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Disciplina
PROCESSO DE CRIATIVIDADE
Unidade 1
Teorias da Criatividade
Aula 1
Conceitos Gerais sobre a Teoria da Criatividade
Conceitos gerais sobre a teoria da criatividade
Este conteúdo é um vídeo!
Para assistir este conteúdo é necessário que você acesse o AVA pelo
computador ou pelo aplicativo. Você pode baixar os vídeos direto no aplicativo
para assistir mesmo sem conexão à internet.
Estudante, esta videoaula foi preparada especialmente para você. Nela, você irá aprender
conteúdos importantes para a sua formação pro�ssional. Vamos assisti-la? Bons estudos!
Ponto de Partida
A criatividade é frequentemente vista como um domínio reservado a poucas pessoas ou como
uma qualidade que alguns têm mais do que outros. No entanto, a realidade é que a criatividade
não é apenas um domínio, mas uma escolha pessoal, um caminho em direção à resolução de
problemas. Ela é uma habilidade que pode ser aplicada em todas as esferas da vida humana.
Assim como qualquer outra habilidade, a criatividade pode ser desenvolvida e aprimorada,
estando disponível para qualquer pessoa que deseje explorá-la. 
Diante disso, nesta aula exploraremos os fundamentos teóricos da criatividade no contexto
empresarial, compreendendo as principais abordagens e terminologias relacionadas às teorias
da criatividade. Por meio desse conhecimento especí�co, estudaremos a história de Alex, um
jovem empreendedor no início de sua carreira, que decide enfrentar desa�os complexos no
lançamento de seu próprio negócio.
Alex sempre teve o sonho de iniciar seu próprio negócio e trilhar um caminho empreendedor
desde cedo. Ele reconhece a importância de se manter informado a respeito das tendências do
Disciplina
PROCESSO DE CRIATIVIDADE
mercado, desenvolver habilidades práticas para lidar com os desa�os e aproveitar oportunidades
em constante evolução. No entanto, a pressão de encontrar soluções inovadoras para problemas
empresariais sempre o deixou inquieto. Após consolidar seu conhecimento teórico por meio de
cursos e mentorias, Alex decidiu dar um passo adiante e iniciar seu próprio empreendimento. No
entanto, a complexidade inerente à tomada de decisões estratégicas o deixou um tanto
apreensivo. Agora, ele se prepara para enfrentar seu primeiro grande desa�o como
empreendedor: apresentar sua ideia de negócio a investidores potenciais.
E se fosse você? Como lidaria com a pressão de tomar decisões estratégicas em um ambiente
empresarial desa�ador? Em uma situação semelhante, como poderia ajudar Alex a superar suas
dúvidas e inseguranças em relação ao processo criativo e na busca por apresentar soluções
inovadoras e criativas para seus investidores? O desa�o de Alex é desenvolver um mapa mental,
destacando a importância da criatividade na resolução de problemas no contexto empresarial.
Este mapa será parte integrante de sua avaliação nesta unidade. Re�ita a respeito das principais
técnicas e estratégias para estimular a criatividade e adicione sugestões práticas para orientar
Alex a desbloquear seu potencial criativo e aplicá-lo de maneira e�caz em seu empreendimento.
Vamos Começar!
Para enfrentar desa�os complexos no contexto empresarial, é importante compreender que,
embora alguns possam considerar a criatividade uma habilidade inata, na verdade essa
capacidade é oculta e pode ser desenvolvida e aprimorada com o tempo. Todos os seres
humanos têm potencialidades para serem criativos, uns mais do que outros, mas todos podem
desenvolver e melhorar sua capacidade criativa. No entanto, o pensamento criativo não se
processa quando é di�cultado pela falta de conhecimento na área, pela inexperiência ou pela
falta de motivação. A criatividade utiliza o conhecimento como meio, não como um �m em si
mesmo.
A criatividade está na capacidade de responder a situações ou estímulos imprevistos ou não
programados. É uma atividade humana e consciente. Para atingir um bom nível de criatividade,
devemos treinar nossa mente para evitar que ela literalmente atro�e. A palavra "criatividade", por
exemplo, origina-se do latim creare (fazer) e do termo grego krainen (realizar). Apesar do
conceito existir desde a antiguidade, o termo é relativamente recente. Tem sido estudada e
de�nida de diversas maneiras, sugerindo diversas vertentes, como o processo criativo,
modalidades da produção criativa, características da personalidade criativa e tipos de ambientes
facilitadores da criatividade.
Vamos conhecer as principais teorias que tratam da criatividade? Essas teorias, abordadas por
Neves-Pereira e Fleith (2020), exploram várias vertentes que serão estudadas mais a fundo nas
próximas seções. Conheceremos as principais linhas de investigação, que são:
Filosó�cas: a criatividade provém da crença de que o processo ocorre por inspiração divina,
da loucura ou era concebida como forma de intuição.
Disciplina
PROCESSO DE CRIATIVIDADE
Biológicas: a criatividade é a força criadora inerente à vida. A evolução orgânica é criadora.
A hereditariedade era considerada componente principal da criatividade, ou que a vida, por
si só, é criativa.
Psicológicas: divididas em associativas, psicanalíticas, humanistas e desenvolvimentais.
Psicoeducacionais: divididas em cognitivista e educacional.
Psico�siológicas: abordam os hemisférios cerebrais e criatividade.
Sociológicas: abordam o ambiente facilitador ao desenvolvimento da produção criativa.
Psicodélicas: abordam os efeitos de estados alterados de consciência na criatividade.
Instrumentais: abordam os processos criativos por meio de suas �nalidades, usando
analogias com o mercado �nanceiro.
 
Siga em Frente...
O processo criativo
Criar é descobrir algo novo, ser original naquilo que se produz. Uma boa ideia surge em um
processo criativo, que é uma reconceituação dinâmica resultante do potencial para a mudança. O
produto deve ser novo e funcional. O estado da arte sobre o processo criativo reconhece a
necessidade de investigar e conhecer melhor os níveis e tipos de processo criativo. Utilizamos a
expressão "estado da arte" para de�nir algo bastante avançado e moderno em termos de
tecnologia e ideias inovadoras, algo de ponta, de vanguarda. Quando nos referimos ao estado da
arte do processo criativo, buscamos o que há de mais inovador em relação ao assunto.
Nesse sentido, podemos dizer que o processo criativo é caracterizado por uma série de etapas
especí�cas para sua descrição detalhada. Pode-se concebê-lo como um percurso composto por
estágios que devem ser percorridos para permitir a efetiva geração de ideias por meio da
criatividade. Essas etapas envolvem fases de questionamento, aquisição de conhecimento,
assimilação de informações, momentos de segurança, geração de ideias, seleção criteriosa e
apresentação da ideia �nal (Patrício, 2017). As fases ou estágios que culminam na produção
criativa têm sido a preocupação de muitos estudiosos. Um consenso entre os pesquisadores é
que a criatividade não aparece subitamente, como se fosse um estalo, uma inspiração divina ou
um momento de sorte. Ao contrário, exige um esforço mental concentrado sobre o tema ou
problema em questão. Estudaremos mais para frente cada uma dessas fases/estágios com
mais detalhes.
 
O produto criativo
O que é um produto criativo? Para quem o produto deve ser criativo? Ele tem valor? Pensamos
nessas perguntas quando falamos de produtividade criativa e se o produto criativo tem valor
para o autor e para a sociedade. Alguns produtos somente têm valor para o autor, que se sente
Disciplina
PROCESSO DE CRIATIVIDADE
realizado com sua criação, mas em nada contribuem para a sociedade. O produto criativo pode
ser uma conversa engenhosa, um jardim inovador ou um estilo de vida. As pessoas criativas são
aquelas que, em virtude de sua criatividade, dão lugar com frequência a produtos criativos. Logo,
a palavra "criativo", ao se referir a produtos, é um termo primário por de�nição. O produto criativo
é resultado de uma atividade criativa. Existem dois tipos de habilidades envolvidas na produção
criativa: a habilidade de domínio especí�co e a habilidadequalquer crítica ou reação negativa às ideias sugeridas.
�. Deixe que cada ideia se construa e se expanda sobre as outras.
9. Mantenha todos os participantes ativamente envolvidos em fazer contribuições.
10. Encoraje as discussões livres e a ampla troca de ideias na reunião. Lembre-se de que o seu
objetivo é a quantidade e não a qualidade das ideias.
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PROCESSO DE CRIATIVIDADE
11. Quando a reunião terminar, aplique seu julgamento ao analisar todas as ideias.
Após a sessão de brainstorming, reúna as ideias a�ns e as classi�que em temas e categorias.
Dentro de cada categoria, procure combinar as ideias similares e eliminar as duplicidades.
Selecione as melhores ideias para serem analisadas, melhoradas e aproveitadas. Por �m, dê ao
grupo um feedback a respeito do resultado �nal do brainstorming e mostre como suas
contribuições foram valiosas.
Do brainstorming clássico, alguns desdobramentos foram feitos. Mencionamos o reverse
brainstorming; brainstorming individual; tempestade de ideias com visualização; tempestade de
ideias com o corpo; tempestade de ideias com condições.
O reverse brainstorming é o brainstorming ao contrário, ou seja, uma sessão em que só se
procuram os defeitos de determinado produto, ideia ou serviço. Reverse brainstorming ajuda a
resolver problemas pela combinação de ideias e técnicas de reversão. Os desa�os são postos
em sentido contrário à intenção de solucioná-los, de forma a identi�car os possíveis problemas
do projeto. Seguem-se as mesmas regras do brainstorming, porém, por meio do defeito
apresentado na sessão podemos eventualmente criar ou descobrir novas qualidades ou
aperfeiçoar aquilo que julgávamos que já fosse bom. O reverse brainstorming objetiva fazer com
que os participantes tenham uma visão exterior daquilo que desejam aperfeiçoar. É uma boa
técnica quando é difícil identi�car soluções para o problema diretamente. Em vez de perguntar
"Como posso resolver ou evitar esse problema?", perguntar "Como eu poderia possivelmente
causar o problema?". Em vez de perguntar "Como faço para obter esses resultados?", perguntar
"Como eu poderia conseguir o efeito oposto?".
Brainstorming individual trata-se de um esforço individual para encontrar a solução de um
problema, idêntico ao brainstorming tradicional, só que praticado por uma única pessoa. Esse
processo exige um grande esforço, concentração e disciplina de quem pratica. Os esforços para
resolver o problema são feitos por uma só pessoa que aplica, deliberadamente, a técnica de
julgamento antecipado. Algumas pessoas pensam melhor quando trabalham sozinhas. Neste
caso, elas podem usar as regras do brainstorming individual para apoiar a geração de ideias.
Pode ser bastante útil o uso do mapa mental para classi�car e desenvolver as ideias geradas.
 
Tempestade de ideias com visualização
Muitas pessoas pensam melhor quando podem ver o estímulo ou ter a imagem do problema.
Este fato está muito relacionado com os estilos preferenciais de pensar e aprender. Ao
trabalharmos com grupos, devemos levar em conta que as pessoas têm os mais diferentes
estilos de pensar. Por isso, é recomendável que se utilize a visualização combinada à audição e
ao tato (escrever ou desenhar). Dessa maneira, podemos dar maiores chances a todos de
produzir, usando o seu canal sensorial preferido. A visualização pode ser feita com desenhos,
fotogra�as, objetos concretos e brinquedos, entre outros elementos.
Disciplina
PROCESSO DE CRIATIVIDADE
 
Tempestade de ideias com o corpo
O trabalho corporal é uma maneira de ajudar o indivíduo a experimentar, tornar signi�cativo e
relevante para si mesmo um conceito abstrato. Grande parte dos estudiosos e pesquisadores já
concluíram que só podemos realmente nos lembrar daquilo que vivenciamos, ou daquilo que
sentimos como útil ou signi�cativo para a nossa vida diária. Assim, criando novas situações para
o corpo ou experimentando novas alternativas corporais, o indivíduo pode encontrar novas
formas de comportamento diante de situações problema, ajudando-o a agir melhor frente aos
impedimentos.
 
Tempestade de ideias com condições
A resolução de nossos problemas da vida diária está, muitas vezes, limitada a certas condições
ou restrições. Devemos, portanto, aprender a criar soluções dentro de qualquer espaço possível
de problemas, mesmo que existam limitações básicas, em vez de nos deixarmos vencer pela
rotina ou pela depressão. Diante desse tipo de consideração, surge a proposta da tempestade de
ideias com condições.
Vamos Exercitar?
Como já exploramos os conceitos de brainstorm, vamos retornar ao problema inicial desta aula,
em que Carlos precisa criar um logotipo para a sua agência de comunicação interativa e de
design. E então? Que tipo de técnica de tempestade de ideia você recomendaria a Carlos aplicar
à sua equipe? Por quê? Explique. Busque argumentos que justi�quem a sua escolha. Analise
cada técnica e escreva a sua opinião em relação à sua utilização ou não.
Para ajudar, sugerimos que você faça o uso de uma ferramenta de gestão conhecida como Miro,
uma plataforma colaborativa e de quadro branco virtual que permite que equipes colaborem e
compartilhem ideias de forma remota. Ele oferece uma ampla gama de recursos, incluindo
opções para criar mapas mentais, diagramas, �uxogramas e muito mais. Com o Miro, as equipes
podem colaborar em tempo real, independentemente da localização geográ�ca, o que é
fundamental para uma colaboração e�caz durante o processo de brainstorming. Ele também
permite que os usuários criem e armazenem facilmente ideias, documentos e anotações visuais
para referência futura.
Além disso, o Miro oferece integração com uma variedade de outras ferramentas e aplicativos
populares de produtividade, o que facilita a incorporação de �uxos de trabalho existentes e a
organização de ideias em contextos mais amplos de gestão de projetos. Com sua interface
intuitiva e recursos de colaboração em tempo real, o Miro é uma escolha popular para equipes
que buscam facilitar o processo de brainstorming e gerenciar ideias de forma e�caz.
Disciplina
PROCESSO DE CRIATIVIDADE
Saiba mais
Para �xar melhor esse conteúdo e você conhecer mais a respeito do brainstorming, indicamos o
artigo “O perigo do brainstorming”, que analisa a utilização generalizada do brainstorming em
organizações e argumenta que sua aplicação indiscriminada pode inibir a criatividade nas
empresas. Embora o brainstorming seja comumente adotado devido à sua simplicidade e
�exibilidade, a pesquisa revela que, apesar da excitação inicial dos participantes e dos resultados
positivos na resolução de problemas simples e rotineiros, a ferramenta mostra-se ine�caz em
lidar com desa�os complexos. A maior condução do brainstorming pode levar a um
conformismo perigoso dentro das organizações, limitando, assim, o potencial de inovação. 
Além disso, para saber mais assista ao �lme Joy: O Nome do Sucesso. Este �lme conta a história
inspirada de Joy Mangano, uma inventora e empreendedora americana conhecida por seus
produtos inovadores. Embora não trate diretamente de brainstorming, retrata uma jornada
criativa e empreendedora de uma mulher determinada. 
Referências
DUALIBI, R.; SIMONSEN JR., H. Criatividade & Marketing. São Paulo: M. Books, 2008.
KATZ, D.; KAHN, R. Psicologia social das organizações. São Paulo: Atlas, 1978. 
SANTO, R. Brainstorming –Tempestade de idéias (BS-TI) ou Como tirar seu time do “cercadinho
mental”. Biblioteca temática do empreendedor, 2015. Disponível em:
https://bibliotecas.sebrae.com.br/chronus/ARQUIVOS_CHRONUS/bds/bds.nsf/741A876FE82890
8203256E7C00614A23/$File/NT00002206.pdf. Acesso em: 3 jan. 2024.
WECHSLER, S. M. Criatividade: descobrindo e encorajando. Campinas: Livro Pleno, 2002.
 
Aula 2
Técnica de Brainwriting
Técnicas de brainwriting
https://recima21.com.br/index.php/recima21/article/view/3658
Disciplina
PROCESSO DE CRIATIVIDADE
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Ponto de Partida
Boas-vindas ao nosso estudo do processo criativo. Nesta seção, estudaremos mais uma técnica
para acelerar o processo de criatividade: a técnica do brainwriting, também conhecida como
Método 6-3-5. Além disso, poderemos auxiliar o Carlos e sua equipe multipro�ssional.
O desa�o da situação-problema desta seção é o seguinte: a agência acaba de conquistar um
ateliê artístico localizado em um shopping nobre de uma grande metrópole. O primeiro trabalho
para esse novo cliente é criar um cenário para o showroom. Como você deve imaginar, toda a
equipe multipro�ssional da agência foi convocada por Carlos para um brainwriting a respeito
desse trabalho para o ateliê.
A nossa proposta é a seguinte: elabore um passo a passo do brainwriting que Carlos deverá
aplicar à sua equipe. Use os conhecimentos desenvolvidos nesta seção. Faça alertas quanto a
possibilidades de con�itos e como solucioná-los com criatividade! Tenha um excelente estudo!
Vamos Começar!
As técnicas criativas ajudam a acelerar os processos criativos, promovendo uma melhor
interação entre os componentes de uma equipe de criação e uniformizando a criatividade de
todos. Isso ocorre sem que o sucesso do resultado dependa unicamente de pessoas
consideradas criativas natas.
Nesta seção, estudaremos mais uma técnica para acelerar o processo criativo: a técnica do
brainwriting, também conhecida como Método 6-3-5. O brainwriting é uma técnica criativa de
coletar ideias que será colocada em prática por um grupo de pessoas com o objetivo de resolver
um problema, desenvolver um projeto ou melhorar uma situação existente.
Considerada a versão silenciosa do brainstorming, no brainwriting, os participantes escrevem
suas ideias em vez de expô-las oralmente. A grande vantagem do brainwriting é que ninguém
Disciplina
PROCESSO DE CRIATIVIDADE
está sujeito a avaliações críticas a respeito de suas ideias durante a execução da técnica. Foi
planejada para evitar alguns efeitos negativos, como a in�uência da opinião dos coordenadores
ou di�culdades em verbalizar rapidamente as ideias.
Desenvolvido pelo professor alemão Bernd Rohrbach em 1969, o brainwriting tem como objetivo
gerar 108 ideias em apenas meia hora. Assim como o brainstorming, a qualidade das ideias, pelo
menos no início do processo, não é o mais importante. Podemos considerar o brainwriting um
complemento do brainstorming. Ambos fazem parte de um processo de tomada de decisão em:
Um processo existente (melhoria contínua); ou
No planejamento de um processo em implantação.
Apesar dos pontos em comum entre brainstorming e brainwriting, eles apresentam algumas
diferenças.
Brainstorming Brainwriting
6 a 12 participantes. Utiliza o Método 6-3-5: seis participantes
escrevem, cada um, três ideias; a cada cinco
minutos há um rodízio e cada participante
tentará desenvolver mais três ideias, até o
rodízio completo.
Quantidade origina qualidade. Quantidade só gera qualidade em ideias.
Quadro 1 | Brainstorming versus brainwriting. Fonte: adaptado de Curedale (2013).
Siga em Frente...
O que é o Método 6-3-5?
O Método 6-3-5, também conhecido como brainwriting, é uma técnica em grupo que tem como
objetivo solucionar um problema especí�co. Conforme mencionado anteriormente, esse
processo envolve a participação de 6 pessoas, que devem escrever em um papel 3 soluções
possíveis para um problema em 5 minutos, originando o nome do método. Após esse período,
cada participante entrega o formulário preenchido ao colega ao lado. Nesse sistema, podem ser
geradas aproximadamente 108 ideias em menos de uma hora. O Método 6-3-5 signi�ca,
respectivamente:
6 elementos.
3 soluções possíveis.
5 minutos.
Utilizando as contribuições da InnoSkills (Competências de Inovação para PMEs), percebemos o
brainwriting como um instrumento para o desenvolvimento de soluções inovadoras. É claro que
Disciplina
PROCESSO DE CRIATIVIDADE
ele oferece vantagens e desvantagens, como qualquer ferramenta. O importante é saber como e
quando aplicá-lo. A seguir, apresentamos os principais tópicos descritos pela InnoSkills.
O Método 6-3-5 pode ser utilizado para:
Gerar novas ideias.
Solucionar problemas com mais rapidez.
Aperfeiçoar sistemas e processos.
Intensi�car o espírito de equipe entre os participantes.
Melhorar a comunicação na organização.
Envolver os membros de uma equipe para compartilhar ideias e soluções.
Vantagens da utilização do Método 6-3-5:
É uma técnica muito fácil de aplicar.
Não requer um moderador.
Não exige custo extra.
Desvantagens da técnica de brainwriting:
Di�culdade em explicar a ideia de forma resumida.
Pressão e bloqueio da criatividade devido ao tempo estipulado de 5 minutos.
O brainwriting, ou Método 635, pode ser utilizado como uma alternativa ao brainstorming quando
uma equipe precisa de novas ideias imediatamente, ou ainda quando necessita proporcionar
maior interação entre os componentes de uma mesma equipe ou de diversos níveis de uma
organização.
Como utilizar o Método 6-3-5
Para a execução do Método 6-3-5, é necessária a participação de 6 membros da equipe
(provenientes de diferentes campos do saber). Cada participante preencherá os formulários
prede�nidos (conforme exemplo do Quadro 2). A cada 5 minutos, o formulário deverá ser
preenchido e entregue ao componente ao lado.
De�nição do problema: Como...
Nome Ideia 1 Ideia 2 Ideia 3
Nome      
Nome      
Nome      
Nome      
Nome      
Quadro 2 | Exemplo de formulário prede�nido. Fonte: elaborado pela autora.
Disciplina
PROCESSO DE CRIATIVIDADE
 
