Prévia do material em texto
311 DIREITO TRIBUTÁRIO TRIBUTO: CONCEITO E CLASSIFICAÇÃO. LIMITAÇÕES CONSTITUCIONAIS DO PODER DE TRIBUTAR CONSTITUIÇÃO FEDERAL Art. 145. A União, os Estados, o Distrito Federal e os Municípios poderão instituir os seguintes tributos: I - impostos; II - taxas, em razão do exercício do poder de polícia ou pela utilização, efetiva ou potencial, de serviços públicos específicos e divisíveis, prestados ao contribuinte ou postos a sua disposição; III - contribuição de melhoria, decorrente de obras públicas. § 1º - Sempre que possível, os impostos terão caráter pessoal e serão graduados segundo a capacidade econômica do contribuinte, facultado à administração tributária, especialmente para conferir efetividade a esses objetivos, identificar, respeitados os direitos in- dividuais e nos termos da lei, o patrimônio, os rendimentos e as atividades econômicas do contribuinte. § 2º - As taxas não poderão ter base de cálculo própria de im- postos. Art. 146. Cabe à lei complementar: I - dispor sobre conflitos de competência, em matéria tributá- ria, entre a União, os Estados, o Distrito Federal e os Municípios; II - regular as limitações constitucionais ao poder de tributar; III - estabelecer normas gerais em matéria de legislação tributá- ria, especialmente sobre: a) definição de tributos e de suas espécies, bem como, em rela- ção aos impostos discriminados nesta Constituição, a dos respecti- vos fatos geradores, bases de cálculo e contribuintes; b) obrigação, lançamento, crédito, prescrição e decadência tri- butários; c) adequado tratamento tributário ao ato cooperativo pratica- do pelas sociedades cooperativas. d) definição de tratamento diferenciado e favorecido para as microempresas e para as empresas de pequeno porte, inclusive re- gimes especiais ou simplificados no caso do imposto previsto no art. 155, II, das contribuições previstas no art. 195, I e §§ 12 e 13, e da contribuição a que se refere o art. 239. Parágrafo único. A lei complementar de que trata o inciso III, d, também poderá instituir um regime único de arrecadação dos impostos e contribuições da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, observado que: I - será opcional para o contribuinte; II - poderão ser estabelecidas condições de enquadramento di- ferenciadas por Estado; III - o recolhimento será unificado e centralizado e a distribuição da parcela de recursos pertencentes aos respectivos entes federa- dos será imediata, vedada qualquer retenção ou condicionamento; IV - a arrecadação, a fiscalização e a cobrança poderão ser com- partilhadas pelos entes federados, adotado cadastro nacional único de contribuintes. Art. 146-A. Lei complementar poderá estabelecer critérios es- peciais de tributação, com o objetivo de prevenir desequilíbrios da concorrência, sem prejuízo da competência de a União, por lei, es- tabelecer normas de igual objetivo. Art. 147. Competem à União, em Território Federal, os im- postos estaduais e, se o Território não for dividido em Municípios, cumulativamente, os impostos municipais; ao Distrito Federal ca- bem os impostos municipais. Art. 148. A União, mediante lei complementar, poderá instituir empréstimos compulsórios: I - para atender a despesas extraordinárias, decorrentes de ca- lamidade pública, de guerra externa ou sua iminência; II - no caso de investimento público de caráter urgente e de re- levante interesse nacional, observado o disposto no art. 150, III, “b”. Parágrafo único. A aplicação dos recursos provenientes de em- préstimo compulsório será vinculada à despesa que fundamentou sua instituição. Art. 149. Compete exclusivamente à União instituir contribui- ções sociais, de intervenção no domínio econômico e de interesse das categorias profissionais ou econômicas, como instrumento de sua atuação nas respectivas áreas, observado o disposto nos arts. 146, III, e 150, I e III, e sem prejuízo do previsto no art. 195, § 6º, relativamente às contribuições a que alude o dispositivo. § 1º Os Estados, o Distrito Federal e os Municípios poderão ins- tituir contribuição, cobrada de seus servidores, para o custeio, em benefício destes, de sistemas de previdência e assistência social. § 1º Os Estados, o Distrito Federal e os Municípios instituirão contribuição, cobrada de seus servidores, para o custeio, em bene- fício destes, do regime previdenciário de que trata o art. 40, cuja alíquota não será inferior à da contribuição dos servidores titulares de cargos efetivos da União. § 2º As contribuições sociais e de intervenção no domínio eco- nômico de que trata o caput deste artigo: I - não incidirão sobre as receitas decorrentes de exportação II - poderão incidir sobre a importação de petróleo e seus deri- vados, gás natural e seus derivados e álcool combustível; II - incidirão também sobre a importação de produtos estran- geiros ou serviços; III - poderão ter alíquotas: a) ad valorem, tendo por base o faturamento, a receita bruta ou o valor da operação e, no caso de importação, o valor aduaneiro; b) específica, tendo por base a unidade de medida adotada. § 3º A pessoa natural destinatária das operações de importa- ção poderá ser equiparada a pessoa jurídica, na forma da lei. § 4º A lei definirá as hipóteses em que as contribuições incidi- rão uma única vez. Art. 149-A Os Municípios e o Distrito Federal poderão instituir contribuição, na forma das respectivas leis, para o custeio do servi- ço de iluminação pública, observado o disposto no art. 150, I e III. Parágrafo único. É facultada a cobrança da contribuição a que se refere o caput, na fatura de consumo de energia elétrica, DIREITO TRIBUTÁRIO 312 Competência Tributária Segundo a doutrina é o poder de criar tributos, sendo esse po- der conferido pela Constituição Federal à União, aos Estados-mem- bros, ao Distrito Federal e aos Municípios. O legislador constitucio- nal determinou quais tributos cada ente político pode criar, bem como limitou esse poder de criação, impondo limites. Ou seja, é a competência legislativa que os entes políticos possuem de criar tributos, e competência legislativa é a competência de criar leis, então, competência tributária é o poder de criar tributos através de leis. O Código Tributário Nacional trata do tema nos artigos 6º a 8º: Art. 6º. A atribuição constitucional de competência tributária compreende a competência legislativa plena, ressalvadas as limi- tações constitucionais contidas na Constituição Federal, nas Cons- tituições dos Estados e nas Leis Orgânicas do Distrito Federal e dos Municípios, e observado o disposto nesta lei. Parágrafo único. Os tributos cuja receita seja distribuída, no todo ou em parte, a outras pessoas jurídicas de direito público per- tencem à competência legislativa daquela a que tenham sido atri- buídos. Art. 7º. A competência tributária é indelegável, salvo a atribui- ção das funções de arrecadar ou fiscalizar tributos, ou de executar leis, serviços, atos ou decisões administrativas em matéria tributá- ria, conferida por uma pessoa jurídica de direito público a outra, nos termos do § 3º do art. 18 da Constituição. § 1º A atribuição compreende as garantias e os privilégios pro- cessuais que competem à pessoa jurídica de direito público que a conferir. § 2º A atribuição pode ser revogada, a qualquer tempo, por ato unilateral da pessoa jurídica de direito público que a tenha con- ferido. § 3º Não constitui delegação de competência o cometimento, a pessoas jurídicas de direito privado, do encargo ou da função de arrecadar tributos. Art. 8º. O não exercício da competência tributária não a defere a pessoa jurídica de direito público diversa daquela a que a Consti- tuição a tenha atribuído. São características da competência tributária: 1. Indelegabilidade: a competência tributária é indelegável, dis- posição expressa do artigo 7º do CTN (Código Tributário Nacional), um ente político não pode delegar, conferir a outra pessoa de direi- to público a competência tributária queimpostos não previstos no ar- tigo anterior, desde que sejam não cumulativos e não tenham fato gerador ou base de cálculo próprios dos discriminados nesta Cons- tituição; II - na iminência ou no caso de guerra externa, impostos extra- ordinários, compreendidos ou não em sua competência tributária, os quais serão suprimidos, gradativamente, cessadas as causas de sua criação. Os impostos de competência da União estão contidos no Art. 153 da Constituição Federal e disciplina a matéria e define os tipos de tributos e a sua competência. São eles: - Imposto de importação de produtos estrangeiros; - Imposto de exportação de produtos nacionais ou nacionali- zados; - Imposto de renda e proventos de qualquer natureza; - Imposto sobre produtos industrializados; - Imposto sobre operações de crédito, câmbio e seguro ou rela- tivas a títulos ou valores mobiliários; - Imposto sobre propriedade territorial rural; - Imposto sobre grandes fortunas. Imposto sobre Importação: a) Fato gerador: tem como fato gerador a entrada destes no território nacional. A rigor, para incidência do gravame, a condição necessária e su- ficiente é a de que, cumulativamente, implementem-se os seguin- tes requisitos: entrada no território nacional; de produto estrangei- ro e para permanência definitiva. b) Sujeito ativo: União c) Sujeito passivo: Contribuinte d) Contribuinte: O contribuinte neste caso é o importador ou a quem a ele a lei equiparar, e o arrematante de produtos apreen- didos ou abandonados. Geralmente, o importador é uma pessoa jurídica, regularmente estabelecida, mas, para os fins do imposto, é considerado importador qualquer pessoa, seja natural ou jurídica, regularmente estabelecida ou não, que realize a introdução da mer- cadoria no território nacional. Imposto Sobre Exportação: a) Fato gerador: O imposto para o estrangeiro, de produtos nacionais ou nacionalizados tem como fato gerador a saída destes no território nacional. Considera-se ocorrido o fato gerador no mo- mento da expedição da guia de exportação ou documento equiva- lente, porém a condição necessária para incidência do tributo é a de, cumulativamente, implementarem-se os seguintes requisitos: saída do território nacional; de produto nacional ou nacionalizado; para consumo ou uso no exterior. b) Sujeito ativo: União c) Sujeito passivo: Contribuinte d) Contribuinte: Contribuinte do imposto é o exportador ou quem a lei a ele equiparar. A Constituição não vinculou o imposto de exportação a um su- jeito passivo específico, nem atribuiu à lei complementar essa defi- nição de sorte que o legislador ordinário pode livremente escolher o contribuinte desse imposto. A lei não pode equiparar ao exporta- dor pessoa sem qualquer relação com a exportação. Imposto sobre Renda e Proventos de Qualquer Natureza: a) Fato Gerador: O imposto sobre a renda e proventos de qual- quer natureza tem como fato gerador a aquisição da disponibilida- de econômica ou jurídica: - de renda, assim entendido o produto do capital, do trabalho ou da combinação de ambos; - de proventos de qualquer natureza, assim entendidos os acréscimos patrimoniais não compreendidos no inciso anterior. A incidência do imposto depende da denominação da receita ou do rendimento da localização, condição jurídica ou nacionalida- de da fonte, da origem e da forma de percepção. Na hipótese de receita ou de rendimento oriundos do exterior, a lei estabelecerá as condições e o momento em que se dará sua disponibilidade, para fins de incidência do imposto referido neste artigo. b) Sujeito ativo: União c) Sujeito passivo: Contribuinte d) Contribuinte: Contribuinte do imposto é o titular da disponi- bilidade a que se refere o art. 43, sem prejuízo de atribuir a lei essa condição ao possuidor, a qualquer título, dos bens produtores de renda ou dos proventos tributáveis. Imposto Sobre Produtos Industrializados: a) Fato Gerador: O imposto sobre produtos industrializados tem como fato gerador: - o seu desembaraço aduaneiro, quando de procedência es- trangeira; - a sua saída dos estabelecimentos a que se refere o parágrafo único do art. 51; - a sua arrematação, quando apreendido ou abandonado e le- vado a leilão. Parágrafo único - Para os efeitos deste imposto, considera-se industrializado o produto que tenha sido submetido a qualquer operação que lhe modifique a natureza ou a finalidade, ou o aper- feiçoe para o consumo. (CTN, art. 46) b) Sujeito ativo: União c) Sujeito passivo: Contribuinte d) Contribuinte: Contribuinte do imposto é: - o importador ou quem a lei a ele equiparar; - o industrial ou quem a lei a ele equiparar; DIREITO TRIBUTÁRIO 324 - o comerciante de produtos sujeitos ao imposto, que os forne- ça aos contribuintes definidos no inciso anterior; - o arrematante de produtos apreendidos ou abandonados, le- vados a leilão. Parágrafo único - Para os efeitos deste imposto, considera-se contribuinte autônomo qualquer estabelecimento de importador, industrial, comerciante ou arrematante.(CTN, art. 51). Imposto Sobre Operações de Crédito, Câmbio e Seguros e So- bre Operações Relativas a Títulos e Valores Mobiliários: a) Fato Gerador: O imposto sobre operações de crédito, câmbio e seguro, e sobre operações relativas a títulos e valores mobiliários tem como fato gerador: - quanto às operações de crédito, a sua efetivação pela entrega total ou parcial do montante ou do valor que constitua o objeto da obrigação, ou sua colocação à disposição do interessado; - quanto às operações de câmbio, a sua efetivação pela entrega de moeda nacional ou estrangeira, ou de documento que a repre- sente, ou sua colocação à disposição do interessado, em montante equivalente à moeda estrangeira ou nacional entregue ou posta à disposição por este; - quanto às operações de seguro, a sua efetivação pela emissão da apólice ou do documento equivalente, ou recebimento do prê- mio, na forma da lei aplicável; - quanto às operações relativas a títulos e valores mobiliários, a emissão, transmissão, pagamento ou resgate destes, na forma da lei aplicável. Parágrafo único - A incidência definida no inciso I exclui a defi- nida no inciso IV, e reciprocamente, quanto à emissão, ao pagamen- to ou resgate do título representativo de uma mesma operação de crédito. (CTN, art 63) b) Sujeito ativo: União c) Sujeito passivo: Contribuinte d) Contribuinte: Contribuinte do imposto é qualquer das partes na operação tributada, como dispuser a lei. São contribuintes do imposto: - os tomadores de crédito, os compradores de moeda estran- geira para pagamento de importação de bens e serviços; - os segurados e os adquirentes de títulos e valores mobiliários; - os primeiros tomadores – pessoas físicas ou jurídicas – dos créditos concedidos pelos agentes do Sistema Financeiro da Habi- tação. Imposto Sobre Propriedade Territorial Rural: a) Fato gerador: O imposto, de competência da União, sobre a propriedade territorial rural tem como fato gerador a propriedade, o domicílio útil ou a posse de imóvel por natureza, como definido na lei civil, localizado fora da zona urbana do Município. b) Sujeito ativo: União c) Sujeito passivo: Contribuinte d) Contribuinte: Contribuinte do imposto é o proprietário do imóvel, o titular de seu domínio útil, ou o seu possuidor a qualquer título. Imposto Sobre Grandes Fortunas: A Constituição Federal de 1988 atribui à União competência para instituir imposto sobre grandes fortunas, nos termos da lei complementar (art. 153, inc. VII). Não obstante, até agora esse im- posto não foi instituído, nem editada a lei complementar para defi- nir o que se deve entender como grande fortuna. Competência impositiva residual da União Alguns autores sustentam que a União tem “competência resi- dual”, mas isso não está tecnicamente correto, pois a competência residual abrange apenas os impostos e não todos os tributos. Deve ser atendido o princípio da legalidade, da anterioridade e da noventena (art. 150, I e III, “b”e “c” da CF). A União tem competência para instituir, por meio de lei com- plementar (para ser aprovada precisa de um quórum de maioria absoluta), qualquer outro imposto, desde que não tenham mesma hipótese de incidência e base de cálculo de outros impostos e des- de que atendam ao principio da não-cumulatividade, o montante devido em uma operação compensa-se com o cobrado nas ante- riores. Desta forma, o montante pago em cada operação jurídica se transformará em crédito fiscal, a ser utilizado como moeda de pagamento do tributo nas próximas operações (art. 154, I da CF). Competência da União para instituir impostos extraordinários O imposto de guerra deve atender ao princípio da legalidade, mas representa uma exceção ao princípio da anterioridade e da no- ventena (art. 150, §1º da CF). Assim, deve ser instituído por meio de lei ordinária. A União tem competência para instituir impostos extraordiná- rios em caso de guerra externa ou sua iminência, compreendidos ou não em sua competência tributária, os quais serão suprimidos gradativamente, cessadas as causas de sua criação (art. 154, II da CF). Guerra externa ou sua iminência: A iminência de guerra exter- na precisa estar comprovada efetivamente, isto é, precisa ser de- clarada pelo Presidente e autorizada pelo Congresso Nacional ou referendada por ele, quando ocorrida no intervalo das sessões le- gislativas (art. 84, XIX da CF). Impostos compreendidos ou não em sua competência: O prin- cípio da reserva de competências impositivas desaparece em favor da União, diante do estado de beligerância, podendo assim instituir até mesmo impostos que não sejam de sua competência. - bitributação (cobrança de um mesmo imposto por entes dife- rentes) só é constitucional nos impostos extraordinários, e difere-se do “bis in idem” (cobrança do mesmo imposto pelo mesmo ente). O artigo 76 do Código Tributário Nacional determina que os im- postos extraordinários devem ser suprimidos em 5 anos a contar da celebração da paz. Alguns autores afirmam que este artigo é incons- titucional, pois como a Constituição Federal não trouxe prazo, não cabe à lei complementar prevê-lo. Portanto, deveriam ser suprimi- dos até o final do exercício financeiro. SEÇÃO IV DOS IMPOSTOS DOS ESTADOS E DO DISTRITO FEDERAL Art. 155. Compete aos Estados e ao Distrito Federal instituir impostos sobre: I - transmissão causa mortis e doação, de quaisquer bens ou direitos; II - operações relativas à circulação de mercadorias e sobre prestações de serviços de transporte interestadual e intermunici- pal e de comunicação, ainda que as operações e as prestações se iniciem no exterior; III - propriedade de veículos automotores. § 1.º O imposto previsto no inciso I: I - relativamente a bens imóveis e respectivos direitos, compete ao Estado da situação do bem, ou ao Distrito Federal II - relativamente a bens móveis, títulos e créditos, compete ao Estado onde se processar o inventário ou arrolamento, ou tiver domicílio o doador, ou ao Distrito Federal; DIREITO TRIBUTÁRIO 325 III - terá competência para sua instituição regulada por lei com- plementar: a) se o doador tiver domicilio ou residência no exterior; b) se o de cujus possuía bens, era residente ou domiciliado ou teve o seu inventário processado no exterior; IV - terá suas alíquotas máximas fixadas pelo Senado Federal; § 2.º O imposto previsto no inciso II atenderá ao seguinte: I - será não cumulativo, compensando-se o que for devido em cada operação relativa à circulação de mercadorias ou prestação de serviços com o montante cobrado nas anteriores pelo mesmo ou outro Estado ou pelo Distrito Federal; II - a isenção ou não incidência, salvo determinação em contrá- rio da legislação: a) não implicará crédito para compensação com o montante devido nas operações ou prestações seguintes; b) acarretará a anulação do crédito relativo às operações an- teriores; III - poderá ser seletivo, em função da essencialidade das mer- cadorias e dos serviços; IV - resolução do Senado Federal, de iniciativa do Presidente da República ou de um terço dos Senadores, aprovada pela maioria absoluta de seus membros, estabelecerá as alíquotas aplicáveis às operações e prestações, interestaduais e de exportação; V - é facultado ao Senado Federal: a) estabelecer alíquotas mínimas nas operações internas, me- diante resolução de iniciativa de um terço e aprovada pela maioria absoluta de seus membros; b) fixar alíquotas máximas nas mesmas operações para resol- ver conflito específico que envolva interesse de Estados, mediante resolução de iniciativa da maioria absoluta e aprovada por dois ter- ços de seus membros; VI - salvo deliberação em contrário dos Estados e do Distrito Federal, nos termos do disposto no inciso XII, “g”, as alíquotas in- ternas, nas operações relativas à circulação de mercadorias e nas prestações de serviços, não poderão ser inferiores às previstas para as operações interestaduais; VII - nas operações e prestações que destinem bens e serviços a consumidor final, contribuinte ou não do imposto, localizado em outro Estado, adotar-se-á a alíquota interestadual e caberá ao Esta- do de localização do destinatário o imposto correspondente à dife- rença entre a alíquota interna do Estado destinatário e a alíquota interestadual; (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 87, de 2015) (Produção de efeito) a) (revogada); (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 87, de 2015) b) (revogada); (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 87, de 2015) VIII - a responsabilidade pelo recolhimento do imposto corres- pondente à diferença entre a alíquota interna e a interestadual de que trata o inciso VII será atribuída: (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 87, de 2015) (Produção de efeito) a) ao destinatário, quando este for contribuinte do imposto; (Incluído pela Emenda Constitucional nº 87, de 2015) b) ao remetente, quando o destinatário não for contribuinte do imposto; (Incluído pela Emenda Constitucional nº 87, de 2015) IX - incidirá também: a) sobre a entrada de bem ou mercadoria importados do ex- terior por pessoa física ou jurídica, ainda que não seja contribuin- te habitual do imposto, qualquer que seja a sua finalidade, assim como sobre o serviço prestado no exterior, cabendo o imposto ao Estado onde estiver situado o domicílio ou o estabelecimento do destinatário da mercadoria, bem ou serviço; b) sobre o valor total da operação, quando mercadorias forem fornecidas com serviços não compreendidos na competência tribu- tária dos Municípios; X - não incidirá: a) sobre operações que destinem mercadorias para o exterior, nem sobre serviços prestados a destinatários no exterior, assegu- rada a manutenção e o aproveitamento do montante do imposto cobrado nas operações e prestações anteriores; b) sobre operações que destinem a outros Estados petróleo, inclusive lubrificantes, combustíveis líquidos e gasosos dele deriva- dos, e energia elétrica; c) sobre o ouro, nas hipóteses definidas no art. 153, § 5º; d) nas prestações de serviço de comunicação nas modalida- des de radiodifusão sonora e de sons e imagens de recepção livre e gratuita; XI - não compreenderá, em sua base de cálculo, o montante do imposto sobre produtos industrializados, quando a operação, realizada entre contribuintes e relativa a produto destinado à in- dustrialização ou à comercialização, configure fato gerador dos dois impostos; XII - cabe à lei complementar: a) definir seus contribuintes; b) dispor sobre substituição tributária; c) disciplinar o regime de compensação do imposto; d) fixar, para efeito de sua cobrança e definição do estabeleci- mento responsável, o local das operações relativas à circulação de mercadorias e das prestações de serviços; e) excluir da incidência do imposto, nas exportações para o ex- terior, serviços e outros produtos além dos mencionados no inciso X, “a”; f) prever casos de manutenção de crédito, relativamente à re- messa para outro Estado e exportaçãopara o exterior, de serviços e de mercadorias; g) regular a forma como, mediante deliberação dos Estados e do Distrito Federal, isenções, incentivos e benefícios fiscais serão concedidos e revogados. h) definir os combustíveis e lubrificantes sobre os quais o im- posto incidirá uma única vez, qualquer que seja a sua finalidade, hipótese em que não se aplicará o disposto no inciso X, b; i) fixar a base de cálculo, de modo que o montante do imposto a integre, também na importação do exterior de bem, mercadoria ou serviço. § 3º À exceção dos impostos de que tratam o inciso II do caput deste artigo e o art. 153, I e II, nenhum outro imposto poderá incidir sobre operações relativas a energia elétrica, serviços de telecomu- nicações, derivados de petróleo, combustíveis e minerais do País. § 4º Na hipótese do inciso XII, h, observar-se-á o seguinte: I - nas operações com os lubrificantes e combustíveis derivados de petróleo, o imposto caberá ao Estado onde ocorrer o consumo; II - nas operações interestaduais, entre contribuintes, com gás natural e seus derivados, e lubrificantes e combustíveis não inclu- ídos no inciso I deste parágrafo, o imposto será repartido entre os Estados de origem e de destino, mantendo-se a mesma proporcio- nalidade que ocorre nas operações com as demais mercadorias; III - nas operações interestaduais com gás natural e seus deri- vados, e lubrificantes e combustíveis não incluídos no inciso I deste parágrafo, destinadas a não contribuinte, o imposto caberá ao Es- tado de origem; IV - as alíquotas do imposto serão definidas mediante delibera- ção dos Estados e Distrito Federal, nos termos do § 2º, XII, g, obser- vando-se o seguinte: a) serão uniformes em todo o território nacional, podendo ser diferenciadas por produto; DIREITO TRIBUTÁRIO 326 b) poderão ser específicas, por unidade de medida adotada, ou ad valorem, incidindo sobre o valor da operação ou sobre o preço que o produto ou seu similar alcançaria em uma venda em condi- ções de livre concorrência; c) poderão ser reduzidas e restabelecidas, não se lhes aplican- do o disposto no art. 150, III, b. § 5º As regras necessárias à aplicação do disposto no § 4º, in- clusive as relativas à apuração e à destinação do imposto, serão es- tabelecidas mediante deliberação dos Estados e do Distrito Federal, nos termos do § 2º, XII, g. § 6º O imposto previsto no inciso III: I - terá alíquotas mínimas fixadas pelo Senado Federal; II - poderá ter alíquotas diferenciadas em função do tipo e uti- lização. Para a explanação dos impostos competentes dos Estados, Municípios e Distrito Federal, utilizaremos o entendimento do pro- fessor Eduardo Sabbag. Impostos Estaduais 1. Imposto sobre transmissão “causa mortis” e doação e quais- quer bens ou direitos (ITCMD): deve atender ao princípio da lega- lidade, da anterioridade e da noventena (art. 150, I e III, “b” e “c” da CF). - Função: Fiscal (arrecadação de recursos). - Fato gerador: A transmissão de bens e direitos por doação ou por sucessão. - Contribuinte: É qualquer das partes na operação tributada, como dispuser a lei (art. 42 do CTN). O legislador poderá atribuir a qualquer uma das partes na operação tributária, conforme os in- teresses do ente tributante. No caso de doação, o contribuinte é sempre o doador (donatário) e no caso do imposto causa mortis, o beneficiário do bem ou direito transmitido. - Alíquotas: Cabe ao Senado fixar as alíquotas máximas do IT- CMD (art. 155, §1º, IV da CF). O Senado fixou a alíquota máxima em 8% (resolução 9/92). Os Estados e Distrito Federal irão legislar sobre as alíquotas. - Base de cálculo: É o valor venal dos bens ou direitos transmi- tidos (art. 38 do CTN). Leva-se em conta o valor venal na data da abertura da sucessão ou da realização da doação. - Sujeito ativo: - Quanto a bens imóveis e respectivos direitos: Compete ao Estado da situação do bem ou ao Distrito Federal (art. 155, § 1º, I da CF). - Quanto a bens móveis, títulos e créditos: Compete ao Estado onde se processar o inventário ou arrolamento, ou tiver domicílio o doador, ou ao Distrito Federal (art. 155, §1º, II da CF). O ITCMD terá a sua competência para instituição regulada pela lei complementar se: o doador tiver domicilio ou residência no ex- terior; o de cujos possuía bens, era residente ou domiciliado ou teve seu inventário processado no exterior (art. 155, §1º, III da CF). 2. Imposto sobre operações relativas à circulação de merca- dorias e sobre prestações de serviços de transporte interestadual e intermunicipal e de comunicação, ainda que as operações e as prestações se iniciem no exterior (ICMS): O ICMS deve atender ao princípio da legalidade, da anteriori- dade e da noventena (art. 150, I e III, “b” e “c” da CF). Entretanto, o ICMS sobre combustível e lubrificante não precisa atender ao prin- cípio da anterioridade e da legalidade (art. 155, §4º, “c” da CF). O ICMS, assim como o IPI, não precisa atender ao princípio da capacidade contributiva, pois é imposto indireto, isto é, o consumi- dor final suporta as cargas tributárias independentemente da capa- cidade econômica. O ICMS poderá ser seletivo, em função da essencialidade da mercadoria e dos serviços (princípio da seletividade). Produto mais essencial terá alíquota menor e vice-versa (art. 155, §2º, III da CF). A Fazenda Pública sustenta que a seletividade é facultativa. O ICMS deve atender ao princípio da não cumulatividade, isto é, o montante devido em uma operação compensa-se com o cobra- do nas anteriores pelo mesmo ou outro Estado ou Distrito Federal. (art. 155, §2º, I da CF). Desta forma, o montante pago em cada ope- ração jurídica se transformará em crédito fiscal, a ser utilizado como moeda de pagamento do tributo nas próximas operações. O ICMS é pago parte em moeda e parte em crédito obtido nas operações anteriormente realizadas. - Substituição tributária para frente: “A lei poderá atribuir a sujeito passivo da obrigação tributária a condição de responsável pelo pagamento de imposto ou contribuição, cujo fato gerador deva ocorrer posteriormente, assegurada a imediata e preferencial resti- tuição da quantia paga caso não se realize o fato gerador presumi- do” (art. 150, §7º da CF). Substituição tributária para frente é um mecanismo criado pelo legislador para coibir ou remediar a situação das pequenas vendas em que não se extrai nota fiscal. A parte antecipa o ICMS que será devido quando a seguinte operação mercantil se realizar. Tributa- ção por fato futuro. Se não houver o fato imponível presumido, fica assegurada a imediata restituição do que foi pago em antecipação. Nesse caso, será estimado o valor da hipotética venda posterior da mercadoria. - Função: Principalmente fiscal (arrecadação de recursos), mas não podemos esquecer que também exerce uma função extrafiscal (princípio da seletividade). - Contribuinte: Cabe à lei complementar definir contribuinte (art. 155, §2º, XII, “a” da CF): O artigo 4º da lei complementar 87/96 traz a definição de contribuinte. - Alíquota: Os Estados e Distrito Federal irão legislar sobre as alíquotas nos limites da Constituição Federal. Resolução do Senado, de iniciativa do Presidente da República ou de 1/3 dos Senadores, aprovada pela maioria absoluta de seus membros, estabelecerá as alíquotas aplicáveis às operações e prestações, interestaduais e de exportação (art. 155, §2º, IV da CF). O Senado pode estabelecer as alíquotas mínimas nas opera- ções internas, mediante resolução de iniciativa de 1/3 e aprovada pela maioria absoluta de seus membros (art. 155, §2º, V, “a” da CF). Podendo fixa-las em máximas nas operações para resolver conflito específico que envolva interesse de Estados, mediante resolução de iniciativa da maioria absoluta e aprovada por 2/3 dos seus mem- bros. (art. 155, §2, V, “b” da CF). “Salvo deliberação em contrário dos Estados e do Distrito Fede- ral, nos termos do disposto no inciso XII, “g”, as alíquotas internas, nas operações relativasà circulação de mercadorias e nas presta- ções de serviços, não poderão ser inferiores às previstas para ope- rações interestaduais” (art. 155, §2º, VI da CF). Em relação às operações e prestações que destinem bens e ser- viços ao consumidor final localizado em outro Estado adotar-se-á: A alíquota interestadual, quando o destinatário for contribuinte do imposto (art. 155, §2º, VII “a” da CF); A alíquota interna, quando o destinatário não for contribuinte dele (art. 155, §2º, VII, “b” da CF). No caso da alínea “a”, caberá ao Estado da localização do destinatá- rio o imposto correspondente à diferença entre a alíquota interna e a interestadual (art. 155, §2º, VIII da CF). DIREITO TRIBUTÁRIO 327 - Base de cálculo: Cabe à lei complementar fixar a base de cál- culo, de modo que o montante do imposto a integre, também na importação do exterior de bem, mercadoria ou serviço (art. 155, §2º, XII, “i” da CF). Neste caso, será o valor da operação que deu origem a circulação ou o preço do serviço. - ICMS incidirá também: - Sobre a entrada de bem ou mercadoria importados do ex- terior por pessoa física ou jurídica, ainda que não seja contribuin- te habitual do imposto, qualquer que seja a sua finalidade, assim como sobre o serviço prestado no exterior, cabendo o imposto ao Estado onde estiver situado o domicilio ou estabelecimento do des- tinatário da mercadoria ou bem ou serviço (art. 155, IX, “a” da CF). Em relação ao momento da tributação, a Fazenda Pública as- severa que esta se dará no ato do desembaraço aduaneiro, isto é, quando a mercadoria é entregue ao importador destinatário. En- tretanto, há quem afirme que este artigo é inconstitucional, pois coloca o particular e o contribuinte do ICMS no mesmo plano. - Sobre o valor total da operação, quando mercadorias forem fornecidas com serviços não compreendidos na competência tribu- tária dos Municípios (art. 155, IX, “b” da CF). - Imunidade específica do ICMS (art. 155, §2º, X da CF): O ICMS não incidirá: - Sobre operações que destinem mercadorias para o exterior, nem sobre serviços prestados a destinatários no exterior, assegu- rada a manutenção e o aproveitamento do montante do imposto cobrado nas operações e prestações anteriores (art. 155, §2º, X, “a” da CF). - Sobre operações interestaduais de petróleo, inclusive lubri- ficantes, combustíveis líquidos e gasosos dele derivados, e energia elétrica. (art. 155, §2º, X, “b” da CF). - Sobre o ouro quando definido em lei como ativo financeiro ou instrumento cambial, mas nesta operação incidirá IOF (art. 153, §5º da CF). - Nas prestações de serviço de comunicação nas modalidades de radiodifusão sonora e de sons e imagens de recepção livre e gra- tuita (art. 155, §2º, X, “c” da CF). “Com exceção do ICMS, II e IE, nenhum outro imposto poderá incidir sobre operações relativas a energia elétrica, serviços de te- lecomunicações, derivados de petróleo, combustíveis e minerais do País” (art. 155, §3º da CF). A isenção ou não incidência, salvo determinação em contrário da lei, não implicará crédito para compensação com o montante de- vido nas operações ou prestações seguintes; Acarretará a anulação do crédito relativo às operações anteriores (art. 155, §2º, II da CF). - Isenção quanto ao ICMS: Cabe a lei complementar regular a forma como, mediante liberação dos Estados e distrito Federal, isenções, incentivos e benefícios fiscais, serão concedidos e revoga- dos (art. 155, § 2º, XII, “g” da CF). As isenções, incentivos e benefícios fiscais devem ser concedi- dos por meio de convênio entre as unidades da federação. Segundo Geraldo Ataliba, os convênios, depois de celebrados, devem ser ra- tificados. Assim, a isenção de ICMS é concedida por meio de decre- to legislativo que ratifica convênio entre todos os Estados Membros e o Distrito Federal. A União, por meio de lei complementar, poderá excluir ICMS nas exportações para o exterior de serviços e outros produtos além dos mencionados no inciso X a (art. 155, §2º, XII, “e” da CF). - Espécies: O ICMS é um rótulo que se refere a cinco impostos diferentes, com hipóteses de incidência e bases de cálculo diferen- tes. 3. Imposto sobre a propriedade de veículos automotores (IPVA): Deve atender ao princípio da legalidade, da anterioridade e da noventena, mas a sua base de cálculo não precisa atender à noven- tena (art. 150, I, III e §1º da CF). - Fato gerador: É a propriedade do veículo automotor. - Função: predominantemente fiscal. - Contribuinte: O proprietário do veículo, ou seja, aquele em cujo nome o veículo foi licenciado. - Alíquotas: O IPVA terá suas alíquotas mínimas fixadas pelo Senado Federal e poderá ter alíquotas diferenciadas em função do tipo e da utilização (art. 155, §6º da CF). A alíquota do IPVA sujeita-se à anterioridade comum e à no- ventena, mas a sua base de cálculo não se sujeita a noventa (art. 150, §1º da CF). - Base de cálculo: É o valor venal do veículo. - Sujeito ativo: O Estado em que o veículo estiver licenciado e registrado. Impostos distritais (art. 155 e 147 “in fine” da CF): O Distrito Federal é uma pessoa privilegiada, pois pode criar os impostos dos Estados e dos Municípios. Portanto, diz-se que tem competência impositiva dobrada. É importante lembrar que compete à União, em território fe- deral os impostos estaduais e, se o território não for dividido em Municípios, cumulativamente os impostos municipais (art. 147 do CTN). SEÇÃO V DOS IMPOSTOS DOS MUNICÍPIOS Art. 156. Compete aos Municípios instituir impostos sobre: I - propriedade predial e territorial urbana; II - transmissão “inter vivos”, a qualquer título, por ato oneroso, de bens imóveis, por natureza ou acessão física, e de direitos reais sobre imóveis, exceto os de garantia, bem como cessão de direitos a sua aquisição; III - serviços de qualquer natureza, não compreendidos no art. 155, II, definidos em lei complementar. IV - (Revogado) § 1º Sem prejuízo da progressividade no tempo a que se refere o art. 182, § 4º, inciso II, o imposto previsto no inciso I poderá: I – ser progressivo em razão do valor do imóvel; e II – ter alíquotas diferentes de acordo com a localização e o uso do imóvel. § 2º - O imposto previsto no inciso II: I - não incide sobre a transmissão de bens ou direitos incorpo- rados ao patrimônio de pessoa jurídica em realização de capital, nem sobre a transmissão de bens ou direitos decorrente de fusão, incorporação, cisão ou extinção de pessoa jurídica, salvo se, nes- ses casos, a atividade preponderante do adquirente for a compra e venda desses bens ou direitos, locação de bens imóveis ou arren- damento mercantil; II - compete ao Município da situação do bem. § 3º Em relação ao imposto previsto no inciso III do caput deste artigo, cabe à lei complementar: I - fixar as suas alíquotas máximas e mínimas; II - excluir da sua incidência exportações de serviços para o ex- terior. III – regular a forma e as condições como isenções, incentivos e benefícios fiscais serão concedidos e revogados. § 4º - (Revogado) DIREITO TRIBUTÁRIO 328 Impostos Municipais 1. Imposto sobre a propriedade predial e territorial urbana (IPTU): Deve atender ao princípio da legalidade, da anterioridade e da noventena, mas a sua base de cálculo não precisa atender à noven- tena (art. 150, I, III e §1º da CF). - Função: Fiscal (arrecadação de recursos), mas pode vir a ter caráter extrafiscal (estimular o proprietário a obedecer ao plano di- retor do Município). - Fato gerador: É a propriedade, o domínio útil ou a posse de bem imóvel, por natureza ou acessão física, como definido na lei civil, localizado na zona urbana do Município (art. 32 do CTN). Mesmo cabendo à lei municipal definir qual é a área urbana de um Município, o Código Tributário Nacional traz alguns limites. “Entende-se como zona urbana a definida em lei municipal, observado o requisito mínimo da existência de pelo menos dois melhoramentos constituídos ou mantidos pelo Poder Público, tais como: I - meio-fioou calçamento, com canalização de águas pluviais; II - abastecimento de água; III - sistema de esgotos sanitários; IV - rede de iluminação pública com ou sem posteamento para distribuição domiciliar; V escola primária ou posto de saúde a uma distância máxima de três quilômetros do imóvel considerado” (art. 32, §1º, I, II, III, IV e V do CTN). A legislação municipal pode considerar urbanas as áreas ur- banizáveis, ou de expansão urbana, constantes de loteamentos aprovados pelos órgãos competentes, destinados à habitação, à indústria, ou ao comércio, mesmo que localizados fora das zonas definidas nos termos do parágrafo anterior” (art. 32, §2º do CTN). - Contribuinte: É o proprietário, o titular do domínio útil ou o seu possuidor a qualquer título (art. 34 do CTN). Locatário não pode ser sujeito passivo do IPTU, pois a posse tem que ser com ânimo de dono. Diferentemente, pode-se lançar o IPTU contra o invasor do bem. IPTU independe da regularização do bem, pois não seria justo tributar quem age corretamente e não tributar que não age corre- tamente. - Alíquotas: O IPTU poderá ser progressivo em razão do valor do imóvel e terá alíquotas diferentes de acordo com a localização e uso (art. 156, §1º, I e II da CF). Assim, é o imposto que mais atende ao princípio da capacidade contributiva. Esta alíquota está sujeita à anterioridade comum e à noven- tena, mas a sua base de cálculo não se sujeita à noventa (art. 150, §1º da CF). - Base de cálculo: É o valor venal do imóvel, assim considerado o valor que o bem alcançaria em eventual negociação (art. 33 do CTN). “Na determinação da base de cálculo, não se considera o va- lor dos bens mantidos, em caráter permanente ou temporário, no imóvel para efeito de sua utilização, exploração, aforamento ou co- modidade” (artigo 33 parágrafo único do CTN). Desta forma, no valor venal desconsidera-se o seu mobiliado, levando em conta o imóvel vazio. 