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Disciplina PROCESSO DE CRIATIVIDADE Unidade 1 Teorias da Criatividade Aula 1 Conceitos Gerais sobre a Teoria da Criatividade Conceitos gerais sobre a teoria da criatividade Este conteúdo é um vídeo! Para assistir este conteúdo é necessário que você acesse o AVA pelo computador ou pelo aplicativo. Você pode baixar os vídeos direto no aplicativo para assistir mesmo sem conexão à internet. Estudante, esta videoaula foi preparada especialmente para você. Nela, você irá aprender conteúdos importantes para a sua formação pro�ssional. Vamos assisti-la? Bons estudos! Ponto de Partida A criatividade é frequentemente vista como um domínio reservado a poucas pessoas ou como uma qualidade que alguns têm mais do que outros. No entanto, a realidade é que a criatividade não é apenas um domínio, mas uma escolha pessoal, um caminho em direção à resolução de problemas. Ela é uma habilidade que pode ser aplicada em todas as esferas da vida humana. Assim como qualquer outra habilidade, a criatividade pode ser desenvolvida e aprimorada, estando disponível para qualquer pessoa que deseje explorá-la. Diante disso, nesta aula exploraremos os fundamentos teóricos da criatividade no contexto empresarial, compreendendo as principais abordagens e terminologias relacionadas às teorias da criatividade. Por meio desse conhecimento especí�co, estudaremos a história de Alex, um jovem empreendedor no início de sua carreira, que decide enfrentar desa�os complexos no lançamento de seu próprio negócio. Alex sempre teve o sonho de iniciar seu próprio negócio e trilhar um caminho empreendedor desde cedo. Ele reconhece a importância de se manter informado a respeito das tendências do Disciplina PROCESSO DE CRIATIVIDADE mercado, desenvolver habilidades práticas para lidar com os desa�os e aproveitar oportunidades em constante evolução. No entanto, a pressão de encontrar soluções inovadoras para problemas empresariais sempre o deixou inquieto. Após consolidar seu conhecimento teórico por meio de cursos e mentorias, Alex decidiu dar um passo adiante e iniciar seu próprio empreendimento. No entanto, a complexidade inerente à tomada de decisões estratégicas o deixou um tanto apreensivo. Agora, ele se prepara para enfrentar seu primeiro grande desa�o como empreendedor: apresentar sua ideia de negócio a investidores potenciais. E se fosse você? Como lidaria com a pressão de tomar decisões estratégicas em um ambiente empresarial desa�ador? Em uma situação semelhante, como poderia ajudar Alex a superar suas dúvidas e inseguranças em relação ao processo criativo e na busca por apresentar soluções inovadoras e criativas para seus investidores? O desa�o de Alex é desenvolver um mapa mental, destacando a importância da criatividade na resolução de problemas no contexto empresarial. Este mapa será parte integrante de sua avaliação nesta unidade. Re�ita a respeito das principais técnicas e estratégias para estimular a criatividade e adicione sugestões práticas para orientar Alex a desbloquear seu potencial criativo e aplicá-lo de maneira e�caz em seu empreendimento. Vamos Começar! Para enfrentar desa�os complexos no contexto empresarial, é importante compreender que, embora alguns possam considerar a criatividade uma habilidade inata, na verdade essa capacidade é oculta e pode ser desenvolvida e aprimorada com o tempo. Todos os seres humanos têm potencialidades para serem criativos, uns mais do que outros, mas todos podem desenvolver e melhorar sua capacidade criativa. No entanto, o pensamento criativo não se processa quando é di�cultado pela falta de conhecimento na área, pela inexperiência ou pela falta de motivação. A criatividade utiliza o conhecimento como meio, não como um �m em si mesmo. A criatividade está na capacidade de responder a situações ou estímulos imprevistos ou não programados. É uma atividade humana e consciente. Para atingir um bom nível de criatividade, devemos treinar nossa mente para evitar que ela literalmente atro�e. A palavra "criatividade", por exemplo, origina-se do latim creare (fazer) e do termo grego krainen (realizar). Apesar do conceito existir desde a antiguidade, o termo é relativamente recente. Tem sido estudada e de�nida de diversas maneiras, sugerindo diversas vertentes, como o processo criativo, modalidades da produção criativa, características da personalidade criativa e tipos de ambientes facilitadores da criatividade. Vamos conhecer as principais teorias que tratam da criatividade? Essas teorias, abordadas por Neves-Pereira e Fleith (2020), exploram várias vertentes que serão estudadas mais a fundo nas próximas seções. Conheceremos as principais linhas de investigação, que são: Filosó�cas: a criatividade provém da crença de que o processo ocorre por inspiração divina, da loucura ou era concebida como forma de intuição. Disciplina PROCESSO DE CRIATIVIDADE Biológicas: a criatividade é a força criadora inerente à vida. A evolução orgânica é criadora. A hereditariedade era considerada componente principal da criatividade, ou que a vida, por si só, é criativa. Psicológicas: divididas em associativas, psicanalíticas, humanistas e desenvolvimentais. Psicoeducacionais: divididas em cognitivista e educacional. Psico�siológicas: abordam os hemisférios cerebrais e criatividade. Sociológicas: abordam o ambiente facilitador ao desenvolvimento da produção criativa. Psicodélicas: abordam os efeitos de estados alterados de consciência na criatividade. Instrumentais: abordam os processos criativos por meio de suas �nalidades, usando analogias com o mercado �nanceiro. Siga em Frente... O processo criativo Criar é descobrir algo novo, ser original naquilo que se produz. Uma boa ideia surge em um processo criativo, que é uma reconceituação dinâmica resultante do potencial para a mudança. O produto deve ser novo e funcional. O estado da arte sobre o processo criativo reconhece a necessidade de investigar e conhecer melhor os níveis e tipos de processo criativo. Utilizamos a expressão "estado da arte" para de�nir algo bastante avançado e moderno em termos de tecnologia e ideias inovadoras, algo de ponta, de vanguarda. Quando nos referimos ao estado da arte do processo criativo, buscamos o que há de mais inovador em relação ao assunto. Nesse sentido, podemos dizer que o processo criativo é caracterizado por uma série de etapas especí�cas para sua descrição detalhada. Pode-se concebê-lo como um percurso composto por estágios que devem ser percorridos para permitir a efetiva geração de ideias por meio da criatividade. Essas etapas envolvem fases de questionamento, aquisição de conhecimento, assimilação de informações, momentos de segurança, geração de ideias, seleção criteriosa e apresentação da ideia �nal (Patrício, 2017). As fases ou estágios que culminam na produção criativa têm sido a preocupação de muitos estudiosos. Um consenso entre os pesquisadores é que a criatividade não aparece subitamente, como se fosse um estalo, uma inspiração divina ou um momento de sorte. Ao contrário, exige um esforço mental concentrado sobre o tema ou problema em questão. Estudaremos mais para frente cada uma dessas fases/estágios com mais detalhes. O produto criativo O que é um produto criativo? Para quem o produto deve ser criativo? Ele tem valor? Pensamos nessas perguntas quando falamos de produtividade criativa e se o produto criativo tem valor para o autor e para a sociedade. Alguns produtos somente têm valor para o autor, que se sente Disciplina PROCESSO DE CRIATIVIDADE realizado com sua criação, mas em nada contribuem para a sociedade. O produto criativo pode ser uma conversa engenhosa, um jardim inovador ou um estilo de vida. As pessoas criativas são aquelas que, em virtude de sua criatividade, dão lugar com frequência a produtos criativos. Logo, a palavra "criativo", ao se referir a produtos, é um termo primário por de�nição. O produto criativo é resultado de uma atividade criativa. Existem dois tipos de habilidades envolvidas na produção criativa: a habilidade de domínio especí�co e a habilidadequalquer crítica ou reação negativa às ideias sugeridas. �. Deixe que cada ideia se construa e se expanda sobre as outras. 9. Mantenha todos os participantes ativamente envolvidos em fazer contribuições. 10. Encoraje as discussões livres e a ampla troca de ideias na reunião. Lembre-se de que o seu objetivo é a quantidade e não a qualidade das ideias. Disciplina PROCESSO DE CRIATIVIDADE 11. Quando a reunião terminar, aplique seu julgamento ao analisar todas as ideias. Após a sessão de brainstorming, reúna as ideias a�ns e as classi�que em temas e categorias. Dentro de cada categoria, procure combinar as ideias similares e eliminar as duplicidades. Selecione as melhores ideias para serem analisadas, melhoradas e aproveitadas. Por �m, dê ao grupo um feedback a respeito do resultado �nal do brainstorming e mostre como suas contribuições foram valiosas. Do brainstorming clássico, alguns desdobramentos foram feitos. Mencionamos o reverse brainstorming; brainstorming individual; tempestade de ideias com visualização; tempestade de ideias com o corpo; tempestade de ideias com condições. O reverse brainstorming é o brainstorming ao contrário, ou seja, uma sessão em que só se procuram os defeitos de determinado produto, ideia ou serviço. Reverse brainstorming ajuda a resolver problemas pela combinação de ideias e técnicas de reversão. Os desa�os são postos em sentido contrário à intenção de solucioná-los, de forma a identi�car os possíveis problemas do projeto. Seguem-se as mesmas regras do brainstorming, porém, por meio do defeito apresentado na sessão podemos eventualmente criar ou descobrir novas qualidades ou aperfeiçoar aquilo que julgávamos que já fosse bom. O reverse brainstorming objetiva fazer com que os participantes tenham uma visão exterior daquilo que desejam aperfeiçoar. É uma boa técnica quando é difícil identi�car soluções para o problema diretamente. Em vez de perguntar "Como posso resolver ou evitar esse problema?", perguntar "Como eu poderia possivelmente causar o problema?". Em vez de perguntar "Como faço para obter esses resultados?", perguntar "Como eu poderia conseguir o efeito oposto?". Brainstorming individual trata-se de um esforço individual para encontrar a solução de um problema, idêntico ao brainstorming tradicional, só que praticado por uma única pessoa. Esse processo exige um grande esforço, concentração e disciplina de quem pratica. Os esforços para resolver o problema são feitos por uma só pessoa que aplica, deliberadamente, a técnica de julgamento antecipado. Algumas pessoas pensam melhor quando trabalham sozinhas. Neste caso, elas podem usar as regras do brainstorming individual para apoiar a geração de ideias. Pode ser bastante útil o uso do mapa mental para classi�car e desenvolver as ideias geradas. Tempestade de ideias com visualização Muitas pessoas pensam melhor quando podem ver o estímulo ou ter a imagem do problema. Este fato está muito relacionado com os estilos preferenciais de pensar e aprender. Ao trabalharmos com grupos, devemos levar em conta que as pessoas têm os mais diferentes estilos de pensar. Por isso, é recomendável que se utilize a visualização combinada à audição e ao tato (escrever ou desenhar). Dessa maneira, podemos dar maiores chances a todos de produzir, usando o seu canal sensorial preferido. A visualização pode ser feita com desenhos, fotogra�as, objetos concretos e brinquedos, entre outros elementos. Disciplina PROCESSO DE CRIATIVIDADE Tempestade de ideias com o corpo O trabalho corporal é uma maneira de ajudar o indivíduo a experimentar, tornar signi�cativo e relevante para si mesmo um conceito abstrato. Grande parte dos estudiosos e pesquisadores já concluíram que só podemos realmente nos lembrar daquilo que vivenciamos, ou daquilo que sentimos como útil ou signi�cativo para a nossa vida diária. Assim, criando novas situações para o corpo ou experimentando novas alternativas corporais, o indivíduo pode encontrar novas formas de comportamento diante de situações problema, ajudando-o a agir melhor frente aos impedimentos. Tempestade de ideias com condições A resolução de nossos problemas da vida diária está, muitas vezes, limitada a certas condições ou restrições. Devemos, portanto, aprender a criar soluções dentro de qualquer espaço possível de problemas, mesmo que existam limitações básicas, em vez de nos deixarmos vencer pela rotina ou pela depressão. Diante desse tipo de consideração, surge a proposta da tempestade de ideias com condições. Vamos Exercitar? Como já exploramos os conceitos de brainstorm, vamos retornar ao problema inicial desta aula, em que Carlos precisa criar um logotipo para a sua agência de comunicação interativa e de design. E então? Que tipo de técnica de tempestade de ideia você recomendaria a Carlos aplicar à sua equipe? Por quê? Explique. Busque argumentos que justi�quem a sua escolha. Analise cada técnica e escreva a sua opinião em relação à sua utilização ou não. Para ajudar, sugerimos que você faça o uso de uma ferramenta de gestão conhecida como Miro, uma plataforma colaborativa e de quadro branco virtual que permite que equipes colaborem e compartilhem ideias de forma remota. Ele oferece uma ampla gama de recursos, incluindo opções para criar mapas mentais, diagramas, �uxogramas e muito mais. Com o Miro, as equipes podem colaborar em tempo real, independentemente da localização geográ�ca, o que é fundamental para uma colaboração e�caz durante o processo de brainstorming. Ele também permite que os usuários criem e armazenem facilmente ideias, documentos e anotações visuais para referência futura. Além disso, o Miro oferece integração com uma variedade de outras ferramentas e aplicativos populares de produtividade, o que facilita a incorporação de �uxos de trabalho existentes e a organização de ideias em contextos mais amplos de gestão de projetos. Com sua interface intuitiva e recursos de colaboração em tempo real, o Miro é uma escolha popular para equipes que buscam facilitar o processo de brainstorming e gerenciar ideias de forma e�caz. Disciplina PROCESSO DE CRIATIVIDADE Saiba mais Para �xar melhor esse conteúdo e você conhecer mais a respeito do brainstorming, indicamos o artigo “O perigo do brainstorming”, que analisa a utilização generalizada do brainstorming em organizações e argumenta que sua aplicação indiscriminada pode inibir a criatividade nas empresas. Embora o brainstorming seja comumente adotado devido à sua simplicidade e �exibilidade, a pesquisa revela que, apesar da excitação inicial dos participantes e dos resultados positivos na resolução de problemas simples e rotineiros, a ferramenta mostra-se ine�caz em lidar com desa�os complexos. A maior condução do brainstorming pode levar a um conformismo perigoso dentro das organizações, limitando, assim, o potencial de inovação. Além disso, para saber mais assista ao �lme Joy: O Nome do Sucesso. Este �lme conta a história inspirada de Joy Mangano, uma inventora e empreendedora americana conhecida por seus produtos inovadores. Embora não trate diretamente de brainstorming, retrata uma jornada criativa e empreendedora de uma mulher determinada. Referências DUALIBI, R.; SIMONSEN JR., H. Criatividade & Marketing. São Paulo: M. Books, 2008. KATZ, D.; KAHN, R. Psicologia social das organizações. São Paulo: Atlas, 1978. SANTO, R. Brainstorming –Tempestade de idéias (BS-TI) ou Como tirar seu time do “cercadinho mental”. Biblioteca temática do empreendedor, 2015. Disponível em: https://bibliotecas.sebrae.com.br/chronus/ARQUIVOS_CHRONUS/bds/bds.nsf/741A876FE82890 8203256E7C00614A23/$File/NT00002206.pdf. Acesso em: 3 jan. 2024. WECHSLER, S. M. Criatividade: descobrindo e encorajando. Campinas: Livro Pleno, 2002. Aula 2 Técnica de Brainwriting Técnicas de brainwriting https://recima21.com.br/index.php/recima21/article/view/3658 Disciplina PROCESSO DE CRIATIVIDADE Este conteúdo é um vídeo! Para assistir este conteúdo é necessário que você acesse o AVA pelo computador ou pelo aplicativo. Você pode baixaros vídeos direto no aplicativo para assistir mesmo sem conexão à internet. Estudante, esta videoaula foi preparada especialmente para você. Nela, você irá aprender conteúdos importantes para a sua formação pro�ssional. Vamos assisti-la? Bons estudos! Clique aqui para acessar os slides da sua videoaula. Ponto de Partida Boas-vindas ao nosso estudo do processo criativo. Nesta seção, estudaremos mais uma técnica para acelerar o processo de criatividade: a técnica do brainwriting, também conhecida como Método 6-3-5. Além disso, poderemos auxiliar o Carlos e sua equipe multipro�ssional. O desa�o da situação-problema desta seção é o seguinte: a agência acaba de conquistar um ateliê artístico localizado em um shopping nobre de uma grande metrópole. O primeiro trabalho para esse novo cliente é criar um cenário para o showroom. Como você deve imaginar, toda a equipe multipro�ssional da agência foi convocada por Carlos para um brainwriting a respeito desse trabalho para o ateliê. A nossa proposta é a seguinte: elabore um passo a passo do brainwriting que Carlos deverá aplicar à sua equipe. Use os conhecimentos desenvolvidos nesta seção. Faça alertas quanto a possibilidades de con�itos e como solucioná-los com criatividade! Tenha um excelente estudo! Vamos Começar! As técnicas criativas ajudam a acelerar os processos criativos, promovendo uma melhor interação entre os componentes de uma equipe de criação e uniformizando a criatividade de todos. Isso ocorre sem que o sucesso do resultado dependa unicamente de pessoas consideradas criativas natas. Nesta seção, estudaremos mais uma técnica para acelerar o processo criativo: a técnica do brainwriting, também conhecida como Método 6-3-5. O brainwriting é uma técnica criativa de coletar ideias que será colocada em prática por um grupo de pessoas com o objetivo de resolver um problema, desenvolver um projeto ou melhorar uma situação existente. Considerada a versão silenciosa do brainstorming, no brainwriting, os participantes escrevem suas ideias em vez de expô-las oralmente. A grande vantagem do brainwriting é que ninguém Disciplina PROCESSO DE CRIATIVIDADE está sujeito a avaliações críticas a respeito de suas ideias durante a execução da técnica. Foi planejada para evitar alguns efeitos negativos, como a in�uência da opinião dos coordenadores ou di�culdades em verbalizar rapidamente as ideias. Desenvolvido pelo professor alemão Bernd Rohrbach em 1969, o brainwriting tem como objetivo gerar 108 ideias em apenas meia hora. Assim como o brainstorming, a qualidade das ideias, pelo menos no início do processo, não é o mais importante. Podemos considerar o brainwriting um complemento do brainstorming. Ambos fazem parte de um processo de tomada de decisão em: Um processo existente (melhoria contínua); ou No planejamento de um processo em implantação. Apesar dos pontos em comum entre brainstorming e brainwriting, eles apresentam algumas diferenças. Brainstorming Brainwriting 6 a 12 participantes. Utiliza o Método 6-3-5: seis participantes escrevem, cada um, três ideias; a cada cinco minutos há um rodízio e cada participante tentará desenvolver mais três ideias, até o rodízio completo. Quantidade origina qualidade. Quantidade só gera qualidade em ideias. Quadro 1 | Brainstorming versus brainwriting. Fonte: adaptado de Curedale (2013). Siga em Frente... O que é o Método 6-3-5? O Método 6-3-5, também conhecido como brainwriting, é uma técnica em grupo que tem como objetivo solucionar um problema especí�co. Conforme mencionado anteriormente, esse processo envolve a participação de 6 pessoas, que devem escrever em um papel 3 soluções possíveis para um problema em 5 minutos, originando o nome do método. Após esse período, cada participante entrega o formulário preenchido ao colega ao lado. Nesse sistema, podem ser geradas aproximadamente 108 ideias em menos de uma hora. O Método 6-3-5 signi�ca, respectivamente: 6 elementos. 3 soluções possíveis. 5 minutos. Utilizando as contribuições da InnoSkills (Competências de Inovação para PMEs), percebemos o brainwriting como um instrumento para o desenvolvimento de soluções inovadoras. É claro que Disciplina PROCESSO DE CRIATIVIDADE ele oferece vantagens e desvantagens, como qualquer ferramenta. O importante é saber como e quando aplicá-lo. A seguir, apresentamos os principais tópicos descritos pela InnoSkills. O Método 6-3-5 pode ser utilizado para: Gerar novas ideias. Solucionar problemas com mais rapidez. Aperfeiçoar sistemas e processos. Intensi�car o espírito de equipe entre os participantes. Melhorar a comunicação na organização. Envolver os membros de uma equipe para compartilhar ideias e soluções. Vantagens da utilização do Método 6-3-5: É uma técnica muito fácil de aplicar. Não requer um moderador. Não exige custo extra. Desvantagens da técnica de brainwriting: Di�culdade em explicar a ideia de forma resumida. Pressão e bloqueio da criatividade devido ao tempo estipulado de 5 minutos. O brainwriting, ou Método 635, pode ser utilizado como uma alternativa ao brainstorming quando uma equipe precisa de novas ideias imediatamente, ou ainda quando necessita proporcionar maior interação entre os componentes de uma mesma equipe ou de diversos níveis de uma organização. Como utilizar o Método 6-3-5 Para a execução do Método 6-3-5, é necessária a participação de 6 membros da equipe (provenientes de diferentes campos do saber). Cada participante preencherá os formulários prede�nidos (conforme exemplo do Quadro 2). A cada 5 minutos, o formulário deverá ser preenchido e entregue ao componente ao lado. De�nição do problema: Como... Nome Ideia 1 Ideia 2 Ideia 3 Nome Nome Nome Nome Nome Quadro 2 | Exemplo de formulário prede�nido. Fonte: elaborado pela autora. Disciplina PROCESSO DE CRIATIVIDADE 10 Passos do brainwriting Podemos considerar 10 passos para a execução do brainwriting, porém, antes de tudo, é preciso de�nir o problema a ser resolvido. São eles: 1. Seis participantes reunidos ao redor de uma mesa em ambiente tranquilo. 2. Cada participante recebe o formulário prede�nido. 3. O líder do grupo apresenta o problema a ser discutido e solucionado pelo grupo. 4. O problema deve ser escrito no cabeçalho do formulário. 5. Cada participante anota, em 5 minutos, 3 propostas/ideias. �. Cada participante passa o seu formulário ao participante mais próximo. 7. Cada participante apresenta 3 novas ideias/melhorias/variações. �. O formulário é passado ao próximo participante. 9. Depois de �nalizado o “círculo”, os formulários são analisados. 10. Finalizando, são discutidas as ideias úteis e determinada a solução do problema. Diante do que foi apresentado, percebemos que a aplicação do Método 6-3-5, ou brainwriting, oferece uma abordagem estruturada e e�ciente para acelerar o processo de geração de ideias em um ambiente de equipe. Ao enfatizar a participação ativa de todos os membros, esta técnica promove um ambiente colaborativo propício ao desenvolvimento de soluções inovadoras e à resolução de desa�os complexos. No entanto, é essencial considerar as possíveis limitações, como a pressão do tempo e a di�culdade em sintetizar ideias de forma concisa. Com a aplicação adequada do método e o estabelecimento de um ambiente propício à criatividade, as equipes podem aproveitar ao máximo essa técnica para alcançar resultados signi�cativos e promover uma interação mais e�caz entre os membros do grupo. Vamos Exercitar? Como você já conhece os principais conceitos de brainwriting, podemos retornar à situação- problema desta seção. Como utilizar a técnica do crainwriting para ajudar Carlos? Releia os 10 passos do crainwriting e utilize-os na sua elaboração. Se quiser, pode até fazer uma adaptação (sempre justi�cando suas propostas). Você pode, inclusive, criar alguns detalhes para o “pano de fundo” da SP, desde que sejam coerentes à SGA. Por exemplo: gostaria de inserir alguns outros per�s pro�ssionais na equipe de Carlos? Gostaria que essa equipe tivesse um determinadonúmero de componentes? De�na corretamente o problema a ser resolvido por Carlos. Não se esqueça de preparar o formulário para que os componentes possam escrever as ideias. Disciplina PROCESSO DE CRIATIVIDADE Além disso, vale a pena se atentar à dica a seguir: o Trello é uma plataforma de gestão de projetos baseada em quadros que permite aos usuários organizar e priorizar tarefas de forma colaborativa. Com o Trello, é possível criar quadros para diferentes etapas do processo de brainwriting, como geração, organização e análise de ideias. Os usuários criam listas para categorizar diferentes conjuntos de ideias e, em seguida, podem adicionar cartões para representar cada ideia especí�ca. Os cartões contêm detalhes adicionais, como especi�cações, comentários, anexos e prazos. Além disso, os membros da equipe podem ser designados a cartões especí�cos para facilitar a responsabilidade e o acompanhamento. Por meio de sua interface intuitiva e recursos de colaboração em tempo real, o Trello ajuda as equipes a visualizarem e acompanharem o progresso das ideias durante o processo de brainwriting. Com a capacidade de integrar diversas outras ferramentas e aplicativos populares, o Trello é uma opção útil para a colaboração e gestão durante a aplicação do brainwriting. Saiba mais Aprofunde ainda mais o seu conhecimento em brainwriting. Leia o material acadêmico “Combinação das técnicas de Brainwriting e Mapa Mental aplicada à ideação no design participativo”, artigo que busca analisar a sinergia entre as técnicas de brainwriting e mapa mental, concentrando-se na integração do usuário no contexto do design participativo. A implementação dessas técnicas ocorreu em um ambiente acadêmico e virtual, com o auxílio das plataformas Google Meet e Miro. Dentro do escopo do design e memória, o foco foi a exploração do aspecto das redes sociais. No que diz respeito à metodologia, foram desenvolvidas dinâmicas que abrangeram a introdução do tema, a aplicação das técnicas de brainwriting e mapa mental, e a subsequente análise de sua interação. Observa-se que a combinação dessas técnicas foi e�caz na geração e organização de ideias: o uso do brainwriting revelou-se aplicável na criação de várias alternativas durante a fase inicial de um problema, enquanto a utilização do mapa mental facilitou a organização das ideias geradas. Referências CUREDALE, R. Design Thinking: Process and Methods Manual. Design Community College Incorporated. Topanga, 2013. VIEIRA, B. L. et al. Combinação das técnicas de Brainwriting e Mapa mental aplicada à ideação no design participativo. In. OLIVEIRA, G. G. de; NÚÑEZ, G. J. Z.; PASSOS, J. E. (org.). Design em pesquisa: vol. 5. Porto Alegre: Marcavisual, 2023. p. 124-137. https://lume.ufrgs.br/handle/10183/254722 https://lume.ufrgs.br/handle/10183/254722 Disciplina PROCESSO DE CRIATIVIDADE Aula 3 Geração de Conceitos Geração de Conceitos Este conteúdo é um vídeo! Para assistir este conteúdo é necessário que você acesse o AVA pelo computador ou pelo aplicativo. Você pode baixar os vídeos direto no aplicativo para assistir mesmo sem conexão à internet. Estudante, esta videoaula foi preparada especialmente para você. Nela, você vai aprender conteúdos importantes para a sua formação pro�ssional. Vamos assisti-la? Bons estudos! Clique aqui para acessar os slides da sua videoaula. Ponto de Partida Estudante, chegamos a mais uma etapa desta jornada pelo processo da criatividade. Nesta seção, estudaremos a geração de conceitos, ou seja, como são os conceitos focados no produto criativo. Veremos também os limites das medições da criatividade. Para você, é possível medir a criatividade? Para iniciar esta etapa, vamos retornar aos grandes desa�os de Carlos e sua equipe multipro�ssional. O que tem acontecido na agência ultimamente é um certo con�ito entre os diferentes pontos de vista dos vários pro�ssionais durante as reuniões internas. É até esperado esse tipo de comportamento, já que o grupo de pro�ssionais é multipro�ssional, e o trabalho diário envolve muita criatividade e muito compromisso com metas comerciais. A princípio, parecem elementos inconciliáveis, não é mesmo? Por um lado, os pro�ssionais do marketing, por exemplo, defendem conceitos que se pautem na satisfação direta do cliente. Por outro lado, os artistas da agência defendem que nem sempre o poder mercantilista deveria preponderar, mas sim o valor cultural das criações humanas. O pessoal do �nanceiro interpela, defendendo que os conceitos devem apresentar, antes de mais nada, lucratividade. Não precisamos nem explicar como são acaloradas as discussões, não é mesmo? https://cm-kls-content.s3.amazonaws.com/202401/ALEXANDRIA/PROCESSO_DE_CRIATIVIDADE/PPT/u2a3_pro_cri_slides_liberado.pdf%20https://cm-kls- Disciplina PROCESSO DE CRIATIVIDADE Diante desse cenário e embasado na aprendizagem desta aula, você deverá preparar respostas para as seguintes re�exões: 1. Como se relacionam os conceitos de originalidade e de inovação na agência de Carlos? 2. Qual seria a melhor forma de geração de conceitos pela equipe multipro�ssional de Carlos? 