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1 Prof. Paulo Seixas Eficiência Energética Aula 5 Conversa Inicial Nesta aula, serão abordadas as últimas melhorias energéticas do curso, o dos sistemas de aquecimento, dos sistemas de ar comprimido, de refrigeração e de bombeamento Também trataremos da arquitetura bioclimática, uma abordagem sobre as melhorias em projetos para que possamos utilizar os recursos naturais com aumento da eficiência de residências, comércios, entre outros Melhoria de Eficiência Energética em Sistemas de Aquecimento Gás combustível Solar Elétrica Combustíveis líquidos Principais fontes de energia utilizadas para aquecimento de água Tanto o gás liquefeito de petróleo (GLP) quanto o gás natural (GN) podem ser utilizados em aquecedores para produção de água quente Existem basicamente duas classificações para esses equipamentos De passagem De acumulação Sistemas a gás 2 Nesse sistema, temos um coletor solar, o qual é responsável pela transferência da radiação recebida pelo sol para o aquecimento do fluido circulante no seu interior Componentes Coletor solar, reservatório térmico, sistema auxiliar de aquecimento, válvulas, termostatos e outros dispositivos de controle e segurança e mangueiras hidráulicas Sistemas de aquecimento solar Os aquecedores elétricos podem ser divididos em três tipos De passagem De acumulação Bomba de calor Sistemas elétricos Os aquecedores de passagem ou instantâneos são instalados diretamente no ponto de uso, sendo compostos basicamente por uma resistência elétrica e um diafragma de borracha O tipo mais comum utilizado no Brasil é o chuveiro elétrico A produção de água quente a partir dos combustíveis líquidos, como óleo combustível, óleo diesel ou outros derivados do petróleo, é possível por meio da utilização de caldeiras Nelas, a queima do combustível é realizada em um queimador, que eleva a temperatura da água até o ponto necessário. A utilização dessas caldeiras é mais comum na indústria ou no comércio onde tenha altas demandas de água quente, como é o caso de hotéis e hospitais Sistemas a combustíveis líquidos Para evidenciarmos a eficiência de um sistema, utilizamos a Etiqueta Nacional de Conservação da Energia (Ence). Ela informa o atendimento a requisitos mínimos de desempenho (em alguns casos, também fornece os de segurança), estabelecidos em normas e regulamentos técnicos. A Ence classifica os equipamentos, veículos e edifícios em faixas coloridas, que, de modo geral, são de “A” (mais eficiente) a “E” (menos eficiente) Avaliação da eficiência do aquecimento de água a gás Na prática, as edificações multifamiliares dificilmente terão condições mínimas para que os sistemas atendam 100% da demanda, o que faz com o sistema solar e a bomba de calor não obtenham o Nível A. Nesses casos, o uso do gás combustível como complemento permite a obtenção do Nível A O GLP, devido à sua portabilidade, permite ao consumidor dimensionar o complemento adequado, eliminando o risco de interrupção no consumo energético 3 Melhoria de Eficiência Energética em Sistemas de Iluminação O ar comprimido é utilizado na indústria, em aeroportos, hospitais, obras de engenharia, portos marítimos, postos de combustível, mineradoras, para climatização, e em diversas outras aplicações. Ele é empregado em máquinas operatrizes, pórticos (para transporte e movimentação de materiais), motores pneumáticos, ferramentas manuais, instrumentação, automação industrial e outras tantas utilidades que possam utilizar o ar comprimido para movimentação de motores, peças etc. O ar comprimido possui a vantagem de poder ser armazenado e conduzido até o local de utilização, sem a necessidade de utilizar isolamento térmico. Ele não oferece risco de incêndio ou de explosão. Por isso, o seu uso vem crescendo em escala. Tem como principal desvantagem o consumo de energia maior que o da energia elétrica na produção de determinado trabalho, o que não impede seu uso em determinadas situações. Deve-se observar se não existem vazamentos ou perdas na distribuição do sistema O rendimento global dos compressores pode ser determinado por meio de cálculos simples. Basta expressar a potência útil em termos da vazão e da pressão disponível e depois fazer uma comparação entre essa e a potência que está sendo utilizada pelo motor elétrico Rendimento dos compressores Os rendimentos são limitados pelos processos termodinâmicos que ocorrem no sistema, rejeitando calor e perdendo energia para o meio Diante disso, se