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20 UNIVERSIDADE FEDERAL DO PARÁ CAMPUS UNIVERSITÁRIO DE ALTAMIRA FACULDADE DE GEOGRAFIA CURSO DE LICENCIATURA PLENA EM GEOGRAFIA MÁRCIO OLIVEIRA MILÉO OCUPAÇÃO E DEGRADAÇÃO DE FUNDOS DE VALE EM ALTAMIRA-PA: RELAÇÃO DOS PROBLEMAS AMBIENTAIS E SOCIAISNO PERÍMETRO URBANO DO IGARAPÉ ALTAMIRA Altamira - Pará 2014 MÁRCIO OLIVEIRA MILÉO OCUPAÇÃO E DEGRADAÇÃO DE FUNDOS DE VALE EM ALTAMIRA-PA: RELAÇÃO DOS PROBLEMAS AMBIENTAIS E SOCIAIS NO PERÍMETRO URBANO DO IGARAPÉ ALTAMIRA Trabalho de Conclusão de Curso apresentado à Faculdade de Geografia do Campus Universitário de Altamira da Universidade Federal do Pará, como requisito para obtenção do Grau de Licenciatura Plena em Geografia. Orientador: Professor Enoque Gomes de Morais. Altamira – Pará 2014 OCUPAÇÃO E DEGRADAÇÃO DE FUNDOS DE VALE EM ALTAMIRA-PA: RELAÇÃO DOS PROBLEMAS AMBIENTAIS E SOCIAIS NO PERÍMETRO URBANO DO IGARAPÉ ALTAMIRA MÁRCIO OLIVEIRA MILÉO Aprovado em _____/_______/_______ ___________________________________________________________ Prof. Enoque Gomes de Morais (Orientador) ___________________________________________________________ Prof. AldaniBráz Carvalho(Membro da Banca Examinadora) ___________________________________________________________ Profa. Darlene Costa da Silva(Membro da Banca Examinadora) AGRADECIMENTOS A DEUS, que por graça de Sua vontade, permitiu-me conquistas pessoais e profissionais no meu percurso acadêmico; Ao meu orientador, Professor Enoque Gomes de Moraes, que me ajudou no processo de construção deste trabalho; À minha família, meus familiares, amigos e amigas que me deram força e viveram comigo a expectativa dessa conquista; Aos participantes da pesquisa, pelo acolhimento e disposição em participar deste estudo, como principais interlocutores dessa pesquisa; Aos meus pais que me incentivaram e ajudaram de todas as formas; Aos meus amigos Antônio Brito, Gabriel Santos, Victor Martins e Joab Guimarães; Aos meus primos João Miléo e Rafael Miléo; A todos, sem exceção, meus eternos agradecimentos. DEDICATÓRIA Dedico este trabalho à minha família e a todos que direta ou indiretamente, me ajudaram no meu processo de formação. RESUMO O presente trabalho busca entender a relaçãodos problemas ambientais e sociais que vem sendo causados no entorno do Igarapé Altamira pela a ocupação desordenada em áreas de fundo de vale. Questão essa que vem aumentando gradativamente no Brasil, concorrendo para que as áreas de preservação permanente (APP’s) se configurem como os principais lugares afetados pelo processo de ocupação desordenada. A pesquisa tem como objetivo central abordar algumas discussões que envolvem a relação dos problemas ambientais e sociais causados pela a ocupação desordenada em áreas de fundo de vales e como esses problemas refletem na vida dos residentes do local. Os resultados da pesquisa de campo apontaram alguns dos problemas ambientais no entorno do igarapé Altamira, comoa falta da vegetação natural, o assoreamento do manancial, que acaba diminuindo a vazante do IgarapéAltamira, e a possível poluição da água como consequência tanto do acúmulo de lixo como pelo lançamento dos dejetos oriundos das residências. Quanto à existência de alguns problemas sociais encontrados no entorno do igarapé Altamira, estão ligados principalmente àspassarelas e as residências que se encontram em péssimas condições de acessibilidade e moradia, aspecto que dificulta o acesso às residências na época das cheias,doenças contraídas pelos moradores e, principalmente, os o processo de deslocamento das famílias no período de enchente do igarapé Altamira. Palavras-chave: Fundos de vale. Ocupação desordenada.Problemas sociais. Problemas Ambientais. ABSTRACT The present work aims to reflect what the environmental and social problems are being caused in the vicinity of Altamira Igarapé by the disorderly occupation in areas of the valley bottom. Question which is increasing in Brazil, contributing to the permanent preservation areas (APPs) are configured as major places affected by the disorderly occupation process. The research is mainly aimed to address some discussions involving the relationship of environmental and social problems caused by the disorderly occupation in background areas of valleys and how these problems reflect on the lives of local residents. The results of the field research showed some of the environmental issues surrounding the creek Altamira, as the lack of natural vegetation, siltation of the spring, which ends up diminishing ebb Igarapé Altamira, and possible water pollution as a result of the accumulation of both garbage as the launch of the waste coming from households. The existence of some social problems found in the vicinity of the stream Altamira, are mainly linked to walkways and homes that are in poor condition of accessibility and housing aspect that hinders access to homes during the flood season, and diseases affecting residents mainly the process of displacement of families in the period of the flood stream Altamira. Keywords: Funds valley. disorderly Occupation. Social Issues. Environmental Issues. LISTA DE FIGURAS Figura 01-Mapa de Localização da Área de Estudo 14 Figura 02- Tempo de moradia no local. 27 Figura 03- Opinião dos moradores sobre a ocupação nas margens do igarapé Altamira 28 Figura 04 - Motivo que levam os moradores as residirem no local 28 Figura 05- Principais problemas causados pela ocupação no Igarapé 29 Figura 06- Paisagem modificada com a ocupação às margens do igarapé Altamira 30 Figura 07 - Os moradores que jogam lixo no igarapé 31 Figura 08- Concentração de lixo na cabeceira da ponte 32 Figura 09- Principais dificuldades enfrentadas no inverno 33 Figura 10- Moradores que já foram remanejados em períodos chuvosos 34 Figura 11- Igarapé Altamira no período da seca 35 Figura 12- Igarapé Altamira no período da enchente 35 Figura 13- dificuldades no acesso as residências no período chuvoso 36 Figura 14- Sanitários construídos em baixo das residências 37 Figura 15- Construção de sanitários das residências 38 Figura 16- Acompanhamento da secretaria de saúde no local 38 Figura 17- Crianças em contato próximas ao lixo despejado no igarapé 39 Figura 18- Origem da água que consomem 40 Figura 19- Utilização do igarapé para a prática do banho 41 Figura 20- Conhecimento dos moradores sobre morar as margens de igarapés 42 Figura 21- Nível de escolaridade dos moradores 42 Figura 22- Passarela em situação precária 43 Figura 23- Participação dos moradores em palestra sobre Educação Ambiental 44 SUMÁRIO 1. 1. INTRODUÇÃO 10 1.1 Objetivo 13 1.2 Justificativa 13 2. MATERIAL E MÉTODOS 14 2.1 Delimitação e caracterização da área de estudo 14 2.1.1 Localização da área de estudo 14 2.2Caracterização e contextualização da área de estudo 15 2.2.1 Caracterização e histórico de ocupação do município 15 2.2.2 Geologia 15 2.2.3 Relevo 15 2.2.4 Solos e Clima 16 2.2.5 Vegetação 16 2.2.6 Hidrografia 16 2.3 Procedimentos metodológicos 16 2.3.1 Trabalho de campo 17 3. SUBSÍDIOS PARA A REFLEXÃO AMBIENTAL DE OCUPAÇÕES EM FUNDOS DE VALE 18 3.1. As implicações do desenvolvimento urbano para as áreas de fundos de vale 18 3.2. O código florestal brasileiro e as áreas de APP’s 19 3.3. O processo de erosão e suas repercussões no assoreamento dos igarapés 22 4. RESULTADOS E DISCUSSÃO DA PESQUISA DE CAMPO 27 5. CONSIDERAÇÕES FINAIS 46 6. REFERÊNCIAS 48 1. INTRODUÇÃO Com a falta de planejamento urbano dos municípios e cidades brasileirasas áreas de fundos de vale vêm se tornando um dos principais lugares escolhidos pela população para construírem suas moradias e no Brasil esse problema vem ocorrendo frequentemente. As áreas de preservação permanente (APP’s) vêm sendo os principais lugares afetados pelo processoos impactos causados ao igarapé. Figura 23- Participação dos moradores em palestra sobre Educação Ambiental. Fonte: Dados da pesquisa. Elaborado por: Miléo (2014) Portanto, a educação é um ato político, e como tal, a Educação Ambiental é uma práxis educativa e social na construção de uma consciência crítica da relação do ser humano com a natureza (LOUREIRO, 2002). Corroborando com esta ideia Aranha e Barros (2005, p. 14) afirmam que: A Educação Ambiental tornou-se assim um instrumento de gestão devido a sua capacidade de intervir na realidade, com sua crítica às desigualdades sociais e a relação entre a sociedade e a natureza. A Educação Ambiental crítica trabalha para a construção de uma cidadania ativa, onde os mediadores do processo de gestão possuam instrumentos para a participação como atores sociais num movimento coletivo de transformações socioambientais. Conforme afirmado por Guimarães (2002b, p. 17): Em uma concepção critica de Educação (Ambiental), acredita-se que a transformação da sociedade é causa e consequência (relação dialética) da transformação de cada indivíduo, há uma reciprocidade no qual propicia a transformação de ambos. Nessa visão, educando e educador são agentes sociais que atuam no processo de transformações sociais; portanto, o ensino é teoria/prática, é práxis. Ensino que se abre para a comunidade com seus problemas sociais e ambientais, sendo estes conteúdos do trabalho pedagógico. Aqui a compreensão e atuação sobre as relações de poder que permeiam a sociedade são priorizados, significando uma Educação política. (p. 17). Ele é resultado das relações entre os aspectos biológicos, físicos e socioculturais (SANTOS &SATO, 2001). Com referência a este aspecto, (DOHME &DOHME, 2002), afirmam que a conscientização ambiental deverá se da de forma gradativa, enfocando cada círculo que envolve cada cidadão, fazendo com que este reflita sobre si, desenvolva o seu senso crítico sobre o que está certo e o que está errado e procure ver de que forma ele poderá contribuir com a melhoria ou com a eliminação de situações prejudiciais ao ser humano e a natureza. A Educação Ambiental é de extrema importância para a preservação de áreas de fundos de vale, pois uma vez adquirido o conhecimento consequentemente esse é repassado para outras pessoas. Como bem afirma Gutiérrez e Prado (1999, p. 15): O cidadão crítico e consciente é aquele que compreende, se interessa, reclama e exige seus direitos ambientais ao setor social correspondente e que, por sua vez, está disposto a exercer sua própria responsabilidade ambiental. Este cidadão, quando se organiza e participa na direção de sua própria vida, adquire poder político e uma capacidade de mudança coletiva. Esse princípio assenta bases sólidas para a construção da sociedade civil, pois são os movimentos sociais, no dimensionamento de sua participação social, os que podem validar o processo para gestar uma utopia de qualidade de vida alternativa, que se atualiza no cotidiano e dentro de um horizonte futuro, desejável e viável. A Educação Ambiental também tem outro papel fundamental, pois ela torna o cidadão mais crítico, ensinando seus direitos e deveres ambientais. Possivelmente, a falta desse conhecimento torna os moradores do igarapé Altamira pessoas desorganizadas que não fazem ideia dos seus direitos e deveres como cidadãos. Como salienta Aranha e Barros (2005), a participação dos moradores é fundamental para buscar a construção de uma realidade mais crítica, visando uma educação que busque a conscientização e a resolução dos problemas mais urgentes, para isto, é preciso que haja motivação, onde exista o envolvimento destes moradores na atuação junto às lideranças. 