10 Passos do brainwriting
Podemos considerar 10 passos para a execução do brainwriting, porém, antes de tudo, é preciso
de�nir o problema a ser resolvido. São eles:
1. Seis participantes reunidos ao redor de uma mesa em ambiente tranquilo.
2. Cada participante recebe o formulário prede�nido.
3. O líder do grupo apresenta o problema a ser discutido e solucionado pelo grupo.
4. O problema deve ser escrito no cabeçalho do formulário.
5. Cada participante anota, em 5 minutos, 3 propostas/ideias.
�. Cada participante passa o seu formulário ao participante mais próximo.
7. Cada participante apresenta 3 novas ideias/melhorias/variações.
�. O formulário é passado ao próximo participante.
9. Depois de �nalizado o “círculo”, os formulários são analisados.
10. Finalizando, são discutidas as ideias úteis e determinada a solução do problema.
Diante do que foi apresentado, percebemos que a aplicação do Método 6-3-5, ou brainwriting,
oferece uma abordagem estruturada e e�ciente para acelerar o processo de geração de ideias
em um ambiente de equipe. Ao enfatizar a participação ativa de todos os membros, esta técnica
promove um ambiente colaborativo propício ao desenvolvimento de soluções inovadoras e à
resolução de desa�os complexos.
No entanto, é essencial considerar as possíveis limitações, como a pressão do tempo e a
di�culdade em sintetizar ideias de forma concisa. Com a aplicação adequada do método e o
estabelecimento de um ambiente propício à criatividade, as equipes podem aproveitar ao
máximo essa técnica para alcançar resultados signi�cativos e promover uma interação mais
e�caz entre os membros do grupo.
Vamos Exercitar?
Como você já conhece os principais conceitos de brainwriting, podemos retornar à situação-
problema desta seção. Como utilizar a técnica do crainwriting para ajudar Carlos?
Releia os 10 passos do crainwriting e utilize-os na sua elaboração.
Se quiser, pode até fazer uma adaptação (sempre justi�cando suas propostas). Você pode,
inclusive, criar alguns detalhes para o “pano de fundo” da SP, desde que sejam coerentes à
SGA.
Por exemplo: gostaria de inserir alguns outros per�s pro�ssionais na equipe de Carlos?
Gostaria que essa equipe tivesse um determinadonúmero de componentes? De�na
corretamente o problema a ser resolvido por Carlos. Não se esqueça de preparar o
formulário para que os componentes possam escrever as ideias.
Disciplina
PROCESSO DE CRIATIVIDADE
Além disso, vale a pena se atentar à dica a seguir: o Trello é uma plataforma de gestão de
projetos baseada em quadros que permite aos usuários organizar e priorizar tarefas de forma
colaborativa. Com o Trello, é possível criar quadros para diferentes etapas do processo de
brainwriting, como geração, organização e análise de ideias.
Os usuários criam listas para categorizar diferentes conjuntos de ideias e, em seguida, podem
adicionar cartões para representar cada ideia especí�ca. Os cartões contêm detalhes adicionais,
como especi�cações, comentários, anexos e prazos. Além disso, os membros da equipe podem
ser designados a cartões especí�cos para facilitar a responsabilidade e o acompanhamento.
Por meio de sua interface intuitiva e recursos de colaboração em tempo real, o Trello ajuda as
equipes a visualizarem e acompanharem o progresso das ideias durante o processo de
brainwriting. Com a capacidade de integrar diversas outras ferramentas e aplicativos populares, o
Trello é uma opção útil para a colaboração e gestão durante a aplicação do brainwriting.
Saiba mais
Aprofunde ainda mais o seu conhecimento em brainwriting. Leia o material acadêmico
“Combinação das técnicas de Brainwriting e Mapa Mental aplicada à ideação no design
participativo”, artigo que busca analisar a sinergia entre as técnicas de brainwriting e mapa
mental, concentrando-se na integração do usuário no contexto do design participativo. A
implementação dessas técnicas ocorreu em um ambiente acadêmico e virtual, com o auxílio das
plataformas Google Meet e Miro. Dentro do escopo do design e memória, o foco foi a exploração
do aspecto das redes sociais. No que diz respeito à metodologia, foram desenvolvidas dinâmicas
que abrangeram a introdução do tema, a aplicação das técnicas de brainwriting e mapa mental, e
a subsequente análise de sua interação. Observa-se que a combinação dessas técnicas foi e�caz
na geração e organização de ideias: o uso do brainwriting revelou-se aplicável na criação de
várias alternativas durante a fase inicial de um problema, enquanto a utilização do mapa mental
facilitou a organização das ideias geradas. 
Referências
CUREDALE, R. Design Thinking: Process and Methods Manual. Design Community College
Incorporated. Topanga, 2013.
VIEIRA, B. L. et al. Combinação das técnicas de Brainwriting e Mapa mental aplicada à ideação
no design participativo. In. OLIVEIRA, G. G. de; NÚÑEZ, G. J. Z.; PASSOS, J. E. (org.). Design em
pesquisa: vol. 5. Porto Alegre: Marcavisual, 2023. p. 124-137.
https://lume.ufrgs.br/handle/10183/254722
https://lume.ufrgs.br/handle/10183/254722
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PROCESSO DE CRIATIVIDADE
Aula 3
Geração de Conceitos
Geração de Conceitos
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Ponto de Partida
Estudante, chegamos a mais uma etapa desta jornada pelo processo da criatividade. Nesta
seção, estudaremos a geração de conceitos, ou seja, como são os conceitos focados no produto
criativo. Veremos também os limites das medições da criatividade. Para você, é possível medir a
criatividade?
Para iniciar esta etapa, vamos retornar aos grandes desa�os de Carlos e sua equipe
multipro�ssional. O que tem acontecido na agência ultimamente é um certo con�ito entre os
diferentes pontos de vista dos vários pro�ssionais durante as reuniões internas. É até esperado
esse tipo de comportamento, já que o grupo de pro�ssionais é multipro�ssional, e o trabalho
diário envolve muita criatividade e muito compromisso com metas comerciais.
A princípio, parecem elementos inconciliáveis, não é mesmo? Por um lado, os pro�ssionais do
marketing, por exemplo, defendem conceitos que se pautem na satisfação direta do cliente. Por
outro lado, os artistas da agência defendem que nem sempre o poder mercantilista deveria
preponderar, mas sim o valor cultural das criações humanas.
O pessoal do �nanceiro interpela, defendendo que os conceitos devem apresentar, antes de mais
nada, lucratividade. Não precisamos nem explicar como são acaloradas as discussões, não é
mesmo?
https://cm-kls-content.s3.amazonaws.com/202401/ALEXANDRIA/PROCESSO_DE_CRIATIVIDADE/PPT/u2a3_pro_cri_slides_liberado.pdf%20https://cm-kls-
Disciplina
PROCESSO DE CRIATIVIDADE
Diante desse cenário e embasado na aprendizagem desta aula, você deverá preparar respostas
para as seguintes re�exões:
1.    Como se relacionam os conceitos de originalidade e de inovação na agência de Carlos?
2.    Qual seria a melhor forma de geração de conceitos pela equipe multipro�ssional de Carlos?
3.    Como a equipe de Carlos poderia conciliar os conceitos artísticos e os conceitos
mercantilistas que podem vir a ocorrer durante a criação para os clientes da agência?
Elabore suas respostas antes de ir para o encontro com o professor e a sua turma. Assim, você
estará preparado para as discussões que serão propostas em atividades mediadas em sala de
aula.
Vamos Começar!
A criatividade é considerada uma capacidade humana de grande valor universal. A formulação de
ideias originais e incomuns é uma das características da pessoa criativa. Entretanto, precisamos
diferenciar o conceito correto entre originalidade e criatividade: originalidade é um dos
componentes da criatividade e não seu sinônimo, como muitas pessoas acreditam.
De acordo com Torrence (apud Weschsler, 2002), a originalidade pode ser entendida como
novidade, quebra de padrões habituais de pensar, capacidade de produzir ideias raras ou
incomuns, uso de situações ou conceitos de modo não costumeiro, habilidade para estabelecer
conexões distantes e indiretas ou resposta infrequente dentro de um determinado grupo de
pessoas.
A importância da originalidade na produção criativa é enfatizada por diversos autores. Para
Mackinnon (apud Weschsler, 2002), não é su�ciente, para se considerar a originalidade de uma
resposta, que ela seja incomum ou estatisticamente infrequente dentro de um determinado
grupo. Ela deve ser avaliada quanto ao seu potencial de adaptação à realidade, ou seja, de que
maneira a resposta dada vem resolver um problema ou alcançar um objetivo, levando em
consideração a distinção entre uma resposta criativa daquela feita ao acaso ou em delírio.
A integração do conhecimento proveniente de várias fontes, assim como o desenvolvimento do
raciocínio sobre a informação assimilada, é essencial para a geração de ideias fecundas que
venham a potencializar a criatividade. A faculdade de concepção constitui a força engenhosa e
capaz de realizar todas as transformações bené�cas decorrentes das criações do pensamento.
Como elemento propulsor, de natureza essencialmente construtiva, a ela se deve o
desenvolvimento progressivo da evolução universal. A criatividade que emerge nesse contexto
mental é responsável pela formação das riquezas necessárias ao processo de materialização
dos conceitos, por ser ela cultivada, a priori, em benefício da coletividade. Nesse processo
convergente e divergente de assimilação de informação, de analogias criadas, de associação de
imagens e palavras e sensações, o potencial criativo pessoal e único de cada autor é
Disciplina
PROCESSO DE CRIATIVIDADE
determinante para a formalização das ideias e dos conceitos, de�nindo um estilo, por vezes
in�uenciando o gosto, deixando a marca dos valores pessoais do seu criador, assim como o
reconhecimento dos valores universais.
A originalidade, entretanto, não deve ser usada como sinônimo de inovação, embora esses dois
conceitos estejamrelacionados, como a�rmam os autores Rosenfeld e Servo (apud Weschsler,
2001). Fazendo um paralelo com a área industrial, os autores a�rmam que gerar novas ideias não
necessariamente conduz a aplicações dessas ideias. Assim, boas ideias nunca vão além da
cabeça daquele que as imaginou. A adaptação da ideia torna-se um item a ser considerado em
uma sociedade capitalista como a nossa. Ideias originais ocorrem geralmente depois de
períodos de incubação, em que nenhum esforço deliberado foi feito no sentido de se resolver o
problema em questão.
Siga em Frente...
Geração de conceitos
A geração de ideias e conceitos ocorre constantemente, como podemos observar na Figura 1.
Quando nos referimos às organizações, empresas e indústrias, podemos a�rmar que a geração
de ideias para novos produtos é concentrada pelo departamento de marketing, responsável por
captar informações de fontes internas (análise de consumidores, sugestões do departamento de
atendimento ao cliente, pesquisa e desenvolvimento, entre outros) e de fontes externas
(pesquisa de mercado, sugestões de clientes, ações da concorrência). Esse processo foi
representado gra�camente por Nigel Slack (graduado no curso de engenharia, mestre e doutor
em administração).
Figura 1 | Origem das ideias. Fonte: Slack et al., 1997.
Uma vez captadas as ideias, estas precisam ser transformadas em conceitos, descrevendo a sua
forma, função, objetivo e benefícios globais. Em seguida, os conceitos são avaliados pela
organização.
Disciplina
PROCESSO DE CRIATIVIDADE
Figura 2 | Transformação da ideia em conceito. Fonte: Slack et al., 1997.
Essa etapa consiste em submeter os diversos conceitos a vários crivos, avaliando-os quanto a
sua viabilidade, aceitabilidade e risco, visando à seleção dos conceitos aceitáveis.
O marketing veri�ca os conceitos que não estão adequados ao mercado (podem ser parecidos
ou muito diferentes dos concorrentes). Extingue os conceitos que não são capazes de gerar
demanda ou não se ajustam à política de marketing. A função produção analisa a viabilidade do
conceito, se tem a capacidade de produção, habilidades de seus recursos humanos e a
tecnologia necessária. Já o �nanceiro calcula as consequências �nanceiras do conceito, se
precisa de capital e valores de investimentos, custos operacionais, as margens de lucro e a
provável taxa de retorno. O processo criativo �nalmente tem início na base de todo o trabalho
racional realizado.
Como medir a criatividade? É possível? Com quais instrumentos? Existem limites para essa
medição?
O estudo da criatividade tem sido feito de diversas formas: testes, escalas, observações,
biogra�as. Tre�nger (apud Weschsler, 2002) revisou os testes e escalas da criatividade e
concluiu que, devido à concepção da criatividade ser multivariada, é de se esperar que existam
inúmeras formas de se medir esse conceito. Essas formas abrangem não só o campo das
habilidades cognitivas, como o de aptidões e da personalidade. Os instrumentos mais estudados
foram: os testes do pensamento criativo de Torrance, os testes de pensamento divergente de
Guilford, o teste de associações remotas de Mednick e o teste de pensamento criativo de
Wallach & Kogan (apud Weschsler, 2002).
A seguir, apresentamos um quadro comparativo que nos ajudará a conhecer as principais
características dos tipos de avaliações da criatividade.
Tipos de avaliações da criatividade Características principais
Disciplina
PROCESSO DE CRIATIVIDADE
Testes do Pensamento Criativo de Torrance O teste de pensamento criativo de Torrance
apresenta duas versões: �gural e verbal. Na
sua versão �gural, é composto por três
atividades contendo rabiscos a serem
completados. Na versão verbal existem seis
atividades, para as quais são solicitadas
perguntas, causas, consequências ou ideias
para melhoria de produtos.
Testes de Pensamento Divergente de Guilford O psicólogo americano Joy Paul Guilford
(1897-1987) desenvolveu no �nal dos anos
1940 um modelo explicativo do processo
criativo. O ponto decisivo da concepção de
Guilford foi a distinção entre pensamento
convergente e divergente. Pensamento
convergente: funciona segundo processos
lógicos-dedutivos, mais ou menos rígidos, dos
quais o indivíduo tem di�culdade de libertar-
se. Os testes de QI exigem o tipo de
pensamento convergente. Pensamento
divergente ou lateral: caracteriza-se por, ao
confrontar-se com um problema, propor
novos caminhos e respostas inusitadas, a que
se chega por meio de associações muito
amplas.
Teste de Associações Remotas de Mednick Em 1962, Mednick (professor de psicologia)
elaborou uma medida objetiva da criatividade
baseando-se na teoria de processos
associativos. Para esse autor, a criatividade é
essencialmente associativa: o pensamento
criativo consiste em formar novas
combinações de elementos e as combinações
responderão às necessidades especí�cas ou
terão então uma utilidade. Quanto mais os
elementos combinados são afastados uns
dos outros, mais o processo será criativo.
Teste de Pensamento Criativo de Wallach &
Kogan
No teste de Reconhecimento de Padrões de
Wallach & Kogan (1962), mostra-se ao sujeito
uma série de padrões geométricos e pede-se
que ele imagine o que poderão ser.
Quadro 1 | Tipos de avaliação da criatividade. Fonte: adaptado de Weschsler, 2002.
Finalmente, deverão ser consideradas, também, as maneiras de se utilizar as medidas de
criatividade, como administração, correção e normas. O uso de testes e escalas para avaliar a
criatividade é altamente questionado por Amabile (apud Barros, 1985), que a�rma serem essas
Disciplina
PROCESSO DE CRIATIVIDADE
medidas inadequadas para estudos experimentais sobre as condições sociais e ambientais que
afetam a criatividade.
Essa autora critica os testes e as escalas como forma de avaliar a criatividade e sugere que os
investigadores foquem suas atenções na produção criativa. Uma maneira bastante comum de se
avaliar a criatividade é através da análise das biogra�as de pessoas eminentes. No entanto, para
Howe (apud Barros, 1985), esse método também tem suas limitações. Apesar de todo o
progresso da psicologia, ainda não podemos dizer que certa combinação de eventos na vida do
indivíduo causará certos tipos de comportamento. A�nal, cada indivíduo incorpora a experiência
de maneira única.
Diante disso, chegamos à conclusão de que não pode existir um único e adequado método para
se estudar a criatividade, pois ela é considerada um fenômeno complexo (Weschsler, 2002).
Vamos Exercitar?
Como você já entendeu a geração de conceitos, ou seja, a composição de conceitos focados no
produto criativo, e os limites das medições da criatividade, podemos retornar ao problema do
empreendedor Carlos.
Vamos lembrar as questões que você deverá responder:
1.    Como se relacionam os conceitos de originalidade e de inovação na agência de Carlos?
2.    Qual seria a melhor forma de geração de conceitos pela equipe multipro�ssional de Carlos?
3.   Como a equipe de Carlos poderia conciliar os conceitos artísticos e os conceitos
mercantilistas que possam vir a ser envolvidos durante a criação para os clientes da agência?
Você deve ter percebido que precisará compreender a diferença entre os conceitos de
originalidade e inovação para responder à primeira pergunta.
Para responder à segunda pergunta, que tal rever as �guras de Santos (2004) que ilustram as
etapas para a geração de conceitos? Elas são: origem das ideias, transformação da ideia em
conceito e seleção do conceito.
Quanto à terceira pergunta, tente reforçar seu olhar crítico a respeito. Pesquise o assunto. Leia a
respeito desse tipo de con�ito. Lembre-se: suas respostas devem demonstrar domínio do
conteúdo aprendido, coerência e capacidade de articular argumentos.
Saiba mais
Disciplina
PROCESSO DE CRIATIVIDADE
Indicamos o livro De Onde Vêm as Boas Ideias, de Steven Johnson. Neste livro, o autor investiga
a origem das ideias e como as inovações surgem. Ele examina os ambientes e condições que
promovem a criatividade e oferece insights de como as boas ideias se desenvolvem.JOHNSON, S. De onde vêm as boas ideias. Rio de Janeiro: Zahar, 2011.
Referências
BARROS, D. P. Criatividade por produção de metáforas e sua relação com a inteligência. 1985.
102 f. Dissertação (Stricto Sensu em Psicologia) – Universidade São Francisco, Itatiba, 2008.
SLACK, N. et al. Administração da Produção. São Paulo: Atlas, 1997.
WECHSLER, S. M. Criatividade: descobrindo e encorajando. Campinas: Livro Pleno, 2002.
 
Aula 4
Painel Conceitual e Semântico
Painel conceitual e semântico
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conteúdos importantes para a sua formação pro�ssional. Vamos assisti-la? Bons estudos!
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Ponto de Partida
Estudante, chegamos à última seção desta unidade. Muito já foi discutido e apresentado a
respeito dos conceitos e estudos da criatividade. Vimos que o mito da criatividade humana
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Disciplina
PROCESSO DE CRIATIVIDADE
esteve sempre envolto em uma aura de mistério, despertando a atenção de cientistas e
pesquisadores que buscam respostas e explicações de procedimentos, percursos e manobras
do pensamento criativo.
Para Munari (1981, p. 21), "Criatividade não signi�ca improvisação sem método". Não se deve
alimentar a ilusão de que o processo criativo é completamente livre e independente. Nesta última
seção, estudaremos os conceitos e fundamentos para elaborar um painel conceitual semântico.
A situação-problema para esta aula apresenta-se da seguinte forma: imagine que Carlos e sua
equipe foram contratados para criar um outdoor que divulgue um campeonato de skate do tipo
vertical (modalidade em que os skatistas fazem manobras em uma rampa). Poucos da equipe
multipro�ssional de Carlos conhecem o universo do skate. Então, acertou-se que cada um criaria
uma proposta de moodboard que representasse elementos envoltos em uma competição como
essa.
Seu desa�o será elaborar o painel conceitual semântico, utilizando-se de todo o aprendizado
proporcionado nesta aula. Lembre-se de levar seu trabalho para o encontro com o professor e
sua turma. Assim, você estará preparado para as discussões que serão propostas em atividades
mediadas em sala de aula.
Vamos Começar!
Você já percebeu como notamos o mundo à nossa volta? Nossos sentidos (visão, olfato, tato,
paladar e audição) captam os estímulos do ambiente externo e os transformam em algum tipo
de emoção ou sensação, que é interpretado pela nossa mente, levando-nos a um resultado
perceptivo.
Vivemos em uma sociedade que se utiliza de muitas representações visuais. Nossa cultura
expressa isso em cada detalhe: desde as obras de arte até as comunicações de marketing. Não
é de se estranhar, portanto, que muitos projetos ligados à arte, ao design e à comunicação de
marketing, entre outros, utilizem o painel conceitual semântico – também conhecido como
moodboard (poderíamos traduzir para algo como "painel de inspiração"). Trata-se de um
dispositivo que associa imagens a signi�cados e sentidos.
Segundo Aumont (1993), a utilização de imagens jamais é gratuita, sendo desde sempre
mediadora entre o espectador e a realidade, com diferentes �ns. O autor ainda a�rma que as
imagens têm pelo menos três funções distintas:
Valor de representação: quando representam coisas concretas em um nível de abstração
inferior ao das próprias imagens.
Valor de símbolo: quando representam aspectos cujo nível de abstração é superior ao da
própria imagem.
Valor de signo: quando representa um conteúdo cujos caracteres não são visualmente
re�etidos por ela.
Disciplina
PROCESSO DE CRIATIVIDADE
De acordo com a autora Perez (2004), um dos férteis campos de atuação da semiótica é o da
imagem, e nesse sentido, a imagem pode ser concebida como uma representação plástica,
material ou algo que evoca uma determinada coisa por ter com ela semelhança ou relação
simbólica. A imagem pode ser produto da imaginação, consciente ou inconsciente. Pode ainda
ser uma simples visão. A autora a�rma que a imagem diz respeito a um conjunto de
experiências, impressões, posições e sentimentos que as pessoas apresentam em relação a
objetos, empresas, produtos, personalidades, por exemplo. Imagem é um conjunto de signos
distribuídos em um espaço concreto, virtual ou no pensamento: aí está a base para o painel
semântico.
Siga em Frente...
Um moodboard pode nos remeter ao pensamento juvenil, "um painel para fotos e recortes", mas
o painel simples se torna o local de ideias, e o modo como ele é montado diz muito do modo
como as ideias foram concebidas. Veja bem, não se trata de um layout, mas também não é um
varal.
Segundo Garner e MacDonagh-Philp (2001), essa junção de elementos (fotogra�as, recortes,
textos, cores e texturas) consegue transmitir emoções e sentimentos. Portanto, a escolha e a
organização desses elementos não podem ser efetuadas aleatoriamente. O objetivo não é criar
uma composição artística, como se veri�ca nas obras de pintores e artistas plásticos, por
exemplo, mas sim criar um conceito, uma orientação, um sentido, uma intenção, um input que
leve à criação de uma proposta que responda objetivamente a um problema ou necessidade
referida no brie�ng do cliente. Dessa forma, todo o processo de colagem é racional e direcionado
para que assim consiga responder a um objetivo prede�nido. É uma técnica em que, por meio de
colagens e desenhos, você expressa o sentimento para resolver um dilema. O empenho na coleta
de informação, na diagramação das imagens, a variedade da procura e até mesmo o local onde o
painel será colocado, tudo isso faz menção à importância que ele terá para o processo criativo.
Atualmente, muitos pro�ssionais utilizam os benefícios do painel semântico para organizar
criativamente os conceitos envolvidos em seus trabalhos. Podemos mencionar estilistas e
designers de moda, design de produto, design grá�co, design de interiores, arquitetos e
publicitários como exemplos. O painel conceitual também é conhecido como brie�ng visual, pois
consegue exprimir conceitos relacionados às informações de um brie�ng de projeto por meio de
imagens e conceitos. Outros nomes atribuídos ao moodboard são prancha de referências,
prancha de direção de arte, quadro de ideias, quadro de atmosfera.
Bürdek (apud Gusmão, 2012) a�rma que, mesmo em uma mesma equipe, é possível haver
diferenças importantes nas atribuições de sentido entre os envolvidos. As imagens, ao contrário
das palavras, contribuem para um discurso menos divergente. A�nal, como ter certeza de que
todos estão pensando no mesmo tom de azul quando se fala em azul, ou na mesma ideia de
relaxante quando se fala em relaxante? O processo de criação de um painel semântico tem,
como entrada, o conceito a ser representado. A partir daí, os dados são coletados, as imagens
Disciplina
PROCESSO DE CRIATIVIDADE
são selecionadas e arranjadas. Diante do resultado, é feita uma re�exão: se ele for satisfatório,
tem-se a �nalização do painel, caso contrário, o ciclo recomeça pelo levantamento de dados. 
Baxter (2001, p. 191) a�rma que esses painéis "representam uma rica fonte de formas visuais e
servem de inspiração para o novo produto".
 
Figura 1 | Diagrama contendo as etapas de processo do painel semântico. Fonte: adaptada de Baxter (2001).
De acordo com o estudo de Vera (2009), o moodboard tem seis etapas principais:
Coleta: o pro�ssional recapitula seu banco pessoal, assim como busca por novas
referências.
Eleição: o pro�ssional seleciona quais referências têm maior capacidade de visionar uma
solução do problema.
Conexão: com as referências que foram escolhidas, o pro�ssional conecta as que juntas
podem tornar visível o direcionamento criativo desejado.
Construção:nessa etapa o pro�ssional constrói o moodboard e cria uma composição com
referências criativas.
Expansão: para o autor, essa fase é facultativa. Trata de buscar outras matérias que
reforcem o estado emocional criado pelo moodboard.
Apresentação: o pro�ssional compartilha com os demais o moodboard para discussão.
Uma boa forma de organizar a pesquisa é dividindo as informações levantadas em três
grupos principais: objetos, pessoas e ambientes.
Disciplina
PROCESSO DE CRIATIVIDADE
Figura 2 | Descritivo para organizar pesquisas. Fonte: elaborada pela autora.
A interação entre as referências visuais do moodboard produz metáforas que comparam o
raciocínio por analogia e facilitam a compreensão e o enfrentamento de um ambiente incerto do
processo, elucidando as relações entre o conceito metafórico e o problema.
Vamos Exercitar?
Você deve ter notado que o conteúdo didático desta aula fornece todos os subsídios para que
você resolva a situação-problema, certo? De qualquer forma, vale a pena considerar algumas
dicas:
1. Siga o procedimento ilustrado pelo diagrama do processo para a elaboração de um painel
semântico.
2. Busque informações a respeito de "skatismo" antes de selecionar as imagens.
3. Utilize as instruções do quadro descritivo para organizar a pesquisa.
Lembre-se: o painel semântico ou moodboard é uma técnica que busca traduzir a linguagem
verbal em signos visuais. Além disso, não se esqueça de que todo trabalho criativo envolve
pesquisa. A pesquisa é o que impulsiona o desenvolvimento do projeto. Pesquisamos,
pensamos, geramos e selecionamos ideias e, quando já sabemos o que queremos fazer,
colocamos em prática.
Disciplina
PROCESSO DE CRIATIVIDADE
Saiba mais
Indicamos o livro The Creativity Code: The Power of Visual Thinking, escrito por Gore Alex. Este
livro discute como o pensamento visual e o uso de painéis semânticos podem contribuir para a
criatividade e a inovação em diversos contextos, oferecendo insights de como aplicar essa
abordagem em diferentes áreas. Vale a pena a leitura. Aproveite! 
GORE, A. The Creativity Code: The Power of Visual Thinking. New York: Alexander K. Gore,  2016.
Referências
AUMONT, J. A imagem. Trad. Estela dos Santos Abreu e Claudio C. Santoro. Campinas: Papirus,
1993
BAXTER, M. Projeto do produto: guia prático para o desenvolvimento de novos produtos. São
Paulo: Edgard Blucher, 1998.
GARNER, S.; MCDONAGH-PHILP, D. Problem Interpretation and Resolution via Visual Stimuli: The
Use of ‘Mood Boards’. Design Education. The Journal of Art and Design Education, v. 20, n. 1, p.
57-64, 2001.
GUSMÃO, C. Painel Semântico como técnica no ensino da prática projectual em design.
Academia.edu, 2012.
MUNARI, B. Das coisas nascem coisas. Tradução: José Manuel de Vasconcelos. Lisboa: Edições
70, 1981.
PEREZ, C. Signos da Marca: expressividade e sensorialidade. São Paulo: Pioneira Thomson
Learning, 2004.
VERA, A. L. Co-Designing Interactive Spaces for and with Designers: Supportining Moodboard
Making. Technische Universiteit. Eindhoven, 2009.
Aula 5
Encerramento da Unidade
Vídeo Aula Encerramento
Disciplina
PROCESSO DE CRIATIVIDADE
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Ponto de Chegada
Estudante, é importante enfatizar a amplitude dos conhecimentos adquiridos. Durante este
percurso, exploramos conceitos fundamentais tratando de brainstorming, compreendendo suas
várias etapas e técnicas, como escrita livre, listas, perspectivas, técnica do cubo e relações entre
as partes. Além disso, discutimos os tipos de ideias, incluindo a tempestade de ideias com
visualização, a tempestade de ideias com o corpo e a tempestade de ideias com considerações,
enfatizando suas aplicações práticas e a e�cácia na geração de soluções inovadoras.
Ao abordarmos o brainwriting, destacamos seus principais aspectos e fases, compreendendo a
origem dessa técnica e suas diversas aplicações. Exploramos o papel essencial da geração de
conceitos, analisando suas metodologias e também limitando as limitações das medidas de
criatividade, o que reforça a importância de uma abordagem holística na avaliação desse
complexo.
Além disso, re�etimos a respeito da percepção sensorial e seu papel crucial na interpretação do
ambiente, liberando a relevância das representações visuais na sociedade contemporânea,
especialmente por meio do painel conceitual semântico – moodboard. Analisamos as funções
das imagens como representações simbólicas e exploramos a aplicação prática e os benefícios
do moodboard em diferentes áreas pro�ssionais.
É fundamental reiterar a importância de aplicar esses conhecimentos de maneira prática,
con�rmando o impacto positivo que eles podem ter no desenvolvimento de projetos criativos e
inovadores. A integração desses conceitos no cotidiano pro�ssional não apenas estimula a
criatividade, mas também promove um ambiente propício à inovação e ao progresso contínuo.
Assim, ao se preparar para os desa�os futuros, você poderá enfrentá-los com originalidade e
perspicácia, contribuindo de maneira signi�cativa para o avanço de seus empreendimentos e
projetos pro�ssionais.
Parabéns pelo seu empenho e dedicação ao longo deste percurso de aprendizagem. Que esses
conhecimentos sejam uma base sólida para sua jornada pro�ssional, inspirando-o a buscar
constantemente novas soluções e ideias inovadoras em sua área de atuação.
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É Hora de Praticar!
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Imagine que você está liderando uma equipe de desenvolvimento de produtos em uma empresa
de tecnologia em rápido crescimento. Recentemente, a sua empresa recebeu um �nanciamento
substancial para expandir a sua linha de produtos e atingir novos mercados. No entanto, você
percebe que a equipe está enfrentando desa�os para gerar ideias inovadoras e acompanhar o
ritmo acelerado de mudanças no setor de tecnologia. Como líder, você con�rma a importância de
promover uma cultura organizacional que valorize a criatividade e encoraje a inovação para
manter a competitividade no mercado.
Desa�o: Para estimular a criatividade e a geração de ideias inovadoras em sua equipe, proponha
uma sessão de brainstorming e brainwriting para explorar novos conceitos e soluções para os
desa�os enfrentados. Além disso, planejamos a criação de um moodboard que represente
visualmente as ideias e conceitos discutidos durante a sessão, enfatizando a importância da
percepção sensorial e da representação simbólica para promover a compreensão e a
comunicação e�caz das ideias.
Como líder, explore as várias etapas e técnicas do brainstorming e do brainwriting, destacando as
vantagens de cada abordagem na geração de conceitos inovadores. 
Re�ita a respeito de como essa atividade prática pode contribuir para o fortalecimento da cultura
de inovação em sua empresa e o impacto positivo que pode ter no desenvolvimento de novos
produtos e serviços. 
Para uma sessão de brainstorming, sugere-se a aplicação de técnicas inovadoras, como a escrita
livre para promover a livre expressão de ideias, e a técnica do cubo para explorar perspectivas
inovadoras. Além disso, para o brainwriting, é crucial oferecer um ambiente de colaboração
aberto e incentivar a contribuição de todos os membros da equipe, garantindo que as ideias
sejam amplamente exploradas.
A criação do moodboard pode servir como uma representação visualpoderosa, destacando a
importância de imagens e símbolos na transmissão e�caz de conceitos complexos. Por meio
dessas práticas, é possível promover uma cultura de inovação, encorajando a criatividade e a
colaboração entre os membros da equipe.
O uso dessas técnicas pode levar ao desenvolvimento de soluções novas e inovadoras para os
desa�os enfrentados pela empresa, consolidando sua posição como líder em seu setor e
impulsionando o avanço de seus produtos e serviços.
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PROCESSO DE CRIATIVIDADE
Figura | Síntese dos conteúdos abordados durante os estudos
AUMONT, J. A imagem. Trad. Estela dos Santos Abreu e Claudio C. Santoro. Campinas: Papirus,
1993 
BAXTER, M. Projeto do produto: guia prático para o desenvolvimento de novos produtos. São
Paulo: Edgard Blucher, 1998. 
CUREDALE, R. Design Thinking: Process and Methods Manual. Design Community College
Incorporated. Topanga, 2013.
GARNER, S.; MCDONAGH-PHILP, D. Problem Interpretation and Resolution via Visual Stimuli: The
Use of ‘Mood Boards’. Design Education. The Journal of Art and Design Education, v. 20, n. 1, p.
57-64, 2001. 
GUSMÃO, C. Painel Semântico como técnica no ensino da prática projectual em design.
Academia.edu, 2012. 
KATZ, D.; KAHN, R. Psicologia social das organizações. São Paulo: Atlas, 1978.
MUNARI, B. Das coisas nascem coisas. Tradução: José Manuel de Vasconcelos. Lisboa: Edições
70, 1981.
PEREZ, C. Signos da Marca: expressividade e sensorialidade. São Paulo: Pioneira Thomson
Learning, 2004. 
SANTO, R. Brainstorming – Tempestade de idéias (BS-TI) ou Como tirar seu time do “cercadinho
mental”. Biblioteca temática do empreendedor, 2015. Disponível em:
https://bibliotecas.sebrae.com.br/chronus/ARQUIVOS_CHRONUS/bds/bds.nsf/741A876FE82890
8203256E7C00614A23/$File/NT00002206.pdf. Acesso em: 3 jan. 2024.
SLACK, N. et al. Administração da Produção. São Paulo: Atlas, 1997.
VERA, A. L. Co-Designing Interactive Spaces for and with Designers: Supportining Moodboard
Making. Technische Universiteit. Eindhoven, 2009.
VIEIRA, B. L. et al. Combinação das técnicas de Brainwriting e Mapa mental aplicada à ideação
Disciplina
PROCESSO DE CRIATIVIDADE
no design participativo. In: OLIVEIRA, G. G. de; NÚÑEZ, G. J. Z.; PASSOS, J. E. (org.). Design em
pesquisa: vol. 5. Porto Alegre: Marcavisual, 2023. p. 124-137. 
WECHSLER, S. M. Criatividade: descobrindo e encorajando. Campinas: Livro Pleno, 2002.
,
Unidade 3
Bloqueadores da Criatividade
Aula 1
Geração de Esboços (Croquis)
Geração de esboços (croquis)
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Ponto de Partida
Durante os estudos, você conhecerá a importância da geração de esboços (croquis) para a
orientação da criatividade. Estudaremos os conceitos básicos e as diferenças entre os termos
"croqui", "esboço", "desenho" e "rough"; a importância dos elementos visuais para a humanidade e
o desenho como forma de comunicação; a utilização do desenho pelos povos da antiguidade e a
importância do desenho para algumas pro�ssões.
Com base nesses temas especí�cos, conheça a Situação Geradora de Aprendizagem (SGA) a
seguir; ela será o “pano de fundo” dos nossos estudos nesta unidade. Nesta SGA, o personagem
principal é Pedro, um renomado arquiteto e professor em uma universidade reconhecida. Ele tem
uma carreira bem-sucedida na arquitetura, conhecida por suas abordagens inovadoras e criativas
no design de espaços urbanos.
Disciplina
PROCESSO DE CRIATIVIDADE
Pedro é convidado para ministrar uma palestra para estudantes de arquitetura e design de
interiores em uma conferência regional. Durante a palestra, ele pretende abordar a importância
da pesquisa visual e do croqui/esboço na geração de ideias criativas para projetos de
arquitetura. Ele quer transmitir aos alunos a relevância dessas práticas no mercado de trabalho
atual, espaço em que a concorrência é acirrada e a inovação é um diferencial essencial.
Recentemente, Pedro recebeu um convite especial para palestrar para os estudantes de
arquitetura e design de interiores de uma universidade de renome. Os organizadores solicitaram
que Pedro compartilhasse insights a respeito do processo criativo no design de interiores e
destacasse a importância do uso de esboços e croquis como ferramentas fundamentais nesse
processo.
O seu desa�o é o seguinte: você deverá utilizar todo o conhecimento desenvolvido nesta aula e
propor como deveria ser a apresentação da palestra que Pedro fará. Descreva a importância do
esboço no processo criativo e comente a respeito de seu uso por algumas pro�ssões.
Vamos Começar!
As culturas da antiguidade, representadas pela egípcia e pela grega, utilizaram o desenho para
registrar a sua história em templos sagrados e túmulos, como é evidenciado no exemplo dos
egípcios. Sua função era narrar histórias da vida cotidiana e mesmo da vida após a morte.
Encontramos o desenho também representando os deuses mitológicos gregos, além de orientar
navegantes por mares desconhecidos nos séculos XV e XVI, bem como nos séculos posteriores.
É um fato que o desenho acompanhou o homem durante todo o seu desenvolvimento, tornando-
se parte integrante de sua história, e atualmente ainda surpreende e encanta qualquer pessoa
que se permita uma breve contemplação. Quase sempre, um registro desenhado parte de uma
experiência de observação da realidade. Re�etindo a respeito do que vê, o homem registra o que
compreende da realidade e o que julga ser digno de interesse.
Disciplina
PROCESSO DE CRIATIVIDADE
Figura 1 | Exemplo de desenho pictográ�co. Fonte: Wikipedia.
O desenho à mão livre é importante para qualquer projeto que esteja em sua fase de iniciação.
Na essência de todos os desenhos existe um processo de ver, imaginar e representar imagens. A
partir daí, criamos imagens no papel para expressar e comunicar nossos pensamentos e
percepções.
Quando se fala em desenho, o primeiro conceito que vem à mente é a relação com o artista
desenhando em seu ateliê. Devemos olhar o desenho não apenas como expressão artística, mas
também como ferramenta prática para formular e trabalhar em questões de representação
grá�ca. É verdade que praticamente tudo o que está ao nosso redor foi criado primeiramente a
partir de um desenho, um aspecto importante para qualquer pessoa que queira expor melhor as
suas ideias.
Disciplina
PROCESSO DE CRIATIVIDADE
Em relação ao mercado de trabalho, existem várias pro�ssões relacionadas ao desenho, como
arquitetura, desenho industrial, design digital, design grá�co, moda, artes visuais e design de
interiores, entre outras. Independentemente da área de atuação, o desenho à mão livre é a base
necessária para treinar a percepção visual, a criatividade e as habilidades técnicas. Durante o
processo de projetar, o desenho é utilizado para guiar o desenvolvimento de uma ideia, desde o
conceito até a proposta concreta. O desenho passa a ser uma ferramenta essencial para seduzir
e conquistar o observador.
Conheça algumas de�nições importantes de desenho, esboço e croqui.
Desenho: representação de formas por meio de linhas, pontos ou manchas, em uma superfície.
2. Conjunto de linhas e contornos de uma �gura. 3. Delineamento; traçado. • esboço. as grandes
linhas de um desenho ou pintura; delineamento. 2. As linhas iniciais de uma obra artística ou
intelectual; rascunho; projeto; ensaio. 3. As linhas fundamentais de uma obra; resumo sumário. •
croqui. esboço de desenho ou pintura (Luft, 1998, p. 200).
 
