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Regina Maria Bueno Bacellar
Teoria Geral do Direito
UNICURITIBA
 No século XVIII emerge o positivismo, teoria sistematizada
por
Augusto Comte, que alinhado com o seu tempo considera
ser necessário estabelecer leis
gerais capazes de fazer a sociedade evoluir ao ponto das
ciências e da indústria. Para tanto, a
educação era o meio capaz de alcançar o estado positivo,
pois somente um bom
direcionamento do ensino libertaria o indivíduo
gradativamente dos estados teológico e
metafísico chegando ao estado último com a reforma total
das instituições sociais.
 O positivismo é uma corrente estruturada por Augusto
Comte (1798-1895) durante a hegemonia do período
moderno que influenciou significativamente os séculos XIX e
XX.
 O empirismo, onde o positivismo se aloca, em entendimento
diverso ao idealismo acredita que é necessário apartar-se da
metafísica tradicional, pois sua conceituação sem
verificação é desprovida de cunho científico. “Desta forma o
pensamento metafísico é
desbancado do centro das preocupações da Filosofia
Moderna e Contemporânea e substituída
pelos chamados conhecimentos objetivos e neutros
formulados e apresentados pela teoria
científica” (MARTINAZZO, 2000)
 O pensamento positivo é organizado por Augusto Comte,
entretanto a ciência social como modelo de ciência natural
foi idealizada por outros, como Saint- Simon (1760-1825)
do qual se tornou secretário e sofreu influências diretas.
 Nascido em Montpellier, na França, no ano de 1798, anos
após a Revolução Francesa, Comte viveu a ideologia
revolucionárias e alimentou-se da filosofia iluminista.
Estudou, a partir dos
dezesseis anos, na Escola Politécnica de Paris, modelo de
educação que considerou exemplar para a educação
superior, pois conjugava ciência e técnica. Essa instituição
teve considerável importância nos pensamentos de
Comte, pois lá tomou contato com escritos da época, tais
como os do cientista Sadi Carnot (1796-1832) e Pierre
Simon de Laplace (1749-1827).
(COMTE, 1991).
 A necessidade de reorganizar a sociedade por meio do
positivismo consiste na
superação de outros dois estados, quais sejam o
teológico e o metafísico. Assim, há uma
progressão da ciência e do espírito humano
verificados histórica e educacionalmente.
Teológico, é característico do primeiro espírito, neles
as causas e fins dos
fenômenos tem origem sobrenatural o que possibilita
a coesão social fundamentando a moral.
Este estado mostra-se em três fases subsequentes
sendo elas o fetichismo, o politeísmo e o
monoteísmo.
 Metafísico, possibilita a passagem do estado primeiro, o
teológico, ao estado último, o positivo.
 No estado metafísico o sobrenatural
é substituído por forças abstratas que se consideram capazes
de, por si só, de conhecer os fenômenos observados
atribuindo para cada um uma entidade, uma ideia.
 Por fim, tem-se na Lei dos Três Estados, o estado positivo.
Nesta fase há uma despreocupação com os polos do
universo, sua origem e destino, para se deter as suas leis
efetivas alcançadas pela
comunhão da razão e observação conhecendo sua relação
invariável de similitude e sucessão.
A argumentação e a imaginação subordinam-se a
observação (COMTE, 1991).
 Na concepção Comteana há duas leis fundamentais que
apresentam a sociedade, sendo elas a estática social e a
dinâmica social. A primeira garante a
ordem necessária para a evolução da sociedade mediante a
ausência de caos. Já a dinâmica
social sucede a estática social, pois dela é dependente,
assim, somente em ordem à sociedade
pode alcançar o progresso e ganhar qualidade.
 As ideias positivistas foram inseridas no Brasil
durante o Segundo Império (1840-
1889) quando os estudiosos brasileiros retornaram
da França após completarem seus estudos.