3. Como a equipe de Carlos poderia conciliar os conceitos artísticos e os conceitos mercantilistas que podem vir a ocorrer durante a criação para os clientes da agência? Elabore suas respostas antes de ir para o encontro com o professor e a sua turma. Assim, você estará preparado para as discussões que serão propostas em atividades mediadas em sala de aula. Vamos Começar! A criatividade é considerada uma capacidade humana de grande valor universal. A formulação de ideias originais e incomuns é uma das características da pessoa criativa. Entretanto, precisamos diferenciar o conceito correto entre originalidade e criatividade: originalidade é um dos componentes da criatividade e não seu sinônimo, como muitas pessoas acreditam. De acordo com Torrence (apud Weschsler, 2002), a originalidade pode ser entendida como novidade, quebra de padrões habituais de pensar, capacidade de produzir ideias raras ou incomuns, uso de situações ou conceitos de modo não costumeiro, habilidade para estabelecer conexões distantes e indiretas ou resposta infrequente dentro de um determinado grupo de pessoas. A importância da originalidade na produção criativa é enfatizada por diversos autores. Para Mackinnon (apud Weschsler, 2002), não é su�ciente, para se considerar a originalidade de uma resposta, que ela seja incomum ou estatisticamente infrequente dentro de um determinado grupo. Ela deve ser avaliada quanto ao seu potencial de adaptação à realidade, ou seja, de que maneira a resposta dada vem resolver um problema ou alcançar um objetivo, levando em consideração a distinção entre uma resposta criativa daquela feita ao acaso ou em delírio. A integração do conhecimento proveniente de várias fontes, assim como o desenvolvimento do raciocínio sobre a informação assimilada, é essencial para a geração de ideias fecundas que venham a potencializar a criatividade. A faculdade de concepção constitui a força engenhosa e capaz de realizar todas as transformações bené�cas decorrentes das criações do pensamento. Como elemento propulsor, de natureza essencialmente construtiva, a ela se deve o desenvolvimento progressivo da evolução universal. A criatividade que emerge nesse contexto mental é responsável pela formação das riquezas necessárias ao processo de materialização dos conceitos, por ser ela cultivada, a priori, em benefício da coletividade. Nesse processo convergente e divergente de assimilação de informação, de analogias criadas, de associação de imagens e palavras e sensações, o potencial criativo pessoal e único de cada autor é Disciplina PROCESSO DE CRIATIVIDADE determinante para a formalização das ideias e dos conceitos, de�nindo um estilo, por vezes in�uenciando o gosto, deixando a marca dos valores pessoais do seu criador, assim como o reconhecimento dos valores universais. A originalidade, entretanto, não deve ser usada como sinônimo de inovação, embora esses dois conceitos estejamrelacionados, como a�rmam os autores Rosenfeld e Servo (apud Weschsler, 2001). Fazendo um paralelo com a área industrial, os autores a�rmam que gerar novas ideias não necessariamente conduz a aplicações dessas ideias. Assim, boas ideias nunca vão além da cabeça daquele que as imaginou. A adaptação da ideia torna-se um item a ser considerado em uma sociedade capitalista como a nossa. Ideias originais ocorrem geralmente depois de períodos de incubação, em que nenhum esforço deliberado foi feito no sentido de se resolver o problema em questão. Siga em Frente... Geração de conceitos A geração de ideias e conceitos ocorre constantemente, como podemos observar na Figura 1. Quando nos referimos às organizações, empresas e indústrias, podemos a�rmar que a geração de ideias para novos produtos é concentrada pelo departamento de marketing, responsável por captar informações de fontes internas (análise de consumidores, sugestões do departamento de atendimento ao cliente, pesquisa e desenvolvimento, entre outros) e de fontes externas (pesquisa de mercado, sugestões de clientes, ações da concorrência). Esse processo foi representado gra�camente por Nigel Slack (graduado no curso de engenharia, mestre e doutor em administração). Figura 1 | Origem das ideias. Fonte: Slack et al., 1997. Uma vez captadas as ideias, estas precisam ser transformadas em conceitos, descrevendo a sua forma, função, objetivo e benefícios globais. Em seguida, os conceitos são avaliados pela organização. Disciplina PROCESSO DE CRIATIVIDADE Figura 2 | Transformação da ideia em conceito. Fonte: Slack et al., 1997. Essa etapa consiste em submeter os diversos conceitos a vários crivos, avaliando-os quanto a sua viabilidade, aceitabilidade e risco, visando à seleção dos conceitos aceitáveis. O marketing veri�ca os conceitos que não estão adequados ao mercado (podem ser parecidos ou muito diferentes dos concorrentes). Extingue os conceitos que não são capazes de gerar demanda ou não se ajustam à política de marketing. A função produção analisa a viabilidade do conceito, se tem a capacidade de produção, habilidades de seus recursos humanos e a tecnologia necessária. Já o �nanceiro calcula as consequências �nanceiras do conceito, se precisa de capital e valores de investimentos, custos operacionais, as margens de lucro e a provável taxa de retorno. O processo criativo �nalmente tem início na base de todo o trabalho racional realizado. Como medir a criatividade? É possível? Com quais instrumentos? Existem limites para essa medição? O estudo da criatividade tem sido feito de diversas formas: testes, escalas, observações, biogra�as. Tre�nger (apud Weschsler, 2002) revisou os testes e escalas da criatividade e concluiu que, devido à concepção da criatividade ser multivariada, é de se esperar que existam inúmeras formas de se medir esse conceito. Essas formas abrangem não só o campo das habilidades cognitivas, como o de aptidões e da personalidade. Os instrumentos mais estudados foram: os testes do pensamento criativo de Torrance, os testes de pensamento divergente de Guilford, o teste de associações remotas de Mednick e o teste de pensamento criativo de Wallach & Kogan (apud Weschsler, 2002). A seguir, apresentamos um quadro comparativo que nos ajudará a conhecer as principais características dos tipos de avaliações da criatividade. Tipos de avaliações da criatividade Características principais Disciplina PROCESSO DE CRIATIVIDADE Testes do Pensamento Criativo de Torrance O teste de pensamento criativo de Torrance apresenta duas versões: �gural e verbal. Na sua versão �gural, é composto por três atividades contendo rabiscos a serem completados. Na versão verbal existem seis atividades, para as quais são solicitadas perguntas, causas, consequências ou ideias para melhoria de produtos. Testes de Pensamento Divergente de Guilford O psicólogo americano Joy Paul Guilford (1897-1987) desenvolveu no �nal dos anos 1940 um modelo explicativo do processo criativo. O ponto decisivo da concepção de Guilford foi a distinção entre pensamento convergente e divergente. Pensamento convergente: funciona segundo processos lógicos-dedutivos, mais ou menos rígidos, dos quais o indivíduo tem di�culdade de libertar- se. Os testes de QI exigem o tipo de pensamento convergente. Pensamento divergente ou lateral: caracteriza-se por, ao confrontar-se com um problema, propor novos caminhos e respostas inusitadas, a que se chega por meio de associações muito amplas. Teste de Associações Remotas de Mednick Em 1962, Mednick (professor de psicologia) elaborou uma medida objetiva da criatividade baseando-se na teoria de processos associativos. Para esse autor, a criatividade é essencialmente associativa: o pensamento criativo consiste em formar novas combinações de elementos e as combinações responderão às necessidades especí�cas ou terão então uma utilidade. Quanto mais os elementos combinados são afastados uns dos outros, mais o processo será criativo. Teste de Pensamento Criativo de Wallach & Kogan No teste de Reconhecimento de Padrões de Wallach & Kogan (1962), mostra-se ao sujeito uma série de padrões geométricos e pede-se que ele imagine o que poderão ser. Quadro 1 | Tipos de avaliação da criatividade. Fonte: adaptado de Weschsler, 2002. Finalmente, deverão ser consideradas, também, as maneiras de se utilizar as medidas de criatividade, como administração, correção e normas. O uso de testes e escalas para avaliar a criatividade é altamente questionado por Amabile (apud Barros, 1985), que a�rma serem essas Disciplina PROCESSO DE CRIATIVIDADE medidas inadequadas para estudos experimentais sobre as condições sociais e ambientais que afetam a criatividade. Essa autora critica os testes e as escalas como forma de avaliar a criatividade e sugere que os investigadores foquem suas atenções na produção criativa. Uma maneira bastante comum de se avaliar a criatividade é através da análise das biogra�as de pessoas eminentes. No entanto, para Howe (apud Barros, 1985), esse método também tem suas limitações. Apesar de todo o progresso da psicologia, ainda não podemos dizer que certa combinação de eventos na vida do indivíduo causará certos tipos de comportamento. A�nal, cada indivíduo incorpora a experiência de maneira única. Diante disso, chegamos à conclusão de que não pode existir um único e adequado método para se estudar a criatividade, pois ela é considerada um fenômeno complexo (Weschsler, 2002). Vamos Exercitar? Como você já entendeu a geração de conceitos, ou seja, a composição de conceitos focados no produto criativo, e os limites das medições da criatividade, podemos retornar ao problema do empreendedor Carlos. Vamos lembrar as questões que você deverá responder: 1. Como se relacionam os conceitos de originalidade e de inovação na agência de Carlos? 2. Qual seria a melhor forma de geração de conceitos pela equipe multipro�ssional de Carlos? 3. Como a equipe de Carlos poderia conciliar os conceitos artísticos e os conceitos mercantilistas que possam vir a ser envolvidos durante a criação para os clientes da agência? Você deve ter percebido que precisará compreender a diferença entre os conceitos de originalidade e inovação para responder à primeira pergunta. Para responder à segunda pergunta, que tal rever as �guras de Santos (2004) que ilustram as etapas para a geração de conceitos? Elas são: origem das ideias, transformação da ideia em conceito e seleção do conceito. Quanto à terceira pergunta, tente reforçar seu olhar crítico a respeito. Pesquise o assunto. Leia a respeito desse tipo de con�ito. Lembre-se: suas respostas devem demonstrar domínio do conteúdo aprendido, coerência e capacidade de articular argumentos. Saiba mais Disciplina PROCESSO DE CRIATIVIDADE Indicamos o livro De Onde Vêm as Boas Ideias, de Steven Johnson. Neste livro, o autor investiga a origem das ideias e como as inovações surgem. Ele examina os ambientes e condições que promovem a criatividade e oferece insights de como as boas ideias se desenvolvem.JOHNSON, S. De onde vêm as boas ideias. Rio de Janeiro: Zahar, 2011. Referências BARROS, D. P. Criatividade por produção de metáforas e sua relação com a inteligência. 1985. 102 f. Dissertação (Stricto Sensu em Psicologia) – Universidade São Francisco, Itatiba, 2008. SLACK, N. et al. Administração da Produção. São Paulo: Atlas, 1997. WECHSLER, S. M. Criatividade: descobrindo e encorajando. Campinas: Livro Pleno, 2002. Aula 4 Painel Conceitual e Semântico Painel conceitual e semântico Este conteúdo é um vídeo! Para assistir este conteúdo é necessário que você acesse o AVA pelo computador ou pelo aplicativo. Você pode baixar os vídeos direto no aplicativo para assistir mesmo sem conexão à internet. Estudante, esta videoaula foi preparada especialmente para você. Nela, você irá aprender conteúdos importantes para a sua formação pro�ssional. Vamos assisti-la? Bons estudos! Clique aqui para acessar os slides da sua videoaula. Ponto de Partida Estudante, chegamos à última seção desta unidade. Muito já foi discutido e apresentado a respeito dos conceitos e estudos da criatividade. Vimos que o mito da criatividade humana https://cm-kls-content.s3.amazonaws.com/202401/ALEXANDRIA/PROCESSO_DE_CRIATIVIDADE/PPT/u2a4_pro_cri_slides_liberado.pdf%20https://cm-kls- Disciplina PROCESSO DE CRIATIVIDADE esteve sempre envolto em uma aura de mistério, despertando a atenção de cientistas e pesquisadores que buscam respostas e explicações de procedimentos, percursos e manobras do pensamento criativo. Para Munari (1981, p. 21), "Criatividade não signi�ca improvisação sem método". Não se deve alimentar a ilusão de que o processo criativo é completamente livre e independente. Nesta última seção, estudaremos os conceitos e fundamentos para elaborar um painel conceitual semântico. A situação-problema para esta aula apresenta-se da seguinte forma: imagine que Carlos e sua equipe foram contratados para criar um outdoor que divulgue um campeonato de skate do tipo vertical (modalidade em que os skatistas fazem manobras em uma rampa). Poucos da equipe multipro�ssional de Carlos conhecem o universo do skate. Então, acertou-se que cada um criaria uma proposta de moodboard que representasse elementos envoltos em uma competição como essa. Seu desa�o será elaborar o painel conceitual semântico, utilizando-se de todo o aprendizado proporcionado nesta aula. Lembre-se de levar seu trabalho para o encontro com o professor e sua turma. Assim, você estará preparado para as discussões que serão propostas em atividades mediadas em sala de aula. Vamos Começar! Você já percebeu como notamos o mundo à nossa volta? Nossos sentidos (visão, olfato, tato, paladar e audição) captam os estímulos do ambiente externo e os transformam em algum tipo de emoção ou sensação, que é interpretado pela nossa mente, levando-nos a um resultado perceptivo. Vivemos em uma sociedade que se utiliza de muitas representações visuais. Nossa cultura expressa isso em cada detalhe: desde as obras de arte até as comunicações de marketing. Não é de se estranhar, portanto, que muitos projetos ligados à arte, ao design e à comunicação de marketing, entre outros, utilizem o painel conceitual semântico – também conhecido como moodboard (poderíamos traduzir para algo como "painel de inspiração"). Trata-se de um dispositivo que associa imagens a signi�cados e sentidos. Segundo Aumont (1993), a utilização de imagens jamais é gratuita, sendo desde sempre mediadora entre o espectador e a realidade, com diferentes �ns. O autor ainda a�rma que as imagens têm pelo menos três funções distintas: Valor de representação: quando representam coisas concretas em um nível de abstração inferior ao das próprias imagens. Valor de símbolo: quando representam aspectos cujo nível de abstração é superior ao da própria imagem. Valor de signo: quando representa um conteúdo cujos caracteres não são visualmente re�etidos por ela. Disciplina PROCESSO DE CRIATIVIDADE De acordo com a autora Perez (2004), um dos férteis campos de atuação da semiótica é o da imagem, e nesse sentido, a imagem pode ser concebida como uma representação plástica, material ou algo que evoca uma determinada coisa por ter com ela semelhança ou relação simbólica. A imagem pode ser produto da imaginação, consciente ou inconsciente. Pode ainda ser uma simples visão. A autora a�rma que a imagem diz respeito a um conjunto de experiências, impressões, posições e sentimentos que as pessoas apresentam em relação a objetos, empresas, produtos, personalidades, por exemplo. Imagem é um conjunto de signos distribuídos em um espaço concreto, virtual ou no pensamento: aí está a base para o painel semântico. Siga em Frente... Um moodboard pode nos remeter ao pensamento juvenil, "um painel para fotos e recortes", mas o painel simples se torna o local de ideias, e o modo como ele é montado diz muito do modo como as ideias foram concebidas. Veja bem, não se trata de um layout, mas também não é um varal. Segundo Garner e MacDonagh-Philp (2001), essa junção de elementos (fotogra�as, recortes, textos, cores e texturas) consegue transmitir emoções e sentimentos. Portanto, a escolha e a organização desses elementos não podem ser efetuadas aleatoriamente. O objetivo não é criar uma composição artística, como se veri�ca nas obras de pintores e artistas plásticos, por exemplo, mas sim criar um conceito, uma orientação, um sentido, uma intenção, um input que leve à criação de uma proposta que responda objetivamente a um problema ou necessidade referida no brie�ng do cliente. Dessa forma, todo o processo de colagem é racional e direcionado para que assim consiga responder a um objetivo prede�nido. É uma técnica em que, por meio de colagens e desenhos, você expressa o sentimento para resolver um dilema. O empenho na coleta de informação, na diagramação das imagens, a variedade da procura e até mesmo o local onde o painel será colocado, tudo isso faz menção à importância que ele terá para o processo criativo. Atualmente, muitos pro�ssionais utilizam os benefícios do painel semântico para organizar criativamente os conceitos envolvidos em seus trabalhos. Podemos mencionar estilistas e designers de moda, design de produto, design grá�co, design de interiores, arquitetos e publicitários como exemplos. O painel conceitual também é conhecido como brie�ng visual, pois consegue exprimir conceitos relacionados às informações de um brie�ng de projeto por meio de imagens e conceitos. Outros nomes atribuídos ao moodboard são prancha de referências, prancha de direção de arte, quadro de ideias, quadro de atmosfera. Bürdek (apud Gusmão, 2012) a�rma que, mesmo em uma mesma equipe, é possível haver diferenças importantes nas atribuições de sentido entre os envolvidos. As imagens, ao contrário das palavras, contribuem para um discurso menos divergente. A�nal, como ter certeza de que todos estão pensando no mesmo tom de azul quando se fala em azul, ou na mesma ideia de relaxante quando se fala em relaxante? O processo de criação de um painel semântico tem, como entrada, o conceito a ser representado. A partir daí, os dados são coletados, as imagens Disciplina PROCESSO DE CRIATIVIDADE são selecionadas e arranjadas. Diante do resultado, é feita uma re�exão: se ele for satisfatório, tem-se a �nalização do painel, caso contrário, o ciclo recomeça pelo levantamento de dados. Baxter (2001, p. 191) a�rma que esses painéis "representam uma rica fonte de formas visuais e servem de inspiração para o novo produto". Figura 1 | Diagrama contendo as etapas de processo do painel semântico. Fonte: adaptada de Baxter (2001). De acordo com o estudo de Vera (2009), o moodboard tem seis etapas principais: Coleta: o pro�ssional recapitula seu banco pessoal, assim como busca por novas referências. Eleição: o pro�ssional seleciona quais referências têm maior capacidade de visionar uma solução do problema. Conexão: com as referências que foram escolhidas, o pro�ssional conecta as que juntas podem tornar visível o direcionamento criativo desejado. Construção:nessa etapa o pro�ssional constrói o moodboard e cria uma composição com referências criativas. Expansão: para o autor, essa fase é facultativa. Trata de buscar outras matérias que reforcem o estado emocional criado pelo moodboard. Apresentação: o pro�ssional compartilha com os demais o moodboard para discussão. Uma boa forma de organizar a pesquisa é dividindo as informações levantadas em três grupos principais: objetos, pessoas e ambientes. Disciplina PROCESSO DE CRIATIVIDADE Figura 2 | Descritivo para organizar pesquisas. Fonte: elaborada pela autora. A interação entre as referências visuais do moodboard produz metáforas que comparam o raciocínio por analogia e facilitam a compreensão e o enfrentamento de um ambiente incerto do processo, elucidando as relações entre o conceito metafórico e o problema. Vamos Exercitar? Você deve ter notado que o conteúdo didático desta aula fornece todos os subsídios para que você resolva a situação-problema, certo? De qualquer forma, vale a pena considerar algumas dicas: 1. Siga o procedimento ilustrado pelo diagrama do processo para a elaboração de um painel semântico. 2. Busque informações a respeito de "skatismo" antes de selecionar as imagens. 3. Utilize as instruções do quadro descritivo para organizar a pesquisa. Lembre-se: o painel semântico ou moodboard é uma técnica que busca traduzir a linguagem verbal em signos visuais. Além disso, não se esqueça de que todo trabalho criativo envolve pesquisa. A pesquisa é o que impulsiona o desenvolvimento do projeto. Pesquisamos, pensamos, geramos e selecionamos ideias e, quando já sabemos o que queremos fazer, colocamos em prática. Disciplina PROCESSO DE CRIATIVIDADE Saiba mais Indicamos o livro The Creativity Code: The Power of Visual Thinking, escrito por Gore Alex. Este livro discute como o pensamento visual e o uso de painéis semânticos podem contribuir para a criatividade e a inovação em diversos contextos, oferecendo insights de como aplicar essa abordagem em diferentes áreas. Vale a pena a leitura. Aproveite! GORE, A. The Creativity Code: The Power of Visual Thinking. New York: Alexander K. Gore, 2016. Referências AUMONT, J. A imagem. Trad. Estela dos Santos Abreu e Claudio C. Santoro. Campinas: Papirus, 1993 BAXTER, M. Projeto do produto: guia prático para o desenvolvimento de novos produtos. São Paulo: Edgard Blucher, 1998. GARNER, S.; MCDONAGH-PHILP, D. Problem Interpretation and Resolution via Visual Stimuli: The Use of ‘Mood Boards’. Design Education. The Journal of Art and Design Education, v. 20, n. 1, p. 57-64, 2001. GUSMÃO, C. Painel Semântico como técnica no ensino da prática projectual em design. Academia.edu, 2012. MUNARI, B. Das coisas nascem coisas. Tradução: José Manuel de Vasconcelos. Lisboa: Edições 70, 1981. PEREZ, C. Signos da Marca: expressividade e sensorialidade. São Paulo: Pioneira Thomson Learning, 2004. VERA, A. L. Co-Designing Interactive Spaces for and with Designers: Supportining Moodboard Making. Technische Universiteit. Eindhoven, 2009. Aula 5 Encerramento da Unidade Vídeo Aula Encerramento Disciplina PROCESSO DE CRIATIVIDADE Este conteúdo é um vídeo! Para assistir este conteúdo é necessário que você acesse o AVA pelo computador ou pelo aplicativo. Você pode baixar os vídeos direto no aplicativo para assistir mesmo sem conexão à internet. Estudante, esta videoaula foi preparada especialmente para você. Nela, você irá aprender conteúdos importantes para a sua formação pro�ssional. Vamos assisti-la? Bons estudos! Clique aqui para acessar os slides da sua videoaula. Ponto de Chegada Estudante, é importante enfatizar a amplitude dos conhecimentos adquiridos. Durante este percurso, exploramos conceitos fundamentais tratando de brainstorming, compreendendo suas várias etapas e técnicas, como escrita livre, listas, perspectivas, técnica do cubo e relações entre as partes. Além disso, discutimos os tipos de ideias, incluindo a tempestade de ideias com visualização, a tempestade de ideias com o corpo e a tempestade de ideias com considerações, enfatizando suas aplicações práticas e a e�cácia na geração de soluções inovadoras. Ao abordarmos o brainwriting, destacamos seus principais aspectos e fases, compreendendo a origem dessa técnica e suas diversas aplicações. Exploramos o papel essencial da geração de conceitos, analisando suas metodologias e também limitando as limitações das medidas de criatividade, o que reforça a importância de uma abordagem holística na avaliação desse complexo. Além disso, re�etimos a respeito da percepção sensorial e seu papel crucial na interpretação do ambiente, liberando a relevância das representações visuais na sociedade contemporânea, especialmente por meio do painel conceitual semântico – moodboard. Analisamos as funções das imagens como representações simbólicas e exploramos a aplicação prática e os benefícios do moodboard em diferentes áreas pro�ssionais. É fundamental reiterar a importância de aplicar esses conhecimentos de maneira prática, con�rmando o impacto positivo que eles podem ter no desenvolvimento de projetos criativos e inovadores. A integração desses conceitos no cotidiano pro�ssional não apenas estimula a criatividade, mas também promove um ambiente propício à inovação e ao progresso contínuo. Assim, ao se preparar para os desa�os futuros, você poderá enfrentá-los com originalidade e perspicácia, contribuindo de maneira signi�cativa para o avanço de seus empreendimentos e projetos pro�ssionais. Parabéns pelo seu empenho e dedicação ao longo deste percurso de aprendizagem. Que esses conhecimentos sejam uma base sólida para sua jornada pro�ssional, inspirando-o a buscar constantemente novas soluções e ideias inovadoras em sua área de atuação. https://cm-kls-content.s3.amazonaws.com/202401/ALEXANDRIA/PROCESSO_DE_CRIATIVIDADE/PPT/u2Enc_pro_cri_slides_liberado.pdf Disciplina PROCESSO DE CRIATIVIDADE É Hora de Praticar! Este conteúdo é um vídeo! Para assistir este conteúdo é necessário que você acesse o AVA pelo computador ou pelo aplicativo. Você pode baixar os vídeos direto no aplicativo para assistir mesmo sem conexão à internet. Imagine que você está liderando uma equipe de desenvolvimento de produtos em uma empresa de tecnologia em rápido crescimento. Recentemente, a sua empresa recebeu um �nanciamento substancial para expandir a sua linha de produtos e atingir novos mercados. No entanto, você percebe que a equipe está enfrentando desa�os para gerar ideias inovadoras e acompanhar o ritmo acelerado de mudanças no setor de tecnologia. Como líder, você con�rma a importância de promover uma cultura organizacional que valorize a criatividade e encoraje a inovação para manter a competitividade no mercado. Desa�o: Para estimular a criatividade e a geração de ideias inovadoras em sua equipe, proponha uma sessão de brainstorming e brainwriting para explorar novos conceitos e soluções para os desa�os enfrentados. Além disso, planejamos a criação de um moodboard que represente visualmente as ideias e conceitos discutidos durante a sessão, enfatizando a importância da percepção sensorial e da representação simbólica para promover a compreensão e a comunicação e�caz das ideias. Como líder, explore as várias etapas e técnicas do brainstorming e do brainwriting, destacando as vantagens de cada abordagem na geração de conceitos inovadores. Re�ita a respeito de como essa atividade prática pode contribuir para o fortalecimento da cultura de inovação em sua empresa e o impacto positivo que pode ter no desenvolvimento de novos produtos e serviços. Para uma sessão de brainstorming, sugere-se a aplicação de técnicas inovadoras, como a escrita livre para promover a livre expressão de ideias, e a técnica do cubo para explorar perspectivas inovadoras. Além disso, para o brainwriting, é crucial oferecer um ambiente de colaboração aberto e incentivar a contribuição de todos os membros da equipe, garantindo que as ideias sejam amplamente exploradas. A criação do moodboard pode servir como uma representação visualpoderosa, destacando a importância de imagens e símbolos na transmissão e�caz de conceitos complexos. Por meio dessas práticas, é possível promover uma cultura de inovação, encorajando a criatividade e a colaboração entre os membros da equipe. O uso dessas técnicas pode levar ao desenvolvimento de soluções novas e inovadoras para os desa�os enfrentados pela empresa, consolidando sua posição como líder em seu setor e impulsionando o avanço de seus produtos e serviços. Disciplina PROCESSO DE CRIATIVIDADE Figura | Síntese dos conteúdos abordados durante os estudos AUMONT, J. A imagem. Trad. Estela dos Santos Abreu e Claudio C. Santoro. Campinas: Papirus, 1993 BAXTER, M. Projeto do produto: guia prático para o desenvolvimento de novos produtos. São Paulo: Edgard Blucher, 1998. CUREDALE, R. Design Thinking: Process and Methods Manual. Design Community College Incorporated. Topanga, 2013. GARNER, S.; MCDONAGH-PHILP, D. Problem Interpretation and Resolution via Visual Stimuli: The Use of ‘Mood Boards’. Design Education. The Journal of Art and Design Education, v. 20, n. 1, p. 57-64, 2001. GUSMÃO, C. Painel Semântico como técnica no ensino da prática projectual em design. Academia.edu, 2012. KATZ, D.; KAHN, R. Psicologia social das organizações. São Paulo: Atlas, 1978. MUNARI, B. Das coisas nascem coisas. Tradução: José Manuel de Vasconcelos. Lisboa: Edições 70, 1981. PEREZ, C. Signos da Marca: expressividade e sensorialidade. São Paulo: Pioneira Thomson Learning, 2004. SANTO, R. Brainstorming – Tempestade de idéias (BS-TI) ou Como tirar seu time do “cercadinho mental”. Biblioteca temática do empreendedor, 2015. Disponível em: https://bibliotecas.sebrae.com.br/chronus/ARQUIVOS_CHRONUS/bds/bds.nsf/741A876FE82890 8203256E7C00614A23/$File/NT00002206.pdf. Acesso em: 3 jan. 2024. SLACK, N. et al. Administração da Produção. São Paulo: Atlas, 1997. VERA, A. L. Co-Designing Interactive Spaces for and with Designers: Supportining Moodboard Making. Technische Universiteit. Eindhoven, 2009. VIEIRA, B. L. et al. Combinação das técnicas de Brainwriting e Mapa mental aplicada à ideação Disciplina PROCESSO DE CRIATIVIDADE no design participativo. In: OLIVEIRA, G. G. de; NÚÑEZ, G. J. Z.; PASSOS, J. E. (org.). Design em pesquisa: vol. 5. Porto Alegre: Marcavisual, 2023. p. 124-137. WECHSLER, S. M. Criatividade: descobrindo e encorajando. Campinas: Livro Pleno, 2002. , Unidade 3 Bloqueadores da Criatividade Aula 1 Geração de Esboços (Croquis) Geração de esboços (croquis) Este conteúdo é um vídeo! Para assistir este conteúdo é necessário que você acesse o AVA pelo computador ou pelo aplicativo. Você pode baixar os vídeos direto no aplicativo para assistir mesmo sem conexão à internet. Estudante, esta videoaula foi preparada especialmente para você. Nela, você irá aprender conteúdos importantes para a sua formação pro�ssional. Vamos assisti-la? Bons estudos! Ponto de Partida Durante os estudos, você conhecerá a importância da geração de esboços (croquis) para a orientação da criatividade. Estudaremos os conceitos básicos e as diferenças entre os termos "croqui", "esboço", "desenho" e "rough"; a importância dos elementos visuais para a humanidade e o desenho como forma de comunicação; a utilização do desenho pelos povos da antiguidade e a importância do desenho para algumas pro�ssões. Com base nesses temas especí�cos, conheça a Situação Geradora de Aprendizagem (SGA) a seguir; ela será o “pano de fundo” dos nossos estudos nesta unidade. Nesta SGA, o personagem principal é Pedro, um renomado arquiteto e professor em uma universidade reconhecida. Ele tem uma carreira bem-sucedida na arquitetura, conhecida por suas abordagens inovadoras e criativas no design de espaços urbanos. Disciplina PROCESSO DE CRIATIVIDADE Pedro é convidado para ministrar uma palestra para estudantes de arquitetura e design de interiores em uma conferência regional. Durante a palestra, ele pretende abordar a importância da pesquisa visual e do croqui/esboço na geração de ideias criativas para projetos de arquitetura. Ele quer transmitir aos alunos a relevância dessas práticas no mercado de trabalho atual, espaço em que a concorrência é acirrada e a inovação é um diferencial essencial. Recentemente, Pedro recebeu um convite especial para palestrar para os estudantes de arquitetura e design de interiores de uma universidade de renome. Os organizadores solicitaram que Pedro compartilhasse insights a respeito do processo criativo no design de interiores e destacasse a importância do uso de esboços e croquis como ferramentas fundamentais nesse processo. O seu desa�o é o seguinte: você deverá utilizar todo o conhecimento desenvolvido nesta aula e propor como deveria ser a apresentação da palestra que Pedro fará. Descreva a importância do esboço no processo criativo e comente a respeito de seu uso por algumas pro�ssões. Vamos Começar! As culturas da antiguidade, representadas pela egípcia e pela grega, utilizaram o desenho para registrar a sua história em templos sagrados e túmulos, como é evidenciado no exemplo dos egípcios. Sua função era narrar histórias da vida cotidiana e mesmo da vida após a morte. Encontramos o desenho também representando os deuses mitológicos gregos, além de orientar navegantes por mares desconhecidos nos séculos XV e XVI, bem como nos séculos posteriores. É um fato que o desenho acompanhou o homem durante todo o seu desenvolvimento, tornando- se parte integrante de sua história, e atualmente ainda surpreende e encanta qualquer pessoa que se permita uma breve contemplação. Quase sempre, um registro desenhado parte de uma experiência de observação da realidade. Re�etindo a respeito do que vê, o homem registra o que compreende da realidade e o que julga ser digno de interesse. Disciplina PROCESSO DE CRIATIVIDADE Figura 1 | Exemplo de desenho pictográ�co. Fonte: Wikipedia. O desenho à mão livre é importante para qualquer projeto que esteja em sua fase de iniciação. Na essência de todos os desenhos existe um processo de ver, imaginar e representar imagens. A partir daí, criamos imagens no papel para expressar e comunicar nossos pensamentos e percepções. Quando se fala em desenho, o primeiro conceito que vem à mente é a relação com o artista desenhando em seu ateliê. Devemos olhar o desenho não apenas como expressão artística, mas também como ferramenta prática para formular e trabalhar em questões de representação grá�ca. É verdade que praticamente tudo o que está ao nosso redor foi criado primeiramente a partir de um desenho, um aspecto importante para qualquer pessoa que queira expor melhor as suas ideias. Disciplina PROCESSO DE CRIATIVIDADE Em relação ao mercado de trabalho, existem várias pro�ssões relacionadas ao desenho, como arquitetura, desenho industrial, design digital, design grá�co, moda, artes visuais e design de interiores, entre outras. Independentemente da área de atuação, o desenho à mão livre é a base necessária para treinar a percepção visual, a criatividade e as habilidades técnicas. Durante o processo de projetar, o desenho é utilizado para guiar o desenvolvimento de uma ideia, desde o conceito até a proposta concreta. O desenho passa a ser uma ferramenta essencial para seduzir e conquistar o observador. Conheça algumas de�nições importantes de desenho, esboço e croqui. Desenho: representação de formas por meio de linhas, pontos ou manchas, em uma superfície. 