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2 O SEGURO DEFESO: Benefícios e aplicabilidade O seguro defeso é um programa de assistência social que garante um salário-mínimo mensal para pescadores artesanais durante o período de defesa, ou seja, quando a pesca fica proibida por um período determinado para preservação das espécies. O objetivo do seguro é fornecer uma compensação financeira aos pescadores durante o período em que eles fiquem impedidos de trabalhar, para que possam manter sua subsistência e de suas famílias. O programa foi instituído pela Lei nº 10.779, de 25 de novembro de 2003. O seguro defeso é administrado pelo Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), que é responsável pelo pagamento do benefício e pela fiscalização do cumprimento das normas. Para ter direito ao seguro de defesa, o pescador deve estar inscrito no Registro Geral da Atividade Pesqueira (RGP) e comprovar que exerce uma atividade de forma artesanal. Além disso, ele deve ter trabalhado pelo menos um ano como pescador, comprovando sua atividade por meio de documentos, como declarações de colônias de pescadores, notas fiscais de venda de pescado, entre outros. O período do defeso varia de acordo com a espécie de peixe e a região em que o pescador atua. Por exemplo, a defesa da lagoa na região Nordeste ocorre de 1º de dezembro a 31 de maio, enquanto a defesa do camarão-rosa na região Sudeste/ Sul ocorre de 1º de março a 31 de maio. Durante esse período, a pesca é proibida para garantir a preservação das espécies, e o valor do seguro é equivalente a um salário-mínimo por mês e é pago por um período de cinco meses. O benefício é depositado diretamente na conta do pescador no INSS, que deve ser prolongado no momento da inscrição no programa (G1 MA, 2022). O seguro defeso é uma importante política pública de assistência social para os trabalhadores artesanais, garantindo-lhes uma renda mínima durante o período em que não podem exercer sua atividade. Além disso, o programa contribui para a preservação das espécies de peixes, garantindo a sustentabilidade da atividade pesqueira a longo prazo. No entanto, é importante que haja uma fiscalização efetiva para garantir que o programa utilizado seja de forma correta e que apenas os servidores que cumpram os requisitos tenham acesso ao benefício. (ALVES; FARRANHA, 2014). O seguro defeso é uma importante medida de proteção social para os trabalhadores artesanais, que são uma população vulnerável e muitas vezes vivem em situação de pobreza. A atividade pesqueira é uma das principais fontes de subsistência desses trabalhadores, mas a pesca excessiva e a falta de regulação podem levar à diminuição das espécies de peixes e prejudicar a atividade a longo prazo. Por essa razão, o seguro defeso não garante apenas uma renda mínima para os pescadores durante o período de defesa, mas também contribui para a preservação das espécies de peixes e a sustentabilidade da atividade pesqueira. O programa estabelece um período em que a pesca é proibida para permitir a reprodução e o crescimento das pescas, e os pescadores são incentivados a adotar práticas de pesca, que garantem a continuidade da atividade. Porém, conforme Pereira e Mota (2011), o seguro defeso tem enfrentado alguns desafios em sua implementação. Um deles é a falta de atualização do RGP, que é um registro obrigatório para os pescadores artesanais, mas que muitas vezes não é feito ou não é atualizado regularmente. Isso pode levar a uma fraude e a inclusão de pessoas que não cumprem os requisitos para receber o benefício. Também, de acordo com Campos e Chaves (2014), o seguro defeso depende de uma fiscalização efetiva para garantir que o programa seja utilizado de forma correta e que apenas os servidores que cumprem os requisitos tenham acesso ao benefício. Em algumas regiões, a fiscalização é insuficiente ou ineficiente, o que pode levar a fraudes e perda de recursos públicos. Outro desafio é a falta de diversificação da atividade econômica nas regiões pesqueiras, o que torna os pescadores muito dependentes da pesca como fonte de subsistência. Isso pode levar a situações de vulnerabilidade e exclusão social durante o período de renda defeso, quando a pesca é proibida e os pescadores ficam sem. Para enfrentar esses desafios, é importante que o governo invista na regulamentação e na fiscalização da atividade pesqueira, incentivando