Logo Passei Direto
Buscar
Material
páginas com resultados encontrados.
páginas com resultados encontrados.

Prévia do material em texto

ARQUEOLOGIA 
AULA 4 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Profª Ana Luíza Berredo 
 
 
 
CONVERSA INICIAL 
O que é patrimônio? Quem define o que é patrimônio? Existem legislações 
para isso? Como se acha um sítio arqueológico e o que deve ser feito em relação 
a ele? Essas são apenas algumas das principais perguntas que são feitas aos 
arqueólogos e que incitam a curiosidade das pessoas. Nesta aula, abordaremos 
a cronologia das medidas que proporcionaram à arqueologia uma atuação mais 
ampla, normatizada e ancorada na legislação brasileira. Serão apresentadas as 
primeiras leis de proteção ao patrimônio que são datadas do início do século XX 
até a Constituição de 1988. 
TEMA 1 – O QUE É PATRIMÔNIO? 
“Patrimônio é tudo o que criamos, valorizamos e queremos preservar: são 
os monumentos, as obras de arte, as festas, músicas, danças, os folguedos, as 
comidas, os saberes, os fazeres e os falares. Tudo enfim que produzimos com 
as mãos, as ideias e a fantasia” (Fonseca, 2001, p. 69). 
A declaração de Cecília Fonseca abre o tema Patrimônio, em resumo, 
significa um conjunto de bens que tem relevância tanto em sua expressão 
material quanto imaterial. 
De acordo com José Gonçalves (2005), o patrimônio deve ter uma ligação 
com a população de tal forma que ultrapasse a sua visitação ou visibilidade. Para 
esse autor, o patrimônio deve ter: ressonância, materialidade e subjetividade. 
Quadro 1 – Patrimônio, para Gonçalves (2005) 
Ressonância Materialidade Subjetividade 
Diálogo ou interlocução entre 
os produtores do saber e as 
instâncias que os protegem 
(Iphan, Estado, Museus) 
 
Seu valor está em 
transformar o referido bem 
na noção antropológica da 
cultura, a saber “em favor de 
noções mais abstratas, tais 
como estrutura social, 
sistema simbólico etc. 
(Gonçalves, 2005, p. 21) 
 
Entendida como a relação 
entre o patrimônio e a 
autoconsciência individual e 
coletiva, ou seja, “pressupõe 
sempre alguma forma 
específica de continuidade 
entre passado, presente e 
futuro”. (Gonçalves, 2005, p. 
31) 
Fonte: elaborado com base em Gonçalves, 2005. 
 
 
3 
1.1 Patrimônio material 
O patrimônio material consiste em construções materiais, como prédios, 
monumentos, obras de arte ou a própria paisagem, que podem ser visualizados 
em diversas áreas do globo terrestre por onde tenha a incidência humana. As 
construções arquitetônicas modernas são exemplos de um patrimônio material, 
como é o caso do Teatro da Paz, localizado em Belém-PA, símbolo de uma 
época em que a exploração da borracha na Amazônia estava no seu auge, o 
que acarretou investimentos à cidade. 
Figura 1 – Teatro da Paz em Belém, Pará: monumento arquitetônico e cultural, 
construído no século XIX, símbolo do período áureo da exploração da borracha 
na Amazônia 
 
Crédito: Juerginho/Shutterstock. 
Outro exemplo de patrimônio material é o monumento em homenagem à 
Zumbi dos Palmares, personagem histórico símbolo da resistência quilombola. 
O monumento está instalado na região da Praça XI, no centro do Rio de Janeiro, 
e representa uma marca da luta antirracista em uma área conhecida como 
Pequena África, que abriga parte significativa da histórica afro-brasileira. 
 
 
4 
Figura 2 – Monumento Zumbi dos Palmares: estátua em homenagem à Zumbi dos 
Palmares, líder brasileiro, símbolo da resistência negra e quilombola 
 
Crédito: A.Paes/Shutterstock. 
1.2 Patrimônio imaterial 
O patrimônio imaterial corresponde a saberes, crenças, usos, costumes, 
danças, expressões e manifestações culturais que fazem parte da vida das 
pessoas. Ele se transforma com o tempo e é mantido por meio da memória e da 
oralidade (Brayner, 2007). 
Um dos exemplos de patrimônio imaterial é a literatura de cordel, que 
surgiu entre os povos conquistadores greco-romanos, fenícios, cartaginenses, 
saxões e chegou à Península Ibérica no século XVI. Os portugueses foram os 
responsáveis por desembarcar essa prática cultural no Brasil, mais 
especificamente em Salvador, durante a colonização. Inserido em nossa cultura, 
no século XIX, tornou-se uma forma de expressão da cultura brasileira, trazendo 
contribuições da cultura africana, indígena, europeia e árabe, entoando as 
tradições orais, a prosa e a poesia (Sesc Rio, 2020). 
 
