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Linfologia Básica Anatomia e Fisiologia do Sistema Linfático Elmo A. M. Pessoa 2 Histórico O Sistema Linfático é um sistema que faz parte da imunidade humoral do organismo, agindo como um sistema acessório da circulação sangüínea venosa, tendo como função principal a captação de proteínas que não foram absorvidas pelas vênulas. Na Grécia antiga encontramos a primeira citação do anatomista Herófilo (300 AC) sobre o sistema linfático. Erasistrato, na mesma época, descreveu as “Artérias de Leite”. Em 1627, Aselius de Milão, professor de anatomia em Pávia, estuda e publica suas considerações sobre os vasos linfáticos intestinais do cão. Em 1647, Jean Pecquet, estudante de medicina em Mont Pellier, descreveu a Cisterna do Quilo ou “Receptaculum Chylii” e a descrição do ducto torácico, publicando a sua descoberta em 1651 em Paris. Em 1936, em Paris, surgiu o primeiro relato escrito da técnica de manipulação dos linfonodos denominada drenagem linfática pelo então fisioterapeuta Dr. Vodder. Os movimentos suaves e rotativos, técnica que persiste até hoje, continua sendo feita por várias esteticistas e profissionais de saúde. A técnica de Drenagem Linfática Manual denominada PTPM - pressão tissular profunda manual - foi apresentada no ano de 1997 no Congresso Ibero-Americano de Estética, realizado no Centro de Convenções de Brasília, desenvolvida a partir da pressão hidrostática tissular total visando aumentar o fluxo das correntes linfática e venosa e desobstruindo os principais linfocentros do corpo. 3 1. SISTEMA CIRCULATÓRIO – O CORAÇÃO O Sistema Circulatório pode ser separado em duas divisões: Sistema Cardiovascular Sistema Linfático. O Sistema Cardiovascular inclui o coração, que funciona como uma bomba propulsora para o sangue, e os vasos sangüíneos, que transportam o sangue através do corpo. O Sistema Linfático consiste de órgãos que participam da resposta imune como (tonsilas, baço, timo e linfonodos) e vasos, que coletam o líquido intersticial do corpo e o transportam para o sistema cardiovascular. O Sistema Cardiovascular é um sistema fechado contido no coração e numa vasta rede de vasos arteriais e vasos venosos. O coração é a bomba que gera força necessária para impelir o sangue através do sistema de vasos, para funcionar como uma bomba. O coração 4 contém quatro câmaras: átrio direito, átrio esquerdo, ventrículo direito e ventrículo esquerdo. O átrio direito recebe o fluxo sangüíneo venoso que vem da região sistêmica das veias cava superior e inferior, o ventrículo direito recebe o sangue do átrio direito e impulsiona o sangue através do tronco pulmonar que por sua vez chega aos pulmões pelas artérias pulmonares, nos pulmões o sangue venoso recebe o oxigênio e retorna ao coração. Esse retorno ocorre pelas veias pulmonares que desemboca no átrio esquerdo. Do átrio esquerdo o sangue passa para o ventrículo esquerdo que por sua vez realiza uma contração (sístole) impulsionando o sangue pelo arco aórtico que conduz o sangue para as regiões sistêmicas pelas artérias formando, portanto, uma circulação fechada. O sangue banha todos os órgãos e tecidos do corpo realizando várias funções durante seu transporte. As principais funções do sangue são: O sangue transporta oxigênio dos pulmões para as células do corpo e dióxido de carbono das células para os pulmões; Transporte de materiais nutritivos dos órgãos digestivos para as células; Transporte de excretas das células do corpo para os rins; Transporte de produtos celulares como hormônios para as células; Manutenção da homeostase pela regulação do pH nos tecidos. Isto é feito por meio de tampões transportados pelo sangue; Auxilia na temperatura do corpo providenciando meios para a dissipação do calor; Proteção dos tecidos contra substâncias tóxicas de células estranhas e contra organismos por meio de células fagocíticas e anticorpos no sangue; Prevenção da perda excessiva de líquido do corpo através do 5 mecanismo de coagulação; Auxiliar na regulação do volume de fluido nos tecidos e seu conteúdo. As principais funções do sistema circulatório são realizadas por filtragem de líquido dos vasos artérias para o interstício denominado líquido intersticial ou extracelular. Após o líquido intersticial realizar suas funções já mencionadas ele será reabsorvido pelos vasos venosos e o sistema linfático. Órgãos Relacionados ao Sistema Linfático São três: o baço, as tonsilas e o timo, todos são compostos amplamente por tecido linfóide, uma forma especializada de tecido conjuntivo caracterizado por uma estrutura de tecido reticular e pela presença de linfócitos. Baço – é um corpo oval, mole vascularizado, de cerca de 12,5cm de comprimento por 7,5cm de largura, que pesa aproximadamente 200g, localizado na parte superior esquerda do abdome sob o diafragma e por trás das costelas inferiores e cartilagens costais. 6 O baço tem quatro funções principais: 1. Destruição do Sangue – os eritrócitos velhos ao atingirem sua duração normal, de aproximadamente 120 dias, são destruídos em todas as partes do sistema reticulo endotelial. O baço, contudo, é o maior local de destruição de eritrócitos; 2. Função Imunológica – o baço, juntamente com outros tecidos linfóides, participa na resposta imune; 3. Armazenamento de Sangue – o baço serve como um reservatório para o sangue ou, mais especificamente, para os eritrócitos. Enquanto o plasma volta a circulação, os eritrócitos são retidos na polpa esplênica. Durante o exercício muscular ocorre uma acentuada concentração de eritrócitos no baço, que, então, os libera para que ajudem no transporte de oxigênio que vai ativar os músculos. O baço sofre variações rítmicas no tamanho, em resposta às demandas fisiológicas, tais como exercício e hemorragia, e assim influencia o volume de sangue circulante. A natureza elástica do parênquima do baço permite a ele variar seu tamanho consideravelmente, expandindo-se pelo sangue e comprimindo-se pela contração elástica. O volume de sangue armazenado pode variar de 1.000 ml até a quantidade reduzida de 50 ml; e 4. Filtração do Sangue – o baço toma parte no mecanismo reticulo endotelial de defesa do corpo, filtrando os microorganismos do sangue. Um indivíduo pode sobreviver, aparentemente sem incapacidade, se o seu baço for removido, contudo, as doenças que lesarem o baço poderão afetar profundamente várias funções importantes do corpo. 7 Tonsilas – vários grupos de tonsilas, formando um anel de tecido linfóide, guardam a entrada dos tratos alimentar e respiratório contra a invasão por microorganismos. Os componentes desse anel são as tonsilas palatinas, as tonsilas faríngeas (adenóides) e as tonsilas linguais. O tecido linfóide das tonsilas está disposto em nódulos que podem ter centros germinativos. As tonsilas palatinas, conhecidas mais comumente como “amígdalas”, são duas massas ovais de tecido linfóide situadas na parede lateral da orofaringe entre o arco palatoglosso (prega de cobertura mucosa do músculo palatoglosso, que se estende do palato mole à língua) e o arco palatofaríngeo (prega de cobertura mucosa do músculo palatofaríngeo, que se estende do palato mole à faringe). As tonsilas são maiores nas crianças que nos adultos. A tonsila faríngea ou adenóide é uma massa de tecido linfóide localizada na faringe nasal, que se estende da raiz dessa faringe à extremidade livre do palato mole. A tonsila lingual é um acúmulo do tecido linfóide encontrado no dorso da porção posterior da língua, próximo às papilas valadas. 8 A infecção crônica das tonsilas não é tão comum quanto se suspeitava. Termo “amigdalite crônica” é freqüentemente malempregado para indicar qualquer tipo de irritação da garganta, ocorrendo quando as tonsilas ainda estão presentes. Com a tonsilite, o aumento e a sensibilidade dos linfonodos seviciais anteriores são comuns. As tonsilas podem estar aumentadas e vermelhas ou cobertas com pus. Se ambas, as tonsilas palatinas e faríngeas, estiverem infectadas, os linfonodos do trígono posterior do pescoço estarão aumentados. Muito menos tonsilectomias são hoje realizadas do que há quarenta anos. Isto porque recentes conhecimentos indicam que a remoção das tonsilas não baixa significativamente a incidência da infecção respiratória superior, a não ser que elas próprias estejam infectadas. Elas podem ser importantes, também, no desenvolvimento da imunidade; contudo, uma infecção recorrente verdadeira das tonsilas é ainda uma indicação para sua remoção cirúrgica. Timo – é um órgão linfático que está localizado na porção ântero- superior da cavidade torácica. Limita-se, superiormente pela traquéia, a veia jugular interna e a artéria carótida comum, lateralmente pelos pulmões e inferior e posteriormente pelo coração. 9 Externamente, o timo é envolto por uma cápsula de tecido conjuntivo, de onde partem septos que dividem o órgão em numerosos lóbulos. Cada lóbulo apresenta uma capa, o córtex, que é mais escura e uma polpa interior, a medula, que é mais clara. A Zona Cortical, mais periférica, é onde se encontram pró-timócitos, timócitos e Linfócitos T em diferenciação e maturação; nesta área os capilares são mais fechados para impedir a saída de Linfócitos T não maduros para o organismo. A Zona Medular, mais interna, é onde se encontram pro-linfócitos T e Linfócitos T maduros, prontos para se dirigir a órgãos linfóides secundários onde completarão sua ativação. Em termos fisiológicos, o timo elabora várias substâncias: timosina alfa, timopoetina, timulina e o fator tímico circulante. A timosina mantém e promove a maturação de linfócitos e órgãos linfóides como o baço e linfonodos. Existe ainda uma outra substância, a timulina, que exerce função na placa mio neural (junção de nervos com músculos) e, portanto, nos estímulos neurais e periféricos, sendo considerada grande responsável por uma doença muscular chamada miastenia grave. 2. SISTEMA LINFÁTICO O Sistema Linfático funciona como um sistema acessório da circulação venosa auxiliando a absorção do líquido dos espaços teciduais para a circulação venosa devido a grande permeabilidade dos capilares linfáticos facilita a absorção de grandes partículas de moléculas de proteína passam para o interior do capilar junto com o líquido dos tecidos. 