a adoção de práticas de consumo e a diversificação econômica das regiões pesqueiras. Além disso, é necessário aprimorar o controle de controle do RGP e garantir uma fiscalização mais efetiva do programa, para que apenas os servidores que cumpram os requisitos tenham acesso ao benefício (CAMPOS; CHAVES, 2014). Com isso, é cabível compreender que o seguro defeso é uma importante medida de proteção social para os pescadores artesanais, que garante uma renda mínima durante o período de defesa e contribui para a preservação das espécies de peixes e sustentabilidade da atividade pesqueira. No entanto, é necessário enfrentar alguns desafios em sua implementação, como a falta de atualização do RGP, a insuficiência insuficiente e a falta de diversificação econômica nas regiões pesqueiras. Apesar dos desafios enfrentados, o seguro defeso traz inúmeros benefícios para os pescadores artesanais e para a sociedade como um todo. Entre os principais benefícios, destacam-se, de acordo com Maia (2009), Golveia et al. (2015) e Campos e Chaves (2014): · Garantia de renda mínima: O seguro defeso garante uma renda mínima para os pescadores durante o período de defesa, quando a pesca fica proibida. Isso permite que os servidores possam manter sua subsistência e de suas famílias, mesmo sem poder trabalhar. · Preservação das espécies de peixes: O seguro defeso estabelece um período em que a pesca é proibida para permitir a reprodução e o crescimento das espécies de peixes. Isso contribui para a preservação das espécies e para a sustentabilidade da atividade pesqueira a longo prazo. · Estímulo à adoção de práticas de consumo: O seguro defeso incentiva os pescadores a adotarem práticas de pesca, que garantem a continuidade da atividade de pesca e a preservação das espécies de peixes. · Proteção social para uma população vulnerável: Os pescadores artesanais são uma população vulnerável, muitas vezes vivendo em situação de pobreza e exclusão social. O seguro defeso oferece uma proteção social para esses trabalhadores, garantindo-lhes uma renda mínima e segura para a melhoria de sua qualidade de vida. · Contribuição para a economia local: A atividade pesqueira é uma importante fonte de renda em diversas regiões do país. O seguro de defesa contribui para a manutenção da atividade e para a geração de emprego e renda na região. · Redução da pressão sobre os recursos naturais: A retenção da pesca durante o período de defesa contribui para a redução da pressão sobre os recursos naturais e para a preservação da biodiversidade marinha. Pode-se inferir que o seguro de defesa é uma política pública importante para a proteção social dos pescadores artesanais e para a preservação das espécies de peixes e da atividade pesqueira. Apesar dos desafios em sua implementação, os benefícios trazidos pelo programa são diversos e resultaram para o desenvolvimento sustentável do país. A renda mínima garantida pelo seguro defeso é um importante mecanismo de proteção social para os trabalhadores artesanais e suas famílias. O benefício é equivalente a um salário-mínimo mensal e é pago por um período de cinco meses, durante o período em que a pesca fica proibida. Isso permite que os servidores possam manter sua subsistência e de suas famílias, mesmo em um momento de dificuldade financeira (MAIA, 2009). Já, a captura da pesca durante o período de defesa tem como objetivo permitir a reprodução e o crescimento das espécies de peixes, garantido para a preservação da biodiversidade marinha e para a sustentabilidade da atividade pesqueira. Essa medida é importante porque, sem ela, a pesca excessiva pode levar à diminuição das espécies de peixes e à perda da atividade em longo prazo. Quanto ao estímulo de práticasde consumo, o seguro defeso incentiva os pescadores a adotarem práticas de pesca, que garantem a continuidade da atividade de pesca e a preservação das espécies de peixes. Isso é importante porque a pesca em excesso e a falta de regulamentação podem levar à diminuição das espécies de peixes e prejudicar a atividade a longo prazo (MAIA, 2009; GOLVEIA et al., 2015). Não obstante, a garantia de uma mínima também pode contribuir para a manutenção da renda da atividade pesqueira em longo prazo. Isso porque, ao garantir uma renda mínima durante o período de defesa, os pescadores podem investir em equipamentos, melhorias em sua aviação e outras iniciativas que