2. Imposto sobre transmissão “inter vivos”, a qualquer título, por ato oneroso, de bens imóveis, por sua natureza ou acessão fí- sica, e de direitos reais sobre imóveis exceto os de garantia, bem como cessão de direitos a sua aquisição. Deve atender ao princípio da legalidade, da anterioridade e da noventena (art. 150, I e III, “b” e “c” da CF). - Função: fiscal (arrecadação de recursos). - Fato gerador: - Transmissão a qualquer título (compra e venda; dação em pa- gamento de imóvel) por ato oneroso, de bem imóvel, por sua natu- reza ou acessão física (terreno, solo e tudo o que for incorporado pelo homem no solo de maneira permanente), como definidos na lei civil. - Transmissão a qualquer título de direitos reais sobre imóveis (servidão, usufruto, habitação, direito de superfície), exceto os de garantia (hipoteca e anticrese). - Cessão de direitos relativos às transmissões acima. - Não incide: - Sobre os direitos reais de garantia incidentes sobre imóveis. (art. 156, II, in fine da CF) Ex: Hipoteca e Anticrese. - Sobre a transmissão de bens ou direitos incorporados ao pa- trimônio de pessoa jurídica em realização de capital (art. 156, §2º, I da CF). - Sobre a transmissão de bens ou direitos decorrentes de fusão (reunião de 2 ou mais sociedades para formar uma só), incorpora- ção (absorção por uma ou mais sociedades de uma ou outras), cisão (transferência de parte do patrimônio de uma sociedade anônima a outras já existentes com tal finalidade) ou extinção de pessoa jurídi- ca (art. 156, §2º, I da CF). - Exceção: Se a atividade preponderante do adquirente for a compra e venda desses bens ou direitos, locação de imóveis ou ar- rendamento mercantil, haverá incidência do ITBI (art. 156, §2º, I, da CF). “O disposto no artigo anterior não se aplica quando a pessoa jurídica adquirente tenha como atividade preponderante a venda ou locação de propriedade imobiliária ou a cessão de direitos rela- tivos à sua aquisição” (art. 37 do CTN). - São isentas de ITBI as transmissões imobiliárias decorrentes de desapropriações realizadas para fim de reforma agrária: Houve um erro de técnica legislativa, pois na verdade são imunes (art. 184, §5º da CF). Também não incide sobre os bens adquiridos por usuca- pião, pois é forma originária de aquisição da propriedade. -Contribuinte: É qualquer das partes na operação tributada, como dispuser a lei (art. 42 do CTN). Cabe ao legislador dispor quem é o contribuinte do ITBI. - Base de cálculo: É o valor venal dos bens ou direitos transmi- tidos (art. 38 do CTN). - Sujeito ativo: Compete ao Município da situação do bem (art. 156, §2º, II da CF). 3. Imposto sobre serviços de qualquer natureza, não compre- endidos no art. 155, II, definidos em lei complementar (ISS): Deve atender ao princípio da legalidade, da anterioridade e da noventena (art. 150, I e III, “b” e “c” da CF). - Função: Fiscal (arrecadação de recursos) - Fato gerador: É a prestação de serviços constantes da lista, ainda que esses não se constituam como atividade preponderante do prestador (art.1º LC 116/03). Os serviços tributados são aqueles prestados por empresa ou profissional autônomo, com ou sem estabelecimento fixo, desde que não sejam da competência tributária dos Estados. Os serviços listados pela LC 116/03 ficam sujeitos apenas ao ISS, ainda que a prestação envolva o fornecimento de mercadorias, salvo as exceções previstas na lista (art. 1º, §2º da LC 116/03). Já os serviços não listados não ficam sujeitos ao ISS, assim se envolverem fornecimento de mercadorias ficarão sujeitos ao ICMS. A lista é ta- xativa, porém admite interpretação analógica. DIREITO TRIBUTÁRIO 329 - “A prestação de serviços de composição gráfica, personalizada e sob encomenda, ainda que envolva fornecimento de mercadorias, está sujeita, apenas, ao ISS” (súmula 156 STJ); - “O fornecimento de concreto, por empreiteira, para constru- ção civil, preparado no trajeto até a obra em betoneiras acopladas a caminhões, é prestação de serviço, sujeitando-se apenas à incidên- cia do ISS” (súmula 167 STJ). - “O ISS incide sobre o valor dos serviços de assistência médica, incluindo-se neles as refeições, os medicamentos e as diárias hospi- talares” (súmula 274 STJ). - “O fornecimento de mercadorias com a simultânea prestação de serviços em bares, restaurantes e estabelecimentos similares constitui fato gerador do ICMS a incidir sobre o valor total da ope- ração” (sumula 163 STJ). - Lei complementar quanto ao ISS: Cabe à lei complementar fixar suas alíquotas máximas e míni- mas (art. 156, §3º, I da CF). Cabe à lei complementar excluir de sua incidência exportação de serviços para o exterior (art. 156, §3º, II da CF). A União poderá, por meio de lei complementar, isentar exportações de serviço para o exterior. Cabe à lei complementar regular a forma e as condições como isenções, incentivos e benefícios fiscais serão concedidos e revoga- dos (art. 156 §3º, III da CF). - Contribuinte: É o prestador de serviço (art. 5º da LC 116/03). “Os Municípios e o Distrito Federal, mediante lei, poderão atri- buir de modo expresso a responsabilidade pelo crédito tributário a terceira pessoa, vinculada ao fato gerador da respectiva obrigação, excluindo a responsabilidade do contribuinte ou atribuindo-a a este em caráter supletivo do cumprimento total ou parcial da referida obrigação, inclusive no que se refere à multa e aos acréscimos le- gais” (art. 6º da LC 116/03). - Base de cálculo: Para serviços em geral, o preço de serviços, para autônomos, imposto fixo. - Sujeito ativo: Prevalece no Superior Tribunal de Justiça o en- tendimento de que o Município competente para cobrança do ISS é o do local da prestação do serviço. O Município cobra pelo serviço realizado na sua área de domínio. Não incidirá: sobre os produtos industrializados destinados ao exterior Não incidirá sobre operações que destinem mercadorias para o exterior, nem sobre serviços prestados a destinatários no exterior. Cabe à lei complementar excluir sua incidência sobre exporta- ção de serviçospara o exterior. LEGISLAÇÃO TRIBUTÁRIA: DISPOSIÇÕES GERAIS, VIGÊN- CIA, APLICAÇÃO, INTERPRETAÇÃO E INTEGRAÇÃO Clarice Patricia Mauro, em um artigo cientifico, abordou a res- peito deste tema de uma forma didática e de fácil compreensão, sendo objetiva em seu entendimento sem ser simplista; e por isso iremos disponibilizar o referido trabalho, que começa abordando acerca das Normas Gerais de Direito Tributário. 1. Lei e legislação tributária Lei em sentido formal é o ato jurídico produzido pelo Poder competente para o exercício da função legislativa. Em sentido ma- terial, a lei é o ato jurídico normativo que contém uma regra de direito objetivo, dotado de hipoteticidade, é uma prescrição jurí- dica hipotética. No direito tributário é utilizada no sentido restrito, significando regra jurídica de caráter geral e abstrato. Legislação, definição do CTN, é a lei em sentido amplo abran- gendo além das leis em sentido restrito, aos tratados as conven- ções internacionais, os decretos e a normas complementares que versem, no todo ou em parte, sobre tributos e relações jurídicas neles pertinentes. Incluem-se também as disposições constitucio- nais, dos atos e das leis complementares, decretos-lei, convênios interestaduais, e outros atos jurídicos normativos pertinentes. 2. Lei ordinária e lei complementar A lei ordinária como dito alhures decorre de ato jurídico ema- nado do poder legislativo competente para regular, criar, modificar ou revogar ato ou fato jurídico. Lei complementar decorre de previsão constitucional, para aprovação necessita de quórum especial, tem restrição de matérias que pode disciplinar, o art. 59 § único, CF/88. 3. Princípios constitucionais Principio da legalidade – “... é aquele em que ninguém será obrigado a fazer ou deixar de fazer alguma coisa em virtude de lei” No direito tributário sua aplicação se dá “... nenhum tributo pode ser criado, aumentado, reduzido ou extinto sem que o seja por lei.” A aplicabilidade desse princípio se dá através do art. 97 do CTN. A criação de tributo se dará através em regra através de lei or- dinária, a lei complementar caberá somente em casos especiais, devidamente previstos na constituição federal. O princípio da anterioridade esta ligado ao fator cronológico, sua observância cabe em casos específicos onde deva ser respeita- da a anterioridade anual ou nonagesimal. 4. Medidas Provisórias Com previsão constitucional, a partir da EC 32/2001, regrou-se especificamente qual matéria poderia ser regulada através dessa norma constitucional restringiu-se a medidas emergenciais no caso de tributos de custeio como o empréstimo compulsório por período certo e finalidade específica. 5. Tratados e convenções internacionais Os tratados e convenções não podem entrar em conflito com legislação interna, assim devem estar em harmonia com a legis- lação tributária, havendo incompatibilidade entre os tratados e a legislação após denúncia essa será restabelecida entrando nova- mente em vigor. Lei interna não pode revogar os tratados, isso só ocorrerá por via própria. 6. Decretos e regulamentos É ato exclusivo do Chefe do Poder Executivo, ambas são qua- se sinônimos, com finalidade estrita de regulamentar previsão de lei ordinária ou complementar. O decreto emanado pelo Chefe do Poder Executivo tem por objetivo editar regulamento. Existem re- gulamentos de execução e o autônomo, o primeiro a fim de ditar a forma de cobrança do tributo o segundo tem por objetivo regular situações não disciplinadas em lei. 7. Normas complementares Diferente da lei complementar que é prevista pela Constituição Federal, as normas complementares são previstas em lei, especial- mente pelo artigo 100 do CTN, existem várias espécies dentre eles: atos normativos, decisões administrativas (parecer administrativo), práticas reiteradas, convênios do qual será precisar criar regras para o seu regulamento. DIREITO TRIBUTÁRIO 330 Vigência e Aplicação da Legislação Tributária 1. Vigência a aplicação Vigência é a aptidão para incidir, valer, sendo essa vacacio que dá significação jurídica aos fatos. Não havendo disposição em con- trato prevalecerá à previsão da LINDB (Lei Introdução as Normas do Direito Brasileiro) que é de 45 dias de sua publicação. 2. Vigência da legislação tributária no espaço A aplicabilidade da legislação tributária segue a mesma do di- reito comum, observará sempre a LINDB, assim respeitará os limi- tes do ente fazendário seja município, estado ou território nacional, respeitando a disposição do art. 102 do CTN. 3. Vigência da legislação tributária no tempo A legislação tributária terá aplicabilidade observando os pra- zos da LINDB (45 dias da publicação), salvo disposição em contrário, como por exemplo, da data de sua publicação. A fim de afastar sur- presas tributárias a Lei Complementar nº 95/98 c/c LC 107/2001, determinaram a observância a prazo razoável, exceto para as leis de pequena repercussão(art. 8º LC 107/01). A regulação de tais prazos pelo CTN se dá pelo art. 103: a) atos administrativos – portarias, ordens de serviços, instruções norma- tivas e circulares vigência data da publicação; b) decisões órgãos singulares ou coletivos de jurisdição administrativa – 30 dias após a data de sua publicação; c) convênios celebrados entre os entes federativos (Município, Estado, União) na data nele determinada. 4. Os princípios da anualidade e da anterioridade Trata-se aqui de principio da anualidade onde a cobrança deve- rá ser autorizada anualmente, sua regulamentação veio das diver- sas constituições iniciando-se pela de 1946. Quanto ao princípio da anterioridade, que sofrera sérias res- trições na constituição de 1969, tal princípio proíbe a cobrança de tributo no mesmo exercício onde tenha sido publicada a lei que o instituiu ou aumentou, vê-se aqui que se excetuou a minoração ou extinção. 5. Aplicação imediata A legislação tributária tem aplicação imediata, não se aplica aos fatos geradores já consumados mais alcança os pendentes. So- bre esses fatos o art. 116, considera ocorridos e existentes os seus efeitos: a) quando se tratar de situação de fato; b) tratando-se de situação jurídica desde o momento em que esteja definitivamente constituída. 6. Aplicação retroativa É indubil que não se deveria falar de retroatividade, uma vez que o tempo é irreversível. Aqui se trata de situação em que a lei retroagirá para o tempo aos fatos ocorridos antes de sua vigência, poderá ocorrer tal ato desde que seja excluída a aplicação de pena- lidade pela infração dos dispositivos interpretados, essa é a dispo- sição do art. 106, CTN. Cabe aqui ressaltar a lei tributária nova não poderá ser aplica- da a fatos consumados antes do inicio da sua vigência. Não poderá retroagir. Inclui-se aqui a incidência da lei quanto a fatos não con- sumados se os mesmos deixem de ser tidos como infração, quando em ação ou omissão (exceto nos atos fraudulentos) não implique na falta de pagamento de tributo e quando cominar em penalidade que a prevista em lei seja menos onerosa do que ao tempo de sua prática. Interpretação e integração da legislação tributária 1. Interpretação e integração A interpretação aqui se trata da Hermenêutica jurídica da le- gislação tributária, tal estudo tem por objetivo a busca de uma so- lução para o caso concreto. Em consonância a doutrina tradicional trata-se de atividade lógica pela qual se determina o significado de uma norma jurídica. 2. Métodos de interpretação Os juristas prestam trabalho de suma importância ao analisar a interpretação das leis, bem como das demais regras jurídicas escri- tas componentes no conjunto da legislação tributária. São métodos de interpretação: a) gramatical, onde há a investigação de todo o significado gra- matical das palavras usadas no texto legal em exame, sobrepõem- -se aqui a etimologia da palavra; b) histórico , observa-se aqui a evolução através dos tempos, investiga-se o direito anterior e compara-se com a norma atual, busca-seconcisão das leis; c) sistemáticos, o objetivo é buscar o sentido da regra jurídica buscando o espaço que ocupa no diploma legal bem como a relação com as demais normas legais; d) teleológico, busca o sentido da regra tendo em vista o fim para o qual ela foi elaborada. 3. Meios de integração A teoria das lacunas abre margem a diversas interpretações que aqui são denominadas integração, no universo jurídico na au- sência de disposição expressa caber-se-á a aplicabilidade da legisla- ção tributária na ordem seguinte: analogia; os princípios gerais de direito tributário; os princípios gerais de direito público; equidade. 4. Posições apriorísticas e o interesse público Durante algum tempo estudiosos acreditavam que na dúvida a mesma deveria ser sanada a favor do fisco, enquanto outros cre- em que deva ser a favor do contribuinte. Assim há um debate para esclarecer se o público deva prevalecer sobre o privado. Observe- -se que não é justo como justificativa para criação ou majoração de imposto a invocação do público sobre o privado, de forma clara tal entendimento deve ser o respeito à disposição constitucional. 5. Institutos, conceitos e formas de direito privado. O Direito é autônomo cada divisão família, tributos, trabalhis- tas e outros compõe um todo, ou seja, o Direito é uno. Quando o direito privado não previr ou determinada situação caberá ao legislador adequado ao Direito Tributário, Público ou outros, essa adequação é pertinente ao legislador, pois o intérprete não pode modificar a lei. O interprete bem como o legislador não pode alterar o que a previsão legal já dispôs que será alicerce para a cobrança de de- terminado tributo, assim em razão da tese antielisão há diversos conflitos a fim de retirar como forma de defesa os princípios incrus- tados na constituição federal. 6. Interpretação econômica Tal intepretação tem como cunho buscar o reflexo para o pú- blico seja por conta de uma finalidade especifica, como o caso do empréstimo compulsório, seja o momento econômico como o caso do IPI e do imposto de importação e exportação, valoriza o meio econômico e o impacto que resultará. DIREITO TRIBUTÁRIO 331 7. Interpretação literal Essa interpretação é a gramatical ou hermenêutica em que cada palavra deve ser entendida exatamente como disposta na lei, sem interpretações contrárias. Tal previsão é claramente disposta no artigo 110 do CTN que prevê outorga de isenção, suspensão ou exclusão e dispensa do cumprimento de obrigações tributárias acessórias, nesses casos trata-se de indubio pro contribuinte onde prevalecera a disposição legal. 8. Interpretação benigna Quando da aplicação de penalidade e tipificação de putabili- dade ao contribuinte tributário, havendo dúvida, claro o é, que deva ser interpretado de maneira menos oneroso ao contribuinte. Havendo o fato e dúvida quanto a capitulação do crime, se esse é claro, quando há dúvida quanto ao contribuinte, deve-se observar a menor onerosidade ao autor do crime tributário. 9. Fontes da interpretação As fontes serão autênticas, jurisprudencial e doutrinária. A au- têntica ou legislativa é aquela feita pelo legislador, lê-se interpreta- tiva, quanto a jurisprudencial nela o Poder Judiciário normalmente se socorre das interpretações e esses doutrinários se socorrem das jurisprudenciais na confecção de seus trabalhos. 10. Interpretação e aplicação A interpretação é ato anterior a aplicação do Direito que é fei- to pelos tribunais, a interpretação é feita pela ciência jurídica, é a interpretação doutrinária, devendo-se utilizar todos os elementos da interpretação. A ciência do direito é incapaz de fornecer uma interpretação que seja a única correta, caberão apenas as razoáveis, sem afirmação de essa ou aquela ser a correta. Na interpretação é possível apontar mais de um significado para a norma, escolhen- do-se o mais cabível ao caso, resulta-se em uma atividade política. 11. Os princípios jurídicos e a interpretação Os princípios vieram humanizar as relações tributárias, não que essas assim prescindam, mas vem defender o contribuinte do poder voraz do Fisco. Alguns formalistas são contra a aplicação de princípios, pois consideram que a lei por si só basta, desentendem a necessidade de raciocínio lógico-jurídico, são importantes uma vez que aberrações como dupla tributação e avanço em base de cálculo de outros tributos se repetem em razão da gana por receita daqueles que operam o Direito. Destaca-se o princípio da propor- cionalidade (justo) e da razoabilidade (diretriz da razão humana), ambas tem caráter de subjetividade e devem nortear a aplicação de penalidades inerentes ao descumprimento da obrigação tributária. Análise Crítica O que se apresenta após a exposição da legislação tributária é que a mesma é composta de lei ordinária, lei complementar, dou- trina, medida provisória. Sua aplicabilidade se dá no tempo do fato jurídico, existem várias formas de interpretação cabe salientar que as mesmas servem para defender o contribuinte da voracidade do Fisco. Existe aplicação da lei tributária e sua interpretação, que os casos em que o ato jurídico suscita dúvida quanto ao agente ou ao tempo do fato gerador, deve-se observar o indubio pro contribuinte sendo esse sempre ser protegido da voracidade do Estado na co- brança de tributos. O Poder Público tem por escopo unicamente aplicar cada vez mais tributos no contribuinte, inclusive os excessos resultam em bitributação em desrespeito a base de cálculo de outros tributos. Cabe aí a observância aos princípios constitucionais da proporcio- nalidade (aplicação de tributos na medida da capacidade econômi- ca do contribuinte) e razoabilidade (respeito ao mínimo coerente e justo ao contribuinte) como no caso em que há aplicação de pena- lidade (leia-se multa) no importe de 150% sobre o tributo devido, uma verdadeira aberratio. O operador do Direito deve ser norteado em proteger o con- tribuinte contra o Estado que a cada segundo através do poder le- gislativo competente cria formas e meios de tributação em todo e qualquer fato jurídico que possa ser praticado pelo contribuinte. OBRIGAÇÃO TRIBUTÁRIA PRINCIPAL E ACESSÓRIA. FATO GERADOR DA OBRIGAÇÃO TRIBUTÁRIA. SUJEIÇÃO ATIVA E PASSIVA. CAPACIDADE TRIBUTÁRIA. DOMICÍLIO TRIBU- TÁRIO TÍTULO II OBRIGAÇÃO TRIBUTÁRIA CAPÍTULO I DISPOSIÇÕES GERAIS Art. 113. A obrigação tributária é principal ou acessória. § 1º A obrigação principal surge com a ocorrência do fato gera- dor, tem por objeto o pagamento de tributo ou penalidade pecuniá- ria e extingue-se juntamente com o crédito dela decorrente. § 2º A obrigação acessória decorre da legislação tributária e tem por objeto as prestações, positivas ou negativas, nela previstas no interesse da arrecadação ou da fiscalização dos tributos. § 3º A obrigação acessória, pelo simples fato da sua inobser- vância, converte-se em obrigação principal relativamente à penali- dade pecuniária. CAPÍTULO II FATO GERADOR Art. 114. Fato gerador da obrigação principal é a situação defi- nida em lei como necessária e suficiente à sua ocorrência. Art. 115. Fato gerador da obrigação acessória é qualquer si- tuação que, na forma da legislação aplicável, impõe a prática ou a abstenção de ato que não configure obrigação principal. Art. 116. Salvo disposição de lei em contrário, considera-se ocorrido o fato gerador e existentes os seus efeitos: I - tratando-se de situação de fato, desde o momento em que o se verifiquem as circunstâncias materiais necessárias a que produza os efeitos que normalmente lhe são próprios; II - tratando-se de situação jurídica, desde o momento em que esteja definitivamente constituída, nos termos de direito aplicável. Parágrafo único. A autoridade administrativa poderá descon- siderar atos ou negócios jurídicos praticados com a finalidade de dissimular a ocorrência do fato gerador do tributo ou a natureza dos elementos constitutivos da obrigação tributária, observados os procedimentos a serem estabelecidosem lei ordinária. Art. 117. Para os efeitos do inciso II do artigo anterior e salvo disposição de lei em contrário, os atos ou negócios jurídicos condi- cionais reputam-se perfeitos e acabados: I - sendo suspensiva a condição, desde o momento de seu im- plemento; II - sendo resolutória a condição, desde o momento da prática do ato ou da celebração do negócio. Art. 118. A definição legal do fato gerador é interpretada abs- traindo-se: DIREITO TRIBUTÁRIO 332 I - da validade jurídica dos atos efetivamente praticados pelos contribuintes, responsáveis, ou terceiros, bem como da natureza do seu objeto ou dos seus efeitos; II - dos efeitos dos fatos efetivamente ocorridos. CAPÍTULO III SUJEITO ATIVO Art. 119. Sujeito ativo da obrigação é a pessoa jurídica de direi- to público, titular da competência para exigir o seu cumprimento. Art. 120. Salvo disposição de lei em contrário, a pessoa jurídica de direito público, que se constituir pelo desmembramento territo- rial de outra, subroga-se nos direitos desta, cuja legislação tributá- ria aplicará até que entre em vigor a sua própria. CAPÍTULO IV SUJEITO PASSIVO SEÇÃO I DISPOSIÇÕES GERAIS Art. 121. Sujeito passivo da obrigação principal é a pessoa obri- gada ao pagamento de tributo ou penalidade pecuniária. Parágrafo único. O sujeito passivo da obrigação principal diz-se: I - contribuinte, quando tenha relação pessoal e direta com a situação que constitua o respectivo fato gerador; II - responsável, quando, sem revestir a condição de contribuin- te, sua obrigação decorra de disposição expressa de lei. Art. 122. Sujeito passivo da obrigação acessória é a pessoa obrigada às prestações que constituam o seu objeto. Art. 123. Salvo disposições de lei em contrário, as convenções particulares, relativas à responsabilidade pelo pagamento de tri- butos, não podem ser opostas à Fazenda Pública, para modificar a definição legal do sujeito passivo das obrigações tributárias corres- pondentes. SEÇÃO II SOLIDARIEDADE Art. 124. São solidariamente obrigadas: I - as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal; II - as pessoas expressamente designadas por lei. Parágrafo único. A solidariedade referida neste artigo não com- porta benefício de ordem. Art. 125. Salvo disposição de lei em contrário, são os seguintes os efeitos da solidariedade: I - o pagamento efetuado por um dos obrigados aproveita aos demais; II - a isenção ou remissão de crédito exonera todos os obriga- dos, salvo se outorgada pessoalmente a um deles, subsistindo, nes- se caso, a solidariedade quanto aos demais pelo saldo; III - a interrupção da prescrição, em favor ou contra um dos obrigados, favorece ou prejudica aos demais. SEÇÃO III CAPACIDADE TRIBUTÁRIA Art. 126. A capacidade tributária passiva independe: I - da capacidade civil das pessoas naturais; II - de achar-se a pessoa natural sujeita a medidas que impor- tem privação ou limitação do exercício de atividades civis, comer- ciais ou profissionais, ou da administração direta de seus bens ou negócios; III - de estar a pessoa jurídica regularmente constituída, bastan- do que configure uma unidade econômica ou profissional. SEÇÃO IV DOMICÍLIO TRIBUTÁRIO Art. 127. Na falta de eleição, pelo contribuinte ou responsável, de domicílio tributário, na forma da legislação aplicável, considera- -se como tal: I - quanto às pessoas naturais, a sua residência habitual, ou, sendo esta incerta ou desconhecida, o centro habitual de sua ati- vidade; II - quanto às pessoas jurídicas de direito privado ou às firmas individuais, o lugar da sua sede, ou, em relação aos atos ou fatos que derem origem à obrigação, o de cada estabelecimento; III - quanto às pessoas jurídicas de direito público, qualquer de suas repartições no território da entidade tributante. § 1º Quando não couber a aplicação das regras fixadas em qual- quer dos incisos deste artigo, considerar-se-á como domicílio tribu- tário do contribuinte ou responsável o lugar da situação dos bens ou da ocorrência dos atos ou fatos que deram origem à obrigação. § 2º A autoridade administrativa pode recusar o domicílio elei- to, quando impossibilite ou dificulte a arrecadação ou a fiscalização do tributo, aplicando-se então a regra do parágrafo anterior. CAPÍTULO V RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA SEÇÃO I DISPOSIÇÃO GERAL Art. 128. Sem prejuízo do disposto neste capítulo, a lei pode atribuir de modo expresso a responsabilidade pelo crédito tributá- rio a terceira pessoa, vinculada ao fato gerador da respectiva obri- gação, excluindo a responsabilidade do contribuinte ou atribuindo- -a a este em caráter supletivo do cumprimento total ou parcial da referida obrigação. SEÇÃO II RESPONSABILIDADE DOS SUCESSORES Art. 129. O disposto nesta Seção aplica-se por igual aos créditos tributários definitivamente constituídos ou em curso de constitui- ção à data dos atos nela referidos, e aos constituídos posteriormen- te aos mesmos atos, desde que relativos a obrigações tributárias surgidas até a referida data. Art. 130. Os créditos tributários relativos a impostos cujo fato gerador seja a propriedade, o domínio útil ou a posse de bens imó- veis, e bem assim os relativos a taxas pela prestação de serviços referentes a tais bens, ou a contribuições de melhoria, subrogam-se na pessoa dos respectivos adquirentes, salvo quando conste do tí- tulo a prova de sua quitação. Parágrafo único. No caso de arrematação em hasta pública, a sub-rogação ocorre sobre o respectivo preço. Art. 131. São pessoalmente responsáveis: I - o adquirente ou remitente, pelos tributos relativos aos bens adquiridos ou remidos; DIREITO TRIBUTÁRIO 333 II - o sucessor a qualquer título e o cônjuge meeiro, pelos tri- butos devidos pelo de cujus até a data da partilha ou adjudicação, limitada esta responsabilidade ao montante do quinhão do legado ou da meação; III - o espólio, pelos tributos devidos pelo de cujus até a data da abertura da sucessão. Art. 132. A pessoa jurídica de direito privado que resultar de fusão, transformação ou incorporação de outra ou em outra é res- ponsável pelos tributos devidos até à data do ato pelas pessoas jurí- dicas de direito privado fusionadas, transformadas ou incorporadas. Parágrafo único. O disposto neste artigo aplica-se aos casos de extinção de pessoas jurídicas de direito privado, quando a explo- ração da respectiva atividade seja continuada por qualquer sócio remanescente, ou seu espólio, sob a mesma ou outra razão social, ou sob firma individual. Art. 133. A pessoa natural ou jurídica de direito privado que adquirir de outra, por qualquer título, fundo de comércio ou esta- belecimento comercial, industrial ou profissional, e continuar a res- pectiva exploração, sob a mesma ou outra razão social ou sob firma ou nome individual, responde pelos tributos, relativos ao fundo ou estabelecimento adquirido, devidos até à data do ato: I - integralmente, se o alienante cessar a exploração do comér- cio, indústria ou atividade; II - subsidiariamente com o alienante, se este prosseguir na ex- ploração ou iniciar dentro de seis meses a contar da data da alie- nação, nova atividade no mesmo ou em outro ramo de comércio, indústria ou profissão. § 1o O disposto no caput deste artigo não se aplica na hipótese de alienação judicial: I – em processo de falência; II – de filial ou unidade produtiva isolada, em processo de re- cuperação judicial. § 2o Não se aplica o disposto no § 1o deste artigo quando o adquirente for: I – sócio da sociedade falida ou em recuperação judicial, ou so- ciedade controlada pelo devedor falido ou em recuperação judicial; II – parente, em linha reta ou colateral até o 4o (quarto) grau, consanguíneo ou afim, do devedor falido ou em recuperação judi- cial ou de qualquer de seus sócios; ou III – identificado como agente do falido ou do devedor em re- cuperação judicial com o objetivo de fraudar a sucessão tributária. § 3o Em processo dafalência, o produto da alienação judicial de empresa, filial ou unidade produtiva isolada permanecerá em conta de depósito à disposição do juízo de falência pelo prazo de 1 (um) ano, contado da data de alienação, somente podendo ser utilizado para o pagamento de créditos extra concursais ou de créditos que preferem ao tributário. SEÇÃO III RESPONSABILIDADE DE TERCEIROS Art. 134. Nos casos de impossibilidade de exigência do cumpri- mento da obrigação principal pelo contribuinte, respondem solida- riamente com este nos atos em que intervierem ou pelas omissões de que forem responsáveis: I - os pais, pelos tributos devidos por seus filhos menores; II - os tutores e curadores, pelos tributos devidos por seus tu- telados ou curatelados; III - os administradores de bens de terceiros, pelos tributos de- vidos por estes; IV - o inventariante, pelos tributos devidos pelo espólio; V - o síndico e o comissário, pelos tributos devidos pela massa falida ou pelo concordatário; VI - os tabeliães, escrivães e demais serventuários de ofício, pe- los tributos devidos sobre os atos praticados por eles, ou perante eles, em razão do seu ofício; VII - os sócios, no caso de liquidação de sociedade de pessoas. Parágrafo único. O disposto neste artigo só se aplica, em maté- ria de penalidades, às de caráter moratório. Art. 135. São pessoalmente responsáveis pelos créditos cor- respondentes a obrigações tributárias resultantes de atos pratica- dos com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos: I - as pessoas referidas no artigo anterior; II - os mandatários, prepostos e empregados; III - os diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídi- cas de direito privado. SEÇÃO IV RESPONSABILIDADE POR INFRAÇÕES Art. 136. Salvo disposição de lei em contrário, a responsabili- dade por infrações da legislação tributária independe da intenção do agente ou do responsável e da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato. Art. 137. A responsabilidade é pessoal ao agente: I - quanto às infrações conceituadas por lei como crimes ou contravenções, salvo quando praticadas no exercício regular de ad- ministração, mandato, função, cargo ou emprego, ou no cumpri- mento de ordem expressa emitida por quem de direito; II - quanto às infrações em cuja definição o dolo específico do agente seja elementar; III - quanto às infrações que decorram direta e exclusivamente de dolo específico: a) das pessoas referidas no artigo 134, contra aquelas por quem respondem; b) dos mandatários, prepostos ou empregados, contra seus mandantes, preponentes ou empregadores; c) dos diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídi- cas de direito privado, contra estas. Art. 138. A responsabilidade é excluída pela denúncia espon- tânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do tributo devido e dos juros de mora, ou do depósito da importância arbitrada pela autoridade administrativa, quando o montante do tributo dependa de apuração. Parágrafo único. Não se considera espontânea a denúncia apre- sentada após o início de qualquer procedimento administrativo ou medida de fiscalização, relacionados com a infração. Obrigação Tributária Em um excelente trabalho, o professor Osvan Rocha Jr. discorre a respeito da obrigação tributária, inicialmente mencionando que a relação entre o Estado e as pessoas sujeitas à tributação não é uma mera relação de “poder”, mas sim uma relação jurídica de natureza obrigacional. O autor Washington de Barros Monteiro (em sua obra “Curso de Direito Civil”) define obrigação da seguinte maneira: “Obrigação é uma relação jurídica, de caráter transitório, es- tabelecida entre devedor e credor e cujo objeto consiste numa prestação pessoal econômica, positiva ou negativa, devida pelo pri- meiro ao segundo, garantindo-lhe o adimplemento através do seu patrimônio”. DIREITO TRIBUTÁRIO 334 Para o professor, a relação de natureza tributária surge da ocor- rência de um fato previsto em uma norma (lei em sentido estrito – principio da legalidade) como capaz de produzir esse efeito. Alguns doutrinadores denominam esse fato previsto em lei como “hipóte- se de incidência”, que nada mais é do que uma situação hipotética prescrita em lei. Uma vez praticada a situação hipotética prevista em lei, ocorre o que se denomina de “fato gerador” (ou fato imponível) da obri- gação tributária. Já o autor Hugo de Brito Machado conceitua obrigação tribu- tária como sendo: “É a relação jurídica em virtude da qual o particular (sujeito passive) tem o dever de prestar dinheiro ao Estado (sujeito ativo), ou de fazer, não fazer ou tolerar algo no interesse da arrecadação ou da fiscalização dos tributos e o Estado tem o direito de constituir contra o particular um crédito”. A obrigação tributária é indisponível, pois o agente administra- tivo não pode deixar de cobrar o tributo e independe da vontade do contribuinte. No direito tributário a obrigação e crédito tributário – ocorrem em momentos distintos. A obrigação é ilíquida, sendo também o credito tributário liquido, o que os separa é o lançamento. Com o fato gerador surge à obrigação tributaria (dever de pa- gar o tributo). Já com o lançamento surge o credito tributário (o direito do Fisco de exigir tributo). O artigo 113 do Código Tributário Nacional discorre a respeito da obrigação tributária principal e acessória. Art. 113. A obrigação tributária é principal ou acessória. § 1º A obrigação principal surge com a ocorrência do fato gera- dor, tem por objeto o pagamento de tributo ou penalidade pecuniá- ria e extingue-se juntamente com o crédito dela decorrente. § 2º A obrigação acessória decorre da legislação tributária e tem por objeto as prestações, positivas ou negativas, nela previstas no interesse da arrecadação ou da fiscalização dos tributos. § 3º A obrigação acessória, pelo simples fato da sua inobser- vância, converte-se em obrigação principal relativamente à penali- dade pecuniária. - Principal: obrigação de dar ou entregar dinheiro ao Estado – pagar tributo ou penalidade pecuniária. Necessidade de estar definido em lei (em sentido estrito). A expressão “dar” não tem o sentido de doar, mas sim de adimplir (pagar) a obrigação tributária. - Acessória: obrigação de fazer ou deixar de fazer alguma coisa de interesse do Estado na fiscalização ou arrecadação dos tributos. São obrigações meramente instrumentais, simples deveres buro- cráticos que facilitam o cumprimento das obrigações principais. Já a obrigação de não rasurar a escrituração fiscal e de não nem circular mercadoria sem os respectivos documentos fiscais é uma obrigação de deixar de fazer. Uma vez não observada (descumprida) a obrigação acessória, ocorre uma infração tributária, cuja penalidade é a multa (penalida- de pecuniária), que é uma obrigação tributária principal. Na Obrigação Tributária existe o dever do sujeito passivo de pagar o tributo ou a penalidade pecuniária (obrigação principal), ou ainda de fazer, de não fazer ou de tolerar tudo aquilo que a legisla- ção tributária estabelece no interesse da arrecadação ou da fiscali- zação dos tributos (obrigação acessória). Essas prestações não são imediatamente exigíveis, tem o sujeito ativo o direito de fazer um lançamento, criando, assim, um crédito. O crédito sim é exigível. O Fato Gerador da Obrigação Principal é a situação definida em lei como necessária e suficiente à sua ocorrência: a) Situação: é um fato ou conjunto de fatos, uma situação ju- rídica; b) Definida em Lei: é matéria de reserva legal. Só lei em sentido estrito pode descrever, definir, situação cuja ocorrência gera obriga- ção tributária principal; c) Necessária: é indispensável que ocorra a situação descrita em lei, para surgir a obrigação tributária; d) Suficiente: basta ocorrer o fato previsto em lei para que surja a obrigação tributária principal. Alguns sinônimos de fato gerador: suporte fático, situação base de fato, fato imponível, fato tributável,hipótese de incidência. Fato Gerador da Obrigação Acessória O Fato Gerador de Obrigação Acessória é qualquer situação que na forma da legislação aplicável, impõe a prática ou abstenção de ato que não configure obrigação principal. (artigo 115 do CTN). É uma situação que pode ser definida pela “legislação tributá- ria”, não apenas pela lei, não é matéria de reserva legal. Do fato de vender mercadorias, pode decorrer duas obriga- ções: a) obrigação principal: pagar o ICMS; b) obrigação acessória: emitir nota fiscal. O Fato Gerador e a Hipótese de incidência Hipótese de Incidência designa a descrição contida na lei, da situação necessária e suficiente da obrigação tributária. Fato Gerador designa a ocorrência no mundo dos fatos do que está previsto na Lei. O ato ilícito não pode figurar como hipótese de incidência. Não é possível instituir tributo sobre o ato de roubar ou sobre casa de prostituição. Mas, a ilicitude eventualmente pode figurar na ocor- rência do fato gerador do tributo. O imposto de renda tem como hipótese de incidência “aquisi- ção de disponibilidade econômica ou jurídica de renda ou proven- tos de qualquer natureza.” É irrelevante que tal aquisição se tenha verificado em decorrência de atividade lícita