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Teoria Geral do Direito
Empresarial
Olá! Seja bem-vindo à nossa aula sobre a “Teoria Geral do Direito Empresarial”.
Nesta aula, nossos objetivos são:
Conhecer a evolução histórica do Direito Empresarial, sua origem e suas
teorias;
Desvendar os mitos sobre a nomenclatura mais apropriada para a nossa
disciplina;
Identificar quais são as características e os princípios que instruem e
norteiam o Direito de Empresa, e
Familiarizar-se com todos os pontos que identificam e nos fazem
reconhecer a figura do empresário individual.
Conceito e Nomenclatura do
Direito Empresarial
Direito Empresarial é o ramo do direito privado que visa o estudo das relações
comerciais e sua normatização.
Edilson Enedino das Chagas nos ensina que
[...] o direito da empresa cuida da atividade econômica organizada
presente no cotidiano das pessoas uma vez que se todos somos
consumidores conforme discurso celebre do então presidente norte-
americano John Kennedy inegável que existem outros que se lançam
a produção a distribuição e a comercialização do que consumimos.
(CHAGAS, 2024, p. 20).
Este conceito trazido pelo professor Enedino está intimamente ligado ao
conceito de empresário, o qual está inserido no caput do artigo 966 do Código
Civil que, por sua vez determina que empresário é aquele que tem a função de,
por meio de uma atividade profissional, econômica e organizada produzir bens
AUTORIA
Juliana Ortiz Minichiello Palú
e/ou circular serviços. Assim, temos que o Direito de Empresa é a parte das
Ciências Jurídicas que disciplina todas as relações empresariais vigentes em
nosso país.
Veja, abaixo, dois exemplos de livros que abordam temas de nossas disciplinas,
mas que são nomeados, de acordo com a preferência de seus autores.
Muitos preferem o nomear, ao invés de Direito Empresarial
como Direito Comercial e isso se dá porque, dentre as suas
fases de evolução, tivemos a fase objetiva, reconhecida
como “Teoria dos Atos de Comércio”, adotada pelo Código
Comercial de 1850. E embora inúmeros juristas adotem a
expressão Direito Comercial em seus livros, enquanto
outros adotam Direito Empresarial, essa distinção entre as
nomenclaturas Direito Comercial ou Direito Empresarial
não gera maiores celeumas para se evidenciar a disciplina.
Fonte: acesse o link disponível aqui Fonte: acesse o link disponível aqui
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Seja como for – reconhecimento da nossa disciplina como Direito Empresarial ou
como Direito Comercial, o importante é que ela é o ramo do Direito Privado que
regulamenta qualquer atividade econômica organizada e as pessoas que a
exercem profissionalmente.
Origem e Evolução Histórica
Ao estudarmos o Direito Comercial e a sua história, logo percebemos uma coisa:
o comércio é muito mais antigo do que o seu reconhecimento como um ramo
do Direito. De fato, o comércio existe desde a Idade Antiga. As civilizações mais
antigas de que temos conhecimento, como os fenícios, por exemplo,
destacaram-se no exercício da atividade mercantil (Ramos, 2024, p. 46).
Entretanto, com a evolução da sociedade foi necessário se estabelecer a
normatização dessas relações comerciais. As regras de Direito Comercial como
as conhecemos, hoje, tiveram origem na Idade Média, mesmo período em que
surgiram também as cidades conhecidas, naquela época, como Burgos,
momento que, inclusive, é reconhecido como Renascimento Mercantil.
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Naquela época, as relações
comerciais eram disciplinadas
pelas Corporações de Ofício que,
por intermédio de seus cônsules,
disseminavam as regras jurídicas
de direito comercial aos seus
associados. Importante se faz
destacar que é também neste
cenário que surgiram os primeiros
institutos de Direito Comercial,
como, por exemplo, a letra de
câmbio – espécie de título de
crédito o qual conheceremos
oportunamente, as sociedades e os
contratos mercantis.
Com o passar do tempo as corporações de ofício perderam a sua força, pois o
Estado passou a reivindicar para si o poder jurisdicional passando a disciplinar as
regras jurídicas, inclusive as tocantes ao Direito Comercial.
