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SAÚDE DA MULHER I CERVICITES Definição: - Afecção que acomete o colo de útero. As cervicites acometem a endocérvice. - Vai haver exposição do endocérvice. OBS: o A ectopia é um processo fisiológico frequente na fase reprodutiva da mulher, caracterizado pela presença de epitélio glandular na ectocérvice, expondo o frágil epitélio colunar ao meio vaginal, o que favorece o acesso aos vasos sanguíneos e linfáticos, diminuindo as barreiras contra infecções e favorecendo a aquisição de doenças sexualmente transmissíveis (DSTs) Cervicites: DEFINIÇÃO = inflamação da mucosa endocervical (epitélio colunar / glandular do colo uterino) Agentes etiológicos: - Clamydia trachomatis - Neisseria gonorrhoeae Duas doenças sexualmente transmissíveis, podendo evoluir e complicar com DIP. JEC: junção epitélio colunar/glandular A escovinha coleta no endocérvice. Ocorre exteriorização da JEC. OBS: o DIP DOENÇA INFLAMATÓRIA PÉLVICA = TRATO GENITAL SUPERIOR - ACIMA DO OI DO COLO UTERINO o CERVICITE É LOCALIZADA NO COLO UTERINO o Os agentes etiológicos infectam apenas o epitélio glandular e são responsáveis pela endocervicite mucopurulenta. o Neisseria = diplococo gram – intracelular com tropismo pelo epitélio colunar e transicionais do trato geniturinário e é capaz de infectar a faringe, conjuntiva e articulações. Facilita a infecção do HIV. o Clamídia = bacilo gram - intracelular obrigatório com tropismo pelas células epiteliais da conjuntiva, uretra, endocérvice e trompa. Fatores de risco: OBS: o Mulheres sexualmente ativas com idade inferior a 25 anos, novas ou múltiplas parcerias sexuais, parcerias com IST, história prévia ou presença de IST e uso irregular de preservativo. Quadro clínico: OBS: o Assintomática em 70-80% dos casos, o que pode facilitar instalação das complicações, se não tratada. o Principais queixas corrimento vaginal, sangramento intermenstrual ou pós-coito, dispareunia, disúria, polaciúria, dor pélvica. o A maioria dos casos de cervicites é assintomática, sendo descobertos apenas durante a investigação diagnóstica. A ausência de sintomas dificulta o seu diagnóstico e favorece as inúmeras complicações advindas de quadros, como endometrite, doença inflamatória pélvica (DIP), desfechos adversos para gestantes e recém-nascidos, incluindo ainda maior risco de aquisição do vírus da imunodeficiência humana (HIV) e do câncer cervical Exame físico: OBS: o Exame físico dor à mobilização do colo uterino, material mucopurulento no orifício externo do colo, edema cervical e sangramento ao toque da espátula ou swab. o Se ao exame especular for constatada presença de muco-pus cervical, friabilidade do colo ou teste do cotonete positivo, a paciente deve ser tratada. Diagnóstico: Biologia molecular: - Pesquisa de PCR para Clamydia e Gonococo - Captura híbrida Cultura: - Meio de McCoy OBS: O diagnóstico laboratorial da cervicite causada por clamídia e neisseria pode ser feito por detecção do material genético dos agentes infecciosos por biologia molecular. Esse método é de escolha para todos os casos, sintomáticos e assintomáticos. No entanto, o custo é alto. Por esse motivo, o tratamento conjunto deve ser realizado. Cervicite por Gonococo Bactéria anaeróbia facultativa. Sintomas mais exuberantes: - Exsudato purulento ou mucopurulento endocervical - Sangramento endocervical - Colo congesto - edemaciado e aumento de volume OBS: o Na ausência de laboratório, a principal estratégia de manejo das cervicites é o tratamento das parcerias sexuais de homens portadores de uretrite. o Quanto a oftalmia neonatal gonocócica, o uso do esfregaço corado de exsudato conjuntival pelo método de gram é altamente sensível e específico. Toda criança com oftalmia neonatal deve receber o tratamento. Cultura de gonococo em meio seletivo (thayer-martin): Amostras endocervicais Biologia molecular: Detecção de material genético Captura híbrida Cervicite por Clamídia Infeção IST mais comum Assintomática em 70% Quando tem quadro clínico: - Colo edemaciado e hiperemiado - Mucorréia - Friável - Dor no ato sexual e a mobilização do colo uterino Cultura em célula de Mccoy Imunofluorescência direta PCR E ELISA de material endocervical Amostra urinária Captura híbrida Cervicite por Mycoplasma Mycoplasma hominis Micoplasmas genitais patogênicos Ureaplasma urealuticum Bactérias comensais Dispareunia, disúria, polaciúria, infecção urinária e genital; Corrimento vaginal incaracterístico Complicações: OBS: o 8-10 casos de cervicite acaba evoluindo para 1 caso de DIP Tratamento: OBS: o O tempo de abstinência sexual durante o tratamento das cervicites e uretrites não é um consenso na literatura. Complicações: Na gestação: - Trabalho de parto prematuro e Rotura prematura de membranas ovulares - CIUR (restrição de crescimento intra-uterino) - Endometrite puerperal - Conjuntivite gonocócica do RN OBS: o Em caso de parto normal o risco de transmissão vertical situa-se entre 30-50%, tanto para neisseria quanto para clamídia. Tratamento