5. CONSIDERAÇÕES FINAIS Como foi possível avaliar nesta pesquisa, o igarapé Altamira está em estado de degradação ambiental, vários problemas ambientais como assoreamento, e se nenhuma atitude for tomada para reverter essa situação, a tendência é que o nível da água diminua ainda mais. Retirada da mata ciliar,poluição puderam ser vistos nos arredores desse curso d’água, além de serem identificados alguns problemas sociais como acidentes nas passarelas, doenças contraídas, casas em situações precárias, difícil acesso as residências durante as cheias do Altamira. A Educação Ambiental pode ser um caminho para se tentar amenizar os impactos causados no entorno do igarapé Altamira. Seria importante a realização de palestras sobre preservação do meio ambiente para que os moradores locaisficassem mais informados e conscientes da importância do igarapé Altamira e de sua preservação A realização de palestras de Educação Ambiental pode ser umas das formas de amenizar os impactos causados no igarapé Altamira, mas a melhor saída para acabar ou reduzir esses problemas seria o remanejamento dessas pessoas para locais propícios e adequados para residirem. Essa seria a melhor solução, pois além de melhorar a qualidade de vida para esses moradores com saneamento básico, saúde, educação e mais segurança para eles. Mas essa realidade está preste a mudar, pois uma das condicionantes para a construção da Hidrelétrica de Belo Monte é o remanejamento das pessoas que moram no entorno dos igarapés que serão impactados por esse empreendimento, e a previsão é que esses moradores sejam logo remanejados dessas áreas de risco. Com o realojamento, além de melhorar a vida desses moradores poderiam também realizar o processo de recuperação ambiental do igarapé. Sem a ocupação nessas áreas de preservação permanente (APP’s) seria mais fácil recuperá-las, pois poderia revegetar o local, evitando o aparecimento de diversos problemas ambientais que são encontrados nesses locais, o igarapé também poderia voltar a ter suas águas limpas e livres de poluição causada pelo grande concentração de lixo acumulado pelo despejo realizado pelos moradores do entorno do Altamira. Com tais açõespossivelmente o Altamira voltaria a ser aquele local que servia de lazer para a população do município de Altamira, como foi afirmado pelos moradores, poisaproximadamente há três décadas o manancial era limpo, mesmo o igarapé não sendo adequado para o banho, para os afazeres domésticos para a pesca, uma grande parte desses moradores ainda realizam algumas atividades no Altamira, mas se esse curso de água pudesse voltar a ser o que era antes com certeza as pessoas poderia utiliza-lo sem nenhum risco para a sua saúde. A parceria de escolas municipais com os órgãos ambientais competentes também se configura como uma importante estratégia de educação ambiental. As escolas poderiam ceder seus espaços para que pudessem ser realizadas palestras sobre Educação Ambiental, tanto para os moradores quanto para a sociedade altamirense em geral, contribuindo dessa forma para a formação de cidadãos críticos e conscientes pela preservação e proteção ambiental. É preciso também, que a sociedade em geral tenha uma compreensão mais ampla sobre o meio ambiente; pois pensar no meio ambiente como algo que está estritamente ligado a floresta, ou a fauna, ou aos rios e paisagens naturais, tem trazido sérias consequências para todo o planeta. O meio ambiente deve ser pensado dentro de uma visão sistêmica, que vê o mundo numa relação complexa, onde tudo está em conexão. Essa compreensão poderia estar ligada a realização de palestras, oficinas que pudesse mostrar para a sociedade os problemas que são causados ao meio ambiente e que consequentemente se refletem na vida da sociedade. A Educação Ambiental é tão importante que também poderia ser inserida nas escolas, transformando-se em uma disciplina obrigatória, pois assim a sociedade aprenderia desde cedo à importância de preservar o meio ambiente. 6. REFERÊNCIAS AMORIM, L. M. Ocupação de fundos de vale em áreas urbanas. Estudo de caso: Córrego do Mineirinho, São Carlos, SP. 2004. 214 f. 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Fundamental Comp. Ensino Médio Inc. Ensino Médio Comp. Analfabeto Ens. Fundamental Incomp. Ens. Fundamental Comp. Ensino Médio Inc. Ensino Médio Comp. 10% 60% 10% 12,5% 7,5% Analfabeto Ens. Fundamental Incomp. Ens. Fundamental Comp. Ensino Médio Inc. Ensino Médio Comp. 4 24 4 5 3 Sim Não 8 32 image2.jpeg image3.jpeg image4.jpeg image5.jpeg image6.jpeg image7.jpeg image8.jpeg image9.jpeg image10.jpeg image1.pngde ocupação desordenada. Segundo Waschineweski (2010, p. 01): A ocupação das áreas de fundos de vale ocorre desde antigamente, pois o homem buscava construir sua moradia próxima aos rios, igarapés, nascentes, entre outros. Isso acontece pelo fato de que esses lugares facilitavam sua vida, ficando assim mais próximo da água para seu consumo próprio e para a realização dos afazeres domésticos, além de ser propicio ao transporte fluvial, quanto à própria pesca. Mas no cenário atual isso vem acontecendo pelo fato de as pessoas sem capital para construir suas moradias em outros lugares que sejam propicio para isso. É provável que essas áreas de fundos de vale que,há muito tenham sido habitadas, pelo fato de as pessoas usarem os cursos de água para navegação entre outras atividades domésticas, como lavar roupa, louça e outros afazeres, deixaram de ter essa finalidade no momento em que essas cidades ribeirinhas passaram a ser cortadas por estradas, assim como afirma Labadessa e Miranda (2011, p. 02): A necessidade de moradia e desenvolvimento a qualquer custo acomete o uso de áreas que deveriam ser preservadas à construção de casas e outros imóveis. Essas áreas e seus arredores são usufruídos com ausência de planejamento das atividades urbanas, e tem gerado modificações impertinentes ao meio ambiente refletindo na qualidade de vida do homem, que se dá de modo diferenciado, atingindo na maioria das vezes de configuração mais intensa a população de baixa renda, a qual, sem acesso à moradia, passa a ocupar essas áreas impróprias à habitação, como por exemplo as margens de córregos e igarapés, que deveriam ser preservados. Atualmente, o principal motivo que leva essas pessoas a ocuparem áreas alagadas possa ser a falta de capital. É bem provável que pelo fato de não possuir recursos suficientes para habitar locais mais propícios para moradias, faz com que elas ocupem as áreas de menor custo, que geralmente estão localizadas próximas às margens de igarapés, o que pode acabar sendo a causa de diversos problemas ambientais e sociais. Como salienta Waschineweski (2010, p. 01): [...] A ocupação urbana no Brasil vem ocorrendo de maneira desordenada, sem considerar as características naturais do meio, o que levam a ocorrência de impactos negativos à sociedade. Esses impactos refletem de maneira acentuada nas áreas de fundo de vale, isso porque essas áreas possuem características ambientais importantes que tem influencia os recursos hídricos e deveriam ser preservadas. . As Áreas de Preservação Permanente (APPs) deveriam ser respeitadas,uma vez que são exploradas pelo ser humano, fato que podemudar completamente seu sistema natural, ocasionando assim um grande desequilíbrio nesse ecossistema. Levando em consideração o posicionamentode Waschineweski (2010) esses problemas ambientais e sociais podem estar ligados à ocupação desordenada nas áreas de fundo de vales, fazendo com que esse tipo de moradia possa causar vários problemas para o meio ambiente e consequentemente também para a população. Segundo Aranha e Barros (2005, p. 03): A região amazônica vem sofrendo nos últimos tempos sérias agressões causadas pela ocupação desordenada dos ecossistemas, crescimento populacional sem planejamento, desmatamentos e principalmente o uso inadequado de recursos hídricos, incluindo a exploração imobiliária de áreas alagadas que são impróprias para esse fim. Na Amazônia são muitos os impactos ambientais provocados pelo ser humano (entenda-se por ser humano as populações que visam o crescimento econômico a partir da exploração desordenada de recursos naturais), principalmente devido aos grandes projetos de criação de rodovias, ampliação da exploração de madeira, expansão agrícola e agropecuária, implantação de usinas hidrelétricas, entre outros, que acabam estimulando a destruição em longa escala de uma parte considerável da floresta amazônica. Em Altamira o processo de ocupação nas margens do Igarapé Altamira