Segundo Bertomeu (2006, p. 68):
rough vem do inglês. Primeiros rascunhos feitos por designer ou diretor de arte na criação de um
anúncio publicitário. Primeira fase de estudos, antes do layout e da arte �nal. Esboço inicial no
planejamento grá�co de qualquer trabalho aser impresso.
 
Nestas de�nições, podemos perceber um grau de diferenciação que não poderíamos
desconsiderar ao utilizar tais termos. O primeiro deles, o desenho, aparece com uma abrangência
maior quanto ao signi�cado, tendo como característica a representação, enquanto o esboço é
considerado como apenas as linhas iniciais e gerais de uma obra intelectual, um projeto, um
ensaio. O mais interessante é que a de�nição para croqui surge a partir daquelas outras, ou seja,
“esboço de desenho”, o que nos faz pensar em uma representação inicial em linhas gerais e que
vai além do representar apenas.
Siga em Frente...
O desenho de esboço-croqui está sempre presente no ateliê de quem projeta (Rossi; Scherer;
Bruscato, 2022). É a partir dele que pintores, arquitetos, designers, diretores de arte e modistas
trabalham, pensam e recolhem dados, formulam hipóteses, projetam. Tem como �nalidade
organizar raciocínios, constatações, estudos, percursos e fases do trabalho. Em algumas
pro�ssões, tem como denominação a palavra “croqui” e, em outras, como no design grá�co e na
publicidade e propaganda, é denominado rough em inglês ou “rafe” em português.
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PROCESSO DE CRIATIVIDADE
O desenho serve para passar informações e a noção de como será a peça para quem irá
desenvolvê-la, produzi-la ou até mesmo comprá-la (Rossi; Scherer; Bruscato, 2022). Precisa ser
um desenho rápido, pois as ideias surgem rapidamente e precisam ser colocadas no papel
imediatamente, antes que sejam esquecidas.
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PROCESSO DE CRIATIVIDADE
Figura 2 | Exemplo de croqui. Fonte: Wikipedia.
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PROCESSO DE CRIATIVIDADE
De acordo com Hermínio (2006), os principais materiais para a elaboração de croquis são
justamente aqueles que não exigem um re�namento maior de desenho: lápis, borracha e gra�te.
Temos também o carvão, os pastéis e as tintas. Muitos materiais de desenho são à base de água
ou óleo e são aplicados secos, sem preparação alguma. O lápis-aquarela pode ser utilizado
normalmente, e posteriormente poderá ser umedecido com pincel molhado para produzir
variados efeitos. Há também pastéis oleosos e secos, além de lápis de cera.
Segundo Neves (apud Martino, 2007), a incorporação da informática no desenho tradicional deve
ser feita de maneira ponderada e re�etida, considerando-a apenas uma ferramenta, devendo-se
preservar os conceitos mais signi�cativos que permitam a re�exão por meio do desenho. Mesmo
que os meios eletrônicos desenvolvam e ampliem os métodos de desenho, permitindo a
transferência de ideias à tela do computador e seu desenvolvimento em modelos
tridimensionais, o desenho permanece como processo cognitivo que envolve a percepção do
olhar e re�exão visual.
Por isso, a discussão da utilização do croqui como recurso aliado ao desenvolvimento do
processo criativo não se resume apenas a uma representação simbólica, mas sim a um processo
em constante evolução de um raciocínio, que carrega em si experimentações. O emprego da
tecnologia digital é parte do processo de representação do objeto, mas não do processo criativo.
Em alguns casos, a necessidade da utilização do computador está vinculada às etapas �nais do
processo projetual, resumindo-se a uma apresentação. 
Vamos Exercitar?
Vamos, neste momento, retornar ao problema inicial desta aula, em que Pedro precisa elaborar
uma apresentação para uma palestra para a qual foi convidado. Nessa situação, o seu desa�o
era utilizar todo o conhecimento desenvolvido nesta aula e propor como deveria ser a
apresentação da palestra que Pedro fará. Descreva a importância do esboço no processo criativo
e comente a respeito de seu uso por algumas pro�ssões.
Com o seu auxílio, Pedro deve aproveitar a oportunidade para compartilhar com os alunos a
importância fundamental da prática de esboços e croquis no desenvolvimento de ideias criativas
para projetos de arquitetura e design de interiores. Durante a palestra, ele pode destacar como a
pesquisa visual pode in�uenciar a criatividade e inovação no campo da arquitetura, enfatizando a
capacidade dos esboços de capturar conceitos iniciais e traduzi-los em representações
tangíveis.
Além disso, você precisa estimulá-lo a enfatizar como os esboços podem ajudar a visualizar
layouts, testar soluções de design e comunicar ideias arquitetônicas complexas. Ele pode citar
exemplos especí�cos de como pro�ssionais de renome utilizaram esboços para desenvolver
projetos renomados, reforçando como essas práticas são defensáveis para o processo de
tomada de decisões e a concretização de visões arquitetônicas.
Disciplina
PROCESSO DE CRIATIVIDADE
Por �m, Pedro pode incentivar os alunos a incorporar a prática do esboço em seus próprios
processos criativos, ressaltando como a capacidade de visualizar e expressar conceitos de
design de maneira clara e concisa pode ser um diferencial importante no competitivo mercado
de arquitetura e design de interiores.
Como sugestão, Pedro pode utilizar algumas ferramentas de gestão de projetos especí�cas para
arquitetura e design de interiores. Uma ferramenta que pode ajudá-lo nesse processo é um
software de modelagem 3D, como AutoCAD, SketchUp ou Revit, que permite aos arquitetos e
designers criar e visualizar projetos em um ambiente tridimensional. Essas ferramentas de
modelagem oferecem recursos avançados que podem facilitar a geração de ideias e a
representação visual de conceitos inovadores de forma mais precisa e realista. Além disso,
esses softwares podem ajudar a comunicar e�cazmente as ideias para os clientes e partes
interessadas, o que é crucial no campo da arquitetura e do design de interiores.
Saiba mais
Conheça mais um pouco este assunto, fazendo a leitura do artigo intitulado “De perto e de
dentro: aproximando desenho e história(s)”, escrito por Ethel Pinheiro, Gustavo Badolati Racca,
Niuxa Dias Drago e Sergio Rego Fagerlande. Este artigo apresenta um trabalho desenvolvidos por
alunos da USP, com o objetivo de ampliar o papel criador e mediador do desenho de
observação/exploração em arquitetura e a necessidade de experimentar a cidade por um
discurso não linear da história da arquitetura e do urbanismo, condizente com nossa situação
estética contemporânea. Vale a pena a leitura!
Referências
BERTOMEU, J. V. Criação na propaganda impressa. 3. ed. São Paulo: Thompson Learning, 2006.
HERMÍNIO, S. Publique seu livro. São Paulo: E-book, 2006.
LUFT, C. P. Minidicionário Luft. 14. ed. São Paulo: Ática, 1998.
MARTINO, J. A. A importância do croqui diante das novas tecnologias no processo criativo. 2007.
93f. Dissertação (Mestrado em Desenho Industrial) - Universidade Estadual Paulista, Bauru, 2007.
ROSSI, A.; SCHERER, F.; BRUSCATO, U. Pensamento visual e criatividade: benefícios do esboço na
geração de ideias. Educação Grá�ca, Brasil, Bauru, v. 26, n. 2, ago. 2022. ISSN 2179-7374.
Aula 2
Inércia Psicológica e as Paredes Invisíveis
http://www.nomads.usp.br/virus/virus20/?sec=4&item=15&lang=pt
http://www.nomads.usp.br/virus/virus20/?sec=4&item=15&lang=pt
Disciplina
PROCESSO DE CRIATIVIDADE
Inércia psicológica e as paredes invisíveis
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Estudante, esta videoaula foi preparada especialmente para você. Nela, você irá aprender
conteúdos importantes para a sua formação pro�ssional. Vamos assisti-la? Bons estudos!
Ponto de Partida
Nesta aula, estudaremos a de�nição e as consequências da inércia psicológica e das paredes
invisíveis. Conheceremos como a inércia psicológica pode "viciar" o desenvolvimento de nossa
criatividade. Estudaremos os bloqueios, também chamados de barreiras, que geram obstáculos
criativos nos indivíduos na busca de soluções aceitáveis voltadas para a inovação e criatividade.
A palestra de Pedro foi um sucesso, e sua ajuda foi crucial para a transmissão dos
conhecimentos aos alunos. Com o reconhecimento conquistado, Pedro foi convidado a ministrara disciplina de processos criativos para os alunos do 1º ano de diferentes cursos na renomada
universidade. No primeiro dia de aula, Pedro decidiu aplicar um exercício para avaliar o potencial
criativo da turma. A atividade consiste em solicitar aos alunos que expressem em uma folha em
branco suas percepções e expectativas em relação ao curso escolhido, utilizando desenhos
como meio de expressão. Posteriormente, cada aluno deverá apresentar seu desenho e
compartilhar suas ideias com a turma. Durante o exercício, Pedro notou que vários alunos
enfrentaram bloqueios ou barreiras criativas. Uma das frases mais comuns que ele ouviu foi: "eu
não sei desenhar!".
Diante dessa situação, sua tarefa é apresentar para Pedro qual atitude ele deve tomar para
auxiliar seus alunos a superar os bloqueios criativos e solucionar o exercício proposto.
Vamos ao nosso estudo!
Vamos Começar!
Durante os estudos, veremos a inércia psicológica, suas consequências e as paredes invisíveis.
Com certeza, caro estudante, você já se deparou com situações que veremos nesta seção.
Vamos con�rmar e analisar?
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PROCESSO DE CRIATIVIDADE
Diversos ramos da psicologia, das relações humanas no trabalho e programas de incentivo ao
desenvolvimento de novas ideias costumam identi�car muitos entraves dos indivíduos na busca
de caminhos para a inovação e para a criatividade. Uma das primeiras di�culdades nessa área de
estudos é compreender que inovação e criatividade não são sinônimos. Analise o quadro a
seguir com a classi�cação segundo os autores Rosenfeld e Servo (1984):
 
CRIATIVIDADE INOVAÇÃO
Refere-se a gerar novas ideias. Refere-se à adaptação ou a colocar em
prática uma ideia.
É um atributo que pode pertencer a um único
indivíduo.
Requer a colaboração de muitas pessoas.
Quadro 1 | Comparação entre Criatividade e Inovação. Fonte: adaptado de Rosenfeld e Servo
(1984).
 
Como bem observa a autora Wechsler (2002), muitos passos ocorrem entre ter uma ideia e
colocá-la em prática, e pode existir falta de comunicação entre esses dois momentos. Por
exemplo, um indivíduo com estilo inovador em uma empresa pode esbarrar com um gerente que
bloqueie as suas ideias. É necessário, portanto, que se combine o indivíduo inovador com o
indivíduo adaptador, que gosta de melhorar o que já foi proposto e pode aproveitar o potencial da
nova ideia para desenvolvê-la (Rosenfeld; Servo, 1984).
Para os autores Kelley e Kelley (2014), a criatividade se manifesta na forma de inovação.
Fenômenos tecnológicos como o Google, o Facebook e o Twitter têm despertado e se
bene�ciado da criatividade dos empregados para mudar a vida de bilhões de pessoas. A maioria
das empresas já percebeu que a chave para o crescimento – e até para a sobrevivência – é a
inovação. De acordo com o autor Zogbi (2014), muitas das di�culdades que encontramos para
sermos mais criativos e gerarmos mais inovações partem de nós mesmos.
A busca por uma solução em campos de conhecimento distintos pode ser difícil e complexa,
devido à chamada “inércia psicológica” das pessoas que acabam limitando suas ações dentro da
área que dominam e não pensam fora de sua especialidade. A inércia psicológica – ou falta de
disposição para a mudança – ecoa em frases como estas, que você provavelmente já ouviu em
diversos momentos pro�ssionais: “Nós sempre �zemos isso dessa forma”, “Tentamos isso há 10
anos e não funcionou”, “Eu não sou pago para melhorar as coisas, apenas para pressionar este
botão”, “Isso nunca vai funcionar aqui”.
De acordo com Duailibi e Simonsen Jr. (1990), a primeira conclusão, e talvez a mais importante, é
que a criação e o julgamento nunca devem ser exercidos ao mesmo tempo. Sair da inércia,
procurar novas soluções e chegar à inovação é um caminho explorado pela nossa
contemporaneidade. A respeito do tema, não faltarão estudos, novos conceitos e teorias.
Disciplina
PROCESSO DE CRIATIVIDADE
Podemos mencionar a Teoria da Resolução de Problemas Inventivos (TRIZ), que surgiu a partir
do trabalho de Altshuller (anos 1950) e foi adotada internacionalmente nos anos 1970 (Pires,
2014). “TRIZ é uma metodologia sistemática, orientada ao ser humano, baseada em
conhecimento, para a solução inventiva de problemas e aprendizado organizacional” (Savransky
apud Pires, 2014, p. 3). 
Em um artigo de 1998 para o jornal Triz, James Kowalick de�niu como inércia psicológica uma
indisposição à mudança – uma certa “estagnação” devido a uma programação humana.
Também representa a impossibilidade – enquanto uma pessoa é guiada por seus hábitos – de se
comportar sempre de uma maneira melhor.
Siga em Frente...
O conceito de autopoiese (Maturana; Varela, 1980) de�ne que o mundo ao nosso redor existe
porque o nosso interior interage com ele, gerando o �uxo constante de ações e reações que
desenham nosso percurso de vida. Isso só reforça a nossa singularidade. Então, quando
identi�camos alguns tipos de bloqueios, nos referimos a algumas condições que se repetem
regularmente nas pessoas, criam um padrão comportamental que tem a ver com a nossa
necessidade de adequação social (pessoal e pro�ssional). Poiesis é um termo grego que
signi�ca produção. Autopoiese quer dizer autoprodução.
Bloqueios mentais são obstáculos que nos impedem de perceber corretamente o problema ou
conceber uma solução. Pela ação destes bloqueios nós nos sentimos incapazes de pensar algo
diferente, mesmo quando nossas respostas usuais não funcionam mais. Os bloqueios são
paredes invisíveis que nos impedem de sair dos estreitos limites do cubículo que construímos ao
longo dos anos (Siqueira, 2015, p. 23).
Reconhecer que temos nossos próprios bloqueios e saber lidar com eles é a melhor forma de
não nos desiludirmos e percebermos que podemos caminhar pela via da inovação. La Torre
(2008) a�rma que os obstáculos ao desenvolvimento da criatividade podem surgir por diversas
frentes:
De nós mesmos, seja em nível mental ou emocional.
Do próprio meio sociocultural.
Do ambiente escolar.
Os bloqueios, também chamados de barreiras, são abordados por várias vertentes que
estudaremos mais a fundo posteriormente. As principais linhas de investigação (Wechsler, 2002)
são:
Bloqueios culturais: são bloqueios ao pensamento e ao comportamento criativo. Advêm,
em primeiro lugar, da própria sociedade. A sociedade pune ou exclui o indivíduo que é
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PROCESSO DE CRIATIVIDADE
diferente. Como já foi estudado anteriormente, a ligação entre criatividade e loucura surge
do modo e da di�culdade de lidar com as diferenças individuais.
Bloqueios perceptuais: são barreiras ligadas à incapacidade de resolver problemas
criativamente. O indivíduo se fecha às novas percepções, tem di�culdade de olhar o
mesmo fato, problema ou situação sob um diferente ponto de vista, não tendo �exibilidade
necessária ao processo criativo.
Bloqueios emocionais: são os bloqueios internos à criatividade e constituem um grande
impedimento para o comportamento ou realização criativa. Esses bloqueios vão se
constituindo através da história de vida da pessoa e de sua interação com a família e com a
sociedade.
De acordo com a autora, todos esses bloqueios, isoladamente ou combinados, levam o indivíduo
a ter medo de se arriscar, e a coragem de se arriscar é um dos principais componentes do
comportamento inovador e criativo. O autor Predebon (2002) apresenta os bloqueios mais
comuns à criatividade:
Acomodação: caracterizada por certo imobilismo, cultivado a partir da valorização da rotina
confortável e do "não desa�o", do previsível.
Miopia estratégica: falta de boa percepção do contexto e sua dinâmica. A miopia
geralmente nasce de um nível exagerado de egocentrismo.
Imediatismo: constituído pelo posicionamento simplista de "ir direto ao ponto".
Insegurança: comum falta de con�ança, peculiar às pessoas com necessidade exagerada
de aprovação.
Pessimismo: inimigo de todo e qualquer tipo de investimento, pelo palpite invariável de que
"não dará certo".
Timidez: característica de personalidade que inibe a apresentação de atitudes e
comportamentos mais assertivos,necessários na discussão das iniciativas peculiares à
criatividade.
Prudência: qualidade pessoal que, a partir de certo grau, passa a se caracterizar
simplesmente como medo, com óbvio prejuízo de todas as iniciativas necessárias no
campo da criatividade e das inovações.
Desânimo: falta generalizada de motivação e estímulo.
Dispersão: comum falta de administração do tempo, que di�culta ou impede a
implementação de qualquer projeto que não esteja ligado às necessidades imediatas, o que
provoca permanentemente adiamento das iniciativas inovadoras.
Historicamente, sabemos que alguns artistas foram aos limites (alguns ultrapassaram) da
desadequação em prol da sua arte, o que gerou problemas pessoais para eles, mas ao mesmo
tempo criou possibilidades de ruptura, trazendo novidades. É o que chamamos de vanguarda.
Vamos Exercitar?
Vamos retornar ao problema inicial desta aula, em que Pedro precisa auxiliar seus alunos a
superar os bloqueios criativos e solucionar o exercício proposto.
Disciplina
PROCESSO DE CRIATIVIDADE
Diante dos bloqueios criativos apresentados pelos alunos durante o exercício, Pedro pode adotar
diversas estratégias para ajudá-los a superar tais barreiras e atingir os objetivos propostos.
Algumas atitudes que ele poderia incluir:
Incentivar a experimentação: encorajar os alunos a se envolverem ativamente no exercício,
lembrando-os de que a prática é essencial para o desenvolvimento das habilidades
criativas.
Fornecer suporte individualizado: oferecer orientação individual aos alunos que estão
enfrentando di�culdades, demonstrando técnicas básicas de desenho e incentivando a
expressão livre e sem julgamentos.
Promover um ambiente acolhedor: criar um ambiente de aprendizagem positivo e
encorajador, no qual os alunos se sintam à vontade para expressar suas ideias e opiniões
sem medo de críticas ou julgamentos.
Apresentar exemplos inspiradores: compartilhar exemplos de trabalhos de outros artistas e
pro�ssionais renomados, destacando suas jornadas e superações, para inspirar os alunos e
mostrar que a prática e a persistência são fundamentais para o desenvolvimento criativo.
Integrar diferentes abordagens: explorar diferentes abordagens para expressão criativa,
como o uso de outras formas de arte, além do desenho, e incentivar os alunos a explorar
novas perspectivas e técnicas para expressar suas ideias.
Ao adotar essas estratégias, Pedro pode ajudar os alunos a superar os bloqueios criativos,
promovendo um ambiente de aprendizagem que valoriza a experimentação, a expressão e o
desenvolvimento das habilidades criativas.
Saiba mais
Para complementar seus estudos, indicamos um �lme que aborda a superação de bloqueios
criativos e a jornada de autodescoberta. Esse �lme se chama Sociedade dos Poetas Mortos.
Lançado em 1989 e dirigido por Peter Weir, o �lme estrelado por Robin Williams retrata a vida de
um grupo de estudantes em uma escola preparatória conservadora, e como um professor de
literatura inspira seus alunos a desa�ar as normas sociais e a expressar sua criatividade por
meio da poesia. A história destaca a importância da liberdade de expressão, do pensamento
crítico e da atualização na jornada de autodescoberta e no desenvolvimento criativo.
Referências
DUAILIBI, R.; SIMONSEN JR., H. Criatividade & Marketing. São Paulo: M. Books, 2008.
KELLEY, T.; KELLEY, D. Con�ança criativa: libere sua criatividade e implemente suas ideias. São
Paulo: HSM do Brasil, 2014.
LA TORRE, S. Criatividade aplicada: recursos para uma formação criativa. São Paulo: Madras,
2008.
Disciplina
PROCESSO DE CRIATIVIDADE
MATURANA, H. E.; VARELA, F. Autopoiese e cognição. Porto Alegre: Medical, 1980.
PREDEBON, J. Criatividade: abrindo o lado inovador da mente. São Paulo: Atlas, 2002.
ROSENFELD, R.; SERVO, G. Business and creativity. The Futurist, p. 21-26, ago. 1984.
SAVRANSKY, S. Engineering of creativity: introduction to TRIZ methodology of inventive problem
solving. USA: CRC Press, 2000
SIQUEIRA, J. Criatividade aplicada. Rio de Janeiro, 2015. Disponível em:
https://docplayer.com.br/4646253-Criatividade-aplicada.html. Acesso em: 4 jan. 2024.
WECHSLER, S. M. Criatividade. Descobrindo e encorajando. Campinas: Livro Pleno, 2002.
ZOGBI, E. Criatividade: o comportamento inovador como padrão natural de viver e trabalhar. São
Paulo: Atlas, 2014.
Aula 3
Condições para "Criaticidades"
Condições para “Criaticidades”
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Estudante, esta videoaula foi preparada especialmente para você. Nela, você irá aprender
conteúdos importantes para a sua formação pro�ssional. Vamos dar um play? Bons estudos!
Ponto de Partida
Nesta aula, estudaremos especi�camente as chamadas cidades criativas ou "criaticidades".
Veremos como a criatividade pode auxiliar na economia de cidades e países, desenvolvendo o
setor da economia criativa, considerada a economia do século XXI.
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PROCESSO DE CRIATIVIDADE
Nesta unidade, estamos acompanhando a trajetória do arquiteto e professor renomado chamado
Pedro. Como já foi apresentado anteriormente, além de atuar como docente em uma
universidade prestigiada, Pedro é reconhecido por suas contribuições para o desenvolvimento
inovador em sua cidade. Recentemente, ele foi convidado a participar da elaboração de um
relatório com sugestões para promover o desenvolvimento urbano criativo na região em que
reside. Para isso, Pedro precisa realizar um levantamento detalhado da arquitetura, da história e
da cultura local, a �m de compor um relatório que reconheça as singularidades criativas da
cidade. Quais informações serão necessárias para compor o relatório? E se você tivesse que
desenvolver esse relatório, como faria o levantamento cultural e econômico de sua cidade? Quais
informações deverão constar em seu relatório? Qual a singularidade cultural de sua cidade?
Vamos responder a esses questionamentos no �nal desta aula!
Vamos Começar!
Os fatores de produção tradicionais – capital, trabalho e recursos naturais – já não são
su�cientes para assegurar o progresso. Cada vez mais o conhecimento e a tecnologia assumem
papel estratégico no processo de desenvolvimento econômico. Contudo, apenas o acúmulo de
conhecimento também não é su�ciente. É necessária sua aplicação, tornando-o tão lucrativo
quanto ativos tangíveis, ou em última instância, é necessário inovar, aplicar o conhecimento na
solução de problemas concretos.
O autor Bilich (apud Ferreira et al., 2004) alerta que o desenvolvimento das novas tecnologias,
por meio de software e hardware, está permitindo que as máquinas façam não só o trabalho
operacional (que era feito pelas pessoas), como também o trabalho mental rotineiro. O que resta,
então, ao homem é o pensamento criativo. Seguindo esta linha, o autor Parolin (2003) defende
que o anseio de criar é um dos desejos básicos do ser humano, mas está sendo sufocado pelo
paradigma da modernidade, que apregoa que a motivação do ser humano para o trabalho seja
preferencialmente econômica.
Essas, entre tantas outras a�rmações, são vistas como premissas para um maior engajamento e
encorajamento referente ao uso da criatividade como saída para os problemas da sociedade
moderna. Pereira et al. (1999) ressaltam que a criatividade deve ser mola propulsora para se
alcançar resultados em plena era do conhecimento. Segundo Kao (1997), é a criatividade que faz
o conhecimento ser aplicável e progressivamente mais útil.
A importância do conhecimento não é uma constatação recente. Há muito esse conceito re�ete
a ideia de poder. Entretanto, somente nas últimas décadas as organizações descobriram que a
capacidade de gerar e utilizar conhecimento dentro da organização é elemento básico capaz de
criar competências e identidades especí�cas, proporcionando, portanto, diferenciais
competitivos e crescimento econômico (Vasconcelos et al., 2023).
A relevância que a criatividade vemde resolver problemas criativamente.
De acordo com o autor Mackinnon (1978), existem cinco critérios necessários para avaliar o
produto criativo:
Originalidade: os produtos mais criativos são aqueles que são originais em toda a
civilização ou história da humanidade.
Adaptação à realidade: o simples fato de ser original não quer dizer que seja criativo. É
necessário que o produto sirva para resolver um problema ou para alcançar um
determinado objetivo – isto é, que seja adaptado à realidade.
Elaboração: é necessário que o produto seja desenvolvido e comunicado. Dessa forma, o
produto poderá ser avaliado quanto à sua possibilidade de utilização pela sociedade.
Solução elegante: a solução do produto é simples, porém estética.
Transformação de princípios antigos: que o produto transcenda, transforme ou revolucione
os princípios até então aceitos pela sociedade.
Atualmente, é evidente uma crescente busca de empresas pela �delização de clientes, por meio
da oferta de serviços que garantam satisfação, conveniência e experiências memoráveis e
emocionais. Observa-se um claro investimento por parte das organizações na capacitação e no
estímulo da inteligência criativa de seus colaboradores como uma ferramenta estratégica
essencial (Gomes; Lapolli, 2014).
 