10 O Sistema Linfático é composto de capilares linfáticos, vasos linfáticos valvulados, linfonodos, ductos torácico e linfático. Capilares Linfáticos Os capilares linfáticos são os menores vasos receptores do sistema linfático. São tubos de paredes finas, que mais se parecem com um dedo de uma luva, compostos de uma camada única de células endoteliais superpostas umas as outras em forma de escama, unidas por fibras de ancoragem ao tecido conjuntivo circunjacente. As bordas internas superpostas das células parecem agir como válvulas formando aberturas para os capilares através das qual o líquido intersticial absorvido exerce uma pressão intracapilar fazendo com que as células se fechem evitando o refluxo. Os capilares linfáticos apresentam início cego e formam um grande plexo entre os capilares sangüíneos, estes plexos se encontram em grande quantidade na mucosa, na submucosa, na derme, na serosa, na sob serosa, nas glândulas, no periósteo e no músculo. Os capilares têm duas funções específicas (1) absorver a sobra de líquido que não foi absorvido pelas vênulas e auxiliar no equilíbrio metabólico das células. 11 Vasos Linfáticos Os vasos linfáticos aferentes para os quais drenam os capilares possuem paredes de três camadas semelhantes às paredes das veias, a túnica íntima, túnica média e túnica externa. Túnica íntima e a camada interna da parede. Túnica média é constituída de células musculares lisas. Túnica externa tem uma composição mais fibrosa. No interior dos vasos linfáticos contém válvulas bicúspides ou semilunares mais numerosas do que nas veias. A função dessas válvulas é evitar o refluxo da linfa fazendo com que ela siga em uma única direção, assegurando seu fluxo evitando o refluxo. Devido ao grande número de válvulas nos vasos linfáticos dão a ele uma característica de um rosário. Os vasos linfáticos são aferentes e eferentes, os vasos aferentes assim denominados conduzem a linfa para a região do córtex do linfonodos. Os vasos eferentes assim denominados deixam os linfonodos através do seu hilo por onde entram os capilares sangüíneos transportando a linfa já processada geralmente para outros linfonodos. Os vasos linfáticos também são superficiais e profundos. Os vasos superficiais são muito numerosos acompanham as veias e realizam a drenagem para linfonodos superficiais. 12 Os vasos profundos são mais escassos acompanham os vasos sangüíneos profundos e realizam a drenagem geralmente para linfonodos profundos. A união dos vasos linfáticos eferentes forma os 11 troncos principais do corpo drenando suas respectivas regiões T.L.D.E. - Os troncos lombares são formados pelos vasos linfáticos que drenam as seguintes regiões: membros inferiores, sistema urinário e genital, estruturas anatômicas irrigadas pela artéria mesentérica inferior e parede abdominal infra-umbilical. T.I. - O tronco intestinal e formado pelos vasos linfáticos eferentes dos linfonodos celíacos e mesentérios superiores. T.B.D.E. - Os troncos broncomediastinais são formados pelos vasos linfáticos que drenam as paredes ântero-superiores do tórax e abdômen (plano fundo), porção anterior do diafragma e a face visceral do lobo direito do fígado. T.S.D.E. - Os troncos subclávios são formados pelos vasos linfáticos que drenam os membros superiores, parede abdominal supra-umbilical e parede anterior do tórax. 13 T.J.D.E. - Os troncos jugulares são formados pelos vasos linfáticos que drenam a cabeça, a face, o pescoço e parte posterior da região cervical. T.D.I.D.E-Os troncos descendentes intercostais são formados pelos vasos que drenam a região profunda da parede posterior do tórax (cinco últimos espaços intercostais). Os ductos linfáticos são em numero de dois e recebem as seguintes denominações: ducto linfático direito e ducto torácico. D.L.D. - O ducto linfático direito e formado pelos troncos jugular direito, subclávio direito e broncomediastinal direito e, mas comumente, este ducto desemboca na junção jugulo-subclavio direito. D.T. - Ducto torácico C.Q.ou C.P. -, Cisterna do quilo, ou cisterna de Pecquet. V.J.D.E. - Veia jugular direita e esquerda. V.S.C.D.E. - Veia subclávia direita e esquerda. V. C. S. - Veia cava superior. Linfagion Denomina-se linfagion os espaços entre uma válvula e outra. A função dos linfagions é assegurar a circulação da linfa quando em repouso ou não quando um linfagion se enche de linfa sofre uma contração gerada pelo sistema nervoso simpático, essa contração que geralmente ocorre de 6 a 12 vezes por minuto impulsiona a linfa de um espaço a outro parecendo pode se dizer o coração linfático no corpo existe várias outras pressões que fazem com que a linfa circule no corpo. (veja em circulação da linfa). 14 Linfonodos ou Gânglios Linfáticos Linfonodos são pequenos corpos ovais ou reniformes que se localizam, apicalmente nas correntes linfáticas consistem de tecido linfático coberto por uma cápsula de tecido conjuntivo fibroso, em um dos lados deste existe uma depressão chamadahilo por onde os vasos sangüíneos entram e saem. A outra região, ou córtex do linfonodo, é caracterizado pela presença de linfócitos (células que detectam e destroem bactérias nocivas ao organismo), densamente organizados. Estes formam colônias que durante períodos ativos têm áreas centrais distintas que é o centro germinativo e contém células de divisão rápida. Na medula do linfonodo a região mais interna é a área em torno do hilo, os linfócitos encontram-se arrumados mais esparsamente. Os linfonodos são em sua maioria do tamanho de um grão de arroz ou de um caroço de azeitona. Seu comprimento é de um a 25 mm, porém seu tamanho poderá aumentar consideravelmente em certas infecções. No corpo existem aproximadamente de 600 a 700 linfonodos distribuídos em todo sistema linfático, porém as três maiores regiões são: cervicais, axilares e inguinais. 15 A linfa passa através de vários grupos de linfonodos antes de passar para circulação sangüínea. A linfa é conduzida aos linfonodos por vários vasos aferentes de diferentes locais. Passa através de um sistema de canais denominados seios, primeiro pelos seios corticais e depois pelos seios medulares. Os seios revestidos com macrófagos agem como leitos filtrantes para a remoção de partículas estranhas e dejetos do metabolismo celular antes que eles entrem na corrente sangüínea após o processo de filtragem (limpeza da linfa) ela continua seu percurso passando desta vez pelos vasos eferentes rumo a outros linfonodos ou a circulação Portanto, os linfonodos são barreiras, são os postos avançados do sistema imunológico eles representam as fortalezas erguidas por quase todo corpo pelo organismo para defender-se dos ataques das infecções retardando ou mesmo na maioria dos casos eliminando agentes nocivos ao organismo. Cisterna do Quilo A Cisterna do Quilo, também denominada Cisterna de Piquet, é um saco alongado de tamanho variável, que se origina na região anterior da coluna vertebral entre as vértebras T12 e L2. A formação da cisterna do quilo dá-se com a união dos troncos lombares esquerdo e direito, tronco intestinal e os troncos descendentes intercostais os quais conduzem a linfa absorvida de suas respectivas regiões para a cisterna do quilo que por sua vez, conduz a linfa para o ducto torácico. Ductos Linfáticos O sistema linfático é composto de 2 ductos: o ducto torácico e o ducto linfático. O ducto torácico se origina da cisterna do quilo, seu comprimento é variável medindo, aproximadamente, de 37 a 45 cm e o ducto comum de todos os vasos linfáticos em sua estrutura possui uma camada muscular lisa, uma de colágeno e um endotélio envolvido por uma membrana adventícia, 16 possuidor de válvula bicúspide próximo a sua origem e no término próximo a sua desembocadura na circulação. O ducto torácico encontra-se localizado entre a aorta torácica e a veia áziga ao nível do arco aórtico cruza obliquamente para a esquerda e continua superiormente encontrando-se ao lado esquerdo do esôfago, dobra-se lateralmente na porção posterior da carotídea esquerda na base do pescoço anastomosa-se na junção da veia subclávia esquerda com a veia jugular interna esquerda. A função principal do ducto torácico é conduzir a linfa da cisterna do quilo para a circulação sangüínea. O ducto linfático direito tem a medida aproximada de 4 cm de comprimento, localizado sobre o músculo escaleno anterior. É formado pela união dos troncos, jugular direito, tronco subclávio e tronco broncomediastinal direito, a união destes três troncos ocorre próxima à desembocadura no angulo venoso. A função do ducto linfático é conduzir a linfa absorvida pelos três troncos de suas respectivas regiões para a circulação sangüínea na junção das veias jugular interna direita e a veia subclávia direita 17 3. CABEÇA E PESCOÇO Colar peri-cervical O colar peri-cervical é formado por vários grupos de linfonodos, onde a maior parte é profunda. Localizados entre a cabeça e o pescoço, esses grupos de linfonodos absorvem a linfa proveniente da cabeça e da face. Esses grupos são subdivididos em quatro correntes que realizam a drenagem linfática da cabeça e da face, são elas: anterior, parotídea, occipital, retro auricular ou mantódea. A corrente anterior ou dos vasos faciais se subdivide em três grupos de linfonodos: infra-orbital ou maxilar, localizado no nariz, bochechas e arcos zigomáticos, bucal superficialmente ao músculo bucinador e mandibular ao nível da face externa da mandíbula anteriormente ao músculo masseter. A corrente anterior recebe os vasos aferentes das áreas frontal e facial anterior que drenam para os nodos submandibulares com exceção do grupo submentoniano que pode ser profundo ou superficial e do lábio inferior que drenam para os linfonodos submentais. A corrente parotídea recebe a linfa da região temporal e frontal do couro cabeludo da face as pálpebras, a raiz do nariz, ouvido esterno, drenando para os linfonodos parotídeos superficiais ou pré-auriculares que também drenam para os linfonodos parotídeos profundos continuando seu percurso para os linfonodos cervicais profundos. A corrente retro-auricular recebe a linfa do pavilhão auricular, da região parietal do couro cabeludo, drenando para dois linfonodos retro-auriculares ou mastóideos situados na porção proximal do músculo esternocleidomastóideo e em sua inserção. A corrente occipital recebe a linfa de toda região occipital que desemboca no grupo de linfonodos de um a três localizados sobre o ângulo póstero-superior do músculo esternocleidomastóideo e sobre o tecido 18 fibrotendinoso que investe a linha occipital superior