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Tecnologias de interconexão de MANs/ WANs Tecnologias tradicionais de interligação de MANs e WANs, MPLS, Metro Ethernet e redes óticas. Prof. Sidney Ventury 1. Itens iniciais Propósito O profissional de tecnologia da informação que atuar na área de redes de computadores terá de conhecer as soluções que podem ser utilizadas para as redes MAN e WAN. Isso permitirá a ele definir qual das tecnologias é a mais adequada ao projeto ou gerenciar uma rede existente. Objetivos Descrever as tecnologias já empregadas para a interligação de MANs e WANs. Descrever as redes MPLS e seus componentes. Descrever as redes Metro Ethernet e seus componentes. Descrever as redes óticas e seus componentes. Introdução Quando você navega pela internet e deseja utilizar algum serviço disponibilizado, as suas requisições saem de sua rede local, atravessam diversos enlaces disponibilizados pelos provedores de acesso à internet e alcançam os servidores, localizados em outras redes locais ou datacenters. Os servidores respondem e fazem o caminho reverso até chegarem ao seu computador. Esse processo ocorre de forma transparente para a maioria dos usuários, mas o profissional de redes precisa entender que, durante o caminho percorrido, o pacote de dados percorreu diversos enlaces que utilizam tecnologias próprias para as redes metropolitanas (MAN) ou as de longa distância (WAN). Esses tipos de redes têm características e funcionalidades diferentes daquelas empregadas nas redes locais (LANs), sendo uma das mais evidentes o comprimento do enlace, que pode chegar a dezenas ou centenas de quilômetros. Além disso, como as redes interligam muitos usuários e empresas, é necessário que elas tenham uma alta taxa de transmissão para atender ao tráfego gerado. Tendo isso em vista, iniciaremos os nossos estudos com o propósito de entender as características das principais tecnologias existentes que empregam meios de transmissão cabeados. Inicialmente, conheceremos o histórico das tecnologias empregadas para MANs e WANs, as chamadas redes legadas. Em seguida, falaremos sobre o MPLS, as redes Metro Ethernet e, por fim, as redes óticas. • • • • 1. MANs e WANs X.25 A longo dos anos, vários protocolos foram utilizados para interligar redes em longas distâncias. O mais antigo deles é o X.25. Proposto pelo ITU-T no livro de recomendações (Provisional Recommendations) denominado The orange book, de 1978, ele pode ser considerado o precursor de dois protocolos que conheceremos neste módulo: o Frame Relay e o ATM. Concebido a partir da comutação de pacotes, o X.25 trabalha como um protocolo de acesso à rede que gerencia a comunicação de dados por meio de pacotes, utilizando, para tal, comunicação síncrona e orientada a bit. Ele trabalha em três camadas do modelo OSI: Física Define as características mecânicas e elétricas da interface do terminal e da rede. A transmissão é feita de modo síncrono e full duplex. Enlace Inicia, verifica e encerra a transmissão de dados na ligação entre o DTE e o DCE , sendo responsável pelo sincronismo, pela detecção e pela correção de erros durante e transmissão. Em uma ligação serial, existe, de um lado, o DCE, que é o encarregado de codificar ou modular os dados para o meio físico de transmissão; e do outro, o DTE, que são os equipamentos que geram e recebem os dados. Rede Realiza o empacotamento dos dados e define se a transmissão será realizada por circuito virtual comutado (SVC) ou por circuito virtual permanente (PVC). O SVC é similar à realização de uma ligação telefônica, pois, primeiramente, a chamada deve ser estabelecida; em seguida, os dados são transferidos, e a ligação é finalizada. Emprega conexões temporárias estabelecidas somente no momento da comunicação. O PVC é similar a uma linha alugada/dedicada, já que o circuito está sempre ativo; por essa razão, a transmissão dos dados pode ser realizada sem a necessidade de haver anteriormente uma chamada. Emprega conexões permanentes, não existindo a necessidade de realizar uma chamada para estabelecer conexão. Segundo Forouzan (2008), o X.25 possui uma série de desvantagens, como uma taxa de dados abaixo de 64kbps. Por volta dos anos 1990, já havia uma necessidade de WANs de maior velocidade. Além disso, ele apresenta um controle de erros e de fluxo abrangente tanto na camada de enlace de dados como na de rede. Isso ocorre porque o X.25 foi desenvolvido nos anos 1970, quando os meios de transmissão disponíveis eram mais sujeitos a erros. Esse controle nas duas camadas cria um grande overhead e diminui a velocidade das transmissões. O X.25 requer confirmações tanto para quadros da camada de enlace de dados quanto para pacotes da camada de rede. Originalmente, o X.25 foi concebido para uso privado, e não para a internet. Ele já tem a própria camada de rede, que encapsula os dados do usuário. A internet, porém, apresenta a camada dela. Atenção Se a rede mundial quiser usar o X.25, portanto, ela precisará entregar seu pacote de camada de rede (chamado de datagrama) para o encapsulamento no pacote X.25. Isso duplica o overhead. Devido a essa desvantagem, as empresas de telecomunicações buscaram desenvolver outros protocolos para a interligação de redes, surgindo o Frame Relay. Frame Relay O Frame Relay foi desenvolvido no contexto do ISDN e padronizado pelo International Telecommunication Union (ITU) com o propósito de eliminar as desvantagens apresentadas pelo X.25. ISDN A sigla ISDN corresponde a um conjunto de padrões de comunicação para a transmissão digital simultânea de voz, vídeo, dados e outros serviços de rede sobre os circuitos tradicionais da rede pública de telefonia comutada. Desenvolvido no final da década de 1980 e no início dos anos 1990, tal conjunto divide a informação em frames (vem daí seu nome), os quais, por sua vez, são similares estruturalmente aos pacotes. Devido às suas vantagens em relação ao X.25, ele logo passou a ser utilizado em larga escala pelas empresas na interligação de suas aplicações e na criação de suas WANs. Segundo Forouzan (2008), as principais características do Frame Relay são: Opera a uma velocidade mais alta (1,544Mbps e, posteriormente, 44,376Mbps). Opera apenas nas camadas física e de enlace de dados, podendo ser utilizado como uma rede backbone para oferecer serviços a arquiteturas que já possuem um protocolo de camada de rede, como a internet. Permite dados em rajadas. Permite um tamanho de quadro de 9.000 bytes, sendo capaz de acomodar todos os tamanhos de quadros das redes locais. É mais barato que outras WANs tradicionais. Apresenta detecção de erros apenas na camada de enlace de dados. Não implementa controle de fluxo ou de erros, tampouco uma política de retransmissão. O Frame Relay foi concebido dessa maneira para oferecer recursos de transmissão rápida para meios mais confiáveis e para aqueles protocolos com controles de erros e de fluxo nas camadas superiores. Arquitetura do Frame Relay De forma similar à do X.25, o Frame Relay oferece circuitos virtuais permanentes (PVC) e comutados (SVC). A imagem a seguir mostra uma arquitetura típica cuja “nuvem” Frame Relay faz a ligação da rede local com o backbone da internet: “nuvem” Frame Relay Frame Relay é costumeiramente representado como uma nuvem por causa da sua concepção: não existem apenas dois pontos (como uma rede ponto a ponto), e sim uma série de nós que permite a concepção dos circuitos virtuais nos quais são efetivadas as transmissões. • • • • • • • Rede Frame Relay. Quando uma fonte e um destino desejam se comunicar, eles podem optar por um PVC cuja conexão é simples. Basta, para isso, obter o DLCI de saída para a fonte e o DLCI de chegada para o destino. DLCI Data link connection identifier. Os circuitos virtuais do Frame Relay são identificados por um número chamado de DLCI. O uso do PVC, entretanto, possui algumas desvantagens: É caro, pois as duas partes pagam pela conexão todo o tempo, até mesmo quando ela não é usada. É criada uma conexão de uma fonte a um únicodestino. Se a fonte necessitar de conexões com vários destinos, ela precisará de um PVC para cada conexão. Outra abordagem possível é o uso do SVC, que cria uma conexão curta e temporária, existente apenas durante a transferência de dados entre a fonte e o destino. Um SVC requer fases de estabelecimento e término da conexão de circuitos virtuais. Funcionamento de circuitos virtuais Em uma rede de circuitos virtuais, dois tipos de endereçamento estão envolvidos: Global Identifica univocamente uma fonte ou um destino no escopo da rede ou internacionalmente. Identificador de circuitos virtuais (VCI) ou DLCI É o endereço efetivamente utilizado para a transferência de dados. Ele é um pequeno número no âmbito dos switches Frame Relay. Quando um frame chega a um switch, ele tem um VCI (ou DLCI); já