Mapa mental como ferramenta de criatividade
O mapa mental é considerado uma ferramenta de organização e representação visual de ideias,
frequentemente utilizada para estimular a criatividade e a geração de conceitos inovadores. Ao
desenhar um mapa mental, é possível criar conexões entre ideias aparentemente desconexas,
facilitando a compreensão de problemas complexos e o desenvolvimento de soluções criativas
(Lessa; Santos, 2023).
Por meio de sua estrutura não linear, o mapa mental encoraja uma abordagem livre e não
restritiva à resolução de problemas, permitindo que o usuário explore várias perspectivas e
alternativas. Assim, ao visualizar as relações entre diferentes conceitos, o indivíduo é capaz de
identi�car padrões e descobrir novas maneiras de abordar desa�os, promovendo, assim, a
inovação e o pensamento original.
Além disso, o mapa mental oferece uma visão panorâmica de um tópico especí�co, o que facilita
a identi�cação de lacunas no conhecimento e áreas que se destacam para mais
desenvolvimento (Lessa; Santos, 2023). Ele também pode servir como um guia prático durante o
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PROCESSO DE CRIATIVIDADE
processo criativo, ajudando a manter o foco em ideias-chave e a evitar a perda de informações
importantes.
Diante dessas características, podemos dizer que ao incorporar o mapa mental em práticas de
brainstorming e planejamento, os pro�ssionais podem ampliar sua capacidade de gerar e
organizar ideias de forma e�caz, impulsionando a inovação em diferentes contextos
pro�ssionais. Com sua �exibilidade e adaptabilidade, o mapa mental se torna uma ferramenta
valiosa para promover a criatividade e a resolução de problemas em diversas áreas, desde
negócios e empreendedorismo até educação e desenvolvimento pessoal.
Considerando os pontos apresentados nesta aula, é possível perceber que à medida que nos
aprofundamos nas teorias da criatividade e no processo criativo, compreendemos que a
criatividade não surge por acaso, mas é resultado de um esforço mental concentrado e de um
percurso composto por projetos especí�cos. Assim, ao explorar o mapa mental como uma
ferramenta de criatividade, percebemos sua capacidade de promover a conexão de ideias e o
desenvolvimento de soluções inovadoras em diferentes contextos pro�ssionais. Sua �exibilidade
e adaptabilidade o tornam uma ferramenta útil para a aplicação da inovação e a resolução de
problemas em diversas áreas da vida e do trabalho.
Vamos Exercitar?
Agora que exploramos os fundamentos teóricos da criatividade, vamos retornar ao problema
inicial desta aula, em que Alex decide entrar no mundo do empreendedorismo e lançar seu
próprio negócio. Ele está enfrentando o desa�o de apresentar sua proposta de forma criativa aos
investidores.
Alex pode utilizar a ferramenta do mapa mental para enfrentar os desa�os relacionados à
apresentação de sua ideia de negócio a potenciais investidores. Para começar, ele pode criar um
mapa mental detalhado, representando visualmente os principais aspectos de sua proposta
empresarial. Pode iniciar de�nindo claramente o objetivo central de seu empreendimento,
rami�cando em direção a áreas-chave como o modelo de negócios, os recursos necessários e o
público-alvo pretendido.
Em seguida, ele poderá explorar os diferentes cenários de implementação de sua ideia,
considerando fatores como estratégias de marketing, análise de concorrência e potenciais
desa�os operacionais. Ao conectar esses elementos de forma visual, ele poderá identi�car
lacunas e oportunidades em sua proposta, permitindo-lhe ajustar e aprimorar sua abordagem de
acordo.
Ele também pode usar o mapa mental para destacar os pontos fortes e diferenciais do seu
negócio, evidenciando aspectos que o tornam único e atraente para potenciais investidores. Isso
ajuda a destacar a inovação e a criatividade inerentes à sua proposta, demonstrando uma
compreensão profunda do mercado e das necessidades dos clientes.
Disciplina
PROCESSO DE CRIATIVIDADE
Por �m, você poderia ajudar Alex a superar suas dúvidas e inseguranças em relação ao processo
criativo e à busca de apresentar soluções inovadoras e criativas para seus investidores,
encorajando-o a compartilhar seu mapa mental com mentores e colegas empreendedores,
buscando feedback e insights importantes que possam enriquecer ainda mais sua apresentação.
Ao adotar essa abordagem baseada em mapas mentais, Alex terá uma visão clara e abrangente
de sua proposta de negócio, aumentando suas chances de sucesso ao apresentar sua ideia a
potenciais investidores.
Além do uso do mapa mental, você pode considerar outras estratégias e ferramentas que podem
complementar e enriquecer o processo criativo de Alex. Por exemplo, a realização de pesquisas
de mercado desenvolvidas e a análise aprofundada do comportamento do consumidor podem
fornecer informações úteis que contribuem para a identi�cação de necessidades não atendidas
e oportunidades de diferenciação no mercado.
Ao considerar essas possibilidades adicionais de resolução, você pode ajudar Alex a desenvolver
uma abordagem abrangente e estratégica para o lançamento de seu empreendimento,
permitindo-lhe superar desa�os e alcançar o sucesso no mundo dinâmico dos negócios.
Saiba mais
Recomenda-se o livro Empreendedorismo: Transformando Ideias em Negócios, de José
Dornelas, que fornece orientações práticas para o desenvolvimento de habilidades
empreendedoras e a implementação de ideias criativas e inovadoras. O capítulo "Habilidades do
Empreendedor e Processo Mundial Empreendedor" oferece insights importantes das habilidades
essenciais necessárias para se destacar no mercado. 
 
DORNELAS, J. Empreendedorismo: transformando ideias em negócios. 6. ed. São Paulo:
Empreende/Atlas, 2016. 
Referências
GOMES, R. K.; LAPOLLI, E. M. Os estímulos e barreiras à criatividade no ambiente organizacional.
Revista Borges, v. 4, p. 3-12, 2014.
LESSA, A.; SANTOS, C. O mapa mental como metodologia ativa no ensino de leitura. Scripta, v.
27, n. 59, p. 92-117, 2023.
MACKINNON, D. W. In search of human effectiveness: identifying and developing creativity.
Creative Education Foundation, 1978.
NEVES-PEREIRA, M. S.; FLEITH, D. de S. (org.) Teorias da Criatividade. Campinas: Alínea, 2020.
PATRÍCIO, F. S. Desenho de moda: processos criativos na representação visual da �gura humana
e do vestuário. 2017. Dissertação (Mestrado em Têxtil e Moda) - Escola de Artes, Ciências e
Disciplina
PROCESSO DE CRIATIVIDADE
Humanidades, Universidade de São Paulo, São Paulo.
 
Aula 2
Contextualização sobre as Teorias da Criatividade
Contextualização sobre as teorias da criatividade
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paraganhando no mundo contemporâneo não está limitada ao
contexto das descobertas cientí�cas ou da produção cultural – o que muitas vezes caracteriza a
Disciplina
PROCESSO DE CRIATIVIDADE
noção de senso comum (Vasconcelos et al., 2023). Colossi (2004) defende que, dentre os vários
campos nos quais a criatividade vem ganhando expressão, a aprendizagem, o desenvolvimento e
a gestão organizacional merecem destaque. Isso porque a criatividade vem se evidenciando na
criação de novos produtos, novos processos, novos serviços e, principalmente, na solução de
problemas por parte das empresas. Ela também é parte atuante na economia. E para esse setor
surge o termo economia criativa.
O conceito de economia criativa é recente e tem sido cada vez mais reconhecido. Basicamente,
surgiu para designar modelos de negócio que se caracterizam por atividades, produtos ou
serviços desenvolvidos a partir do conhecimento – ou seja, da criatividade, do capital intelectual
– visando à geração de trabalho e renda. Enquanto a economia tradicional se constrói a partir da
manufatura, agricultura e comércio, a economia criativa tem seu foco na imaginação e na
capacidade intelectual aplicadas à geração de renda. Grande parte da economia criativa vem de
setores como cultura, moda, design, música e artesanato, e também se ressaltam as atividades
do setor da tecnologia e inovação, como o desenvolvimento de softwares, jogos eletrônicos e
aparelhos de celular (Sebrae, 2016). A economia criativa é a nova economia do século XXI, da
demanda inteligente, de empreendedores que usam o cérebro para lucrar. É a economia da
genialidade, como a de Steve Jobs, que utilizava a criatividade para gerar empregos melhores,
produtos inovadores e crescimento econômico.
Siga em Frente...
Diversidade cultural, inclusão social, sustentabilidade e inovação – princípios norteadores dos
planos de ação dos diferentes setores envolvidos pela economia criativa – são valores que se
agregam aos bens e serviços, garantindo-lhes maior competitividade. É neste contexto que
surgem as cidades criativas (também conhecidas como criaticidades).
Uma abordagem de criaticidade trata-se de cidades e espaços criativos nos quais as conexões,
as inovações e a própria cultura revelam e valorizam as peculiaridades locais, em dimensões
complementares como a econômica, a cultural, a social, a urbana e a turística.
As vantagens trazidas por essa integração são inúmeras:
Diversidade social.
Retenção e atração de talentos.
Acréscimo na oferta de empregos.
Acréscimo na produção cultural e artística na cidade.
Acréscimo no potencial criativo das empresas.
Atração de turistas.
As cidades criativas estão intimamente ligadas à economia criativa que bene�cia a economia da
cidade e a qualidade de vida de seus cidadãos. Na economia criativa, é necessário promover
projetos com foco em produção artística e cultural e incentivar o empreendedorismo.
Disciplina
PROCESSO DE CRIATIVIDADE
O mesmo site a�rma que o processo de uma cidade criativa segue os seguintes passos:
1. As pessoas têm conhecimento a respeito das áreas em que atuam.
2. Alguém cria um projeto.
3. A pessoa prepara o projeto para busca e recebimento de investimento.
4. Investimento garantido, o criador do projeto tem a possibilidade de implantá-lo e, dessa forma,
gerar renda.
5. O crescimento do projeto gera novas oportunidades na região e pode gerar novas ideias em
outros pro�ssionais criativos.
Em cidades criativas, há abundância de inovações econômicas, sociais, culturais (inovações
entendidas como soluções para problemas e oportunidades), conexões (entre áreas da cidade,
entre grupos sociais, entre público e privado, entre local e global) e cultura (por seus valores
culturais, por seu impacto econômico e por gerar um ambiente mais propício à criatividade). Uma
cidade criativa está em permanente processo de transformação.
Segundo Madeira (2014), cada país adota políticas e ações singulares ao seu patrimônio cultural
na construção de sua economia criativa. Essa singularidade é o que faz diferença no momento
em que se inserem no mercado de bens simbólicos.
Uma cidade criativa estimula a inserção de uma cultura de criatividade no modo como se
participa da cidade. Ao incentivar a criatividade e legitimar o uso da imaginação nas esferas
pública, privada e da sociedade civil, amplia-se o conjunto de ideias de soluções potenciais para
qualquer problema urbano.
Este tipo de cidade demanda infraestruturas que vão além do hardware – edifícios, ruas ou
saneamento. Uma infraestrutura criativa é uma combinação de hard e soft, incluindo a
infraestrutura mental, o modo como a cidade lida com oportunidades e problemas; as condições
ambientais que ela cria para gerar um ambiente e os dispositivos que fomenta para isso, por
meio de incentivos e estruturas regulatórias.
De acordo com Reis (2010), uma cidade criativa é aquela que surpreende, estimula a curiosidade,
fomenta o pensamento alternativo e, consequentemente, inspira a busca de soluções criativas
para os problemas. As cidades criativas contam com três elementos: inovações, conexões e
cultura.
 
INOVAÇÕES CONEXÕES CULTURA
Disciplina
PROCESSO DE CRIATIVIDADE
Inovações podem ser
entendidas como criatividade
aplicada à solução de
problemas ou à antecipação
de oportunidades.
As conexões se dão em
diversas dimensões: histórica,
entre o passado da cidade;
geográ�ca, entre bairros e
zonas; de governança, com a
participação dos setores
público, privado e da
sociedade civil; de
diversidades, aglutinando
pessoas com distintos pontos
de vista, pro�ssões, culturas,
comportamentos; entre local
e global, preservando as
singularidades da cidade,
sem por isso se isolar do
mundo.
A cultura se insere na cidade
criativa sob quatro formas
mais visíveis: por seu
conteúdo cultural,
compreendendo produtos,
serviços, patrimônio (material
e imaterial) e manifestações
de caráter único; pelas
indústrias criativas,
abrangendo cadeias culturais;
da criação à produção; do
consumo ao acesso, com
impacto econômico na
geração de emprego, renda e
arrecadação tributária.
Quadro 1 | Elementos das cidades criativas. Fonte: adaptado de Reis (2011).
 
Diante disso, percebemos que o conceito de criatividade não se limita ao contexto das
descobertas cientí�cas ou da produção cultural, estendendo-se também à aprendizagem, ao
desenvolvimento e à gestão organizacional. O conceito emergente de economia criativa ganha
destaque, re�etindo um novo paradigma econômico que se baseia na imaginação e no capital
intelectual. Cidades criativas, ou criaticidades, se esforçam para integrar atividades sociais,
culturais e artísticas com o setor governamental e a indústria, resultando em diversidade social,
retenção de talentos, aumento da produção cultural e criativa, entre outros benefícios. A
infraestrutura de uma cidade criativa vai além das estruturas físicas, abrangendo também
incentivos e regulamentações para promover um ambiente propício à criatividade e à inovação.
Vamos Exercitar?
Vamos lá, é hora de ajudar o Pedro a fazer um levantamento da arte e da cultura de sua cidade e
elaborar um relatório que tem como objetivo considerar as singularidades criativas do lugar. Para
isso, vamos pensar em algumas sugestões que podem servir como necessárias para compor o
relatório e fazer um levantamento econômico-cultural da cidade de Pedro.
Disciplina
PROCESSO DE CRIATIVIDADE
Para fazer esse relatório, você pode indicar a Pedro que realize um levantamento detalhado sobre
a arquitetura, a história e a cultura local, a �m de compor um relatório que reconheça as
singularidades criativas da cidade. Dessa forma, ele também pode começar investigando os
marcos interessantes relevantes, os espaços urbanos signi�cativos e os eventos culturais
proeminentes que caracterizam a região. Além disso, ele deve compreender a interação entre a
arquitetura local e a cultura, identi�cando como esses elementos se entrelaçam e in�uenciam a
identidade da cidade.
Com base nessas informações, Pedro terá condições de desenvolver umrelatório abrangente
que destaca os especialistas culturais e arquitetônicos especí�cos de sua cidade, propondo
estratégias inovadoras para fomentar a criatividade e o desenvolvimento sustentável da região.
Para facilitar o processo de aprendizagem, experimente fazer uma pesquisa acerca da cultura de
sua cidade e tente identi�car a sua identidade cultural. Elabore sugestões de como auxiliar a
torná-la uma “criaticidade”. Identi�que e relacione os pontos positivos e os negativos, bem como
os possíveis bloqueadores. 
Saiba mais
Para que você se envolva ainda mais com esse assunto, indicamos que você assista ao �lme Em
busca da Felicidade. Você já conhece? Se sim, assista novamente, se não, certamente você vai
conseguir perceber os conceitos trabalhados na teoria sendo aplicados na prática. 
Referências
COLOSSI, L. Características de ambientes organizacionais orientados ao comportamento
criativo. 2004. 188f. Dissertação (Mestrado em Psicologia) - Universidade Federal de Santa
Catarina, Florianópolis, 2004.
FERREIRA, M. A. M. et al. Temas em métodos quantitativos. Lisboa: Silabo, 2004.
KAO, J. J. A arte e a disciplina da criatividade na empresa. Rio de Janeiro: Campus, 1997.
MADEIRA, M. G. Economia criativa: implicações e desa�os para a política brasileira. Brasília:
FUNAG, 2014.
PAROLIN, S. R. A criatividade nas organizações: um estudo comparativo das abordagens sócio
interacionistas de apoio à gestão empresarial. Caderno de Pesquisas em Administração, v. 10, n.
1, p. 9-26, 2003.
PEREIRA, B. A. D. et al. A in�uência da criatividade para o sucesso estratégico organizacional. In:
Anais do 23º Encontro Anual da Associação Nacional dos Programas de Pós-Graduação em
Administração, v. 1, p. 1-10, Foz do Iguaçu, set. 1999.
Disciplina
PROCESSO DE CRIATIVIDADE
REIS, A. C. F. (org.). Cidades Criativas, Soluções Inventivas – o papel da Copa, das Olimpíadas e
dos museus internacionais. São Paulo: Garimpo de Soluções e FUNDARPE, 2010 (no prelo).
VASCONCELOS, B. F. et al. A criatividade no Processo Inovativo: Uma perspectiva conceitual.
InGeTec –Inovação, Gestão & Tecnologia, jul. 2023.
SEBRAE NACIONAL. O que é economia criativa. Sebrae, 7 jan. 2016. Disponível em:
https://sebrae.com.br/sites/PortalSebrae/artigos/o-que-e-economia-
criativa,3fbb5edae79e6410VgnVCM2000003c74010aRCRD#:~:text=Economia%20Criativa%20%C
3%A9%20um%20termo,gera%C3%A7%C3%A3o%20de%20trabalho%20e%20renda. Acesso em: 4
jan. 2024.
Aula 4
Tipos de Bloqueios da Criatividade
Tipos de bloqueios da criatividade
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conteúdos importantes para a sua formação pro�ssional. Vamos assisti-la? Bons estudos!
Ponto de Partida
Nesta aula, estudaremos os tipos de bloqueios e barreiras para a criatividade. Compreenderemos
como fatores culturais, ambientais, intelectuais, emocionais, perceptivos e de comunicação
podem impedir o �uxo criativo. É bem provável que você se reconheça nos exemplos e situações
descritas neste conteúdo.
Para auxiliar, retornaremos ao nosso renomado arquiteto Pedro, que também atua como
professor na universidade. Nas últimas seções, você acompanhou e auxiliou no desenvolvimento
de uma palestra; nos primeiros desa�os criativos de Pedro e seus alunos em sala de aula; e na
Disciplina
PROCESSO DE CRIATIVIDADE
elaboração de um relatório cultural para que a cidade onde Pedro mora pudesse adotar o
conceito de cidade criativa ou "criaticidade".
Nesta seção, veremos que, a pedido do reitor da universidade em que leciona, Pedro foi
convidado a desenvolver um treinamento criativo com os funcionários da instituição. São
professores, coordenadores, pro�ssionais de limpeza e da secretaria, entre outros setores. De
acordo com o reitor, o treinamento tem como objetivo auxiliar os funcionários a superar seus
bloqueios criativos e, dessa forma, estimular novas ideias e a resolução dos problemas do dia a
dia de forma criativa e inovadora.
Como você poderá auxiliar Pedro no desenvolvimento da proposta de treinamento criativo? A
leitura dos conceitos de nosso livro didático poderá auxiliá-lo.
Vamos Começar!
Todo ser humano tem grande potencial criativo, embora nem sempre esse potencial seja
explorado e expresso em sua totalidade. As análises de pesquisas tratando de criatividade
apontam os bloqueios como causas responsáveis por inibir a manifestação do processo criativo.
Para que a criatividade �ua livremente e novas ideias apareçam, é preciso eliminar velhos
conceitos. É necessário combater as nossas tendências naturais contrárias à inovação, pois
quando elas se tornam radicais, passam a representar verdadeiros bloqueios.
Esses bloqueios da criatividade, como quase todos os problemas que enfrentamos, geralmente
estão bem dentro de nós, e di�cilmente temos consciência de sua existência. Reconhecer que
temos nossos próprios bloqueios e saber lidar com eles é a melhor forma de caminhar pela via
da inovação.
 
Disciplina
PROCESSO DE CRIATIVIDADE
Figura 1 | Fatores da inovação. Fonte: adaptada de Alencar (1996).
 
Como já observamos, os bloqueios mentais são obstáculos que nos impedem de perceber
corretamente o problema ou conceber uma solução. Pela ação dos bloqueios, nos sentimos
incapazes de pensar em algo diferente, mesmo quando nossas respostas usuais já não
funcionam mais.
Relembrando Torre (2008), os obstáculos ao desenvolvimento da criatividade podem surgir por
diferentes frentes: seja de nós mesmos (em nível mental ou emocional), seja do meio
sociocultural ou do ambiente escolar. Para o autor, o primeiro passo, imprescindível, é identi�car
esses obstáculos e tomar consciência deles.
Já o autor Predebon (2002) relaciona os seguintes bloqueios mais comuns à criatividade:
acomodação, miopia estratégica, imediatismo, insegurança, pessimismo, timidez, prudência,
desânimo e dispersão. Veja se você se identi�ca com alguns desses bloqueios. Reveja os
detalhes dos bloqueios citados por Predebon (2002) na seção anterior. Por sua vez, a autora
Disciplina
PROCESSO DE CRIATIVIDADE
Wechsler (2002) ressalta que são consideradas variáveis in�uenciadoras na criatividade as
barreiras culturais, perceptuais e emocionais.
Já o autor Predebon (2002) relaciona os seguintes bloqueios mais comuns à criatividade:
acomodação, miopia estratégica, imediatismo, insegurança, pessimismo, timidez, prudência,
desânimo e dispersão. Veja se você se identi�ca com alguns desses bloqueios. Reveja os
detalhes dos bloqueios citados por Predebon (2002) na seção anterior. Por sua vez, a autora
Wechsler (2002) ressalta que são consideradas variáveis in�uenciadoras na criatividade as
barreiras culturais, perceptuais e emocionais.
Figura 2 | Tipos de bloqueios. Fonte: adaptada de Wechsler (2002).
As barreiras culturais são bloqueios ao pensamento e ao comportamento criativo e surgem, em
primeiro lugar, na própria sociedade. Dentre as barreiras culturais que impedem a manifestação
da criatividade, destacam-se as seguintes, segundo Jones (apud Wechsler, 2002):
Orientação para a estabilidade.
Punição ou exclusão daquele que diverge da norma.
Valorização da lógica e descrédito pela intuição.
Preferência pela tradição em vez de mudanças.
Medo do ridículo.
Cabe ressaltar que a sociedade pune ou exclui o indivíduo que é diferente. A ligação, muitas
vezes encontrada entre a criatividade e a loucura advém do modo e da di�culdade de lidar com
as diferenças individuais.
Disciplina
PROCESSO DE CRIATIVIDADE
Siga em Frente...
O indivíduo que diverge das normas da sociedade incomoda, quebra as estruturas. Por seu lado,
a sociedade se agarra a regras e a tradições para justi�car a importância do status quo (termo
latino que leva à ideia de manter da forma que sempre foi) e desvaloriza o que é subjetivo e não
mensurável, como a fantasia e a intuição. O medode ser ridicularizado, de não ser amado faz
com que o indivíduo acabe por aceitar, muitas vezes, as barreiras impostas pela sociedade.
Outra barreira cultural que é causadora de grandes desajustes emocionais e tem um enorme
efeito repressor na criatividade é a expectativa de comportamentos e atitudes que se enquadrem
no papel imposto pela sociedade. A contracultura é um exemplo de movimento das décadas de
1960 e 1970, iniciado por jovens de várias partes do mundo, inclusive no Brasil, contra os
padrões da sociedade, tendo a juventude representado a possibilidade de mudanças e inovações
na época.
Alvin L. Simberg (apud Torre, 2008) indica-nos, entre outros bloqueios culturais, a exigência social
de sermos práticos e econômicos. Naturalmente, são qualidades que não se ajustam à livre
imaginação, à fantasia nem ao processo de incubação, que escapa a qualquer tentativa de
controle produtivo.
As barreiras perceptuais são aquelas que surgem de nosso próprio modelo de mundo, ou seja,
surgem da maneira com que percebemos o mundo ao nosso redor. Alguns exemplos são
mencionados por Wechsler (2002):
Di�culdade de perceber ou de ser sensível a problemas.
Busca de soluções rápidas e imediatas.
Pensamentos rígidos.
Inabilidade em suspender julgamentos e críticas.
Esses bloqueios estão diretamente ligados à incapacidade de resolver problemas criativamente.
Wechsler (2002) complementa que, para que um indivíduo possa superar essas di�culdades, ele
deve ser capaz de realizar uma reestruturação cognitiva, ou ser cognitivamente �exível, para que
o problema seja reformulado e possa gerar novas possibilidades de soluções. O estado de
desconforto ou insatisfação é o pré-requisito para a tentativa de mudança.
Assim como todas as outras barreiras, as barreiras perceptuais criam uma di�culdade, uma
limitação. A percepção está diretamente ligada aos órgãos dos sentidos (visão, audição, tato,
paladar, olfato). Uma barreira, um obstáculo ou um bloqueio, neste caso, impede o indivíduo de
perceber além do óbvio.
As barreiras emocionais são consideradas barreiras internas à criatividade e constituem um
grande impedimento para o comportamento ou realização criativa. Essas barreiras vão se
constituindo através da história de vida da pessoa e de sua interação com a família e com a
sociedade. Jones (apud Wechsler, 2002) distingue as seguintes barreiras ou bloqueios
emocionais que atrapalham a manifestação criativa:
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PROCESSO DE CRIATIVIDADE
Medo do fracasso – não se arriscar, tentar menos para não sofrer ou ter vergonha.
Medo de brincar – estilo sério e lógico de resolver problemas. Medo de parecer bobo por
estar fazendo algo diferente.
Miopia de recursos – não conseguir enxergar os seus próprios aspectos positivos ou
pontos fortes, persistir em um comportamento que não tem mais função, não questionar
as próprias atitudes.
Evitar a frustração – desistir muito rápido frente aos obstáculos, evitar a dor ou
desconforto que estão sempre associados às mudanças e situações novas.
Imaginação empobrecida – desvalorizar ou ignorar a vida inteira o poder das imagens.
Preferência por coisas ou situações objetivas.
Medo do desconhecido – medo de situações ambíguas, em que não há probabilidade certa
de ter sucesso, necessidade de saber o futuro antes de ir em frente.
Necessidade de equilíbrio – di�culdade de tolerar desordem, confusão, desejo de simetria.
Detesta complexidade.
Medo de exercer in�uência – receio de ser muito agressivo ou de in�uenciar outras
pessoas, medo de falar o que acredita. Di�culdade de ser ouvido. Pavor em ser líder.
Medo de perder o controle – necessidade de encontrar soluções rápidas para problemas,
di�culdades de deixar tempo para a incubação, deixar que as coisas aconteçam
naturalmente. Descrença na sua capacidade e na humanidade.
Todos esses bloqueios, isoladamente ou combinados, levam o indivíduo a ter medo de se
arriscar, e a coragem de ser arriscar é um dos principais componentes do comportamento
inovador e criativo.
Vamos Exercitar?
Para auxiliar Pedro no desenvolvimento da proposta de treinamento criativo, é essencial
considerar as práticas e técnicas que promovem a criatividade e a inovação. A seguir estão
algumas sugestões para o desenvolvimento da proposta, adaptadas à situação do Pedro:
Identi�cação dos bloqueios criativos: inicie o treinamento com uma discussão aberta
tratando dos possíveis bloqueios criativos enfrentados pela equipe. Isso pode incluir falta
de con�ança, medo de julgamento, aversão ao risco ou falta de motivação.
Exercícios de quebra de padrões: promova atividades que incentivem os funcionários a
pensarem fora da caixa. Isso pode incluir jogos de imaginação, resolução de problemas
complexos e desa�os criativos que estimulem a exploração de novas perspectivas e
soluções inovadoras.
Estimular a colaboração: organize atividades de grupo que incentivem a colaboração e a
troca de ideias entre os funcionários. Isso pode fortalecer o espírito da equipe e promover
um ambiente propício para a geração de ideias criativas e inovadoras.
Incorporar práticas de mindfulness e meditação: introduza práticas de mindfulness e
meditação para ajudar os participantes a se concentrarem no momento presente e a
cultivarem uma mentalidade aberta e receptiva à criatividade.
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PROCESSO DE CRIATIVIDADE
Incentivar a experimentação: encoraje os funcionários a experimentar novas abordagens e
técnicas em suas atividades diárias. Isso pode envolver a exploração de diferentes
métodos de resolução de problemas, a implementação de novos processos de trabalho ou
a tentativa de abordagens inovadoras para lidar com desa�os rotineiros.
Ao adotar essas estratégias, Pedro poderá ajudar os funcionários da faculdade a superar seus
bloqueios criativos e cultivar um ambiente propício para a inovação e o pensamento criativo em
toda a instituição.
Saiba mais
Indicamos o artigo “Criatividade, resiliência e saúde mental: um estudo teórico-conceitual”, um
estudo que aborda os problemas de saúde mental, incluindo a depressão e o suicídio, cada vez
mais proeminentes nos tempos atuais, a partir da tensão de pensamento, contrastando com a
resiliência – caracterizada como maleabilidade mental e considerada promotora da saúde
mental. A criatividade, oposta à imitação, plágio, monotonia, cópia ou reprodução, emerge como
um antídoto para uma série de compulsões e pensamentos obsessivos da era contemporânea.
Com proposições teórico-conceituais, o estudo reitera a importância da criatividade como base
para a saúde mental e para o pleno desenvolvimento do indivíduo. Vale a pena a leitura.
Aproveite! 
Referências
ALENCAR, E. M. L. S. A gerência da criatividade. São Paulo: Makron Books, 1996.
PREDEBON, J. Criatividade. Abrindo o lado inovador da mente. São Paulo: Atlas, 2002.
TORRE, S. de L. Dialogando com a criatividade. São Paulo: Madras, 2005
WECHSLER, S. M. Criatividade. Descobrindo e encorajando. Campinas: Livro Pleno, 2002.
Aula 5
Encerramento da Unidade
Vídeo Aula Encerramento
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https://recriai.emnuvens.com.br/revista/article/view/48
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PROCESSO DE CRIATIVIDADE
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conteúdos importantes para a sua formação pro�ssional. Vamos assisti-la? Bons estudos!
Ponto de Chegada
Estudante,
Ao �nal desta aula, é crucial enfatizar a importância da compreensão dos bloqueios da
criatividade e das estratégias para superá-los. Neste percurso, exploramos profundamente os
diferentes tipos de bloqueios, desde os fatores ambientais e intelectuais até as barreiras
culturais e emocionais. Compreendemos como a inércia psicológica e as paredes invisíveis
podem restringir o potencial criativo, limitando a �exibilidade mental necessária para uma
abordagem inovadora.
Ao analisarmos as estratégias para superaros bloqueios criativos, destacamos a importância de
ações que estimulam a imaginação e a resolução de obstáculos, promovendo atitudes que
propiciam o desenvolvimento da �exibilidade mental. A compreensão desses conceitos foi
fundamental para cultivar um ambiente propício à criatividade, garantindo a geração de ideias
inovadoras e a resolução de problemas de maneira original e e�caz.
Esperamos que os conhecimentos adquiridos nesta seção sejam um trampolim para sua jornada
pro�ssional, capacitando-o a enfrentar desa�os criativos com con�ança e determinação. Que
você se sinta encorajado a aplicar essas estratégias no ambiente de trabalho, contribuindo para a
promoção de soluções criativas e inovadoras em sua área de atuação.
Parabéns por seu empenho e dedicação nesta etapa de aprendizagem. Que esse conhecimento
seja uma ferramenta útil para a contribuição da sua criatividade e capacidade de resolução de
problemas no futuro!
É Hora de Praticar!
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Imagine que você está liderando uma equipe de marketing em uma empresa de publicidade e
design que busca se manter na vanguarda da indústria criativa. Com o mercado em constante
evolução e novas demandas surgindo, é essencial que sua equipe mantenha um �uxo contínuo
de ideias inovadoras para atender às necessidades dos clientes e se destacar da concorrência.
No entanto, você percebe que a equipe está enfrentando bloqueios criativos e di�culdades para
desenvolver conceitos impactantes que atendam aos padrões exigentes da indústria.
Desa�o: Para estimular a criatividade e superar os bloqueadores criativos em sua equipe,
proponha uma sessão de brainstorming e brainwriting que visa explorar novos conceitos e
soluções para os desa�os enfrentados. Encoraje a equipe a discutir abertamente as ideias e o
pensamento fora da caixa, incentivando a diversidade de pensamento e a colaboração entre os
membros da equipe. 
Planeje a criação de um moodboard visualmente atraente que capture os conceitos e ideias
discutidos durante a sessão, enfatizando a importância de representações simbólicas e visuais
na promoção da compreensão e da comunicação e�caz das ideias criativas.
Como líder, explore as várias estratégias e técnicas discutidas anteriormente, como a
identi�cação dos tipos de bloqueios da criatividade e as possíveis barreiras ambientais,
intelectuais e emocionais que podem afetar o processo criativo. Destaque as vantagens de cada
abordagem na superação desses bloqueios e na geração de conceitos inovadores e impactantes.
Ao �nal, re�ita a respeito de como essas atividades práticas podem contribuir para a promoção
de uma cultura de inovação e criatividade em sua empresa, resultando em campanhas
publicitárias e projetos de design que se destacam e atraem a atenção do público-alvo.
Disciplina
PROCESSO DE CRIATIVIDADE
Figura | Síntese do conteúdo abordado na unidade
ALENCAR, E. M. L. S. A gestão da criatividade. São Paulo: Makron Livros, 1996.
BERTOMEU, J. V. Criação de propaganda impressa. 3. ed. São Paulo: Thompson Learning, 2006.
COLOSSI, L. Características de ambientes organizacionais orientados ao comportamento
criativo. 2004. 188f. Dissertação (Mestrado em Psicologia) - Universidade Federal de Santa
Catarina, Florianópolis, 2004.
DUAILIBI, R.; SIMONSEN JR., H. Criatividade e Marketing. São Paulo: M. Livros, 2008.
FERREIRA, M. A. M. et al. Temas em métodos quantitativos. Lisboa: Silabo, 2004.
HERMÍNIO, S. Publique seu livro. São Paulo: Livro eletrônico, 2006.
KAO, J. J. A arte e a disciplina da criatividade na empresa. Rio de Janeiro: Campus, 1997.
 