pode ter sido iniciado com o inicio da construção da BR 230, mas conhecida como Rodovia Transamazônica, fato que pode ter levado a intensificação da urbanização do município, levando em consideração que o igarapé Altamira poderia ser um dos principais cursos de água, e que proporcionasse uma maior facilidade na captação de água seja para o consumo humano quanto para afazeres domésticos e algumas outras atividades como a pesca e a navegação. Em estudos realizados por Aranha e Barros (2005), esses aspectos são considerados em suas reflexões acerca das transformações que o Igarapé Altamira vem passando pela ocupação desordenada em suas margens. Em suas palavras: Desde então, o Igarapé Altamira vem passandopor transformações causadas pela ocupação desordenada em suas margens. Apesar dasocupações terem acontecido em áreas alagadiças, que são inadequadas para habitaçõeshumanas, desde o início da década de 1970 o Igarapé Altamira e seus arredores vêm enfrentando as construções de pontes, aterros, micro drenagem e outros.A poluição da água tem trazido consequências negativas para a humanidade. Os efeitos desta poluição têm sido uma grande preocupação, não apenas como ameaça à biodiversidade aquática, mas também por causa de seus efeitos na saúde humana, além da destruição de fontes de alimento como peixes e a contaminação da água potável das cidades (2005, p. 10). Devido um aumento significativo na ocupação desordenada em áreas de fundo de vales, e que vem constantemente se tornando palco de grandes discussões, nos leva a buscar uma maior compreensão sobre os problemas gerados com esse tipo de habitação. Ainda é visível que uma parte da sociedade não tem conhecimento a respeitodo que acontece nessas localidades.A pesquisa tem como objetivo central abordar algumas discussões que envolvem a relação dos problemas ambientais e sociais causados pela a ocupação desordenada em áreas de fundo de vales analisando como esses problemas refletem na vida dos residentes do local. Aoabordar essas discussões também é necessário realizar um histórico para que se possa averiguar os motivos que levaram e que ainda levam as pessoas a ocuparem áreas caracterizadas como fundos de vale, tipo de habitação, os problemas que podem ser causados. Como ocorreu essa ocupação desordenada em áreas de Preservação Ambiental no Brasil, os principais fatores que contribuíram para esse processo na Amazônia e por fim como se deu o aparecimento das ocupações no igarapé Altamira e relacionar os problemas ambientais e sociais causados. Para uma melhor compreensão é necessário analisar o histórico desse processo de ocupação, quais foram os principais motivos que levaram as pessoas a ocuparem essas áreas, sendo provável que antigamente as pessoas habitavam esses locais para que pudessem usufruir da água para algumas atividades. É possível que recentemente esse principal motivo possa ter mudado completamente, talvez as pessoas estejam ocupando cada vez mais essas áreas devido à falta de condições financeiras de residirem em outras localidades. Esse processo de intensificação de ocupações desordenadas pode ter aumentado com a aceleração da urbanização dos municípios, sendo interessante buscar entender a relação que esse tipo de moradia tem com alguns problemas ambientais como a poluição das águas, processos de assoreamento e erosão, relacionando com alguns problemas sociais como a falta de saneamento que consequentemente pode resultar em outros problemas. Em Altamira as margens do igarapé Altamira é palco de diversas construções que segundo dados obtidos nas entrevistas foram construídas sem nenhum tipo de licenciamento ambiental e que podem estar causando sérios riscos a esse corpo d’água. Problemas esses que nos chamam atenção para tentarmos entender os possíveis riscos causados tanto para o igarapé como às pessoas que residem em suas margens na tentativa de compreender como esses moradores conseguem sobreviver com tantos problemas, sejam eles ambientais ou sociais,buscando problematizar quais os problemas ambientais e sociais vem sendo causados no entornodo Igarapé Altamira pela a ocupação desordenada em áreas de fundo de vale. Esta investigação buscou focalizar essas questões, motivada pelo fato da possível existência de uma ligação entre a proliferação de doenças com a poluição da água, problemas esses que podem ser caracterizados como problemas sociais, bem como pela importância que estudos sobre o processo de assoreamento dos igarapés vêm ocupando atualmente no cenário nacional e internacional das pesquisas que tratem dos problemas ambientais. 1.1. Objetivo A presente pesquisa tem como principal objetivo a identificação de possíveis problemas ambientais e sociais gerados com a ocupação desordenada em áreas de fundos de vale e que relação esses problemas tem uns com os outros, mas precisamente no perímetro urbano do entorno do igarapé Altamira, no Município de Altamira-PA. 1.2. Justificativa Motivado por essa questão, este estudo buscou refletir quais os problemas ambientais e sociais que vêm sendo causados no entorno do Igarapé Altamira pela ocupação desordenada em áreas de fundos de vale. Ocupação que começou a ocorrer pelo processo de urbanização do município e que acabou prejudicando esse manancial, o outro motivo que levou a realização desse trabalho tentar entender os motivos que levaram a ocupação do Altamira. O principal motivo desse trabalho é poder repassar para a sociedade os problemas causados por essas ocupações irregulares em áreas indevidas para a moradia, problemas esses causados à natureza que consequentemente são refletidos aos moradores do local, além de proporcionar aos leitores conhecimento sobre as dificuldades enfrentadas por essas pessoas, principalmente na época das cheias, período esse que é mais agravado para os residentes das margens do Altamira. 2.MATERIAL E MÉTODOS 2.1 Delimitação e caracterização da área de estudo 2.1.1 Localização da área de estudo O município de Altamira compõe a Mesorregião do Sudoeste paraense e Microrregião de Altamira e está localizado em média 921 km da capital do estado do Pará – Belém. Com uma extensão territorial de 159.533 km², representa 12,8 % do Estado e uma demografia de 0,62 habitantes/km²), dados de (IBGE, 2010). Altamira encontra-se localizadageograficamente ao norte com o Município de Vitória do Xingu; ao sul, com o Estado do Mato Grosso; a oeste, noroeste e sudoeste, com os Municípios de Brasil Novo, Medicilândia, Uruará, Placas, Rurópolis, Trairão, Itaituba e Novo Progresso. Segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística – IBGE (2013) o Município de Altamira possui 105.106 habitantes e uma extensão territorial de 159.533, 730 Km², a cidade é banhada por vários igarapés, e possui uma grande quantidade de residências às margens destes, como é possível verificar no mapa abaixo. Figura 01-Mapa de Localização da Área de Estudo Fonte: IBGE.Elaborado por: Gabriel Santos (2014) 2.2 Caracterização e contextualização da área de estudo 2.2.1 Caracterização eHistórico de ocupação do município Em Altamira, de modo particular, o processo de ocupação teve início na década de 1970, ainda no Governo Militar, que tinha o interesse de promover o desenvolvimento da Amazônia e integrá-la a outras áreas do Brasil por meio das Rodovias 163, conhecida em nossa regiãocomo Santarém-Cuiabá e a BR 230, a Transamazônica (ARANHA e BARROS, 2005). Com o aumento da população de Altamira nos anos 1970, houve um inchaço, pois acidade não estava estruturada para receber os migrantes que vinham de várias regiões do Brasil. A cidade teve que se expandir, sendo ocupadas as terras planas, os morros, as baixadas e as áreas alagadiças próximas ao Igarapé Altamira, que corta a cidade. Nesse processo de intensificação desenfreada e sem ser planejamento de urbanização, foram surgindo novos bairros sem nenhuma estrutura, gerando um crescimento desordenado no município (ARANHA e BARROS, 2005). 2.2.2. Geologia A geologia do município de Altamira é bastante complexa, como afirma Moura e Ribeiro (2009), havendo grande extensão de áreas do pré-crambiano, que predominam praticamente em todo o seu território. Nelas estão expostas rochas do complexo Xingu, com tendência granito-gnaíssico-migmatíticas; super grupo Uatumã com seus componentes vulcânicos. Mas é possível que as rochas presentes no município possam ter sofrido alterações desde o seu processo de formação. 2.2.3. Relevo Acompanhamento essa complexa estrutura geológica, seu relevo é bastante movimentado e variado, fazendo parte, regionalmente, das unidades morfoestruturais. Depressão Periférica e Planalto Dissecado do sul do Pará, inclusive também, setores do Planalto Rebaixado da Amazônia, englobam forma de relevo caracterizadas por áreas de pequenas serras cristalinas, morros isolados (inselbergs), superfícies e escarpas tabulares, pequenas cuestas, setores de colinas, tabuleiros, terraços e aluviões (MOURA E RIBEIRO, 2009). 2.2.4. Solos e clima Altamira possui uma grande diversidade em tipos de solos, no qual pode ser classificado em várias classes, assim como afirma Moura e Ribeiro (2009) o município apresenta manchas de Latossolo Amarelo, também apresenta o Latossolo Vermelho-Amarelo, e em menor ocorrência aparecem os solos Litolícos Distróficos. O clima do município é do tipo equatorial Am e Aw, da classificação de Koppen. Apresentando temperaturas médias de 26º C, e precipitação anual girando em torno de 1.885mm ano, sendo que os meses mais chuvosos vão de dezembro a maio e, os menos chuvosos vão de julho a novembro (MOURA e RIBEIRO, 2009). 2.2.5. Vegetação A vegetação predominante no município é a Floresta Aberta latifoliada (cipoal) e a Floresta Aberta Mista (Cocal), na sub-região da superfície arrasada do médio Xingu/Iriri. (MOURA E RIBEIRO, 2009). 2.2.6. Hidrografia O município tem entorno de 153.862 Km2 de bacia hidrográfica do Xingu, seus afluentes são os rios Fresco, Iriri, Bacajá e Curuá. O rio Xingu é o principal não só de Altamira, mas sim de toda a região do Xingu, tendo como extensão aproximadamente 1.870 km, sendo destes 900 km navegáveis, mesmo transpondo cachoeiras e quedas d’água. (MOURA E RIBEIRO, 2009). 