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Seção 4 
SUA PETIÇÃO 
 
DIREITO 
TRABALHISTA 
 
 
 
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Bem-vindo à Seção 4! 
 
Na Seção 1, houve o ajuizamento de reclamação trabalhista por João da Silva, em que pretende o 
reconhecimento de vínculo de emprego com a empresa XYZ Tecnologia S.A., assim como a 
declaração de existência de dispensa discriminatória em virtude de estar acometido de câncer de 
próstata, com o consequente pagamento de indenizações. 
 
Na Seção 2, ocorreu a inversão de papéis. Para fins didáticos, você atuou como advogado da 
reclamada, tendo apresentado defesa. 
 
Já na Seção 3, na qualidade de advogado de João da Silva, você ajuizou Mandado de Segurança, 
que é o meio adequado para combater decisões interlocutórias no Direito Processual do Trabalho. 
Nele foram apontadas as razões pelas quais deveria ser revista a decisão da 48ª Vara do Trabalho 
de Belo Horizonte/MG, que autorizou a quebra do sigilo de geolocalização do reclamante junto à 
companhia telefônica. 
 
Você elaborou um Mandado de Segurança irretocável. Assim, conseguiu obter o deferimento de 
liminar suspendendo imediatamente a quebra do sigilo de geolocalização do José da Silva. O 
Tribunal Regional do Trabalho da 3ª Região, rapidamente, julgou o Mandado de Segurança, 
concedendo a segurança postulada. A XYZ Tecnologia S.A. não interpôs recurso, razão pela qual 
houve o trânsito em julgado. 
 
A reclamação trabalhista, portanto, voltou ao seu curso natural, com a realização de audiência de 
instrução e julgamento. Foram ouvidas duas testemunhas convidadas por cada parte, encerrando-
se a instrução processual. 
 
 
Seção 4 
DIREITO TRABALHISTA 
 Sua causa! 
 
 
 
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As partes tomaram ciência da disponibilização da sentença no dia 04/03/2024, segunda-feira. O seu 
teor é o seguinte: 
 
 
 
PODER JUDICIÁRIO 
JUSTIÇA DO TRABALHO 
TRIBUNAL REGIONAL DO TRABALHO DA 3ª REGIÃO 
48ª VARA DO TRABALHO DE BELO HORIZONTE/MG 
RITO ORDINÁRIO 
PROCESSO N. 0010100-20.2023.5.03.0048 
RECLAMANTE: JOÃO DA SILVA 
RECLAMADA: XYZ TECNOLOGIA S.A. 
 
 
SENTENÇA 
 
1 - RELATÓRIO 
 
O reclamante ajuizou a presente reclamação trabalhista alegando que prestou serviços para a 
reclamada de 1º/04/2022 a 29/09/2023. Afirma que a contratação se deu por meio de pessoa jurídica 
da qual é sócio e que se trata de artifício para burlar a legislação trabalhista. Requer, portanto, o 
reconhecimento do vínculo de emprego, além do pagamento dos consectários legais e da multa 
prevista no art. 477, §8º, da CLT. Afirma que, durante o período, foi acometido de câncer na próstata 
e, embora apto para o trabalho, foi dispensado de forma discriminatória. Postula, assim, o pagamento 
de indenização por danos morais, assim como os salários e as demais verbas remuneratórias, em 
dobro, desde a rescisão do contrato de trabalho até a prolação da sentença na presente reclamação 
trabalhista. 
 
 Atribuiu à causa o valor de R$ XXX,XX. Juntou documentos. 
 
Regularmente citada, a reclamada apresentou contestação, afirmando que não estão preenchidos 
os requisitos do art. 3º da CLT. Aduz que não havia pessoalidade, tendo o reclamante enviado 
terceiros para a realização do objeto para o qual foi contratado. No tocante à dispensa discriminatória, 
afirma que o encerramento contratual ocorreu em virtude do término do projeto do qual o reclamante 
participava, não tendo nenhuma relação com a doença que o acomete. Ao fim, requer a total 
improcedência dos pedidos. 
 
