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FACULDADE DE CIÊNCIAS DE SAÚDE AICA– II GRUPO IV Nampula, Novembro de 2023 Atendimento odontológico a pacientes Oncológicos Discentes: Docente: Lucerna Justino Novela MD: Zulmira Mussa Joaquim Henriques Rahimata Abdurremane 1 Introdução O Instituto Nacional do Câncer (INCA) define o câncer infantil como um grupo doenças que têm em comum a proliferação descontrolada de células anormais e que pode ocorrer em qualquer local do organismo. (1) Um dos tumores mais frequentes na infância e na adolescência são as leucemias, que afectam os glóbulos brancos. Partindo de um diagnóstico precoce e tratamento adequado existe uma grande possibilidade de remissão dos sintomas.(1) Diante dessa expectativa de cura, o câncer infantil perdeu sua qualidade de doença aguda e fatal, passando a ter características de doença crónica passível de cura.(1) 2 Objectivos Objectivo geral: Compreender a abordagem do paciente oncológico durante o atendimento odontológico. Objectivos específicos: Enunciar os grandes grupos de Câncer; Elucitar os princípios básicos para o tratamento odontológico e protocolo de atendimento; Descrever as complicações orais durante o tratamento oncológico. 3 Conceitos Gerais Oncologia É uma especialidade medica que se dedica a pesquisar, diagnosticar, tratar e realizar cuidados profiláticos contra o câncer e outras formas de neoplasia, Etimologia do termo 'Oncologia‘ Grego onde 'onkos'' significa ''massa'‘, enquanto ''logia'' significa estudo.(1) Tumor: O termo tumor é usado como sinónimo de Neoplasia, e foi originalmente usado para os aumentos de volume causados pela inflamação.(1) Cancro ou câncer É o termo comum para todos os tumores malignos." (1) 4 Classificação dos tumores 5 • Menos agressivo que os malignos, seu crescimento é lento e seus limites são bem nítidos, não invade tecidos vizinhos.(2) Tumor benigno • Apresenta um crescimento muito rápido, agressivos, e capazes de invadir tecidos próximos e de realizar metástases .(2) Tumor maligno Tumor infanto-juvenil 6 Os tumores dos pacientes pediátricos podem ser subdivididos em dois grandes grupos:(2) Tumores hematológicos: Leucemias , Os linfomas. Tumores sólidos, Tumores do Sistema Nervoso Central/cérebro, Tumores abdominais (neuroblastomas, hepatoblastomas, nefroblastomas), Tumores ósseos Tumores de partes moles (rabdomiossarcomas, sarcomas sinoviais, fibrossarcomas), por exemplo. (2) Factores de risco das Neoplasias Relacionados ao estilo de vida Fumar, excesso de peso, sedentarismo, dieta pouco saudavel, alcoolismo, Ambientais Exposição as radiações Exposição de pais tabagistas (Tabagismo passivo) Mutação genética Até então a maioria dos canceres infantis não mostram ter associação a riscos ambientais.(2,3) 7 Manifestações Gerais Manifestações Gerais Febre, Vómitos, Emagrecimento, Sangramentos, Adenomegalias generalizadas, Dor óssea generalizada Palidez, ou Cefaleias, Alterações da visão, Dores abdominais Dores osteoarticulares.(1,2) Manifestações orais Mucosite, Xerostomia, Osteorradionecrose Ageusia, Trismo, Cáries de radiação, Infecções oportunistas, E outras infecções bacterianas e viróticas.(2) 8 Meios de diagnostico História clinica detalhada Exame Clínico minucioso. Orientação e treinamento em higiene bucal para possível controle de lesões bucais. Biópsia; Exames de imagem: incluem radiografia simples, ultrassonografia, ressonância magnética, TAC, endoscopia, colonoscopia; Hemograma completo. (2,3) 9 Tratamento odontológico prévio ao tratamento oncológico Antes de realizar o atendimento odontológico de emergência, faz-se necessário um contacto com o médico responsável pelo paciente, principalmente se este tiver doença ou alteração hematológica, devido ao risco de infecção e hemorragia. Se o paciente estiver trombocitopênico (plaqueta 4mm) e/ou mobilidade grau I.