2.3. Procedimentos Metodológicos Com a compreensão que o ato da pesquisa envolve um conjunto de procedimentos elaborados com a finalidade de compreende a realidade e construir conhecimentos, este estudo se construiu com base na pesquisa qualitativa por corresponder ao tipo de pesquisa processo caminho mais adequada para o foco desta investigação, à medida que nos possibilitapor superar os limites dos métodos objetivistas e universais das pesquisas quantitativas e não apresentarem “[...] um padrão único porque admitem que a realidade é fluente e contraditória e os processos de investigação dependem também do pesquisador – sua concepção, seus valores, seus objetivos (CHIZZOTTI, 2008, p. 26). A pesquisa foi realizada no Igarapé Altamira, na área correspondente ao perímetro urbano do município de Altamira, localizado à Sudoeste do Estado do Pará, e contou com a participação de moradores de 40 residências de 05 ruas no entorno do Igarapé Altamira. Para a obtenção dos dados foi adotado o instrumento da entrevista semiestruturada por meio da aplicação de questionários com perguntas abertas e fechadas, sem a utilização de gravadores, esta opção foi escolhida para que se evitasse o constrangimento dos entrevistadose as informações obtidas fossem as mais precisas. Segundo MANZINI (1990), a entrevista semi-estruturada tem como foco o tema sobre o qual foi confeccionado o roteiro, neste roteiro devem constar as perguntas principais, complementadas por outras questões que se fizerem necessárias na circunstanciada entrevista. Os dados obtidos foram tabulados através do Software MS Excel 2010, com utilização de filtros e tabelas dinâmicas, que resume uma grande quantidade de dados rapidamente, ou os combina de tabelas diferentes. Além dos gráficos também foi utilizados nesse trabalho registros fotográficos para facilitar uma melhor leitura por parte dos leitores. 2.3.1 Trabalho de campoOs resultados apresentados neste trabalho foram obtidos por meio de entrevistasrealizadas em 40 residências de 05 ruas que possuem trechos banhados pelo Igarapé Altamira, a saber: Rua 1º de Janeiro, Rua Magalhães Barata, Rua Manoel Umbuzeiro, Rua 07 de Setembro, Av. João Coelho, Rua Fausto Pereira e Ernesto Acioly, localizadas no Bairro Aparecida. A coleta de dados teve uma duração de dez dias, sendo iniciada no dia 07 de abril de 2014 e finalizada em 17 de abril de 2014, sendo esse período caracterizado com o das cheias, pois foi realizado na época das chuvas na região amazônica. Também foi feito georeferenciamento da área por meio de registros fotográficos, onde foi possível verificar alguns problemas a que esses moradores enfrentam no período das cheias, período esse que aumenta de forma significativa as chuvas e que consequentemente eleva-se o nível dos igarapés. Foram realizadasalgumas visitas com o objetivo de observar a área estudada, onde foram realizados registros fotográficos e observado algumas situações do dia a dia dos moradores, principalmente no que se refere a locomoção das famílias nas passarelas construídas como ruas, e outras visitas para o levantamento de dados, por meio da aplicação de questionários. 3.SUBSÍDIOS PARA A REFLEXÃO AMBIENTAL DE OCUPAÇÕES EM FUNDOS DE VALE O levantamento bibliográfico é muito importante para o andamento do trabalho, pois é através desse referencial que será possível um melhor embasamento científico que ajudará na análise dos dados coletados e que poderão contribuir para uma melhor realização da pesquisa. Bibliografias estas que servirão de Alicerce para consolidação deste trabalho, e serão apresentados vários conteúdos relacionados aos processos de erosão, assoreamento, poluição de mananciais, áreas de preservação permanente (APP’s), importância da mata ciliar, educação ambiental, dentre outros. Nessa pesquisa serão utilizados diversos autores como: Labadessa e Miranda (2011), Barros Et Al (2003), Aranha e Barros (2005), Diaz(2002), Gonçalves (1998), Silva e Silva(1993), Canholi(2005), Mendonça e Barros (2002), Amorim (2004), Dohme e Dohme (2002), Santos e Sato (2001), Maricato (2001), Guimarães (2002), Loureiro (2002), Trentin&Simon (2005), Salomão (1991), Silva (2007), Castro Et Al (2013), Moura e Ribeiro (2009), Manzini (1990), entre outros autores e fontes no qual serão usados como embasamento para a realização desse trabalho. 3.1. As implicações do desenvolvimento urbano para as áreas de fundos de vale De acordo com Canholi (2005), o planejamento do desenvolvimento urbano, quase sempre inconsistente ou até mesmo inexistente, associado ao crescimento acelerado das cidades resulta em inúmeros problemas, especialmente no que diz respeito à dinâmica das águas pluviais. Isto se deve a expansão das áreas impermeáveis, que aceleram e ampliam o escoamento superficial, aumentando consequentemente os picos de vazão nos cursos d’água. Nessa direção, o processo de migração de pessoas para as cidades acarretou um crescimento acelerado que possa ter sido o grande fator que contribuiu para tantos problemas ao meio ambiente. As áreas de Fundos de vale podem ser caracterizadas como terrenos mais baixos que geralmente são cortados por cursos de água. Essas zonas precisam ser consideradas e preservadas nos processos de zoneamento e planejamento urbano (AMORIM, 2004). Segundo Trentin e Simon (2005) as zonas de fundos de vale são de extremaimportância na concentração do escoamento superficial e subsuperficial, pois permitem o armazenamento dos picos pluviométricos, aumentandoa capacidade do leito fluvial para escoar as cargas adicionais de água esedimentos. É importante que essas áreas que são caracterizadas como de preservação ambiental, devem ser preservadas, pois é possível que quando modificadas possam alterar todo o seu sistema natural. Conforme salienta Waschineweski(2010, p.01): Em se tratando da preservação dessas áreas, as Áreas de Preservação Permanente (APPs) são áreas nas quais, por imposição da lei, a vegetação deve ser mantida intacta, tendo em vista garantir a preservação dos recursos hídricos, da estabilidade geológica e da biodiversidade, bem como o bem-estar das populações humanas. O regime de proteção das APPs é bastante rígido: a regra é a intocabilidade, admitida excepcionalmente a supressão da vegetação apenas nos casos de utilidade pública ou interesse social legalmente previsto. É necessário compreender que essas localidades são áreas de preservação ambiental e que a ocupação pode infringir em leis que protegem esses locais e que ainda possa ocorrer punições aos infratores.Para Barros et al (2003, p, 47): A principal legislação ambiental que visa à proteção dessas áreas é a Lei Federal 4.771/65, chamada de Código Florestal, alterada pela Lei n.º 7.803/89 Esta lei define em seu art. 2º que as faixas ribeirinhas devem ter no mínimo 30 metros de largura quando a largura do rio não ultrapassar 10 metros, aumentando conforme a largura do corpo d’água. No caso de ocupação destas áreas, a norma estabelecida através da Medida Provisória 1956-53 de agosto de 2000, que alterou o art. 4º do Código Florestal, estabeleceu que a supressão de vegetação em APPs e consequentemente a sua utilização só poderá ser efetuada para fins de utilidade pública e/ou benefício social devidamente declarado pelo poder público municipal. 3.2. O código florestal brasileiro e as áreas de APP’s O Código Florestal Brasileiro é bem claro no que diz respeito às leis que protegem as áreas de APP’s, especificando a proteção dos cursos d’água conforme o seu volume, sendo que ocorre uma variação segundo o aumento da sua largura. O código florestal (IBDF, 1988) em seu artigo 2°, considera como área de preservação permanente as florestas e demais formas de vegetação natural situada ao longo dos rios ou de qualquer outro curso de água, desde o seu nível mais alto, em faixa marginal cuja largura mínima seja: a. 30 (trinta) metros para os cursos de água de menos de 10 (dez) metros de largura; b. 50 (cinquenta) metros para os cursos de água que tenham de 10 (dez) a 50 (cinquenta) metros de largura; c. 100 (cem) metros para os cursos de água que tenham de 50 (cinquenta) 200 (duzentos) metros de largura; d. 200 (duzentos) metros para os cursos de água que tenham de 200 (duzentos) a 600 (seiscentos) metros de largura; e. 500 (quinhentos) metros para os cursos de água que tenham largura superior a 600 (seiscentos) metros. No código florestal brasileiro é possível observar de forma bem detalhada o que fica subentendido se tratando de áreas de preservação permanente. A Constituição Federal de 1988, em seu artigo 129, elegeu como função institucional do Ministério Público, dentre outras, a promoção da ação civil pública para a proteção do patrimônio público e social, do meio ambiente e de outros direitos difusos e coletivos. (BRASIL, 2014). A Constituição Federal Brasileira, através do artigo 225, estabelece que, ao Poder Público e à coletividade o dever de defender e preservar o meio ambiente, reforçando o exposto pela Lei 6938, de 31 de Agosto de 1981, que trata da Política Nacional do Meio Ambiente e, mais recentemente, a questão da responsabilidade da pessoa jurídica com o advento da Lei de Crimes Ambientais- Lei 9605, de 12 de Fevereiro de 1998 e o decreto 3,179 de 21 de Setembro de 1999, que dispõe sobre as sanções aplicáveis às condutas e atividades lesivas ao meio ambiente, podendo aplicar multa no valor de até 50.000.000,00 (cinquenta milhões de reais) conforme o caso. (BRASIL, 2014). Alguns artigos da Constituição Federal Brasileira citam de forma bem clara o que fica entendido por crimes ambientais, as possíveis punições e as multas que podem ser aplicadas as pessoas que cometem infrações que agridem o meio ambiente. Segundo Labadessa e Miranda (2011) legitimamente, a vegetação riparia, ou seja, que margeia os cursos d’água é parte da Área de Preservação Permanente, no qual é proibido o corte de vegetação nativa ou qualquer outra forma de exploração,definida pelo Código Florestal, lei federal n.