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Módulo 1: 2ª e 3ª Semanas Prof. Luiz Teves luizteves@souunisuam.com.br MAR/2025 PONTOS DAS AULAS 1. Roma Antiga: as estruturas sócio- políticas. 2. Direito romano: transformações da jurisdição e das codif icações. 3. Legado romano: tradição romanista e CIC. UAs – 2ª e 3ª SEMANAS 1. A formação da Roma Antiga. 2. Lei das XII Tábuas e Corpus Iuris Civilis (CIC). 3. A República Romana. 4. O Direito e as estruturas políticas no Império Romano 5. Institutos de Direito Romano 6. A transição para o medievo e o conceito de Antiguidade Tardia. ROMA ANTIGA ROMA ANTIGA 27 a.C. – 395 d.C. (Divisão) 476 d.C. (Queda do IR Ocidente) ROMA ANTIGA PERÍODOS • Monarquia: 753 a.C. – 509 a.C. • República: 509 a.C. – 27 a.C. • Império: 27 a.C. – 476 d.C. FASES E MARCOS DO DIREITO • Arcaico: 753 a.C. – II a.C. Lei das Doze Tábuas: 451 a.C. • Clássico: II a.C. – III d.C. Pretores e Jurisconsultos. • Pós-clássico: III d.C. – VI d.C. (565 d.C.: morte de Justiniano) Copus Iuris Civilis: Codex, Digesto, Institutas e Novellae. ROMA ANTIGA IMPORTÂNCIA • Foram quase 12 séculos de existência. • As instituições políticas, sociais e jurídicas criadas durante o período marcaram os séculos seguintes ao seu fim. • Ajudaram a moldar grande parte das codificações civis (privadas) no mundo. • Conseguiram criar um Direito que dizia respeito a uma multiplicidade de povos e culturas distintos: um Direito transnacional, caso pensemos a partir de hoje. ROMA ANTIGA MITO DE FUNDAÇÃO • Lenda de Rômulo e Remo: mitologia romana. • Circulava como conto oral da época. • Remonta à organização político- jurídica da região de Lácio, composta por povos latinos e etruscos (indo-europeus) e que recebeu a diáspora grega. • Não há muitas informações precisas sobre essa fundação: tempos depois, Virgílio foi contratado por um Imperador para escrever a Eneida, que narrava o período antes do mito (formação da Alba Longa): eram comuns os reinados naquela região (pequenas vilas, poucas pessoas). ROMA ANTIGA ESTRUTURA POLÍTICA • A Roma antiga passou a ganhar em importância ao se expandir territorialmente. Mas, a questão que centrava o debate romano era a forma de manter controle sobre a extensão territorial e a variedade de cultura e classes. • O Direito está sempre associado às relações de poder de uma época: a mudança da estrutura jurídica era o resultado de uma mutação da organização política. • Percurso: primeiro, veremos a formação das as estruturas sócio- políticas e, depois, o Direito nas transformações da Roma Antiga. 509 a.C. 290 a.C. 241 a.C. 197 a.C. 121 a.C. 44 a.C. 14 d.C. 138 d.C. Expansão da Roma Antiga ESTRUTURAS POLÍTICAS MONARQUIA ROMANA ESTRUTURA POLÍTICO-SOCIAL • A tradição assinala a data da fundação de Roma nos anos 753 a.C. • Até ao século III a.C., Roma foi uma cidade- Estado: um agrupamento de homens livres estabelecidos em um pequeno território que defendem e onde participam nas decisões respeitantes ao interesse comum através de órgãos políticos fundamentais. • A economia era baseada na terra: plantação e pecuária. • A sociedade era dividida entre plebeus, patrícios e escravos: uma característica que perdurará até o final do Império. • Os patrícios eram os descendentes dos fundadores de Roma e grandes proprietários rurais: era como se fosse uma oligarquia. MONARQUIA ROMANA PATRÍCIOS • Os patrícios eram compostos por homens livres, eles se agrupavam em famílias. Tal era o núcleo primitivo social, a cujo chefe (pater familias) se submetiam as pessoas e as coisas (pater potestas: viver e morrer). • De um ancestral comum, as famílias passaram a ser reconhecidas como integrantes dos gens, no