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GINEAD ÉTICA E LEGISLAÇÃO PROFISSIONAL Unidade 3 - Ética e responsabilidade social 2 ÉTICA E LEGISLAÇÃO PROFISSIONAL GINEAD UNIDADE 3 OBJETIVO Ao final desta unidade, esperamos que possa: > Conhecer a evolução histórica da responsabilidade social nas empresas. > Entender a relação sistêmica das empresas com seus parceiros e suas implicações éticas. > Discutir os principais elementos da Política de Responsabilidade Social das empresas. > Reconhecer as principais certificações internacionais em responsabilidade corporativa. GINEAD Todos os direitos reservados. Prezado(a) aluno(a}, este material de estudo é para seu uso pessoal, sendo vedada, por quaisquer meios e a qualquer título, a sua reprodução, venda, compartilhamento e distribuição. 3 ÉTICA E LEGISLAÇÃO PROFISSIONAL GINEADGINEAD 3 ÉTICA E RESPONSABILIDADE SOCIAL INTRODUÇÃO DA UNIDADE Esta unidade abordará uma reflexão sobre a ética no desenvolvimento profis- sional e na vida empresarial, entendendo como ela pode ser aplicada, na prá- tica, no universo organizacional e pensando em como os valores impactam na credibilidade e na reputação de uma empresa no mercado. Assim, o estudo apresentará algumas das principais certificações acerca da responsabilidade social empresarial, compreendendo como esse conceito deve ser trabalhado nas empresas. Além disso, esta unidade tratará da dua- lidade entre o discurso e a prática da responsabilidade social, apresentando exemplos de empresas que adotam a SER. 3.1 RESPONSABILIDADE SOCIAL: CONSTRUÇÃO HISTÓRICA E CONCEITOS GERAIS Para que as atividades possam ser consideradas socialmente responsáveis, você acredita que são necessários parâmetros de atuação dentro de uma empresa? Moral, ética e cultura trarão justamente os valores que serão inseparáveis da noção de responsabilidade social. 4 ÉTICA E LEGISLAÇÃO PROFISSIONAL GINEAD FIGURA 1 – VALORES E ÉTICA NO AMBIENTE EMPRESARIAL Fonte: Plataforma Deduca (2019). Por isso, responsabilidade e moralidade são noções importantes para que se possa che- gar à responsabilidade social corporativa. Nesse ponto, é necessário fazermos uma contextualização do cenário empresarial ao longo da história. O primeiro objetivo das corporações era o lucro para os acionistas. Após os efeitos da Grande Depressão e da Segunda Guerra Mundial (1945), a ideia de que a corporação deveria responder apenas a seus acionistas foi duramente criticada. Os acionistas eram considerados passivos pro- prietários que abdicavam de controle e da responsabilidade em favor da diretoria da corporação. Em um contexto de expansão do tamanho das corporações e de seu poder sobre a sociedade, Dessa forma, pode- se entender que a responsabilidade social das empresas se refere ao conjunto de mecanismos simbólicos utilizados para organizar a realidade. 5 ÉTICA E LEGISLAÇÃO PROFISSIONAL GINEAD ocorrido pela necessidade de desenvolvimento econômico do pós-guerra, foram vistas diversas decisões nas cortes norte-americanas favoráveis às ações filantrópicas das corporações, uma vez que o entendimento de que as empresas precisavam devolver à sociedade parte do que com ela lucram começou a fazer parte do pensamento jurídico. Em um dos mais importantes litígios dos EUA acerca da filantropia empresarial, o caso A.P Smith Manufacturing Co. X Barlow, de 1953, retomou- se o debate público sobre a responsabilidade social corporativa. Nesse caso, a interpretação da Suprema Corte de Nova Jersey quanto à inserção da corporação na sociedade e suas respectivas responsabilidades foi favorável à doação de recursos para a Universidade de Princeton, contrariamente aos interesses de um grupo de acionistas. A justiça determinou, então, que uma corporação pode buscar o desenvolvimento social, estabelecendo em lei a filantropia corporativa. A partir de então, defensores da ética e da responsabilidade social corpora- tiva passaram a argumentar que se a filantropia era uma ação legítima da corporação, então outras ações que priorizavam objetivos sociais em relação aos retornos financeiros dos acionistas seriam de igual legitimidade, como o abandono de linhas de produtos lucrativos, porém nocivos ao meio ambiente natural e social. 