Realizada a audiência, proposta a conciliação, não foi aceita. 
 
 
 
 
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A impugnação foi realizada em audiência e devidamente transcrita na ata de audiência. 
 
Fixados os pontos controvertidos e definido o ônus da prova, consensualmente, procedeu-se à oitiva 
das partes e de duas testemunhas de cada parte. 
 
Como declararam que não desejavam produzir outras provas, encerrou-se a instrução. 
 
Alegações finais remissivas. 
 
Renovada a tentativa de conciliação, não foi aceita. 
 
 
2 - FUNDAMENTAÇÃO 
 
2.1 - VÍNCULO DE EMPREGO 
 
No caso em tela, não há margem para o acatamento da tese defensiva de que houve prestação de 
serviços autônomos. 
 
A contratação por intermédio de pessoa jurídica se deu com o claro intuito de burlar a legislação 
trabalhista, o que é nulo nos termos do art. 9º da CLT. 
 
A existência dos requisitos da relação de emprego, previstos no art. 3º, do texto celetista, fica clara 
quando se analisa o conjunto probatório. As notas fiscais emitidas pelas empresa do reclamante são 
sucessivas, o que indica a prestação de serviços unicamente para a reclamada. Embora a 
exclusividade não seja requisito da relação de emprego, tal fato é indício de que o obreiro não se 
podia fazer substituir, como asseverado pela reclamada. 
 
A prova testemunhal demonstrou que o Sr. Elder Magalhães e o Sr. João Paulo Ribeiro foram apenas 
indicados pelo reclamante para prestar serviços pontuais para a reclamada. Não merece 
credibilidade o depoimento de uma das testemunhas ouvidas a pedido da reclamada, que afirma que 
o reclamante teria sido substituído em diversas ocasiões pelas duas citadas pessoas. 
 
Embora tivesse liberdade de horário, o reclamante tinha que dar satisfação para o seu contratante, 
o que denota não só a subordinação, mas, especialmente, a pessoalidade com que os serviços eram 
prestados. 
 
 
 
 
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Diante do exposto, acolho o pedido formulado na petição inicial e declaro a nulidade do contrato de 
prestação de serviços firmado entre reclamante, por meio pessoa jurídica da qual é sócio, e a 
reclamada, com o consequente reconhecimento do vínculo de emprego. 
 
Assim, condeno a reclamada ao pagamento de: 33 (trinta e três) dias de aviso prévio de forma 
indenizada, nos termos do art. 1º da Lei nº 12.506/11, assim como do disposto no art. 487 da CLT; 
férias indenizadas referente ao período completo de trabalho, ou seja, ao período aquisitivo de 
2022/2023, acrescida do 1/3 constitucional; férias proporcionais acrescidas do 1/3 constitucional 
referente ao período aquisitivo que se iniciou em 1º/04/2023, ou seja, 7/12 de férias proporcionais + 
1/3, nos termos dos arts. 134 e 146 da CLT; 9/12 do décimo terceiro do ano de 2022; 10/12 de décimo 
terceiro salário relativo ao ano de 2023, como dispõem o art. 7º, inciso VIII, da CRFB/88 e o art. 1º 
da Lei nº 4.090/62; multa de 40% do FGTS, com base no disposto no art. 18 da Lei nº 8.036/90 e no 
art. 7º, inciso I, da CRFB/88. 
 
Além disso, condena-se a reclamada ao recolhimento do FGTS durante todo o pacto laboral, nos 
termos do art. 15 da Lei nº 8.036/90, assim como à obrigação de fazer consistente na entrega das 
guias para fins de recebimento do seguro-desemprego, sob pena de pagamento de indenização 
substitutiva. Deverá, ainda, no prazo de 10 (dez) dias contados do trânsito em julgado, anotar a CTPS 
com data de entrada em 1º/04/2022 e data de saída em 1º/11/2023, nos termos da Orientação 
Jurisprudencial nº 82 da Subseção I Especializada em Dissídios Individuais (SDI-I) do Tribunal 
Superior do Trabalho (TST). 
 