(3,4) Pois além de servirem de fonte de infecção, serão factores complicadores após a radioterapia, período em que ocorrem algumas limitações na realização de exodontias devido à possibilidade de o paciente desenvolver osteorradionecrose. (3,4) 15 Tratamento odontológico prévio ao tratamento oncológico Se exodontias forem necessárias, a realização de hemograma completo incluindo a contagem diferencial de células brancas (leucócitos) e plaquetas será essencial.(3) Se a contagem de plaquetas estiver abaixo de 30˟ 109/L, será indicada a infusão de plaquetas e os agentes antifibrinolíticos também poderão ser úteis.(3) 16 Protocolo de atendimento Antes da quimioterapia: Conduzir uma avaliação oral pré-tratamento. Programar tratamento odontológico juntamente com oncologista. Programar as cirurgias orais entre 7º a 10º dias antes do paciente ficar mielossuprimido. Nos pacientes com cânceres hematológicos, consultar oncologista antes de conduzir qualquer procedimento oral.(5) 17 Protocolo de atendimento Durante a quimioterapia: Consultar oncologista, antes de executar qualquer procedimento, incluindo profilaxia. Requisitar ao oncologista,um exame de sangue, 24 horas antes de qualquer cirurgia oral ou procedimentos invasivos. Os procedimentos devem ser adiados quando: (5) A contagem de plaquetas esteja inferior a 50.000/mm3 ou factores de coagulação estejam anormais. A contagem de neutrófilos seja inferior a 1.000/mm3. 18 Protocolo de atendimento Amoxicilina 50 mg/kg via oral, uma hora antes de qualquer procedimento; ou clindamicina 50mg/kg via intramuscular ou endovenosa, 30 minutos antes do procedimento,ou Amicacina 150 mg/ Kg uma hora antes da cirurgia, ticarcilin 75 mg/Kg endovenoso meia hora antes do procedimento; repetindo as doses 6 horas do pós-operatório. (5) Pacientes alérgicos a amoxicilina: clindamicina 20mg/kg via oral 1 hora antes do procedimento; ou clindamicina 25mg/kg via intramuscular ou endovenosa 30 minutos antes do procedimento.(5) 19 Protocolo de atendimento Após terapia: Incluir o paciente num programa periódico de visitas ao dentista considerando a possibilidade de realizar os seguintes procedimentos: Exame bucal. Radiografias de rotina. Instrução de higiene bucal. Eliminação dos dentes infectados. Eliminação de restaurações ou próteses defeituosas ou irritantes. Profilaxia dentária (5) 20 Tratamento odontológico das complicações orais durante o tratamento antineoplásico Hemorragia Informar-se da contagem de plaquetas do paciente antes de qualquer intervenção cirúrgica, pois uma contagem menor ou igual a 75.000 plaquetas/mm3 Intervenções electivas de qualquer tipo devem ser evitadas enquanto os exames exibirem esses valores.(6) Fonteː Internet Tratamento odontológico das complicações orais durante o tratamento antineoplásico Infecção A exacerbação de infecção preexistente na cavidade bucal, de origem endodóntico ou periodontal, que não foi eliminada previamente pode ser a origem de infecção local ou sistémica.(6) O tratamento é feito de forma empírica, com antibióticos específicos para a microbiota local ou de acordo com o resultado da hemocultura.(6) 22 Tratamento odontológico das complicações orais durante o tratamento antineoplásico Infecção pelo herpes simples Tratada de forma sistémica com aciclovir (30 mg/kg/dia, divididas em três tomadas) e/ou com laser de baixa potência. Aplicação do aciclovir tópico 4/4 horas, durante 7 dias, com omissão da dose nocturna, também é recomendada.(6) A candidíase Infecções fúngicas oportunistas mais comuns em pacientes pediátricos oncológicos.