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Ta1 - Gestão, Qualidade e Segurança do Paciente 1. Como o biomédico pode atuar dentro do núcleo de segurança dos pacientes? O biomédico pode atuar de diversas maneiras, como na prevenção de erros, controle de infecções e garantia da qualidade dos processos diagnósticos e terapêuticos. Ele pode garantir a precisão e confiabilidade dos exames laboratoriais, padronização de processos laboratoriais para evitar erros pré-analíticos, analíticos e pós-analíticos, atuação em análises que evitam reações adversas a medicamentos com base no perfil genético do paciente, auxílio na escolha do tratamento mais seguro e eficaz, o monitoramento de surtos hospitalares por meio da identificação de agentes infecciosos etc. 2. Quais riscos laboratoriais podem impactar diretamente na segurança dos pacientes? Os riscos pré-analíticos que ocorrem antes da análise, como identificação incorreta do paciente: amostras trocadas podem levar a diagnósticos errados e tratamentos inadequados, o orro na coleta da amostra: uso de tubos errados, volume inadequado ou técnica incorreta pode comprometer os resultados e armazenamento e transporte inadequados: podem degradar a amostra, afetando a confiabilidade dos testes. Os riscos analíticos que ocorrem durante a realização do exame no laboratório, como falhas em equipamentos e reagentes: má calibração ou reagentes vencidos podem gerar resultados incorretos, o erro humano na execução dos testes: falta de treinamento ou desatenção compromete a exatidão do exame e a contaminação da amostra: pode levar a resultados falsos positivos ou negativos. E os riscos pós-analíticos que ocorrem após a análise do exame, como interpretação incorreta dos resultados: pode induzir médicos ao erro na conduta terapêutica, o atraso na liberação dos resultados: pode comprometer o início oportuno de um tratamento e falhas na comunicação com a equipe assistencial: perda de informações ou resultados não enviados ao prontuário. 3. Como o uso de protocolos e checklist pode reduzir erros na rotina biomédica? O uso de protocolos e checklists na rotina biomédica é uma ferramenta essencial para padronizar processos, prevenir falhas e garantir a segurança do paciente. Eles atuam como barreiras contra erros humanos e aumentam a consistência e confiabilidade das atividades laboratoriais. Os checklists garantem que nenhuma etapa crítica seja esquecida, desde a identificação correta do paciente até o registro dos resultados. Checklists clínicos laboratoriais podem guiar decisões sobre quando repetir exames ou realizar novos testes confirmatórios, garantem o uso correto de EPIs, descarte de materiais e calibração de equipamentos. Já o checklists de passagem de plantão ou de conferência de amostras reduzem ruídos na comunicação e aumentam a eficiência da equipe biomédica. Os protocolos de biossegurança e de controle de qualidade evitam contaminações, exposições e erros analíticos. Se eles forem bem definidos asseguram que todos os profissionais sigam as mesmas etapas, reduzindo a variabilidade nos resultados. Isso é vital em exames sensíveis, como testes hormonais, microbiológicos e moleculares. 4. Porque é importante a rastreabilidade de amostras biológicas nos laboratórios clínicos? A rastreabilidade de amostras biológicas nos laboratórios clínicos é fundamental para garantir a segurança do paciente, a confiabilidade dos resultados e a qualidade do serviço prestado. Ela permite acompanhar todo o percurso da amostra, desde a coleta até a liberação do laudo, e identificar rapidamente qualquer falha ou desvio no processo. A rastreabilidade de amostras biológicas evita troca de amostras e erros de diagnóstico, permite confirmar que os resultados analisados pertencem de fato ao paciente correto. Caso um resultado seja inconclusivo ou questionado, a amostra pode ser localizada, reavaliada ou repetida, se estiver dentro do prazo de estabilidade. Isso reduz a necessidade de nova coleta, melhorando a experiência do paciente. Se uma amostra de sangue coletada para tipagem sanguínea é rotulada incorretamente. Sem rastreabilidade, o erro só será descoberto após