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Introdução ao Estudo do Direito 
Prof. Patrícia Tenan
Resumão IED 1ª parte 
FUNDAMENTOS DO DIREITO
DIREITO ENQUANTO CIÊNCIA SOCIAL
Direito é uma ciência social aplicada que se destina ao estudo da sociedade, dos indivíduos e suas relações. 
Ocupa-se das normas destinadas a regular a forma e a maneira como a vida em determinada sociedade ocorrerá, buscando o aprimoramento das relações humanas a partir de sua própria utilização como instrumento para o progresso social e humano.
Com base nesta informação já podemos criar um conceito de direito ? 
normas
instrumento
FUNDAMENTOS DO DIREITO
DIREITO ENQUANTO CIÊNCIA SOCIAL
Thomas Hobbes
 Francis Bacon
Observação e experimentação de fenômenos e objetos naturais tendo origem na experiência sensorial.
Física
 Química Astronomia Ciências Biológicas 
Ciências Empíricas
História Geografia Sociologia Antropologia Economia Psicologia Direito
Ciências Sociais
Estudo da sociedade, dos indivíduos e suas relações.
Karl Marx 
Max Weber 
Émile Durkheim.
FUNDAMENTOS DO DIREITO
DIREITO, MORAL, COSTUMES E RELIGIÃO
 Instrumentos de Controle Social
DIREITO- é um conjunto de regras sociais obrigatórias impostas pelo Estado, coercitivamente, com a finalidade de promover a ordem, a paz social, o bem comum, enfim alcançar os ideais de justiça.
MORAL - (latim mores= valores) pode ser definida como um conjunto de valores e normas ligados à noção de certo e errado, proibindo ou permitindo, decorrente do senso comum.
Você sabia que... ÉTICA (grego Ethos= caráter) é uma ciência da área da filosofia que busca problematizar as questões relativas aos costumes e à moral de uma sociedade, sem recorrer ao senso comum.
RELIGIÃO - A Igreja católica institucionalizou o direito canônico, ramo do Direito destinado a disciplinar o funcionamento da Igreja e de seus institutos jurídicos. 
Em meados do século XVI, o papel da Igreja no Direito perdeu força. Surgiram as ordens jurídicas institucionalizadas, com poderes de editar normas jurídicas e prever mecanismos para sua exigibilidade. Contudo, a influência cultural da religião ainda é bastante sentida na formação e interpretação do Direito. A título de exemplo, verificamos o papel religioso na formação da disciplina do direito das famílias no Brasil, notadamente a respeito do casamento e da adoção.
FUNDAMENTOS DO DIREITO
DIREITO, MORAL , COSTUMES E RELIGIÃO
COSTUME é uma prática reiterada em determinada sociedade e nela aceita como prática jurídica, constituindo fonte do Direito e regra de comportamento. 
Há dois elementos essenciais para que se possa definir uma conduta como costume jurídico: 
 uso reiterado naquela sociedade 
 aceitabilidade como norma jurídica pelo grupo social.
Espécies
Costume secundum legem = É o costume que fora transformado em lei formal ou cuja lei autoriza sua utilização em determinadas circunstâncias.
Costume praeter legem = É o costume previsto no art. 4º da LINDB, destinado a suprir lacunas de índole normativa. Lei omissa casos decididos através de costumes
Costume contra legem = É o costume contrário à ordem jurídica, que se choca com disposição expressa do ordenamento jurídico.
Pergunta-se: Costume contra legem revoga lei? Negativo, o costume deve obediência à ordem jurídica, sendo certo que a retirada da vigência e/ou da eficácia das normas jurídicas somente se admite pelos mecanismos previstos no ordenamento jurídico. É o que deixa claro, o art. 2º da LINDB, ao prever que não se destinando à vigência temporária, a lei terá vigor até que outra a modifique ou revogue.
FUNDAMENTOS DO DIREITO
DEFINIÇÕES BÁSICAS DA DOGMÁTICA JURÍDICA 
DIREITO É POLÍTICA?
A linha que separa Direito e Política se torna cada vez mais tênue. As discussões sobre o assunto afirmam que o “direito”, tomado como um todo, pertence à “política”.  
Como um conjunto de fenômenos, o direito integra sempre um projeto político concreto. Nesse sentido, pode-se dizer que o direito constitui uma forma estilizada de se praticar a política. 
 
De fato, os indivíduos que determinam o que o direito é, em suas dimensões tanto intelectual quanto prática, interferem decisivamente na vida da sociedade e nas atividades do próprio Estado. 
ATIVISMO JUDICIAL = termo técnico para definir a atuação expansiva do judiciário ao interferir em decisões de outros poderes.
JUDICIALIZAÇÃO DA POLÍTICA= consiste na transferência de decisão de questões políticas de maior relevância para o judiciário decidir.
Os juízes, coadjuvados por advogados dos setores público e privado, atuam no sentido de sedimentar ou reformar as normas da política e suas projeções em instituições vivas. 
Esses indivíduos são agentes da comunidade política!
FUNDAMENTOS DO DIREITO
DEFINIÇÕES BÁSICAS DA DOGMÁTICA JURÍDICA
DIREITO OBJETIVO E SUBJETIVO 
Direito Objetivo- É a norma agendi, norma de ação, norma de conduta ditada pelo Poder Público, é o ordenamento jurídico como um todo, traduzindo um comando estatal. 
Diz respeito às normas de conduta social criadas pelo Estado, como por exemplo: Constituição, Leis ordinárias, Leis delegadas, Medidas Provisórias...
 