na gestante: Complicações: Oftalmia neonatal: - Cegueira - Eritema e edema de pálpebras - Conjuntivite Profilaxia: - NITRATO DE PRATA A 1%, APLICAÇÃO ÚNICA, NA 1a HORA DE NASCIMENTO - TETRACICLINA A 1%, APLICAÇÃO ÚNICA, NA 1a HORA DO NASCIMENTO OBS: o A infecção deve ser tratada imediatamente, para prevenir dano ocular. RECOMENDAÇÕES FINAIS: RASTREAMENTO E PREVENÇÃO (GONÇALVES ET AL., 2017; GONÇALVES ET AL., 2016; BRASIL, 2016): Todos os parceiros dos pacientes devem ser tratados para NG/CT se o último contato foi antes do diagnóstico. Pacientes com sintomas persistentes devem ser testados para suscetibilidade antimicrobiana do gonococo. Pacientes de risco e viventes em área de alta prevalência devem ser submetidos à triagem de rotina. Na gravidez – triagem de rotina para a NG/CT. Homens que têm sexo com homens devem ser rastreados anualmente para a gonorreia na uretra, reto e faringe. DOENÇA INFLAMATÓRIA PÉLVICA Definição: Conjunto de sinais e sintomas secundário a ascensão e à disseminação de microorganismos provenientes da vagina e ou endocérvice. Propagação de microorganismos do TGI -> para TGS - Endométrio - Tubas - Peritônio - Estruturas adjacentes OBS: o A DIP representa um grupo de afecções, que incluem desde endometrite, salpingite, abscesso tubo-ovariano até peritonite pélvica Epidemiologia: Jovens Atividade sexual desprotegida Faixa etária prevalente 15 a 25 anos Grande morbidade OBS: A investigação de DIP é prejudicada por alguns fatores a saber Depende da realização de testes laboratoriais e de imagem que sejam simples, baratos e eficazes para um diagnóstico de certeza Os critérios clínicos dificultam a definição dos casos de DIP, pois não existem sinais e sintomas patognomônicos da doença Os sistemas de notificação e de informação são precários em nosso país. Sequelas a longo prazo: Infertilidade por fator tubário (o epitélio ciliar na trompa vai parar de funcionar) Aumento da incidência de gravidez ectópica Dispareunia e dor pélvica OBS: o A morbidade, após o uso adequado de antibióticos, reduziu-se praticamente a zero nos países desenvolvidos. No entanto, sua morbidade é alta. o A DIP está associada a sequelas importantes em longo prazo, que causam morbidades reprodutivas. Agentes etiológicos: Agentes patogênicos sexualmente transmissíveis ou associados à vaginose bacteriana DIP TUBERCULOSA -> bacilo de Koch DIP por Actinomyces -> usuárias de DIU OBS: o Bactérias facultativas anaeróbias que compõem a flora vaginal, também tem sido associada à DIP. o Toda mulher com DIP deve ser testada para clamidia e gonococo e outras DSTs como HIV, sífilis,hepatites o A salpingite tuberculosa, afecção rara, não é uma infecção sexualmente transmissível e ocorre como consequência de disseminação hematogênica do Babilo de KOCH o Em 80% dos casos, a bactéria provém de focos pulmonares o A DIP tuberculosa é uma infecção de carácter insidioso e não deve ser esquecida, principalmente nas pacientes que não apresentam melhora clínica após a terapêutica convencional para a DIP. Polimicrobiana: Ascensão favorecida por variações hormonais do ciclo menstrual. Muco cervical -> menor efeito bacteriostático Menstruação retrógrada -> ascensão de agentes OBS: o Em pacientes com HIV os agentes são os mesmos, porém as soropositivas possuem mais infecções concomitantes por Mycoplasma hominis, candida, estreptococos, HPV. Fatores de risco: Atividade sexual na adolescência Início precoce de atividade sexual Estado civil Condições socioeconômicas desfavoráveis Tabagismo, alcoolismo, vícios Múltiplos parceiros sexuais Parceiro sexual portador de uretrite História de IST ou DIP prévias Vaginose bacteriana Uso de método contraceptivo OBS: o Pensar em todas as situações que facilitem a aquisição de uma IST o Adolescentes - baixa prevalência de anticorpos anticlamidia, muco cervical mais permeável, ectopia da junção escamo colunar o Solteira - mais de um parceiro sexual - maior liberdade sexual o Vaginose - facilita a ascendência da clamidia, gonococo e outros microorganismos Métodos contraceptivos: Métodos de barreira: ACO - Alteram o muco cervical - Menor uso de método de barreira DIU - 3 primeiras semanas após a inserção do DIU OBS: o Métodos de barreira - protetores o ACO - alteram o muco cervical, dificultando a ascensão de microorganismos - papel protetor. o Suas usuárias podem ter uma menor percepção sobre a necessidade do uso de preservativos e ficarem mais expostas ao risco de adquirir uma IST o DIU - risco ligeiramente maior de DIP em usuárias de DIU - Mais frequente após a inserção por infecção pré- existente, precauções assépticas e falta de técnica Fisiopatologia: Ascensão de microorganismos pelo trato genital Passagem destes pelo orifício interno do colo uterino Facilitado pelo ciclo menstrual Ascensão favorecida por variações hormonais do ciclo menstrual. Muco cervical -> menor efeito bacteriostático Menstruação retrógrada -> ascensão de agentes Endometrite Presença de plasmócitos no estroma endometrial Manifestação inicial