 
5 
Figura 3 – Literatura de Cordel é um gênero literário que recebeu o título de 
patrimônio imaterial brasileiro em 2018 
 
Crédito: Ramonparaiba/Shutterstock. 
Outro exemplo de patrimônio imaterial pode ser representado pela 
culinária e pelos produtos derivados de matérias-primas brasileiras, como é o 
caso da Cajuína, uma bebida feita do suco de caju e que agrega práticas 
tradicionais e socioculturais de uma comunidade. Ela é considerada um 
patrimônio imaterial do estado do Piauí desde 2014. 
 
 
6 
Figura 4 – Cajuína, bebida do estado do Piauí reconhecida como patrimônio 
imaterial e cultural brasileiro por simbolizar a hospitalidade e os laços existentes 
entre as famílias produtoras (Iphan, 2014) 
 
Crédito: Helissa Grundemann/Shutterstock. 
TEMA 2 – LEIS DE PROTEÇÃO AO PATRIMÔNIO E SEUS PROCESSOS 
HISTÓRICOS 
As leis de proteção do patrimônio arqueológico estão intimamente ligadas 
a processos históricos e aos governantes que promulgam tais legislações. O 
órgão que regulamenta as questões patrimoniais no Brasil atualmente é o 
Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), que foi criado como 
uma vertente do governo federal para a proteção de todo o patrimônio brasileiro. 
Suas origens remontam à primeira metade do século XX. 
2.1 Primeiros decretos 
O primeiro Decreto-Lei foi promulgado pelo governo provisório de Getúlio 
Vargas (1930-1934), intitulado Decreto n. 24.735, de 14 de julho de 1934 (Brasil, 
1934), correspondente às origens do Iphan, que na época recebeu a alcunha de 
Inspetoria de Monumentos Nacionais (IMN) e que teve como suas principais 
funções a proteção e manutenção do patrimônio histórico nacional. 
 
 
7 
De acordo com Pereira (2017), um pouco antes de estabelecer a ditadura 
do Estado Novo, a Inspetoria foi extinta por meio da Lei n. 378, de 13 de janeiro 
de 1937, quando foi criado o Serviço do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional 
(Sphan), vinculado ao Ministério da Educação e Saúde Pública. 
2.2 Regulamentação do Sphan 
Com base no Decreto-Lei n. 25, de 30 de novembro de 1937, durante a 
ditadura do Estado Novo (1937-1945), Vargas definiu o patrimônio histórico e 
artístico e estabeleceu as linhas gerais sobre tombamento (Brasil, 1937). Nesse 
movimento, obras de arte foram tombadas, além de instituições religiosas 
barrocas como as presentes no estado de Minas Gerais (Pereira, 2017). 
O patrimônio histórico e artístico nacional é constituído pelo conjunto 
dos bens móveis e imóveis existentes no país e cuja conservação seja 
de interesse público, quer por sua vinculação a fatos memoráveis da 
histórica do Brasil, quer por seu excepcional valor arqueológico ou 
etnográfico, bibliográfico ou artístico (Brasil, 1937) 
Figura 5 – Igreja de São Francisco de Assis, Ouro Preto, Minas Gerais: um dos 
primeiros bens tombados individualmente em âmbito nacional em 1938, após o 
Decreto 25/1937 
 
Crédito: Ukrolenochka/Shutterstock. 
 