qual ficavam politicamente unidas sob a autoridade do pater gentis. Esse agrupamento era determinado pela ascendência familiar aos fundadores de Roma (Julia, Cornelia etc.) • Da agregação de várias gens nasceu a civitas romana (cidadania das gentes). • As gentes (clãs) tinham cidadania plena (votar, ser votado, servir nas legiões/exército etc.). Controlavam a política e os cargos administrativos da cidade. MONARQUIA ROMANA PLEBEUS, CLIENTES E ESCRAVOS • Havia os plebeus, que eram pequenos proprietários de terras, comerciantes ou trabalhadores livres. Eram a classe (casta) inferior da sociedade Romana e não participavam na criação de leis. Eram considerados “estrangeiros” com relação à fundação de Roma (províncias próximas ou distantes). • Existiam os clientes, que eram os plebeus apadrinhados (estrangeiros) por um Patrício. Ficavam submetidos ao pater familias. Mas, não detinha qualquer poder político. • E, ao final da pirâmide, havia os escravos: os prisioneiros de guerras e os plebeus endividados. Eram uma propriedade, uma coisa (não confundir com os servos do feudalismo na Idade Média). MONARQUIA ROMANA ESTRUTURA POLÍTICA • A organização política compreendia três órgãos: • Rei (rex): era um monarca vitalício, mas eleito e não hereditário. Dirigia a civitas e cumpria funções religiosas, militares e judiciais. Distribuía as magistraturas (cargos públicos) e os cargos sacerdotais. • Senado (senatus): 300 senadores oriundos das gens (os pater familias). Era um conselho dos anciões. Sua função era a de debater os assuntos públicos que interessavam aos habitantes da cidade. Também era um órgão de consulta do rei, confirmava os acordos celebrados, podendo até mesmo impor limites ao poder do rei, vetando leis apresentadas. Era responsável por apontar o novo rei. MONARQUIA ROMANA ESTRUTURA POLÍTICA • A organização política compreendia três órgãos: • Assembleias das cúrias (Cúria era o nome dado em Roma para reunião de famílias): • Assembleias do populus romanus composta por 30 cúrias (patrícios e clientes em idade militar – até 45 anos). • Eram grupos de homens com poderes político-militares, assessorando o rei em causas militares. • Também eram responsáveis por ratificar as leis instituídas pelo rei, organizar os recursos a serem empregados na jurisdição, bem como ratificar a eleição do próprio rei. REPÚBLICA ROMANA MUDANÇA NO EQUILÍBRIO DO PODER • República (res publica), foi, nesse momento, usada como administração do bem público ou dos interesses públicos. Era o início da separação entre a coisa pública e a coisa privada (das famílias): ainda não é democrática, como pensamos atualmente. • Em termos de estrutura do poder, o que aconteceu foi uma redistribuição: o último rei, Tarquínio, foi desposto por descontentamento dos patrícios por ações a favor dos plebeus. • No lugar do rei, os patrícios e o Senado colocaram um executivo transitório e desmembrado: dois cônsules. • Os mandatos dos cônsules eram curtos, de até 1 ano, enquanto o Senado tinha uma composição vitalícia (assumiram o poder). REPÚBLICA ROMANA PERSISTÊNCIA DOS PLEBEUS • Entretanto, essa transformação não impediu os plebeus. Continuaram não aceitando o fato das leis romanas não surtirem efeitos para eles, que eram a maioria da população e, além disso, a aplicação normativa era facilmente distorcida pelos intérpretes: a tradição oral era dominada pelos patrícios em qualquer processo. • A mudança veio progressivamente. Primeiro, pela capacidade de eleger seus próprios representantes (tribunos da plebe). Tinham o poder de vetar as decisões do Senado que fossem prejudiciais aos seus interesses. • Depois, foi criada a Lei das XII Tábuas, entre