da DIP - Dor à mobilização do colo uterino - Dor abdominal infraumbilical Salpingite Lesão direta e indireta do epitélio ciliar Reação inflamatória: - Edema - Infiltrado leucocitário Aderências - oclusão do lúmen tubário – infertilidade: - Dor pélvica crônica - Piossalpinge OBS: o As traves são as responsáveis pelo aumento da incidência de gestações ectópicas Abscesso tubo-ovariano Aderência das fímbrias com os ovários Abscesso fundo de saco de Douglas Abscesso alças intestinais irritação peritoneal Abscesso espaço subdiafragmático OBS: As fímbrias envolvem os ovários e formam o abscesso tubo-ovariano. O processo infeccioso pode, então, progredir em direção a cavidade peritoneal. Síndrome de Fitz-Hugh-Curtis Fase aguda - Exsudato purulento visível na cápsula de Glisson Fase crônica - Aderências do tipo cordas de violino - Dor pleurítica à direita - Dor em hipocôndrio direito OBS: o Nas infecções por gonococo e clamídia, podem incidir pequenos abscessos na superfície hepática, conhecido como Sind Fitz-Hugh o Fase aguda caracteriza-se pela presença de exsudato, sem aderências ou acometimento do parênquima hepático o Fase crônica á aderências entre a parede abdominal anterior e a superfície hepática o Os achados laparoscópicos da peri-hepatite incluem uma cápsula hepática edemaciada apresentando inflamação e exsudato, muitas vezes com adesões fibrinosas entre o peritônio parietal e visceral, chamadas de aderências em corda de violino Quadro clínico: - Descarga vaginal purulenta - Dor abdominal - Febre - Sua (sagramento uterino anormal) - Dispareunia sintomas atípicos - Sintomas urinários OBS: o Na fase inicial o quadro geral não se altera, porém com a evolução da doença surge desânimo, fácies de sofrimento e ansiedade. o O corrimento genital purulento é referido por 50% das pacientes. Ele é quase sempre acompanhado por dor abdominal infraumbilical, em topografia anexial e a mobilização do colo uterino. o Febre está presente em 30-40% dos casos o Disúria em 20% dos casos devido a uretrite o A dor pélvica aguda se exacerba quando são realizadas manobras de palpação do hipogástrio e ou fossas ilíacas. o Com a progressão da doença podem surgir, sinais de irritação peritoneal, com exacerbação da dor e ocorrência de náuseas e vômitos o Sinais de irritação peritoneal - defesa e descompressão dolorosa Diagnóstico: Exames laboratoriais: Teste de gravidez Hemograma completo VHS e PCR EAS e urocultura Cultura de materiais da cérvice com antibiograma Exame bacterioscópico Sorologia para outras IST OBS: o História clínica e achados no exame físico o Exclui a possibilidade de gravidez ectópica e abortamento séptico o Hemograma - presença de leucocitose com aumento de bastões o Afastar infecção do trato urinário o Pesquisa gram da secreção cervical, exame a fresco e pesquisa de imunofluorescência direta Imagem: - Ultrassonografia pélvica e abdominal - RNM - Biópsia do endométrio - Laparoscopia OBS: o USG - liquido livre na pelve, abscessos tuboovarianos e pélvicos o Presença de fina camada de líquido preenchendo a tuba, com ou sem presença de líquido livre na pelve o Laparoscopia - considerado por alguns como padrão ouro o Proporciona a visualização direta do órgão acometido. o Salpingite = edema e eritema tubário, exsudato purulento e aderências peritubárias Critérios diagnósticos: OBS: o Os critérios maiores estão relacionados a presença de dor. o Os critérios menores estão relacionados às alterações encontradas e exame físico e exames laboratoriais o Os critérios elaborados estão relacionados às alterações encontradas em procedimentos elaborados. o São necessários os 3 critérios maiores + 1 critério menor. Diagnóstico diferencial: Causas ginecológicas: Dismenorréia, endometriose, cisto ovariano, torção ovariana, tumor, tuberculose, degeneração de miomas Causas obstétricas: Abortamento séptico, gestação ectópica Causas renais: Cistite, Pielonefrite, Nefrolitíase, Uretrite Causas gastrointestinais: Apendicite, colecistite, Diverticulite, DII, Gastroenterite Tratamento: OBS: o Protocolo clínico do ministério da saúde = iniciar o tratamento em mulheres jovens, sexualmente ativas, com queixa de desconforto ou dor pélvica e que preencham os critérios clínicos para DIP o O atraso no tratamento pode acarretar danos irreversíveis no sistema reprodutor Tratamento: OBS: o Os parceiros sexuais dos dois meses anteriores ao diagnóstico, sintomáticos ou não, devem ser convocados e tratadas empiricamente para neisseria e clamidia. Recomenda-se ceftriaxone 500mg IM associado a azitromicina 1g VO ambos em dose única. o A melhora clínica das pacientes com DIP deverá acontecer nos 3 primeiros dias após o início do tratamento antimicrobiano. o A cura é baseada no desaparecimento dos sinais e sintomas. OBS: o A terapia parenteral pode ser substituída 24 horas após a melhor clínica, sendo continuada por via oral com doxiciclina, 100mg, a cada 12h, até complementar 14 dias de tratamento. o Na presença de abscesso tubo ovariano, o uso de clindamicina ou