 
8 
De acordo com Fausto (2012), após essa lei foi instituída uma das 
primeiras legislações modernas sobre a proteção do patrimônio (não apenas 
arqueológico), que foi influenciada pelas discussões ocorridas durante a Semana 
de Arte Moderna de 1922, em São Paulo. Cabe destacar que o decreto é 
baseado em um contexto ditatorial, populista de Vargas em que interessava 
vangloriar o patrimônio brasileiro, inflamar o nacionalismo e afirmar a identidade 
nacional. 
TEMA 3 – LEI DA ARQUEOLOGIA 
Na década de 1960, o presidente do Brasil era Jânio Quadros, conhecido 
por ser carismático e ter um apelo favorável à população. Ele investiu no 
populismo e nacionalismo, de modo que criou uma lei específicapara a proteção 
dos bens arqueológicos. 
3.1 Lei n. 3.924/1961 
Segundo Garcia (2005), a Lei n. 3.924, de 26 de julho de 1961 (Brasil, 
1961), correspondia à tentativa do governo de promover a proteção dos bens 
arqueológicos, ainda que inspirada no tom nacionalista, para a construção de 
uma cultura brasileira na qual imperaria a defesa dos interesses do povo. 
Cabe destacar que, de acordo com Pereira (2017), essa lei refere-se 
apenas aos bens de origem pré-histórica, uma vez que os estudos sobre a 
arqueologia histórica ainda eram incipientes. 
Conforme observado no art. 2.º dessa Lei, consideram-se monumentos 
arqueológicos ou pré-históricos: 
As jazidas de qualquer natureza, origem ou finalidade, que 
representem testemunhos da cultura dos paleoameríndios do Brasil, 
tais como sambaquis, montes artificiais ou tesos, poços sepulcrais, 
jazigos, aterrados, estearias, grutas, lapas e abrigos sob rocha, sítios-
cemitérios, aldeamentos, inscrições rupestres ou locais com sulcos de 
polimentos de utensílios e outros vestígios de atividade de 
paleoameríndios (Brasil, 1961) 
 
 
9 
Figura 6 – Rocha marcada com sulcos de polimento, também conhecida como 
oficinas líticas, em um sambaqui do litoral brasileiro 
 
Crédito: Onemorefootage/Shutterstock. 
Em virtude da proteção dos materiais pré-coloniais, essa lei também ficou 
conhecida como Lei do Sambaqui, sendo referenciada como um grande marco 
legal da arqueologia brasileira cujo pesquisador Luiz de Castro Faria foi um dos 
seus grandes entusiastas. 
3.2 Luiz de Castro Faria (1913-2004) 
Castro Faria foi antropólogo, pesquisador do Museu Nacional do Rio de 
Janeiro, além de gestor público engajado nos debates sobre o valor científico 
dos monumentos arqueológicos e a importância de uma proteção específica 
para sítios, jazidas e inscrições rupestres. De acordo com Lucieni Simão (2009), 
ele fazia parte de um grupo de cientistas e intelectuais preocupados em conter 
a destruição dos sítios arqueológicos e em pesquisar as características da 
cultura material desses povos. 
Simão (2009) chama atenção para a aproximação entre Castro Faria, 
Rodrigo Melo Franco de Andrade, diretor do Sphan e o modernista Mário de 
Andrade (1893-1945), diretor do Departamento de Cultura do município de São 
Paulo. Esse encontro possibilitou a aproximação e o diálogo entre essas 
personalidades cujo interesse comum era preservar os bens arqueológicos. 
 
 
10 
Cabe destacar que Mário de Andrade tornou-se um dos principais articuladores 
da Agência Nacional de Proteção do Patrimônio. 
Figura 7 – Luiz de Castro Faria (Arquivo de História da Ciência – MAST/MCT) 
 
Crédito: CC/PD. 
TEMA 4 – LICENCIAMENTO AMBIENTAL E CONSTITUIÇÃO DE 1988 
A questão ambiental começou a ser melhor observada a contar da década 
de 1970, quando ocorreu a Assembleia Geral das Nações Unidas, também 
conhecida como Conferência de Estocolmo, na qual foi criado o Dia Mundial do 
Meio Ambiente. Nesse evento, foi assinada uma declaração cujo objetivo era 
alertar a população e os governantes sobre a importância da preservação dos 
recursos naturais e a necessidade de leis que garantissem um desenvolvimento 
sustentável (Santos, 2022). O aumento das discussões ambientais motivou a 
criação do licenciamento ambiental como uma forma de regulamentação de 
atividades que atinjam diretamente o meio ambiente. 
O licenciamento ambiental é um procedimento administrativo realizado 
por órgão ambiental competente, que pode atuar no âmbito federal, 
estadual ou municipal e que atua para licenciar a instalação, 
ampliação, modificação e operação de atividades e empreendimentos 
que utilizam recursos naturais, ou que sejam potencialmente 
poluidores ou que possam causar degradação ambiental (Pereira, 
2017, p. 108) 
 