os anos 451 e 449 a.C. Ela foi responsável por favorecer uma igualdade de classe, na medida em que as leis passaram a serem escritas e corriam menos riscos de serem manipuladas. LEI DAS 12 TÁBUAS Tábua I – Dos chamamentos a juízo. Tábua II – Dos julgamentos e dos furtos. Tábua III – Dos direitos de crédito. Tábua IV – Do pátrio poder e do casamento. Tábua V – Das heranças e das tutelas. Tábua VI – Do direito de propriedade e da posse. Tábua VII – Dos delitos. Tábua VIII – Dos direitosprediais. Tábua IX – Do direito público. Tábua X – Do direito sacro. Tábuas XI e XII – Sem título. LEI DAS 12 TÁBUAS Tábuas I e II – Estabelecia normas dos processos, como se deve fazer a abertura e o encerramento de um julgamento, a obrigação do réu comparecer ao julgamento etc. Isso garantia aos plebeus que os processos ocorreriam dentro de normas precisas e não inventadas no momento. Tábua III – Fala sobre o julgamento e das penas que deveriam ser aplicadas aos devedores. Uma das punições, por exemplo, afirmava que os credores poderiam vender o devedor para saldar a dívida contraída. Tábua IV – Expõe os poderes do chefe de família, conhecido como pater familias. O pai detinha o direito de matar um filho que nascesse com alguma deformidade, por exemplo. Da mesma forma, podia vendê-lo como escravo. Tábua V – Caracteriza as heranças. Indicava que se uma pessoa morresse sem herdeiros ou testamento, quem receberia seria o parente mais próximo. LEI DAS 12 TÁBUAS Tábua VI – Esta descrevia como deveria ser a compra e a venda de propriedades. Como as mulheres eram vistas como objetos, também aqui se explica as condições pelas quais o marido deve proceder ao rejeitar a esposa. Tábua VII – Aborda os delitos cometidos contra a propriedade, seja um bem imóvel ou um escravo. Se alguém destruiu algo, deverá pagar ou ser punido.. Tábua VIII – Estabelecia as medidas entre as propriedade vizinhas e regras de convivência entre os vizinhos. Tábua IX – Proibia a entrega de um concidadão ao inimigo. Tábua X – Garantia o respeito aos túmulos e aos mortos. Tábua XI – Determinava a proibição do casamento entre patrícios e plebeus. Tábua XII – Regulava o direito privado, como furtos ou a apropriação indevida de objetos. REPÚBLICA ROMANA ESTRUTURA POLÍTICA • Três órgãos constitucionais: Magistratura, Assembleias Populares e Senado. • Magistratura - era o encargo de governar (patrícios com base na renda) distribuído por competências específicas: • Cônsules: desempenhavam as funções dos antigos reis. Gozavam do poder de soberania (imperium) que lhes permitia comandar o exército, presidir o Senado e as assembleias populares e administrar a justiça. Eram eleitos dois cônsules para o período de 1 ano. • Censores: administravam os bens públicos, organizavam o recenseamento dos cidadãos romanos e tutelavam a moralidade romana. Eram dois censores por períodos de cinco anos. REPÚBLICA ROMANA ESTRUTURA POLÍTICA • Magistratura • Pretores: eram aqueles que administravam a justiça (iurisdictio: poder-dever do Estado de julgar) entre cidadãos romanos (pretor urbano) e entre estrangeiros e romanos nas províncias (pretor peregrino). • A extensão do seu poder compreendia a região sobre a qual atuava: a República romana chegou a ter 16 pretores, designados para ocuparem regiões, como as da capital e as mais de 40 províncias. • Não eram juízes, mas verificavam a veracidade das alegações das partes e impunham limites à disputa (1ª fase do processo, a produção de provas), que seria decidida por um juiz designado por ele. Províncias da República na Roma Antiga REPÚBLICA ROMANA ESTRUTURA POLÍTICA • Magistratura • Edil : fiscalizavam os mercados e a limpeza da