 
2.2 - MULTA DO ART. 477, §8º, DA CLT 
 
Uma vez reconhecido o vínculo de emprego em juízo, aplica-se a diretriz da Súmula nº 462 do 
Colendo TST: 
 
MULTA DO ART. 477, § 8º, DA CLT. INCIDÊNCIA. RECONHECIMENTO JUDICIAL DA RELAÇÃO 
DE EMPREGO. 
A circunstância de a relação de emprego ter sido reconhecida apenas em juízo não tem o condão de 
afastar a incidência da multa prevista no art. 477, §8º, da CLT. A referida multa não será devida 
apenas quando, comprovadamente, o empregado der causa à mora no pagamento das verbas 
rescisórias. 
Observação: Res. 209/2016, DEJT divulgado em 01, 02 e 03.06.2016 - Republicada em razão de 
erro material, DEJT divulgado em 30.06.2016 
 
Diante do exposto, condeno a reclamada ao pagamento da multa prevista no art. 477, §8º, da CLT. 
 
 
 
 
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2.3 - DISPENSA DISCRIMINATÓRIANo caso sob análise, é incontroverso que o reclamante foi dispensado durante o período de 
tratamento de câncer de próstata. Também, é inconteste que a reclamada sabia de seu estado de 
saúde e que foi dispensada estando apta para o trabalho. A controvérsia, portanto, reside na 
existência ou não de dispensa em virtude do seu quadro de saúde. 
 
Embora a reclamada tenha trazido aos autos documentos que demonstram o encerramento do 
“Projeto Alfa”, não há provas de que o reclamante tenha sido contratado exclusivamente para tal 
projeto. Além disso, não há comprovação de que a rescisão contratual se deu em virtude do 
esgotamento do “Projeto Alfa”. 
 
Diante do fato de o obreiro estar doente e isso ser de conhecimento da empresa, o ônus de prova 
acerca da motivação da rescisão contratual é da reclamada. Neste sentido é a dicção da Súmula nº 
443, do TST: 
 
SÚMULA N.º 443. DISPENSA DISCRIMINATÓRIA. PRESUNÇÃO. EMPREGADO PORTADOR DE 
DOENÇA GRAVE. ESTIGMA OU PRECONCEITO. DIREITO À REINTEGRAÇÃO. 
Presume-se discriminatória a despedida de empregado portador do vírus HIV ou de outra doença 
grave que suscite estigma ou preconceito. Inválido o ato, o empregado tem direito à reintegração 
no emprego. 
 
Não resta dúvida de que o câncer de próstata é uma doença grave e estigmatizante, conforme já 
pacificado pela Subseção de Dissídios Individuais I, do TST, nos autos nº 1001897-
90.2016.5.02.0006. 
 
Na situação proposta, a reclamada não comprovou que a rescisão se deu pelo encerramento do 
“Projeto Alfa”. As testemunhas ouvidas no feito foram no sentido de que a atuação do reclamante 
não se resumia ao mencionado projeto, o que conduz à inarredável conclusão de que não foi essa a 
motivação da rescisão contratual. Em que pese uma das testemunhas ouvidas a convite da 
reclamada ter dito que a prestação de serviços era quase que exclusiva no “Projeto Alfa”, entendo 
que ela não foi tão convincente quanto às demais ouvidas nos autos. 
 
Diante do exposto, prevalece a presunção de dispensa discriminatória e a consequente condenação 
da reclamada ao pagamento dos salários e das demais verbas remuneratórias, em dobro, desde a 
rescisão do contrato de trabalho até a prolação da sentença na presente reclamação trabalhista, nos 
termos do art. 4º, inciso II, da Lei nº 9.029/95. 
 
