar-
lhe “Você fez uso de medicação” com essa pergunta a sonhadora sentiu que se 
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tratava de uma overdose o que caracteriza uma tentativa de suicídio e por isso 
a moça tenta se soltar do rapaz, comportamento este que confirma as suspeitas 
do mesmo. 
Novamente, a cena volta para as duas amigas, que diz: “Esse espirito que está 
possuindo a moça estava comigo, mas como eu não caiu na conversa dele, ele 
foi embora e procurou por outra vítima”. 
Enfim, a moça possuída e ainda chorando quer se soltar do rapaz, eles ainda 
estavam nas poltronas do teatro. Percebendo que era chegada a hora, o rapaz 
de vestes vermelhas, como se fosse uma capa retira a moça do teatro. Agora 
tudo se passa como se estivéssemos na casa do pai da sonhadora. O rapaz usa 
seus poderes espirituais e expulsa o espirito de seu corpo, a sonhadora o vê 
deitado no chão tinha características de ser um homem, mas seu corpo era todo 
preto. O rapaz de vestes vermelhas usa seus poderese lança sobre o peito do 
espirito uma pequena chama de fogo e logo em seguida o espirito é conduzido 
ao céu. 
A sonhadora, via tudo acontecer a sua frente como sendo uma observadora 
neste sonho como se apenas o rapaz de vestes vermelhas identifica-se a sua 
presença. 
Esse sonho tem um grande impacto sobre a sonhadora e revela a nível do inconsciente 
coletivo o quanto o homem contemporâneo encontra-se suscetível e vulnerável a forças a 
princípio malignas e sombrias quando não tem consciência de seus pensamentos e não busca no 
seu dia a dia o verdadeiro valor e significado de sua vida. Uma vida sem sentido e valor pode 
levar muitas almas a percorrer este mesmo caminho, pois viver alienado, dissociado do eixo ego 
si-mesmo, faz com que consequentemente o indivíduo não reconheça e não atenda às 
necessidades de sua alma. 
Para finalizar, Edinger (1972, p. 176) cita que: “os sonhos são expressões do eixo ego-Si-
mesmo. Todo sonho pode ser considerado uma carta enviada ao Egito para nos despertar. 
Podemos não ser capazes de ler essa carta, mas pelo menos podemos abri-la e fazer o esforço 
para ler”. 
6 CONSIDERAÇÕES FINAIS 
O objetivo do presente artigo não visava aprofundar detalhadamente a etimologia dos 
conceitos de cada autor, mas sim realizar uma aproximação comparativa das teorias de acordo 
com a leitura e entendimento das obras enunciadas. Ficou evidente que ambas as visões do 
humano buscam e podem contribuir com o Ser contemporâneo para encontrar o sentido e 
significado da sua vida, mesmo diante de situações que lhe pareçam ameaçadoras. Como que 
sinalizando o caminho para religar-se ao inconsciente espiritual, sendo esta a maior e mais urgente 
jornada da alma. 
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Para ambos os autores, existe uma relação entre ciência (razão) e religiosidade (fé). 
Enquanto que outros cientistas e filósofos defendem que não há vínculo entre ambas, para Frankl 
e Jung o muro que as separa é inexistente e uma complementa a outra. 
Para Frankl, o principal questionamento feito ao homem consiste em “Qual o sentido da 
vida?” Em Jung encontra-se um questionamento similar “Qual a missão de minha vida?”. Ambos 
apresentam com palavras distintas os respectivos questionamentos, mas buscam transmitir ao 
homem contemporâneo a mesma mensagem, de que a trajetória humana se realiza 
eminentemente na busca de sentido e do símbolo vivo da vida. 
Para ambos, o divino está presente na dimensão subjetiva. Em Frankl, o homem 
contemporâneo diz ignorar e desconhecer Deus em virtude de o mesmo ter criado um véu, uma 
camada transparente que o impede de acessar essa dimensão. Em Jung, para sair-se dessa 
ignorância, o homem necessita percorrer uma jornada, chamada processo de individuação. Do 
mesmo modo Jung também compreende que Deus está presente na subjetividade do homem, 
mas Ele (Deus) não impõe sua presença é preciso que o homem queira e busque ao longo de 
sua vida estabelecer essa re-ligação. De modo que esse processo pode ser compreendido através 
da Obra de Michelangelo: “A criação de Adão” — onde basta ao homem realizar o ato final para 
tocar a mão de Deus, visto que Deus já manifestou sua grandeza de graça e misericórdia em sua 
criação. Compete ao homem a tarefa final de religar-se a Deus. 