 Esse período definido pela regência do Imperador
Dom Pedro II descontentava a todos, pois
somente nele se concentrava o poder triunfando a
arbitrariedade, assim, políticos, intelectuais
e clero encontravam-se restritos pelo domínio do
Imperador que sempre neutralizava seus
opositores (TORRES, 1957).
O marco inaugural da influência positivista no Brasil deu-se
em 1850, momento em
que foi apresentada, na Escola Militar, a tese de
doutoramento de Miguel Joaquim Pereira
de Sá cujo título era “Dissertação sobre os princípios da
estática” e tinha em sua
fundamentação o pensamento Comteano.
Personagem importante para a introdução e
disseminação do positivismo no Brasil foi Benjamin Constant
(1836-1891) que, dentre outras
atividades, foi professor da Escola Politécnica e da Escola
Militar.
 O positivismo alcançou significância tamanha no
Brasil a ponto de ser ostentado na
bandeira brasileira com o lema “Ordem e Progresso”,
máxima política positivista, surgida a
partir da divisa Comteana “O Amor por princípio, e a
Ordem por Base; o Progresso por fim”.
Influenciou ainda a confecção da Constituição de 1891
a modo que “A primeira vista poderia
parecer que o Congresso Constituinte da República,
reunido em 15 de novembro de 1890,
fosse uma assembleia positivista
A educação é uma ciência social e como tal é delineada pelo 
positivismo em três concepções: 
 Descobrimento de leis naturais invariáveis dos fenômenos 
sem admitir a racionalidade humana quanto aos apures 
mistérios explicados pela teologia; 
 Instituição do método das ciências naturais, abstratas que tem 
por objeto a descobertas de leis que regem outras classes de 
fenômenos para conhecer as ciências sociais 
 Objeto destas como observações de fenômenos de forma 
objetiva e imparcial (COMTE, 1991).
 Com a proclamação da República Brasileira, em 1889,
e a subsistente divergência
entre os idealistas liberais moderados e
conservadores, necessitou-se formar uma identidade
ao novo Estado e para isso usaram-se das faculdades
jurídicas como meio de estruturação e
difusão do modelo estatal (WOLKMER, 2003).
 O acadêmico de Direito
tinha uma formação direcionada ao que
corresponderia a essência do país, pois seria servidor
público certo na administração política do poder.
 No período imperial brasileiro teve-se uma
confecção quantitativamente considerável
de códigos e leis, citando-se como exemplo a
Constituição Federal de 1824, o Código
Criminal, o Código de Processo Criminal e o Código
Comercial o que evidencia a tendência
normativa que tomava a seara do Direito como
resultado inevitável da influência do
positivismo. Assim, o Direito era a ciência das leis.
 A primeira reforma ocorrida no ensino de Direito
deu-se em 1879 quando foi
determinada a segregação do Curso de Ciências
Jurídicas do Curso de Ciências Sociais, pois
somente assim se conseguiria otimizar a
profissionalização dos bacharéis a partir do
estabelecimento do currículo único para todos os
cursos de Direito (RODRIGUES, 1993)
 "O positivismo é uma corrente teórica inspirada no
ideal de progresso contínuo da humanidade. O
pensamento positivista postula a existência de uma
marcha contínua e progressiva e que a humanidade
tende a progredir constantemente. O progresso,
que é uma constatação histórica, deve ser sempre
reforçado, de acordo com o que Auguste Comte,
criador do positivismo, chamou de Ciências
Positivas. As Ciências Positivas teriam a sua mais
forte expressão na Sociologia, ciência da qual
Comte é considerado o fundador.”
 "O positivismo também incorporou, na teoria de
Comte, elementos políticos e ganhou, nos trabalhos
de John Stuart Mill, um escopo mais ético e moral.
Isso acabou reforçando o molde de uma teoria
política positivista, fundada na ordem e no
conhecimento para se alcançar o progresso”
 "O positivismo foi uma corrente filosófica que nasceu na
França, no século XIX, derivada do pensamento
iluminista. Pode-se dizer que o seu fundador foi o
filósofo e também criador da Sociologia, Auguste
Comte (1798 – 1857).