 
 
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Comprovada também a abusividade da conduta empresarial, o que dá ensejo ao deferimento do 
pedido de indenização por danos morais. Neste sentido é a jurisprudência do Egrégio TRT da 3ª 
Região: 
 
DISPENSA SEM JUSTA CAUSA. DIREITO POTESTATIVO DO EMPREGADOR. ABUSO. DANO 
MORAL. Ainda que a dispensa sem justa causa constitui direito potestativo do empregador, certo é 
que, também, comete ato ilícito o titular de um direito que, ao exercê-lo, excede manifestamente os 
limites impostos pelo seu fim econômico ou social, pela boa-fé ou pelos bons costumes (art. 187 do 
CC), como na hipótese, em que a ruptura contratual se deu como forma de retaliação pela 
participação do autor como testemunha em processo ajuizado por outro empregado em face da 
reclamada. 
(TRT da 3.ª Região; PJe: 0010010-84.2022.5.03.0047 (ROT); Disponibilização: 04/05/2023, 
DEJT/TRT3/Cad.Jud, Página 2687; Órgão Julgador: Sexta Turma; Relator(a)/Redator(a) Anemar 
Pereira Amaral) 
 
Assim, condena-se a reclamada ao pagamento de indenização por danos morais no importe de R$ 
XXXXXX. 
 
2.4 - HONORÁRIOS ADVOCATÍCIOS 
 
No caso em tela, a reclamada foi integralmente sucumbente, razão pela qual fixo os honorários 
advocatícios em proveito do advogado do reclamante em 15% do valor atualizado da causa, nos 
termos do caput do art. 791-A da CLT. 
 
3 - DISPOSITIVO 
 
Pelo exposto, julga-se totalmente procedentes os pedidos formulados na petição inicial nos seguintes 
termos: 
 
a) Declarar a existência do vínculo de emprego no período de 1º/04/2022 a 1º/11/2023 com a 
condenação ao pagamento de 33 (trinta e três) dias de aviso prévio de forma indenizada; férias 
indenizadas referente período aquisitivo de 2022/2023, acrescida do 1/3 constitucional; 7/12 de férias 
proporcionais + 1/3 referente ao período aquisitivo que se iniciou em 1º/04/2023; 9/12 do décimo 
terceiro do ano de 2022; 10/12 de décimo terceiro salário relativo ao ano de 2023; recolhimento do 
FGTS durante todo o pacto laboral. 
 
b) Anotar a CTPS com data de entrada em 1º/04/2022 e data de saída em 1º/11/2023. 
 
 
 
 
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c) Entregar as guias para fins de recebimento do seguro-desemprego, sob pena de pagamento de 
indenização substitutiva. 
 
d) Reconhecer a dispensa discriminatória e condenar a reclamada ao pagamento dos salários e das 
demais verbas remuneratórias, em dobro, desde a rescisão do contrato de trabalho até a prolação 
da sentença na presente reclamação trabalhista. 
 
e) Reconhecer a dispensa discriminatória e condenar a reclamada ao pagamento de indenização por 
danos morais no valor de importe de R$ XXXXXX. 
 
Condeno a reclamada ao pagamento de honorários advocatícios em proveito do advogado do 
reclamante em 15% do valor atualizado da causa. 
 
Custas pela reclamante na ordem de 2% do valor dado à causa de R$ XXXX. 
 
Belo Horizonte/MG, 1º de março de 2024. 
 
Juiz do Trabalho 
 
Na qualidade de advogado da empresa XYZ TECNOLOGIA S.A., você deverá analisar o teor da 
sentença e verificar qual medida processual pode ser adotada no presente caso. 
Lembre-se de que esta inversão de papéis é apenas para fins didáticos, com o intuito de que você 
domine amplamente a praxe trabalhista. 
 