houver uma tecnologia melhor que o substitua, será melhor, se formos considerar a sua eficiência. Somente deverá ser usado onde ele seja insubstituível Diminuição da massa de ar O consumo de energia é diretamente proporcional à vazão de ar; diminuindo-se essa vazão, haverá uma redução de consumo. No caso de vazamentos de ar, o valor máximo aceitável é de 5% da vazão total. Os maiores vilões em vazamentos são os engates rápidos, as válvulas e as mangueiras Melhoria da eficiência em sistemas de ar comprimido 4 Redução da temperatura de aspiração A temperatura de aspiração do ar afeta o consumo de energia e a compressão. O trabalho específico é calculado em função dessa temperatura Para a melhoria, pode-se usar alguns metros de dutos e retirar o ar quente para fora da sala de compressores. Por exemplo, ao passarmos da temperatura de aspiração de 35ºC para uma temperatura de 25ºC, com a implantação citada, teremos uma economia 3,2% no consumo de energia Redução da pressão de operação Efeito da pressão de descarga do compressor: calculando-se o trabalho específico para condições constantes, modificando-se somente a pressão de descarga. Por exemplo para uma pressão, P1, de 1 bar e temperatura, T1, de 30º C, com um expoente da politrópica, n, igual a 1,3 Redução da pressão de operação A redução da pressão de trabalho contribui para a diminuição dos vazamentos. Isso pode proporcionar uma economia anual excelente e um ótimo retorno econômico Diminuição das perdas de carga As perdas de carga trazem como consequência maior consumo de energia, devido ao sistema trabalhar com uma pressão superior à de trabalho. O atrito do ar passando pelas rugosidades das tubulações e suas conexões causa perdas de carga, assim como nos aumentos de vazão. Fixando-se uma perda máxima nos cálculos de dimensionamento da rede, podemos minimizar esses problemas. Normalmente, arbitra-se o valor de 0,5 bar de perda para a rede mais distante Diminuição das perdas de carga Pequenos aumentos de diâmetro reduzem a perda drasticamente Os elementos filtrantes, trocadores de calor e secadores também são pontos onde podem ocorrer perdas e que merecem nossa atenção para monitorar e garantir a sua operação eficiente Aproveitamento do calor rejeitado Na compressão, grande parte da energia é transformada em calor, que pode ser utilizado como uma fonte de energia para baixas temperaturas Por exemplo, aquecimento de água (cerca de 90º C) ou de ar quente para estufas de secagem. Com isso, o rendimento global de nosso sistema pode chegar a um patamar de 70%. A empresa pode montar um sistema para utilizar o calor rejeitado para o aquecimento de água usada em banhos dos funcionários, o que pode aumentar ainda mais a economia anual da empresa 5 Melhoria de Eficiência Energética em Sistemas de Refrigeração O processo básico de refrigeração pode ser explicado da seguinte forma: o compressor aspira os vapores do fluido frigorífico formado no evaporador, elevando sua pressão e temperatura Assim, o fluido passa para o condensador (trocador de calor) que, sob pressão constante, sofre uma mudança de estado, condensando-se com a dissipação de parte de seu calor para o exterior. Isso pode ser feito pelo resfriamento direto do ar externo ou por água Uma vez liquefeito e em temperatura próxima à do ambiente externo, o fluido é admitido na válvula de expansão. Lá sofre uma redução brusca de pressão,provocando uma queda acentuada de temperatura Assim, fecha-se o ciclo, sendo o fluido admitido no evaporador, no qual absorve calor do ambiente ou do meio que se deseja resfriar (da parte interna da geladeira doméstica, no mesmo exemplo anterior) Caracteriza-se pela faixa de temperatura de operação. A temperatura varia de -60ºC a +15ºC A indústria da criogenia utiliza temperaturas menores que o limite inferior apresentado. Nestas, há a produção e utilização de oxigênio e nitrogênio líquidos e de gás natural liquefeito Refrigeração industrial A refrigeração industrial é muito utilizada nas indústrias químicas, de alimentos e de processos, sendo responsáveis por 66% de toda utilização. As indústrias manufatureira e de laboratórios também a utilizam, pois efetuam um controle ambiental a baixas temperaturas Níveis de temperatura adotados em câmaras frigoríficas, balcões e ilhas Tipo e nível de iluminação adotados Exame da forma e condições de armazenagem de produtos nos espaços refrigerados Local de instalação do espaço refrigerado, verificando se a instalação ficou próxima a