metronidazolem adição a doxiciclina provê cobertura mais efetiva contra anaeróbios o Os regimes hospitalares normalmente são feitos até 48 a 72 horas. o Segundo update us - as quinolonas não são mais recomendadas Tratamento cirúrgico: Laparoscopia: - Recomendada nos casos de dúvida diagnóstica e na ausência de resposta à terapia parenteral após 72 horas. - Caso as condições clínicas da paciente permitam, a abordagem primária por laparoscopia favorecerá resultados imediatos. Laparotomia: - Emergência com instabilidade hemodinâmica. OBS: o Vantagens da laparoscopia o Permite diagnóstico e estadiamento da infecção o A cirurgia deve ser a mais conservadora possível. É recomendado drenar abscessos, lavar exaustivamente a cavidade e coletar material para cultura. o A laparotomia está indicada nos casos de massas anexiais não responsívas ao tratamento ou que se rompem. Situações especiais: Adolescentes: Maior risco de DIP e complicações Gravidez: Abortamento e corioamnionite -> hospitalizadas Imunocomprometidas: Abscesso tubo ovariano DIU: Não precisa remover Sequelas: OBS: o A DIP produz sequelas que apresentam grande impacto na saúde global. o Inicialmente 3 medidas para controle da doença - Educação sexual - Rastreamento de casos assintomáticos - Diagnóstico e tratamento eficaz dos casos A prevenção primária, baseada em mudanças comportamentais, é indispensável para controle da doença. ISTs Infecções que causam úlceras genitais: IST que se manifestam com úlceras genitais em alguma fase da doença, cujos agentes etiológicos infecciosos mais comuns são: Treponema pallidum (sífilis); HSV-1 e HSV-2 (herpes perioral e genital, respectivamente); Haemophilus ducreyi (cancroide); Chlamydia trachomatis, sorotipos L1, L2 e L3 (LGV); Klebsiella granulomatis (donovanose). Diagnóstico: Tratamento sindrômico: - Não correr risco de deixar passar uma DST sem tratamento. - Pesquisa dos possíveis agentes etiológicos (swab, raspado da lesão) OBS: o Tratamento sindrômico nada mais é do que um teste terapêutico. MS e ONU sugerem tratamento sindrômico. Seguimento investigação: - Tempo e forma de evolução - Localização precisa - Presença de lifadenomegalia regional/distância - Outras lesões no corpo e na boca - Fator desencadeante: trauma, uso medicamentos, outras pessoas - Presença de doenças sistêmicas Realizar biópsia de todas as úlceras com evolução maior que 30 dias. - Pinça saca bocado - Conservar com formol OBS: o Recomenda-se a coleta de material para investigação: o Comprimir delicadamente uma lâmina de vidro sobre a UG, fixar a lâmina com fixador de Papanicolau e encaminhar para o serviço de citopatologia. Identificar a lâmina como “IMPRINT” e pesquisar células multinucleadas (herpes simples). Esse procedimento está disponível na rede pública de saúde o Raspar superficialmente a UG com swab ou espátula de Ayre, dispondo o material em uma lâmina de vidro. Secar em ar ambiente e encaminhar ao serviço de microscopia para pesquisa de Haemophilus ducreyi. Esse procedimento também está disponível na rede pública de saúde o Raspar novamente a base da úlcera quantas vezes forem necessárias para inoculação em: meio de transporte, soro fisiológico e meio de fixação para PCR – reação em cadeia da polimerase (usar os meios que estiverem disponíveis) o Limpar a úlcera e coletar linfa da base (espremer) colocando-a em soro fisiológico e lâmina de vidro para investigação de Treponema pallidum em microscopia de campo escuro o Coletar amostra de sangue para sorologia de sífilis (VDRL, FTA-Abs), hepatites B e C, e HIV. Esse procedimento também está disponível na rede pública de saúde o Realizar biópsia de todas as úlceras com evolução maior que 30 dias. Infiltrar a lesão com xilocaína a 2%. Realizar a biópsia da lesão ulcerada vulvar com punch dermatológico de 3 mm. o Para biópsias sobre vagina e colo uterino, deve-se usar pinça saca-bocado. Colocar o tecido obtido em vidro com formol e encaminhar ao serviço de citopatologia. Esse procedimento também está disponível na rede pública de saúde. Tratamento: O tratamento deve ser iniciado imediatamente, mesmo sem ter os resultados da investigação diagnóstica. O médico deve tratar empírica ou sindromicamente, considerando o diagnóstico mais provável, com base na apresentação clínica e nas circunstâncias epidemiológicas. Sífilis: Bordas delimitadas, única lesão, fundo limpo, borda endurecida = úlcera da sífilis primária Sífilis Cancro duro: base endurecida (processo inflamatório) e contorno bem delimitado. Nesse caso seria sífilis primária. o Incubação de 10 - 90 dias o Duração de 2 - 6 semanas o Úlcera única, indolor (característica principal), base endurecida e fundo limpo o Rica em treponemas o Processo inflamatório linfoplasmocitário o Pênis, vagina, colo uterino, anus, boca. - Mais comum em homens (no sulco balanoprepucial) - Adenopatia satélite bilateral (inguinal), indolor e não inflamatória Tratamento: Sífilis primária: - Penicilina G benzatina, 2,4milhões UI, IM, dose única (1,2 milhão UI em cada