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Saúde Mental
UNIDADE 2
Objetivos Definição
Explicando Melhor
Você Sabia?
Acesse Resumindo
Nota Importante
Saiba Mais Reflita
Atividades Testando
Para o início do 
desenvolvimento de 
uma nova competência
Houver necessidade de 
apresentar um novo conceito
Algo precisa ser melhor 
explicado ou detalhado
Curiosidades e indagações 
lúdicas sobre o tema 
em estudo, se forem 
necessárias.
Se for preciso acessar um 
ou mais sites para fazer 
download, assistir vídeos, 
ler textos, ouvir podcast.
Quando for preciso fazer um 
resumo acumulativo das 
últimas abordagens
Quando necessárias 
observações ou 
complementações para 
o seu conhecimento
As obsevações escritas 
tiveram que ser priorizadas 
para você
Textos, referências 
bibliográficas e links para 
aprofundamento do se 
conhecimento.
Se houver a necessidade 
de chamar a atenção 
sobre algo a ser refletido ou 
discutido
Quando alguma atividade 
de autoaprendizagem for 
aplicada
Quando uma compeência 
for concluída e questões 
forem explicadas.
Sumário
Dispositivos da saúde mental 
 O que são dispositivos da saúde mental
 Unidades Básicas de Saúde
 Centros de Atenção Psicossocial (CAPS)
 Centros de Convivência e Cultura
 Programa “De Volta para Casa”
 Serviço Residencial Terapêutico (SRT)
 Hospital-Dia
	 Leitos	de	retaguarda	em	Hospitais	Gerais	(noturno/feriado/final		
 de semana)
 Unidades de Pronto-Atendimento (UPA)
Integração e redes sociais em saúde mental
 Conceito de redes sociais
 Mapa de redes sociais
 Redes sociais em saúde mental
 Importância das redes sociais em saúde mental
 Rede social no auxílio ao tratamento
6
CLIQUE NO CAPÍTULO PARA SER REDIRECIONADO
17
Sumário
Atenção e cuidado em saúde mental
 A relação familiar no passado
 A importância da relação familiar
	 Dificuldades	na	inserção	da	família	no	cuidado
 O cuidado com o cuidador
Matriciamento em saúde mental
 O que é matriciamento em saúde mental
 Instrumentos do processo de matriciamento em saúde mental
 Elaboração do projeto terapêutico singular no apoio 
 matricial de saúde mental
 Interconsulta como instrumento do processo de 
 matriciamento
 Dificuldades	na	implantação	da	equipe	de	apoio	matricial
29
41
CLIQUE NO CAPÍTULO PARA SER REDIRECIONADO
1
Dispositivos da saúde 
mental
Saúde Mental Capítulo 1
Dispositivos da saúde 
mental
Objetivos
O movimento pela luta antimanicomial levou a uma progressiva 
substituição por uma rede de atenção em saúde mental composta 
de uma série de serviços e ações de saúde mental no Sistema de 
Saúde. Neste capítulo, vamos conhecer melhor essas ações, como são 
realizadas, de que forma são integradas ao Sistema Único de Saúde (SUS) 
e à Estratégia de Saúde da Família (ESF) e como substituem a internação 
por longa permanência. Pronto para aprofundar seu conhecimento? 
Então vamos lá!
O que são dispositivos da saúde mental
A Reforma Psiquiátrica no Brasil aconteceu, e ainda acontece, de forma lenta, porém, 
tendo a desinstitucionalização como principal vertente levando à construção de outras 
estruturas para tratamento das pessoas com sofrimento psíquico. Este processo foi 
viabilizado pela Lei n.º 10.216/2001 garantindo a proteção e os direitos das pessoas com 
transtornos mentais, redirecionando o modelo assistencial em saúde mental.
Com esse redirecionamento se tornou necessário modificar as ações e os serviços de 
saúde mental, por meio de um conjunto de atividades capazes de oferecer condições 
amplas à recuperação dos indivíduos, para neutralizar os efeitos da doença e das 
internações psiquiátricas sucessivas. A reabilitação acontece por meio de uso de 
recursos individuais, familiares e da comunidade, dando ao indivíduo oportunidade para 
a restituição da identidade pessoal, social e a autonomia.
A Lei n.º 10.216/2001 estabelece que essa reabilitação deve acontecer em base 
comunitária e próximo ao convívio com a família e a sociedade. Para isso, foram criados 
equipamentos e dispositivos em saúde mental ou serviços substitutivos, os quais são 
chamados os serviços de atendimento em saúde mental na comunidade, formando 
Dispositivos da saúde mental Capítulo 1
uma rede de atendimento psicossocial.
Cada município deve determinar suas ações e seus serviços de saúde mental baseados 
em processos coletivos garantindo o direito ao acesso à atenção em saúde mental e 
aos programas existentes. Esses serviços fazem parte da Rede de Atenção Psicossocial 
(Raps), responsável pela articulação desses serviços. Entre eles estão: Unidades Básicas 
de Saúde; Centros de Atenção Psicossocial (Caps); Centros de Convivência e Cultura; 
Unidades de Pronto-Atendimento (UPA); Serviço Residencial Terapêutico (SRT); leitos de 
retaguarda em Hospitais Gerais (noturno/feriado/ final de semana); Programa “de Volta 
para Casa”; Hospital-Dia; grupos de Produção; ações intersetoriais; mobilização; controle
social e a desconstrução do Hospital Psiquiátrico.
Entendendo quais são os dispositivos e como eles funcionam, conseguimos entender 
melhor o processo de cuidado do paciente com transtornos mentais. Por isso, vamos 
conhecer os principais dispositivos da saúde mental (FIGUEIREDO; CAMPOS, 2009; 
ZAMBENEDETTI, 2009).
Saúde Mental
Definição
Esses serviços substitutivos são um conjunto de dispositivos sanitários e 
socioculturais para a integração das várias áreas da vida do indivíduo, 
como educação, assistencial e de reabilitação.
I I M A G E M 1
Atendimento psicossocial
F O N T E
Freepik
Capítulo 1
Unidades Básicas de Saúde
A Atenção Básica teve, e ainda tem, um papel importante no processo da Reforma 
Psiquiátrica, pois, é por meio dela que se estrutura a rede de atendimento à saúde 
mental principalmente em municípios pequenos. Isso porque municípios com menos de
20 mil habitantes não dispõem de serviços substitutivos ao hospital psiquiátrico, tais 
como: os Centros de Atenção Psicossocial (Caps), Serviços Residenciais Terapêuticos 
(SRT), leitos em hospitais gerais e Ambulatórios. Dessa forma, a Atenção Básica se 
torna responsável por organizar e desenvolver o atendimento a esses pacientes com 
o objetivo de acolher e estabelecer vínculos terapêuticos. Nesses casos, o médico da 
equipe de ESF deve ser generalista com capacitação em saúde mental e deve dispor de 
um técnico de saúde mental, de nível superior, para desenvolvimento do apoio matricial 
que é essencial no acompanhamento do paciente.
atendimento central da Atenção Básica acontece nas Unidades Básicas de Saúde 
(UBSs), e o acompanhamento dos pacientes com transtornos mentais está vinculado 
às ações e aos serviços das equipes de Estratégia de Saúde da Família (ESF), isso para 
se fazer um acompanhamento não apenas de consultas, mas também verificando o 
convívio desse indivíduo com a família e a sociedade. Dessa forma, torna-se um campo 
de práticas e de produção de novos modelos de cuidado em saúde mental, tendo como 
proposta os cuidados dentro dos princípios da integralidade, da interdisciplinaridade, 
Nos casos mais graves, a equipe presta o atendimento ao paciente e é responsável pelo 
controle e, algumas vezes, pela aplicação da medicação juntamente com a avaliação 
Dispositivos da saúde mentalSaúde Mental
Reflita
Sabemos da necessidade do acompanhamento dos pacientes com 
transtornos mentais e que a ESF é de extrema importância, mas, sabendo 
que este perfil de paciente deve ter um cuidado mais especializado 
como o CAPS, será que a ESF dos municípios pequenos tem estrutura 
para isso? Em contrapartida, será que em uma população pequena ter 
essa estrutura não afetaria financeiramente as demais ações e serviços 
de saúde?
Dispositivos da saúde mental Capítulo 1
médica e acompanhamento psicológico. Nos demais casos, o controle e aplicação são 
responsabilidade do próprio paciente ou responsável, isso porque entende-se que ele é 
capaz desse autocuidado.
Entre as atividades da equipe, está a visita domiciliar, a qual é definida como instrumento 
de realização da assistência domiciliar,mais graves ou crônicos. O matriciamento 
visa a dar suporte técnico a essas equipes, bem 
como a estabelecer a corresponsabilização. 
(GAZIGNATO; SILVA, 2014, p. 298)
O Apoio Matricial às equipes da atenção básica 
deve partir dos Caps, dado que são serviços que 
ocupam lugar central na proposta da reforma 
psiquiátrica e seus dispositivos principais. São 
considerados ordenadores da rede de saúde 
mental, direcionando o fluxo e servindo de 
retaguarda tanto para as residências terapêuticas 
como para a atenção básica (DIMENSTEIN et al., 
2009). O matriciamento pode ser entendido como 
uma estratégia de trabalho em rede, ou seja, 
mediante a integralidade dos serviços de saúde, 
uma das diretrizes do SUS. (GAZIGNATO; SILVA, 2014, 
p. 298)
Saúde Mental
Matriciamento em saúde mental Capítulo 4
• Para integração do nível especializado com a atenção primária no tratamento de 
pacientes com transtorno mental, apoiando na adesão ao projeto terapêutico de 
pacientes com transtornos mentais graves e persistentes em atendimento especializado 
em um Caps.
• Quando a equipe de referência sente necessidade de apoio para resolver problemas 
relativos ao desempenho de suas tarefas, como dificuldades nas relações pessoais 
ou nas situações especialmente difíceis encontradas na realidade do trabalho diário. 
(AOSANI; NUNES, 2013; SILVA, 2014; CHIAVERINI, 2011; CAMPOS; DOMITTI, 2007).