° 4.771/65, devendo ser respeitadas as faixas marginais ao longo das margens dos rios, tendo essas larguras varáveis dependendo da largura dos corpos de água. Seguindo o pensamento de Labadessa e Miranda (2011) é proibida a retirada da vegetação que está presente nas margens de cursos de água e que o não cumprimento dessa lei federal pode implicar em uma série de problemas para o infrator. No Âmbito Federal possuímos a Lei de Política Nacional de Meio Ambiente e a Lei de Crimes Ambientais (Lei 9.605/98) além da Constituição Federal e normas infraconstitucionais, instrumentos jurídicos para a proteção do meio ambiente impondo deveres e responsabilidades aos Órgãos Públicos e a toda Coletividade. (BRASIL, 2011). Segundo Falcão et al(2008) para preservação e recuperação dos igarapés em áreas urbanas, devem ser considerados importantes na elaboração do plano diretor: · Realocar os moradores das áreas impróprias para proteção da população contra as enchentes urbanas e nas áreas não ocupadas fazer um planejamento para infraestrutura necessária, garantindo a manutenção da fauna e da flora; · Revegetar as matas ciliares no entorno dos canais, a fim de evitar processos erosivos; incentivar a educação ambiental em todos os níveis; emelhorar os serviços de limpeza, evitando o lançamento de resíduos sólidos urbanos e a deterioração da qualidade da água. Nessa assertiva, a importância de recuperar áreas degradadas por ocupações desordenadas vem a cada dia se tornando mais necessária, pois é possível que coma recuperação de tais áreas possa voltar a predominar o seu sistema natural, pois de acordo com o Guia Ecológico (2012, p. 02), considera-se que a mata ciliar: É um tipo de cobertura vegetal nativa, que fica às margens de rios, igarapés, lagos, nascentes e represas. O nome “mata ciliar” vem do fato de serem muito importantes para a proteção de rios e lagos tal como são os cílios para nossos olhos. As matas ciliares também são conhecidas como mata de galeria, vegetação ribeirinha ou vegetação ripária. As matas ciliares são fundamentais para o equilíbrio ecológico, oferecendo proteção para as águas e o solo, reduzindo o assoreamento e a força das águas que chegam a rios, lagos e represas, mantendo a qualidade da água e impedindo a entrada de poluentes para o meio aquático. Formam, além disso, corredores que contribuem para a conservação da biodiversidade; fornecem alimento e abrigo para a fauna; constituem barreiras naturais contra a disseminação de pragas e doenças da agricultura; e, durante seu crescimento, absorvem e fixam dióxido de carbono, um dos principais gases responsáveis pelas mudanças climáticas que afetam o planeta. As matas ciliares passam a desempenhar alguns papéis importantes no meio natural, podendo servir como alimentação para algumas espécies de animais terrestres e aquáticos e também como proteção do solo. Segundo Castro et al (2013, p. 01): A recomposição das matas ciliares é de extrema preponderância no Brasil, pois estas que, primariamente desempenham o papel de proteger as margens dos corpos d’água, evitando o assoreamento, também favorecem a regularização da vazão dos rios e córregos além de oferecer abrigo e alimentação para a fauna local. As principais causas do assoreamento de rios, ribeirões e córregos, lagos, lagoas e nascentes estão relacionadas aos desmatamentos, tanto das matas ciliares quanto das demais coberturas vegetais que, naturalmente, protegem os solos. .(...) Esses aglomerados de pessoas podem ter contribuído para o surgimento de problemas ambientais existentes na área estudada, como a poluição do igarapé e a retirada da mata ciliar. As alterações das matas ciliares contribuem de forma decisiva para o equilíbrio natural do ecossistema como discorrem Mendonça e Barros (2002, p. 67). A preservação da mata ciliar ou vegetação ripária nas APP’s de fundo de vale é de suma importância, já que é a base para o equilíbrio natural do ecossistema. Popularmente mais conhecida como mata ciliar, a vegetação ripária se desenvolve ao longo dos rios, dos mananciais, reservatórios e demais corpos d’água e está entre os ecossistemas mais perturbados pela ação antrópica. Funciona como reguladora do fluxo de água, sedimento e nutrientes entre os ecossistemas aquáticos e terrestres, reduzindo o assoreamento e auxiliando na manutenção da água. Segundo Zanini (1998) esta vegetação atua sobre alguns dos elementos climáticos, contribuindo para o controle da radiação solar, temperatura e umidade do ar, velocidade dos ventos e a ação das chuvas, além de reduzir a propagação de ruídos. Na área do igarapé Altamira supõe-se que a retirada da mata ciliar aconteceu em decorrência da construção de residências em suas margens. Com a retirada dessa proteção o solo fica descoberto e totalmente vulnerável as enxurradas, que por sua vez transportam solo podendo causar um problema ambiental conhecido como erosão, as erosões são buracos feitos no solo através da ação das águas sejam elas pluviais ou fluviais. 3.3. O processo de erosão e suas repercussões no assoreamento dos igarapés É importante enfatizar que se preservem essas vegetações, a sua retirada pode acarretar outros problemas ambientais como o assoreamento e a erosão do solo. A erosão é um fenômeno natural, em que a superfície terrestre sofre desgaste ese afeiçoa por ação de processos físicos, químicos e biológicos (SUGUIO, 2003). O processo de erosão pode ser causado tanto pela ação do homem quanto da natureza, mais em áreas urbanas as maiores incidências desse fenômeno são causadas pelo ser humano. O processo de erosão pode ser causado por alguns agentes como as águas das chuvas (pluviais), águas correntes (fluviais), retirada da mata ciliar entre outros. Salomão (1991) classifica os processos erosivos em erosão natural e antrópica. A primeira é a somatória dos resultados da influência dos agentes naturais que atuam na remoção de materiais da crosta, destacando-se a água corrente. A segunda é a erosão antrópica, aquela em que a desagregação dos materiais, principalmente do solo, se dá em consequência da intervenção humana no meio físico. A erosão pode ser tanto um processo natural quanto antrópico, podendo se tornar um grande problema ambiental. Se tratando do meio urbano é mais provável que o processo de erosão seja causado pela ação antrópica, ou seja, causada pela interferência do ser humano.Para Silva(2007),a erosão hídrica é o tipo de erosão mais importante e preocupante, poisdesagrega e transporta o material erodido com grande facilidade, principalmente emregiões de clima úmido, onde seus resultados são mais drásticos. Essa erosão tem como principal causador a ação das águas, sejam elas fluviais ou pluviais, que podem carregar grandes quantidades de sedimentos. Esse tipo de erosão pode ter maior ocorrência pela possível retirada da vegetação natural que geralmente suas raízes podem servir como proteção contra os desbarrancamentos, além de ser um grande problema ambiental esse tipo de erosão também pode trazer problemas sociais. Conforme Silva(2007), a erosão superficial laminar é a erosão do solo que atua diretamente na forma do terreno de diversas maneiras, depende da natureza do solo, da intensidade das precipitações e do tipo de cobertura vegetal. Uma das principais formas da erosão por águas pluviais é a desagregação das partículas do solo e seus arraste por escoamento superficial difuso (laminar). É possível que quando o solo está descoberto e dependendo do seu tipo possa ser mais facilmente transportados pela ação das águas fluviais. Outro possível problema ambiental que pode ser decorrente do processo de erosão pode ser conhecido como assoreamento, também podendo acontecer pelo acúmulo sedimentos nos corpos de água. Os resíduos que são despejados nos cursos de água podem se tornar grandes problemas ambientais e também sociais. Se tratando de problema ambiental pode ser um do grande contribuinte para o ocasionamento do processo de assoreamento nas áreasurbanas. Segundo Soubhiae Bianchini (2010, p. 07): O assoreamento é o nome técnico que se dá ao processo acelerado de deposição de sedimentos em uma área rebaixada (área de sedimentação). Do ponto de vista geológico a sedimentação é um processo natural, decorrente da erosão. No entanto sua aceleração, devido a fatores antrópicos, resulta em uma série de efeitos indesejáveisno meio ambiente. Reserva-se o termo assoreamento para a sedimentação aceleradapor processos de ocupação do espaço geográfico pelo homem, com suas atividadesdecorrentes: desmatamento, pecuária, agricultura, mineração, urbanismo, etc. Em se tratando do meio urbano, esse processo pode ser ainda mais agravado pela influência do homem, a intervenção do ser humano no meio natural pode agravar o assoreamento dos corpos de água. O processo de assoreamento em uma bacia hidrográfica encontra-se intimamente relacionado aos processos erosivos, uma vez que são estes que fornecem os materiais que, ao serem transportados e depositados, darão origem ao assoreamento. Assoreamento e erosão são dois processos diretamente proporcionais na dinâmica de uma bacia hidrográfica: quando aumenta a erosão, haverá o consequente aumento do assoreamento em algum lugar a jusante na bacia hidrográfica (SOUBHIA e BIANCHINI, 2010). Ao discutir sobre o assoreamento, Castro et al (2013, p. 01) consideram que este : (...) Reduz o volume de água, torna-a turva e impossibilita a entrada de luz dificultando a fotossíntese e impedindo renovação do oxigênio para algas e peixes, conduzindo rios e lagos ao desaparecimento. Quando isso ocorre, cabe às matas ciliares servirem de filtro para que este material não se deposite sob a água. Quando as matas são indevidamente removidas, rios e lagos perdem sua proteção natural e ficam sujeitos ao assoreamento, e ao desbarrancamento de suas margens, o que agrava ainda mais o problema. A importância da preservação