quando o deixa, possui um VCI ou DLCI diferente. Switches Frame Relay São os equipamentos que controlam o encaminhamento dos frames. Cada switch, no caso de uma Rede Frame Relay, apresenta uma tabela para direcionar quadros. Essa tabela associa uma combinação porta de entrada-DLCI com uma porta de saída-DLCI. • • Identificador de circuitos virtuais. Já a comunicação ocorre em três frases: Estabelecimento da conexão A origem e o destino usam seus endereços globais para ajudar os switches a criar entradas na tabela para cada conexão. Transferência de dados Os switches analisam o VCI do frame de entrada e determinam o VCI de saída. Encerramento da conexão A origem e o destino avisam os switches para eliminar a entrada correspondente. Transmissão de dados pelos switches. Camadas do Frame Relay O Frame Relay funciona nas camadas 1 e 2 do modelo OSI com as seguintes características: Camada física Não estabelece nenhum protocolo nesta camada, provendo suporte para qualquer um dos protocolos reconhecidos pela ANSI. Camada de enlace de dados Utiliza um protocolo simples que não realiza controle de erros ou de fluxo, possuindo apenas um mecanismo de detecção de erros. Quadro Frame Relay O quadro do Frame Relay é composto pelos seguintes quadros: Campo de endereço (DLCI) Os 6 primeiros bits do 1º byte formam a 1ª parte do DLCI. A 2ª parte do DLCI usa os 4 primeiros bits do 2º byte. Esses bits fazem parte do identificador de conexão de enlace de dados, de 10 bits, definido pelo padrão. Comando/resposta (C/R) O bit C/R indica se o quadro transporta um comando ou uma resposta. Não é usado pelo protocolo Frame Relay. Endereço estendido (EA) O bit EA indica se o byte atual é o byte final do endereço. Um EA igual a 0 significa que está por vir outro byte de endereço; igual a 1, que o byte atual é o final. Notificação de congestionamento explícito no sentido direto (FECN) O bit FECN pode ser ativado por qualquer switch Frame Relay para indicar que o tráfego está congestionado. Dessa forma, o destino fica ciente de que deve esperar atraso ou perdas de pacotes. Notificação de congestionamento explícito no sentido inverso (BECN) O bit BECN é ativado (em quadros que trafegam no sentido oposto) para informar ao transmissor problemas de congestionamento na rede. Assim, a fonte fica sabendo que precisa desacelerar para prevenir a perda de pacotes. Elegibilidade para descarte (DE) O bit DE indica o nível de prioridade do quadro. Em situações emergenciais, os switches Frame Relay podem ter de descartar quadros para aliviar gargalos e evitar que a rede entre em colapso em virtude da sobrecarga. Quando ativo (DE 1), o quadro será candidato ao descarte caso exista congestionamento. Esse bit pode ser ativado pelo transmissor dos quadros (usuário) ou por qualquer outro switch da rede. Quadro de Frame Relay. ATM O ATM é um protocolo de transmissão de células projetado pelo ATM Fórum e adotado pelo ITU-T. Sua origem remonta ao início da década de 1990, quando o Frame Relay era o meio de interligação mais utilizado, ou seja, era usada a comutação de quadros. Redes de quadros As redes de quadros, assim como o Frame Relay, possuem um cabeçalho relativamente grande. O tamanho do quadro pode variar bastante, o que dificulta a multiplexação e exige que os equipamentos, como switches, multiplexadores e roteadores, incorporem sistemas operacionais sofisticados para conseguir gerenciar os diferentes tamanhos de quadros. O processamento dos quadros de diversos tamanhos exige a leitura de uma grande quantidade de dados do cabeçalho, tornando a interconexão de redes de quadros lenta e cara. Outro problema é conseguir manter a velocidade de entrega constante quando se lida com tamanho de quadros que apresentam uma grande variação. Observe na imagem ao lado o que acontece quando uma rede utiliza quadros grandes de dados e a outra, quadros pequenos, como de vídeo: Multiplexação de quadros de tamanhos distintos Frame Relay. Se o quadro X da linha 1 chegar antes dos quadros pequenos da linha 2, será encaminhado antes, já que o multiplexador não tem como saber que, a seguir, chegariam quadros pequenos. Isso vai gerar um atraso grande em todos os quadros de linha 2 somente pelo tempo de transmissão de X. Redes de células Esses problemas das redes de quadros podem ser eliminados utilizando redes de células nas quais os dados são carregados em unidades de tamanho fixo denominadas células, o que permite a previsibilidade e a uniformidade do fluxo de transmissão. Quando quadros de diferentes tamanhos chegam a essa rede, eles são divididos em pequenas unidades de mesmo tamanho (as células); em seguida, elas são multiplexadas com outras células e enviadas pela rede. Multiplexação de células. A imagem acima apresenta duas linhas enviando células em vez de quadros. O quadro X foi segmentado em três células: X, Y e Z. Apenas a primeira célula da linha 1 consegue ser colocada no enlace antes da primeira célula da 2. As células das duas linhas serão entrelaçadas de modo que nenhuma delas sofra um grande atraso. Multiplexação no ATM O ATM utiliza a multiplexação por divisão de tempo assíncrona (TDM). Os slots possuem o tamanho de uma célula, enquanto os multiplexadores preenchem um slot com uma célula de qualquer canal de entrada que tenha algo para ser transmitido; caso não exista o que transmitir, o slot ficará vazio. Arquitetura do ATM O ATM emprega vários tipos de dispositivos para implementar sua rede de comutação de células: Pontos terminais – dispositivos de acesso dos usuários. UNI – interligam os pontos terminais aos switches da rede ATM. Switches – equipamentos que fazem o envio das células determinando o caminho a ser percorrido. NNIS - Interligam os switches da rede ATM. A imagem a seguir mostra um exemplo de uma rede ATM: Rede ATM. Já a conexão entre dois pontos terminais é realizada por: Rotas de transmissão (TPs): Correspondem ao meio físico de transmissão entre o ponto terminal e switches ou entre os switches. TPs são divididas em várias rotas virtuais. Rotas virtuais (VPs): Fornecem uma conexão ou um conjunto de conexões entre dois switches. Circuitos virtuais (VCs): Correspondem a uma rota virtual entre uma origem e um destino. Todas as células pertencentes a uma única mensagem seguem o mesmo circuito virtual e permanecem em sua ordem original até atingir seu destino. • • • • • • • Comutação ATM. TP, VPs e VCs. Para identificar o circuito virtual a ser utilizado, o ATM utiliza um identificador de dois níveis: • VPI (Virtual path identifier) - define o VP a ser utilizado. • VCI - define o VC pertencente ao VP que será utilizado. Note que uma conexão virtual é identificada por um par de números: VPI e VCI. Identificadores de conexão. A célula ATM possui 53 bytes (5 bytes de cabeçalho basicamente ocupados pelo VCP/VCI e 48 de payload): Célula ATM. Similar ao Frame Relay, o ATM utiliza PVC e SVC, enquanto seus switches fazem a comutação tendo como base tabelas (conforme ilustra a imagem). Podemos observar que o switch ATM, ao receber em sua interface 1 uma célula com VPI 153 e VCI 67, consulta sua tabela de chaveamento e encaminha a célula para a interface3, endereçando com VPI 140 e VCI 92. Fracasso do ATM Assim que surgiu, na década de 1990, o ATM teve muito sucesso. Contudo, atualmente, ele caiu em desuso devido basicamente a dois fatores: Os equipamentos ATM eram muito mais caros que os switches e os roteadores IP. A criação pelo IETF da tecnologia de comutação de rótulos utilizando roteadores IP convencionais gerou uma solução eficiente e mais barata. A evolução das redes de longa distância Acompanhe agora um resumo histórico da evolução das redes MAN e WAN. Vamos lá! Conteúdo interativo Acesse a versão digital para assistir ao vídeo. Vem que eu te explico! Os vídeos a seguir abordam os assuntos mais relevantes do conteúdo que você acabou de estudar. Funcionamento de Circuitos Virtuais Conteúdo interativo Acesse a versão digital para assistir ao vídeo. Quadro Frame Relay Conteúdo interativo Acesse a versão digital para assistir ao vídeo. Redes de Células Conteúdo interativo Acesse a versão digital para assistir ao vídeo. Verificando o aprendizado Questão 1 O Frame Relay identifica os seus circuitos virtuais com o DLCI, que, por sua vez, corresponde a 10 bits. Considere que os primeiros dois bytes do cabeçalho de um quadro Frame Relay sejam: 1101010100111111 O seu DLCI seria: • • A 1101010100 B 0100111111 C 1101010011 D 1111111101 E 1101010011 A alternativa C está correta. O Frame Relay identifica os circuitos com o DLCI, que é composto pelos 6 primeiros bits do primeiro byte e os 4 primeiros bits do segundo byte. Seu cabeçalho, no caso, seria então: Questão 2 O ATM surgiu como uma proposta de solução de interconexão baseada em células pequenas de tamanho fixo. Sua arquitetura engloba vários