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EXCELENTÍSSIMO SENHOR DOUTOR JUIZ DE DIREITO DA [_] VARA CÍVEL DA COMARCA DE BELO HORIZONTE – MG Processo nº: [Número do processo] Apelante: Elvira Freitas Apelado: Banco XYZ S.A. ELVIRA FREITAS, já qualificada nos autos do processo em epígrafe, que move em face de BANCO XYZ S.A., por seu advogado infra-assinado (instrumento de mandato anexo), vem, respeitosamente, à presença de Vossa Excelência, com fundamento nos artigos 1.009 e seguintes do Código de Processo Civil, interpor o presente RECURSO DE APELAÇÃO contra a sentença proferida nos autos, que julgou improcedente o pedido inicial e ainda condenou a Apelante por litigância de má-fé. Requer, após o regular processamento, o recebimento da presente apelação no efeito devolutivo e suspensivo, nos termos do art. 1.012 do CPC, com a posterior remessa dos autos ao Egrégio Tribunal de Justiça do Estado de Minas Gerais. Termos em que, pede deferimento. Belo Horizonte, [data]. Advogado – OAB/[UF] [número] RAZÕES DE APELAÇÃO Apelante: Elvira Freitas Apelado: Banco XYZ S.A. Processo nº: [Número do processo] I – DOS FATOS Apelante, idosa de 82 anos, celebrou com o Banco Apelado contrato de empréstimo consignado, informada de que as parcelas seriam debitadas diretamente de seu benefício previdenciário. Todavia, ao buscar novo crédito em outra instituição, foi surpreendida com a informação de débito ativo oriundo de contrato de cartão de crédito consignado, com taxas de juros superiores e condições distintas daquelas previamente acordadas. Conforme narrado, a Apelante utilizou o valor acreditando tratar-se do empréstimo consignado contratado, sendo surpreendida pela existência de um contrato de natureza diversa. Ressalte-se que não foram devidamente esclarecidos os termos do contrato de cartão de crédito, tampouco seus encargos. II – DO DIREITO a) Da vulnerabilidade da consumidora e da interpretação favorável A Apelante, na qualidade de consumidora idosa, hiper vulnerável, deve ser protegida pelas normas do Código de Defesa do Consumidor, especialmente os arts. 4º, I, e 6º, VIII. Tratando-se de contrato de adesão, nos termos do art. 47 do CDC, a interpretação deve ser mais favorável ao consumidor. b) Da abusividade do contrato de cartão de crédito consignado O contrato impugnado não foi suficientemente explicado à Apelante, que acreditava estar contratando empréstimo consignado, e não cartão de crédito consignado, modalidade sabidamente mais onerosa e controversa, cujo uso da função “saque” se confunde com o mútuo tradicional. O STJ já pacificou o entendimento de que a utilização de cartão de crédito para empréstimo consignado, sem a devida transparência ao consumidor, configura prática abusiva: “É abusiva a contratação de cartão de crédito consignado quando não houver informação clara e precisa quanto à natureza da contratação e seus encargos.” (REsp 1.578.553/MG, Rel. Min. Paulo de Tarso Sanseverino, DJe 12/12/2016) c) Da ausência de má-fé processual A Apelante não agiu com má-fé. Pelo contrário, apenas buscou o Judiciário para resguardar seus direitos, acreditando com razão que houve vício na formação contratual. A condenação por litigância de má-fé, com base no art. 80, III, do CPC, foi absolutamente desproporcional e indevida, pois não se demonstrou dolo processual, sim mero exercício do direito de ação. d) Do pedido de revisão contratual Diante do vício de consentimento e da ausência de informação clara, requer-se a conversão do contrato de cartão de crédito consignado em mútuo tradicional, com aplicação dos mesmos juros do empréstimo inicialmente pactuado, nos termos da boa-fé objetiva (art. 421-A do CC) e da função social do contrato. e) Da justiça gratuita A Apelante é aposentada, com mais de 80 anos de idade, sem condições de arcar com as custas processuais e honorários advocatícios sem prejuízo próprio ou de sua subsistência, razão pela qual se reitera o pedido de justiça gratuita, nos termos do art. 98 do CPC. III – DOS PEDIDOS Diante do exposto, requer-se: 1. O recebimento da presente apelação nos efeitos devolutivo e suspensivo; 2. A reforma integral da sentença, com a procedência dos pedidos iniciais para: • Reconhecer a nulidade ou abusividade do contrato de cartão de crédito consignado; • Determinar a conversão da dívida para a modalidade de empréstimo consignado comum, com a aplicação de juros menores; • Afastar a condenação por litigância de má-fé, bem como a multa de 5% aplicada; • Conceder os benefícios da justiça gratuita à Apelante; 3. A condenação do Banco Apelado ao pagamento das custas processuais e honorários sucumbenciais. Nestes termos, Pede deferimento. Belo Horizonte, [data]. Advogado – OAB/[UF] [número]