Assim, uma das principais estratégias desenvolvidas pelo Caps para o desenvolvimento 
de uma rede de atenção é a implantação do matriciamento ou apoio matricial, entendido
como “um novo método de geração de saúde em que duas ou mais equipes, em 
processo de construção conjunta, criam uma proposta de intervenção terapêutica 
educativa” (CHIAVERINI et al., 2011, p. 13). Pegoraro, Cassimiro e Leão (2014, p. 622) afirmam 
que:
No campo da saúde, a palavra matricial indica 
a possibilidade de “sugerir que profissionais de 
referência e especialistas mantenham uma 
relação horizontal e não vertical, como recomenda
a tradição dos sistemas de saúde” (CAMPOS; 
DOMITTI apud Penido et al. 2010, p. 472). Por sua 
vez, o termo apoio indica uma relação horizontal, 
sem autoridade, baseada em procedimentos 
dialógicos. Os mesmos autores destacam que 
o apoio matricial pode ser desenvolvido através 
da troca de conhecimentos, do fornecimento 
de orientações, de intervenções conjuntas e 
de intervenções complementares realizadas 
pelo apoiador, mas sempre com a equipe de 
referência com a responsabilidade pelo caso, 
ainda que apoio especializado se faça necessário 
em diferentes momentos.
Saúde Mental
Matriciamento em saúde mental Capítulo 4
Instrumentos do processo de matriciamento em saúde mental
Os instrumentos utilizados pelos profissionais da equipe de apoio para a realização 
do matriciamento consistem na elaboração do projeto terapêutico singular no apoio 
matricial de saúde mental, a interconsulta, a visita domiciliar conjunta, o contato a 
distância, o genograma, o ecomapa, a educação permanente em saúde mental e a 
criação de grupos na atenção primária à saúde.
Por meio do matriciamento, a ESF passa a ter instrumentos e conhecimento suficientes 
para a assistência em situações de crise atuando além dos cuidados básicos de 
prevenção aos agravos em saúde. Vamos conhecer alguns desses instrumentos 
(AOSANI; NUNES, 2013; SILVA, 2014; CHIAVERINI et al., 2011; CAMPOS; DOMITTI, 2007).
Elaboração do projeto terapêutico singular no apoio matricial de 
saúde mental
Os projetos elaborados podem ser territoriais, coletivos, familiares ou até o individual, 
exigindo um foco abrangente incluindo o entorno. Chiaverini et al. (2011) descreve um 
guia prático de matriciamento em saúde mental, é possível encontrar um roteiro para a 
discussão de casos para orientar a coleta de informações com a equipe da ESF. O autor 
recomenda aos matriciadores abordarem a equipe referência reforçando as atitudes 
positivas, além disso, é importante que as discussões busquem formulação diagnóstica, 
mas principalmente compreendam a situação em suas várias faces de maneira a abrir 
uma agenda interdisciplinar.
Importante
No momento da interação entre as equipes, os profissionais da ESF 
podem descrever sintomas que não chegam a configurar diagnósticos 
psiquiátricos, mas a equipe de apoio deve reforçar a capacidade 
da equipe referência de identificar quadros mesmo sem precisão 
psicopatológica potencializando o que pode ser feito dentro da atenção 
primária.
Saúde Mental
Matriciamento em saúde mental Capítulo 4
Na construção do projeto terapêutico singular, deve conter:
• Abordagens biológica e farmacológica.
• Abordagens psicossocial e familiar.
• Apoio do sistema de saúde.
• Apoio da rede comunitária.
• Trabalho em equipe: quem faz o quê.
Esse projeto auxilia e direciona a equipe referência, mas não busca a total autossuficiência 
dela, tendo a retomada periódica para atualizar o caminhar de cada caso para repactuar
e reformular novos projetos terapêuticos e avaliar o que deu certo e o que deixou a 
desejar (AOSANI; NUNES, 2013; SILVA, 2014; CHIAVERINI et al., 2011; CAMPOS; DOMITTI, 2007).
Interconsulta como instrumento do processo de matriciamento
A interconsulta é considerada o principal instrumento do apoio matricial na atenção 
primária; por definição, é uma prática interdisciplinar para a construção do modelo 
integral do cuidado, isto é, uma ação colaborativa entre profissionais de diferentes áreas.
Essa modalidade envolve desde discussão de caso por parte da equipe como consulta 
e visitas domiciliares conjuntas permitindo a construção de uma compreensão integral 
do processo saúde-doença devido à interdisciplinaridade da equipe.
As discussões de casos são uma das etapas do processo que sempre devem estar 
presente, deve-se entender o motivo pelo qual aquele caso deve ser discutido, a situação 
atual analisa o contexto e verifica os recursos positivos disponíveis além do principal 
objetivo do cuidado (AOSANI; NUNES, 2013; SILVA, 2014; CHIAVERINI et al., 2011; CAMPOS; 
DOMITTI, 2007).
Dificuldades na implantação da equipe de apoio matricial
Entre as dificuldades que a equipe de apoio matricial pode encontrar, uma das mais 
relevantes está no fato de as equipes referência não possuírem uma definição clara 
sobre o apoio matricial, apresentando dúvidas referentes ao conceito e dificuldades 
para empregar a metodologia. Isso porque, sem entender o que é o apoio matricial, não 
é possível identificar a percepção e as experiências com o matriciamento.
Saúde Mental
Matriciamento em saúde mental Capítulo 4
Além disso, a falta de entendimento de como funciona o matriciamento faz com que 
a equipe de ESF compreenda que a atividade da equipe de apoio esteja relacionada a 
trocas de favores, mas a real função é suporte às atividades da equipe referência.
Entre os desafios encontrados pela equipe de apoio, está a política de saúde mental 
infanto-juvenil, pois, historicamente, a criança ainda possui pouca visibilidade no cenário 
da saúde mental, além dos profissionais da ESF não possuírem formação para atuar com 
problemas de saúde mental nessa faixa etária aparecendo dificuldades de identificar 
casos que seriam importantes de ser estudados (CHIAVERINI et al., 2011; SALVADOR; PIO, 
2016).
Resumindo
E então? Gostou do que lhe mostramos? Aprendeu mesmo tudinho? 
Agora, só para termos certeza de que você realmente entendeu o tema 
de estudo deste capítulo, vamos resumir tudo o que vimos. Você deve 
ter aprendido que o matriciamento é uma ferramenta de auxílio para a 
atenção básica que contribui para identificar e acompanhar pacientes
com transtornos mentais. Além disso, é considerado de grande 
importância, mas, muitas vezes, é desconhecido pelos próprios 
profissionais da equipe referência que não conseguem atuar de formar 
eficaz.
Saúde Mental
Referências
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Saúde Mental
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Saúde Mental
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Saúde Mental
Referências
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2023.
Saúde Mentalsendo constituída pelo conjunto de ações para 
viabilizar o cuidado às pessoas com algum nível de alteração no estado de saúde 
(dependência física ou emocional) ou para realizar atividades vinculadas aos programas 
de saúde. Para isso, à equipe de saúde da família cabe reconhecer quando o núcleo 
familiar precisa de apoio, além de entender que a família tem o papel fundamental para 
o bom desenvolvimento do cuidado ao paciente (AOSANI; NUNES, 2013; CORREIA, 2011).
Centros de Atenção Psicossocial (CAPS)
Segundo o Ministério da saúde, os CAPS podem ser definidos como:
Esses centros têm como objetivos não apenas o atendimento médico e psicológico, 
mas também a atenção na rede de cuidados à saúde mental garantindo o acesso e a 
equidade, levando direito e autonomia aos pacientes por meio da assistência realizada 
por equipe multidisciplinar. Dessa forma, essa equipe é baseada em um trabalho 
comunitário, humanizador e reintegrador do ser humano no contexto social, trazendo 
novo significado individual e social para os usuários desses serviços.
Saúde Mental
Definição
São pontos de atenção estratégicos da Rede de Atenção Psicossocial 
(RAPS): serviços de saúde de caráter aberto e comunitário constituído 
por equipe multiprofissional e que atua sobre a ótica interdisciplinar e 
realiza prioritariamente atendimento às pessoas com sofrimento ou 
transtorno mental, incluindo aquelas com necessidades decorrentes do 
uso de álcool e outras drogas, em sua área territorial, seja em situações 
de crise ou nos processos de reabilitação psicossocial e são substitutivos 
ao modelo asilar.
Capítulo 1
As atividades são desenvolvidas por intermédio de Projeto Terapêutico Singular (PTS) 
estando relacionados com a equipe, o indivíduo e a família, assim, o PTS acaba sendo 
individualizado de acordo com as necessidades do paciente.
É importante que a estrutura do CAPS, independente da modalidade, seja acolhedor, 
remetendo ao convívio em casa e com a família, para que seja atrativo ao paciente 
para ser possível acompanhar o usuário, em sua história, cultura, projetos e vida 
cotidiana indo além do próprio serviço, sendo também um suporte social, saberes e 
recursos dos territórios. Apesar de serem individualizadas, não são, necessariamente, 
individuais, algumas dessas ações são coletivas, outras junto com as famílias e ainda 
ações voltadas para as famílias. 
Até aqui entendemos de forma superficial as ações e os serviços do CAPS, mas 
posteriormente aprofundaremos este tema com mais detalhes, por isso, vamos agora 
conhecer os próximos dispositivos da saúde mental (LEAL; ANTONI, 2013; BRASIL, 2015; 
RIBEIRO, 2018).
Centros de Convivência e Cultura
A partir de uma avaliação dos profissionais responsáveis pelo paciente, é importante 
que o tratamento tenha continuidade em outros dispositivos, e o Centro de Convivência 
e Cultura é considerado um dispositivo potente e efetivo na inclusão social dos pacientes 
Dispositivos da saúde mentalSaúde Mental
Definição
Os Centros de Convivência e Cultura foram definidos pela Portaria 
n.º 396/2005 como “dispositivos componentes da rede de atenção 
substitutiva em saúde mental, onde são oferecidos às pessoas espaços
de sociabilidade, produção e intervenção na cidade” e, posteriormente, 
pela Portaria nº 3.088 de 2011/2014 como “unidade pública, articulada às 
Redes de Atenção à Saúde, em especial à Rede de Atenção Psicossocial, 
onde são oferecidos, em geral, espaços de sociabilidade, produção e 
intervenção na cultura e na cidade”.