e recomposição das matas ciliares bem como o seu reconhecimento como parte integrante da rede de drenagem de uma bacia hidrográfica vem se intensificando nos últimos anos à medida que vem sendo incorporada legislativamente nos códigos florestais no país. O assoreamento de cursos d’água acontece em consequência de processos erosivos que podem ser causados pela ação das chuvas, e acelerado por fatores antrópicos, podendo os fazer com que solos e detritospossam ser arrastados pelo escoamento das águas e serem depositado dentro dos corpos d’água. A proteção e não retirada da mata ciliar pode ser umas das formas de amenizar os impactos causados pela erosão e consequentemente o assoreamento. Os problemas ambientais surgem devido à separação que há entre os seres humanos e a natureza. O ser humano precisa tomar consciência de que é natureza e esta é uma descoberta verdadeiramente revolucionária numa sociedade que disso se esqueceu ao se colocar como um projeto de denominação da natureza (GONÇALVES, 1998). Uma vez que a natureza é um sistema único e complexo, onde um depende do outro e nenhuma espécie é superior à outra, é preciso uma consciência baseada na cidadania planetária, buscando a compreensão, a postura ética e o respeito mútuo, se preocupando com os problemas locais, pensando que estes fazem parte da local. A Educação Ambiental busca levar o indivíduo á descoberta dessa ética, que se fortalece com os valores, atitudes, comportamentos de Tolerância, solidariedade e responsabilidade (DÍAZ, 2002). A falta de capital necessário para se morar em locais mais favoráveis pode ser uma das causas que acaba levando essas pessoas a residirem em áreas inadequadas, muitos desses locais são de baixadas que acabam alagando no período das chuvas. Muitos constroem suas residências de forma precária e isso algumas vezes acaba colocando em risco suas vidas com possíveis desmoronamentos, essas residências são conhecidas como palafitas, casas de madeira construídas sobre igarapés ou rios e que pode não existir nenhum tipo de saneamento básico. Conforme Aranha e Barros (2005), essas casas são construídas praticamente dentro d’água possuem quase que nenhuma infraestrutura como eletricidade, sistema hidráulico ou de ventilação. Em muitos trechos energia elétrica e água encanada, mas em outros lugares as famílias puxam fios de energia ou utilizam água dos vizinhos mais próximos das ruas. A maioria das casas encontra-se em condições precárias com madeiras estragadas e correndo riscos de desabamentos. Os problemas causados por tais moradias irregulares podem não causar somente danos ao meio ambiente, mas também a saúde dos moradores dessas áreas, problemas que conhecemos como sociais, geralmente pela falta da rede de esgoto, de água potável, ou seja, falta de saneamento básico que propicia o aparecimento de diversas doenças causando assim vários transtornos à população que reside nesses locais. Aranha e Barros (2005, p. 10) Salientam que: A ausência de saneamento básico, especialmente de sistemas de abastecimentos de água tratada e esgotamento sanitário, faz com que os moradores desta área sejam frequentemente acometidos de doenças como diarreia e gripes, especialmente as crianças. Devido á inexistência de rede de esgotos, há um montante significativo de lançamento direto nos igarapés e rios. Em vários pontos da cidade também ocorrem inundações das ruas no período chuvoso devido á falta de obras básicas de infraestrutura. A poluição da água tem trazido consequências negativas para a humanidade. Os efeitos desta poluição têm sido uma grande preocupação, não apenas como ameaça á biodiversidade aquática, mas também por causa de seus efeitos na saúde humana, além da destruição de fontes de alimentos como peixes e a contaminação da água potável das cidades. Além de poluir a água os resíduos sólidos também prejudicam a saúde das pessoas que mantém contato com esses mananciais, causando assim vários tipos de doenças infecciosas.Ainda segundo Aranha e Barros (2005, p. 11): Devido ao estado de total degradação da área e o acumulo de lixo, são comuns casos de várias doenças como urticária (coceira), gripe, diarreia, verminoses. Entre as pessoas atingidas por essas doenças, as mais prejudicadas são as crianças, que sem muita consciência de seus atos, e por não terem espaço de lazer apropriado, acabam brincando nos espaços que ficam embaixo de suas casas, onde é lançado todo tipo de lixo e esgoto. Há uma carência de programas de saúde que possibilitem o atendimento de todas as famílias destas áreas, pois segundo os agentes de saúde que trabalham nas comunidades uma das exigências da Secretaria de saúde é atender as famílias mais carentes, uma vez que os recursos destinados a esses programas são insuficientes e poucos são os agentes para atender toda a demanda. Existe uma grande possibilidade de o aparecimento dessas doenças estarem ligados a falta de saneamento urbano e com a própria poluição das águas que, entre outros, podem ser causadas pelo despejo de lixo nos corpos de água, que por sua vez podem estar ligados com a falta de conscientização por parte dos moradores locais. 4. RESULTADOS E DISCUSSÃO DA PESQUISA DE CAMPO O perímetro urbano de Altamira é cortado por diversos e importantes cursos d’água como os igarapés Panela, Altamira e Ambé, sendo o igarapé Altamira um dos seus principais, e que tem sofrido grandes alterações com o processo de ocupação desordenada do município. Segundo relatos de moradores, o igarapé era um dos principais pontos de lazer da cidade, considerado um ótimo balneário no qual as pessoas desfrutavam para diversas atividades, como a navegação, a pesca, captação de água para os afazeres domésticos, e até para o próprio consumo. Como apresenta Figura 02 à maioria dos entrevistados reside no local há mais de 20 anos. Figura 02- Tempo de moradia no local. Fonte: Dados da pesquisa. Elaborado por: Miléo (2014) Segundo os entrevistados o igarapé era limpo e suas águas totalmente propícias para afazeres domésticos e principalmente para o lazer, alguns afirmaram que residemno local desde seu nascimento e que nunca moraram em outros locais, outros moradores afirmaram que herdaram essas residências de seus pais. Os transtornos causados nas épocas das cheias é a principal dificuldade enfrentada por esses moradores. Figura 03-Conhecimento dos moradores sobre a poluição nas margens do igarapé Altamira. Fonte: Dados da pesquisa. Elaborado por: Miléo (2014) Conforme apresentado no gráfico acima (Figura 03), a maioria dos moradores da área de estudo afirmaram que existe um conhecimento a respeito dos problemas ambientais e sociais causados na localidade, tendo conhecimento de que suas ações contribuem para esses problemas, problemas esses que são causados tanta ao meio ambiente quanto a eles. Existe consciência por parte do moradores sobre os danos ambientais e sociais causados por essa ocupação, entretanto como apresenta o gráfico abaixo (Figura 04) existem três principais pontos que motivam essas famílias a permanecerem nesse local. Figura 04 - Motivo que levam os moradores as residirem no local. Fonte: Dados da pesquisa. Elaborado por: Miléo (2014) A figura 04 apresenta os três principais motivos que levam essas pessoas a residirem no local. Para 5% dos entrevistados a permanência na localidade é por gostar da moradia às margens do igarapé e se sentirem bem em suas residências, por esse motivo não desejam mudar-se para outras localidades. Já para 25%,os motivos que os levaram a residirem no entornam do igarapé foi herança recebida de seus pais, nesse caso as residências que acabaram ganhando de seus familiares, enquanto que para 70% desses moradores, o fato de residirem no local se da principalmente por falta de condições financeiras para comprarem suas residências em outros locais, visto que esses locais são mais caros. O desejo de residir de outros locais se dá principalmente pelas dificuldades enfrentadas nos períodos chuvosos do ano, devido à questão das enchentes, que dificulta o acesso às suas residências. Figura 05- Principais problemas causados pela ocupação no Igarapé. Fonte: Dados da pesquisa. Elaborado por: Miléo (2014) Para os moradores a ocupação às margens do igarapé causa dois grandes problemas, sendo que para 20% dos entrevistados o principal problema é a incidência de doenças como cólera, malária e dengue. No entanto, a maioria dos moradores acredita que o principal problema é a agressão ao meio ambiente. Segundo eles o igarapé sofre muito com esse tipo de ocupação, principalmente pela quantidade de lixo despejado dentro do Altamira o que acaba prejudicando esse curso de água. Segundo alguns dos moradores entrevistados, a falta de saneamento e de acompanhamento por parte da secretaria de saúde podem ser alguns dos motivos que levam essas áreas a se tornarem uma das áreas que mais sofrem constantemente com doenças. Aranha e Barros (2005, p. 11), afirmam que: Devido ao estado de total degradação da área e o acúmulo de lixo, são comuns casos de pessoas com várias doenças como urticária (coceira), gripe, diarreia, verminoses. Entre as pessoas atingidas por estas doenças, as mais prejudicadas são as crianças, que sem muita consciência dos seus atos, e por não terem espaços de lazer apropriados, acabam brincando nos espaços que ficam em baixo de suas casas, onde é lançado todo tipo de lixo e esgotos. Há uma carência de programas de saúde que possibilitem o atendimento de todas as famílias desta área, pois segundo os agentes de saúde que trabalham na comunidade, a exigência da Secretaria Municipal de Saúde é de atender somente as famílias mais carentes, uma vez que os recursos destinados para estes Programas são insuficientes e são poucos os agentes para atender toda a demanda. O problema é que todas as famílias que moram nesta área precisam desses atendimentos. Embora sabendo que o lixo é um grande problema para o meio ambiente vários moradores ainda o jogam dentro desse manancial. Essas práticas por sua vez contribuem com