6 ÉTICA E LEGISLAÇÃO PROFISSIONAL GINEAD FIGURA 2 – PARA ESTAR DE ACORDO COM A RESPONSABILIDADE SOCIAL, EMPRESAS DEVERIAM ABANDONAR PRODUTOS LUCRATIVOS QUE SÃO NOCIVOS AO MEIO AMBIENTE Fonte: Plataform a Deduca (2019). Assim, no final da década de 1960 começou-se a discutir, no meio empresarial e acadêmico, a importância da responsabilidade social corporativa pela ação de seus dirigentes e administradores. Para compreender melhor esse contexto, assista ao filme O Poder e a Lei (2011), do diretor Brad Furman, e analise as semelhanças, as diferenças e os conflitos entre a lei e a ética. 7 ÉTICA E LEGISLAÇÃO PROFISSIONAL GINEAD 3.2 ABORDAGEM SISTÊMICA E CORRELAÇÃO COM A ÉTICA EMPRESARIAL A responsabilidade social é uma prática que atesta o comprometimento da empresa com seu público e com a sociedade. Dessa forma, a visão de uma organização sobre suas responsabilidades está relacionada a como ela mede o desempenho dos recursos comprometidos para o atendimento dessas responsabilidades. Para que a ética se desenvolva no âmbito corporativo, é importante com- preender a necessidade de que seu desenvolvimento envolva uma “liderança integrada (não basta que haja líderes, eles devem estar integrados por verda- des comuns), tenha uma organização flexível ( o que significa que as estrutu- ras estimulam a participação, a criatividade, a descentralização e a delegação de autoridade) e visão e ações estratégicas (permitindo o desenvolvimento da percepção diagnostica, ou seja, saber o que está acontecendo, e também o pensamento estratégico, para que se possa definir cenários e tomar decisões eficazes, como aponta Matos (2014, p. 3-4). O que se percebe é que, para que haja verdadeira ética empresarial, são necessárias uma visão, uma abordagem e uma atuação sistêmica, ou seja, que envolva todas as áreas da empresa, todos os seus colaboradores e todos as suas relações, internas e externas. Assim, é importante que as abordagens interna e externa estejam alinha- das com a ética, permitindo o desenvolvimento da responsabilidade social empresarial. Nesse contexto, a conduta de cada corporação pode ser anali- sada quanto ao estágio em que se encontra, considerando três dimensões das responsabilidades corporativas: social, econômica e ambiental (1 – requi- sitos éticos mínimos, 2 – obrigações além do nível ético mínimo, 3 – aspirações para ideais éticos). Por exemplo, entender como se integram os processos internos e como é sua relação com o ambiente externo e como se exteriorizam as informações des- ses processos é crucial não só para a reputação da empresa, como também para sua manutenção no mercado. 8 ÉTICA E LEGISLAÇÃO PROFISSIONAL GINEAD FIGURA 3 – MODELO DOS TRÊS DOMÍNIOS DA RESPONSABILIDADE SOCIAL EMPRESARIAL (III) Exclusivamente ético (II) Exclusivamente legal (I) Exclusivamente econômico (VI) Econômico/ ético (V) Econômico/ legal (VII) Econômico/ legal/ético (VI) Legal/ético Fonte: Research Gate (2019). Assim, a visão sistêmica, que conceitualmente significa conseguir enxergar e compreender o todo vendo e analisando todas as partes que o formam, na verdade, é fundamental para a organização e também para todos os seus profissionais. Para esses últimos significa a possibilidade de se posicionar na estrutura organizacional, compreender seu papel como membros de uma equipe e desempenhar as tarefas inerentes aos seus cargos dentro das áreas organizacionais em que atuam de maneira legal, ética e responsável. Segundo Machado (2006), e corroborando com a ideia de abordagem sis- temática e ética empresarial, o argumento ético favorável à RSE diz que a empresa deve ser socialmente responsável porque é