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ESPAÇO GEOGRÁFICO 
MUNDIAL 
AULA 6 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Profª Wiviany Mattozo de Araujo 
 
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CONVERSA INICIAL 
 Foi possível, com base no que foi estudado anteriormente, entender 
conceitos e perspectivas a respeito de diversos temas geográficos, como 
espaço, território, região, além de relações com a história e com a sociologia, as 
diversidades de cada continente, os aspectos geopolíticos que envolveram a 
segunda metade do século XX, as potências mundiais, os tipos de 
desenvolvimento, desigualdade, a globalização e, por fim, um tema bastante 
complexo e que tem se destacado nos últimos anos no estudo geográfico, e que 
merece atenção: a geografia das redes. Tal como várias áreas da geografia, esta 
é bastante ampla, e se dedica a compreender e explicar diversos fenômenos 
muito atuais, como as redes de comunicação, de transportes, economia, o 
mercado internacional e os impactos dessas redes no mundo. 
 Para isso, usaremos autores consagrados da Geografia, como Milton 
Santos (já estudado em diversas aulas da disciplina), com o objetivo de entender 
os efeitos das relações existentes nas redes geográficas e também como elas 
se constituem no espaço geográfico, e como o transformam. Para esse momento 
da disciplina, será necessário também ter em mente alguns dos conhecimentos 
construídos em outros momentos, como os aspectos paisagísticos, os índices 
socioeconômicos de cada continente, o conceito de espaço, região, 
regionalização, além das leituras referentes a desenvolvimento e desigualdade 
social e econômica, já que tudo isto é também componente das relações 
existentes no espaço que formam as redes. 
 Relembramos também a necessidade de entender temas já vistos, como 
o meio-técnico-científico-informacional, a Globalização, a Nova Ordem Mundial, 
e também a Divisão Internacional do Trabalho, que ainda será brevemente 
analisada durante esta aula. 
 É fundamental pensar a respeito das análises construídas sobre o espaço 
geográfico mundial, também como futuras ferramentas para pesquisas e 
análises próprias, com base em boas e sólidas referências, bem como em 
autores importantes para a ciência geográfica. É preciso igualmente se lembrar 
de que outras ciências humanas e áreas do conhecimento, como a história, 
sociologia, antropologia, ciência política e economia, podem nos ajudar a 
entender o mundo e a sociedade. 
 
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TEMA 1 – MERCADO INTERNACIONAL 
Fato é que as redes ocorrem no espaço geográfico. Apenas por essa 
concepção já é possível deduzir que as ideias a respeito do tema variam de 
acordo com as concepções de espaço e os autores estudados. Quanto ao 
Mercado Internacional e Financeiro, não é diferente, pois este tema utiliza de 
redes de comunicação mundial e também do entendimento de Divisão 
Internacional do Trabalho (DIT). A DIT é importante para entender o Mercado 
Internacional, porque é o que orienta a indústria e as produções mundiais, já que 
nos elucida não apenas sobre a localização das produções, mas também sobre 
as exportações e importações que ocorrem no mundo, bem como as relações 
de trabalho. Importante destacar também que a Divisão Internacional do 
Trabalho se divide em três períodos, que acompanham inclusive as fases de 
desenvolvimento do capitalismo. 
A terceira Divisão Internacional do Trabalho diz respeito ao avanço da 
globalização e, por consequência, do meio técnico-científico-informacional. Com 
isto, é importante destacar as diferenças do mercado internacional para os 
países subdesenvolvidos e para os países desenvolvidos, já que a indústria em 
cada um é bastante diferente. Para a terceira DIT, os países subdesenvolvidos 
passaram por um processo de industrialização e de desenvolvimento tardio (que 
corresponde também ao que vimos anteriormente a respeito da teoria do 
desenvolvimento desigual de Trotsky), enquanto os países desenvolvidos se 
ocupam de altas tecnologias e de investimento. 