contribuam para o desenvolvimento sustentável da atividade. Nesse contexto, a proteção social oferecida pelo programa também pode contribuir para a inclusão social dos pescadores artesanais, ao passo que, ao garantir uma renda mínima durante o período de defesa, os servidores podem ter mais condições de acesso a serviços básicos, como saúde, educação e habitação. Isso pode contribuir para a melhoria da qualidade de vida desses trabalhadores e de suas famílias. Salienta-se que a atividade pesqueira é uma importante fonte de renda em diversas regiões do país. O seguro defeso contribui para a manutenção da atividade e para a geração de emprego e renda na região. Isso é especialmente relevante para regiões costeiras onde a pesca é uma atividade econômica importante e para as comunidades que dependem diretamente da atividade pesqueira para sua subsistência (PEREIRA; MOTA, 2011). Outrossim, o seguro defeso também pode contribuir para a diversificação da economia local. Ao garantir uma renda mínima para os pescadores durante o período de defeso, o programa pode permitir que esses trabalhadores invistam em outras atividades econômicas, como o turismo ecológico, a agricultura ou a produção de artesanato. Isso pode contribuir para o desenvolvimento sustentável da região e para a redução da dependência da atividade pesqueira. A proibição da pesca durante o período de defeso, segundo Maia (2009), contribui para a redução da pressão sobre os recursos naturais e para a preservação da biodiversidade marinha. Essa medida é importante porque, sem ela, a pesca excessiva pode levar à diminuição das espécies de peixes e à perda da atividade em longo prazo. A redução da pressão sobre os recursos naturais também pode contribuir para a preservação dos ecossistemas marinhos e para a mitigação dos impactos das mudanças climáticas. Os oceanos são importantes sumidouros de carbono e sua preservação é fundamental para a estabilidade do clima global. O seguro defeso, ao contribuir para a preservação da biodiversidade marinha, também contribui indiretamente para a preservação do clima. Dessa forma, o seguro defeso traz inúmeros benefícios para os pescadores artesanais, para as regiões costeiras e para a sociedade como um todo. A proteção social oferecida pelo programa, a preservação das espécies de peixes, o estímulo à adoção de práticas sustentáveis, a contribuição para a economia local e a redução da pressão sobre os recursos naturais são benefícios fundamentais que contribuem para o desenvolvimento sustentável do país. Neste sentido, é importante entender como funciona a aplicabilidade e os requisitos para acessar esse benefício (CAMPOS; CHAVES, 2014). A aplicabilidade do seguro defeso é estabelecida pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA), que define as normas e os critérios para sua concessão. Para ter direito ao benefício, o pescador artesanal deve estar devidamente registrado no Registro Geral de Pesca (RGP) e comprovar a atividade de pesca nos últimos doze meses. Além disso, é preciso comprovar a inatividade durante o período de defesa e não possuir outra fonte de renda durante esse período (ALVES; FARRANHA, 2014). O período de defesa varia de acordo com a espécie de peixe e com a região do país. Em geral, o defeso ocorre durante o período reprodutivo das espécies, quando a pesca pode afetar sua reprodução e crescimento. Durante esse período, a pesca fica proibida e os pescadores artesanais podem acessar o benefício do seguro defeso para garantir uma renda mínima (MAIA, 2009). Além dos requisitos mencionados, é importante ressaltar que a aplicabilidade do seguro-defeso pode variar de acordo com as políticas locais. Em algumas regiões, por exemplo, podem ser critérios específicos para a concessão do benefício, como a participação em associações de pescadores ou a comprovação de práticas de pesca. É imperativo, portanto, analisar que a aplicabilidade e os requisitos para o seguro de defesa são alcançados pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento e variam de acordo com a espécie de peixe, a região do país e as políticas locais. Para acessar o benefício, os pescadores artesanais devem estar devidamente registrados e comprovar a atividade de pesca nos últimos doze meses, além de comprovar a inatividade durante o período de defesa e não possuir outra fonte de renda durante esse período. Todavia, assim