Com Frankl o homem aprendeu que não deve se perguntar pelo sentido da vida, mas 
sim responder às perguntas colocadas pela vida em cada situação. O mesmo nos comprovou sua 
teoria com o exemplo de sua própria vida. Ao ensinar que o sentido da vida se realiza por: valores 
de criação, de vivência e de atitude, integrando o sentido ao sofrimento — a dor, a culpa e a morte. 
Ao sofrer diretamente com a perseguição nazista aos judeus, foi levado para quatro campos de 
concentração, persistindo firme no seu propósito de sobrevivência até o dia da libertação, com a 
derrota da Alemanha nazista. Após a libertação, os desafios colocados pela sua vida foram ainda 
maiores, e só depois veio a saber da morte de sua mãe e de sua esposa em outros campos. 
De uma maneira ou de outra, para cada um dos libertos chegará o dia em que, 
olhando para trás, para a experiência do campo de concentração, ele terá a 
estranha sensação: não consegue mais compreender como foi capaz de suportar 
tudo o que a vida no campo lhe exigia. E se houve um dia em sua vida — o dia 
de liberdade, em que tudo lhe parecia um belo sonho, virá também o dia em 
que tudo 0 que ele experimentou no campo de concentração lhe parecerá um 
mero pesadelo. Mas toda essa experiência do homem que encontra o seu 
caminho para casa é coroada pela deliciosa sensação de que, depois de tudo o 
que sofreu, já não tem nada a temer no mundo — a não ser seu Deus (FRANKL, 
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Talvez tenhamos desaprendido como acessar o divino mediante as situações que são 
apresentadas pela vida. Em vez de encontrar o sentido e a possibilidade de realizar-se a si mesmo, 
o homem amaldiçoa e culpa a Deus por seu sofrimento. Ou seja, ainda são poucos os que 
percebem assim com Frankl que o sofrimento também é um chamado que é preciso ouvir e 
obedecer. 
Na medida em que percorre sua jornada é que o homem se transforma, ou seja, é preciso 
que se faça “aqui e agora”, na concretude de cada pessoa, dada determinada situação que lhe 
apresenta o Self, e a partir disso é que algo neste homem se conscientiza e transcende a nível 
espiritual, pois afinal, ser responsável, ou ter responsabilidade, é a base fundamental da pessoa 
enquanto ser espiritual. 
Espera-se que o homem contemporâneo desperte em si por meio dos sinais e 
sincronicidades que chegam até ele no seu dia a dia, assumindo sua parcela de responsabilidade 
de tornar consciente seu processo de desenvolvimento biopsicoespiritual para alcançar a verdade. 
REFERÊNCIAS 
EDINGER, Edward F. Anatomia da psique. Cultrix, 2006. 
EDINGER, Edward F. Ego e Arquétipo. Uma síntese fascinante dos conceitos psicológicos 
fundamentais de jung. Anatomia da psique. São Paulo: Cultrix, 1972. 
FUKS, Rebeca. Viktor Frankl. Neuropsiquiatria austríaco criador da logoterapia, 2019. Disponível em: 
https://www.ebiografia.com/viktor_frankl/#:~:text=Obras%20de%20Viktor%20Frankl&text=A%20Psych
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%20autobiografia. Acesso em dez. 2021. 
FRANKL Viktor E. Presença Ignorada de Deus. São Leopoldo: Sinodal, 2007. 
FRANKL Viktor E. Chegará o dia em que serás livre. São Paulo: Quadrante, 2022. 
JUNG, Carl Gustav. Psicologia e religião. Petrópolis: Vozes2012a. 
JUNG, Carl Gustav. Ab-reação, análise dos sonhos, transferência. Petrópolis: Vozes, 2012b. 
JUNG, Carl Gustav. Tipos psicológicos. Petrópolis: Vozes, 2013. 
JUNG, Carl Gustav. Memórias, sonhos, reflexões. JAFFÉ, Aniela (Org.). Rio de Janeiro: Nova 
Fronteira, 2016. 
OPAS. Organização Pan-Americana da Saúde. Disponível em: https://www.paho.org/pt/topicos/suicidio. 
Acesso em dezembro de 2021. 
 
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