moralmente correto agir assim. Isso gera um forte comportamentonormativo, ou seja, cria normas éti- cas que serão seguidas pela empresa. Também pela adoção da RSE, argumenta-se que ela é instrumentalmente importante, uma vez que o comportamento socialmente responsável benefi- ciará a empresa como um todo, no longo prazo. Isso pode ser visto, por exem- plo, no cativo de novos clientes, que são atraídos à empresa justamente em razão de seu comportamento ético, ou até mesmo quando a empresa, com a adoção da ser, minimiza os riscos de perda da sua reputação e também gera um diferencial em relação aos competidores menos socialmente responsáveis. http://www.researchgate.net/ 9 ÉTICA E LEGISLAÇÃO PROFISSIONAL GINEAD A relação entre a abordagem sistêmica e a ética empresarial justifica-se por uma ação proativa da organização, que busca se conscientizar sobre ques- tões culturais, ambientais e de gênero, tais como a adoção de energias sus- tentáveis, contratação de pessoal buscando diminuir a desigualdade racial e de gênero, ou, ainda, interage externamente com a sua comunidade, fazendo ações comunitárias em seu local de atuação, entre outros movimentos. Ao agir assim, antecipa-se a possíveis sanções ou regulações restritivas do governo, e, ao mesmo tempo, diferencia seus produtos diante de competido- res menos responsáveis. Para complementar seu conhecimento, leia o livro Responsabilidade social e governança: o debate e as implicações, de Cláudio Pinheiro Machado Filho. 3.3 ÉTICA, CREDIBILIDADE E REPUTAÇÃO EMPRESARIAL A preocupação com responsabilidade social é, atualmente, um diferencial fundamental para tornar as organizações mais produtivas (gerando menos custos com novas fontes de energia, por exemplo), garantir o respeito do público e sua própria viabilidade. Caso isso não seja colocado em prática, a empresa pode sentir impactos como a proliferação de comportamentos antiéticos, que podem ser prejudi- ciais tanto para os indivíduos que dela fazem da organização, quanto para as relações com clientes, fornecedores e meio ambiente. Cabe destacar que, além de reflexos nocivos pessoais, a proliferação de com- portamentos antiéticos prejudica a imagem empresarial. Na medida em que esses atos se tornam públicos, fornecedores e clientes podem desenvolver um juízo de valor deturpado em relação à organização, e isso impacta de forma negativa na tomada de decisão desses agentes e na realização de transações, por exemplo. 10 ÉTICA E LEGISLAÇÃO PROFISSIONAL GINEAD No mercado globalizado, a reputação ética torna-se critério de garantia de competitividade. Outro fator relevante é a credibilidade diante da diretoria. Quando o com- portamento antiético se torna uma prática comum, as ações e políticas dos colaboradores podem ser desacreditadas pela direção, que pode considerar possibilidade de existirem fraudes oclusas de auto favorecimento. FIGURA 4 – O COMPORTAMENTO ANTIÉTICO DE COLABORADORES PODE INTERFERIR NA IMAGEM DA EMPRESA Fonte: Plataforma Deduca (2019). Definir e adotar posturas éticas nas empresas é uma maneira de assegurar a con- tinuidade dos negócios. Por isso, a ética empresarial, profissional, política e pes- soal, junto com a preocupação ambiental, já é uma grande exigência no cenário organizacional, que ganha cada vez mais destaque com o passar dos anos. 11 ÉTICA E LEGISLAÇÃO PROFISSIONAL GINEAD É importante codificar os valores das organizações, em políticas éticas ou códigos de conduta. Afinal, a sociedade contemporânea espera da empresa o cumprimento de uma função social, ou seja, ela deixa de ser só produtora de vantagens econômicas que visa o lucro para seus proprietários ou acionistas, e passa a pensar e atuar levando em conta elementos sociais, contribuindo com o bem-estar da comunidade. Para que isso ocorra, é preciso trabalhar na conduta moral e desenvolvimento do senso ético no quadro funcional. No mundo atual, boas práticas trazem rendimentos à empresa. Fazer