fontes de calor e ou em locais sujeitos à incidência de raios solares Medidas de eficiência energética 6 Vedação das portas e cortinas Existência de termostatos Existência de forçador de ar Inexistência de controle manual (interruptor) ou automatizado (batente da porta) da iluminação interna Fechamento de ilhas e balcões Automação do forçador de ar Formação de gelo junto ao evaporador e nas tubulações Falta de forçador de ar Condensador próximo a fontes de calor Presença de impurezas (óleo e/ou poeira) nas aletas e nos tubos dos trocadores Falta de colarinho de proteção em torno da hélice do ventilador do condensador Descentralização da hélice em relação à superfície de troca de calor Condensador instalado que dificulte a circulação de ar Conjunto motor/compressor não alinhado e/ou mal fixado à base Vazamento de óleo na ponta do eixo, juntas do cabeçote e conexões das tubulações de refrigerante Compressor ou central de refrigeração instalado em nível superior ao dos evaporadores Falta de separador de óleo O isolamento é o fator mais importante no consumo energético de uma instalação de conservação pelo frio, tanto pela sua influência em relação à entrada de calor no ambiente refrigerado como pela dificuldade que existe em modificá-lo após construído ou colocado Quanto maior a altura da câmara, maior a relação entre o volume interno e a superfície isolada. Esta altura está limitada pela possibilidade de empilhamento, que, para paletes normais, é de 8 metros Recomendações gerais Em câmaras de baixa temperatura, torna-se necessária a utilização de portas adicionais de tiras ou flexíveis (vai e vem), que reduzem a entrada de ar em torno de 70%. A utilização de portas automáticas reduz ainda mais a entrada de ar. Com a entrada de ar na câmara, juntamente com o calor, é introduzida a umidade, que provoca a formação de gelo nos evaporadores, aumentando o consumo de energia, pela redução da transmissão de calor e pela necessidade de degelo frequente É importante acondicionar as antecâmaras existentes na entrada das câmaras de conservação. A entrada de calor e umidade com o ar exterior depende das condições no ambiente externo à porta. Ao acondicionar a antecâmara, a entrada de calor se reduz à metade, e a entrada de umidade se reduz a um terço em câmaras a -30ºC Em câmaras de conservação a baixa temperatura, além das portas normais, devem ser instaladas portas flexíveis 7 Deve-se dar preferência a instalações de equipamentos centralizados. Existe uma vantagem geral a favor dos equipamentos centralizados, principalmente em sistemas que, em determinadas épocas do ano, apresentam reduções na quantidade de produtos a refrigerar. Equipamentos centralizados podem trabalhar a cargas parciais com rendimentos superiores quando comparados aos equipamentos não centralizados Melhoria de Eficiência Energética em Sistemas de Bombeamento Ao se planejar uma medida de eficientização em uma parte do sistema, os impactos nas demais partes devem ser avaliados, além de suas consequências: utilização de mão de obra, insumos químicos e custos com manutenção, que devem ser quantificados e considerados para avaliar economicamente essas alterações Quaisquer que sejam as alterações a serem feitas, as áreas financeira, comercial, de engenharia, manutenção, produção, devem ser consultadas ou estar representadas Oportunidades para melhorar a eficiência Antes de atuar em um sistema de bombeamento, onde temos um consumo de energia, devemos priorizar ações de melhoria na utilização final da água além da atuação nos sistemas de distribuição Os ganhos nesses locais serão incrementados quando no sistema de bombeamento Identificação das oportunidades no uso final da água Redução de perdas por vazamento A redução da perda de água traduz-se em reduzir o consumo de energia elétrica. O cruzamento das informações do volume disponibilizado para a rede de distribuição com a somatória dos volumes apurados nos medidores dos clientes permite, de forma sistemática, conhecer o valor dessa perda Áreas de oportunidade para melhorar a eficiência no uso final da água Nem toda perda é física, isto é, pode ser traduzida como vazamento ou consumo próprio. Uma parte importante deve-se à imprecisão dos próprios medidores taquimétricos (as normas NBR 8.194 e 8.009 da Associação Brasileira de Normas Técnicas regulam esse tipo de medidor); outra parte deve-se aos consumidores clandestinos; e outra parte deve-se àqueles que “violam” o medidor, de várias formas. Assim, parte