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Funcionamento de uma turbobomba O funcionamento de uma turbobomba com enfoque nas curvas características. Prof. Vitor da Silva Rosa 1. Itens iniciais Propósito Entender a relação entre a altura manométrica e a vazão volumétrica, a construção das curvas características e a associação de bombas centrífugas é essencial ao engenheiro. Preparação Antes de iniciar o estudo deste conteúdo, tenha em mãos uma calculadora científica ou use a calculadora de seu smartphone/computador. Objetivos Calcular a altura manométrica da bomba e o uso das leis da afinidade. Analisar as curvas da bomba e do sistema. Reconhecer o efeito da associação em série e em paralelo de bombas centrífugas na altura manométrica e na vazão volumétrica. Introdução Olá! Antes de começarmos, assista ao vídeo e entenda o funcionamento de uma turbobomba. Conteúdo interativo Acesse a versão digital para assistir ao vídeo. • • • 1. Variação de parâmetros com a rotação e descarga Vamos começar! Variação de parâmetros de uma turbobomba Entenda a seguir o cálculo da altura manométrica de uma turbobomba bem como a sua variação devido a variáveis como rotação e vazão. Conteúdo interativo Acesse a versão digital para assistir ao vídeo. Cálculo da altura manométrica Um sistema típico de bombeamento é apresentado na imagem a seguir. Esquema de uma unidade típica de bombeamento. O sistema descrito na imagem é composto por: um tanque T-01 na sucção; uma bomba (deslocamento positivo ou turbobomba); um tanque na descarga (T-02); o sistema de tubulação. Normalmente, os tanques estão submetidos à pressão atmosférica, porém não é incomum que eles possam estar com uma pressão de vácuo ou uma pressão positiva ou manométrica. Independentemente se os tanques estiverem com uma pressão efetiva (vácuo e manométrica), você sempre precisa trabalhar a pressão na forma absoluta. As equações 1 e 2, a seguir, apresentam as transformações da pressão de vácuo e manométrica para a pressão absoluta, respectivamente. • • • • 1 O projeto de uma bomba consiste em determinar qual a energia necessária que a bomba deve fornecer ao líquido para ele escoar entre os pontos de sucção e descarga. No caso da imagem anterior, entre os tanques T-01 e T-02. Essa energia é representada pela altura manométrica da bomba, a qual pode ser obtida por meio da equação de Bernoulli (equação 3). Onde: : pressão de saída; : pressão de entrada; : velocidade média de saída; : velocidade média de entrada; : peso específico do fluido; : aceleração gravitacional; altura de saída; : altura de entrada. A equação 3 é válida apenas para escoamento de líquidos ideais, ou seja, líquidos sem viscosidade. Na prática, a viscosidade é um parâmetro de extrema relevância no escoamento de um líquido, principalmente na perda de carga. Assim, acrescenta-se à equação 3 a perda de carga total na sucção e na descarga da bomba. A equação 4 é conhecida como o balanço de energia mecânica. Geralmente, é apresentada na sua forma condensada. Uma particularidade da equação 5 é a unidade de cada uma das parcelas, dada em metros de coluna de líquido. A altura manométrica ou carga de energia fornecida ao fluido é diretamente proporcional: à carga de pressão; à carga de energia cinética; à carga de energia potencial; e 2 3 • • • • • • • • 4 5 • • • às perdas de carga. Similaridade hidrodinâmica das turbobombas Idealmente, a equação fundamental das turbobombas (equação 6) ou, simplesmente, equação de Euler, permite calcular a altura manométrica teórica que a bomba deve fornecer ao líquido para que ele possa escoar de um ponto ao outro. Em que: : altura manométrica teórica; : aceleração da gravidade; : velocidade tangencial do líquido na entrada do rotor; : componente da velocidade tangencial do líquido na entrada do rotor; : velocidade tangencial do líquido na saída do rotor; : componente da velocidade tangencial do líquido na saída do rotor. Essas velocidades são funções da vazão volumétrica de líquido e da rotação N do rotor da bomba. Assim, podemos concluir que as variáveis de projeto de uma turbobomba são: A altura manométrica A vazão volumétrica A rotação do rotor da bomba Imagine a seguinte situação: fixamos a rotação da rotor da bomba e começamos a variar a vazão. Como