 
 
DIREITO PROCESSUAL DO TRABALHO 
 
Verificaremos as questões que envolvem o Direito Processual do Trabalho e que são necessárias 
para a elaboração da peça processual. 
 
 
 
 
 Fundamentando! 
 
 
 
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PEÇA PROCESSUAL 
 
O ponto de partida consiste na identificação da peça processual a ser apresentada em resposta à 
sentença que julgou totalmente procedentes os pedidos formulados na petição inicial. É crucial 
consultar o art. 895 da CLT. 
 
O procedimento é dialético, como uma espécie de diálogo. O último a se expressar no processo foi 
o juiz, que emitiu a decisão desfavorável aos interesses de sua cliente. Portanto, a peça processual 
a ser elaborada deve atacar os fundamentos da sentença com o objetivo de reverter a decisão. 
 
Isso é essencial para o pleno exercício do contraditório e do duplo grau de jurisdição, princípios 
consagrados no art. 5º, inciso LV, da CRFB/88. 
 
Uma vez que o sistema processual é hierárquico, apenas a instância superior pode revisar decisão 
emitida por uma Vara do Trabalho. Nesse caso, considerando que o juízo a quo é a 48ª Vara do 
Trabalho de Belo Horizonte/MG, a instância hierarquicamente superior (juízo ad quem) é o Tribunal 
Regional do Trabalho da 3ª Região. Este tribunal pode reexaminar todos os fundamentos de fato e 
de direito apresentados, decidindo manter ou alterar a decisão de primeira instância. 
 
Quanto à estrutura da peça processual, ela começa com o endereçamento, que, no presente caso, 
é direcionado ao juízo que proferiu a sentença judicial. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Na elaboração da peça processual, não se refira à pessoa do juiz que 
prolatou a decisão. 
 
Ele está investido na função de julgador, e o que deve ser objeto de 
combate é a sentença, e não a pessoa que a prolatou. 
 
PONTO DE ATENÇÃO 
 
 
 
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A Vara do Trabalho realizará o primeiro juízo de admissibilidade, oportunidade em que serão 
verificados os pressupostos recursais, como a tempestividade, a regularidade de representação 
processual e a regularização do preparo. 
 
Em consagração ao contraditório, uma vez preenchidos tais requisitos, será aberta vista à parte 
contrária para apresentação de contrarrazões, nos termos do art. 900 da CLT. 
 
 
PRESSUPOSTOS OU REQUISITOS RECURSAIS 
 
Muitas vezes, o Direito Processual do Trabalho é rotulado como um ramode caráter informal. 
Embora, em comparação com o Direito Processual Civil, possa de fato apresentar uma aparência 
menos formal, esta visão não reflete a realidade. 
 
O Processo do Trabalho é, na verdade, uma sucessão de atos processuais cuidadosamente 
coordenados. Não existe aleatoriedade na sua execução. As normas que regem o processo 
trabalhista são claramente estabelecidas na Consolidação das Leis do Trabalho (CLT), com a 
possibilidade de utilização do Código de Processo Civil (CPC) de forma subsidiária e supletiva. 
Embora em algumas situações essas regras sejam menos rígidas e mais dinâmicas, é essencial 
compreender que uma reclamação trabalhista envolve a busca por um crédito presumidamente 
negado ao trabalhador durante seu período de emprego ou o reconhecimento de uma relação 
jurídica, como na situação sob análise. 
 
Os recursos no âmbito trabalhista também estão sujeitos a formalidades específicas que precisam 
ser rigorosamente observadas. A não observância desses requisitos pode resultar na não admissão 
do recurso pelo Judiciário devido a defeitos processuais. Esses requisitos são conhecidos como 
"pressupostos" ou "requisitos". 
 
O primeiro deles é o princípio da unirrecorribilidade, que estabelece a existência de um recurso 
específico para cada tipo de decisão. 
 