cidade, ocupavam-se das vias e dos edifícios públicos, vigiavam o trânsito, regulamentavam os preços, vigiavam pesos e medidas, organizam espetáculos e guardam os arquivos do Estado. Detinham a jurisdição criminal nos delitos relacionados com as suas atribuições. • Questores: administram a justiça criminal, cobram multas e ocupam-se dos confiscos e do governo da tesouraria estatal. • Ditadores: nomeado diante de um perigo extraordinário, assumindo todos os poderes durante 6 meses. REPÚBLICA ROMANA ESTRUTURA POLÍTICA • Assembleias Populares • Composta de patrícios e plebeus, destinava-se à votação das leis e era responsável pela eleição dos cônsules. Era composta por quatro órgãos: Comícios das Cúrias, Comício das Centúrias, Comício das Tribos e Comício da Plebe. • Comício da Plebe: eram assembleias da plebe convocadas e presididas por tribunos (imunidade de prisão, acusação e punição) que votam por plebiscitos. Em 287 a.C., tomaram-se verdadeiras assembleias legislativas. Seus plebiscitos tinham força de lei e atingiram o direito de veto das demais magistraturas. REPÚBLICA ROMANA ESTRUTURA POLÍTICA • Senado • Persiste como a assembleia dos homens considerados mais representativos por virtude da sua riqueza e autoridade (patrícios que exercem o pater familia). • Ganhou em escala e passou a ser composto por mais membros. • Desempenhavam funções políticas de elevada importância: nas relações internacionais, na guerra, na administração pública, no culto religioso, na direção do exército, na designação de governadores das províncias, no processos legislativo. IMPÉRIO ROMANO NOVA TRANSIÇÃO PELO DESEQUILÍBRIO • A República foi o período de maior expansão territorial da Roma Antiga. • A transição para a forma do Império Romano veio atrelada a uma diminuição dessa expansão: era o período da Pax Romana. • Depois de Cônsules que deram mais poder aos plebeus, o Senado promoveu mudanças na composição política (período dos dois triunviratos). • Entretanto, o Senado perdeu força ao ver os novos eleitos se voltarem um contra o outro e também ao destronar, ou mesmo matar (Júlio César), aqueles indicados. IMPÉRIO ROMANO PRINCIPADO • O Império iniciou como Principado (Otaviano Augusto), centralizando novamente o governo (27 a.C. – 285 d.C.). Nesse período, criou-se um duplo governo: monarquia fraca para Roma e absolutismo para as províncias imperiais. • As magistraturas (cargos) permaneceram, mas perderam poder. Não tinham mais a representatividade, que passava a orbitar sobre a vontade do imperador. • A administração se burocratizou com novos funcionários que dependiam diretamente do imperador: centralização das indicações e das decisões. IMPÉRIO ROMANO QUESTÃO DO CRISTIANISMO • Desde a República, a religião vinha perdendo força com relação ao poder do Estado. Havia um progressivo foco no setor político- administrativo leigo e especializado, visando à expansão, e isto reverberou tanto em Roma, como nos seus territórios dominados. • Um grande exemplo que incomodou o domínio do Império foi o surgimento do cristianismo, que impactou e foi tratado como ameaça para o domínio político. • A religião oficial do Império era politeísta, espelhando a Mitologia Grega. • Entretanto, depois de tanto perseguir (jogando os cristãos no Coliseu), reconheceu como religião oficial ao final do século IV, passando a adotar apenas o monoteísmo cristão. IMPÉRIO ROMANO DOMINATO • A última fase viria com a concentração maior do poder. O Dominato: culmina na designação do Imperador pelas tropas das legiões romanas, Diocleciano (285 d.C. – 585 d.C.) • Concentrou o poder inclusive para dentro de Roma. O Imperador passa a ter uma investidura