(5,6) Para o tratamento: recomenda-se suspensão oral de nistatina, cinco vezes ao dia e bochecho com 5 mL da solução durante 15 dias, sendo necessária a permanência do tratamento por mais 7 dias mesmo após o desaparecimento das lesões. (6) Fonteː Internet Tratamento odontológico das complicações orais durante o tratamento antineoplásico Mucosite oral Modificação na cavidade bucal que o paciente desenvolve durante a terapia antineoplásica,.de etiologia multifatorial, directamente pelo efeito citotóxico dos agentes quimioterápicos e da radioterapia ou indirectamente pela neutropenia. Segundo a OMS as mucosites podem ser graduadas de 0 a IV. O grau 0 é conferido quando a mucosite oral não acontece e grau IV àqueles casos mais severos.(6) 24 Tratamento Grau I: bochechos com hidróxido de alumínio 10%, suspensão oral, cinco vezes ao dia, durante 7 dias. Grau II, III ou IV: prescrito para o grau I, bochechos com dexametasona (5 mL) de 8/8 horas, durante 7 dias, alternados aos bochechos com eritromicina (250 mg.5 mL– 1) de 8/8 horas, durante 7 dias. Fonteː Internet Tratamento odontológico das complicações orais tardias Cárie de radiação A cárie de radiação aparece geralmente entre dois meses e um ano após o início do tratamento radioterápico, caracterizando-se por localizar-se ao redor das margens cervicais dos dentes.(6) Fatores etiológicos: Pobre higiene bucal associada à dieta mais cariogénica. Prevenção da cárie de radiação. ː Cuidados especiais com a higiene bucal, avaliações odontológicas periódicas e aplicação de flúor diário.(6) FonteːInternet Tratamento odontológico das complicações orais tardias Tratamento de lesões de cárie de radiação Consiste na aplicação de cariostáticos ou na remoção do tecido cariado com curetas, evitando o uso da caneta de alta rotação. Restauração dos dentes com ionômero de vidro. Bochechos diários de fluoreto de sódio não acidulado a 0,05%, com um minuto de duração, indefinidamente, são preconizados. Géis de flúor acidulado não devem ser prescritos, pois estes podem facilitar a descalcificação do esmalte sem que ocorra remineralização, devido à hipossalivação instalada.(6) 26 Considerações finais O conhecimento e actuação odontológica, compondo a equipe multidisciplinar em pacientes oncológicos pediátricos é de suma importância, actuando principalmente em primeiro momento, com orientações ao paciente a seguir o protocolo estabelecido que antecede o tratamento oncológico, prevenindo e se necessário tratando lesões incómodas que surgem decorrentes dessa terapia. O principal objectivo é proporcionar melhor qualidade de vida para o paciente em tratamento oncológico. 27 Referências Bibliográficas 1. Manual de odontopediatria / editores Angus C. Cameron, Richard P. Widmer ; [tradução de Luciana Pomarico ... et al.]. - 3.ed. - Rio de Janeiro : Elsevier, 2012.504p. 2. Rosa LN. Atenção estomatológica aos pacientes pediátricos oncológicos. RGO. 1997;2:111-4. 3. Antunes SA, Crelier AC, Ribeiro AA, Pinheiro CT, Pereira MA, Monteiro MCP, et al. Como o crurgiãodentista deve atender o paciente oncológico? Rev Int Estomatol. 2004;1(1):30-8. 4. Kroetz MF, Czlusniak GD. Alterações bucais e condutas terapêuticas em pacientes infanto-juvenis submetidos a tratamentos anti-neoplásicos. Publ UEPG Biol Health Sci. 2003;9(2):41-8. 5. Gordón-Nunez MA, Pinto LP. Candidíase e sua relação com a mucosite oral em pacientes oncológicos pediátricos. 6. Avaliação clínica das complicações orais em pacientes pediátricos submetidos ao tratamento antineoplásico (trabalho de conclusão de curso). Camaragibe: Faculdade de Odontologia da Universidade de Pernambuco; 2005 28 NOXUKHURU MUITO OBRIGADO PELA ATENÇÃO DISPENSADA 29