A questão do tempo desempenha um papel crucial nos atos processuais e, por conseguinte, nos 
recursos. Os atos processuais devem ser realizados dentro dos prazos estipulados pela legislação 
trabalhista, sob pena de preclusão. Esse requisito é comumente referido como a "tempestividade" do 
recurso. Não custa relembrar que os prazos processuais são contados em dias úteis, como 
estabelece o art. 775 da CLT. 
 
 
 
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O preparo é um requisito formal que envolve recursos no Direito Processual do Trabalho. Ele 
compreende o pagamento das custas e o recolhimento do depósito recursal, que tem natureza de 
garantia e deve ser realizado apenas pela parte devedora quando há condenação em pecúnia. Nas 
situações em que a sentença é declaratória, sem condenação pecuniária ou totalmente 
improcedente, o depósito recursal não é necessário, uma vez que não se justifica garantir uma 
obrigação que não envolve pagamento. Para entender todos os detalhes desse tema, é essencial 
analisar o conteúdo do art. 899 da CLT. 
 
As custas, por sua vez, são regulamentadas pelo art. 789, inciso I, da CLT. Elas devem ser recolhidas 
à base de 2% do valor atribuído à condenação ou à causa. A comprovação desse recolhimento deve 
ser feita no processo dentro do prazo estipulado para o recurso. 
 
É importante destacar que, no caso de sucumbência recíproca, ou seja, quando a reclamante obtém 
êxito em alguns pedidos e perde outros, não é necessário o pagamento de custas pelo trabalhador. 
Isso ocorre porque o Direito Processual do Trabalho não prevê o pagamento pro rata das custas. 
Portanto, o reclamante só precisará recolher custas quando enfrentar a improcedência total de sua 
reclamação trabalhista e não for beneficiário da justiça gratuita, conforme previsto no art. 819, §2º, 
da CLT. 
 
Ao elaborar a peça processual, é fundamental que você analise se o recurso a ser interposto para 
reverter a decisão desfavorável ao seu cliente exige o pagamento de custas e/ou o recolhimento do 
depósito recursal. É comum mencionar e justificar a necessidade ou não do preparo na peça 
processual de acordo com a praxe forense. 
 
A representação processual deve ser tratada com cuidado, garantindo que o instrumento de 
procuração anexado aos autos cumpra todos os requisitos legais. Em caso de inadequação, é 
necessário conceder um prazo para regularização, conforme o art. 76 do CPC e a Súmula nº 383 do 
TST. A parte, portanto, terá o prazo de 5 (cinco) dias para sanar o vício de representação também 
na fase recursal. 
 
A legitimidade recursal diz respeito a quem pode interpor recurso. Para tanto, é fundamental o exame 
da legislação pátria, que prevê quem detém esta legitimidade: a parte vencida, o terceiro prejudicado 
e o Ministério Público do Trabalho, como parte ou como fiscal da lei (aplicação subsidiária do art. 996 
do CPC de 2015). 
 
Além disso, a parte tem que ter interesse em recorrer, isto é, tem que ser sucumbente no objeto da 
demanda para que possa recorrer daquilo que lhe foi desfavorável. 
 
 
 
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Essas são as principais questões de ordem processual que devem ser observadas quando da 
elaboração da peça recursal. 
 
Não se esqueça, ainda, de inserir o número do processo após o endereçamento. 
 
 
PRAZO – DISPONIBILIZAÇÃO DO DIÁRIO ELETRÔNICO DA JUSTIÇA DO TRABALHO 
 
A contagem do prazo processual na Justiça do Trabalho é em dias úteis, como já relembrado. No 
entanto, existe uma especificidade que merece a atenção de todos os operadores do Direito. 
 
