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ELEMENTOS DE MÁQUINAS
AULA 2
Prof. MSc. Rafael Ferreira Gregolin
QUANDO OCORRE A FADIGA
Temos tensões:
Variáveis,
Repetidas,
Alternantes ou
Flutuantes.
O QUE É FADIGA
Fadiga é um processo de "alteração
estrutural" permanente, localizada e progressiva,
que ocorre em um material solicitado com tensões e
deformações cíclicas em um ou mais pontos do
material e que pode culminar em trincas ou fratura
completa após um número de ciclos suficientemente
grande.
ESTÁGIOS DA FADIGA
Como o fenômeno da fadiga envolve pelo
menos três estágios; nucleação de uma trinca,
crescimento da trinca até um determinado
comprimento e fratura final do espécime, da
definição anteriormente citada tem-se que a
"alteração estrutural" representa a presença de
uma trinca, que é "permanente e localizada", e
"progressiva" representa a propagação da trinca.
O ESTUDO DA FADIGA PODE SER DIVIDIDO
EM TRÊS ENFOQUES:
1 - Fadiga em alto ciclo ("high cycle fatigue") ou fadiga
controlada por tensões cíclicas. As principais
características de componentes classificados dentro
desse enfoque são dados pelas Equações (1.1) e (1.2). As
Curvas S-N (curvas da tensão em função do número de
ciclos até a fratura) são as curvas características deste
enfoque.
σn < σe (1.1)
Nf > 10^3 ...ciclos (1.2)
Nas Equações (1.1) e (1.2) σn é a tensão nominal (tensão
aplicada no componente mecânico ou espécime), σe é o
limite de escoamento do material do componente
mecânico ou espécime e Nf é a vida em fadiga (número
de ciclos até a fratura).
2 - Fadiga em baixo ciclo ("low cycle fatigue")
ou fadiga controlada por deformações
cíclicas. Nesse enfoque os níveis da tensão
nominal, dados pela Equação (1.3), são
superiores ao limite de escoamento e o
número de ciclos até a fratura inferior a 10^3
ciclos, de acordo com a Equação (1.4). As
curvas S-N (curvas da deformação em função
do número de ciclos até a fratura) são
características fundamentais deste enfoque.
σn > σe (1.3)
Nf < 10^3 ...ciclos (1.4)
3- Propagação de trinca por fadiga
que utiliza a metodologia da Mecânica da
Fratura. Neste caso, a curva característica
é a taxa de propagação da trinca por
fadiga (da/dN) em função da variação do
fator de intensidade de tensão (DK).
Os quatro estágios do processo de fadiga:
O fenômeno da fadiga pode ser dividido em quatro estágios:
1º) Iniciação da trinca - inclui o desenvolvimento
inicial dos danos causados pelo carregamento cíclico;
2º) Crescimento das trinca em bandas de
deslizamento - aprofundamento da trinca inicial nos
planos com altas tensões de cisalhamento;
3º) Crescimento da trinca em planos de altas tensões de
tração - envolve o crescimento de uma trinca bem
definida na direção normal à tensão normal máxima ;
4º) Ruptura final - ocorre quando a trinca atinge um
comprimento tal que a secção transversal resistente do
espécime não mais suporta a carga.
SUPERFÍCIE TÍPICA DE FADIGA
PRINCIPAIS MÉTODOS DE ANÁLISE DA
FADIGA
Métodos fadiga-vida.
Métodos tensão-vida (Utilizaremos em nossos
cálculos).
Métodos deformação-vida.
Método da mecânica da fratura linear elástica.
DISPOSITIVO DE ENSAIO R.R.MOORE
MÉTODO TENSÃO VIDA
ENSAIO DE MÁQUINA DE VIGA ROTATIVA
DIAGRAMA S-N
DIAGRAMA S-
N
LIMITE DE RESISTÊNCIA A FADIGA
Sf’= 0,5Sut Sut<=1400MPa
700MPa Sut>1400MPa
Para o corpo de prova ensaiado
FATORES MODIFICADORES DO LIMITE DE
FADIGA
Os fatores modificados do limite de fadiga
quantificam essas diferenças relacionadas ao
componente e corpo de prova em termos da condição
superficial, do tamanho, do tipo de carregamento, da
temperatura e de outros fatores. A questão de ajuste do
limite de fadiga por correções subtrativas ou
multiplicativas foi resolvida por uma análise extensiva
de um aço 4340, de qualidade aeronáutica, na qual foi
encontrado um coeficiente de correlação de 0,85 para a
forma multiplicativa e de 0,40 para a forma aditiva.