2. Conjunto de linhas e contornos de uma �gura. 3. Delineamento; traçado. • esboço. as grandes linhas de um desenho ou pintura; delineamento. 2. As linhas iniciais de uma obra artística ou intelectual; rascunho; projeto; ensaio. 3. As linhas fundamentais de uma obra; resumo sumário. • croqui. esboço de desenho ou pintura (Luft, 1998, p. 200). Segundo Bertomeu (2006, p. 68): rough vem do inglês. Primeiros rascunhos feitos por designer ou diretor de arte na criação de um anúncio publicitário. Primeira fase de estudos, antes do layout e da arte �nal. Esboço inicial no planejamento grá�co de qualquer trabalho aser impresso. Nestas de�nições, podemos perceber um grau de diferenciação que não poderíamos desconsiderar ao utilizar tais termos. O primeiro deles, o desenho, aparece com uma abrangência maior quanto ao signi�cado, tendo como característica a representação, enquanto o esboço é considerado como apenas as linhas iniciais e gerais de uma obra intelectual, um projeto, um ensaio. O mais interessante é que a de�nição para croqui surge a partir daquelas outras, ou seja, “esboço de desenho”, o que nos faz pensar em uma representação inicial em linhas gerais e que vai além do representar apenas. Siga em Frente... O desenho de esboço-croqui está sempre presente no ateliê de quem projeta (Rossi; Scherer; Bruscato, 2022). É a partir dele que pintores, arquitetos, designers, diretores de arte e modistas trabalham, pensam e recolhem dados, formulam hipóteses, projetam. Tem como �nalidade organizar raciocínios, constatações, estudos, percursos e fases do trabalho. Em algumas pro�ssões, tem como denominação a palavra “croqui” e, em outras, como no design grá�co e na publicidade e propaganda, é denominado rough em inglês ou “rafe” em português. Disciplina PROCESSO DE CRIATIVIDADE O desenho serve para passar informações e a noção de como será a peça para quem irá desenvolvê-la, produzi-la ou até mesmo comprá-la (Rossi; Scherer; Bruscato, 2022). Precisa ser um desenho rápido, pois as ideias surgem rapidamente e precisam ser colocadas no papel imediatamente, antes que sejam esquecidas. Disciplina PROCESSO DE CRIATIVIDADE Figura 2 | Exemplo de croqui. Fonte: Wikipedia. Disciplina PROCESSO DE CRIATIVIDADE De acordo com Hermínio (2006), os principais materiais para a elaboração de croquis são justamente aqueles que não exigem um re�namento maior de desenho: lápis, borracha e gra�te. Temos também o carvão, os pastéis e as tintas. Muitos materiais de desenho são à base de água ou óleo e são aplicados secos, sem preparação alguma. O lápis-aquarela pode ser utilizado normalmente, e posteriormente poderá ser umedecido com pincel molhado para produzir variados efeitos. Há também pastéis oleosos e secos, além de lápis de cera. Segundo Neves (apud Martino, 2007), a incorporação da informática no desenho tradicional deve ser feita de maneira ponderada e re�etida, considerando-a apenas uma ferramenta, devendo-se preservar os conceitos mais signi�cativos que permitam a re�exão por meio do desenho. Mesmo que os meios eletrônicos desenvolvam e ampliem os métodos de desenho, permitindo a transferência de ideias à tela do computador e seu desenvolvimento em modelos tridimensionais, o desenho permanece como processo cognitivo que envolve a percepção do olhar e re�exão visual. Por isso, a discussão da utilização do croqui como recurso aliado ao desenvolvimento do processo criativo não se resume apenas a uma representação simbólica, mas sim a um processo em constante evolução de um raciocínio, que carrega em si experimentações. O emprego da tecnologia digital é parte do processo de representação do objeto, mas não do processo criativo. Em alguns casos, a necessidade da utilização do computador está vinculada às etapas �nais do processo projetual, resumindo-se a uma apresentação. Vamos Exercitar? Vamos, neste momento, retornar ao problema inicial desta aula, em que Pedro precisa elaborar uma apresentação para uma palestra para a qual foi convidado. Nessa situação, o seu desa�o era utilizar todo o conhecimento desenvolvido nesta aula e propor como deveria ser a apresentação da palestra que Pedro fará. Descreva a importância do esboço no processo criativo e comente a respeito de seu uso por algumas pro�ssões. Com o seu auxílio, Pedro deve aproveitar a oportunidade para compartilhar com os alunos a importância fundamental da prática de esboços e croquis no desenvolvimento de ideias criativas para projetos de arquitetura e design de interiores. Durante a palestra, ele pode destacar como a pesquisa visual pode in�uenciar a criatividade e inovação no campo da arquitetura, enfatizando a capacidade dos esboços de capturar conceitos iniciais e traduzi-los em representações tangíveis. Além disso, você precisa estimulá-lo a enfatizar como os esboços podem ajudar a visualizar layouts, testar soluções de design e comunicar ideias arquitetônicas complexas. Ele pode citar exemplos especí�cos de como pro�ssionais de renome utilizaram esboços para desenvolver projetos renomados, reforçando como essas práticas são defensáveis para o processo de tomada de decisões e a concretização de visões arquitetônicas. Disciplina PROCESSO DE CRIATIVIDADE Por �m, Pedro pode incentivar os alunos a incorporar a prática do esboço em seus próprios processos criativos, ressaltando como a capacidade de visualizar e expressar conceitos de design de maneira clara e concisa pode ser um diferencial importante no competitivo mercado de arquitetura e design de interiores. Como sugestão, Pedro pode utilizar algumas ferramentas de gestão de projetos especí�cas para arquitetura e design de interiores. Uma ferramenta que pode ajudá-lo nesse processo é um software de modelagem 3D, como AutoCAD, SketchUp ou Revit, que permite aos arquitetos e designers criar e visualizar projetos em um ambiente tridimensional. Essas ferramentas de modelagem oferecem recursos avançados que podem facilitar a geração de ideias e a representação visual de conceitos inovadores de forma mais precisa e realista. Além disso, esses softwares podem ajudar a comunicar e�cazmente as ideias para os clientes e partes interessadas, o que é crucial no campo da arquitetura e do design de interiores. Saiba mais Conheça mais um pouco este assunto, fazendo a leitura do artigo intitulado “De perto e de dentro: aproximando desenho e história(s)”, escrito por Ethel Pinheiro, Gustavo Badolati Racca, Niuxa Dias Drago e Sergio Rego Fagerlande. Este artigo apresenta um trabalho desenvolvidos por alunos da USP, com o objetivo de ampliar o papel criador e mediador do desenho de observação/exploração em arquitetura e a necessidade de experimentar a cidade por um discurso não linear da história da arquitetura e do urbanismo, condizente com nossa situação estética contemporânea. Vale a pena a leitura! Referências BERTOMEU, J. V. Criação na propaganda impressa. 3. ed. São Paulo: Thompson Learning, 2006. HERMÍNIO, S. Publique seu livro. São Paulo: E-book, 2006. LUFT, C. P. Minidicionário Luft. 14. ed. São Paulo: Ática, 1998. MARTINO, J. A. A importância do croqui diante das novas tecnologias no processo criativo. 2007. 93f. Dissertação (Mestrado em Desenho Industrial) - Universidade Estadual Paulista, Bauru, 2007. ROSSI, A.; SCHERER, F.; BRUSCATO, U. Pensamento visual e criatividade: benefícios do esboço na geração de ideias. Educação Grá�ca, Brasil, Bauru, v. 26, n. 2, ago. 2022. ISSN 2179-7374. Aula 2 Inércia Psicológica e as Paredes Invisíveis http://www.nomads.usp.br/virus/virus20/?sec=4&item=15&lang=pt http://www.nomads.usp.br/virus/virus20/?sec=4&item=15&lang=pt Disciplina PROCESSO DE CRIATIVIDADE Inércia psicológica e as paredes invisíveis Este conteúdo é um vídeo! Para assistir este conteúdo é necessário que você acesse o AVA pelo computador ou pelo aplicativo. Você pode baixar os vídeos direto no aplicativo para assistir mesmo sem conexão à internet. Estudante, esta videoaula foi preparada especialmente para você. Nela, você irá aprender conteúdos importantes para a sua formação pro�ssional. Vamos assisti-la? Bons estudos! Ponto de Partida Nesta aula, estudaremos a de�nição e as consequências da inércia psicológica e das paredes invisíveis. Conheceremos como a inércia psicológica pode "viciar" o desenvolvimento de nossa criatividade. Estudaremos os bloqueios, também chamados de barreiras, que geram obstáculos criativos nos indivíduos na busca de soluções aceitáveis voltadas para a inovação e criatividade. A palestra de Pedro foi um sucesso, e sua ajuda foi crucial para a transmissão dos conhecimentos aos alunos. Com o reconhecimento conquistado, Pedro foi convidado a ministrara disciplina de processos criativos para os alunos do 1º ano de diferentes cursos na renomada universidade. No primeiro dia de aula, Pedro decidiu aplicar um exercício para avaliar o potencial criativo da turma. A atividade consiste em solicitar aos alunos que expressem em uma folha em branco suas percepções e expectativas em relação ao curso escolhido, utilizando desenhos como meio de expressão. Posteriormente, cada aluno deverá apresentar seu desenho e compartilhar suas ideias com a turma. Durante o exercício, Pedro notou que vários alunos enfrentaram bloqueios ou barreiras criativas. Uma das frases mais comuns que ele ouviu foi: "eu não sei desenhar!". Diante dessa situação, sua tarefa é apresentar para Pedro qual atitude ele deve tomar para auxiliar seus alunos a superar os bloqueios criativos e solucionar o exercício proposto. Vamos ao nosso estudo! Vamos Começar! Durante os estudos, veremos a inércia psicológica, suas consequências e as paredes invisíveis. Com certeza, caro estudante, você já se deparou com situações que veremos nesta seção. Vamos con�rmar e analisar? Disciplina PROCESSO DE CRIATIVIDADE Diversos ramos da psicologia, das relações humanas no trabalho e programas de incentivo ao desenvolvimento de novas ideias costumam identi�car muitos entraves dos indivíduos na busca de caminhos para a inovação e para a criatividade. Uma das primeiras di�culdades nessa área de estudos é compreender que inovação e criatividade não são sinônimos. Analise o quadro a seguir com a classi�cação segundo os autores Rosenfeld e Servo (1984): CRIATIVIDADE INOVAÇÃO Refere-se a gerar novas ideias. Refere-se à adaptação ou a colocar em prática uma ideia. É um atributo que pode pertencer a um único indivíduo. Requer a colaboração de muitas pessoas. Quadro 1 | Comparação entre Criatividade e Inovação. Fonte: adaptado de Rosenfeld e Servo (1984). Como bem observa a autora Wechsler (2002), muitos passos ocorrem entre ter uma ideia e colocá-la em prática, e pode existir falta de comunicação entre esses dois momentos. Por exemplo, um indivíduo com estilo inovador em uma empresa pode esbarrar com um gerente que bloqueie as suas ideias. É necessário, portanto, que se combine o indivíduo inovador com o indivíduo adaptador, que gosta de melhorar o que já foi proposto e pode aproveitar o potencial da nova ideia para desenvolvê-la (Rosenfeld; Servo, 1984). Para os autores Kelley e Kelley (2014), a criatividade se manifesta na forma de inovação. Fenômenos tecnológicos como o Google, o Facebook e o Twitter têm despertado e se bene�ciado da criatividade dos empregados para mudar a vida de bilhões de pessoas. A maioria das empresas já percebeu que a chave para o crescimento – e até para a sobrevivência – é a inovação. De acordo com o autor Zogbi (2014), muitas das di�culdades que encontramos para sermos mais criativos e gerarmos mais inovações partem de nós mesmos. A busca por uma solução em campos de conhecimento distintos pode ser difícil e complexa, devido à chamada “inércia psicológica” das pessoas que acabam limitando suas ações dentro da área que dominam e não pensam fora de sua especialidade. A inércia psicológica – ou falta de disposição para a mudança – ecoa em frases como estas, que você provavelmente já ouviu em diversos momentos pro�ssionais: “Nós sempre �zemos isso dessa forma”, “Tentamos isso há 10 anos e não funcionou”, “Eu não sou pago para melhorar as coisas, apenas para pressionar este botão”, “Isso nunca vai funcionar aqui”. De acordo com Duailibi e Simonsen Jr. (1990), a primeira conclusão, e talvez a mais importante, é que a criação e o julgamento nunca devem ser exercidos ao mesmo tempo. Sair da inércia, procurar novas soluções e chegar à inovação é um caminho explorado pela nossa contemporaneidade. A respeito do tema, não faltarão estudos, novos conceitos e teorias. Disciplina PROCESSO DE CRIATIVIDADE Podemos mencionar a Teoria da Resolução de Problemas Inventivos (TRIZ), que surgiu a partir do trabalho de Altshuller (anos 1950) e foi adotada internacionalmente nos anos 1970 (Pires, 2014). “TRIZ é uma metodologia sistemática, orientada ao ser humano, baseada em conhecimento, para a solução inventiva de problemas e aprendizado organizacional” (Savransky apud Pires, 2014, p. 3). Em um artigo de 1998 para o jornal Triz, James Kowalick de�niu como inércia psicológica uma indisposição à mudança – uma certa “estagnação” devido a uma programação humana. Também representa a impossibilidade – enquanto uma pessoa é guiada por seus hábitos – de se comportar sempre de uma maneira melhor. Siga em Frente... O conceito de autopoiese (Maturana; Varela, 1980) de�ne que o mundo ao nosso redor existe porque o nosso interior interage com ele, gerando o �uxo constante de ações e reações que desenham nosso percurso de vida. Isso só reforça a nossa singularidade. Então, quando identi�camos alguns tipos de bloqueios, nos referimos a algumas condições que se repetem regularmente nas pessoas, criam um padrão comportamental que tem a ver com a nossa necessidade de adequação social (pessoal e pro�ssional). Poiesis é um termo grego que signi�ca produção. Autopoiese quer dizer autoprodução. Bloqueios mentais são obstáculos que nos impedem de perceber corretamente o problema ou conceber uma solução. Pela ação destes bloqueios nós nos sentimos incapazes de pensar algo diferente, mesmo quando nossas respostas usuais não funcionam mais. Os bloqueios são paredes invisíveis que nos impedem de sair dos estreitos limites do cubículo que construímos ao longo dos anos (Siqueira, 2015, p. 23). Reconhecer que temos nossos próprios bloqueios e saber lidar com eles é a melhor forma de não nos desiludirmos e percebermos que podemos caminhar pela via da inovação. La Torre (2008) a�rma que os obstáculos ao desenvolvimento da criatividade podem surgir por diversas frentes: De nós mesmos, seja em nível mental ou emocional. Do próprio meio sociocultural. Do ambiente escolar. Os bloqueios, também chamados de barreiras, são abordados por várias vertentes que estudaremos mais a fundo posteriormente. As principais linhas de investigação (Wechsler, 2002) são: Bloqueios culturais: são bloqueios ao pensamento e ao comportamento criativo. Advêm, em primeiro lugar, da própria sociedade. A sociedade pune ou exclui o indivíduo que é Disciplina PROCESSO DE CRIATIVIDADE diferente. Como já foi estudado anteriormente, a ligação entre criatividade e loucura surge do modo e da di�culdade de lidar com as diferenças individuais. Bloqueios perceptuais: são barreiras ligadas à incapacidade de resolver problemas criativamente. O indivíduo se fecha às novas percepções, tem di�culdade de olhar o mesmo fato, problema ou situação sob um diferente ponto de vista, não tendo �exibilidade necessária ao processo criativo. Bloqueios emocionais: são os bloqueios internos à criatividade e constituem um grande impedimento para o comportamento ou realização criativa. Esses bloqueios vão se constituindo através da história de vida da pessoa e de sua interação com a família e com a sociedade. De acordo com a autora, todos esses bloqueios, isoladamente ou combinados, levam o indivíduo a ter medo de se arriscar, e a coragem de se arriscar é um dos principais componentes do comportamento inovador e criativo. O autor Predebon (2002) apresenta os bloqueios mais comuns à criatividade: Acomodação: caracterizada por certo imobilismo, cultivado a partir da valorização da rotina confortável e do "não desa�o", do previsível. Miopia estratégica: falta de boa percepção do contexto e sua dinâmica. A miopia geralmente nasce de um nível exagerado de egocentrismo. Imediatismo: constituído pelo posicionamento simplista de "ir direto ao ponto". Insegurança: comum falta de con�ança, peculiar às pessoas com necessidade exagerada de aprovação. Pessimismo: inimigo de todo e qualquer tipo de investimento, pelo palpite invariável de que "não dará certo". Timidez: característica de personalidade que inibe a apresentação de atitudes e comportamentos mais assertivos,necessários na discussão das iniciativas peculiares à criatividade. Prudência: qualidade pessoal que, a partir de certo grau, passa a se caracterizar simplesmente como medo, com óbvio prejuízo de todas as iniciativas necessárias no campo da criatividade e das inovações. Desânimo: falta generalizada de motivação e estímulo. Dispersão: comum falta de administração do tempo, que di�culta ou impede a implementação de qualquer projeto que não esteja ligado às necessidades imediatas, o que provoca permanentemente adiamento das iniciativas inovadoras. Historicamente, sabemos que alguns artistas foram aos limites (alguns ultrapassaram) da desadequação em prol da sua arte, o que gerou problemas pessoais para eles, mas ao mesmo tempo criou possibilidades de ruptura, trazendo novidades. É o que chamamos de vanguarda. Vamos Exercitar? Vamos retornar ao problema inicial desta aula, em que Pedro precisa auxiliar seus alunos a superar os bloqueios criativos e solucionar o exercício proposto. Disciplina PROCESSO DE CRIATIVIDADE Diante dos bloqueios criativos apresentados pelos alunos durante o exercício, Pedro pode adotar diversas estratégias para ajudá-los a superar tais barreiras e atingir os objetivos propostos. Algumas atitudes que ele poderia incluir: Incentivar a experimentação: encorajar os alunos a se envolverem ativamente no exercício, lembrando-os de que a prática é essencial para o desenvolvimento das habilidades criativas. Fornecer suporte individualizado: oferecer orientação individual aos alunos que estão enfrentando di�culdades, demonstrando técnicas básicas de desenho e incentivando a expressão livre e sem julgamentos. Promover um ambiente acolhedor: criar um ambiente de aprendizagem positivo e encorajador, no qual os alunos se sintam à vontade para expressar suas ideias e opiniões sem medo de críticas ou julgamentos. Apresentar exemplos inspiradores: compartilhar exemplos de trabalhos de outros artistas e pro�ssionais renomados, destacando suas jornadas e superações, para inspirar os alunos e mostrar que a prática e a persistência são fundamentais para o desenvolvimento criativo. Integrar diferentes abordagens: explorar diferentes abordagens para expressão criativa, como o uso de outras formas de arte, além do desenho, e incentivar os alunos a explorar novas perspectivas e técnicas para expressar suas ideias. Ao adotar essas estratégias, Pedro pode ajudar os alunos a superar os bloqueios criativos, promovendo um ambiente de aprendizagem que valoriza a experimentação, a expressão e o desenvolvimento das habilidades criativas. Saiba mais Para complementar seus estudos, indicamos um �lme que aborda a superação de bloqueios criativos e a jornada de autodescoberta. Esse �lme se chama Sociedade dos Poetas Mortos. Lançado em 1989 e dirigido por Peter Weir, o �lme estrelado por Robin Williams retrata a vida de um grupo de estudantes em uma escola preparatória conservadora, e como um professor de literatura inspira seus alunos a desa�ar as normas sociais e a expressar sua criatividade por meio da poesia. A história destaca a importância da liberdade de expressão, do pensamento crítico e da atualização na jornada de autodescoberta e no desenvolvimento criativo. Referências DUAILIBI, R.; SIMONSEN JR., H. Criatividade & Marketing. São Paulo: M. Books, 2008. KELLEY, T.; KELLEY, D. Con�ança criativa: libere sua criatividade e implemente suas ideias. São Paulo: HSM do Brasil, 2014. LA TORRE, S. Criatividade aplicada: recursos para uma formação criativa. São Paulo: Madras, 2008. Disciplina PROCESSO DE CRIATIVIDADE MATURANA, H. E.; VARELA, F. Autopoiese e cognição. Porto Alegre: Medical, 1980. PREDEBON, J. Criatividade: abrindo o lado inovador da mente. São Paulo: Atlas, 2002. ROSENFELD, R.; SERVO, G. Business and creativity. The Futurist, p. 21-26, ago. 1984. SAVRANSKY, S. Engineering of creativity: introduction to TRIZ methodology of inventive problem solving. USA: CRC Press, 2000 SIQUEIRA, J. Criatividade aplicada. Rio de Janeiro, 2015. Disponível em: https://docplayer.com.br/4646253-Criatividade-aplicada.html. Acesso em: 4 jan. 2024. WECHSLER, S. M. Criatividade. Descobrindo e encorajando. Campinas: Livro Pleno, 2002. ZOGBI, E. Criatividade: o comportamento inovador como padrão natural de viver e trabalhar. São Paulo: Atlas, 2014. Aula 3 Condições para "Criaticidades" Condições para “Criaticidades” Este conteúdo é um vídeo! Para assistir este conteúdo é necessário que você acesse o AVA pelo computador ou pelo aplicativo. Você pode baixar os vídeos direto no aplicativo para assistir mesmo sem conexão à internet. Estudante, esta videoaula foi preparada especialmente para você. Nela, você irá aprender conteúdos importantes para a sua formação pro�ssional. Vamos dar um play? Bons estudos! Ponto de Partida Nesta aula, estudaremos especi�camente as chamadas cidades criativas ou "criaticidades". Veremos como a criatividade pode auxiliar na economia de cidades e países, desenvolvendo o setor da economia criativa, considerada a economia do século XXI. Disciplina PROCESSO DE CRIATIVIDADE Nesta unidade, estamos acompanhando a trajetória do arquiteto e professor renomado chamado Pedro. Como já foi apresentado anteriormente, além de atuar como docente em uma universidade prestigiada, Pedro é reconhecido por suas contribuições para o desenvolvimento inovador em sua cidade. Recentemente, ele foi convidado a participar da elaboração de um relatório com sugestões para promover o desenvolvimento urbano criativo na região em que reside. Para isso, Pedro precisa realizar um levantamento detalhado da arquitetura, da história e da cultura local, a �m de compor um relatório que reconheça as singularidades criativas da cidade. Quais informações serão necessárias para compor o relatório? E se você tivesse que desenvolver esse relatório, como faria o levantamento cultural e econômico de sua cidade? Quais informações deverão constar em seu relatório? Qual a singularidade cultural de sua cidade? Vamos responder a esses questionamentos no �nal desta aula! Vamos Começar! Os fatores de produção tradicionais – capital, trabalho e recursos naturais – já não são su�cientes para assegurar o progresso. Cada vez mais o conhecimento e a tecnologia assumem papel estratégico no processo de desenvolvimento econômico. Contudo, apenas o acúmulo de conhecimento também não é su�ciente. É necessária sua aplicação, tornando-o tão lucrativo quanto ativos tangíveis, ou em última instância, é necessário inovar, aplicar o conhecimento na solução de problemas concretos. O autor Bilich (apud Ferreira et al., 2004) alerta que o desenvolvimento das novas tecnologias, por meio de software e hardware, está permitindo que as máquinas façam não só o trabalho operacional (que era feito pelas pessoas), como também o trabalho mental rotineiro. O que resta, então, ao homem é o pensamento criativo. Seguindo esta linha, o autor Parolin (2003) defende que o anseio de criar é um dos desejos básicos do ser humano, mas está sendo sufocado pelo paradigma da modernidade, que apregoa que a motivação do ser humano para o trabalho seja preferencialmente econômica. Essas, entre tantas outras a�rmações, são vistas como premissas para um maior engajamento e encorajamento referente ao uso da criatividade como saída para os problemas da sociedade moderna. Pereira et al. (1999) ressaltam que a criatividade deve ser mola propulsora para se alcançar resultados em plena era do conhecimento. Segundo Kao (1997), é a criatividade que faz o conhecimento ser aplicável e progressivamente mais útil. A importância do conhecimento não é uma constatação recente. Há muito esse conceito re�ete a ideia de poder. Entretanto, somente nas últimas décadas as organizações descobriram que a capacidade de gerar e utilizar conhecimento dentro da organização é elemento básico capaz de criar competências e identidades especí�cas, proporcionando, portanto, diferenciais competitivos e crescimento econômico (Vasconcelos et al., 2023). A relevância que a criatividade vemde resolver problemas criativamente. De acordo com o autor Mackinnon (1978), existem cinco critérios necessários para avaliar o produto criativo: Originalidade: os produtos mais criativos são aqueles que são originais em toda a civilização ou história da humanidade. Adaptação à realidade: o simples fato de ser original não quer dizer que seja criativo. É necessário que o produto sirva para resolver um problema ou para alcançar um determinado objetivo – isto é, que seja adaptado à realidade. Elaboração: é necessário que o produto seja desenvolvido e comunicado. Dessa forma, o produto poderá ser avaliado quanto à sua possibilidade de utilização pela sociedade. Solução elegante: a solução do produto é simples, porém estética. Transformação de princípios antigos: que o produto transcenda, transforme ou revolucione os princípios até então aceitos pela sociedade. Atualmente, é evidente uma crescente busca de empresas pela �delização de clientes, por meio da oferta de serviços que garantam satisfação, conveniência e experiências memoráveis e emocionais. Observa-se um claro investimento por parte das organizações na capacitação e no estímulo da inteligência criativa de seus colaboradores como uma ferramenta estratégica essencial (Gomes; Lapolli, 2014). Mapa mental como ferramenta de criatividade O mapa mental é considerado uma ferramenta de organização e representação visual de ideias, frequentemente utilizada para estimular a criatividade e a geração de conceitos inovadores. Ao desenhar um mapa mental, é possível criar conexões entre ideias aparentemente desconexas, facilitando a compreensão de problemas complexos e o desenvolvimento de soluções criativas (Lessa; Santos, 2023). Por meio de sua estrutura não linear, o mapa mental encoraja uma abordagem livre e não restritiva à resolução de problemas, permitindo que o usuário explore várias perspectivas e alternativas. Assim, ao visualizar as relações entre diferentes