Prévia do material em texto
1 1. Por que a pessoa é sujeito de direitos? Resposta: Porque somente a pessoa pode contrair direitos e deveres na ordem civil 2. Quando somos considerados pessoas? Já na concepção ou somente após o nascimento? Resposta: Segundo o art. 2º do Código Civil: “A personalidade civil da pessoa começa do nasci- mento com vida; mas a lei põe a salvo, desde a concepção, os direitos do nascituro” Para entender o art. 2º precisamos entender alguns conceitos: • Pessoa = é o ser humano nascido com vida • Nascituro = é o ser já concebido, mas que ainda esta no ventre materno • Natimorto = é o ser expelido sem vida do vetre materno • Personalidade = é a aptidão que a pessoa tem para contrair direitos e deveres na ordem civil (art. 1º do CC) Então, se somente somos pessoas e adquirimos personalidade após nascermos com vida, o nascituro não possui personalidade? • O nascituro não tem direitos? • O natimorto não adquiriu personalidade? • Quando inicia a personalidade? Existem algumas teorias sobre o início da personalidade civil que responde todas essas questões, sendo mais comum os doutrinadores defenderem duas delas que são: • TEORIA NATALISTA: entende que a personalidade civil da pessoa somente inicia após o seu nascimento com vida, conforme determina o início do art. 2º do CC quando diz: A personalidade civil da pessoa começa do nascimento com vida. Sendo assim, segundo a Teoria Natalista, o Ser somente poderá ser considerado uma pes- soa após o seu nascimento com vida quando poderá adquirir direitos e deveres na ordem civil. Enquanto esta no ventre materno, o nascituro não adquire direitos e deveres na ordem civil. TEORIA SOBRE O INÍCIO DA PERSONALIDADE CIVIL TEORIA NATALISTA TEORIA CONCEPCIONISTA TEORIA NATALISTA NASCEU COM VIDA ADQUIRIU PERSONALIDADE = ESTÁ APTO A CONTRAIR DIREITOS E DEVERES NA ORDEM CIVIL NASCITURO = VENTRE MATERNO NÃO TEM PERSONALIDADE = NÃO ESTÁ APTO A CONTRAIR DIREITOS E DEVERES NA ORDEM CIVIL NATIMORTO = NASCEU SEM VIDA NÃO ADQUIRIU PERSONALIDADE = NÃO ADQUIRIU DIREITOS E DEVERES NA ORDEM CIVIL 2 A Teoria Natalista reconhece que a lei assegura direitos ao nascituro, pois o próprio art. 2º do CC é claro ao afirmar que: “a lei põe a salvo, desde a concepção, os direitos do nascituro”. No entanto, a Teoria Natalista reconhece que esses direitos assegurados ao Nascituro se- riam apenas alguns direitos da personalidade, tais como: vida, integridade física, saúde, etc. Sendo então, excluídos dos nascituros, os direitos patrimoniais, tais como: direito de propri- edade, de receber herança, danos morais, receber seguro, etc. Existe um desdobramento da Teoria Natalista, que se chama Teoria da personalidade con- dicional, que defende que a personalidade jurídica do nascituro depende do seu nascimento com vida. A aquisição da personalidade fica condicionada ao nascimento com vida do nascituro, quando ai sim ele poderá adquirir aqueles direitos que lhe foram reservados desde a concepção, mas estavam suspensos aguardando o seu nascimento com vida. Trata-se de teoria essencialmente patrimonialista, parecidíssima com a teoria natalista, pois que se preocupa também, antes, com as obrigações do que com os direitos e deveres. Ora, sob a ótica desta teoria, o nascituro não se trata de objeto, mas de alguém que, eventualmente, será sujeito de direitos e deveres. • TEORIA CONCEPCIONISTA: defende que o nascituro já adquire a personalidade civil desde a concepção. O nascituro já teria adquirido direitos desde o momento da concepção, somente alguns efei- tos desses direitos é que estariam aguardando-o nascer com vida, em especial direitos patrimoni- ais materiais tais como propriedade e herança. A Teoria da Concepção vem ganhando força na doutrina e também em várias decisões ju- diciais que reconheceram, por exemplo, o direito de o nascituro receber o seguro obrigatório DPVAT da mãe que faleceu em acidente de transito enquanto estava em seu ventre (TJ/SC Ape- lação Cível 2015.001624-3); ou de a mãe receber o seguro DPVAT do nascituro que perdeu em decorrência de acidente de transito (TJ/SC Processo: 0300380-80.2016.8.24.0054) ou, ainda, de o nascituro receber danos morais pela morte de seu pai por não tê-lo conhecido em vida (STJ Recurso Especial nº 931.556 – RS 2007/0048300-6). Esses exemplos demonstram a aplicação da teoria concepcionista cada vez mais atual no direito brasileiro. A teoria concepcionista sustenta que o nascituro é pessoa humana, devendo ter todos os seus direitos resguardados pela Lei. É a teoria aceita e retratada no Enunciado I do Conselho da Justiça Federal e do Superior Tribunal de Justiça, aprovado na I Jornada de Direito Civil: “Enunci- ado I. A proteção que o Código defere ao nascituro alcança o natimorto no que concerne aos direitos da personalidade, tais como nome, imagem e sepultura”. Não bastasse, a adoção da linha concepcionalista foi confirmada com a publicação do Infor- mativo nº 547, do STJ. Neste diapasão, para fins de melhor entendimento, analisaremos a classificação da profes- sora Maria Helena Diniz: Segunda a autora, a personalidade jurídica poderia ser classificada em formal e material: 1. a personalidade jurídica formal é aquela relacionada aos direitos da personali- dade, o que o nascituro já tem desde a concepção, e 2. a personalidade jurídica material mantém relação com os direitos patrimoniais, que somente são adquiridos pelo nascituro com o nascimento com vida. TEORIA CONCEPCIONISTA NASCITURO ADQUIRE A PERSONALIDADE DESDE A CONCEPÇÃO 3 O nascituro, portanto, não tem personalidade jurídica material. Para estes casos, a lei asse- gura direitos patrimoniais existentes em potencial, os quais podem ser adquiridos ao se nascer com vida. Nesse ínterim, em razão da ausência da personalidade jurídica material, o natimorto não integraria a linha sucessória, visto que, segundo o artigo 1.798, do CC, não são legitimados à sucessão. Nem teria ele qualquer direito patrimonial. Vejamos: A doação feita ao nascituro é válida desde que aceita pelo seu representante legal (art. 542, do CC). Na sucessão testamentária, os filhos de pessoas indicadas pelo testador, ainda que não concebidos, mas desde que vivas ao abrir-se a sucessão, podem ser chamadas a suceder (artigo 1.799, inciso I, do CC). Para este caso, o juiz nomeará, após a liquidação ou partilha, um curador (artigo 1.800, do CC). Importante a previsão do parágrafo 3°, do artigo 1.800, do Código Civil, no qual resta evi- dente a importância do nascimento com vida: § 3° Nascendo com vida o herdeiro esperado, ser- lhe-á deferida a sucessão, com os frutos e rendimentos relativos à deixa, a partir da morte do testador. Como identificar o natimorto? Há um exame que determina se uma criança nasceu com vida ou não. É o exame chamado de docimasia hidrostática de galeno, no qual o médico legista põe o pulmão da criança falecida em um recipiente com água. Se a criança chegou a respirar, ainda que por um breve momento, o pulmão boia; se não, ele afunda, e daí conclui-se que ela já nasceu morta.