humana e divina. • Perda em importância da adaptação do Direito Romano baseado em precedentes: a adaptação caso a caso é substituída por um formalismo codificante das leis postas. • Como derradeira produção do Império, passou- se a consolidar todas as leis romanas com as atualizações apresentadas pelos jurisconsultos. Veremos: foi principalmente o Imperador Justiniano quem fez isso no século VI d. C.: Corpus Iuris Civilis. IMPÉRIO ROMANO DESESTABILIZAÇÃO E QUEDA • A estrutura estabelecida no Império começa a apresentar falhas e inconsistências, sendo ineficaz diante das novas realidades : • As lutas políticas internas em matéria de sucessão dinástica; • O fato de muitas províncias pretenderem se equiparar politicamente a Roma; • A falta de prestígio da autoridade romana; • Os violentos conflitos entre o Império Romano e o cristianismo; • A crise econômica que assolava a população, submetida a altíssimos impostos; • A extraordinária extensão territorial do Impérioe a permanente migração dos povos, chamada de invasão dos bárbaros. ESTRUTURAS JURÍDICAS DIREITO ROMANO ARCAICO PERÍODO: 753 a.C. – II a.C. • O rei era o responsável pela jurisdição. • Ele era assessorado por sacerdotes, apontados por ele e responsáveis por acompanhar a resolução dos problemas entre os indivíduos. • O costume era a principal fonte para resolução de casos (mos maiorum). Então, o era Direito baseado nos hábitos (o que o tempo consagrou) com a aprovação geral (diferente da lei escrita). O sacerdote era o responsável por sua identificação e interpretação, a decisão cabia a um juiz eleito pelas partes (não havia pretores). • Sistema das Ações da Lei: era um sistema processual oral e com um apego excessivo a gestos, atos e rituais. DIREITO ROMANO CLÁSSICO PERÍODO: II a.C. – III d.C. • O sistema processual anterior caiu em desuso pelo seu excessivo rigor. Entra em cena o papel dos jurisconsultos e dos pretores, atuando em Roma e nas províncias (eram mais de 40), substituindo os sacerdotes. • Pretores: tinham outros poderes, mas eram os principais responsáveis pela jurisdição, pela resolução de causas entre as partes. • Jurisconsultos: Estudiosos de renome que emitiam pareceres jurídicos sobre os casos concretos. Além dos pareceres, também ajudavam as partes sobre como agirem em juízo e orientavam leigos em negócios jurídicos. PERÍODO: II a.C. – III d.C. • Processo Formulário: competia ao pretor, em uma primeira etapa, receber as partes, ouvir e expedir uma fórmula: diretriz para as possíveis resoluções com base nas leis (ou outras fontes), fixando os limites. • A segunda etapa do processo era a indicação pelo pretor de um juiz delegado (privado), para julgar a causa com base na sua fórmula. • A coletânea das fórmulas integrava os Editos dos Pretores, que atualizava o Direito a todo momento (precedentes). • Assim, era um direito pragmático e casuísta: variação e criação de Direito a cada causa. DIREITO ROMANO CLÁSSICO PERÍODO: II a.C. – III d.C. • Assim, a evolução do período clássico do direito romano se deu lentamente por modificações práticas, emanadas pelos pretores e jurisconsultos diante de casos concretos (Editos e pareceres). • Essa atividade deles supria as lacunas das normas vigentes ou mesmo as contrariava. Normas que eram editadas por magistrados ou pelas assembleias populares. Assim, era uma jurisdição descentralizada. • Esse novo exercício da jurisdição acabava gerando o que os teóricos do Direito chamam hoje de um Direito em construção ou vivo: a sociedade cria e aprimora o Direito ativamente. DIREITO ROMANO CLÁSSICO DIREITO ROMANO PÓS-CLÁSSICO PERÍODO: III d.C. – VI d.C. • Centralização progressiva da produção do