consequência, teremos uma variação da altura manométrica. Agora, se fixarmos a vazão e controlarmos a rotação, também teremos uma variação da altura manométrica. Mas qual deve ser a combinação dessas três variáveis para maximizar o rendimento da bomba? Para responder a essa pergunta, observe o rotor de uma turbobomba centrífuga apresentado na imagem a seguir. • • • • • • • Rotor semiaberto de uma bomba centrífuga. Note que o rotor (elemento com palhetas curvas) é semiaberto, uma vez que somente na parte de trás o líquido não tem por onde escapar. Veja também que o rotor está localizado no interior da carcaça da bomba. Comentário Os fabricantes de turbobombas produzem a carcaça das suas bombas de modo a acomodar rotores de diversos diâmetros, geralmente 5 a 6 rotores. Isso é interessante, uma vez que, se você precisar de um aumento na vazão volumétrica do líquido, basta trocar o rotor por um maior e não a bomba inteira. No entanto, a relação entre a altura manométrica produzida pela vazão volumétrica em função da rotação do rotor irá mudar de um rotor para o outro, porém, o modo como o líquido entra e sai da bomba continua sendo o mesmo. Para isso ser verdade, a velocidade tangencial na entrada e na saída do rotor deve seguir uma proporcionalidade em relação à variação do diâmetro do rotor da bomba, o que chamamos de similaridade hidrodinâmica. Mas a similaridade hidrodinâmica é algo impossível de ocorrer na prática, pelo menos em termos da mesma velocidade tangencial do líquido na entrada e na saída da bomba, simplesmente pela própria natureza de escoamento do líquido: laminar e turbulento. Uma aproximação mais realística é dada pela similaridade de Combes-Rateau, que é baseada em três condições fundamentais: Independentemente do diâmetro do rotor, a pressão do escoamento e a velocidade do líquido se relacionarão por , que será uma constante. Mesma geometria dos rotores que serão comparados, ou seja, rotor aberto com rotor aberto, rotor fechado com rotor fechado, e assim por diante. Semelhança geométrica dos diagramas de velocidade. Das três condições apresentadas, as duas primeiras são as mais realísticas de se alcançar na prática, uma vez que são mais fáceis de controlar e têm veracidade experimental. Leis da afinidade 1. 2. 3. A bomba é projetada para trabalhar em um determinado número N de rotações, fornecendo uma vazão volumétrica Q, uma altura manométrica H e um rendimento supostamente máximo. De forma simples e objetiva: na prática industrial, não é interessante trabalhar com uma condição pré-fixada de rotação para uma bomba! Considere uma rede de distribuição de água para uma cidade, conforme apresentado na imagem a seguir: Rede de distribuição de água para uma cidade. A rede de distribuição de água para uma cidade é provida pelas estações de tratamento de água, nas quais há turbobombas instaladas para o escoamento dessa água. Essas turbobombas podem operar de duas formas: Rotação máxima e invariante Nesta situação, a vazão volumétrica na descarga da bomba será máxima, o que não implica um rendimento máximo da bomba. Atenção: quando a turbobomba opera nesta condição, o controle de vazão é realizado por válvulas ao decorrer do sistema de tubulação. Quando a válvula começa a ser fechada, a vazão volumétrica começa a diminuir, porém, a rotação da bomba ainda continua no mesmo nível, ou seja, a bomba tentará produzir a mesma vazão de antes, porém sem sucesso. Assim, energia é desperdiçada! Rotação variante Se for preciso diminuir a vazão volumétrica por algum motivo, diminuímos a sua intensidade pela variação de rotação da bomba, o que economiza energia e nãodiminui bruscamente o rendimento da bomba. Esse controle é feito com o acoplamento de inversores de frequência (veremos mais informações adiante) junto ao motor da bomba. O inversor de frequência é um dispositivo que altera a corrente elétrica enviada ao motor da bomba, o que permite aumentar ou diminuir a rotação gerada no eixo do rotor. Observe a imagem a seguir: Inversor de frequência. Como agora há uma mudança na rotação da bomba, isso significa que também ocorrerá uma alteração nos valores da vazão volumétrica, da altura manométrica e da potência consumida. Essas variáveis serão relacionadas com a rotação do rotor por meio das leis de afinidade, descritas pelas equações 1, 2 e 3 para a vazão volumétrica, a altura manométrica e a potência, respectivamente. 