Teoria dos Atos de Comércio
Em decorrência da tomada do poder pelo Estado temos o surgimento da
TEORIA DOS ATOS DE COMÉRCIO com o advento dos Códigos Civil e francês, em
1804, e 1808, respectivamente. Pela teoria dos atos de comércio era considerado
comerciante aqueles que praticavam atos de mercancia.
No Brasil, referida teoria foi recepcionada pelo Código Comercial de 1850, e
regulamentada pelo Regulamento 737 de 1850, o qual reconhecia como
comerciante as pessoas que praticavam quaisquer uma das atividades
relacionadas em seu artigo 19. 
Referida teoria dos atos de comércio inaugurou a fase objetiva do direito
empresarial, porque para ser considerado comerciante, o sujeito deveria ter
como ofício uma das atividades descritas no artigo 19, do Regulamento 737, e
esteve vigente até a instituição da “Teoria da empresa” com a promulgação do
Código Civil italiano, nos idos de 1942.
Art. 19. Considera-se mercancia (sic):
§ 1º A compra e venda ou troca de efeitos móveis ou semoventes para
os vender por grosso ou a retalho, na mesma espécie ou
manufaturados, ou para alugar o seu uso.
§ 2º As operações de câmbio, banco e corretagem.
§ 3° As empresas de fábricas; de comissões; de depósitos; de expedição,
consignação e transporte de mercadorias; de espetáculos públicos.
§ 4° Os seguros, fretamentos, riscos, e quaisquer contratos relativos ao
comércio marítimo.
§ 5° A armação e expedição de navios (BRASIL. Decreto n.º 737, de 25
de novembro de 1850. Determina a ordem do Juízo no Processo
Comercial. Rio de Janeiro, RJ).
Teoria da Empresa
Com o declínio da teoria dos atos de comércio, conforme dito anteriormente,
surge a teoria da empresa com o Código Civil italiano de 1942, a qual está em
vigor até hoje.
Em nosso país, a teoria da empresa foi incorporada pelo Código Civil de 2002,
que a consagrou em seu artigo 966 que diz:
Segundo a teoria da empresa, é considerado empresário aquele que desenvolve
atividade econômica, organizada, com a finalidade de se produzir ou circular
bens ou serviços. Pois bem! Acredito que você tenha percebido que, ao longo da
explanação da evolução do Direito Empresarial, muitas legislações foram citadas
e, dentre elas, destaco os Códigos Civis de 1916 e 2002, e o Código Comercial de
1850.
Ocorre que até o advento do Código Civil, de 2002, as normas de Direito
Empresarial e as de Direito Civil eram tratadas em legislações distintas: O Código
Comercial de 1850 e o Código Civil de 1916. Foi só com a entrada em vigor do
Código Civil de 2002 que as normas de Direito Civil e as de Direito Empresarial
passaram a ser tratadas numa mesma lei, qual seja, o próprio Código Civil de
2002. Esse fenômeno foi denominado de unificação do direito privado.
Unificação do Direito Privado
São tidos como de direito privado os direitos civil e empresarial. Desde o final do
século XIX, tem-se observado uma tentativa mundial de unificação destes ramos
do Direito a fim de discipliná-los de forma conjunta.
No Brasil, a unificação do direito privado se deu com a promulgação da Lei
10.406/2002, o Código Civil de 2002, que num mesmo diploma legal teve o papel
de regulamentar tanto as regras de Direito Civil como as de Direito Empresarial.
Art. 966. Considera-se empresário quem exerce profissionalmente
atividade econômica organizada para a produção ou a circulação de
bens ou de serviços. (Brasil, 2002).
Arnoldo Wald, sobre o tema nos ensina que “o novo Código Civil unificou o
direito privado, a exemplo do que ocorre no direito civil italiano, ao dispor sobre
os títulos de crédito (arts. 887 a 926), do direito de empresa (arts. 966 a 1.195), em
que trata, dentre outros temas, das várias espécies de sociedade” (Gonçalves,
2022, p. 15 apud Wald, 2002, p.13).
Desta forma, atualmente, então, temos tanto as regras de Direito Civil e as de
Direito Empresarialdisciplinadas numa mesma codificação. Entretanto, há de se
ressaltar que o Código Comercial de 1850 continua em vigor para disciplinar,
apenas, as normas de Direito Marítimo.