entre as inserções do músculo trapézio e do músculo semi-espinhal da cabeça. PESCOÇO Os nodos linfáticos cervicais superficiais encontram-se ao longo da veia jugular externa superficialmente ao músculo esternocleidomastóideo e no trajeto da veia jugular anterior onde seus vasos eferentes se ligam com os linfonodos cervicais profundos. Os linfonodos cervicais profundos encontram-se no percurso da veia jugular interna profundamente ao músculo esternocleidomastóideo e uma pequena quantidade desses gânglios seguem posteriormente o trajeto do nervo acessório e inferiormente segundo os vasos subclávios. O linfonodo localizado inferiormente ao ventre posterior do músculo digástrico em número de um, é chamado de júgulo-digástrico e absorve a linfa proveniente do terço posterior da língua e da tonsila palatina. O gânglio linfático júgulo-omo-hióideo localiza-se sobre a veia jugular interna e superiormente ao tendão intermédio do músculo omo-hióideo, realizando a drenagem linfática da língua dos gânglios submandibulares, 19 submentais e cervicais profundos da porção superior. Os linfonodos cervicais profundos encontram-se superiormente à veia jugular interna. O linfonodo júgulo-digástrico localiza-se na convergência dos vasos eferentes dos linfonodos retro-mandibulares, submandibulares parotídeos, submentais e occipitais. Alguns linfonodos profundos chamados supra claviculares encontram-se no trígono cervical occipital seguindo o trajeto da artéria transversa do pescoço. Os linfonodos pré-laringeos e pré-traqueais, os dois recebem os vasos linfáticos da laringe, paratraqueais e retro-faringeos. Os vasos linfáticos da região superior da faringe irão unir-se com os linfonodos retro-faríngeos. Os vasos da região inferior irão unir-se aos linfonodos cervicais profundos. A glândula tireóide apresenta duas drenagens linfáticas através dos gânglios cervicais profundos superiores e dos gânglios pré-traqueais e paratraqueais. 20 A união dos vasos linfáticos que se originam dos linfonodos cervicais profundosformam o tronco jugular direito e esquerdo que recebe a linfa da cabeça e do pescoço e vão se unir ao ducto linfático direito e ao ducto torácico esquerdo próximo a sua desembocadura na junção das veias jugular e subclávia esquerda 4. CAVIDADE ABDOMINAL Os gânglios linfáticos da cavidade abdominal são retro-peritoneais e são divididos em: aórtico-celíacos superior e aórtico-lombares inferior, tendo como parâmetro os vasos renais esquerdos, os aórtico-celíacos superior formam o tronco intestinal e os aórtico-lombares inferior formam os troncos lombares direito e esquerdo. Os gânglios linfáticos aórtico-celíacos se subdividem em grupos aórtico- celíacos direito, aórtico-celíaco esquerdo e aórtico-celíacos anterior. O aórtico- celíacos direito encontra-se entre a face lateral direita da aorta e o pilar direito do diafragma; o aórtico-celíacos esquerdo encontra-se na face lateral esquerda da aorta e o pilar esquerdo do diafragma. O grupo aórtico-celíacos anterior encontra-se próximo à origem da artéria mesentérica superior. Os gânglios linfáticos aórtico-celíacos realizam a drenagem linfática do baço, pâncreas, fígado, vesícula biliar, esôfago abdominal, estômago, intestino delgado, ceco, cólon ascendente, 2/3 proximais do cólon transverso, recebe também alguns vasos linfáticos da flexura cólica esquerda e 1/3 da região distal do cólon transverso. O grupo de gânglios linfáticos aórtico-lombares é dividido em pré- aórtica, aórtica esquerda e aórtica direita. 21 Os linfonodos pré-aórticos localizam-se anteriormente à artéria aorta abdominal e seus nódulos estão em torno da origem da artéria mesentérica inferior e na borda inferior dos vasos renais esquerdos. Este grupo recebe vasos linfáticos aferentes da flexura cólica esquerda, 1/3 da porção distal do cólon transverso, descendente, sigmóide e do reto uma maior parte. Observamos, portanto que 1/3 da porção do cólon transverso e a flexura cólica esquerda realizam uma drenagem dupla O grupo da aórtica esquerda ou látero-aórtica esquerda encontram-se entre a face lateral da aorta e o músculo psoas maior. Este grupo recebe a drenagem linfática do rim da supra-renal da ilíaca comum esquerda, do testículo, do ovário, da tuba uterina, da porção superior esquerda do útero e da região profunda da parede abdominal. O grupo da aórtica direita divide-se em pré-cava, interaórtico-cava, látero-cava e retro cava. O grupo pré-cava localiza-se na origem da veia cava inferior até a borda inferior dos vasos renais direitos. O grupo interaórtico-cava encontra-se entre a veia cava inferior e a artéria aorta desde a origem da veia cava inferior até a borda inferior dos 22 vasos renais esquerdos. O grupo látero-cava localiza-se na face lateral direita da veia cava inferior. O grupo retro cava localiza-se na face posterior da veia cava inferior e na borda lateral do músculo psoas maior. Esses quatro grupos realizam a drenagem linfática da glândula supra-renal, rim, testículos, ovário, tuba uterina, da região superior e lateral do útero, da região profunda da parede abdominal e do grupo da ilíaca comum direita. Os gânglios linfáticos aórtico-lombares anastomosam-se na linha mediana com os principais vasos linfáticos eferentes superiores para formar os troncos lombares esquerdo e direito que se unem com o tronco intestinal, os troncos descendente intercostal direito e esquerdo para formar a Cisterna do Quilo. 5. ANATOMIA DO SISTEMA LINFÁTICO MEMBROS SUPERIORES Nos membros superiores existem 10 correntes linfáticas superficiais e 06 correntes profundas e a Drenagem Linfática é realizada anatomicamente da seguinte forma: Correntes superficiais – a drenagem linfática das correntes superficiais efetua-se através dos vasos e linfonodos superficiais dividindo-se em seis (06) correntes linfáticas na região proximal do membro superior (braço) e quatro na região medial e distal (antebraço e mão). As correntes linfáticas superficiais da região proximal subdividem-se em 03 na região anterior e 03 na região posterior. As correntes anteriores são chamadas de corrente basílica, corrente cefálica e corrente pré-bicipital. As posteriores são chamadas de corrente póstero-medial, corrente 23 posterior e corrente póstero-lateral. Na região medial e distal (antebraço e mão) as quatro correntes subdividem-se em duas anteriores e duas posteriores. As duas anteriores são chamadas de corrente radial anterior e corrente ulnar anterior; as outras duas correntes posteriores são chamadas de corrente posterior e corrente ulnar posterior. 6. DRENAGEM LINFÁTICA PROFUNDA A Drenagem Linfática Profunda consiste em 06 correntes: duas na região proximal do membro superior (braço) e quatro correntes na região medial e distal (antebraço e mão). As duas correntes da região proximal são chamadas de corrente braquial e corrente braquial profunda; as quatro correntes da região medial e distal (antebraço e mão) são chamadas de corrente ulnar profunda, corrente radial profunda, corrente inter-óssea anterior e corrente inter-óssea posterior. Segundo alguns autores existem nos membros superiores correntes linfáticas que não se ligam aos linfonodos axilares denominadas correntes derivativas são as correntes cefálica e corrente posterior. Outra corrente derivativa consiste do grupo linfonodal infraclavicular, disposto sobre a veia cefálica, possivelmente ser responsável pela drenagem linfática do ombro ou fazer anastomose com os gânglios linfáticos cervicais profundos inferiores. Linfonodos dos Membros Superiores Os membros superiores consistem de linfonodos profundos e superficiais tanto no braço como no antebraço. Os linfonodos profundos localizam-se na região proximal do membro superior (braço) pelo fato de se localizarem em contato com os vasos braquiais, portanto, levam o nome de linfonodos 24 braquiais e linfonodos braquiais profundos. Na região medial (antebraço) temos anteriormente o linfonodo radial, o linfonodo ulnar e os linfonodos inter-ósseo anterior e inter-ósseo posterior. Os linfonodos superficiais dos membros superiores são encontrados no braço em número de 01 a 02 linfonodos ao longo da veia basílica; são chamados trocleares e no sulco delto peitoral ao longo da veia cefálica temos um ou dois linfonodos chamados delto peitorais. Na região axilar os linfonodos se agrupam em torno de 20 a 30 linfonodos formando centros linfonodais. Esses linfonodos recebem a drenagem linfática das seguintes regiões: do membro superior, da maior parte da mama, do hemitórax ipsilateral, da porção supra-umbilical do abdome e da região do dorso. Os linfonodos são classificados em cinco grupos cada grupo recebe a drenagem de uma região diferente: A – grupo de linfonodos anterior ou torácico lateral ou peitoral - localiza- 25 se na borda lateral ou inferior do músculo peitoral maior e das veias torácicas laterais. Contem de três a cinco linfonodos e recebe a drenagem linfática da região abdominal supra-umbilical e da maior parte da mama. B – grupo posterior ou subescapular - contem seis a sete linfonodos localiza-se anteriormente ao músculo e veia subescapulares ao nível da borda lateral da escápula e recebe a drenagem linfática dos músculos da nuca, da parte posterior do ombro e do dorso. C - grupo lateral ou dos vasos axilares - contem de quatro a seis linfonodos localizados posteriormente à veia axilar e mostra-se responsável pela drenagem do membro superior com exceção das vias derivativas. D - grupo intermédio ou central - situado medialmente ao grupo lateral e realiza conexões com os grupos anteriores, posterior e lateral formando uma grande região linfonodal axilar. E - grupo medialou apical - contem de seis a doze linfonodos encontra- se localizado ao longo das veias axilares medialmente ao músculo peitoral menor e posteriormente à fáscia clavipeitoral, recebe os vasos linfáticos de todos os outros grupos e eventualmente da mama. Os vasos eferentes dos linfonodos apicais unem-se para formar os troncos subclávios que desembocam no ducto linfático direito, à esquerda no ducto torácico o maior ducto do corpo ou eventualmente em linfonodos inferiores profundos. De maneira genérica os grupos lateral e central apresentam de dez a quatorze linfonodos cada um enquanto que os outros grupos constituem-se de um a sete linfonodos linfáticos cada. Membros Inferiores A Drenagem Linfática dos membros inferiores consiste em uma superficial e outra