Dispositivos da saúde mental Capítulo 1
Nestes centros, as pessoas da comunidade têm a liberdade para se reunir livremente, 
com a finalidade de socialização para construírem, juntas, espaços de lazer, trabalho, 
saúde, cultura, entretenimento, inclusão social, além da possibilidade de discussões 
sobre problemas de sua comunidade, dessa forma, é uma alternativa de socialização 
para as pessoas com transtornos mentais, base do conceito da Reforma Psiquiátrica.
Esse espaço permite a interação de grupos muitas vezes discriminados pela sociedade, 
como dependentes químicos, idosos, pessoas com algum tipo de deficiência física e 
pessoas com transtornos mentais, tendo como característica a participação voluntária 
sem controle de frequência ou prontuários médicos.
Programa “De Volta para Casa”
Esse programa, criado pelo Ministério da Saúde, tem como seu objetivo a “inserção social 
de pessoas acometidas de transtornos mentais, incentivando a organização de uma 
Saúde Mental
Saiba Mais
É possível encontrar dissertações e teses que descrevem um mapa 
territorial da quantidade de Centros de Convivência e o número de 
pessoas que utilizam esse espaço, além de estudos descrevendo a 
implantação desses centros em algumas cidades. Entre eles, está a 
dissertação de Ferreira (2014), utilizada como referência neste capítulo. 
Vale a pena a leitura!
Saiba Mais
O Ministério da Saúde, na cartilha “Mostra Fotográfica Programa De Volta 
para Casa”, elaborada em 2008, descreve que o Programa de Redução de 
Leitos Hospitalares de Longa Permanência em conjunto com os Serviços 
Residenciais Terapêuticos e o Programa De Volta para Casa formam 
o tripé essencial para o efetivo processo de desinstitucionalização 
e resgate da cidadania das pessoas acometidas por transtornos 
mentais submetidas à privação da liberdade nos hospitais psiquiátricos 
brasileiros.
Capítulo 1Dispositivos da saúde mental
Para que o município possa participar desse programa, deve ser acompanhado por 
meio de Comissão de Acompanhamento do Programa “De Volta para Casa”, constituída 
pelo Ministério da Saúde, cujas responsabilidades são:
• Elaborar e pactuar as normas aplicáveis ao programa e submetê-las ao Ministério da 
Saúde.
• Pactuar a definição de municípios prioritários para habilitação no programa.
• Ratificar o levantamento nacional de clientela de beneficiários em potencial do 
programa.
• Acompanhar e assessorar a implantação do programa. 
A Lei n.º 10.708/2003 regulamenta o auxílio-reabilitação psicossocial para pacientes 
acometidos de transtornos mentais egressos de internações, atualmente esse valor pago 
mensalmente é de R$ 412,00, por um ano, podendo ser renovado pelo tempo necessário 
para a reintegração social do paciente.
Para que o paciente possa ser incluído no programa e se beneficiar com o auxílio-
reabilitação, é necessário que esteja de alta hospitalar, sendo acompanhado por 
um CAPS ou outro serviço de saúde do município onde passará a residir, além do 
acompanhamento por uma equipe de profissionais encarregada de prover e garantir a 
atenção psicossocial e apoiá-lo em sua integração ao ambiente familiar e social. Entre 
os serviços do CAPS que esse paciente pode participar, há o Serviço Terapêutico que 
vamos ver a seguir (BRASIL, 2003b; BRASIL, 2003a).
Serviço Residencial Terapêutico (SRT)
Segundo a Portaria nº 3.588, de 21 de dezembro de 2017, entende-se como Serviços 
Residenciais Terapêuticos (SRT):
Saúde Mental
Definição
Moradias inseridas na comunidade, destinadas a cuidar dos portadores 
de transtornos mentais crônicos com necessidade de cuidados de longa
permanência, prioritariamente egressos de internações psiquiátricas e 
de hospitais de custódia, que não possuam suporte financeiro, social e/
Dispositivos da saúde mental Capítulo 1
Esse serviço surge com a proposta de acolher os egressos ou não de hospitais 
psiquiátricos, em geral sem suporte familiar, que não têm condições de garantia de 
espaço adequado de moradia. Tem por objetivo ajudar o paciente a ressocializar, 
resgatar a autonomia e incentivá-lo a assumir uma posição de agente ativo de 
produção de vida. Essas moradias, inseridas em espaço urbano, podem alojar de um 
a oito pacientes necessitando de um profissional de nível médio capacitado por uma 
equipe de referência como cuidador, além de ter suporte garantido pelo CAPS, pela ESF 
ou outros serviços de saúde, caracterizando a interdisciplinaridade.
Na transição entre a hospitalização de longa permanênciae a luta antimanicomial, esse 
serviço foi essencial como serviço intermediário dos pacientes que já estavam por anos 
internados e iniciariam seu convívio com a sociedade novamente. Essa reestruturação 
levou à diminuição do repasse de recursos aos hospícios e ao aumento de recursos para 
os serviços residenciais terapêuticos. De acordo com o descrito na Portaria n.º 106/2000,
“a cada transferência de paciente do Hospital Especializado para o Serviço de Residência 
Terapêutica, deve-se reduzir ou descredenciar do SUS igual nº de leitos naquele hospital”.
Dessa forma, é considerado um facilitador do processo de desospitalização e um 
operador da substituição da hospitalização (FONSÊCA, 2018; MASSA; MOREIRA, 2019; WEBER, 
2018).
Hospital-Dia
Definição
Regime de Hospital Dia prevê a assistência intermediária entre a internação 
e o atendimento ambulatorial, para realização de procedimentos clínicos, 
cirúrgicos, diagnósticos e terapêuticos, que requeiram a permanência 
do paciente na Unidade por um período máximo de 12 horas (BRASIL, 
2001a).
/ou laços familiares que permitam outra forma de reinserção.
Saúde Mental
Capítulo 1Dispositivos da saúde mental
Para se implantar esse programa, é necessário que haja uma área específica, 
independente da estrutura hospitalar, com áreas para atividades em grupo, área 
externa, leitos para repouso eventual e ambiente para refeições. Deve ter uma equipe 
multiprofissional atuando cinco dias na semana (segunda a sexta-feira) com carga 
horária de oito horas por dia de forma que atenda à população de uma área geográfica 
definida, para facilitar o acesso do paciente à unidade assistencial sendo integrada à 
rede hierarquizada de assistência à saúde mental (BRASIL, 2001b).
Com uma equipe multiprofissional avalia a necessidade de cada paciente e inclui 
atividades como:
• Atendimento individual (medicamentoso, psicoterápico, de orientação, entre outros).
• Atendimento grupal (psicoterapia, grupo operativo, atendimento em oficina terapêutica, 
atividades socioterápicas, entre outras).
• Visitas domiciliares.
• Atendimento à família.
• Atividades comunitárias visando trabalhar a integração do paciente mental na 
comunidade.
• Inserção social.
Leitos de retaguarda em Hospitais Gerais (noturno/feriado/final de semana)
Os leitos de Saúde Mental em Hospitais Gerais são componentes da Rede de Atenção 
Psicossocial (Raps), porém, não devem ser considerados como um ponto de atenção 
isolado, mas complementar aos demais serviços da Atenção à Saúde Mental. Trata-
se de um componente de urgência e emergência para garantir acesso dos usuários à 
tecnologia hospitalar, particularmente no manejo do cuidado às intercorrências clínicas, 
pois os serviços extra-hospitalares nem sempre dispõem de uma estrutura que ofereça 
agilidade para esse tipo de atendimento.
São considerados um ponto estratégico para fortalecimento da Raps, devendo ser bem 
localizados em vários municípios, de fácil acesso, com propostas de intervenções breves 
e acesso a recursos clínicos multidisciplinares diferentemente do que ocorre no Hospital 
Psiquiátrico. Contribuem para a diminuição do estigma do transtorno mental e propiciam 
práticas de cuidado mais transparentes, associadas a uma integração efetiva entre as 
Saúde Mental
Dispositivos da saúde mental Capítulo 1
s equipes de profissionais, sendo utilizados principalmente para o manejo do paciente 
com transtorno mental em crises que necessitem de internamento (BARROS; TUNG; MARI, 
2010; PARANÁ, 2016).
Unidades de Pronto-Atendimento (UPA)
A procura pelas Unidades de Pronto-Atendimento tem como principal motivo o 
atendimento psiquiátrico de emergência, em geral, com sintomas de agitação 
psicomotora e/ou agressividade. Casos em que é indispensável a intervenção imediata
da equipe multiprofissional, adequadamente treinada, com o intuito de evitar maiores 
prejuízos à saúde do indivíduo, ou possíveis riscos à sua vida ou a de terceiros.
No momento do atendimento, é realizado uma triagem para verificar a necessidade 
e a duração de internamento, ou se é possível estabilizar e instituir o tratamento de 
casos agudos, isso de forma rápida e ágil, buscando caracterizar aspectos diagnósticos, 
etiológicos e psicossociais do quadro apresentado pelo paciente. Além disso, 
proporcionam suporte psicossocial, podem ser consideradas uma porta de entrada 
do paciente da rede de atenção à saúde mental, organizando o fluxo das internações 
e reduzindo as admissões hospitalares desnecessárias, além de possibilitarem uma 
melhor comunicação entre as diversas unidades do sistema de saúde (BARROS; TUNG; 
MARI, 2010; SOUZA, 2017).
Resumindo
E então? Gostou do tema trabalhado? Vimos os principais serviços 
e ações voltados à saúde mental, com foco principal na substituição 
das instituições de longa permanência por atividades que incluam este 
paciente na sociedade a partir de uma Rede de Atenção em Saúde Mental. 
Mas é importante destacar que isto vai além do simples deslocamento
dos espaços de cuidado, está relacionado a uma complexa mudança 
de paradigmas e de práticas no campo da saúde mental.
Saúde Mental
2
Integração e redes 
sociais em saúde 
mental
Capítulo 2
Integração e redes sociais 
em saúde mental
Objetivos
Neste capítulo, vamos conhecer o conceito de redes sociais, refletir sobre 
sua importância nos cuidados da saúde mental e como pode auxiliar o
tratamento do paciente com transtornos mentais. Além disso, vamos 
discutir acerca da importância dessa rede social do indivíduo participar 
de ações e serviços voltados ao tratamento deste transtorno. Motivado 
para ampliar seu repertório? Então vamos lá!