Além disso, uma grande diferença entre os países subdesenvolvidos e os 
países desenvolvidos é a exportação de matérias-primas e o consumo de tipos 
diferentes de produtos industrializados. Isso quer dizer que, em geral, os 
produtos resultados de grandes pesquisas, e que necessitam de muita 
tecnologia, são desenvolvidos nos países desenvolvidos, e por diversas vezes 
produzidos nos países subdesenvolvidos – necessita-se de mão de obra menos 
qualificada para a montagem, do que para o desenvolvimento tecnológico. Isso 
acaba por realçar os aspectos de desigualdade no cenário mundial. 
Mas afinal, como os países passam pelo processo de industrialização e 
como o Mercado Internacional corresponde a essas dinâmicas? É através do 
Capitalismo Financeiro que as multinacionais se instalam e se expandem, 
efetivando assim o mercado internacional. 
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Para compreender melhor a relação entre a fase atual do capitalismo, o 
mercado financeiro internacional e os processos de industrialização, é 
necessário entender aspectos importantes, como o desenvolvimento industrial 
no mundo, os investimentos econômicos e como o dinheiro circula, lembrando 
também de como essa dinâmica reflete em preservar lógicas desiguais no 
espaço mundial. Para esse último aspecto é interessante considerar a afirmação 
de Pereira (2009) sobre as redes, quanto à característica de dualidade das 
redes, integração e fragmentação, que vale também para redes de transporte, 
comunicação e relações de integração do mercado financeiro internacional. 
Em buscas de bibliografia a respeito do tema, é importante destacar como 
as redes bancárias se destacam nos estudos geográficos. Esse aspecto 
interessa também pelo crescente movimento dos bancos e tecnologia, inclusive 
nos países subdesenvolvidos. Além disso, é importante destacar também a 
abertura econômica realizada em países importantes a partir da década de 90 
(influência do fim da Guerra Fria e queda do Muro de Berlim), como a abertura 
econômica de países, inclusive do Brasil, e as relações comerciais se 
transformando inclusive, por meio da revolução informacional e da consolidação 
do meio técnico-cientifico-informacional, por exemplo. 
Outro fator importante no mercado internacional é a ampliação de blocos 
econômicos ao redor do mundo (tema visto nesta disciplina), e como esses 
blocos são em geral integradores, mesmo fazendo parte de um sistema 
econômico que fragmenta relações e acentua desigualdades, ao mesmo tempo 
em que integra a comunicação, o transporte e o mercado, por exemplo. 
Uma questão importante para além da industrialização, quando o tema é 
mercado internacional, é a importação e exportação, não só de bens, mas de 
commodities, fundamentais na dinâmica econômica de países emergentes, 
como o caso do Brasil, que atualmente exporta soja e carnes – o que inclusive 
possibilita a abertura de debates para as influências das culturas e religiões 
sobre as relações econômicas, como a exportação de carnes de abate halal, que 
baliza grande parte do setor da pecuária brasileira, entre outras situações. 
TEMA 2 – SETOR TERCIÁRIO 
O setor terciário, como já sabido, é o setor em que se encontram o 
comércio e a prestação de serviços, o que o torna muito mais tangível, tanto no 
ensino como na vivência do geógrafo, já que pode ser diariamente percebido e 
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vivido. Além disso, provê serviços fundamentais e básicos à população, como 
saúde, educação, transporte e serviços públicos; com isso, é possível 
compreender a importância do setor terciário, não só para a economia, mas 
também para o desenvolvimento de regiões e países. 
Correia Dantas (2007) constrói uma analise a respeito do setor terciário, 
principalmente o brasileiro, considerando também os processos de terciarização 
e as relações de trabalho existentes no capitalismo; para isto, o autor revisa 
aspectos importantes das ideias de Marx, que podem nos auxiliar a compreender 
as dinâmicas do setorno meio técnico-cientifico-informacional e na atual fase do 
capitalismo, inclusive com os aspectos da globalização. Importante frisar que o 
autor não utiliza Marx para justificar os desafios do setor (até porque seria 
anacrônico e incompatível), mas entende o setor terciário de uma maneira que 
considera os trabalhadores do setor como aliados dos trabalhadores dos setores 
primário e secundário. Correia Dantas (2007) explica como o setor terciário 
também afeta a estrutura da Divisão Social do Trabalho, sendo resultado da 
Divisão Internacional do Trabalho. 