profunda. A Drenagem Linfática superficial dos membros 26 inferiores apresenta anatomicamente 6 (seis) correntes linfáticas: 4 (quatro) na região proximal (coxa) e as outras duas correntes na região medial e distal (perna e pé). As 4 correntes proximais (coxa) são divididas em duas anteriores e duas posteriores. As correntes anteriores são chamadas de corrente da veia safena magna ou ântero-medial da coxa e corrente da safena acessória anterior ou ântero-lateral da coxa. As correntes posteriores são chamadas de corrente póstero-medial e corrente póstero-lateral da coxa. As duas correntes da porção medial e distal (perna e pé) são chamadas de corrente da safena magna da perna e corrente da safena parva da perna. Esta última apresentando uma ou duas vias linfáticas. A corrente da safena magna da perna ou ântero-medial da perna se origina na coxa recebendo de três a sete afluentes linfáticos inclusive da corrente póstero lateral da perna na região do côndilo-medial do fêmur onde se continua como a corrente ântero-medial da coxa. Portanto, concluímos que não há uma continuação da perna para a região da coxa como acontece com as outras correntes linfáticas da coxa. A Drenagem Linfática profunda se origina ao longo dos vasos sangüíneos em torno de dois a três vasos linfáticos para cada artéria e apresentam duas vertentes proximais na coxa e três mediais e distais (perna e pé). A anterior é chamada de corrente ântero-medial ou da tibial anterior e as posteriores são chamadas de correntes póstero-medial ou tibial posterior e corrente póstero-lateral ou da fíbula localizadas no pé e na perna. Linfonodos Superficiais e Profundos dos Membros Inferiores Nos membros inferiores temos tanto linfonodos superficiais quanto profundos, porém os linfonodos superficiais existem. em maior número em 27 relação aos linfonodos profundos sendo composto por três a quatorze ou mesmo até 20 linfonodos. Localizados ao nível do tecido subcutâneo e paralelamente a 1 cm distais ao ligamento inguinal e ao longo da porção proximal da veia safena magna relacionando-se com as regiões inguinais e poplíteas e seus respectivos vasos. Deste modo, temos os linfonodos intersafênico, da safena magna, da safena acessória lateral, da circunflexa superficial do ílio, da epigástrica superficial e da pudenda externa. A Drenagem Linfática superficial dirige-se preferencialmente para os linfonodos intersafênico e das safenas magna e acessória lateral ou linfonodos inferiores. Já os linfonodos superiores consistem das cadeias circunflexas superficial do ílio, epigástrica superficial e pudenda externa que recebem a drenagem linfática dos glúteos, da região infra-umbilical da parede abdominal do ânus e da região anterior e lateral da genitália externa. Na região poplítea encontramos os linfonodos poplíteos superficiais que são únicos e recebe a linfa que vem da corrente linfática da safena parva ou póstero-anteral da perna. Os linfonodos profundos em número de um a três encontram-se na perna na calva poplíteos profundamente à desembocadura da veia safena parva e na região inguinal na porção medial da veia femural. A região inguinal dotada de poucos linfonodos profundos recebe a drenagem linfática que vem dos vasos linfáticos próximos às veias femural e poplítea. Na perna temos os linfonodos profundos encontrados geralmente na origem das artérias assim temos os linfonodos tibial anterior, tibial posterior e fibular que recebem a drenagem linfática profunda do pé e da perna. 28 Os linfonodos profundos da região poplítea são em número de sete a dez unidades. Estão localizados profundamente a fáscia poplítea e recebe a linfa profunda proveniente da perna do pé e da coxa. São chamados de linfonodos retropopliteos encontram-se localizados posteriormente à veia poplítea e são geralmente em número de três, um abaixo da desembocadura veia safena parva (infra-safenico) outro imediatamente acima da desembocadura da veia safena parva (supra-safenico) e outro mais superiormente ao anterior na parede posterior da veia poplítea. Os outros seis linfonodos da região poplítea estão relacionados com os vasos arteriais poplíteos sendo três laterais e três mediais acompanham as artérias geniculares e são chamados de linfonodos poplíteos mediais e linfonodos poplíteos laterais. O linfonodo restante em número de um localiza- se anteriormente à artéria poplítea chamado de linfonodo poplíteo anterior ou pré-arterial. Os linfonodos da região poplítea recebem toda linfa proveniente dos vasos profundos da perna do pé e da coxa e podem também receber dos vasos linfáticos superficiais através de ramos perfurantes. Todos os vasos linfáticos eferentes poplíteos acompanham os vasos femorais e terminam nos linfonodos inguinais profundos. Vias de comunicação entre os vasos linfáticos superficiais e vasos linfáticos profundos dos membros inferiores acontece através de vasos linfáticos perfurantes além da existência de vasos linfáticos que se relacionam entre os nodos inguinais superficiais para a drenagem linfática da vulva. Cerca de 24 vasos linfáticos eferentes deixam os linfonodos inguinais superficiais e profundos. Os vasos linfáticos dos membros inferiores após passarem pelos linfonodos inguinais se ligam aos linfonodos ilíacos externos, ilíacos comuns e chegam aos linfonodos aórtico-lombares que formam os troncos lombares 29 direito e esquerdo que por sua vez se dirige para a cisterna do quilo ou cisterna de Piquet de onde se origina o ducto torácico. 7. ANATOMIA DA REGIÃO PÉLVICA Os linfonodos da região pélvica, devido a sua íntima relação com os vasos ilíacos, são chamados de cadeias ilíacas externa, interna e comum. Os nódulos linfáticos da região ilíaca externa são divididos em linfonodos ilíacos externos laterais, intermédios e mediais. Os nódulos linfáticos da região ilíaca externa lateral encontram-se posicionados na face lateral da artéria, entre esta e o músculo psoas maior. Os nódulos linfáticos da região ilíaca externa intermédia encontram-se situados no espaço entre a artéria e a veia, porém o linfonodo mais cranial se encontra próximo a artéria ilíaca comum e relaciona-se com o ureter. Os nódulos linfáticos da região externa medial encontram-se localizados na face medial da veia e próximos do nervo obturador, sendo que o linfonodo mais caudal se encontra próximo do ligamento inguinal com íntima relação com o linfonodo de Cloquet. Os linfonodos da região ilíaca externa é uma continuação dos linfonodos inguinais. Os nódulos linfáticos da região ilíaca interna ou hipogástrica encontram- se ao longo da artéria ilíaca interna e subdividem-se em nódulos linfáticos parietais e nódulos linfáticos viscerais. Os nódulos linfáticos parietais são chamados de glúteos superior e inferior, nódulos sacrais laterais e nódulos obturadores. Os nódulos linfáticos viscerais são chamados de nódulos vesicais lateral, anterior e posterior, nódulos retais e nódulos para-uterinos.30 Os nódulos linfáticos viscerais encontram-se localizados em íntima relação com os órgãos da pelve. Os linfonodos da região ilíaca comum encontram-se localizados ao longo da artéria podendo ser localizado também os linfonodos ilíacos comuns laterais, intermédio e medial; a relação sintópica é a mesma citada para as outras cadeias sendo que a medial mais cranial inclui os nódulos linfáticos sub-aórticos. A drenagem linfática da região superior do útero se realiza através do ligamento redondo para os linfonodos inguinais superficiais e lateralmente nas porções superiores do ligamento largo; se unem com os vasos linfáticos da tuba uterina e do ovário acompanhado superiormente com os vasos linfáticos, ovários e drenam para os linfonodos aórtico lombares. 31 A drenagem linfática da região inferior do corpo e do colo do útero onde com mais freqüência se origina o carcinoma se faz principalmente para os linfonodos da pelve, ilíacos internos e ilíacos externos ou ilíacos comuns. Por causa dessa extensa área de drenagem linfática do colo do útero o tratamento do carcinoma cervical geralmente exige a ressecção de todo o útero com extração radical dos gânglios linfáticos das paredes pélvicas e da região inguinal 8. DRENAGEM LINFÁTICA DA MAMA A mama é uma região rica em capilares e vasos linfáticos tanto epifacial como no parênquima glandular os capilares formam um plexo drenando toda região mamária. A mama contém três vias: axilar, mamária interna e infra-clavicular transpeitoral. Esta última vai diretamente à cadeia supra clavicular. De acordo com Rouvière a drenagem da mama ocorre através de duas correntes coletoras oriundas do plexo sub-areolar: o lateral e o medial. O lateral recebe a linfa da metade direita da mama e segue acompanhando 32 a borda do músculo pequeno peitoral; o medial recebe a linfa da parte mediana e inferior do plexo aureolar, descrevendo curvatura de concavidade superior contornando a aréola. Essas duas correntes drenam para região axilar descarregando no grupo linfonodal axilar ou central embora esta seja a via de maior drenagem da mama há duas outras que vão diretamente aos linfonodos do ápice da axila: corrente transpeitoral que recebe a linfa do plexo retro mamário, corrente retro peitoral existente, segundo Monard. Em 35% dos indivíduos e que compreende dois a três coletores de drenagem do quadrante súpero-medial da mama, nesta via os linfonodos são inconstantes. 9. FUNÇÕES FISIOLÓGICAS DO SISTEMA LINFÁTICO O Sistema Linfático realiza várias funções que são de grande importância para o organismo, como: 1. A produção de linfócitos nos centros germinativos dos linfonodos; 2. Absorção de gordura e outras substâncias lipo solúveis; 3. Absorção de proteínas e devolução das proteínas a circulação; 4. Fagocitose realizada pelas células retículo endoteliais que se encontram nos seios dos linfonodos; 5. Regulação do líquido intersticial com o líquido intravasal. Porém a função mais importante do Sistema Linfático é a devolução de proteína para a circulação sangüínea, quando filtrada dos capilares sangüíneos. 