Assim, o limite de fadiga de componentes de aço pode
ser estimado a partir da equação de Marin [Equação
(4.12)]:
Sf = (ka.kb.kc.kd.ke.kf )×Sf’ (4.12)
FATORES MODIFICADORES
Sf é o limite de fadiga do componente
estrutural (na condição de funcionamento), Sf’ é o
limite de fadiga do corpo de prova (do ensaio da
barreta rotativa - flexão alternada simétrica), ka é
o fator de modificação da condição superficial (fator
de superfície), kb é o fator de modificação do
tamanho, kc é o fator de modificação da carga, kd é
o fator de modificação da temperatura, ke é o fator
de modificação associado à confiabilidade e kf é o
fator de modificação de outros efeitos (tensões
residuais, corrosão, eletrodeposição, freqüência etc).
KA-FATOR DE SUPERFÍCIE
KB-FATOR DE TAMANHO
O modelo atualmente proposto de kb para solicitação em
flexão e torção, baseado em um grande volume de
pesquisas, é dado pela Equação (4.14), para modelos em
rotação.
Para carregamento axial não há efeito do tamanho, ou
seja, kb=1.
Para seções não circulares usamos a dimensão efetiva,
que são tabeladas de acordo com a geometria da seção.
Para formas retangulares: de=0,808(h.b)^1/2
Quando em não rotação usar também a dimensão
efetiva.
KC-FATOR DO TIPO DE CARGA
Os valores médios do fator de carga kc são dados
pela equação (4.16).
KD-FATOR DE TEMPERATURA
Kd=0,9877+0,6507(10^-3)Tc-
0,3414(10^-5)Tc^2+0,5621(10^-8)Tc^3-
6,246(10^-12)Tc^4
Onde, 37°C<=TC<=540°C
KE-FATOR DE CONFIABILIDADE
Dados apresentados por Hougen e Wirching
mostraram que o desvio padrão associado ao limite
de fadiga de aços é da ordem de 8%. Assim, o fator
de confiabilidade - ke - pode ser dado pela Equação
(4.18).
ke = 1 - 0,08za (4.18)
onde za representa a probabilidade associada com a
distribuição estatística. Para a distribuição normal,
za é dado na Tabela 4.4.
KF-FATOR DE EFEITOS DIVERSOS
O fator kf deve levar em consideração todos
os outros fatores que não foram considerados nos
fatores anteriormente analisados. Assim, a
presença de tensões residuais (decorrentes, por
exemplo, do jateamento de granalhas de aço etc), a
presença de uma camada eletrodepositada na
superfície do componente estrutural, a
possibilidade de corrosão, a freqüência (quando
esta influenciar a fadiga, como no caso da corrosão)
etc. Se não há mais efeitos além dos já analizados
kf=1.
EFEITO DA TENSÃO MÉDIA
DIAGRAMA DE GOODMAN
EXERCÍCIO
Uma barra de aço 1015 laminada a quente foi
usinada a um diâmetro de 25 mm. É para ser
colocada em carregamento axial reverso por
70.000 ciclos até falhar em uma ambiente
operacional de 300C. Usando uma
confiabilidade de 99%, calcule a resistência à
fadiga a vida infinita da peça e a resistência à
fadiga a 70.000 ciclos.
Dados: (Sut)300C=331,5MPa Sf=aN^b
(Sf’)25C=165,8MPa a=891 e b=-0,1431
EXERCÍCIO PARA SALA
Uma barra de aço 1045 retificada a um diâmetro de 52
mm. Será colocada em carregamento de torção pura por
40.000 ciclos até falhar em uma ambiente operacional de
500°C. Usando uma confiabilidade de 95%, calcule a
resistência à fadiga a vida infinita da peça e a
resistência à fadiga a 40.000 ciclos.
Dados: (Sut)25°C=400MPa Sf=aN^b(Sf’)25°C=200MPa a=(0.9Sut)^2/Se
b=-1/3log(0,9Sut/Se)