ou ilícita. O Fato Gerador se considera consumado quando ocorre: a) situação de fato: desde o momento em que se verifiquem as circunstâncias materiais necessárias a que produza os efeitos que lhe são próprias (ex.: prestação de serviço); b) situação jurídica: desde o momento em que tal situação jurí- dica esteja definitivamente constituída, nos termos do direito apli- cável (ex.: ser proprietário de um bem). Negócios Jurídicos Condicionais, em tendo a lei definido como hipótese de incidência negócios jurídicos condicionais, considera-se consumado o negócio: a) se tiver uma Cláusula Suspensiva, a situação está “suspensa”, ainda não incidiu o tributo, com a ocorrência da cláusula, incide o tributo. b) se tiver uma Cláusula Resolutória, incide desde o momento em que o ato ou negócio jurídico for celebrado; o negócio se “resol- ve” com a condição, é desfeito. Em relação ao sujeito ativo, o artigo 119 o define, como sen- do a pessoa jurídica de direito público titular da competência para exigir o seu cumprimento; (significa ter condições para promover execução fiscal, conceito mais abrangente que tão somente instituir o tributo). Em princípio, as pessoas jurídicas de direito público, podem ser titulares, por delegação, das funções de arrecadar ou fiscalizar tributos, ou de executar leis, serviços, atos ou decisões administra- tivas em matéria tributária. DIREITO TRIBUTÁRIO 335 Pessoas de Direito Privado e as pessoas naturais não podem ser qualificadas como sujeitos ativos de obrigação tributária. (apenas podem arrecadar mera função de caixa – ex. Bancos). Já a pessoa jurídica que nascer em virtude de desmembramen- to territorial de outra, utilizará a legislação tributária de quem fora desmembrado até que tenha a sua própria. Esta mesma máxima vale para um Estado que for criado do desmembramento de dois outros Estados, se não houver disposição, aplica-se a legislação tri- butária mais favorável ao sujeito passivo. O Sujeito Passivo da Obrigação Tributária é pessoa natural ou jurídica que tem o dever de cumprir a obrigação principal (dar, pa- gar) e/ou acessória (fazer, não fazer, tolerar). Podendo ser: a) Contribuinte: quando tenha relação pessoal e direta com a situação que constitua o respectivo fato gerador (no imposto de renda, a pessoa que foi titular de disponibilidade econômica ou ju- rídica da renda ou dos proventos de qualquer natureza); b) Responsável: quando, sem revestir condição de contribuin- te, sua obrigação decorra de Lei (a fonte pagadora dessa renda ou provento, na condição de responsável, recolhe o imposto corres- pondente; o transportador de mercadorias desacompanhadas dos documentos legais). O Sujeito Passivo da Obrigação Acessória pode ser o contribuin- te ou terceiro. Prestação de fazer, não fazer, tolerar. É importante salientar que convenções particulares não podem se opostas perante a Fazenda Pública, ou seja, as pessoas podem estipular entre elas quem deve pagar o tributo, mas não podem impedir que este acordo impeça o Estado de exigir o tributo daque- le que nos termos da Lei é responsável pelo correspondente paga- mento. Embora sejam ineficazes perante a Fazenda Pública, entre os contratantes são válidas, podendo ensejar ações regressivas, no âmbito do direito civil. Em relação à solidariedade, são solidariamente obrigadas as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador, também as definidas expressamente em lei. Neste caso não ocorre o benefício de ordem, ou seja, não é necessária a observância de ordem entre os sujeitos passivos para a execução, sendo que podem ser cobradas de qualquer dos sujeitos passivos, indistintamente a totalidade do débito. O pagamento efetuado por um dos obrigados aproveita aos demais. O perdão de crédito exo- nera todos os obrigados, salvo se outorgada pessoalmente a um deles, substituindo, nesse caso, a solidariedade quanto aos demais pelo saldo. A interrupção da prescrição, em favor ou contra um dos obrigados, favorece ou prejudica os demais. Já a capacidade tributária, sendo o sujeito passivo da obrigação tributária uma pessoa natural (pessoa física) incapaz, na forma da Lei, em face do Direito Tributário tem ela plena capacidade jurídi- ca. Neste mesmo sentido, não afetam a capacidade tributária do sujeito passivo o fato de estar privado ou limitado do exercício de atividades civis, comerciais, profissionais ou da administração de seus bens. Da mesma maneira ocorre a respeito da pessoa jurídica, esta se não estiver regularmente constituída não deixa de ser sujeito passi- vo. Uma sociedade de duas pessoas voltadas para o comércio, com estabelecimento, estoque, vendas, mas que não está constituída perante a Junta Comercial pode ser sujeito passivo. Sobre o domicílio tributário, o CTN primeiro dá o direito do contribuinte de escolher o seu domicílio tributário. Em sendo pes- soa natural, caso não tenha exercido o seu direito de escolha, será o de sua residência habitual, ou sendo incerta e desconhecida, o lugar considerado como centro habitual de sua atividade. Se for pessoa jurídica de direito privado ou firma individual, o lugar da sede, ou em relação a atos ou fatos que derem origem a obrigação, o de cada estabelecimento. Quanto às pessoas jurídicas de direito público, qualquer de suas repartições no território da entidade tributante. Quando não couber qualquer das regras acima mencionadas, considerar-se-á como domicílio tributário do contribuinte ou responsável o lugar da situação dos bens ou da ocorrência dos atos ou fatos que deram origem à obrigação. Mas há a possibilidade da autoridade recusar o domicílio elei- to, quando impossibilitar ou dificultar a arrecadação ou a fiscaliza- ção do tributo. A responsabilidade tributária, no sentido amplo, é a submissão de determinada pessoa, contribuinte ou não, ao direito do fisco de exigir a prestação da obrigação tributária. Já no sentido estrito, é a submissão, em virtude de disposição legal expressa, de determina- da pessoa que não é contribuinte, mas está vinculada ao fato gera- dor da obrigação tributária, ao direito do fisco de exigir a prestação respectiva. Mas a legislação competente pode atribuir responsabilidade diretamente a terceiro, liberando o contribuinte. Pode, ainda, atri- buir responsabilidade supletivamente, sem liberar o contribuinte. Já sobre a responsabilidade dos sucessores, para haver a atri- buição de responsabilidade dos sucessores o que importa é saber a data da ocorrência do fato gerador. Não importa a data do lan- çamento, não importa a data da constituição do crédito tributário. Mas é importante salientar que em relação aos créditos tribu- tários relativos a impostos cujo fato gerador seja a propriedade,tenha recebido da Consti- tuição Federal. O poder de tributar é exclusivo do ente político que o recebeu. 2. Irrenunciabilidade: o ente político pode não exercer sua competência tributária, mas esta é irrenunciável, quem a possui não pode dela abrir mão. 3. Incaducabilidade: o poder de tributar é um poder-faculdade, o ente político o exerce quando lhe seja mais conveniente e opor- tuno, o fato de permanecer inerte e não criar o tributo não altera em nada sua competência tributária que permanece a mesma. O não exercício da competência não tem como consequência a perda da mesma. A competência tributária se distingue da capacidade tributária ativa. A primeira é o poder, a aptidão de criar tributos, é legislar instituindo tributos, já a segunda é a capacidade de ser sujeito ativo da relação jurídica tributária. A capacidade tributária ativa é o poder de cobrar e fiscalizar o tributo, esta , ao contrário da competência tributária, é delegável a outras pessoas jurídicas de direito público. A doutrina discrimina três modalidades de competência tribu- tária: a) competência privativa: é a competência para criar impostos atribuída com exclusividade a um ente político, arts. 153,155 e 156 da Constituição Federal; a competência para criar contribuições especiais atribuídas à União, art. 149 CF; a competência para criar a contribuição de previdência do funcionalismo público estadual, distrital e municipal, atribuída aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios, art. 149, § 1º da CF; a competência para instituição de empréstimos compulsórios pela União, art. 148 da CF. b) competência residual: competência atribuída à União para instituir outros impostos, art. 154, I, da CF; bem como para instituir outras contribuições sociais de seguridade social, art. 195, § 4º da CF. c) competência comum: atribuída a todos os entes políticos, competência para criação de taxas e contribuições de melhoria, art.145, I e II da CF. Repartição das competências tributárias No tocante à repartição das competências tributárias, conside- rando que nossa Constituição é analítica e rígida em matéria tribu- tária, a Carta Magna acaba sendo responsável, ao mesmo tempo, por autorizar que o Estado ingresse na esfera patrimonial do con- tribuinte, retirando uma parcela deste patrimônio, bem como deve impor limites a esta atuação a fim de oferecer segurança jurídica àquele que irá sofrer a incidência tributária. A competência tributária legislativa, portanto, está delimitada pelo legislador constitucional que traçou com minúcias o caminho que deverá ser seguido pelo legislador quando da edição das nor- mas de incidência tributária. Sendo, portanto, norma de autoriza- ção, bem como nela mesma encontra-se seu primeiro limite. Ao legislador não é concedida a permissão de atuar, quando da ins- tituição de tributos, fora do campo de competência previsto pela norma constitucional e sem observar todos os demais limites esta- belecidos pelos princípios constitucionais. Daí a importância de se observar, como primeiro limitador, a distribuição das competências enumeradas de maneira exaustiva pela CR/88. Assim está estruturado o Sistema Tributário Nacional, que ou- torga a criação de tributos a todos seus Entes Políticos, mas apenas a eles, que são os únicos que podem instituir lei abstrata de incidên- cia tributária. Ressalte-se que o Texto Maior, no entanto, não cria tributo, mas atribui competência tributária a determinadas pessoas políticas para fazê-lo por meio de lei, em regra, a ordinária. Trata-se da competência legislativa tributária, entendida, como a aptidão conferida pela CR/88 às pessoas políticas de direito constitucional interno (União, Estados, Distrito Federal e Municípios) para institu- írem normas de exação (em sentido amplo), por meio de lei (lato sensu), em estrita consonância com os princípios constitucionais. As imunidades também são relevantes na compreensão das competências tributárias, pois colaboram no desenho da sua defi- nição, visto que fazem parte dela. Esclarecedoras são as palavras de Regina Helena Costa, que considera a imunidade, do ponto de vista formal, como algo que “excepciona o princípio da generalidade da tributação, segundo o qual todos aqueles que realizam a mesma situação de fato, à qual a lei atrela o dever de pagar tributo, estão a ele obrigados, sem distinção”. O que se demonstra é que, para pessoas, situações e bens determinados pela Constituição não é possível ocorrer a incidência tributária. E conclui: A imunidade tributária, então, pode ser definida como a exo- neração, fixada constitucionalmente, traduzida em norma expressa impeditiva da atribuição de competência tributária ou extraível, ne- cessariamente, de um ou mais princípios constitucionais, que con- fere direito público subjetivo a certas pessoas, nos termos por ela delimitados, de não se sujeitarem à tributação. DIREITO TRIBUTÁRIO 313 Portanto, assim como as competências tributárias, as imunida- des constam expressamente na CR/88, a diferença é que aquelas concedem atribuições e permissões para instituição dos tributos e estas fixam as circunstâncias nas quais nem se permite falar em criação de leis, excluindo, do campo de atuação tributária as situa- ções discriminadas pelo Diploma Maior. Quando falamos das características do Estado Federal, salien- tamos que vezes ela se apresenta como uma ordem jurídica central, onde, a União representa a totalidade do Estado brasileiro, repre- sentando os interesses de todos e não exclusivamente da União. Isso é importante para se considerar as desonerações, como as isenções, que não só competem aos Entes Federativos sobre seus tributos, mas à União atuando sobre todos os entes políticos quan- do representa o Estado brasileiro. Especificamente quanto à técnica de repartição das competên- cias adotadas pelo Constituinte vemos que, no tocante aos impos- tos, discriminou de maneira privativa em seu art. 153 os impostos de competência da União (II, IE, IR, IPI, IOF, ITR e imposto sobre grandes fortunas); no art. 155 os de competência dos Estados e Dis- trito Federal (ITCD causa mortis, o ICMS e o IPVA) e no artigo 156 os de competência dos Municípios (o IPTU, o ITBI e o ISSQN), deixan- do expresso no texto constitucional a materialidade cabível a cada um deles. Trata-se de uma repartição rígida e exaustiva, vez que outorga a cada pessoa política, para que consiga cumprir com suas responsabilidades adquiridas em função do regime federativo ao qual pertence, o equilíbrio entre os poderes de tributar das pessoas políticas que garante o atendimento aos princípios da Federação. A Carta Política de 1988 ao utilizar a referida técnica, concede competência dentro dos limites que cada materialidade possui. Es- tando expresso que à União caberá tributar os produtos industriali- zados, certo também será afirmar que vedado estará ao Estado tri- butar esse fato. A CR indica para um Ente proibindo para o outro, é assim que age a repartição de competência em nosso ordenamento jurídico. Ampliar ou restringir as materialidades implica em limitar ou expandir o campo de abrangência da exação. Cumpre salientar a característica dos impostos, que não são vinculados a uma atividade estatal, ou seja, suas hipóteses de in- cidência, não se relacionam a nenhuma atividade estatal específica relativa ao contribuinte, basta a realização do fato gerador para que sejam exigidos. Já as taxas e contribuições de melhorias possuem competência comum, sendo atribuídas a todos os Entes políticos, isso porque, elas dependem de atuação estatal para que possam ser cobradas. As taxas são exigidas mediante uma contraprestação da unidade fe- derativa e as contribuições de melhoria requerem a valorização do imóvel decorrente de obra pública. Já em seu art. 24, a Constituição, sob o título “Da Organização do Estado”, outorga competência concorrente à União, aos Esta- dos e ao DF para legislarem sobre Direito Tributário, e, como se lê nos respectivoso domínio útil ou a posse de bens imóveis, e bem assim os relativos a taxas pela prestação de serviços referentes a tais bens, ou a con- tribuições de melhoria, sub-rogam-se na pessoa dos respectivos adquirentes, salvo quando conste do título a prova de sua quitação. Sendo o bem imóvel arrematado em praça (hasta pública), evi- dentemente que o arrematante não é responsável tributário. Tal exceção existe, pois, a propriedade do arrematante decorre de ato judicial, não negocial. Ademais, facilitada fica a modalidade de ar- rematação judicial. A respeito dos responsáveis tributários são eles: - Sucessão Imobiliária - ao adquirente, ou remitente, pelos tributos relativos aos bens adquiridos ou remidos; Adquirente é o comprador; Remitente é que pratica a remição, ou seja, ato de resgatar o bem penhorado; - Sucessão Causa Mortis a) o sucessor a qualquer título (que vem a ser proprietário em razão do falecimento do proprietário anterior – herdeiro, legatário) e o cônjuge meeiro, pelos tributos devidos pelo de cujus até a data da partilha ou adjudicação, limitada esta responsabilidade ao mon- tante do quinhão do legado ou meação; b) o espólio até a data da abertura da sucessão (morte). (tribu- tos devidos em vida). - Sucessão Comercial - a pessoa jurídica de direito privado que resultar da fusão, transformação ou incorporação de outra, ou em outra, responde pelos tributos devidos até a data do ato pelas pes- soas jurídicas de direito privado fusionadas, transformadas ou in- corporadas. Em havendo extinção da pessoa jurídica, responde por suas dívidas de tributos o sócio, ou seu espólio, que, sob a mesma ou outra razão social, ou sob firma individual, continua a exploração da respectiva atividade. É importante ressaltar que o artigo 133 trouxe exceções pela Lei Complementar n. 118/2005: DIREITO TRIBUTÁRIO 336 1º O disposto no caput deste artigo não se aplica na hipótese de alienação judicial: I – em processo de falência; II – de filial ou unidade produtiva isolada, em processo de re- cuperação judicial. § 2º Não se aplica o disposto no § 1º deste artigo quando o adquirente for: I – sócio da sociedade falida ou em recuperação judicial, ou so- ciedade controlada pelo devedor falido ou em recuperação judicial; II – parente, em linha reta ou colateral até o 4º (quarto) grau, consanguíneo ou afim, do devedor falido ou em recuperação judi- cial ou de qualquer de seus sócios; ou III – identificado como agente do falido ou do devedor em re- cuperação judicial com o objetivo de fraudar a sucessão tributária.” Com isto priorizou proteger aqueles que adquirem bens em processo de falência e recuperação judicial, afastando a possibili- dade de fraude. A questão da responsabilidade de terceiros, quando houver im- possibilidade da exigência da obrigação principal pelo contribuinte, respondem solidariamente com este nos atos em que intervierem ou pelas omissões de que forem responsáveis: a) os pais, pelos tributos devidos pelos seus filhos; b) os tutores e curadores, pelos tributos devidos por seus tute- lados e curatelados; c) os administradores de bens de terceiros, pelos tributos de- vidos por estes; d) o inventariante, pelos tributos devidos pelo espólio; e) o síndico e o comissário, pelos tributos devidos pela massa falida ou pelo concordatário; f) os tabeliães, escrivães e demais serventuários de ofício, pe- los tributos devidos sobre os atos praticados por eles, ou perante eles, em razão de ofício; g) os sócios, no caso de liquidação da sociedade de pessoas. Mas vale ressaltar que aplica-se somente a questão da relativa- mente a tributos e às penalidades de caráter moratório. Continuam sendo pessoalmente responsáveis pelos créditos tributários corres- pondentes às obrigações tributárias resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração à lei, contrato social ou esta- tutos: a) as pessoas já referidas acima; b) os mandatários, prepostos e empregados; c) os diretores, gerentes, ou representantes de pessoas jurídi- cas de direito privado. O artigo 136 traz a respeito da responsabilidade por culpa pre- sumida, ou seja, a responsabilidade independe de culpa ou dolo, mas o interessado pode excluir a responsabilidade fazendo prova de que não teve a intenção de infringir a norma, teve a intenção de obedecer, o que não foi possível por causas superiores à sua von- tade. A responsabilidade é pessoal ao agente: a) quanto às infrações conceituadas como crime ou contra- venções, salvo quando praticadas no exercício regular de adminis- tração, função, cargo ou emprego, ou no cumprimento de ordem expressa emitida por quem de direito; b) quanto às infrações que decorram direta e exclusivamente de dolo específico: b.1) das pessoas referidas no artigo 134, contra aquelas por quem respondem; b.2) dos mandatários, prepostos ou empregados, contra seus mandantes, preponentes ou empregadores; b.3) dos diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurí- dicas de direito privado, contra estas. Em se tratando de denúncia espontânea, a responsabilidade é excluída pela denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do tributo devido e dos juros de mora, ou do depósito da importância arbitrada pela autoridade administrati- va, quando o montante do tributo dependa de apuração. Não se considera espontânea a denúncia apresentada após o início de qualquer procedimento administrativo ou medida de fis- calização, relacionados com a infração. Já a respeito da extinção do crédito tributário, é o desapare- cimento deste, ocorrendo na maioria das vezes pela satisfação da obrigação tributária. As suas hipóteses estão elencadas no artigo 156: Pagamento: sendo este a maneira mais comum. - A imposição de penalidade não ilide o pagamento integral do crédito tributário; - O pagamento de um crédito não importa em presunção de pagamento; - O pagamento é efetuado na repartição competente do domi- cílio do sujeito passivo, salvo disposição em contrário; - O vencimento do crédito ocorre trinta dias depois da data em que se considera o sujeito passivo notificado do lançamento; - A legislação tributária pode conceder desconto pela antecipa- ção do pagamento, nas condições que estabeleça; - O crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis e da aplicação de quaisquer medidas de garantia previstas nesta Lei ou em lei tribu- tária; - Se a lei não dispuser de modo diverso, os juros de mora são calculados à taxa de um por cento ao mês; Mas é importante salientar que o disposto neste artigo não se aplica na pendência de consulta formulada pelo devedor dentro do prazo legal para pagamento do crédito. O contribuinte ou respon- sável, que formulou consulta ao fisco, dentro do prazo legal para pagamento do tributo, não se considera em falta; o pagamento pode ser efetuado em moeda corrente, cheque ou vale postal, e, nos casos previstos em lei, em estampilha, em papel selado, ou por processo mecânico. O crédito pago por cheque somente se considera extinto com o resgate deste pelo sacado. Quando ocorre o pagamento indevido, o sujeito passivo tem o direito à restituição do tributo que houver pago indevidamente. Há a possibilidade de se conseguir a restituição nos seguintes casos de pagamento indevido: a) cobrança ou pagamento espontâneo de tributo indevido ou maior que devido em face da legislação tributária aplicável, ou da natureza ou circunstâncias materiais do fato gerador efetivamente ocorridas; b) erro na identificação do sujeito passivo, alíquota, no cálculo do montante do débito ou na elaboração ou conferência de qual- quer documento relativo ao pagamento; c) reforma, anulação, revogação ou rescisão de decisão conde- natória. O sujeito passivo tem direito à restituição se provar que assu- miu o encargo financeiro transferido ao terceiro, ou então quando tê-lo transferido a terceiro,estar autorizado expressamente a re- cebê-la. DIREITO TRIBUTÁRIO 337 Da restituição do tributo pago indevidamente, decorre a res- tituição das multas e dos juros respectivos. Não são restituídas as multas por infrações formais, pois, se não cumprida a obrigação acessória devida é a multa. O direito de pleitear a restituição extin- gue-se com o decurso do prazo de cinco anos, contados a partir da extinção do crédito tributário. Nos casos de reforma, anulação, re- vogação ou rescisão da decisão condenatória, os cinco anos decor- rem da data em que se tornar definitiva a decisão administrativa ou passar em julgado a decisão judicial que tenha reformado, anulado, revogado ou rescindido a decisão condenatória. Já sobre a compensação, esta se dá quando o obrigado ao pa- gamento do tributo é credor da Fazenda Pública. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compen- sação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, venci- dos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda pública. Fica proibido a compensação mediante o aproveitamento de tributo, objeto de contestação judicial pelo sujeito passivo, antes do trânsito em julgado da respectiva decisão judicial. A transação é o mesmo que acordo, e, só mediante previsão legal, a autoridade competente poderá autorizar a transação. E a remissão é o perdão. Só pode ser autorizada por Lei. A remissão é dispensa do crédito tributário, levando em conta: a) situação econômica do sujeito passivo; b) o erro ou ignorância escusáveis do sujeito passivo, quanto à matéria de fato; c) à diminuta importância do crédito tributário; d) equidade; e) condições peculiares a determinadas da região do território da entidade tributante. O artigo 173 disciplina a respeito da decadência, esta está vin- culada ao direito de lançar da Fazenda Pública, de constituir o cré- dito tributário. Esgotado o prazo legal para lançamento de tributo sem que a Fazenda Pública o tenha efetuado, dá-se a decadência. O direito da Fazenda de constituir o crédito tributário extingue- -se após cinco anos contados: a) do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lança- mento poderia ter sido efetuado; b) se antes do primeiro dia do exercício seguinte, o sujeito pas- sivo é notificado e alguma medida preparatória indispensável ao lançamento, o início do prazo é antecipado para data da notificação; c) na data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento, anteriormente efetuado. Nos casos de lançamento por homologação, dá-se a decadên- cia, com a homologação expressa ou decorrente do decurso do pra- zo de cinco anos, nos termos do artigo 150 § 4º, expirado o prazo sem que a fazenda pública se tenha pronunciado. Já quando os tributos forem lançados por homologação, quan- do não houve pagamento, nem informações, aplica-se o artigo 173, I, ou seja, cinco anos contados a partir do primeiro dia do exercício seguinte em que o lançamento poderia ter sido efetuado. A decadência do direito de lançar refere-se ao ato adminis- trativo do lançamento. Decai o direito do Fisco de celebrar o ato e através dele constituir o crédito tributário. O art. 173 disciplina com clareza ao definir a decadência quando decorrido cinco anos, sem que o lançamento fosse regularmente realizado. Neste tópico, o que decai é o direito de lançar, direito este que na verdade apre- senta-se como dever, vinculado e obrigatório. A ação de cobrança do crédito tributário prescreve em cinco anos, contados da data de sua constituição definitiva. Isto é da data em que não mais admita a Fazenda Pública discutir a respeito, em procedimento administrativo. A prescrição do direito de o Fisco cobrar o crédito tributário diz diretamente com o processo, com a ação de execução fiscal. Aqui o crédito está constituído. É a prescrição operando quando o titu- lar do direito subjetivo não deduz sua pretensão pelo instrumento processual próprio. Em caso de tributos lançados por homologação, se nos cinco anos a partir da ocorrência do fato gerador há homologação táci- ta ou expressa, nos termos do artigo 150, §4º, decai e prescreve a cobrança. Mas é importante salientar as hipóteses em que a prescrição se interrompe: I – pelo despacho do juiz que ordenar a citação em execução fiscal; II - pelo protesto judicial; III - por qualquer ato judicial que constitua em mora o devedor; IV - por qualquer ato inequívoco ainda que extrajudicial, que importe em reconhecimento do débito pelo devedor. Se acontecer algum destes fatos, o prazo decorrido fica sem efeito, e a contagem dos cinco anos volta a ser iniciada. A sentença que resolve o litígio afirmando ser devido o tributo, e, por isto mesmo, subsistente o crédito, opera a transferência do depósito do patrimônio do contribuinte para o patrimônio da fazen- da, dando-se a extinção do crédito tributário. Extinção para os casos de lançamento por homologação. O crédito tributário pode ser extinto mesmo quando ainda se encontra em constituição. Se reconhecida à exigência indevida por impugnação ou recurso. A decisão judicial transitada em julgado, dando pela invalidade do lançamento, extinguindo o crédito tributário. Já sobre a exclusão do crédito tributário (isenção e anistia), esta não dispensa o contribuinte das obrigações acessórias, ou seja, quem goza de isenção ou anistia deve cumprir as obrigações aces- sórias. A isenção é sempre decorrente de lei, salvo disposição de lei em contrário, não é extensiva às taxas, contribuições de melhoria e aos tributos instituídos posteriormente à sua concessão. Ela pode ser restrita à determinada região do território da enti- dade tributante, em funções de condições a ela peculiares. Salvo se concedida por prazo certo e em função de determinadas condições, pode ser revogada ou modificada por lei, a qualquer tempo. A isenção, quando não concedida em caráter geral, é efetivada, em cada caso, por despacho da autoridade administrativa, em re- querimento com o qual o interessado faça prova do preenchimento das condições e do cumprimento dos requisitos previstos em lei ou contrato para concessão. O despacho referido neste artigo não gera direito adquirido, aplicando-se, quando cabível. Já a anistia, é a exclusão do crédito tributário relativa às pena- lidades; Pela anistia, o legislador extingue a punibilidade do sujeito pas- sivo infrator, impedindo a constituição do crédito tributário; se o crédito já está constituído dá-se a remissão (perdão), não a anistia. Esta se refere exclusivamente à penalidade e há de ser conce- dida antes da constituição do crédito tributário. Decorre sempre de lei, portanto, matéria de reserva legal. Abrange exclusivamente as infrações cometidas anteriormente à vigência da lei que a concede, não se aplicando: I - aos atos qualificados em lei como crimes ou contravenções e aos que, mesmo sem essa qualificação, sejam praticados com dolo, fraude ou simulação pelo sujeito passivo ou por terceiro em bene- fício daquele; II - salvo disposição em contrário, às infrações resultantes de conluio entre duas ou mais pessoas naturais ou jurídicas; DIREITO TRIBUTÁRIO 338 A anistia pode ser concedida: a) em caráter geral; b) limitadamente: às infrações da legislação relativa a deter- minado tributo; às infrações punidas com penalidades pecuniárias até determinado montante, conjugadas ou não com penalidades de outra natureza; a determinada região do território da entidade tributante, em função de condições a ela peculiares; sob condição do pagamento de tributo no prazo fixado pela lei que a conceder, ou cuja fixação seja atribuída pela mesma lei à autoridade adminis- trativa. Quando ela não for concedida em caráter geral, é efetivada, em cada caso, por despacho da autoridade administrativa, em requeri- mento com a qual o interessado faça prova do preenchimento das condições e do cumprimento dos requisitosprevistos em lei para sua concessão. O despacho que concede a anistia não gera direito adquirido. Em relação às garantias e privilégios do crédito tributário, a enumeração das garantias atribuídas pelo CTN não é exaustiva. A natureza das garantias atribuídas ao crédito tributário não altera a natureza deste nem a da obrigação tributária a que corres- ponda. Sem prejuízo dos privilégios especiais sobre determinados bens, que sejam previstos em lei, responde pelo pagamento do crédito tributário a totalidade dos bens e das rendas, de qualquer origem ou natureza, do sujeito passivo, seu espólio ou sua massa falida, inclusive os gravados por ônus real ou cláusula de inalienabi- lidade ou impenhorabilidade, seja qual for a data da constituição do ônus ou da cláusula, excetuados unicamente os bens e rendas que a lei declare absolutamente impenhoráveis. Capacidade tributária é a aptidão para figurar no polo ativo (di- reito de cobrar) ou passivo (dever de pagar) de obrigações tributá- rias. Difere-se da competência tributária, que nada mais é do que a aptidão para criar tributos em abstrato. Sendo o sujeito passivo da obrigação uma pessoa natural, ou física, sua capacidade tributária independe da civil; mesmo sendo juridicamente incapaz, nos termos do Direito Civil, face ao Direito Tributário tem ele plena capacidade tributária. (CTN, art. 126, I) Capacidade tributária ativa - Sujeito ativo do tributo: Sujeito ativo do tributo é a pessoa que tem capacidade tributá- ria ativa (direito subjetivo de cobrar o tributo). É o titular do crédito tributário (credor do tributo). Muitas vezes, o sujeito ativo tem capacidade tributária e com- petência tributária (aptidão para criar tributo em abstrato por meio de lei), mas nada impede que o sujeito ativo só detenha a capacida- de tributária ativa. - Delegação da capacidade tributária ativa: A capacidade tributária ativa é delegável por meio de lei à ter- ceira pessoa que poderá arrecadar o tributo em nome e por conta da pessoa política tributante ou poderá arrecadá-lo para implemen- to de suas atividades. Difere-se da competência tributária, que é indelegável até mesmo por meio de lei. Segundo o artigo 119 do Código Tributário Nacional, o “sujeito ativo da obrigação jurídica tributária é a pessoa jurídica de direi- to público titular de competência para exigir o seu cumprimento”. Roque Carrazza afirma que este artigo é inconstitucional, pois não pode trazer tal limitação, assim, terceira pessoa também pode ser sujeito ativo do tributo através de delegação da capacidade tribu- tária ativa. - Sujeição ativa auxiliar: Na sujeição ativa auxiliar a terceira pessoa arrecada o tributo por conta e em nome da pessoa política. O sujeito ativo auxiliar é mero agente arrecadador do tributo e pode vir a receber uma porcentagem sobre a arrecadação. Ex: ICMS sobre os serviços de telefonia e ICMS sobre energia elétrica. - Parafiscalidade: Na parafiscalidade, terceira pessoa arrecada o tributo para si. É o fenômeno pelo qual a pessoa política tributante delega a capa- cidade tributária ativa, por meio de lei à terceira pessoa, a qual por vontade dessa mesma lei passa a dispor do produto da arrecadação. Parafiscalidade não se confunde com extra fiscalidade, que é o emprego dos meios tributários para fins não fiscais, induzindo os possíveis contribuintes a fazer ou deixar de fazer alguma coisa. Ex: Elevação das alíquotas dos impostos de menor essencialidade; Zona Franca e etc. - Podem ser beneficiadas com a parafiscalidade: - Pessoas Políticas. - Autarquias. Ex: INSS em relação às contribuições sociais para a Seguridade social. - Fundações Públicas (Fundações constituídas e mantidas pelo Poder Público). - Paraestatais: São pessoas jurídicas de direito privado que caminham paralelamente ao Estado na busca do bem comum. Ex: SESI; SENAI; SEBRAI; SESC; SENAC; Sindicatos; OAB. - Pessoas Físicas que desempenham funções públicas. Ex: Ta- belião é a pessoa física que pratica atos notariais, remunerando-se por meio de custas e emolumentos. - Não podem ser alvo da parafiscalidade: - Empresas comerciais e indústrias: Não podem ser alvo da parafiscalidade, pois perseguem o lucro e tal delegação ofende- ria o princípio da igualdade e da destinação do dinheiro público. Prevalece o principio da igualdade, pois as pessoas que estão na mesma situação econômica devem ser tratadas igualmente. E ofen- deria também o princípio da destinação do dinheiro público, pois o produto arrecadado seria utilizado para fins privados e não para a coletividade. - Empresas públicas e Sociedades de economia mista: Não podem ser alvo da parafiscalidade, pois se sujeitam ao regime das empresas privadas. Tribunal de Contas O Tribunal de Contas é órgão auxiliar do Poder Legislativo, que zela pela moralidade dos atos administrativos. Auxilia o Legislativo no controle externo das contas do Executivo (art. 71 da CF). Todas as pessoas que se beneficiam da parafiscalidade devem ter suas contas apreciadas pelo Tribunal de Contas respectivo. Cabe ao Tribunal de Contas “julgar as contas dos administradores e de- mais responsáveis por dinheiro, bens e valores públicos da adminis- tração direta e indireta, incluídas as fundações e sociedades insti- tuídas e mantidas pelo Poder Público federal, e as contas daqueles que derem causa a perda, extravio ou outra irregularidade de que resulte prejuízo ao erário” (art. 71, II da CF). As decisões do Tribunal de Contas não têm força de coisa julga- da (imutabilidade da decisão), podendo assim ser reapreciadas pelo Poder Judiciário e pelo Poder Legislativo. - Tribunal de Contas Municipal: “O controle externo da Câmara Municipal será exercido com o auxílio dos Tribunais de Contas dos Estados ou do Município ou dos Conselhos ou Tribunais de Contas dos Municípios, onde houver” (art. 31, §1º da CF). “É vedada a cria- ção de Tribunais, Conselhos ou Órgãos de Contas Municipais” (art. 31, §4º da CF). DIREITO TRIBUTÁRIO 339 Os Tribunais de Contas Municipais ou Conselhos ou Órgãos de Contas Municipais já existentes na promulgação da Constituição Fe- deral de 1988 continuam a existir, mas é vedada a criação de outros. Em São Paulo, há o Tribunal de Contas Municipal e no Rio de Janeiro há órgão administrativo equivalente, a Casa de Contas Municipal. Parecer prévio, emitido pelo órgão competente sobre as contas que o Prefeito deve anualmente prestar, só deixará de prevalecer por decisão de 2/3 dos membros da Câmara Municipal (art. 31, §2º da CF). Em um Município em que não há Tribunal de Contas Munici- pal, as suas contas são apreciadas pelo Tribunal de Contas Estadual, mas o parecer emitido por este é derrubado por 2/3 dos membros da Câmara Municipal. Capacidade tributária passiva - Sujeito passivo do tributo: Sujeito passivo da obrigação jurídica tributária é a pessoa que tem capacidade tributária passiva (dever jurídico de pagar o tribu- to). É o devedor do tributo. “É a pessoa obrigada ao pagamento do tributo ou da penalidade pecuniária” (art. 121 do CTN). “A capacidade tributária passiva independe: I - da capacidade civil das pessoas naturais; II - de achar-se a pessoa natural sujeita a medidas que impor- tem privação ou limitação do exercício de atividades civis, comer- ciais ou profissionais, ou da administração direta de seus bens ou negócios; III - de estar a pessoa jurídica regularmente constituída, bas- tando que configure uma unidade econômica ou profissional” (art. 126, I, II e III do CTN). A capacidade tributária passiva é independen- te, pois o tributo é uma obrigação que decorre da lei. Podem ser sujeitos passivos do tributo: - Pessoas Políticas, Autarquias, Fundações Públicas (Fundações constituídas e mantidas pelo Poder Público): Embora possam ser sujeito passivo do tributo, não tem capacidade tributária passiva plena, pois são imunes a impostos. Não são imunes às taxas e con- tribuições de melhoria. - Empresas privadas (comerciais, produtorase industriais) e particulares (pessoas físicas): Têm capacidade tributária passiva plena. - Empresas Públicas e Sociedade de economia mista: Têm ca- pacidade tributária passiva plena, pois se sujeitam ao mesmo regi- me jurídico das empresas privadas, inclusive quanto aos direitos e obrigações tributárias (art. 173, §1º, II da CF). Não podem gozar de privilégios fiscais não extensivos às do setor privado (art. 173 §2º da CF). Serão imunes a impostos quando prestarem serviço público na condição de delegatárias, por se transformarem em longa manus da pessoa política que as criou. Nenhuma lei de antemão pode identificar o contribuinte, pois a lei é geral e igual para todos (princípio da igualdade), assim deve apenas apontar os critérios que permitirão a sua identificação após a ocorrência do fato imponível. A identificação oficial do contribuin- te é feita através do lançamento, que além de identificá-lo, também identifica a quantia que ele deve suportar a título de tributo. Domicílio tributário A lei deve fazer o possível para que o contribuinte tenha como recolher o tributo na região em que se encontra domiciliado ou se- diado. O ato de recolher o tributo não deve se constituir num ônus. Os sujeitos são livres para escolher seu domicílio, mas diante a inércia do contribuinte a lei fixa o domicílio onde responderá pelas obrigações tributárias. “Na falta de eleição, pelo contribuinte ou responsável, de do- micílio tributário, na forma da legislação aplicável, considera-se como tal: I – quanto às pessoas naturais, a sua residência habitual, ou sendo esta incerta, ou desconhecida, o centro habitual de suas ati- vidades; II – quanto às pessoas jurídicas de direito privado ou às firmas individuais, o lugar da sua sede, ou, em relação aos atos ou fatos que derem origem à obrigação, o de cada estabelecimento; III – quanto às pessoas jurídicas de direito público, qualquer de suas repartições no território da entidade tributante” (art. 127, I, II e III do CTN). Na prática, a rede bancária esta autorizada a recolher tributos. Diferença entre contribuinte de fato e de direito: - Contribuinte de direito: É a pessoa realizou o fato imponível, isto é, que ocupa o polo passivo da obrigação jurídica tributária. Ex: No ICMS, é o comerciante. - Contribuinte de fato: É a pessoa que ao final suporta a carga econômica do tributo. Ex: No ICMS, é consumidor final O contribuinte de direito é relevante para o direito tributário. Muitas vezes, o contribuinte de fato e de direito podem estar numa única pessoa. Ex: Imposto de renda. - Espécies de sujeito passivo Pode ser o contribuinte ou o responsável que responde pela obrigação por força da lei. - Sujeito passivo direto ou contribuinte: Contribuinte é o realizador do fato imponível (art. 121, parágra- fo único, I do CTN). Paga o tributo a título próprio e o seu patrimô- nio, desde o primeiro momento, suporta a carga fiscal. - Sujeito passivo indireto ou responsável: Responsável não é o realizador do fato imponível (art. 121, pa- rágrafo único, II do CTN). Paga o tributo alheio em nome do contri- buinte, em decorrência de disposição expressa de lei. Deve existir uma relação jurídica entre contribuinte e respon- sável que permita a este último o pronto ressarcimento da quantia adiantada. Assim, num primeiro momento, o patrimônio do respon- sável é atingido pela carga fiscal, mas depois ao final é recomposto, pois o contribuinte que suportará carga fiscal. “Sem prejuízo do disposto neste capítulo, a lei pode atribuir de modo expresso a responsabilidade pelo crédito tributário à terceira pessoa, vinculada ao fato gerador da respectiva obrigação, excluin- do a responsabilidade do contribuinte ou atribuindo-a a este em caráter supletivo do cumprimento total ou parcial da referida obri- gação” (art. 128 do CTN). Como a sujeição passiva indireta só ocorre em relação a impos- tos, os demais tributos só podem ser exigidos de quem realizou o fato imponível. A sujeição passiva indireta pode se dar por substituição ou transferência. - Sujeição passiva indireta por substituição: O dever de recolher o tributo, por expressa determinação legal, nasce desde a ocorrência do fato imponível do tributo na pessoa do responsável. Ex: O empregador é sujeito passivo por substituição do empregado em relação ao IR, tanto que se não encaminhar o des- conto da quantia no salário do empregado a receita federal comete crime contra a ordem tributária. DIREITO TRIBUTÁRIO 340 O imposto, cujo fato gerador deva ocorrer posteriormente, pode ser cobrado antecipadamente do substituído tributário, asse- gurada a imediata e preferencial restituição da quantia paga, caso não se realize o fato gerador presumido. “A lei poderá atribuir a sujeito passivo de obrigação tributária a condição de responsável pelo pagamento de imposto ou contri- buição, cujo fato gerador deva ocorrer posteriormente, assegurada a imediata e preferencial restituição da quantia paga caso não se realize o fato gerador presumido” (art. 150, §7º da CF). - Sujeição passiva indireta por transferência: O dever de pagar o tributo nasce na pessoa do contribuinte, mas a lei o impõe à uma 3ª pessoa (responsável) que não tem rela- ção pessoal e direta com o fato imponível. Modalidades: - Solidariedade: O dever de pagar o tributo nasce no contribuin- te, mas a lei impõe à terceiro que não realizou o fato imponível, em razão da solidariedade existente entre contribuinte e responsável. Solidariedade quando duas ou mais pessoas são coobrigadas pela lei a responder pelo mesmo débito fiscal. A solidariedade em matéria tributária só pode decorrer da lei. Ex: A legislação do Muni- cípio de São Paulo permite que o IPTU sobre imóvel em condomínio proindiviso seja cobrado de qualquer dos comunheiros e depois o outro se ressarce (cada um é detentor de uma cota parte ideal). Não se pode invocar o beneficio de ordem na solidariedade tributária (art. 124, parágrafo único do CTN). “Salvo disposição da lei em contrário, são os seguintes efeitos da solidariedade: I - o pagamento efetuado por um aproveita os demais; II - a interrupção da prescrição em favor ou contra um dos coo- brigados favorece ou prejudica os demais; III - a isenção ou remissão de crédito exonera todos os coobri- gados, salvo se outorgadas pessoalmente a um deles, subsistindo o saldo aos demais” (art. 125, I, II e III do CTN). “Interpreta-se literalmente a legislação tributária que disponha sobre: I - suspensão ou exclusão do crédito tributário; II - outorga de isenção; III - dispensa do cumprimento de obrigações tributárias acessó- rias” (art. 111, I, II e III do CTN). - Sucessão: O dever de pagar o tributo nasce no contribuinte, mas a lei impõe à terceiro que não realizou o fato imponível, em razão de o primeiro devedor tributário ter desaparecido, deixando quem lhe faça juridicamente as vezes. É uma hipótese de sub-roga- ção nos direitos e obrigações do contribuinte. Ex: venda de estabe- lecimento; morte; falência; venda de bem móvel ou imóvel. A sucessão pode ocorrer a título singular ou universal, “causa mortis” (herdeiro responde pelas dívidas tributárias até as forças da herança) ou “inter vivos” (adquirente responde pelas dividas tri- butárias). “São pessoalmente responsáveis: I - o adquirente ou remitente, pelos tributos relativos aos bens adquiridos ou remidos; II - o sucessor a qualquer título e o cônjuge meeiro pelos tri- butos devidos pelo de cujos até a data da partilha ou adjudicação, limitada esta responsabilidade ao montante do quinhão, do legado ou da meação; III - o espólio, pelos tributos devidos pelo de cujus, até a data da abertura da sucessão” (art. 131, I, II e III do CTN). “A pessoa natural ou jurídica de direito privado que adquirir de outra, por qualquer título, fundo de comércio ou estabelecimento comercial, industrial ou profissional, e continuar a respectiva explo- ração, sob a mesma ou outra razão social ou sob firma ou nomeindividual, responde pelos tributos, relativos ao fundo ou estabele- cimento adquirido, devidos até a data do ato: I – integralmente, se o alienante cessar a exploração do comér- cio, indústria ou atividade; II - subsidiariamente com o alienante se este prosseguir na exploração ou iniciar dentro de seis meses, a contar da alienação, nova atividade no mesmo ou em outro ramo de comércio, indústria ou profissão” (art. 133, I e II do CTN). “A pessoa jurídica direito privado que resultar de fusão, trans- formação ou incorporação de outra em outra é responsável pelos tributos devidos até a data do ato pelas pessoas jurídicas de direito privado fusionadas, transformadas ou incorporadas” (art. 132 do CTN). Salvo disposição de lei em contrário, os acordos entre parti- culares (contribuintes e terceiros) não podem ser contrapostos à Fazenda Pública, pois ela só está obrigada a cumprir a lei (art. 123 do CTN). Ex: Se no contrato de locação estiver estabelecido que o inquilino é responsável pelo IPTU e o mesmo não paga, a Fazen- da Pública vai atrás do proprietário do imóvel, pois a cláusula vale apenas entre os dois; Ex: A empresa X é adquirida pela empresa Y, estipulando no contrato que a X continuará respondendo pelos tributos. Entretanto, se os tributos não forem pagos, a Fazenda Pú- blica vai atrás da empresa Y. - Responsabilidade de terceiros: O dever de pagar o tributo nasce na pessoa do contribuinte, mas a lei o impõe à uma terceira pessoa (responsável) que tinha o dever de zelar pelo recolhimento do tributo por parte do contribuinte e não o fazem , tendo como consequência o não pagamento do tributo. Ex: tabelião antes de lavrar a escritura de compra e venda deve verificar se foi pago o ITBI. Se o fizer sem esse pagamento o tabelião responderá e depois se ressarce junto ao adquirente do imóvel. Esta responsabilidade ocorre quando há impossibilidade de exigir o cumprimento da obrigação principal pelo contribuinte, ou quando o terceiro intervenha no ato tributável e seja omisso quan- to a ele (art. 134 do CTN). São terceiros responsáveis: I - os pais pelos tributos devidos por seus filhos menores; II - os tutores ou curadores pelos tributos devidos por seus tu- telados ou curatelados; III – os administradores de bens de terceiro, pelos tributos des- te; IV – o inventariante pelos tributos devidos pelo o espolio; V – o síndico e o comissário, pelos tributos devidos pela massa falida ou pelo concordatário; VI - os tabeliães, escrivães e demais serventuários de oficio, pe- los tributos devidos sobre os atos praticados por eles, ou perante eles, em razão do seu oficio; VII - os sócios, no caso de liquidação de sociedade de pessoas (art. 134, I, II, III, IV, V, VI e VII do CTN). “O disposto neste artigo só se aplica, em matéria de penali- dade, às de caráter moratório” (art. 134, parágrafo único do CTN). DIREITO TRIBUTÁRIO 341 - Responsabilidade por infração: Regra geral: A infração fiscal deve ser considerada como obje- tiva. - “Salvo disposição em contrário, a responsabilidade por infra- ções da legislação tributária independe da intenção do agente ou do responsável e da efetividade, natureza ou extensão dos efeitos do ato” (art. 136 do CTN). Exceção: A infração fiscal será subjetiva. São pessoalmente responsáveis pelos créditos da obrigação ju- rídica tributária resultante de atos praticados com excesso de poder ou infração de lei, contrato social ou estatutos: I - responsáveis legais; II - mandatários, prepostos e empregados; III administradores das pessoas jurídicas de direito privado (art. 135, I, II e III do CTN). A responsabilidade é pessoal do agente: Quanto às infrações conceituadas por lei como crimes ou con- travenções, salvo quando praticadas no exercício regular de admi- nistração, mandato, função, cargo ou emprego, ou no cumprimento de ordem expressa emitida por quem de direito (art. 137, I do CTN). Quanto às infrações em cuja definição o dolo específico do agente seja elementar (art. 137, II do CTN). Quanto às infrações que decorram direta e exclusivamente de dolo específico: a) das pessoas do art 134, contra aquelas por quem respondem; b) dos mandatários, prepostos ou empregados, contra seus mandantes, preponentes ou empregadores; c) dos diretores, gerentes ou representantes de pessoa jurídica de direito privado, contra estas (art 137, III, “a”, “b” e “c” do CTN). “A responsabilidade é excluída pela denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do tributo de- vido e dos juros da mora, ou do depósito da importância arbitrada pela autoridade administrativa, quando o montante do tributo de- penda de apuração” (art. 138 do CTN). “Não se considera espontânea a denúncia apresentada após o início de qualquer procedimento administrativo ou medida de fis- calização relacionados com a infração” (art. 138 parágrafo único do CTN). www.webjur.com.br Domicílio tributário A lei deve fazer o possível para que o contribuinte tenha como recolher o tributo na região em que se encontra domiciliado ou se- diado. O ato de recolher o tributo não deve se constituir num ônus. Os sujeitos são livres para escolher seu domicílio, mas diante a inércia do contribuinte a lei fixa o domicílio onde responderá pelas obrigações tributárias. “Na falta de eleição, pelo contribuinte ou responsável, de do- micílio tributário, na forma da legislação aplicável, considera-se como tal: I – quanto às pessoas naturais, a sua residência habitual, ou sendo esta incerta, ou desconhecida, o centro habitual de suas ati- vidades; II – quanto às pessoas jurídicas de direito privado ou às firmas individuais, o lugar da sua sede, ou, em relação aos atos ou fatos que derem origem à obrigação, o de cada estabelecimento; III – quanto às pessoas jurídicas de direito público, qualquer de suas repartições no território da entidade tributante” (art. 127, I, II e III do CTN). Na prática, a rede bancária esta autorizada a recolher tributos. Existem tributos cuja legislação específica exclui ou restringe a faculdade de escolha, pelo sujeito passivo, de seu domicílio tributá- rio; nos demais tributos, vigora a liberdade de escolha; a liberdade de escolha não pode ser usada para impedir ou dificultar a arreca- dação ou fiscalização do tributo, pois neste caso poderá ser recusa- do o domicílio escolhido; ocorrendo a recusa, o domicílio tributário será o do lugar da situação dos bens ou da ocorrência dos atos ou fatos que deram origem à obrigação. O CTN estabelece algumas regras a serem utilizadas caso o con- tribuinte não faça a eleição do domicílio tributário. - Pessoas naturais: será considerado domicílio tributário o local de sua residência habitual. Caso não seja possível sua definição con- siderará o centro habitual de suas atividades. - Pessoas jurídicas de direito privado e firmas individuais: será considerado domicílio tributário o local de sua sede. No caso de fatos praticados fora do local de sua sede e que derem origem a obrigações tributárias, considerará o local da prática dos atos ou ocorrência dos fatos. - Pessoas jurídicas de direito público: será domicílio tributário o local de qualquer uma de suas repartições que estejam situadas no território da entidade tributante. Nas situações em que não for possível a aplicação dessas re- gras, será considerado domicílio tributário o local onde se encontra- rem os bens, ou onde ocorrerem os fatos ou atos que deram origem à obrigação tributária. Art. 127, § 1º Quando não couber a aplicação das regras fixadas em qualquer dos incisos deste artigo, considerar-se-á como domi- cílio tributário do contribuinte ou responsável o lugar da situação dos bens ou da ocorrência dos atos ou fatos que deram origem à obrigação. O CTN prevê também hipóteses em que a autoridade tributá- ria poderá recusar o domicílio eleito pelo contribuinte. Tal recusa pode ocorrer quando o local escolhido impossibilitar ou dificultar a arrecadação ou fiscalizaçãodo tributo. É o que ocorre, por exem- plo, quando o local escolhido pelo contribuinte fica situado fora da área territorial do ente tributante. Essa recusa deverá sempre ser fundamentada, deixando claro o motivo da dificuldade ou impossi- bilidade de arrecadação ou fiscalização do tributo. Havendo a recusa, será aplicada a regra utilizada quando o contribuinte não elege um domicílio tributário: será considerado domicílio tributário o local onde se encontrarem os bens, ou onde ocorrerem os fatos ou atos que deram origem à obrigação tributá- ria. Art. 127, § 2º A autoridade administrativa pode recusar o do- micílio eleito, quando impossibilite ou dificulte a arrecadação ou a fiscalização do tributo, aplicando-se então a regra do parágrafo anterior. Desta forma, a eleição do domicílio tributário, como vimos, é a regra. Entretanto, poderá a lei criar limitações e até mesmo impor um domicílio tributário obrigatório para a arrecadação de determi- nados tributos. É o que ocorre, por exemplo, na “Lei Kandir”, que dispõe sobre o ICMS: LEI COMPLEMENTAR Nº 87/96 (LEI KANDIR) Art. 11. O local da operação ou da prestação, para os efeitos da cobrança do imposto e definição do estabelecimento responsável, é:... Domicílio Tributário Eletrônico (DTE) A Receita Federal colocou à disposição dos contribuintes a opção pelo Domicílio Tributário Eletrônico (DTE). A adesão ao DTE permite que sua Caixa Postal no e-CAC também seja considerada seu Domicílio Tributário perante a Administração Tributária Federal. DIREITO TRIBUTÁRIO 342 Ao aderir ao DTE, o contribuinte terá várias facilidades, como: cadastrar até três números de celulares e três endereços de e-mail para recebimento do aviso de mensagem na caixa postal; redução no tempo de trâmite dos processos administrativos digitais; garan- tia quanto ao sigilo fiscal e total segurança contra o extravio de in- formações; e acesso, na íntegra, a todos os processos digitais exis- tentes em seu nome, em tramitação na RFB, na Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional e no Conselho Administrativo de Recursos Fis- cais. http://www.receita.fazenda.gov.br/ CRÉDITO TRIBUTÁRIO: CONCEITO E CONSTITUIÇÃO. LAN- ÇAMENTO: CONCEITO E MODALIDADES DE LANÇAMENTO. HIPÓTESES DE ALTERAÇÃO DO LANÇAMENTO. SUSPEN- SÃO DA EXIGIBILIDADE DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. EXTIN- ÇÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO E SUAS MODALIDADES. EX- CLUSÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO E SUAS MODALIDADES TÍTULO III CRÉDITO TRIBUTÁRIO CAPÍTULO I DISPOSIÇÕES GERAIS Art. 139. O crédito tributário decorre da obrigação principal e tem a mesma natureza desta. Art. 140. As circunstâncias que modificam o crédito tributário, sua extensão ou seus efeitos, ou as garantias ou os privilégios a ele atribuídos, ou que excluem sua exigibilidade não afetam a obriga- ção tributária que lhe deu origem. Art. 141. O crédito tributário regularmente constituído somen- te se modifica ou extingue, ou tem sua exigibilidade suspensa ou excluída, nos casos previstos nesta Lei, fora dos quais não podem ser dispensadas, sob pena de responsabilidade funcional na forma da lei, a sua efetivação ou as respectivas garantias. CAPÍTULO II CONSTITUIÇÃO DE CRÉDITO TRIBUTÁRIO SEÇÃO I LANÇAMENTO Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujei- to passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Parágrafo único. A atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional. Art. 143. Salvo disposição de lei em contrário, quando o valor tributário esteja expresso em moeda estrangeira, no lançamento far-se-á sua conversão em moeda nacional ao câmbio do dia da ocorrência do fato gerador da obrigação. Art. 144. O lançamento reporta-se à data da ocorrência do fato gerador da obrigação e rege-se pela lei então vigente, ainda que posteriormente modificada ou revogada. § 1º Aplica-se ao lançamento a legislação que, posteriormente à ocorrência do fato gerador da obrigação, tenha instituído novos critérios de apuração ou processos de fiscalização, ampliado os poderes de investigação das autoridades administrativas, ou ou- torgado ao crédito maiores garantias ou privilégios, exceto, neste último caso, para o efeito de atribuir responsabilidade tributária a terceiros. § 2º O disposto neste artigo não se aplica aos impostos lança- dos por períodos certos de tempo, desde que a respectiva lei fixe expressamente a data em que o fato gerador se considera ocorrido. Art. 145. O lançamento regularmente notificado ao sujeito passivo só pode ser alterado em virtude de: I - impugnação do sujeito passivo; II - recurso de ofício; III - iniciativa de ofício da autoridade administrativa, nos casos previstos no artigo 149. Art. 146. A modificação introduzida, de ofício ou em consequ- ência de decisão administrativa ou judicial, nos critérios jurídicos adotados pela autoridade administrativa no exercício do lançamen- to somente pode ser efetivada, em relação a um mesmo sujeito passivo, quanto a fato gerador ocorrido posteriormente à sua in- trodução. SEÇÃO II MODALIDADES DE LANÇAMENTO Art. 147. O lançamento é efetuado com base na declaração do sujeito passivo ou de terceiro, quando um ou outro, na forma da le- gislação tributária, presta à autoridade administrativa informações sobre matéria de fato, indispensáveis à sua efetivação. § 1º A retificação da declaração por iniciativa do próprio de- clarante, quando vise a reduzir ou a excluir tributo, só é admissível mediante comprovação do erro em que se funde, e antes de notifi- cado o lançamento. § 2º Os erros contidos na declaração e apuráveis pelo seu exa- me serão retificados de ofício pela autoridade administrativa a que competir a revisão daquela. Art. 148. Quando o cálculo do tributo tenha por base, ou tome em consideração, o valor ou o preço de bens, direitos, serviços ou atos jurídicos, a autoridade lançadora, mediante processo regular, arbitrará aquele valor ou preço, sempre que sejam omissos ou não mereçam fé as declarações ou os esclarecimentos prestados, ou os documentos expedidos pelo sujeito passivo ou pelo terceiro le- galmente obrigado, ressalvada, em caso de contestação, avaliação contraditória, administrativa ou judicial. Art. 149. O lançamento é efetuado e revisto de ofício pela au- toridade administrativa nos seguintes casos: I - quando a lei assim o determine; II - quando a declaração não seja prestada, por quem de direi- to, no prazo e na forma da legislação tributária; III - quando a pessoa legalmente obrigada, embora tenha pres- tado declaração nos termos do inciso anterior, deixe de atender, no prazo e na forma da legislação tributária, a pedido de esclarecimen- to formulado pela autoridade administrativa, recuse-se a prestá-lo ou não o preste satisfatoriamente, a juízo daquela autoridade; IV - quando se comprove falsidade, erro ou omissão quanto a qualquer elemento definido na legislação tributária como sendo de declaração obrigatória; V - quando se comprove omissão ou inexatidão, por parte da pessoa legalmente obrigada, no exercício da atividade a que se re- fere o artigo seguinte; VI - quando se comprove ação ou omissão do sujeito passivo, ou de terceiro legalmente obrigado, que dê lugar à aplicação de pe- nalidade pecuniária; VII - quando se comprove que o sujeito passivo, ou terceiro em benefício daquele, agiu com dolo, fraude ou simulação; VIII - quando deva ser apreciado fato não conhecido ou não provado por ocasião do lançamento anterior; IX - quando se comprove que, no lançamento anterior, ocorreu fraude ou falta funcional da autoridade que o efetuou, ou omissão, pela mesma autoridade, de ato ou formalidade especial. DIREITO TRIBUTÁRIO 343 Parágrafo único. A revisãodo lançamento só pode ser iniciada enquanto não extinto o direito da Fazenda Pública. Art. 150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade adminis- trativa, opera-se pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressa- mente a homologa. § 1º O pagamento antecipado pelo obrigado nos termos deste artigo extingue o crédito, sob condição resolutória da ulterior ho- mologação ao lançamento. § 2º Não influem sobre a obrigação tributária quaisquer atos anteriores à homologação, praticados pelo sujeito passivo ou por terceiro, visando à extinção total ou parcial do crédito. § 3º Os atos a que se refere o parágrafo anterior serão, porém, considerados na apuração do saldo porventura devido e, sendo o caso, na imposição de penalidade, ou sua graduação. § 4º Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considera-se ho- mologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. CAPÍTULO III SUSPENSÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO SEÇÃO I DISPOSIÇÕES GERAIS Art. 151. Suspendem a exigibilidade do crédito tributário: I - moratória; II - o depósito do seu montante integral; III - as reclamações e os recursos, nos termos das leis regulado- ras do processo tributário administrativo; IV - a concessão de medida liminar em mandado de segurança. V – a concessão de medida liminar ou de tutela antecipada, em outras espécies de ação judicial; VI – o parcelamento. Parágrafo único. O disposto neste artigo não dispensa o cum- primento das obrigações assessórios dependentes da obrigação principal cujo crédito seja suspenso, ou dela consequentes. SEÇÃO II MORATÓRIA Art. 152. A moratória somente pode ser concedida: I - em caráter geral: a) pela pessoa jurídica de direito público competente para ins- tituir o tributo a que se refira; b) pela União, quanto a tributos de competência dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios, quando simultaneamente concedida quanto aos tributos de competência federal e às obriga- ções de direito privado; II - em caráter individual, por despacho da autoridade adminis- trativa, desde que autorizada por lei nas condições do inciso ante- rior. Parágrafo único. A lei concessiva de moratória pode circuns- crever expressamente a sua aplicabilidade à determinada região do território da pessoa jurídica de direito público que a expedir, ou a determinada classe ou categoria de sujeitos passivos. Art. 153. A lei que conceda moratória em caráter geral ou auto- rize sua concessão em caráter individual especificará, sem prejuízo de outros requisitos: I - o prazo de duração do favor; II - as condições da concessão do favor em caráter individual; III - sendo caso: a) os tributos a que se aplica; b) o número de prestações e seus vencimentos, dentro do pra- zo a que se refere o inciso I, podendo atribuir a fixação de uns e de outros à autoridade administrativa, para cada caso de concessão em caráter individual; c) as garantias que devem ser fornecidas pelo beneficiado no caso de concessão em caráter individual. Art. 154. Salvo disposição de lei em contrário, a moratória so- mente abrange os créditos definitivamente constituídos à data da lei ou do despacho que a conceder, ou cujo lançamento já tenha sido iniciado àquela data por ato regularmente notificado ao sujeito passivo. Parágrafo único. A moratória não aproveita aos casos de dolo, fraude ou simulação do sujeito passivo ou do terceiro em benefício daquele. Art. 155. A concessão da moratória em caráter individual não gera direito adquirido e será revogado de ofício, sempre que se apure que o beneficiado não satisfazia ou deixou de satisfazer as condições ou não cumprira ou deixou de cumprir os requisitos para a concessão do favor, cobrando-se o crédito acrescido de juros de mora: I - com imposição da penalidade cabível, nos casos de dolo ou simulação do beneficiado, ou de terceiro em benefício daquele; II - sem imposição de penalidade, nos demais casos. Parágrafo único. No caso do inciso I deste artigo, o tempo de- corrido entre a concessão da moratória e sua revogação não se computa para efeito da prescrição do direito à cobrança do crédito; no caso do inciso II deste artigo, a revogação só pode ocorrer antes de prescrito o referido direito. Art. 155-A. O parcelamento será concedido na forma e condi- ção estabelecidas em lei específica. § 1o Salvo disposição de lei em contrário, o parcelamento do crédito tributário não exclui a incidência de juros e multas. § 2o Aplicam-se, subsidiariamente, ao parcelamento as disposi- ções desta Lei, relativas à moratória. § 3o Lei específica disporá sobre as condições de parcelamento dos créditos tributários do devedor em recuperação judicial. § 4o A inexistência da lei específica a que se refere o § 3o deste artigo importa na aplicação das leis gerais de parcelamento do ente da Federação ao devedor em recuperação judicial, não podendo, neste caso, ser o prazo de parcelamento inferior ao concedido pela lei federal específica. CAPÍTULO IV EXTINÇÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO SEÇÃO I MODALIDADES DE EXTINÇÃO Art. 156. Extinguem o crédito tributário: I - o pagamento; II - a compensação; III - a transação; IV - remissão; V - a prescrição e a decadência; VI - a conversão de depósito em renda; VII - o pagamento antecipado e a homologação do lançamento nos termos do disposto no artigo 150 e seus §§ 1º e 4º; VIII - a consignação em pagamento, nos termos do disposto no § 2º do artigo 164; DIREITO TRIBUTÁRIO 344 IX - a decisão administrativa irreformável, assim entendida a definitiva na órbita administrativa, que não mais possa ser objeto de ação anulatória; X - a decisão judicial passada em julgado. XI – a dação em pagamento em bens imóveis, na forma e con- dições estabelecidas em lei. Parágrafo único. A lei disporá quanto aos efeitos da extinção to- tal ou parcial do crédito sobre a ulterior verificação da irregularida- de da sua constituição, observado o disposto nos artigos 144 e 149. SEÇÃO II PAGAMENTO Art. 157. A imposição de penalidade não ilide o pagamento in- tegral do crédito tributário. Art. 158. O pagamento de um crédito não importa em presun- ção de pagamento: I - quando parcial, das prestações em que se decomponha; II - quando total, de outros créditos referentes ao mesmo ou a outros tributos. Art. 159. Quando a legislação tributária não dispuser a respei- to, o pagamento é efetuado na repartição competente do domicílio do sujeito passivo. Art. 160. Quando a legislação tributária não fixar o tempo do pagamento, o vencimento do crédito ocorre trinta dias depois da data em que se considera o sujeito passivo notificado do lançamen- to. Parágrafo único. A legislação tributária pode conceder descon- to pela antecipação do pagamento, nas condições que estabeleça. Art. 161. O crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis e da aplicação de quaisquer medidas de garantia previstas nesta Lei ou em lei tributária. § 1º Se a lei não dispuser de modo diverso, os juros de mora são calculados à taxa de um por cento ao mês. § 2º O disposto neste artigo não se aplica na pendência de con- sulta formulada pelo devedor dentro do prazo legal para pagamen- to do crédito. Art. 162. O pagamento é efetuado: I - em moeda corrente, cheque ou vale postal; II - nos casos previstos em lei, em estampilha, em papel selado, ou por processo mecânico. § 1º A legislação tributária pode determinar as garantias exi- gidas para o pagamento por cheque ou vale postal, desde que não o torne impossível ou mais oneroso que o pagamento em moeda corrente.§ 2º O crédito pago por cheque somente se considera extinto com o resgate deste pelo sacado. § 3º O crédito pagável em estampilha considera-se extinto com a inutilização regular daquela, ressalvado o disposto no artigo 150. § 4º A perda ou destruição da estampilha, ou o erro no paga- mento por esta modalidade, não dão direito a restituição, salvo nos casos expressamente previstos na legislação tributária, ou naquelas em que o erro seja imputável à autoridade administrativa. § 5º O pagamento em papel selado ou por processo mecânico equipara-se ao pagamento em estampilha. Art. 163. Existindo simultaneamente dois ou mais débitos ven- cidos do mesmo sujeito passivo para com a mesma pessoa jurídica de direito público, relativos ao mesmo ou a diferentes tributos ou provenientes de penalidade pecuniária ou juros de mora, a autori- dade administrativa competente para receber o pagamento deter- minará a respectiva imputação, obedecidas as seguintes regras, na ordem em que enumeradas: I - em primeiro lugar, aos débitos por obrigação própria, e em segundo lugar aos decorrentes de responsabilidade tributária; II - primeiramente, às contribuições de melhoria, depois às ta- xas e por fim aos impostos; III - na ordem crescente dos prazos de prescrição; IV - na ordem decrescente dos montantes. Art. 164. A importância de crédito tributário pode ser consigna- da judicialmente pelo sujeito passivo, nos casos: I - de recusa de recebimento, ou subordinação deste ao paga- mento de outro tributo ou de penalidade, ou ao cumprimento de obrigação acessória; II - de subordinação do recebimento ao cumprimento de exi- gências administrativas sem fundamento legal; III - de exigência, por mais de uma pessoa jurídica de direito público, de tributo idêntico sobre um mesmo fato gerador. § 1º A consignação só pode versar sobre o crédito que o consig- nante se propõe pagar. § 2º Julgada procedente a consignação, o pagamento se reputa efetuado e a importância consignada é convertida em renda; julga- da improcedente a consignação no todo ou em parte, cobra-se o crédito acrescido de juros de mora, sem prejuízo das penalidades cabíveis. SEÇÃO III PAGAMENTO INDEVIDO Art. 165. O sujeito passivo tem direito, independentemente de prévio protesto, à restituição total ou parcial do tributo, seja qual for a modalidade do seu pagamento, ressalvado o disposto no § 4º do artigo 162, nos seguintes casos: I - cobrança ou pagamento espontâneo de tributo indevido ou maior que o devido em face da legislação tributária aplicável, ou da natureza ou circunstâncias materiais do fato gerador efetivamente ocorrido; II - erro na edificação do sujeito passivo, na determinação da alíquota aplicável, no cálculo do montante do débito ou na elabora- ção ou conferência de qualquer documento relativo ao pagamento; III - reforma, anulação, revogação ou rescisão de decisão con- denatória. Art. 166. A restituição de tributos que comportem, por sua natureza, transferência do respectivo encargo financeiro somente será feita a quem prove haver assumido o referido encargo, ou, no caso de tê-lo transferido a terceiro, estar por este expressamente autorizado a recebê-la. Art. 167. A restituição total ou parcial do tributo dá lugar à res- tituição, na mesma proporção, dos juros de mora e das penalidades pecuniárias, salvo as referentes a infrações de caráter formal não prejudicadas pela causa da restituição. Parágrafo único. A restituição vence juros não capitalizáveis, a partir do trânsito em julgado da decisão definitiva que a determinar. Art. 168. O direito de pleitear a restituição extingue-se com o decurso do prazo de 5 (cinco) anos, contados: I - nas hipótese dos incisos I e II do artigo 165, da data da extin- ção do crédito tributário; II - na hipótese do inciso III do artigo 165, da data em que se tornar definitiva a decisão administrativa ou passar em julgado a decisão judicial que tenha reformado, anulado, revogado ou rescin- dido a decisão condenatória. Art. 169. Prescreve em dois anos a ação anulatória da decisão administrativa que denegar a restituição. Parágrafo único. O prazo de prescrição é interrompido pelo iní- cio da ação judicial, recomeçando o seu curso, por metade, a partir da data da intimação validamente feita ao representante judicial da Fazenda Pública interessada. DIREITO TRIBUTÁRIO 345 SEÇÃO IV DEMAIS MODALIDADES DE EXTINÇÃO Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que es- tipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade ad- ministrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda pública. Parágrafo único. Sendo vincendo o crédito do sujeito passivo, a lei determinará, para os efeitos deste artigo, a apuração do seu montante, não podendo, porém, cominar redução maior que a cor- respondente ao juro de 1% (um por cento) ao mês pelo tempo a decorrer entre a data da compensação e a do vencimento. Art. 170-A. É vedada a compensação mediante o aproveita- mento de tributo, objeto de contestação judicial pelo sujeito passi- vo, antes do trânsito em julgado da respectiva decisão judicial. Art. 171. A lei pode facultar, nas condições que estabeleça, aos sujeitos ativo e passivo da obrigação tributária celebrar transação que, mediante concessões mútuas, importe em determinação de litígio e consequente extinção de crédito tributário. Parágrafo único. A lei indicará a autoridade competente para autorizar a transação em cada caso. Art. 172. A lei pode autorizar a autoridade administrativa a conceder, por despacho fundamentado, remissão total ou parcial do crédito tributário, atendendo: I - à situação econômica do sujeito passivo; II - ao erro ou ignorância escusáveis do sujeito passivo, quanto a matéria de fato; III - à diminuta importância do crédito tributário; IV - a considerações de equidade, em relação com as caracterís- ticas pessoais ou materiais do caso; V - a condições peculiares a determinada região do território da entidade tributante. Parágrafo único. O despacho referido neste artigo não gera di- reito adquirido, aplicando-se, quando cabível, o disposto no artigo 155. Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tri- butário extingue-se após 5 (cinco) anos, contados: I - do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lança- mento poderia ter sido efetuado; II - da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado. Parágrafo único. O direito a que se refere este artigo extingue- -se definitivamente com o decurso do prazo nele previsto, contado da data em que tenha sido iniciada a constituição do crédito tribu- tário pela notificação, ao sujeito passivo, de qualquer medida pre- paratória indispensável ao lançamento. Art. 174. A ação para a cobrança do crédito tributário prescre- ve em cinco anos, contados da data da sua constituição definitiva. Parágrafo único. A prescrição se interrompe: I – pelo despacho do juiz que ordenar a citação em execução fiscal; II - pelo protesto judicial; III - por qualquer ato judicial que constitua em mora o devedor; IV - por qualquer ato inequívoco ainda que extrajudicial, que importe em reconhecimento do débito pelo devedor. CAPÍTULO V EXCLUSÃO DE CRÉDITO TRIBUTÁRIO SEÇÃO I DISPOSIÇÕES GERAIS Art. 175. Excluem o crédito tributário: I - a isenção; II - a anistia. Parágrafo único. A exclusão do crédito tributário não dispensa o cumprimento das obrigações acessórias dependentes da obriga- ção principal cujo crédito seja excluído, ou dela consequente. SEÇÃO II ISENÇÃO Art. 176. A isenção, ainda quando prevista em contrato, é sem- pre decorrente de lei que especifique as condições e requisitos exi- gidos para a sua concessão, os tributos a que se aplica e, sendo caso, o prazo de sua duração. Parágrafo único. A isenção pode ser restrita a determinada re- gião do território da entidadetributante, em função de condições a ela peculiares. Art. 177. Salvo disposição de lei em contrário, a isenção não é extensiva: I - às taxas e às contribuições de melhoria; II - aos tributos instituídos posteriormente à sua concessão. Art. 178 - A isenção, salvo se concedida por prazo certo e em função de determinadas condições, pode ser revogada ou modifi- cada por lei, a qualquer tempo, observado o disposto no inciso III do art. 104. Art. 179. A isenção, quando não concedida em caráter geral, é efetivada, em cada caso, por despacho da autoridade administrati- va, em requerimento com o qual o interessado faça prova do preen- chimento das condições e do cumprimento dos requisitos previstos em lei ou contrato para sua concessão. § 1º Tratando-se de tributo lançado por período certo de tem- po, o despacho referido neste artigo será renovado antes da expi- ração de cada período, cessando automaticamente os seus efeitos a partir do primeiro dia do período para o qual o interessado deixar de promover a continuidade do reconhecimento da isenção. § 2º O despacho referido neste artigo não gera direito adquiri- do, aplicando-se, quando cabível, o disposto no artigo 155. SEÇÃO III ANISTIA Art. 180. A anistia abrange exclusivamente as infrações come- tidas anteriormente à vigência da lei que a concede, não se apli- cando: I - aos atos qualificados em lei como crimes ou contravenções e aos que, mesmo sem essa qualificação, sejam praticados com dolo, fraude ou simulação pelo sujeito passivo ou por terceiro em bene- fício daquele; II - salvo disposição em contrário, às infrações resultantes de conluio entre duas ou mais pessoas naturais ou jurídicas. Art. 181. A anistia pode ser concedida: I - em caráter geral; II - limitadamente: a) às infrações da legislação relativa a determinado tributo; b) às infrações punidas com penalidades pecuniárias até deter- minado montante, conjugadas ou não com penalidades de outra natureza; DIREITO TRIBUTÁRIO 346 c) a determinada região do território da entidade tributante, em função de condições a ela peculiares; d) sob condição do pagamento de tributo no prazo fixado pela lei que a conceder, ou cuja fixação seja atribuída pela mesma lei à autoridade administrativa. Art. 182. A anistia, quando não concedida em caráter geral, é efetivada, em cada caso, por despacho da autoridade administrati- va, em requerimento com a qual o interessado faça prova do preen- chimento das condições e do cumprimento dos requisitos previstos em lei para sua concessão. Parágrafo único. O despacho referido neste artigo não gera di- reito adquirido, aplicando-se, quando cabível, o disposto no artigo 155. CAPÍTULO VI GARANTIAS E PRIVILÉGIOS DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO SEÇÃO I DISPOSIÇÕES GERAIS Art. 183. A enumeração das garantias atribuídas neste Capítulo ao crédito tributário não exclui outras que sejam expressamente previstas em lei, em função da natureza ou das características do tributo a que se refiram. Parágrafo único. A natureza das garantias atribuídas ao crédito tributário não altera a natureza deste nem a da obrigação tributária a que corresponda. Art. 184. Sem prejuízo dos privilégios especiais sobre determi- nados bens, que sejam previstos em lei, responde pelo pagamento do crédito tributário a totalidade dos bens e das rendas, de qual- quer origem ou natureza, do sujeito passivo, seu espólio ou sua massa falida, inclusive os gravados por ônus real ou cláusula de inalienabilidade ou impenhorabilidade, seja qual for a data da cons- tituição do ônus ou da cláusula, excetuados unicamente os bens e rendas que a lei declare absolutamente impenhoráveis. Art. 185. Presume-se fraudulenta a alienação ou oneração de bens ou rendas, ou seu começo, por sujeito passivo em débito para com a Fazenda Pública, por crédito tributário regularmente inscrito como dívida ativa. Parágrafo único. O disposto neste artigo não se aplica na hipó- tese de terem sido reservados, pelo devedor, bens ou rendas sufi- cientes ao total pagamento da dívida inscrita. Art. 185-A. Na hipótese de o devedor tributário, devidamente citado, não pagar nem apresentar bens à penhora no prazo legal e não forem encontrados bens penhoráveis, o juiz determinará a indisponibilidade de seus bens e direitos, comunicando a decisão, preferencialmente por meio eletrônico, aos órgãos e entidades que promovem registros de transferência de bens, especialmente ao re- gistro público de imóveis e às autoridades supervisoras do mercado bancário e do mercado de capitais, a fim de que, no âmbito de suas atribuições, façam cumprir a ordem judicial. § 1o A indisponibilidade de que trata o caput deste artigo limi- tar-se-á ao valor total exigível, devendo o juiz determinar o ime- diato levantamento da indisponibilidade dos bens ou valores que excederem esse limite. § 2o Os órgãos e entidades aos quais se fizer a comunicação de que trata o caput deste artigo enviarão imediatamente ao juízo a relação discriminada dos bens e direitos cuja indisponibilidade hou- verem promovido. SEÇÃO II PREFERÊNCIAS Art. 186. O crédito tributário prefere a qualquer outro, seja qual for sua natureza ou o tempo de sua constituição, ressalvados os créditos decorrentes da legislação do trabalho ou do acidente de trabalho. Parágrafo único. Na falência: I – o crédito tributário não prefere aos créditos extra concur- sais ou às importâncias passíveis de restituição, nos termos da lei falimentar, nem aos créditos com garantia real, no limite do valor do bem gravado; II – a lei poderá estabelecer limites e condições para a preferên- cia dos créditos decorrentes da legislação do trabalho; e III – a multa tributária prefere apenas aos créditos subordina- dos. Art. 187. A cobrança judicial do crédito tributário não é sujeita a concurso de credores ou habilitação em falência, recuperação ju- dicial, concordata, inventário ou arrolamento. Parágrafo único. O concurso de preferência somente se verifica entre pessoas jurídicas de direito público, na seguinte ordem: I - União; II - Estados, Distrito Federal e Territórios, conjuntamente e pró- -rata; III - Municípios, conjuntamente e pró-rata. Art. 188. São extra concursais os créditos tributários decorren- tes de fatos geradores ocorridos no curso do processo de falência. § 1º Contestado o crédito tributário, o juiz remeterá as par- tes ao processo competente, mandando reservar bens suficientes à extinção total do crédito e seus acrescidos, se a massa não puder efetuar a garantia da instância por outra forma, ouvido, quanto à natureza e valor dos bens reservados, o representante da Fazenda Pública interessada. § 2º O disposto neste artigo aplica-se aos processos de con- cordata. Art. 189. São pagos preferencialmente a quaisquer créditos ha- bilitados em inventário ou arrolamento, ou a outros encargos do monte, os créditos tributários vencidos ou vincendos, a cargo do de cujus ou de seu espólio, exigíveis no decurso do processo de inven- tário ou arrolamento. Parágrafo único. Contestado o crédito tributário, proceder-se-á na forma do disposto no § 1º do artigo anterior. Art. 190. São pagos preferencialmente a quaisquer outros os créditos tributários vencidos ou vincendos, a cargo de pessoas jurí- dicas de direito privado em liquidação judicial ou voluntária, exigí- veis no decurso da liquidação. Art. 191. A extinção das obrigações do falido requer prova de quitação de todos os tributos. Art. 191-A. A concessão de recuperação judicial depende da apresentação da prova de quitação de todos os tributos, observado o disposto nos arts. 151, 205 e 206 desta Lei. Art. 192. Nenhuma sentença de julgamento de partilha ou ad- judicação será proferida sem prova da quitação de todos os tributos relativos aos bens do espólio, ou às suas rendas. Art. 193. Salvo quando expressamente autorizado por lei, ne- nhum departamento da administração pública da União, dos Esta- dos, do Distrito Federal, ou dos Municípios, ou sua autarquia,cele- brará contrato ou aceitará proposta em concorrência pública sem que o contratante ou proponente faça prova da quitação de todos os tributos devidos à Fazenda Pública interessada, relativos à ativi- dade em cujo exercício contrata ou concorre. DIREITO TRIBUTÁRIO 347 Crédito Tributário O crédito tributário representa o direito de crédito da Fazenda Pública, já devidamente apurado por procedimento administrativo denominado lançamento e, portanto, dotado de certeza, liquidez e exigibilidade, estabelecendo um vínculo jurídico que obriga o con- tribuinte ou responsável (sujeito passivo) ao Sujeito Ativo (Estado ou ente para fiscal) ao pagamento do tributo. O crédito tributário decorre da ocorrência do fato gerador des- crito em lei tributária ou norma. Para que o Estado possa exigir o crédito tributário, é necessário que ocorra o fato gerador, e que o Estado individualize e quantifique o valor a ser pago, com o lança- mento. O credito tributário não participa do concurso de credores ( ex: inventários e outros), ressaltando ainda que ele possui privilégios ( regalias) e preferências. Como por exemplo se a Fazenda Pública estiver defendendo um crédito qualquer que posteriormente é co- locada pelo magistrado a participar do concurso de credores, perce- be-se que a situação será procedente, pois todos poderão participar do concurso de credores uma vez que todos são iguais perante a lei; pois afinal o privilégio é apenas do crédito e não da pessoa jurídica. Segue abaixo um esquema prático elaborado pela professora Ana Paula Rodrigues sobre este tema e suas consequências. Causas De Suspensão Da Exigibilidade Do Crédito Tributário MO - moratória DE – depósito do montante integral RE – reclamações e recursos administrativos CO – concessão de medida liminar em MS CO – concessão de tutela antecipada em outras ações PA - parcelamento Alguns aspectos importantes atinentes às formas de suspen- são da exigibilidade do crédito tributário: Moratória - Arts. 152 a 155 CTN - Dilatação do pagamento - Deve ser concedida por lei - Pode ser geral ou individual - Pode ser concedida pela lei ou a lei pode autorizar a autorida- de administrativa a concedê-la por meio de despacho. - Assim, pode ser: geral - concedida por lei, sem necessidade de despacho da autoridade administrativa; ou individual: concedida por despacho autoridade administrativa, desde que autorizado por lei. - Geral – 2 tipos: autônoma (aquela concedida pelo próprio ente competente); ou heterônoma (aquela em que a União conce- de quanto aos tributos estaduais e municipais, no caso de conceder simultaneamente dos seus próprios). - Pode ser total (abrange todo o território); ou parcial (apenas uma região). - A lei concessiva da moratória deve conter: prazo, condições, tributos a que se refere, número de prestações, garantias. - Revogação da moratória individual: não gera direito adquiri- do. Pode ocorrer quando o beneficiado não estiver cumprindo as condições ou requisitos legais. Depósito Do Montante Integral - Só será considerado montante integral se o depósito corres- ponder ao valor pretendido pelo Fisco! - Depósito deve ser feito de modo integral e em dinheiro. - Se o sujeito passivo ganha a demanda levanta depósito, se perde esse é convertido em renda e extingue o crédito tributário. Reclamações E Recursos Administrativos - Enquanto pender impugnação ou recurso voluntário, contri- buinte consegue obter CPD-EN (certidão positiva de débito com efeito de negativa – art. 206 CTN). Concessão De Liminar em Mandado de segurança - MS – protege direito líquido e certo, se volta contra um ato coator. - Pressupostos: fumus boni iuris e periculum in mora. - Pode ter liminar em cautelar também! Concessão De Tutela Antecipada Em Outras Ações • Pressupostos da tutela: verossimilhança das alegações, prova inequívoca e fundado receio de dano irreparável. Parcelamento - Art. 155-A e §§. - Enquanto pendente só suspende o crédito. - Enquanto pendente só se consegue obter CPD-EN. - Reveste a natureza de uma moratória. - Demanda edição de lei específica (ou seja, aquela lei que vai versar apenas sobre esse assunto, o parcelamento, não podendo dispor sobre outras coisas). - Não exclui incidência de juros e multa, salvo disposição de lei em contrário. Causas De Exclusão Do Crédito Tributário - Ambas ocorrem depois do surgimento da obrigação tributária e antes do lançamento. - São dispensas legais de pagamento: isenção é dispensa de tri- buto e anistia dispensa de multas. Isenção - Ocorre o FG, nasce a obrigação tributária, mas há dispensa legal do pagamento do tributo. - Pode ser concedida de maneira geral ou específica, mediante lei específica. - Lei pode estipular prazos condições para concessão (isenções onerosas) – art. 178 CTN - As isenções podem ser revogadas a qualquer tempo, salvo as isenções que tem prazos e condições determinadas. - Isenções concedidas em caráter individual não geram direito adquirido, podendo ser revogadas caso as condições não estejam sendo satisfeitas. - Não atinge taxas e contribuições de melhoria. - Diferente de imunidade. - Deve ser lei específica, ou seja, não pode tratar de outro as- sunto Anistia - Perdão legal das penalidades pecuniárias. - Abrange infrações anteriores à vigência da lei que concedeu a anistia. - Pode ser geral ou limitada (art. 181 CTN): à infrações relativas a determinados tributos; infrações punidas com multa até certo va- lor; determinada região; à condição do pagamento do tributo. - Não alcança atos qualificados como crime ou contravenção. - Não gera direito adquirido (art. 182,§ único CTN). DIREITO TRIBUTÁRIO 348 Causas De Extinção Do Crédito Tributário Pagamento, compensação, transação, remissão, prescrição e decadência, conversão do depósito em renda, pagamento ante- cipado e homologação lançamento, consignação em pagamento, decisão administrativa irreformável, decisão judicial passada em julgado, dação em pagamento de bem imóvel. Pagamento - Deve ser feito em pecúnia – exceção – dação em pagamento de bens imóveis, mas deve haver uma lei disciplinando essa hipó- tese. - Restituição de valores pagos a maior ou indevidamente – art. 168 CTN. Prazo: 5 anos a contar da data da efetivação do pagamen- to. - LC 118/05 – interpretação do inciso I do art. 165 CTN – ques- tão do lançamento por homologação. Antes contribuinte tinha 10 anos a contar do pagamento antecipado (5 anos para homologação + 5 anos para repetição). Agora, para os lançamentos por homo- logação a contagem do prazo para repetição de indébito deve ser feita da seguinte forma: pagamento efetuado após a vigência da Lei (09/06/05), FG posterior a essa data – prazo de 5 anos a con- tar do pagamento; pagamento efetuado antes da vigência da Lei (09/06/05), FG anterior a essa data – vale a regra dos 5 + 5, porém limitando-se ao prazo máximo de 5 anos a contar da vigência da lei; pagamento efetuado após a vigência da Lei (09/06/05), FG anterior a essa data – vale a regra dos 5 + 5, porém limitando-se ao prazo máximo de 5 anos a contar da vigência da lei. Compensação - Confronto entre créditos e débitos. - Precisa de lei autorizativa e chancela do fisco - Importante – art. 170-A CTN: impede a compensação baseada em decisão initio litis (liminar). Aplica-se tal artigo nos casos em que o contribuinte pagou determinado tributo, que entende indevido e questiona judicialmente a invalidade da lei que o instituiu. Estando a lei em vigor, só poderá efetuar a compensação após o trânsito em julgado da demanda. - Quando houver declaração de inconstitucionalidade, resolu- ção do senado ou se tratar de mero erro de cálculo, permite-se a compensação. Transação - Depende de lei autorizativa. - Só se admite transação para terminação de litígios. Remissão - Perdão da dívida. - Depende de lei autorizando a autoridade administrativa a conceder. - Pode ser total ou parcial - Deve atender: à situação econômica do sujeito passivo; erro do sujeito§§ 1º e 2°, à União compete o estabelecimento de normas gerais enquanto os Estados e o DF exercem a competência suplementar. Os Municípios têm a faculdade, estabelecida no art. 30, para suplementar a legislação federal e a estadual, no que cou- ber (denominada, por isso, competência suplementar), bem assim, como não poderia deixar de ser, para instituir e arrecadar os tribu- tos de sua competência. A competência residual tributária ficou a cargo da União sendo- -lhe facultado, criar outros impostos por meio de lei complementar, desde que não sejam cumulativos e não tenham fato gerador ou base de cálculo próprios dos demais impostos que a Constituição prevê (art. 154, I) e também instituir impostos extraordinários na iminência ou no caso de guerra externa (art. 154, II). Essas são as únicas possibilidades de criação de impostos cujos fatos geradores não estejam previstos no Texto Maior. Por fim, importante lembrar que quanto à instituição de tribu- tos de competência da União, somente ela pode realizar essa ativi- dade, pois essa atribuição é da ordem jurídica parcial, porém, quan- do revestida de Estado brasileiro – ordem jurídica central – , pode, nos termos do artigo 146 da CR/88, por meio da Lei complementar, estabelecer normas gerais para dirimir conflitos de competência e regular as limitações constitucionais ao poder de tributar, dentre outros. Sobre a distribuição de rendas a Constituição previu a partici- pação dos Estados e do Distrito Federal no produto de arrecadação de impostos federais (art. 157 e art. 159, II) e dos Municípios no produto da arrecadação de impostos federais e estaduais (art. 158 e art. 159, § 3º), bem como a destinação de percentuais do produto da arrecadação de impostos da União ao Fundo de Participação dos Estados e do Distrito Federal, ao Fundo de Participação dos Muni- cípios e a programas de financiamento ao setor produtivo das Regi- ões Norte, Nordeste e Centro-oeste (art. 159, I). (ANJOS, Rubya Flo- riani dos. Estado Federal e repartição das competências tributárias. Conteudo Juridico, Brasilia-DF: 02 jul. 2012. Disponivel em: ) Seção II DAS LIMITAÇÕES DO PODER DE TRIBUTAR Art. 150. Sem prejuízo de outras garantias asseguradas ao con- tribuinte, é vedado à União, aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios: I - exigir ou aumentar tributo sem lei que o estabeleça; II - instituir tratamento desigual entre contribuintes que se en- contrem em situação equivalente, proibida qualquer distinção em razão de ocupação profissional ou função por eles exercida, inde- pendentemente da denominação jurídica dos rendimentos, títulos ou direitos; III - cobrar tributos: a) em relação a fatos geradores ocorridos antes do início da vigência da lei que os houver instituído ou aumentado; b) no mesmo exercício financeiro em que haja sido publicada a lei que os instituiu ou aumentou; c) antes de decorridos noventa dias da data em que haja sido publicada a lei que os instituiu ou aumentou, observado o disposto na alínea b; IV - utilizar tributo com efeito de confisco; V - estabelecer limitações ao tráfego de pessoas ou bens, por meio de tributos interestaduais ou intermunicipais, ressalvada a co- brança de pedágio pela utilização de vias conservadas pelo Poder Público; VI - instituir impostos sobre: a) patrimônio, renda ou serviços, uns dos outros; b) templos de qualquer culto; c) patrimônio, renda ou serviços dos partidos políticos, inclusi- ve suas fundações, das entidades sindicais dos trabalhadores, das instituições de educação e de assistência social, sem fins lucrativos, atendidos os requisitos da lei; d) livros, jornais, periódicos e o papel destinado a sua impres- são. e) fonogramas e videofonogramas musicais produzidos no Bra- sil contendo obras musicais ou literomusicais de autores brasileiros e/ou obras em geral interpretadas por artistas brasileiros bem como os suportes materiais ou arquivos digitais que os contenham, salvo na etapa de replicação industrial de mídias ópticas de leitura a laser. DIREITO TRIBUTÁRIO 314 § 1º A vedação do inciso III, b, não se aplica aos tributos previs- tos nos arts. 148, I, 153, I, II, IV e V; e 154, II; e a vedação do inciso III, c, não se aplica aos tributos previstos nos arts. 148, I, 153, I, II, III e V; e 154, II, nem à fixação da base de cálculo dos impostos previstos nos arts. 155, III, e 156, I. § 2º - A vedação do inciso VI, «a», é extensiva às autarquias e às fundações instituídas e mantidas pelo Poder Público, no que se refere ao patrimônio, à renda e aos serviços, vinculados a suas finalidades essenciais ou às delas decorrentes. § 3º - As vedações do inciso VI, «a», e do parágrafo anterior não se aplicam ao patrimônio, à renda e aos serviços, relacionados com exploração de atividades econômicas regidas pelas normas aplicá- veis a empreendimentos privados, ou em que haja contraprestação ou pagamento de preços ou tarifas pelo usuário, nem exonera o promitente comprador da obrigação de pagar imposto relativamen- te ao bem imóvel. § 4º - As vedações expressas no inciso VI, alíneas «b» e «c», compreendem somente o patrimônio, a renda e os serviços, rela- cionados com as finalidades essenciais das entidades nelas men- cionadas. § 5º - A lei determinará medidas para que os consumidores se- jam esclarecidos acerca dos impostos que incidam sobre mercado- rias e serviços. § 6.º Qualquer subsídio ou isenção, redução de base de cálculo, concessão de crédito presumido, anistia ou remissão, relativos a im- postos, taxas ou contribuições, só poderá ser concedido mediante lei específica, federal, estadual ou municipal, que regule exclusiva- mente as matérias acima enumeradas ou o correspondente tributo ou contribuição, sem prejuízo do disposto no art. 155, § 2.º, XII, g. § 7.º A lei poderá atribuir a sujeito passivo de obrigação tri- butária a condição de responsável pelo pagamento de imposto ou contribuição, cujo fato gerador deva ocorrer posteriormente, asse- gurada a imediata e preferencial restituição da quantia paga, caso não se realize o fato gerador presumido. Art. 151. É vedado à União: I - instituir tributo que não seja uniforme em todo o território nacional ou que implique distinção ou preferência em relação a Es- tado, ao Distrito Federal ou a Município, em detrimento de outro, admitida a concessão de incentivos fiscais destinados a promover o equilíbrio do desenvolvimento socioeconômico entre as diferentes regiões do País; II - tributar a renda das obrigações da dívida pública dos Es- tados, do Distrito Federal e dos Municípios, bem como a remune- ração e os proventos dos respectivos agentes públicos, em níveis superiores aos que fixar para suas obrigações e para seus agentes; III - instituir isenções de tributos da competência dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios. Art. 152. É vedado aos Estados, ao Distrito Federal e aos Mu- nicípios estabelecer diferença tributária entre bens e serviços, de qualquer natureza, em razão de sua procedência ou destino. O Código Tributário Nacional Brasileiro preceitua que tributo é “toda prestação pecuniária compulsória, em moeda ou cujo va- lor nela se possa exprimir, que não constitua sanção de ato ilícito, instituída em lei e cobrada mediante atividade administrativa ple- namente vinculada”. As principais espécies de tributo são: imposto, taxa e contri- buição de melhoria, de acordo com a professora Maria Bernadete Miranda segue a sua definição e entendimento a respeito: Imposto é uma quantia paga obrigatoriamente por pessoas ou organizações para um governo, a partir de uma base de cálculo e de um fato gerador. É uma forma de tributo. Ele tem como prin- cipal finalidade, custear o Estado para que em contrapartida, haja por parte do Estado, obrigação de prestar esse ou aquele serviço, ou realizar determinada obra relativa ao contribuinte. O campo da economia que lida com a tributação é o de finanças públicas.passivo; diminuta importância; equidade; condições de determinada região (art. 172, I a V CTN) - Não gera direito adquirido. Prescrição e decadência - DECADÊNCIA: art. 173, I e art. 150, §4º CTN - Art. 173, I (regra geral) – primeiro dia do exercício seguinte ao que poderia ter lançado (ano do FG) – contam-se 5 anos - Art. 150, §4º (regra especial) - data do FG – contam-se 5 anos – fisco pode homologar o pagamento feito ou lançar de ofício o re- manescente. Se nada fizer há homologação tácita. - Lançamento por homologação com antecipação do pagamen- to – 150§4º CTN. - Lançamento por homologação sem pagamento – 173, I CTN. - Lançamento de ofício – 173, I CTN. - Créditos sujeitos a lançamento por homologação: tese dos 5 mais 5: 5 de decadência + 5 de prescrição. - Caso de anulação do lançamento anterior: se anular por vício formal abre mais 5 anos a contar da decisão definitiva de anulação. - PRESCRIÇÃO: art. 174 CTN perda do direito de ajuizar execu- ção fiscal. - ambas (prescrição e decadência): podem ser reconhecidas de ofício. - Contagem do prazo prescricional – a partir da constituição definitiva do crédito que pode ocorrer em momentos distintos de acordo com o comportamento do contribuinte. Se não impugnar: após o prazo para pagamento; se impugnar: quando da decisão de- finitiva. - Causas de interrupção da prescrição art. 174: cite-se; protesto judicial (só se justifica na hipótese da fazenda estar impossibilitada de ajuizar execução fiscal, diante da iminência do prazo); qualquer ato que constitua em mora o devedor; qualquer ato que importe em reconhecimento do débito pelo devedor (pedido de compensa- ção, de parcelamento). Conversão Do Depósito Em Renda - Após decisão administrativa ou judicial favorável ao fisco. - Durante a demanda só suspende a exigibilidade do crédito. Pagamento Antecipado E Homologação Do Lançamento - Lançamento por homologação - extinção não se dá com paga- mento, mas com a soma deste com a homologação. - No lançamento por homologação há uma antecipação do pa- gamento. Fisco pode homologar em 5 anos a contar do FG. Consignação Em Pagamento - Ao seu término extingue o crédito tributário. - Pode ser feita nas seguintes hipóteses: recusa de recebimento ou subordinação deste ao pagamento de outro tributo, multa ou obrigação acessória; exigências administrativas sem fundamento legal; dúvida - exigência por mais de uma pessoa jurídica de tributo idêntico sobre mesmo FG – bitributação. Decisão Administrativa Irreformável - Quando favorável ao contribuinte, extingue crédito tributário. Decisão Judicial Passada Em Julgado - Coisa julgada tem efeito absoluto, nem mesmo a lei a preju- dica. Dação Em Pagamento - dar em pagamento algo em substituição à pecúnia. - somente para bens imóveis. - precisa de lei autorizativa. Garantias E Privilégios Do Crédito Tributário - todos os bens e rendas do sujeito passivo respondem pelos créditos tributários, com exceção dos bens legalmente declarados como absolutamente impenhoráveis – art. 649 CPC. - Os bens que tem cláusula de inalienabilidade ou impenhora- bilidade, ou gravados por ônus real respondem! - Fraude: presume-se a fraude se há venda de bens pelo exe- cutado quando já há inscrição em dívida ativa de crédito tributário. Todavia, não haverá essa presunção se o executado resguardar bens no valor do crédito tributário. Art. 185 CTN DIREITO TRIBUTÁRIO 349 Preferências Do Crédito Tributário - Crédito não se submete a concurso de credores, habilitação em falência, recuperação judicial, concordata, inventário ou arrola- mento (art. 187 CTN). - Crédito tributário prefere a qualquer outro, salvo os créditos trabalhistas e decorrentes de acidentes do trabalho. (art. 186 CTN) - Em caso de falência a ordem de preferência é: extra concur- sais; trabalhistas e acidentários; importâncias que devem ser res- tituídas, créditos com garantia real – só depois serão satisfeitos os créditos tributários. - Ausente à falência: devem ter prioridade os créditos tributá- rios, mas em 1º lugar ficam os créditos trabalhistas e os decorrentes de acidente do trabalho. - Falência: penhora feita antes da falência – bens não se sub- metem à concorrência. Quando transformar em pecúnia vai para a massa e obedece a ordem de preferência. - Penhora feita depois da falência – deve ser feita no rosto dos autos da falência. Certidão Negativa - Art. 205 CTN / art. 206 CTN – tem os mesmos efeitos a cer- tidão positiva de que conste a existência de créditos não vencidos, em curso de cobrança executiva em que tenha sido efetivada a pe- nhora, ou cuja exigibilidade esteja suspensa.- CPD-EN ADMINISTRAÇÃO TRIBUTARIA: FISCALIZAÇÃO; DÍVIDA ATIVA; CERTIDÃO NEGATIVA Administração Tributária A administração Tributária envolve a fiscalização e a arrecada- ção de tributos, bem como autos de infração, orientação aos contri- buintes e a expedição de certidões. Em relação a sua fiscalização é de competência das autoridades administrativas em matéria de fiscalização é regulada na legislação tributária; indispensável, portanto, que a fiscalização seja feita por pessoas às quais a legislação atribua competência para tanto, em caráter geral, ou especificadamente, em função do tributo de que se tratar; · todo ato da administração tributária só tem validade se praticado por quem tenha competência para tanto; as normas des- sa legislação, quando não constem de lei, evidentemente devem tratar apenas de aspectos procedimentais, ou de simples obriga- ções acessórias. Já a respeito da atividade fiscalizadora, esta consiste no exa- me de livros, arquivos, documentos, papéis e efeitos comerciais ou fiscais dos comerciantes, industriais ou produtores, e estes têm o dever de exibi-los, sempre que solicitados pelos agentes do fisco. Objetivo da fiscalização tributária é a correta aplicação da lei tributária, devendo o fisco exigir do contribuinte o devido cumpri- mento das normas, mediante seu enquadramento na legislação pertinente. A que se refere ao procedimento de fiscalização, este se inicia com a diligência, que deverá ser documentada pela autoridade que proceder ou presidir à diligência, lavrando-se os termos necessários para tal, na forma da legislação aplicável, e fixando os prazos para sua conclusão. Dívida Ativa: constitui dívida ativa tributária a proveniente de crédito dessa natureza, regularmente inscrita na repartição admi- nistrativa competente, depois de esgotado o prazo fixado, para pagamento, pela lei ou por decisão final proferida em processo re- gular. É o crédito da Fazenda Pública proveniente de obrigação legal relativa a tributos e respectivos adicionais e multas; o crédito é leva- do a inscrição como dívida depois de definitivamente constituído; a inscrição não é ato de constituição do crédito tributário; pressupõe que este se encontre regular e definitivamente constituído, e ainda que se tenha esgotado o prazo fixado para seu pagamento; A dívida ativa regularmente inscrita goza de presunção de cer- teza e liquidez; a certidão de inscrição respectiva tem o efeito de prova pré-constituída; essa presunção, todavia, é relativa, podendo ser elidida por prova inequívoca a cargo do sujeito passivo ou do terceiro a quem aproveite; Já a dívida ativa regularmente inscrita é líquida e certa até pro- va em contrário; - líquida, quanto ao seu montante; - certa, quanto a sua legalidade; - o executado, se alegar que não deve, ou deve menos, terá o ônus de provar o alegado. Certidões negativas: a lei poderá exigir que a prova de quitação de determinado tributo, quando exigível, seja feito por certidão ne- gativa, expedida à vista de requerimento do interessado que conte- nha todas as informações necessárias à identificação de sua pessoa, domicílio fiscal e ramo de negócio ou atividade, e indique o período a que refere o pedido. O prazo legal dado à repartição para expedir o documento é de 10 dias contados da data da entrada do requerimento na repar- tição. REGIME GERAL DEPREVIDÊNCIA SOCIAL. SEGURADOS OBRIGATÓRIOS. CONCEITO, CARACTERÍSTICAS E ABRAN- GÊNCIA: EMPREGADO, EMPREGADO DOMÉSTICO, CON- TRIBUINTE INDIVIDUAL, TRABALHADOR AVULSO, SEGU- RADO ESPECIAL. SEGURADO FACULTATIVO: CONCEITO, CARACTERÍSTICAS No Brasil, a Previdência Social é um direito social, previsto no art. 6º da Constituição Federal de 1988 entre os Direitos e Garantias Fundamentais, que garante renda não inferior ao salário mínimo ao trabalhador e a sua família nas seguintes situações, previstas no art. nº 201 da Carta Magna: I – cobertura dos eventos de doença, invalidez, morte e idade avançada; II – proteção à maternidade, especialmente à gestante; III – proteção ao trabalhador em situação de desemprego in- voluntário; IV – salário-família e auxílio-reclusão para os dependentes dos segurados de baixa renda; V – pensão por morte do segurado, homem ou mulher, ao côn- juge ou companheiro e dependentes. Como é organizada a Previdência Social? A Previdência Social é organizada em três regimes distintos, in- dependentes entre si: - Regime Geral – Benefícios da Previdência Social (art. 201, CF/88), O Regime Geral de Previdência Social (RGPS) tem suas políti- cas elaboradas pelo Ministério da Previdência Social (MPS) e exe- cutadas pelo Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), autarquia federal a ele vinculada. Este Regime possui caráter contributivo e de filiação obrigatória. Dentre os contribuintes, encontram-se os empregadores, empregados assalariados, domésticos, autônomos, contribuintes individuais e trabalhadores rurais. DIREITO TRIBUTÁRIO 350 - Regime Próprio – Servidores Públicos (art. 40, CF/88) O Regime de Previdência dos Servidores Públicos, denominado Regime Próprio de Previdência Social (RPPS) tem suas políticas ela- boradas e executadas pelo Ministério da Previdência Social (MPS). Neste Regime, é compulsório para o servidor público do ente fede- rativo que o tenha instituído, com teto e subtetos definidos pela Emenda Constitucional nº 41/2003. Excluem-se deste grupo os empregados das empresas públicas, os agentes políticos, servido- res temporários e detentores de cargos de confiança, todos filiados obrigatórios ao Regime Geral. - Regime Complementar – Previdência Complementar (art. 202, CF/88). O Regime de Previdência Complementar (RPC) tem suas po- líticas elaboradas pelo Ministério da Previdência Social (MPS) e executadas pela Superintendência Nacional de Previdência Com- plementar (Previc). Este Regime é facultativo, organizado de forma autônoma ao RGPS. No Brasil o RPC é organizado em dois segmen- tos: o segmento operado pelas entidades abertas – com acesso in- dividual, e o segmento operado pelas Entidades Fechadas de Previ- dência Complementar – EFPCs, também conhecidas como fundos de pensão, que operam Planos de Benefícios destinados aos empre- gados de empresa ou grupo destas, denominadas patrocinadoras, bem como aos associados ou membros de associações, entidades de caráter profissional, classista ou setorial, denominados de insti- tuidores. Traremos agora os ensinamentos do professor Carlos Alberto Vieira de Gouveia, no qual no explica da seguinte maneira: A seguridade social é um sistema de ampla proteção social que, visa amparar as essenciais (naturais) necessidades da sociedade como um todo. Assegurando um mínimo essencial para a preser- vação da vida. O sistema da seguridade social está previsto nos art. 194 a 204 da Carta Cidadã de 1988, e compreende o conjunto integrado de ações dos poderes públicos e sociedade (particulares). A seguridade social engloba a saúde, previdência e assistência sociais. Em tese, podemos dizer que a previdência fornece benefícios, a saúde fornece serviços e a assistência fornece ambos. A diferença principal entre previdência (art. 201), saúde (art. 196) e assistência (art. 203) está na contribuição, sendo que a pri- meira exige e as outras não. A seguridade social decorre de lei e regula relações entre pes- soas físicas ou jurídicas, de direito privado ou público (beneficiários ou não) e o Estado (INSS – autarquia federal e SRF – órgão da admi- nistração direta). O direito é composto de normas jurídicas e relações jurídicas, sendo que estas têm sujeitos (ativo e passivo) e objeto. Na seguridade social os sujeitos ativos são os beneficiários (segurado, dependentes e necessitados – art. 203) e os passivos aqueles de quem pode ser cobrado: Poder Público (União, Estados Membros, Municípios e Distrito Federal). O objeto são as prestações (saúde, previdência e assistência), que podem ser de dois tipos: a) benefícios – prestações pecuniárias (aposentadoria) e b) serviços – prestações de fazer (saúde, assis- tência social). A origem da Seguridade Social no mundo está atrelada à pró- pria essência da origem humana. O homem durante sua existência conta basicamente com duas formas de expressar sua inteligência: a previsão e a técnica. Portanto, quando o primeiro homem guar- dou o resto de seus alimentos para poder saciar sua fome no dia seguinte, a ideia de previdência se exteriorizou. Ao longo dos tempos poder-seia citar inúmeros acontecimen- tos de proteção social. Desde os primórdios os homens descobri- ram a necessidade de viver em comunidade e a se ajudarem mu- tuamente. Há relatos que já na Idade Média as corporações de trabalhos da época já mantinham um sistema de cooperação, ou seja, todos aqueles que trabalhavam no mesmo ofício e que em razão de en- fermidade ou idade avançada encontravam-se impossibilitados de prover seu próprio sustento, eram ajudados financeiramente pelos outros companheiros de trabalho. Destarte, as correntes doutrinárias remontam que a origem da Previdência Social se iniciou com as caixas de socorro de natureza mutualista, como aquelas corporações profissionais da Idade Média mantinham para seus membros. A primeira noticia da preocupação do homem com o seu futuro e de sua família é do ano de 1344, quando teria sido celebrado o primeiro contrato de seguro marítimo. Esta evolução da Previdência Social pode ser mais bem perce- bida em 1601, com a célebre Lei de Amparo aos Pobres, editada na Inglaterra, onde de certa forma fora desvinculada a caridade aos pobres da ajuda assistencial aos necessitados, assumindo assim, o Estado um papel ímpar de guardião e protetor dos reconhecida- mente necessitados, nascendo com isto à ideia de assistência pú- blica ou social. Com a Revolução Industrial em meados do século XVIII, a ne- cessidade da proteção social cresceu levando a Inglaterra a alterar a Lei dos Pobres para que ela pudesse acompanhar a evolução da época. Muito embora, a Inglaterra e a França sejam países considera- dos como os “pais” da previdência social no mundo foi na Alema- nha onde nasceu o conceito do sistema de seguro social totalmente organizado e mantido pelo ente estatal. Este sistema foi concebido através do conceito da tripla ajuda onde o Estado, as Empresas e os Trabalhadores contribuíam de forma equitária. Mais tarde surgiu o seguro doença e a proteção acidentária, o seguro invalidez e auxílio velhice. Com a evolução do conceito assistencialista na Europa outros países começaram a implantar o sistema social de ajuda aos ne- cessitados. Mas foi somente após a primeira Grande Guerra que o mundo passou a adotar este novo conceito assistencial. Entretanto, a primeira Carta Política de um Estado a incluir a proteção do seguro social em seu corpo foi à mexicana em 1917. Posteriormente foi acompanhada pelos Estados Unidos, que em 1935 revolucionaram inovando o conceito de seguro social, que passou a ser conhecido como Seguridade Social cujo conceito bási- co é o amparo geral ao cidadão. No Brasil as primeiras manifestações surgiram na época do Im- pério com a criação de Montepios e Montes Socorro, em favor dos funcionários públicos e seus familiares. Contudo, efetivamente o Brasil só veio a conhecer regras de Previdência Social no século XX, com a implementação do Segu- ro contra acidentes do Trabalho exteriorizadoatravés da Lei nº 3724/1919, a qual dispunha no seu âmago sobre as indenizações aos empregados que sofriam acidentes laborais. Obviamente, que o verdadeiro marco inicial em termos de Le- gislação Nacional foi dado com a publicação do Decreto Legislativo nº 4682, de 24 de janeiro de 1923, mais conhecido como Lei Eloy Chaves, que criou as Caixas de Aposentadoria e Pensões nas empre- sas de estradas de ferro do País. Com a edição da Lei Eloy Chaves, os empregados destas empre- sas, então, obtiveram os benefícios da Aposentadoria por invalidez, Aposentadoria ordinária ou por tempo contributivo, pensão por morte e a assistência médica. DIREITO TRIBUTÁRIO 351 Todos estes benefícios, tão inovadores para época no Brasil só puderam ser implementados mediante a contribuição dos próprios trabalhadores, das empresas e do Estado. Em seguida no decênio de 1923/1933 foram criadas várias ou- tras Caixas de Assistência de diversos ramos de atividades, contri- buindo para a efetivação da nova era assistencial no País. Desta sorte, os acontecimentos mais importantes na evolução da Seguridade Social são os seguintes: - Decreto nº 9.912A de 26 de março de 1888, que regulava o direito à Aposentadoria dos empregados dos correios; - Lei 3.397, de 24 de novembro de 1888, que criou a Caixa de Socorros das Estradas de Ferro; - Decreto nº 221, de 26 de fevereiro de 1890, que instituía a Aposentadoria para os empregados da Estrada de Ferro Central do Brasil, após ampliado a todos os ferroviários do País pelo decreto nº 565, e 12 julho de 1890; - Decreto nº 942A de 31 de outubro de 1890, que criou o Mon- tepio Obrigatório dos Empregados Do Ministério da Fazenda; - Lei nº 3724, de 15 de janeiro de 1919, a qual tornou compul- sório o seguro contra acidentes do trabalho em certas atividades; - Decreto Legislativo nº 4682, de 24 de janeiro de 1923 Lei Eloy Chaves, que criou A caixa de Aposentadoria e pensões para os em- pregados de cada empresa ferroviária; - Decreto nº 22.872, de 29 de junho de 1933, que criou o Insti- tuto de Aposentadoria e Pensões dos marítimos; a primeira do Bra- sil com base na atividade genérica da empresa; - 1934 três Caixas Assistenciais foram criadas: aeroviários atra- vés da Portaria nº 32 de 1º de maio do presente ano, dos traba- lhadores em Trapiches e Armazéns pelo Decreto nº 24.274 de 24 de maio de 1934 e a dos Operários Estivadores, com a edição do Decreto nº 24.275, de 24 de maio de 1934. Há ainda que ressalvar, que em 1934 foram criadas os IAP’s dos Comerciários pelo Decreto nº 24.272 de 22 de maio de 1934 e dos Bancários através do Decre- to nº 24.015, de 1º de junho de 1934; - Lei nº 367, de 31 de dezembro de 1936 que criou o IAP dos Industriários; - Decreto nº 651, de 26 de agosto de 1938, que transformava a CAP dos trabalhadores em Trapiches e Armazéns no IAP dos Empre- gados em Transportes e cargas; - Decreto Lei nº 1.355, de 16 de junho de 1938, que transfor- mou a CAP dos Operários estivadores no IAP da Estiva; - Decreto Lei 7.720, de 9 e julho de 1945 que incorporou o IAP da estiva ao dos Empregados em transportes e cargas; - Decreto Lei 7.526 de 1945, que iniciou uma verdadeira re- formulação do sistema previdenciário nacional, com a tentativa de uniformidade das normas legais das várias CAP’s e IAP’s da época. Entretanto, tal Decreto não foi efetivamente colocado em prática, por falta de regulamentação que o tornaria aplicável; - Decreto Lei nº 7.720, de 9 de julho de 1945, incorporou o IAP da Estiva ao dos Empregados em Transportes e Cargas; - Lei nº 3.807, de 26 de agosto de 1960, que ficou conhecida como a Lei Orgânica da Previdência Social, conhecida como um dos pontos mais importantes na evolução da Previdência no Brasil; - Decreto Lei nº 72, de 21 de novembro de 1966, que agregou o Instituto Nacional de Previdência Social e os IAP’s existentes na época; - Lei nº 5.316, de 14 de setembro de 1967, que acoplou o se- guro acidente do trabalho no corpo da assistência previdenciária; - Lei nº 5.859, que determinava que os empregados domésticos fossem inscritos na previdência; - Lei nº 6.036, de 1º de maio de 1974, que separou os Ministé- rios do Trabalho e Previdência Social em dois: o Ministério do Tra- balho e o da Previdência