10. ESTRUTURA E FUNÇÃO DOS CANAIS TISSULARES O interstício tissular possui espaços de fluidos e moléculas que saem ou entram nas células. Estes espaços atuam como canais de circulação variando 33 tanto em número como em tamanho dependendo do tecido e do volume de fluido existente no mesmo. Em geral o fluido circula por esses canais denominados de sistema pré- linfáticos sendo logo absorvido por um capilar sangüíneo ou linfático. Nos músculos o fluido circula por esses canais, até encontrar os capilares linfáticos. Na periferia e no tecido muscular, no cérebro, onde não existe capilares linfáticos o fluido circula pelos canais tissulares da adventícia dos vasos sangüíneos até chegar aos linfáticos da carótida interna. Em certas situações como a insuficiência mecânica do Sistema Linfático, os canais tissulares formam um verdadeiro plexo linfático evitando edema em conjunto com outros fatores compensatórios fisiológicos. Formação e Transporte da Linfa Para entender esse processo devemos analisar as poderosas forças que atuam num território microscópio, o da micro circulação. A formação do fluido intersticial foi estudada por Starling, que descreveu as pressões que provocam a ultra filtração e a reabsorção, tendo a sua lei o seguinte enunciado: “a quantidade de líquido perdido no capilar arterial e não reabsorvido pelo capilar venoso volta a circulação por reabsorção do capilar linfático” (através da entrada e saída de proteínas do interstício). Pressões Hidrostáticas A pressão hidrostática sangüínea (pHs) que impulsiona o fluido através da membrana capilar em direção ao interstício é de aproximadamente 30mmHg no capilar arterial, e é de 15mmHg no capilar venoso. A pressão hidrostática intersticial é a que tende a movimentar um fluido de volta para os capilares. 34 Como em condições de normalidade do interstício ela se equilibra em ambos os extremos capilares, podemos considerá-la igual a zero. Pressões Osmóticas São originadas pela presença de moléculas protéicas no sangue e no fluido intersticial. A pressão osmótica sangüínea (Pos) tende a movimentar o fluido do interstício em direção ao capilar. É de aproximadamente 28mmHg em ambos os extremos capilares. A força oposta é a pressão osmótica intersticial (POi), que tende a “sugar” fluido dos capilares. É de aproximadamente 6mmHg em ambos os extremos capilares. Da relação das pressões acima, surge a pressão de filtração. Pressões tissulares Pressão Hidrostática Tissular é a pressão hidrostática exercida sobre o fluido livre nos canais tissulares. É negativa na maioria dos tecidos, com exceção de órgãos encapsulados. Pressão Tissular Total é a resultante da soma vetorial da pressão hidrostática tissular e a pressão do tecido sólido. Esta última é a exercida sobre o objeto pelas estruturas intersticiais que rodeiam. Às vezes é negativa, como quando o interstício abre as junções endoteliais, através dos filamentos de ancoragem. Outras vezes é positiva, quando os músculos adjacentes se contraem, comprimindo os linfáticos iniciais Formação da Linfa Existem várias teorias para explicar o ingresso das macromoléculas protéicas e fluido intersticial nos linfáticos iniciais. 35 A enunciada por Casley-Smith: o aumento intersticial e a conseqüente mudança nas pressões tissulares provocariam a abertura das junções endoteliais linfáticas. Primeiro se processa a entrada de proteínas que arrastam até inverter as pressões coloidosmóticas, logo as junções se fecham, permitindo a saída de água para o interstício. Por último ocorre a contratação do linfático pelo aumento das pressões intersticiais. Outra teoria compara os linfáticos às bombas de sucção que aspiram o fluido intersticial pelo gradiente de pressão hidrostática criado pela força de sucção do sistema linfático como um todo. Como vimos anteriormente, os linfáticos iniciais, possuem valvas rudimentares que impedem o refluxo; eles deságuam nos coletores onde entra em funcionamento a unidade motora do sistema, o linfagion; com a chegada do líquido, este se contrai e impulsiona a linfa em direção à próxima unidade. Em média a freqüência é de seis contrações por minuto. Pela canalização do ducto torácico, foi estabelecido um fluxo diário normal de aproximadamente 2 litros. A quantidade de linfa absorvida pelo sistema é bem maior, mas uma grande parte retorna à circulação sangüínea, através das anastomoses linfovenosas. Continuando a nossa viagem junto à linfa, pelos coletores é levada até as estações linfonodais, onde elementos dosistema retículo endotelial realizam a fagocitose de células, bactérias, vírus, etc. Estes macrófagos “apresentam” os invasores às células T, que desencadeiam as respostas imunocelulares, e as células B, colocarão em funcionamento, processos imunohumorais. Dos linfonodos, a linfa é conduzida por grandes coletores até o ducto torácico (à esquerda) ou para o ducto linfático direito que se anastomosam à circulação venosa na confluência jugulo - subclávia bilateralmente. 36 Composição da Linfa Esta é formada por fluido intersticial, produtos do catabolismo celular e intersticial, gases (CO2; O2), fibrinogênio, protrombinas, células, linfócitos, às vezes, hemácias microorganismos vivos, gordura (especialmente nos linfáticos intestinais) e proteínas em diferentes quantidades, dependendo da região do organismo. Carga Protéica Linfática É a quantidade de proteínas plasmáticas evacuadas na unidade de tempo através do sistema linfático. Em 24 horas, são reabsorvidos 100g de proteínas. 11. CIRCULAÇÃO DA LINFA O sangue circula através de todo nosso corpo impulsionado pelo batimento do coração que funciona como uma bomba. A circulação linfática é assegurada por pressões que os seus vasos recebem, são elas: - contração muscular – situada ao longo dos vasos linfáticos, as contrações dos músculos pressiona os vasos fazendo com que ele impulsione a linfa contida no seu interior. - respiração – os movimentos do pulmão e do diafragma exercem no ducto torácico pressões variáveis que impulsionam o trajeto da linfa. As artérias – os vasos linfáticos ficam ao lado dos vasos arteriais e venosos. As contrações das artérias provocadas pelo batimento cardíaco fazem pressões sobre os vasos linfáticos impulsionando a linfa. Já sabemos superficialmente sobre o sistema linfático e sobre o que é a linfa e como se forma. O método que vocês irão ver foi escrito em 1957 por um dinamarquês chamado Dr. Vodder. 37 Hoje, no nosso dia a dia, vamos encontrar algumas manipulações diferentes, porém, devemos ter muito cuidado porque na DLM os toques e as manipulações são específicas, direcionadas ao sistema hídrico do corpo, portanto elas deverão ser bastante suáveis. A drenagem linfática manual é uma técnica de massagem muito usada atualmente e que vem substituir, com vantagem, a massagem estética. 12. FISIOPATOLOGIA DO EDEMA LINFÁTICO Edema É a infiltração serosa dos tecidos caracterizada pela tumefação dos espaços intersticiais. Edema Linfático (FÖLDI) É a tumefação dos tecidos moles pelo acúmulo de fluido intersticial rico em proteínas, causado por uma deficiência na circulação do fluxo linfático, combinada com uma insuficiente proteólise extra linfática das proteínas plasmáticas. Segundo Földi, a presença de qualquer edema pressupõe que foi ultrapassada a capacidade máxima do sistema linfático. Quando a carga linfática aumenta e supera a capacidade de transporte, surge um edema de alto fluxo por insuficiência dinâmica linfática. Se a carga linfática é normal e a capacidade de transporte está reduzida, o edema resultante será de baixo fluxo por insuficiência mecânica do sistema linfático. Quando simultaneamente ocorre um aumento da carga com uma diminuição da capacidade de transporte se produz um edema severo por insuficiência da válvula de segurança, geralmente acompanhado de necrose tissular. 38 Também é possível a diferenciação entre os edemas pobres em proteínas na insuficiência dinâmica com sistema linfático sadio e os edemas ricos em proteínas na insuficiência mecânica do sistema linfático, com concentração protéica no fluido intersticial abaixo ou acima de lg/dl respectivamente. Causas de Edema/Classificação (Földi, adaptado por Casley-Smith). ALTO FLUXO — BAIXA PROTEÍNA Elevação da Pressão Hidrostática Sangüínea Baixa Pressão – Colóide osmótica Plasmática – Tissular – aumento da compliância tissular ALTO FLUXO — ALTA PROTEÍNA Lesões nos vasos sangüíneos Hipovitaminose – multi – B, C ou P. Elevação da Pressão Hidrostática Sangüínea em regiões fenestradas BAIXO FLUXO — BAIXA PROTEÍNA (Insuficiência Hemodinâmica) Elevação da Pressão Venosa Central BAIXO FLUXO — ALTA PROTEÍNA (Edema Linfático) ● Causas Estruturais Canais tissulares estreitos e/ou escassos Linfáticos iniciais escassos Incompetência valvar dos linfáticos iniciais Ruptura dos filamentos de ancoragem Lesões nas paredes dos linfáticos iniciais Hipoplasia de coletores linfáticos 39 Obstrução dos coletores linfáticos Incompetência valvar intralinfática (coletores) Aberturas nas paredes dos coletores ● Causas Funcionais Falta da variação da pressão tissular total reduzindo: Fluxo nos canais tissulares Bombeamento nos linfáticos iniciais Bombeamento nos coletores Espasmos dos coletores Paralisia dos coletores Retardo nas contrações dos coletores Acúmulo adjacente da linfa causando bloqueio 3. Insuficiência da Válvula de segurança Edemas de alto fluxo e baixa proteína são causados por um desequilíbrio nas forças descritas por Starling como no aumento da pressão hidrostática sangüínea (por ex., na obstrução Venosa) ou nos estados de hipoproteinemia ou hemodiluição que diminuem a pressão colóide osmótica do plasma. Outra causa é o aumento da compliância tissular, especialmente em tecidos que foram acometidos por edema e submetidos a tratamento clínico, e por isso é necessário o uso de contenção elástica para evitar recidivas. Edemas de alto fluxo e alta proteína são provocados por lesões nos vasos sangüíneos por traumas, queimaduras, radiação ou pelos mediadores químicos da inflamação que causam a abertura das junções intercelulares endoteliais dos capilares. Edemas de baixo fluxo e alta proteína (Linfedemas) Causas Estruturais Anomalias Nos Canais Tissulares 40 O trauma pode causar depósitos de fibrina nos canais tissulares, bloqueando os. Linfáticos Iniciais Escassos Através da microlinfografia fluoresceínica esse déficit foi demonstrado nos linfedemas congênitos familiares, como a doença de Milroy. Podem também ser bloqueados por fibrina no edema traumático e as infecções recidivantes podem destruí-los. Incompetência Valvar dos Linfáticos Iniciais Pode dever-se a uma malformação congênita ou a reação em cadeia provocada pela linfoestase (esse processo será descrito mais adiante). Ruptura dos Filamentos de Ancoragem Durante edemas severos, a