NA PRÁTICA
Como você viu, as normas que regulamentam o Direito Marítimo são
disciplinadas pelo Código Comercial de 1850, legislação bastante
antiga e que, de fato, por ter sido promulgada há muito tempo, não
contempla diversas situações presentes na atualidade.
Esta é situação enfrentada, por exemplo, quando a questão diz
respeito à estadia de contêineres nos portos brasileiros.
O Brasil não é um país possuidor de grandes armadores (donos de
frotas de navios) e nem tem legislação competente para disciplinar
alguns tipos de relações decorrentes do comércio marítimo, como, por
exemplo, a sobre-estadia de contêineres o que acaba por culminar
insegurança jurídica nessas relações uma vez que tem que se sujeitar a
valores, prazos, negociações e legislações internacionais.
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Características do Direito
Empresarial
O Direito empresarial é dotado de algumas características. São elas:
O cosmopolismo determina que o direito empresarial promove uma integração
entre os povos, porque sua abrangência é internacional promovendo, assim,
uma inter-relação entre países. 
A onerosidade refere-se ao caráter econômico do direito empresarial, isso
porque suas relações têm, por excelência, intuito lucrativo.
O direito empresarial também tem o informalismo como característica. Isso
porque suas relações são revestidas de flexibilidade por conta do dinamismo
comercial exigido pelo cotidiano empresarial.
Por fragmentarismo, temos que o direito empresarial é fragmentado, composto
por diversas normas esparsas e específicas para diferentes ramos da atividade
econômica, tendo, inclusive suas regras postas em diversos diplomas legais,
como, por exemplo, na Lei de Falências e Recuperação Judicial, A Lei de
Propriedade Industrial, A lei das Sociedades Anônimas etc.
Por fim, a elasticidade refere-se à capacidade do direito empresarial de se
adaptar às mudanças constantes do ambiente econômico, seja sua capacidade
de adaptar-se às mudanças sociais.
Princípios do Direito Empresarial
O Direito Empresarial, assim como outros ramos do Direito é instruído por
diversos princípios. Dentre eles se destacam os princípios da Função Social da
Empresa, da Livre Iniciativa, da Livre Concorrência, do Tratamento Favorecido à
Microempresa e à Empresa de Pequeno Porte.
Função Social da Empresa
O Princípio da Função Social da Empresa decorre do Princípio da Propriedade
Privada e, assim como ele determina a necessidade de atribuir aos institutos
uma função social. Isso significa que, os empresários devem, além de ter o
intuito de obtenção do lucro deve, no decorrer do exercício da atividade
empresarial promover a responsabilidade social, gerando empregos, respeitando
os direitos trabalhistas, agenciando a proteção do meio ambiente, acautelando
os direitos da coletividade etc.
Livre Iniciativa
O princípio da Livre Iniciativa determina que os indivíduos e empresas têm para
exercer atividades econômicas, produzir bens e serviços, e buscar lucro de forma
autônoma, respeitando os limites legais para que não haja danos ou risco de
potencial ato lesivo à sociedade.
Livre – Concorrência
O princípio da Livre Concorrência determina que o empresário e a sociedade
empresárias podem e devem empreender livremente, desde que respeitados os
preceitos da livre concorrência. Isso significa que, ao exercerem a atividade
empresária devem fazê-lo dentro dos limites das boas práticas que
regulamentam a concorrência desleal e o abuso econômico.
Tratamento Favorecido ao ME e EPP
Esse tratamento diferenciado busca incentivar o desenvolvimento econômico e
a formalização de pequenos negócios, reconhecendo a importância dessas
empresas na geração de empregos e na dinamização da economia. Entre as
principais vantagens oferecidas a MEs e EPPs, se destacam-se a facilidade de
acesso ao crédito, a desburocratização em diversos setores, incentivos à
inovação, simplificação tributária etc.
Fontes do Direito Empresarial
Assim como outros ramos do Direito, o Direito Empresarial é instruído por fontes.
Fonte, para o Direito é aquilo que dá origem. Desta maneira, são suas fontes as
leis, os costumes, a analogia e a jurisprudência.
CONECTE-SE
As fontes e as características são elementos importantíssimos para
qualquer ramo do Direito e para o Direito Empresarial isso não seria
diferente. Clicando no link adiante, você ficará por dentro e conhecerá
em detalhes estes institutos.
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