com que os colaboradores ajam de maneira íntegra favorece, por exemplo, a con- solidação de uma imagem responsável, desenvolve o senso ético e gera e pre- serva boas relações internas. Outro ponto do desenvolvimento ético de seus colaboradores é a possibilidade de atrair e manter em seu quadro de funcionários pessoas que adotam for- tes valores morais. Além de auxiliar na potencialização de princípios éticos na empresa, isso também desestimula possíveis desvios morais, uma vez que a organização terá grande probabilidade de reter apenas pessoas de bom caráter. Todos esses fatores evidenciam as vantagens de se adotar uma conduta ética na administração de um negócio. No entanto, para que esses resultados sejam obtidos, a empresa precisa definir muito bem suas crenças e aonde ela quer chegar. FIGURA 5 – EVOLUÇÃO DAS EXPECTATIVAS SOCIAIS Sustentabilidade Responsabilidade social Gestão do meio ambiente Qualidade Agir de acordo com ... os limites da natureza ... as necessidades da comunidade ... a proteção ao meio ambiente ... as expectativas dos consumidores ... as necessidades dos empregados ... as leis, regulamentos e contratos hoje Práticas de negócios corretas, conformidade Saúde, segurança no trablho e qualidade de vida no trabalho Fonte: Ashley (2005). 12 ÉTICA E LEGISLAÇÃO PROFISSIONAL GINEAD Vamos ver alguns exemplos de vantagens práticas da criação da RSE? Veja algumas das vantagens da criação da RSE nas organizações. • Minimização de acidentes, perigos e paradas de trabalho, por meio da sistematização de todas as atividades. • Diminuição dos riscos de passivos trabalhistas e ações judiciais. • Valorização da imagem da empresa, pelo comprometimento com a saúde e segurança do trabalhador. • Satisfação do colaborador durante a jornada de trabalho. • Melhoria da reputação da marca e ajuda no seu reconhecimento. • Promoção da motivação e do engajamento no ambiente de trabalho. • Aumento da competitividade. • Aumento na atração de talentos. Para ampliar seus conhecimentos no tema, leia o trabalho disponível no link: https:// re p o s i to r i o .u n i ce u b. b r/ j s p u i / b i t s t rea m / 123456789/2234/2/20251890.pdf https://repositorio.uniceub.br/jspui/bitstream/123456789/2234/2/20251890.pdf https://repositorio.uniceub.br/jspui/bitstream/123456789/2234/2/20251890.pdf https://repositorio.uniceub.br/jspui/bitstream/123456789/2234/2/20251890.pdf 13 ÉTICA E LEGISLAÇÃO PROFISSIONAL GINEAD 3.4 POLÍTICA DE RESPONSABILIDADE SOCIAL EM UMA EMPRESA Como foi possível perceber até aqui, refletir sobre as práticas da empresa, como ela produz ou circula seus serviços, como se relaciona com os diversos stakeholders, considerando os aspectos econômicos, sociais e ambientais, é primordial para sua longevidade. Nesse contexto, a ética empresarial surge para orientar moralmente a cul- tura organizacional para que todos os envolvidos com a corporação sejam tomados por um padrão integro e ajam com base no respeito aos direitos do próximo. Assim seria o comportamento da empresa quando ela age em con- formidade com os princípios morais e as regras do bem proceder aceitas pela coletividade. Hoje em dia, no mundo corporativo, a ética empresarial é considerada uma meta necessária a ser atingida. Mas cabe destacar que cada empresa possui sua forma de desenvolver uma política de RSE, que seja adequada aos seus valores, a sua missão e aos seus objetivos. O seu comprometido deve refletir esses ideais. Para que possamos visualizar o desenvolvimento da responsabilidade social em uma empresa, vejamos como uma empresa mundialmente conhecida, como a Toyota, entende que deve realizar a sua responsabilidade social: A Toyota Material Handling Mercosur é uma empresa comprometida com o desenvolvimento econômico, social e ambiental do país, atuando de forma ética nas suas relações com seus diferentes públicos. Para atender a este compromisso, a empresa segue os seguintes princípios: – Condução dos negócios com responsabilidade social, vinculados ao conceito dedesenvolvimento sustentável e melhoria contínua no âmbito da empresa; – Valorização dos funcionários, oferecendo boas condições e bom ambiente de trabalho, desenvolvimento profissional, estímulo à qualidade de vida e a promoção da saúde; 14 ÉTICA E LEGISLAÇÃO PROFISSIONAL GINEAD – Respeito aos direitos humanos, pautando suas ações em princípios de cidadania, inclusão social e não discriminação; – Respeito à diversidade de raça, gênero e cultura no ambiente de trabalho; – Respeito à legislação brasileira e órgãos regulatórios; – Apoio à erradicação do trabalho infantil, escravo e degradante. (TOYOTA, 2019) Veja agora o entendimento de responsabilidade social pela Petrobras: 1. Identificar, analisar e tratar os riscos sociais decorrentes da interação entre os nossos negócios, a sociedade e o meio ambiente e fomentar a gestão de aspectos socioambientais na cadeia de fornecedores. 2. Integrar as questões relacionadas à Responsabilidade Social na gestão do negócio e no processo decisório da companhia. 3. Respeitar os direitos humanos, buscando prevenir e mitigar impactos negativos nas nossas atividades diretas, cadeia de fornecedores e parcerias, e combatendo a discriminação em todas as suas formas. 4. Gerir o relacionamento com as comunidades situadas na área de abrangência, com base no diálogo contínuo e transparente, contribuindo para a viabilidade dos nossos negócios e o desenvolvimento local. 5. Investir em programas e projetos socioambientais, contribuindo para as comunidades onde atuamos e, de forma ampliada, para a sociedade, em alinhamento aos objetivos do negócio e colaborando para a conservação do ambiente e melhoria das condições de vida. 6. Estar preparados para atuar em situações de emergência e em potenciais conflitos e crises junto às comunidades da área de abrangência. 7. Comunicar com clareza, objetividade e transparência as informações relativas à nossa atuação em sustentabilidade, alcançando todos os públicos de interesse. 15 ÉTICA E LEGISLAÇÃO PROFISSIONAL GINEAD 8. Contribuir para o desenvolvimento sustentável e para a mitigação da mudança do clima, atuando em alinhamento com os compromissos nacionais e internacionais dos quais somos signatários. 9. Promover o pleno conhecimento e o compromisso da força de trabalho com a Política de Responsabilidade Social, para que nossas atividades sejam realizadas de forma socialmente responsável. (PETROBRAS, 2019) Você consegue perceber diferenças entre os dois? E semelhanças? O que se pode concluir é que no mundo corporativo atual a ética empresarial é considerada uma meta necessária a ser atingida, mas cada empresa possui sua forma de desenvolver uma política de RSE, adequada aos seus valores, a sua missão e aos seus objetivos. Para compreender melhor sobre responsabilidade social em uma empresa, escute o podcast disponível no link: https://radiojornal.ne10.uol.com.br/audio/ podcast/responsabilidade-social/2019/08/29/ouca- como-empresas-podem-tornar-seus-negocios- socialmente-responsaveis-15436. 3.5 NORMAS INTERNACIONAIS: ISO, NBR E OHSA Até aqui falamos sobre o desenvolvimento da RSE e suas vantagens para os negócios. Mas quais ferramentas possibilitam que isso seja realizado, na prática? A ISO 26000 define as diretrizes em responsabilidade social. No Brasil, o INMETRO é o responsável pela implementação da norma, devendo buscar melhores práticas e identificar oportunidades e necessidades de melhorias das diretrizes. https://radiojornal.ne10.uol.com.br/audio/podcast/responsabilidade-social/2019/08/29/ouca-como-empresas-podem-tornar-seus-negocios-socialmente-responsaveis-15436 https://radiojornal.ne10.uol.com.br/audio/podcast/responsabilidade-social/2019/08/29/ouca-como-empresas-podem-tornar-seus-negocios-socialmente-responsaveis-15436 https://radiojornal.ne10.uol.com.br/audio/podcast/responsabilidade-social/2019/08/29/ouca-como-empresas-podem-tornar-seus-negocios-socialmente-responsaveis-15436 