direito nas mãos do imperador: começam a surgir a Lex Regia e as Constituições Imperiais (não eram submetidas ao Senado). • Os jurisconsultos passam a assumir cargos oficiais: burocratização da justiça. • Era o fim do papel fundamental dos pretores e seus Editos, agora submissos ao imperador. • Passamos a era do Édito Perpétuo: o imperador passou a ditar como seriam exercidas a jurisdição e a decisão. PERÍODO: III d.C. – VI d.C. • Não existiam mais juízes delegados e privados inovando o Direito, mas a centralização da administração da justiça nos funcionários designados pelo imperador (juízes), com os estudiosos do Direito também servindo ao imperador (jurisconsultos). • O modelo se torna objetivista: restrição àquilo que o imperador desejava. • De um Direito vivo e difuso do período Clássico, passamos a um Direito Público Autocrático, centralizado: monismo jurídico (ossificou o direito). • Nesse período, o Direito Romano se apega mais à lei escrita e se torna rígido. DIREITO ROMANO PÓS-CLÁSSICO LEGADO ROMANO LEGADO ROMANO Corpus Iuris Civilis • Obra organizada pelo imperador Justiniano. Foi a coletânea de 4 conjuntos: Codex, Digesto, Institutas e as Novellae. • Foi Dionísio Godofredo quem batizou essa coletânea de Corpus Iuris Civilis, já no século XVI. • A sua importância deriva do fato de que foi por seu intermédio que o Direito Romano foi preservado para ser a base de todo o Direito Ocidental que conhecemos hoje. LEGADO ROMANO CIC: Codex • Era a codificação de todas as leis e constituições produzidas pelos imperadores. • Dividida em 12 livros: • O Livro I faz invocação a Jesus Cristo e consagra as fontes do direito. Cuida do direito de asilo e das funções dos diversos agentes imperiais. • O Livro II trata principalmente do Direito Processual. • Os livros III a VIII tratam do Direito Penal. • Os livros X a XII cuidam do Direito Administrativo e do Direito Tributário. LEGADO ROMANO CIC: Digesto • Era a codificação de todos os pareceres dos jurisconsultos clássicos. • 50 livros dividido em 9 partes ou especialidades: 1. Parte Geral; 2. Direitos Reais; 3. Obrigações; 4. Direitos Pessoais; 5. Direito das Sucessões; 6. Direito Processual; 7. Obrigações Especiais; 8. Direito Penal; 9. Direito Público. CIC: Institutas e Novellae • As Institutas eram um manual de direito para estudantes. Uma obra simples, de linguagem clara e objetiva, com fins pedagógicos. • Novellae: eram as novas leis publicadas por Justiniano ao longo de sua vida. LEGADO ROMANO Corpus Iuris Civilis • No Brasil ainda há grande influência do direito romano, pois o mesmo possuiu importante papel na aplicação prática do direito no país. • Através das Ordenações de Portugal, o Direito Romano teve aplicações práticas no Brasil por muito tempo. • Essas Ordenações (Filipinas) possuíram validade até a instituição do Código Civil de 1916, sendo este o primeiro conjunto de leis civis nacionais. • Entre todos os códigos civis instituídos no Brasil, destaca-se a grande influência do direito romano na elaboração da Constituição Federal e diversos outros normativos jurídicos nacionais. LEGADO ROMANO INSTITUTOS: PESSOAS • Os principais institutos do Direito Privado romano são: 1) Direito das Pessoas; 2) Direito de Família; 3) Direito das Coisas; 4) Direito das Obrigações; 5) Direito das Sucessões. • 1) Direito das Pessoas: previa um sistema de status para afirmar uma capacidade civil plena (sujeito de direitos e obrigações). • Primeiro requisito: nascer vivo e ter forma humana. • Segundo, era necessário reunir três status: • Status libertatis (liberdade); • Status civitatis (cidadania) • Status familiae (independência). LEGADO ROMANO INSTITUTOS: PESSOAS • O primeiro status, chamado de status libertatis, correspondia à situação segundo a qual os homens (todas as pessoas) ou são livres ou são escravos. • Em Roma, a escravidão sempre foi regulada como regime de propriedade, e o escravo era considerado juridicamente uma res (coisa), que poderia ser libertado por vontade do seu senhor (o dominus). • O segundo status, chamado de status civitatis, correspondia à vinculação do indivíduo a uma comunidade organizada, a civitas. Dela derivavam direitos e deveres públicos e privados. Para possuí-la era ser cidadão da cidade, não simples peregrino ou desterrado (capacidade reduzida). LEGADO ROMANO INSTITUTOS: PESSOAS • O terceiro status, chamado de status familiae, apesar de o nome remeter à família, diz respeito à condição de independência do sujeito. • Podia ser sui juris, quando era independente (normalmente os chefes de família, o pater familias), ou alieni juris, quando estava submetido ao poder de um pater familias. • Uma mulher em Roma poderia chegar a ser independente e ter um certo status familiae (capacidade para certos atos). Mas, quanto à chefia da família, a mulher jamais poderia ser pater familias e exercer a patria potestas (poder sobre os filhos e o patrimônio da casa). LEGADO ROMANO INSTITUTOS: FAMÍLIA • 2) Direito de Família: O conceito de família era compreendido como o conjunto de pessoas e de benssubmetidos a uma mesma potestas (poder), exercida única e exclusivamente por um homem livre e com todos os status, o pater familias. • Esse poder incidia sobre pessoas e bens e, por isso, dava uma noção patrimonial da família, quase que como uma propriedade. Por isso, a família romana não pode ser compreendida apenas como um grupo de pessoas, muito menos só do mesmo sangue, é muito maior, pois tem caráter patrimonial. LEGADO ROMANO INSTITUTOS: FAMÍLIA • Art. 1.591, Código Civil de 2002: São parentes em linha reta as pessoas que estão umas para com as outras na relação de ascendentes e descendentes. • Art. 1.592: São parentes em linha colateral ou transversal, até o quarto grau, as pessoas provenientes de um só tronco, sem descenderem uma da outra. • Art. 1.630: Os filhos estão sujeitos ao poder familiar, enquanto menores. LEGADO ROMANO INSTITUTOS: OUTROS • Atualmente, por influência do Direito Romano, o nosso Direito Civil disciplina: • Os bens, nos arts. 79 a 103. • A posse, nos arts. 1.196 a 1.224. • As obrigações do art. 223 ao 853 (Livro I da Parte Especial). • As sucessões, do art. 1.784 ao 2.027 (Livro V da Parte Especial). https://www.youtube.com/watch?v=5Zg4i0nmWqo&t=1s&ab_channel=OXicoExplica https://www.youtube.com/watch?v=5Zg4i0nmWqo&ab_channel=OXicoExplica https://www.youtube.com/watch?v=yjvMNwzjDHw&ab_channel=Profa.MarinaS.W%C3%BCnsch Módulo 1: 2ª e 3ª Semanas PONTOS DAS AULAS UAs – 2ª e 3ª SEMANAS ROMA ANTIGA Número do slide 5 ROMA ANTIGA ROMA ANTIGA ROMA ANTIGA ROMA ANTIGA Número do slide 10 ESTRUTURAS POLÍTICAS MONARQUIA ROMANA MONARQUIA ROMANA MONARQUIA ROMANA MONARQUIA ROMANA MONARQUIA ROMANA REPÚBLICA ROMANA REPÚBLICA ROMANA Número do slide 19 Número do slide 20 Número do slide 21 REPÚBLICA ROMANA REPÚBLICA ROMANA Número do slide 24 REPÚBLICA ROMANA REPÚBLICA ROMANA REPÚBLICA ROMANA IMPÉRIO ROMANO IMPÉRIO ROMANO IMPÉRIO ROMANO IMPÉRIO ROMANO IMPÉRIO ROMANO ESTRUTURAS JURÍDICAS DIREITO ROMANO ARCAICO DIREITO ROMANO CLÁSSICO Número do slide 36 Número do slide 37 DIREITO ROMANO PÓS-CLÁSSICO DIREITO ROMANO PÓS-CLÁSSICO LEGADO�ROMANO LEGADO ROMANO LEGADO ROMANO LEGADO ROMANO LEGADO ROMANO LEGADO ROMANO LEGADO ROMANO LEGADO ROMANO LEGADO ROMANO LEGADO ROMANO LEGADO ROMANO Número do slide 51 Número do slide 52 Número do slide 53