1 Os expoentes , y e z são obtidos em função do tipo e da geometria do rotor. De acordo com a equação de Euler, o fluido deve entrar no rotor da bomba com uma velocidade tangencial e sair dele com uma velocidade tangencial . Na prática, com o uso de um rotor fechado, essa condição é aproximada. Observe a imagem adiante. Rotor fechado de turbobomba centrífuga. Isso implica que, para rotores fechados, os expoentes e são 1, 2 e 3, respectivamente, de acordo com a equação de Euler. Comentário Visando examinar essa condição experimentalmente, verificou-se que esses expoentes diferem levemente dos valores supracitados, com uma variação de 0,2 para mais ou para menos. Isso ocorre devido ao fato de o fluido possuir viscosidade! Lembre-se de que a equação de Euler prevê o fluido ideal, ou seja, sem viscosidade. 2 3 As equações 1, 2 e 3 podem ser reescritas para rotores fechados de turbobombas como: Observe, no caso de variação de: Vazão volumétrica É diretamente proporcional à variação da rotação do rotor da bomba. Por exemplo: se a rotação de 1 rpm (rotação por minuto) fornecer 1 litro por minuto, ao mudarmos para 5 rpm, a nova vazão será 5 litros por minuto. Altura manométrica É diretamente proporcional ao quadrado da rotação. Por exemplo: Se, em uma rotação de 1 rpm tivermos uma altura manométrica de 1 metro, para 5 rpm, esse valor irá aumentar para 25 metros. Potência Em relação à potência, a variação de Pot será dada pelo cubo da rotação. Por exemplo: Se em uma rotação de 1 rpm tivermos o consumo de 1W, para 5 rpm teremos um consumo de 125W. Note que a variação da potência consumida pelo motor da bomba é muito expressiva com a mudança de rotação. Esse ponto mostra que: Operar com a bomba em rotação máxima ilustra a enorme perda de energia pelo motor! Os expoentes , y e z para rotores semiabertos e abertos são obtidos apenas por via experimental. 4 5 6 Demonstração Uma bomba centrífuga (B-01), contendo um rotor fechado, deve ser selecionada por um engenheiro para escoar 500m³/h de uma mistura de benzeno e tolueno do tanque T-03 para a coluna de destilação D-02, conforme observado na imagem a seguir. Utilize o balanço de energia mecânica para o cálculo da altura manométrica real dessa bomba. Unidade de bombeamento. A perda de carga total do sistema é de 5 metros de coluna de líquido. O tanque T-03 está sob uma pressão negativa de 0,8 atmosfera, enquanto a coluna de destilação está sob uma pressão manométrica de 2kgf/cm². O peso específico da mistura é 8000N/m³. Considere que o líquido entre na coluna com uma velocidade de 2 metros por segundo. A altura manométrica do sistema pode ser calculada a partir do balanço de energia mecânica, conforme apresentado na equação 7. A diferença de altura entre os pontos de sucção e descarga é de 40 metros. Assim, substituindo essa informação e a perda de carga na equação 7: Explicitando o delta para a pressão e a velocidade: A pressão na descarga é a pressão manométrica da coluna (D-02), a qual deve ser colocada na forma absoluta, assim como a pressão de vácuo (tanque T-03) do seguinte modo: 7 8 9 O tanque T-03 apresenta nível de líquido constante (especificação na grande maioria dos projetos), portanto a velocidade ( nesse ponto é zero. Na tubulação de saída que entra na coluna D-02, a velocidade é de 2m/s. Assim, a altura manométrica é calculada como: Com a altura manométrica de 80,2 metros e a vazão volumétrica de 500m³/h, entra-se em um catálogo de fabricante e a bomba é selecionada. Mão na massa Questão 1 Uma bomba centrífuga contendo um rotor fechado opera com uma rotação de 1000 rpm e vazão volumétrica de 3m³/h. Se a rotação for aumentada para 1500 rpm, a nova vazão volumétrica é A 4,5m³/s B 5,5m³/s C 6,5m³/s D 7,5m³/s E 8,5m³/s 10 11 A alternativa A está correta. Para bombas com rotores fechados, temos para a vazão volumétrica: Substituindo os valores numéricos: Questão 2 Uma bomba centrífuga contendo um rotor fechado opera com uma rotação de 1000 rpm e uma altura manométrica de 4 metros. Se a rotação for aumentada para 1800 rpm, a nova altura manométrica é A 10,96m B 11,96m C 12,96m D 13,96m E 14,96m A alternativa C está correta. Assista