glúteo). - Doxiciclina 100mg, VO, duas vezes ao dia, 15 dias (exceto gestantes) - Ceftriaxone 1g, IV ou IM, uma vez ao dia, por 8 a 10 dias (gestante ou não gestante) Sífilis latente tardia: secundária ou terciária - Penicilina G benzatina, 2,4milhões UI, IM (1,2 milhão UI em cada glúteo), semanal, por 3 semanas. - Doxiciclina 100 mg, VO, duas vezes ao dia, por 30 dias (exceto gestantes) - Ceftriaxone 1g, IV ou IM, uma vez ao dia, por 8 a 10 dias Herpes: Característica do herpes: sensação de ardência/queimação, prurido. Evolução da lesão: vesícula, bolhas, formam úlceras que depois viram crostas e cicatrizam. Herpes genital o HSV tipo 1 e 2 o Família Herpesviridae (existe vacina) o CMV, varicela zoster, Eptein-Barr, vírus herpes humano 8. o DNA vírus o Incubação 6 dias. o Primoinfecção herpética (primeira vez que o herpes se manifesta). Sensação de astenia, febre. o Surtos recorrentes OBS: o Embora os HSV-1 e HSV-2 possam provocar lesões em qualquer parte do corpo, há predomínio do tipo 2 nas lesões genitais e do tipo 1 nas lesões periorais. Herpes vírus Primoinfecção: o Quadro local bem sintomático o Manifestações gerais: febre, mialgia, disúria. o Linfadenomegalia inguinal dolorosa bilateral - 50% dos casos o Duração de 2 - 3 semanas Estado de latência: o Ascende pelos nervos periféricos sensoriais, penetra gânglios sensitivos (fisgada na pele). Novo episódio nos primeiros 12 meses: o Quadro clínico mais brando o Sintomas prodrômicos: queimação, mialgia, fisgada nas pernas. OBS: o As lesões do HG costumam regredir espontaneamente, mesmo sem tratamento, nos indivíduos imunocompetentes. Nos imunodeprimidos, incluindo os infectados pelo HIV, porém, elas podem adquirir dimensões extraordinárias. O Centro de Controle de Doenças Americano considera caso definidor de aids a presença de lesão herpética em mucosas por mais de 30 dias. Quadro clínico: o Lesões cutâneo / mucosas o Vesículas agrupadas sobre base eritematosa o Úlceras arredondadas ou policíclicas o Regressão espontânea 7-10 dias Tratamento: Não há tratamento - Diminuir as manifestações da doença - Aumentar o intervalo entre as crises Primoinfecção: - Aciclovir 400mg, 3 vezes ao dia (7-14 dias). Aciclovir pode ser usado para gestante. - Valaciclovir 1000mg, 2 vezes ao dia (7-14 dias) - Fanciclovir 250mg, 3 vezes ao dia (7-14 dias) Recorrência: - Aciclovir 400mg, 3 vezes ao dia (5 dias) - Valaciclovir 500mg, 2 vezes ao dia (5 dias) - Fanciclovir 125mg, 3 vezes ao dia (5 dias) Supressão: - Aciclovir 400mg, 1 vez ao dia (6 meses) - Valaciclovir 500-1000mg, 1 vez ao dia (6 meses) - Fanciclovir 250mg, 2 vezes ao dia (6 meses) Gestantes: aciclovir- Infecção primária: 400 mg, três vezes ao dia (7 a 14 dias) - Recorrentes: 400 mg, três vezes ao dia, ou 800 mg, duas vezes ao dia (cinco dias) - Supressão: 400 mg, três vezes ao dia, a partir de 36 semanas até o parto - Infecção disseminada: 5 a 10 mg/kg intravenoso (IV), de 8 em 8 horas, por dois a sete dias e manter via oral (VO) 400 mg, três vezes ao dia, por no mínimo 10 dias. Cancro mole Área de edema, base heterogênea. Cancroide/cancro de Ducrey o Haemophilus ducreyi o Incubação de 3-5 dias. o HOMEM: lesões no frênulo e sulco balano-prepucial o MULHER: Fúrcula e face interna dos pequenos e grandes lábios. o 30-50% bactéria atinge linfonodos inguino-crurais (BUBÃO); unilaterais Tratamento: - Azitromicina 500mg, 2 comprimidos, VO DU ou - Ceftriaxone 500mg, IM, DU 2a opção - Ciprofloxacino 500mg, 1 comprimido VO 12-12 horas, 3 dias. Linfogranuloma venéreo Chlamydia trachomatis L1, L2 e L3 Invasivos de tecidos linfáticos Destruição da pele, maior área de comprometimento. Existem orifícios puntiformes que fistulizam. 3 fases de evolução: - Fase de inoculação - Fase de disseminação linfática regional - Fase de sequelas Tratamento: - Doxiciclina 100mg, VO, 1 comprimido, 12-12horas por 21 dias 2a opção - Azitromicina 500mg, 2 comprimidos, VO, 1 vez por semana, por 21 dias (gestantes) Parceiro sexual: - Azitromicina 500mg, 2 comprimidos, VO, DU - Doxiciclina 100mg, 1 comprimido, VO, 12-12horas, por 7 dias Donovanose Acúmulo de linfa (elefantisia). Semelhante a uma nodulação que tende a ulcerar. Granuloma venéreo ou úlcera venérea crônica Klebsiella granulomatis (granuloma venéreo) Incubação 8 dias - 6 meses Lesão nodular que evolui para úlcera. Não dolorosa e altamente vascularizada, sangramento fácil após contato. Outras apresentações: lesões vegetantes e ulcerosas, elefantíasicas e manifestações sistêmicas. Tratamento: - Doxiciclina 100mg, 1 comprimido, VO, 12-12horas, 21 dias ou até desaparecimento das lesões. CLIMATÉRIO Definições: Menopausa: data da última menstruação da mulher por falência ovariana -> diagnóstico retrospectivo após 12 meses de amenorreia. Climatério: fase de transição entre o menacme e a senilidade, marcado por diversas alterações fisiológicas no organismo feminino. Perimenopausa: período entre o início da irregularidade menstrual até um ano após a menopausa. Insuficiência ovariana prematura: cessação da