Neste momento, cabe construir uma breve diferenciação entre a Divisão 
Social do Trabalho e a Divisão Internacional do Trabalho, sendo a primeira a 
divisão que ocorre através de classes ou grupos sociais referentes à distribuição 
do trabalho em uma estrutura social, enquanto a Divisão Internacional do 
Trabalho diz respeito aos países e suas respectivas produções, importações e 
exportações, por exemplo. 
Correia Dantas (2007) destaca também como o setor terciário se mostra 
permanente na estrutura econômica vigente, e como essa complexidade e a 
proporção atingida pelo setor terciário, bem como sua articulação, exigem não 
só uma análise econômica, mas uma análise da cidade, que é um dos espaços 
onde o setor terciário pode se reproduzir. Além disso, de acordo com o autor, o 
setor terciário estabelece também uma estrutura hierárquica do emprego, e uma 
diferenciação espacial em diversas escalas, o que gera desigualdade, que pode 
ser analisada com novos parâmetros, dada a expansão e a perpetuação do setor 
no mercado financeiro. 
O texto de Correia Dantas é bastante indicado para compreender o setor 
terciário, porque considera diversos aspectos fundamentais para a geografia, 
como a desigualdade, o sistema econômico, o espaço e os efeitos de uma rede 
macroeconômica no setor terciário, através também do trabalho, já que o setor 
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é composto por diversos tipos de mão de obra, níveis de formação e demandas 
socioeconômicas. Correia Dantas utiliza a análise de Lipietz (1988) para 
compreender também as particularidades do setor no âmbito global, e para isso 
cita também a Divisão Internacional do Trabalho, como a expansão japonesa se 
relaciona com a dependência dos Estados Unidos, e de que modo isso leva à 
integração como forma de adquirir autonomia e transformar a tendência de perda 
de hegemonia política e econômica no globo. Nesse momento, é possível citar 
como, por exemplo, essa integração como recurso político pode ter resultados 
na formação e na consolidação de blocos internacionais de poder, e por 
consequência nos blocos econômicos (tema visto nesta disciplina) 
 Essa ampla e complexa análise do setor terciário, não contendo apenas 
as informações primordiais já conhecidas de outros momentos de nossa 
formação, é fundamental para entender o setor, não só como um fato econômico, 
mas com todos seus impactos e relações com o meio em que vivemos e com a 
globalização. 
TEMA 3 – REDES DE TRANSPORTES 
 A ideia da rede de transportes é provavelmente um dos temas mais 
aplicáveis na pesquisa e no ensino de geografia, isso porque o transporte já é 
objeto de estudo da geografia e da economia há bastante tempo, como peça 
fundamental nas teorias regionais, como a Teoria da Localidade Central (já 
citada em outros momentos da disciplina) e a Teoria dos Polos de Crescimento 
de Perroux, que utilizavam das dinâmicas de produção e transporte (atualmente 
setores econômicos) para pensar o planejamento regional e a economia. Essa 
relação existente entre a geografia e o transporte nos deixa confortáveis e mais 
aptos a compreender as dinâmicas de rede que ocorrem no globo e no 
transporte. A princípio, é possível relembrar a importância do transporte para o 
desenvolvimento da humanidade, além de sua evolução ao longo da história. 
Atualmente, quando se fala em redes de transporte global, é 
imprescindível pensar na importância dos fluxos (fluxos de mercado e de 
mercadorias), e como essas mercadorias se deslocam no cenário mundial. Com 
isso, dois meios se destacam: a navegação (inclusive historicamente, como os 
mercados de especiarias durante o período de colonização das Américas) e a 
aviação. Pereira (2009), num estudo sobre as redes de transporte, constrói uma 
análise para fundamentar o conceito de Redes de Transporte, e o relaciona 
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diretamente com a aplicação de objetos técnicos e objetos de ação, através da 
revolução do aparato técnico. Citando Castells (1999), explica como a sociedade 
passa a ser vista como uma “sociedade de redes”, e o espaço como “espaço de 
fluxos”. 