 Outro nome importante para o positivismo é John
Stuart Mill (1806 – 1873), que adaptou o pensamento
positivista ao utilitarismo moral inglês, que teria surgido
com Jeremy Bentham, jurista, filósofo e professor de
Mill.
 Com a adaptação ao utilitarismo, opositivismo ganhou
um tom mais voltado para a filosofia moral, delineando
os preceitos éticos da teoria de Mill.
 "Auguste Comte apostava no progresso moral e
científico da sociedade por meio da ordem social e
do desenvolvimento das ciências. O pensador
estabeleceu uma espécie de hierarquia das sete
grandes ciências: Matemática, Astronomia, Física,
Química, Moral, Biologia e Sociologia, sendo essas
duas últimas superiores.
 O filósofo acreditava que a Sociologia deveria
basear-se nas ciências da natureza, sobretudo na
Biologia e na Física, que tentam descobrir e
decodificar as leis naturais. O sociólogo deveria
fazer um trabalho análogo na sociedade: descobrir e
decodificar as leis sociais. O sociólogo deveria ser
um cientista observador, apoiando-se no conteúdo
de sua análise e nos fatos.
 "O método positivista também originou uma teoria
historiográfica, inspirada nas ideias do conde de
Saint Simon (1760-1825), filósofo francês para quem
a humanidade progrediria continuamente, indo
sempre adiante e nunca regredindo. Segundo a
historiografia positivista, o progresso histórico
deveria ser constantemente aferido, tomando por
base apenas os fatos que são constantemente
registrados.”
 "Ainda no século XIX e no século XX, o termo
positivismo ganhou outros significados, tendo
surgido o positivismo jurídico, no âmbito do direito,
e o positivismo lógico, entre os filósofos da
linguagem, que seria uma crença de que a análise
lógica da linguagem seria o caminho para solucionar
todos os problemas filosóficos”
 Doutrina filosófica baseada em teorias e leis
 Doutrina sociológica
 Doutrina política
 Aposta nas ciências e na industrialização
 Religião positiva 
 O Positivismo Jurídico encontra-se como método de
compreensão do direito que busca dar
respostas concretas acerca de sua validade e
aplicabilidade das normas jurídicas.
Toda a análise é voltada para a compreensão do
ordenamento jurídico e as normas que a compõe,
que determinarão o caráter sui generis atribuído ao
direito enquanto ciência autônoma, intitulado pelos
seus adeptos.
 O positivismo jurídico teve grande influência
indireta dos outros positivismos existentes na
filosofia e nas ciências, mas, seus traços se
tornaram peculiares e distintos.
 Pode-se obter que existe um campo amplo e
abrangente denominado de positivismo em que a
partir do mesmo observa-se a sua construção
específica em cada área de atuação como na
sociologia, o positivismo sociológico, na filosofia, o
positivismo lógico e no âmbito jurídico, o
positivismo jurídico.
 Para entender a formação histórica da teoria do
positivismo no âmbito jurídico deve-se considerar a
ligação direta com o jusnaturalismo,
corrente dominante até o final do século XIX.
 As premissas dessa corrente constituem-se
antecessoras ao positivismo, onde forneceu através
de suas concepções de direito natural, bases de
análise e refuta para a formação da teoria do
positivismo jurídico.
 A base de ligação entre o jusnaturalismo e o
positivismo jurídico deve ser observada a partir das
distinções conceituais entre direito positivo e direito
natural desde Platão e Aristóteles, passando pelos
escritos medievais.
 Nessas concepções, que por ora percorreram um
percurso histórico de mudanças, o direito positivo
será considerado como um produto da vontade
humana e o direito natural como produto da razão
humana, superior ao homem ou transcendente a
ele.
 “Por obra do positivismo jurídico ocorre a
redução de todo direito a direito positivo, e o direito
natural é excluído dessa categoria de direito: o
direito positivo é direito, o direito natural não é
direito”. (Bobbio ,1999)
 Em meados do século XVI e XVIII o direito torna-se
cada vez mais escrito, constituindo-se em uma série
de leis emanadas pelo poder constituído na época.
