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PROCESSO CIVIL
PROCESSO DE CONHECIMENTO 
Processo de conhecimento é um processo que parte da incerteza → e que é feito para se chegar a certeza, através de etapas/atos. A finalidade do processo de conhecimento é obter certeza jurídica.
Etapas do PC: postulatória → ordinatória → instrutória → decisória 
Postulatória: as partes postulam (pedem). É a fase da petição inicial e a contestação da defesa. 
Ordinatória: fase em que o juiz organiza o processo, determinando as providências para que ele siga corretamente. (verifica se há vícios- falta de documento, ilegitimidade, decide sobre a produção de provas) 
Instrutória: fase de produção de provas (provas de teoria geral e espécies) 
Decisória: fase de decisão (juiz julga procedente ou improcedente). A decisão pode ser recorrida, por meio de apelação, embargos, etc., até que haja coisa julgada (quando a decisão não pode mais ser modificada). O processo de conhecimento termina quando a sentença transita em julgado e produz coisa julgada → a controvérsia está resolvida de forma definitiva.
FASE POSTULATÓRIA 
PETIÇÃO INICIAL 
O processo se caracteriza pelo princípio da inércia, Esse princípio diz que o juiz só age se for provocado.
→ O juiz não começa um processo sozinho. Alguém (uma parte interessada) precisa ir até o Judiciário e pedir alguma coisa — geralmente, um direito que está sendo violado.
A petição inicial é o primeiro passo de um processo judicial.
É o documento em que o autor (quem entra com a ação) escreve:
· quem é ele e quem é o réu;
· o que aconteceu;
· qual direito foi violado;
· o que ele quer que o juiz decida (pedido);
· provas, documentos etc.
Assim, quando essa petição é entregue ao Judiciário, o processo “nasce”.
Depois que o juiz é provocado com essa petição inicial, ele passa a movimentar o processo de ofício (ou seja, por conta própria)
Art. 312 do CPC- Considera-se proposta a ação quando a petição inicial for protocolada, todavia, a propositura da ação só produz quanto ao réu os efeitos mencionados no art. 240 depois que for validamente citado.
→ A ação é proposta no momento em que a petição inicial é entregue ao Judiciário (protocolo).
→ Mas só começa a valer para o réu (como, por exemplo, interromper a prescrição) depois que ele for citado corretamente — ou seja, informado oficialmente que está sendo processado.
REQUISITOS DA PETIÇÃO INICIAL
Ato processual → forma (requisitos) CPC arts. 319 - 320 ou Esparsos 
1. Endereçamento: Deve indicar corretamente a autoridade judiciária competente para julgar a causa, conforme as regras de competência.
 Excelentíssimo Senhor Doutor Juiz de Direito da __Vara Cível da Comarca de Sorocaba. 
2. Indicação das partes e qualificações: É necessário identificar e qualificar as partes — autor (quem propõe a ação) e réu (quem é processado). Isso inclui nome, CPF/CNPJ, estado civil, profissão, endereço, e-mail, etc.
Mas e se o autor não souber todos os dados do réu? Art. 319, §1º a §3º: O autor pode pedir diligências (por exemplo, ofícios a órgãos públicos) para descobrir essas informações. 
→ O endereço do réu já é suficiente para a ação prosseguir. A falta de dados completos não pode impedir o acesso à justiça.
3. A causa de pedir: A causa de pedir é composta por dois elementos: Fatos: acontecimentos relevantes (ex: um buffet contratado não apareceu no casamento). Fundamentos jurídicos: a consequência legal desses fatos (ex: inadimplemento contratual).
Não é obrigatório citar artigos de lei, jurisprudência ou doutrina. Apenas nos exames da OAB isso é exigido.
Causa de pedir em ações revisionais: – art. 330, §2º, CPC- Utilizada em ações envolvendo contratos (empréstimos, financiamentos etc.).
É importante diferenciar as obrigações controvertidas (o que se contesta) das incontroversas (o que se reconhece como devido).
4. Pedido: É o que o autor deseja obter judicialmente. Pode ser: Principal: o pedido central da ação e Acessórios: como justiça gratuita, prioridade de tramitação para idosos, etc.
5. Valor da causa: art. 291. Como calcular? Divide em duas partes: Impactos econômicos diretos (anular um contrato de 50 mil reais, o valor da causa será 50 mil reais) e causas sem impacto econômico, colocamos o valor de alçada. 
→ Em um pedido de anulação de contrato de R$50 mil → o valor da causa será R$50 mil.
→ Em causas sem valor econômico direto → utiliza-se o valor de alçada, conforme previsto em lei.