Importante
Na literatura, não há um consenso quanto à utilização do termo “rede 
social”, por isso, quando você for aprofundar seus conhecimentos nesta 
área, pode deparar-se com termos como “rede social significativa”, 
“rede social de apoio”, “redes comunitárias” ou “redes de suporte”, todos 
eles possuem a mesma ideia de relação entre indivíduos na sociedade.
Conceito de redes sociais
Desde o início da vida, o ser humano participa de grupo social, uma trama interpessoal 
que os molda e contribui para moldar a seu grupo social futuro. Trata-se do conjunto de
pessoas com quem esse indivíduo interage, conversa e troca sinais regularmente. 
Essa experiência ajuda a constituir a própria identidade, que se constrói e reconstrói 
constantemente durante a vida com base na interação com os outros, tornando-se 
parte intrínseca da identidade de cada indivíduo. Como afirma Brusamarello et al. (2011, 
p. 34) 
Saúde Mental
Integração e redes sociais em saúde mental Capítulo 2
As redes sociais são definidas como teias de 
relações que circundam o indivíduo e, desta 
forma, permitem que ocorra união, comutação, 
troca e transformação. Ao integrá-la, existe a 
possibilidade de se organizar socialmente como 
uma estrutura descentralizada, em que todos 
podem, simultaneamente, ocupar diferentes e 
distintas posições, dependendo dos interesses e 
dos temas tratados.
Importante
O termo “redes sociais” é encontrado hoje como “estruturas virtuais” 
em que pessoas ou empresas se relacionam por meio de conteúdos e 
mensagens diretas ou postadas na internet, mas vale lembrar que esse 
conceito é mais amplo e vai além da web. Rede no seu conceito amplo 
pode designar comunicar, interligar ou distribuir, e, quando falamos 
de rede social, estamos descrevendo a comunicação ou interligação 
entre os indivíduos da sociedade. Apenas para não confundir: em nosso 
estudo, estamos falando da comunicação direta entre os indivíduos da 
sociedade.
A rede microssocial que o indivíduo integra contribui de maneira significativa para gerar 
suas práticas sociais e a visão do mundo e de si, também é parte crucial da própria 
identidade e evolui ao longo da vida. Além disso, as mudanças nas redes sociais são 
consideradas um marcador para os diversos períodos do ciclo da vida, sendo causa e 
efeito das contínuas transformações do indivíduo.
Dessa forma, podemosdizer que a rede social é um grupo de pessoas, membros da família, 
amigos, vizinhos e outras pessoas, com capacidade de ajudar e apoiar a um indivíduo 
ou família. Correspondendo, assim, ao nicho interpessoal da pessoa e contribuindo para 
seu próprio reconhecimento como indivíduo e para sua autoimagem. As pessoas que 
compõem essa rede, são todas as pessoas que o indivíduo considera significativas no
universo relacional no qual está inserido (MORE, 2005; UBER; BOECKEL, 2014).
Saúde Mental
Integração e redes sociais em saúde mental Capítulo 2
O cuidado em saúde mental tem evidenciado a 
necessidade de focar a atenção para intervenções 
que ofereçam alternativas de se trabalhar a 
realidade social a fim de promover suporte 
mútuo, democracia participativa e movimentos 
sociais. Nessa perspectiva, as redes sociais são 
de extrema significância “tanto do ponto de vista 
da reconstrução de um cotidiano, muitas vezes 
perdido pelo sofrimento psíquico, como importante 
suporte no tratamento a partir dos diversos 
dispositivos de apoio e de solidariedade. Dessa 
forma, elas ganham relevância na reinserção e 
reabilitação do portador de transtorno mental na
sociedade, bem como no resgate de sua 
autonomia. (BRUSAMARELLO et al., 2011, p. 34)
Nos últimos anos, como parte da Reforma Psiquiátrica brasileira, os padrões da atenção 
psiquiátrica hospitalar têm sido questionados, levando a novas formas de cuidar das 
pessoas com transtornos mentais, pautadas na inclusão e na reabilitação psicossocial. 
O atual modelo de atuação visa substituir o atendimento exclusivo que tem levado ao 
abandono e à marginalização por uma rede de saúde mental inclusiva que promova a 
integração social e familiar das pessoas com transtornos mentais.
O apoio social que as pessoas recebem e percebem é essencial para a manutenção 
da saúde mental, pois redes sociais aprimoradas ajudam os indivíduos a lidarem com 
situações estressantes, como ter um membro da família com transtorno mental ou 
que foi diagnosticado com uma doença crônica. Nesse sentido, quanto mais diversa e 
contextual for uma relação, maiores e mais diversos serão os recursos psicossociais à 
disposição da pessoa.
Uma rede social que é pessoal e consegue ser estável, ativa e confiável pode proteger 
a vida diária de uma pessoa, promover a construção e manutenção da autoestima e 
acelerar o processo de recuperação. Como tal, é essencial para promover o bemestar
físico, mental e emocional. Por outro lado, existe uma rede que não oferece suporte 
suficiente, portanto, sua fragilidade e inadequação são fatores de fragilidade da saúde, 
Saúde Mental
Integração e redes sociais em saúde mental Capítulo 2
Compreender o modo de viver das pessoas, 
reconhecer suas percepções acerca do mundo 
e identificar seus relacionamentos possibilita aos 
profissionais de enfermagem, na organização 
e na prestação do cuidado, contribuir para o 
alcance do bem-estar destes sujeitos. Com 
esta investigação pretende-se contribuir para a 
ampliação do conhecimento científico da equipe 
de enfermagem com vistas à qualificação do 
cuidado a pessoas com transtorno mental e 
familiares. Assim, considerasse importante que 
o enfermeiro e demais profissionais da área da 
saúde conheçam as redes sociais de pessoas 
com transtorno mental e familiares e as utilizem 
para proporcionar um cuidado a essa população 
de acordo com suas necessidades e realidades 
cotidianas.
o que contribui para o aumento dos níveis de transtornos emocionais e físicos como 
depressão, hipertensão e obesidade.
É importante observar que a rede social de um indivíduo é um reflexo do contexto histórico, 
cultural, social e político em que as pessoas têm interesses, aspirações, intenções e 
desejos. Por isso, a respeito deste aspecto, Brusamarello et al. (2011, p. 34) afirma:
Mapa de redes sociais
A rede social de um indivíduo pode ser registrada em forma de “mapa mínimo” o 
qual inclui todos os indivíduos que determinada pessoa interage. É constituído por um 
diagrama formado por três círculos concêntricos dividido em quatro quadrantes:
• Família.
• Amizades.
• Relações de trabalho ou escolares (companheiros de trabalho e ou de estudos).
• Relações comunitárias, de serviços (exemplo, serviços de saúde) ou de credos.
Saúde Mental
Integração e redes sociais em saúde mental Capítulo 2
O círculo interno representa as relações mais íntimas consideradas pelo indivíduo, seja 
da família ou de amizades. O círculo intermediário registra as relações com menor grau 
de relacionamento (relações sociais ou profissionais ou familiares), e o círculo externo 
as relações ocasionais (tais como conhecidos de escola ou trabalho, familiares mais 
distantes, vizinhos).
Esse registro é específico do momento atual ou situação vivenciada pelo indivíduo e só 
terá importância se realizado e avaliado da forma correta. Para isso, pode-se observar 
os seguintes aspectos:
• Tamanho – quantidade de pessoas que constituem a rede. Redes muito pequenas 
são menos efetivas quando o indivíduo se sente sobrecarregado ou em situações de 
tensão de longa duração, a fim de poupar-se pode evitar contatos; da mesma forma, 
redes muito numerosas podem não ser efetivas, pois parte-se do pressuposto de que o 
“outro” está cuidando do problema, dessa forma, as redes de maior efetividade são as 
de tamanho médio.
• Densidade – qualidade da relação entre seus membros e o quanto de influência que 
podem exercer no indivíduo. • Composição ou distribuição – qual posição que cada 
membro ocupa nos quadrantes.
I I M A G E M 2
Mapa de rede social
F O N T E
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Saúde Mental
Integração e redes sociais em saúde mental Capítulo 2
• Dispersão – distância geográfica entre a pessoa e os membros de sua rede.
• Homogeneidade/heterogeneidade – variáveis como idade, sexo, cultura e nível 
socioeconômico, que podem favorecer trocas ou evidenciar tensões entre os membros 
e o indivíduo.
Outra análise que pode ser feita, diz respeito às funções dos vínculos estabelecidos, 
como de companhia social, de apoio emocional, de guia cognitivo e de conselhos, de 
regulação social, de ajuda material e de serviços e de acesso a novos contatos. Cada 
membro pode estar relacionado a mais de um desses vínculos. Dessa forma, é possível 
perceber o tipo de interação que o indivíduo acompanhado tem com sua rede social, 
entender quais são relevantes efetivamente e de que forma esses membros podem 
auxiliar no tratamento e nas atividades do indivíduo.
Redes sociais em saúde mental
Sempre que falamos sobre o cuidado de pacientes com transtornos mentais, 
comparamos os modelos atuais com os utilizados antes da Reforma Psiquiátrica, pois é 
a necessidade de fazer diferente que nos impulsiona à melhoria dos novos modelos de 
cuidados.
Por isso, vamos lembrar que a Reforma Psiquiátrica propõe substituir o modelo 
asilar por um modelo de atenção baseado no convívio com a comunidade, tendo o 
acompanhamento do tratamento dentro do Sistema de Saúde, e os Centros de Atenção
Psicossocial (Caps) sãos seus dispositivos estratégicos com prioridade na reinserção 
social e no fortalecimento de vínculo dos usuários com a sociedade, incentivando-o na 
busca da construção da autonomia e cidadania.
Quando utilizamos o termo “redes sociais” na saúde mental, estamos falando sobre 
o conjunto de todas as relações que circundam o indivíduo e levam a interações 
interpessoais, não apenas na questão de tratamento, mas de reconhecimento enquanto 
sujeito, para a construção de identidade, para o sentimento de bem-estar, pertença e 
autonomia. No momento em que integramos essas redes sociais, possibilitamos que se
organizem socialmente como uma estrutura descentralizada, em que todos podem 
Saúde Mental
Integração e redes sociais em saúde mental Capítulo 2
ocupar diferentes e distintas posições, dependendo dos interesses e dos temas tratados. 