e Assistência Social; - Lei nº 6.439, de 1º de setembro de 1977, que instituiu o Siste- ma Nacional de Previdência e Assistência Social, a qual tinha como missão coordenar os vários órgãos ligados MPAS; - Lei nº 8029 de 1990, regulamentada pelo Decreto nº 99.350, de 27 de junho de 1990, fazendo a junção do INPS com o IAPAS, criou o Instituto Nacional de Seguridade Social INSS; - Lei 8212, de 24 de julho de 1991, que ficou conhecida como Lei Orgânica da Seguridade Social, onde trazia em seu bojo o siste- ma de custeio da seguridade; - Lei 8213 de 24 de julho de 1991, que dispunha sobre os Pla- nos de Benefícios da previdência; e - Decretos 2172/97 e 2173/97, que surgiram com o objetivo de regulamentar as Leis 8212 e 8213. Destarte, que muitas outras Normas contribuíram na formação da evolução da Seguridade Social no Brasil, mas as mais importan- tes encontram-se aqui alocadas. Quanto à evolução da Seguridade Social nas Constituições Pá- trias, seu histórico assim está constituído: Inicia- se com a Carta Política de 1824 que garantia em seu artigo 179, inciso XXXI, o seguinte direito: “A constituição também garante os socorros públicos”; Passa, posteriormente, pela de Constituição 1891 na qual em seu artigo 75 regia que: “A Aposentadoria só poderá ser dada aos funcionários públicos em caso de invalidez no serviço da Nação”; Já a Carta Magna de 1934 apresentava várias disposições sobre a proteção social, como as elencadas no artigo 121 parágrafo 1º, letra h, dentre outras, que previa: “Assistência médica e sanitária ao trabalhador e a gestante, assegurando a esta descanso, antes e depois do parto, sem prejuízo do salário e do emprego, a instituição de previdência, mediante contribuição igual à da União, do empre- gador e do empregado, a favor da velhice, da invalidez, da materni- dade e nos casos de acidentes do trabalho ou da morte”; Em 1937, a Constituição surge a consagração da expressão Se- guro Social; Na Carta de 1946, o instituto retorna com a roupagem como Previdência Social; Já com relação às Constituições de 1967 e 1969 poucas altera- ções ocorreram a não ser pelo parágrafo único, do artigo 158, da Carta de 1967 que versava sobre o custeio da Previdência Social; A grande mudança foi com a promulgação da Constituição de 1988 (atualmente vigente), a qual trouxe várias mudanças estabele- cendo o Sistema de Seguridade Social formado por três partes que atuam simultaneamente nas áreas de Saúde, Assistência Social e Previdência Social e são custeadas através de um orçamento geral. Deste modo as contribuições sociais passaram a custear as ações do Estado nestes três ramos, consagrando ainda duas novas formas de custeio: as contribuições sobre o faturamento e sobre o lucro liquido das empresas. No Brasil, como se sabe, a Previdência Social é dividida em Pú- blica e Privada, podendo ser ainda aberta ou fechada, sendo certo que especificamente quanto a este curso a que nos interessa é a Pública, que possui duas subdivisões a conhecer: - Regime Geral de Previdência Social (RGPS); - Regime Próprio de Previdência Social (RPPS). O Regime Geral de Previdência Social tem como objetivo asse- gurar benefícios e serviços às pessoas tidas como seus segurados, na sua grande maioria, atreladas aos trabalhadores da iniciativa pri- vada. DIREITO TRIBUTÁRIO 352 Já o Regime Próprio de Previdência Social tem como objetivo assegurar aos servidores públicos titulares de cargos efetivos da União, dos Estados, dos Municípios e do Distrito Federal, civis ou militares, os benefícios e serviços contratados. No entanto, resta esclarecer que se o ente federativo não possuir uma previdência própria, os seus servidores, se regidos pela Consolidação das Leis do Trabalho (CLT) estarãoautomaticamente atrelados ao RGPS. Principais Pontos: - Período da Seguridade Social (1988 ... ) - Constituição Federal determinou que: constituem direitos so- ciais a educação, a saúde, o trabalho, a moradia, o lazer, a seguran- ça, a previdência social, a proteção à maternidade e à infância, a assistência aos desamparados - Reforma da Seguridade Social EC nº 20 (1998) modificou pro- fundamente o sistema previdenciário brasileiro; - Criação do INSS deixa de existir um Estado preocupado só com o trabalhador e passa a existir uma preocupação com o idoso, o desamparado, o menor, etc. - Previdência Social cuida exclusivamente do trabalhador que contribui; - Seguridade Social se preocupa com todos os cidadãos; CONCEITUAÇÃO A SEGURIDADE SOCIAL compreende um conjunto integrado de ações de iniciativa dos poderes públicos e da sociedade, destinado a assegurar o direito relativo à saúde, à previdência e à assistência social. A SAÚDE é direito de todos e dever do Estado, garantido me- diante políticas sociais e econômicas que visem à redução do risco de doença e de outros agravos e ao acesso universal e igualitário às ações e serviços para sua promoção, proteção e recuperação. As atividades de saúde são de relevância pública, e sua organi- zação obedecerá aos seguintes princípios e diretrizes: I acesso universal e igualitário; II provimento das ações e serviços mediante rede regionalizada e hierarquizada, integrados em sistema único; III descentralização, com direção única em cada esfera de go- verno; IV atendimento integral, com prioridade para as atividades pre- ventivas; V participação da comunidade na gestão, fiscalização e acom- panhamento das ações e serviços de saúde; e VI participação da iniciativa privada na assistência à saúde, em obediência aos preceitos constitucionais. A ASSISTÊNCIA SOCIAL é a política social que provê o atendi- mento das necessidades básicas, traduzidas em proteção à família, à maternidade, à infância, à adolescência, à velhice e à pessoa por- tadora de deficiência, independentemente de contribuição à segu- ridade social. A organização da assistência social obedecerá às seguintes di- retrizes: I descentralização político-administrativa; e II participação da população na formulação e controle das ações em todos os níveis. A PREVIDÊNCIA SOCIAL será organizada sob a forma de regime geral, de caráter contributivo e de filiação obrigatória, observados critérios que preservem o equilíbrio financeiro e atuarial, e aten- derá a: I cobertura de eventos de doença, invalidez, morte e idade avançada; II proteção à maternidade, especialmente à gestante; III proteção ao trabalhador em situação de desemprego invo- luntário; IV salário-família e auxílio reclusão para os dependentes dos segurados de baixa renda; e V pensão por morte do segurado, homem ou mulher, ao cônju- ge ou companheiro e dependentes. ORGANIZAÇÃO E PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS Compete ao Poder Público, nos termos da lei, organizar a SE- GURIDADE SOCIAL, com base nos seguintes objetivos (Princípios): I universalidade da cobertura e do atendimento; - universalidade objetiva (cobertura) extensão a todos os fa- tos e situações que geram as necessidades básicas das pessoas, tais como: maternidade; velhice; doença; acidente; invalidez; reclusão e morte - universalidade subjetiva (atendimento) – consiste na abran- gência de todas as pessoas, indistintamente; II uniformidade e equivalência dos benefícios e serviços às po- pulações urbanas e rurais; - concessão dos mesmos benefícios de igual valor econômico e de serviços da mesma qualidade; III seletividade e distributividade na prestação dos benefícios e serviços; - compreende o atendimento distintivo e prioritário aos mais carentes; alguns benefícios são pagos somente aos de baixa ren- da; os trabalhadores ativos contribuem para a manutenção dos que ainda não trabalham (menores) e dos que já não trabalham mais (aposentados). Por exemplo, os benefícios salário-família e o auxílio reclusão só serão pagos àqueles segurados que tenham renda men- sal inferior a R$ 623,44 (base maio 2005); - O sistema objetiva distribuir renda, principalmente para as pessoas de baixa renda, tendo, portanto, caráter social; IV irredutibilidade do valor dos benefícios; - as prestações constituem dívidas de valor; não podem sofrer desvalorização; precisam manter seu valor de compra, acompa- nhando a inflação; esta é uma norma de eficácia limitada; V equidade na forma de participação no custeio; - quem ganha mais deve pagar mais, para que ocorra a justa participação no custeio da Seguridade Social; a contribuição dos empregadores recai sobre o lucro e o faturamento, além da folha de pagamento; estabelece que deve-se tratar igualmente os iguais e desigualmente os desiguais VI diversidade da base de financiamento; - o custeio provém de toda a sociedade, de forma direta e in- direta, da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios; - orçamentos públicos; - contribuições dos empregadores e empresas, incidindo sobre: = folha de salários; = receita ou faturamento; = lucro - contribuições dos trabalhadores e demais segurados da pre- vidência social; - sobre aposentadorias e pensões não incide contribuição; - receita de concursos de prognósticos (loteria); VII caráter democrático e descentralizado da administração, mediante gestão quadripartite, com participação dos trabalhado- res, dos empregadores, dos aposentados e do Governo nos órgãos colegiados. DIREITO TRIBUTÁRIO 353 - cabe à sociedade civil participar da administração da Seguri- dade Social, através de representantes indicados pelos empregado- res, pelos trabalhadores e pelos aposentados (caráter democrático). Antes de adentrarmos ao tema específico traremos as orienta- ções que a Previdência Social em seu endereço eletrônico nos traz a respeito do Regime Geral de Previdência Social (RGPS): O Regime Geral de Previdência Social (RGPS) tem suas políti- cas elaboradas pelo Ministério da Previdência Social (MPS) e exe- cutadas pelo Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), autarquia federal a ele vinculada. Este Regime possui caráter contributivo e de filiação obrigatória. Dentre os contribuintes, encontram-se os empregadores, empregados assalariados, domésticos, autônomos, contribuintes individuais e trabalhadores rurais. 1. O que é Previdência Social? A Previdência Social é um seguro que garante a renda do contribuinte e de sua família, em casos de doença, acidente, gravidez, prisão, morte e velhice. Oferece vários benefícios que juntos garantem tranquilidade quanto ao presente e em relação ao futuro assegurando um rendimento seguro. Para ter essa proteção, é necessário se inscrever e contribuir todos os meses. 2. Para que serve a Previdência Social? Para substituir a renda do segurado-contribuinte, quando da perda de sua capacidade de trabalho. 3. Quando o trabalhador perde a sua capacidade de trabalho? Quando é atingido por um dos chamados riscos sociais: doença, in- validez, idade avançada, morte e desemprego involuntário. Além destes, há também a maternidade e a reclusão. 4. Quais são os benefícios da Previdência Social? Aposentadoria por idade Aposentadoria por invalidez Aposentadoria por tempo de contribuição Aposentadoria especial Auxílio-doença Auxílio acidente Auxílio reclusão Pensão por morte Pensão Especial (aos portadores da Síndrome da Talidomida) Salário-maternidade Salário-família Assistência Social BPC – LOAS 5. Quem pode se inscrever? Todo trabalhador com carteira as- sinada é automaticamente filiado à Previdência Social. Quem traba- lha por conta própria precisa se inscrever e contribuir mensalmente para ter acesso aos benefícios previdenciários. São segurados da Previdência Social os empregados, os empregados domésticos, os trabalhadores avulsos, os contribuintes individuais e os trabalhado- res rurais. Até mesmo quem não tem renda própria, como as donas- -de-casa e os estudantes, pode se inscrever na Previdência Social.Para se filiar é preciso ter mais de 16 anos. O trabalhador que se filia à Previdência Social é chamado de segurado. 6. Quem está na categoria contribuinte individual? As pessoas que trabalham por conta própria (autônomos) e os trabalhadores que prestam serviços de natureza eventual a empresas, sem vín- culo empregatício. São considerados contribuintes individuais, en- tre outros, os sacerdotes, os diretores que recebem remuneração decorrente de atividade em empresa urbana ou rural, os síndicos remunerados, os motoristas de táxi, os vendedores ambulantes, as diaristas, os pintores, os eletricistas, os associados de cooperativas de trabalho e outros. 7. Quem está na categoria segurado facultativo? Todas as pes- soas com mais de 16 anos que não têm renda própria, mas decidem contribuir para a Previdência Social. Por exemplo: donas-de-casa, estudantes, síndicos de condomínio não-remunerados, desempre- gados, presidiários não-remunerados e estudantes bolsistas. 8. Quem está na categoria empregado doméstico? Trabalhador que presta serviço na casa de outra pessoa ou família, desde que essa atividade não tenha fins lucrativos para o empregador. São empregados domésticos: governanta, jardineiro, motorista, casei- ro, doméstica e outros. 9. Quem está na categoria segurado especial? São os traba- lhadores rurais que produzem em regime de economia familiar, sem utilização de mão de obra assalariada. Estão incluídos nesta categoria cônjuges, companheiros e filhos maiores de 16 anos que trabalham com a família em atividade rural. Também são conside- rados segurados especiais o pescador artesanal e o índio que exerce atividade rural e seus familiares. (Produtor rural pessoa física sem empregados) 10. O que é aposentadoria especial? Benefício concedido ao segurado que tenha trabalhado em condições prejudiciais à saúde ou à integridade física. Para ter direito à aposentadoria especial, o trabalhador deverá comprovar, além do tempo de trabalho, efetiva exposição aos agentes nocivos químicos, físicos, biológicos ou asso- ciação de agentes prejudiciais pelo período exigido para a conces- são do benefício (15, 20 ou 25 anos). A aposentadoria especial será devida ao segurado empregado, trabalhador avulso e contribuinte individual, este somente quando cooperado filiado a cooperativa de trabalho ou de produção. Além disso, a exposição aos agentes nocivos deverá ter ocorrido de modo habitual e permanente, não ocasional nem intermitente. Para ter direito à aposentadoria espe- cial, é necessário também o cumprimento da carência, que corres- ponde ao número mínimo de contribuições mensais indispensáveis para que o segurado faça jus ao benefício. Os inscritos a partir de 25 de julho de 1991 devem ter, pelo menos, 180 contribuições men- sais. Os filiados antes dessa data têm de seguir a tabela progressi- va. A perda da qualidade de segurado não será considerada para concessão de aposentadoria especial, segundo a Lei nº 10.666/03. A comprovação de exposição aos agentes nocivos será feita por formulário denominado Perfil Profissiográfico Previdenciário (PPP), preenchido pela empresa ou seu preposto, com base em Laudo Técnico de Condições Ambientais de Trabalho (LTCAT) expedido por médico do trabalho ou engenheiro de segurança do trabalho. 11. O que é aposentadoria por idade? É o benefício concedido ao segurado da Previdência Social que atingir a idade considerada risco social. Têm direito ao benefício os trabalhadores urbanos do sexo masculino a partir dos 65 anos e do sexo feminino a partir dos 60 anos de idade. Os trabalhadores rurais podem pedir aposenta- doria por idade com cinco anos a menos: a partir dos 60 anos, ho- mens, e a partir dos 55 anos, mulheres. Para solicitar o benefício, os trabalhadores urbanos inscritos na Previdência Social a partir de 25 de julho de 1991 precisam comprovar 180 contribuições mensais. Os rurais têm de provar, com documentos, 180 meses de atividade rural. Os segurados urbanos filiados até 24 de julho de 1991, devem comprovar o número de contribuições exigidas de acordo com o ano em que implementaram as condições para requerer o benefí- cio, conforme tabela abaixo. Para os trabalhadores rurais, filiados até 24 de julho de 1991, será exigida a comprovação de atividade rural no mesmo número de meses constantes na tabela. Além dis- so, o segurado deverá estar exercendo a atividade rural na data de entrada do requerimento ou na data em que implementou todas as condições exigidas para o benefício, ou seja, idade mínima e ca- rência. Observação: O trabalhador rural (empregado e contribuinte DIREITO TRIBUTÁRIO 354 individual), enquadrado como segurado obrigatório do Regime Ge- ral de Previdência Social (RGPS), pode requerer aposentadoria por idade, no valor de um salário-mínimo, até 31 de dezembro de 2010, desde que comprove o efetivo exercício da atividade rural, ainda que de forma descontínua, em número de meses igual à carência exigida. Para o segurado especial não há limite de data. 12. O que é aposentadoria por invalidez? Benefício concedido aos trabalhadores que, por doença ou acidente, forem considera- dos pela perícia médica da Previdência Social incapacitados para exercer suas atividades ou outro tipo de serviço que lhes garanta o sustento. Não tem direito à aposentadoria por invalidez quem, ao se filiar à Previdência Social, já tiver doença ou lesão que geraria o benefício, a não ser quando a incapacidade resultar no agrava- mento da enfermidade. Quem recebe aposentadoria por invalidez tem que passar por perícia médica de dois em dois anos, se não, o benefício é suspenso. A aposentadoria deixa de ser paga quando o segurado recupera a capacidade e volta ao trabalho. Para ter direito ao benefício, o trabalhador tem que contribuir para a Previdência Social por no mínimo 12 meses, no caso de doença. Se for acidente, esse prazo de carência não é exigido, mas é preciso estar inscrito na Previdência Social. 13. O que é aposentadoria por tempo de contribuição? A apo- sentadoria por tempo de contribuição pode ser integral ou pro- porcional. Para ter direito à aposentadoria integral, o trabalhador homem deve comprovar pelo menos 35 anos de contribuição e a trabalhadora mulher, 30 anos. Para requerer a aposentadoria pro- porcional, o trabalhador tem que combinar dois requisitos: tempo de contribuição e idade mínima. Os homens podem requerer apo- sentadoria proporcional aos 53 anos de idade e 30 anos de contri- buição, mais um adicional de 40% sobre o tempo que faltava em 16 de dezembro de 1998 para completar 30 anos de contribuição. As mulheres têm direito à proporcional aos 48 anos de idade e 25 de contribuição, mais um adicional de 40% sobre o tempo que faltava em 16 de dezembro de 1998 para completar 25 anos de con- tribuição. Para ter direito à aposentadoria integral ou proporcional, é necessário também o cumprimento do período de carência, que corresponde ao número mínimo de contribuições mensais indis- pensáveis para que o segurado faça jus ao benefício. Os inscritos a partir de 25 de julho de 1991 devem ter, pelo menos, 180 contribui- ções mensais. Os filiados antes dessa data têm de seguir a tabela progressiva. A perda da qualidade de segurado não será considerada para a concessão da aposentadoria por tempo de contribuição. A apo- sentadoria por tempo de contribuição é irreversível e irrenunciável: depois que receber o primeiro pagamento, sacar o PIS ou o Fundo de Garantia (o que ocorrer primeiro), o segurado não poderá de- sistir do benefício. O trabalhador não precisa sair do emprego para requerer a aposentadoria. 14. Como requerer aposentadoria por tempo de contribuição? O benefício pode ser solicitado por meio de agendamento prévio pela Central 135, pelo portal da Previdência Social na Internet ou nas Agências da Previdência Social, mediante o cumprimento das exigências legais. 15. O que é auxílio acidente? É o benefício pago ao trabalha- dor que sofre um acidente e fica com sequelas quereduzem sua capacidade de trabalho. É concedido para segurados que recebiam auxílio-doença. Têm direito ao auxílio-acidente o trabalhador em- pregado, o trabalhador avulso e o segurador especial. O empregado doméstico, o contribuinte individual e o facultativo não recebem o benefício Para concessão do auxílio-acidente não é exigido tempo mínimo de contribuição, mas o trabalhador deve ter qualidade de segurado e comprovar a impossibilidade de continuar desempe- nhando suas atividades, por meio de exame da perícia médica da Previdência Social. O auxílio-acidente, por ter caráter de indeniza- ção, pode ser acumulado com outros benefícios pagos pela Previ- dência Social exceto aposentadoria. O benefício deixa de ser pago quando o trabalhador se aposenta. O valor desse benefício corres- ponde a 50% do salário de benefício que deu origem ao auxílio-do- ença corrigido até o mês anterior ao do início do auxílio-acidente. 16. O que é auxílio-doença? É o benefício concedido ao segu- rado impedido de trabalhar por doença ou acidente por mais de 15 dias consecutivos. No caso dos trabalhadores com carteira as- sinada, os primeiros 15 dias são pagos pelo empregador, exceto o doméstico, e a Previdência Social paga a partir do 16º dia de afas- tamento do trabalho. Para os demais segurados inclusive o domés- tico, a Previdência paga o auxílio desde o início da incapacidade e enquanto a mesma perdurar. Em ambos os casos, deverá ter ocorri- do o requerimento do benefício. Para concessão de auxílio-doença é necessária a comprovação da incapacidade em exame realizado pela perícia médica da Previdência Social. Para ter direito ao bene- fício, o trabalhador tem de contribuir para a Previdência Social por, no mínimo, 12 meses (carência). Esse prazo não será exigido em caso de acidente de qualquer natureza (por acidente de trabalho ou fora do trabalho) ou de doença profissional ou do trabalho. 17. O que é auxílio reclusão? É um benefício devido aos depen- dentes do segurado recolhido à prisão, durante o período em que estiver preso sob regime fechado ou semiaberto. Não cabe conces- são de auxílio-reclusão aos dependentes do segurado que estiver em livramento condicional ou cumprindo pena em regime aberto. Há situações em que os segurados ficam um período sem contri- buir e, mesmo assim, têm direito aos benefícios previdenciários, enquanto mantiverem a qualidade de segurado. 18. O que é pensão por morte? Benefício pago à família do tra- balhador quando ele morre. Para concessão de pensão por mor- te, não há tempo mínimo de contribuição, mas é necessário que o óbito tenha ocorrido enquanto o trabalhador tinha qualidade de segurado. Se o óbito ocorrer após a perda da qualidade de segura- do, os dependentes terão direito a pensão desde que o trabalhador tenha cumprido, até o dia da morte, os requisitos para obtenção de aposentadoria pela Previdência Social ou que fique reconhecido o direito à aposentadoria por invalidez, dentro do período de ma- nutenção da qualidade do segurado, caso em que a incapacidade deverá ser verificada por meio de parecer da perícia médica do INSS com base em atestados ou relatórios médicos, exames complemen- tares, prontuários ou documentos equivalentes. 19. O que é pensão especial aos Portadores da Síndrome da Talidomida? O benefício é devido ao portador de deformidade física decorrente do uso da Talidomida, independentemente da época de sua utilização. Assim, é garantido o direito à Pensão Especial (Espé- cie 56) aos portadores da Síndrome da Talidomida nascidos a partir de 1º de janeiro de 1957, data do início da comercialização da dro- ga denominada “Talidomida (Amida Nfálica do Ácido Glutâmico), inicialmente vendida com os nomes comerciais de Sedin, Sedalis e Slip, de acordo com a Lei nº 7.070, de 20 de dezembro de 1982. A renda mensal inicial será calculada mediante a multiplicação do número total de pontos indicadores da natureza e do grau de de- pendência resultante da deformidade física, constante do processo de concessão, pelo valor fixado em Portaria Ministerial que trata dos reajustamentos dos benefícios pagos pela Previdência Social. 20. O que é Salário Família? Benefício pago aos segurados em- pregados, exceto os domésticos, e aos trabalhadores avulsos com salário mensal de até R$ 915,05, para auxiliar no sustento dos fi- lhos de até 14 anos de idade ou inválidos de qualquer idade. Para a concessão do salário-família, a Previdência Social não exige tempo mínimo de contribuição. De acordo com a Portaria Interministerial nº 02, de 06 de janeiro de 2012, o valor do salário-família será de R$ DIREITO TRIBUTÁRIO 355 31,22, por filho de até 14 anos incompletos ou inválido, para quem receber até R$ 608,80. Observação: São equiparados aos filhos os enteados e os tutelados, estes desde que não possuam bens sufi- cientes para o próprio sustento, devendo a dependência econômica de ambos ser comprovada. 21. O que é salário maternidade? O salário-maternidade é de- vido às seguradas empregadas, trabalhadoras avulsas, emprega- das domésticas, contribuintes individuais, facultativas e seguradas especiais, por ocasião do parto, inclusive o natimorto, aborto não criminoso, adoção ou guarda judicial para fins de adoção. Conside- ra-se parto o nascimento ocorrido a partir da 23ª semana de gesta- ção, inclusive em caso de natimorto. 22. O que é Benefício de Prestação Continuada da Assistência Social – BPC-LOAS? É um benefício da assistência social, integrante do Sistema Único da Assistência Social – SUAS, pago pelo Governo Federal, cuja a operacionaliização do reconhecimento do direito é do Instituto Nacional do Seguro Social – INSS e assegurado por lei, que permite o acesso de idosos e pessoas com deficiência às condi- ções mínimas de uma vida digna. A pessoa deverá comprovar que possui 65 anos de idade ou mais, que não recebe nenhum benefício previdenciário, ou de outro regime de previdência e que a renda mensal familiar per capita seja inferior a 1/14º do salário mínimo vigente. A pessoa com deficiência deverá comprovar que a renda mensal do grupo familiar per capita seja inferior a 1/14º do salário mínimo, deverá também ser avaliado se a sua deficiência o incapa- cita para a vida independente e para o trabalho, e esta avaliação é realizada pelo Serviço Social e pela Pericia Médica do INSS. EMPRESA E EMPREGADOR DOMÉSTICO: CONCEITO PREVIDENCIÁRIO SEGURADOS SEGURADOS OBRIGATÓRIOS São beneficiários do Regime Geral de Previdência Social as pessoas físicas classificadas como segurados e dependentes, assim elencados: EMPREGADO: a) trabalhador urbano ou rural, em caráter não eventual, su- bordinado e remunerado, inclusive o diretor empregado; b) trabalhador temporário; c) brasileiro ou estrangeiro domiciliado e contratado no Brasil para trabalhar como empregado no exterior, em sucursal ou agên- cia de empresa constituída sob as leis brasileiras e que tenha sede e administração no País; d) trabalhador em missão diplomática ou repartição consular de carreira estrangeira e a órgãos a elas subordinados; e) trabalhador da União no exterior, em organismos oficiais in- ternacionais dos quais o Brasil seja membro efetivo, salvo se ampa- rado por regime próprio de previdência social f) o bolsista e o estagiário que prestam serviços a empresa; (ressalvas discutir em sala de aula). g) o servidor público da Administração Direta e Indireta, ocu- pante, exclusivamente, de cargo em comissão declarado em lei de livre nomeação e exoneração; h) o servidor do Estado, Distrito Federal ou Município, bem como o das respectivas autarquias e fundações, ocupante de cargo efetivo, desde que, nessa qualidade, não esteja amparado por regi- me próprio de previdência social; i) o servidor contratado pela Administração Direta ou Indireta, por tempo determinado; j) o servidor público, ocupante de emprego público; k) o servidor civil ocupante de cargo efetivo ou o militar da União, Estado, Distrito Federal ou Município, amparados por regi- mepróprio de previdência social, quando requisitados para outro órgão ou entidade cujo regime previdenciário não permita filiação nessa condição, relativamente à remuneração recebida do órgão requisitante; l) o escrevente e o auxiliar contratados por titular de serviços notariais e de registro a partir de 21 de novembro de 1994, bem como aquele que optou pelo Regime Geral de Previdência Social; m) o exercente de mandato eletivo federal, estadual, distrital ou municipal, desde que não amparado por regime próprio de pre- vidência social; Como o empregado se torna segurado do INSS? A inscrição do empregado é formalizada pelo contrato de trabalho registrado na Carteira de Trabalho e Previdência Social. O recolhimento da contri- buição é de responsabilidade do empregador. EMPREGADO DOMÉSTICO É aquele que presta serviços contínuos, mediante remunera- ção, a pessoa ou família, no âmbito residencial desta, em atividade sem fins lucrativos. Quais os trabalhadores considerados domésticos? O motorista particular, a cozinheira, a lavadeira, o jardineiro, a babá, a copeira, o empregado de sítio de veraneio e de casa de praia, a governanta, a acompanhante, a passadeira, o mordomo e outros que se enqua- dram na definição acima. Como o empregado doméstico se torna segurado do INSS? A lei obriga o empregador doméstico a assinar a carteira de trabalho de seus empregados. Munido da carteira de trabalho com o contrato assinado, o empregado doméstico efetua uma só inscrição na Agên- cia ou Unidade da Previdência Social, ou utiliza, se anteriormente cadastrado, o número de PIS/PASEP. O empregador doméstico pode promover a inscrição, no INSS, do segurado a seu serviço, ou qualquer outra pessoa sem necessi- dade de procuração. O empregador doméstico é responsável pelo recolhimento das contribuições do empregado doméstico. CONTRIBUINTE INDIVIDUAL Nesta categoria estão as pessoas que trabalham por conta pró- pria (autônomos) e os trabalhadores que prestam serviços de na- tureza eventual a empresas, sem vínculo empregatício. Sendo eles esposados da seguinte forma: EMPRESÁRIO: (Revogado pela Lei 9876/99) a) o titular de firma individual urbana ou rural; b) o diretor não empregado e o membro de conselho de admi- nistração, na sociedade anônima; c) todos os sócios na sociedade em nome coletivo e na socieda- de de capital e indústria; d) o sócio quotista que participa da gestão ou que recebe re- muneração decorrente de seu trabalho, na sociedade por cotas de responsabilidade limitada, urbana ou rural; e) o associado eleito para cargo de direção, na cooperativa, associação ou entidade de qualquer natureza ou finalidade, bem como o síndico ou administrador eleito para exercer atividade de direção condominial remunerada; DIREITO TRIBUTÁRIO 356 EMPRESA: - É a firma individual ou a sociedade que assume o risco de atividade econômica urbana ou rural, com fins lucrativos ou não, bem como os órgãos e as entidades da administração pública direta, indireta e fundacional. Equiparam-se a empresa para fins previdenciários: 1- O contribuinte individual, em relação a segurado que lhe presta serviço; 2 - A cooperativa, a associação ou a entidade de qualquer na- tureza ou finalidade, inclusive a missão diplomática e a repartição consular de carreiras estrangeiras; 3 - O operador portuário e o órgão gestor de mão de obra; 4 - O proprietário ou dono de obra de construção civil, quando pessoa física, em relação a segurado que lhe presta serviço. EMPREGADOR DOMÉSTICO: - aquele que admite a seu servi- ço, mediante remuneração, sem finalidade lucrativa, empregado doméstico. Acidente de trabalho: - doença profissional, assim entendida a produzida ou desenca- deada pelo exercício do trabalho peculiar a determinada atividade e constante da respectiva relação elaborada pelo Ministério do Traba- lho e da Previdência Social; - doença do trabalho, assim entendida a adquirida ou desen- cadeada em função de condições especiais em que o trabalho é realizado e com ele se relacione diretamente, constante da relação mencionada no inciso I. Não são consideradas como doença do trabalho: a) a doença degenerativa; b) a inerente a grupo etário; c) a que não produza incapacidade laborativa; d) a doença endêmica adquirida por segurado habitante de região em que ela se desenvolva, salvo comprovação de que é re- sultante de exposição ou contato direto determinado pela natureza do trabalho. Período de carência: é o número mínimo de contribuições mensais indispensáveis para que o beneficiário faça jus ao benefí- cio, consideradas a partir do transcurso do primeiro dia dos meses de suas competências. Havendo perda da qualidade de segurado, as contribuições anteriores a essa data só serão computadas para efeito de carência depois que o segurado contar, a partir da nova filiação à Previdência Social, com, no mínimo, 1/3 do número de contribuições exigidas para o cumprimento da carência definida para o benefício a ser requerido. A concessão das prestações pecuniárias do Regime Geral de Previdência Social depende dos seguintes períodos de carência: - auxílio-doença e aposentadoria por invalidez: 12 contribui- ções mensais; - aposentadoria por idade, aposentadoria por tempo de serviço e aposentadoria especial: 180 contribuições mensais. - salário-maternidade para as seguradas de que tratam os inci- sos V e VII do art. 11 e o art. 13: dez contribuições mensais, respei- tado o disposto no parágrafo único do art. 39 desta Lei. Em caso de parto antecipado, o período de carência a que se refere o inciso III será reduzido em número de contribuições equiva- lente ao número de meses em que o parto foi antecipado. Independe de carência a concessão das seguintes prestações: - pensão por morte, auxílio-reclusão, salário-família e auxílio- -acidente; - auxílio-doença e aposentadoria por invalidez nos casos de aci- dente de qualquer natureza ou causa e de doença profissional ou do trabalho, bem como nos casos de segurado que, após filiar-se ao RGPS, for acometido de alguma das doenças e afecções especifica- das em lista elaborada pelos Ministérios da Saúde e da Previdência Social, atualizada a cada 3 (três) anos, de acordo com os critérios de estigma, deformação, mutilação, deficiência ou outro fator que lhe confira especificidade e gravidade que mereçam tratamento parti- cularizado; - os benefícios concedidos na forma do inciso I do art. 39, aos segurados especiais referidos no inciso VII do art. 11 desta Lei; - serviço social; - reabilitação profissional. - salário-maternidade para as seguradas empregada, trabalha- dora avulsa e empregada doméstica. FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL. RECEITAS DA UNIÃO. RECEITAS DAS CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS: DOS SEGURADOS, DAS EMPRESAS, DO EMPREGADOR DO- MÉSTICO, DO PRODUTOR RURAL, DO CLUBE DE FUTEBOL PROFISSIONAL, SOBRE A RECEITA DE CONCURSOS DE PROGNÓSTICOS, RECEITAS DE OUTRAS FONTES. SALÁRIO- -DE-CONTRIBUIÇÃO. CONCEITO. PARCELAS INTEGRANTES E PARCELAS NÃO-INTEGRANTES. ARRECADAÇÃO E RECO- LHIMENTO DAS CONTRIBUIÇÕES DESTINADAS À SEGURI- DADE SOCIAL. OBRIGAÇÕES DA EMPRESA E DEMAIS CON- TRIBUINTES. PRAZO DE RECOLHIMENTO. RECOLHIMENTO FORA DO PRAZO: JUROS, MULTA E ATUALIZAÇÃO MONE- TÁRIA. OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS. RETENÇÃO E RESPON- SABILIDADE SOLIDÁRIA: CONCEITOS, NATUREZA JURÍDICA E CARACTERÍSTICAS A Lei 8.212/91 é fonte de estudo da compreensão do custeio da previdência social, associada às disposições constitucionais. Ressal- ta-se o financiamento de forma direta e indireta, a partir de recur- sos provenientes do Governo, empresas e trabalhadores. A tríplice forma de custeio só se aplica à previdência social, especialmente ao Regime Geral de Previdência Social, já que neste ramo da segurida- de a contribuição é indispensável. As contribuições previdenciárias devem ser analisadas a partir dos novos conceitos da EC 20/98. Os salários-de-contribuição estão intimamente relacionados com a renda mensal do benefício. A análise do custeio da previdênciasocial, com fulcro na Consti- tuição Federal e nas disposições da Lei 8.212/91 (Plano de Custeio), é objeto do presente exposto. Nesse sentido, serão traçadas consi- derações acerca da tríplice forma de custeio, aplicável mais precisa- mente ao Regime Geral de Previdência Social, e consubstanciada no financiamento da seguridade social por toda a sociedade, de forma direita e indireta, a partir de recursos provenientes do Governo, das empresas e dos trabalhadores. Ademais, para melhor compreensão do tema, será preciso tra- çar breves disposições acerca das contribuições sociais, com espe- cial enfoque nas contribuições sociais previdenciárias, assim com- preendidas como àquelas destinadas, exclusivamente, ao custeio dos benefícios da previdência social. O salário-de-contribuição, base de cálculo das contribuições previdenciárias, também foi analisado no decorrer do presente ex- posto, realizando-se um paralelo com o conceito de renda mensal do benefício, resultado da aplicação de percentuais ao salário-de- -benefício. DIREITO TRIBUTÁRIO 357 Por fim, será analisado o Regime de Previdência Privada Com- plementar, bem como as duas categorias que o forma, quais sejam, Previdência Complementar Fechada e Previdência Complementar Aberta. O financiamento dos fundos de pensão também será discu- tido, sob o enfoque da Lei 109/101. CUSTEIO DA PREVIDÊNCIA SOCIAL: DISPOSIÇÕES CONSTITU- CIONAIS E LEI 8.212/91 A Constituição Federal, por meio do artigo 195, dispõe que a seguridade social será financiada por toda a sociedade, de forma direta e indireta, nos termos da lei, mediante recursos provenientes dos orçamentos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, bem como pelas contribuições sociais previstas nos in- cisos de I a IV do mesmo dispositivo. O artigo 10, da Lei 8.212/91, corrobora com as informações constitucionais, mediante seguinte redação: Art. 10. A Seguridade Social será financiada por toda socieda- de, de forma direta e indireta, nos termos do Art. 195 da Constitui- ção Federal e desta Lei, mediante recursos provenientes da União, dos Estados, do Distrito Federal, dos Municípios e de contribuições sociais. Como se vê, o financiamento da seguridade social é realizado por toda a sociedade, de forma direta e indireta, mediante recursos provenientes do Governo, das empresas e dos trabalhadores, con- substanciando-se, assim, o princípio da tríplice forma de custeio. O financiamento de forma direta é feito com o pagamento de contribuições sociais previstas nos incisos I a IV do artigo 195 da Magna Carta; da contribuição para o Programa de Integração Social (PIS) e para o Programa de Formação do Patrimônio do Servidor Público (PASEP) (art. 239), destinadas a financiar o programa do se- guro-desemprego e o abono previsto no § 3º, pago aos empregados que recebem até dois salários mínimos de remuneração mensal. O financiamento de forma indireta, por sua vez, é feito com o aporte de recursos orçamentários da União, dos Estados, dos Mu- nicípios e do Distrito Federal, que devem constar dos respectivos orçamentos dos entes federativos. Imperioso ressaltar que tais re- cursos não integram o orçamento da União. O Governo contribui como qualquer empresa caso contrate tra- balhadores vinculados ao Regime Geral de Previdência Social. Estes recursos devem estar incluídos no orçamento da seguridade social, que deve ser elaborado de maneira autônoma por cada ente fede- rativo, contendo a previsão de receitas. Diante de eventual falta de recursos para pagamento de benefícios do RGPS, caberá à União a complementação, mediante destinação para este fim de recursos de seu orçamento fiscal, conforme o artigo 16 da Lei 8.212/91. A Lei 8.212/91 dispõe ainda que, no âmbito federal, o orça- mento da seguridade social é composto por receitas da União, das contribuições sociais e de outras fontes (artigo 11). É preciso lembrar que, efetivamente, a tríplice forma de cus- teio somente se aplica à previdência social, mais precisamente ao RGPS, tendo em vista que é o único ramo da seguridade em que a contribuição é indispensável. Após a Reforma Previdenciária (EC 41/2003), foi instituída a contribuição dos aposentados dos Regi- mes Próprios de Previdência Social para o financiamento do sistema previdenciário. A reforma, no entanto, não alterou a imunidade dos aposentados filiados ao RGPS. Desse modo, conclui o doutrinador Ivan Kertzman (2015, página 63): A tríplice forma de custeio, então, somente continua válida para o RGPS, pois atualmente os regimes próprios são financiados por quatro fontes: Governo, trabalhadores, empresas e inativos (aposentados e pensionistas). Contribuições Sociais Como já dito, o artigo 195 da Constituição Federal enumera as contribuições sociais destinadas ao financiamento da seguridade social, quais sejam: I - dos empregadores, incidente sobre a folha de salários, o fa- turamento e o lucro; I - do empregador, da empresa e da entidade a ela equiparada na forma da lei, incidentes sobre: a) a folha de salários e demais rendimentos do trabalho pagos ou creditados, a qualquer título, à pessoa física que lhe preste ser- viço, mesmo sem vínculo empregatício; b) a receita ou o faturamento; c) o lucro; II - dos trabalhadores; II - do trabalhador e dos demais segurados da previdência so- cial, não incidindo contribuição sobre aposentadoria e pensão con- cedidas pelo regime geral de previdência social de que trata o art. 201; III - sobre a receita de concursos de prognósticos. IV - do importador de bens ou serviços do exterior, ou de quem a lei a ele equiparar. Tais contribuições sociais suscitam divergência sobre sua natu- reza jurídica. Predomina, contudo, na doutrina e na jurisprudência, o entendimento de que são tributos, mais precisamente contribui- ções especiais. Ademais, como alhures mencionado, as receitas que compõem o orçamento da seguridade social estão elencadas no artigo 11 da Lei 8212/91, quais sejam: receitas da União (I), das contribuições sociais (II) e de outras fontes (III). No parágrafo único, relaciona as contribuições sociais, como se vê: Constituem contribuições sociais: a) as das empresas, incidentes sobre a remuneração paga ou creditada aos segurados a seu serviço; (Vide art. 104 da lei nº 11.196, de 2005) b) as dos empregadores domésticos; c) as dos trabalhadores, incidentes sobre o seu salário-de-con- tribuição; d) as das empresas, incidentes sobre faturamento e lucro; e) as incidentes sobre a receita de concursos de prognósticos. É preciso lembrar, porém, que a EC 42/2003 acrescentou o inc. IV ao artigo 195 da Constituição Federal, adicionando às verbas for- madoras do orçamento da seguridade a contribuição do importa- dor de bens e serviços do exterior, ou de quem a lei a ele equiparar. Contribuições Sociais Previdenciárias Ressalta-se que as contribuições previdenciárias destinam-se, exclusivamente, ao custeio dos benefícios da previdência social, e estão previstas no artigo 195, I, a, II, e III da CF. O inciso XI do artigo 167 da Carta Magna veda a utilização do produto da arrecadação dessas contribuições no pagamento de despesas outras que não relativas à cobertura do RGPS, prevista no artigo 201, conforme prevê a Emenda Constitucional 20/98. Salienta-se que a redação anterior do inciso I, a, do artigo 195 da CF, utilizava apenas a expressão “folha de salários”, deixando de fora os “demais rendimentos do trabalho pagos ou creditados, a qualquer título, à pessoa física que lhe preste serviço, mesmo sem vínculo empregatício”, redação esta dada pela EC 20/98. A cobrança das contribuições sociais das empresas sobre a remuneração dos autônomos e empresários somente se tornou constitucional a partir de maio de 1996, após a vigência da Lei Com- plementar 84/96, que se valeu da competência residual para a ins- tituição da contribuição. DIREITO TRIBUTÁRIO 358 Como se vê, as contribuições previdenciárias estão a princípio ligadas à remuneração do trabalho, sendo estaa base das contri- buições das empresas e dos trabalhadores. O § 9º do art. 28 do PCSS relaciona as verbas que não integram o salário de contribui- ção do segurado e que não são consideradas remuneração para fins de cálculo da contribuição devida pela empresa (art. 22, § 2º, do PCSS). Podem-se destacar as importâncias devidas a título de férias indenizadas e respectivo adicional constitucional, inclusive o valor correspondentes à dobra da remuneração de férias de que trata o artigo 137 da CLT; as recebidas a título de abono de férias na forma dos artigos 143 e 144 da CLT; as recebidas a título de indenização. A contribuição previdenciária das empresas (art. 195, I, a, da CF) está disciplinada no artigo 22, I, III e IV, do PCSS. Cada um desses incisos constitui uma modalidade da contribuição sobre a folha de salários e demais rendimentos do trabalho. Em qualquer de suas modalidades, o fator gerador é dever, pa- gar ou creditar remuneração, a qualquer título, a pessoa física. Não se trata de pagamento da remuneração, bastando que ela seja devi- da ao trabalhador. Nesse sentido, é o entendimento do STJ: TRIBUTÁRIO — PRAZO PARA RECOLHIMENTO DA CONTRIBUI- ÇÃO PREVIDENCIÁRIA SOBRE FOLHA DE SALÁRIOS — 2º DIA ÚTIL APÓS O MÊS TRABALHADO. (...) 