6. Provas: O autor deve indicar os meios de prova que pretende utilizar. Basta uma cláusula padrão, como: “Protesta por provar o alegado por todos os meios de prova em direito admitidos.”
7. Opção pela realização de audiências de mediação ou conciliação: O autor deve informar se tem ou não interesse na realização de audiência de conciliação ou mediação. Essa audiência está prevista no art. 334, CPC, A regra é que a audiência aconteça, salvo se ambas as partes manifestarem desinteresse.
Fluxo básico do processo: 
PI → Citação → Audiência (M - C) → acordo (fim), se não houver acordo o réu tem que apresentar contestação. 
8. Documentos - Art. 320, CPC: A petição inicial deve vir acompanhada dos documentos indispensáveis à propositura da ação. Procuração, contrato, certidão de casamento, certidão de nascimento, depende da causa da ação. 
Outros requisitos: O advogado precisa informar na petição inicial o seu endereço profissional (art. 77, V, CPC). A petição deve vir assinada. Deve ser escrita. Língua Portuguesa. 
Recebimento da petição inicial
Depois que a petição inicial é protocolada, ela chega ao juiz, que vai realizar uma análise de admissibilidade. Ou seja, o juiz verifica se a petição cumpre os requisitos exigidos por lei e decide o que fazer a partir disso.
Essa análise pode resultar em três caminhos possíveis:
1. Petição em Ordem 
Se a petição inicial estiver correta — ou seja, atende aos requisitos dos arts. 319 e 320 do CPC — o juiz recebe a ação e:
· Determina a citação do réu, para que ele se defenda no prazo legal.
· Pode designar audiência de conciliação ou mediação, conforme o art. 334, CPC ou dispensar a audiência se ambas as partes concordarem. 
→ Nesse caso, o processo segue normalmente.
2. Petição com Irregularidade 
Se o juiz perceber que a petição inicial apresenta erros ou falhas, ele vai analisar se esses defeitos são sanáveis ou insanáveis:
A) Defeitos Sanáveis (CORRIGÍVEIS): O juiz dá a oportunidade de emendar ou complementar a petição. Art. 321 do CPC
· O autor terá prazo de 15 dias úteis para corrigir.
· Ex: faltam documentos, qualificação incompleta, valor da causa incorreto
· O juiz tem que dizer exatamente o que está faltando ou errado (não pode só dizer “emende”).
A partir daí, temos duas opções:
01. O autor emenda certinho → o juiz segue com o processo e cita o réu.
02. O autor não conserta nada → o juiz indefere a petição inicial (nega logo de cara).
B) Defeitos Insanáveis (SEM CONCERTO): Quando não há como consertar o problema (ex: ausência total de interesse de agir ou pedido juridicamente impossível), o juiz indefere a petição inicial. Art. 330 do CPC
· Ex: alguém ajuíza ação pedindo a volta de um ente querido que já faleceu — juridicamente impossível.
· Obs. O indeferimento liminar é exceção, só para casos graves mesmo.
3. Pedido Evidentemente Improcedente
Mesmo que a petição esteja formalmente correta, o juiz pode entender que o pedido é claramente sem fundamento jurídico. Nesses casos, ele já julga improcedente , ou seja, antes mesmo de citar o réu. Art. 332 do CPC
Então, ele dispensa todos os atos processuais (citação, audiência, contestação, produção de provas...) e já dá uma sentença dizendo que o pedido do autor é improcedente.
Ex: uma ação pedindo o pagamento de 14º salário, que não existe no ordenamento jurídico brasileiro. 
Isso só pode acontecer se três condições forem cumpridas:
1. O juiz só pode usar isso para julgar improcedente o pedido.
2. Não pode haver necessidade de produzir provas (ex: não precisa ouvir testemunhas, nem perito).
3. O pedido tem que se enquadrar em uma das hipóteses previstas em lei, como:
Exemplos:· Pedido contrário à jurisprudência consolidada dos tribunais (art. 332, incisos I a IV);
· Ação proposta fora do prazo (prescrição ou decadência já aconteceram).
PETIÇÃO INICIAL EM TERMOS
Quando alguém entra com um processo, o primeiro passo é apresentar uma petição inicial.
Essa petição precisa seguir uma série de requisitos legais (endereçamento, qualificação das partes, causa de pedir, pedido, valor da causa, provas, etc.)
Quando dizemos que a petição está “em termos”, isso significa que ela está certinha, ou seja: preenche todos os requisitos obrigatórios do CPC, portanto pode seguir o processo normalmente.