Para isso, é importante que essa rede seja diversificada para poder atender, ao menos, a 
maioria dessas demandas. Por ser um sistema aberto, permiteao paciente, aos membros 
da família ou à própria comunidade o benefício das múltiplas relações, estabelecendo e
favorecendo seu desenvolvimento (BRUSAMARELLO et al., 2011; UBER; BOECKEL, 2014).
Importância das redes sociais em saúde mental
O convívio social, em geral, leva o paciente ao entendimento da sua inserção como 
indivíduo e sua importância para o desenvolvimento da sociedade na qual está inserido. 
Entendendo que desempenha funções essenciais na vida dos sujeitos e na sociedade, 
auxiliando nas soluções de problemas e oferecendo orientações e companhia.
Dessa forma, as redes sociais se tornam um dos principais recursos que um sujeito dispõe 
referente ao apoio recebido e percebido, havendo associação entre desenvolvimento 
humano saudável e qualidade das redes sociais que um sujeito mantém. São uma das 
chaves centrais da experiência individual de identidade, competência, bem-estar e 
autoria, incluindo os hábitos de cuidado de saúde e a capacidade de adaptação em 
uma crise.
Muitas vezes, o sofrimento psíquico afasta o indivíduo do convívio social, por isso, a 
reconstrução de um cotidiano com convívio social torna-se um imprescindível suporte 
no tratamento a partir dos diversos dispositivos de apoio e de solidariedade. A reinserção 
e reabilitação do portador de transtorno mental na sociedade, bem como o resgate de 
Importante
Vale ressaltar que as redes sociais incluem o conjunto de vínculos 
interpessoais que abrangem a vida de uma pessoa contribuindo 
para a autoimagem do indivíduo. Dessa forma, podemos perceber a 
relevância da desinstitucionalização do tratamento psiquiátrico para o 
autoconhecimento do paciente perante sua real situação e seu processo
de autocuidado. Com isso, notamos que os dispositivos de saúde mental 
são fundamentais para a integração e permanência do paciente nas 
redes sociais.
Saúde Mental
Integração e redes sociais em saúde mental Capítulo 2
sua autonomia são essenciais. Assim, os suportes sociais percebidos e recebidos das 
pessoas significativas são primordiais para a manutenção da saúde mental, pois uma 
rede social fortalecida ajuda o indivíduo a enfrentar situações estressantes, como uma 
doença própria ou de algum familiar.
Quando essa rede social é estável, ativa e confiável o indivíduo se sente protegido em sua 
vida diária, além de favorecer a construção e manutenção da autoestima, acelerando 
os processos de recuperação da saúde. Em contrapartida, se esse indivíduo permanece 
em uma rede social que não proporciona suporte adequado, sua fragilidade e seu 
sentimento de insuficiência contribuem para a vulnerabilidade do indivíduo podendo 
elevar o nível de doenças emocionais e físicas como depressão, hipertensão arterial e 
obesidade (BRUSAMARELLO et al., 2011; UBER; BOECKEL, 2014).
O apoio da rede social é um aspecto fundamental da inclusão social de pessoas com 
transtornos mentais. Em situações em que muitas vezes encontram dificuldades de 
inserção no mercado de trabalho, outros meios de promover a inclusão social são ainda 
mais valorizados.
O conceito de redes implica um processo de construção permanente, individual e 
coletivamente. É um sistema aberto que permite a utilização dos recursos existentes por 
meio da troca dinâmica de seus membros com outros grupos sociais. Salles e Barros 
(2013, p. 2130) afirmam:
As redes sociais são de extrema importância 
para todos, elas proporcionam a organização 
da identidade através do olhar e das ações de 
outras pessoas. A rede de relações que oferece 
suporte a uma pessoa na sociedade não se 
restringe à família, mas incluem todos os vínculos 
interpessoais significativos do sujeito: amigos, 
relações de trabalho, de estudo e na comunidade. 
Na construção das redes sociais é importante que 
o sujeito possa estabelecer relações de trocas 
não apenas com sua família, mas também com 
outras pessoas, compondo uma rede social 
ampliada e diversificada e sem sobrecarregar o 
núcleo familiar.
Saúde Mental
Integração e redes sociais em saúde mental Capítulo 2
Um indivíduo não faz parte apenas de uma comunidade, mas de várias comunidades. Sua 
identidade é expressa nesta propriedade. Na comunidade à qual pertence, o indivíduo 
se reconhece, percebe seus interesses e comunica seus afetos. Essas interações podem 
ser formalizadas em bairros, igrejas e locais de trabalho. Mas também podem não ser 
formalizadas, ainda assim, são essas interações que medem a participação e a inclusão 
social. Você pode obter uma imagem refletida de si mesmo a partir de suas interações 
com os outros. Este autorretrato baseia-se em ter algo a oferecer aos outros.
Os relacionamentos na comunidade permitem que as pessoas, independentemente do 
transtorno mental, redefinam-se. A maioria das pessoas com esses transtornos precisa 
de encorajamento e da oportunidade de fazer amigos. Na prática, a inclusão social 
significa que a sociedade deve acolher e aceitar as pessoas com transtornos mentais. 
Este não é apenas um trabalho para famílias e serviços de saúde mental, é preciso 
adotar uma atitude de engajamento ativo de toda a comunidade. Isso indica que a 
maneira como essas pessoas se veem como “outros” precisa mudar.
Apesar da importância das redes sociais na vida 
cotidiana das pessoas, nem sempre aquelas 
com transtornos mentais têm acesso a novos 
contatos, ou não conseguem manter e formar as 
redes, devido ao contexto social em que imperam 
a discriminação e o preconceito. A forma como 
os usuários se relacionam com os outros reflete 
a maneira da sociedade aceitar e incluir essa 
população, e tem efeitos em como as pessoas 
com transtornos mentais se percebem acolhidas 
e pertencendo a sociedade. Considerando a 
importância das redes sociais para a inclusão 
social das pessoas com transtornos mentais, 
esta é uma questão que deve ser tratada pelos 
profissionais e serviços de saúde mental. (SALLES; 
BARROS, 2013, p. 2130)
Com o processo da Reforma Psiquiátrica e as 
novas possibilidades de tratamento para as 
pessoas com transtornos mentais, a sociedade 
se depara com a questão de como se relacionar 
Saúde Mental
Integração e redes sociais em saúde mental Capítulo 2
Rede social no auxílio ao tratamento
Quando o indivíduo com transtorno mental se conscientiza de sua rede social de apoio 
e do seu papel nas suas relações, tende a mudar de comportamentos, ampliar sua 
capacidade de enfrentar situações dolorosas e difíceis, além de melhorar sua autoestima, 
isso ajuda a aumentar a possibilidade de uma vida melhor, contribui para a promoção 
da saúde, favorece a autonomia desse indivíduo e seus familiares, bem como modifica 
sua posição em relação às intervenções.
Porém, vale ressaltar que a rede social pode gerar benefícios ao indivíduo, mas isso 
depende da postura dos membros, pois, mesmo querendo dar suporte ao indivíduo, 
podem não ter conhecimentos e habilidade para isso. Nesses casos, é de extrema 
importância o acompanhamento desses membros, que em geral são familiares, para 
garantir a melhora do paciente e evitar problemas aos demais membros da família. Nos 
casos de pacientes envolvidos com drogas ilícitas e álcool, os membros de sua rede, em 
geral, estão relacionados com o problema e, dessa forma, acabam levando o indivíduo 
a recaídas, nesses casos, ou ocorre o afastamento do indivíduo, ou o tratamento dos 
demais membros.
com essa população. Algumas vezes velhos 
modelos são retidos, mas também ocorre a 
reinvenção de novas formas de ver, tratar, se 
aproximar, colocar limites, ajudar, se afastar; 
enfim, de lidar no dia a dia com as pessoas com 
transtornos mentais que estão a sua volta, em um 
processo dialético de exclusão e inclusão social. 
(SALLES; BARROS, 2013, p. 2130)
Você Sabia?
Estudos mostram que indivíduos com transtornos mentais severos são 
quatro vezes mais propensos a não terem um amigo mais próximo, e 
mais de um terço deles relatam não ter ninguém a quem recorrer em 
um momento de crise (MURAMOTO; MÂNGIA, 2011).
Saúde Mental
Integração e redes sociais em saúdemental Capítulo 2
Nas intervenções terapêuticas desenvolvidas pelos profissionais de saúde mental, é 
imprescindível a presença e o acionamento das redes sociais do indivíduo. Primeiro 
porque o modelo existente não atende somente o paciente, mas também auxilia a 
família com ações e intervenções terapêuticas. Em segundo lugar, pela intervenção nas 
redes de suporte social, organizadas no âmbito comunitário, o que tem um papel de 
destaque no contexto de programas de reabilitação, prevenção e promoção da saúde 
dos indivíduos.
A variabilidade dos tipos de atendimento possíveis para pacientes com transtornos 
mentais, como psicoterapia, visita domiciliar, atividades de apoio social etc., vai depender
da necessidade de cuidados à saúde mental do paciente, das condições concretas de 
intervenção da equipe multiprofissional e dos recursos terapêuticos disponíveis. O que 
permite que os atendimentos sejam realizados de forma complementares é a interligação 
profissional entre eles (VIEIRA; NÓBREGA, 2004; MORE; CREPALDI, 2012; MURAMOTO; MÂNGIA, 
2011).
Resumindo
Esse capítulo foi muito importante, certo? Vimos que redes sociais 
compreendem os membros que fazem parte do convívio de indivíduos 
na sociedade, como a família, os amigos, vizinhos, colegas de trabalho, 
colegas de estudos, entre outros. Vimos, também, a importância de uma 
rede social sólida e disponível para apoiar o paciente com transtornos 
mentais e a necessidade de acompanhamento desses indivíduos 
também. Além disso, aprendemos que a relação entre as pessoas auxilia 
no desenvolvimento do paciente, e por esta razão as ações e atividades 
em grupo são tão importantes quanto a desinstitucionalização do 
tratamento psiquiátrico.