Na Justiça do Trabalho, todos os processos tramitam exclusivamente no Processo Judicial Eletrônico 
(Pje). Contudo, as intimações para que as partes e procuradores tomem ciência dos atos processuais 
não ocorrem no Pje, mas no Diário Eletrônico da Justiça do Trabalho (DEJT). 
 
A Lei nº 11.419/06 rege as questões atinentes ao DEJT, trazendo peculiaridade na contagem dos 
prazos: 
 
Art. 4º Os tribunais poderão criar Diário da Justiça eletrônico, disponibilizado em sítio 
da rede mundial de computadores, para publicação de atos judiciais e administrativos 
próprios e dos órgãos a eles subordinados, bem como comunicações em geral. 
§ 1º O sítio e o conteúdo das publicações de que trata este artigo deverão ser 
assinados digitalmente com base em certificado emitido por Autoridade Certificadora 
credenciada na forma da lei específica. 
§ 2º A publicação eletrônica na forma deste artigo substitui qualquer outro meio e 
publicação oficial, para quaisquer efeitos legais, à exceção dos casos que, por lei, 
exigem intimação ou vista pessoal. 
§ 3º Considera-se como data da publicação o primeiro dia útil seguinte ao da 
disponibilização da informação no Diário da Justiça eletrônico. 
§ 4º Os prazos processuais terão início no primeiro dia útil que seguir ao considerado 
como data da publicação. 
§ 5º A criação do Diário da Justiça eletrônico deverá ser acompanhada de ampla 
divulgação, e o ato administrativo correspondente será publicado durante 30 (trinta) 
dias no diário oficial em uso. (Brasil, 2006, [s. p.]) 
 
Fundamental observar que a data em que o despacho ou a decisão são disponibilizados no Diário 
Eletrônico da Justiça do Trabalho (DEJT) não é considerada a de sua publicação. Nos termos do 
invocado §3º do art. 4º, o dia em que a informação aparece no DEJT é considerada como sua 
disponibilização, ao passo que a publicação é considerada como ocorrendo no primeiro dia útil 
subsequente. Por sua vez, o início do prazo se dá no dia útil seguinte à publicação. 
 
DIREITO MATERIAL DO TRABALHO 
 
 
 
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No tocante ao Direito Material do Trabalho, você terá que utilizar os fundamentos fáticos e jurídicos 
necessários a reverter a decisão de primeira instância, que julgou totalmente procedentes os pedidos 
formulados por João da Silva. 
 
Tais fundamentos são, basicamente, aqueles constantes na peça contestatória. 
 
Vamos relembrá-los? 
 
TERCEIRIZAÇÃO – VÍNCULO DE EMPREGO 
A sentença concluiu que não houve terceirização, mas fraude à contratação, razão pela qual 
reconheceu o vínculo de emprego e determinou o pagamento das verbas rescisórias. 
 
Você deve sustentar a reforma da decisão de primeiro grau com fundamento na inexistência de 
pessoalidade, invocando a substituição de João da Silva pelos dois colegas durante o período de 
prestação de serviços. 
 
Além disso, mais uma vez invoque o art. 422 do Código Civil para sustentar a validade do contrato 
de prestação de serviços celebrado entre a empresa da qual o reclamante é sócio e a reclamada. 
 
 
VERBAS RESCISÓRIAS 
 
A pretensão reformatória da condenação dasverbas rescisórias é consectário lógico da reversão da 
decisão no que se refere ao reconhecimento do vínculo de emprego. 
 
Assim, basta fazer esta menção na peça processual a ser elaborada. 
 
 
MULTA DO ART. 477, §8º, DA CLT 
 
Em relação à condenação ao pagamento da multa prevista no art. 477, §8º, da CLT, você deve 
sustentar que o vínculo empregatício é controverso, sendo que a previsão de incidência do próprio 
art. 477, §8º, da CLT, é aplicação de multa quando as verbas rescisórias incontroversas não forem 
quitadas no prazo legal. 
 