 
11 
4.1 Resolução n. 001, de 23 de janeiro de 1986 
A Resolução n. 001, de 23 de janeiro de 1986, foi criada pelo Conselho 
Nacional do Meio Ambiente (Conama), ligado ao Ministério do Meio Ambiente, e 
normatizou as etapas e os procedimentos em que uma obra era enquadrada no 
licenciamento ambiental. O licenciamento é um dos instrumentos de gestão 
ambiental estabelecido pela Lei federal n. 6.938, de 31 de agosto de 1981, 
também conhecida como Lei da Política Nacional do Meio Ambiente (Fepam, 
2017). 
O licenciamento ambiental visa minimizar danos ao meio ambiente e 
prever ações em caso de desastres relacionados à implantação de 
determinadas atividades como mineração, construção de rodovias e 
estradas. Além disso, para que essa proteção se efetive, estabeleceu-
se que nos licenciamentos ambientais seria produzida uma série de 
estudos de fauna, botânica, geologia, arqueologia e socioeconômicos, 
que são enviados aos órgãos envolvidos no licenciamento ambiental: 
Iphan, Serviço Geológico do Brasil (CPRM) e Fundação Palmares, que 
emitem licenças para a instalação da obra. São implantados Estudo de 
Impacto Ambiental (EIA), Relatório de Impacto Ambiental (Rima) ou o 
Relatório Ambiental Simplificado (RAS) (Pereira, 2017, p. 109) 
Além da resolução sobre o licenciamento ambiental, o principal 
instrumento da regulamentação das normas do nosso país surgiu no final da 
década de 1980. 
4.2 Constituição Federal de 1988 
A Constituição de 1988 foi promulgada no processo de redemocratização 
do Brasil, após o período da Ditadura Militar, e assegurou uma maior proteção 
aos bens arqueológicos, incluindo-os como pertencentes à nação. “De modo que 
todo patrimônio brasileiro deva ser acessado e seu usufruto pela população do 
país deve ser permitido sem restrições ou cerceamento de seu acesso” (Pereira, 
2015). 
O art. 216 da Constituição de 1988 promulga a definição de patrimônio 
cultural: 
Constituem patrimônio cultural brasileiro os bens de natureza material 
e imaterial, tomados individualmente ou em conjunto, portadores de 
referência à identidade, à ação, à memória dos diferentes grupos 
formadores da sociedade brasileira, nos quais se incluem: as formas 
de expressão; os modos de criar, fazer e viver; as criações científicas, 
artísticas e tecnológicas; as obras, objetos, documentos, edificações e 
demais espaços destinados às manifestações artístico-culturais; os 
conjuntos urbanos e sítios de valor histórico, paisagístico, artístico, 
 
 
12 
arqueológico, paleontológico, ecológico e científico (Pereira, 2017, p. 
113) 
O parágrafo 1.º desse artigo ainda ressalta que o poder público, com a 
colaboração da comunidade, promoverá e protegerá o patrimônio cultural 
brasileiro, por meio de inventários, registros, vigilância, tombamento e 
desapropriação, e de outras formas de acautelamento e preservação. No 
parágrafo 5.º, ficam tombados todos os documentos e os sítios detentores de 
reminiscências históricas dos antigos quilombos (Brasil, 1988a). 
Nesse sentido, a Constituição de 1988 foi fundamental para fortalecer as 
definições de patrimônio e garantir sua preservação, prevendo até punições para 
aqueles que provocarem atentados contra o patrimônio. 
TEMA 5 – ATENTADOS AO PATRIMÔNIO E REGULAMENTAÇÃO DA 
PROFISSÃO DE ARQUEÓLOGO 
Os relatos de danos ao patrimônio público são comuns, especialmente em 
razão de uma forma equivocada de se pensar patrimônio público, como algo que 
está dissociado de nós. Essa forma de pensar leva muitas vezes à depredação 
de bens materiais e imateriais e, de acordo com a Constituição, podem ser alvo 
de punições. 
5.1 Crimes ao patrimônio arqueológico 
A destruição, o tráfico ou a venda de material arqueológico são 
considerados crimes no Brasil, conforme atesta o art. 216, parágrafo 4.º da 
Constituição de 1988, em que se identifica que os danos e as ameaças ao 
patrimônio cultural serão punidos na forma da lei. As punições acarretadas por 
infrações ao patrimônio cultural são importantes para alertar e mostrar que é 
direito e dever da comunidade cuidar dos bens públicos e se apropriar deles, de 
modo que se tenha familiaridade e proximidade com o patrimônio.Tal medida visa aproximar a comunidade e também torná-la responsável, 
incluindo-a como fiscalizadora dos bens. Isso faz-se necessário, por exemplo, 
em uma situação em que é identificada a comercialização de bens 
arqueológicos, na qual a população pode e deve intervir, avisando às 
autoridades, como o Iphan, do uso indevido de patrimônio da União. 
 
