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1 LINFONODOS O sistema linfático inicia-se no espaço intersticial, a princípio em formações lacunares, drenando parte do produto oriundo do trabalho celular, para estruturas vasculares, denominadas capilares linfáticos, que se anas- tomosam, tornando-se progressivamente mais calibrosos, até se constituírem em vasos linfáticos aferentes do linfonodo. Esse sistema consiste em ductos coletores da linfa, linfonodos, baço, timo, amígdalas palatinas, adenoides e placas de Peyer. O sistema linfático transporta um líquido claro (linfa), que contém as células imunes, os linfócitos, que, por sua vez, nos protegem contra antígenos estranhos ao nosso organismo. Os linfonodos recebem a linfa trazida pelos ductos coletores das várias regiões do organismo. A linfa alcança o sistema circulatório pelos troncos linfáticos e pelo ducto torácico. Os linfonodos organizam-se em grupos superficiais e profundos: Superficiais -> estão localizados no tecido celular subcutâneo; Profundos -> situam-se abaixo da fáscia dos músculos e dentro das várias cavidades do corpo. 2 Exame Clínico dos Linfonodos: Obs.: O exame físico geral inclui a investigação sistemática dos linfonodos superficiais. Os linfonodos profundos requerem propedêutica armada para o exame. Grupo ganglionar da cabeça e do pescoço: os linfonodos da cabeça e do pescoço são aproximadamente 300 e correspondem a 30% do total dos linfonodos do corpo humano. Dividem-se segundo uma referência topográfica. Desse modo, são classificados em seis níveis anatômicos, dentro dos triângulos anatômicos do pescoço: Nível I: áreas correspondentes aos trígonos submandibulares (IB) e submentonianos (IA); situadas entre a mandíbula, músculos digástricos e osso hioide; Nível II: corresponde ao terço superior, situando-se entre o estilo- hioide e a bifurcação da artéria carótida (esta última correspondendo à projeção do osso hioide). Inclui: linfonodos jugulares altos (jugulocarotídeos), jugulodigástricos e linfonodos posteriores próximos ao XI par craniano; Nível III: localiza-se abaixo da bifurcação (clinicamente corresponde à projeção do hioide), separado inferiormente no ponto onde o músculo omo-hióideo cruza a veia jugular interna (externamente visualizado como a borda inferior da cartilagem cricoide). Contém os linfonodos jugulares médios; Nível IV: compreende os linfonodos jugulares inferiores, os escalenos e os supraclaviculares, que estão abaixo do terço inferior do músculo esternocleidomastóideo até a clavícula; Nível V: linfonodos ao longo do nervo acessório, contidos no trígono cervical posterior; 3 Nível VI: situam-se entre as duas carótidas, com o osso hioide superiormente e a fúrcula inferiormente. Inclui os linfonodos paratraqueais e pré-traqueais, peritireoidianos e pré-cricoides. Grupo ganglionar das axilas: os linfonodos da cadeia axilar compreendem as seguintes cadeias: Linfonodos laterais; Linfonodos posteriores; Linfonodos centrais. 4 Grupo ganglionar das virilhas (inguinais): o grupo de linfonodos das virilhas ou região inguinal compreende duas cadeias: Linfonodos inguinais superficiais; Linfonodos inguinais profundos. Semiotécnica: O exame dos linfonodos se faz por meio da inspeção e da palpação, um método completando o outro. O lado contralateral deve ser comparado; A palpação é realizada com as polpas digitais e a face ventral dos dedos médio, indicador e polegar; no caso da extremidade cervical, ajusta-se a cabeça em uma posição que relaxe os músculos do pescoço, fletindo-se ligeiramente o pescoço e inclinando levemente a cabeça para o lado que se deseja examinar; Os linfonodos cervicais são mais facilmente palpáveis com o examinador posicionado atrás do paciente; Os linfonodos da cadeia jugular são mais bem examinados apreendendo-se o músculo esternocleidomastóideo entre o polegar e os dedos indicador e médio de uma mão; Complementa-se o exame utilizando as polpas digitais da mão direita para a palpação dos linfonodos do nível I; Para o exame dos grupos ganglionares do nível V, com a mão esquerda, segura-se