2. O aresto regional consignou que o fato gerador da contribuição em comento não é o efetivo pagamento dos salários, mas o fato de o empregador encontrar-se em débito para com seus empregados pelos serviços prestados, entendimento esse consentâneo com o assentado no STJ. Por conseguinte, o tribu- to deve ser recolhido à Autarquia Previdenciária até o segundo dia do mês subsequente ao mês laborado, conforme dispõe o art. 22 da Lei n. 8.212/91. (...)” (AGRESP 200802649545, 2ª Turma, Rel. Min. Humberto Martins,DJe 25.06.2009) SALÁRIO-DE-CONTRIBUIÇÃO E RENDA MENSAL DO BENEFÍ- CIO Para fins de estudo acerca do custeio da previdência social, imperioso se faz traçar um paralelo entre o conceito de salário de contribuição e conceito da renda mensal do benefício. Inicialmente, é válido mencionar que as contribuições dos tra- balhadores e dos tomadores de serviços para o Regime Geral da Previdência Social incidem sobre uma base denominada salário-de- -contribuição. Esta mesma base é utilizada, também, no cálculo do valor da maioria dos benefícios. Para real compreensão do conceito de salário-de-contribuição, é preciso entender o que é remuneração, tendo em vista que na própria definição legal deste instituto previdenciário é incluído o re- ferencial trabalhista. Remuneração, então, pode ser definida como todo o ganho decorrente do trabalho, englobando o salário e as gorjetas. Ou seja, além da parte fixa paga diretamente pelo em- pregador (salário), faz parte da remuneração as quantias pagas por terceiros, como por exemplo, as gorjetas oferecidas aos garçons em restaurantes. As parcelas indenizatórias e os valores ressarcitórios são excluídos da remuneração. O salário-de-contribuição, por sua vez, constitui conceito mais abrangente que a remuneração, possuindo particularidades pró- prias à legislação previdenciária. Este, definido no artigo 28 da Lei 8.212/91, é, em verdade, a base de cálculo das contribuições previ- denciárias, a depender da categoria de trabalhadores. Sendo assim, para o empregado e trabalhador avulso, o sa- lário-de-contribuição é a remuneração recebida em uma ou mais empresas, assim entendida a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título, durante o mês, destina- dos a retribuir o trabalho, qualquer que seja sua forma, inclusive as gorjetas, os ganhos habituais, sob a forma de utilidade e os adianta- mentos decorrentes de reajustes salariais, quer pelos serviços efe- tivamente prestados, quer pelo tempo à disposição do empregador ou tomador de serviços, nos termos da lei ou contrato, ou, ainda, da convenção ou acordo coletivo de trabalho, ou sentença normativa. O fato gerador da incidência da contribuição previdenciária, portanto, é a prestação de serviço do empregado e do trabalhador avulso para tomadores, independentemente da data do pagamento da remuneração. Tendo mais de um emprego, o empregado terá duas remunera- ções mensais, no entanto, contará com apenas um salário-de-con- tribuição, correspondente à soma das remunerações recebidas em todas as empresas. Dessa forma, contribuirá para a previdência so- bre esta base unificada. Quando a admissão do empregado ocorrer no curso do mês, o salário-de-contribuição será proporcional ao número de dias de trabalhados. Da mesma maneira, as faltas, dispensas e períodos de afastamento devem ser considerados para o cálculo desta propor- cionalidade. Em relação ao empregado doméstico, o salário-de-contribuição será correspondente à remuneração registrada na CTPS, observa- das as normas a serem estabelecidas em regulamento para com- provação do vínculo empregatício e do valor da remuneração. Da mesma forma que ocorre com o empregado, quando a admissão do empregado doméstico se operar no curso de mês, deverá ser observada a proporcionalidade dos dias trabalhados. Para o contribuinte individual, será equivalente à remuneração recebida, durante o mês, pelo exercício de atividade por conta pró- pria, prestada a pessoas físicas ou a empresas. Nesse ponto, vale ci- tar a observação do doutrinador Ivan Kertzman (2015, página 239): Apesar do texto legal dispor que o salário-de-contribuição do contribuinte individual é a remuneração auferida em uma ou mais empresas, não podemos desconsiderar que os valores recebidos por este segurado relativos a serviços prestados a pessoas físicas também são incluídos no salário-de-contribuição. Em relação ao segurado facultativo, como não recebe nenhu- ma remuneração, fica incumbido de definir o próprio salário-de- -contribuição, mensalmente. Ressalta-se que a única categoria de segurado obrigatório que não utiliza o conceito de salário-de-contribuição é a do segurado es- pecial, isto porque contribui de maneira diferenciada para o RGPS, utilizando, como base, a comercialização da produção rural. Vale reforçar ainda que, nos moldes do artigo 28, §§3º e 5ª da Lei 8.112/91, o salário-de-contribuição tem limites mínimo e máxi- mo para a incidência das contribuições mensais dos trabalhadores. Somente os segurados e um tipo de tomador de serviço, o empre- gador doméstico, utilizam tais limites para o cálculo de seus reco- lhimentos mensais para a Previdência. As empresas e entidades a ela equiparadas não sofrem qualquer limitação para o cálculo da base de contribuição, de modo que utilizam o salário-de-contribui- ção integral. O limite mínimo corresponde ao piso salarial, legal ou norma- tivo, da categoria ou, inexistindo este, ao salário mínimo. Já o teto do salário-de-contribuição é atualizado, em regra, anualmente, embora o Ministério da Previdência possa revisá-lo quando julgar conveniente. Pois bem, traçadas as considerações acerca de salário-de-con- tribuição, inicia-se a análise da renda mensal dos benefícios. Primeiramente, é preciso saber que a base de cálculo dos be- nefícios do RGPS é o salário-de-benefício – SB. A partir dessa base é que será calculado o efetivo valor da renda mensal do benefício previdenciário, por meio da aplicação de percentuais, a depender do benefício. DIREITO TRIBUTÁRIO 359 Sendo assim, a renda mensal do benefício (RMB) corresponde ao valor do benéfico efetivamente recebido pelo beneficiário. Será calculada aplicando-se sobre o salário-de-benefício os seguintes percentuais: I- auxílio-doença: 91% do salário-de-benefício; II- aposentadoria por invalidez: 100% do salário-de-benefício; III- aposentadoria por idade: 70% do salário-de-benefício, mais 1% deste por grupo de doze contribuições mensais, até o máximo de 30%; IV- aposentadoria por tempo de contribuição: a) para mulher – 100% do salário-de-benefício aos 30 anos de contribuição; b) para homem – 100% do salário-de-benefício aos 35 anos de contribuição; c) 100% do salário-de-benefíciopara o professor aos 30 anos e para a professora aos 25 anos de contribuição e de efetivo exercí- cio em função de magistério na educação infantil, no ensino funda- mental ou no ensino médio; V- aposentadoria especial: 100% do salário-de-benefício; e VI- auxílio-acidente: 50% do salário-de-benefício. O valor mensal da pensão morte ou do auxílio-reclusão será de 100% do valor da aposentadoria que o segurado recebia ou daquela a que teria direito se estivesse aposentado por invalidez, na data do seu recolhimento à prisão ou falecimento. A renda mensal do benefício de prestação continuada pode substituir o salário-de-contribuição ou o rendimento do trabalho do segurado, caso em que não terá valor inferior ao do salário-míni- mo, nem superior ao do limite máximo do salário de contribuição, salvo nos casos de aposentadoria por invalidez, em que o segurado necessite de assistência permanente de outra pessoa, situação em que o valor do benefício será acrescido de 25%, podendo, inclusive, ultrapassar o teto do salário-de-contribuição. Para melhor compreender a relação entre salário-de-contribui- ção e a renda mensal do benefício, é preciso ressaltar que no cál- culo da RMB, inclusive o decorrente de acidente do trabalho, serão computados: I- para o segurado empregado, empregado doméstico e traba- lhador avulso, os salários-de-contribuição referentes aos meses de contribuição devidas, ainda que não recolhidas pela empresa, sem prejuízo da respectiva cobrança e da aplicação das penalidades ca- bíveis; II- para o segurado empregado, o empregado doméstico, o tra- balhador avulso e o segurado especial, o valor mensal do auxílio- -acidente, considerado como salário-de-contribuição para fins de concessão de qualquer aposentadoria; III- para os demais segurados, os salários-de-contribuição refe- rentes aos meses de contribuições efetivamente recolhidas. REGIME DE PREVIDÊNCIA PRIVADA COMPLEMENTAR O Regime de Previdência Privada Completar, disciplinado no artigo 202 da Constituição Federal, é facultativo e, obviamente, de natureza privada. É organizado de forma autônoma em relação ao RGPS e baseia-se na constituição de reservas que garantam o bene- fício contratado. Sendo assim, nas palavras de Marisa Ferreira dos Santos (2015, página 464), são características do Regime de Previdência Privada: caráter complementar, autonomia em relação ao RGPS, facultativi- dade, constituição de reservas e disciplina por lei complementar. Previdência Complementar Fechada e Previdência Comple- mentar Aberta são as duas categorias do Regime de Previdência Privada. Os planos de previdência privada fechados (EFPC) são os apli- cáveis a grupos fechados que contribuam para obter os respectivos benefícios. Podem ser acessíveis, assim, aos empregados de empre- sa, aos servidores dos entes federativos, em sentido amplo, e aos associados ou membros de pessoas jurídicas de caráter profissio- nal, setorial ou classista. As entidades abertas de previdência complementar (EAPC) são constituídas sob a forma de sociedades anônimas e têm por objeti- vo instituir o operar planos de benefícios de caráter previdenciário, concedidos em forma de renda continuada ou pagamento único, acessíveis a qualquer pessoa física. Fazem parte deste sistema os planos de previdência organizados pelos grandes bancos e segura- doras brasileiros. Financiamento dos fundos de pensão As entidades fechadas de previdência complementar são cus- teadas principalmente com contribuições pagas pela patrocinado- ra, pelo participante e por aplicações financeiras. Os fundos de pensão têm plano de custeio com periodicidade mínima anual, que deve preservar o equilíbrio financeiro e atuarial. Os benefícios de pagamento em prestações programadas e continu- adas estão submetidos ao regime financeiro de capitalização. A constituição de reservas, provisões e fundos, nesse sentido, objetivam garantir a liquidez dos planos. Para melhor compreensão, cita-se o artigo 18 da Lei 109/101: Art. 18. O plano de custeio, com periodicidade mínima anual, estabelecerá o nível de contribuição necessário à constituição das reservas garantidoras de benefícios, fundos, provisões e à cobertu- ra das demais despesas, em conformidade com os critérios fixados pelo órgão regulador e fiscalizador. § 1º O regime financeiro de capitalização é obrigatório para os benefícios de pagamento em prestações que sejam programadas e continuadas. § 2º Observados critérios que preservem o equilíbrio financeiro e atuarial, o cálculo das reservas técnicas atenderá às peculiarida- des de cada plano de benefícios e deverá estar expresso em nota técnica atuarial, de apresentação obrigatória, incluindo as hipóte- ses utilizadas, que deverão guardar relação com as características da massa e da atividade desenvolvida pelo patrocinador ou insti- tuidor. § 3º As reservas técnicas, provisões e fundos de cada plano de benefícios e os exigíveis a qualquer título deverão atender perma- nentemente à cobertura integral dos compromissos assumidos pelo plano de benefícios, ressalvadas excepcionalidades definidas pelo órgão regulador e fiscalizador. O artigo 19 do mesmo diploma classifica as contribuições em normais e extraordinárias, como se vê: Art. 19. As contribuições destinadas à constituição de reservas terão como finalidade prover o pagamento de benefícios de caráter previdenciário, observadas as especificidades previstas nesta Lei Complementar. Parágrafo único. As contribuições referidas no caput classifi- cam-se em: I - normais, aquelas destinadas ao custeio dos benefícios pre- vistos no respectivo plano; e II - extraordinárias, aquelas destinadas ao custeio de déficits, serviço passado e outras finalidades não incluídas na contribuição normal. DIREITO TRIBUTÁRIO 360 As alíquotas de contribuição não estão fixadas em lei e, con- siderado que o Decreto 81.240/78 foi revogado, cabe ao plano de custeio fixar as alíquotas e bases do cálculo da contribuição patro- nal e do participante, na visão de Marisa Ferreira dos Santos. Os artigos 20 e 21 trazem, também, regras que objetivam pre- servar o equilíbrio atuarial dos planos de previdência complemen- tar. O superávit deve ser destinado à constituição de reserva de con- tingência (reserva para suprir gastos futuros com pagamento das prestações), enquanto o déficit deverá ser coberto pelos patrocina- dores, participantes e assistidos. Até os assistidos, ao contrário dos segurados e dependentes em gozo de benefício do RGPS, devem contribuir para equacionar eventuais resultados deficitários. O participante contribui para o custeio do plano mediante desconto da sua contribuição na remuneração. As contribuições aportadas pelo patrocinador e pelo participante são objeto de apli- cações financeiras e outros investimentos, sempre com vista a ga- rantir a integralidade das obrigações dos planos, com a consequen- te manutenção do seu equilíbrio financeiro e atuarial. As disposições constitucionais e a Lei 8.212/91, brevemente discutidas no presente exposto, foram essenciais à compreensão do custeio da previdência social, considerando o financiamento de forma direta e indireta, mediante recursos provenientes do Gover- no, das empresas e dos trabalhadores. A tríplice forma de custeio, como se viu, efetivamente só se aplica à previdência social, em es- pecial ao RGPS, já que é o único ramo da seguridade em que a con- tribuição é indispensável. Quanto às contribuições previdenciárias, foram abordados no- vos conceitos decorrentes da EC 20/98, ponto este que merece es- pecial atenção frente à nova redação do inciso I, a, do artigo 195 da Constituição Federal, incluindo, agora, “os demais rendimentos do trabalho pagos ou creditados, a qualquer título, à pessoa física que lhe preste serviço, mesmo sem vínculo empregatício”. Ademais, foi observada a íntima relação entre o conceito do salário-de-contribuição e a renda mensal do benefício, isto porque, os salários-de-contribuição são computados no cálculo da rendaEx: quando alguém paga Imposto de Renda, não recebe do Estado be- nefício específico em seu favor. O dinheiro do imposto não se rever- te imediatamente em prol do contribuinte, porque se destina, de um modo geral, ao bem comum. Taxa é a exigência financeira a pessoa privada ou jurídica para usar certos serviços fundamentais, ou pelo exercício do poder de polícia, imposta pelo governo ou alguma organização política ou governamental. É uma das formas de tributo. Ex: serviço de águas, coleta domiciliar de lixo. O contribuinte ao pagar a taxa recebe do Estado um benefício específico em seu favor. Contribuição de Melhoria é “tributo cuja obrigação tem por fato gerador uma situação que representa um benefício especial auferido pelo contribuinte. Seu fim se destina às necessidades do serviço ou à atividade estatal”, previsto no artigo 145, III, da Cons- tituição Federal. Há duas correntes doutrinárias sobre o fato gerador (ou fato imponível) desse tributo. Em uma, é exigida a valorização imobiliá- ria (melhoria). Em outra, basta o benefício decorrente da obra pú- blica. Devem ser amparadas em lei, conforme artigo 82 do Código Tributário Nacional. Ex: o poder público asfalta uma estrada; assim todos os proprietários de áreas localizadas ao longo da estrada são obrigados a pagar a contribuição de melhoria, de acordo com a va- lorização correspondente a seu imóvel. O poder de tributar não é absoluto, há, portanto, uma relação jurídica tributária em que ambas as partes devem respeito ao or- denamento jurídico vigente. É o nosso Sistema Tributário Nacional. E esse nosso sistema impõe certas linhas que devem ser seguidas pelos entes públicos, garantindo o particular contra os excessos do Fisco. Se, por um lado, a Constituição Federal outorga competência tributária para que aquelas pessoas jurídicas de direito público pos- sam instituir tributos, por outro, a Carta Magna estabelece uma sé- rie de limitações ao poder de tributar. No nosso sistema tais delimitações são estabelecidas pelos princípios e pelas imunidades. O artigo 150 da Constituição elenca algumas limitações ao po- der de tributar, mas nem por isso o faz de maneira nítida e com- pleta, existem também outros institutos nesta esfera como as imu- nidades que constituem limitações ao poder estatal de invadir a propriedade privada através da cobrança de tributos confiscatórios. As limitações ao poder de tributar constituem-se, portanto, em normas legitimadas pela Constituição Federal que não confe- rem competências positivas para tributar, mas em dispositivos que visam impedir as situações por elas descritas, ou seja, que sejam utilizadas pela força tributária do Estado. Princípios Gerais Os princípios encontram-se distribuídos em toda a Constituição Federal e eles podem ser: - Explícitos: expressos - Implícitos: decorrem dos explícitos, do regime federativo e dos direitos e garantias fundamentais. As entidades que possuem competência tributária são: União; Estados; Municípios e Distrito Federal fica, portanto vedado o exer- cício da competência por outra entidade política. DIREITO TRIBUTÁRIO 315 Em relação à importância dos princípios estes têm a função de impor limitações constitucionais ao poder de tributar. Os princípios tributários previstos na Constituição Federal funcionam verdadeira- mente como mecanismos de defesa do contribuinte frente à avidez do Estado no campo tributário. A constitucionalidade de um tributo, enfim, deve seguir todos os princípios elencados na Constituição, sob pena de serem refu- tados pelo Supremo Tribunal Federal por serem inconstitucionais. Abaixo seguem os tipos de princípios e em quais artigos consti- tucionais eles são encontrados - Princípio Da Legalidade Tributária: Art.5º, II: “Ninguém será obrigado a fazer ou deixar de fazer alguma coisa senão em virtude de lei.” Art.150, I: “Sem prejuízo de outras garantias asseguradas ao contribuinte, é vedado à União, aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios: I – exigir ou aumentar tributo sem lei que o esta- beleça”. - Princípio Da Irretroatividade E Da Anterioridade: Art. 150. ...é vedado à União, aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios. III – cobrar tributos: a) em relação a fatos geradores ocorridos antes do início da vigência da lei que os houver instituído ou aumentado (irretroavida- de) b) no mesmo exercício financeiro em que haja sido publicada a lei que os instituiu ou aumentou; (anterioridade) c) antes de decorridos noventa dias da data em que haja sido publicada a lei que os instituiu ou aumentou, observado o disposto na alínea b. - Princípio Da Isonomia Tributária: “Art.150. ...é vedado à União, aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios: II- instituir tratamento desigual entre contribuintes que se en- contrem em situação equivalente, proibida qualquer distinção em razão de ocupação profissional ou função por eles exercida, inde- pendentemente da denominação jurídica dos rendimentos, títulos ou direitos.” - Princípio Da Capacidade Contributiva: Caráter programático: norteador da atividade legislativa. Art. 145 §1º: “Sempre que possível, os impostos terão caráter pessoal e serão graduados segundo a capacidade econômica do contribuinte, facultado à administração tributária, especialmente para conferir efetividade a esses objetivos, identificar, respeitados os direitos individuais e nos termos da lei, o patrimônio, os rendi- mentos e as atividades econômicas do contribuinte.” - Princípio Da Vedação De Efeitos Confiscatórios: Art. 150, IV: é vedado “utilizar tributo com efeito de confisco”. - Princípio Da Imunidade Recíproca: Art. 150, VI, a: “... é vedado à União, aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios: VI – instituir impostos sobre: a) patrimônio, renda ou serviços, uns dos outros” - Princípio Da Imunidade Genérica: Art. 150, VI, “b”, “c” e “d”: “Art. 150. … é vedado à União, aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios: VI – instituir impostos sobre: b) templos de qualquer culto; c) patrimônio, renda ou serviços dos partidos políticos, in- clusive suas fundações, das entidades sindicais dos trabalhadores, das instituições de educação e de assistência social, sem fins lucra- tivos, atendidos os requisitos da lei; d) livros, jornais, periódicos e o papel destinado à sua im- pressão.” - Princípio Da Imunidade De Tráfego Interestadual E Intermu- nicipal: Art. 150. Sem prejuízo de outras garantias asseguradas ao con- tribuinte, é vedado à União, aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios: V – estabelecer limitações ao tráfego de pessoas ou bens por meio de tributos interestaduais ou intermunicipais, ressalvada a co- brança de pedágio pela utilização de vias conservadas pelo poder público; - Princípio Da Uniformidade De Tributo Federal Em Todo O Ter- ritório Nacional: Art. 151. É vedado à União: I – instituir tributo que não seja uniforme em todo o território nacional ou que implique distinção ou preferência em relação a Es- tado, ao Distrito Federal ou a Município, em detrimento de outro, admitida a concessão de incentivos fiscais destinados a promover o equilíbrio do desenvolvimento socioeconômico entre as diferentes regiões do País; - Princípio Da Uniformidade De Tributo Estadual Ou Municipal Quanto À Procedência Ou Destino De Bens E Serviços De Qualquer Natureza: Art. 152. É vedado aos Estados, ao Distrito Federal e aos Mu- nicípios estabelecer diferença tributária entre bens e serviços, de qualquer natureza, em razão de sua procedência ou destino. - Princípio Da Igualdade De Tratamento Dos Títulos Da Dívida Pública Federal, Estadual Ou Municipal E Dos Vencimentos Pagos Pelas Três Entidades Políticas: Art. 151. É vedado à União: II – tributar a renda das obrigações da dívida pública dos Es- tados, do Distrito Federal e dos Municípios, bem como a remune- ração e os proventos dos respectivos agentes públicos, em níveis superiores aos que fixar para suas obrigações e para seus agentes; - Princípio Da Imunidademensal do benefício, de acordo com cada segurado. A análise do regime de previdência privada complementar foi de notável importância, dada as peculiaridades e características próprias deste regime, quais sejam, caráter complementar, autono- mia em relação ao RGPS, facultatividade, constituição de reservas e disciplina por lei complementar. Por Gabriela Serra Pinto de Alencar EXERCÍCIOS 1. (PGE/AC - Procurador do Estado - FMP Concursos/2017). Em matéria de direito constitucional tributário é CORRETO afirmar que (A) a proibição de confisco é adstrita aos tributos em si, con- forme a letra da constituição, e não abarca as multas sancio- natórias. (B) o princípio da isonomia tributária não é corolário do prin- cípio da igualdade, sendo aquele, em razão do caráter tributá- rio, bem mais restrito, exigindo-se duas situações exatamente idênticas para a comparação. (C) a lei complementar tributária é hierarquicamente superior à lei ordinária tributária. (D) a lei tributária pode ser editada com o objetivo de prevenir distorções de concorrência mercadológica. (E) a Constituição Federal define perfeitamente cada tributo, não havendo espaço para o legislador infraconstitucional defi- nir os tributos. 2. (TJ/RO - Titular de Serviços de Notas e de Registros - Provi- mento - IESES/2017). Nos termos da Constituição Federal, é vedado à União, EXCETO: (A) Utilizar tributo com efeito de confisco. (B) Instituir, na iminência ou no caso de guerra externa, impos- tos extraordinários, compreendidos ou não em sua competên- cia tributária. (C) Exigir ou aumentar tributo sem lei que o estabeleça. (D) Instituir impostos sobre patrimônio, renda ou serviços dos Estados e Municípios. 3. (TJ/RO - Titular de Serviços de Notas e de Registros - Provi- mento - IESES/2017). Sem prejuízo de outras garantias asseguradas ao contribuinte, é vedado à União, aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios instituir impostos sobre: I. Patrimônio, renda ou serviços, uns dos outros. II. Templos de qualquer culto, condomínios edilícios. III. Fonogramas e videofonogramas musicais produzidos no Brasil contendo obras musicais ou literomusicais de autores brasi- leiros. IV. Patrimônio, renda ou serviços dos partidos políticos; livros, jornais, periódicos e o papel destinado à sua impressão. A sequência correta é: (A) Apenas as assertivas I, III, IV estão corretas. (B) Apenas as assertivas II e IV estão corretas. (C) As assertivas I, II, III e IV estão corretas. (D) Apenas a assertiva IV está correta. 4. (TJ/SP - Juiz Substituto - VUNESP/2017). Considerando-se o disposto no artigo 150, VI, “d” da Constituição Federal de 1988, no- tadamente a expressão “… e o papel destinado à sua impressão”, é de se concluir corretamente que (A) a imunidade deve ser estendida também aos livros com su- portes em CD e outros meios eletrônicos, em face das interpre- tações evolutiva e teleológica. (B) somente o livro de papel deve ser imune a impostos, uma vez que, operando a imunidade como limitação ao poder de tributar de que dotado o Estado, sua interpretação há de ser restritiva. (C) somente o livro de papel é imune a impostos, à vista da cláusula expressa “… e o papel destinado à sua impressão”. (ar- tigo 150,VI, “d”, Constituição Federal). (D) se a Constituição não distinguiu o suporte tecnológico de elaboração de livros, jornais e periódicos, não pode o intérpre- te fazê-lo para o fim de ampliar a imunidade. 5. (TJ/RO - Titular de Serviços de Notas e de Registros - Provi- mento - IESES/2017). Analise as sentenças abaixo e assinale a opção correta considerando as disposições expressas do Código Tributário Nacional acerca das hipóteses que suspendem a exigibilidade do crédito tributário: I. A moratória e a concessão de medida liminar em mandado de segurança. II. O depósito parcial do montante e o parcelamento. III. A concessão de medida liminar ou tutela antecipada em ação judicial. (A) Todas as alternativas estão corretas. (B) Apenas as alternativas II e III estão corretas. (C) Apenas a alternativa II está correta. (D) Apenas as alternativas I e III estão corretas. DIREITO TRIBUTÁRIO 361 6. (CREA/SP - Analista Advogado - NR/2017). Considere o Capí- tulo IV, Extinção do Crédito Tributário, do Sistema Tributário Nacio- nal e analise os itens abaixo. I. Cobrança ou pagamento espontâneo de tributo indevido ou maior que o devido em face da legislação tributária aplicável, ou da natureza ou circunstâncias materiais do fato gerador efetivamente ocorrido. II. Erro na edificação do sujeito passivo, na determinação da alíquota aplicável, no cálculo do montante do débito ou na elabora- ção ou conferência de qualquer documento relativo ao pagamento. III. A perda ou destruição da estampilha, ou o erro no paga- mento por esta modalidade. IV. Reforma, anulação, revogação ou rescisão de decisão con- denatória. O sujeito passivo tem direito, independentemente de prévio protesto, à restituição total ou parcial do tributo, seja qual for a mo- dalidade do seu pagamento, nos casos apresentados em (A) II e III, apenas. (B) I e III, apenas. (C) III e IV, apenas. (D) II e IV, apenas. (E) I, II e IV apenas. 7. (Prefeitura de Fortaleza/CE - Procurador do Município - CES- PE/2017). Julgue o item subsequente, a respeito de regime consti- tucional dos precatórios, crédito público e dívida ativa. Entende o STF que, em decorrência da autonomia tributária municipal, uma lei estadual que dispense a cobrança de débitos de pequeno valor inscritos em dívida ativa não deve vincular os muni- cípios. (A) Certo (B) Errado 8. (PGE/AC - Procurador do Estado - FMP/2017). Os Estados costumam apreender mercadorias e não permitir a emissão de no- tas fiscais a quem deve para o Fisco. Examine as assertivas abaixo e assinale a CORRETA. (A) O procedimento de apreensão é o correto, pois muitas ve- zes se a fiscalização permitir que a mercadoria passe, mesmo com tributo recolhido a menor, poderá ocorrer de o Estado não mais conseguir cobrar. (B) Estes procedimentos são ilegais e se denominam sanções políticas, pois muitas vezes são utilizados para perseguição dos inimigos políticos dos governantes. (C) São inconstitucionais os procedimentos referidos, já assim declarados mais de uma vez pelo STF. (D) Apreender as mercadorias é correto, mas impedir a empre- sa de emitir notas fiscais ou vender produtos não. (E) Nenhuma das alternativas acima é CORRETA. 9. (PGE/AC - Procurador do Estado - FMP/2017). Sobre eventual mandado de segurança em matéria tributária, é CORRETO afirmar que (A) só cabe para discutir eventos futuros, pois é proibida sua utilização como substitutivo da ação de repetição de indébito. (B) é possível utilizar-se para desconstituir auto de infração, mas somente até 120 dias do ato coator, ou seja, da autuação fiscal, mesmo que haja recurso administrativo. (C) a liminar pode suspender a exigibilidade do tributo, mas desde que se tenham esgotado todas as tentativas de anulação auto de infração administrativamente. (D) caso o pedido seja de compensação com pagamento indevi- do usualmente inadmitido pelo Fisco, o mandamus é preventi- vo porque o ato coator, a negativa, ainda está por ocorrer, não se computando o prazo decadencial de 120 dias. (E) nenhuma das alternativas acima está CORRETA. 10. (TJ/SP - Juiz Substituto - VUNESP/2017). Assinale a alterna- tiva correta. (A) A norma de isenção se aloca no plano da definição da com- petência tributária, não ocorrendo, portanto, o fato imponível, por não existir a possibilidade de formulação da hipótese de incidência. (B) As imunidades e isenções não se distinguem a partir da fon- te formal da qual emanam. (C) As isenções técnicas são legitimamente reconhecidas ante a ausência de capacidade contributiva como a concedida visando à preservação do mínimo vital ou destinada a uma pessoa jurí- dica para que possa desenvolver suas atividades. (D) A imunidade política é também denominada de imunidade recíproca e veda a tributação sobre patrimônio,renda e servi- ços das pessoas jurídico-políticas (União, Estados, Distrito Fe- deral e Municípios). 11. (TJ/SP - Juiz Substituto - VUNESP/2018). Com relação à ad- ministração tributária, é correto afirmar que (A) a Constituição Federal dispõe que à administração tributá- ria é facultado identificar o patrimônio, os rendimentos e as ati- vidades econômicas do contribuinte com a finalidade precípua de assegurar a eficiência da arrecadação. (B) a Constituição Federal dispõe que a atividade de fiscalização será estritamente formal, de modo a assegurar o respeito às garantias do contribuinte. (C) não há dispositivo constitucional expresso a respeito da matéria, integralmente disciplinada pelo Código Tributário Na- cional. (D) a Constituição Federal dispõe que à administração tributá- ria é facultado identificar o patrimônio, os rendimentos e as atividades econômicas do contribuinte com a finalidade pre- cípua de assegurar o respeito ao caráter de pessoalidade dos impostos e à capacidade econômica do contribuinte. 