as enchentes recorentes na área em estudo. O processo de ocupação e as práticas dos moradores têm contribuído, conforme apresenta a Figura 06, com um cenário de grandes mudanças. Figura 06- Paisagem modificada com a ocupação às margens do igarapé Altamira. Foto:Miléo, 2014. A interferência antrópica pode ter contribuído para a transformação da paisagem do local, podendo ter começado o processo de degradação ambiental nessa localidade. Neste contexto Aranha e Barros(2005, p. 09) salientam que: As ocupações ao longo dos anos se transformaram em aglomerados de famílias que residem em barracos submersos ao longo deste trecho. Estes aglomerados são interligados por pontes que cortam o igarapé e várias passarelas que servem de ruas para os moradores, exceto em épocas de chuva, quando ficam praticamente intransitáveis. No caso de enchentes mais graves, os moradores se deslocam em canoas e passam os períodos mais críticos de inverno alojados em prédios públicos cedidos pelos órgãos de defesa civil presentes no município. Como mostra a figura 07, a maioria da população que reside às margens do Altamira despeja grandes quantidades de lixo dentro do igarapé. O principal argumento é que não existe a coleta de lixo em sua rua por parte da prefeitura municipal de Altamira, no entanto uma minoria afirmou que em alguns pontos da localidade existe a coleta desse lixo, pois se localizam em ruas e onde não existe essa coleta é pelo fato de serem passarelas e que a prefeitura não coleta em todas as ruas pela dificuldade de acesso, dessa forma os moradores precisariam se deslocar de suas residências para deixar o lixo nos pontos de coleta. Figura 07 - Os moradores que jogam lixo no igarapé Fonte: Dados da pesquisa. Elaborado por: Miléo (2014) A figura 07 evidencia que o despejo de resíduos domésticos é uma prática corriqueira entre os moradores do entorno do igarapé Altamira. Essa práticacontribui com a poluição do igarapé, leva os moradores a jogarem lixo no Altamira, podendo causar assim grandes danos ao meio ambiente e que consequentemente além de degradar o recurso hídrico também poderá estar gerando problemas a eles mesmos. Levando em consideração que 97% dos moradores afirmaram jogar lixo no igarapé, apesar de ser uma porcentagem bem elevada alguns residentes afirmaram que todo o lixo presente no nesse curso d’água não é oriundo das residências do entorno do Altamira, pois uma parte desse lixo é transportado pelas águas desse manancial e acabam se concentrando em baixo dessas casas. O lixo é um dos principais problemas que pode ser visto dentro do igarapé Altamira, são garrafas pet, sacolas, fraudas descartável, entre outros tipos de resíduos que são despejados dentro deste curso de água. A enchente fluvial é um fenômeno causado pela elevação do nível dos rios e igarapés e que geralmente traz transtornos para a população que habita em torno do igarapé. Como pode ser observado na figura 08 o acúmulo de lixo nos arredores do igarapé é bastante intenso, segundo os moradores do local essa quantidade aumenta no período das cheias, pois o fluxo de água é mais intenso e a correnteza se torna mais forte. Esses fatores contribuem para que esses resíduos se acumulem nas cabeceiras das pontes, embaixo das residências, impedindo a passagem da água. Com a chegada do período das chuvas consequentemente eleva-se o nível do igarapé, as águas correm com mais força, podendo assim trazer em seu percurso uma maior quantidade de resíduos, que por sua vez podem se acumular agravando o problema das enchentes. Figura 08- Concentração de lixo na cabeceira da ponte. Foto:Miléo, 2014. Para SilvaeSilva (1993), as consequências são inevitáveis tanto para os ecossistemas naturais quanto para a população, o que compromete tanto a manutenção desses ecossistemas quanto a qualidade de vidadas pessoas. O impacto da poluição causada por esgotos domésticos sobre o ambiente, por exemplo, ainda não é bem avaliado, sendo seus resultados mais evidentes nos pequenos rios que drenam a área urbana das cidades. Figura 09- Principais dificuldades enfrentadasno inverno. Fonte: Dados da pesquisa Elaborado por: Miléo 2014 Conforme mostra a figura 09 existem três grandes problemas enfrentados pelos moradores da localidade do igarapé Altamira. Uma pequena parcela afirmou que o acúmulo de lixo é o principal problema enfrentado nessa época, para outra parte dos moradores o principal problema é o aparecimento de animais peçonhentos, principalmente as cobras. Mas, para a maioria dessa população o principal problema enfrentado são os alagamentos, das ruas e principalmente de suas residências e que em muitos casos é necessário o remanejamento dessas pessoas durante o período chuvoso. A partir da entrevista realizada com o coordenador da defesa civil de Altamira, estima-se que aproximadamente duas mil e cem famílias habitam na área urbana impactada pelo igarapé Altamira. Quando chega o período chuvoso parte dessas famílias são realocadas, em média esse número chega a cento e setenta e cinco famílias, podendo aumentar conforme a intensidade das cheias, algumas famílias são levadas para abrigos municipais enquanto outras vão para casa de familiares. A defesa civil informou ainda que no ano de 2014 o número de famílias realocadas foi de duzentas e vinte e duas, sendo que cento e vinte e uma delas foi para um dos abrigosmunicipaise o restante para a casa de parentes. O principal abrigo municipal de Altamira é montado no parque de exposições Antônio Inácio de Lucena que se localiza na rodovia Ernesto Acioly, os demais são montados em escola municipais, além da construção provisória dos abrigos a defesa civil ainda realiza um acompanhamento junto às famílias, onde são doadas cestas básicas quinzenalmente como complemento da alimentação desses habitantes. Além desse acompanhamento também é realizado um monitoramento diário do igarapé Altamira no período chuvoso no qual é medido o nível da água. A defesa civil de Altamira foi criada no dia 24 de março de 1999. Desde então vem realizando trabalhos junto à população que reside em áreas de riscos, mas esse órgão só começou a realizar um trabalho mais complexo no ano de 2012, onde foi possível abranger um maior campo de estudo nessas áreas de risco no município.O trabalho realizado por essa instituição ajuda com os auxílios prestados a essas famílias que passam por diversas dificuldades no seu dia a dia. Em entrevista realizada com os moradores foi possível observar que a maioria da população que reside em torno do igarapé sofre todos os anos quando chega o período das chuvas na região. A maioria afirmou que na época da elevação das águas precisam ser remanejados de suas casas, pois acabam tendo suas residências tomadas pelas águas do Altamira. Figura 10- Moradores que já foram remanejadosem períodos chuvosos. Fonte: Dados da pesquisa. Elaborado por: Miléo (2014) Outra parte dos moradores prefere não ser remanejados, pois segundo eles não tem para onde ir, e não querem ir para abrigos improvisados pelo município. Em contrapartida, essas famílias enfrentam grandes transtornos como conviver com a água dentro ou muito próxima às suas residências, como foi relatado por alguns moradores, que em muitas vezes preferem enfrentar dificuldades a serem remanejados para abrigos municipais. Figura 11- Igarapé Altamira no período da seca. Foto: Miléo 2013 Figura 12- Igarapé Altamira no período da enchente. Figura 12- Igarapé Altamira no período chuvoso. Foto: Miléo 2014 Ao analisarmos as figuras 11 e 12, é possível fazer uma comparação da grande diferença no nível da água do igarapé,fotos essas tiradas na Rua Ernesto Acioly, precisamente com vista da ponte da Reicon, que fica sobre o igarapé Altamira,no período não chuvoso o nível de água nesse manancial se torna muito baixo, já no período chuvoso esse nível se eleva muito, e o acumulo de lixo ainda pode contribuir para esse aumento, e é nessa elevação que as águas do igarapé Altamira podem acabar invadindo as casas desses moradores que residem às suas margens. Figura 13- dificuldades no acesso as residências no período chuvoso. Foto: Miléo 2014 São muitos os transtornos causados pelo avanço das águas em direção as residências, muitas vezes os moradores precisam construir passarelas para que possam conseguir ter o acesso às suas residências. Provavelmente essas construções são feitas sem orientação de um profissional, e podem trazer alguns riscos para as pessoas que residem nesses locais. Outro possível problema causado pelo despejo de resíduos domésticos é a poluição da água. Ao longo da área estudada do igarapé Altamira foi possível visualizar grandes quantidades de lixo embaixo das residências, assim como nos seus arredores. A eutrofização, segundo Curtis (1985), é a situação que se apresenta quando se introduz um excesso de nutrientes habitat aquícola, causando um grande crescimento de determinados tipos de algas. Quando os nutrientes são completamente utilizados e, portanto, esgotados, as algas morrem e os decompositores bacterianos, que se alimentam das algas mortas, consomem o oxigênio da água, dando lugar a uma forte demanda de oxigênio.Conforme Esteves (1988, p. 20) salienta: A eutrofização da água pode ser um processo natural ou artificial. A do tipo natural é um processo lento e contínuo, resultante do acúmulo de nutrientes transportados pelas chuvas e pelas águas superficiais, que erodem e lavam a superfície terrestre. A eutrofização natural corresponde ao que seria chamado de “envelhecimento natural” de um lago. Quando ocorre artificialmente, ou seja, induzida pelo homem, a eutrofização é denominada de artificial, antrópica ou cultural. Neste caso os nutrientes podem ter diferentes origens como: efluentes domésticos, efluentes industriais e/ou decorrentes de atividades agrícolas. Este tipo de eutrofização é responsável pelo “envelhecimento precoce” dos ecossistemas lacustres. A possível eutrofização no igarapé Altamira pode ser causada principalmente pela ação do homem, uma vez que vários tipos