conceitos, entre os quais, temos: I. Rotas de transmissão (TPs): Correspondem ao meio físico de transmissão entre o ponto terminal e os switches ou entre os switches. II. Circuitos virtuais (VCs): Fornecem uma conexão ou um conjunto de conexões entre dois switches. III. Rotas virtuais (VCs): Correspondem a um circuito virtual entre uma origem e um destino. Está correto o que se afirma em: A I B II C III D I e II E II e III A alternativa A está correta. As definições das afirmativas II e III estão invertidas: circuito virtual corresponde à definição III; rota virtual, à II. 2. Redes MPLS MPLS A realidade das redes na segunda metade da década de 1990 era a utilização do ATM nos backbones, apesar do custo elevado e de sua complexidade. Entretanto, havia o problema de interoperabilidade com o TCP/IP, que era o padrão de fato no mundo de redes de computadores. Surgiram então ideias de aplicar conceitos de comutação do ATM aos pacotes IP, juntando, com isso, o melhor das duas tecnologias. Após várias propostas desenvolvidas por diversas empresas, o IETF definiu o MPLS como uma tecnologia que provê suporte à comutação por rótulos em redes IP, visando a melhorar o encaminhamento dos fluxos de transmissão. O MPLS, portanto, fornece mecanismos para a engenharia de tráfego e QoS (Quality of Service), melhorando a velocidade, a escalabilidade e o gerenciamento da qualidade dos serviços. Comutação por rótulos No roteamento IP tradicional, o roteador compara o endereço de destino do pacote com as entradas das tabelas de roteamento, procurando o prefixo mais longo que combine com o destino. Se encontrar, ele o encaminhará pela interface de saída associada ao destino; se não encontrar e existir uma rota default, encaminhará pela interface de saída a ela associada. Por fim, se essa rota não existir, o pacote será descartado. Na imagem adiante, podemos verificar uma topologia de três roteadores com as respectivas tabelas de rotas. Se o roteador central receber um pacote com o endereço de destino estando na rede 201.0.0.0, ele o encaminhará para a saída na interface eth0, que corresponde à ligação com o roteador do próximo salto, cujo IP é 202.0.0.5: REDE DESTINO ROTEADOR (GATEWAY) HOPS REDE DESTINO ROTEADOR (GATEWAY) HOPS 201.0.0.0 eth0(rota direta) 0 202.0.0.0 eth0(rota direta) 0 202.0.0.0 eth1(rota direta) 0 203.0.0.0 eth1(rota direta) 0 203.0.0.0 202.0.0.3 1 201.0.0.0 202.0.0.2 1 204.0.0.0 203.0.0.3 2 204.0.0.0 203.0.0.5 1 default 203.0.0.3 -- default 203.0.0.5 -- roteador da esquerda roteador central REDE DESTINO ROTEADOR (GATEWAY) HOPS 203.0.0.0 eth0(rota direta) 0 Comutação de rótulos. REDE DESTINO ROTEADOR (GATEWAY) HOPS 204.0.0.0 eth1(rota direta) 0 202.0.0.0 203.0.0.4 1 201.0.0.0 203.0.0.4 1 default 203.0.0.7** -- roteador direta Exemplo de roteamento. Tal esquema de roteamento, embora funcione corretamente, possui como desvantagem o tempo de processamento, que pode ser longo, dependendo da quantidade de entradas a serem verificadas na tabela de roteamento. Se uma tabela possuir N entradas, por exemplo, em média serão necessárias Log2N comparações para encontrar a interface de saída. Já na comutação por rótulos, cada pacote possui um rótulo que determina por qual interface ele deve ser encaminhado. Como o rótulo é um número pequeno, pode-se utilizá-lo para indexar as linhas de uma tabela de comutação, o que agiliza a pesquisa na tabela e o respectivo encaminhamento. A imagem adiante conta com três comutadores (a) e a tabela de comutação de S1 (b), a qual, ao receber um pacote com o rótulo 3, acessa diretamente a linha 3 da tabela e encaminha o pacote pela interface 1: A tabela a seguir compara o roteamento IP e a comutação por rótulos: Roteamento IP Comutação por rótulos Análise do cabeçalho IP Verificação dos pacotes a cada salto em todo caminho na rede. Verificação dos pacotes apenas uma vez no ingresso do caminho virtual. Suporte para dados Unicast e Multicast Necessita de roteamento especial para Multicast e algoritmos de encaminhamento. Precisa somente de um algoritmo de encaminhamento. Decisão de roteamento Baseado no endereço de destino no cabeçalho do pacote IP. Baseado em vários parâmetros: endereço de destino no cabeçalho IP, QoS, tipo de dados etc. Tabela: Comparação do roteamento IP x comutação por rótulos. Elaborada por Sidney Ventury Cabeçalho e encapsulamento MPLS O MPLS utiliza a comutação por rótulos – mais especificamente, comuta os pacotes utilizando uma rede de circuitos virtuais. Para isso, ele encapsula o datagrama IP, acrescenta o seu cabeçalho e, em seguida, é encapsulado no quadro de camada 2. Por isso, é considerado um protocolo de camada 2,5. Encapsulamento MPLS. O cabeçalho MPLS possui 32 bits e é composto de 4 campos. Veja: Cabeçalho MPLS. Rótulo Contém o valor do rótulo MPLS de 0 a (1.048.575). Alguns valores possuem significados especiais: 0 – IPv4 Explicit NULL Label Indica que o rótulo deve ser retirado e que, desse ponto em diante, o roteamento será feito com base no endereço de rede. 1 – Router Alert Label Indica que o datagrama tem de ser analisado pelo software local. O encaminhamento seguinte será definido pelo próximo rótulo da pilha MPLS. 2 – IPv6 Explicit NULL Label Tem a mesma funcionalidade do valor 0, mas é aplicado ao protocolo IPv6. 3 – Implicit NULL Label Tem o valor utilizado pelos LSRs (Label Switch Routers) para a distribuição de rótulos (LDP - Label Distribution Protocol). 4 a 15 Reservados para definições futuras. 16 a (220 -1) Rótulos utilizáveis para roteamento. Exp (Experimental bits) Com três bits, o Exp é utilizado para configurar os algoritmos de enfileiramento (queuing) e descarte, permitindo que se confira prioridade a determinados pacotes. Ele é usado atualmente nas classes de serviços. S (Stack) Um bit permite a criação de uma pilha hierárquica de rótulos. Todos os cabeçalhos devem ter o valor 0, exceto o último, cujo valor tem de ser 1. Atenção O MPLS permite adicionar vários rótulos, um após o outro, para se tornar mais eficiente em uma estrutura hierárquica. Em uma organização com três localizações físicas diferentes, por exemplo, com vários prédios cada uma, pode ser configurado um nível para determinar o caminho entre as localizações físicase outro para determinar o prédio dentro de cada local. Tal solução é implementada empilhando rótulos MPLS: o rótulo a ser processado é o de cima da pilha. Nesse caso, teríamos dois rótulos: o superior, correspondendo ao caminho entre os locais; e o segundo, ao processamento dentro de cada localização física. Na navegação entre os locais, é processado o rótulo superior. Ao dar entrada na rede de um local, esse rótulo é retirado, e o inferior, que corresponde a como se determina o caminho para determinado prédio, é utilizado. TTL (Time to live) Possui 8 bits e funciona de maneira semelhante ao TTL do protocolo IP, determinando o limite de salto que o pacote pode realizar na rede. Ao entrar em uma rede MPLS, o valor inicial do TTL no cabeçalho MPLS precisa ser igual ao do TTL do cabeçalho IP e decrementado de 1 em cada roteador. Na saída do caminho, o roteador tem de copiar o valor do TTL do cabeçalho MPLS para o TTL do cabeçalho IP. Arquitetura MPLS O MPLS utiliza o endereçamento da camada 3 para determinar o caminho e envia os pacotes por meio da 2. Portanto, opera como uma tecnologia de camada 2,5, realizando a integração entre as duas camadas. Ele precisa ser compatível com os protocolos e os padrões das duas camadas, permitindo a separação entre o plano de controle e o plano de dados da rede. Plano de controle é responsável pela definição das rotas dos pacotes na rede, como, o serviço executado por um protocolo de roteamento. Plano de dados realiza apenas o encaminhamento dos pacotes para seu destino através das rotas definidas pelo plano de controle. Atenção Devido à sua capacidade de separação, a mudança da operação de roteamento não o obriga a modificar os dispositivos de encaminhamento, já que o controle não se envolve no processamento individual dos pacotes. Em resumo, o que os Roteadores MPLS fazem é utilizar o plano de controle para, por meio de um protocolo de roteamento, descobrir e escolher os melhores caminhos até o destino. Roteadores IP que dão suporte ao MPLS e implementam duas funcionalidades: encaminhamento (utiliza informações dos rótulos dos pacotes e das tabelas de encaminhamento dos roteadores para encaminhar pacotes) e controle (distribui informações de roteamento entre os roteadores, ou seja, LSR, que compõem um domínio MPLS). Componentes da arquitetura Descreveremos agora os principais termos e componentes da arquitetura MPLS: Domínio MPLS Conjunto de roteadores com o MPLS habilitado. Label switching routers (LSR) Roteadores internos ao domínio MPLS que realizam o encaminhamento dos pacotes, mantendo as tabelas de encaminhamento