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Unidade 4
Facilitadores da Criatividade
Aula 1
Funcionamento Cerebral e o Estímulo da Criatividade
Disciplina
PROCESSO DE CRIATIVIDADE
Funcionamento Cerebral e o estímulo da criatividade
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conteúdos importantes para a sua formação pro�ssional. Vamos assisti-la? Bons estudos!
Ponto de Partida
Olá, estudante!
Nesta aula, conheceremos Ana, uma jovem arquiteta que integra uma equipe de inovação em
uma cidade progressista. Com uma formação acadêmica sólida em arquitetura, Ana também
tem um diploma em psicologia ambiental.
Recentemente, Ana foi convidada a lecionar voluntariamente design sustentável em uma escola
comunitária, localizada em uma área menos privilegiada da cidade. Ao aceitar o desa�o, Ana se
deparou com sua nova turma, composta por estudantes de diferentes idades e séries, todos
enfrentando desa�os signi�cativos de aprendizado.
A questão agora é: como o entendimento das características dos hemisférios cerebrais pode
facilitar o aprendizado desses alunos? Quais estratégias Ana pode empregar para atingir seus
objetivos educacionais?
Leia com atenção esta seção introdutória e apoie a professora Ana. Pronto para embarcar nessa
jornada de descobertas?
Vamos Começar!
A criatividade é o resultado de reações que ocorrem em vários locais do cérebro,
independentemente do lado – esquerdo ou direito. O surgimento dessa teoria vem do século XIX
(1801 a 1900), início da neurociência.
O funcionamento do cérebro não era muito conhecido até a descoberta de que a produção da
fala depende do hemisfério esquerdo, anunciada por Paul Broca em 1861. Essa descoberta
Disciplina
PROCESSO DE CRIATIVIDADE
iniciou uma revisão, pela biologia, do conceito de que os dois lados do corpo são equivalentes.
Cento e cinquenta anos mais tarde, a neurociência con�rma que, de fato, a lateralidade funcional
existe, mas especi�camente em relação à linguagem (mais ao lado esquerdo) e à atenção (mais
ao lado direito).
Com esse estudo, comprovou-se que não existem diferenças no grau de lateralização entre
homens e mulheres ou que qualquer lado do cérebro predomine mais ou menos em pessoas
diferentes. Mas e a criatividade? A neurociência a�rma que a criatividade é o resultado da
combinação "criativa" das atividades de partes do cérebro que já participam em outras funções, e
não da atividade de algum "centro da criatividade" cerebral. A capacidade de encontrar novos
caminhos entre ideias e conceitos, e novos conceitos a partir das mesmas ideias, depende do
esforço conjunto de regiões dos dois lados do cérebro. Na hora de ser criativo, o cérebro "usa a si
mesmo" de outra maneira e descobre um caminho alternativo para resolver o problema da vez.
E o cérebro? Como efetivamente funciona? Vamos entender um pouco de sua anatomia?
Segundo o autor Chiras (2008), o cérebro é a maior e mais evidente estrutura do encéfalo,
constituindo cerca de 80% da sua massa total. O cérebro está dividido em duas metades, os
hemisférios cerebrais esquerdo e direito, interligados entre si pelo corpo caloso, situado na parte
inferior da �ssura inter-hemisférica. Cada hemisfério apresenta uma �na camada externa de
substância cinzenta – o córtex cerebral (Figura 1), que contém os corpos celulares dos
neurônios. Situada debaixo do córtex cerebral está uma abundante camada de substância
branca, que contém feixes de axônios neuronais mielinizados que lhe conferem a aparência
branca.
 
 
Disciplina
PROCESSO DE CRIATIVIDADE
Figura 1 | Estruturas do cérebro. Fonte: Gonçalves (2009, p. 15).
 
Os hemisférios cerebrais estão divididos em quatro lobos: lobo frontal, lobo temporal, lobo
parietal e lobo occipital, cada um com funções especí�cas a desempenhar. Em seu livro
Introdução à Criatividade, Marcos Nicolau comenta que a ciência já chegou ao cerne da
criatividade no cérebro humano. Os microscópios dos neurocientistas desvelaram a diminuta
célula nervosa, o neurônio, como pode ser observado na Figura2, cujas reações eletroquímicas
processam a aprendizagem e o desenvolvimento da inteligência. Atualmente já se sabe como
estimular, de forma natural e voluntária, a rede neuronal formada por 100 bilhões dessas células,
para melhorar a performance mental das pessoas.
 
Disciplina
PROCESSO DE CRIATIVIDADE
Figura 2 | Neurônio (célula nervosa). Fonte: Wikimedia Commons.
São muitas, portanto, as descobertas de implicações práticas em nossas vidas, por exemplo, a
de que o cérebro humano pode melhorar a sua performance se exercitado corretamente, ou pode
de�nhar por falta de uso adequado (Jean-Pierre Changeaux, 2011 apud Nicolau, 2014). A
questão, porém, é saber como realmente estimular os neurônios da maneira certa, como permitir
que eles façam sempre novas conexões a �m de sermos mais criativos.
A psicóloga francesa Monique Le Poncin (apud Nicolau, 2014) mostra um dos caminhos,
a�rmando que um matemático que se dedique à pintura, por exemplo, vai utilizar uma nova área
do seu cérebro que, provavelmente, �caria desativada. Nesse caso, a transdisciplinaridade é um
aspecto fundamental na aprendizagem e desenvolvimento da criatividade, porque permite à
mente humana observar e entender os fenômenos de diferentes perspectivas, o que facilita a
busca de alternativas e soluções fora de um único contexto.
Foi pensando nessa constatação que Le Poncin (apud Nicolau, 2014) criou uma série de
exercícios mentais, do tipo psicotécnico, entre outros, para que as pessoas pudessem estimular
seus cérebros buscando uma maior dinamicidade de pensamento. Mas quem acha que bastam
exercícios laboratoriais para se tornar um indivíduo mais inteligente e criativo está enganado. A
Disciplina
PROCESSO DE CRIATIVIDADE
melhor aprendizagem é aquela em que envolvemos nossos sentimentos, em que vivenciamos
experiências e somos motivados a usar os sentimentos para aumentar a nossa sensibilidade e a
nossa percepção criadora. A aprendizagem, como um processo de vida prazeroso, estimula os
neurônios de forma mais completa.
Siga em Frente...
De acordo com a autora Wechsler (2002), existem inúmeras pesquisas demonstrando as funções
distintas do hemisfério cerebral esquerdo e direito, conforme pode ser observado no Quadro 1. A
autora Grando (2014) a�rma que as abordagens psico�siológicas (relação entre corpo/mente)
contribuem para a compreensão da criatividade ressaltando as diferenças entre os hemisférios
cerebrais.
 
HEMISFÉRIO ESQUERDO HEMISFÉRIO DIREITO
Mais e�ciente nos processos de pensamento
descritos como verbais, lógicos e analíticos.
Especializado em padrões de pensamento
que enfatizam a percepção, a síntese e o
rearranjo geral de ideias.
Quadro 1 | Hemisférios cerebrais. Fonte: adaptado de Alencar (1993).
Entretanto, para que a criatividade tenha e�ciência, é necessária a atuação de ambos os
hemisférios: com o direito, intuindo e criando e, com o esquerdo, analisando e criticando. O autor
Buzan (2005) explica que experimentos foram realizados com grupos de pessoas que se
julgavam fracas em determinadas partes do intelecto. A partir daí, essas pessoas recebiam
treinamentos para desenvolver seus aspectos frágeis: pessoas que se consideravam pouco
imaginativas eram treinadas nessa área e logo demonstravam habilidade com as palavras, assim
como mais destreza com números. O resultado foi a dinamização de ambos os hemisférios
cerebrais. Demonstrou-se uma comunicação em que o lado esquerdo, ao receber informação,
processava e enviava ao lado direito, que fazia o mesmo, alimentando um circuito cerebral.
Segundo Katz e Kahn (1978), as pessoas criativas conjugam dois aspectos: a capacidade de
enxergar ângulos diferentes de um mesmo problema; e a capacidade de elaborar, con�rmar e
comunicar uma ideia original. Identi�cam-se, portanto, dois padrões de pensamento distintos –
um deles capaz de reestruturar conceitos; e o outro, de avaliá-los. Segundo autores como
Torrance (1965), tais pensamentos ocorreriam em partes distintas do cérebro: o primeiro no
hemisfério direito e o segundo, no esquerdo.
Ninguém ensina ninguém a ser criativo, dizem os especialistas, mas eles concordam que a
criatividade é algo que se aprende. Para Sidney J. Parnes (apud Nicolau, 2014), é aprendendo
essa maneira “produtiva” de pensar que faz surgir o potencial criativo que já existe em todas as
pessoas. Wechsler (2002) a�rma que, infelizmente, nas nossas escolas e em nossa sociedade,
existe uma grande ênfase e valorização do raciocínio típico do hemisfério esquerdo. O raciocínio
Disciplina
PROCESSO DE CRIATIVIDADE
lógico, crítico, racional é sempre colocado em prioridade ao raciocínio intuitivo, emocional ou
global. Finalizando, a autora comenta em seus estudos que existem diferenças bastante nítidas
em lateralidade cerebral nas diferentes classes sociais. Os estudos de Torrance (1976) indicaram
que crianças norte-americanas de nível social mais baixo preferiam estratégias de ensino que
lidassem mais com o hemisfério direito, como dramatizações, pintura, música, modelagem, e
experiências concretas.
Vamos Exercitar?
Estudante, após a exploração do conteúdo desta seção, voltamos ao nosso desa�o prático:
Ana chegou para o primeiro dia de aula na escola comunitária e constatou que sua turma era
composta por estudantes de diferentes idades e séries, todos enfrentando signi�cativas
di�culdades de aprendizado.
O desa�o que se apresenta agora é responder às seguintes questões:
1.    Como o conhecimento das características dos hemisférios direito ou esquerdo pode
contribuir para facilitar o aprendizado desses alunos?
2.    Quais estratégias Ana pode adotar para alcançar seus objetivos de aprendizado com essa
turma?
Retorne ao conteúdo de nosso manual didático e explore recursos on-line em busca de possíveis
exercícios que Ana possa aplicar na sala de aula, tendo em mente a neurociência como uma
fonte valiosa de insights.
A seguir estão algumas sugestões para orientar sua resolução:
1.    Re�ita a respeito da possibilidade de a lateralidade cerebral da turma in�uenciar no processo
de aprendizado. Como isso pode ocorrer?
2.    Apresente exemplos de atividades especí�cas que Ana poderia incorporar em suas aulas
para abordar as características individuais dos alunos.
3.    Fundamente suas escolhas com argumentos consistentes, baseados nas teorias exploradas
ao longo desta aula.
4.    Re�ita a respeito da utilização da ferramenta de brainstorm on-line. Essa ferramenta pode
auxiliar Ana e seus alunos a compartilharem ideias e estratégias de aprendizado.
 
Vamos nessa?
Disciplina
PROCESSO DE CRIATIVIDADE
Saiba mais
Você conhece a ferramenta Brainstorming Online? É uma abordagem colaborativa para gerar,
desenvolver e organizar ideias utilizando ferramentas digitais. Essa prática é valiosa em
contextos educacionais, como o de Ana, pois facilita a participação ativa dos alunos, promove a
criatividade e possibilita a coleta de uma variedade de perspectivas.
Além disso, indicamos um �lme, para �xar os conteúdos aprendidos nessa unidade. O �lme se
chama Escritores da Liberdade e é baseado em fatos reais. Ele conta a história de uma
professora, Erin Gruwell, que enfrenta o desa�o de lecionar em uma escola de ensino médio onde
os alunos enfrentam diversos problemas sociais e têm di�culdades de aprendizado. Vale a pena
conferir!
Referências
ALENCAR, E. M. L. S. A gerência da criatividade. São Paulo: Makron Books, 1996.
BUZAN, T. Mapas mentais e sua elaboração. São Paulo: Cultrix, 2005. 
CHIRAS, D. Human biology. 6. ed. Burlington: Jones & Barlett Publishers, 2008.
GONÇALVES, M. V. R. Processamento de dados em aquisição simultânea de EEG/IFRM.
Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade Nova de Lisboa, 2009.
GRANDO, F. S. Concepções de criatividade ao longo da história. 2014.
KATZ, D.; KAHN, R. Psicologia social das organizações. São Paulo: Atlas, 1978.
NICOLAU, M. Introdução à criatividade. João Pessoa: Ideia, 2014.
TORRANCE, E. P. Criatividade: medidas, testes e avaliações. São Paulo: Ibrasa, 1965.
WECHSLER, S. M. Criatividade: descobrindoe encorajando. Campinas: Livro Pleno, 2002.
 
Aula 2
Descontruindo Paradigmas
Desconstruindo Paradigmas
https://www.canva.com/pt_br/brainstorming/
Disciplina
PROCESSO DE CRIATIVIDADE
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Ponto de Partida
Estudante, nesta aula, vamos manter nosso foco em Ana, a professora voluntária de design
sustentável em uma escola comunitária. O desa�o é implementar o projeto "Arte Sustentável"
idealizado por Ana. Este projeto visa estimular a criatividade dos alunos por meio de
intervenções artísticas sustentáveis no entorno da escola.
Ana apresentou entusiasticamente o projeto à direção da escola, que o aprovou imediatamente.
Contudo, ao dialogar com os moradores para obter autorização, Ana se deparou com uma
resistência signi�cativa, especialmente entre os moradores mais antigos. Eles expressaram
preocupações em relação à diferença entre arte sustentável e simples pichação, demonstrando
uma relutância em ver os muros "pichados".
Ana tentou explicar a distinção entre intervenções artísticas e pichação, mas poucos moradores
aceitaram a ideia. Agora surge a pergunta para você: arte sustentável é considerada expressão
artística ou pichação? Qual é a sua opinião acerca dessa questão?
Diante deste cenário desa�ador, como podemos auxiliar Ana a superar esse paradigma estético e
social? Convidamos você a ler atentamente esta seção, analisar os conceitos de paradigmas, e
pensar em estratégias para desconstruir essas barreiras e promover uma compreensão mais
ampla e aberta em relação ao projeto "Arte Sustentável".
Vamos ao nosso estudo!
Vamos Começar!
Nesta aula, estudaremos a de�nição de paradigma e seus modelos. Você saberia responder qual
o signi�cado desse termo? Etimologicamente, a origem da palavra “paradigma” vem do grego
paradigma e signi�ca modelo, padrão, algo que vai servir de modelo ou de exemplo a ser seguido
em determinada situação. Uma representação do mundo, uma maneira de ver as coisas. Crenças
Disciplina
PROCESSO DE CRIATIVIDADE
e verdades compartilhadas por um grupo de pessoas. Costuma-se dizer que um paradigma é
como um modelo mental que nós criamos do mundo ao nosso redor.
Ao tomarmos uma decisão, adotamos como base, ou como “pano de fundo”, um modelo
particular da realidade. Particular porque, através da nossa vivência/experiência, aprendemos a
dar signi�cados a aspectos que observamos na realidade em que vivemos. Esses signi�cados
são simpli�cações, formas de interpretação que nos ajudam a entender a realidade, constituindo-
se em um conjunto de referenciais ou paradigmas que norteiam nossas ações, dando forma a
um modelo que carregamos em nossa mente a respeito de como as coisas funcionam. Esse
modelo é comumente chamado de modelo mental.
Os modelos mentais são, indubitavelmente, importantes em nossas vidas, pois nos ajudam em
muitas tarefas. O problema começa quando eles se tornam ultrapassados e, assim, inibem nosso
potencial criativo. Ou seja, ao insistirmos apenas nos modelos mentais usuais, não permitimos
ao nosso cérebro "zerar" os próprios paradigmas e deixar que as ideias �uam por novos
caminhos.
Vamos conhecer as fontes de modelos mentais e a maneira como eles se formam? De acordo
com Daniel Goleman (1996), o comportamento humano é condicionado por modelos mentais, e
estes, por sua vez, são de�nidos com base em quatro pressupostos: biológicos; linguísticos;
culturais e pessoais.
Segue a conceituação para cada um dos pressupostos:
Biológico: rotula-se a capacidade de realização do ser humano com base nas suas
limitações �siológicas.
Linguístico: é o meio pelo qual a consciência do ser humano é estruturada. A maneira como
a linguagem se comporta em determinadas regiões, por exemplo, acaba rotulando as
pessoas.
Cultural: dentro de qualquer grupo – famílias, indústrias, organizações e nações – os
modelos mentais coletivos se desenvolvem com base em experiências compartilhadas.
Assim, a cultura pode ser considerada um modelo mental coletivo.
Pessoal: a maneira como começamos a trabalhar e alcançamos a autossu�ciência é fruto
da nossa experiência pessoal, o que é determinante para alcançarmos nossos objetivos.
Os modelos mentais condicionam, portanto, todas as interpretações e ações de uma pessoa,
inclusive nos domínios técnicos, pro�ssionais e cientí�cos. Tornam-se importantes o estudo e a
conscientização de suas in�uências. A quebra de modelos mentais para a liberação da
criatividade muitas vezes é impedida pelo pouco tempo que temos para realizar tarefas e pelo
medo de "sair da caixa". 
Os mapas que mantemos em nossas mentes se dividem em duas categorias: os mapas de como
as coisas são (ou da realidade) e os mapas de como as coisas deveriam ser (ou dos valores).
Todas as decisões que tomamos na vida são baseadas nesses dois grupos de mapas. O grande
problema é que raramente questionamos esses mapas, não perguntamos se eles estão
Disciplina
PROCESSO DE CRIATIVIDADE
adequados ao momento atual pelo qual passamos, se eles re�etem de fato a realidade,
tampouco os atualizamos.
Siga em Frente...
Nossos paradigmas são construídos com a absorção que fazemos do meio em que vivemos ao
longo de nossas vidas. Cultura, religião, sociedade, família, escola, ambiente de trabalho e
amigos vão, à medida que crescemos, formando a estrutura de nossos paradigmas que
levaremos pela vida e que serão os principais in�uenciadores das decisões que tomamos.
Thomas Kuhn (físico e �lósofo americano), em seu livro A estrutura das revoluções cientí�cas,
defendeu que os paradigmas são “realizações cientí�cas universalmente reconhecidas que,
durante algum tempo, oferecem problemas e soluções modelares para uma comunidade de
praticantes de uma ciência” (Kuhn, 2005, p. 13). O livro é considerado um grande legado para a
cultura por ter derrubado as fronteiras entre ciências naturais, sociais e humanas.
Portanto, uma mudança de paradigmas é uma transformação radical, pois envolve a
desconstrução de modelos constituídos, enraizados, o que não acontece cotidianamente nem a
cada década. Um paradigma não consegue responder a todos os problemas, nem é necessário;
contudo, ele precisa responder às questões mais relevantes abordadas. Quando isso não ocorre,
surgem as revoluções cientí�cas, “períodos durante os quais os paradigmas são primeiramente
atacados e então modi�cados” (Kuhn, 2005, p. 73).
Thomas Kuhn foi um daqueles pesquisadores da �loso�a da ciência que defenderam o contexto
de descoberta, o qual privilegia os aspectos psicológicos, sociológicos e históricos como
relevantes para a fundamentação e para a evolução da ciência. Para Kuhn, a ciência, assim como
a criatividade, consiste em resolver problemas (como um quebra-cabeça) dentro de uma unidade
metodológica chamada paradigma.
Com certeza, você já deve ter ouvido o famoso ditado “quebra de paradigmas”, que signi�ca ter
coragem para inovar, disposição para levantar as âncoras do passado e, mais do que tudo,
disposição para enfrentar o novo. Por isso, mesmo os cientistas, como Einstein, têm de se
envolver criativamente para resolver problemas suscitados sob a vigência do novo paradigma.
Ou se envolve, ou �ca com o paradigma antigo.
Outros exemplos de quebras de paradigmas na história da humanidade:
Mudança da população do mundo rural para o mundo urbano.
Mudança do artesanato ou manufatura para a industrialização.
Mudança de um papel passivo da mulher para um papel mais ativo na sociedade.
Mudança do trabalho escravo para o assalariado.
Platão (�lósofo grego) foi quem primeiro utilizou a noção de paradigma com o sentido da palavra
que é empregado até hoje. Ser paradigmático seria então “ser exemplar e modelar, ser norma das
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PROCESSODE CRIATIVIDADE
chamadas ‘realidades’, que são tais enquanto se aproximam do seu modelo” (Ferrater Mora,
2004, p. 2.199). Talvez por isso muitos autores tomem paradigmas e modelos como
semelhantes, diante da raiz da palavra e de sua utilização primeira por Platão. Por sua vez,
Domingues (2004) é um dos autores que admitem a distinção: o paradigma estaria ao lado da
teoria; e o modelo, mais ligado ao método, ou seja, mais ligado à ordenação das ações.
Vamos Exercitar?
Após a imersão no conteúdo desta seção, voltamos ao nosso desa�o prático: Ana teve sua
proposta de projeto "Arte Sustentável" aprovada pela direção da escola comunitária. Contudo, a
implementação do projeto demanda a autorização dos moradores do entorno. Para a surpresa de
Ana, os moradores mais antigos mostraram relutância em conceder a autorização,
argumentando que não desejam ver seus arredores "pichados". Agora, a questão se apresenta:
como podemos auxiliar Ana? Quais estratégias ela pode empregar para obter a autorização de
todos os moradores?
Para resolver esse desa�o, considere as seguintes dicas:
Ana pode iniciar uma abordagem de reconhecimento e diálogo. Entender as preocupações
dos moradores mais antigos e demonstrar respeito pelas opiniões deles é crucial para
estabelecer uma base de comunicação.
Ana pode preparar materiais educativos visuais, como apresentações ou folhetos,
destacando a diferença entre arte sustentável e pichação. Esse esforço de educação visual
pode ajudar a desconstruir o paradigma estético-social existente.
Apresentar exemplos de projetos semelhantes que foram bem-sucedidos em outras
comunidades pode ser uma estratégia persuasiva. Mostrar como intervenções artísticas
podem transformar positivamente o ambiente pode amenizar as preocupações dos
moradores.
Incluir os moradores no processo criativo, convidando-os para participar ou expressar suas
ideias para o projeto, pode criar um senso de pertencimento e diminuir a resistência.
Destacar os aspectos sustentáveis do projeto pode ser um ponto de convergência.
Explicar como as intervenções artísticas podem promover a conscientização ambiental
pode atrair o apoio daqueles preocupados com questões sustentáveis.
Saiba mais
O artigo A economia criativa na arena da sustentabilidade visa enriquecer o diálogo a respeito da
economia criativa e sua relação com a sustentabilidade, uma associação que historicamente tem
sido pouco explícita. A contribuição se dá pela identi�cação de inter-relações entre os termos
usados na literatura para descrever a economia criativa (como classe criativa, cidade criativa,
educação criativa, cultura, economias, e indústrias culturais e criativas) e oito dimensões da
sustentabilidade (ambiental, social, econômica, cultural, tecnológica, ética, territorial e política),
revelando novos signi�cados para esses termos. Conclui-se que a estreita relação entre o
https://www.revistas.usp.br/posfau/article/view/161954
Disciplina
PROCESSO DE CRIATIVIDADE
paradigma criativo e o sustentável é mais uma consequência do que uma intenção inicial,
resultado da proclamada quebra de paradigma nos modelos de desenvolvimento moderno do
século XX. 
Referências
DOMINGUES, I. Epistemologia das ciências humanas. São Paulo: Loyola, 2004.
FERRATER MORA, J. Dicionário de �loso�a. São Paulo: Loyola, 2004.
GOLEMAN, D. Inteligência emocional. São Paulo: Objetiva, 1996.
KUHN, T. S. A estrutura das revoluções cientí�cas. 9. ed. São Paulo: Perspectiva, 2005.
Aula 3
Tipos de Percepção
Tipos de Percepção
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Ponto de Partida
Nesta aula, examinaremos a percepção em sua relação com o processo criativo e a expressão
da criatividade.
Acompanhando Ana, uma dedicada professora voluntária de design sustentável em uma escola
comunitária, veremos que ela expressa sua gratidão pela colaboração, reconhecendo que essa
parceria facilitou a resolução criativa de desa�os anteriores. Desta vez, Ana tem uma notícia
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PROCESSO DE CRIATIVIDADE
animadora para compartilhar: a escola recebeu uma generosa doação de câmeras digitais,
oferecida por um empresário local. Inspirada por essa doação, Ana propôs um desa�o
empolgante para seus alunos: capturar, por meio das câmeras digitais, o cotidiano de sua
comunidade. As imagens selecionadas serão tratadas e expostas em um evento na escola.
O objetivo de Ana com esse projeto é ampliar a percepção de seus alunos em relação à
comunidade, promovendo uma visão única e criativa por meio da lente das câmeras digitais.
Diante disso, como você pode auxiliar Ana a orientar seus alunos na captura de imagens únicas
que enriquecerão a exposição da escola?
Vamos colaborar para potencializar a criatividade e percepção dos estudantes neste empolgante
projeto!
Vamos Começar!
Observe que tudo o que você vê neste instante é resultado de algum processo criativo. A roupa
que você está usando, a cadeira na qual está sentado, o prédio onde se encontra, e até mesmo
este livro didático que está lendo. Mesmo aquilo que percebemos como natureza é uma
paisagem cultural criada pela intervenção humana. A criatividade, portanto, é onipresente.
Chegamos a essas conclusões pela nossa capacidade perceptiva.
O processo de perceber tudo à nossa volta também é constante em nosso dia a dia de diversas
formas: ao observarmos uma obra de arte, ao desenvolvermos um material criativo para uma
campanha publicitária, ao elaborarmos vestuário de acordo com as tendências da moda, en�m,
para vários momentos de nossas vidas.
Assim como a frase de Leonardo da Vinci, o pensamento criativo não se processa, por exemplo,
quando é di�cultado pela falta de conhecimento da área, pela inexperiência ou pela falta de
motivação, como já foi comentado anteriormente. A criatividade usufrui do conhecimento como
um meio e não como um �m em si mesmo.
De acordo com o Dicionário Houaiss (2002), o termo percepção tem origem etimológica no latim
perceptìo, ónis, que signi�ca compreensão, faculdade de perceber; ver. O autor Bono (1994)
a�rma que a criatividade tem lugar na fase perceptiva do pensamento. É neste ponto que nossas
percepções e conceitos são formados e transformados. Você, estudante, já deve ter
compreendido o papel central da percepção no pensamento criativo e como o pensamento
lateral está intimamente ligado à fase perceptiva do pensamento.
Por agora, podemos dizer que o pensamento lateral pode ser de�nido como uma heurística
(relembrando a de�nição de heurística: arte de inventar, de fazer descobertas; ciência que tem
por objeto a descoberta dos fatos) para solução de problemas. Com ele, você tenta olhar o
problema de vários ângulos em vez de atacá-lo de frente. É o uso de um processo não linear de
raciocínio, para checar suposições, mudar perspectivas e gerar novas ideias.
Disciplina
PROCESSO DE CRIATIVIDADE
Segundo Chaui (1999), a tradição �losó�ca até o século XX distinguia sensação de percepção
pelo grau de complexidade. Sensação e percepção são as principais formas que geram o
conhecimento empírico. Chamamos de conhecimento empírico aquele conhecimento que
adquirimos no dia a dia, com base em tentativa e erro, ou seja, o conhecimento adquirido por
meio da observação, da experiência, do senso comum, que dispensa comprovação cientí�ca.
Pela sensação, pode-se ver, tocar e sentir odores, sabores, texturas. Em outras palavras, a
sensação está relacionada à reação imediata dos receptores sensoriais (olhos, ouvidos, nariz,
boca, dedos) a estímulos básicos, como luz, cor, odor e texturas (Solomon, 2002). Por esse
motivo, na realidade, só há sensações sob a forma de percepções, isto é, de sínteses de
sensações (Chaui, 1999).
Existem vários tipos de percepção. Podemos citara percepção visual que está relacionada à
interpretação dos estímulos visuais, isto é, quando um tipo de informação é obtido através dos
olhos. A percepção social, por sua vez, está relacionada ao convívio social. Mediante esse tipo de
percepção, temos a capacidade de ver e interpretar o comportamento de outros indivíduos. Outro
tipo de percepção é a musical, que consiste na capacidade que o indivíduo tem em reconhecer o
som e sentir através dele. Além disso, existem outros tipos de percepção que estão relacionados
com outros sentidos, como percepção auditiva, percepção tátil, percepção olfativa e percepção
gustativa (relacionado ao paladar).
Em nossa contemporaneidade, a percepção pode ser compreendida em duas dimensões: a
sensorial (que consiste na aquisição, na interpretação, na seleção e na organização das
informações obtidas pelos sentidos) e a intelectual (que traz informações por meio do estado de
compreensão). As duas etapas se complementam porque as sensações não proporcionam uma
visão real do mundo, e o papel do intelecto é elaborar as informações acolhidas.
Tradicionalmente, dois grandes campos do conhecimento abarcam teorias que tratam da
percepção: �loso�a e psicologia.
Siga em Frente...
Os pensadores da antiguidade grega, sobretudo Protágoras, Platão e Aristóteles, buscavam
compreender relações possíveis entre o ser humano e o mundo: a �loso�a grega – e ocidental –
volta sua atenção para a questão “o que é conhecimento?”.
A ideia de percepção começa, então, a ser elaborada como processo que ocorre entre sentir e
pensar. Merecem destaque três concepções distintas acerca da percepção no contexto da
�loso�a grega antiga (Aggio, 2006):
So�sta: Protágoras (480 a.C.–410 a.C.) a�rmava que perceber é conhecer. O objeto
percebido torna-se existente no encontro com quem o percebe.
Platônica: Platão (428 a.C.–348 a.C.), ao contrário do so�sta, a�rmava que perceber é
receber na alma os objetos sensíveis através do corpo. Seria o sentir, o perceber, o
conhecer (e sentir e perceber não são o conhecimento em si).
Disciplina
PROCESSO DE CRIATIVIDADE
Aristotélica: Aristóteles (384 a.C.–322 a.C.) discordava de Platão e de Protágoras e
defendia que conhecimento e sensação não devem ser idênticos ou distintos de modo
absoluto, ou seja, não é possível dizer que sensação e percepção não representam
conhecimento, e tampouco é possível dizer que representam imediata e diretamente
conhecimento, como a�rma Protágoras. No encontro entre mundo ou objeto a ser
percebido e sujeito que percebe, haveria um movimento que altera o órgão sensível e
coloca em exercício a faculdade perceptiva.
Na área da psicologia, podemos encontrar uma diversidade de abordagens que tratam da
percepção. Nesta disciplina, o conhecimento panorâmico da Teoria da Gestalt já nos ajudará a
desenvolver o tema da criatividade.
Popularmente conhecida pela representação de imagens curiosas, como a da “Velha e a Moça”,
representada na Figura 1, que fazem nosso cérebro funcionar de maneira inusitada, a Gestalt
nasceu aproximadamente em 1870 a partir do movimento de alguns pesquisadores alemães que
estudavam os fenômenos perceptuais humanos. A esses estudos convencionou-se denominar
de Psicologia da Gestalt, a qual se contrapõe ao atomismo (ideia de que só poderíamos
conhecer o todo por meio do conhecimento de suas partes) reinante na época.
Disciplina
PROCESSO DE CRIATIVIDADE
Figura 1 | A velha e a moça. Fonte: Andrade (2023).
Disciplina
PROCESSO DE CRIATIVIDADE
Os estudos da percepção pela abordagem gestaltista levaram ao questionamento da psicologia
associacionista. De acordo com Bock (2004), o behaviorismo, dentro de sua preocupação com a
objetividade, estuda o comportamento pela relação estímulo-resposta, procurando isolar um
estímulo unitário que corresponderia a uma dada resposta e desprezando os conteúdos da
consciência, pela impossibilidade de controlar cienti�camente essas variáveis.
A Gestalt entende que é de grande importância a disposição em que são apresentados à
percepção os elementos unitários que compõem o todo: o todo seria diferente da soma das
partes. Ou seja, a percepção que temos de um todo não é o resultado de um processo de simples
adição das partes que o compõem. A psicologia da Gestalt entende a aprendizagem como uma
decorrência da forma como as partes estão organizadas no todo.
De acordo com a autora Wechsler (2002), na Gestalt, a criatividade é vista como a procura de
uma solução frente a uma percepção que não consegue se concluir. A partir dessa falta de
conclusão, o indivíduo criativo seria aquele que percebe o problema como um todo, enxerga as
forças e tensões dentro da dinâmica do problema e tenta achar a solução mais elegante para
restaurar a harmonia do todo. O processo, como visto por Wertheimer (apud Wechsler, 2002), não
consiste em adicionar ou associar formas ou informações, mas sim de compreender a visão do
todo. Segundo o autor, é objetivo da Gestalt determinar a natureza de conjuntos de elementos
visuais cuja natureza intrínseca é determinada pelo todo.
A Teoria da Gestalt apresenta princípios (ou leis) dentre os quais podemos mencionar o princípio
da ambiguidade, o princípio da complementação, e o princípio da �gura e do fundo.
Vejamos a seguir, os elementos das cidades criativas:
 