menstruação antes dos 40 anos A última menstruação é considerada como menopausa. Conceitos: O termo climatério se refere ao final do período reprodutivo feminino -> o termo mais atual é transição menopáusica ou menopausal. – Marcado por modificações clínicas e endocrinológicas – Marcado por irregularidade menstrual até completa parada da menstruação – Duração média de 4 a 7 anos – Idade média da menopausa entre 46 e 52 anos Os sintomas estão relacionados a baixa do estrogênio. OBS: O CLIMATÉRIO E A MENOPAUSA SÃO PROCESSOS FISIOLÓGICOS E NÃO PATOLÓGICOS. Modificações fisiológicas: O processo de atresia folicular se acentua no final da fase reprodutiva (após os 35 anos a queda aumenta). A diminuição da reserva folicular passa a impactar na produção hormonal ovariana. OBS: o Atresia folicular - a partir da 4 década de vida a atresia folicular se acentua. o Folículos são produtores de estradiol e inibina. OBS: o Eixo h=h=o: hipotálamo produz GNRH que vai estimular a hipófise a produzir FSH e LH, que vai estimular o ovário a produzir estrogênio e progesterona e inibina b. o Na primeira parte do climatério temos queda da inibina b (que faz feedback com hipotálamo) com isso hipotálamo vai entender que precisa estimular os ovários para produzir mais inibina e com isso vai aumentar o FSH, neste período ainda não há queda do estradiol. Só que o aumento do FSH vai acelerar a depleção folicular. OBS: o No climatério tardio: com o passar do tempo, tem poucos folículos e o estradiol já não é mais produzido em quantidade suficiente, com estradiol baixo, não pico do LH, e não tem ovulação. Modificações fisiológicas: Na pós-menopausa, com o esgotamento completo dos folículos há queda significativa dos níveis estrogênicos e elevação das gonadotrofinas (FSH). Há redução da produção de androgênios, tanto pelos ovários quanto pelas suprarrenais. O estrogênio dominante é a estrona, sintetizada pela conversão periférica dos androgênios. A SHBG também diminui sua síntese nesse período. Endométrio: Fase inicial: efeito proliferativo do estrogênio -> encurtamento de ciclos e sangramento aumentado. Fase tardia: ciclos anovulatórios e espaçados -> aumento de risco de câncer de endométrio Pós menopausa: atrofia endometrial por hipoestrogenismo OBS: o Produção de estrogênio sem contraposição da progesterona devido à anovulação que leva a ao risco de câncer de endométrio. Sintomas vasomotores: Sintoma muito frequente em pacientes na transição menopáusica e após a menopausa. Redução de estradiol -> alteração do centro hipotalâmico de controle de temperatura. OBS: o Estradiol atua no centro de temperatura de calor no hipotálamo. Cardiovasculares: Aumento do risco de DCV (doença cardiovascular) em até 6 vezes Aumento de LDL e triglicérides e redução de HDL Hipercoagulabilidade (aumenta com idade) Elevação de pressão arterial OBS: o Devido ao hipoestrogenismo. Urogenitais: Há receptores de estrogênios e progesterona em toda região vulvovaginal. Hipoestrogenismo leva a atrofia urogenital -> dispareunia, disúria, urgência miccional Alteração na flora e no Ph vaginal Perda dos mecanismos intrínsecos de continência OBS: o Os lactobacilus transforma glicogênio em ácido lático que faz Ph vaginal ficar mais ácido (protetor) o Queda estrogênio - queda ácido láctico - eleva ph - predispõe a infecções Diagnóstico: Exames complementares: TSH e T4, se apresentar sintomas; Perfil lipídico; Perfil glicêmico; Exames do metabolismo ósseo; Exames de rastreamento indicados pela faixa etária, como mamografia, colonoscopia e CCO TERAPIA HORMONAL Indicações: Sintomas vasomotores que afetam a qualidade de vida Atrofia urogenital (uso tópico) Prevenção e tratamento da osteoporose em casos selecionados Mais de 60 anos não tem tanta indicação para terapia hormonal. Acima de 10 anos da menopausa também não é indicado. Por que usar? Redução da ocorrência e intensidade sintomas vasomotores Primeira linha de tratamento de atrofia urogenital Promove crescimento celular, aumenta lactobacilos, aumenta fluxo sanguíneo, diminui o ph, melhora a elasticidade vaginal e resposta sexual Prevenção da perda óssea associada a menopausa e na redução da incidência de todas as fraturas osteoporóticas, incluindo fraturas vertebrais e quadril Benefícios: dentro da janela de oportunidade Melhora da função sexual Melhora sintomas depressivos durante transição menopausal Efeito positivo no sono Diminui acúmulo da gordura corporal total e região abdominal Redução do risco de DM2 e melhora controle glicêmico Redução do risco cardiovascular e doença de Alzheimer Estabilização de danos do hipoestrogenismo na pele Melhora artralgia Diminuição CA colorretal e de endométrio com TH combinada Riscos: fora da janela de oportunidade Câncer de mama - aumenta risco após 5 anos com TH combinada Aumenta risco de hiperplasia endometrial e câncer de endométrio - quando estrogênio isolado Não tem impacto sobre incidência de câncer de colo uterino tipo escamoso Aumenta risco de trombose quando via oral Aumenta risco doenças