 
13 
A depredação do patrimônio público pode acarretar aos envolvidos 
punições penais conforme indica o Decreto-Lei n. 2.848, de 7 de dezembro de 
1940 – Código Penal, art. 163: destruir, inutilizar ou deteriorar coisa alheia, 
acarreta em pena de detenção, de um a seis meses, ou multa (Brasil, 1940): “III 
– contra o patrimônio da União, de Estado, do Distrito Federal, de Município ou 
de autarquia, fundação pública, empresa pública, sociedade de economia mista 
ou empresa concessionária de serviços públicos” (Redação dada pela Lei n. 
13.531/2017). 
5.2 Regulamentação da profissão de arqueólogo 
A luta pela regulamentação da profissão começou em 1987, ou seja, 
durou mais de 30 anos, e teve no artigo “A regulamentação da profissão de 
arqueólogo no Brasil: histórico de uma luta que ainda não acabou”, de Tânia 
Andrade Lima (2000), um dos grandes manifestos pela defesa da profissão. 
A regulamentação da profissão ocorreu após diversas tentativas e 
propostas ao Senado Federal, que promulgou no dia 18 de abril de 2018 a Lei 
13.653, que “Dispõe sobre a regulamentação da profissão de arqueólogo e dá 
outras providências”. 
Nas disposições do capítulo II, art. 2.º, cabe destacar: 
O exercício da profissão de arqueólogo é privativo: aos diplomados em 
bacharelado em arqueologia por escolas oficiais; aos diplomados em 
arqueologia por escolas estrangeiras reconhecidas pelas leis do país 
de origem; aos pós-graduados por escolas ou cursos devidamente 
reconhecidos pelo Ministério da Educação, com área de concentração 
em arqueologia, com dissertação de mestrado ou tese de doutorado 
sobre arqueologia e com pelo menos dois anos consecutivos de 
atividades científicas próprias do campo profissional da arqueologia, 
devidamente comprovadas (Brasil, 2018) 
No art. 3.º estão listadas as atribuições do arqueólogo: 
I – Planejar, organizar, administrar, dirigir e supervisionar as atividades 
de pesquisa arqueológica; II – Identificar, registrar, prospectar e 
escavar sítios arqueológicos, bem como proceder ao seu 
levantamento; III – Executar serviços de análise, classificação, 
interpretação e informação científicas de interesse arqueológico; IV – 
Zelar pelo bom cumprimento da legislação que trata das atividades de 
arqueologia no país; [...] IX – Orientar a realização, na área de 
arqueologia, de seminários, colóquios, concursos e exposições de 
âmbito nacional ou internacional, fazendo-se neles representar (Brasil, 
2018) 
 
 
14 
NA PRÁTICA 
O conteúdo desta aula é bastante específico sobre a legislação que rege 
e ampara o trabalho a ser desenvolvido nas pesquisas arqueológicas. À primeira 
vista, o campo legislativo pode parecer distante da arqueologia, mas são 
assuntos que estão completamente imbricados e conectados já que afetam 
direta ou indiretamente a população, em se tratando especialmente da 
preservação do patrimônio cultural. 
Recomendamos fazer o exercício de escolher um patrimônio cultural de 
sua cidade, justificar sua escolha e contar a história de quando e por que esse 
bem recebeu esse título. 
FINALIZANDO 
Nesta aula, aprendemos que a legislação de proteção dos bens públicos 
soma positivamente para educar a comunidade sobre o patrimônio e aproximá-
la desse contexto. Além disso, as leis e os decretos que foram instituídos no 
século XX determinaram a forma como é tratado o patrimônio e como devem 
atuar os profissionais que trabalham para a sua preservação. 
A determinação do que é ou não patrimônio cabe ao julgamento de uma 
instância superior, que é o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional 
(Iphan), mas é possível que a população se mobilize e faça um pedido a essa 
instituição para tornar um patrimônio qualquer paisagem, expressão cultural ou 
bem material que seja de interesse da sua comunidade, com vistas a que ela 
possa se apropriar dos bens para melhor preservá-los. 
 