Saúde Mental
3
Atenção e cuidado em 
saúde mental
Capítulo 3
Atenção e cuidado em saúde
mental
Objetivos
O cuidado em saúde mental não se restringe ao cuidado do profissional 
da saúde. A família, como parte da reinserção social do paciente, torna-
se essencial para a evolução da condição de saúde do indivíduo. Neste 
capítulo, vamos entender como a família era vista em relação aos 
transtornos mentais e qual sua importância atuando com os profissionais 
da saúde para a atenção e o cuidado do paciente.
A relação familiar no passado
Nem sempre a família foi vista como uma instituição capaz de acolher e cuidar de um 
indivíduo que está mentalmente adoecido. Antes do capitalismo, o cuidado com o 
indivíduo era responsabilidade da família, quando não havia quem o amparasse, esse 
indivíduo era considerado uma questão pública, ficando sob responsabilidade do rei e 
seus auxiliares. Borba et al. (2011, p. 443) afirmam:
A família historicamente foi excluída do tratamento
dispensado às pessoas com transtorno mental, 
pois os hospitais psiquiátricos eram construídos 
longe das metrópoles, o que dificultava o acesso 
dos familiares a essas instituições. Outro fator que 
permeava a relação da família com o portador 
de transtorno mental era o entendimento de que 
ela era a produtora da doença, uma vez que o 
membro que adoecia era considerado um bode 
expiatório, aquele que carregava todas as mazelas
do núcleo familiar e deveria ser afasta do 
daqueles considerados responsáveis pela sua 
doença. Desse modo, restava à família o papel de 
Saúde Mental
Atenção e cuidado em saúde mental Capítulo 3
encaminhar seu familiar à instituição psiquiátrica 
para que os técnicos do saber se incumbissem do 
tratamento e da cura.
Importante
Existe outra vertente histórica, que justifica o procedimento de isolamento 
como necessário para proteger a família da loucura e prevenir possíveis
contaminações do outros membros.
Reflita
Quem nunca olhou uma criança fazendo “birra” e disse, ou pelo menos 
pensou: “Cadê os pais dessa criança?”; ou “Nossa, esses pais de hoje 
em dia são muito ‘frouxos’ na educação dessa criança”; ou ainda “Se 
fosse meu filho não estaria fazendo isso”. Se você já tem filho talvez 
compreenda melhor, mas é importante lembrar que o entendimento 
sobre os sentimentos acontece aos poucos, o que nós adultos chamamos 
de birra é, na verdade, a forma que a criança encontra de mostrar que 
tem algo errado, assim, ela ainda não sabe expressar em palavras, o 
que está sentindo pode ser sono, fome, tristeza, raiva etc. Além disso, o 
sentimento de frustração é um dos últimos a ser entendido pela criança, 
Com os avanços e as transformações da Psicanálise no século XX, a família começa 
a ser vista de forma negativa sendo culpabilizada pelo surgimento de um portador 
de transtorno mental. Dessa forma, o saber psiquiátrico procura afastar o paciente do 
ambiente familiar por entender que esse ambiente, responsável pelo surgimento de 
sua doença, irá adoecê-lo ainda mais, iniciando a cultura do isolamento social.
Ainda no século XX, principalmente com a influência das teorias freudianas, a família 
entra para o rol das intervenções dos especialistas por se destacar a importância das 
relações familiares sobre o psiquismo dos sujeitos. Ao conhecer o universo familiar, 
esses especialistas buscam identificar e determinar a causa da doença na maneira 
como os pais conduzem a educação dos seus filhos, entendendo que o inadequado 
comportamento da criança como má educação ou o próprio transtorno mental 
acontecem por culpa dos pais.
Saúde Mental
Atenção e cuidado em saúde mental Capítulo 3
por isso, quando não consegue o que quer, tende a chorar 
descontroladamente para demonstrar que está insatisfeita. Percebe que, 
neste caso, estamos falando de um processo natural de desenvolvimento 
psicoemocional e mesmo após anos de estudos sobre o funcionamento 
da mente humana, ainda colocamos a culpa nos pais para justificar o 
comportamento de seus filhos?
A observação sistemática da família começa a acontecer nos anos 1950, pela pesquisa 
e intervenção direta no meio familiar, ganhando destaque o papel da mãe. Para alguns 
autores, há a importância da função da patologia dentro do grupo familiar e o paciente 
com transtorno mental passa a ser considerado o porta-voz da enfermidade de toda 
a família tendo, agora, um papel positivo, pois é considerado um agente catalizador 
que adoece para proteger o grupo familiar e manter sua homeostase. Mas essa 
caracterização do indivíduo sendo invalidado impede os processos de mudanças nos 
padrões de relacionamento do grupo.
Os estudos inserindo a família no contexto de saúde mental ganham visibilidade no 
Brasil na década de 1970, quando surgem as terapias familiares que favorecem as 
mudanças nos padrões de relacionamento e comunicação dentro do sistema familiar. 
A partir da Reforma Psiquiátrica no Brasil, é que esses conceitos são incorporados ao 
trabalho dos profissionais de saúde, dando maior atenção à relação da família com o 
portador de sofrimento psíquico. Além disso, o processo de desinstitucionalização atribui 
à família a responsabilidade do cuidado do indivíduo. Inserida como objeto de estudos, 
surgem diferentes visões sobre a família, conforme sua relação com o paciente, entre 
elas, podemos destacar:
• A família como mais um recurso, uma estratégia de intervenção.
• A família como provedora de cuidado, com auxílio dos serviços de saúde, principalmente 
nos momentos de crise.
• A família como um lugar de possível convivência para o paciente, mas não exclusivo e 
nem obrigatório.
• A família como sofredora necessitando de suporte e assistência social.
• A família como um sujeito de ação política e coletiva, construtor de cidadania e 
avaliador dos serviços de saúde.
Saúde Mental
Atenção e cuidado em saúde mental Capítulo 3
A inserção do paciente na sociedade e o apoio familiar no provimento de cuidados do 
indivíduo são um dos focos da atenção à saúde mental elaborado nos Caps, fazendo 
parte da estratégia de cuidado da equipe multidisciplinar (SANTIN; KLAFKE, 2011; CARDOSO; 
GALERA, 2011; ROSA, 2005). Borba et al. (2011, p. 443) afirmam:
A importância da relação familiar
O novo modelo de cuidado em saúde mental volta seu olhar para o indivíduocomo um 
todo, como um ser que sofre e enfrenta momentos desestabilizadores, como separação, 
perda de emprego, luto, carência afetiva, entre outros problemas cotidianos que podem 
levá-lo a procurar ajuda. Por isso, a atenção à saúde está voltada à integração social 
do sujeito, procurando mantê-lo em seu contexto familiar e comunitário, servindo como
suporte fundamental para que o sujeito mantenha vínculos, principalmente afetivos, 
revertendo o modelo manicomial. Com isso, o cuidado envolve também questões 
pessoais, emocionais, financeiras e sociais, relacionadas à convivência do paciente 
levando em consideração as inúmeras dificuldades vivenciadas tanto pelos pacientes 
Esse distanciamento da família esteve presente 
na relação sujeito-loucura até aproximadamente
a década de 80 do século passado, quando 
emergem novas possibilidades referentes ao 
papel e ao relacionamento da família com o 
portador de transtorno mental. Essas perspectivas 
ocorrem em face das novas políticas na área 
da saúde mental, consequência do movimento 
da reforma psiquiátrica que acontece no país e 
orienta a transição dos espaços de tratamento 
da instituição coercitiva e restritiva para serviços 
comunitários de atenção à saúde.
Definição
A família é considerada o conjunto de pessoas ligadas por laços de 
sangue, parentesco ou dependência, que estabelecem entre si relações 
de solidariedade e tensão, conflito e afeto, entre outros aspectos, e (se 
Saúde Mental
Atenção e cuidado em saúde mental Capítulo 3
Essa nova perspectiva em relação à saúde mental leva a confirmar a importância e a 
necessidade da participação familiar no cuidado de seus parentes com transtornos 
mentais. Dessa forma, a família passa a ser posicionada como parceira no tratamento 
nos novos ambientes de atendimento, sendo inserida como unidade de atenção e 
cuidado. Borba et al. (2011, p. 443) destacam que:
Para isso, é necessária a capacitação de todos os sujeitos envolvidos nesse processo 
(pacientes, familiares, profissionais e sociedade) para entender melhor os transtornos 
mentais, quebrando as barreiras e restaurando de acordo com os recursos disponíveis 
a autonomia desse indivíduo para viver em sociedade.
Na fase inicial do transtorno mental, a família tem um papel fundamental na construção 
de uma nova trajetória para o paciente, mas seus recursos emocionais, temporais e 
econômicos, além de seus conhecimentos têm que ser bem direcionados; é função 
essencial dos trabalhadores e dos serviços psiquiátricos fornecer orientação à família. 
Vale ressaltar que a busca pelos serviços em saúde mental acontece nas crises do 
paciente, momento em que a família está fragilizada e mais acessível às informações 
prestadas pela equipe e com facilidade para manter o tratamento, apesar de existir 
receio de os psicofármacos produzirem dependência.
A família, portanto, deve ser considerada como 
ator social indispensável para a efetividade da 
assistência psiquiátrica e entendida como um 
grupo com grande potencial de acolhimento e 
ressocialização de seus integrantes. Exemplos 
de transformação no campo da saúde mental 
que tem exigido a inclusão da família no plano 
de cuidados são a criação e ampliação de uma 
rede comunitária de atendimento às pessoas 
com transtorno mental e a redução do tempo de 
internação em instituição psiquiátrica.
Saúde Mental
Atenção e cuidado em saúde mental Capítulo 3
Saiba Mais
O que caracteriza o cuidador: ser uma pessoa, membro ou não da 
família, que, com ou sem remuneração, cuida do doente ou dependente 
no exercício das suas atividades diárias, tais como alimentação, higiene 
pessoal, medicação de rotina, acompanhamento aos serviços de saúde 
e demais serviços requeridos no cotidiano como a ida a bancos ou 
farmácias, excluídas as técnicas ou os procedimentos identificados 
com profissões legalmente estabelecidas, particularmente na área da 
enfermagem.