Quando a petição está em termos, o juiz determina a citação do réu, ou seja, o réu (quem está sendo processado) será comunicado oficialmente sobre a ação. Em regra, designa uma audiência de conciliação ou mediação , 
se houver audiência: 
→ se fizeram acordo o processo acaba ali mesmo
→ se não fizer acordo, o réu tem 15 dias úteis para apresentar contestação (resposta dele à petição inicial).
Se NÃO houver audiência: O réu é citado normalmente, a partir da citação, ele tem também 15 dias úteis para apresentar contestação.
PEDIDOS 
O pedido é o que o autor quer com o processo. É o objeto da ação.- Artigos 322 a 329 do CPC 
Dividimos o pedido em duas partes: 
1. Pedido Mediato = O “bem da vida”: É o direito material que o autor quer obter. É o conteúdo final da ação 
Exemplo: quer receber R$10 mil de volta; Quer o plano de saúde cubra um tratamento; Quer que um contrato seja anulado.
2. Pedido Imediato: É o tipo de decisão que o autor quer que o juiz tome para alcançar aquele bem da vida. É a forma processual de pedir aquilo que se deseja 
	Exemplo: Eu quero que vossa excelência emane uma ordem para o réu prestar o serviço contratado. 
CARACTERÍSTICAS DO PEDIDO 
1º Certeza: an debeatur- o que é devido. A gente sempre precisa saber o que está sendo pedido, qual é o objeto da ação.
2º Determinação: quantum debeatur- quanto é devido O autor precisa dizer quanto quer receber ou o valor do objeto do pedido.
Em regra, o pedido tem que ser certo e determinado, o autor expõe a quantidade que quer receber.
Exceção, pedido indeterminado, chamado de pedido genérico, ilíquido, o autor não indica a quantidade.
Quando posso fazer um pedido indeterminado? Esse pedido terá cabimento nas hipóteses do art. 324, § 1º. Três situações: 
I - nas ações universais: Conjunto de bens, mas ainda não se sabe todos os detalhes. Herança.
II - nas ações indenizatórias, desde que não consiga determinar as consequências do ato ou do fato. Acidente, reembolso por tratamento médico, ainda não sei, pois evolui com o passar do tempo. 
III - quando a determinação do valor depender de ato do réu. Você entra com uma ação pedindo para que o réu preste contas, mas só depois que ele apresentar os números é que você vai saber quanto ele deve.
MODALIDADES DE PEDIDOS IMEDIATOS 
Condenatório: aquele em que o autor vai ao juízo e pede dinheiro. Pensão alimentícia.
Declaratório: aquele que peço ao juiz para me dar certeza, referente a uma relação jurídica. Certeza que essa relação jurídica existe (positiva), não existe (negativa) ou qual o modo de ser (interpretativa) dessa relação jurídica. Ação de investigação de paternidade. Não tem certeza da relação jurídica 
Constitutivo: criar, modificar ou extinguir uma relação jurídica. Casas Bahia divulga um valor por 1.000, o comprador vai até a loja e descobre que era 5 parcelas de 1.000,00. Ajuiza uma ação para Casas Bahia cumprir com a sua proposta, criando uma relação jurídica. Tem certeza que existe ou não existe a relação jurídica. 
Mandamental: emana uma ordem a ser cumprida pelo réu. Ordem para fazer alguma coisa, para não fazer ou para entregar. O Plano de saúde recusa um tratamento, ajuíza uma ação para que o juiz ordene para o plano de saúde realizar o tratamento, causa de fazer. Se não cumprir, juiz aplica medidas de coerção, multas. 
Executivo lato sensu: é igual o mandamental, ordem. Diferença: o juiz usa a força para uma execução direta. Despejo. Só pode utilizar essa medida se a lei expressamente autorizar. 
Toda vez que se pede ou exige uma prestação do réu, falamos que temos uma pretensão. Deve ser exercida dentro de um prazo prescricional. Mandamental, Condenatória, Executivo. 
Quando não depende do réu. Prazo de decadência. Constitutivo. 
As ações declaratórias são imprescritíveis, não tem prazo. 
CIRCULAÇÃO DE PEDIDOS 
Elaborar, formular dois ou mais pedidos em um mesmo processo. É uma medida de economia processual.
Subjetiva: cumulação de sujeitos, dois ou mais sujeitos no mesmo polo da ação. Litisconsórcio. 
Objetiva: cumulação de objetos, de pedidos. Art. 327. Pedidos mediatos, imediatos ou ambos. 
Requisitos para cumulação de pedidos: art. 327, § 1º. 