 Passou-se por uma sociedade pluralista verificada na
sociedade medieval ingressando no Estado Moderno
de estrutura monista, concentrando para si todo o
processo de produção jurídica do direito
 [...] Este processo de monopolização da produção
jurídica é estreitamente conexo à formação do Estado
absoluto [...], da codificação começa a história do
positivismo jurídico verdadeira e propriamente dito”
(BOBBIO, 1999)
 Tem-se um período pós-Revolução, mudando a
concepção da sociedade ao instituir que todo
poder é de competência jurídica e até mesmo
condicionando a própria criação do direito ao
jurídico tendo seu fundamento ideológico desde
Montesquieu, em o Espírito das Leis, com sua
descrição da separação de poderes e seu
pensamento a partir da lei até as ideias
racionalistas de criação e aplicação do direito
(BONAVIDES, 1980).
 Segundo Bobbio (1999), para Montesquieu a
explicação, relacionada ao poder judiciário,
fundamenta que sua decisão teria que ser uma
reprodução fiel da lei.
 Nesse período que é voltado ao legalismo, tem-se o
surgimento de um positivismo legalista,
desenvolvido pela Escola da Exegese na França,
baseadas em afirmações como todo direito é
positivo e somente o direito positivo é direito.
 A Escola da Exegese debatia em torno da literalidade
dos textos legais em que a atividade do intérprete seria
de isolar o fato e identificar a norma jurídica a ele
aplicável. Com a obtenção da lei escrita, o objetivo seria
ater-se a ela de modo a transpor seu sentido com a
interpretação literal dos textos.
 Os doutrinadores dessa época tinham a intenção de
realizar uma simples “exegese”, isto é, uma
interpretação
estritamente gramatical e lógica (ou mesmo
“mecânica”) do texto normativo.
Excluía-se da tarefa interpretativa qualquer
consideração subjetiva ou construção conceitual feita
pela doutrina.
 Bobbio (1999) dispõe algumas ideias tratadas pelo
autor Beccaria que trouxe para os estudos da época
a “teoria do silogismo”, onde este, analisa que o juiz
ao aplicar a lei deve fazer a dedução a conclusão de
um silogismo, não criando nada de novo, somente
explicitando as premissas compostas pela norma.
 A Escola da Exegese deve seu nome à técnica
adotada pelos seus primeiros expoentes no estudo e
exposição do Código de Napoleão, a mesma,
limitava a “interpretação passiva e mecânica do
Código.”
 Ainda, no século XIX, cabe destacar a importância
do surgimento de outro
movimento distinto do positivismo jurídico e de
crítica a Escola da Exegese, o da Escola Histórica do
Direito representada por Savigny, na Alemanha, que
foi precursora também de críticas radicais ao direito
natural, tornando-o mero instrumento filosófico do
direito positivo (BOBBIO,1999).
 A Escola Histórica também irá se conceber juntamente
com o processo de codificação, surgindo como
alternativa de esclarecimentos da regeneração da
essência e da função do direito.
 Terá por objetivo analisar o direito como um resultado
histórico, onde o direito será reconhecido em virtude de
uma análise de historicidade e não por abstrações do
direito racional, no jusnaturalismo ou dos ditames do
legislador, no processo de codificação. “Logo, o direito
se mostra como um fenômeno orgânico cuja fonte
criadora, [...] se encontra no interior da consciência e da
cultura da nação”.
 Em meados do século XX pode-se notar a versão de
análise do positivismo jurídico analítico, não sendo mais
coerente a sua classificação nas deduções mencionadas
pelo positivismo legalista, devido aos importantes
debates sobre o direito e o funcionamento dos sistemas
jurídicos até às soluções interpretativas dadas pelo
aplicador do direito (DIMOULIS, 2006).
 Para esses novos rumos de concepção jurídica situa-se
como influência decisiva no pensamento jurídico a
Escola Analítica, na Inglaterra, representada pelo
filósofo do direito John Austin, considerado fundador da
mesma.