atualizadas, e que, ao receberem um pacote, trocam seu rótulo por outro e o encaminham para o próximo equipamento na rota. Label edge routers (LER) Tipo específico de LSR localizado na entrada ou na saída do domínio MPLS. O LER possui funções de encaminhamento e de controle dos LSRs, além de realizar as seguintes ações: Na entrada da rede Analisa o cabeçalho do datagrama de entrada e acrescenta o cabeçalho MPLS com o rótulo apropriado às características do fluxo. Na saída da rede Retira o rótulo do datagrama e o encaminha para o destino por meio da rede IP tradicional. Componentes MPLS. Além desses componentes, o MPLS possui alguns protocolos e outros conceitos importantes que veremos a seguir. LSP (Label switched path) Caminho que os pacotes rotulados devem seguir na rede MPLS, sendo constituído por uma sequência de LSR, a partir do LER de entrada, até o LER de saída. Os LSP são unidirecionais, ou seja, o caminho de retorno pode ser diferente do de ida. O LSP a ser utilizado é definido pelo LER de entrada com base na FEC atribuída ao pacote. Como a determinação do LSP a ser utilizado ocorre apenas na entrada do pacote pelo LER, os LSR interiores no domínio MPLS somente farão a troca dos rótulos e o encaminhamento com base em sua tabela. LDP Protocolo que realiza a distribuição de rótulos entre os LSR, permitindo a criação das LSPs. Para permitir isso, ele prevê mecanismos para que os LSR descubram seus vizinhos e estabeleçam os caminhos. LFIB (Label forwarding information base) Similar às tabelas de roteamento IP, LFIB são tabelas existentes nos LSR que contêm os rótulos de entrada de saída e as respectivas interfaces, sendo consultadas para determinar como se realiza o encaminhamento dentro do domínio MPLS. Construídas com base nos protocolos de roteamento, elas atuam no plano de controle. LSP. FEC (Forwarding equivalence classes) Conjunto de parâmetros utilizado para determinar a LSP para um pacote, sendo que todos os pacotes de uma mesma FEC seguem o mesmo caminho. A associação de um pacote a uma FEC ocorre no LER de entrada, que, a partir de parâmetros (como o IP de origem e destino, as portas de origem e destino, o protocolo do payload ou os requisitos de QOS), acrescenta ao pacote o rótulo correspondente à FEC, determinando o LSP a ser seguido. FEC. Funcionamento do MPLS O funcionamento básico do MPLS é realizado em quatro etapas: Etapa 1 - Construção das LFIB Os protocolos de roteamento, como OSPF ou IS-IS, são responsáveis por construir as tabelas de roteamento em redes IP. Nas redes MPLS, o LDP faz o mapeamento entre os rótulos e os endereços de destino, gerando as tabelas de encaminhamento por rótulos. Etapa 2 - Ingresso dos pacotes na rede O LER de entrada recebe o pacote da rede externa e executa o seguinte algoritmo: • Extrai o endereço IP do destino. • Procura uma entrada na tabela de encaminhamento correspondente ao endereço IP do destino. • Adiciona o cabeçalho MPLS, com o respectivo rótulo, no pacote IP. • Envia o pacote pela interface de saída. Etapa 3 - Encaminhamento dentro do domínio Os LSR, ao longo do LSP, executam o seguinte algoritmo: • Extrai o rótulo do pacote. • Procura uma entrada na LFIB com o rótulo de entrada igual ao do pacote. • Faz a troca do rótulo do pacote pelo de saída. • Envia o pacote para interface de saída do roteador. Etapa 4 - Saída do domínio O LER de saída retira o cabeçalho MPLS e encaminha o pacote na rede IP. Vamos ver o passo a passo disso? Inicialmente, chega ao LER de entrada (LER1) um pacote mapeado para a FEC2. Associando ao LSP2, adiciona o rótulo R2 e o encaminha para o próximo LSR no caminho: o LSR1. O LSR1 recebe o pacote com o rótulo R2. Em seguida, procura na LFIB a entrada correspondente a R2 e verifica que o rótulo de saída é R8, encaminhando pela interface S2. O LSR2 recebe o pacote com o rótulo R8. A seguir, procura na LFIB a entrada correspondente e verifica que deve encaminhar pela interface S1 com o rótulo R15. O LER2, que é o roteador de saída, retira o rótulo e encaminha o pacote para a rede IP associada à sua interface S2. A imagem acima sintetiza o processamento de um pacote no domínio MPLS. Note que, dentro do domínio, todo encaminhamento é feito com base no rótulo e que, nas redes externas, é utilizado o roteamento IP. A imagem a seguir sintetiza o processamento de um pacote no domínio MPLS. Note que, dentro do domínio, todo encaminhamento é feito com base no rótulo e que, nas redes externas, é utilizado o roteamento IP. Funcionamento completo do MPLS. Funcionamento do MPLS Acompanhe agora como funciona o encaminhamento dos pacotes em uma rede MPLS. Vamos lá! Conteúdo interativo Acesse a versão digital para assistir ao vídeo. Vem que eu te explico! Os vídeos a seguir abordam os assuntos mais relevantes do conteúdo que você acabou de estudar. Comparação do roteamento IP x Comutação por rótulos Conteúdo interativo Acesse a versão digital para assistir ao vídeo. Componentes da Arquitetura Conteúdo interativo Acesse a versão digital para assistir ao vídeo. Verificando o aprendizado Questão 1 O MPLS acrescenta os rótulos aos datagramas IP e os encaminha pela rede. Sobre o funcionamento dele, podemos afirmar que: Quando um pacote IP chega a um domínio MPLS, o ___I___ lhe acrescenta um rótulo, que corresponde à sua ___II___ e que determina o ___III___ no domínio. A opção que completa os itensI, II e III respectivamente é: A LER FEC LSP B LSR LDP FEC C LER LSR LDP D LSP LER LSR E LDP FEC LER A alternativa A está correta. O equipamento de entrada do domínio, o LER, analisa o cabeçalho IP e, de acordo com as características de seu tráfego, o associa a uma FEC, atribuindo-lhe um rótulo. Os switches no caminho leem o rótulo e encaminham o pacote, seguindo o LSP correspondente à FEC. Questão 2 O cabeçalho MPLS possui 32 bits e 4 campos, que são: • C1 – Rótulo. • C2 – EXP. • C3 – S. • C4 – TTL. Cada um desses campos possui uma finalidade diferente. Considere agora as seguintes afirmativas: • A1 - é utilizado atualmente pelas classes de serviço. • A2 - determina o limite de salto. • A3 - define se existe uma pilha hierárquica de rótulos. • A4 - alguns de seus valores possuem significado especial. A opção que mostra a associação correta entre as afirmativas e os campos é: A C1-A2; C2-A4; C3-A3; C4-A1. B C1-A3; C2-A1; C3-A4; C4-A2. C C1-A1; C2-A3; C3-A4; C4-A2. D C1-A4; C2-A3; C3-A2; C4-A1. E C1-A4; C2-A1; C3-A3; C4-A2 . A alternativa E está correta. O campo rótulo admite alguns valores com significado especial, como 0 – IPv4 Explicit NULL Label ou Router Alert Label. O campo EXP é utilizado para estabelecer políticas de prioridade para as classes de serviço. O S (stack) permite identificar a existência de outros rótulos no pacote que está sendo transmitido. Já o TTL determina o número máximo de saltos que um pacote pode fazer. 3. Metro Ethernet Padrão Ethernet A Ethernet foi criada em 1976 e evoluiu ao longo dos anos, abrangendo diversas gerações. Cada evolução dela, afinal, correspondeu a um incremento no desempenho da rede. Posteriormente, o Ethernet foi normatizado pelo padrão IEEE 802.3. Gerações Ethernet. A imagem a seguir apresenta os campos do quadro Ethernet: Quadro IEEE 802.3. Veja a descrição de cada um dos campos: Preâmbulo: Contém 7 bytes (56 bits) e é utilizado para sincronizar o clock entre a origem e o destino, sendo um item meramente físico. Formalmente, ele não faz parte do quadro. SFD (Start Frame Delimiter): Campo com 1 byte (10101011) que marca o início de um frame. Os dois últimos bits são 11 e avisam o receptor de que o próximo campo será o endereço de destino. Endereço de destino: Tem o endereço MAC do destino. Endereço de origem: Possui o endereço MAC da origem. Comprimento ou tipo: Campo de tipo ou de comprimento. A Ethernet original usava este campo para definir o protocolo da camada superior; já no padrão IEEE, ele indica a quantidade de bytes no campo dos dados. Dados: Transportam dados encapsulados da camada de rede. Têm um mínimo de 46 bytes e um máximo de 1.500 bytes. CRC: Utilizado para a detecção de erros. O IEEE802.3 tornou-se o padrão para as redes locais devido principalmente aos seguintes fatores: • Simplicidade. • Facilidade de operação. • Alto grau de integração. • Padronização. Com o aumento da necessidade de interconexão das redes locais de empresas geograficamente distribuídas, além de considerar que o padrão IEEE 802.3 já estava bem consolidado, houve a decisão de se portar o padrão para que ele fosse utilizado em redes metropolitanas, criando, assim, a Metro Ethernet. Redes Metro Ethernet Metro Ethernet (MEN - Metropolitan Ethernet Network) é uma rede de interconexão de LANs geograficamente separadas que fornece acesso a WAN ou backbone operado pelo provedor de serviços, sendo o padrão definido pelo Metro Ethernet Forum (MEF). Os componentes de uma