cardiovasculares quando fora da janela de oportunidade Aumenta risco de doenças biliares Quando não usar: Doenças hepáticas descompensada Câncer de mamaatual ou prévio Lesão precursora para CA de mama Câncer de endométrio Sangramento vaginal de causa desconhecida Doença cerebrovascular Doença coronariana Doença trombótica ou tvp atual ou prévia Lúpus Meningioma Como usar: - Mulheres histerectomizadas: Uso de estrogênio isoladamente - Mulheres com útero: Estrogênio ++ progestagênio Estrogênio: Via oral, transdérmica, tópica É o hormônio que trata os sintomas climatéricos -> Aumenta os níveis de globulina carregadora de hormônios sexuais -> reduz a fração livre de androgênio circulante -> Aumenta valores de HDL e triglicérides e reduz níveis de LDL -> Aumenta produção de fatores de coagulação -> hipercoagulabilidade -> Ativa o sistema renina-angiotensina-aldosterona -> eleva PA Progestagênio: Empregado em mulheres com útero para promover atrofia endometrial O DIU pode ser usado com essa finalidade Tibolona: Esteroide sintético derivado da 19-noretisterona Propriedade progestagênica, estrogênica e androgênica Efeito no alívio dos sintomas vasomotores, na atrofia vulvovaginal e na perda de massa óssea Efeito positivo sobre a sexualidade - > redução da SHBG Não pode ser usada para pacientes que menstruam. Tratamento não hormonal: Antidepressivos inibidores da recaptação de serotonina Antidepressivos inibidores da recaptação de serotonina e norepinefrina Redução dos fogachos ANTICONCEPCIONAIS Conceitos: Os métodos anticoncepcionais podem ser classificados de várias maneiras. Reconhecem-se dois grupos principais: I - Reversíveis. II - Definitivos. Os métodos reversíveis são: 1 - Comportamentais. 2 - De barreira. 3 - Dispositivos intrauterinos. 4 - Hormonais. 5 - De emergência. Os métodos definitivos são os cirúrgicos: 1 - Esterilização cirúrgica feminina. 2 - Esterilização cirúrgica masculina. Métodos comportamentais: - Abstinência periódica: Dias padrão Tabelinha ou Ogino-Knaus Muco cervical ou Billings Curva térmica temperatura basal Sintotérmico Persona* OBS: o Método de persona tem um Kit especifico, é caro e vai avaliar o muco cervical o Evitar relações sexuais no período fértil para mulheres com ciclos regulares Métodos de barreira: - Condom: Feminino ou vaginal Masculino ou peniano - Espermicidas - Diafragma - Capuz cervical Método da amenorreia da lactação: Bloqueio da ovulação resultantes das alterações produzidas pela lactação Até seis meses Deve estar em amenorreia Aleitamento materno exclusivo, dia e noite Métodos definitivos: - Feminino: Ligadura tubária – Técnica de Pomeroy Laparoscopia – Anéis de Yoon Histeroscopia – Essure* Quinacrina - Masculino: Vasectomia OBS: o Pomeroy – melhor técnica – bloqueio da região ístmica da trompa (área menos vascularizada) o Essure – não é mais recomendado o Quinacrina – é uma mola que se coloca na região das trompas – não bem utilizado no Brasil o Vasectomia – interrupção do ducto deferente – eficácia após 6 meses, onde se deve repetir o espermograma. Métodos hormonais: - Contraceptivos combinados: Orais: monofásicos, bifásicos, trifásicos Injetáveis mensais Vaginal: anel Adesivo - Contraceptivos com progestagênios: Orais Injetáveis trimestrais Implantes Sistema intrauterino Mecanismo de ação: Bloqueio da ovulação Os progestágenos atuam inibindo o pico de LH Os estrogênios atuam diminuindo a secreção de FSH – bloqueando a foliculogênese Atrofia ou Decidualização do endométrio Espessamento do muco cervical Alteração da motilidade das tubas Eficácia: O escore mais utilizado para este fim é o índice de Pearl, que é assim calculado: OBS: o EFICÁCIA de um método contraceptivo é a capacidade deste método de proteger contra a gravidez não desejada e não programada. É expressa pela taxa de falhas próprias do método, em um período de tempo, geralmente no decorrer de um ano. Escolha do método: Anticoncepcionais orais combinados: Os anticoncepcionais orais combinados são aqueles que contêm estrogênio e progestagênio no mesmo comprimido. Pode-se ainda classificar as pílulas combinadas como monofásicas, bifásicas ou trifásicas. OBS: o Anos 60 – mestranol 50 mcg -> etinilestradiol 75mcg Os progestagênios das pílulas são provenientes de três grupos: os derivados da 17-alfa-hidroxiprogesterona (17- OH-P), os derivados da 19-nortestosterona e os derivados da espironolactona. OBS: 2009 – drospirenona e diogeste Efeitos metabólicos: - O etinilestradiol: Aumento das proteínas hepáticas, como albumina e SHBG. Aumentam o substrato de renina, desencadeando síntese de angiotensina e estímulo do córtex adrenal na produção de aldosterona, gerando vasoconstrição e retenção de sódio e água. Aumento de fatores de coagulação; redução da antitrombina III e aumento do inibidor do ativador do plasminogênio. Reduz o colesterol total e a LDL-C, com aumento da HDL-C. - Os progestágenos: Quanto ao metabolismo dos carboidratos, todos os progestagênios atuam aumentando a resistência insulínica e reduzindo a