conceitos, o indivíduo é capaz de identi�car padrões e descobrir novas maneiras de abordar desa�os, promovendo, assim, a inovação e o pensamento original. Além disso, o mapa mental oferece uma visão panorâmica de um tópico especí�co, o que facilita a identi�cação de lacunas no conhecimento e áreas que se destacam para mais desenvolvimento (Lessa; Santos, 2023). Ele também pode servir como um guia prático durante o Disciplina PROCESSO DE CRIATIVIDADE processo criativo, ajudando a manter o foco em ideias-chave e a evitar a perda de informações importantes. Diante dessas características, podemos dizer que ao incorporar o mapa mental em práticas de brainstorming e planejamento, os pro�ssionais podem ampliar sua capacidade de gerar e organizar ideias de forma e�caz, impulsionando a inovação em diferentes contextos pro�ssionais. Com sua �exibilidade e adaptabilidade, o mapa mental se torna uma ferramenta valiosa para promover a criatividade e a resolução de problemas em diversas áreas, desde negócios e empreendedorismo até educação e desenvolvimento pessoal. Considerando os pontos apresentados nesta aula, é possível perceber que à medida que nos aprofundamos nas teorias da criatividade e no processo criativo, compreendemos que a criatividade não surge por acaso, mas é resultado de um esforço mental concentrado e de um percurso composto por projetos especí�cos. Assim, ao explorar o mapa mental como uma ferramenta de criatividade, percebemos sua capacidade de promover a conexão de ideias e o desenvolvimento de soluções inovadoras em diferentes contextos pro�ssionais. Sua �exibilidade e adaptabilidade o tornam uma ferramenta útil para a aplicação da inovação e a resolução de problemas em diversas áreas da vida e do trabalho. Vamos Exercitar? Agora que exploramos os fundamentos teóricos da criatividade, vamos retornar ao problema inicial desta aula, em que Alex decide entrar no mundo do empreendedorismo e lançar seu próprio negócio. Ele está enfrentando o desa�o de apresentar sua proposta de forma criativa aos investidores. Alex pode utilizar a ferramenta do mapa mental para enfrentar os desa�os relacionados à apresentação de sua ideia de negócio a potenciais investidores. Para começar, ele pode criar um mapa mental detalhado, representando visualmente os principais aspectos de sua proposta empresarial. Pode iniciar de�nindo claramente o objetivo central de seu empreendimento, rami�cando em direção a áreas-chave como o modelo de negócios, os recursos necessários e o público-alvo pretendido. Em seguida, ele poderá explorar os diferentes cenários de implementação de sua ideia, considerando fatores como estratégias de marketing, análise de concorrência e potenciais desa�os operacionais. Ao conectar esses elementos de forma visual, ele poderá identi�car lacunas e oportunidades em sua proposta, permitindo-lhe ajustar e aprimorar sua abordagem de acordo. Ele também pode usar o mapa mental para destacar os pontos fortes e diferenciais do seu negócio, evidenciando aspectos que o tornam único e atraente para potenciais investidores. Isso ajuda a destacar a inovação e a criatividade inerentes à sua proposta, demonstrando uma compreensão profunda do mercado e das necessidades dos clientes. Disciplina PROCESSO DE CRIATIVIDADE Por �m, você poderia ajudar Alex a superar suas dúvidas e inseguranças em relação ao processo criativo e à busca de apresentar soluções inovadoras e criativas para seus investidores, encorajando-o a compartilhar seu mapa mental com mentores e colegas empreendedores, buscando feedback e insights importantes que possam enriquecer ainda mais sua apresentação. Ao adotar essa abordagem baseada em mapas mentais, Alex terá uma visão clara e abrangente de sua proposta de negócio, aumentando suas chances de sucesso ao apresentar sua ideia a potenciais investidores. Além do uso do mapa mental, você pode considerar outras estratégias e ferramentas que podem complementar e enriquecer o processo criativo de Alex. Por exemplo, a realização de pesquisas de mercado desenvolvidas e a análise aprofundada do comportamento do consumidor podem fornecer informações úteis que contribuem para a identi�cação de necessidades não atendidas e oportunidades de diferenciação no mercado. Ao considerar essas possibilidades adicionais de resolução, você pode ajudar Alex a desenvolver uma abordagem abrangente e estratégica para o lançamento de seu empreendimento, permitindo-lhe superar desa�os e alcançar o sucesso no mundo dinâmico dos negócios. Saiba mais Recomenda-se o livro Empreendedorismo: Transformando Ideias em Negócios, de José Dornelas, que fornece orientações práticas para o desenvolvimento de habilidades empreendedoras e a implementação de ideias criativas e inovadoras. O capítulo "Habilidades do Empreendedor e Processo Mundial Empreendedor" oferece insights importantes das habilidades essenciais necessárias para se destacar no mercado. DORNELAS, J. Empreendedorismo: transformando ideias em negócios. 6. ed. São Paulo: Empreende/Atlas, 2016. Referências GOMES, R. K.; LAPOLLI, E. M. Os estímulos e barreiras à criatividade no ambiente organizacional. Revista Borges, v. 4, p. 3-12, 2014. LESSA, A.; SANTOS, C. O mapa mental como metodologia ativa no ensino de leitura. Scripta, v. 27, n. 59, p. 92-117, 2023. MACKINNON, D. W. In search of human effectiveness: identifying and developing creativity. Creative Education Foundation, 1978. NEVES-PEREIRA, M. S.; FLEITH, D. de S. (org.) Teorias da Criatividade. Campinas: Alínea, 2020. PATRÍCIO, F. S. Desenho de moda: processos criativos na representação visual da �gura humana e do vestuário. 2017. Dissertação (Mestrado em Têxtil e Moda) - Escola de Artes, Ciências e Disciplina PROCESSO DE CRIATIVIDADE Humanidades, Universidade de São Paulo, São Paulo. Aula 2 Contextualização sobre as Teorias da Criatividade Contextualização sobre as teorias da criatividade Este conteúdo é um vídeo! Para assistir este conteúdo é necessário que você acesse o AVA pelo computador ou pelo aplicativo. Você pode baixar os vídeos direto no aplicativo paraganhando no mundo contemporâneo não está limitada ao contexto das descobertas cientí�cas ou da produção cultural – o que muitas vezes caracteriza a Disciplina PROCESSO DE CRIATIVIDADE noção de senso comum (Vasconcelos et al., 2023). Colossi (2004) defende que, dentre os vários campos nos quais a criatividade vem ganhando expressão, a aprendizagem, o desenvolvimento e a gestão organizacional merecem destaque. Isso porque a criatividade vem se evidenciando na criação de novos produtos, novos processos, novos serviços e, principalmente, na solução de problemas por parte das empresas. Ela também é parte atuante na economia. E para esse setor surge o termo economia criativa. O conceito de economia criativa é recente e tem sido cada vez mais reconhecido. Basicamente, surgiu para designar modelos de negócio que se caracterizam por atividades, produtos ou serviços desenvolvidos a partir do conhecimento – ou seja, da criatividade, do capital intelectual – visando à geração de trabalho e renda. Enquanto a economia tradicional se constrói a partir da manufatura, agricultura e comércio, a economia criativa tem seu foco na imaginação e na capacidade intelectual aplicadas à geração de renda. Grande parte da economia criativa vem de setores como cultura, moda, design, música e artesanato, e também se ressaltam as atividades do setor da tecnologia e inovação, como o desenvolvimento de softwares, jogos eletrônicos e aparelhos de celular (Sebrae, 2016). A economia criativa é a nova economia do século XXI, da demanda inteligente, de empreendedores que usam o cérebro para lucrar. É a economia da genialidade, como a de Steve Jobs, que utilizava a criatividade para gerar empregos melhores, produtos inovadores e crescimento econômico. Siga em Frente... Diversidade cultural, inclusão social, sustentabilidade e inovação – princípios norteadores dos planos de ação dos diferentes setores envolvidos pela economia criativa – são valores que se agregam aos bens e serviços, garantindo-lhes maior competitividade. É neste contexto que surgem as cidades criativas (também conhecidas como criaticidades). Uma abordagem de criaticidade trata-se de cidades e espaços criativos nos quais as conexões, as inovações e a própria cultura revelam e valorizam as peculiaridades locais, em dimensões complementares como a econômica, a cultural, a social, a urbana e a turística. As vantagens trazidas por essa integração são inúmeras: Diversidade social. Retenção e atração de talentos. Acréscimo na oferta de empregos. Acréscimo na produção cultural e artística na cidade. Acréscimo no potencial criativo das empresas. Atração de turistas. As cidades criativas estão intimamente ligadas à economia criativa que bene�cia a economia da cidade e a qualidade de vida de seus cidadãos. Na economia criativa, é necessário promover projetos com foco em produção artística e cultural e incentivar o empreendedorismo. Disciplina PROCESSO DE CRIATIVIDADE O mesmo site a�rma que o processo de uma cidade criativa segue os seguintes passos: 1. As pessoas têm conhecimento a respeito das áreas em que atuam. 2. Alguém cria um projeto. 3. A pessoa prepara o projeto para busca e recebimento de investimento. 4. Investimento garantido, o criador do projeto tem a possibilidade de implantá-lo e, dessa forma, gerar renda. 5. O crescimento do projeto gera novas oportunidades na região e pode gerar novas ideias em outros pro�ssionais criativos. Em cidades criativas, há abundância de inovações econômicas, sociais, culturais (inovações entendidas como soluções para problemas e oportunidades), conexões (entre áreas da cidade, entre grupos sociais, entre público e privado, entre local e global) e cultura (por seus valores culturais, por seu impacto econômico e por gerar um ambiente mais propício à criatividade). Uma cidade criativa está em permanente processo de transformação. Segundo Madeira (2014), cada país adota políticas e ações singulares ao seu patrimônio cultural na construção de sua economia criativa. Essa singularidade é o que faz diferença no momento em que se inserem no mercado de bens simbólicos. Uma cidade criativa estimula a inserção de uma cultura de criatividade no modo como se participa da cidade. Ao incentivar a criatividade e legitimar o uso da imaginação nas esferas pública, privada e da sociedade civil, amplia-se o conjunto de ideias de soluções potenciais para qualquer problema urbano. Este tipo de cidade demanda infraestruturas que vão além do hardware – edifícios, ruas ou saneamento. Uma infraestrutura criativa é uma combinação de hard e soft, incluindo a infraestrutura mental, o modo como a cidade lida com oportunidades e problemas; as condições ambientais que ela cria para gerar um ambiente e os dispositivos que fomenta para isso, por meio de incentivos e estruturas regulatórias. De acordo com Reis (2010), uma cidade criativa é aquela que surpreende, estimula a curiosidade, fomenta o pensamento alternativo e, consequentemente, inspira a busca de soluções criativas para os problemas. As cidades criativas contam com três elementos: inovações, conexões e cultura. INOVAÇÕES CONEXÕES CULTURA Disciplina PROCESSO DE CRIATIVIDADE Inovações podem ser entendidas como criatividade aplicada à solução de problemas ou à antecipação de oportunidades. As conexões se dão em diversas dimensões: histórica, entre o passado da cidade; geográ�ca, entre bairros e zonas; de governança, com a participação dos setores público, privado e da sociedade civil; de diversidades, aglutinando pessoas com distintos pontos de vista, pro�ssões, culturas, comportamentos; entre local e global, preservando as singularidades da cidade, sem por isso se isolar do mundo. A cultura se insere na cidade criativa sob quatro formas mais visíveis: por seu conteúdo cultural, compreendendo produtos, serviços, patrimônio (material e imaterial) e manifestações de caráter único; pelas indústrias criativas, abrangendo cadeias culturais; da criação à produção; do consumo ao acesso, com impacto econômico na geração de emprego, renda e arrecadação tributária. Quadro 1 | Elementos das cidades criativas. Fonte: adaptado de Reis (2011). Diante disso, percebemos que o conceito de criatividade não se limita ao contexto das descobertas cientí�cas ou da produção cultural, estendendo-se também à aprendizagem, ao desenvolvimento e à gestão organizacional. O conceito emergente de economia criativa ganha destaque, re�etindo um novo paradigma econômico que se baseia na imaginação e no capital intelectual. Cidades criativas, ou criaticidades, se esforçam para integrar atividades sociais, culturais e artísticas com o setor governamental e a indústria, resultando em diversidade social, retenção de talentos, aumento da produção cultural e criativa, entre outros benefícios. A infraestrutura de uma cidade criativa vai além das estruturas físicas, abrangendo também incentivos e regulamentações para promover um ambiente propício à criatividade e à inovação. Vamos Exercitar? Vamos lá, é hora de ajudar o Pedro a fazer um levantamento da arte e da cultura de sua cidade e elaborar um relatório que tem como objetivo considerar as singularidades criativas do lugar. Para isso, vamos pensar em algumas sugestões que podem servir como necessárias para compor o relatório e fazer um levantamento econômico-cultural da cidade de Pedro. Disciplina PROCESSO DE CRIATIVIDADE Para fazer esse relatório, você pode indicar a Pedro que realize um levantamento detalhado sobre a arquitetura, a história e a cultura local, a �m de compor um relatório que reconheça as singularidades criativas da cidade. Dessa forma, ele também pode começar investigando os marcos interessantes relevantes, os espaços urbanos signi�cativos e os eventos culturais proeminentes que caracterizam a região. Além disso, ele deve compreender a interação entre a arquitetura local e a cultura, identi�cando como esses elementos se entrelaçam e in�uenciam a identidade da cidade. Com base nessas informações, Pedro terá condições de desenvolver umrelatório abrangente que destaca os especialistas culturais e arquitetônicos especí�cos de sua cidade, propondo estratégias inovadoras para fomentar a criatividade e o desenvolvimento sustentável da região. Para facilitar o processo de aprendizagem, experimente fazer uma pesquisa acerca da cultura de sua cidade e tente identi�car a sua identidade cultural. Elabore sugestões de como auxiliar a torná-la uma “criaticidade”. Identi�que e relacione os pontos positivos e os negativos, bem como os possíveis bloqueadores. Saiba mais Para que você se envolva ainda mais com esse assunto, indicamos que você assista ao �lme Em busca da Felicidade. Você já conhece? Se sim, assista novamente, se não, certamente você vai conseguir perceber os conceitos trabalhados na teoria sendo aplicados na prática. Referências COLOSSI, L. Características de ambientes organizacionais orientados ao comportamento criativo. 2004. 188f. Dissertação (Mestrado em Psicologia) - Universidade Federal de Santa Catarina, Florianópolis, 2004. FERREIRA, M. A. M. et al. Temas em métodos quantitativos. Lisboa: Silabo, 2004. KAO, J. J. A arte e a disciplina da criatividade na empresa. Rio de Janeiro: Campus, 1997. MADEIRA, M. G. Economia criativa: implicações e desa�os para a política brasileira. Brasília: FUNAG, 2014. PAROLIN, S. R. A criatividade nas organizações: um estudo comparativo das abordagens sócio interacionistas de apoio à gestão empresarial. Caderno de Pesquisas em Administração, v. 10, n. 1, p. 9-26, 2003. PEREIRA, B. A. D. et al. A in�uência da criatividade para o sucesso estratégico organizacional. In: Anais do 23º Encontro Anual da Associação Nacional dos Programas de Pós-Graduação em Administração, v. 1, p. 1-10, Foz do Iguaçu, set. 1999. Disciplina PROCESSO DE CRIATIVIDADE REIS, A. C. F. (org.). Cidades Criativas, Soluções Inventivas – o papel da Copa, das Olimpíadas e dos museus internacionais. São Paulo: Garimpo de Soluções e FUNDARPE, 2010 (no prelo). VASCONCELOS, B. F. et al. A criatividade no Processo Inovativo: Uma perspectiva conceitual. InGeTec –Inovação, Gestão & Tecnologia, jul. 2023. SEBRAE NACIONAL. O que é economia criativa. Sebrae, 7 jan. 2016. Disponível em: https://sebrae.com.br/sites/PortalSebrae/artigos/o-que-e-economia- criativa,3fbb5edae79e6410VgnVCM2000003c74010aRCRD#:~:text=Economia%20Criativa%20%C 3%A9%20um%20termo,gera%C3%A7%C3%A3o%20de%20trabalho%20e%20renda. Acesso em: 4 jan. 2024. Aula 4 Tipos de Bloqueios da Criatividade Tipos de bloqueios da criatividade Este conteúdo é um vídeo! Para assistir este conteúdo é necessário que você acesse o AVA pelo computador ou pelo aplicativo. Você pode baixar os vídeos direto no aplicativo para assistir mesmo sem conexão à internet. Estudante, esta videoaula foi preparada especialmente para você. Nela, você irá aprender conteúdos importantes para a sua formação pro�ssional. Vamos assisti-la? Bons estudos! Ponto de Partida Nesta aula, estudaremos os tipos de bloqueios e barreiras para a criatividade. Compreenderemos como fatores culturais, ambientais, intelectuais, emocionais, perceptivos e de comunicação podem impedir o �uxo criativo. É bem provável que você se reconheça nos exemplos e situações descritas neste conteúdo. Para auxiliar, retornaremos ao nosso renomado arquiteto Pedro, que também atua como professor na universidade. Nas últimas seções, você acompanhou e auxiliou no desenvolvimento de uma palestra; nos primeiros desa�os criativos de Pedro e seus alunos em sala de aula; e na Disciplina PROCESSO DE CRIATIVIDADE elaboração de um relatório cultural para que a cidade onde Pedro mora pudesse adotar o conceito de cidade criativa ou "criaticidade". Nesta seção, veremos que, a pedido do reitor da universidade em que leciona, Pedro foi convidado a desenvolver um treinamento criativo com os funcionários da instituição. São professores, coordenadores, pro�ssionais de limpeza e da secretaria, entre outros setores. De acordo com o reitor, o treinamento tem como objetivo auxiliar os funcionários a superar seus bloqueios criativos e, dessa forma, estimular novas ideias e a resolução dos problemas do dia a dia de forma criativa e inovadora. Como você poderá auxiliar Pedro no desenvolvimento da proposta de treinamento criativo? A leitura dos conceitos de nosso livro didático poderá auxiliá-lo. Vamos Começar! Todo ser humano tem grande potencial criativo, embora nem sempre esse potencial seja explorado e expresso em sua totalidade. As análises de pesquisas tratando de criatividade apontam os bloqueios como causas responsáveis por inibir a manifestação do processo criativo. Para que a criatividade �ua livremente e novas ideias apareçam, é preciso eliminar velhos conceitos. É necessário combater as nossas tendências naturais contrárias à inovação, pois quando elas se tornam radicais, passam a representar verdadeiros bloqueios. Esses bloqueios da criatividade, como quase todos os problemas que enfrentamos, geralmente estão bem dentro de nós, e di�cilmente temos consciência de sua existência. Reconhecer que temos nossos próprios bloqueios e saber lidar com eles é a melhor forma de caminhar pela via da inovação. Disciplina PROCESSO DE CRIATIVIDADE Figura 1 | Fatores da inovação. Fonte: adaptada de Alencar (1996). Como já observamos, os bloqueios mentais são obstáculos que nos impedem de perceber corretamente o problema ou conceber uma solução. Pela ação dos bloqueios, nos sentimos incapazes de pensar em algo diferente, mesmo quando nossas respostas usuais já não funcionam mais. Relembrando Torre (2008), os obstáculos ao desenvolvimento da criatividade podem surgir por diferentes frentes: seja de nós mesmos (em nível mental ou emocional), seja do meio sociocultural ou do ambiente escolar. Para o autor, o primeiro passo, imprescindível, é identi�car esses obstáculos e tomar consciência deles. Já o autor Predebon (2002) relaciona os seguintes bloqueios mais comuns à criatividade: acomodação, miopia estratégica, imediatismo, insegurança, pessimismo, timidez, prudência, desânimo e dispersão. Veja se você se identi�ca com alguns desses bloqueios. Reveja os detalhes dos bloqueios citados por Predebon (2002) na seção anterior. Por sua vez, a autora Disciplina PROCESSO DE CRIATIVIDADE Wechsler (2002) ressalta que são consideradas variáveis in�uenciadoras na criatividade as barreiras culturais, perceptuais e emocionais. Já o autor Predebon (2002) relaciona os seguintes bloqueios mais comuns à criatividade: acomodação, miopia estratégica, imediatismo, insegurança, pessimismo, timidez, prudência, desânimo e dispersão. Veja se você se identi�ca com alguns desses bloqueios. Reveja os detalhes dos bloqueios citados por Predebon (2002) na seção anterior. Por sua vez, a autora Wechsler (2002) ressalta que são consideradas variáveis in�uenciadoras na criatividade as barreiras culturais, perceptuais e emocionais. Figura 2 | Tipos de bloqueios. Fonte: adaptada de Wechsler (2002). As barreiras culturais são bloqueios ao pensamento e ao comportamento criativo e surgem, em primeiro lugar, na própria sociedade. Dentre as barreiras culturais que impedem a manifestação da criatividade, destacam-se as seguintes, segundo Jones (apud Wechsler, 2002): Orientação para a estabilidade. Punição ou exclusão daquele que diverge da norma. Valorização da lógica e descrédito pela intuição. Preferência pela tradição em vez de mudanças. Medo do ridículo. Cabe ressaltar que a sociedade pune ou exclui o indivíduo que é diferente. A ligação, muitas vezes encontrada entre a criatividade e a loucura advém do modo e da di�culdade de lidar com as diferenças individuais. Disciplina PROCESSO DE CRIATIVIDADE Siga em Frente... O indivíduo que diverge das normas da sociedade incomoda, quebra as estruturas. Por seu lado, a sociedade se agarra a regras e a tradições para justi�car a importância do status quo (termo latino que leva à ideia de manter da forma que sempre foi) e desvaloriza o que é subjetivo e não mensurável, como a fantasia e a intuição. O medode ser ridicularizado, de não ser amado faz com que o indivíduo acabe por aceitar, muitas vezes, as barreiras impostas pela sociedade. Outra barreira cultural que é causadora de grandes desajustes emocionais e tem um enorme efeito repressor na criatividade é a expectativa de comportamentos e atitudes que se enquadrem no papel imposto pela sociedade. A contracultura é um exemplo de movimento das décadas de 1960 e 1970, iniciado por jovens de várias partes do mundo, inclusive no Brasil, contra os padrões da sociedade, tendo a juventude representado a possibilidade de mudanças e inovações na época. Alvin L. Simberg (apud Torre, 2008) indica-nos, entre outros bloqueios culturais, a exigência social de sermos práticos e econômicos. Naturalmente, são qualidades que não se ajustam à livre imaginação, à fantasia nem ao processo de incubação, que escapa a qualquer tentativa de controle produtivo. As barreiras perceptuais são aquelas que surgem de nosso próprio modelo de mundo, ou seja, surgem da maneira com que percebemos o mundo ao nosso redor. Alguns exemplos são mencionados por Wechsler (2002): Di�culdade de perceber ou de ser sensível a problemas. Busca de soluções rápidas e imediatas. Pensamentos rígidos. Inabilidade em suspender julgamentos e críticas. Esses bloqueios estão diretamente ligados à incapacidade de resolver problemas criativamente. Wechsler (2002) complementa que, para que um indivíduo possa superar essas di�culdades, ele deve ser capaz de realizar uma reestruturação cognitiva, ou ser cognitivamente �exível, para que o problema seja reformulado e possa gerar novas possibilidades de soluções. O estado de desconforto ou insatisfação é o pré-requisito para a tentativa de mudança. Assim como todas as outras barreiras, as barreiras perceptuais criam uma di�culdade, uma limitação. A percepção está diretamente ligada aos órgãos dos sentidos (visão, audição, tato, paladar, olfato). Uma barreira, um obstáculo ou um bloqueio, neste caso, impede o indivíduo de perceber além do óbvio. As barreiras emocionais são consideradas barreiras internas à criatividade e constituem um grande impedimento para o comportamento ou realização criativa. Essas barreiras vão se constituindo através da história de vida da pessoa e de sua interação com a família e com a sociedade. Jones (apud Wechsler, 2002) distingue as seguintes barreiras ou bloqueios emocionais que atrapalham a manifestação criativa: Disciplina PROCESSO DE CRIATIVIDADE Medo do fracasso – não se arriscar, tentar menos para não sofrer ou ter vergonha. Medo de brincar – estilo sério e lógico de resolver problemas. Medo de parecer bobo por estar fazendo algo diferente. Miopia de recursos – não conseguir enxergar os seus próprios aspectos positivos ou pontos fortes, persistir em um comportamento que não tem mais função, não questionar as próprias atitudes. Evitar a frustração – desistir muito rápido frente aos obstáculos, evitar a dor ou desconforto que estão sempre associados às mudanças e situações novas. Imaginação empobrecida – desvalorizar ou ignorar a vida inteira o poder das imagens. Preferência por coisas ou situações objetivas. Medo do desconhecido – medo de situações ambíguas, em que não há probabilidade certa de ter sucesso, necessidade de saber o futuro antes de ir em frente. Necessidade de equilíbrio – di�culdade de tolerar desordem, confusão, desejo de simetria. Detesta complexidade. Medo de exercer in�uência – receio de ser muito agressivo ou de in�uenciar outras pessoas, medo de falar o que acredita. Di�culdade de ser ouvido. Pavor em ser líder. Medo de perder o controle – necessidade de encontrar soluções rápidas para problemas, di�culdades de deixar tempo para a incubação, deixar que as coisas aconteçam naturalmente. Descrença na sua capacidade e na humanidade. Todos esses bloqueios, isoladamente ou combinados, levam o indivíduo a ter medo de se arriscar, e a coragem de ser arriscar é um dos principais componentes do comportamento inovador e criativo. Vamos Exercitar? Para auxiliar Pedro no desenvolvimento da proposta de treinamento criativo, é essencial considerar as práticas e técnicas que promovem a criatividade e a inovação. A seguir estão algumas sugestões para o desenvolvimento da proposta, adaptadas à situação do Pedro: Identi�cação dos bloqueios criativos: inicie o treinamento com uma discussão aberta tratando dos possíveis bloqueios criativos enfrentados pela equipe. Isso pode incluir falta de con�ança, medo de julgamento, aversão ao risco ou falta de motivação. Exercícios de quebra de padrões: promova atividades que incentivem os funcionários a pensarem fora da caixa. Isso pode incluir jogos de imaginação, resolução de problemas complexos e desa�os criativos que estimulem a exploração de novas perspectivas e soluções inovadoras. Estimular a colaboração: organize atividades de grupo que incentivem a colaboração e a troca de ideias entre os funcionários. Isso pode fortalecer o espírito da equipe e promover um ambiente propício para a geração de ideias criativas e inovadoras. Incorporar práticas de mindfulness e meditação: introduza práticas de mindfulness e meditação para ajudar os participantes a se concentrarem no momento presente e a cultivarem uma mentalidade aberta e receptiva à criatividade. Disciplina PROCESSO DE CRIATIVIDADE Incentivar a experimentação: encoraje os funcionários a experimentar novas abordagens e técnicas em suas atividades diárias. Isso pode envolver a exploração de diferentes métodos de resolução de problemas, a implementação de novos processos de trabalho ou a tentativa de abordagens inovadoras para lidar com desa�os rotineiros. Ao adotar essas estratégias, Pedro poderá ajudar os funcionários da faculdade a superar seus bloqueios criativos e cultivar um ambiente propício para a inovação e o pensamento criativo em toda a instituição. Saiba mais Indicamos o artigo “Criatividade, resiliência e saúde mental: um estudo teórico-conceitual”, um estudo que aborda os problemas de saúde mental, incluindo a depressão e o suicídio, cada vez mais proeminentes nos tempos atuais, a partir da tensão de pensamento, contrastando com a resiliência – caracterizada como maleabilidade mental e considerada promotora da saúde mental. A criatividade, oposta à imitação, plágio, monotonia, cópia ou reprodução, emerge como um antídoto para uma série de compulsões e pensamentos obsessivos da era contemporânea. Com proposições teórico-conceituais, o estudo reitera a importância da criatividade como base para a saúde mental e para o pleno desenvolvimento do indivíduo. Vale a pena a leitura. Aproveite! Referências ALENCAR, E. M. L. S. A gerência da criatividade. São Paulo: Makron Books, 1996. PREDEBON, J. Criatividade. Abrindo o lado inovador da mente. São Paulo: Atlas, 2002. TORRE, S. de L. Dialogando com a criatividade. São Paulo: Madras, 2005 WECHSLER, S. M. Criatividade. Descobrindo e encorajando. Campinas: Livro Pleno, 2002. Aula 5 Encerramento da Unidade Vídeo Aula Encerramento Este conteúdo é um vídeo! https://recriai.emnuvens.com.br/revista/article/view/48 Disciplina PROCESSO DE CRIATIVIDADE Para assistir este conteúdo é necessário que você acesse o AVA pelo computador ou pelo aplicativo. Você pode baixar os vídeos direto no aplicativo para assistir mesmo sem conexão à internet. Estudante, esta videoaula foi preparada especialmente para você. Nela, você irá aprender conteúdos importantes para a sua formação pro�ssional. Vamos assisti-la? Bons estudos! Ponto de Chegada Estudante, Ao �nal desta aula, é crucial enfatizar a importância da compreensão dos bloqueios da criatividade e das estratégias para superá-los. Neste percurso, exploramos profundamente os diferentes tipos de bloqueios, desde os fatores ambientais e intelectuais até as barreiras culturais e emocionais. Compreendemos como a inércia psicológica e as paredes invisíveis podem restringir o potencial criativo, limitando a �exibilidade mental necessária para uma abordagem inovadora. Ao analisarmos as estratégias para superaros bloqueios criativos, destacamos a importância de ações que estimulam a imaginação e a resolução de obstáculos, promovendo atitudes que propiciam o desenvolvimento da �exibilidade mental. A compreensão desses conceitos foi fundamental para cultivar um ambiente propício à criatividade, garantindo a geração de ideias inovadoras e a resolução de problemas de maneira original e e�caz. Esperamos que os conhecimentos adquiridos nesta seção sejam um trampolim para sua jornada pro�ssional, capacitando-o a enfrentar desa�os criativos com con�ança e determinação. Que você se sinta encorajado a aplicar essas estratégias no ambiente de trabalho, contribuindo para a promoção de soluções criativas e inovadoras em sua área de atuação. Parabéns por seu empenho e dedicação nesta etapa de aprendizagem. Que esse conhecimento seja uma ferramenta útil para a contribuição da sua criatividade e capacidade de resolução de problemas no futuro! É Hora de Praticar! Disciplina PROCESSO DE CRIATIVIDADE Este conteúdo é um vídeo! Para assistir este conteúdo é necessário que você acesse o AVA pelo computador ou pelo aplicativo. Você pode baixar os vídeos direto no aplicativo para assistir mesmo sem conexão à internet. Imagine que você está liderando uma equipe de marketing em uma empresa de publicidade e design que busca se manter na vanguarda da indústria criativa. Com o mercado em constante evolução e novas demandas surgindo, é essencial que sua equipe mantenha um �uxo contínuo de ideias inovadoras para atender às necessidades dos clientes e se destacar da concorrência. No entanto, você percebe que a equipe está enfrentando bloqueios criativos e di�culdades para desenvolver conceitos impactantes que atendam aos padrões exigentes da indústria. Desa�o: Para estimular a criatividade e superar os bloqueadores criativos em sua equipe, proponha uma sessão de brainstorming e brainwriting que visa explorar novos conceitos e soluções para os desa�os enfrentados. Encoraje a equipe a discutir abertamente as ideias e o pensamento fora da caixa, incentivando a diversidade de pensamento e a colaboração entre os membros da equipe. Planeje a criação de um moodboard visualmente atraente que capture os conceitos e ideias discutidos durante a sessão, enfatizando a importância de representações simbólicas e visuais na promoção da compreensão e da comunicação e�caz das ideias criativas. Como líder, explore as várias estratégias e técnicas discutidas anteriormente, como a identi�cação dos tipos de bloqueios da criatividade e as possíveis barreiras ambientais, intelectuais e emocionais que podem afetar o processo criativo. Destaque as vantagens de cada abordagem na superação desses bloqueios e na geração de conceitos inovadores e impactantes. Ao �nal, re�ita a respeito de como essas atividades práticas podem contribuir para a promoção de uma cultura de inovação e criatividade em sua empresa, resultando em campanhas publicitárias e projetos de design que se destacam e atraem a atenção do público-alvo. Disciplina PROCESSO DE CRIATIVIDADE Figura | Síntese do conteúdo abordado na unidade ALENCAR, E. M. L. S. A gestão da criatividade. São Paulo: Makron Livros, 1996. BERTOMEU, J. V. Criação de propaganda impressa. 