rede Metro Ethernet são: Equipamento do cliente (CE) Um switch que opera de acordo com algum dos padrões da Ethernet (Fast, Giga etc.). Equipamento do Provedor (PE) Podendo ser de borda ou de núcleo, o PE normalmente é um switch de grande capacidade. Metro Ethernet Network (MEN) Rede Metro propriamente dita, cujo serviço é oferecido por um provedor. User Network Interface (UNI) Interliga a rede de um cliente à de um provedor de serviços. Rede Metro Ethernet. Conexão Ethernet virtual (EVC - Ethernet virtual connection) Uma EVC corresponde a uma ligação entre duas ou mais UNI com o objetivo de realizar o transporte do fluxo de dados fim a fim. Conexão virtual Ethernet. Os EVC podem ser de dois tipos básicos: Ponto a ponto Conexão virtual ponto a ponto entre dois clientes da MEN. Multiponto Multiponto Conexão virtual (EVC) multiponto entre diversos clientes da MEN. Perfis de largura de banda Metro Ethernet Largura de banda por UNI Todos os quadros que ingressam na UNI recebem o mesmo perfil de tráfego independentemente de sua natureza ou do EVC de entrada. O policiamento de tráfego não faz distinção entre os quadros entrantes de cada um dos EVCs. Não existe, portanto, controle sobre o quanto da rede é utilizado por alguém. Além disso, qualquer um dos três EVCs da imagem a seguir terão o mesmo perfil de tráfego. Note que esse perfil está associado ao UNI, e não aos EVCs: Largura de banda por UNI. Largura de banda por EVC Cada EVC possui o próprio perfil de tráfego, o qual, por sua vez, é aplicado a todos os seus quadros de entrada. Considere que um UNI possua três EVC. Cada um deles, nesse método, poderia possuir um perfil diferente, como: EVC1 - CIR = 15Mbps. EVC2 - CIR = 10Mbps. EVC3 - CIR = 20Mbps. Observe que o perfil de largura de banda de entrada por atributo de serviço EVC está associado a cada EVC. 1. 2. 3. Largura de banda por UNI. Largura de banda por classe de serviços (CoS) Trata-se daqueles perfis que correspondem às necessidades de parâmetros de tráfego, como: CIR (Commited information ratio) Velocidade mínima de transmissão de dados garantida pelo provedor do serviço, sendo especificada em bits/s. CBS (Commited burst size) Número máximo de bytes que podem ser transmitidos para a rede em uma única rajada (burst). EIR (Extended information ratio) Corresponde à taxa máxima que um usuário pode exceder seu CIR com a perspectiva de que o tráfego extra não seja descartado pelo policiamento de tráfego. Nesse modelo, um único perfil será aplicado a todos os quadros do EVC que possuam o mesmo identificador de classe de serviço. Veja a imagem a seguir. Podemos notar que, no , há três identificadores de , cada um associado a um perfil distinto: Perfil de largura de banda de entrada por CoS ID. Serviços Metro Ethernet Principais fatores e características Os três principais fatores que motivam os provedores de serviços e os clientes a optarem por serviços Ethernet são: Facilidade de uso Os serviços Ethernet utilizam uma interface padronizada e extremamente conhecida e entendida, o que simplifica a operação, o gerenciamento e a interconexão na rede. Baixo custo Como os equipamentos utilizados são produzidos em alta escala, eles possuem um preço reduzido em relação a outras tecnologias, e o cliente não precisa comprar equipamentos novos para poder fazer a conexão a MEN. Flexibilidade Os serviços Ethernet gerenciados permitem que o cliente modifique a sua largura de banda com muita rapidez, além de minimizar as visitas de suporte técnico em comparação com outras soluções de MAN. Além disso, a oferta de múltiplos serviços em uma única interface permite que pequenos clientes passem a usufruir de maior flexibilidade de interconexão de suas redes com clientes e fornecedores. No modelo básico de fornecimento dos serviços de Ethernet ilustrado na imagem a seguir, basta ao cliente, via UNI, usar uma interface Ethernet padrão e se interconectar à rede Metro do provedor: Modelo básico de fornecimento dos serviços. Durante a prestação do serviço, duas premissas são seguidas: • Um quadro Ethernet não deve nunca retornar à interface que o originou. • O quadro não pode ser alterado no caminho entre sua origem e seu destino. Tipos de serviços Metro Ethernet As redes Metro Ethernet podem oferecer os seguintes serviços: Ethernet line (E-LINE) Conexão Ethernet ponto a ponto virtual entre duas UNI. Ethernet Line (E-LINE). Ethernet LAN (E-LAN) Conexão Ethernet virtual multipontoentre múltiplas UNIs. É a alternativa mais flexível, pois permite criar virtualmente qualquer arranjo de conectividade entre as UNIs. Ethernet LAN (E-LAN). Ethernet tree (E-TREE) Conexão Ethernet multiponto baseada em nó raiz (root). Cada UNI raiz (root-UNI) troca dados com uma UNI folha (leaf-UNI) por meio de um ponto raiz. O root age como um ponto de troca que concentra e redistribui o tráfego destinado às leafs-UNI. Entretanto, um quadro enviado por uma UNI folha destinado à outra folha não será entregue. Ethernet Tree (E-TREE). O E-TREE é útil para serviços de acesso à internet, aplicações IPTV e vídeo sob demanda (on demand). Atenção Configurações com dois ou mais “roots” também são aceitas no E-TREE, havendo a criação de cenários com recursos de redundância. Cabe observar que, para o provedor da MEN, os serviços podem ser oferecidos com base em diversas tecnologias e protocolos, como SONET, WDM, MPLS, Frame Relay etc. Porém, na perspectiva do assinante, a conexão é feita com uma interface Ethernet comum. Serviços padronizados Os tipos de serviço apresentados são modelos genéricos utilizados para criar os serviços em si. Para isso, um conjunto de atributos parametrizados é associado a cada um deles. Tais atributos especificam o serviço ofertado para atender à determinada situação. Formação dos serviços Ethernet. Com base no tipo E-LINE, duas modalidades de serviço são definidas: Ethernet private line service (EPL) Usa um EVC ponto a ponto entre dois UNI, fornecendo transparência para os quadros e não permitindo qualquer tipo de multiplexação. Ethernet virtual private line service (EVPL) Pode ser utilizada para criar serviços do tipo EPL, mas tem algumas diferenças. A EVPL permite: • Multiplexar serviços na UNI, possibilitando que mais de um EVC exista na UNI, o que o EPL não permite. • O envio de quadros por EVC diferentes. Note que, na imagem a seguir, há 3 EVC (blue, yellow e green) na mesma UNI. Já os serviços baseados no tipo E-LAN estão definidos como: Ethernet private LAN service (EP-LAN) Visa permitir a interconexão de várias LAN em alta velocidade, parecendo que todas estão em uma mesma rede local. O serviço EP-LAN preserva a tag CE-VLAN e realiza o tunelamento de protocolos de controle de camada 2, possibilitando que os administradores das redes locais possam configurar suas VLANs nos sites sem a necessidade de coordenar com o provedor de MEN. Ethernet virtual private LAN service (EVP-LAN) Alguns clientes desejam, além de conectar suas redes locais em uma rede metropolitana, acessar outros serviços, como a internet ou os serviços de nuvem. Para atender a essa demanda, o EVP-LAN possibilita a definição de EVCs multiponto (MP2MP) multiplexados sob uma mesma UNI, permitindo a definição de arranjos complexos contendo múltiplas LANs virtuais. Na imagem a seguir, o EVC ponto a ponto marcado em azul na UNI inferior esquerda é multiplexado com o vermelho: Para o tipo E-TREE, os seguintes serviços estão padronizados: Ethernet private tree service (EP-TREE) O tráfego originário das UNIs clientes é agrupado em determinado ponto da rede (root) e distribuído aos demais (leafes). Trata-se de um EVC por UNI. Tal serviço preserva a tag CE-VLAN e realiza o tunelamento de protocolos de controle da camada 2. Ethernet virtual private tree service (EVP-TREE) Em tal serviço, múltiplos rooted-multipoint-EVCs (RMP-EVCs), multiplexados em cada uma das UNIs, são agrupados em um ou mais nós root. Nessa modalidade, podem coexistir outras modalidades de serviço, como EVP-LAN ou EVPL. A imagem ilustra esse serviço. Nele, um cliente tem um serviço EVP-LAN (EVC vermelho) fornecendo conectividade de dados entre três UNIs, enquanto usa o serviço EVP-Tree (EVC verde) para fornecer a transmissão de vídeo: Nessas modalidades, diversos atributos de serviço podem ser definidos, por exemplo: • Capacidade (velocidade) da conexão física (UNI). • Committed information rate (CIR). • Committed burst size (CBS). • Excess information rate (EIR). • Requisitos de QoS diferenciados por EVC. Por fim, o quadro a seguir exibe a consolidação dos serviços padronizados pelo MEF: Tipo de serviço Baseada em porta (um EVC lógico por enlace) Baseada em VLAN (múltiplos EVC por enlace, identificados pela VLAN ID) E-line (point to point EVC) Ethernet private line (EPL) Ethernet virtual private line (EVPL) E-LAN (multpoint to multpoint EVC) Ethernet