de resíduos são despejados dentro da água. Figura 14- Sanitários construídos em baixo das residências. Foto: Miléo 2014 Na figura 14 é possível notar que os dejetos das residências são despejados dentro do igarapé, quando o nível do igarapé sobe no período chuvoso o lençol freático também se eleva, oque poderia fazer com que as fossas transbordassem criando transtornos ainda maiores, o lançamento desses efluentes domésticos que são lançados na água podem contribuir para uma possível eutrofização desse corpo de água. Conforme dados coletados em entrevista com os moradores, uma pequena quantidade da população possui fossas de alvenaria, sendo essas as mais adequadas se comparadas aos outros tipos de sanitários utilizados pela maioria dos moradores. Conforme mostra a figura 15, a maioria afirmou que os sanitários de suas residências são construídos sem nenhum tipo de instrução, são uma espécie de casinhas construídas em baixo das residências e que na maioria dos casos não possuem fossas e tendo como principal destino para os dejetos as águas do igarapé. Figura 15- Construção de sanitários das residências. Fonte: Dados da pesquisa. Elaborado por: Miléo (2014) Figura 16- Acompanhamento da secretaria de saúde no local. Fonte: Dados da pesquisa. Elaborado por: Miléo (2014) Conforme afirmado pelos moradores do Altamira e apresentado no gráfico acima, uma parte dos moradores da localidade recebe algum tipo de acompanhamento da Secretaria Municipal de Saúde por meio de visitas de agentes de Saúde, masoutra parte dos entrevistados relatou não receber esse acompanhamento, observou-se que esses relatos partiram dos moradores das áreas de maiores dificuldades de acesso. Segundo relato dos moradores, várias doenças são contraídas principalmente no período chuvoso, sendo as crianças as principais afetadas, e para eles é necessário que a secretaria de saúde esteja mais presente realizando um trabalho de combate a certos tipos de doenças, pois muitas vezes eles sabem que tomandobanho no igarapé possivelmente vão adoecer, mesmo assim o contato com essa água em muitos casos se torna inevitável. Segundo Aranha e Barros (2005, p. 10) afirmam que: A ausência de saneamento básico, especialmente de sistemas de abastecimento de água tratada e esgotamento sanitário, faz com que os moradores desta área sejam frequentemente acometidos de doenças como diarreia e gripes, especialmente as crianças. Devido à inexistência de rede de esgotos, há um montante significativo de lançamento de esgotos a céu aberto, esgotos clandestinos no sistema de águas e lançamento direto nos igarapés e rios. Em vários pontos da cidade também ocorrem inundações das ruas no período chuvoso devido à falta de obras básicas de infraestrutura. Segundo dados coletados nas entrevistas, as crianças são as que mais sofrem com essas doenças, isso pode acontecer pelo fato de não medirem consequências com seus atos, como esse manancial possui um acúmulo muito grande de lixo é possível que essas doenças estejam presentes, e muitas vezes o contato direto delas com a água através de banhos dentro do igarapé pode fazer com que essas crianças acabem contraindo essas doenças. A prevenção de doenças também se torna mais complexa porque o contato com a água é quase que inevitável, principalmente na época das cheias, quando o nível do igarapé sobe de forma significativa e que muitas vezes acaba invadindo algumas casas. Como vemos na figura 17 as crianças entram em contato com as águas do igarapé Altamira no período das cheias, totalmente tomada pelo o acúmulo de lixo próximo às residências, essas práticas podem trazer grandes consequências, principalmente se tratando de possíveis riscos a saúde, além de poder ser abrigo de alguns animais peçonhentos que podem colocar em risco a integridade física dessas crianças. Outro grande transtorno que pode ser gerado com essa ocupação são os afogamentos, como vemos na mesma figura as crianças são bem pequenas, e essas casas não possuem nenhum tipo de proteção para elas, ficam totalmente vulneráveis a possíveis quedas dentro do igarapé. Figura 17- Crianças em contato com o lixo despejado no igarapé. Foto: Miléo 2014 Figura 18- Origem da água que consomem. ( Compra água ) ( Água do Igarapé ) ( Poço Semi- Artesiano ) ( Poço Comum ) ( Cosanpa ) Fonte: Dados da pesquisa. Elaborado por: Miléo (2014) Conforme os moradores do perímetro urbano do Altamira entrevistados, existemvários tipos de captação de água. Uma parte dos entrevistados afirmou que compram água para o seu consumo, já outros consomem a água do igarapé, essa prática pode trazer sérios riscos para a saúde, pois esse manancial se mostra estar poluído pela quantidade de lixo que está presente na água. Alguns moradores ainda disseram que em alguns casos ainda contraem algumas doenças como a, cólera, hepatite entre outras. Alguns dos entrevistados afirmaram que utilizam a água de poços semi-artesianos, mas o custo para fazê-los se torna alto. Outros moradores afirmaram que captam água de poços comuns, essa prática também pode trazer consequências, pois essas construções ficam próximas as fossas, e essa água captada nesses locais podem estar contaminadas e consequentemente trazer sérios riscos a saúde dessas pessoas. A maioria dos moradores afirmaram que a água que utilizam para o seu consumo e afazeres domésticos é fornecida pela Cosanpa. Segundo essas pessoas, a qualidade da água é bastante ruim, pois muitas vezes aparenta estar bem sujas, apresentando lodo, o que também pode trazer consequências para eles, além de muitas vezes faltar água, o que acaba gerando grandes transtornos para esses moradores que residem em torno do igarapé Altamira. Como salientam Aranhae Barros (2005, p. 10) o grande problema na distribuição de água está: Na rede de abastecimento de água, no caso de Altamira, beneficia apenas a populaçãoque mora no centro da cidade e em alguns bairros mais próximos. Os bairros mais distantes não dispõem de serviços de abastecimento de água; onde a maioria da população utiliza poços para o uso doméstico. A situação é mais agravante nos bairros periféricos em situações de risco, como no caso dos moradores das margens do Altamira. Nestas áreas de ocupação, algumas famílias possuem pequenos poços, que ficam próximos do igarapé e acabam sendo inundados no período de chuvas, e esta água, contaminada com coliformes fecais. Figura 19- Utilização do igarapé para a prática do lazer. Fonte: Dados da pesquisa. Elaborado por: Miléo (2014) Conforme vemos na figura 19 a menor parte da população não utilizam o igarapé para a realização de seu lazer, lazer esse entendido pelos moradores como o ato de banhar nesse manancial, pois temem contrair algumas doenças com essa prática, uma vez que a quantidade de lixo dentro da água e bem grande. Mais a maioria desses entrevistados afirmaram que utilizam o igarapé como ponto de lazer, alguns mesmo sabendo dos riscos que estão correndo com essa prática tomam banho no Altamira. Mas a maioria desses 87% que afirmaram utilizar o igarapé como ponto de lazer são as crianças, que tomam banho sem nenhuma preocupação e que não fazem ideia dos riscos que podem ser causados a sua saúde e integridade física, além da pratica de banho ainda utilizam esse manancial para a realização da pesca. Como é possível ver na figura 20, a minoria dos moradores entrevistados não sabe que é proibido residirnas margens de rios e igarapés, já a maioria 97% afirmou saber que esse tipo de ocupação é irregular e que ainda traz diversas consequências como alagamentos, contração de doenças, acidentes e principalmente a degradação do igarapé Altamira. Mas o que muitos deles não sabem é que ocupar áreas de preservação permanente (APPs) além de se tornar moradia de risco ainda é um crime ambiental, no qual os infratores estão sujeitos a várias penalidades, como o pagamento de muitas ou até mesmo detenção. Figura 20- Conhecimento dos moradores sobre os possíveis riscos existentes por morar as margens de igarapés. Fonte: Dados da pesquisa. Elaborado por: Miléo (2014) Conforme é possível ver na figura 21, o nível de escolaridade desses moradores é baixo, pois a minoria dos residendes do entorno do igarapé não concluiram o ensino fundamental, e 10% se denominaram-se analfabetos, levando em consideração que os entrevistados tinham entre 20 e 65 anos, alguns relataram que deram prioridade ao trabalho inves de estudaram, atitude essa que retrata bem o nível de escolaridade desses moradores. Figura 21- Nível de escolaridade dos moradores. Fonte: Dados da pesquisa. Elaborado por: Miléo (2014) Segundo os moradores do Altamira, outro problema enfrentado por eles são as passarelas em situação precária, segundo eles muitas vezes as pessoas acabam se acidentando no local. Podemos ver na figura 22o estado de conservação das passarelas, que segundo os moradoresacaba colocando em risco suas integridade física e que na época das cheia o número de acidentes aumenta significativamente, pois essas passarelas ficam submersas e acabam se “escondendo” dentro d’água, o que torna esse risco maior ainda, pois os moradores precisam se deslocar de suas residências, e o único caminho é por essas passarelas, tornando vulneráveis as pessoas que necessitam por elas transitar. Figura 22- Passarela em situação precária. Foto: Miléo 2014 Como mostra a figura 23, apenas 20% dos moradores entrevistados relataram já ter participado de palestras sobre educação ambiental, já a maioria nunca participou de tais palestras. Os moradores relataram que nunca participaram de palestras de educação ambiental realizadas pelas secretarias de meio ambiente, tanto a municipal quanto a estadual, os que afirmaram terem participado desse tipo de palestras assistiram em outros locais e realizadas por outras instituições. Segundo os entrevistados seria de grande importância para eles que os órgãos responsáveis pelo meio ambiente da cidade fossem mais presente na localidade, pois existiria uma parceria para que se tentasse da melhor forma possível amenizar