3. ed. São Paulo: Thompson Learning, 2006. COLOSSI, L. Características de ambientes organizacionais orientados ao comportamento criativo. 2004. 188f. Dissertação (Mestrado em Psicologia) - Universidade Federal de Santa Catarina, Florianópolis, 2004. DUAILIBI, R.; SIMONSEN JR., H. Criatividade e Marketing. São Paulo: M. Livros, 2008. FERREIRA, M. A. M. et al. Temas em métodos quantitativos. Lisboa: Silabo, 2004. HERMÍNIO, S. Publique seu livro. São Paulo: Livro eletrônico, 2006. KAO, J. J. A arte e a disciplina da criatividade na empresa. Rio de Janeiro: Campus, 1997. , Unidade 4 Facilitadores da Criatividade Aula 1 Funcionamento Cerebral e o Estímulo da Criatividade Disciplina PROCESSO DE CRIATIVIDADE Funcionamento Cerebral e o estímulo da criatividade Este conteúdo é um vídeo! Para assistir este conteúdo é necessário que você acesse o AVA pelo computador ou pelo aplicativo. Você pode baixar os vídeos direto no aplicativo para assistir mesmo sem conexão à internet. Estudante, esta videoaula foi preparada especialmente para você. Nela, você irá aprender conteúdos importantes para a sua formação pro�ssional. Vamos assisti-la? Bons estudos! Ponto de Partida Olá, estudante! Nesta aula, conheceremos Ana, uma jovem arquiteta que integra uma equipe de inovação em uma cidade progressista. Com uma formação acadêmica sólida em arquitetura, Ana também tem um diploma em psicologia ambiental. Recentemente, Ana foi convidada a lecionar voluntariamente design sustentável em uma escola comunitária, localizada em uma área menos privilegiada da cidade. Ao aceitar o desa�o, Ana se deparou com sua nova turma, composta por estudantes de diferentes idades e séries, todos enfrentando desa�os signi�cativos de aprendizado. A questão agora é: como o entendimento das características dos hemisférios cerebrais pode facilitar o aprendizado desses alunos? Quais estratégias Ana pode empregar para atingir seus objetivos educacionais? Leia com atenção esta seção introdutória e apoie a professora Ana. Pronto para embarcar nessa jornada de descobertas? Vamos Começar! A criatividade é o resultado de reações que ocorrem em vários locais do cérebro, independentemente do lado – esquerdo ou direito. O surgimento dessa teoria vem do século XIX (1801 a 1900), início da neurociência. O funcionamento do cérebro não era muito conhecido até a descoberta de que a produção da fala depende do hemisfério esquerdo, anunciada por Paul Broca em 1861. Essa descoberta Disciplina PROCESSO DE CRIATIVIDADE iniciou uma revisão, pela biologia, do conceito de que os dois lados do corpo são equivalentes. Cento e cinquenta anos mais tarde, a neurociência con�rma que, de fato, a lateralidade funcional existe, mas especi�camente em relação à linguagem (mais ao lado esquerdo) e à atenção (mais ao lado direito). Com esse estudo, comprovou-se que não existem diferenças no grau de lateralização entre homens e mulheres ou que qualquer lado do cérebro predomine mais ou menos em pessoas diferentes. Mas e a criatividade? A neurociência a�rma que a criatividade é o resultado da combinação "criativa" das atividades de partes do cérebro que já participam em outras funções, e não da atividade de algum "centro da criatividade" cerebral. A capacidade de encontrar novos caminhos entre ideias e conceitos, e novos conceitos a partir das mesmas ideias, depende do esforço conjunto de regiões dos dois lados do cérebro. Na hora de ser criativo, o cérebro "usa a si mesmo" de outra maneira e descobre um caminho alternativo para resolver o problema da vez. E o cérebro? Como efetivamente funciona? Vamos entender um pouco de sua anatomia? Segundo o autor Chiras (2008), o cérebro é a maior e mais evidente estrutura do encéfalo, constituindo cerca de 80% da sua massa total. O cérebro está dividido em duas metades, os hemisférios cerebrais esquerdo e direito, interligados entre si pelo corpo caloso, situado na parte inferior da �ssura inter-hemisférica. Cada hemisfério apresenta uma �na camada externa de substância cinzenta – o córtex cerebral (Figura 1), que contém os corpos celulares dos neurônios. Situada debaixo do córtex cerebral está uma abundante camada de substância branca, que contém feixes de axônios neuronais mielinizados que lhe conferem a aparência branca. Disciplina PROCESSO DE CRIATIVIDADE Figura 1 | Estruturas do cérebro. Fonte: Gonçalves (2009, p. 15). Os hemisférios cerebrais estão divididos em quatro lobos: lobo frontal, lobo temporal, lobo parietal e lobo occipital, cada um com funções especí�cas a desempenhar. Em seu livro Introdução à Criatividade, Marcos Nicolau comenta que a ciência já chegou ao cerne da criatividade no cérebro humano. Os microscópios dos neurocientistas desvelaram a diminuta célula nervosa, o neurônio, como pode ser observado na Figura2, cujas reações eletroquímicas processam a aprendizagem e o desenvolvimento da inteligência. Atualmente já se sabe como estimular, de forma natural e voluntária, a rede neuronal formada por 100 bilhões dessas células, para melhorar a performance mental das pessoas. Disciplina PROCESSO DE CRIATIVIDADE Figura 2 | Neurônio (célula nervosa). Fonte: Wikimedia Commons. São muitas, portanto, as descobertas de implicações práticas em nossas vidas, por exemplo, a de que o cérebro humano pode melhorar a sua performance se exercitado corretamente, ou pode de�nhar por falta de uso adequado (Jean-Pierre Changeaux, 2011 apud Nicolau, 2014). A questão, porém, é saber como realmente estimular os neurônios da maneira certa, como permitir que eles façam sempre novas conexões a �m de sermos mais criativos. A psicóloga francesa Monique Le Poncin (apud Nicolau, 2014) mostra um dos caminhos, a�rmando que um matemático que se dedique à pintura, por exemplo, vai utilizar uma nova área do seu cérebro que, provavelmente, �caria desativada. Nesse caso, a transdisciplinaridade é um aspecto fundamental na aprendizagem e desenvolvimento da criatividade, porque permite à mente humana observar e entender os fenômenos de diferentes perspectivas, o que facilita a busca de alternativas e soluções fora de um único contexto. Foi pensando nessa constatação que Le Poncin (apud Nicolau, 2014) criou uma série de exercícios mentais, do tipo psicotécnico, entre outros, para que as pessoas pudessem estimular seus cérebros buscando uma maior dinamicidade de pensamento. Mas quem acha que bastam exercícios laboratoriais para se tornar um indivíduo mais inteligente e criativo está enganado. A Disciplina PROCESSO DE CRIATIVIDADE melhor aprendizagem é aquela em que envolvemos nossos sentimentos, em que vivenciamos experiências e somos motivados a usar os sentimentos para aumentar a nossa sensibilidade e a nossa percepção criadora. A aprendizagem, como um processo de vida prazeroso, estimula os neurônios de forma mais completa. Siga em Frente... De acordo com a autora Wechsler (2002), existem inúmeras pesquisas demonstrando as funções distintas do hemisfério cerebral esquerdo e direito, conforme pode ser observado no Quadro 1. A autora Grando (2014) a�rma que as abordagens psico�siológicas (relação entre corpo/mente) contribuem para a compreensão da criatividade ressaltando as diferenças entre os hemisférios cerebrais. HEMISFÉRIO ESQUERDO HEMISFÉRIO DIREITO Mais e�ciente nos processos de pensamento descritos como verbais, lógicos e analíticos. Especializado em padrões de pensamento que enfatizam a percepção, a síntese e o rearranjo geral de ideias. Quadro 1 | Hemisférios cerebrais. Fonte: adaptado de Alencar (1993). Entretanto, para que a criatividade tenha e�ciência, é necessária a atuação de ambos os hemisférios: com o direito, intuindo e criando e, com o esquerdo, analisando e criticando. O autor Buzan (2005) explica que experimentos foram realizados com grupos de pessoas que se julgavam fracas em determinadas partes do intelecto. A partir daí, essas pessoas recebiam treinamentos para desenvolver seus aspectos frágeis: pessoas que se consideravam pouco imaginativas eram treinadas nessa área e logo demonstravam habilidade com as palavras, assim como mais destreza com números. O resultado foi a dinamização de ambos os hemisférios cerebrais. Demonstrou-se uma comunicação em que o lado esquerdo, ao receber informação, processava e enviava ao lado direito, que fazia o mesmo, alimentando um circuito cerebral. Segundo Katz e Kahn (1978), as pessoas criativas conjugam dois aspectos: a capacidade de enxergar ângulos diferentes de um mesmo problema; e a capacidade de elaborar, con�rmar e comunicar uma ideia original. Identi�cam-se, portanto, dois padrões de pensamento distintos – um deles capaz de reestruturar conceitos; e o outro, de avaliá-los. Segundo autores como Torrance (1965), tais pensamentos ocorreriam em partes distintas do cérebro: o primeiro no hemisfério direito e o segundo, no esquerdo. Ninguém ensina ninguém a ser criativo, dizem os especialistas, mas eles concordam que a criatividade é algo que se aprende. Para Sidney J. Parnes (apud Nicolau, 2014), é aprendendo essa maneira “produtiva” de pensar que faz surgir o potencial criativo que já existe em todas as pessoas. Wechsler (2002) a�rma que, infelizmente, nas nossas escolas e em nossa sociedade, existe uma grande ênfase e valorização do raciocínio típico do hemisfério esquerdo. O raciocínio Disciplina PROCESSO DE CRIATIVIDADE lógico, crítico, racional é sempre colocado em prioridade ao raciocínio intuitivo, emocional ou global. Finalizando, a autora comenta em seus estudos que existem diferenças bastante nítidas em lateralidade cerebral nas diferentes classes sociais. Os estudos de Torrance (1976) indicaram que crianças norte-americanas de nível social mais baixo preferiam estratégias de ensino que lidassem mais com o hemisfério direito, como dramatizações, pintura, música, modelagem, e experiências concretas. Vamos Exercitar? Estudante, após a exploração do conteúdo desta seção, voltamos ao nosso desa�o prático: Ana chegou para o primeiro dia de aula na escola comunitária e constatou que sua turma era composta por estudantes de diferentes idades e séries, todos enfrentando signi�cativas di�culdades de aprendizado. O desa�o que se apresenta agora é responder às seguintes questões: 1. Como o conhecimento das características dos hemisférios direito ou esquerdo pode contribuir para facilitar o aprendizado desses alunos? 2. Quais estratégias Ana pode adotar para alcançar seus objetivos de aprendizado com essa turma? Retorne ao conteúdo de nosso manual didático e explore recursos on-line em busca de possíveis exercícios que Ana possa aplicar na sala de aula, tendo em mente a neurociência como uma fonte valiosa de insights. A seguir estão algumas sugestões para orientar sua resolução: 1. Re�ita a respeito da possibilidade de a lateralidade cerebral da turma in�uenciar no processo de aprendizado. Como isso pode ocorrer? 2. Apresente exemplos de atividades especí�cas que Ana poderia incorporar em suas aulas para abordar as características individuais dos alunos. 3. Fundamente suas escolhas com argumentos consistentes, baseados nas teorias exploradas ao longo desta aula. 4. Re�ita a respeito da utilização da ferramenta de brainstorm on-line. Essa ferramenta pode auxiliar Ana e seus alunos a compartilharem ideias e estratégias de aprendizado. Vamos nessa? Disciplina PROCESSO DE CRIATIVIDADE Saiba mais Você conhece a ferramenta Brainstorming Online? É uma abordagem colaborativa para gerar, desenvolver e organizar ideias utilizando ferramentas digitais. Essa prática é valiosa em contextos educacionais, como o de Ana, pois facilita a participação ativa dos alunos, promove a criatividade e possibilita a coleta de uma variedade de perspectivas. Além disso, indicamos um �lme, para �xar os conteúdos aprendidos nessa unidade. O �lme se chama Escritores da Liberdade e é baseado em fatos reais. Ele conta a história de uma professora, Erin Gruwell, que enfrenta o desa�o de lecionar em uma escola de ensino médio onde os alunos enfrentam diversos problemas sociais e têm di�culdades de aprendizado. Vale a pena conferir! Referências ALENCAR, E. M. L. S. A gerência da criatividade. São Paulo: Makron Books, 1996. BUZAN, T. Mapas mentais e sua elaboração. São Paulo: Cultrix, 2005. CHIRAS, D. Human biology. 6. ed. Burlington: Jones & Barlett Publishers, 2008. GONÇALVES, M. V. R. Processamento de dados em aquisição simultânea de EEG/IFRM. Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade Nova de Lisboa, 2009. GRANDO, F. S. Concepções de criatividade ao longo da história. 2014. KATZ, D.; KAHN, R. Psicologia social das organizações. São Paulo: Atlas, 1978. NICOLAU, M. Introdução à criatividade. João Pessoa: Ideia, 2014. TORRANCE, E. P. Criatividade: medidas, testes e avaliações. São Paulo: Ibrasa, 1965. WECHSLER, S. M. Criatividade: descobrindoe encorajando. Campinas: Livro Pleno, 2002. Aula 2 Descontruindo Paradigmas Desconstruindo Paradigmas https://www.canva.com/pt_br/brainstorming/ Disciplina PROCESSO DE CRIATIVIDADE Este conteúdo é um vídeo! Para assistir este conteúdo é necessário que você acesse o AVA pelo computador ou pelo aplicativo. Você pode baixar os vídeos direto no aplicativo para assistir mesmo sem conexão à internet. Estudante, esta videoaula foi preparada especialmente para você. Nela, você irá aprender conteúdos importantes para a sua formação pro�ssional. Vamos assisti-la? Bons estudos! Ponto de Partida Estudante, nesta aula, vamos manter nosso foco em Ana, a professora voluntária de design sustentável em uma escola comunitária. O desa�o é implementar o projeto "Arte Sustentável" idealizado por Ana. Este projeto visa estimular a criatividade dos alunos por meio de intervenções artísticas sustentáveis no entorno da escola. Ana apresentou entusiasticamente o projeto à direção da escola, que o aprovou imediatamente. Contudo, ao dialogar com os moradores para obter autorização, Ana se deparou com uma resistência signi�cativa, especialmente entre os moradores mais antigos. Eles expressaram preocupações em relação à diferença entre arte sustentável e simples pichação, demonstrando uma relutância em ver os muros "pichados". Ana tentou explicar a distinção entre intervenções artísticas e pichação, mas poucos moradores aceitaram a ideia. Agora surge a pergunta para você: arte sustentável é considerada expressão artística ou pichação? Qual é a sua opinião acerca dessa questão? Diante deste cenário desa�ador, como podemos auxiliar Ana a superar esse paradigma estético e social? Convidamos você a ler atentamente esta seção, analisar os conceitos de paradigmas, e pensar em estratégias para desconstruir essas barreiras e promover uma compreensão mais ampla e aberta em relação ao projeto "Arte Sustentável". Vamos ao nosso estudo! Vamos Começar! Nesta aula, estudaremos a de�nição de paradigma e seus modelos. Você saberia responder qual o signi�cado desse termo? Etimologicamente, a origem da palavra “paradigma” vem do grego paradigma e signi�ca modelo, padrão, algo que vai servir de modelo ou de exemplo a ser seguido em determinada situação. Uma representação do mundo, uma maneira de ver as coisas. Crenças Disciplina PROCESSO DE CRIATIVIDADE e verdades compartilhadas por um grupo de pessoas. Costuma-se dizer que um paradigma é como um modelo mental que nós criamos do mundo ao nosso redor. Ao tomarmos uma decisão, adotamos como base, ou como “pano de fundo”, um modelo particular da realidade. Particular porque, através da nossa vivência/experiência, aprendemos a dar signi�cados a aspectos que observamos na realidade em que vivemos. Esses signi�cados são simpli�cações, formas de interpretação que nos ajudam a entender a realidade, constituindo- se em um conjunto de referenciais ou paradigmas que norteiam nossas ações, dando forma a um modelo que carregamos em nossa mente a respeito de como as coisas funcionam. Esse modelo é comumente chamado de modelo mental. Os modelos mentais são, indubitavelmente, importantes em nossas vidas, pois nos ajudam em muitas tarefas. O problema começa quando eles se tornam ultrapassados e, assim, inibem nosso potencial criativo. Ou seja, ao insistirmos apenas nos modelos mentais usuais, não permitimos ao nosso cérebro "zerar" os próprios paradigmas e deixar que as ideias �uam por novos caminhos. Vamos conhecer as fontes de modelos mentais e a maneira como eles se formam? De acordo com Daniel Goleman (1996), o comportamento humano é condicionado por modelos mentais, e estes, por sua vez, são de�nidos com base em quatro pressupostos: biológicos; linguísticos; culturais e pessoais. Segue a conceituação para cada um dos pressupostos: Biológico: rotula-se a capacidade de realização do ser humano com base nas suas limitações �siológicas. Linguístico: é o meio pelo qual a consciência do ser humano é estruturada. A maneira como a linguagem se comporta em determinadas regiões, por exemplo, acaba rotulando as pessoas. Cultural: dentro de qualquer grupo – famílias, indústrias, organizações e nações – os modelos mentais coletivos se desenvolvem com base em experiências compartilhadas. Assim, a cultura pode ser considerada um modelo mental coletivo. Pessoal: a maneira como começamos a trabalhar e alcançamos a autossu�ciência é fruto da nossa experiência pessoal, o que é determinante para alcançarmos nossos objetivos. Os modelos mentais condicionam, portanto, todas as interpretações e ações de uma pessoa, inclusive nos domínios técnicos, pro�ssionais e cientí�cos. Tornam-se importantes o estudo e a conscientização de suas in�uências. A quebra de modelos mentais para a liberação da criatividade muitas vezes é impedida pelo pouco tempo que temos para realizar tarefas e pelo medo de "sair da caixa". Os mapas que mantemos em nossas mentes se dividem em duas categorias: os mapas de como as coisas são (ou da realidade) e os mapas de como as coisas deveriam ser (ou dos valores). Todas as decisões que tomamos na vida são baseadas nesses dois grupos de mapas. O grande problema é que raramente questionamos esses mapas, não perguntamos se eles estão Disciplina PROCESSO DE CRIATIVIDADE adequados ao momento atual pelo qual passamos, se eles re�etem de fato a realidade, tampouco os atualizamos. Siga em Frente... Nossos paradigmas são construídos com a absorção que fazemos do meio em que vivemos ao longo de nossas vidas. Cultura, religião, sociedade, família, escola, ambiente de trabalho e amigos vão, à medida que crescemos, formando a estrutura de nossos paradigmas que levaremos pela vida e que serão os principais in�uenciadores das decisões que tomamos. Thomas Kuhn (físico e �lósofo americano), em seu livro A estrutura das revoluções cientí�cas, defendeu que os paradigmas são “realizações cientí�cas universalmente reconhecidas que, durante algum tempo, oferecem problemas e soluções modelares para uma comunidade de praticantes de uma ciência” (Kuhn, 2005, p. 13). O livro é considerado um grande legado para a cultura por ter derrubado as fronteiras entre ciências naturais, sociais e humanas. Portanto, uma mudança de paradigmas é uma transformação radical, pois envolve a desconstrução de modelos constituídos, enraizados, o que não acontece cotidianamente nem a cada década. Um paradigma não consegue responder a todos os problemas, nem é necessário; contudo, ele precisa responder às questões mais relevantes abordadas. Quando isso não ocorre, surgem as revoluções cientí�cas, “períodos durante os quais os paradigmas são primeiramente atacados e então modi�cados” (Kuhn, 2005, p. 73). Thomas Kuhn foi um daqueles pesquisadores da �loso�a da ciência que defenderam o contexto de descoberta, o qual privilegia os aspectos psicológicos, sociológicos e históricos como relevantes para a fundamentação e para a evolução da ciência. Para Kuhn, a ciência, assim como a criatividade, consiste em resolver problemas (como um quebra-cabeça) dentro de uma unidade metodológica chamada paradigma. Com certeza, você já deve ter ouvido o famoso ditado “quebra de paradigmas”, que signi�ca ter coragem para inovar, disposição para levantar as âncoras do passado e, mais do que tudo, disposição para enfrentar o novo. Por isso, mesmo os cientistas, como Einstein, têm de se envolver criativamente para resolver problemas suscitados sob a vigência do novo paradigma. Ou se envolve, ou �ca com o paradigma antigo. Outros exemplos de quebras de paradigmas na história da humanidade: Mudança da população do mundo rural para o mundo urbano. Mudança do artesanato ou manufatura para a industrialização. Mudança de um papel passivo da mulher para um papel mais ativo na sociedade. Mudança do trabalho escravo para o assalariado. Platão (�lósofo grego) foi quem primeiro utilizou a noção de paradigma com o sentido da palavra que é empregado até hoje. Ser paradigmático seria então “ser exemplar e modelar, ser norma das Disciplina PROCESSODE CRIATIVIDADE chamadas ‘realidades’, que são tais enquanto se aproximam do seu modelo” (Ferrater Mora, 2004, p. 2.199). Talvez por isso muitos autores tomem paradigmas e modelos como semelhantes, diante da raiz da palavra e de sua utilização primeira por Platão. Por sua vez, Domingues (2004) é um dos autores que admitem a distinção: o paradigma estaria ao lado da teoria; e o modelo, mais ligado ao método, ou seja, mais ligado à ordenação das ações. Vamos Exercitar? Após a imersão no conteúdo desta seção, voltamos ao nosso desa�o prático: Ana teve sua proposta de projeto "Arte Sustentável" aprovada pela direção da escola comunitária. Contudo, a implementação do projeto demanda a autorização dos moradores do entorno. Para a surpresa de Ana, os moradores mais antigos mostraram relutância em conceder a autorização, argumentando que não desejam ver seus arredores "pichados". Agora, a questão se apresenta: como podemos auxiliar Ana? Quais estratégias ela pode empregar para obter a autorização de todos os moradores? Para resolver esse desa�o, considere as seguintes dicas: Ana pode iniciar uma abordagem de reconhecimento e diálogo. Entender as preocupações dos moradores mais antigos e demonstrar respeito pelas opiniões deles é crucial para estabelecer uma base de comunicação. Ana pode preparar materiais educativos visuais, como apresentações ou folhetos, destacando a diferença entre arte sustentável e pichação. Esse esforço de educação visual pode ajudar a desconstruir o paradigma estético-social existente. Apresentar exemplos de projetos semelhantes que foram bem-sucedidos em outras comunidades pode ser uma estratégia persuasiva. Mostrar como intervenções artísticas podem transformar positivamente o ambiente pode amenizar as preocupações dos moradores. Incluir os moradores no processo criativo, convidando-os para participar ou expressar suas ideias para o projeto, pode criar um senso de pertencimento e diminuir a resistência. Destacar os aspectos sustentáveis do projeto pode ser um ponto de convergência. Explicar como as intervenções artísticas podem promover a conscientização ambiental pode atrair o apoio daqueles preocupados com questões sustentáveis. Saiba mais O artigo A economia criativa na arena da sustentabilidade visa enriquecer o diálogo a respeito da economia criativa e sua relação com a sustentabilidade, uma associação que historicamente tem sido pouco explícita. A contribuição se dá pela identi�cação de inter-relações entre os termos usados na literatura para descrever a economia criativa (como classe criativa, cidade criativa, educação criativa, cultura, economias, e indústrias culturais e criativas) e oito dimensões da sustentabilidade (ambiental, social, econômica, cultural, tecnológica, ética, territorial e política), revelando novos signi�cados para esses termos. Conclui-se que a estreita relação entre o https://www.revistas.usp.br/posfau/article/view/161954 Disciplina PROCESSO DE CRIATIVIDADE paradigma criativo e o sustentável é mais uma consequência do que uma intenção inicial, resultado da proclamada quebra de paradigma nos modelos de desenvolvimento moderno do século XX. Referências DOMINGUES, I. Epistemologia das ciências humanas. São Paulo: Loyola, 2004. FERRATER MORA, J. Dicionário de �loso�a. São Paulo: Loyola, 2004. GOLEMAN, D. Inteligência emocional. São Paulo: Objetiva, 1996. KUHN, T. S. A estrutura das revoluções cientí�cas. 9. ed. São Paulo: Perspectiva, 2005. Aula 3 Tipos de Percepção Tipos de Percepção Este conteúdo é um vídeo! Para assistir este conteúdo é necessário que você acesse o AVA pelo computador ou pelo aplicativo. Você pode baixar os vídeos direto no aplicativo para assistir mesmo sem conexão à internet. Estudante, esta videoaula foi preparada especialmente para você. Nela, você irá aprender conteúdos importantes para a sua formação pro�ssional. Vamos assisti-la? Bons estudos! Ponto de Partida Nesta aula, examinaremos a percepção em sua relação com o processo criativo e a expressão da criatividade. Acompanhando Ana, uma dedicada professora voluntária de design sustentável em uma escola comunitária, veremos que ela expressa sua gratidão pela colaboração, reconhecendo que essa parceria facilitou a resolução criativa de desa�os anteriores. Desta vez, Ana tem uma notícia Disciplina PROCESSO DE CRIATIVIDADE animadora para compartilhar: a escola recebeu uma generosa doação de câmeras digitais, oferecida por um empresário local. Inspirada por essa doação, Ana propôs um desa�o empolgante para seus alunos: capturar, por meio das câmeras digitais, o cotidiano de sua comunidade. As imagens selecionadas serão tratadas e expostas em um evento na escola. O objetivo de Ana com esse projeto é ampliar a percepção de seus alunos em relação à comunidade, promovendo uma visão única e criativa por meio da lente das câmeras digitais. Diante disso, como você pode auxiliar Ana a orientar seus alunos na captura de imagens únicas que enriquecerão a exposição da escola? Vamos colaborar para potencializar a criatividade e percepção dos estudantes neste empolgante projeto! Vamos Começar! Observe que tudo o que você vê neste instante é resultado de algum processo criativo. A roupa que você está usando, a cadeira na qual está sentado, o prédio onde se encontra, e até mesmo este livro didático que está lendo. Mesmo aquilo que percebemos como natureza é uma paisagem cultural criada pela intervenção humana. A criatividade, portanto, é onipresente. Chegamos a essas conclusões pela nossa capacidade perceptiva. O processo de perceber tudo à nossa volta também é constante em nosso dia a dia de diversas formas: ao observarmos uma obra de arte, ao desenvolvermos um material criativo para uma campanha publicitária, ao elaborarmos vestuário de acordo com as tendências da moda, en�m, para vários momentos de nossas vidas. Assim como a frase de Leonardo da Vinci, o pensamento criativo não se processa, por exemplo, quando é di�cultado pela falta de conhecimento da área, pela inexperiência ou pela falta de motivação, como já foi comentado anteriormente. A criatividade usufrui do conhecimento como um meio e não como um �m em si mesmo. De acordo com o Dicionário Houaiss (2002), o termo percepção tem origem etimológica no latim perceptìo, ónis, que signi�ca compreensão, faculdade de perceber; ver. O autor Bono (1994) a�rma que a criatividade tem lugar na fase perceptiva do pensamento. É neste ponto que nossas percepções e conceitos são formados e transformados. Você, estudante, já deve ter compreendido o papel central da percepção no pensamento criativo e como o pensamento lateral está intimamente ligado à fase perceptiva do pensamento. Por agora, podemos dizer que o pensamento lateral pode ser de�nido como uma heurística (relembrando a de�nição de heurística: arte de inventar, de fazer descobertas; ciência que tem por objeto a descoberta dos fatos) para solução de problemas. Com ele, você tenta olhar o problema de vários ângulos em vez de atacá-lo de frente. É o uso de um processo não linear de raciocínio, para checar suposições, mudar perspectivas e gerar novas ideias. Disciplina PROCESSO DE CRIATIVIDADE Segundo Chaui (1999), a tradição �losó�ca até o século XX distinguia sensação de percepção pelo grau de complexidade. Sensação e percepção são as principais formas que geram o conhecimento empírico. Chamamos de conhecimento empírico aquele conhecimento que adquirimos no dia a dia, com base em tentativa e erro, ou seja, o conhecimento adquirido por meio da observação, da experiência, do senso comum, que dispensa comprovação cientí�ca. Pela sensação, pode-se ver, tocar e sentir odores, sabores, texturas. Em outras palavras, a sensação está relacionada à reação imediata dos receptores sensoriais (olhos, ouvidos, nariz, boca, dedos) a estímulos básicos, como luz, cor, odor e texturas (Solomon, 2002). Por esse motivo, na realidade, só há sensações sob a forma de percepções, isto é, de sínteses de sensações (Chaui, 1999). Existem vários tipos de percepção. Podemos citara percepção visual que está relacionada à interpretação dos estímulos visuais, isto é, quando um tipo de informação é obtido através dos olhos. A percepção social, por sua vez, está relacionada ao convívio social. Mediante esse tipo de percepção, temos a capacidade de ver e interpretar o comportamento de outros indivíduos. Outro tipo de percepção é a musical, que consiste na capacidade que o indivíduo tem em reconhecer o som e sentir através dele. Além disso, existem outros tipos de percepção que estão relacionados com outros sentidos, como percepção auditiva, percepção tátil, percepção olfativa e percepção gustativa (relacionado ao paladar). Em nossa contemporaneidade, a percepção pode ser compreendida em duas dimensões: a sensorial (que consiste na aquisição, na interpretação, na seleção e na organização das informações obtidas pelos sentidos) e a intelectual (que traz informações por meio do estado de compreensão). As duas etapas se complementam porque as sensações não proporcionam uma visão real do mundo, e o papel do intelecto é elaborar as informações acolhidas. Tradicionalmente, dois grandes campos do conhecimento abarcam teorias que tratam da percepção: �loso�a e psicologia. Siga em Frente... Os pensadores da antiguidade grega, sobretudo Protágoras, Platão e Aristóteles, buscavam compreender relações possíveis entre o ser humano e o mundo: a �loso�a grega – e ocidental – volta sua atenção para a questão “o que é conhecimento?”