uma transfusão errada, com risco de morte. Com rastreabilidade, o erro é detectado antes, evitando o dano. 5. Você acredita que a cultura de segurança está presente nos laboratórios? Por quê? A cultura de segurança ainda não está totalmente consolidada nos laboratórios clínicos como deveria estar, mas há avanços importantes, especialmente onde há acreditação, regulação rigorosa e educação permanente da equipe. Ainda há a falta de treinamento sistemático sobre segurança, baixo investimento em gestão de riscos e controle de qualidade, enfoque excessivo na produtividade em vez da segurança, comunicação deficiente entre setores, a ausência de notificação e análise de erros (subnotificação de eventos adversos) etc. 6. Quais ações poderiam ser implantadas em um laboratório de análises clínicas para alinhar-se ao plano global de segurança do paciente? Um laboratório de análises clínicas deve adotar ações que fortaleçam a cultura de segurança, reduzam riscos evitáveis e garantam qualidade contínua nos serviços prestados, como a capacitação contínua da equipe sobre segurança do paciente, biossegurança e boas práticas laboratoriais, o estímulo à notificação de erros e quase-erros sem punição, promovendo a cultura do aprendizado, criar e revisar regularmente protocolos operacionais padrão (POPs), utilizar checklists para coleta, transporte, análise e liberação de exames, garantir a identificação correta do paciente e das amostras, conforme as metas internacionais de segurança, usar sistemas informatizados com código de barras para registrar cada etapa do ciclo da amostra, permitir rastrear quem coletou, processou, analisou e liberou o resultado, implementar dupla checagem em exames críticos ou de alto risco, manter um programa interno de controle de qualidade, participar de ensaios de proficiência externa etc. Aa1 - Gestão, Qualidade e Segurança do Paciente As Metas Internacionais de Segurança do Paciente As metas internacionais de segurança do paciente foram instituídas a partir de uma aliança global para eliminar ou diminuir, em todo o mundo, os riscos e não conformidades no atendimento médico e prestação de serviços de saúde. Elas foram criadas em 2006 pela Joint Commission International (JCI), entidade sem fins lucrativos responsável pela acreditação de instituições de saúde nos Estados Unidos, em parceria com a Organização Mundial da Saúde (OMS). São seis metas ao todo, que visam garantir as melhores práticas durante o atendimento ao paciente, oferecendo qualidade e segurança. O objetivo é eliminar ou reduzir a exposição dos pacientes a riscos e não conformidades que poderiam ser evitados. As metas internacionais de segurança do paciente, além de oficializadas pela OMS, formam a base para as políticas públicas de segurança na saúde. No Brasil, em 2013, o Ministério da Saúde instituiu, por meio da Portaria 529, o Programa Nacional de Segurança do Paciente (PNSP), que também define diretrizes sobre essas metas. “O PNSP tem o objetivo de contribuir para a qualificação do cuidado em saúde. O estímulo a uma prática assistencial segura se baseia em um conjunto de protocolos básicos, definidos pela Organização Mundial da Saúde, que são as seis Metas Internacionais de Segurança do Paciente. Os protocolos são fundamentais na prevenção de eventos adversos e para fortalecer a segurança dos pacientes”. 1. Qual é o objetivo da identificação correta do paciente? Assegurar ao paciente o tratamento correto. 2. Em qual momento deve ser feita a identificação do paciente e por quem? Antes de qualquer serviço ou procedimento a ser realizado. Seja antes da administração de um medicamento ou realização de uma terapia. 3. O que fazer para melhorar esse para garantir a segurança do cuidado? 4. Como o serviço de nutrição hospitalar está inserido na segurança do paciente? Na área dos serviços de alimentação e nutrição hospitalar a identificação do paciente na gestão e oferta das dietashospitalares é de suma importância, pois confere segurança ao processo, indica qualidade na assistência nutricional, com a consequente melhoria da terapêutica do paciente. 