private LAN (EP-LAN) Ethernet virtual private LAN (EVP-LAN) E-Tree (rooted multpoint EVC) Ethernet private tree (EP- Tree) Ethernet virtual private tree (EVP-Tree) Tabela: Elaborada por Sidney Ventury Arquitetura de planos Metro Ethernet A Metro Ethernet é composta de três planos operacionais: Plano de dados Define os meios de transporte da informação. Usa frames IEEE 802.3 com TAGs 802.1Q. Plano de controle Define os meios para o assinante e o provedor da MEN poderem usar o plano de dados. Plano de gerenciamento Controla a operação dos planos de dados e de controle. Realiza o gerenciamento de QoS. Tais planos estão divididos em três camadas: Serviços de aplicação (Application services layer) - oferece suporte a aplicações baseadas nos serviços Ethernet por meio da MEN. Serviços Ethernet (Ethernet services layer) - responsável pelos serviços da camada MAC e pela entrega dos quadros nas interfaces e nos pontos associados. O quadro pode ser Unicast, Multicast ou Broadcast segundo o padrão IEEE 802.3 com TAG 802.1Q. Serviços de transporte (Transport services layer) - oferece suporte para a conectividade entre os elementos da camada de serviços Ethernet de forma independente dos serviços. Vários tipos de redes podem ser utilizados para suportar os requisitos de transporte para a camada de serviços Ethernet, por exemplo, SONET, SDH e MPLS. • • • • Arquitetura de planos. Benefícios da rede Metro Ethernet O uso da Metro Ethernet gera dois grandes benefícios para os seus usuários: • Seu uso nas redes metropolitanas diminui o gargalo de largura de banda normalmente gerado por outras tecnologias de MAN. • Permite que os provedores executem multisserviços, por exemplo, elevadas taxas de transmissão, com a priorização seletiva de tráfego e a banda sob demanda e segurança, o que auxilia na viabilização de aplicações (desde a transmissão de dados em alto volume até as aplicações multimídia com conteúdo de vídeo e voz, os quais são sensíveis a atrasos). As redes Metro Ethernet Está na hora de falarmos sobre a operação da rede Metro Ethernet. Vamos lá! Conteúdo interativo Acesse a versão digital para assistir ao vídeo. Vem que eu te explico! Os vídeos a seguir abordam os assuntos mais relevantes do conteúdo que você acabou de estudar. Redes Metro Ethernet e Serviços Metro Ethernet Conteúdo interativo Acesse a versão digital para assistir ao vídeo. Tipos de Serviços Metro Ethernet Conteúdo interativo Acesse a versão digital para assistir ao vídeo. Verificando o aprendizado Questão 1 O Metro Ethernet Forum padronizou uma série de serviços a serem disponibilizados pelos provedores. Esses serviços são: S1 - EVP-TREE S2 - EVP-LAN S3 - EVPL S4 - EP-LAN S5 - EPL S6 - EP-Tree Desses serviços, podemos afirmar que os baseados em porta são os seguintes: A EPL EVPL e EP-TREE. B EPL, EP-LAN e EP-TREE. C EVP-TREE, EP-TREE E EPL. D EVP-LAN, EP-LAN E EVPL. E EVP-LAN, EVP-TREE e EVPL. A alternativa B está correta. Os serviços Metro Ethernet são divididos em duas grandes classes: aqueles baseados em porta e em Vlan. Todos os serviços baseados em porta não possuem "virtual" em seu nome. Portanto, a resposta precisa incluir aqueles que não possuem a letra V em sua sigla – no caso, EPL, EP-LAN e EP-TREE . Questão 2 A redes Metro Ethernet permitem a definição de três tipos de perfis de largura de banda por: • UNI • EVC • COS Considere a seguinte situação: todos os pacotes que chegam a uma UNI via EVC recebem um perfil correspondente a suas necessidades de tráfego, como CIR e EIR. Podemos, então,afirmar que: O perfil de tráfego é por EVC... Porque São atendidas as necessidades de largura de banda específicas de cada pacote daquele EVC. Quanto às assertivas, observamos que A as duas afirmações estão corretas, e a segunda justifica a primeira. B as duas afirmações estão corretas, e a segunda não justifica a primeira. C a primeira afirmação é correta; a segunda, falsa. D a primeira afirmação é falsa; a segunda, correta. E as duas afirmações são falsas. A alternativa E está correta. A primeira afirmativa é falsa, porque o tipo de perfil que leva em conta as características do pacote é o COS. A segunda também é, pois, no perfil por EVC, todos os pacotes que chegam por meio dele recebem o mesmo perfil de tráfego. 4. Redes óticas Sistemas de transmissão óticos Todo sistema de transmissão é composto, do ponto de vista do hardware, de três componentes básicos: • Emissor - o dispositivo que envia o sinal. • Meio físico de transmissão - o caminho físico pelo qual o sinal trafega do emissor para o receptor. • Receptor - o dispositivo que recebe o sinal. Sistema de transmissão. Nos sistemas de transmissão por fibras óticas, o sinal elétrico gerado pelo emissor, que corresponde à mensagem, utiliza um conversor eletro-ótico para transformar esse sinal em um sinal de luz, que é transmitido pela fibra até o receptor, o qual, por sua vez, o converte em um sinal elétrico, empregando, dessa vez, um conversor ótico-elétrico, como mostra a imagem a seguir: Sistemas de transmissão óticos. Princípios de transmissão ótica Conceito O sistema ótico utiliza a luz como condutor da informação. A luz pode ser definida como uma forma de radiação eletromagnética visível ao olho humano que se propaga no vácuo com velocidade de aproximadamente 300.000km/s. Refração. As ondas de luz visíveis ao olho humano, o chamado espectro visível, possuem comprimento de ondas entre 400nm (violeta) e 700nm (vermelha). As ondas com comprimento menor que 400nm são chamadas de ultravioletas; as com comprimento maior que 700nm, infravermelhas. Espectro da luz. Refração A refração da luz consiste na mudança de velocidade de propagação da onda eletromagnética quando ela atravessa meios óticos diferentes, como o ar e a água. Cada tipo de meio ótico possui um índice de refração absoluto determinado por esta fórmula: Em que: • n: Índice de refração. • c: Velocidade da luz no vácuo (c ≈ 3,0.108m/s). • v: Velocidade da luz no meio (m/s). Para que ocorra uma refração, o índice relativo entre os meios deverá ser diferente de 1. Consideremos, por exemplo, o índice do ar 1,00029 e o da água, 1,33. Se o feixe do primeiro fosse para o segundo, veríamos que o índice relativo seria obtido pela fórmula: n1,2 = 1,00029/1,33, sendo diferente de 1. Portanto, ocorreria uma refração, enquanto o feixe de luz sofreria um deslocamento lateral como o exibido na imagem ao lado. O quanto ocorre de deslocamento lateral é função da relação entre o ângulo de incidência do raio de luz denominado I e o ângulo crítico do meio (veja a imagem a seguir). Ângulo de incidência Ângulo que o raio faz com a reta perpendicular à interface entre os dois meios. A partir da relação de I com o ângulo crítico, temos: • I menor: O raio de luz refrata e se desloca mais próximo da superfície. • I igual: A luz faz um desvio ao longo da interface. • I maior: O raio de luz reflete e trafega novamente no meio mais denso, caracterizando a reflexão total. Desvio da luz. Esses princípios são a base para a transmissão nas fibras óticas. Fibras óticas As fibras óticas são utilizadas como meio de propagação da luz. Fisicamente construídas com fibras de vidro ou plástico, elas constituem filamentos muito finos (10-6m) e flexíveis. Tais fibras são formadas por um núcleo transparente de alto índice de refração revestido por camadas plásticas transparentes (casca), cujos índices de refração são mais baixos, ocorrendo a reflexão interna total do feixe de luz. Dessa forma, a luz viaja pela fibra, refletindo-se sucessivamente na superfície de separação entre o núcleo e a casca. Reflexão interna total Significa que a fibra é construída de forma que o ângulo de incidência do feixe de luz seja maior que o ângulo crítico de refração do meio, fazendo com que todo o feixe seja refletido mantendo-se dentro da fibra. Atenuação em fibras óticas Quando um sinal é colocado em um meio de transmissão, ele tem determinada potência na saída do transmissor devido a características do meio físico que levam a onda a sofrer atenuação em maior ou menor escala. O valor da atenuação determina a separação entre os repetidores que regeneram os sinais transmitidos. Em fibras óticas, a atenuação varia com o comprimento de onda e é expressa em decibel por quilômetro. As principais fontes de atenuação são: Absorção A luz é absorvida quando passa por meio da fibra ótica. Espalhamento Ocorre devido às variações na densidade do material e do índice de refração do núcleo que causam obstruções à passagem da luz, o que acarreta perda de energia para o feixe de luz. Comprimentos de onda longos têm menos espalhamento. Reflexão Os enlaces longos de fibras óticas são vários segmentos conectados por emendas, além dos conectores nas terminações das fibras. Emendas e conexões refletem o sinal na direção oposta da fibra, reduzindo a potência da luz