https://radiojornal.ne10.uol.com.br/audio/podcast/responsabilidade-social/2019/08/29/ouca-como-empresas-podem-tornar-seus-negocios-socialmente-responsaveis-15436 16 ÉTICA E LEGISLAÇÃO PROFISSIONAL GINEAD A ISO 26000 foi lançada em Genebra, na Suíça, em 2010 e tem como objetivo orientar empresas de qualquer localização a incorporar as diretrizes socioambientais em seus processos. Com isso, as organizações passam a se responsabilizar pelos impactos causados por suas ações na sociedade e no meio ambiente. Vale lembrar que a sigla ISO significa International Organization for Standardization, ou Organização internacional de Normatização. A norma em 27 definições, sete princípios e alguns temas centrais, conforme listadas pela ABNT (2010). 1. Governança organizacional: trata de processos e estruturas de tomada de decisão, delegação de poder e controle. O tema é, ao mesmo tempo, algo sobre o qual a organização deve agir e uma forma de incorporar os princípios e práticas da responsabilidade social à sua forma de atuação cotidiana. 2. Direitos humanos: inclui due dilligence, situações de risco para os DH; como evitar cumplicidade; resolução de queixas; discriminação e grupos vulneráveis; direito civis e políticos, direitos econômicos, sociais e culturais; princípios e direitos fundamentais do trabalho. 3. Práticas trabalhistas: refere-se tanto ao emprego direto quanto ao terceirizado e ao trabalho autônomo. Inclui emprego e relações do trabalho; condições de trabalho e proteção social; diálogo social; saúde e segurança no trabalho; desenvolvimento humano e treinamento no local de trabalho. 4. Meio ambiente: inclui prevenção da poluição; uso sustentável de recursos; mitigação e adaptação às mudanças climáticas; proteção do meio ambiente e da biodiversidade e restauração de habitats naturais. 5. Práticas leais de operação: compreende práticas anticorrupção; envolvimento político responsável; concorrência leal; promoção da responsabilidade social na cadeia de valor e respeito aos direitos de propriedade. 17 ÉTICA E LEGISLAÇÃO PROFISSIONAL GINEAD 6. Questões dos consumidores: inclui marketing leal, informações factuais e não tendenciosas e práticas contratuais justas; proteção à saúde e à segurança do consumidor; consumo sustentável; atendimento e suporte ao consumidor e solução de reclamações e controvérsias; proteção e privacidade dos dados do consumidor; acesso a serviços essenciais e educação e conscientização. 7. Envolvimento e desenvolvimento da comunidade: refere-se ao envolvimento da comunidade; educação e cultura; geração de emprego e capacitação; desenvolvimento tecnológico e acesso a tecnologias; geração de riqueza e renda; saúde e investimento social. FIGURA 7 – ISO 26000 É A PRIMEIRA NORMA INTERNACIONAL DE RESPONSABILIDADE SOCIAL EMPRESARIAL Fonte: Plataforma Deduca (2019). Já a ABNT NBR 16001 é uma norma nacional baseada na ISO 26000, tratando também de responsabilidade social. É uma norma de sistema de gestão, passível de auditoria, estruturada em requisitos verificáveis, permitindo que a organização busque a certificação por uma terceira parte, o que não ocorre com a ISO 26000. A NBR 16001 (ABNT, 2004) traz em seu bojo a definição de responsabilidade social. 18 ÉTICA E LEGISLAÇÃO PROFISSIONAL GINEAD Responsabilidade de uma organização pelos impactos de suas decisões e atividades na sociedade e no meio ambiente, por meio de um comportamento ético e transparente que: • Contribua para o desenvolvimento sustentável, inclusive a saúde e o bem-estar da sociedade; • leve em consideração as expectativas das partes interessadas; • esteja em conformidade com a legislação aplicável e seja consistente com as normas internacionais de comportamento e • esteja integrada em toda a organização e seja praticada em suas relações. A norma adota a estrutura PDCA, que, em inglês, significa Plan – Do – Check – Act (ou planejar – fazer – verificar – agir), a partir da qual a empresa deve formular e implementarpolítica e objetivos que levem em conta seus com- promissos com (ABNT, 2004): a) a responsabilização (accoutability) a transparência; b) o comportamento ético; c) o respeito pelos interesses das partes interessadas; d) o atendimento aos requisitos legais e outros requisitos subscritos pela organização; e) o respeito às normas internacionais de comportamento; f) o respeito aos direitos humanos e g) a promoção do desenvolvimento sustentável. A OHSAS 18001, de 2007, é uma norma de Sistema de Gestão de Segurança e Saúde Ocupacional (SGSSO) que consiste em uma série de diretrizes desen- volvidas pelo BSI (British Standards Institution) com o objetivo de garantir um ambiente de trabalho seguro e saudável para os colaboradores de uma empresa. 19 ÉTICA E LEGISLAÇÃO PROFISSIONAL GINEAD FIGURA 8 – A OHSAS 18001 TEM O OBJETIVO DE GARANTIR UM AMBIENTE DE TRABALHO SEGURO E SAUDÁVEL Fonte: Plataforma Deduca (2019). Cabe destacar que em 2018 foi publicada a ISO 45001, que trata do mesmo tema da OHSAS 18001, e a tendência é que as empresas façam a transição e sejam certificadas pela nova norma. A sigla OHSAS significa Occupational Health and Safety Assessment Series, ou Série de Avaliação de Segurança e Saúde Ocupacional. A OHSAS 18001 busca (ABNT, 2007): 1 – Estabelecer uma política de higiene, segurança e saúde no trabalho; 2 – Detectar perigos para a saúde e a segurança dos trabalhadores e planejar a identificação, avaliação e o controle dos riscos existentes no trabalho, quer físicos, químicos, biológicos ou organizacionais; 3 – Estabelecer controle operacional para as atividades de risco; 4 – Cumprir a legislação vigente referente ao assunto em questão; 20 ÉTICA E LEGISLAÇÃO PROFISSIONAL GINEAD 5 – Documentar os processos, definir os registros necessários e mantê-los; 6 – Avaliar a verificar permanentemente o sistema através de auditorias internas; 7 – Divulgar a política a todos os trabalhadores e demais partes interessadas da organização; 8 – Revisar a política de gestão, mantendo-a apropriada à organização e promovendo a melhoria contínua da mesma, com o envolvimento dos trabalhadores e da direção da empresa. A norma OHSAS 18001 foi recentemente integrada à certificação ISO. Veja mais no link: https://www. abntcatalogo.com.br/norma.aspx?ID=394661. 3.6 RESPONSABILIDADE SOCIAL: DISCURSO E PRÁTICA Atualmente, acompanhamos, com frequência, crises econômicas, políticas e sociais. E isso impacta nas atividades empresariais, trazendo consequências como a queda de consumo de produtos, a extinção de diversos negócios etc. Por isso, vamos analisar os pontos que a compõem na teoria e algumas manei- ras práticas da sua aplicação. Nesse sentido, vamos considerar uma subdivisão da responsabilidade social como forma de referencial para a operacionalização dessas variáveis, porque seus conceitos variam em função do ambiente institucional. Assim, iremos ver as responsabilidades econômica, legal, ética e discricionária, segundo os ensinamentos de Machado (2006). https://www.abntcatalogo.com.br/norma.aspx?ID=394661 https://www.abntcatalogo.com.br/norma.aspx?ID=394661 21 ÉTICA E LEGISLAÇÃO PROFISSIONAL GINEAD A responsabilidade econômica diz respeito à rentabilidade e produtividade de uma empresa. Devemos lembrar que uma corporação é uma unidade econômica da sociedade e, como tal, tem a responsabilidade de produzir bens e serviços conforme a demanda e, com isso, ter lucro. É importante lembrar que todos os demais papeis que a empresa vier a desempenhar estão condicionados a essa responsabilidade. A responsabilidade legal corresponde às expectativas de que as empresas cumpram suas obrigações segundo a lei. É esperado pelos membros da sociedade como um todo (cidadãos, governos etc.) que as empresas cumpram sua missão econômica, mas sempre respeitando a estrutura legal de onde se encontram. A responsabilidade ética fala da necessidade de um comportamento apropriado, que atenda as expectativas da sociedade. Como ensina Machado (2006), “há comportamentos e atividades não cobertos por leis ou aspectos econômicos do negócio, mas que representam expectativas dos membros da sociedade”. Por isso, deve uma corporação sempre buscar fazer o que é certo e justo, evitando ou minimizando danos. 