ao vídeo para conferir a resolução da questão. Conteúdo interativo Acesse a versão digital para assistir ao vídeo. Questão 3 Uma bomba centrífuga contendo um rotor fechado opera com uma rotação de 1000 rpm e uma potência de 3hp. Se a rotação for aumentada para 1600 rpm, a nova potência é A 8,3hp B 9,3hp C 10,3hp D 11,3hp E 12,3hp A alternativa E está correta. Para bombas com rotores fechados, temos para a potência: Substituindo os valores numéricos: Questão 4 Em uma indústria de armazenamento de granéis líquidos, um engenheiro selecionou uma bomba para escoar 1000m³/h um combustível de um tanque para o outro, com uma cota entre os níveis de líquido de 35 metros. Sabendo que ambos os tanques estão na pressão atmosférica e com nível constante, e com perda de carga total na sucção e descarga de 5,5 metros, a altura manométrica real dessa bomba é A 39,5m B 40,5m C 41,5m D 42,5m E 43,5m A alternativa B está correta. A altura manométrica real da bomba é calculada por: Como os tanques estão sob a mesma pressão e nível constante, os termos são zero, assim: Questão 5 Uma bomba centrífuga contendo um rotor fechado opera com uma rotação de 1000 rpm e uma vazão de 10 litros por minuto. Se a vazão diminuir para 7 litros por minuto, a nova rotação será A 600 rpm B 700 rpm C 1000 rpm D 1100 rpm E 1200 rpm A alternativa B está correta. Para bombas com rotores fechados, temos para a vazão volumétrica: Substituindo os valores numéricos: Questão 6 Uma bomba centrífuga contendo um rotor fechado opera com uma rotação de 1800 rpm e uma potência de 20hp. Se a potência diminuir para 8hp, a nova rotação é A 1026 rpm B 1126 rpm C 1226 rpm D 1326 rpm E 1426 rpm A alternativa D está correta. Assista ao vídeo para conferir a resolução da questão. Conteúdo interativo Acesse a versão digital para assistir ao vídeo. Teoria na prática Um engenheiro foi contratado por uma grande indústria produtoras de bombas. Nessa fábrica, são produzidas turbobombas com rotor semiaberto. Visando fornecer os expoentes da lei de afinidade no catálogo, o engenheiro realizou, para um diâmetro fixo de rotor, dois experimentos, variando a vazão volumétrica, a altura manométrica e a potência da bomba para duas rotações preestabelecidas, conforme apresentado na tabela a seguir. Vitor da Silva Rosa. Chave de resposta Iniciando pela rotação, temos que a lei da afinidade para a vazão é dada por: Substituindo os valores numéricos na equação anterior: Substituindo os valores numéricos na equação anterior: Aplicando logaritmos em ambos os membros da equação anterior: Para a altura manométrica, temos que: Substituindo os valores numéricos na equação anterior: Aplicando logaritmos em ambos os membros da equação: Para a potência, temos que: Substituindo os valores numéricos: Aplicando logaritmos em ambos os membros da equação: Assim, temos que os expoentes x, y e z são iguais a 1,32; 2,17 e 3,32 para as leis da afinidade referente à vazão,altura manométrica e potência, respectivamente. Verificando o aprendizado Questão 1 Uma bomba centrífuga contendo um rotor semiaberto opera com uma rotação de 1000 rpm e vazão volumétrica de 3m³/h. O expoente da lei da afinidade para esse rotor é de 1,23. Se a rotação for aumentada para 1500 rpm, a nova vazão volumétrica é A 2,17m³/s B 3,85m³/s C 4,94m³/s D 5,68m³/s E 6,32m³/s A alternativa C está correta. Na condição descrita no enunciado para rotores semiabertos, temos a seguinte relação para a vazão volumétrica: Substituindo os valores numéricos: Questão 2 Uma bomba centrífuga contendo um rotor semiaberto opera com uma rotação de 1000 rpm e uma altura manométrica de 4 metros. O expoente da lei da afinidade para esse rotor é de 2,68. Se a rotação for aumentada para 1800 rpm, a nova altura manométrica é A 11,3m B 13,3m C 15,3m D 17,3m E 19,3m A alternativa E está correta. Na condição descrita no enunciado para rotores semiabertos, temos a seguinte relação para a altura manométrica: Substituindo os valores numéricos: 2. Curvas de funcionamento e características do sistema Vamos começar! Curvas da bomba e do sistema Conheça a seguir a construção da curva da bomba e do sistema para uma bomba centrífuga. Conteúdo interativo Acesse a versão digital para assistir ao vídeo. Curva da bomba Para especificar uma turbobomba, o