elevação da pressão total tissular pode romper os filamentos, colapsando os linfáticos iniciais. Lesões Nas Paredes dos Linfáticos Iniciais São causadas por traumatismos, por massagem mal realizada e presso- terapia com níveis de pressão muito elevados. Hipoplasia de Coletores Linfáticos É a causa mais comum dos linfedemas primários. A anomalia pode estender-se aos linfonodos. É mais comum em mulheres jovens e costuma aparecer após a puberdade, quando o membro aumenta de tamanho sem o correspondente desenvolvimento dos coletores. Obstrução dos Coletores Incompetência Valvar Intralinfática A obstrução pode acontecer por linfotrombose, por compressão 41 extrínseca (tumores), por propagação interna de tumores, por fibrose de coletor provocada por radiação ou inflamação, por ressecção cirúrgica de parte dos coletores ou como parte da reação em cadeia que ocorre após cirurgias oncologias com exérese linfonodal: a ressecção dos linfonodos atua como uma obstrução à passagem da linfa, causando linfoestase; os coletores reagem aumentando suas contrações e a pressão intralinfática com o tempo, sem conseguir vencer o obstáculo, começa a dilatar-se até provocar a insuficiência valvar, paralisia e eventualmente fibrose. Esse mecanismopropaga-se retrogradamente por todos os segmentos da árvore linfática, até atingir os linfáticos iniciais. Abertura Nas Paredes dos Coletores Geralmente é associada a outras causas de linfedemas. Pode ser provocada por aumento na pressão intralinfática, por traumas, ou por Hipovitaminose do complexo B. Causas Funcionais Falta De Variação Da Pressão Tissular Total Está presente quando o paciente deve ficar imobilizado, e nesses casos é aconselhável à realização de exercícios isométricos ou de massagens. É a causa do edema que ocorre nas extremidades de pessoas que permanecem sentadas por longos períodos (viagens. Cadeira de rodas etc.). Espasmos Dos Coletores Em geral, acontece durante a inflamação. Paralisia Dos Coletores É resultante da dilatação exagerada dos mesmos. Retardo Nas Contrações Dos Coletores 42 Está presente quando existe fibrose rodeando os vasos. Pode acontecer como conseqüência da displasia fibromuscular na filariose. Acúmulo Adjacente De Linfa Acontece às vezes durante a terapia física do linfedema, quando a linfa drenada de uma região edemaciada acumula-se numa região sadia. Por exemplo, no edema de um membro inferior, pode-se provocar edema do membro contra lateral ou do escroto ou da vulva. Insuficiência da válvula de segurança Nas inflamações agudas, a carga linfática aumenta pelo incremento da filtração capilar, e às vezes por trombolinfangite e/ou linfoespasmo a capacidade do sistema linfático está diminuída, provocando um edema rico em proteínas associado à necrose tissular. Causas do Edema Linfático/ Classificação (baseado em Földi, adaptado pelo autor). 1. PRIMÁRIOS 1.1 Malformações do sistema linfático Aplasia Hipoplasia Linfangiectasia Hiperplasia Familiar (Milroy – None) Precoce Tardio 1.2 Linfoadenopatia fibrosa 1.3 Malformações do sistema vascular Angiodisplasias (Klippel – Tre-naunay) 43 2. SECUNDÁRIOS (não relacionados com malignidade) Traumatismos Linfangites Bacteriana Micótica Parasitária Insetos Irritantes químicos 2.1 Iatrogênicos Dissecções amplas Radioterapia 2.2 Seqüelas de tratamentos cirúrgicos Ressecção de linfonodos Lipectomias, Lipoaspiração e outras. Fleboextração 3. SECUNDÁRIOS (relacionados com malignidade) (câncer primário ou recidivado, após cirurgia ou radioterapia). Propagação intralinfática de tumores Compressão extrínseca de linfáticos Síndrome de Stewart-Treves (angiossarcoma) 44 Antes de ampliarmos alguns itens da classificação, desenvolveremos dois conceitos fundamentais para a análise dos mesmos: os mecanismos compensadores e o estágio latente do linfedema. Mecanismos Compensadores Na presença de linfoestase, para evitar a instalação do edema, o organismo coloca em funcionamento “mecanismos de defesa”: • Desenvolve vias colaterais por dilatação dos coletores remanescentes; • Dilata os canais pré-linfáticos para conduzir a linfa às regiões sem bloqueios ou malformações; • Estabelece neo-anastomoses linfolinfáticas e linfovenosas; HIPERPLASIA OBSTRUÇÃO MECANISMO COMPENSADORES LINFOPATIA COM SISTEMA LINFATICO COMPENSADO DILATAÇÃO INCOMPETENCIA VALVAR PARALISIA ESTAGIO LATENTE OU EDEMA SUBCLINICO LINFOPATIA COM SISTEMA LINFATICO DESCOMPENSADO EDEMA LINFATICO APLASIA HIPOPLASIA SECÇÃO DE COLETORES INFLAMAÇÃO TRAUMATISMOS ESGOTAMENTO DE MECANISMO COMPESADORES ALTAS TEMEPRATURAS ENVELHECIMENTO ESFORÇO MUSCULAR 45 • Aumenta a capacidade de transporte segmentariamente por incremento do trabalho dos linfangions; • Estimula o mecanismo celular produzindo na região edemaciada um aumento da pinocitose e um acúmulo de macrófagos que atuam na proteólise extra linfática. Dependendo das condições da região, alguns ou todos esses mecanismos entram em ação. Inicialmente, os citados mecanismos foram descritos nas insuficiências mecânicas das vias linfáticas (por ex., exérese linfonodal). No nosso estudo de pacientes portadores de linfedema primário, através da linfografia radio isotópica, constatamos a presença de alguns deles no membro com edema linfático (10%) e especialmente no membro contra lateral (80%). Portanto, estamos convencidos de que, quando as condições locais forem favoráveis, esses mecanismos, em maior ou menor grau, existirão tanto nos linfedemas primários como nos secundários. São esses mecanismos compensadores que mantêm, por um tempo indefinido, o membro afetado sem edema ou impedem que este progrida rapidamente. Em certos casos de pacientes submetidos à retirada de grupos de linfonodos, a compensação é bem-sucedida restabelecendo-se a circulação linfática e evitando-se a aparição do edema. Na maioria dos casos, a compensação é fruto de um equilíbrio que pode ser alterado a qualquer momento, pelos chamados “gatilhos” que disparam o início do linfedema. Os mais comuns são: “esgotamento” do mecanismo compensador (por ex., excessiva dilatação dos coletores com insuficiência valvar e paralisia); fibroesclerose por “envelhecimento” dos linfáticos, descrita a partir da quarta 46 década de vida; traumatismos; secção cirúrgica de coletores; inflamações (bacterianas ou não); excessivo esforço muscular; exposição a altas temperaturas; alterações da pressão atmosférica (ex.: viagens aéreas prolongadas). Insuficiência Dinâmica Carga Linfática Capacidade de Transporte Edema Fluido Aumento Proteínas Normais Normal Pobre em Proteínas Insuficiência Mecânica Carga Linfática Capacidade de Transporte Edema Fluido Normal Proteínas Normais Diminuído Rico em Proteínas 47 Esses “gatilhos” provocam o edema aumentando o fluxo linfático, superando a capacidade de transporte, ou reduzindo a mesma a níveis inferiores aos de carga e fluxo linfático. (A): FL fluxo linfático, CT capacidade máxima de transporte, CR capacidade de reserva (é a diferença entre a CT e o FL). (B): a CT está reduzida por obstrução, retirada de Linfonodos, hipoplasia etc., mas ainda é superior ao FL. Não há edema. Insuficiência da Válvula de Segurança Carga Linfática Capacidade de Transporte Edema Fluido Aumento Proteínas Aumento Diminuído Rico em Proteína, mas necrose 48 TER: o FL aumenta e supera a CT diminuída (inflamação, exercício etc.). Aparece o edema. (D): a CT se reduz mais ainda por traumatismos, envelhecimento etc., a níveis inferiores ao FL. Aparece o edema. Estágio Latente do Linfedema (edema subclínico) Denomina-se assim o estado de linfoestase compensada, sem edema aparente, que se segue a uma obstrução do sistema linfático ou à retirada cirúrgica de linfonodos ou a certas alterações primárias da árvore linfática, que provocam uma significativa redução da capacidade de transporte, que, com a ajuda dos mecanismos compensadores, mantém-se acima do nível da carga e fluxo linfáticos. O conhecimento e estudo deste estágio são de vital importância para o médico especialista, já que terá a rara oportunidade de tomar medidas preventivas e instaurar tratamentos que ao desenvolver os mecanismos compensadores mudarão radicalmente o prognóstico e a evolução da doença. Linfedemas Primários São causados por anomalias no desenvolvimento do sistema linfático. O momento de aparecimento do edema depende do equilíbrio entre o grau de acometimento do sistema e os mecanismos compensadores que mantêm o paciente no estágio latente do linfedema. Observam-se com maior freqüência nos membros inferiores. Quando o grau de hipoplasiaé severo ou existe aplasia, às vezes até dos linfáticos iniciais, o edema é congênito, como na doença de Milroy, que corresponde aproximadamente a 2% dos linfedemas primários. 49 O linfedema primário precoce acomete geralmente pacientes do sexo feminino antes dos 35 anos de idade. Na maioria dos casos (75%), torna-se aparente durante a puberdade porque a hipoplasia impede que os coletores acompanhem o crescimento dos membros. No linfedema primário tardio, após os 35 anos de idade, o grau de acometimento do sistema linfático é leve. Aparece geralmente após as primeiras manifestações do “envelhecimento” do sistema linfático que provocam uma diminuição mais acentuada da capacidade de transporte. Além desses dois momentos o início do edema pode acontecer sempre que exista a intercorrência de um dos “gatilhos” anteriormente descritos. As linfangiectasias e hiperplasias geralmente estão associadas à Angiodisplasias do tipo fistular ou microfístular, como na doença de Klippel – Tre-naunay. Também podem estar associadas ao refluxo quiloso. A dilatação e incontinência valvar das vias que deságuam na cisterna de Pecquet provocam o refluxo quiloso em direção às extremidades, causando o quilo edema dos membros e da genitália. Linfedemas Secundários Entre os linfedemas secundários merece destaque o edema pós- infeccioso, pela confusão causada em torno dele em nosso meio. Estudando pacientes portadores de linfedema dos MMII diagnosticados como “pós- erisipelas”, observamos que mais de 70% deles eram portadores de anomalias primárias ou secundárias do sistema linfático, e a infecção foi o “gatilho” que desencadeou o linfedema aparente. A linfoestase preexistente criou as condições ideais para a instalação da Linfangites. Linfangites ou erisipelas desencadeantes de edema linfático, em membros previamente sadios, são muito menos freqüentes do que 50 imaginamos; na sua grande