 
 
 
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Novamente, sugere-se a leitura do acórdão prolatado pelo Egrégio Regional do Trabalho da 2ª 
Região nos autos nº 1002117-49.2017.5.02.0719, que pode ser acessado pelo seguinte link: 
https://www.jusbrasil.com.br/jurisprudencia/trt-2/1392942522/inteiro-teor-1392942572 
 
 
DISPENSA DISCRIMINATÓRIA 
Na qualidade de advogado da reclamada, você também deve reivindicar a reforma da decisão no 
que diz respeito à caracterização de dispensa discriminatória e o consequente deferimento das 
indenizações postuladas. 
 
O cerne da argumentação deve ser de que o encerramento contratual não ocorreu em virtude da 
doença que acomete o reclamante, mas pelo encerramento do “Projeto Alfa”, para o qual foi 
contratado. Reforce sua argumentação com fundamento no depoimento dado por uma das 
testemunhas, conforme consta na sentença, e que foi desconsiderada pela decisão judicial. 
 
Requeira a descaracterização da dispensa discriminatória e, consequentemente, o indeferimento das 
indenizações. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
https://www.jusbrasil.com.br/jurisprudencia/trt-2/1392942522/inteiro-teor-1392942572
 
 
 
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Quadro 1 | Quadro sinótico da legislação e jurisprudência consolidada aplicável (referidos e não referidos nas 
explicações anteriores) 
Assunto CRFB/88 CLT CPC/2015 TST Outros 
Peça 
processual 
- Art. 895 - Instrução 
Normativa nº 39 
- 
Depósito 
Recursal 
- Art. 899 - - - 
Custas - Art. 789 - - - 
Regularidade 
de 
representação 
processual 
- - Art. 76 Súmula nº 383 - 
Prazos - Art. 775 - - Lei nº 11.419/06 
Terceirização - - - Súmula nº 331 
 
Lei nº 13.429/17; Lei nº 
6.019/74; Tema 725 do 
STF; Acórdão nº 
0010329-
59.2021.5.03.0153 
Vínculo de 
Emprego 
- Art. 2º; art. 
3º; art. 9º; 
art. 477 
- Orientação 
Jurisprudencial n. 
82 da Subseção I 
Especializada em 
Dissídios 
Individuais (SDI-
I) 
Art. 9º da Lei nº 
14.193/21; art. 422 do 
Código Civil; Acórdão 
nº 0000662-
25.2017.5.10.0014 do 
TRT da 10ª Região 
Prazo para 
pagamento de 
verbas 
rescisórias 
- Art. 477 Súmula nº 462 Acórdão nº 1002117-
49.2017.5.02.0719 do 
TRT da 2ª Região 
Dispensa 
Discriminatória 
Art. 1º, 
inciso III; 
art. 3º, 
inciso IV 
- - Súmula nº 443; 
Acórdão nº 
1001897-
90.2016.5.02.000
6 
Lei nº 9.029/95; arts. 
186 e 927 do Código 
Civil; Acórdão nº 
0010950-
58.2019.5.03.0078 
Honorários 
Advocatícios 
- Art. 791-A - - ADIN nº 5766 do STF 
Fonte: elaborado pelo autor. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 P
A
G
E
 
 
 
 
Vamos à elaboração da peça processual apta à defesa dos interesses da reclamada. 
O primeiro passo é identificar os pontos da decisão judicial que foram desfavoráveis à XYZ 
Tecnologia S.A. 
Na elaboração da peça processual, não se esqueça de que o seu endereçamento deve ser ao juízo 
que prolatou a decisão. Ela deve conter os fundamentos fáticos e jurídicos aptos a tentar reverter a 
sentença. 
Embora não seja um pressuposto recursal, é importante a elaboração de tópico acerca da sua 
tempestividade. 
Também, faça um tópico específico acerca das custas processuais e depósito recursal. 
Mãos à obra! 
 
 
 
 
 Vamos peticionar!

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