. A ideia de percepção começa, então, a ser elaborada como processo que ocorre entre sentir e pensar. Merecem destaque três concepções distintas acerca da percepção no contexto da �loso�a grega antiga (Aggio, 2006): So�sta: Protágoras (480 a.C.–410 a.C.) a�rmava que perceber é conhecer. O objeto percebido torna-se existente no encontro com quem o percebe. Platônica: Platão (428 a.C.–348 a.C.), ao contrário do so�sta, a�rmava que perceber é receber na alma os objetos sensíveis através do corpo. Seria o sentir, o perceber, o conhecer (e sentir e perceber não são o conhecimento em si). Disciplina PROCESSO DE CRIATIVIDADE Aristotélica: Aristóteles (384 a.C.–322 a.C.) discordava de Platão e de Protágoras e defendia que conhecimento e sensação não devem ser idênticos ou distintos de modo absoluto, ou seja, não é possível dizer que sensação e percepção não representam conhecimento, e tampouco é possível dizer que representam imediata e diretamente conhecimento, como a�rma Protágoras. No encontro entre mundo ou objeto a ser percebido e sujeito que percebe, haveria um movimento que altera o órgão sensível e coloca em exercício a faculdade perceptiva. Na área da psicologia, podemos encontrar uma diversidade de abordagens que tratam da percepção. Nesta disciplina, o conhecimento panorâmico da Teoria da Gestalt já nos ajudará a desenvolver o tema da criatividade. Popularmente conhecida pela representação de imagens curiosas, como a da “Velha e a Moça”, representada na Figura 1, que fazem nosso cérebro funcionar de maneira inusitada, a Gestalt nasceu aproximadamente em 1870 a partir do movimento de alguns pesquisadores alemães que estudavam os fenômenos perceptuais humanos. A esses estudos convencionou-se denominar de Psicologia da Gestalt, a qual se contrapõe ao atomismo (ideia de que só poderíamos conhecer o todo por meio do conhecimento de suas partes) reinante na época. Disciplina PROCESSO DE CRIATIVIDADE Figura 1 | A velha e a moça. Fonte: Andrade (2023). Disciplina PROCESSO DE CRIATIVIDADE Os estudos da percepção pela abordagem gestaltista levaram ao questionamento da psicologia associacionista. De acordo com Bock (2004), o behaviorismo, dentro de sua preocupação com a objetividade, estuda o comportamento pela relação estímulo-resposta, procurando isolar um estímulo unitário que corresponderia a uma dada resposta e desprezando os conteúdos da consciência, pela impossibilidade de controlar cienti�camente essas variáveis. A Gestalt entende que é de grande importância a disposição em que são apresentados à percepção os elementos unitários que compõem o todo: o todo seria diferente da soma das partes. Ou seja, a percepção que temos de um todo não é o resultado de um processo de simples adição das partes que o compõem. A psicologia da Gestalt entende a aprendizagem como uma decorrência da forma como as partes estão organizadas no todo. De acordo com a autora Wechsler (2002), na Gestalt, a criatividade é vista como a procura de uma solução frente a uma percepção que não consegue se concluir. A partir dessa falta de conclusão, o indivíduo criativo seria aquele que percebe o problema como um todo, enxerga as forças e tensões dentro da dinâmica do problema e tenta achar a solução mais elegante para restaurar a harmonia do todo. O processo, como visto por Wertheimer (apud Wechsler, 2002), não consiste em adicionar ou associar formas ou informações, mas sim de compreender a visão do todo. Segundo o autor, é objetivo da Gestalt determinar a natureza de conjuntos de elementos visuais cuja natureza intrínseca é determinada pelo todo. A Teoria da Gestalt apresenta princípios (ou leis) dentre os quais podemos mencionar o princípio da ambiguidade, o princípio da complementação, e o princípio da �gura e do fundo. Vejamos a seguir, os elementos das cidades criativas: Princípio da ambiguidade: percepção, diante de uma imagem, que nos leva a ver duas imagens diferentes, conforme o conjunto de elementos para o qual damos atenção. Disciplina PROCESSO DE CRIATIVIDADE Figura 2 | Princípio da ambiguidade. Fonte: Shutterstock. Princípio da complementação: tendência que temos de completar �guras para alcançarmos nossa compreensão. Disciplina PROCESSO DE CRIATIVIDADE Figura 3 | Princípio da complementação. Fonte: Shutterstock. Princípio da �gura e do fundo: imagem que domina nossa atenção enquanto o fundo �ca em segundo plano. Disciplina PROCESSO DE CRIATIVIDADE Figura 4 | Princípio da �gura e do fundo. Fonte: Shutterstock. Disciplina PROCESSO DE CRIATIVIDADE Esses princípios são essenciais para a compreensão da Teoria da Gestalt, pois mostram como o cérebro busca padrões, coesão e signi�cado na experiência visual. Ao aplicar esses princípios, artistas, designers e educadores, como Ana na situação apresentada, podem explorar estratégias visuais para estimular a percepção criativa e enriquecer a compreensão do observador sobre o mundo ao seu redor. Vamos Exercitar? Vimos que Ana compartilhou conosco uma notícia muito animadora: a doação de máquinas fotográ�cas digitais para a escola comunitária. Com esses equipamentos, Ana concebeu um projeto em que as crianças deverão documentar o cotidiano de sua comunidade. As imagens serão selecionadas, editadas e expostas em um evento na escola. O objetivo de Ana com esse projeto é ampliar a percepção de seus alunos em relação à comunidade em que vivem. E agora? Como você poderá auxiliar Ana a desenvolver a percepção de seus alunos para que eles obtenham imagens únicas para a exposição da escola? Seguem algumas dicas importantes de como você pode ajudar Ana: Oriente Ana a respeito de qual atitude ela deverá tomar para orientar as crianças na busca de imagens por meio da percepção individual de cada uma delas. Identi�que qual tipo de percepção as crianças deverão utilizar na elaboração do projeto. Faça anotações e justi�que essa escolha. Como a percepção das crianças poderá resultar em um produto criativo? Explore a conexão entre a maneira como percebem sua comunidade e a expressão visual por meio das imagens capturadas. Justi�que suas escolhas com argumentos coerentes embasados nas teorias trabalhadas nesta aula de facilitadores da criatividade, especialmente aquelas relacionadas à percepção e expressão visual. Mãos à obra! Agora, vamos lá! Saiba mais Para aumentar seus conhecimentos acerca dos conceitos abordados nesta aula, indicamos o livro intitulado: Criatividade – Nuances teóricas na perspectiva da �loso�a e da psicologia. Ele apresenta re�exões teóricas e resultados de pesquisas e intervenções,que mostram que a criatividade é cada vez mais necessária. Referências https://web.archive.org/web/20230201034303id_/https://geniocriador.com.br/images/Artigos/pdf/E-book_CriatividadeNuancesTeoricasFiloPsico.pdf#page=128 Disciplina PROCESSO DE CRIATIVIDADE AGGIO, J. O. Conhecimento perceptivo segundo Aristóteles. 2006. 118 f. Dissertação (Mestrado em Filoso�a) – Universidade de São Paulo. Faculdade de Filoso�a, Letras e Ciências Humanas. Departamento de Filoso�a. São Paulo, 2006. ANDRADE, A. Moça ou velha: o que você vê primeiro nesta imagem? Notícias Concursos, 9 set. 2023. Disponível em: https://noticiasconcursos.com.br/moca-ou-velha-o-que-voce-ve-primeiro- nesta-imagem/. Acesso em: 9 jan. 2023. BOCK, A. M. B. A perspectiva histórica da subjetividade: uma exigência para la psicologia atual. Psicología para a América Latina, v. 1, p. 3-13, fev. 2004. BONO, E. de. Criatividade levada a sério. São Paulo: Pioneira, 1994. CHAUI, M. Convite à �loso�a. São Paulo: Ática, 1999. HOUAISS, A. Dicionário eletrônico Houaiss da língua portuguesa. São Paulo: Objetiva, 2002. SOLOMON, M. R. O comportamento do consumidor: comprando, possuindo, sendo. Porto Alegre: Bookman, 2002. WECHSLER, S. M. Criatividade: Descobrindo e encorajando. Campinas: Livro Pleno, 2002. Aula 4 Alteração da Percepção e Pensamento Lateral Alteração da Percepção e Pensamento Lateral Este conteúdo é um vídeo! Para assistir este conteúdo é necessário que você acesse o AVA pelo computador ou pelo aplicativo. Você pode baixar os vídeos direto no aplicativo para assistir mesmo sem conexão à internet. Estudante, esta videoaula foi preparada especialmente para você. Nela, você irá aprender conteúdos importantes para a sua formação pro�ssional. Vamos assisti-la? Bons estudos! Ponto de Partida Nesta aula, exploraremos a alteração da percepção e o pensamento lateral, aspectos cruciais para resolver problemas de forma criativa. https://noticiasconcursos.com.br/moca-ou-velha-o-que-voce-ve-primeiro-nesta-imagem/ https://noticiasconcursos.com.br/moca-ou-velha-o-que-voce-ve-primeiro-nesta-imagem/ Disciplina PROCESSO DE CRIATIVIDADE Entretanto, antes de nos aprofundarmos nesses temas, vamos veri�car como está a situação da Ana, nossa dedicada professora voluntária de design sustentável em uma escola comunitária. Durante esta unidade, acompanhamos os desa�os criativos de Ana com seus alunos, e sua participação foi fundamental para que ela alcançasse seus objetivos criativos, superando grandes obstáculos. Acompanhamos o desa�o de Ana de implementar o projeto "Arte Sustentável". Esse projeto buscava desenvolver a capacidade criativa dos alunos por meio do estímulo artístico, gra�te nos muros da comunidade. Com sua ajuda, Ana obteve a autorização dos moradores mais antigos, mas surgiu um novo entrave: a falta de recursos para adquirir tintas e equipamentos necessários. A ONG e as empresas parceiras não dispunham de verba, e a comunidade era economicamente desfavorecida. Diante desse cenário, Ana enfrenta um novo desa�o: encontrar uma solução criativa para arrecadar fundos e viabilizar o projeto das crianças. Como você pode auxiliar Ana nesse novo obstáculo? Estude o conteúdo deste livro didático, aplique os conhecimentos adquiridos e proponha estratégias criativas para superar essa barreira �nanceira e permitir que o projeto das crianças se concretize. Vamos Começar! O pensamento lateral pode ser de�nido como uma heurística para a solução de problemas, no qual se tenta analisar o problema de vários ângulos em vez de abordá-lo frontalmente. Trata-se do uso de um processo não linear de raciocínio para veri�car suposições, mudar perspectivas e gerar novas ideias. O conceito e as aplicações do pensamento lateral (lateral thinking) foram desenvolvidos pelo médico Edward De Bono nas décadas de 1960 e 1970, em seus estudos sobre os processos do pensamento humano e pesquisas sobre diferentes formas de ampliar suas possibilidades práticas. Baseado na visão do cérebro como um mecanismo auto- organizado, ele especi�cou determinadas ferramentas para o uso do pensamento. O pensamento lateral surgiu para diferenciar-se do pensamento lógico, chamado de vertical. Bono (1994) encontra no pensamento lógico uma grande limitação de possibilidades quando se trata de buscar soluções para problemas novos que exigem novas ideias. Bono (1994) a�rma que o pensamento lateral cuida especi�camente de mudanças de conceitos e percepções e consiste em uma resolução de problemas por meio de uma abordagem criativa e indireta. Busca mudar a percepção do ambiente com a �nalidade de descobrir outras propriedades, outros usos e outras qualidades que haviam passado desapercebidos. Para alcançar essa mudança de percepção, frequentemente usam-se estratégias que, vistas a partir do pensamento vertical, podem parecer absurdas. Como os dados estão exponencialmente mais acessíveis a todos, a diferença competitiva é a criatividade com que o indivíduo analisa essas informações. Dados ultrapassados, vistos por Disciplina PROCESSO DE CRIATIVIDADE meio de uma ideia nova, trazem informações inéditas, e qualquer sistema que tenha input, para que seja dinâmico, precisa ser construído e transformado à medida que os desa�os surgem: DADOS ANÁLISE CRIATIVA DA INFORMAÇÃO CONHECIMENTO. O autor José Predebon (2002) comenta que existe um grande e constante �uxo de informação no mundo e que toda experiência pela qual passamos acrescenta conhecimento quando existe uma recepção aberta. A rotina é o grande inimigo dessa recepção. A rotina nos acomoda em um campo que consideramos familiar. Para Bono (1997), somente a inteligência não basta. O autor acredita que pessoas muito inteligentes comumente caem na armadilha de partir de uma ideia e defendê-la por meio de retórica (uma bela fala, porém, sem conteúdo). Neste caso, o problema em si não é explorado. As pessoas inteligentes usam seu pensamento para defender o seu ponto de vista, só que, quanto melhor fazem isso, menos procuram outras formas de análise para novas informações. As pessoas que pensam criativamente, por sua vez, ouviriam os outros para depois chegar às conclusões. Essa tendência de argumentação viria da própria condição mental do ser humano, em que cada nova informação é organizada em um padrão de rotina. O nosso cérebro é um sistema que se utiliza de padrões, e só por isso conseguimos acordar, trabalhar, dormir, cumprir com as nossas obrigações. Siga em Frente... O pensamento lateral está baseado na ruptura de percepções que o modelo auto-organizável do cérebro desenvolve, pois estabelece uma sequência de atividades com as primeiras informações que chegam e que, com o tempo, passam a ser uma espécie de caminho preferido. O cérebro desenvolve com muita facilidade o processo de reconhecimento de padrões, que passa a ser frequentemente empregado nas mais diferentes formas de relacionamento com o mundo. O pensamento lateral é aquele que leva à quebra de paradigmas, ou seja, a um pensamento diferente do padrão habitual. Considere dois tipos de criatividade: a da inocência e a da fuga. Na criatividade da inocência, o processo é livre, despojado e espontâneo, pois o agente criador desconhece totalmente as regras, diretrizes, procedimentos e processos que de�nem a atividade da criação. Já na criatividade da fuga, padrões vigentes são quebrados. O agente criador, que conhece as regras, diretrizes, procedimentos e o processo, procura ignorá-los por conta própria, rompendo com os padrões vigentes. Por meio da prática do pensamento lateral, o agente criador enfatiza o "valor da fuga" por meio da adoção de uma perspectiva diferente ou recuada, a �m de olhar as coisas de certa distância. Predebon (2002) conclui que a alteração da percepção se processa por meio de comportamentos e atitudes, em um trabalho cotidiano baseado na exploração de importantes fontes, como, por exemplo, as ações de manter sempre a curiosidade inata (infantil); manter sempre a curiosidade de um turista ou de um visitante de uma feira, visando captar novidades;manter um programa de atualização, que inclui uma seleção de leituras enriquecedoras. Disciplina PROCESSO DE CRIATIVIDADE É preciso também considerar que a abertura dos sentidos, ao contribuir para otimizar a percepção em uma visão bem ampla, não apenas melhora nosso desempenho criativo, mas também contribui para nos realizarmos como indivíduos. Uma das técnicas de criatividade de pensamento lateral que está se difundindo no mundo dos negócios é a dos seis chapéus, como pode ser observado na Figura 2. Segundo Bono (2000), essa técnica, que é utilizada em grandes empresas, é simples. Consiste em separar os momentos das fases criativas. É uma metáfora que utiliza a imagem de seis chapéus de pensamento e diz que, de acordo com cada momento/situação, devemos utilizar o chapéu mais apropriado. Cada chapéu é de uma cor diferente e representa um estilo diferente de pensar. Assim, quando pensamos tendo por base um determinado chapéu de pensamento, teremos de mudar também a nossa forma habitual de pensar. Em resumo, o autor de�niu seis tipos de pensamentos para a condução de reuniões criativas e deu a cada um deles um chapéu de cor diferente. Chapéu branco Informação e neutralidade. O branco se preocupa com fatos objetivos e se expressa de maneira lógica e desapaixonada. Sua função é inventariar as informações disponíveis, muito mais do que contribuir com ideias. Chapéu vermelho Emoções, sentimentos e intuição. Ele devolve a perspectiva emocional de uma circunstância, dando-se o direito de pressupor qualquer coisa, sem necessidade de justi�cativas ou explicações. Chapéu preto Pensamento prudente e negativo. O chapéu preto é sempre lógico, apontando os riscos, o que é incorreto, equivocado ou proibido. É negativista, mas não emocional. Corresponde ao julgamento crítico que tenta evitar os erros. Chapéu amarelo Otimismo, visão positiva, construtiva. Esperançoso (ao contrário do chapéu preto), está sempre empolgado, explorando oportunidades e buscando um jeito de fazer as coisas deslancharem. Ele vai trazer à tona as velhas boas ideias. Ele próprio, entretanto, não é criativo. Seu papel é ver o lado bom das coisas, transformando as críticas em propostas positivas. Chapéu verde Esforço criativo, novas ideias e novas formas de ver as coisas. Ele trata de mudanças, de novas Disciplina PROCESSO DE CRIATIVIDADE soluções e propostas inéditas. Em suma, representa a novidade, as soluções alternativas que favoreçam a provocação criativa, o movimento. Chapéu azul Organização e controle do processo de pesquisa de ideias. Fixa a ordem do dia, o plano de ação, assegura o cumprimento dos prazos, demanda resumos e sínteses. Estabelece começo, meio e �m, além de evitar o caos durante a reunião. É também dele a responsabilidade de fazer o resumo �nal e preparar o relatório. Quadro 1 | Os seis chapéus. Fonte: adaptado de Di Nizo (2009). De acordo com Bono, em seu livro Criatividade levada a sério (1994), a tradição ocidental do debate insiste que procuremos avançar por meio da tomada de posições durante um debate. "A" tem um ponto de vista, e "B" discorda. O debate que se segue supostamente propicia uma exploração adequada do assunto. Com frequência, os protagonistas se trancam em suas posições e �cam mais interessados em vencer ou perder o debate do que na exploração do assunto. O método dos seis chapéus permite que nos afastemos do debate para conseguir discussões mais produtivas. "A" e "B" podem usar o chapéu preto ao mesmo tempo para descobrir os perigos. Podem usar o chapéu amarelo para explorar os benefícios. Podem usar o chapéu verde para abrir possibilidades. No lugar do pensamento adversário, há uma exploração cooperativa. O pensamento criativo decorre da integração dos dois hemisférios cerebrais, e a predominância de um ou de outro no indivíduo pode prejudicar bastante a sua produção criativa. Outra técnica utilizada para o desenvolvimento da criatividade chama-se técnica criativa de resolução de problemas, que, de acordo com Wechsler (2002), foi desenvolvida pela equipe da Universidade de Buffalo (Nova Iorque). O trabalho pioneiro de Parnes, Noller e Biondi traz a concepção de que todo problema pode ser resolvido, bastando apenas que tenhamos uma atitude criativa para fazê-lo. A grande contribuição da técnica criativa de resolução de problemas (TCRP) é a de ter mostrado a importância do pensamento convergente/divergente nas várias etapas da resolução criativa de um problema. O autor Marcelo Galvão, em seu livro Criativa Mente (1992), analisa o pensamento criativo em relação ao tradicional e utiliza conceitos de pensamento convergente e divergente. Pensamento divergente Estabelece soluções e respostas aos estímulos de forma inovadora, com base na própria Disciplina PROCESSO DE CRIATIVIDADE inspiração. Está associado ao pensamento lateral de De Bono. Pensamento convergente Parte das informações já conhecidas e estabelece respostas prede�nidas. Quadro 2 | Pensamentos divergentes e convergentes. Fonte: adaptado de Galvão (1992). Wechsler (2002) ainda ressalta que essa ordem de pensamento divergente seguido de convergente não deve ser alterada, caso contrário teríamos o fechamento de ideias logo em um primeiro momento. Isso é o que acontece com a maioria das pessoas ao tentar resolver um problema, pois tentam logo encontrar a melhor solução sem investigarem uma vasta gama de possibilidades para lidar com ele. Vamos Exercitar? Estudante, como auxiliar Ana neste novo desa�o de arrecadar fundos para o projeto "Arte Sustentável" das crianças da escola comunitária? Como vimos, a escola não tem dinheiro disponível para o projeto; as empresas parceiras não podem ajudar, uma vez que já haviam liberado os recursos anuais; e os moradores são economicamente desfavorecidos. Ana não pode decepcionar as crianças. Veja algumas dicas de como podemos ajuda-la: 1. Trabalhar com o pensamento lateral e quebra de paradigmas: O pensamento lateral é aquele que leva à quebra de paradigmas, ou seja, a um pensamento diferente do padrão habitual. Portanto, Ana precisa enxergar o problema de forma inovadora. Qual seria a sua sugestão para uma abordagem diferente e criativa? 2. Pesquisar sobre fontes de receita para ONG: Pesquise quais são os canais pelos quais mais comumente as ONG costumam receber fundos. As verbas são fornecidas somente pelas empresas ou existem outras fontes de �nanciamento que Ana poderia explorar? 3. Discutir sobre �nanciamento coletivo como alternativa: Você já ouviu falar em "�nanciamento coletivo"? Ele pode ser considerado uma alternativa para Ana? Como essa abordagem pode ser aplicada no contexto da escola comunitária? 4. Reconhecer a justi�cação com base nas teorias trabalhadas: Justi�que suas escolhas com argumentos coerentes e embasados nas teorias trabalhadas nesta aula sobre facilitadores da criatividade, especialmente aquelas relacionadas ao pensamento lateral e estratégias de captação de recursos para projetos sociais. Disciplina PROCESSO DE CRIATIVIDADE Sua ajuda com esse conteúdo será de grande valia para Ana! Aproveite para aprender ainda mais sobre o tema. Até mais! Saiba mais Indicamos o �lme Escritores da Liberdade. Este �lme, baseado em fatos reais, conta a história de uma professora, interpretada por Hilary Swank, que enfrenta diversas di�culdades ao tentar inspirar e educar alunos em uma escola comunitária marcada por desigualdades sociais. A narrativa destaca a importância da criatividade, empatia e pensamento inovador para superar obstáculos e promover mudanças positivas em comunidades carentes. Ele poderá ajudar você a pensar nos conceitos que trabalhamos nessa unidade! Aproveite! Referências BONO, E. de. Criatividade levada a sério. São Paulo: Pioneira, 1994. BONO, E. de. Criatividade levada a sério. São Paulo: Pioneiro, 1997. BONO, E. de. Novas estratégias de pensamento. São Paulo: Nobel, 2000. DI NIZO, R. Foco e criatividade: fazer mais com menos. São Paulo: Summus, 2009. GALVÃO, M. M. Criativa mente. Rio de Janeiro: Qualitymark,assistir mesmo sem conexão à internet. Estudante, esta videoaula foi preparada especialmente para você. Nela, você irá aprender conteúdos importantes para a sua formação pro�ssional. Vamos assisti-la? Bons estudos! Ponto de Partida Olá! Como vai? Vamos prosseguir com nossa jornada pelo mundo da criatividade? Neste momento, dedicaremos nossa atenção ao estudo mais aprofundado da criatividade, abordando questões �losó�cas e biológicas, além da interligação da criatividade com a lógica, juntamente com a análise das inovações do processo criativo na resolução. A �m de desenvolver um diferencial pro�ssional baseado na criatividade, é fundamental que nossos estudos sejam conduzidos com responsabilidade e consciência. Por isso, esta seção fornecerá orientações valiosas para alcançar esse objetivo, resultando em um maior conhecimento. Para iniciar esta etapa, voltaremos nossa atenção para o desa�o que o empreendedor Alex enfrenta. As sugestões que você ofereceu anteriormente foram extremamente valiosas, e Alex está profundamente grato por elas. Ele planeja incorporá-las durante sua apresentação para investidores em potencial, mas ainda restam dúvidas sobre como ser mais criativo. Recentemente, em uma conversa com um investidor, Alex descobriu que sua criatividade será testada durante a apresentação. Você pode ajudar Alex a pesquisar como as empresas recrutam e treinam seus funcionários para serem mais criativos e inovadores, levando em consideração questões �losó�cas e biológicas Disciplina PROCESSO DE CRIATIVIDADE que fundamentam a compreensão da criatividade. A capacidade de inovar e oferecer soluções únicas para desa�os diários é altamente valorizada pelos executivos, uma vez que isso pode trazer benefícios para as organizações. Ao realizar essa pesquisa, você pode focar em como as abordagens �losó�cas e biológicas in�uenciam as estratégias de recrutamento e treinamento de funcionários com ênfase na criatividade. Tenha um excelente estudo! Vamos Começar! Ser criativo e inovador tornou-se uma necessidade básica no mundo competitivo. Portanto, é crucial o comprometimento em buscar desenvolvimento constante e acompanhar a dinâmica do mercado. Nessa perspectiva, esta aula apresenta pontos importantes para entender o processo criativo atual, visando desenvolver habilidades e competências que permitam a criação e inovação nas atividades. Exploraremos as raízes da criatividade, compreendendo como diferentes correntes de pensamento in�uenciaram nossa percepção e cultivo da criatividade ao longo do tempo. A origem da criatividade Não é de hoje que as pessoas insistem em dizer que a criatividade é resultado das respostas do lado direito do cérebro. Na verdade, a criatividade é o resultado de reações que ocorrem em vários locais do cérebro, independentemente do lado, esquerdo ou direito. O surgimento dessa teoria vem do século XIX (1801 a 1900), início da neurociência. A neurociência é a ciência que estuda o cérebro humano e visa entender o seu funcionamento e suas milhares de funções. Paul Broca, estudioso francês, anunciou sua grande descoberta: a fala era comandada exclusivamente pelo lado esquerdo do cérebro. É claro que a teoria veio a cair algum tempo depois. Cinquenta anos mais tarde, o homem já conhecia melhor o cérebro e sabia que a capacidade de ser criativo estava relacionada a vários outros fatores, como a imaginação. Aí, surge a pergunta: de onde vem a imaginação? Em 1990, foi possível descobrir, por meio de pesquisas, que a imaginação tinha origem no mesmo lugar de onde vêm os sentidos: o córtex pré-frontal. Isso levou a uma linha de pensamento que se aproxima da origem da criatividade. Consciência social da criatividade A criatividade é uma característica que circula entre os atributos pessoais e os critérios sociais. A�nal, é a sociedade que promove e sanciona o valor e a relevância das atividades e resultados criativos. De acordo com To�er e To�er (2007), as três