Direito Subjetivo - É o direito previsto no ordenamento jurídico em favor de alguém, consistente na faculdade de exigir de outrem determinada prestação. 
Assim, o direito subjetivo costuma ser definido como a facultas agendi. Ele representaria um poder de exigir determinado comportamento de outrem, sendo que tal poder é conferido pela norma jurídica.
Esta Foto de Autor Desconhecido está licenciado em CC BY-SA-NC
FUNDAMENTOS DO DIREITO
DEFINIÇÕES BÁSICAS DA DOGMÁTICA JURÍDICA
Direito subjetivo- classificações que costumam ser adotadas pela doutrina. Vejamos ...
Direito absoluto é o direito subjetivo oponível erga omnes, ou seja, contra a todos. Os direitos reais - elencados no art. 1.225 do Código Civil. O direito relativo, por sua vez, é o direito subjetivo oponível em relação a pessoas determinadas na relação jurídica, como é o caso dos direitos de crédito.
Direito transmissível é o direito passível de alienação por seu titular. É o caso, por exemplo, do direito de propriedade. O direito intransmissível é o direito subjetivo não passível de alienação por seu titular, quer por disposição legal (por exemplo, os direitos da personalidade), quer por disposição negocial (cláusula de inalienabilidade oposta em contrato de doação).
Direito patrimonial é o direito passível de avaliação econômica (um direito de crédito), ao passo que o direito não patrimonial não possui valor pecuniário aferível (os direitos da personalidade). 
Direito real diz respeito à relação jurídica entre uma pessoa e um bem (propriedade). O direito obrigacional diz respeito às relações jurídicas entre pessoas (contrato de prestação de serviços).
 
FUNDAMENTOS DO DIREITO
DEFINIÇÕES BÁSICAS DA DOGMÁTICA JURÍDICA
DIREITO MATERIAL E PROCESSUAL
Direito Material (substantivo) - Pode ser conceituado como o corpo de normas que disciplinam as relações jurídicas referentes a bens e utilidades da vida. Reúne normas de conduta social que definem os direitos e deveres das pessoas em suas relações. 
Ex: direito civil, direito penal.
 
Direito Processual (adjetivo) - Diz respeito ao exercício da função jurisdicional pelo Estado, disciplinando a relação jurídica entre o Estado-juiz e as partes do processo. Reúne, regras de procedimento quanto ao andamento das questões forenses. Instrumentalizam o pedido em juízo. 
Ex: direito processual civil, direito processual penal.
Esta Foto de Autor Desconhecido está licenciado em CC BY-NC-ND
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FUNDAMENTOS DO DIREITO
DEFINIÇÕES BÁSICAS DA DOGMÁTICA JURÍDICA
DIREITO PÚBLICO E DIREITO PRIVADO
Ao se falar em direito público, costuma-se correlacionar às normas jurídicas destinadas a regulamentar a relação entre o Estado e a sociedade, ao passo que, ao se fazer menção ao direito privado, quer-se cuidar das normas jurídicas cujo objetivo seria o de disciplinar as relações entre indivíduos. 
 
 
FUNDAMENTOSDO DIREITO
DEFINIÇÕES BÁSICAS DA DOGMÁTICA JURÍDICA
DIREITO PÚBLICO E DIREITO PRIVADO
No século XX, a referida distinção perdeu bastante força. 
Incremento da intervenção do Estado nas relações privadas. 
O Estado-Administração utilizou-se de normas cuja aplicação anteriormente ficavam limitadas aos domínios do direito privado. (contratações públicas). 
Participação mais efetiva do Estado nas relações privadas, antes comandados pela autonomia da vontade e pela liberdade individual (Constitucionalização do Direito).
 
Vale registrar...
A dicotomia entre direito público e direito privado constitui uma discussão no direito contemporâneo. O avanço do poder do Estado nas relações sociais, o dirigismo contratual, a eficácia horizontal dos direitos fundamentais, entre outros fatores, influenciaram na forma como os autores enxergam a diferenciação, chegando ao ponto de alguns até mesmo negá-la.
TEORIAS DO DIREITO
JUSNATURALISMO E POSITIVISMO - INFLUÊNCIAS NO DIREITO
Jusnaturalismo, denominado direito natural é universal, eterno e imutável, é a lei imposta pela natureza a todos. Esta corrente defende que o direito é independente da vontade humana, existe antes mesmo do homem e acima das leis do homem. 
Para os jusnaturalistas o direito é algo natural e tem como pressupostos os valores do ser humano e busca sempre um ideal de justiça.
Vale a pena destacar que...
Na Antiguidade Clássica, esse direito nasce a partir do surgimento das reflexões filosóficas na Grécia antiga, resultado das concepções teológicas e da racionalização de dogmas religiosos.
Aristóteles, discípulo de Platão, é apontado como o pai espiritual do Direito Natural, defendeu a existência de um justo por natureza ao fazer distinção daquilo que ele denominou como o justo por lei.
 