à frente. Modos de propagação em fibras óticas O modo de propagação em fibras óticas indica um estado estável de propagação da luz. De modo geral, existem dois tipos básicos: Monomodo Admite apenas um modo de propagação. Multimodo Tem mais de um estado. O tipo de cada uma delas depende de sua geometria, dos índices de refração do núcleo e da casca e do comprimento da onda de operação. Multimodo Foi o primeiro a ser desenvolvido. Os múltiplos fluxos de uma fonte de luz deslocam-se ao longo do núcleo usando caminhos diferentes. A movimentação do feixe de luz no núcleo vai variar de acordo com o tipo de índice utilizado. Esses índices podem ser: Multimodo índice degrau A densidade do núcleo é constante do centro para as bordas. Portanto, o feixe de luz se desloca em linha reta até atingir a interface entre o núcleo e a casca, quando a mudança abrupta de densidade altera o ângulo de movimentação do feixe, gerando a reflexão interna total. Saiba mais O termo “degrau” se refere à mudança abrupta de densidade, o que acaba contribuindo para a distorção do sinal à medida que ele trafega pela fibra. O núcleo de uma fibra multimodo índice degrau pode variar de 50 a 400µm. Essas fibras são limitadas quanto à capacidade de transmissão, além de possuírem atenuação elevada (maior que 5db/km) e pequena largura de banda (menor que 30MHz/km). Elas são empregadas na transmissão de dados em curtas distâncias e na iluminação. Fibra multimodo índice degrau. Multimodo índice gradual A densidade do núcleo diminui gradualmente do centro para borda. Isso afeta o índice de refração e faz com que a reflexão seja menos abrupta ao atingir a casca, contribuindo, dessa forma, para diminuir a distorção do sinal. Esse tipo de fibra normalmente é fabricado com sílica pura para a casca e sílica dopada para o núcleo. Suas dimensões típicas variam entre 125 e 50µm, respectivamente. Com baixa atenuação (3db/km em 850nm) e capacidade de transmissão elevada, ele é normalmente empregado em telecomunicações. Fibra multimodo índice gradual. Monomodo Fibras que usam tal modo permitem apenas um feixe de propagação e utilizam uma fonte de luz extremamente focalizada, que limita os fluxos a um pequeno intervalo de ângulos, todos próximos da horizontal. O diâmetro do núcleo é muito menor que a da fibra multimodo e tem uma densidade bem inferior, o que faz com que o ângulo crítico seja próximo de 90 graus. Resultado: a propagação do feixe se dá praticamente na horizontal, contribuindo para a diminuição da distorção do sinal. As dimensões típicas desse tipo de fibra variam entre 2 e 10µm para o núcleo e 80 e 125µm para a casca. Os materiais utilizadospara sua fabricação são a sílica e a sílica dopada. Empregadas basicamente em telecomunicações, essas fibras possuem baixa atenuação (0,7db/km em 1.300nm e 0,2db/km em 1.550nm) e grande largura de banda (10 a 100GHz/km). Cabo de fibra ótica. Fibra monomodo. Dispersão em fibras óticas A dispersão se refere ao alargamento dos pulsos que se propagam pelas fibras e pode ser de três tipos: Dispersão modal Ocorre em fibras multimodo, sendo causada pela diferença dos tempos de propagação dos diferentes modos. Dispersão cromática Acontece graças ao índice de refração da sílica utilizada no núcleo ser função da frequência do raio de luz, o que faz com que frequências diferentes atravessem a fibra em diferentes velocidades, gerando, portanto, atrasos distintos, o que acarreta o espalhamento do pulso de saída. Dispersão no modo de polarização (PMD - Polarization mode dispersion) Ocorre por conta do núcleo de uma fibra monomodo não ser perfeitamente redondo, o que causa dispersão nos pulsos luminosos. Composição dos cabos A imagem ao lado mostra a composição de um cabo de fibra ótica típico. O invólucro externo é fabricado em PVC ou teflon. Dentro do invólucro, há fibras de kevlar para reforçar a estrutura do cabo. Abaixo do kevlar, existe outro revestimento plástico para proteger a fibra. A fibra ótica se encontra no centro do cabo, sendo formada pela casca e pelo núcleo. Conectores para cabos de fibra ótica Nas extremidades das fibras, conectores devem ser colocados para permitir que elas sejam ligadas aos equipamentos. Nas extremidades das fibras, conectores devem ser colocados para permitir que elas sejam ligadas aos equipamentos. Os conectores mais utilizados são: SC (Standard connector) Bastante usado por ser de fácil manuseio e ter um ótimo desempenho, o SC gera pouca perda de sinal e utiliza um sistema simples de encaixe. ST - Straight tip O ST possui um estilo baioneta, com um ferrolho para segurar a fibra, que pode ser cerâmico, de metal ou plástico, e uma ponteira de 2,5mm montada no interior da caixa. FC - Furrele connector Com ponteira de 2,5mm, o FC utiliza uma conexão com rosca em um corpo redondo. Sua grande vantagem é possuir uma desconexão não ótica; assim, após o conector ter sido instalado, qualquer empurrão ou puxão na capa do cabo causará desconexão. LC - Lucent Connector O LC é um conector miniaturizado com ponteira de 1,2mm, sendo bastante utilizado em fibras monomodo. Facilmente convertido de um simplex para um duplex com o uso de um clipe, ele é um conector de baixa perda e rápida instalação, além de possuir desconexão não ótica como a do FC. Fontes de luz As fontes de luz para sistemas óticos podem ser de dois tipos: LEDs Foram as primeiras fontes utilizadas em comunicações óticas em fibras multimodo. Baratos e duráveis, os LEDs possuem alta eficiência energética. Lasers Desenvolvidos para a aplicação em fibras monomodo, os lasers contam com características luminosas que permitem que sua luz seja uma ótima portadora de informações, sendo comparável com as fontes convencionais de radiofrequência utilizadas em telecomunicações. Redes óticas Uma rede ótica é composta por: Rede física — é o meio de transmissão que interliga os equipamentos óticos, sendo composto pelos cabos de fibra ótica. Equipamentos — são os multiplexadores, os amplificadores e os demais equipamentos de conexão. Multiplexação de sinais utilizando WDM - Wavelength-division multiplex. Sistema de gerência. Saiba mais WDM A multiplexação por divisão de comprimento de onda (WDM) é um tipo de multiplexação que permite que, em uma mesma fibra ótica, sejam utilizados sinais óticos com diferentes comprimentos de onda. Vejamos agora os principais usos de uma rede ótica: Redes de longa distância As redes óticas de longa distância (Long haul) são usadas para interligar cidades, grupos de cidades (regiões) ou estados ao longo de um mesmo país, servindo ainda para interligar países por terra ou mar. Essas redes admitem as seguintes topologias: Utiliza enlaces óticos simples de grande distância divididos em trechos para a regeneração do sinal. Cada enlace é composto por terminais nas duas pontas, amplificadores óticos e OADMs nas estações intermediárias. O multiplexador OADMs é um dispositivo usado em sistemas de multiplexação por divisão de comprimento de onda para multiplexar e direcionar diferentes canais de luz para dentro ou para fora de uma fibra monomodo. Anel Ele é composto por vários enlaces ponto a ponto com ou sem a utilização de OADMs. Anéis são formados pela camada de aplicação normalmente com o uso de equipamentos SDH - Synchronous digital hierarchy. SDH SDH é um esquema de multiplexação TDM de banda larga muito utilizado para acessos à internet em alta velocidade. • Meio físico para redes de transporte baseadas nas tecnologias PDH e SDH. • Meio físico para redes multisserviço baseadas nas tecnologias ATM, Frame Relay e IP. • Meio físico para interligação de centrais telefônicas para serviços de voz de longa distância. • Meio físico para interligação de equipamentos "cross-connect" para redes de transporte com alto grau de proteção automática. • • • • PDH PDH é um tipo de hierarquia digital em que ocorre a multiplexação por tempo. Os canais da hierarquia PDH são agrupados, formando os níveis hierárquicos. Redes metropolitanas As redes óticas Metro são utilizadas para interligar os pontos de presença (PoPs) concentradores das operadoras de serviços de telecomunicações em determinada região metropolitana. Essas redes podem ter as seguintes topologias: Ponto a ponto É composta por enlaces simples de curta distância, geralmente sem a necessidade de amplificadores entre equipamentos terminais. Anel Pode ser feita utilizando equipamentos SDH, sendo os anéis criados na camada de aplicação ou via WDM. As redes metropolitanas são usadas nos seguintes tipos de aplicações: Meio físico para redes de transporte Metro baseadas nas tecnologias PDH e SDH. Meio físico para redes multisserviço Metro baseadas nas tecnologias ATM, Frame Relay e IP. Meio físico para interligação de CPDs em conexões dedicadas ou compartilhadas. Redes óticas Acompanhe agora o conceito das redes óticas, suas