Princípio da ambiguidade: percepção, diante de uma imagem, que nos leva a ver duas
imagens diferentes, conforme o conjunto de elementos para o qual damos atenção.
Disciplina
PROCESSO DE CRIATIVIDADE
Figura 2 | Princípio da ambiguidade. Fonte: Shutterstock.
Princípio da complementação: tendência que temos de completar �guras para
alcançarmos nossa compreensão.
 
Disciplina
PROCESSO DE CRIATIVIDADE
Figura 3 | Princípio da complementação. Fonte: Shutterstock.
Princípio da �gura e do fundo: imagem que domina nossa atenção enquanto o fundo �ca
em segundo plano.
 
Disciplina
PROCESSO DE CRIATIVIDADE
Figura 4 | Princípio da �gura e do fundo. Fonte: Shutterstock.
Disciplina
PROCESSO DE CRIATIVIDADE
Esses princípios são essenciais para a compreensão da Teoria da Gestalt, pois mostram como o
cérebro busca padrões, coesão e signi�cado na experiência visual. Ao aplicar esses princípios,
artistas, designers e educadores, como Ana na situação apresentada, podem explorar estratégias
visuais para estimular a percepção criativa e enriquecer a compreensão do observador sobre o
mundo ao seu redor.
Vamos Exercitar?
Vimos que Ana compartilhou conosco uma notícia muito animadora: a doação de máquinas
fotográ�cas digitais para a escola comunitária. Com esses equipamentos, Ana concebeu um
projeto em que as crianças deverão documentar o cotidiano de sua comunidade. As imagens
serão selecionadas, editadas e expostas em um evento na escola. O objetivo de Ana com esse
projeto é ampliar a percepção de seus alunos em relação à comunidade em que vivem.
E agora? Como você poderá auxiliar Ana a desenvolver a percepção de seus alunos para que eles
obtenham imagens únicas para a exposição da escola? Seguem algumas dicas importantes de
como você pode ajudar Ana:
Oriente Ana a respeito de qual atitude ela deverá tomar para orientar as crianças na busca
de imagens por meio da percepção individual de cada uma delas.
Identi�que qual tipo de percepção as crianças deverão utilizar na elaboração do projeto.
Faça anotações e justi�que essa escolha.
Como a percepção das crianças poderá resultar em um produto criativo? Explore a conexão
entre a maneira como percebem sua comunidade e a expressão visual por meio das
imagens capturadas.
Justi�que suas escolhas com argumentos coerentes embasados nas teorias trabalhadas
nesta aula de facilitadores da criatividade, especialmente aquelas relacionadas à
percepção e expressão visual.
 
Mãos à obra! Agora, vamos lá!   
Saiba mais
Para aumentar seus conhecimentos acerca dos conceitos abordados nesta aula, indicamos o
livro intitulado: Criatividade – Nuances teóricas na perspectiva da �loso�a e da psicologia.  Ele
apresenta re�exões teóricas e resultados de pesquisas e intervenções,que mostram que a
criatividade é cada vez mais necessária. 
Referências
https://web.archive.org/web/20230201034303id_/https://geniocriador.com.br/images/Artigos/pdf/E-book_CriatividadeNuancesTeoricasFiloPsico.pdf#page=128
Disciplina
PROCESSO DE CRIATIVIDADE
AGGIO, J. O. Conhecimento perceptivo segundo Aristóteles. 2006. 118 f. Dissertação (Mestrado
em Filoso�a) – Universidade de São Paulo. Faculdade de Filoso�a, Letras e Ciências Humanas.
Departamento de Filoso�a. São Paulo, 2006.
ANDRADE, A. Moça ou velha: o que você vê primeiro nesta imagem? Notícias Concursos, 9 set.
2023. Disponível em: https://noticiasconcursos.com.br/moca-ou-velha-o-que-voce-ve-primeiro-
nesta-imagem/. Acesso em: 9 jan. 2023.
BOCK, A. M. B. A perspectiva histórica da subjetividade: uma exigência para la psicologia atual.
Psicología para a América Latina,  v. 1, p. 3-13, fev. 2004.
BONO, E. de. Criatividade levada a sério. São Paulo: Pioneira, 1994.
CHAUI, M. Convite à �loso�a. São Paulo: Ática, 1999.
HOUAISS, A. Dicionário eletrônico Houaiss da língua portuguesa. São Paulo: Objetiva, 2002.
SOLOMON, M. R. O comportamento do consumidor: comprando, possuindo, sendo. Porto Alegre:
Bookman, 2002.
WECHSLER, S. M. Criatividade: Descobrindo e encorajando. Campinas: Livro Pleno, 2002.
 
Aula 4
Alteração da Percepção e Pensamento Lateral
Alteração da Percepção e Pensamento Lateral
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conteúdos importantes para a sua formação pro�ssional. Vamos assisti-la? Bons estudos!
Ponto de Partida
Nesta aula, exploraremos a alteração da percepção e o pensamento lateral, aspectos cruciais
para resolver problemas de forma criativa.
https://noticiasconcursos.com.br/moca-ou-velha-o-que-voce-ve-primeiro-nesta-imagem/
https://noticiasconcursos.com.br/moca-ou-velha-o-que-voce-ve-primeiro-nesta-imagem/
Disciplina
PROCESSO DE CRIATIVIDADE
Entretanto, antes de nos aprofundarmos nesses temas, vamos veri�car como está a situação da
Ana, nossa dedicada professora voluntária de design sustentável em uma escola comunitária.
Durante esta unidade, acompanhamos os desa�os criativos de Ana com seus alunos, e sua
participação foi fundamental para que ela alcançasse seus objetivos criativos, superando
grandes obstáculos.
Acompanhamos o desa�o de Ana de implementar o projeto "Arte Sustentável". Esse projeto
buscava desenvolver a capacidade criativa dos alunos por meio do estímulo artístico, gra�te nos
muros da comunidade. Com sua ajuda, Ana obteve a autorização dos moradores mais antigos,
mas surgiu um novo entrave: a falta de recursos para adquirir tintas e equipamentos necessários.
A ONG e as empresas parceiras não dispunham de verba, e a comunidade era economicamente
desfavorecida.
Diante desse cenário, Ana enfrenta um novo desa�o: encontrar uma solução criativa para
arrecadar fundos e viabilizar o projeto das crianças. Como você pode auxiliar Ana nesse novo
obstáculo?
Estude o conteúdo deste livro didático, aplique os conhecimentos adquiridos e proponha
estratégias criativas para superar essa barreira �nanceira e permitir que o projeto das crianças se
concretize.
Vamos Começar!
O pensamento lateral pode ser de�nido como uma heurística para a solução de problemas, no
qual se tenta analisar o problema de vários ângulos em vez de abordá-lo frontalmente. Trata-se
do uso de um processo não linear de raciocínio para veri�car suposições, mudar perspectivas e
gerar novas ideias. O conceito e as aplicações do pensamento lateral (lateral thinking) foram
desenvolvidos pelo médico Edward De Bono nas décadas de 1960 e 1970, em seus estudos
sobre os processos do pensamento humano e pesquisas sobre diferentes formas de ampliar
suas possibilidades práticas. Baseado na visão do cérebro como um mecanismo auto-
organizado, ele especi�cou determinadas ferramentas para o uso do pensamento. O pensamento
lateral surgiu para diferenciar-se do pensamento lógico, chamado de vertical. Bono (1994)
encontra no pensamento lógico uma grande limitação de possibilidades quando se trata de
buscar soluções para problemas novos que exigem novas ideias.
Bono (1994) a�rma que o pensamento lateral cuida especi�camente de mudanças de conceitos
e percepções e consiste em uma resolução de problemas por meio de uma abordagem criativa e
indireta. Busca mudar a percepção do ambiente com a �nalidade de descobrir outras
propriedades, outros usos e outras qualidades que haviam passado desapercebidos. Para
alcançar essa mudança de percepção, frequentemente usam-se estratégias que, vistas a partir
do pensamento vertical, podem parecer absurdas.
Como os dados estão exponencialmente mais acessíveis a todos, a diferença competitiva é a
criatividade com que o indivíduo analisa essas informações. Dados ultrapassados, vistos por
Disciplina
PROCESSO DE CRIATIVIDADE
meio de uma ideia nova, trazem informações inéditas, e qualquer sistema que tenha input, para
que seja dinâmico, precisa ser construído e transformado à medida que os desa�os surgem:
DADOS ANÁLISE CRIATIVA DA INFORMAÇÃO CONHECIMENTO.
O autor José Predebon (2002) comenta que existe um grande e constante �uxo de informação
no mundo e que toda experiência pela qual passamos acrescenta conhecimento quando existe
uma recepção aberta. A rotina é o grande inimigo dessa recepção. A rotina nos acomoda em um
campo que consideramos familiar.
Para Bono (1997), somente a inteligência não basta. O autor acredita que pessoas muito
inteligentes comumente caem na armadilha de partir de uma ideia e defendê-la por meio de
retórica (uma bela fala, porém, sem conteúdo). Neste caso, o problema em si não é explorado. As
pessoas inteligentes usam seu pensamento para defender o seu ponto de vista, só que, quanto
melhor fazem isso, menos procuram outras formas de análise para novas informações. As
pessoas que pensam criativamente, por sua vez, ouviriam os outros para depois chegar às
conclusões. Essa tendência de argumentação viria da própria condição mental do ser humano,
em que cada nova informação é organizada em um padrão de rotina. O nosso cérebro é um
sistema que se utiliza de padrões, e só por isso conseguimos acordar, trabalhar, dormir, cumprir
com as nossas obrigações.
Siga em Frente...
O pensamento lateral está baseado na ruptura de percepções que o modelo auto-organizável do
cérebro desenvolve, pois estabelece uma sequência de atividades com as primeiras informações
que chegam e que, com o tempo, passam a ser uma espécie de caminho preferido. O cérebro
desenvolve com muita facilidade o processo de reconhecimento de padrões, que passa a ser
frequentemente empregado nas mais diferentes formas de relacionamento com o mundo.
O pensamento lateral é aquele que leva à quebra de paradigmas, ou seja, a um pensamento
diferente do padrão habitual. Considere dois tipos de criatividade: a da inocência e a da fuga.
Na criatividade da inocência, o processo é livre, despojado e espontâneo, pois o agente criador
desconhece totalmente as regras, diretrizes, procedimentos e processos que de�nem a atividade
da criação. Já na criatividade da fuga, padrões vigentes são quebrados. O agente criador, que
conhece as regras, diretrizes, procedimentos e o processo, procura ignorá-los por conta própria,
rompendo com os padrões vigentes. Por meio da prática do pensamento lateral, o agente criador
enfatiza o "valor da fuga" por meio da adoção de uma perspectiva diferente ou recuada, a �m de
olhar as coisas de certa distância.
Predebon (2002) conclui que a alteração da percepção se processa por meio de
comportamentos e atitudes, em um trabalho cotidiano baseado na exploração de importantes
fontes, como, por exemplo, as ações de manter sempre a curiosidade inata (infantil); manter
sempre a curiosidade de um turista ou de um visitante de uma feira, visando captar novidades;manter um programa de atualização, que inclui uma seleção de leituras enriquecedoras.
Disciplina
PROCESSO DE CRIATIVIDADE
É preciso também considerar que a abertura dos sentidos, ao contribuir para otimizar a
percepção em uma visão bem ampla, não apenas melhora nosso desempenho criativo, mas
também contribui para nos realizarmos como indivíduos.
Uma das técnicas de criatividade de pensamento lateral que está se difundindo no mundo dos
negócios é a dos seis chapéus, como pode ser observado na Figura 2. Segundo Bono (2000),
essa técnica, que é utilizada em grandes empresas, é simples. Consiste em separar os
momentos das fases criativas. É uma metáfora que utiliza a imagem de seis chapéus de
pensamento e diz que, de acordo com cada momento/situação, devemos utilizar o chapéu mais
apropriado. Cada chapéu é de uma cor diferente e representa um estilo diferente de pensar.
Assim, quando pensamos tendo por base um determinado chapéu de pensamento, teremos de
mudar também a nossa forma habitual de pensar. Em resumo, o autor de�niu seis tipos de
pensamentos para a condução de reuniões criativas e deu a cada um deles um chapéu de cor
diferente.
 
 
Chapéu branco
Informação e neutralidade. O branco se
preocupa com fatos objetivos e se expressa de
maneira lógica e desapaixonada. Sua função é
inventariar as informações disponíveis, muito
mais do que contribuir com ideias.
Chapéu vermelho
Emoções, sentimentos e intuição. Ele devolve a
perspectiva emocional de uma circunstância,
dando-se o direito de pressupor qualquer coisa,
sem necessidade de justi�cativas ou
explicações.
Chapéu preto
Pensamento prudente e negativo. O chapéu
preto é sempre lógico, apontando os riscos, o
que é incorreto, equivocado ou proibido. É
negativista, mas não emocional. Corresponde
ao julgamento crítico que tenta evitar os erros.
Chapéu amarelo
Otimismo, visão positiva, construtiva.
Esperançoso (ao contrário do chapéu preto),
está sempre empolgado, explorando
oportunidades e buscando um jeito de fazer as
coisas deslancharem. Ele vai trazer à tona as
velhas boas ideias. Ele próprio, entretanto, não é
criativo. Seu papel é ver o lado bom das coisas,
transformando as críticas em propostas
positivas.
Chapéu verde Esforço criativo, novas ideias e novas formas de
ver as coisas. Ele trata de mudanças, de novas
Disciplina
PROCESSO DE CRIATIVIDADE
soluções e propostas inéditas. Em suma,
representa a novidade, as soluções alternativas
que favoreçam a provocação criativa, o
movimento.
Chapéu azul
Organização e controle do processo de
pesquisa de ideias. Fixa a ordem do dia, o plano
de ação, assegura o cumprimento dos prazos,
demanda resumos e sínteses. Estabelece
começo, meio e �m, além de evitar o caos
durante a reunião. É também dele a
responsabilidade de fazer o resumo �nal e
preparar o relatório.
Quadro 1 | Os seis chapéus. Fonte: adaptado de Di Nizo (2009).
 
De acordo com Bono, em seu livro Criatividade levada a sério (1994), a tradição ocidental do
debate insiste que procuremos avançar por meio da tomada de posições durante um debate. "A"
tem um ponto de vista, e "B" discorda. O debate que se segue supostamente propicia uma
exploração adequada do assunto. Com frequência, os protagonistas se trancam em suas
posições e �cam mais interessados em vencer ou perder o debate do que na exploração do
assunto. O método dos seis chapéus permite que nos afastemos do debate para conseguir
discussões mais produtivas. "A" e "B" podem usar o chapéu preto ao mesmo tempo para
descobrir os perigos. Podem usar o chapéu amarelo para explorar os benefícios. Podem usar o
chapéu verde para abrir possibilidades. No lugar do pensamento adversário, há uma exploração
cooperativa.
O pensamento criativo decorre da integração dos dois hemisférios cerebrais, e a predominância
de um ou de outro no indivíduo pode prejudicar bastante a sua produção criativa. Outra técnica
utilizada para o desenvolvimento da criatividade chama-se técnica criativa de resolução de
problemas, que, de acordo com Wechsler (2002), foi desenvolvida pela equipe da Universidade de
Buffalo (Nova Iorque). O trabalho pioneiro de Parnes, Noller e Biondi traz a concepção de que
todo problema pode ser resolvido, bastando apenas que tenhamos uma atitude criativa para
fazê-lo.
A grande contribuição da técnica criativa de resolução de problemas (TCRP) é a de ter mostrado
a importância do pensamento convergente/divergente nas várias etapas da resolução criativa de
um problema. O autor Marcelo Galvão, em seu livro Criativa Mente (1992), analisa o pensamento
criativo em relação ao tradicional e utiliza conceitos de pensamento convergente e divergente.
 
Pensamento divergente Estabelece soluções e respostas aos estímulos
de forma inovadora, com base na própria
Disciplina
PROCESSO DE CRIATIVIDADE
inspiração. Está associado ao pensamento
lateral de De Bono.
Pensamento convergente Parte das informações já conhecidas e
estabelece respostas prede�nidas.
Quadro 2 | Pensamentos divergentes e convergentes. Fonte: adaptado de Galvão (1992).
 
Wechsler (2002) ainda ressalta que essa ordem de pensamento divergente seguido de
convergente não deve ser alterada, caso contrário teríamos o fechamento de ideias logo em um
primeiro momento. Isso é o que acontece com a maioria das pessoas ao tentar resolver um
problema, pois tentam logo encontrar a melhor solução sem investigarem uma vasta gama de
possibilidades para lidar com ele.
Vamos Exercitar?
Estudante, como auxiliar Ana neste novo desa�o de arrecadar fundos para o projeto "Arte
Sustentável" das crianças da escola comunitária? Como vimos, a escola não tem dinheiro
disponível para o projeto; as empresas parceiras não podem ajudar, uma vez que já haviam
liberado os recursos anuais; e os moradores são economicamente desfavorecidos. Ana não pode
decepcionar as crianças.
Veja algumas dicas de como podemos ajuda-la:
1. Trabalhar com o pensamento lateral e quebra de paradigmas:
O pensamento lateral é aquele que leva à quebra de paradigmas, ou seja, a um
pensamento diferente do padrão habitual. Portanto, Ana precisa enxergar o problema
de forma inovadora. Qual seria a sua sugestão para uma abordagem diferente e
criativa?
2. Pesquisar sobre fontes de receita para ONG:
Pesquise quais são os canais pelos quais mais comumente as ONG costumam
receber fundos. As verbas são fornecidas somente pelas empresas ou existem outras
fontes de �nanciamento que Ana poderia explorar?
3. Discutir sobre �nanciamento coletivo como alternativa:
Você já ouviu falar em "�nanciamento coletivo"? Ele pode ser considerado uma
alternativa para Ana? Como essa abordagem pode ser aplicada no contexto da escola
comunitária?
4. Reconhecer a justi�cação com base nas teorias trabalhadas:
Justi�que suas escolhas com argumentos coerentes e embasados nas teorias
trabalhadas nesta aula sobre facilitadores da criatividade, especialmente aquelas
relacionadas ao pensamento lateral e estratégias de captação de recursos para
projetos sociais.
Disciplina
PROCESSO DE CRIATIVIDADE
 
Sua ajuda com esse conteúdo será de grande valia para Ana!
Aproveite para aprender ainda mais sobre o tema. Até mais!
Saiba mais
Indicamos o �lme Escritores da Liberdade. Este �lme, baseado em fatos reais, conta a história de
uma professora, interpretada por Hilary Swank, que enfrenta diversas di�culdades ao tentar
inspirar e educar alunos em uma escola comunitária marcada por desigualdades sociais. A
narrativa destaca a importância da criatividade, empatia e pensamento inovador para superar
obstáculos e promover mudanças positivas em comunidades carentes. Ele poderá ajudar você a
pensar nos conceitos que trabalhamos nessa unidade! Aproveite! 
Referências
BONO, E. de. Criatividade levada a sério. São Paulo: Pioneira, 1994.
BONO, E. de. Criatividade levada a sério. São Paulo: Pioneiro, 1997.
BONO, E. de. Novas estratégias de pensamento. São Paulo: Nobel, 2000.
DI NIZO, R. Foco e criatividade: fazer mais com menos. São Paulo: Summus, 2009.
GALVÃO, M. M. Criativa mente. Rio de Janeiro: Qualitymark,assistir mesmo sem conexão à internet.
Estudante, esta videoaula foi preparada especialmente para você. Nela, você irá aprender
conteúdos importantes para a sua formação pro�ssional. Vamos assisti-la? Bons estudos!
Ponto de Partida
Olá! Como vai? Vamos prosseguir com nossa jornada pelo mundo da criatividade?
Neste momento, dedicaremos nossa atenção ao estudo mais aprofundado da criatividade,
abordando questões �losó�cas e biológicas, além da interligação da criatividade com a lógica,
juntamente com a análise das inovações do processo criativo na resolução. A �m de desenvolver
um diferencial pro�ssional baseado na criatividade, é fundamental que nossos estudos sejam
conduzidos com responsabilidade e consciência. Por isso, esta seção fornecerá orientações
valiosas para alcançar esse objetivo, resultando em um maior conhecimento.
Para iniciar esta etapa, voltaremos nossa atenção para o desa�o que o empreendedor Alex
enfrenta. As sugestões que você ofereceu anteriormente foram extremamente valiosas, e Alex
está profundamente grato por elas. Ele planeja incorporá-las durante sua apresentação para
investidores em potencial, mas ainda restam dúvidas sobre como ser mais criativo.
Recentemente, em uma conversa com um investidor, Alex descobriu que sua criatividade será
testada durante a apresentação.
Você pode ajudar Alex a pesquisar como as empresas recrutam e treinam seus funcionários para
serem mais criativos e inovadores, levando em consideração questões �losó�cas e biológicas
Disciplina
PROCESSO DE CRIATIVIDADE
que fundamentam a compreensão da criatividade. A capacidade de inovar e oferecer soluções
únicas para desa�os diários é altamente valorizada pelos executivos, uma vez que isso pode
trazer benefícios para as organizações. Ao realizar essa pesquisa, você pode focar em como as
abordagens �losó�cas e biológicas in�uenciam as estratégias de recrutamento e treinamento de
funcionários com ênfase na criatividade.
Tenha um excelente estudo!
Vamos Começar!
Ser criativo e inovador tornou-se uma necessidade básica no mundo competitivo. Portanto, é
crucial o comprometimento em buscar desenvolvimento constante e acompanhar a dinâmica do
mercado. Nessa perspectiva, esta aula apresenta pontos importantes para entender o processo
criativo atual, visando desenvolver habilidades e competências que permitam a criação e
inovação nas atividades. Exploraremos as raízes da criatividade, compreendendo como
diferentes correntes de pensamento in�uenciaram nossa percepção e cultivo da criatividade ao
longo do tempo.
 