Com isso, ressalta-se a importância da globalização nesse processo de 
análise dos fluxos do espaço e das redes, e como esse fenômeno não favorece 
toda a sociedade, já que as técnicas, a ciência e a informação (que veremos na 
sequência) não atingem toda a sociedade e/ou todo o globo, característica 
também citada por Hobsbawn (2007). 
Pereira (2009) também aprofunda o debate a respeito de dois aspectos 
muito importantes para o estudo das redes de transporte neste momento: “a 
compreensão das transformações contemporâneas nas redes de transporte em 
suas diferentes feições e usos” e “o poder destes sistemas reticulares de 
transporte na transformação dos territórios”. Aqui, é importante relembrar das 
influências do sistema econômico capitalista sobre os temas já vistos nesta aula, 
através de fatos históricos. O mercado internacional e os setores econômicos 
estão relacionados com a rede de transporte internacional, porque é através do 
comércio (e da rede de comunicação, como veremos a seguir) que a economia 
capitalista se expande. 
A análise de Pereira (2009, p. 123) considera como, nas últimas décadas, 
a modernização dos sistemas de transporte esteve ligada a atividades 
específicas, realizadas por macroatores da economia, enquanto as formas de 
trabalho com menos capital dependem ainda de sistemas de transportes 
considerados, até mesmo, obsoletos (reforçando desigualdades globais). 
Porém, o autor destaca que com esse fenômeno, sobre a categoria de análise 
espaço, é possível perceber como novos usos e novas territorialidades surgem 
do uso das redes de transportes modernas ou mais antigas. Ou seja, mesmo 
quando as redes de transportes apresentam diferentes níveis, ainda assim é 
possível perceber as construções dos territórios ao redor do mundo. 
TEMA 4 – REDES DE COMUNICAÇÃO 
Considerando os aspectos apresentados do mundo globalizado em que 
vivemos, a comunicação se torna imprescindível, isso porque auxilia na 
dinamização de políticas e também das relações internacionais. É evidente que, 
nas últimas décadas, a internet tem se destacado como meio de comunicação, 
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tendo transformado o que pensávamos sobre o tema. Esse fenômeno pode abrir 
debates interessantes, inclusive a partir do conceito desenvolvido de o meio 
técnico-científico-informacional. É evidente que Milton Santos não pode prever o 
advento e a popularização da internet e seus impactos da informação, já que foi 
no fim dos anos 1980 e início dos anos 1990 que o autor desenvolve o conceito 
de meio-técnico-cientifico para meio-técnico-cientifico-informacional; ainda 
assim, é possível entender alguns desses aspectos aplicados à rede mundial de 
comunicação e seus impactos. 
 Para isso, podemos entender a breve análise das redes de comunicação 
existente no livro Por uma Economia Política da Cidade, de Milton Santos (2012), 
em que considera a visão de Bakis (1987, p. 68) para compreender como a 
organização da comunicação “evidencia a correlação entre as redes de 
comunicação planetárias e a possibilidade dos fluxos de informação e a 
presença e funcionamento das grandes firmas com vocação internacional”. Essa 
análise simples e concisa aponta a importância de se pensar as redes de 
comunicação, não só as aplicações do cotidiano, mas tambémseus efeitos na 
economia global e os impactos para a tecnologia e a ciência. Milton Santos 
(2012, p. 33), logo após considerar a ideia de Bakis, analisa um fator muito 
importante para entender a atual rede de comunicação: “são os lugares com alta 
densidade informacional que estão votados a ser os pontos de realização dessa 
economia mundial, renovada, característica da época contemporânea”. Esse 
fator levanta uma reflexão a respeito do reforço das desigualdades e seus 
sistemas (característica da globalização já apontada por Milton Santos 
anteriormente). As redes de informação consolidam sistemas e atores 
privilegiados e, por consequência, desiguais. 
É importante também destacar, neste tema, como o caso específico das 
redes de comunicação constroem também a ideia de um novo espaço, o espaço 
virtual, que pode ser analisado com base em conceitos e conhecimentos 
geográficos. Além disso, outro ponto importante dentro do estudo das redes de 
comunicação e do espaço virtual é a possibilidade de transações financeiras 
ocorrerem com ainda mais facilidade, dinamizando o mercado financeiro 
internacional. 