I - compatibilidade entre os pedidos. Haja o mínimo de relação entre os pedidos. Ação de despejo cumulado com condenação pelos aluguéis atrasados.
II - competência do juízo. Ação de paternidade com pedido de pensão alimentícia na Vara de Família. OBS: basta não violar as regras de competência absoluta.
III - adequação do procedimento. Todos os pedidos têm que se sujeitar ao mesmo tipo de procedimento. Ação de paternidade se utiliza o procedimento comum e a pensão alimentícia se utiliza o procedimento especial. OBS: para todos os pedidos se utiliza o procedimento comum, abrindo mão do procedimento especial, as técnicas especiais são mantidas. Art. 327, § 2º. 
Modalidades de cumulação de pedidos 
Própria: quando elabora dois ou mais pedidos, quer todos os pedidos 
Simples: Art. 327. Realiza dois ou mais pedidos e espera ter êxito em todos os pedidos. Esses pedidos são independentes entre si. O valor da causa equivale a soma de todos os pedidos, 10 mil de danos morais e 20 mil de danos materiais, valor da causa 30 mil reais. Art. 292, VI. 
Sucessiva: Art. 327. Espera ter êxito, obter todos os pedidos. Existe uma relação de prejudicialidade entre esses pedidos. O segundo pedido só será analisado se o primeiro for acolhido, se ele não acolhe, ele nem irá analisar o segundo pedido, acaba o processo. Primeiro pedido investigação de paternidade, DNA 99,99% - acolheu, irá analisar o pedido de alimento (Segundo pedido) para ver se cabe ou não cabe. Caso o DNA desse negativo, ele não irá analisar o pedido de alimento. O valor da causa equivale à soma de todos os pedidos, Art. 292, VI. 
Imprópria: Cumula pedido, mas não quer todos, quer apenas um ou parcela dos pedidos que foi feito.
Alternativa: Art. 325. Quero um cavalo ou 10 mil reais. Realiza dois pedidos, não deseja ambos, quer um ou outro. Para o credor é indiferente se a obrigação será realizada de um jeito ou de outro. O valor da causa será o de maior valor, art. 292, VII. Cavalo 15 mil reais ou 10 mil reais. 
Subsidiária ou eventual: Art. 326. Existe uma ordem de preferência. Quero o cavalo, mas na hora do pagamento o cavalo morreu ou foi furtado, o credor fica com os 10 mil reais. Tem preferência, quero o primeiro pedido, se não der, quero o segundo. O valor da causa será o valor do pedido principal, ou seja, o preferencial, art. 292, VIII. OBS: os pedidos não precisam ser compatíveis, não se aplica o requisito de compatibilidade entre os pedidos. 
Modificação do pedido e da causa de pedir - Art. 329
PI – Citação (sim, é possível alterar o pedido ou a causa de pedir, de forma livre, não depende da concordância do réu) – Saneamento (últimos atos da fase ordinatória. Sim, a alteração tem uma condição, o consentimento do réu, o réu terá direito ao contraditório.) – A partir do saneamento do processo, não se pode alterar o pedido e a causa de pedir, devido ao princípio da estabilização da demanda. 
Congruência ou adstrição - Art. 141 e 492
Quando se realiza um pedido, estabelece alguns limites para o juiz. A decisão do juiz deve estar adstrita ou congruente com aquilo que foi pedido. Se o juiz ultrapassa esses limites, terá um vício: 
O juiz decide fora do pedido - decisão extra petita João pede o despejo do réu, o juiz condena o réuem danos morais.
Decisão vai além do que foi pedido - decisão ultra petita João pede danos morais, juiz condena em danos morais e materiais.
Decisão que se omite, deixa de apreciar um ou mais pedidos, abaixo do pedido - decisão citra petita. Despejo do réu e sua condenação dos aluguéis não pagos, o juiz se manifesta do despejo e se esquece de analisar o pedido da condenação dos aluguéis.
O juiz ao proferir uma decisão tem uma regra (adstrição). Exceção: situações em que o juiz deve se pronunciar (ex officio), decidir, ainda que não haja pedido. 
1. Matérias de ordem pública
2. Pedidos implícitos - art. 322, § 1º. Juros legais, correção monetária e honorários sucumbenciais. 
3. Prestações sucessivas - art. 323. (Prova). Aquela que se paga todo mês, mensalidade, ajuíza uma ação contra o aluno que não pagou janeiro e fevereiro. Até o réu ser citado, sair sentença, foi vencido outros meses, daqueles que forem mencionados na inicial. As vencidas se consideram implicitamente incluídas no processo. 