 A Escola Analítica tratará de conceitos fundamentais para o
conceito de direito, como por exemplo, a fonte do direito, a
matéria do direito, o dever legal, a norma jurídica e a sanção
legal procurando analisá-los e defini-los (ROOS, 2000)
 O objetivo do positivismo jurídico, nesse período,
representado por lendáriosautores como Hans Kelsen e
Herbert Hart é tornar a ciência do direito uma ciência
autônoma de explicações racionais para seu objeto de
estudo, dentro de seu próprio sistema normativo, incluindo
os métodos interpretativos e assumindo uma posição
descritiva
na análise de um conjunto de regras, observando o
fenômeno jurídico de forma metodológica de forma a
afastar do mesmo a interferência moral e política de seus
conceitos.
 Divisão entre positivismo stricto sensu e lato sensu
trazida por Dimitri Dimoulis que utilizará a refuta ao 
direito natural como meio de distinção. 
 Nesses termos pode-se notar que os autores
positivistas lato sensu são aqueles que em seus
conceitos rejeitam o direito natural, apresentando
uma oposição a essa corrente e, os positivistas
stricto sensu rejeitam não só o direito natural como
também qualquer tipo de vinculação a outros
fenômenos não normativos, sendo portanto mais
radicais.
 O positivismo lato sensu é composto por autores que
consideravam o direito como um conjunto de normas postas
em vigor pelos seres humanos, sendo o direito constituído
dos atos de vontade, baseados em fatos sociais empíricos
por exemplo, advindos de uma autoridade legislativa.
 O PJ lato sensu define o direito com base em elementos
empíricos e, necessariamente, mutáveis no tempo. Fazendo
depender o direito de tais elementos contingentes, o PJ lato
sensu rejeita a dependência do ordenamento jurídico de
elementos metafísicos e tendencialmente imutáveis, tais
como mandamentos divinos ou imperativos das razões
humanas. (DIMOULIS, 2006, p. 79)
 Assim, não seria fundamento das normas jurídicas
terem sua validade por haver um poder divino criador
ou advindo da natureza humana, como intitularia o
direito natural, mas sim, os próprios fatos sociais e
nestes poder-se-ia apropriar ser a validade do
ordenamento jurídico.
 Essa característica seria a chamada tese dos
fatos sociais ou fontes sociais que “decorrem
evidentemente de condutas humanas (individuais e
coletivas) e criam as normas, isto é, as tornam
juridicamente existentes”
 O positivismo jurídico stricto sensu rejeita a tese
da existência de um direito natural somado a ideia
da separação necessária entre direito e a moral,
diferentemente da tese defendida pelos moralistas
que defendem a união das
mesmas em uma ligação necessária.
 Este último ponto, constitui-se como fato
gerador de parte das críticas feitas ao positivismo
ao tentar explicar o direito em si mesmo
desprendendo-se de tal instituto.
 Dimoulis (2006) leciona que da tese da separação
entre o direito e a moral “no debate mundial em
torno do PJ stricto sensu, cristalizam-se, a partir da
década de 1980, duas correntes: o positivismo
exclusivo e o positivismo inclusivo”
Da tese da separação entre o direito e moral
surgiram na verdade três tendências diferentes, o
positivismo inclusivo, exclusivo e ainda o
positivismo ético.
 Positivismo exclusivo possui como tese central, a
visão de que o direito não pode depender de
critérios ou argumentos morais (TAVARES, 2008)
 Positivismo inclusivo, “a identificação do que é o
direito não depende necessariamente de critérios
ou argumentos morais, embora possa
circunstancialmente fazê-lo”
 Positivismo ético “a identificação do que é direito
não deve depender de critérios morais”
 A histórica da escola da exegese segundo
Bobbio pode ser dividida em três fases: os
primórdios (1804 a 1830), apogeu (1830 a
1880), e declínio (1880 a 1900), possuindo
então seus expoentes como Alexandre
Duranton, Charles Aubry e Frédéric Charles
Rau, Jean Ch. F. Demolombe e, Troplong.