Pereira (2009) inicia o debate sobre redes considerando a complexidade 
do fenômeno, não só no espaço geográfico, mas também no tempo e na escala 
global, entendendo principalmente a rede de comunicação como a possibilidade 
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de fluxos imateriais através dos mais diversos territórios. A transação de dados 
e informações no cenário global é fundamental também para entender a já citada 
“dualidade das redes”, entendida através do processo de globalização. Para 
facilitar essa linha de raciocínio, é possível partir do meio técnico-cientifico-
informacional como um catalisador do processo de globalização – como 
apontado por Milton Santos, se trata de um fenômeno perverso, e que aprofunda 
as desigualdades, enquanto as redes de comunicação, e também de transporte, 
também fazem parte do processo de favorecer lugares já favorecidos pelo 
sistema, ao invés de homogeneizar os dados e fenômenos socioeconômicos. 
TEMA 5 – IMPACTOS DAS REDES E DESIGUALDADE 
 Como vimos nesta aula, os setores econômicos, o mercado internacional 
e as redes de comunicação e de transporte têm fortes relações com o processo 
de globalização, e, como todo o fenômeno, trazem consequências. Esses 
vínculos são resultado não só do fenômeno geográfico, mas também de fatos 
históricos, que explicam as dinâmicas existentes entre os mais diversos lugares 
do mundo, bem como os sistemas econômicos e as políticas globais que 
atualmente se refletem no neoliberalismo e em uma espécie de neocolonialismo 
(Chomsky; Coutinho, 1996, p. 227), por exemplo. 
 Autores já citados nesta disciplina e nesta aula se dedicaram não só a 
entender o que ocorre no espaço geográfico, como também seus efeitos, 
intenção inclusive deste tema da aula. Pereira (2009, p. 122) afirma, que sem 
dúvida, o período de globalização exigente, que é de uma transformação 
quantitativa e qualitativa dos movimentos, redefine o território, processo cujo 
resultado mais imediato, no que se refere à questão das redes, pode ser 
evidenciado nos sistemas atuais de transporte e de informação. Com isso, é 
possível entender como o processo de globalização reflete nas redes e por 
consequência como impacta na sociedade e na economia. 
 Milton Santos aborda que a mundialização (fenômeno de processo e 
resultado distinto do de globalização) “é acompanhada por um enorme 
desenvolvimento das atividades aliadas à comunicação, entre países e dentro 
de cada país” (2007, p. 33). Ao contrário de uma crítica, o autor entende como a 
informação e suas redes têm potencial de beneficiar a sociedade e o espaço em 
que ocorrem seus fluxos – porém, destaca como é necessário que o 
desenvolvimento esteja aliado à comunicação em diferentes escalas. 
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 Incontestável é o debate existente em torno das redes, seja de 
comunicação ou de transporte, e seus impactos e efeitos desiguais no cenário 
global. Como recurso para analisar, é possível buscar países com condições de 
trabalho questionadas a nível internacional, enquanto suas exportações se 
destacam – como a China, que mesmo se tratando de uma grande economia, 
tem índices de desigualdade alarmantes. Tim Marshal (2015) destaca como a 
linha férrea da China em direção ao Tibete é antes de tudo um desafio da 
engenharia, mas também um reflexo da desigualdade existente no país, já que 
são diversos produtos e tecnologias transportados até o que o autor chama de 
“uma terra antiga e empobrecida”, ao mesmo tempo em que os chineses 
ampliam suas redes de transportes marítimos e aproximam até suas relações 
com os Estados Unidos. Porém, mesmo com as dificuldades da população 
chinesa, as lideranças do país continuam investindo em tecnologia bélica e 
misseis, por exemplo. 
 A questão das desigualdades através das redes é também um diálogo 
necessário, considerando a Nova Ordem Mundial, isso porque as tecnologias e 
o desenvolvimento das redes de transporte, citadas por Pereira (2009), são 
diferentes em diversos lugares do mundo, sendo correspondentes ao 
investimento e à tecnologia disponíveis em cada lugar – assim é, por dedução, 
ao menos pensar em como se constroem as relações internacionais comerciais 
e as redes em países do Sul e países do Norte, por exemplo. 