RESPOSTA DO RÉU 
São todas as formas de defesa que o réu pode usar quando é citado (ou seja, oficialmente avisado que foi processado). Ele pode: A) Contestar (responder dizendo que o autor está errado), b) Reconvir (entrar com uma ação contra o autor no mesmo processo), C) Ou até pedir algo como a extinção do processo, impugnar documentos etc.
Essas formas de defesa são chamadas, no geral, de "respostas do réu".
Onde isso acontece no processo?
Na fase postulatória (é a fase onde as partes "pedem" ou "requerem" alguma coisa para o juiz).
Essa fase começa com o autor apresentando a petição inicial, e termina com o réu apresentando sua resposta.
Qual é a base constitucional para isso?
O artigo 5º, inciso LV da Constituição Federal garante ao réu: Contraditório (o direito de se manifestar, dar sua versão), Ampla defesa (o direito de usar todos os meios legais para se defender). Ou seja, o réu não pode ser condenado sem ter a chance de se defender de forma completa.
As duas principais formas de resposta do réu são:
1. Contestação (artigos 335 a 342 do CPC):
 É a defesa direta. O réu responde ponto por ponto o que o autor alegou.
2. Reconvenção (art. 343 do CPC):
 É quando o réu aproveita o mesmo processo para entrar com uma ação contra o autor.
 Tipo: "Já que você está me processando, agora eu também quero te cobrar por outra coisa".
CONTESTAÇÃO- ART. 355 A 342, CPC
É a principal defesa do réu. É uma petição escrita que ele apresenta no processo para responder ao que o autor disse na petição inicial.
Se o autor começa o processo com uma petição inicial, o réu responde com uma contestação.
Serve para o réu se defender e tentar evitar uma condenação, possuindo prazo de 15 dias 
Na contestação ele pode negar os fatos, apresentar provas, alegar que o direito do autor não existe mais (como prescrição, por exemplo), entre outras defesas.
É obrigação do réu contestar? contestar é um ônus – ou seja, o réu não é obrigado, mas sofre consequências se não fizer (ex: revelia, que é quando os fatos alegados pelo autor são presumidos verdadeiros).
Princípios da contestação: 
1º Contraditório e ampla defesa: Garantem ao réu o direito de se manifestar e se defender. 
2º Princípio da eventualidade ou da concentração da defesa (art. 336): 
 	→ O réu deve apresentar toda a sua defesa de uma vez na contestação.
 	→ Depois disso, não pode mais apresentar novas alegações (salvo exceções – art. 342).
 		→ Se já usou a chance, ocorre a preclusão consumativa (perda do direito de agir de novo nesse ponto).
Exceções – Quando o réu pode apresentar algo novo depois da contestação (art. 342):
- Fato ou direito superveniente: depois da contestação, o réu é demitido e pede redução de pensão.
Imagine uma ação de alimentos, onde o réu apresentou contestação alegando ter capacidade financeira para pagar o valor pedido. Posteriormente, ele é demitido ou sofre uma redução salarial significativa. Esse fato novo pode justificar um pedido para reduzir o valor da pensão.
- Matéria que o juiz pode conhecer de ofício: independente da parte pedir. Matérias que podem ser formuladas em qualquer tempo e grau de jurisdição. Matérias de ordem pública. prescrição – mesmo que o réu não tenha falado na contestação, o juiz pode reconhecer e o réu ainda pode levantar isso depois. 
Em uma ação indenizatória por acidente de trânsito, o réu apresentou contestação sem alegar prescrição. Posteriormente, percebe que o prazo prescricional (3 anos, art. 206, §3º, V, CC) já havia expirado. Mesmo após a contestação, ele pode invocar essa prescrição, pois é matéria de ordem pública e pode ser reconhecida a qualquer tempo e grau de jurisdição.
Princípio da impugnação específica dos fatos - art. 341: Ônus de o réu deve impugnar (responder) todos os fatos alegados na na petição inicial pelo autor. Impugnar um a um dos fatos apresentados. Se o réu não impugna um ou outro fato, acarreta em uma presunção (relativa) de veracidade dos fatos apresentados, ou seja, ele é presumido verdadeiro. 
Exceções (quando essa presunção não vale):
· Fatos que não admitem confissão (ex: questões de direito, impossíveis de admitir ou negar)
· Fatos que estão contraditórios com os documentos do processo
· Réu não pode impugnar porque não conhece os fatos, como:Defensor público; Curador especial e Advogado dativo (esses podem fazer contestação com negação genérica dos fatos)
Prazos para contestar (art. 335): 
Regra geral: prazo começa no dia útil seguinte à audiência de conciliação, se ela ocorrer.