 A Escola Histórica do Direito, que
protagonizou a Ciência do Direito Positivo,
fundou-se em uma metodologia
desmembrada entre elementos históricos e
sistemáticos, segundo elucubrou o seu
grande idealizador, Friedrich Carl von Savigny
(1779-1861)
 Formulação de um Direito Positivo conforme a
filosofia kantiana da autonomia da vontade
individual e da ordem jurídica como instrumento
garantidor da liberdade. Buscava-se,
concomitantemente, a promoção das
características idiossincráticas do espírito
popular alemão (Volksgeist), manifestadas
sobretudo nos costumes e fontes não
legislativas, promovendo o nacionalismo em um
período em que a Alemanha se encontrava
desmembrada em diversos Estados.
 A denominada dimensão sistemática designou a
dogmática jurídico-científica, cujo foco era o
direito privado. Romanistas e Germanistas
disputavam a posição de reais detentores dessa
ciência. Aqueles procederam a uma
sistematização da Ciência Pandectística e esses,
intensamente conectados ao Romantismo,
devotavam-se ao Direito Germânico como
ciência da antiguidade alemã e os domínios
relegados pela Pandectística .
 O movimento de sistematização pautado no Direito
Romano foi nominado de Pandektenwissenschaft ou
Pandektismus (Pandectística). Sua origem se
encontra no alindamento do método sistemático
pelos juristas conceituais , culminando na aplicação
prática do Direito Romano justinianeu, como direito
comum alemão de proveniência romana,
 Engendrou-se um Direito abstrato, formulado em
categorias lógicas, desprovido de contingências
fáticas, em um sistema lógico-dedutivo,
organicamente coerente e composto de primordiais
conceitos jurídicos
 A unidade do sistema poderia ser exprimida de duas
formas distintas. Por um lado, poder-se-ia entender
como unidade de um organismo e, por outro, como
conceito abstrato, lógica formal.
 No primeiro caso, concatenando filosoficamente as
doutrinas de Hegel e Schelling, os elementos
integrantes do sistema seriam conduzidos em torno
de um centro, fundado em si próprio, em uma relação
circular.
 No segundo, seguir-se-ia uma formulação piramidal,
havendo um conceito supremo e geral, ocupante de
seu vértice, que subsumiria todos os demais, em
espécies e subespécies
 Puchta, que foi discípulo de Savingy e seu
sucessor na universidade de Berlin
(Humboldt), adotou a ideia da
imprescindibilidade dos métodos histórico e
sistemático, destacando especialmente o
último, no modelo da pirâmide conceitual,
“Begriffspyramide”
 Puchta identificava três fontes jurídicas
dessemelhantes e autônomas, não
compreendendo a prevalência do direito
consuetudinário. Haveria o direito do
costume, derivado diretamente do povo
(Gewohnheitsrecht), o direito legislado
(promulgirtes Recht ou Gesetzesrecht) e o
direito da ciência legal dos juristas
(Juristenrecht ou Professorenrecht)
 Rudolf von Jehring, também era adepto da
jurisprudência dos conceitos, porém,
elaborou-a mediante o aludido sistema como
organismo vivo. Existiria um conjunto
orgânico de conceitos, que poderia ser
apanhado pela observação e indução,
recorrendo-se à metodologia característica
das ciências naturais.
 Jhering divulgou nos quatro volumes de Geist
des römischen Rechts (1852-1865) a
percepção de que cada época tem sua
originalidade, não se limitando a uma cópia
do passado. Na verdade, o projeto de Jehring
visava à absorção da essência do Direito
Romano, seu espírito e não de sua
substância, para aplicá-la a uma ciência
natural do Direito.