maioria, instalam-se em membros acometidos de linfoestase ou flebolinfoestase. A correta anamnese e o estudo completo desses pacientes são indispensáveis para o diagnóstico da causa do linfedema. Dos secundários a invasão parasitária, merece destaque o provocado pela filariose (endêmica no Nordeste do País), responsável pela maior parte das elefantíases de MMII e genitália em nosso meio. A ilaria provoca dilatação e tortuosidade dos coletores e linfangiectasias, mas o linfedema geralmente é desencadeado por repetidos surtos de Linfangites. Dos linfedemas secundários a tratamentos cirúrgicos, o linfedema pós- mastectomia apresenta alguns aspectos a serem analisados. Um estudo feito em vários países por Göltner apontou sua incidência em 40% das mastectomizadas. Estatísticas recentes da França e Alemanha indicam uma incidência de 18%, e na Austrália de 30%. Em nosso país inexistem estudos globais, mas por consultas feitas a diferentes serviços podemos inferir que a média não é inferior a 40%. Se considerarmos que a incidência de câncer de mama em mulheres é de aproximadamente 6%, e assumindo que sejam operadas 50%o delas, considerando a população brasileira, podemos esperar que 700.000 mulheres desenvolvam algum grau de edema linfático pós-mastectomia. Este número justificaria a adoção de medidas preventivas e especialmente a orientação das pacientes submetidas à mastectomia. Não é o que acontece. O diagnóstico precoce do câncer de mama levou à utilização de técnicas cirúrgicas e radioterápicas menos agressivas que quase não provocam edema linfático imediato. Após a cirurgia há um leve edema que desaparece em poucos dias, assim que os mecanismos compensatórios reequilibram o sistema, iniciando-se a fase latente do linfedema. Isto dá aos mastologistas e radioterapêuticas a falsa idéia de que o edema linfático pós-mastectomia deixou de existir, já que quando este se manifesta a paciente não está mais sob os 51 seus cuidados. Edemas leves são considerados uma seqüela sem importância, em comparação à doença de base que foi tratada. E a paciente não é derivada para o especialista. O edema do membro superior provoca nestas pacientes sérios problemas psíquicos e desagregação do seu grupo familiar e social, já que não conseguem ocultar dos “outros” a doença que as acometeu e a mutilação que sofreram. Sem esquecer que a falta de tratamento adequado levará fatalmente à piora do edema. Por isso, opinamos que as pacientes devem ser alertadas sobre a possibilidade de desenvolver edema linfático, devem ser instituídas medidas preventivas, e o edema, até o mais leve, deve ser tratado por profissionais da área. Os chamados linfedemas malignos são os secundários a diferentes tipos de neoplasias: as que se desenvolvem primariamente no sistema linfático, como a doença de Hodgkin. O lin-fossarcoma de Kaposi e o linfangios- sarcoma (Stewart-Treves) que aparece como complicação do edema linfático; e as que se desenvolvem em outros órgãos e têm propagação pelo sistema linfático. Alterações Tissulares Provocadas pelo Edema Linfático O acúmulo de fluido rico em proteínas provoca severas alterações nos tecidos, facilitando a instalação de infecções e criando um círculo vicioso que cronifica e complica o edema. Observa-se um aumento e dilatação dos canais tissulares pré-linfáticos. Os linfáticos iniciais também estão dilatados, apresentando: edema intercelular, fendas entre as células endoteliais e a membrana basal e aumento da abertura das junções intercelulares. No edema severo as fibras 52 de ancoragem são separadas dos tecidos, o que provoca o colapso do linfático inicial. O edema aumenta a distância intercarpilar, entre capilares e linfáticos iniciais e entre células e capilares, dificultando os intercâmbios metabólicos, especialmente a difusão de gases, favorecendo a hipóxia tissular, que somada a acidose provocada pelo acúmulo de metabólitos iniciam as transformações que provocarão graves transtornos tróficos. O acúmulo de proteínas provoca inflamação crônica; há um considerável aumento de fibroblastos, fibrina e fibras de colágeno configurando o fibroedema. A fibrose também se instala na camada média dos vasos linfáticos, levando-os à perda de função. Não raramente os linfonodos são também envolvidos. Na região afetada observa-se: um aumento na concentração de linfócitos pequenos, uma diminuição na porcentagem de CD4 (helper) e de CD8 (supressor) e na contagem de CD1 (Langherans), e um acúmulo de macrófagos (responsáveis pela proteinólise extra linfática). As alterações na homeostase e na imunidade loco-regional explicam a incidência de processos infecciosos, inflamatórios e degenerativos. Finalmente o processo evolui para um quadro de lipodermatoesclerose com hiperqueratose, hiperacantose, formação de verrucosidades, vesículas e fístulas linfáticas. O tecido celular subcutâneo e a pele adquirem aspecto paquidermiforme; é a denominada elefantíase. Classificação do Edema Linfático Em 1985, a Sociedade Internacional de Linfologia simplificou a classificação do edema linfático em dois graus: - Grau I: observa-se fóvea à compressão, importante ou total redução 53 do edema com a elevação do membro; pouca ou nenhuma fibrose. - Grau II: não se observa fóvea à compressão; não há redução do edema com a elevação do membro e a fibrose é de moderada para severa. Elefantíase: é uma complicação do Grau II. Em 1988, o Clube de Linfologia apresentou uma classificação, também muito utilizada, que divide o linfedema em quatro estágios: I. Sem lesão cutânea, que responde ao tratamento em menos de três meses. II. Sem lesão cutânea, que não responde ao tratamento em menos de três meses. III. Fibroedema. IV. Elefantíase Diagrama mostrando as diferentes fases do linfedema (Clodius 1987) EXERESE DE LINFONODOS E VASOS LINFATICOSLINFATICOS REMANESCENTES SOBRECARREGADOS FORMAÇÃO DE TECIDO DE CICATRIZAÇÃO DILATAÇÃO DE COLETORES INSUFICIENCIA VALVAR INCOMPETENCIA DAS JUNÇÕES ENDOTELIAIS IMPEDE REGENERAÇÃO E RECANALIZAÇÃO DOS COLETORES ACUMULO PERILINFATICO DE FLUIDO E PROTEINAS ALTERACAO METABOLICA PERILINFATICA FIBROSE DOS LINFATICOS FIBROSE PERILINFATICA EXPANÇÃO RADIAL DA FIBROSE PERDA DA FUNÇÃO Acúmulo generalizado de fluido e proteínas OXIGENAÇÃO TISSULAR REDUZIDA ACUMULO DE METABOLITOS DEPRESSÃO LOCAL DA ATIVIDADE CELULAR AUM ENTO DA SUSCETIBILIDADE PARA INFECCÇÕES E ERISIPELAS SUBSTITUICAO DE FLUIDO E PROTEINAS POR TECIDO FIBROESCLEROTICO LINFEDEMA CRÔNICO INTERRUPÇAO DO PROSCESO NORMAL DE REMODELAÇÃ O TISSULAR 54 Complicações do Edema Linfático (J. A. Jimenez Cossio) Infecciosas Bacterianas: Linfangites - Erisipelas Micóticas: Micoses interdigitais Tróficas Pele: Hiperqueratose — Verrucosidades Fístulas linfáticas — Úlceras Elefantíase Unhas: Deformidades Unhas amarelas Osteoarticulares Pés planos Deformidades Calosidades Desvios de coluna Neoplasias Síndrome de Stewart-Treves Psicológicas Depressão Complexo de inferioridade Alterações na imagem corporal 55 DRENAGEM LINFÁTICA 13. PTPM – PRESSÃO TISSULAR PROFUNDA MANUAL Histórico A técnica de Drenagem Manual chamada PTPM foi apresentada no ano de 1997 no Congresso Ibero-Americano de Estética, realizado no Centro de Convenções de Brasília. Esta técnica desenvolvida a partir da pressão hidrostática tissular total visa aumentar o fluxo das correntes linfáticas e venosas, desobstruindo as principais regiões ganglionares do corpo. O Equilíbrio de Starling mostra que ocorre uma transudação de líquido para os interstícios, o líquido transudado é reabsorvido pelo sistema venoso e o restante pelos linfáticos. Se o fluxo de reabsorção estiver lento haverá acúmulo nos interstícios, porém se as correntes linfáticas e venosas estiverem com seu fluxo normal fisiologicamente haverá uma maior reabsorção. Para entendermos melhor, vamos recordar um pouco sobre as pressões hidrostática, sangüínea, osmótica e tissular. Fisiologia das pressões Pressão hidrostática A hidrostática sangüínea que impulsiona o líquido através da membrana capilar em direção ao interstício é de aproximadamente 30mmHg no capilar arterial e é de 15mmHg no capilar venoso. A pressão hidrostática intersticial é a que tende a movimentar o fluido de volta para os capilares. Como em condições de normalidade do interstício ela se equilibra em ambos os extremos capilares, pode ser igual a 0 (zero). 56 Pressão osmótica Origina-se pela presença de moléculas protéicas no sangue e no fluido intersticial. A pressão osmótica sangüínea movimenta o líquido do interstício em direção ao capilar é de aproximadamente 28mmHg em ambos os extremos capilares a força oposta é a pressão osmótica intersticial que leva a sugar o líquido dos capilares é de aproximadamente 6mmHg em ambos os extremos capilares daí surge a pressão de filtração que é de 8mmHg. A pressão tissular Pressão hidrostática tissular é a pressão hidrostática exercida sobre o líquido livre nos canais tissulares é negativa na maioria dos tecidos com exceção de órgãos encapsulados. Pressão tissular total é a soma vetorial da pressão hidrostática tissular e a pressão do tecido sólido, ou seja, tecido sobre tecido. A pressão do tecido sólido ocorre sobre o objeto pelas estruturas intersticiais que circundam. Às vezes é negativa como quando o interstício abre as junções endoteliais através dos filamentos de ancoragem, outras vezes é positiva quando os músculos adjacentes se contraem realizando uma pressão de tecido sobre tecido comprimindo os linfáticos iniciais. PTPM – pressão tissular profunda manual – técnica de drenagem manual que visa estimular o fluxo das correntes linfáticas proporcionando uma maior absorção do fluido intersticial evitando com isso o acúmulo ou mesmo a formação de edema. A PTPM reduz o acúmulo de líquido por três mecanismos: A compressão tissular exercida com as mãos provoca um aumento do fluxo nas correntes linfáticas que ocorre tanto pelo aumento da pressão intersticial, facilitando a absorção de líquido e proteínas para o interior dos capilares linfáticos como pela compressão radial dos vasos linfáticos favorecendo seu 57 escoamento. Aumento do fluxo venoso em função do aumento da pressão intersticial ocorre aumento da pressão hidrostática proporcionando a absorção de líquido nos capilares venosos. O efeito compressivo radial atua em toda a extensão do membro favorecendo o fluxo sangüíneo. Na PTPM a compressão exercida deverá ser de proximal para distal (sempre). A compressão exercida não pode ser superior a 50mmHg nos membros superiores e 70mmHg nos membros inferiores para não correr risco de lesão dos capilares sangüíneos ou linfáticos. Porém devemos levar em consideração os valores de compressão, pois são variáveis dependendo da região a ser manipulada, cada região tem seu limite fisiológico de sensibilidade de compressão ultrapassar esse limite com certeza irá realizar algias ou lesão nos tecidos. Na PTPM são utilizadas: desobstrução dos linfocentros, com compressão e descompressão: 1. Supra clavicular 2. Região axilar 3. Ducto torácico 4. Cisterna do quilo 5. Troncos lombares direito e esquerdo 6. Inguinais 7. Femorais 8. Poplíteos 58 Regiões de Desobstruções e Direcionamento da Linfa Legenda: Pontos de desobstrução; Direcionamento da Linfa; Divisão Proximal e distal Região Poplítea Região Axilar Região Supra-clavicular Ducto Torácico Cisterna do Quilo Tronco Lombar D / E Região Ingnal D / E Região Femural 59 Procedimentos manuais com: 1. Bracelete 2. Bracelete palmar 3. Bracelete palmar duplo 4. Deslizamento duplo 5. Deslizamento em garra Indicação - Retenção hídrica - Deficiência circulatória - Varizes - Edema de grande volume - Lipodistrofia ginóide de 1º, 2º, 3º e 4º graus. - Fadiga dos MMSS, MMII. - Linfedema - Fibromialgia e outros benefícios Contra-indicação - Linfoma - Carcinoma - Rupturas na epiderme - Infecção. 