5. Qual a função do farmacêutico na alta hospitalar do paciente? Sabemos que qualquer medicação, mesmo aquelas que podem ser compradas sem prescrição médica, devem ser usadas de forma adequada para que o resultado seja positivo e nenhum dano ocorra para a segurança do paciente. Além das questões pertinentes à distribuição e dispensação de medicamentos A avaliação farmacêutica da prescrição é parte essencial do processo de garantia da segurança do paciente. Para tanto, deve-se assegurar que a prescrição contenha no mínimo as seguintes informações de identificação: ✓ Nome completo do paciente, com seu registro de atendimento/prontuário, leito/setor, idade; ✓ Nome completo do prescritor, seu registro no conselho e assinatura; ✓ Dados que identifiquem a instituição; ✓ Data da prescrição, lembrando que esta terá validade máxima de 24 horas. Após este período a dispensação só será feita mediante contato médico. 6. Como deve ser a relação entre a equipe multiprofissional em relação a administração de medicamentos, dietas, sondas e conexões? Deve haver uma comunicação clara entre os profissionais, e todos devem seguir as diretrizes do programa da Organização Mundial de Saúde. Deve haver um esforço coletivo, com o objetivo de que todo procedimento seja realizado como planejado, baseando-se em um protocolo de segurança. As medidas adotadas contribuem para reduzir a ocorrência de eventos adversos que podem apresentar riscos ou danos aos nossos pacientes. 7. Alguns medicamentos são considerados críticos e denominados Medicamentos ou Drogas de Alta Vigilância. Quais medidas especiais de segurança devem ser tomadas para evitar que erros aconteçam? Primeiramente, fazer uma lista dos medicamentos ou drogas de alta vigilância, depois utilizar etiquetas de cor vermelha, amarela, branca e até embalagem de cor marrom para diferenciar os medicamentos da maneira correta. A dispensação é separada dos demais medicamentos do paciente e o armazenamento é feito separadamente nas áreas assistenciais, restringindo o acesso e prevenindo o erro na administração. 8. O que é protocolo da cirurgia segura? Quais são os objetivos? São etapas que precisam ser seguidas para que sejam asseguradas cirurgias com o paciente correto, procedimento correto e local de intervenção correto. 9. Quais ações são recomendadas pela OMS para utilizar o protocolo de cirurgia segura? Primeira: a marcação do local da intervenção, quando indicada, envolvendo o médico que estará presente no procedimento e o paciente. Segunda: a aplicação da lista de verificação, que consiste em conferir se o paciente, o procedimento e o local de intervenção estão corretos, se os documentos e exames estão disponíveis e se os equipamentos necessários estão presentes e funcionando adequadamente. Terceira: a pausa, que é o momento de checagem de todos os itens imediatamente antes do início do procedimento. 10. Quais ações são necessárias para garantir a segurança da criança no protocolo de cirurgia segura? 11. Como familiar/acompanhante de uma criança a ser operada poderá participar do protocolo de cirurgia segura? 12. Como o fisioterapeuta pode auxiliar a equipe e o paciente no risco de queda? Avaliação do risco de quedas por meio de instrumentos adequados por faixa etária, como a escala de Morse nos adultos, utilização de pulseira para sinalizar o paciente com risco de quedas, orientação do paciente, da família e dos profissionais para que mantenham grades do leito e do braço elevadas e rodas travadas, campainha ao alcance da mão, vigilância constante e transporte seguro do paciente. 13. Como deve ser a comunicação efetiva entre os profissionais? A troca de informações entre os profissionais dos setores, seja de maneira eletrônica, verbal ou por escrito deve ser realizada com total objetividade e clareza, para que não fique nenhuma dúvida entre os interlocutores. 14. Recomendado pela OMS, a higienização das mãos deve ser realizada por todos os profissionais de saúde, em cinco momentos diferentes. Quais são eles? Antes do contato com o paciente, antes da realização de procedimento asséptico, após a exposição a fluidos corporais, após o contato com o paciente, após contato com as áreas próximas ao paciente.