 A jurisprudência conceitual (Begriffjurisprudenz)
dominou a ciência jurídica alemã a partir da metade
do século XIX, representando o prestígio assumido
pela teoria original de Savigny. Haviam sido
absorvidos os fundamentos desta, como o enfoque na
lei positiva, o esforço no estudo do passado e o
sistema jurídico de estruturas inerentes. Nesse
sentido, a Ciência do Direito Positivo alemão
integrava a Escola Histórica, ainda que a maioria dos
juristas romanistas não mais conjuntamente
perseguisse a metodologia histórica e sistemática. As
doutrinas de Jhering e Puchta causaram uma ruptura
dessa unidade, dividindo os estudos em
jurídicodogmáticos e de história do direito
 Bernhard Windscheid foi um dos últimos a
sintetizar a Pandectística e a viver o período
cultural decorrente da composição entre o
Iluminismo e o Romanitismo, apresentando em
seus trabalhos, como em Gesammelte Reden
und Abhandlungen (1904), um sentidoético-
jurídico. O Direito não seria um fato, como uma
determinação legislativa, mas algo reconhecido
previamente pela comunidade jurídica e
decorrente da “razão dos povos”, desenvolvido
racionalmente na história.
 A teoria da interpretação de Windscheid
exprime a sua compreensão de sistema, já que o
verdadeiro sentido de uma norma seria revelado
pelos conceitos jurídicos. Esses seriam
apreendidos em sua completude na sua
desarticulação e reagrupamento, revelando as
relações intrínsecas das proposições jurídicas50.
Destarte, sistema seria irremediavelmente
lógico, composto de conceitos elementares e
decorrentes em uma ordem hierárquica, em cujo
cume estaria, assim como em Puchta, ainda que
com conteúdo diverso, o direito subjetivo.
 A orientação germânica se conectou com maior evidência à
filologia alemã e ao ideal romântico da pesquisa do
particular e característico da nação. Obteve destaque
também em áreas do direito privado relegadas pela
Pandectística. Conquanto, por insistir em considerar o
Direito Romano uma criação estrangeira antiquada e, em
certa medida, anacrônica, o embate com os romanistas foi
implacável. O paulatino distanciamento da Pandectística
com a sensibilidade e exigências dos novos fenômenos
sociais, conjuntamente, contribuiu para que a Germanística
se detivesse na conformação de um sistema jurídico
moderno, assentado no direito genuinamente alemão.
 Karl Friedrich Eichhorn (1781-1853) foi um dos
precursores do germanismo alemão. Nos quatro
tomos de Deutsche Staats- und
Rechtsgeschichte (1808-1823), que já indicava
uma não restrição do movimento ao direito
privado, sintetizou-se os estudos históricos do
Direito Alemão até então procedidos.
Concomitantemente, aventava a concreção de
um sistema orgânico formal, apoiado nas
normas históricas do Direito Alemão, para a
prática do direito privado da atualidade
 John Austin (1790-1859) foi um jurista inglês que
buscou determinar o escopo da ciência do
direito por meio da combinação do utilitarismo
de Jeremy Bentham com os desenvolvimentos
teóricos do pandectismo alemão no estudo do
direito romano. Fundador da jurisprudência
analítica anglo-saxã, é geralmente entendido
como uma das principais figuras do positivismo
jurídico do século XIX, especialmente nos países
de língua inglesa.
 O objetivo da teoria é identificar as
características específicas do direito positivo, de
forma que possa ser corretamente entendido.
 Para isso John Austin adota o método da análise
lógica pelo qual decompõe seu objeto de estudo
em vários aspectos, distinguindo aqueles
necessários daqueles acidentais, e, dentre os
necessários, os que são característicos do direito
daqueles que são comuns a outros campos.
 A posição de J. Austin é de que a identificação das
especificidades do direito positivo seria um requisito de
esclarecimento conceitual, a fim de que se pudesse
compreender sua relação com as outras áreas.
 Seria preciso separar conceitualmente o direito da
moral para poder entender como, de fato, esses campos
estão interligados.
 Austin parte de uma distinção inicial entre a descrição
do direito como é e a descrição do direito como deve
ser. A primeira dá a descrição do direito como é, tem
caráter expositivo e visa explicar o funcionamento do
direito vigente. A última corresponde ao campo da
ciência da legislação, que visa a aprimorar o conteúdo
do direito.