60 PTPM – nos MMII Nos membros inferiores o sistema linfático forma uma vasta rede de capilares e vasos linfáticos sub-facial e epifacial. Podemos denominar os vasos em secundários e correntes. Os secundários realizam a drenagem para os vasos denominados correntes. As correntes executam uma função fisiológica muito importante, pois são elas que asseguram o curso da linfa mais rápido. Nos MMII tanto os vasos como as correntes epifacial e sub-facial têm um sentido cranial, porém existe uma maior concentração na região medial conforme a figura Respeitando a anatomofisiologia do sistema, a PTPM tem seu início na região medial trabalhando de proximal para distal em posição supino ou prono. É importante essa forma de atuação, pois os vasos e correntes da região proximal (coxa) precisam estar vazios para receber o fluxo da linfa da região distal (perna e pé) principalmente em casos de edemas periféricos distais utilizando os procedimentos manuais dinâmicos da PTPM como nos mostra no passo a passo. 61 PTPM – nos MMSS O sistema de drenagem dos membros superiores tem o seu fluxo assegurado pelos vasos e correntes linfáticas tanto epifacial e sub-facial se dirigindo cranialmente à região axilar. Os vasos também são denominados de vasos secundários ondea maioria faz anastomose com as corrente que irão assegurar seu fluxo até o linfocentro axilar. Em maior número do que nos membros inferiores, as correntes linfáticas dos membros superiores também têm sua concentração na região medial de todo membro como nos mostra as figuras. A PTPM deverá ter seu início também na região medial de proximal para distal. O esvaziamento das correntes proximais possibilitará um maior escoamento da linfa proveniente das regiões distais (antebraço e mão). O passo a passo mostra os procedimentos dinâmicos a ser empregado nos membros superiores. 62 PTPM – no tronco O sistema de drenagem é realizado para dois linfocentros a região axilar e a região inguinal. A região axilar recebe a linfa de toda região supra- umbilical e dorsal. A região inguinal recebe a linfa proveniente de toda região infra-umbilical e lombar. A área de drenagem do tronco ocorre por uma vasta e grande rede de capilares e vasos linfáticos onde seus vasos eferentes dão origem nos troncos já citados anteriormente. A figura nos mostra perfeitamente o direcionamento da linfa para os seus respectivos linfocentros. A PTPM nesta região estimula o fluxo linfático através da pressão tissular com a finalidade de enxugar o tecido conjuntivo seja no pós- operatório ou não. 63 PTPM – na mama A mama por ser uma região bem vascularizada não acumula muito líquido com exceção dos períodos pré-menstruais onde ocorre enfartamento linfonodal devido à alteração hormonal. Outros casos seria o pós-cirúrgico de mama onde ocorre o edema pós-traumático. A drenagem da mama é realizada por duas correntes: lateral e medial como já vimos anteriormente. A PTPM atua nessa região com o procedimento manual dinâmico, denominado direcionamento. O esvaziamento das correntes irá propiciar uma maior absorção dos capilares contribuindo para redução do edema seja no pós-operatório ou pré-menstrual. DRENAGEM LINFÁTICA PRESSÃO TISSULAR PROFUNDA MANUAL 14. PASSO A PASSO BRACELETE BRACELETE DUPLO BRACELETE PALMAR MEIO BRACELETE (MÃO EM C) DESLIZAMENTO COMPRESSIVO DUPLO DIRECIONAMENTO 64 Início da PTPM 1 – Desobstruir os linfocentros e os troncos. 2 – Dividir os MMII, os MMSS e o tronco no meio da região proximal e distal. 3 – Realizar bracelete duplo na região medial da coxa, na porção proximal e em seguida, na porção distal. 4 – Repetir bracelete duplo na região lateral da coxa, na porção proximal e em seguida na porção distal. 5 – Realizar bracelete envolvendo as regiões medial, lateral e anterior da coxa, na porção proximal em seguida na porção distal. 6 – Realizar bracelete palmar envolvendo as regiões lateral, medial, anterior da coxa na porção proximal e em seguida na porção distal. Joelho 1 – Realizar deslizamento compressivo antero-posterior, em seguida fazer desobstrução do calvo poplíteo. Perna 1 – Realizar bracelete envolvendo as regiões lateral, medial e anterior da perna na porção proximal e em seguida na porção distal. Tornozelo e Pé 1 – Realizar pressão e descompressão ascendente na articulação do tornozelo, envolvendo toda porção anterior com as polpas dos dedos. 2 – Repetir no dorso do pé. 65 3 – Deslizamento compressivo nos dedos. De distal para proximal. 4 – Realizar bracelete palmar das bases dos dedos até o tornozelo. 5 – Realizar deslizamento duplo compressivo na região dorsal e plantar, simultaneamente. Perna 1 – Elevar a perna do cliente apoiando o pé no tórax do profissional, realizar bracelete do tornozelo ao joelho levando para o calvo poplíteo. Retorno da PTPM 3 – Repousa a perna do cliente na maca e realiza de novo o bracelete, do tornozelo levando para a região poplítea. Joelho 1 – Desobstrução da região poplítea. Coxa 1 – Realizar bracelete duplo nas regiões medial e lateral do joelho até a região inguinal. 2 – Realizar bracelete do joelho até a região inguinal. 3 – Realizar bracelete palmar do joelho até a região inguinal. OBS: O retorno é igual ao inicio, porém não se divide a perna ou a coxa, sobe do tornozelo ao joelho, após desobstruir a região poplítea sobe do joelho a região inguinal. 66 Braço e Mão 1 – Realizar meio bracelete (mão em C) na região medial do braço, na porção proximal e em seguida na porção distal. 2 – Repetir na região lateral. Antebraço 3 – Realizar meio bracelete na região medial e lateral do antebraço, do pulso até a região axilar. 4 – Massagear as mãos, em seguida realizar deslizamento compressivo nos dedos de distal para proximal. 5 – Dobra-se o antebraço do cliente, com uma das mãos segura a mão do cliente e com a outra realiza meio bracelete do pulso até a região troclear. 6 – Eleva o braço do cliente, prende no ombro do profissional com a cabeça, com o braço do cliente em extensão, realiza-se bracelete palmar envolvendo todo braço, do pulso a região axilar. Abdômen 1 – Realizar deslizamento compressivo no intestino grosso, da fossa ilíaca direita até a fossa ilíaca esquerda. 2 – Realizar deslizamento compressivo. Postero-anterior da região lombar para região inguinal. 3 – Envolver o abdômen nas porções laterais e realizar deslizamento compressivo até a região axilar. 4 – Envolver a porção lateral do abdômen com as duas mãos simultaneamente e realizar deslizamento compressivo até a região axilar, um 67 lado de cada vez. Posição Prono Coxa 1 – Realizar bracelete duplo na região medial, na porção proximal e porção distal. A mão externa passa sobre o glúteo e descarrega na região inguinal. A mão interna repousa na região femural. 2 – Repetir o bracelete duplo na região lateral na porção proximal e distal. Só que as duas mãos vão para região inguinal. 3 – Aplicar bracelete envolvendo as regiões medial, lateral e posterior da coxa, na porção proximal e distal. Descarrega na região inguinal e femural 4 – Realizar bracelete palmar envolvendo as regiões medial, lateral e posterior da coxa na porção proximal e distal. Descarrega na região femural e inguinal 5 – Desobstruir a região poplítea. Perna 1 – Bracelete na região do gastrocnêmio na porção proximal e distal levando para a região poplítea. 2 – Flexiona a perna do cliente e realiza bracelete palmar do tornozelo até a região poplítea. 3 – Repousa a perna na maca e realiza bracelete do tornozelo até a região poplítea. 4 – Desobstruir a região poplítea. 5 – Bracelete duplo na região medial da coxa, descarrega na região femural e inguinal. 68 6 – Repetir bracelete duplo na região lateral da coxa, as duas mãos vão para região inguinal. 7 – Bracelete do joelho até a região inguinal e femural. 8 – Bracelete palmar do joelho até a região femural e inguinal. Glúteos 1 – Realizar direcionamento compressivo com as polpas dos dedos do sacro até a região inguinal, um glúteo de cada vez. Região Lombar 1 – Realizar direcionamento compressivo do músculo para-vertebral lombar para região inguinal com as polpas dos dedos, um lado de cada vez. Região Dorsal 1 – Realizar deslizamento compressivo do dorso para região axilar com as duas mãos, um lado de cada vez. Base da cervical 2 – Realizar deslizamento compressivo de C7 para região axilar Obs.: Em retenção hídrica corporal de grande volume aumentar as manipulações. Em pós-operatórios trabalhar somente localizado. Em linfedema, trabalhar somente localizada. 69 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS BERTELLI, G, Venturini, ML, Forno, G. Macchiavello, F. & Dini. D. An analysis of prognostic factors in response to conserva/tive treatment of postmastectomy lymphedema. Surg Gynec Obst, 175, 455-60, 1992. BOLLINGER, A. Insering, G., Franzeck, V., Jäger, K. Fluorescens e micro lymphangiography in various forms of primary lymphedema 140 in: The initial lymphatics Ed. A. Bollinger, Stuttgart, 1985. BOUABCI, A. S. Linfografias. In: Maffeí, F. H. 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