A origem da criatividade
Não é de hoje que as pessoas insistem em dizer que a criatividade é resultado das respostas do
lado direito do cérebro. Na verdade, a criatividade é o resultado de reações que ocorrem em
vários locais do cérebro, independentemente do lado, esquerdo ou direito. O surgimento dessa
teoria vem do século XIX (1801 a 1900), início da neurociência. A neurociência é a ciência que
estuda o cérebro humano e visa entender o seu funcionamento e suas milhares de funções. Paul
Broca, estudioso francês, anunciou sua grande descoberta: a fala era comandada
exclusivamente pelo lado esquerdo do cérebro. É claro que a teoria veio a cair algum tempo
depois. Cinquenta anos mais tarde, o homem já conhecia melhor o cérebro e sabia que a
capacidade de ser criativo estava relacionada a vários outros fatores, como a imaginação. Aí,
surge a pergunta: de onde vem a imaginação? Em 1990, foi possível descobrir, por meio de
pesquisas, que a imaginação tinha origem no mesmo lugar de onde vêm os sentidos: o córtex
pré-frontal. Isso levou a uma linha de pensamento que se aproxima da origem da criatividade.
 
Consciência social da criatividade
A criatividade é uma característica que circula entre os atributos pessoais e os critérios sociais.
A�nal, é a sociedade que promove e sanciona o valor e a relevância das atividades e resultados
criativos. De acordo com To�er e To�er (2007), as três grandes ondas nas quais a humanidade
se viu envolvida foram a agrícola do neolítico, a industrial do século XVIII e a das
telecomunicações, na qual estamos atualmente. Na primeira onda, a riqueza de uma sociedade
Disciplina
PROCESSO DE CRIATIVIDADE
estava sobre a terra. Na segunda onda, estava na industrialização, na máquina. E na terceira
onda, a riqueza está na comunicação tecnológica, no poder da informação, nas pessoas, nas
ideias. Avançando mais um pouco, podemos vislumbrar que estamos entrando na onda da
criatividade. Mais uma vez, vemos que a criatividade se socializa, isto é, deixa de ser um dom ou
uma capacidade pessoal para se converter em um bem social, utilizando-se, de forma e�ciente,
da informação disponível.
Em toda a história, pode-se observar a evidência de que o pensamento humano realizou
inovações. A palavra "pensar" é derivada da expressão latina pensare, que signi�ca pesar, avaliar
o peso de alguma coisa. E o pensamento (ato de pensar) permite aos seres humanos projetarem
o mundo, por meio de um processo de racionalização, que é uma característica genuinamente
humana. A escrita é um grande exemplo de poderosa ferramenta intelectual humana e de poder
criativo, com o objetivo de transcender o tempo. A escrita e a educação fazem o homem avançar,
por intermédio da reprodução e da transformação. Após esse período de humanismo criativo,
foram alternando-se períodos reprodutivos (Idade Média, Neoclassicismo), junto a outros de
maior criação (Renascimento, grandes inventos e descobertas do século XIX). A frequência de
novas descobertas, invenções e criações demonstram a amplitude da consciência humana ao
longo da história. O processo inovador não é apenas fruto de mentes criativas; também deve-se
levar em consideração o clima social, a consciência coletiva, que aceita ou rejeita as novas
ideias.
Siga em Frente...
Abordagens �losó�cas
A abordagem �losó�ca é a mais antiga das concepções que tratam da criatividade e prova da
crença de que o processo ocorre por inspiração divina. A�nal, tudo o que não era explicável era
atribuído aos deuses. Segundo Platão, �lósofo e matemático do período clássico da Grécia
Antiga, em sua teoria da imortalidade e teoria das ideias, o homem tinha acesso a uma visão
interior que se identi�cava com a razão divina. Platão a�rmava que no momento da criação o
artista perdia o controle sobre si mesmo, passando a um domínio superior (Kneller, 1978). Até
hoje nos deparamos com conceitos que atribuem a criatividade a uma ação divina, um presente
divino, sobre o qual a vontade humana nada pode in�uenciar. Também podemos encontrar
de�nições de criatividade associadas a alguma forma de loucura. Essas de�nições vêm da
Antiguidade e eram observadas, principalmente, nos artistas: a espontaneidade, a irracionalidade,
a originalidade de pensamentos, a ruptura com maneiras tradicionais de agir, sempre levaram e
ainda levam o indivíduo criativo a ser diferente das regras e dos comportamentos esperados pela
sociedade, fazendo com que este indivíduo seja julgado como anormal ou louco. Michel Foucault
(�lósofo francês, historiador das ideias, teórico social, �lólogo e crítico literário) analisou essa
tendência em diferentes épocas da civilização, mostrando como o indivíduo diferente era
tranca�ado e isolado do resto da sociedade. Outra abordagem �losó�ca refere-se à intuição. Se
buscarmos o conceito de intuição em um dicionário, encontraremos a seguinte de�nição:
intuição é a faculdade de compreender as coisas no momento, sem necessidade de realizar
cálculos complexos. O termo também é usado para fazer referência ao resultado de intuição.
Disciplina
PROCESSO DE CRIATIVIDADE
Descartes (�lósofo e matemático francês, considerado o fundador da �loso�a moderna), em seu
dualismo, isto é, na noção de mente separada do corpo, acreditava que as ideias da alma eram
inatas. O sujeito teria uma capacidade incontrolável, ou uma capacidade de intuição cujo dom
seria dado. O indivíduo criativo já não era mais louco, e sim uma pessoa saudável com uma
capacidade de intuição altamente desenvolvida.1992.
PREDEBON, J. Criatividade. Abrindo o lado inovador da mente. São Paulo: Atlas, 2002.
WECHSLER, S. M. Criatividade: descobrindo e encorajando. Campinas: Livro Pleno, 2002.
 
Aula 5
Facilitadores da Criatividade
Vídeo Aula Encerramento
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Ponto de Chegada
Estudante, ao �nal desta aula, é importante que tenha �cado claro o entendimento da relevância
da exploração das funções especí�cas do hemisfério cerebral e de como essa dinâmica pode
impactar diferentes formas de aprendizado e expressão criativa. Durante este percurso,
abordamos de maneira aprofundada os conceitos relacionados à lateralidade cerebral, estilos de
pensar e sua in�uência na criatividade.
Entendemos também a importância de desconstruir paradigmas, apresentando de�nições e
modelos paradigmáticos, estimulando uma abordagem mais inovadora e �exível. Destacamos a
necessidade de superar bloqueios, não apenas identi�cando fatores ambientais e emocionais,
mas também desenvolvendo estratégias para cultivar um ambiente propício à criatividade.
Além disso, ao explorar os tipos de percepção, incluindo a percepção sensorial e a Teoria da
Gestalt, buscamos proporcionar uma compreensão mais profunda do processo perceptual,
enriquecendo as bases para o desenvolvimento criativo.
Por �m, ao abordar a alteração da percepção e o pensamento lateral, conectamos a lateralidade
cerebral aos estilos de pensar, à superdotação e à criatividade, oferecendo insights valiosos para
enfrentar desa�os criativos com con�ança e determinação. Esperamos que esses
conhecimentos sejam integrados à sua jornada pro�ssional, capacitando-o a contribuir com
soluções criativas e inovadoras em sua área de atuação.
Parabéns pelo seu empenho e dedicação, e que essas ferramentas ampliem sua capacidade de
resolver problemas de maneira original no futuro!
É Hora de Praticar!
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Imagine que você está liderando uma equipe de marketing em uma renomada empresa de
publicidade e design que se esforça para manter-se na vanguarda da indústria criativa. Com as
constantes evoluções do mercado e novas demandas surgindo, torna-se essencial que sua
Disciplina
PROCESSO DE CRIATIVIDADE
equipe mantenha um �uxo contínuo de ideias inovadoras para atender às necessidades dos
clientes e destacar-se da concorrência.
Entretanto, ao analisar o panorama atual, você percebe que a equipe enfrenta bloqueios criativos
e di�culdades para desenvolver conceitos impactantes que atendam aos padrões exigentes da
indústria. Diante desse desa�o, é hora de aplicar estratégias baseadas nos conceitos estudados
nesta unidade que tratou dos facilitadores da criatividade.
Em relação a essa situação, quais orientações você pode apresentar para ajudar a sua equipe?
O pensamento criativo decorre da integração dos dois hemisférios cerebrais, e a predominância
de um ou de outro no indivíduo pode prejudicar bastante a sua produção criativa. Outra técnica
utilizada para o desenvolvimento da criatividade chama-se técnica criativa de resolução de
problemas que, de acordo com Wechsler (2002), foi desenvolvida pela equipe da Universidade de
Buffalo (Nova Iorque). Por meio do trabalho pioneiro de Parnes, Noller e Biondi, traz a concepção
de que todo problema pode ser resolvido, bastando apenas que tenhamos uma atitude criativa
para fazê-lo.
Diante dessa situação, a seguir estão algumas orientações que você pode apresentar à sua
equipe para superar bloqueios criativos e estimular a inovação, utilizando os facilitadores da
criatividade estudados:
Incentive a equipe a diversi�car os métodos de pensamento, explorando tanto o lado
analítico quanto o intuitivo. Proponha atividades que envolvam a colaboração entre
diferentes áreas da equipe, integrando as diferentes habilidades e perspectivas.
Sugira que a equipe questione ativamente as normas da indústria. Encoraje-os a pensar em
como podem desa�ar convenções estabelecidas para criar algo verdadeiramente inovador.
Promova a liberdade de pensamento e a rejeição de ideias preconcebidas.
Proponha exercícios que explorem a percepção sensorial e a aplicação da Teoria da Gestalt
na criação de designs. Incentive a equipe a considerar como diferentes elementos podem
ser combinados de maneira única para criar impacto visual e comunicar a mensagem
desejada.
Integre atividades de pensamento lateral, desa�ando a equipe a pensar fora dos padrões
convencionais. Estimule a diversidade de abordagens, encorajando cada membro a
contribuir com perspectivas únicas para enriquecer o processo criativo.
Valorize as habilidades individuais de cada membro da equipe. Incentive a colaboração
entre diferentes especialidades e experiências, reconhecendo que a combinação de
talentos pode levar a soluções inovadoras e fora do comum.
Ao implementar essas orientações, promova um ambiente aberto para o compartilhamento de
ideias, encorajando a equipe a se expressar livremente. Além disso, sugira a criação de um
espaço físico ou digital onde ideias, imagens e conceitos possam ser visualmente representados,
facilitando a comunicação e a referência durante o processo criativo. Este espaço visual pode
ser atualizado regularmente à medida que novas ideias são geradas e re�nadas, proporcionando
uma representação tangível do progresso criativo da equipe.
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PROCESSO DE CRIATIVIDADE
Figura 1 | Síntese dos conteúdos abordados durante os estudos
AGGIO, J. O. Conhecimento perceptivo segundo Aristóteles. 2006. 118 f. Dissertação (Mestrado
em Filoso�a) – Universidade de São Paulo. Faculdade de Filoso�a, Letras e Ciências Humanas.
Departamento de Filoso�a. São Paulo, 2006.
ALENCAR, E. M. L. S. A gerência da criatividade. São Paulo: Makron Books, 1996.
BONO, E. de. Criatividade levada a sério. São Paulo: Pioneira, 1994.
BONO, E. de. Criatividade levada a sério. São Paulo: Pioneiro, 1997.
BONO, E. de. Novas estratégias de pensamento. São Paulo: Nobel, 2000.
CHAUI, M. Convite à �loso�a. São Paulo: Ática, 1999.
CHIRAS, D. Human biology. 6. ed. Burlington: Jones & Barlett Publishers, 2008.
DI NIZO, R. Foco e criatividade: fazer mais com menos. São Paulo: Summus, 2009.
DOMINGUES, I. Epistemologia das ciências humanas. São Paulo: Loyola, 2004.
FERRATER MORA, J. Dicionário de �loso�a. São Paulo: Loyola, 2004.
GALVÃO, M. M. Criativa mente. Rio de Janeiro: Qualitymark, 1992.
GONÇALVES, M. V. R. Processamento de dados em aquisição simultânea de EEG/IFRM.
Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade Nova de Lisboa, 2009.
GOLEMAN, D. Inteligência emocional. São Paulo: Objetiva, 1996.
GRANDO, F. S. Concepções de criatividade ao longo da história. 2014.
HOUAISS, A. Dicionário eletrônico Houaiss da língua portuguesa. São Paulo: Objetiva, 2002.
KATZ, D.; KAHN, R. Psicologia social das organizações. São Paulo: Atlas, 1978.
KUHN, T. S. A estrutura das revoluções cientí�cas. 9. ed. São Paulo: Perspectiva, 2005.
NICOLAU, M. Introdução à criatividade. João Pessoa: Ideia, 2014.
PREDEBON, J. Criatividade. Abrindo o lado inovador da mente. São Paulo: Atlas, 2002.
SOLOMON, M. R. O comportamento do consumidor: comprando, possuindo, sendo. Porto Alegre,
Bookman, 2002.
TORRANCE, E. P. Criatividade: medidas, testes e avaliações. São Paulo: Ibrasa, 1965.
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PROCESSO DE CRIATIVIDADE
WECHSLER, S. M. Criatividade: descobrindo e encorajando. Campinas: Livro Pleno, 2002.Abordagens biológicas
A relação do conceito de criatividade como força criadora inerente à vida surgiu com a in�uência
da Teoria Evolucionista de Darwin, que defendia a tese de que a evolução orgânica é criadora e a
hereditariedade era considerada o componente principal na criatividade. Segundo essa visão, a
criatividade é percebida como algo fora do controle do homem e é transmitida pelos códigos
genéticos. Portanto, se o pai era criativo, consequentemente, o �lho também era. Outra grande
vertente da teoria biológica sobre criatividade foi a de Edmund Sinnott (botânico americano), que
a�rmava que a vida, por si só, já é criativa. Segundo Sinnott, a vida é criativa por si só porque se
auto-organiza, se autorregula e está gerando novidades constantemente. As alterações ocorrem
devido à genética. Frases como “não adianta, não nasci criativo”, “não tenho este dom” ou “na
minha família não tem ninguém criativo” são muito comuns e bastante enraizadas na mente das
pessoas. É a força da sugestão de que a criatividade é hereditária. Ao considerar como a
criatividade tem sido interpretada ao longo da história, compreendemos sua importância não
apenas como uma habilidade individual, mas também como uma característica social e
empresarial essencial. Com isso, falar dos processos criativos remete olhar também para a
interconexão entre a lógica e a imaginação na resolução de problemas. Com esse entendimento,
estamos mais bem equipados para enfrentar os desa�os atuais e futuros, aplicando nossa
criatividade de maneira consciente e estratégica em diversos contextos pro�ssionais e sociais.
Vamos Exercitar?
Parabéns! Você ajudou Alex com muita dedicação e e�ciência. Ele está agradecido, pois, para o
primeiro passo pelo universo da criatividade, já está um pouco mais tranquilo e preparado.
Conhecer os principais conceitos da criatividade pode auxiliar na preparação de Alex para os
desa�os que ele enfrentará. A ideia constante de que “não tenho esse dom” ou “não nasci
criativo” já ocorreu a Alex. Mas, pelo contrário, a vontade de resolver problemas com criatividade
começou a lhe agradar e liberar.
Durante os estudos, tenha em mente que a criatividade é uma das características mais bem
vistas pelos executivos, e a capacidade de inovar e propor novas soluções para os desa�os
rotineiros pode trazer benefícios positivos para as organizações. Por isso, para ajudar Alex a
realizar essa pesquisa, você pode seguir os seguintes passos:
1. Compreenda as abordagens �losó�cas e biológicas: inicialmente, você pode estudar as
teorias �losó�cas e biológicas que fundamentam a compreensão da criatividade. Isso
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envolveria explorar como as ideias de inspiração divina, loucura e intuição in�uenciam a
percepção da criatividade ao longo do tempo.
2. Pesquise estudos de caso: busque estudos de caso de empresas conhecidas por seu
ambiente criativo e inovador. Eles podem examinar como essas empresas abordam o
recrutamento e o treinamento de funcionários para fomentar um ambiente propício à
criatividade, levando em consideração as teorias �losó�cas e biológicas.
3. Analise as estratégias de recrutamento e treinamento: é crucial que você analise as
estratégias especí�cas utilizadas pelas empresas para identi�car e cultivar talentos
criativos. Investigue essas estratégias que re�etem ou se relacionam com os princípios das
teorias �losó�cas e biológicas.
4. Estude os processos criativos e lógicos: explore como as empresas incentivam e
aprimoram o processo criativo entre seus funcionários. Em seguida, analise como as
empresas promovem o desenvolvimento de soluções únicas para os desa�os diários,
considerando as relações entre o pensamento lógico e a criatividade.
Faça um resumo de sua pesquisa. Pesquise em revistas e na internet. Você deverá criar um
documento em Word expondo os resultados obtidos. Este documento será parte integrante do
trabalho �nal da Unidade.
Saiba mais
Você sabia que existem softwares de gestão de projetos que podem auxiliar você a organizar as
etapas da pesquisa, gerenciar tarefas, e acompanhar o progresso individual e em equipe?
Pois é! Essas ferramentas podem fazer toda diferença no processo criativo e na apresentação
dos resultados, pois a organização e o gerenciamento das tarefas podem oferecer maior
segurança e con�ança no seu trabalho. 
A Asana, por exemplo, é uma plataforma de gerenciamento de trabalho que permite às equipes
organizar e acompanhar o andamento dos projetos. Com recursos como listas de tarefas,
quadros e calendários, a Asana ajuda os usuários a visualizar o trabalho em andamento,
organizar tarefas, de�nir prazos e colaborar de forma e�caz. Ela também oferece integrações
com várias outras ferramentas populares, o que torna uma escolha versátil para equipes que
buscam melhorar a e�ciência e a comunicação.
Referências
ASANA. Faça o trabalho trabalhar por você. Disponível em: https://asana.com/pt?noredirect=\.
Acesso em: 15 out. 2023.
KNELLER, G. F. Arte e ciência da criatividade. São Paulo: Ibrasa, 1978.
https://asana.com/pt?noredirect=
https://asana.com/pt?noredirect=%5C%3E
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PROCESSO DE CRIATIVIDADE
TOFFLER, A.; TOFFLER, H. A riqueza revolucionária: o signi�cado da riqueza no futuro. São Paulo:
Futura, 2007.
Aula 3
Abordagens Comportamentais e o Estímulo da Criatividade
Abordagens comportamentais e o estímulo da criatividade
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Estudante, esta videoaula foi preparada especialmente para você. Nela, você irá aprender
conteúdos importantes para a sua formação pro�ssional. Vamos assisti-la? Bons estudos!
Ponto de Partida
Olá, estudante! Avançamos os nossos estudos e agora Alex está planejando iniciar um estágio
em uma empresa renomada. Parabéns pela sua contribuição! Seu apoio foi fundamental para
que Alex conquistasse seus objetivos.
Após uma apresentação bem-sucedida para os investidores, Alex obteve um investimento valioso
para seu empreendimento. No entanto, ele enfrentou novos desa�os relacionados ao
desenvolvimento de uma equipe e�caz que possa traduzir suas ideias inovadoras em ações
concretas. Enquanto re�ete a respeito de como liderar sua equipe de maneira mais e�caz, ele se
depara com a necessidade de compreender melhor o desenvolvimento psíquico individual e as
teorias associativas e comportamentais que podem in�uenciar a dinâmica do grupo.
Nesse contexto, Alex con�rma a importância de compreender o associacionismo, o
conexionismo e o behaviorismo para promover uma cultura organizacional focada na criatividade
e na inovação. Ele busca desenvolver estratégias para estimular a criatividade e a colaboração
entre sua equipe, com o objetivo de contribuir para a e�ciência e o desempenho organizacional.
Dessa forma, a nova situação-problema consiste em orientar Alex na aplicação prática desses
conceitos teóricos em seu ambiente empresarial, a �m de promover o desenvolvimento individual
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e coletivo de sua equipe. Sua tarefa é auxiliar na criação de um plano que integre efetivamente
essas teorias comportamentais, permitindo que ele estabeleça uma cultura organizacional
propícia à criatividade e à inovação.
Vamos Começar!
No contexto das teorias psicológicas, a compreensão do processo criativo emerge como uma
característica intrinsecamente relacionada à personalidade e ao comportamento humano. Essas
teorias desvendam facetas importantes que moldam a maneira como percebemos a mente e sua
capacidade de criar e inovar. Entre elas, o associacionismo, o behaviorismo e o conexionismo
surgem como abordagens fundamentais para compreender o funcionamento psicológico e suas
implicações na criatividade humana.
Neste contexto, a compreensão dessas abordagens psicológicas oferece insights de como os
indivíduos desenvolvem e expressam sua criatividade, destacando a interconexão entre amente
e o comportamento no contexto da inovação e da solução de problemas. Além disso, essas
teorias continuam a fornecer uma base sólida para explorar e aprimorar o potencial criativo
humano em diversos campos e disciplinas.
Figura 1 | Processo criativo. Fonte: Shutterstock.
Siga em Frente...
Associacionismo
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PROCESSO DE CRIATIVIDADE
O associacionismo é uma abordagem psicológica que enfatiza a importância das associações
entre ideias, sensações e experiências na formação da cognição e do comportamento humano.
Essa teoria pressupõe que a mente humana opera por meio da formação de associações entre
estímulos e respostas, criando conexões entre eventos ou ideias que ocorrem em proximidade
temporal. A ideia fundamental é que a experiência seja composta por elementos simples que se
associam para formar ideias mais complexas.
Thorndike localizou a Lei do Efeito, que tem relevância signi�cativa no campo da psicologia
comportamental. Segundo essa lei, quando um organismo vivo, como um ser humano, um
pombo ou um rato, recebe uma recompensa imediatamente após apresentar um determinado
comportamento, há uma tendência do comportamento se repetir. Além disso, a Lei do Efeito
a�rma que o organismo vai associar tais situações a outras semelhantes (Bock, 2008, p. 42).
Os princípios do associacionismo remontam à Grécia Antiga, com �lósofos como Aristóteles e
Platão explorando conceitos relacionados à associação de ideias. No entanto, o associacionismo
ganhou destaque particularmente nos trabalhos de psicólogos do século XIX, como o britânico
David Hume e o �lósofo britânico John Locke, cujas teorias in�uenciaram o desenvolvimento da
psicologia moderna.
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Figura 1 | Edward L. Thorndike. Fonte: Wikipedia.
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A Lei do Efeito demonstra respostas que são automaticamente desencadeadas por algum
estímulo. Trata-se de um condicionamento no qual o organismo reage a um estímulo, conhecido
como condicionamento clássico ou respondente: estímulo resposta. Por isso, podemos a�rmar
que o associacionismo contribuiu signi�cativamente para a compreensão da aprendizagem e da
memória. Por exemplo, os processos de condicionamento clássico e operante podem ser vistos
como manifestações práticas do associacionismo. Além disso, a teoria associacionista foi
central no desenvolvimento da psicologia comportamental e contribuiu para a compreensão das
bases da formação de hábitos, reações emocionais e processos de pensamento.
Figura 2 | Caixa de quebra-cabeça de Thorndike. Fonte: Wikipedia.
 
Behaviorismo
O behaviorismo foi inaugurado pelo americano John Watson, em um artigo publicado em 1913,
no qual propôs estudos do comportamento que alcançaram o status de ciência. Em outras
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palavras, considerou o comportamento “um objeto observável, mensurável, cujos experimentos
poderiam ser reproduzidos em diferentes condições e sujeitos” (Bock, 2008, p. 45).
Não é necessário mencionar o papel crucial desse posicionamento metodológico de Watson
para a psicologia, uma área que enfrentou desa�os para conquistar a alternativa no meio
cientí�co. O pesquisador behaviorista que se destacou posteriormente foi B. F. Skinner (1904-
1990), com seu behaviorismo radical, introduzindo a formulação do comportamento operante.
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Figura 3 | B. F. Skinner. Fonte: Wikipedia.
Partindo de sua experiência com animais para elaborar suas conclusões, Skinner esclarece que o
aprendizado decorre de um condicionamento instrumental (operacional) resultante da
recompensa obtida. Em outras palavras, o comportamento é in�uenciado pelas consequências
que promove para o indivíduo, afetando a frequência ou a probabilidade de sua reprodução.
Além das considerações acerca da Lei do Efeito, Skinner desenvolve o conceito de
comportamento operante, destacando que, dependendo das consequências decorrentes de uma
resposta especí�ca, o organismo (ou sujeito) pode sentir-se recompensado e tender a repetir o
comportamento, ou pode sentir-se punido, di�cultando a reprodução do comportamento.
Há anos as teorias de Skinner nos levam a re�etir a respeito das possíveis repercussões
negativas no processo criativo de crianças que são frequentemente punidas por suas
travessuras (Matos, 1994). Que tipo de impacto a proteção pode exercer sobre o
desenvolvimento da criatividade?
 
Conexionismo
Essa corrente da psicologia estuda a mente a partir de uma perspectiva computacional, ou seja,
busca descrever o processo cognitivo de maneira análoga a um computador. Para os
conexionistas, o aprendizado se manifesta por meio das relações entre os dados de entrada
(input) e saída (output). Em contraste com o behaviorismo, o conexionismo não nega a
existência da mente, procurando explicar, em termos neurais, o que acontece entre os dados de
entrada e saída no âmbito mental. Este modelo computacional da mente apresenta um modelo
matemático inspirado na estrutura neural e em organismos inteligentes que adquirem
conhecimento por meio da experiência.
De acordo com o conexionismo, os neurônios se comunicam por meio de sinapses, que são
reações químicas processadas no cérebro e que transmitem impulsos nervosos entre os
neurônios. Tais reações desempenham um papel fundamental no processo de aprendizagem.
Aprender implica alterar a força das sinapses, e esse processo ocorre por meio de
neurotransmissores. Santiago Ramón y Cajal, médico e histologista espanhol próximo ao �nal do
século XIX, foi um dos principais representantes dessa teoria, tendo realizado experimentos
cruciais para o desenvolvimento inicial do conexionismo. Ele concluiu que o cérebro era
composto por células interconectadas.
As redes neurais têm a capacidade de desenvolver estratégias cognitivas (processos de
aprendizagem) e de encontrar soluções não programadas. Essas redes têm a habilidade de
memorizar informações por meio de conexões, unindo um número variável de elementos. A
informação pode ser considerada uma base para a resolução de problemas criativos.
 
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Figura 4 | Exemplo de rede neural em um cérebro humano. Fonte: Wikipedia.
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Vamos Exercitar?
Para orientar Alex na aplicação prática dos conceitos teóricos aprendidos em seu ambiente
empresarial, a �m de promover o desenvolvimento individual e coletivo de sua equipe, oriente-o a
fazer uso de uma ferramenta de gestão conhecida como Design Thinking. 
Você conhece? O Design Thinking é uma abordagem estruturada e centrada no ser humano para
a inovação e resolução de problemas. Essa abordagem baseia-se na compreensão das
necessidades dos usuários, na geração de ideias criativas e na criação de soluções práticas e
viáveis.
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Figura 5 | Design Thinking. Fonte: Shutterstock.
Ao aplicar o Design Thinking no contexto da situação do Alex, ele pode promover a criatividade e
a inovação em sua equipe ao:
Fomentar a empatia e a compreensão da equipe: utilize o Design Thinking para incentivar
Alex a promover uma cultura organizacional baseada na compreensão das necessidades e
motivações individuais de sua equipe. Isso pode ser feito por meio da realização de
entrevistas, observações e empatia com os membros da equipe, como preconiza o Design
Thinking, ao mesmo tempo utilizando conceitos do associacionismo para entender as
conexões entre os comportamentos individuais e a cultura organizacional.
Estimular a colaboração e o pensamento criativo: encoraje Alex a fazer sessões de
brainstorming e atividades de ideação com sua equipe, incentivando a participação de
todos os membros. Isso pode ser facilitado aplicando conceitos de conexão, enfatizando a
importância das sinapses e das interações neurais na geração de ideias e soluções
inovadoras.
Prototipagem e teste de soluções criativas: oriente Alex a criar protótipos de ideias e
soluções concebidas durante as sessões de ideação. Esses protótipos devem ser testadosem conjunto com a equipe, possibilitando feedback imediato e iteração rápida das ideias
propostas. Essa abordagem prática está alinhada com os conceitos do behaviorismo,
considerando as recompensas e punições como forma de moldar comportamentos e
melhorar o desempenho da equipe.
Implementação gradual e adaptativa das soluções: ajude Alex a implementar as soluções
escolhidas de forma incremental, permitindo que a equipe ativa participe do processo de
implementação e adaptação das soluções de acordo com o feedback recebido. Aqui, o
Design Thinking pode ser aplicado juntamente com as teorias da psicologia, enfatizando a
importância de desenvolver comportamentos positivos e proporcionar um ambiente que
incentive a exploração e a inovação.
Ao adotar o Design Thinking, Alex poderá facilitar a inovação e a criatividade em sua equipe,
promovendo um ambiente propício para a geração de ideias novas e a implementação de
soluções práticas. Além disso, o Design Thinking incentiva a colaboração e a participação de
toda a equipe no processo de resolução de problemas, o que pode resultar em um maior
comprometimento e engajamento por parte dos membros da equipe.
Saiba mais
Para conhecer mais o Design Thinking, recomendamos a leitura do artigo “Design Thinking
Aplicado a Equipes Remotas: Revisão Sistemática e Oportunidades de Estudo”. Esse trabalho
discute como essa ferramenta tem despertado um interesse signi�cativo devido à sua
capacidade de estimular a colaboração, a empatia e a resolução de problemas em ambientes
virtuais. O texto busca revisar criticamente a literatura existente tratando da aplicação do Design
Thinking em equipes remotas,  identi�car lacunas de pesquisa e oportunidades para estudos
futuros. 
https://www.producaoonline.org.br/rpo/article/view/4590/2155.
https://www.producaoonline.org.br/rpo/article/view/4590/2155.
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Referências
BOCK, A. M. B. Psicologias: uma introdução ao estudo de psicologia. São Paulo: Saraiva, 2008. 
MATOS, M. A. Com o que o behaviorismo radical trabalha. Artigo. USP 1994. Disponível em:
http://www.itcrcampinas.com.br/pdf/outros/Com_o_que_o_Behaviorismo_Radical_trabalha.PDF.
Acesso: 15 out. 2023.  
SANTANA, G. G. ZANCUL, E. de S. Design Thinking aplicado a equipes remotas: revisão
sistemática e oportunidades de estudo. Revista Produção Online, v. 22, n. 1, p. 2479–2509, 2023.
 