A atenção e o cuidado em saúde mental é decorrente de uma intrínseca relação 
entre os serviços de saúde, seus profissionais, o paciente e sua família, considerando 
as particularidades de cada contexto cultural, social e econômico. Em muitos casos, o 
cuidador está inserido no núcleo familiar deste paciente, por isso, é primordial conhecer 
melhor quem são estes familiares cuidadores, uma vez que se tornam parceiros da 
assistência em saúde mental.
Apesar do aspecto positivo da promoção dos laços familiares e sociais, a responsabilidade 
pelo cuidado do paciente é marcada, muitas vezes, pela sobrecarga do cuidador, em 
geral, devido à falta de orientação e de apoio necessários para o desempenho do papel 
que assumem no dia a dia.
Observa-se ainda que as associações de familiares são compostas preponderantemente 
por mães, em geral, com idade em que também podem estar precisando de cuidados. 
O que leva ao desgaste emocional e a consequente necessidade de cuidado com o 
cuidador (SANTIN; KLAFKE, 2011; CARDOSO; GALERA, 2011; MARTINS; LORENZI, 2016; ROSA, 2005).
Portanto, a família deve ser vista como ator social fundamental para a efetividade da 
psicoterapia e compreendida como um grupo com grande potencial para acolher e 
reassentar seus membros. Exemplos de transformações da saúde mental que exigem 
o envolvimento da família no planejamento do cuidado incluem a criação e expansão 
de redes comunitárias para cuidar de pessoas com transtornos mentais e a redução de
internações em instituições mentais.
Saúde Mental
Atenção e cuidado em saúde mental Capítulo 3
Dificuldades na inserção da família no cuidado
Alguns pesquisadores argumentam sobre a inclusão da família em tratamentos 
terapêuticos como sendo decisiva e essencial para a resposta de pacientes psiquiátricos. 
Entretanto, é um processo que ocorre com tensões e contradições, pois, em alguns 
casos, há a simples devolução do paciente para a família, em razão da desarticulação 
dos manicômios, sem que tenha havido a criação efetiva de recursos de assistência 
substitutivos e sem considerar adequadamente a estrutura social para a qual se 
devolviam os pacientes.
Uma dificuldade encontrada nesse modelo é deixar claro para os familiares e cuidadores 
os benefícios das mudanças em curso, pelo temor de terem que assumir sozinhos as 
sobrecargas no ambiente doméstico. Além disso, o familiar, exausto e estigmatizado, 
muitas vezes teme tornar pública a condição de sua família, sendo exposto como 
representante da “saúde mental” e conviver com o rótulo de “familiar de louco”. Esse 
estereótipo sobre os transtornos mentais, muitas vezes, leva a família a tentar resolver 
o problema internamente primeiro e, quando não consegue, chega a um serviço 
psiquiátrico com sentimento de impotência, exaustão, culpa e desespero.
Outra dificuldade encontrada vem da própria equipe de saúde sobre a forma de inclusão 
da família e o lugar que ela poderia ocupar que nem sempre corresponde ao seu desejo 
e às possibilidades reais principalmente nos casos de famílias com possibilidades 
limitadas. Além disso, poucos profissionais são capacitados academicamente para 
trabalhar com a família, e os que são, na grande maioria, estão preparados para lidar 
com famílias de classe média não com famílias de baixa renda, em geral, com baixa 
escolaridade e dificuldade de relatar os acontecimentos. Esse profissional está pouco 
Importante
Os avanços da assistência à saúde mental são consideráveis, porém, 
a dificuldade dos familiares em conviver com o indivíduo leva a um 
processo de sucessivas internações, esse fenômeno é conhecido como 
porta giratória.
Saúde Mental
Atenção e cuidado em saúde mental Capítulo 3
habilitado para entender códigos culturais, comportamentais e linguísticos dessa 
população, confundindo, muitas vezes, pobreza econômica e material com pobreza 
cultural (SANTIN; KLAFKE, 2011; CARDOSO; GALERA, 2011; MARTINS; LORENZI, 2016; ROSA, 2005).
Além disso, deve-se ter em mente que a convivência de uma família com uma pessoa 
com transtorno mental nem sempre é harmoniosa, caracteriza-se por tensõese conflitos, 
pois nesse espaço é mais fácil expressar sentimentos. Como um grupo vivo, a família 
requer, portanto, a capacidade de seus membros de repensar e reajustar continuamente 
suas estratégias e dinâmicas internas. Isso exige respeito à individualidade do sujeito, 
afinal, as pessoas existem no mundo, pensam, interpretam os fatos e agem de forma 
diferente mesmo morando na mesma casa.
O cuidado com o cuidador
Quando se identifica o aparecimento de um paciente com transtorno mental na família, 
A família é uma unidade social complexa e 
fundamental para o processo de viver de todo ser 
humano, que se concretiza por meio da vivência, 
que é dinâmica e singular. Ela não é formada 
apenas por um conjunto de pessoas, mas pelas 
relações e ligações entre elas. E, ao longo da 
trajetória familiar, seus integrantes passam por 
situações de crise, sejam estas previsíveis ou 
não, ligadas aos processos de transição como 
nascimento, mudança de emprego, casamento, 
saída de casa dos filhos, ou a situações adversas, 
como a doença. A capacidade da família 
de ajustar-se a novas situações, como a de 
conviver com um membro com doença crônica, 
depende das fortalezas que possui, dos laços de 
solidariedade que agrega e da possibilidade de 
solicitar apoio das outras pessoas e instituições. 
(BORBA et al., 2011, p. 443)
Saúde Mental
Atenção e cuidado em saúde mental Capítulo 3
 acontece um momento de crise, modificação da rotina familiar e até conflito entre os 
membros.
Além disso, o cuidado com uma pessoa adulta, principalmente se for considerado 
líder da família (pai ou mãe, por exemplo), gera a necessidade da reconstrução da 
unidade familiar, tornase importante que todos os membros aprendam a se relacionar 
com o transtorno mental, com os serviços de saúde mental e com a linguagem dos 
profissionais que, muitas vezes, não estão preparados para conversar com a população 
sem a educação na área e, muitas vezes, com baixo grau de instrução.
Entre as ações e os serviços realizados pelos Centros de Atenção Psicossocial, está o 
acompanhamento dos familiares do paciente. Em geral, há reuniões semanais nas quais 
se trocam experiências com familiares de outros pacientes, e eles recebem suporte 
para tirarem dúvidas sobre o tratamento e o manejo do paciente, além de este ser 
um momento para que o familiar (em geral o cuidador) possa desabafar acerca de 
suas angustias e seu cansaço e também falar sobre si enquanto pessoa. Normalmente, 
esses grupos não têm número de participantes definidos por não ser uma obrigação 
relacionada ao tratamento.
É importante ressaltar que a sobrecarga do cuidador pode implicar em graves 
consequências ao cuidador e até mesmo ao paciente e toda a família. Essa sobrecarga 
caracteriza-se como uma experiência de fardo a carregar descrita por mudanças 
no cotidiano relacionadas ao processo de cuidado, implementação de hábitos e 
principalmente às maiores responsabilidades. Estas mudanças, muitas vezes, exigem 
Saiba Mais
Existem dois tipos de cuidadores: os cuidadores formais que são profissionais 
de saúde, geralmente enfermeiros ou técnicos de enfermagem com 
competências centradas na manutenção deste perfil de paciente, que 
são pagos, geralmente, pela própria família, para cuidarem do paciente. 
Já os cuidadores informais são, muitas vezes, familiares, principalmente 
do sexo feminino, não remunerados, orientados pelos serviços de saúde. 
Mas em ambos os casos, a sobrecarga emocional é evidente devido à 
proximidade com o paciente emocionalmente instável.
Saúde Mental
Atenção e cuidado em saúde mental Capítulo 3
adaptações de toda a família e podem interferir nas necessidades do cuidador, gerando 
acúmulo de responsabilidades que levam ao estresse e até ao adiamento de planos 
pessoais do cuidador.
As maiores dificuldades que os cuidadores informais relatam são relativas a condições 
financeiras, pois, muitas vezes, o cuidador tem que parar de trabalhar para cuidar de 
seu parente. Mas também são relatadas dificuldades como falta de suporte social, baixo 
nível de funcionamento dos pacientes, baixa escolaridade dos pacientes e familiares, 
estratégias ineficientes de enfrentamento, entre outras.
Uma característica marcante encontrada por Cardoso (2015), quando fez uma análise 
de vários estudos sobre o perfil do cuidador de paciente em saúde mental, é a presença 
feminina no papel de cuidador principal. Mostrando que o cuidado à saúde está ligado 
a questões socioculturais que incorporam à mulher o papel de principal provedora 
de cuidados à família e aos necessitados, o que muitas vezes é entendido como uma 
obrigação moral. Nesse estudo, o autor descreve que a sobrecarga relacionada ao 
cuidado favorece o adoecimento do próprio cuidador o qual negligencia o autocuidado 
a favor do cuidado ao próximo; é observada menor qualidade de vida do cuidador com 
maior risco de desenvolvimento de doenças emocionais como depressão, diretamente 
relacionadas à dependência do paciente, além da redução da atenção com os demais 
membros da família. Cardoso (2015) relata que a atenção ao cuidador ainda necessita 
de maiores estudos para observar suas necessidades e intervenções por parte dos 
profissionais e serviços da área da saúde.
Resumindo
E então? Conseguiu compreender mais profundamente as temáticas 
relacionadas à atenção e ao cuidado em saúde mental? Vimos até 
aqui a importância da família como suporte social para o paciente, e a 
necessidade, principalmente do cuidador, da integração e participação 
das ações e dos serviços de saúde para conseguir entender melhor o 
processo da doença e do cuidado sendo um elemento adicional no 
tratamento. Aprendemos que outro aspecto importante é a saúde física 
e mental do cuidador, para que ele esteja bem para poder exercer sua 
Saúde Mental
Atenção e cuidado em saúde mental Capítulo 3
função de cuidador sem sobrecarregar-se.