grandes ondas nas quais a humanidade se viu envolvida foram a agrícola do neolítico, a industrial do século XVIII e a das telecomunicações, na qual estamos atualmente. Na primeira onda, a riqueza de uma sociedade Disciplina PROCESSO DE CRIATIVIDADE estava sobre a terra. Na segunda onda, estava na industrialização, na máquina. E na terceira onda, a riqueza está na comunicação tecnológica, no poder da informação, nas pessoas, nas ideias. Avançando mais um pouco, podemos vislumbrar que estamos entrando na onda da criatividade. Mais uma vez, vemos que a criatividade se socializa, isto é, deixa de ser um dom ou uma capacidade pessoal para se converter em um bem social, utilizando-se, de forma e�ciente, da informação disponível. Em toda a história, pode-se observar a evidência de que o pensamento humano realizou inovações. A palavra "pensar" é derivada da expressão latina pensare, que signi�ca pesar, avaliar o peso de alguma coisa. E o pensamento (ato de pensar) permite aos seres humanos projetarem o mundo, por meio de um processo de racionalização, que é uma característica genuinamente humana. A escrita é um grande exemplo de poderosa ferramenta intelectual humana e de poder criativo, com o objetivo de transcender o tempo. A escrita e a educação fazem o homem avançar, por intermédio da reprodução e da transformação. Após esse período de humanismo criativo, foram alternando-se períodos reprodutivos (Idade Média, Neoclassicismo), junto a outros de maior criação (Renascimento, grandes inventos e descobertas do século XIX). A frequência de novas descobertas, invenções e criações demonstram a amplitude da consciência humana ao longo da história. O processo inovador não é apenas fruto de mentes criativas; também deve-se levar em consideração o clima social, a consciência coletiva, que aceita ou rejeita as novas ideias. Siga em Frente... Abordagens �losó�cas A abordagem �losó�ca é a mais antiga das concepções que tratam da criatividade e prova da crença de que o processo ocorre por inspiração divina. A�nal, tudo o que não era explicável era atribuído aos deuses. Segundo Platão, �lósofo e matemático do período clássico da Grécia Antiga, em sua teoria da imortalidade e teoria das ideias, o homem tinha acesso a uma visão interior que se identi�cava com a razão divina. Platão a�rmava que no momento da criação o artista perdia o controle sobre si mesmo, passando a um domínio superior (Kneller, 1978). Até hoje nos deparamos com conceitos que atribuem a criatividade a uma ação divina, um presente divino, sobre o qual a vontade humana nada pode in�uenciar. Também podemos encontrar de�nições de criatividade associadas a alguma forma de loucura. Essas de�nições vêm da Antiguidade e eram observadas, principalmente, nos artistas: a espontaneidade, a irracionalidade, a originalidade de pensamentos, a ruptura com maneiras tradicionais de agir, sempre levaram e ainda levam o indivíduo criativo a ser diferente das regras e dos comportamentos esperados pela sociedade, fazendo com que este indivíduo seja julgado como anormal ou louco. Michel Foucault (�lósofo francês, historiador das ideias, teórico social, �lólogo e crítico literário) analisou essa tendência em diferentes épocas da civilização, mostrando como o indivíduo diferente era tranca�ado e isolado do resto da sociedade. Outra abordagem �losó�ca refere-se à intuição. Se buscarmos o conceito de intuição em um dicionário, encontraremos a seguinte de�nição: intuição é a faculdade de compreender as coisas no momento, sem necessidade de realizar cálculos complexos. O termo também é usado para fazer referência ao resultado de intuição. Disciplina PROCESSO DE CRIATIVIDADE Descartes (�lósofo e matemático francês, considerado o fundador da �loso�a moderna), em seu dualismo, isto é, na noção de mente separada do corpo, acreditava que as ideias da alma eram inatas. O sujeito teria uma capacidade incontrolável, ou uma capacidade de intuição cujo dom seria dado. O indivíduo criativo já não era mais louco, e sim uma pessoa saudável com uma capacidade de intuição altamente desenvolvida.1992. PREDEBON, J. Criatividade. Abrindo o lado inovador da mente. São Paulo: Atlas, 2002. WECHSLER, S. M. Criatividade: descobrindo e encorajando. Campinas: Livro Pleno, 2002. Aula 5 Facilitadores da Criatividade Vídeo Aula Encerramento Este conteúdo é um vídeo! Para assistir este conteúdo é necessário que você acesse o AVA pelo computador ou pelo aplicativo. Você pode baixar os vídeos direto no aplicativo para assistir mesmo sem conexão à internet. Disciplina PROCESSO DE CRIATIVIDADE Estudante, esta videoaula foi preparada especialmente para você. Nela, você irá aprender conteúdos importantes para a sua formação pro�ssional. Vamos assisti-la? Bons estudos! Ponto de Chegada Estudante, ao �nal desta aula, é importante que tenha �cado claro o entendimento da relevância da exploração das funções especí�cas do hemisfério cerebral e de como essa dinâmica pode impactar diferentes formas de aprendizado e expressão criativa. Durante este percurso, abordamos de maneira aprofundada os conceitos relacionados à lateralidade cerebral, estilos de pensar e sua in�uência na criatividade. Entendemos também a importância de desconstruir paradigmas, apresentando de�nições e modelos paradigmáticos, estimulando uma abordagem mais inovadora e �exível. Destacamos a necessidade de superar bloqueios, não apenas identi�cando fatores ambientais e emocionais, mas também desenvolvendo estratégias para cultivar um ambiente propício à criatividade. Além disso, ao explorar os tipos de percepção, incluindo a percepção sensorial e a Teoria da Gestalt, buscamos proporcionar uma compreensão mais profunda do processo perceptual, enriquecendo as bases para o desenvolvimento criativo. Por �m, ao abordar a alteração da percepção e o pensamento lateral, conectamos a lateralidade cerebral aos estilos de pensar, à superdotação e à criatividade, oferecendo insights valiosos para enfrentar desa�os criativos com con�ança e determinação. Esperamos que esses conhecimentos sejam integrados à sua jornada pro�ssional, capacitando-o a contribuir com soluções criativas e inovadoras em sua área de atuação. Parabéns pelo seu empenho e dedicação, e que essas ferramentas ampliem sua capacidade de resolver problemas de maneira original no futuro! É Hora de Praticar! Este conteúdo é um vídeo! Para assistir este conteúdo é necessário que você acesse o AVA pelo computador ou pelo aplicativo. Você pode baixar os vídeos direto no aplicativo para assistir mesmo sem conexão à internet. Imagine que você está liderando uma equipe de marketing em uma renomada empresa de publicidade e design que se esforça para manter-se na vanguarda da indústria criativa. Com as constantes evoluções do mercado e novas demandas surgindo, torna-se essencial que sua Disciplina PROCESSO DE CRIATIVIDADE equipe mantenha um �uxo contínuo de ideias inovadoras para atender às necessidades dos clientes e destacar-se da concorrência. Entretanto, ao analisar o panorama atual, você percebe que a equipe enfrenta bloqueios criativos e di�culdades para desenvolver conceitos impactantes que atendam aos padrões exigentes da indústria. Diante desse desa�o, é hora de aplicar estratégias baseadas nos conceitos estudados nesta unidade que tratou dos facilitadores da criatividade. Em relação a essa situação, quais orientações você pode apresentar para ajudar a sua equipe? O pensamento criativo decorre da integração dos dois hemisférios cerebrais, e a predominância de um ou de outro no indivíduo pode prejudicar bastante a sua produção criativa. Outra técnica utilizada para o desenvolvimento da criatividade chama-se técnica criativa de resolução de problemas que, de acordo com Wechsler (2002), foi desenvolvida pela equipe da Universidade de Buffalo (Nova Iorque). Por meio do trabalho pioneiro de Parnes, Noller e Biondi, traz a concepção de que todo problema pode ser resolvido, bastando apenas que tenhamos uma atitude criativa para fazê-lo. Diante dessa situação, a seguir estão algumas orientações que você pode apresentar à sua equipe para superar bloqueios criativos e estimular a inovação, utilizando os facilitadores da criatividade estudados: Incentive a equipe a diversi�car os métodos de pensamento, explorando tanto o lado analítico quanto o intuitivo. Proponha atividades que envolvam a colaboração entre diferentes áreas da equipe, integrando as diferentes habilidades e perspectivas. Sugira que a equipe questione ativamente as normas da indústria. Encoraje-os a pensar em como podem desa�ar convenções estabelecidas para criar algo verdadeiramente inovador. Promova a liberdade de pensamento e a rejeição de ideias preconcebidas. Proponha exercícios que explorem a percepção sensorial e a aplicação da Teoria da Gestalt na criação de designs. Incentive a equipe a considerar como diferentes elementos podem ser combinados de maneira única para criar impacto visual e comunicar a mensagem desejada. Integre atividades de pensamento lateral, desa�ando a equipe a pensar fora dos padrões convencionais. Estimule a diversidade de abordagens, encorajando cada membro a contribuir com perspectivas únicas para enriquecer o processo criativo. Valorize as habilidades individuais de cada membro da equipe. Incentive a colaboração entre diferentes especialidades e experiências, reconhecendo que a combinação de talentos pode levar a soluções inovadoras e fora do comum. Ao implementar essas orientações, promova um ambiente aberto para o compartilhamento de ideias, encorajando a equipe a se expressar livremente. Além disso, sugira a criação de um espaço físico ou digital onde ideias, imagens e conceitos possam ser visualmente representados, facilitando a comunicação e a referência durante o processo criativo. Este espaço visual pode ser atualizado regularmente à medida que novas ideias são geradas e re�nadas, proporcionando uma representação tangível do progresso criativo da equipe. Disciplina PROCESSO DE CRIATIVIDADE Figura 1 | Síntese dos conteúdos abordados durante os estudos AGGIO, J. O. Conhecimento perceptivo segundo Aristóteles. 2006. 118 f. Dissertação (Mestrado em Filoso�a) – Universidade de São Paulo. Faculdade de Filoso�a, Letras e Ciências Humanas. Departamento de Filoso�a. São Paulo, 2006. ALENCAR, E. M. L. S. A gerência da criatividade. São Paulo: Makron Books, 1996. BONO, E. de. Criatividade levada a sério. São Paulo: Pioneira, 1994. BONO, E. de. Criatividade levada a sério. São Paulo: Pioneiro, 1997. BONO, E. de. Novas estratégias de pensamento. São Paulo: Nobel, 2000. CHAUI, M. Convite à �loso�a. São Paulo: Ática, 1999. CHIRAS, D. Human biology. 6. ed. Burlington: Jones & Barlett Publishers, 2008. DI NIZO, R. Foco e criatividade: fazer mais com menos. São Paulo: Summus, 2009. DOMINGUES, I. Epistemologia das ciências humanas. São Paulo: Loyola, 2004. FERRATER MORA, J. Dicionário de �loso�a. São Paulo: Loyola, 2004. GALVÃO, M. M. Criativa mente. Rio de Janeiro: Qualitymark, 1992. GONÇALVES, M. V. R. Processamento de dados em aquisição simultânea de EEG/IFRM. Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade Nova de Lisboa, 2009. GOLEMAN, D. Inteligência emocional. São Paulo: Objetiva, 1996. GRANDO, F. S. Concepções de criatividade ao longo da história. 2014. HOUAISS, A. Dicionário eletrônico Houaiss da língua portuguesa. São Paulo: Objetiva, 2002. KATZ, D.; KAHN, R. Psicologia social das organizações. São Paulo: Atlas, 1978. KUHN, T. S. A estrutura das revoluções cientí�cas. 9. ed. São Paulo: Perspectiva, 2005. NICOLAU, M. Introdução à criatividade. João Pessoa: Ideia, 2014. PREDEBON, J. Criatividade. Abrindo o lado inovador da mente. São Paulo: Atlas, 2002. SOLOMON, M. R. O comportamento do consumidor: comprando, possuindo, sendo. Porto Alegre, Bookman, 2002. TORRANCE, E. P. Criatividade: medidas, testes e avaliações. São Paulo: Ibrasa, 1965. Disciplina PROCESSO DE CRIATIVIDADE WECHSLER, S. M. Criatividade: descobrindo e encorajando. Campinas: Livro Pleno, 2002.Abordagens biológicas A relação do conceito de criatividade como força criadora inerente à vida surgiu com a in�uência da Teoria Evolucionista de Darwin, que defendia a tese de que a evolução orgânica é criadora e a hereditariedade era considerada o componente principal na criatividade. Segundo essa visão, a criatividade é percebida como algo fora do controle do homem e é transmitida pelos códigos genéticos. Portanto, se o pai era criativo, consequentemente, o �lho também era. Outra grande vertente da teoria biológica sobre criatividade foi a de Edmund Sinnott (botânico americano), que a�rmava que a vida, por si só, já é criativa. Segundo Sinnott, a vida é criativa por si só porque se auto-organiza, se autorregula e está gerando novidades constantemente. As alterações ocorrem devido à genética. Frases como “não adianta, não nasci criativo”, “não tenho este dom” ou “na minha família não tem ninguém criativo” são muito comuns e bastante enraizadas na mente das pessoas. É a força da sugestão de que a criatividade é hereditária. Ao considerar como a criatividade tem sido interpretada ao longo da história, compreendemos sua importância não apenas como uma habilidade individual, mas também como uma característica social e empresarial essencial. Com isso, falar dos processos criativos remete olhar também para a interconexão entre a lógica e a imaginação na resolução de problemas. Com esse entendimento, estamos mais bem equipados para enfrentar os desa�os atuais e futuros, aplicando nossa criatividade de maneira consciente e estratégica em diversos contextos pro�ssionais e sociais. Vamos Exercitar? Parabéns! Você ajudou Alex com muita dedicação e e�ciência. Ele está agradecido, pois, para o primeiro passo pelo universo da criatividade, já está um pouco mais tranquilo e preparado. Conhecer os principais conceitos da criatividade pode auxiliar na preparação de Alex para os desa�os que ele enfrentará. A ideia constante de que “não tenho esse dom” ou “não nasci criativo” já ocorreu a Alex. Mas, pelo contrário, a vontade de resolver problemas com criatividade começou a lhe agradar e liberar. Durante os estudos, tenha em mente que a criatividade é uma das características mais bem vistas pelos executivos, e a capacidade de inovar e propor novas soluções para os desa�os rotineiros pode trazer benefícios positivos para as organizações. Por isso, para ajudar Alex a realizar essa pesquisa, você pode seguir os seguintes passos: 1. Compreenda as abordagens �losó�cas e biológicas: inicialmente, você pode estudar as teorias �losó�cas e biológicas que fundamentam a compreensão da criatividade. Isso Disciplina PROCESSO DE CRIATIVIDADE envolveria explorar como as ideias de inspiração divina, loucura e intuição in�uenciam a percepção da criatividade ao longo do tempo. 2. Pesquise estudos de caso: busque estudos de caso de empresas conhecidas por seu ambiente criativo e inovador. Eles podem examinar como essas empresas abordam o recrutamento e o treinamento de funcionários para fomentar um ambiente propício à criatividade, levando em consideração as teorias �losó�cas e biológicas. 3. Analise as estratégias de recrutamento e treinamento: é crucial que você analise as estratégias especí�cas utilizadas pelas empresas para identi�car e cultivar talentos criativos. Investigue essas estratégias que re�etem ou se relacionam com os princípios das teorias �losó�cas e biológicas. 4. Estude os processos criativos e lógicos: explore como as empresas incentivam e aprimoram o processo criativo entre seus funcionários. Em seguida, analise como as empresas promovem o desenvolvimento de soluções únicas para os desa�os diários, considerando as relações entre o pensamento lógico e a criatividade. Faça um resumo de sua pesquisa. Pesquise em revistas e na internet. Você deverá criar um documento em Word expondo os resultados obtidos. Este documento será parte integrante do trabalho �nal da Unidade. Saiba mais Você sabia que existem softwares de gestão de projetos que podem auxiliar você a organizar as etapas da pesquisa, gerenciar tarefas, e acompanhar o progresso individual e em equipe? Pois é! Essas ferramentas podem fazer toda diferença no processo criativo e na apresentação dos resultados, pois a organização e o gerenciamento das tarefas podem oferecer maior segurança e con�ança no seu trabalho. A Asana, por exemplo, é uma plataforma de gerenciamento de trabalho que permite às equipes organizar e acompanhar o andamento dos projetos. Com recursos como listas de tarefas, quadros e calendários, a Asana ajuda os usuários a visualizar o trabalho em andamento, organizar tarefas, de�nir prazos e colaborar de forma e�caz. Ela também oferece integrações com várias outras ferramentas populares, o que torna uma escolha versátil para equipes que buscam melhorar a e�ciência e a comunicação. Referências ASANA. Faça o trabalho trabalhar por você. Disponível em: https://asana.com/pt?noredirect=\. Acesso em: 15 out. 2023. KNELLER, G. F. Arte e ciência da criatividade. São Paulo: Ibrasa, 1978. https://asana.com/pt?noredirect= https://asana.com/pt?noredirect=%5C%3E Disciplina PROCESSO DE CRIATIVIDADE TOFFLER, A.; TOFFLER, H. A riqueza revolucionária: o signi�cado da riqueza no futuro. São Paulo: Futura, 2007. Aula 3 Abordagens Comportamentais e o Estímulo da Criatividade Abordagens comportamentais e o estímulo da criatividade Este conteúdo é um vídeo! Para assistir este conteúdo é necessário que você acesse o AVA pelo computador ou pelo aplicativo. Você pode baixar os vídeos direto no aplicativo para assistir mesmo sem conexão à internet. Estudante, esta videoaula foi preparada especialmente para você. Nela, você irá aprender conteúdos importantes para a sua formação pro�ssional. Vamos assisti-la? Bons estudos! Ponto de Partida Olá, estudante! Avançamos os nossos estudos e agora Alex está planejando iniciar um estágio em uma empresa renomada. Parabéns pela sua contribuição! Seu apoio foi fundamental para que Alex conquistasse seus objetivos. Após uma apresentação bem-sucedida para os investidores, Alex obteve um investimento valioso para seu empreendimento. No entanto, ele enfrentou novos desa�os relacionados ao desenvolvimento de uma equipe e�caz que possa traduzir suas ideias inovadoras em ações concretas. Enquanto re�ete a respeito de como liderar sua equipe de maneira mais e�caz, ele se depara com a necessidade de compreender melhor o desenvolvimento psíquico individual e as teorias associativas e comportamentais que podem in�uenciar a dinâmica do grupo. Nesse contexto, Alex con�rma a importância de compreender o associacionismo, o conexionismo e o behaviorismo para promover uma cultura organizacional focada na criatividade e na inovação. Ele busca desenvolver estratégias para estimular a criatividade e a colaboração entre sua equipe, com o objetivo de contribuir para a e�ciência e o desempenho organizacional. Dessa forma, a nova situação-problema consiste em orientar Alex na aplicação prática desses conceitos teóricos em seu ambiente empresarial, a �m de promover o desenvolvimento individual Disciplina PROCESSO DE CRIATIVIDADE e coletivo de sua equipe. Sua tarefa é auxiliar na criação de um plano que integre efetivamente essas teorias comportamentais, permitindo que ele estabeleça uma cultura organizacional propícia à criatividade e à inovação. Vamos Começar! No contexto das teorias psicológicas, a compreensão do processo criativo emerge como uma característica intrinsecamente relacionada à personalidade e ao comportamento humano. Essas teorias desvendam facetas importantes que moldam a maneira como percebemos a mente e sua capacidade de criar e inovar. Entre elas, o associacionismo, o behaviorismo e o conexionismo surgem como abordagens fundamentais para compreender o funcionamento psicológico e suas implicações na criatividade humana. Neste contexto, a compreensão dessas abordagens psicológicas oferece insights de como os indivíduos desenvolvem e expressam sua criatividade, destacando a interconexão entre amente e o comportamento no contexto da inovação e da solução de problemas. Além disso, essas teorias continuam a fornecer uma base sólida para explorar e aprimorar o potencial criativo humano em diversos campos e disciplinas. Figura 1 | Processo criativo. Fonte: Shutterstock. Siga em Frente... Associacionismo Disciplina PROCESSO DE CRIATIVIDADE O associacionismo é uma abordagem psicológica que enfatiza a importância das associações entre ideias, sensações e experiências na formação da cognição e do comportamento humano. Essa teoria pressupõe que a mente humana opera por meio da formação de associações entre estímulos e respostas, criando conexões entre eventos ou ideias que ocorrem em proximidade temporal. A ideia fundamental é que a experiência seja composta por elementos simples que se associam para formar ideias mais complexas. Thorndike localizou a Lei do Efeito, que tem relevância signi�cativa no campo da psicologia comportamental. Segundo essa lei, quando um organismo vivo, como um ser humano, um pombo ou um rato, recebe uma recompensa imediatamente após apresentar um determinado comportamento, há uma tendência do comportamento se repetir. Além disso, a Lei do Efeito a�rma que o organismo vai associar tais situações a outras semelhantes (Bock, 2008, p. 42). Os princípios do associacionismo remontam à Grécia Antiga, com �lósofos como Aristóteles e Platão explorando conceitos relacionados à associação de ideias. No entanto, o associacionismo ganhou destaque particularmente nos trabalhos de psicólogos do século XIX, como o britânico David Hume e o �lósofo britânico John Locke, cujas teorias in�uenciaram o desenvolvimento da psicologia moderna. Disciplina PROCESSO DE CRIATIVIDADE Figura 1 | Edward L. Thorndike. Fonte: Wikipedia. Disciplina PROCESSO DE CRIATIVIDADE A Lei do Efeito demonstra respostas que são automaticamente desencadeadas por algum estímulo. Trata-se de um condicionamento no qual o organismo reage a um estímulo, conhecido como condicionamento clássico ou respondente: estímulo resposta. Por isso, podemos a�rmar que o associacionismo contribuiu signi�cativamente para a compreensão da aprendizagem e da memória. Por exemplo, os processos de condicionamento clássico e operante podem ser vistos como manifestações práticas do associacionismo. Além disso, a teoria associacionista foi central no desenvolvimento da psicologia comportamental e contribuiu para a compreensão das bases da formação de hábitos, reações emocionais e processos de pensamento. Figura 2 | Caixa de quebra-cabeça de Thorndike. Fonte: Wikipedia. Behaviorismo O behaviorismo foi inaugurado pelo americano John Watson, em um artigo publicado em 1913, no qual propôs estudos do comportamento que alcançaram o status de ciência. Em outras Disciplina PROCESSO DE CRIATIVIDADE palavras, considerou o comportamento “um objeto observável, mensurável, cujos experimentos poderiam ser reproduzidos em diferentes condições e sujeitos” (Bock, 2008, p. 45). Não é necessário mencionar o papel crucial desse posicionamento metodológico de Watson para a psicologia, uma área que enfrentou desa�os para conquistar a alternativa no meio cientí�co. O pesquisador behaviorista que se destacou posteriormente foi B. F. Skinner (1904- 1990), com seu behaviorismo radical, introduzindo a formulação do comportamento operante. Disciplina PROCESSO DE CRIATIVIDADE Figura 3 | B. F. Skinner. Fonte: Wikipedia. Partindo de sua experiência com animais para elaborar suas conclusões, Skinner esclarece que o aprendizado decorre de um condicionamento instrumental (operacional) resultante da recompensa obtida. Em outras palavras, o comportamento é in�uenciado pelas consequências que promove para o indivíduo, afetando a frequência ou a probabilidade de sua reprodução. Além das considerações acerca da Lei do Efeito, Skinner desenvolve o conceito de comportamento operante, destacando que, dependendo das consequências decorrentes de uma resposta especí�ca, o organismo (ou sujeito) pode sentir-se recompensado e tender a repetir o comportamento, ou pode sentir-se punido, di�cultando a reprodução do comportamento. Há anos as teorias de Skinner nos levam a re�etir a respeito das possíveis repercussões negativas no processo criativo de crianças que são frequentemente punidas por suas travessuras (Matos, 1994). Que tipo de impacto a proteção pode exercer sobre o desenvolvimento da criatividade? Conexionismo Essa corrente da psicologia estuda a mente a partir de uma perspectiva computacional, ou seja, busca descrever o processo cognitivo de maneira análoga a um computador. Para os conexionistas, o aprendizado se manifesta por meio das relações entre os dados de entrada (input) e saída (output). Em contraste com o behaviorismo, o conexionismo não nega a existência da mente, procurando explicar, em termos neurais, o que acontece entre os dados de entrada e saída no âmbito mental. Este modelo computacional da mente apresenta um modelo matemático inspirado na estrutura neural e em organismos inteligentes que adquirem conhecimento por meio da experiência. De acordo com o conexionismo, os neurônios se comunicam por meio de sinapses, que são reações químicas processadas no cérebro e que transmitem impulsos nervosos entre os neurônios. Tais reações desempenham um papel fundamental no processo de aprendizagem. Aprender implica alterar a força das sinapses, e esse processo ocorre por meio de neurotransmissores. Santiago Ramón y Cajal, médico e histologista espanhol próximo ao �nal do século XIX, foi um dos principais representantes dessa teoria, tendo realizado experimentos cruciais para o desenvolvimento inicial do conexionismo. Ele concluiu que o cérebro era composto por células interconectadas. As redes neurais têm a capacidade de desenvolver estratégias cognitivas (processos de aprendizagem) e de encontrar soluções não programadas. Essas redes têm a habilidade de memorizar informações por meio de conexões, unindo um número variável de elementos. A informação pode ser considerada uma base para a resolução de problemas criativos. Disciplina PROCESSO DE CRIATIVIDADE Figura 4 | Exemplo de rede neural em um cérebro humano. Fonte: Wikipedia. Disciplina PROCESSO DE CRIATIVIDADE Vamos Exercitar? Para orientar Alex na aplicação prática dos conceitos teóricos aprendidos em seu ambiente empresarial, a �m de promover o desenvolvimento individual e coletivo de sua equipe, oriente-o a fazer uso de uma ferramenta de gestão conhecida como Design Thinking. Você conhece? O Design Thinking é uma abordagem estruturada e centrada no ser humano para a inovação e resolução de problemas. Essa abordagem baseia-se na compreensão das necessidades dos usuários, na geração de ideias criativas e na criação de soluções práticas e viáveis. Disciplina PROCESSO DE CRIATIVIDADE Figura 5 | Design Thinking. Fonte: Shutterstock. Ao aplicar o Design Thinking no contexto da situação do Alex, ele pode promover a criatividade e a inovação em sua equipe ao: Fomentar a empatia e a compreensão da equipe: utilize o Design Thinking para incentivar Alex a promover uma cultura organizacional baseada na compreensão das necessidades e motivações individuais de sua equipe. Isso pode ser feito por meio da realização de entrevistas, observações e empatia com os membros da equipe, como preconiza o Design Thinking, ao mesmo tempo utilizando conceitos do associacionismo para entender as conexões entre os comportamentos individuais e a cultura organizacional. Estimular a colaboração e o pensamento criativo: encoraje Alex a fazer sessões de brainstorming e atividades de ideação com sua equipe, incentivando a participação de todos os membros. Isso pode ser facilitado aplicando conceitos de conexão, enfatizando a importância das sinapses e das interações neurais na geração de ideias e soluções inovadoras. Prototipagem e teste de soluções criativas: oriente Alex a criar protótipos de ideias e soluções concebidas durante as sessões de ideação. Esses protótipos devem ser testadosem conjunto com a equipe, possibilitando feedback imediato e iteração rápida das ideias propostas. Essa abordagem prática está alinhada com os conceitos do behaviorismo, considerando as recompensas e punições como forma de moldar comportamentos e melhorar o desempenho da equipe. Implementação gradual e adaptativa das soluções: ajude Alex a implementar as soluções escolhidas de forma incremental, permitindo que a equipe ativa participe do processo de implementação e adaptação das soluções de acordo com o feedback recebido. Aqui, o Design Thinking pode ser aplicado juntamente com as teorias da psicologia, enfatizando a importância de desenvolver comportamentos positivos e proporcionar um ambiente que incentive a exploração e a inovação. Ao adotar o Design Thinking, Alex poderá facilitar a inovação e a criatividade em sua equipe, promovendo um ambiente propício para a geração de ideias novas e a implementação de soluções práticas. Além disso, o Design Thinking incentiva a colaboração e a participação de toda a equipe no processo de resolução de problemas, o que pode resultar em um maior comprometimento e engajamento por parte dos membros da equipe. Saiba mais Para conhecer mais o Design Thinking, recomendamos a leitura do artigo “Design Thinking Aplicado a Equipes Remotas: Revisão Sistemática e Oportunidades de Estudo”. Esse trabalho discute como essa ferramenta tem despertado um interesse signi�cativo devido à sua capacidade de estimular a colaboração, a empatia e a resolução de problemas em ambientes virtuais. O texto busca revisar criticamente a literatura existente tratando da aplicação do Design Thinking em equipes remotas, identi�car lacunas de pesquisa e oportunidades para estudos futuros. https://www.producaoonline.org.br/rpo/article/view/4590/2155. https://www.producaoonline.org.br/rpo/article/view/4590/2155. Disciplina PROCESSO DE CRIATIVIDADE Referências BOCK, A. M. B. Psicologias: uma introdução ao estudo de psicologia. São Paulo: Saraiva, 2008. MATOS, M. A. Com o que o behaviorismo radical trabalha. Artigo. USP 1994. Disponível em: http://www.itcrcampinas.com.br/pdf/outros/Com_o_que_o_Behaviorismo_Radical_trabalha.PDF. Acesso: 15 out. 2023. SANTANA, G. G. ZANCUL, E. de S. Design Thinking aplicado a equipes remotas: revisão sistemática e oportunidades de estudo. Revista Produção Online, v. 22, n. 1, p. 2479–2509, 2023. Aula 4 O Diálogo entre Criatividade e Inovação O diálogo entre criatividade e inovação Este conteúdo é um vídeo! Para assistir este conteúdo é necessário que você acesse o AVA pelo computador ou pelo aplicativo. Você pode baixar os vídeos direto no aplicativo para assistir mesmo sem conexão à internet. Estudante, esta videoaula foi preparada especialmente para você. Nela, você irá aprender conteúdos importantes para a sua formação pro�ssional. Vamos assisti-la? Bons estudos! Ponto de Partida Olá, estudante! Você fez um excelente trabalho acompanhando a jornada do Alex e sua busca por estratégias para promover uma cultura organizacional focada na criatividade e na inovação. Com base nos conhecimentos adquiridos anteriormente, vamos aplicar esses conceitos à situação do Alex e da sua empresa. Após conquistar o investimento para seu empreendimento, Alex está determinado a desenvolver uma equipe capaz de transformar suas ideias inovadoras em ações concretas. Ele reconhece a importância de compreender as teorias da psicologia, como o associacionismo, o behaviorismo e o conexionismo, para promover um ambiente propício à criatividade e à colaboração. No entanto, percebe a necessidade de compreender o contexto empresarial em que está inserido e http://www.itcrcampinas.com.br/pdf/outros/Com_o_que_o_Behaviorismo_Radical_trabalha.PDF. Disciplina PROCESSO DE CRIATIVIDADE decide aplicar o modelo Pestel, uma ferramenta de gestão estratégica que o ajudará a avaliar os diferentes aspectos que impactam sua empresa. Sua função é atuar como um consultor ou orientador para Alex, oferecendo insights e recomendações básicas em ferramentas de gestão, como o modelo Pestel, que podem ajudar Alex a compreender melhor o contexto empresarial e a promover o desenvolvimento e�caz de sua equipe. Ao fazer isso, você pode auxiliar Alex na elaboração de um plano estratégico que poderá ajudá-lo a estabelecer uma cultura organizacional propícia ao crescimento e ao sucesso a longo prazo. Vamos Começar! Não há fórmulas para ativar nosso lado criativo. O encerramento do processo de desenvolvimento do comportamento criativo inclui quase necessariamente a adesão da pessoa a uma abordagem, a um caminho ou fase do processo criativo. As fases ou estágios que culminam na produção criativa têm sido uma preocupação de muitos estudiosos, porém, um ponto em comum entre esses estudos é que nenhum dos pesquisadores acredita que a criatividade aparece subitamente, como se fosse um estalo, uma inspiração divina ou momento de sorte, como já foi comentado anteriormente. Nosso processo criativo deve ser programado para que possamos contar com ele sempre que precisarmos. Os estudiosos enfatizam a grande necessidade de um esforço mental concentrado sobre o tema ou problema em questão para a busca de uma solução criativa. Durante os estudos, conheceremos a visão de alguns especialistas a respeito. Disciplina PROCESSO DE CRIATIVIDADE Figura 1 | Representação de processo criativo. Fonte: Shutterstock. Siga em Frente... O pensamento criativo é um tipo de energia mental que pode aumentar, inibir-se, reduzir-se e especializar-se por meio de estímulos humanos. As pressões sociais e educativas podem desbloquear a imaginação como energia exploradora do desconhecido, de ideias originais. Desde o "Ensaio sobre a imaginação criadora", de Ribot, em 1900, há tentativas de se descobrir o processo de criação, buscando modelos no processo imaginativo e de investigação, como é o caso de J. Dewey (1910), que propôs cinco passos: 1. Encontro com di�culdade ou problema. 