aplicações e seus equipamentos utilizados. Vamos lá! Conteúdo interativo Acesse a versão digital para assistir ao vídeo. Vem que eu te explico! Os vídeos a seguir abordam os assuntos mais relevantes do conteúdo que você acabou de estudar. Fibras óticas Conteúdo interativo Acesse a versão digital para assistir ao vídeo. Modos de propagação em fibras óticas Conteúdo interativo Acesse a versão digital para assistir ao vídeo. • • • Verificando o aprendizado Questão 1 Fibras óticas são o meio físico de transmissão utilizado em redes óticas. Elas transportam o feixe de luz utilizando propriedades de refração e reflexão. Sobre essas propriedades para o transporte do feixe de luz na fibra, podemos afirmar que: É fundamental que o ângulo de incidência do feixe na casca seja maior que o ângulo crítico... Porque Dessa forma, ocorrerá a reflexão interna total. Quanto às assertivas, observamos que A as duas afirmações estão corretas, e a segunda justifica a primeira. B as duas afirmações estão corretas, e a segunda não justifica a primeira. C a primeira afirmação é correta; e a segunda, falsa. D a primeira afirmação é falsa; a segunda, correta. E as duas afirmações são falsas. A alternativa A está correta. Em uma fibra ótica, o feixe de luz percorre o núcleo e, ao atingir a casca, deve ser refletido de volta para o núcleo – e não refratado. Como a casca possui um índice de refração diferente do núcleo, para que ocorra reflexão, será necessário que o feixe a atinja em um ângulo maior que o crítico, porque, se for menor ou igual, ocorrerá uma refração. Questão 2 Um sistema de transmissão é composto basicamente de três elementos: o emissor, o meio e o transmissor. No caso de redes óticas, o meio é a fibra ótica. Para que o sistemapossa funcionar corretamente, é necessário que, no emissor, exista um conversor ótico- elétrico... Porque Internamente, o computador utiliza sinais elétricos que devem ser transformados para um feixe de luz antes de ser transmitido. Quanto às assertivas, observamos que A as duas afirmações estão corretas, e a segunda justifica a primeira. B as duas afirmações estão corretas, e a segunda não justifica a primeira. C a primeira afirmação é correta; a segunda, falsa. D a primeira afirmação é falsa; a segunda, correta. E as duas afirmações são falsas. A alternativa D está correta. Realmente, em um sistema ótico, é preciso ocorrer a transformação do sinal elétrico para o luminoso; no entanto, o erro na primeira afirmativa é que, no emissor, há um conversor elétrico-ótico, e não um ótico- elétrico, que existe no receptor. 5. Conclusão Considerações finais Vimos neste conteúdo que as redes metropolitanas (MAN) e de longa distância (WAN) podem ser interligadas por diversas tecnologias que evoluíram ao longo dos anos. Estudamos inicialmente as que já eram utilizadas para realizar a interligação de WANs e MANs, como as redes Frame Relay e ATM. Em seguida, falamos sobre o protocolo MPLS e as redes Metro Ethernet, soluções importantes de interligação muito empregadas pelas redes de telecomunicações. Por fim, terminamos nossa jornada analisando as redes óticas, apresentando, para tal, os fundamentos de seu funcionamento e seus componentes. Podcast Para encerrar, confira a seguir as tecnologias utilizadas para interligar MANs e WANs. Conteúdo interativo Acesse a versão digital para ouvir o áudio. Explore + Faça uma pesquisa na internet para entender como as companhias de telecomunicações ofertam às empresas as soluções de interligação de redes – em particular, MPLS e Metro Ethernet. Referências COMER, D. E. Interligação de redes com TCP/IP. 6. ed. Rio de Janeiro: Elsevier, 2015. FOROUZAN, B. Comunicação de dados e redes de computadores. 4. ed. São Paulo: McGraw-Hill, 2008. INTERNATIONAL TELECOMMUNICATION UNION. Provisional recommendations X.3, X.25, X.28 and X.29 on packet-switched data transmission services. Geneva: ITU, 1979. KUROSE, J. F.; ROSS, K. W. Redes de computadores e a internet: uma abordagem top-down. 6. ed. São Paulo: Pearson Education, 2014. METRO ETHERNET FORUM. Ethernet services definitions - phase 2. Technical specification - MEF 6.1. Publicado em: abr. 2008. METRO ETHERNET FORUM. Ethernet services definitions - phase 2. Technical specification - MEF 10.1. Publicado em: nov. 2006. METRO ETHERNET FORUM. Metro Ethernet network architecture framework - part 1: generic framework. Technical specification - MEF 4. Publicado em: maio 2004. TANENBAUM, A. Redes de computadores. 5. ed. Rio de Janeiro: Campus, 2011. VENTURI FILHO; S. N.; GONZAGA, J.; DUTRA, G. Protocolos de roteamento. 1. ed. Rio de Janeiro: Seses, 2019. Tecnologias de interconexão de MANs/WANs 1. Itens iniciais Propósito Objetivos Introdução 1. MANs e WANs X.25 Física Enlace Rede Atenção Frame Relay Arquitetura do Frame Relay Funcionamento de circuitos virtuais Global Identificador de circuitos virtuais (VCI) ou DLCI Estabelecimento da conexão Transferência de dados Encerramento da conexão Camadas do Frame Relay Camada física Camada de enlace de dados Quadro Frame Relay Campo de endereço (DLCI) Comando/resposta (C/R) Endereço estendido (EA) Notificação de congestionamento explícito no sentido direto (FECN) Notificação de congestionamento explícito no sentido inverso (BECN) Elegibilidade para descarte (DE) ATM Redes de quadros Redes de células Multiplexação no ATM Arquitetura do ATM Fracasso do ATM A evolução das redes de longa distância Conteúdo interativo Vem que eu te explico! Funcionamento de Circuitos Virtuais Conteúdo interativo Quadro Frame Relay Conteúdo interativo Redes de Células Conteúdo interativo Verificando o aprendizado 2. Redes MPLS MPLS Comutação por rótulos Cabeçalho e encapsulamento MPLS Rótulo 0 – IPv4 Explicit NULL Label 1 – Router Alert Label 2 – IPv6 Explicit NULL Label 3 – Implicit NULL Label 4 a 15 16 a (220 -1) Exp (Experimental bits) S (Stack) Atenção TTL (Time to live) Arquitetura MPLS Atenção Componentes da arquitetura Domínio MPLS Label switching routers (LSR) Label edge routers (LER) LSP (Label switched path) LDP LFIB (Label forwarding information base) FEC (Forwarding equivalence classes) Funcionamento do MPLS Etapa 1 - Construção das LFIB Etapa 2 - Ingresso dos pacotes na rede Etapa 3 - Encaminhamento dentro do domínio Etapa 4 - Saída do domínio Funcionamento do MPLS Conteúdo interativo Vem que eu te explico! Comparação do roteamento IP x Comutação por rótulos Conteúdo interativo Componentes da Arquitetura Conteúdo interativo Verificando o aprendizado 3. Metro Ethernet Padrão Ethernet Redes Metro Ethernet Equipamento do cliente (CE) Equipamento do Provedor (PE) Metro Ethernet Network (MEN) User Network Interface (UNI) Conexão Ethernet virtual (EVC - Ethernet virtual connection) Ponto a ponto Multiponto Multiponto Perfis de largura de banda Metro Ethernet Largura de banda por UNI Largura de banda por EVC Largura de banda por classe de serviços (CoS) CIR (Commited information ratio) CBS (Commited burst size) EIR (Extended information ratio) Serviços Metro Ethernet Principais fatores e características Facilidade de uso Baixo custo Flexibilidade Tipos de serviços Metro Ethernet Ethernet line (E-LINE) Ethernet LAN (E-LAN) Ethernet tree (E-TREE) Atenção Serviços padronizados Ethernet private line service (EPL) Ethernet virtual private line service (EVPL) Ethernet private LAN service (EP-LAN) Ethernet virtual private LAN service (EVP-LAN) Ethernet private tree service (EP-TREE) Ethernet virtual private tree service (EVP-TREE) Arquitetura de planos Metro Ethernet Plano de dados Plano de controle Plano de gerenciamento Serviços de aplicação Serviços Ethernet Serviços de transporte Benefícios da rede Metro Ethernet As redes Metro Ethernet Conteúdo interativo Vem que eu te explico! Redes Metro Ethernet e Serviços Metro Ethernet Conteúdo interativo Tipos de Serviços Metro Ethernet Conteúdo interativo Verificando o aprendizado 4. Redes óticas Sistemas de transmissão óticos Princípios de transmissão ótica Conceito Refração Fibras óticas Atenuação em fibras óticas Absorção Espalhamento Reflexão Modos de propagação em fibras óticas Monomodo Multimodo Multimodo Multimodo índice degrau Saiba mais Multimodo índice gradual Monomodo Dispersão em fibras óticas Dispersão modal Dispersão cromática Dispersão no modo de polarização (PMD - Polarization mode dispersion) Composição dos cabos Conectores para cabos de fibra ótica SC (Standard connector) ST - Straight tip FC - Furrele connector LC - Lucent Connector Fontes de luz LEDs Lasers Redes óticas Saiba mais Redes de longa distância Anel Redes metropolitanas Ponto a ponto Anel Redes óticas Conteúdo interativo Vem que eu te explico! Fibras óticas Conteúdo interativo Modos de propagação em fibras óticas Conteúdo interativo Verificando o aprendizado 5. Conclusão Considerações finais Podcast Conteúdo interativo Explore + Referências