Saúde Mental
4
Matriciamento em 
saúde mental
Capítulo 4
Matriciamento em saúde
mental
Objetivos
Entendendo que a atenção básica, em geral, é a porta de entrada 
dos indivíduos para o atendimento no Sistema Único de Saúde, vamos 
aprender neste capítulo sobre a equipe de apoio matricial. Essa equipe 
foi criada para dar suporte para a unidade básica para que ela possa 
identificar casos que necessitam de um acompanhamento mais 
específico e especializado. Então, animado para conhecer mais acerca 
desta temática?
Definição
O matriciamento, também chamado de apoio matricial, é um novo 
modelo de produzir saúde em que duas ou mais equipes, em um processo 
de construção compartilhada, criam uma proposta de intervenção 
pedagógico-terapêutica.
O que é matriciamento em saúde mental
Tradicionalmente, o Sistema Único de Saúde se organizava de uma forma vertical 
(hierárquica), com diferença de autoridade entre quem encaminha um caso e quem o 
recebe, e consequente transferência de responsabilidade ao encaminhar. A comunicação 
entre os níveis hierárquicos ocorre, muitas vezes, de forma precária e irregular sem uma 
boa resolubilidade. A nova proposta integradora, conhecida como Redes de Atenção à
Saúde, traz um novo modelo horizontalizado no qual a Unidade de Saúde é, em geral, 
porta de entrada, responsável pelo fluxo e contrafluxo de cada paciente, integrando os 
componentes e seus saberes nos diferentes níveis assistenciais.
Saúde Mental
Matriciamento em saúde mental Capítulo 4
DEFINIÇÃO:
O matriciamento, também chamado de apoio matricial, é um novo modelo de produzir 
saúde em que duas ou mais equipes, em um processo de construção compartilhada, 
criam uma proposta de intervenção pedagógico-terapêutica.
Na horizontalização decorrente do processo de matriciamento, o sistema de saúde se 
reestrutura em dois tipos de equipes:
• Equipe de referência;
• Equipe de apoio matricial.
Nessa estrutura, a Atenção Primária à Saúde (APS), por exemplo, a equipe de Estratégia 
em Saúde da Família (ESF), funciona como equipes de referência interdisciplinares, 
atuando com uma responsabilidade,incluindo o cuidado longitudinal, além do 
atendimento especializado que realiza concomitantemente. Quanto à estas equipes, 
Gazignato e Silva (2014, p. 297) afirmam que:
O Programa de Saúde da Família (PSF) foi criado em 
1994 pelo Ministério da Saúde, visando a modificar 
a prática da atenção básica. O PSF passa a ser 
denominado Estratégia de Saúde da Família (ESF) 
quando deixa de ser apenas um programa para 
se tornar a estratégia principal de organização 
da atenção básica. Assim, trabalha numa 
perspectiva de saúde ampliada e integral, com 
equipes multiprofissionais responsabilizadas por 
um número de pessoas de uma região delimitada. 
A ESF foi elaborada como uma estratégia de 
reorientação do modelo assistencial à saúde, 
baseado até então no modelo biomédico, na 
prática hospitalo cêntrica e no uso inapropriado 
dos recursos tecnológicos disponíveis. Nessa 
estratégia, propõe-se que a atenção básica se 
configure como porta de entrada do sistema de 
saúde.
Saúde Mental
Matriciamento em saúde mental Capítulo 4
E a equipe de apoio matricial é uma equipe específica de saúde mental, caracterizada 
como um suporte técnico especializado ofertado a uma equipe interdisciplinar em 
saúde a fim de ampliar seu campo de atuação e qualificar suas ações como o Caps. 
Gazignato e Silva (2014, p. 297) ressaltam:
Os profissionais matriciadores em saúde mental na atenção primária podem ser 
psiquiatras, psicólogos, terapeutas ocupacionais, fonoaudiólogos, assistentes sociais e 
enfermeiros de saúde mental. Dessa forma, existem áreas de atuação específicas de 
cada especialidade ou profissão (área de saber e de prática profissional), chamada de 
núcleo, e um espaço de limites imprecisos em que cada disciplina ou profissão buscaria 
em outras o apoio para cumprir suas tarefas teóricas e práticas, chamada de campo. 
Portanto, o processo de cuidado não é monopólio nem ferramenta exclusiva de nenhuma 
especialidade, pertencendo a todo o campo da saúde, assim, o matriciamento é um 
processo multidisciplinar por natureza para a construção do conhecimento.
Conforme a perspectiva da inserção da pessoa 
com transtorno mental nos equipamentos 
comunitários, num contexto de rede social, aos 
poucos, começa a implantação dos equipamentos
substitutivos: os Centros de Atenção Psicossocial 
(Caps), as Residências Terapêuticas, os Centros 
de Convivência, as Oficinas de Trabalho e as 
Enfermarias Psiquiátricas em Hospital Geral (GAMA; 
CAMPOS, 2009). O Caps é um serviço estratégico 
para promover a desospitalização e a reinserção 
social, compatíveis com os princípios da Reforma 
Psiquiátrica e com as diretrizes da Política Nacional
de Saúde Mental. Porém, os Caps e os outros 
equipamentos substitutivos não são, ainda, 
suficientes para a cobertura da demanda de 
saúde mental nas diversas realidades do País.
Saúde Mental
Matriciamento em saúde mental Capítulo 4
A inserção das práticas de saúde mental na atenção primária à saúde demonstra 
a busca pela regionalização da atenção à saúde e seu direcionamento para as 
questões de acordo com a integralidade e humanização do cuidado, conectando-se 
a especialistas e serviços já localizados nas regiões. Gazignato e Silva (2014, p. 298) 
destacam que:
Nunes et al. (2007) identificaram os princípios da 
integralidade e da participação social, além das 
propostas de ampliação do conceito de saúde-
doença, da interdisciplinaridade no cuidado e 
da territorialização das ações, como questões 
que orientam tanto o modelo psicossocial da 
saúde mental como a ESF. Esta última funcionaria 
como um importante articulador da rede de 
saúde mental, na tentativa de superar o modelo 
hospitalocêntrico e centrar o cuidado na família. 
Entretanto, a implementação de ações de saúde 
mental na saúde da família ainda está em 
processo de consolidação, uma vez que a ESF pode 
ser entendida como uma tecnologia de produção 
do cuidado em saúde mental a ser explorada e 
mais bem desenhada como possibilidades de 
atenção comunitária.
Importante
A equipe de apoio não é responsável pelo encaminhamento ao 
especialista, nem pela intervenção psicossocial coletiva ou atendimento 
individual, pois isso faz parte da atividade da equipe de referência. 
Funciona como a retaguarda especializada da assistência e um suporte 
técnico pedagógico para maior qualificação do cuidado na unidade 
básica sendo um dispositivo para a formação continuada, por meio de 
discussões de textos, casos e situações, contribuindo para a ampliação 
da clínica. Assim, torna-se possível compartilhar casos e situações 
com a equipe de saúde local, favorecendo a corresponsabilização, a 
horizontalização do cuidado.
Saúde Mental
Matriciamento em saúde mental Capítulo 4
A saúde mental é um tema bastante complexo e pouco desenvolvido pelas equipes da 
ESF, principalmente, junto às famílias, devido à falta de treinamento ou conhecimento 
específico dos profissionais sobre o assunto. Entretanto, a ESF constitui uma estratégia 
ideal para trabalhar a saúde mental, pois, suas equipes apresentam-se engajadas no 
dia a dia da comunidade, com a perspectiva de melhorar as condições de vida da 
população, incorporando ações de promoção e educação para a saúde. Para isso, 
o suporte técnico e de conhecimento da equipe de apoio matricial se torna uma 
ferramenta eficaz para o acompanhamento dos pacientes com transtornos mentais e
seus familiares.
Seguindo este caminho, o Ministério da Saúde conseguiu propor uma estratégia do 
Apoio Matricial (AM), ou Apoio Matricial em Saúde Mental, para facilitar o direcionamento 
do fluxo na rede e facilitar a integração entre os equipamentos de saúde mental e 
a ESF. De acordo com a Unidade Coordenadora de Saúde Mental, nos documentos 
apresentados às conferências regionais sobre a reforma dos serviços de saúde mental, 
o AM é: “um arranjo organizacional que viabiliza o suporte técnico em áreas específicas 
para equipes responsáveis pelo desenvolvimento de ações básicas de saúde” (BRASIL, 
2008, p. 34).
É a partir deste arranjo que a equipe de saúde mental consegue compartilhar alguns 
casos com a equipe de cuidados primários. Esse compartilhamento se dá na forma 
de corresponsabilização dos casos, seja por meio de revisões conjuntas de casos, 
intervenções conjuntas com famílias e comunidades, ou cuidado compartilhado, 
podendo ser na forma de supervisão e treinamento.
O Apoio Matricial surgiu a partir da constatação de 
que a reforma psiquiátrica não pode avançar se a 
atenção básica não for incorporada ao processo. 
Concentrar esforços somente na rede substitutiva 
não é suficiente, é preciso estender o cuidado em 
saúde mental para todos os níveis de assistência, 
em especial, da atenção básica. Entretanto, sabe-
se que as equipes de atenção básica se sentem 
desprotegidas, sem capacidade de enfrentar 
as demandas em saúde mental que chegam 
Saúde Mental
Matriciamento em saúde mental Capítulo 4
Uma equipe de referência de profissionais da ESF são responsáveis pela gestão 
individual, familiar ou comunitária, com uma metodologia de trabalho voltada para 
garantir o suporte profissional tanto na enfermagem quanto na educação profissional e 
apoiadores. Especialistas agregam conhecimento às equipes de referência e contribuem 
para intervenções que melhoram as habilidades de resolução de problemas. 
O matriciamento constitui-se em uma ferramenta de transformação, não só do processo 
de saúde e doença, mas de toda a realidade dessas equipes e da comunidade. A 
equipe de apoio matricial pode ser acionada para participar ativamente do projeto 
terapêutico:
• Nos casos em que a equipe de referência percebe a necessidade de apoio da saúde 
mental para conduzir e abordar um caso que exige esclarecimento de diagnóstico, 
estruturação de um projeto terapêutico e abordagem da família.
• Quando há necessidade de suporte para realizar intervenções psicossociais específicas 
da atenção primária, como grupos de pacientes com transtornos mentais. 
cotidianamente ao serviço, especialmente os 
casos

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