Se não houver audiência por pedido das partes: prazo começa no dia útil seguinte à petição dispensando a audiência.
Se o juiz dispensar a audiência: prazo conta da citação do réu.
Matérias que o réu pode alegar na contestação: 
Em regra, o réu se defende. Mas, excepcionalmente, pode também fazer um pedido contra o autor:
1. Pedido contraposto:
· Feito dentro da própria contestação
· Sem muita formalidade
· Permitido quando a lei autoriza
· Exemplo: ações no Juizado Especial Cível
2. Reconvenção (art. 343):
· Uma ação própria, dentro do mesmo processo
· Requer mais formalidade
· Usada quando não cabe o pedido contraposto
Conteúdo da contestação:
Preliminares: Na contestação, o réu pode apresentar preliminares antes de entrar na defesa do mérito. Essas preliminares estão previstas no artigo 337 do CPC e tratam de questões processuais que devem ser resolvidas antes do julgamento da causa.
Se o juiz rejeitar as preliminares, o processo segue normalmente para a análise do mérito. Caso acolha, ele pode extinguir o processo ou determinar a correção do vício.
1. Preliminares Peremptórias → Se acolhidas, levam à extinção do processo sem julgamento do mérito. Exemplo:
· Incompetência julgada do juízo
· coisa julgada 
· Prescrição relativa do juízo 
2. Preliminares Dilatórias → Se acolhidas, apenas exigem a correção de um vício para que o processo continue. Exemplo:
· Incompetência relativa do juízo (pode ser corrigida com a remessa ao juízo competente)
· Falta de legitimidade das partes (pode ser sanada com a substituição processual)
Mérito: Depois das preliminares, se houver, o réu passa a discutir o mérito da ação, ou seja, os motivos pelos quais o pedido do autor deve ser improcedente. Aqui, o réu busca demonstrar que o autor não tem razão, seja porque os fatos alegados não são verdadeiros ou porque existem outros fatos que impedem, modificam ou extinguem o direito do autor.
Formas de Contestação de Mérito: 
1. Contestação de Mérito Direta → O réu simplesmente nega os fatos ou os fundamentos apresentados pelo autor.
· Exemplo: O autor alega que emprestou dinheiro ao réu e ele não pagou. O réu nega que tenha recebido qualquer quantia.
2. Contestação de Mérito Indireta (Exceção Substancial) → O réu não nega os fatos, mas apresenta fatos novos que impedem, modificam ou extinguem o direito do autor.
· Fatos impeditivos → Impedem que o direito do autor surja.
· Exemplo: O autor cobra um cheque, mas o réu prova que foi emitido sob coação.
· Fatos modificativos → Alteram a relação jurídica.· Exemplo: O autor cobra uma dívida, mas o réu prova que o valor foi renegociado.
· Fatos extintivos → Fazem desaparecer o direito do autor.
· Exemplo: O autor cobra um contrato de dívida, mas o réu prova que já pagou.
Nessa modalidade de contestação indireta, o réu alega um direito em sua defesa, buscando demonstrar que, por algum motivo, o pedido do autor não deve ser aceito.
Alegação de Ilegitimidade ou não responsabilidade (Art. 338 e 339): 
O réu, ao apresentar sua contestação, pode alegar que não deveria estar no processo porque:
1. É parte ilegítima → Ou seja, não tem relação jurídica com o pedido do autor.
2. Não é responsável pelo dano ou prejuízo alegado pelo autor.
Se o réu alegar isso, ele deve indicar quem seria a parte legítima para responder à ação. O juiz então intima o autor, que tem 15 dias para decidir entre três possibilidades:
1ª Opção: O Autor Aceita a Indicação do Réu]
· O autor faz um aditamento (correção da petição inicial) para substituir o réu errado pelo réu correto.
· O réu que sai do processo deve ser reembolsado das despesas que teve.
· O autor deve pagar honorários advocatícios ao advogado do réu excluído, que variam entre 3% e 5% do valor da causa.
2ª Opção: O Autor Recusa a Indicação do Réu
· O processo segue normalmente com o réu original, e a alegação de ilegitimidade será analisada pelo juiz no julgamento final.
3ª Opção: O Autor Mantém o Réu Original, Mas Pede Para Incluir o Indicado
O autor pode decidir manter o réu original e incluir o réu indicado na contestação.
· Isso cria um litisconsórcio passivo ulterior, ou seja, mais de um réu no processo.
Resumo: 
· O réu pode alegar que não deveria estar no processo e indicar quem deveria.