2. Localização e precisão. 3. Busca de soluções. 4. Desenvolvimento e consequência. Disciplina PROCESSO DE CRIATIVIDADE 5. Aplicações posteriores. Mas antes de Graham Wallas (1926), a quem a maior parte dos autores atribuem as fases arquetípicas do processo criativo, foi H. Poincaré, matemático francês do século XIX, que distribuiu os quatro passos do processo intuitivo ou de insight: 1ª etapa – Preparação: é a etapa de mobilização interna para expandir limites e ir além do que já se sabe a respeito do tema. Por isso, muitas vezes esse período traz angústia, vazio e até bloqueio. 2ª etapa – Incubação: é o momento de amadurecer, de gestar as ideias concebidas na etapa anterior. É hora de esperar, distanciando-se um pouco da obra, do projeto a ser criado ou do problema a ser solucionado. 3ª etapa – Iluminação (insight): é o momento em que a resposta para o problema ou para a obra desejada surge repentinamente. É quando encontramos uma solução ou um caminho. Contudo, ainda não estamos no campo do pensamento, e não fazemos um ato criativo propriamente dito aqui (Mano; Zagalo, 2009). 4ª etapa – Aplicação/veri�cação: é o momento de dar forma à ideia, transformá-la em uma ação. É uma etapa que exige elaboração, a�nal, criaremos algo para nós e para os outros. Cada uma dessas etapas descritas não tem um tempo cronologicamente de�nido. Entretanto, será Graham Wallas quem difundirá como expressão a produção criativa. Esse psicólogo americano, em seu livro de 1926, A arte do pensamento, apresenta um modelo de processo criativo, que é adotado por muitos autores que escrevem acerca da criatividade. Na concepção de G. F. Kneller, �lósofo britânico, existem cinco fases reconhecíveis no processo criativo: identi�cação, preparação, incubação, iluminação e veri�cação. Na primeira fase, a identi�cação, o indivíduo têm a sensação ou percepção de que existe um problema a ser resolvido. Levantar novas dúvidas, novas possibilidades, olhar velhos problemas sob novos ângulos exige imaginação criadora e é o que marca os avanços reaisda ciência. Na segunda fase, o indivíduo vai investigar o problema em questão de diferentes maneiras: lendo, anotando, discutindo, indagando, explorando. Nesta fase, chamada de preparação, torna- se necessária a familiarização com as ideias alheias e com a investigação do problema em questão. Quando se atinge um ponto insuportável no estágio de preparação, isto é, quando aumenta a angústia, ao invés de diminuir, a mente humana praticamente "desliga". A fase de incubação é uma consequência direta da fase anterior. Enquanto o indivíduo está investigando, está jogando com inúmeras hipóteses na sua cabeça, em seu inconsciente, a respeito das informações obtidas. Segundo alguns psicólogos, o processo de incubação se desenvolve mais no plano do inconsciente. Disciplina PROCESSO DE CRIATIVIDADE De acordo com H. Poincaré, é preciso descansar e, em seguida, trabalhar novamente. Assim como Thomas Edison, Poincaré tinha a mesma opinião de que o trabalho inconsciente é impossível se não for precedido pelo trabalho consciente. O termo "incubação" tornou-se popular com Graham Wallas (1926). A incubação, depois da preparação consciente de informações, é uma ocorrência da mente humana contra a pressão angustiante. A mente, no plano do inconsciente, começa a trabalhar praticamente sozinha. A fase da iluminação é uma fase conhecida pela "eureca!". É o clímax do processo de criação que vem espontaneamente, em um determinado momento do estalo de incubação. É o insight, ou seja, a súbita compreensão das relações entre meios e �ns. Uma ideia iluminada pode ocorrer em estado de relaxamento ou não, de forma nítida ou sob a aparência de analogias. A fase de veri�cação conclui as etapas do processo criativo. É nela que o indivíduo vai dar forma à solução que encontrou. Nessa fase, o indivíduo separa as ideias válidas das inválidas. Nas etapas anteriores, o criador estava se comunicando consigo mesmo, mas agora deverá comunicar-se com o público. Uma maneira sistematizada de exercitar cada passo do processo criativo foi desenvolvida por A. F. Osborn, publicitário norte-americano. As fases a serem treinadas são basicamente três: 1. Procura dos fatos – o indivíduo tenta de�nir o problema. 2. Procura de ideias – o indivíduo tenta produzir um grande número de ideias. 3. Procura de soluções – avalia as ideias obtidas. Todo processo criativo envolve fases de comunicação, expressão e valorização da ideia (realização ou produto) (Lupton, 2013). Além disso, outros aspectos ou outras ferramentas contribuem para facilitar o processo contínuo de aprendizagem, criatividade e inovação. Dentre todas as ferramentas, destacamos o modelo Pestel. Esse modelo, também conhecido como Pest, é uma ferramenta analítica usada para examinar e monitorar fatores macroambientais que podem ter um impacto sobre uma organização, indústria, mercado ou país em particular (Gupta, 2013). Pestel é um acrônimo que representa os seguintes fatores macroambientais: político, econômico, social, tecnológico, ambiental e legal (Gupta, 2013). Ao analisar e considerar esses fatores, as organizações podem formular estratégias mais robustas, criativas e adaptáveis, aproveitando oportunidades e minimizando ameaças derivadas de mudanças no ambiente macroambiental. Vamos Exercitar? Para ajudar Alex a aplicar o modelo Pestel em sua empresa e promover um ambiente propício à criatividade e à inovação, é fundamental que ele compreenda as diferentes dimensões do contexto empresarial, levando em consideração os conceitos de identi�cação, preparação, Disciplina PROCESSO DE CRIATIVIDADE incubação, aquecimento, iluminação, elaboração e veri�cação, trabalhados teoricamente nesta seção. Vamos explorar como isso pode ser feito: Identi�cação e preparação: Alex deve identi�car e compreender os fatores do modelo Pestel que afetam sua empresa. Ele deve estar preparado para coletar e analisar informações relevantes em cada dimensão para melhor compreender o contexto empresarial e suas implicações na cultura organizacional. Incubação: durante a fase de análise das informações coletadas, Alex deve permitir um tempo para incubação, ou seja, para uma re�exão profunda e análise cuidadosa dos dados. Ele pode aproveitar esse tempo para examinar como os diferentes fatores do modelo Pestel se interconectam e podem in�uenciar a criatividade e a inovação em sua equipe. Aquecimento: ao considerar as implicações do modelo Pestel, Alex pode preparar sua equipe para as mudanças e desa�os que possam surgir. Ele deve aquecer a equipe, incentivando a discussão e a participação ativa na compreensão das complexidades do ambiente empresarial e como isso pode afetar suas operações e iniciativas criativas. Iluminação: ao adquirir insights a partir da análise do modelo Pestel, Alex e sua equipe podem experimentar o momento de iluminação, em que as conexões e implicações se tornam claras. Eles devem estar abertos a ideias inovadoras e criativas que possam surgir durante o processo de análise e discussão. Elaboração e veri�cação: com base nas conclusões derivadas do modelo Pestel e das fases anteriores, Alex deve elaborar um plano de ação estratégica para promover uma cultura organizacional focada na criatividade e inovação. Ele deve veri�car se o plano incorpora considerações em todas as dimensões do modelo Pestel e se está alinhado com os objetivos de longo prazo da empresa. Ao integrar as fases de identi�cação, preparação, incubação, aquecimento, iluminação, preparação e seleção ao modelo Pestel, Alex pode garantir que sua equipe esteja preparada para enfrentar os desa�os do ambiente empresarial e desenvolver estratégias e�cazes para promover a criatividade e a inovação. Com sua orientação, Alex estará no caminho certo para estabelecer uma cultura organizacional que valorize a originalidade, a excelência e a criatividade. Saiba mais Recomendamos o documentário Abstract: The Art of Design, disponível na Net�ix, que trata de criatividade e inovação e que pode complementar os conceitos discutidos nesta unidade. Essa série documental explora o trabalho e os processos criativos de designers renomados em diversas áreas, como arquitetura, ilustração, fotogra�a e design de interiores, entre outras . Cada episódio apresenta um designer diferente, oferecendo uma visão fascinante de suas mentes criativas e as soluções inovadoras que eles trazem para o mundo. Referências Disciplina PROCESSO DE CRIATIVIDADE GUPTA, A. Environmental and pest analysis: An approach to external business environment. Merit Research Journal of Art, Social Sciences and Humanities, v. 1, n. 2, p 13-17, 2013. LUPTON, E. (org.). Intuição, ação, criação. São Paulo, SP: Gustavo Gili. 2013. MANO, V.; ZAGALO, N. Criatividade: sujeito, processo e produto. In: CONGRESSO LUSOCOM, 8., 2009. p. 1213-1229. Anais […]. Braga, Portugal, 2009. Disponível em: https://doceru.com/doc/n1c85v. Acesso em: 27 dez. 2023. Aula 5 Teorias da Criatividade Vídeo Aula Encerramento Este conteúdo é um vídeo! Para assistir este conteúdo é necessário que você acesse o AVA pelo computador ou pelo aplicativo. Você pode baixar os vídeos direto no aplicativo para assistir mesmo sem conexão à internet. Estudante, esta videoaula foi preparada especialmente para você. Nela, você irá aprender conteúdos importantes para a sua formação pro�ssional. Vamos assisti-la? Bons estudos! Ponto de Chegada Para desenvolver a competência desta unidade, que é “Desenvolver soluções criativas e inovadoras em projetos pro�ssionais”, é essencial compreender os conceitos fundamentais relacionados à criatividade, considerando seus contextos históricos e sociais. Ao explorar as teorias da criatividade abordadas em cada aula, você estará capacitado a aplicar de maneira e�caz as técnicas e abordagens comportamentais que estimulam a criatividade e a inovação em diferentes cenários pro�ssionais. Além disso, uma análise aprofundada dos fatores que podem desbloquear ou inibir a criatividade possibilitará o desenvolvimento de estratégias e�cazes para superar os obstáculoscriativos e promover o pensamento inovador de forma consistente e sustentável. https://doceru.com/doc/n1c85v Disciplina PROCESSO DE CRIATIVIDADE Para cumprir esta competência, é crucial examinar criticamente o diálogo entre criatividade e inovação, estabelecendo conexões práticas entre os conceitos teóricos e a aplicação prática em projetos pro�ssionais. Ao se engajar ativamente com os conteúdos e aplicar as técnicas aprendidas, você estará preparado para oferecer soluções criativas e inovadoras que contribuam signi�cativamente para o sucesso e o avanço de empreendimentos pro�ssionais. Nesse contexto, re�ita a respeito das seguintes questões: Como as abordagens comportamentais discutidas ao longo do curso podem ser aplicadas de forma prática para estimular a criatividade em diferentes contextos pro�ssionais? Quais são os principais bloqueios à criatividade que você encontrou nos seus estudos e como você pode superá-los em sua própria prática pro�ssional? De que forma o entendimento das teorias da criatividade contribui para a geração de soluções inovadoras e o desenvolvimento de projetos pro�ssionais mais e�cazes e impactantes? E então, qual é a sua re�exão acerca dos questionamentos apresentados? Vamos lá! Precisamos compreender que as abordagens comportamentais in�uenciam diretamente a adequação dos indivíduos aos diferentes cenários em que se encontram, o que, por sua vez, auxilia no fortalecimento da prática da criatividade no ambiente de trabalho, por exemplo. Já quando re�etimos a respeito dos principais bloqueios à criatividade, podemos pensar que o primeiro e importante passo é reconhecer esses bloqueios para que haja uma compreensão sólida dos desa�os enfrentados no processo criativo. Ao destacar estratégias práticas para superar esses bloqueios, você demonstra um pensamento crítico e uma abordagem proativa para lidar com os obstáculos criativos. Portanto, seria importante compartilhar exemplos especí�cos de como você pode aplicar essas estratégias em sua própria prática pro�ssional para promover um ambiente mais propício à inovação. Por �m, para discutirmos de que forma o entendimento das teorias da criatividade contribui para a geração de soluções inovadoras e o desenvolvimento de projetos pro�ssionais mais e�cazes e impactantes, também podemos dizer que um ponto essencial é o seu reconhecimento e a compreensão do papel que as teorias da criatividade têm na geração de soluções inovadoras, destacando a importância de fundamentar as práticas pro�ssionais em um entendimento sólido das bases teóricas. Assim, acredita-se que explorar exemplos concretos de como essas teorias podem enriquecer o desenvolvimento de projetos especí�cos ajuda a fortalecer sua compreensão da interseção entre teoria e prática. Desse modo, considerar o impacto dessas teorias no contexto de sua própria área de atuação pode gerar insights valiosos para a aplicação prática da criatividade e inovação. Assim �nalizamos a unidade. Lembre-se de aplicar esses aprendizados em seu cotidiano, sempre buscando manter um pensamento aberto e proativo para enfrentar os desa�os futuros com criatividade e originalidade. Disciplina PROCESSO DE CRIATIVIDADE É Hora de Praticar! Este conteúdo é um vídeo! Para assistir este conteúdo é necessário que você acesse o AVA pelo computador ou pelo aplicativo. Você pode baixar os vídeos direto no aplicativo para assistir mesmo sem conexão à internet. A empresa XYZ é uma startup de tecnologia sediada em uma grande cidade metropolitana. Fundada por Alex, um empreendedor visionário, a empresa visa revolucionar a indústria de soluções tecnológicas para mobilidade urbana. Com a obtenção de um investimento signi�cativo recentemente, a empresa está se preparando para a próxima fase de expansão. No entanto, Alex percebe a necessidade de promover uma cultura organizacional focada na inovação e criatividade para sustentar o crescimento. A equipe de Alex passa por um período de incubação, permitindo que as ideias amadureçam e evoluam com o tempo. Eles incentivam uma cultura de experimentação e aprendizado contínuo, reforçando que o processo criativo é iterativo e requer adaptação constante com base no feedback e nas mudanças do mercado. Além disso, a equipe também está passando pela fase de veri�cação, em que testam e re�nam os protótipos desenvolvidos, garantindo que as soluções propostas atendam aos requisitos de inovação e previsões no mercado. A equipe implementou as ideias mais promissoras e monitorou continuamente os resultados para ajustar suas estratégias conforme necessário. Desa�o: Alex reconhece que para alcançar uma cultura inovadora precisa entender os fatores macroambientais que podem impactar a empresa e, ao mesmo tempo, estimular a criatividade e a colaboração em sua equipe. Ele está enfrentando o desa�o de integrar efetivamente os conceitos do modelo Pestel e as práticas de Design Thinking em sua empresa para atingir seus objetivos. Diante do caso apresentado, como você acha que Alex pode aplicar o modelo Pestel para analisar os fatores políticos, econômicos, sociais, tecnológicos, ambientais e legais que podem in�uenciar a inovação e a criatividade em sua empresa? Considerando as fases do Design Thinking, como Alex pode fomentar um ambiente que encoraje a colaboração e a geração de ideias inovadoras entre sua equipe? E, por �m, como Alex pode acompanhar a análise do modelo Pestel com as práticas do Design Thinking para desenvolver estratégias que promovam uma cultura organizacional propícia à criatividade e à inovação na empresa XYZ? Estudante, não se esqueça de que os conteúdos vistos até este momento são instrumentos valiosos para você aplicar na sua jornada pro�ssional do dia a dia. Por isso, mantenha um pensamento aberto para enfrentar possíveis desa�os futuros com toda a sua criatividade e poder de inovação! Para enfrentar o desa�o de promover uma cultura organizacional inovadora na empresa XYZ, Alex pode adotar uma abordagem estratégica que integra os conceitos do modelo Pestel e as Disciplina PROCESSO DE CRIATIVIDADE práticas do Design Thinking de maneira sinérgica. Ele deve convocar equipes multidisciplinares para conduzir uma análise abrangente dos fatores políticos, econômicos, sociais, tecnológicos, ambientais e legais que podem impactar a indústria de soluções tecnológicas para mobilidade urbana. Isso pode incluir avaliações do ambiente regulatório, mudanças tecnológicas emergentes, demandas sociais e questões ambientais relevantes. A compreensão desses fatores macroambientais ajudará a orientar a estratégia de inovação da empresa e a identi�car oportunidades de crescimento. O CEO pode promover atividades de empatia e de�nição para ajudar sua equipe a compreender as necessidades e desa�os dos usuários e do mercado de mobilidade urbana. Isso pode envolver a realização de entrevistas com clientes, a observação de seus comportamentos e a identi�cação de insights signi�cativos. Ao compreender profundamente os problemas enfrentados pelos usuários �nais, a equipe pode delinear claramente os pontos de dor e as oportunidades de melhoria que guiarão o processo criativo. Com base nos insights obtidos da análise Pestel e das atividades de empatia e de�nição, a equipe pode se envolver em sessões de brainstorming e prototipagem para gerar e explorar ideias inovadoras. Alex pode promover um ambiente aberto e colaborativo que encoraje a contribuição de todas as partes interessadas, valorizando a diversidade de perspectivas e experiências. Isso permitirá que a equipe experimente soluções criativas e teste rapidamente protótipos para iterar e aprimorar as ideias. Por �m, Alex pode, com sua equipe, fazer testes de mercado para validar e re�nar os protótipos desenvolvidos. Isso pode envolver a coleta de feedback dos usuários e a realização de iterações adicionais com base nas informações recebidas. Ao adotar uma abordagem centrada no usuário, a equipe pode garantir que suas soluções atendam às necessidades do mercado e ofereçam valor signi�cativo aos clientes. Ao integraro modelo Pestel e as práticas de Design Thinking, Alex pode criar uma abordagem holística para contribuição à inovação e à criatividade em sua empresa. Isso não só permitirá que a empresa se adapte às mudanças do ambiente externo, mas também fortalecerá a cultura organizacional e discutirá o desenvolvimento de soluções inovadoras e impactantes. Disciplina PROCESSO DE CRIATIVIDADE Figura | Síntese dos conteúdos abordados durante os estudos GOMES, R. K.; LAPOLLI, E. M. Os estímulos e barreiras à criatividade no ambiente organizacional. Revista Borges, v. 4, p. 3-12, 2014. LESSA , A. SANTOS, C. O mapa mental como metodologia ativa no ensino de leitura. Scripta, v. 27, n. 59, p. 92-117, 2023. NEVES-PEREIRA, M. S.; FLEITH, D. de S. (org.). Teorias da Criatividade. Campinas: Alínea, 2020. MATOS, M. A. Com o que o behaviorismo radical trabalha. Artigo. USP 1994. Disponível em: Disciplina PROCESSO DE CRIATIVIDADE http://www.itcrcampinas.com.br/pdf/outros/Com_o_que_o_Behaviorismo_Radical_trabalha.PDF. Acesso em: 15 out. 2023. SANTANA, G. G.; ZANCUL, E. de S. Design Thinking aplicado a equipes remotas: revisão sistemática e oportunidades de estudo. Revista Produção Online, v. 22, n. 1, p. 2479–2509, 2023. , Unidade 2 Processos Criativos Aula 1 Técnica da Tempestade de Ideias - Técnica de Brainstorming Processos criativos Este conteúdo é um vídeo! Para assistir este conteúdo é necessário que você acesse o AVA pelo computador ou pelo aplicativo. Você pode baixar os vídeos direto no aplicativo para assistir mesmo sem conexão à internet. Estudante, esta videoaula foi preparada especialmente para você. Nela, você irá aprender conteúdos importantes para a sua formação pro�ssional. Vamos assistir? Bons estudos! Ponto de Partida. Caro estudante, nosso estudo do processo da criatividade está avançando – esta unidade abordará os processos criativos, e vamos conhecer o brainstorming. Compreenderemos como a geração de conceitos pode nos levar a resultados criativos e conheceremos o painel conceitual e semântico como instrumento para tangibilizar ideias. Para desenvolver os conteúdos teóricos, vamos simular uma situação que pode ocorrer no cotidiano de qualquer um de nós: a incumbência de ajudar algum conhecido por meio dos conhecimentos desenvolvidos em nossa vida acadêmica. Disciplina PROCESSO DE CRIATIVIDADE Diante disso, vamos ajudar Carlos, personagem desta unidade, um jovem empreendedor nato que sempre pensou em abrir a sua empresa e gerar novos empregos. Formado em Publicidade e Propaganda, decidiu abrir uma agência de comunicação interativa e de design. Pesquisou o mercado para entender melhor como uma agência de comunicação interativa e de design oferece seus serviços e observou que o seu tipo de negócio estava inserido na economia criativa, em que a criatividade é o maior ativo da empresa. Carlos montou uma equipe multidisciplinar para trabalhar em sua agência: publicitários, designers, administradores, artistas plásticos e outros tantos. Para começar, sua agência precisará de uma identi�cação, um logotipo que expresse a alma da empresa. Nesta seção, você conhecerá algumas técnicas básicas de tempestade de ideias que compõem o pensamento e o comportamento criativo. Com este conhecimento especí�co, ajudaremos Carlos em seu primeiro desa�o: a criação do logotipo para a sua agência de comunicação interativa e de design. Ele pretende reunir toda a sua equipe multidisciplinar para pensarem em propostas adequadas ao conceito da agência: interatividade que estimula pessoas e gera grandes resultados; uma empresa que acredita na força da inteligência e da imaginação. Agora é com você! Seu desa�o é o seguinte: você deverá analisar cada técnica de tempestade de ideias e recomendar a mais adequada para Carlos aplicar com sua equipe. Deverá justi�car por que escolheu determinada técnica e justi�car a não escolha das outras. Pense a respeito do que é uma agência de comunicação interativa e de design. Dê palpites, comente. Ao �nal, poderá criar um documento em Word, registrando sua escolha e justi�cativas. Vamos Começar! Durante os estudos, veremos algumas técnicas de tempestade de ideias. O domínio dessas técnicas facilitará a sua adaptação aos mais diferentes objetivos e ambientes. Existem técnicas especí�cas para o surgimento de ideias, especialmente quando há um problema de�nido a resolver. Essas técnicas podem ser utilizadas também para propor problemas – admitindo que é mais criativo formular perguntas do que encontrar respostas. Estimular a criatividade signi�ca encontrar soluções para problemas e inventar novos problemas. Assim, todas as ideias devem ser dignas de registro. Com um pouco de treino, consegue-se chegar ao ponto de eliminar totalmente do processo criativo o julgamento e, somente depois, analisar todas as ideias que estão colocadas no papel, avaliando a viabilidade de cada uma. De acordo com Weschler (2002), a técnica tempestade de ideias foi criada pelo publicitário e escritor Alex Faickney Osborn (publicitário americano), em 1953, e demonstrou a sua aplicação para as mais diferentes situações da vida diária. A técnica também é conhecida pelo nome de brainstorming, uma expressão inglesa formada pela junção das palavras brain, que signi�ca cérebro, intelecto, e storm, que signi�ca tempestade. O brainstorming é uma técnica grupal – ou individual – na qual são realizados exercícios mentais com a �nalidade de resolver problemas especí�cos. É uma reunião de interessados aos quais um problema foi exposto e que, em uma sessão de livre associação, começam a sugerir soluções. Disciplina PROCESSO DE CRIATIVIDADE Osborn (apud Weschler, 2002) recomenda algumas atitudes a �m de que as nossas ideias desabem como tempestade. São elas: Não critique. A crítica assassina as ideias e desmerece o seu possível potencial. Não julgue. Os julgamentos e as avaliações interrompem o �uxo de ideias, e só devem ser usados após o processo de ter muitas e inúmeras ideias, nunca antes. Quanto mais ideias, melhor. Quantidade traz qualidade. Portanto, tente pensar em muitas ideias, solte livre a imaginação, não se prenda ao que você já viu ou ouviu falar. Pegue carona nas ideias dos outros. Muitas vezes as ideias boas aparecem combinando e melhorando o que já existe. Não tenha medo de elaborar, implementar ou ir além de algum conceito ou objeto já conhecido. Crie um ambiente de humor livre de punições. As boas ideias só podem aparecer em um clima livre de restrições. O humor vai ajudar a procurar soluções além do óbvio, do tradicional. Siga em Frente... A característica principal do brainstorming é a ausência completa de crítica e de julgamento precoce. Todas as ideias que surgirem serão anotadas, quaisquer que sejam elas, mas nunca julgadas de imediato. É, em geral, uma sessão da qual participa um grupo grande de pessoas, muitas delas com conhecimento prévio do problema, mas com um número bastante signi�cativo também de pessoas sem o menor conhecimento do assunto. Nessas sessões é absolutamente proibido fazer observações do tipo “não, isso não serve”, “já foi experimentado e não deu resultado” etc. Nada que possa inibir o �uir livre das ideias deve ser tolerado. Tudo é válido. Busca-se manifestar as ideias no momento em que vêm à mente. O objetivo é acumular o maior número possível de ideias e estimular os participantes a fazerem as suas associações. Um participante deverá ser o secretário para anotar todas as ideias. No livro Advertising & Marketing Checklists, de Ron Kaatz (apud Dualibi; Simonsen, 2008), são apresentadas 11 dicas para uma reunião bem-sucedida de brainstorming: 1. Certi�que-se de que o local da reunião é confortável e informal. 2. Quando se quer alimentar a mente, não se pode negligenciar o corpo; tenha na sala bastante líquido e alimento. 3. Selecione uma pessoa para ser líder do grupo. 4. De�na claramente o problema quando a reunião começar. 5. Determine a pauta e o tempo da reunião e mantenha-se �el a ambos. �. Faça com que todas as ideias sejam anotadas. 7. Não permita