 As indagações pertinentes ao tema são, como já dito, reflexo também dos 
processos e fenômenos do espaço global na atualidade, e por isso é tão 
importante buscar entender e estudar não apenas a sua essência, como também 
suas causas e efeitos diante dos sistemas econômicos e políticos. 
NA PRÁTICA 
 Ao estudar tantas teorias, correntes de pensamento, autores, análises e 
efeitos de fenômenos espaciais e territoriais, fica mais fácil aplicar esse 
conhecimento nas realidades e na prática. Quando nos dedicamos aos estudos 
de redes, é importante utilizar de um dos recursos mais conhecidos da geografia: 
os mapas, disponíveis em diversos locais, livros e textos, e que apontam ou 
instigam as análises necessárias para se entender dinâmicas econômicas e 
efeitos sociais em todo o mundo. Além disso, com o fim da disciplina e a leitura 
proposital não só de geógrafos, mas de jornalistas, historiadores e sociólogos, é 
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possível entender com mais facilidade as políticas globais que são resultado não 
só do espaço, mas também da história e dos princípios econômicos de diversas 
regiões. 
 A utilização e o estudo dos mapas, em conjunto com diversas 
bibliografias, têm o objetivo de possibilitar a construção de análises e estudos de 
maneira mais autônoma. Dentro da geografia das redes, são infinitos os mapas 
de fluxos de mercadoria, mercado e informações, que podem nos guiar durante 
os estudos e também a entender essas relações políticas tão citadas, que são 
essenciais para a compreensão de nossas realidades em diferentes escalas, 
regionais ou mundiais. 
FINALIZANDO 
 Com o fim da disciplina, é importante retomar conteúdos. Durante as 
aulas, foi possível aprimorar os estudos sobre conceitos fundamentais para a 
pesquisa e o ensino em geografia, como espaço, região e território, além dos 
processos que os determinam e dos fenômenos que ocorrem e condicionam 
aspectos socioeconômicos e políticos em diversas escalas. Além disso, os 
conhecimentos básicos sobre cada continente, considerando categorias de 
análise distintas e fatos históricos, fazem parte da construção da ciência 
geográfica. Por fim, chegamos às aulas referentes a temas que ajudam a explicar 
a geopolítica, temo em geral complexo, por abordar políticas econômicas que já 
foram temas centrais de guerras e conflitos, como o socialismo e o capitalismo. 
 A presente aula construiu uma abordagem de um tema mais recente da 
geografia, as redes, que são resultados de diversos estudos construídos ao 
longo dos séculos da ciência geográfica, além de considerar a economia, aglobalização e seus efeitos, que são resultado das dinâmicas globais, sejam elas 
excludentes ou inclusivas. 
 
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REFERÊNCIAS 
CHOMSKY, N.; COUTINHO, P. R. Novas e velhas ordens mundiais. São 
Paulo: Scritta, 1996. 
DANTAS, E. W. C. Imaginário social nordestino e políticas de desenvolvimento 
do turismo no Nordeste brasileiro. GEOUSP: Espaço e Tempo, 2007. 
MARSHALL, T. Prisioneiros da Geografia: 10 mapas que explicam tudo o que 
você precisa saber sobre política global. Rio de Janeiro: Zahar, 2015. 
HOBSBAWM, E. J. Globalização, democracia e terrorismo. São Paulo: 
Companhia das Letras, 2007. 
PEREIRA, M. F. V. Redes, sistemas de transportes e as novas dinâmicas do 
território no período atual: notas sobre o caso brasileiro. Sociedade & Natureza, 
v. 21, 2009. 
SANTOS, M. A natureza do espaço. São Paulo: Edusp, 1997. 
_____. Espaço e método. São Paulo: Edusp, 2007. 
_____. Por uma economia política da cidade. São Paulo: Edusp, 2012. 
_____. Técnica, espaço, tempo: globalização e meio técnico-científico-
informacional. São Paulo: Edusp, 2013.