Aula 4
O Diálogo entre Criatividade e Inovação
O diálogo entre criatividade e inovação
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conteúdos importantes para a sua formação pro�ssional. Vamos assisti-la? Bons estudos!
Ponto de Partida
Olá, estudante! Você fez um excelente trabalho acompanhando a jornada do Alex e sua busca por
estratégias para promover uma cultura organizacional focada na criatividade e na inovação. Com
base nos conhecimentos adquiridos anteriormente, vamos aplicar esses conceitos à situação do
Alex e da sua empresa.
Após conquistar o investimento para seu empreendimento, Alex está determinado a desenvolver
uma equipe capaz de transformar suas ideias inovadoras em ações concretas. Ele reconhece a
importância de compreender as teorias da psicologia, como o associacionismo, o behaviorismo
e o conexionismo, para promover um ambiente propício à criatividade e à colaboração. No
entanto, percebe a necessidade de compreender o contexto empresarial em que está inserido e
http://www.itcrcampinas.com.br/pdf/outros/Com_o_que_o_Behaviorismo_Radical_trabalha.PDF.
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decide aplicar o modelo Pestel, uma ferramenta de gestão estratégica que o ajudará a avaliar os
diferentes aspectos que impactam sua empresa.
Sua função é atuar como um consultor ou orientador para Alex, oferecendo insights e
recomendações básicas em ferramentas de gestão, como o modelo Pestel, que podem ajudar
Alex a compreender melhor o contexto empresarial e a promover o desenvolvimento e�caz de
sua equipe. Ao fazer isso, você pode auxiliar Alex na elaboração de um plano estratégico que
poderá ajudá-lo a estabelecer uma cultura organizacional propícia ao crescimento e ao sucesso a
longo prazo.
Vamos Começar!
Não há fórmulas para ativar nosso lado criativo. O encerramento do processo de
desenvolvimento do comportamento criativo inclui quase necessariamente a adesão da pessoa
a uma abordagem, a um caminho ou fase do processo criativo. As fases ou estágios que
culminam na produção criativa têm sido uma preocupação de muitos estudiosos, porém, um
ponto em comum entre esses estudos é que nenhum dos pesquisadores acredita que a
criatividade aparece subitamente, como se fosse um estalo, uma inspiração divina ou momento
de sorte, como já foi comentado anteriormente. Nosso processo criativo deve ser programado
para que possamos contar com ele sempre que precisarmos. Os estudiosos enfatizam a grande
necessidade de um esforço mental concentrado sobre o tema ou problema em questão para a
busca de uma solução criativa. 
Durante os estudos, conheceremos a visão de alguns especialistas a respeito.
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Figura 1 | Representação de processo criativo. Fonte: Shutterstock.
 
Siga em Frente...
O pensamento criativo é um tipo de energia mental que pode aumentar, inibir-se, reduzir-se e
especializar-se por meio de estímulos humanos. As pressões sociais e educativas podem
desbloquear a imaginação como energia exploradora do desconhecido, de ideias originais.
Desde o "Ensaio sobre a imaginação criadora", de Ribot, em 1900, há tentativas de se descobrir o
processo de criação, buscando modelos no processo imaginativo e de investigação, como é o
caso de J. Dewey (1910), que propôs cinco passos:
1.    Encontro com di�culdade ou problema.
2.    Localização e precisão.
3.    Busca de soluções.
4.    Desenvolvimento e consequência.
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5.    Aplicações posteriores.
Mas antes de Graham Wallas (1926), a quem a maior parte dos autores atribuem as fases
arquetípicas do processo criativo, foi H. Poincaré, matemático francês do século XIX, que
distribuiu os quatro passos do processo intuitivo ou de insight:
1ª etapa – Preparação: é a etapa de mobilização interna para expandir limites e ir além do que já
se sabe a respeito do tema. Por isso, muitas vezes esse período traz angústia, vazio e até
bloqueio.
2ª etapa – Incubação: é o momento de amadurecer, de gestar as ideias concebidas na etapa
anterior. É hora de esperar, distanciando-se um pouco da obra, do projeto a ser criado ou do
problema a ser solucionado.
3ª etapa – Iluminação (insight): é o momento em que a resposta para o problema ou para a obra
desejada surge repentinamente. É quando encontramos uma solução ou um caminho. Contudo,
ainda não estamos no campo do pensamento, e não fazemos um ato criativo propriamente dito
aqui (Mano; Zagalo, 2009). 
4ª etapa – Aplicação/veri�cação: é o momento de dar forma à ideia, transformá-la em uma ação.
É uma etapa que exige elaboração, a�nal, criaremos algo para nós e para os outros. Cada uma
dessas etapas descritas não tem um tempo cronologicamente de�nido.
Entretanto, será Graham Wallas quem difundirá como expressão a produção criativa. Esse
psicólogo americano, em seu livro de 1926, A arte do pensamento, apresenta um modelo de
processo criativo, que é adotado por muitos autores que escrevem acerca da criatividade.
Na concepção de G. F. Kneller, �lósofo britânico, existem cinco fases reconhecíveis no processo
criativo: identi�cação, preparação, incubação, iluminação e veri�cação. Na primeira fase, a
identi�cação, o indivíduo têm a sensação ou percepção de que existe um problema a ser
resolvido. Levantar novas dúvidas, novas possibilidades, olhar velhos problemas sob novos
ângulos exige imaginação criadora e é o que marca os avanços reaisda ciência.
Na segunda fase, o indivíduo vai investigar o problema em questão de diferentes maneiras:
lendo, anotando, discutindo, indagando, explorando. Nesta fase, chamada de preparação, torna-
se necessária a familiarização com as ideias alheias e com a investigação do problema em
questão. Quando se atinge um ponto insuportável no estágio de preparação, isto é, quando
aumenta a angústia, ao invés de diminuir, a mente humana praticamente "desliga".
A fase de incubação é uma consequência direta da fase anterior. Enquanto o indivíduo está
investigando, está jogando com inúmeras hipóteses na sua cabeça, em seu inconsciente, a
respeito das informações obtidas. Segundo alguns psicólogos, o processo de incubação se
desenvolve mais no plano do inconsciente.
Disciplina
PROCESSO DE CRIATIVIDADE
De acordo com H. Poincaré, é preciso descansar e, em seguida, trabalhar novamente. Assim
como Thomas Edison, Poincaré tinha a mesma opinião de que o trabalho inconsciente é
impossível se não for precedido pelo trabalho consciente. O termo "incubação" tornou-se popular
com Graham Wallas (1926).
A incubação, depois da preparação consciente de informações, é uma ocorrência da mente
humana contra a pressão angustiante. A mente, no plano do inconsciente, começa a trabalhar
praticamente sozinha. A fase da iluminação é uma fase conhecida pela "eureca!". É o clímax do
processo de criação que vem espontaneamente, em um determinado momento do estalo de
incubação. É o insight, ou seja, a súbita compreensão das relações entre meios e �ns. Uma ideia
iluminada pode ocorrer em estado de relaxamento ou não, de forma nítida ou sob a aparência de
analogias.
A fase de veri�cação conclui as etapas do processo criativo. É nela que o indivíduo vai dar forma
à solução que encontrou. Nessa fase, o indivíduo separa as ideias válidas das inválidas. Nas
etapas anteriores, o criador estava se comunicando consigo mesmo, mas agora deverá
comunicar-se com o público. Uma maneira sistematizada de exercitar cada passo do processo
criativo foi desenvolvida por A. F. Osborn, publicitário norte-americano. As fases a serem
treinadas são basicamente três:
1.    Procura dos fatos – o indivíduo tenta de�nir o problema.
2.    Procura de ideias – o indivíduo tenta produzir um grande número de ideias.
3.    Procura de soluções – avalia as ideias obtidas.
Todo processo criativo envolve fases de comunicação, expressão e valorização da ideia
(realização ou produto) (Lupton, 2013). Além disso, outros aspectos ou outras ferramentas
contribuem para facilitar o processo contínuo de aprendizagem, criatividade e inovação. Dentre
todas as ferramentas, destacamos o modelo Pestel.
Esse modelo, também conhecido como Pest, é uma ferramenta analítica usada para examinar e
monitorar fatores macroambientais que podem ter um impacto sobre uma organização, indústria,
mercado ou país em particular (Gupta, 2013). Pestel é um acrônimo que representa os seguintes
fatores macroambientais: político, econômico, social, tecnológico, ambiental e legal (Gupta,
2013). Ao analisar e considerar esses fatores, as organizações podem formular estratégias mais
robustas, criativas e adaptáveis, aproveitando oportunidades e minimizando ameaças derivadas
de mudanças no ambiente macroambiental.
Vamos Exercitar?
Para ajudar Alex a aplicar o modelo Pestel em sua empresa e promover um ambiente propício à
criatividade e à inovação, é fundamental que ele compreenda as diferentes dimensões do
contexto empresarial, levando em consideração os conceitos de identi�cação, preparação,
Disciplina
PROCESSO DE CRIATIVIDADE
incubação, aquecimento, iluminação, elaboração e veri�cação, trabalhados teoricamente nesta
seção. Vamos explorar como isso pode ser feito:
Identi�cação e preparação: Alex deve identi�car e compreender os fatores do modelo
Pestel que afetam sua empresa. Ele deve estar preparado para coletar e analisar
informações relevantes em cada dimensão para melhor compreender o contexto
empresarial e suas implicações na cultura organizacional.
Incubação: durante a fase de análise das informações coletadas, Alex deve permitir um
tempo para incubação, ou seja, para uma re�exão profunda e análise cuidadosa dos dados.
Ele pode aproveitar esse tempo para examinar como os diferentes fatores do modelo
Pestel se interconectam e podem in�uenciar a criatividade e a inovação em sua equipe.
Aquecimento: ao considerar as implicações do modelo Pestel, Alex pode preparar sua
equipe para as mudanças e desa�os que possam surgir. Ele deve aquecer a equipe,
incentivando a discussão e a participação ativa na compreensão das complexidades do
ambiente empresarial e como isso pode afetar suas operações e iniciativas criativas.
Iluminação: ao adquirir insights a partir da análise do modelo Pestel, Alex e sua equipe
podem experimentar o momento de iluminação, em que as conexões e implicações se
tornam claras. Eles devem estar abertos a ideias inovadoras e criativas que possam surgir
durante o processo de análise e discussão.
Elaboração e veri�cação: com base nas conclusões derivadas do modelo Pestel e das
fases anteriores, Alex deve elaborar um plano de ação estratégica para promover uma
cultura organizacional focada na criatividade e inovação. Ele deve veri�car se o plano
incorpora considerações em todas as dimensões do modelo Pestel e se está alinhado com
os objetivos de longo prazo da empresa.
Ao integrar as fases de identi�cação, preparação, incubação, aquecimento, iluminação,
preparação e seleção ao modelo Pestel, Alex pode garantir que sua equipe esteja preparada para
enfrentar os desa�os do ambiente empresarial e desenvolver estratégias e�cazes para promover
a criatividade e a inovação. Com sua orientação, Alex estará no caminho certo para estabelecer
uma cultura organizacional que valorize a originalidade, a excelência e a criatividade.
Saiba mais
Recomendamos o documentário Abstract: The Art of Design, disponível na Net�ix, que trata de
criatividade e inovação e que pode complementar os conceitos discutidos nesta unidade. Essa
série documental explora o trabalho e os processos criativos de designers renomados em
diversas áreas, como arquitetura, ilustração, fotogra�a e design de interiores, entre outras . Cada
episódio apresenta um designer diferente, oferecendo uma visão fascinante de suas mentes
criativas e as soluções inovadoras que eles trazem para o mundo. 
Referências
Disciplina
PROCESSO DE CRIATIVIDADE
GUPTA, A. Environmental and pest analysis: An approach to external business environment. Merit
Research Journal of Art, Social Sciences and Humanities, v. 1, n. 2, p 13-17, 2013.
LUPTON, E. (org.). Intuição, ação, criação. São Paulo, SP: Gustavo Gili. 2013.
MANO, V.; ZAGALO, N. Criatividade: sujeito, processo e produto. In: CONGRESSO LUSOCOM, 8.,
2009. p. 1213-1229. Anais […]. Braga, Portugal, 2009. Disponível em:
https://doceru.com/doc/n1c85v. Acesso em: 27 dez. 2023.
Aula 5
Teorias da Criatividade
Vídeo Aula Encerramento
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Estudante, esta videoaula foi preparada especialmente para você. Nela, você irá aprender
conteúdos importantes para a sua formação pro�ssional. Vamos assisti-la? Bons estudos!
Ponto de Chegada
Para desenvolver a competência desta unidade, que é “Desenvolver soluções criativas e
inovadoras em projetos pro�ssionais”, é essencial compreender os conceitos fundamentais
relacionados à criatividade, considerando seus contextos históricos e sociais. Ao explorar as
teorias da criatividade abordadas em cada aula, você estará capacitado a aplicar de maneira
e�caz as técnicas e abordagens comportamentais que estimulam a criatividade e a inovação em
diferentes cenários pro�ssionais.
Além disso, uma análise aprofundada dos fatores que podem desbloquear ou inibir a criatividade
possibilitará o desenvolvimento de estratégias e�cazes para superar os obstáculoscriativos e
promover o pensamento inovador de forma consistente e sustentável.
https://doceru.com/doc/n1c85v
Disciplina
PROCESSO DE CRIATIVIDADE
Para cumprir esta competência, é crucial examinar criticamente o diálogo entre criatividade e
inovação, estabelecendo conexões práticas entre os conceitos teóricos e a aplicação prática em
projetos pro�ssionais. Ao se engajar ativamente com os conteúdos e aplicar as técnicas
aprendidas, você estará preparado para oferecer soluções criativas e inovadoras que contribuam
signi�cativamente para o sucesso e o avanço de empreendimentos pro�ssionais.
Nesse contexto, re�ita a respeito das seguintes questões: Como as abordagens
comportamentais discutidas ao longo do curso podem ser aplicadas de forma prática para
estimular a criatividade em diferentes contextos pro�ssionais? Quais são os principais bloqueios
à criatividade que você encontrou nos seus estudos e como você pode superá-los em sua própria
prática pro�ssional? De que forma o entendimento das teorias da criatividade contribui para a
geração de soluções inovadoras e o desenvolvimento de projetos pro�ssionais mais e�cazes e
impactantes?
E então, qual é a sua re�exão acerca dos questionamentos apresentados?
Vamos lá!
Precisamos compreender que as abordagens comportamentais in�uenciam diretamente a
adequação dos indivíduos aos diferentes cenários em que se encontram, o que, por sua vez,
auxilia no fortalecimento da prática da criatividade no ambiente de trabalho, por exemplo. Já
quando re�etimos a respeito dos principais bloqueios à criatividade, podemos pensar que o
primeiro e importante passo é reconhecer esses bloqueios para que haja uma compreensão
sólida dos desa�os enfrentados no processo criativo. Ao destacar estratégias práticas para
superar esses bloqueios, você demonstra um pensamento crítico e uma abordagem proativa
para lidar com os obstáculos criativos. Portanto, seria importante compartilhar exemplos
especí�cos de como você pode aplicar essas estratégias em sua própria prática pro�ssional para
promover um ambiente mais propício à inovação.
Por �m, para discutirmos de que forma o entendimento das teorias da criatividade contribui para
a geração de soluções inovadoras e o desenvolvimento de projetos pro�ssionais mais e�cazes e
impactantes, também podemos dizer que um ponto essencial é o seu reconhecimento e a
compreensão do papel que as teorias da criatividade têm na geração de soluções inovadoras,
destacando a importância de fundamentar as práticas pro�ssionais em um entendimento sólido
das bases teóricas. Assim, acredita-se que explorar exemplos concretos de como essas teorias
podem enriquecer o desenvolvimento de projetos especí�cos ajuda a fortalecer sua
compreensão da interseção entre teoria e prática. Desse modo, considerar o impacto dessas
teorias no contexto de sua própria área de atuação pode gerar insights valiosos para a aplicação
prática da criatividade e inovação.
Assim �nalizamos a unidade. Lembre-se de aplicar esses aprendizados em seu cotidiano,
sempre buscando manter um pensamento aberto e proativo para enfrentar os desa�os futuros
com criatividade e originalidade.
Disciplina
PROCESSO DE CRIATIVIDADE
É Hora de Praticar!
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A empresa XYZ é uma startup de tecnologia sediada em uma grande cidade metropolitana.
Fundada por Alex, um empreendedor visionário, a empresa visa revolucionar a indústria de
soluções tecnológicas para mobilidade urbana. Com a obtenção de um investimento signi�cativo
recentemente, a empresa está se preparando para a próxima fase de expansão. No entanto, Alex
percebe a necessidade de promover uma cultura organizacional focada na inovação e
criatividade para sustentar o crescimento.
A equipe de Alex passa por um período de incubação, permitindo que as ideias amadureçam e
evoluam com o tempo. Eles incentivam uma cultura de experimentação e aprendizado contínuo,
reforçando que o processo criativo é iterativo e requer adaptação constante com base no
feedback e nas mudanças do mercado.
Além disso, a equipe também está passando pela fase de veri�cação, em que testam e re�nam
os protótipos desenvolvidos, garantindo que as soluções propostas atendam aos requisitos de
inovação e previsões no mercado. A equipe implementou as ideias mais promissoras e
monitorou continuamente os resultados para ajustar suas estratégias conforme necessário.
Desa�o: Alex reconhece que para alcançar uma cultura inovadora precisa entender os fatores
macroambientais que podem impactar a empresa e, ao mesmo tempo, estimular a criatividade e
a colaboração em sua equipe. Ele está enfrentando o desa�o de integrar efetivamente os
conceitos do modelo Pestel e as práticas de Design Thinking em sua empresa para atingir seus
objetivos.
Diante do caso apresentado, como você acha que Alex pode aplicar o modelo Pestel para
analisar os fatores políticos, econômicos, sociais, tecnológicos, ambientais e legais que podem
in�uenciar a inovação e a criatividade em sua empresa? Considerando as fases do Design
Thinking, como Alex pode fomentar um ambiente que encoraje a colaboração e a geração de
ideias inovadoras entre sua equipe? E, por �m, como Alex pode acompanhar a análise do modelo
Pestel com as práticas do Design Thinking para desenvolver estratégias que promovam uma
cultura organizacional propícia à criatividade e à inovação na empresa XYZ? 
Estudante, não se esqueça de que os conteúdos vistos até este momento são instrumentos
valiosos para você aplicar na sua jornada pro�ssional do dia a dia. Por isso, mantenha um
pensamento aberto para enfrentar possíveis desa�os futuros com toda a sua criatividade e poder
de inovação!
Para enfrentar o desa�o de promover uma cultura organizacional inovadora na empresa XYZ,
Alex pode adotar uma abordagem estratégica que integra os conceitos do modelo Pestel e as
Disciplina
PROCESSO DE CRIATIVIDADE
práticas do Design Thinking de maneira sinérgica.
Ele deve convocar equipes multidisciplinares para conduzir uma análise abrangente dos fatores
políticos, econômicos, sociais, tecnológicos, ambientais e legais que podem impactar a indústria
de soluções tecnológicas para mobilidade urbana. Isso pode incluir avaliações do ambiente
regulatório, mudanças tecnológicas emergentes, demandas sociais e questões ambientais
relevantes. A compreensão desses fatores macroambientais ajudará a orientar a estratégia de
inovação da empresa e a identi�car oportunidades de crescimento.
O CEO pode promover atividades de empatia e de�nição para ajudar sua equipe a compreender
as necessidades e desa�os dos usuários e do mercado de mobilidade urbana. Isso pode
envolver a realização de entrevistas com clientes, a observação de seus comportamentos e a
identi�cação de insights signi�cativos. Ao compreender profundamente os problemas
enfrentados pelos usuários �nais, a equipe pode delinear claramente os pontos de dor e as
oportunidades de melhoria que guiarão o processo criativo.
Com base nos insights obtidos da análise Pestel e das atividades de empatia e de�nição, a
equipe pode se envolver em sessões de brainstorming e prototipagem para gerar e explorar
ideias inovadoras. Alex pode promover um ambiente aberto e colaborativo que encoraje a
contribuição de todas as partes interessadas, valorizando a diversidade de perspectivas e
experiências. Isso permitirá que a equipe experimente soluções criativas e teste rapidamente
protótipos para iterar e aprimorar as ideias.
Por �m, Alex pode, com sua equipe, fazer testes de mercado para validar e re�nar os protótipos
desenvolvidos. Isso pode envolver a coleta de feedback dos usuários e a realização de iterações
adicionais com base nas informações recebidas. Ao adotar uma abordagem centrada no usuário,
a equipe pode garantir que suas soluções atendam às necessidades do mercado e ofereçam
valor signi�cativo aos clientes.
Ao integraro modelo Pestel e as práticas de Design Thinking, Alex pode criar uma abordagem
holística para contribuição à inovação e à criatividade em sua empresa. Isso não só permitirá que
a empresa se adapte às mudanças do ambiente externo, mas também fortalecerá a cultura
organizacional e discutirá o desenvolvimento de soluções inovadoras e impactantes.
 
Disciplina
PROCESSO DE CRIATIVIDADE
Figura | Síntese dos conteúdos abordados durante os estudos
GOMES, R. K.; LAPOLLI, E. M. Os estímulos e barreiras à criatividade no ambiente organizacional.
Revista Borges, v. 4, p. 3-12, 2014.
LESSA , A. SANTOS, C. O mapa mental como metodologia ativa no ensino de leitura. Scripta, v.
27, n. 59, p. 92-117, 2023.
NEVES-PEREIRA, M. S.; FLEITH, D. de S. (org.). Teorias da Criatividade. Campinas: Alínea, 2020.
MATOS, M. A. Com o que o behaviorismo radical trabalha. Artigo. USP 1994. Disponível em:
Disciplina
PROCESSO DE CRIATIVIDADE
http://www.itcrcampinas.com.br/pdf/outros/Com_o_que_o_Behaviorismo_Radical_trabalha.PDF.
Acesso em: 15 out. 2023.  
SANTANA, G. G.; ZANCUL, E. de S. Design Thinking aplicado a equipes remotas: revisão
sistemática e oportunidades de estudo. Revista Produção Online, v. 22, n. 1, p. 2479–2509, 2023.
 
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Unidade 2
Processos Criativos
Aula 1
Técnica da Tempestade de Ideias - Técnica de Brainstorming
Processos criativos
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Estudante, esta videoaula foi preparada especialmente para você. Nela, você irá aprender
conteúdos importantes para a sua formação pro�ssional. Vamos assistir? Bons estudos!
Ponto de Partida.
Caro estudante, nosso estudo do processo da criatividade está avançando – esta unidade
abordará os processos criativos, e vamos conhecer o brainstorming. Compreenderemos como a
geração de conceitos pode nos levar a resultados criativos e conheceremos o painel conceitual e
semântico como instrumento para tangibilizar ideias. Para desenvolver os conteúdos teóricos,
vamos simular uma situação que pode ocorrer no cotidiano de qualquer um de nós: a
incumbência de ajudar algum conhecido por meio dos conhecimentos desenvolvidos em nossa
vida acadêmica.
Disciplina
PROCESSO DE CRIATIVIDADE
Diante disso, vamos ajudar Carlos, personagem desta unidade, um jovem empreendedor nato
que sempre pensou em abrir a sua empresa e gerar novos empregos. Formado em Publicidade e
Propaganda, decidiu abrir uma agência de comunicação interativa e de design. Pesquisou o
mercado para entender melhor como uma agência de comunicação interativa e de design
oferece seus serviços e observou que o seu tipo de negócio estava inserido na economia criativa,
em que a criatividade é o maior ativo da empresa. Carlos montou uma equipe multidisciplinar
para trabalhar em sua agência: publicitários, designers, administradores, artistas plásticos e
outros tantos. Para começar, sua agência precisará de uma identi�cação, um logotipo que
expresse a alma da empresa.
Nesta seção, você conhecerá algumas técnicas básicas de tempestade de ideias que compõem
o pensamento e o comportamento criativo. Com este conhecimento especí�co, ajudaremos
Carlos em seu primeiro desa�o: a criação do logotipo para a sua agência de comunicação
interativa e de design. Ele pretende reunir toda a sua equipe multidisciplinar para pensarem em
propostas adequadas ao conceito da agência: interatividade que estimula pessoas e gera
grandes resultados; uma empresa que acredita na força da inteligência e da imaginação.
Agora é com você! Seu desa�o é o seguinte: você deverá analisar cada técnica de tempestade de
ideias e recomendar a mais adequada para Carlos aplicar com sua equipe. Deverá justi�car por
que escolheu determinada técnica e justi�car a não escolha das outras. Pense a respeito do que
é uma agência de comunicação interativa e de design. Dê palpites, comente. Ao �nal, poderá
criar um documento em Word, registrando sua escolha e justi�cativas.
Vamos Começar!
Durante os estudos, veremos algumas técnicas de tempestade de ideias. O domínio dessas
técnicas facilitará a sua adaptação aos mais diferentes objetivos e ambientes. Existem técnicas
especí�cas para o surgimento de ideias, especialmente quando há um problema de�nido a
resolver. Essas técnicas podem ser utilizadas também para propor problemas – admitindo que é
mais criativo formular perguntas do que encontrar respostas. Estimular a criatividade signi�ca
encontrar soluções para problemas e inventar novos problemas. Assim, todas as ideias devem
ser dignas de registro. 
Com um pouco de treino, consegue-se chegar ao ponto de eliminar totalmente do processo
criativo o julgamento e, somente depois, analisar todas as ideias que estão colocadas no papel,
avaliando a viabilidade de cada uma. De acordo com Weschler (2002), a técnica tempestade de
ideias foi criada pelo publicitário e escritor Alex Faickney Osborn (publicitário americano), em
1953, e demonstrou a sua aplicação para as mais diferentes situações da vida diária.
A técnica também é conhecida pelo nome de brainstorming, uma expressão inglesa formada
pela junção das palavras brain, que signi�ca cérebro, intelecto, e storm, que signi�ca tempestade.
O brainstorming é uma técnica grupal – ou individual – na qual são realizados exercícios mentais
com a �nalidade de resolver problemas especí�cos. É uma reunião de interessados aos quais um
problema foi exposto e que, em uma sessão de livre associação, começam a sugerir soluções.
Disciplina
PROCESSO DE CRIATIVIDADE
Osborn (apud Weschler, 2002) recomenda algumas atitudes a �m de que as nossas ideias
desabem como tempestade. São elas:
Não critique. A crítica assassina as ideias e desmerece o seu possível potencial.
Não julgue. Os julgamentos e as avaliações interrompem o �uxo de ideias, e só devem ser
usados após o processo de ter muitas e inúmeras ideias, nunca antes.
Quanto mais ideias, melhor. Quantidade traz qualidade. Portanto, tente pensar em muitas
ideias, solte livre a imaginação, não se prenda ao que você já viu ou ouviu falar.
Pegue carona nas ideias dos outros. Muitas vezes as ideias boas aparecem combinando e
melhorando o que já existe. Não tenha medo de elaborar, implementar ou ir além de algum
conceito ou objeto já conhecido.
Crie um ambiente de humor livre de punições. As boas ideias só podem aparecer em um
clima livre de restrições. O humor vai ajudar a procurar soluções além do óbvio, do
tradicional.
Siga em Frente...
A característica principal do brainstorming é a ausência completa de crítica e de julgamento
precoce. Todas as ideias que surgirem serão anotadas, quaisquer que sejam elas, mas nunca
julgadas de imediato. É, em geral, uma sessão da qual participa um grupo grande de pessoas,
muitas delas com conhecimento prévio do problema, mas com um número bastante signi�cativo
também de pessoas sem o menor conhecimento do assunto.
Nessas sessões é absolutamente proibido fazer observações do tipo “não, isso não serve”, “já foi
experimentado e não deu resultado” etc. Nada que possa inibir o �uir livre das ideias deve ser
tolerado. Tudo é válido. Busca-se manifestar as ideias no momento em que vêm à mente. O
objetivo é acumular o maior número possível de ideias e estimular os participantes a fazerem as
suas associações. Um participante deverá ser o secretário para anotar todas as ideias.
No livro Advertising & Marketing Checklists, de Ron Kaatz (apud Dualibi; Simonsen, 2008), são
apresentadas 11 dicas para uma reunião bem-sucedida de brainstorming:
1. Certi�que-se de que o local da reunião é confortável e informal.
2. Quando se quer alimentar a mente, não se pode negligenciar o corpo; tenha na sala
bastante líquido e alimento.
3. Selecione uma pessoa para ser líder do grupo.
4. De�na claramente o problema quando a reunião começar.
5. Determine a pauta e o tempo da reunião e mantenha-se �el a ambos.
�. Faça com que todas as ideias sejam anotadas.
7. Não permita

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