22 ÉTICA E LEGISLAÇÃO PROFISSIONAL GINEAD A responsabilidade discricionária (também chamada de filantrópica) trata do desejo de que as empresas estejam envolvidas, de maneira ativa, na melhoria da sociedade. Pode ser visto, por exemplo, em empresas que se comprometem em ações e programas para promover o bem-estar humano, ou projetos de sustentabilidade, por exemplo. Cabe destacar que, ao pensarmos no discurso e na prática da responsabili- dade social na atualidade, devemos pensar também no meio ambiente. Para a Comissão da Comunidade Europeia, a responsabilidade social das empre- sas é um conceito por meio do qual elas passam a integrar preocupações sociais e ambientais nas operações de seus negócios e nas interações com outras partes interessadas. CONCLUSÃO Esta unidade objetivou-se a fazer uma conexão entre a ética e a responsa- bilidade social empresarial. O estudo apresentou o conceito da RSE, como ocorreu seu desenvolvimento histórico e fez correlações com a ética e os valo- res que devem ser cultivados dentro do negócio, para seu desenvolvimento e expansão, bem como para evitar possíveis problemas com seus stakeholders, considerando a situação da contemporaneidade. Além disso, abordou as principais certificações internacionais existentes no âmbito da responsabilidade social e como deve ser desenvolvida a política empresarial com relação à sua responsabilidade. Por fim, tratou sobre a dife- rença entre o discurso de responsabilidade e a sua pratica. 23 ÉTICA E LEGISLAÇÃO PROFISSIONAL GINEAD ANOTAÇÕES 24 ÉTICA E LEGISLAÇÃO PROFISSIONAL GINEAD REFERÊNCIAS ASHLEY, P. A. Ética e responsabilidade social nos negócios. São Paulo: Saraiva, 2005. ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS E TÉCNICAS. NBR 16001: 2004. Responsabilidade social – Sistema da gestão – Requisitos. Rio de Janeiro: ABNT, 2004. Disponível em: http://www.inmetro. gov.br/qualidade/responsabilidade_social/norma_nacional.asp. Acesso em: 2 out. 2019. ______. NBR ISO 26000. Diretrizes de Responsabilidade Social. Rio de Janeiro: ABNT, 2010. Dispo- nível em: http://www.inmetro.gov.br/qualidade/responsabilidade_social/iso26000.asp. Acesso em: 9 out.2019. ______. NBR ISO 45001. Sistemas de gestão de segurança e saúde ocupacional. Substitui a BS OHSAS 18001. Rio de Janeiro: ABNT, 2018. ______. BS OHSAS 18001. Sistema de gestão da saúde e segurança ocupacional [2018]. Norma Traduzida. Rio de Janeiro: ABNT, 2007. MACHADO F, C. P. Responsabilidade Social e Governança: o debate e as implicações. Thom- son, 2006. MATOS, F. G. de. Ética na gestão empresarial: da conscientização à ação. 2. ed. São Paulo: Sarai- va, 2014. PETROBRAS. Política de Responsabilidade Social. Disponível em: http://www.petrobras.com. br/pt/sociedade-e-meio-ambiente/sociedade/politica-de-responsabilidade-social/. Acesso em: 15 dez. 2019. TOYOTA. Política de Responsabilidade Social. Disponível em: https://www.toyotaempilhadeiras. com.br/sobre-nos/politica-de-responsabilidade-social/. Acesso em: 15 dez. 2019. http://www.inmetro.gov.br/qualidade/responsabilidade_social/norma_nacional.asp http://www.inmetro.gov.br/qualidade/responsabilidade_social/norma_nacional.asp http://www.petrobras.com.br/pt/sociedade-e-meio-ambiente/sociedade/politica-de-responsabilidade-soci http://www.petrobras.com.br/pt/sociedade-e-meio-ambiente/sociedade/politica-de-responsabilidade-soci https://www.toyotaempilhadeiras.com.br/sobre-nos/politica-de-responsabilidade-social/. https://www.toyotaempilhadeiras.com.br/sobre-nos/politica-de-responsabilidade-social/.