tolerância à glicose. O efeito dos progestagênios sobre os fatores de coagulação são discutíveis. A depender de sua natureza e dose, os progestagênios podem interferir nos benefícios dos estrogênios sobre o perfil lipídico. Perfil de segurança dos AOCs: os riscos mais temidos: Embora raras, as complicações cardiovasculares representam os riscos mais temidos entre as usuárias de pílulas contraceptivas. Destacam-se, entre estas: - Tromboembolismo venoso - Infarto do miocárdio - Acidente vascular cerebral. O infarto do miocárdio tem incidência ainda menor em jovens, observando-se a associação do contraceptivo com outros fatores de risco, incluindo o tabagismo, hipertensão arterial, diabetes e dislipidemias. Eventos adversos e manejo clínico: OBS: o Se persistir por mais de 3 meses – ofereça outro método Seleção de pacientes: Principais condições em que preferencialmente não se deve usar o AOC (categoria 3 da OMS) ou há contraindicação absoluta (categoria 4 da OMS). Benefícios não anticoncepcionais: Esquecimento: Falha contraceptivo. Uso rotineiro, sempre no mesmo horário ou situação, visando a minimizar este inconveniente. No caso de esquecimento de um comprimido por menos de 24 horas, deve-se utilizar imediatamente a drágea, utilizando a seguinte no mesmo horário regular. Após 24 horas, preconiza-se a ingestão de duas drágeas no horário regular, e tomar o restante das pílulas de maneira habitual. Caso haja o esquecimento de mais de dois comprimidos, deve-se orientar à utilização de preservativos durante sete dias, tomando as pílulas restantes de forma habitual. Anel vaginal: Mecanismo de ação e vantagens: Inibição da ovulação. Age suprimindo a maturação folicular e a ovulação. Altera o muco cervical. Diminuição da espessura endometrial. A principal vantagem do anel vaginal é a facilidade de uso com apenas uma colocação mensal. Não apresenta interferência de absorção gastrointestinal. Riscos e benefícios semelhantes aos orais combinados. Situações específicas: na presença de estenose vaginal, atrofia severa de vagina, prolapso uterino, cistocele ou retocele importantes. OBS: o O anel promove uma liberação gradual e controlada dos hormônios, evitando-se grandes flutuações diárias nos seus níveis. o Inibe o eixo hipotálamo-hipófise-ovariano pela retroalimentação negativa provocada pela presença do hormônio exógeno. Adesivo transdérmico: Mecanismo de ação e vantagens: Inibição das gonadotrofinas e da ovulação. Altera o muco cervical. Diminuição da espessura endometrial. Transporte tubário doóvulo é prejudicado. A principal vantagem é a comodidade de uso. Outras potenciais vantagens: Ausência do metabolismo de primeira passagem hepática, níveis plasmáticos mais estáveis (sem picos e quedas) e facilidade de uso para pacientes com dificuldades de deglutição. Atrasos: quando inferior há dois dias, não determina a perda de eficácia. Atraso na colocação do adesivo na primeira semana ou por mais de 48 horas, na segunda ou na terceira semana necessita de uso de preservativos (por segurança) por sete dias. OBS: o Possui a mesma eficácia (índice de Pearl 0,7), contraindicações e perfil de efeitos adversos que os anticoncepcionais orais combinados Contraindicações absolutas e relativas: Injetáveis mensais: Acetato de Medroxiprogesterona 25 mg + Cipionato de Estradiol 5 mg Enantato de Noretisterona 50 mg + Valerato de Estradiol 5 mg Algestona Acetofenida 150 mg + Enantado de Estradiol 10 mg Benefícios: menor efeito sobre a pressão arterial, hemostasia e coagulação, metabolismo lipídico e função hepática em comparação com a contracepção oral combinada. Pílula progestagênios: Devem ser utilizadas diariamente e sem pausas. A mais recente preparação de pílula só de progestagênio contém 75 mcg/ dia de desogestrel, nível que excede o necessário para inibir a ovulação (60 mcg/dia) sendo, portanto mais efetiva na contracepção que as outras formulações. Mecanismo de ação: Espessamento do muco cervical impedindo, portanto, a progressão do espermatozoide. Redução da motilidade tubária. Inibição da proliferação endometrial, determinando hipotrofia ou atrofia. - Os benefícios: Diminuição da dismenorreia, menor risco de doença inflamatória pélvica, diminuição dos sintomas de tensão pré- menstrual e da mastalgia. - Vantagem: Possibilidade de utilização em mulheres que tem contraindicação ou intolerância aos estrogênios. Parece também não ter efeito significativo sobre o metabolismo lipídico e de carboidratos. Contra-indicações: Efeitos adversos: O sangramento menstrual irregular é o maior problema clínico associado ao uso das PSPs e representa a principal razão para o abandono do método. Injetáveis com progesterona: A injeção contém 150 mg de AMP-D em 1 ml de solução aquosa e é aplicada a cada 90 dias, profundamente, nos músculos deltóides ou glúteos. Uma aplicação inibe a ovulação por pelo menos 14 semanas. Contraindicações absolutas e relativas: LARCS: Métodos contraceptivos de longa duração Eficácia superior aos métodos de curta ação Taxa de gravidez