· O autor tem 15 dias para aceitar, recusar ou incluir o indicado.
· Se houver substituição, o réu excluído recebe despesas e honorários (3% a 5%).
· Se não houver substituição, o processo continua com o réu original.
RECONVENÇÃO- ART. 342, CPC
A contestação se limita à defesa do réu e pode conter matérias preliminares (exceções processuais) ou de mérito (contestação direta ao pedido do autor).
Pode o réu fazer um pedido na contestação? Sim, o réu, em sua contestação, pode fazer um pedido contraposto, mas apenas quando a lei expressamente permitir (exemplo: juizados especiais cíveis).
E se a lei não permitir o pedido contraposto? Nesse caso, o réu precisa apresentar uma reconvenção, ou seja, uma ação dentro do mesmo processo contra o autor.
A reconvenção é uma ação dentro do mesmo processo em que o réu, além de se defender, formula um pedido contra o autor da ação original. Ou seja, há uma inversão dos pólos da relação processual: o réu passa a ser reconvinte (autor da reconvenção) e o autor se torna reconvindo (réu da reconvenção).
INVERSÃO DOS POLOS DA AÇÃO:
Na ação original, o autor está no polo ativo, e o réu no polo passivo.
Com a reconvenção, há uma inversão:
· O réu passa a atacar e se torna o reconvinte.
· O autor passa a se defender e se torna o reconvindo.
Assim, dentro do mesmo processo, passam a existir duas ações simultâneas.
A reconvenção tem natureza jurídica de ação judicial do réu contra o autor, mas dentro do mesmo processo original.
Características da Reconvenção:
1. Ação dentro do mesmo processo → O réu formula uma ação contra o autor dentro da ação principal, não sendo necessário um novo processo.
2. Inversão de polos → O réu se torna reconvinte e o autor se torna reconvindo.
3. Mesmo prazo da contestação → 15 dias úteis (Art. 343, CPC).
4. Deve ser apresentada junto à contestação → Em uma única petição.
5. Pode ser apresentada sem contestação → O réu pode apresentar apenas a reconvenção, sem se defender da ação original (Art. 343, §6º, CPC).
6. Facultativa → O réu pode optar entre reconvir ou ajuizar uma ação autônoma contra o autor.
Exemplo Prático (chat)
Imagine que João (autor) entra com uma ação contra Maria (ré) pedindo o pagamento de uma dívida. Se Maria quiser alegar que, na verdade, João também lhe deve um valor maior, ela pode:
· Na contestação, apenas se defender.
Na contestação com pedido contraposto, se a lei permitir, pedir o pagamento do valor devido por João.
· Na reconvenção, apresentar um pedido próprio contra João dentro do mesmo processo, argumentando que João tem uma dívida com ela.
Dessa forma, ao final do processo, o juiz decidirá ambas as ações ao mesmo tempo: tanto o pedido de João contra Maria quanto o de Maria contra João.
APRESENTAÇÃO POR PETIÇÃO INICIAL: 
Forma: Deve ser apresentada junto à contestação, pois é uma ação, e toda ação começa por petição inicial.
Prazo: Mesmo prazo da contestação → 15 dias úteis.
É obrigatória? Não! A reconvenção é facultativa. O réu pode optar por ajuizar uma ação autônoma contra o autor em vez de reconvir.
Posso apresentar apenas a reconvenção, sem contestação? Sim! De acordo com o Art. 343, §6º do CPC, é possível apresentar a reconvenção sem contestação.
Ou seja, o réu pode decidir não se defender, mas mesmo assim fazer um pedido contra o autor.
PASSO A PASSO PARA VERIFICAR SE CABE RECONVENÇÃO:
Cabe pedido contraposto?
Se SIM → Faz o pedido na própria contestação 
Se NÃO → Passa para a próxima etapa.
Cabe reconvenção?
Se SIM → O réu apresenta contestação com reconvenção.
Se NÃO → O réu precisa ajuizar uma ação autônoma.
A reconvenção é uma forma do réu entrar com um pedido contra o autor dentro do mesmo processo, ou seja, além de se defender na contestação, o réu aproveita para "contra-atacar".
Em vez de só se defender, o réu diz: "Quem está me processando também me causou um prejuízo, então eu quero que ele seja condenado a me pagar!"
Requisitos da Reconvenção (Art. 343, CPC):
Para que a reconvenção seja aceita:
1. O réu faz um pedido próprio:
· Ele quer algo contra o autor.