delicadamente a cabeça do paciente, em ligeira rotação, utilizam-se as polpas digitais da mão direita e executam-se movimentos circulares, delicadamente; Ao se fazer o exame dos linfonodos da cabeça e do pescoço, é necessário estar atento às outras estruturas desta região, cuja forma e localização podem causar alguma confusão, em especial as parótidas e as glândulas salivares; 5 Para a palpação dos linfonodos axilares, retropeitorais e epitrocleanos, o examinador deve se colocar à frente do paciente. Com o paciente sentado ou em pé, o examinador segura gentilmente o membro superior do lado homólogo a ser examinado, ligeiramente fletido, com a mão heteróloga. A fossa axilar será examinada com a mão heteróloga, em posição de garra. Deve-se executar deslizamento suave com a pele contra o gradil costal da região axilar e infra-axilar, na região anterior, medial e posterior da fossa axilar; A palpação dos linfonodos retropeitorais é realizada com o examinador em frente ao paciente, e, com a mão em pinça, procede-se a compressão e o deslizamento em toda a face posterior acessível do músculo grande peitoral; A palpação dos linfonodos epitrocleanos se faz em continuação à palpação dos linfonodos axilares e retropeitorais. Manter o membro superior do paciente em flexão, segurando o antebraço com a mão heteróloga do examinador. Com a mão contrária, em posição de “pinça”, procede-se a compressão e o deslizamento da goteira epitrocleana. Geralmente, apenas um linfonodo é palpável. 6 A palpação dos linfonodos inguinais ou crurais é feita com os dedos do examinador em extensão, deslizando suavemente, em movimentos circulares ou lineares, sobre as regiões consideradas. O paciente deve estar deitado, com a região a ser examinada despida; A palpação dos linfonodos poplíteos é realizada com o paciente em decúbito ventral, com a perna semifletida. O examinador mantém os dedos estendidos ou em garra. Esses linfonodos raramente são palpáveis. 7 Sistematização da investigação semiológica: Localização: útil saber-se não apenas a localização com referência aos três grupamentos principais, mas na própria cadeia ganglionar quais linfonodos estão compro- metidos, pois o reconhecimento do linfonodo alterado permite ao médico deduzir as áreas ou órgãos afetados; Tamanho ou volume: descreve-se esta característica estimando o seu diâmetro em centímetros. Normalmente, os linfonodos variam de 0,5 a 2,5 cm de diâmetro. Linfonodos palpáveis podem ser normais em adultos. São individualizados, móveis e indolores; Coalescência: é a junção de dois ou mais linfonodos, formando uma massa de limites imprecisos. A coalescência é determinada por processo capsular dos linfonodos acometidos, que os une firmemente por fibrose inflamatória ou neoplásica, demonstrando certa duração na evolução do processo; Consistência: o linfonodo pode estar endurecido ou amolecido, com flutuação ou não. A primeira é própria dos processos neoplásicos ou inflamatórios com fibrose. Quando mole e/ou com flutuação, indica, em geral, processo inflamatório e/ou infeccioso com formação purulenta; Mobilidade: com palpação deslizante ou, se possível, fixando-o entre o polegar e o indicador, procura-se deslocar o linfonodo, o qual pode ser móvel ou estar aderido aos planos profundos. Esses caracteres indicam comprometimento capsular com as estruturas adjacentes; Sensibilidade:o linfonodo pode estar doloroso ou não. Geralmente, as adenopatias infecciosas bacterianas agudas são dolorosas, podendo se acompanhar de outras características inflamatórias. São pouco dolorosos nos processos infecciosos crônicos e em geral indolores nas infecções virais e nos processos parasitários. Os linfonodos metastáticos, além de consistência pétrea, são indolores. Os linfonodos leucêmicos ou linfomatosos são indolores ou levemente doloridos; Alteração da pele: observar a existência de sinais flogís- ticos (edema, calor, rubor e dor), a presença de fistuli- zação, descrevendo-se o tipo de secreção que flui pela fístula. 8 REFERÊNCIA PORTO, C.C. Semiologia Médica. 7ª ed. Rio de janeiro. Guanabara, 2014;