 
 
15 
REFERÊNCIAS 
BRASIL. Constituição (1988). Diário Oficial da União, Brasília, DF, 5 out. 1988a. 
_____. Decreto-Lei n. 25, de 30 de novembro de 1937. Diário Oficial da União, 
Poder Executivo, Rio de Janeiro, 6 dez. 1937. 
_____. Decreto-Lei 24.735, de 12 de julho de 1934. Diário Oficial da União, Rio 
de Janeiro, 14 jul. 1940. 
_____. Decreto-Lei 2.848, de 7 de dezembro de 1940. Diário Oficial da União, 
Rio de Janeiro, 31 dez. 1940. 
_____. Lei n. 13.653, de 18 de abril de 2018. Diário Oficial da União, Poder 
Legislativo, Brasília, DF, 19 abr. 2018. 
_____. Lei n. 3.924, de 26 de julho de 1961. Diário Oficial da União, Poder 
Legislativo, Brasília, DF, 27 jul. 1961. 
_____. Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovações. MAST – Museu de 
Astronomia e Ciências Afins. Luiz de Castro Faria. 1 foto, pb. Disponível em: 
. Acesso em: 30 jan. 2022. 
_____. Ministério da Educação e Saúde Pública. Secretaria do Patrimônio 
Histórico e Artístico Nacional. Portaria n. 07, de 1.º de dezembro de 1988. Diário 
Oficial da União, Brasília, DF, 15 dez. 1988b. 
BRAYNER, N. G. Patrimônio cultural imaterial: para saber mais. Brasília: Iphan, 
2007. 
CAJUÍNA é o mais novo patrimônio cultural brasileiro. Iphan, 15 maio 2014. 
Disponível em: . Acesso em: 30 
jan. 2022. 
FAUSTO, B. História do Brasil. 14 ed. atual. e ampl. São Paulo: Edusp, 2012. 
FEPAM – Fundação Estadual de Proteção Ambiental Henrique Luiz Roessler. 
Licenciamento ambiental. Porto Alegre, 2017 
FONSECA, M. C. L. (Org.). Revista Tempo Brasileiro, Rio de Janeiro, out./dez., 
n. 147, p. 69-78, 2001. 
GARCIA, N. Estado Novo: ideologia e propaganda política. São Paulo: Loyola, 
2005. 
 
 
16 
GONÇALVES, J. R. S. Ressonância, materialidade e subjetividade: as culturas 
como patrimônios. Horiz. Antropol., Porto Alegre, v. 11, n. 23, jun. 2005. 
Disponível em: . Acesso 
em: 30 jan. 2022. 
LIMA, T. A regulamentação da profissão de arqueólogo no Brasil: histórico de uma 
luta que ainda não acabou. Revista de Arqueologia, v. 12, n. 1, p. 115-145, 30 
dez. 2000. 
LITERATURA de Cordel – Patrimônio Cultural Imaterial Brasileiro. SESC Rio, 8 
set. 2020. Disponível em: . 30 jan. 2022. 
PEREIRA, R. A privatização do patrimônio: os diversos interesses sobre um sítio 
arqueológico em Niterói/RJ. Revista Semina, v. 14, n. 1, p. 169-186, 2015. 
_____. Arqueologia, patrimônio material e legislação: conceitos, aplicações e 
perspectivas. Curitiba: InterSaberes, 2017. 268 p. 
SANTOS, V. S. dos. 5 de Junho – Dia Mundial do Meio Ambiente. Mundo 
Educação. Disponível em: . Acesso em: 30 jan. 2022. 
SIMÃO, L. Elos do patrimônio: Luiz de Castro Faria e a preservação dos 
monumentos arqueológicos no Brasil. Boletim do Museu Paraense Emilio 
Goeldi de Ciências Humanas, Belém, v. 4, n. 3, p. 421-435, set./dez., 2009.

Mais conteúdos dessa disciplina