· Ex: "Quero que o autor me pague uma multa"
2. Tem que haver ligação com a ação original ou com a defesa:
· A reconvenção tem que se relacionar com o que o autor disse na petição inicial ou com o que o réu argumentou na defesa (contestação).
· Ex: Se a ação é sobre inadimplemento contratual, a reconvenção pode ser sobre o mesmo contrato.
Exemplo prático: O autor entra com ação dizendo:“O réu descumpriu o contrato e por isso me deve uma multa.”
O réu contesta e diz: “Na verdade, foi o autor quem não cumpriu o contrato primeiro (exceção do contrato não cumprido - art. 476 do CC).”
E reconvém dizendo: “Além disso, quero que o autor me pague uma multa por prejuízos que me causou!”
EXCEÇÃO DO CONTRATO NÃO CUMPRIDO (Art. 476, CC): Esse princípio significa que, se uma parte do contrato não cumpriu sua obrigação, a outra não é obrigada a cumprir a dela.
Exemplo: A FADI entra com uma ação contra um aluno cobrando mensalidade. O aluno pode contestar dizendo que não pagou porque não teve aula naquele mês. Se a falta das aulas causou prejuízo ao aluno, ele pode reconvir pedindo uma indenização.
Ou seja, a reconvenção permite que o réu não apenas se defenda, mas também contra-ataque dentro do mesmo processo.
→ A reconvenção é feita dentro da mesma petição da contestação (no mesmo prazo).
→ O autor será intimado para responder.
→ A competência (quem julga) continua com o mesmo juiz do processo principal.
E se a ação for extinta? Se por algum motivo o juiz extinguir a ação principal (por ex: o autor desistiu), a reconvenção continua normalmente. Isso está no art. 343, §2º do CPC.
É Possível Reconvenção Da Reconvenção? Sim, mas só uma vez. Isso se chama reconvenção sucessiva.
LEGITIMIDADE
Ativa (quem pode propor reconvenção): o réu.
Passiva (contra quem pode ser proposta):
· Contra o autor;
· E também pode incluir um terceiro, desde que tenha relação com o caso (art. 343, §§ 3º e 4º).
REVELIA
A revelia acontece quando o réu não participa corretamente do processo. Ou seja, ele não se defende de forma válida.
Pode ocorrer em três situações: 
1º Não apresenta contestação (não responde à ação)
2º Apresenta contestação fora do prazo 
3º Não regulariza a representação processual (por exemplo, o advogado que assinou a defesa não tinha procuração válida – art.76, §1º, II do CPC).
Importante: Só o réu pode ser revel. O autor nunca entra em revelia.
Efeitos da revelia
Quais são as consequências jurídicas: 
Principal: Presunção de veracidade dos fatos (art. 344, 355, CPC)
Outras: Consequência em Relação a fluência dos prazos (Art. 346. CPC) e consequência contra o julgamento do processo (julgamento antecipado) (art. 355, II, CPC)
Presunção de veracidade dos fatos (art. 344, CPC): 
Se o réu não se defende corretamente, o juiz presume que os fatos alegados pelo autor são verdadeiros.
Observação: Não presumimos verdadeiros os fundamentos jurídicos, só presumo que são verdadeiro os fatos 
 Essa presunção é relativa, ou seja, o juiz pode não aceitar os fatos como verdadeiros, em casos como:
· Quando os fatos forem inverossímeis.
· Quando a ação envolver interesses públicos.
· Quando for necessário ouvir o Ministério Público.
Isso está no art. 345 do CPC.
Prazos (art. 346, CPC):
Como regra o prazo começa depois da publicação do ato, as intimações são dirigidas ao representante da parte do processo (advogado).
A exceção: Se o réu não tem advogado no processo e é revel, as próximas decisões não precisam de intimação pessoal. Basta a publicação no Diário da Justiça (imprensa oficial).
Para acontecer essa exceção existe dois requisitos: O réu tem que ser revel e não deve ter advogado constituído no processo
Julgamento Antecipado (art. 355, II, CPC): 
Se o juiz vê que o réu é revel e não precisa de mais provas para decidir o caso, ele pode:
Julgar o processo logo, sem audiência ou mais etapas.
Isso é o chamado julgamento antecipado do mérito.
Se o juiz achar que precisa de provas (testemunhas, documentos, etc.), o processo segue para a fase de instrução.
Intervenção (art. 346 e 349, CPC)
Mesmo sendo revel, o réu pode aparecer no processo a qualquer momento. Mas:
→ Ele recebe o processo no estado em que estiver (não pode voltar o processo).
→ Se entrar a tempo, ainda pode apresentar provas (art. 349 CPC).

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