da perda, se corrigida ou minimizada, não representará redução de consumo de energia elétrica, mas redução ou aumento de faturamento do serviço de água considerado 8 Reduzir a pressão da rede pelo uso de válvulas redutoras de pressão Promover a setorização da rede de distribuição conforme faixa de HMT (altura manométrica total) Fazer a automação e o controle da rede, visando detectar mais rapidamente as perdas e providenciar sua correção Realizar pesquisas de vazamentos de forma planejada e frequente Medidas para reduzir as perdas físicas Promover campanha de aferição de medidores Realizar instalação de macromedição para setorizar as perdas e identificar áreas críticas Fazer o monitoramento e o cadastramento de consumidores em regiões de maiores perdas (favelas) e de consumidores desativados Medidas para reduzir as perdas não físicas A água é usada para diversos fins (limpeza, alimentação, diluição). O questionamento da real necessidade daquela utilização ou daquele montante deve ser a fonte de inspiração para promover seu uso adequado e eficiente Empresas éticas e com responsabilidade social e ambiental devem apoiar e incentivar o uso racional desse recurso natural precioso, a água, principalmente se ela tiver sido tratada ou beneficiada, mesmo que isso signifique uma perda momentânea e de curto prazo de receita Redução do desperdício de água Arquitetura Bioclimática Os edifícios em que vivemos e trabalhamos são responsáveis por uma porcentagem muito alta do consumo de energia do país Esse consumo, seja na forma de calor ou de eletricidade, além de aumentar os custos, contribui significativamente para a poluição do ar Em resposta a isso, nasce a arquitetura bioclimática, uma nova maneira de entender o design e a construção A arquitetura bioclimática consiste, então, em desenhos de edifícios levando em consideração as condições climáticas e utilizando os recursos disponíveis na natureza (sol, vegetação, chuva, vento) para minimizar os impactos ambientais e reduzir o consumo energético 9 O consumo de energia nos edifícios representa cerca de um quarto da despesa total em todo o país. Sua redução pode ser alcançada com algumas técnicas possíveis, dentro de um projeto estudado da infraestrutura: isso pode ser chamado de arquiteturabioclimática, um termo que, embora pareça novo, já indica, há alguns anos, o caminho a seguir em relação às nossas casas e edifícios A adaptação à temperatura dos edifícios é o ponto onde é mais comum referir-se à influência da arquitetura bioclimática. Tradicionalmente, aproveita-se o calor do sol quando o tempo está mais frio, para aquecimento do ambiente e para as águas quentes sanitárias, aproveitando, por exemplo, o calor do efeito de estufa dos jardins de inverno. Se houver necessidades de aquecimento, minimizam-se as perdas de calor com um bom isolamento térmico, envolvendo o exterior do edifício (fachadas, pavimentos e cobertura) Adaptação à temperatura Em um clima frio, como em regiões mais altas, o interessante é aplicar materiais isolantes que assegurem conforto térmico. O objetivo é ter construções frescas no verão e aconchegantes no inverno Isolamento As fachadas, a cobertura, os pisos e as paredes podem ser revestidos para a diminuição da dissipação de calor. Os materiais mais usados são os de origem natural ou reciclados, como fibras de papel, lã de PET e de vidro, que vão no interior da estrutura da parede. Essas alternativas têm boa eficiência nos isolamentos acústico e térmico, além de serem feitas com substâncias não tóxicas, inofensivas para o meio ambiente Quanto mais transparente for o vidro, mais radiação solar entra na estrutura. Os vidros duplos também são ótimas opções para aumentar os confortos térmico e acústico, e normalmente são utilizados em regiões de clima frio Em áreas quentes, a iluminação solar necessita ser controlada para que a temperatura interna não suba demais. Nesses locais, adotam-se vidros menos transparentes (escuros), que, tratados, podem ser a solução, aliados a outras técnicas que deixam o ambiente fresco Janelas e vidrarias Em regiões quentes, a incidência do sol tende a ser mais forte. Por isso, investir em painéis solares fotovoltaicos é outra opção muito interessante e com resultados rápidos Outra boa e simples aplicação é a iluminação natural, que diminui o gasto energético e o uso de lâmpadas. Essa estratégia é ótima pois serve tanto para regiões quentes quanto para as temperadas e frias Aproveitamento da radiação solar