12. (TJ/SP - Juiz Substituto - VUNESP/2018). Com relação à com- petência tributária e aos princípios e limitações constitucionais ao poder de tributar, é correto afirmar: (A) a Constituição prevê a progressividade não só para o Im- posto de Renda mas também para o Imposto Territorial Rural e para o Imposto sobre a Propriedade Territorial Urbana, e, com relação a estes, acrescentou previsão de confisco na hipótese de não cumprimento da função social da propriedade. (B) o Supremo Tribunal Federal tem adotado entendimento no sentido de que, embora o confisco seja conceito jurídico inde- terminado, o princípio da vedação do confisco deve ser utiliza- do para limitar o percentual de multa imposta ao contribuinte. (C) a competência tributária, nela compreendidas a competên- cia legislativa para instituir e majorar tributos e a competência para fiscalizá-los e arrecadá-los, é indelegável, não recebidas pela atual Constituição as normas que dispunham em sentido contrário. (D) o princípio da anterioridade, tal como previsto no texto constitucional vigente, impede que qualquer imposto seja co- brado no mesmo exercício em que haja sido publicada a lei que o instituiu ou aumentou e antes de decorridos noventa dias da data daquela publicação. DIREITO TRIBUTÁRIO 362 13. (TJ/MT - Juiz Substituto - VUNESP/2018). As certidões de débitos são instrumentos frequentes no dia a dia das empresas e cidadãos, sendo exigidos como condição para a celebração de uma série de negócios jurídicos. A esse respeito, é correto afirmar que (A) tem os mesmos efeitos da certidão negativa a certidão de que conste a existência de créditos vencidos, em curso de co- brança executiva em que não tenha ainda sido efetivada a pe- nhora e cuja exigibilidade não esteja suspensa. (B) a certidão negativa será sempre expedida nos termos em que tenha sido requerida e será fornecida dentro do prazo im- próprio de 30 (trinta) dias da data da entrada do requerimento na repartição. (C) a certidão positiva expedida com dolo ou fraude, que conte- nha erro contra o sujeito passivo, responsabiliza pessoalmente o funcionário que a expedir, pelo crédito tributário e juros de mora acrescidos. (D) a lei poderá exigir que a prova da quitação de determinado tributo, quando exigível, seja feita por certidão negativa, que contenha todas as informações necessárias à identificação de sua pessoa, domicílio fiscal e ramo de negócio ou atividade e indique o período a que se refere o pedido. (E) apenas mediante expressa disposição legal permissiva será dispensada a prova de quitação de tributos, ou o seu suprimen- to, quando se tratar de prática de ato indispensável para evitar a caducidade de direito. GABARITO 1 D 2 B 3 A 4 A 5 D 6 E 7 A 8 C 9 D 10 C 11 D 12 B 13 D ANOTAÇÕES ______________________________________________________ ______________________________________________________ ______________________________________________________ ______________________________________________________ ______________________________________________________ ______________________________________________________ ______________________________________________________ ______________________________________________________ ______________________________________________________ ______________________________________________________ ______________________________________________________ ______________________________________________________ ______________________________________________________ ______________________________________________________ ______________________________________________________ ______________________________________________________ ______________________________________________________ ______________________________________________________ ______________________________________________________ ______________________________________________________ ______________________________________________________ ______________________________________________________ ______________________________________________________ _____________________________________________________ _____________________________________________________ ______________________________________________________ ______________________________________________________ ______________________________________________________ ______________________________________________________ ______________________________________________________ ______________________________________________________ ______________________________________________________ ______________________________________________________ ______________________________________________________Do Imposto Sobre A Renda Relativa- mente A Prova III – renda e proventos de qualquer natureza; § 2º O imposto previsto no inciso III: II – não incidirá, nos termos e limites fixados em lei, sobre rendimentos provenientes da aposentadoria e pensão, pagos pela previdência social da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, à pessoa com idade superior a sessenta e cinco anos, cuja renda total seja constituída, exclusivamente, de rendimentos do trabalho. (Revogado) - Princípio Da Vedação De A União Decretar Isenção De Impos- tos Das Entidades Periféricas: ISENTOS DE APOSENTADORIA E PENSÃO PERCEBIDOS POR PES- SOAS COM IDADE SUPERIOR A SESSENTA E CINCO ANOS: Art. 153. Compete à União instituir impostos sobre: Art. 151. É vedado à União: III – instituir isenções de tributos da competência dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios. DIREITO TRIBUTÁRIO 316 - Princípios Implícitos: Art. 150. Sem prejuízo de outras garantias asseguradas ao con- tribuinte, é vedado à União, aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios: I – exigir ou aumentar tributo sem lei que o estabeleça; CÓDIGO TRIBUTÁRIO NACIONAL – LEI 5.172/66 DISPOSIÇÃO PRELIMINAR Art. 1º Esta Lei regula, com fundamento na Emenda Constitu- cional n. 18, de 1º de dezembro de 1965, o sistema tributário na- cional e estabelece, com fundamento no artigo 5º, inciso XV, alínea b, da Constituição Federal, as normas gerais de direito tributário aplicáveis à União, aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municí- pios, sem prejuízo da respectiva legislação complementar, supletiva ou regulamentar. LIVRO PRIMEIRO SISTEMA TRIBUTÁRIO NACIONAL TÍTULO I DISPOSIÇÕES GERAIS Art. 2º O sistema tributário nacional é regido pelo disposto na Emenda Constitucional n. 18, de 1º de dezembro de 1965, em leis complementares, em resoluções do Senado Federal e, nos limites das respectivas competências, em leis federais, nas Constituições e em leis estaduais, e em leis municipais. Art. 3º Tributo é toda prestação pecuniária compulsória, em moeda ou cujo valor nela se possa exprimir, que não constitua san- ção de ato ilícito, instituída em lei e cobrada mediante atividade administrativa plenamente vinculada. Art. 4º A natureza jurídica específica do tributo é determinada pelo fato gerador da respectiva obrigação, sendo irrelevantes para qualificá-la: I - a denominação e demais características formais adotadas pela lei; II - a destinação legal do produto da sua arrecadação. Art. 5º Os tributos são impostos, taxas e contribuições de me- lhoria. Natureza Jurídica Definiu o legislador que a natureza jurídica do tributo é defi- nido pelo fato gerador da obrigação, não sendo importante para qualifica-lo o seu próprio nome, assim como suas características trazidas pela lei. É o que diz o artigo 4º do CTN Art. 4º A natureza jurídica específica do tributo é determinada pelo fato gerador da respectiva obrigação, sendo irrelevantes para qualificá-la: I - a denominação e demais características formais adotadas pela lei; II - a destinação legal do produto da sua arrecadação. A análise do fato gerador da obrigação tributária é feita sob a observância da classificação dos tributos. Definição legal CTN Art. 3º Tributo é toda prestação pecuniária compulsória, em moeda ou cujo valor nela se possa exprimir, que não constitua sanção de ato ilícito, instituída em lei e cobrada mediante atividade administrativa plenamente vinculada. Tributo, portanto, segundo afirma Sacha Calmon “é categoria genérica que se reparte em espécies: impostos, taxas e contribui- ções de melhoria”. No tocante ao empréstimo compulsório, aduz Paulo de Barros Carvalho que este “pode assumir quaisquer dessas configurações, e as contribuições ou são impostos ou são taxas”. Definições doutrinárias Segundo Luciano Amaro, o tributo pode ser definido como “a prestação pecuniária não sancionatória de ato ilícito, instituída em lei e devida ao Estado ou a entidades não estatais de fins de inte- resse público”. Para uma corrente minoritária, assim capitaneada por Luciano Amaro, as espécies tributárias seriam dividas em: impostos, taxas, contribuições e empréstimos compulsórios. A contribuição de me- lhoria não seria uma espécie tributária autônoma, mas sim uma modalidade da categoria taxa. No tocante a definição legal de tributo, importante fracionar o conceito e entender alguns pontos importantes, vejamos: Art. 3º Tributo é toda prestação pecuniária compulsória, em moeda ou cujo valor nela se possa exprimir, que não constitua san- ção de ato ilícito, instituída em lei e cobrada mediante atividade administrativa plenamente vinculada. 1º - O tributo é uma prestação pecuniária compulsória Cobrado pelo Estado, no uso de seu poder de império deve ser pago por aquele que está obrigado por lei a fazê-lo; a vontade da- quele que paga é indiferente para a cobrança do tributo: querendo ou não, deverá pagar. 2º O tributo não é uma sanção por ato ilícito Um exemplo bastante interessante é a multa de trânsito. Aque- les que desconhecem a legislação entende qualquer cobrança do Estado como sendo um imposto (lembrando que o imposto é uma espécie de tributo). Apesar de que ambos os pagamentos vão para os cofres públicos, a diferença entre tributo e multa é que no segun- do caso há a prática de um ato ilícito. A multa de trânsito é resultante da prática de algum ato ilícito no trânsito, por exemplo, dirigir em alto velocidade, não respeitar os sinais de trânsito. Trata-se de um pagamento feito pelo infrator ao Estado em virtude da prática de um ato previsto em lei como ilícito. Quando se paga, por exemplo, o imposto de renda, não está sendo aplicada uma penalidade ao cidadão, mas sim determinando que o mesmo contribua com parte de sua renda para a manutenção do Estado. Outro ponto que merece destaque é a cobrança. Entende-se que a cobrança de multa, ao contrário do tributo, não deve ser es- timulada, posto que essa cobrança é decorrente da prática de ato ilícito. 3º Prestação instituída por lei. Trata-se de condição sine qua non para que o Estado possa fa- zer a cobrança de qualquer tributo. Portanto, para que essa cobran- ça seja considerada legal, o tributo deverá ser criado ou extinto por lei (complementar ou ordinária) ou ainda por ato normativo com a mesma força (medida provisória). DIREITO TRIBUTÁRIO 317 4º Prestação cobrada mediante atividade administrativa plena- mente vinculada. Segundo o Prof. Ricardo Alexandre, “a vinculação da atividade de cobrança do tributo decorre do fato de ele ser instituído por lei e se configurar como uma prestação compulsória. A autoridade tri- butária não pode analisar se é conveniente, se é oportuno cobrar imposto. A cobrança é feita de maneira vinculada, sem concessão de qualquer margem de discricionariedade ao administrador. Mes- mo que o fiscal, o auditor ou o procurador se sensibilizem com uma situação concreta, devem cobrar o tributo”. Classificação Os tributos podem ser classificados quanto sua hipótese de incidência em vinculados e não vinculados. Conforme já foi afirma- do acima, o fato gerador é determinante para classificar o tributo como vinculado ou não vinculado. - Vinculados: o fato gerador é uma atividade estatal específica relativa ao contribuinte. (Ex: CF, art. 145 II) - Não vinculados: o fato gerador é uma situação independen- te de qualquer atividade estatal específica relativa ao contribuinte. (CTN, art. 16) Conforme ensina Ricardo Alexandre, “para classificar um tribu- to qualquer quanto ao fato gerador, deve-se perguntar se o Estado tem de realizar, para validar a cobrança, alguma atividade específi- ca relativa ao sujeito passivo (devedor). Se a resposta for negativa, trata-se de um tributo não vinculado; se for positiva, o tributo é vinculado (pois sua cobrança se vincula a uma atividade estatal es- pecificamente voltada ao contribuinte)”. TÍTULO III IMPOSTOS CAPÍTULO I DISPOSIÇÕES GERAIS Art. 16. Imposto é o tributo cuja obrigação tempor fato gera- dor uma situação independente de qualquer atividade estatal espe- cífica, relativa ao contribuinte. Art. 17. Os impostos componentes do sistema tributário nacio- nal são exclusivamente os que constam deste Título, com as compe- tências e limitações nele previstas. Art. 18. Compete: I - à União, instituir, nos Territórios Federais, os impostos atri- buídos aos Estados e, se aqueles não forem divididos em Municí- pios, cumulativamente, os atribuídos a estes; II - ao Distrito Federal e aos Estados não divididos em Municí- pios, instituir, cumulativamente, os impostos atribuídos aos Estados e aos Municípios. CAPÍTULO II IMPOSTOS SOBRE O COMÉRCIO EXTERIOR SEÇÃO I IMPOSTOS SOBRE A IMPORTAÇÃO Art. 19. O imposto, de competência da União, sobre a impor- tação de produtos estrangeiros tem como fato gerador a entrada destes no território nacional. Art. 20. A base de cálculo do imposto é: I - quando a alíquota seja específica, a unidade de medida ado- tada pela lei tributária; II - quando a alíquota seja ad valorem, o preço normal que o produto, ou seu similar, alcançaria, ao tempo da importação, em uma venda em condições de livre concorrência, para entrega no porto ou lugar de entrada do produto no País; III - quando se trate de produto apreendido ou abandonado, levado a leilão, o preço da arrematação. Art. 21. O Poder Executivo pode, nas condições e nos limites estabelecidos em lei, alterar as alíquotas ou as bases de cálculo do imposto, a fim de ajustá-lo aos objetivos da política cambial e do comércio exterior. Art. 22. Contribuinte do imposto é: I - o importador ou quem a lei a ele equiparar; II - o arrematante de produtos apreendidos ou abandonados. SEÇÃO II IMPOSTO SOBRE A EXPORTAÇÃO Art. 23. O imposto, de competência da União, sobre a expor- tação, para o estrangeiro, de produtos nacionais ou nacionalizados tem como fato gerador a saída destes do território nacional. Art. 24. A base de cálculo do imposto é: I - quando a alíquota seja específica, a unidade de medida ado- tada pela lei tributária; II - quando a alíquota seja ad valorem, o preço normal que o produto, ou seu similar, alcançaria, ao tempo da exportação, em uma venda em condições de livre concorrência. Parágrafo único. Para os efeitos do inciso II, considera-se a en- trega como efetuada no porto ou lugar da saída do produto, dedu- zidos os tributos diretamente incidentes sobre a operação de ex- portação e, nas vendas efetuadas a prazo superior aos correntes no mercado internacional o custo do financiamento. Art. 25. A lei pode adotar como base de cálculo a parcela do valor ou do preço, referidos no artigo anterior, excedente de valor básico, fixado de acordo com os critérios e dentro dos limites por ela estabelecidos. Art. 26. O Poder Executivo pode, nas condições e nos limites estabelecidos em lei, alterar as alíquotas ou as bases de cálculo do imposto, a fim de ajustá-los aos objetivos da política cambial e do comércio exterior. Art. 27. Contribuinte do imposto é o exportador ou quem a lei a ele equiparar. Art. 28. A receita líquida do imposto destina-se à formação de reservas monetárias, na forma da lei. CAPÍTULO III IMPOSTOS SOBRE O PATRIMÔNIO E A RENDA SEÇÃO I IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL Art. 29. O imposto, de competência da União, sobre a proprie- dade territorial rural tem como fato gerador a propriedade, o domí- nio útil ou a posse de imóvel por natureza, como definido na lei civil, localização fora da zona urbana do Município. Art. 30. A base do cálculo do imposto é o valor fundiário. Art. 31. Contribuinte do imposto é o proprietário do imóvel, o titular de seu domínio útil, ou o seu possuidor a qualquer título. DIREITO TRIBUTÁRIO 318 SEÇÃO II IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE PREDIAL E TERRITORIAL URBANA Art. 32. O imposto, de competência dos Municípios, sobre a propriedade predial e territorial urbana tem como fato gerador a propriedade, o domínio útil ou a posse de bem imóvel por natureza ou por acessão física, como definido na lei civil, localizado na zona urbana do Município. § 1º Para os efeitos deste imposto, entende-se como zona ur- bana a definida em lei municipal; observado o requisito mínimo da existência de melhoramentos indicados em pelo menos 2 (dois) dos incisos seguintes, construídos ou mantidos pelo Poder Público: I - meio-fio ou calçamento, com canalização de águas pluviais; II - abastecimento de água; III - sistema de esgotos sanitários; IV - rede de iluminação pública, com ou sem posteamento para distribuição domiciliar; V - escola primária ou posto de saúde a uma distância máxima de 3 (três) quilômetros do imóvel considerado. § 2º A lei municipal pode considerar urbanas as áreas urbanizá- veis, ou de expansão urbana, constantes de loteamentos aprovados pelos órgãos competentes, destinados à habitação, à indústria ou ao comércio, mesmo que localizados fora das zonas definidas nos termos do parágrafo anterior. Art. 33. A base do cálculo do imposto é o valor venal do imóvel. Parágrafo único. Na determinação da base de cálculo, não se considera o valor dos bens móveis mantidos, em caráter permanen- te ou temporário, no imóvel, para efeito de sua utilização, explora- ção, aformoseamento ou comodidade. Art. 34. Contribuinte do imposto é o proprietário do imóvel, o titular do seu domínio útil, ou o seu possuidor a qualquer título. SEÇÃO III IMPOSTO SOBRE A TRANSMISSÃO DE BENS IMÓVEIS E DE DIREITOS A ELES RELATIVOS Art. 35. O imposto, de competência dos Estados, sobre a trans- missão de bens imóveis e de direitos a eles relativos tem como fato gerador: I - a transmissão, a qualquer título, da propriedade ou do do- mínio útil de bens imóveis por natureza ou por acessão física, como definidos na lei civil; II - a transmissão, a qualquer título, de direitos reais sobre imó- veis, exceto os direitos reais de garantia; III - a cessão de direitos relativos às transmissões referidas nos incisos I e II. Parágrafo único. Nas transmissões causa mortis, ocorrem tan- tos fatos geradores distintos quantos sejam os herdeiros ou lega- tários. Art. 36. Ressalvado o disposto no artigo seguinte, o imposto não incide sobre a transmissão dos bens ou direitos referidos no artigo anterior: I - quando efetuada para sua incorporação ao patrimônio de pessoa jurídica em pagamento de capital nela subscrito; II - quando decorrente da incorporação ou da fusão de uma pessoa jurídica por outra ou com outra. Parágrafo único. O imposto não incide sobre a transmissão aos mesmos alienantes, dos bens e direitos adquiridos na forma do in- ciso I deste artigo, em decorrência da sua desincorporação do patri- mônio da pessoa jurídica a que foram conferidos. Art. 37. O disposto no artigo anterior não se aplica quando a pessoa jurídica adquirente tenha como atividade preponderante a venda ou locação de propriedade imobiliária ou a cessão de direitos relativos à sua aquisição. § 1º Considera-se caracterizada a atividade preponderante re- ferida neste artigo quando mais de 50% (cinquenta por cento) da receita operacional da pessoa jurídica adquirente, nos 2 (dois) anos anteriores e nos 2 (dois) anos subsequentes à aquisição, decorrer de transações mencionadas neste artigo. § 2º Se a pessoa jurídica adquirente iniciar suas atividades após a aquisição, ou menos de 2 (dois) anos antes dela, apurar-se-á a preponderância referida no parágrafo anterior levando em conta os 3 (três) primeiros anos seguintes à data da aquisição. § 3º Verificada a preponderância referida neste artigo, tornar- -se-á devido o imposto, nos termos da lei vigente à data da aquisi- ção, sobre o valor do bem ou direito nessa data. § 4º O disposto neste artigo não se aplica à transmissão de bens ou direitos, quando realizada em conjunto com a da totalidade do patrimônio da pessoa jurídica alienante. Art. 38. A base de cálculo do imposto é o valor venal dos bens ou direitos transmitidos. Art. 39. A alíquota do imposto não excederá os limites fixadosem resolução do Senado Federal, que distinguirá, para efeito de aplicação de alíquota mais baixa, as transmissões que atendam à política nacional de habitação. Art. 40. O montante do imposto é dedutível do devido à União, a título do imposto de que trata o artigo 43, sobre o provento de- corrente da mesma transmissão. Art. 41. O imposto compete ao Estado da situação do imóvel transmitido, ou sobre que versarem os direitos cedidos, mesmo que a mutação patrimonial decorra de sucessão aberta no estrangeiro. Art. 42. Contribuinte do imposto é qualquer das partes na ope- ração tributada, como dispuser a lei. SEÇÃO IV IMPOSTO SOBRE A RENDA E PROVENTOS DE QUALQUER NATUREZA Art. 43. O imposto, de competência da União, sobre a renda e proventos de qualquer natureza tem como fato gerador a aquisição da disponibilidade econômica ou jurídica: I - de renda, assim entendido o produto do capital, do trabalho ou da combinação de ambos; II - de proventos de qualquer natureza, assim entendidos os acréscimos patrimoniais não compreendidos no inciso anterior. § 1º A incidência do imposto independe da denominação da receita ou do rendimento, da localização, condição jurídica ou na- cionalidade da fonte, da origem e da forma de percepção. § 2º Na hipótese de receita ou de rendimento oriundos do ex- terior, a lei estabelecerá as condições e o momento em que se dará sua disponibilidade, para fins de incidência do imposto referido nes- te artigo. Art. 44. A base de cálculo do imposto é o montante, real, arbi- trado ou presumido, da renda ou dos proventos tributáveis. Art. 45. Contribuinte do imposto é o titular da disponibilidade a que se refere o artigo 43, sem prejuízo de atribuir a lei essa condi- ção ao possuidor, a qualquer título, dos bens produtores de renda ou dos proventos tributáveis. Parágrafo único. A lei pode atribuir à fonte pagadora da renda ou dos proventos tributáveis a condição de responsável pelo impos- to cuja retenção e recolhimento lhe caibam. DIREITO TRIBUTÁRIO 319 CAPÍTULO IV IMPOSTOS SOBRE A PRODUÇÃO E A CIRCULAÇÃO SEÇÃO I IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS Art. 46. O imposto, de competência da União, sobre produtos industrializados tem como fato gerador: I - o seu desembaraço aduaneiro, quando de procedência es- trangeira; II - a sua saída dos estabelecimentos a que se refere o parágrafo único do artigo 51; III - a sua arrematação, quando apreendido ou abandonado e levado a leilão. Parágrafo único. Para os efeitos deste imposto, considera-se in- dustrializado o produto que tenha sido submetido a qualquer ope- ração que lhe modifique a natureza ou a finalidade, ou o aperfeiçoe para o consumo. Art. 47. A base de cálculo do imposto é: I - no caso do inciso I do artigo anterior, o preço normal, como definido no inciso II do artigo 20, acrescido do montante: a) do imposto sobre a importação; b) das taxas exigidas para entrada do produto no País; c) dos encargos cambiais efetivamente pagos pelo importador ou dele exigíveis; II - no caso do inciso II do artigo anterior: a) o valor da operação de que decorrer a saída da mercadoria; b) na falta do valor a que se refere a alínea anterior, o preço corrente da mercadoria, ou sua similar, no mercado atacadista da praça do remetente; III - no caso do inciso III do artigo anterior, o preço da arrema- tação. Art. 48. O imposto é seletivo em função da essencialidade dos produtos. Art. 49. O imposto é não-cumulativo, dispondo a lei de forma que o montante devido resulte da diferença a maior, em determi- nado período, entre o imposto referente aos produtos saídos do es- tabelecimento e o pago relativamente aos produtos nele entrados. Parágrafo único. O saldo verificado, em determinado período, em favor do contribuinte transfere-se para o período ou períodos seguintes. Art. 50. Os produtos sujeitos ao imposto, quando remetidos de um para outro Estado, ou do ou para o Distrito Federal, serão acompanhados de nota fiscal de modelo especial, emitida em séries próprias e contendo, além dos elementos necessários ao controle fiscal, os dados indispensáveis à elaboração da estatística do comér- cio por cabotagem e demais vias internas. Art. 51. Contribuinte do imposto é: I - o importador ou quem a lei a ele equiparar; II - o industrial ou quem a lei a ele equiparar; III - o comerciante de produtos sujeitos ao imposto, que os for- neça aos contribuintes definidos no inciso anterior; IV - o arrematante de produtos apreendidos ou abandonados, levados a leilão. Parágrafo único. Para os efeitos deste imposto, considera-se contribuinte autônomo qualquer estabelecimento de importador, industrial, comerciante ou arrematante. SEÇÃO II IMPOSTO ESTADUAL SOBRE OPERAÇÕES RELATIVAS À CIRCU- LAÇÃO DE MERCADORIAS Arts. 52 a 58 . (Revogados) SEÇÃO III IMPOSTO MUNICIPAL SOBRE OPERAÇÕES RELATIVAS À CIR- CULAÇÃO DE MERCADORIAS Arts. 59 a 62 (Revogados) SEÇÃO IV IMPOSTO SOBRE OPERAÇÕES DE CRÉDITO, CÂMBIO E SEGU- RO, E SOBRE OPERAÇÕES RELATIVAS A TÍTULOS E VALORES MOBILIÁRIOS Art. 63. O imposto, de competência da União, sobre operações de crédito, câmbio e seguro, e sobre operações relativas a títulos e valores mobiliários tem como fato gerador: I - quanto às operações de crédito, a sua efetivação pela entre- ga total ou parcial do montante ou do valor que constitua o objeto da obrigação, ou sua colocação à disposição do interessado; II - quanto às operações de câmbio, a sua efetivação pela en- trega de moeda nacional ou estrangeira, ou de documento que a represente, ou sua colocação à disposição do interessado em mon- tante equivalente à moeda estrangeira ou nacional entregue ou posta à disposição por este; III - quanto às operações de seguro, a sua efetivação pela emis- são da apólice ou do documento equivalente, ou recebimento do prêmio, na forma da lei aplicável; IV - quanto às operações relativas a títulos e valores mobiliá- rios, a emissão, transmissão, pagamento ou resgate destes, na for- ma da lei aplicável. Parágrafo único. A incidência definida no inciso I exclui a defini- da no inciso IV, e reciprocamente, quanto à emissão, ao pagamen- to ou resgate do título representativo de uma mesma operação de crédito. Art. 64. A base de cálculo do imposto é: I - quanto às operações de crédito, o montante da obrigação, compreendendo o principal e os juros; II - quanto às operações de câmbio, o respectivo montante em moeda nacional, recebido, entregue ou posto à disposição; III - quanto às operações de seguro, o montante do prêmio; IV - quanto às operações relativas a títulos e valores mobiliá- rios: a) na emissão, o valor nominal mais o ágio, se houver; b) na transmissão, o preço ou o valor nominal, ou o valor da cotação em Bolsa, como determinar a lei; c) no pagamento ou resgate, o preço. Art. 65. O Poder Executivo pode, nas condições e nos limites estabelecidos em lei, alterar as alíquotas ou as bases de cálculo do imposto, a fim de ajustá-lo aos objetivos da política monetária. Art. 66. Contribuinte do imposto é qualquer das partes na ope- ração tributada, como dispuser a lei. Art. 67. A receita líquida do imposto destina-se a formação de reservas monetárias, na forma da lei. SEÇÃO V IMPOSTO SOBRE SERVIÇOS DE TRANSPORTES E COMUNICA- ÇÕES Art. 68. O imposto, de competência da União, sobre serviços de transportes e comunicações tem como fato gerador: I - a prestação do serviço de transporte, por qualquer via, de pessoas, bens, mercadorias ou valores, salvo quando o trajeto se contenha inteiramente no território de um mesmo Município; DIREITO TRIBUTÁRIO 320 II - a prestação do serviço de comunicações, assim se enten- dendo a transmissão e o recebimento, por qualquer processo, de mensagens escritas, faladas ou visuais, salvo quando os pontos de transmissão e de recebimento se situem no território de um mes- mo Município e a mensagem em curso não possa ser captada fora desse território. Art. 69. A base de cálculo do imposto é o preço do serviço. Art. 70. Contribuintedo imposto é o prestador do serviço. SEÇÃO VI IMPOSTO SOBRE SERVIÇOS DE QUALQUER NATUREZA Arts. 71 a 73 (Revogados) CAPÍTULO V IMPOSTOS ESPECIAIS SEÇÃO I IMPOSTO SOBRE OPERAÇÕES RELATIVAS A COMBUSTÍVEIS, LUBRIFICANTES, ENERGIA ELÉTRICA E MINERAIS DO PAÍS Art. 74. O imposto, de competência da União, sobre operações relativas a combustíveis, lubrificantes, energia elétrica e minerais do País tem como fato gerador: I - a produção, como definida no artigo 46 e seu parágrafo úni- co; II - a importação, como definida no artigo 19; III - a circulação, como definida no artigo 52; IV - a distribuição, assim entendida a colocação do produto no estabelecimento consumidor ou em local de venda ao público; V - o consumo, assim entendida a venda do produto ao público. § 1º Para os efeitos deste imposto a energia elétrica considera- -se produto industrializado. § 2º O imposto incide, uma só vez sobre uma das operações previstas em cada inciso deste artigo, como dispuser a lei, e exclui quaisquer outros tributos, sejam quais forem sua natureza ou com- petência, incidentes sobre aquelas operações. Art. 75. A lei observará o disposto neste Título relativamente: I - ao imposto sobre produtos industrializados, quando a inci- dência seja sobre a produção ou sobre o consumo; II - ao imposto sobre a importação, quando a incidência seja sobre essa operação; III - ao imposto sobre operações relativas à circulação de mer- cadorias, quando a incidência seja sobre a distribuição. SEÇÃO II IMPOSTOS EXTRAORDINÁRIOS Art. 76. Na iminência ou no caso de guerra externa, a União pode instituir, temporariamente, impostos extraordinários compre- endidos ou não entre os referidos nesta Lei, suprimidos, gradativa- mente, no prazo máximo de cinco anos, contados da celebração da paz. TÍTULO IV TAXAS Art. 77. As taxas cobradas pela União, pelos Estados, pelo Dis- trito Federal ou pelos Municípios, no âmbito de suas respectivas atribuições, têm como fato gerador o exercício regular do poder de polícia, ou a utilização, efetiva ou potencial, de serviço público específico e divisível, prestado ao contribuinte ou posto à sua dis- posição. Parágrafo único. A taxa não pode ter base de cálculo ou fato ge- rador idênticos aos que correspondam a imposto nem ser calculada em função do capital das empresas. Art. 78. Considera-se poder de polícia atividade da administra- ção pública que, limitando ou disciplinando direito, interesse ou li- berdade, regula a prática de ato ou abstenção de fato, em razão de interesse público concernente à segurança, à higiene, à ordem, aos costumes, à disciplina da produção e do mercado, ao exercício de atividades econômicas dependentes de concessão ou autorização do Poder Público, à tranquilidade pública ou ao respeito à proprie- dade e aos direitos individuais ou coletivos. Parágrafo único. Considera-se regular o exercício do poder de polícia quando desempenhado pelo órgão competente nos limites da lei aplicável, com observância do processo legal e, tratando-se de atividade que a lei tenha como discricionária, sem abuso ou des- vio de poder. Art. 79. Os serviços públicos a que se refere o artigo 77 consi- deram-se: I - utilizados pelo contribuinte: a) efetivamente, quando por ele usufruídos a qualquer título; b) potencialmente, quando, sendo de utilização compulsória, sejam postos à sua disposição mediante atividade administrativa em efetivo funcionamento; II - específicos, quando possam ser destacados em unidades autônomas de intervenção, de utilidade, ou de necessidades pú- blicas; III - divisíveis, quando suscetíveis de utilização, separadamente, por parte de cada um dos seus usuários. Art. 80. Para efeito de instituição e cobrança de taxas, consi- deram-se compreendidas no âmbito das atribuições da União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios, aquelas que, se- gundo a Constituição Federal, as Constituições dos Estados, as Leis Orgânicas do Distrito Federal e dos Municípios e a legislação com elas compatível, competem a cada uma dessas pessoas de direito público. TÍTULO V CONTRIBUIÇÃO DE MELHORIA Art. 81. A contribuição de melhoria cobrada pela União, pelos Estados, pelo Distrito Federal ou pelos Municípios, no âmbito de suas respectivas atribuições, é instituída para fazer face ao custo de obras públicas de que decorra valorização imobiliária, tendo como limite total a despesa realizada e como limite individual o acréscimo de valor que da obra resultar para cada imóvel beneficiado. Art. 82. A lei relativa à contribuição de melhoria observará os seguintes requisitos mínimos: I - publicação prévia dos seguintes elementos: a) memorial descritivo do projeto; b) orçamento do custo da obra; c) determinação da parcela do custo da obra a ser financiada pela contribuição; d) delimitação da zona beneficiada; DIREITO TRIBUTÁRIO 321 e) determinação do fator de absorção do benefício da valorização para toda a zona ou para cada uma das áreas diferenciadas, nela contidas; II - fixação de prazo não inferior a 30 (trinta) dias, para impugnação pelos interessados, de qualquer dos elementos referidos no inciso anterior; III - regulamentação do processo administrativo de instrução e julgamento da impugnação a que se refere o inciso anterior, sem pre- juízo da sua apreciação judicial. § 1º A contribuição relativa a cada imóvel será determinada pelo rateio da parcela do custo da obra a que se refere a alínea c, do inciso I, pelos imóveis situados na zona beneficiada em função dos respectivos fatores individuais de valorização. § 2º Por ocasião do respectivo lançamento, cada contribuinte deverá ser notificado do montante da contribuição, da forma e dos prazos de seu pagamento e dos elementos que integram o respectivo cálculo. Impostos Definição Legal CTN - Art. 16. Imposto é o tributo cuja obrigação tem por fato gerador uma situação independente de qualquer atividade estatal es- pecífica, relativa ao contribuinte. Definição doutrinária Segundo Paulo de Barros Carvalho, “podemos definir o imposto como o tributo que tem por hipótese de incidência um fato alheio a qualquer atuação do poder público”. E assim continua afirmando que “é da índole do imposto, no nosso direito positivo, a inexistência de participação do Estado, desenvolvendo atuosidade. atinente ao administrado”. Aquele que manifesta riqueza fica obrigado a contribuir com o Estado, para que este reverta essa contribuição ao bem estar da cole- tividade. Em níveis políticos, aquele que manifesta renda em âmbito federal contribui com o Imposto de Renda, nos estados com o ICMS e nos municípios com o IPTU. Quadro de Impostos e sua competência Impostos Federais Competência Tributária da União CF/88 – Art. 153 CF/88 – Art. 154 - Imposto sobre Importação (inciso I) - Imposto sobre exportação (inciso II) - IR (inciso III) - IPI (inciso IV) - IOF (inciso V) - ITR (inciso VI) - IGF (inciso VII) - Imposto Residual (Inciso I) - Imposto extraordinário de guerra (inciso II) Impostos Estaduais – CF/88 – Art 155) Competência Tributária dos estados-membros e Distrito Federal ITCMD (inciso I) ICMS (inciso II) IPVA (Inciso III) Impostos Municipais (CF/88 – Art 156) Competência Tributária dos estados-membros e Distrito Federal IPTU (Inciso I) ITBI (inciso II) ISS (inciso III) Obs: créditos do quadro ao Prof. Eduardo Sabbag, Manual de Direito Tributário. Taxas Para Eduardo Sabbag, taxa pode ser definida como “um tributo imediatamente vinculado à ação estatal, atrelando-se a atividade pública e não a ação do particular”. Em complementação, afirma Ricardo Alexandre que “o ente competente para instituir e cobrar a taxa é aquele que presta o respectivo serviço ou que exerce o respectivo poder de polícia”. Desta afirmação podemos concluir que o Estado pode cobrar taxa por duas formas: quando está no exercício regular do poder de polícia (taxa de polícia), ou quando presta algum serviço público (taxa de serviço) - Taxa de polícia (atividade de administração pública / poder polícia– será explicado no tópico 03 desta apostila): a cobrança desta taxa tem por base a supremacia do interesse público, ou seja, o Estado visando o bem estar da coletividade atua restringindo ou condicionando o exercício de direitos individuais. Exemplo: higiene, saúde, segurança. - Taxa de serviço: quando a atuação do Estado pode ser divisível, ou seja, a prática de algum serviço pelo Estado para determinado contribuinte, determinada pessoa. Exemplo: taxa de lixo, resultando na súmula vinculante nº 19 STF. DIREITO TRIBUTÁRIO 322 Contribuição de melhoria Art. 81. A contribuição de melhoria cobrada pela União, pelos Estados, pelo Distrito Federal ou pelos Municípios, no âmbito de suas respectivas atribuições, é instituída para fazer face ao custo de obras públicas de que decorra valorização imobiliária, tendo como limite total a despesa realizada e como limite individual o acréscimo de valor que da obra resultar para cada imóvel beneficiado. Art. 82. A lei relativa à contribuição de melhoria observará os seguintes requisitos mínimos: I - publicação prévia dos seguintes elementos: a) memorial descritivo do projeto; b) orçamento do custo da obra; c) determinação da parcela do custo da obra a ser financiada pela contribuição; d) delimitação da zona beneficiada; e) determinação do fator de absorção do benefício da valori- zação para toda a zona ou para cada uma das áreas diferenciadas, nela contidas; II - fixação de prazo não inferior a 30 (trinta) dias, para impug- nação pelos interessados, de qualquer dos elementos referidos no inciso anterior; III - regulamentação do processo administrativo de instrução e julgamento da impugnação a que se refere o inciso anterior, sem prejuízo da sua apreciação judicial. § 1º A contribuição relativa a cada imóvel será determinada pelo rateio da parcela do custo da obra a que se refere a alínea c, do inciso I, pelos imóveis situados na zona beneficiada em função dos respectivos fatores individuais de valorização. § 2º Por ocasião do respectivo lançamento, cada contribuinte deverá ser notificado do montante da contribuição, da forma e dos prazos de seu pagamento e dos elementos que integram o respec- tivo cálculo. Segundo Ricardo Alexandre, “a contribuição de melhoria tem caráter contraprestacional. Serve para ressarcir o Estado dos valo- res (ou parte deles) gastos com a realização da obra. É justamente por isso que existe um limite total para a cobrança do tributo. O Estado não pode cobrar, a título de contribuição de melhoria, mais do que gastou com a obra, pois se assim fizesse, o problema apenas mudaria de lado, uma vez que geraria enriquecimento sem causa do Estado”. Empréstimo Compulsório CF - Art. 148. A União mediante lei complementar, poderá ins- tituir empréstimos compulsórios: I – para atender a despesas extraordinárias decorrentes de ca- lamidade pública, de guerra externa ou sua iminência; II – no caso de investimento público de caráter urgente e de re- levante interesse nacional, observado o disposto no art. 150, III, b. Parágrafo único. A aplicação dos recursos provenientes de em- préstimo compulsório será vinculada à despesa que fundamentou sua instituição. Trata-se o empréstimo compulsório de uma modalidade de tributo restituível, devendo ser devolvido ao contribuinte após de- terminado lapso temporal. O fato de ser restituível não o descarac- teriza como tributo, posto que o CTN não obriga a não restituição de sua arrecadação. A competência para criação dessa espécie de tributo é privativa da União, por meio de lei complementar. Logo, o empréstimo com- pulsório somente pode ser criado por meio de lei complementar. As situações previstas para a tomada do empréstimo compul- sório estão previstos nos incisos do artigo 148 da Constituição Fe- deral. O Simples Nacional é um regime compartilhado de arrecada- ção, cobrança e fiscalização de tributos aplicável às Microempresas e Empresas de Pequeno Porte, previsto na Lei Complementar nº 123, de 14 de dezembro de 2006. Abrange a participação de todos os entes federados (União, Es- tados, Distrito Federal e Municípios). É administrado por um Comitê Gestor composto por oito in- tegrantes: quatro da Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB), dois dos Estados e do Distrito Federal e dois dos Municípios. Para o ingresso no Simples Nacional é necessário o cumprimen- to das seguintes condições: - enquadrar-se na definição de microempresa ou de empresa de pequeno porte; - cumprir os requisitos previstos na legislação; e - formalizar a opção pelo Simples Nacional. Características principais do Regime do Simples Nacional: - ser facultativo; - ser irretratável para todo o ano-calendário; - abrange os seguintes tributos: IRPJ, CSLL, PIS/Pasep, Cofins, IPI, ICMS, ISS e a Contribuição para a Seguridade Social destinada à Previdência Social a cargo da pessoa jurídica (CPP); - recolhimento dos tributos abrangidos mediante documento único de arrecadação - DAS; - disponibilização às ME/EPP de sistema eletrônico para a reali- zação do cálculo do valor mensal devido, geração do DAS e, a partir de janeiro de 2012, para constituição do crédito tributário; - apresentação de declaração única e simplificada de informa- ções socioeconômicas e fiscais; - prazo para recolhimento do DAS até o dia 20 do mês subse- quente àquele em que houver sido auferida a receita bruta; - possibilidade de os Estados adotarem sublimites para EPP em função da respectiva participação no PIB. Os estabelecimentos loca- lizados nesses Estados cuja receita bruta total extrapolar o respecti- vo sublimite deverão recolher o ICMS e o ISS diretamente ao Estado ou ao Município. IMPOSTOS DE COMPETÊNCIA DA UNIÃO, DOS ESTA- DOS, DO DISTRITO FEDERAL E DOS MUNICÍPIOS SEÇÃO III DOS IMPOSTOS DA UNIÃO Art. 153. Compete à União instituir impostos sobre: I - importação de produtos estrangeiros; II - exportação, para o exterior, de produtos nacionais ou na- cionalizados; III - renda e proventos de qualquer natureza; IV - produtos industrializados; V - operações de crédito, câmbio e seguro, ou relativas a títulos ou valores mobiliários; VI - propriedade territorial rural; VII - grandes fortunas, nos termos de lei complementar. § 1º - É facultado ao Poder Executivo, atendidas as condições e os limites estabelecidos em lei, alterar as alíquotas dos impostos enumerados nos incisos I, II, IV e V. § 2º - O imposto previsto no inciso III: I - será informado pelos critérios da generalidade, da universa- lidade e da progressividade, na forma da lei; § 3º - O imposto previsto no inciso IV: I - será seletivo, em função da essencialidade do produto; DIREITO TRIBUTÁRIO 323 II - será não cumulativo, compensando-se o que for devido em cada operação com o montante cobrado nas anteriores; III - não incidirá sobre produtos industrializados destinados ao exterior. IV - terá reduzido seu impacto sobre a aquisição de bens de capital pelo contribuinte do imposto, na forma da lei. § 4º O imposto previsto no inciso VI do caput: I - será progressivo e terá suas alíquotas fixadas de forma a de- sestimular a manutenção de propriedades improdutivas; II - não incidirá sobre pequenas glebas rurais, definidas em lei, quando as explore o proprietário que não possua outro imóvel; III - será fiscalizado e cobrado pelos Municípios que assim opta- rem, na forma da lei, desde que não implique redução do imposto ou qualquer outra forma de renúncia fiscal. § 5º - O ouro, quando definido em lei como ativo financeiro ou instrumento cambial, sujeita-se exclusivamente à incidência do imposto de que trata o inciso V do «caput» deste artigo, devido na operação de origem; a alíquota mínima será de um por cento, asse- gurada a transferência do montante da arrecadação nos seguintes termos: I - trinta por cento para o Estado, o Distrito Federal ou o Terri- tório, conforme a origem; II - setenta por cento para o Município de origem. Art. 154. A União poderá instituir: I - mediante lei complementar,