como em qualquer programa social, há a possibilidade de fraude no pedido de seguro defeso. Por isso, o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA) estabelece regras e critérios rigorosos para a concessão do benefício, com o objetivo de evitar fraudes e garantir que apenas os trabalhadores elegíveis tenham acesso ao benefício (BRASIL, 2021). Entre as principais medidas adotadas para evitar fraudes no programa, está a verificação das informações fornecidas pelos pescadores artesanais. O MAPA pode realizar o cruzamento de dados com outras bases de informações, como a Receita Federal e o Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), para verificar a veracidade das informações prestadas pelo solicitante (BRASIL, 2003; BRASIL, 2021). Além disso, os pescadores artesanais que solicitam o seguro defeso devem apresentar documentos comprobatórios de sua atividade, como carteira de pescador profissional, notas fiscais de venda de pescado, comprovantes de inscrição em associações de pescadores, entre outros documentos (BRASIL, 2021). Também é importante destacar que, caso seja constatada fraude no pedido de seguro defeso, o pescador artesanal pode ser punido com a suspensão do benefício e com a devolução dos valores recebidos de forma ilimitada. Além disso, o MAPA pode adotar medidas legais para responsabilizar o solicitante pela fraude. Diante disso, embora haja a possibilidade de fraude no pedido de seguro defeso, o MAPA adota medidas rigorosas para evitar esse tipo de prática. A verificação das informações prestadas pelos solicitantes, a apresentação de documentos comprobatórios e a possibilidade de punição em caso de fraude são das medidas adotadas para garantir a transparência e a transmissão do programa. REFERÊNCIAS ALVES, Marco Antonio; FARRANHA, Ana Cláudia. Mecanismos de controle econômico e social para o Programa Seguro-Desemprego Pescador Artesanal. Aval – Revista Avaliação de Políticas Públicas, ano 7, v. 2, n. 14, jul/dez 2014. ISSN: 2176-9923. Disponível em: https://repositorio.ufc.br/bitstream/riufc/38250/1/2014_art_maalvesacfarranha.pdf. Acesso em: 3 mai. 2023. BRASIL. Lei Nº 10.779, de 25 de novembro de 2003. Dispões sobre a concessão do benefício de seguro-desemprego, durante o período de defeso, ao pescador profissional que exerce atividade pesqueira de forma artesanal. Presidência da República, Casa Civil, Subchefia para Assuntos Jurídicos. Disponível em: https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/2003/l10.779.htm. Acesso em: 5 mai. 2023. BRASIL. Portaria SAP/MAPA nº 265, de 29 de junho de 2021. Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, Secretaria de Aquicultura e da pesca. Disponível em: https://www.icmbio.gov.br/cepsul/images/stories/legislacao/Portaria/2021/P_sap_mapa_265_2021_estabelece_normas_criterios_procedimentoss_inscricao_pf_RGP_categoria_pescador_profissional.pdf. Acesso em: 9 mai. 2023. CAMPOS, André Gambier; CHAVES, José Valente. Seguro defeso: diagnóstico dos problemas enfrentados pelo Programa– Textos para Discussão. Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada – Brasília: Rio de Janeiro: IPEA, 2014. ISSN 1415-4765. Disponível em: https://portalantigo.ipea.gov.br/agencia/images/stories/PDFs/TDs/td_1956.pdf. Acesso em: 8 mai. 2023. GOUVEIA, Nelson de Almeida, et al. O seguro defeso do pescador artesanal: evolução dos recursos e beneficiários no estado do Pará. Revista Monografias Ambientais, Santa Maria, v. 14, n. 2, mai-ago. 2015, p. 75-85. REMOA- UFSM, e-ISSN: 2236-1308. G1 MA. Período de defeso do camarão vai até 31 de maio no Maranhão. Publicado em 12 de jan. 2022. Disponível em: https://g1.globo.com/ma/maranhao/noticia/2022/01/12/periodo-de-defeso-do-camarao-vai-ate-31-de-maio-no-maranhao.ghtml. Acesso em: 9 mai. 2023. MAIA, Maria Bernadete Reis. Do defeso ao seguro-desemprego do pescador artesanal: a inclusão do pescador nas políticas públicas de seguridade social. (Dissertação de Mestrado) Universidade Federal do Amazonas, Manaus, 2009, 94f. Disponível em: https://www.ppgsocio.ufam.edu.br/attachments/026_Maria%20Bernadete%20Reis%20Maia.pdf. Acesso em: 6 mai. 2023. PEREIRA, Joenes Antônio Guimarães; MOTA, Dalva Maria da. O seguro defeso e o uso comum dos recursos naturais numa comunidade ribeirinha do Pará. 2011. Disponível em: https://ainfo.cnptia.embrapa.br/digital/bitstream/item/82592/1/GT12.pdf. Acesso em: 9 mai. 2023.