 No campo ciência do direito Austin distingue ainda
a análise geral da análise particular. Enquanto esta
se volta para a descrição do funcionamento de
ordens jurídicas concretas existentes, como o
direito inglês ou o direito francês, aquela visa a
identificar aspectos do funcionamento do direito
compartilhados por todas as ordens jurídicas
existentes ou, ao menos, aquelas mais
desenvolvidas, dentre as quais o autor inclui,
especialmente, o direito inglês e o direito romano.
 A fim de especificar o conceito de direito positivo John Austin
adota a noção de comando como conceito-chave. Em sua
conhecida expressão, o comando é a chave para a ciência do
direito. Para ele, é a partir dessa noção que se pode entender
corretamente o direito. Comando é definido como a expressão de
um desejo de que alguém faça ou não faça algo, acompanhado de
um mal a ser imposto pelo emissor ao destinatário se descumprido
esse desejo.
 A característica específica que diferencia o comando dos outros
tipos de desejos é capacidade de o emissor punir o destinatário em
caso de violação da ordem expressa. Dessa forma a definição
austiniana de comando implica as noções de dever e sanção.
 A Escola de Chicago foi o berço da sociologia 
americana nos anos 30, tendo como objeto 
de estudo a cidade como ente vivo capaz de 
influenciar as condutas criminosas. Veio em 
franca oposição ao Positivismo, tentando 
trazer um novo marco, novas problemáticas e 
novos olhares em relação à criminalidade.
 A atenção da Escola não é com o criminoso em 
si, nem com a sua motivação para o crime; 
também não há preocupação com estudos 
anatômicos (Lombroso), sob o argumento de que 
existem aspectos mais relevantes a serem 
estudados, como, por exemplo, o crescimento 
urbano das grandes cidades, na qual a vida das 
pessoas é diferente, e precisam de um conjunto 
de valores e práticas distintas das zonas rurais, 
pois os delitos são diferentes, motivo pelo qual a 
forma de prevenção dos mesmos também deve 
ser diferente.
https://pt.wikipedia.org/wiki/Cesare_Lombroso
 A realidade social estudada pela Escola de Chicago não se refere 
somente ao deslocamento que a pessoa tem de casa para o 
trabalho, mas na sua própria vida, pois há uma constante 
mudança. Não há tempo para criação de vínculos com a 
vizinhança.
 Ninguém é próximo de ninguém nos grandes centros, fazendo 
com que a ausência dos vínculos tenha influência nos freios 
inibitórios e, consequentemente, a prática do crime surja, uma vez 
que a probabilidade de se encontrar a pessoa que o criminoso 
furtou, verbi gratia, seja praticamente impossível.
 Por outro lado, o fato do delinquente não conhecer a sua vítima é 
um fator percursor para a conduta criminosa, ocasionando a perda 
dos freios informais, pois dificilmente ele furtaria um amigo 
íntimo, a quem se deve respeito, por exemplo.
 Zygmunt Bauman, grande pensador da era 
moderna, em sua obra O mal-estar da pós 
modernidade, conclui que todas as pessoas 
vivem como turistas de suas próprias cidades, 
possuindo relações epidérmicas, dando 
atenção somente aquilo que as interessam. 
Ao encontrar um mendigo com fome ou uma 
mulher sendo espancada na rua, as demais 
pessoas não se comovem, pois, no seu ponto 
de vista, não é problema delas.
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	Slide 22: Características do Positivismo
	Slide 23: Positivismo Jurídico
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	Slide 30: Escola da Exegese da França
	Slide 31: Escola da Exegese
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	Slide 33: Escola Histórica do Direito
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	Slide 35: Escola Analítica
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	Slide 44: Escola Histórica do Direito
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	Slide 46: Escola dos Pandectistas
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	Slide 56: Escola Germanística
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	Slide 58: Escola Analítica da Jurisprudência
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	Slide 63: Escola Sociológica Americana
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