TEORIAS DO DIREITO
JUSNATURALISMO E POSITIVISMO - INFLUÊNCIAS NO DIREITO
Na idade média, o direito natural se desenvolve por meio dos teólogos e canonistas, estudiosos e intérpretes das leis divinas, surge a Escolástica (escola de pensamento cristão).
Com Tomás de Aquino, esse direito atingiu noções que perduram até os dias atuais. Em síntese, a lei tem que ser justa, honesta, possível, útil, necessária, conveniente ao seu lugar e tempo, conforme os costumes.
Evoluímos de um Direito Natural baseado nas experiências e tradições cósmicas e teológicas para um Direito Natural pautado na razão, na racionalidade humana. 
No entanto, a dinâmica da vida social foi, aos poucos, tornando o jusnaturalismo obsoleto, abrindo espaço para o surgimento e desenvolvimento do positivismo jurídico.
TEORIAS DO DIREITO
JUSNATURALISMO E POSITIVISMO - INFLUÊNCIAS NO DIREITO
Juspositivismo – Essa corrente surge da preocupação de se estudar o direito posto por uma autoridade, o ius positum. 
Vale registrar que...
Ser positivista significa, escolher como objeto de estudo o direito posto por uma autoridade.
O positivismo jurídico se relaciona com o processo histórico de substituição das normas de origem religiosa e costumeira pelas leis estatais nas sociedades. 
Neste sentido, o direito positivo é o direito institucionalizado, (im)posto pelo Estado, coercitivamente, posto a viger em dado momento e época.
TEORIAS DO DIREITO
COMPREENSÃO E RACIOCÍNIO CRÍTICO ACERCA DO POSITIVISMO EM HANS KELSEN
Hans Kelsen – Acertadamente foi o positivista mais influente de todos os tempos, o maior expoente dessa corrente de pensamento em todo o mundo, suas formulações e pensamentos produziram e continuam a produzir efeitos nos ordenamentos jurídicos influenciando juristas e filósofos até os dias atuais. 
Kelsen é o autor da consagrada obra Teoria Pura do Direito e considerado o pai do positivismo normativo.
Define o Direito como a ciência das normas. Por norma, o autor entende “um juízo hipotético condicional dispondo que o fazer ou não fazer algo será seguido de uma medida coercitiva do Estado”.
 
TEORIAS DO DIREITO
O POSITIVISMO NORMATIVO DE HANS KELSEN
Kelsen propõe um verdadeiro escalonamento normativo ao qual passamos a chamar de verticalidade hierárquica. 
Uma norma constitui o fundamento de validade de outra. 
Assim, uma norma hierarquicamente inferior busca a sua validade na superior e essa, e na seguinte, até que se chegue à Constituição, que é o fundamento de validade de todo o sistema jurídico-normativo, a norma suprema e de mais alta hierarquia no plano jurídico.
Por fim, a Constituição deve buscar o seu fundamento de validade na norma hipotética fundamental.
TEORIAS DO DIREITO
Pós-positivismo. Teoria Tridimensional do Direito de Miguel Reale.
O jusnaturalismo e o positivismo clássico foram consideradas insuficientes para atender às demandas com as quais o Direito é chamado a lidar na atualidade. 
Pós-positivismo jurídico surge como uma nova teorização do Direito que busca superar (conciliar) os problemas em razão da evolução e da complexidade das relações sociais. 
São correntes de pensamento que surgem no pós-positivismo. 
O Direito como Integridade - Ronald Dworkin 
Teoria Discursiva do Direito - Robert Alexy  Tema 2 - Módulo 3
Teoria Tridimensional do Direito - Miguel Reale  Conteúdo digital
TEORIAS DO DIREITO
 
Pós-positivismo. Teoria Tridimensional do Direito de Miguel Reale.
Vamos abordar o pós-positivismo a partir dos estudos sobre a Teoria Tridimensional do Direito - Miguel Reale. 
Reale formula a sua compreensão do Direito enquanto um fenômeno jurídico-social. 
Correlaciona três fatores interdependentes, que tornam o Direito uma estrutura social axiológico-normativa, ou seja, uma estrutura social pautada e regida por fatos, normas e valores que lhe são indispensáveis.
Sob a ótica tridimensional, fato, valor e norma são dimensões essenciais do Direito, devendo estar sempre inter-relacionados e compreendidos no plano histórico-cultural da sociedade.
Em síntese, Miguel Reale entende que o Direito em sua estrutura é tridimensional, porque deve ser visto como um elemento normativo, que rege e disciplina os comportamentos sociais (individuais e coletivos), pressupondo sempre uma determinada situação de fato, que faz referência a determinados valores.
          
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Relação subordinada ou vertical 
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Relação coordenada ou horizontal 
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Direito Privado 
direito civil 
direito comercial 
direito agrário 
direito do trabalho 
 
Direito Público 
direito constitucional 
 direito penal 
 direito administrativo 
 direito processual 
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