projetista deve conhecer: O aumento de pressão (ou de altura manométrica) O torque O requisito de potência A eficiência em função da vazão volumétrica Para avaliar o desempenho de uma turbobomba, uma unidade experimental deve ser montada, de modo a ser capaz de medir: vazão; velocidade; torque; e aumento de pressão. O teste deve ser realizado de acordo com um procedimento padrão, correspondente ao tipo de turbobomba que será testada. Medições são feitas enquanto a vazão é variada desde o bloqueio (vazão zero) até a descarga máxima, por meio da variação de pressão máxima até a pressão mínima, isto é: Em relação à potência, temos duas parcelas: • • • • • • • • Válvula fechada O teste é iniciado com a válvula fechada (pressão máxima ou shut-off da bomba). Válvula aberta O teste segue até a válvula estar completamente aberta (pressão mínima). Potência de entrada na bomba Essa potência é retirada diretamente da rede elétrica pelo motor.A potência de entrada do motor pode ser calculada a partir do conhecimento da corrente elétrica (medida por um amperímetro) e da diferença de potencial da rede elétrica (medida por um voltímetro). Potência hidráulica Essa potência é a energia fornecida ao fluido para o seu escoamento.O motor da bomba deve ficar em balanço sobre rolamentos. Quando o rotor iniciar a sua rotação, haverá um movimento contrário do motor devido à resistência ao escoamento do líquido, efeito esse dado pela 3ª lei de Newton. A razão entre a potência hidráulica e a potência de entrada nos fornece o rendimento da bomba (o rendimento é adimensional, ou seja, expresso em porcentagem), conforme apresentado na equação 1. Para uma bomba centrífuga, a curva da bomba apresenta uma diminuição gradativa da altura manométrica em função da vazão, conforme observado na imagem a seguir. Exemplo de uma curva da bomba. Matematicamente podemos descrever a curva da bomba a partir de uma função do segundo grau, conforme apresentado na equação 2. As constantes da equação e são determinadas por ajustes numéricos nos resultados obtidos nos experimentos. Vimos anteriormente que a altura manométrica de uma turbobomba pode ser calculada de forma teórica pela equação de Euler, a qual não leva em conta o atrito viscoso e o atrito do fluido com as superfícies do rotor. Quando comparamos esses resultados com os experimentais dados pela equação 14, podemos notar que a altura manométrica em uma condição real de processo será menor quando prevista pela condição teórica. Isso ocorre devido: 1 2 a certa quantidade de líquido que recircula no rotor, para vazões muito baixas. à presença de vazamentos. ao efeito do atrito viscoso do líquido com a superfície, ocasionando em perdas de energia pelos choques gerados entre as partículas do líquido. Na imagem a seguir, temos um diagrama que ilustra a variação da altura H em função da vazão volumétrica Q em uma condição ideal e real. Comparação das curvas em condição ideal e real. A eficiência da bomba aumenta com a capacidade (é a razão da altura de carga pela vazão volumétrica) até que o ponto de melhor eficiência (PME) seja alcançado, e cai, em seguida, com o aumento adicional de vazão. Veja que, para o consumo mínimo de energia, devemos operar a bomba tão próximo do PME quanto possível. Na imagem a seguir, temos a variação da altura manométrica com a vazão volumétrica para três diâmetros de rotor contendo a curva de eficiência da bomba para uma rotação fixa empregada. Curvas típicas de desempenho de bomba. • • • Note que o PME é um ponto de máximo na parábola referente ao rendimento (à eficiência). Semelhança para curvas da bomba Os fabricantes de bombas oferecem um número limitado de tamanhos de carcaças e de projetos. Frequentemente, carcaças de tamanhos diferentes são desenvolvidas a partir de um projeto comum, aumentando ou diminuindo todas as dimensões por meio de uma mesma razão de escala. Mudanças adicionais nas curvas características podem ser obtidas variando a velocidade de operação ou alterando o tamanho do rotor dentro de uma dada carcaça. A semelhança dinâmica é obtida quando o coeficiente de vazão adimensional é mantido constante. Logo, para dois pontos homólogos, temos que: Os coeficientes adimensionais de carga ou altura manométrica (3) e o número de potência são funções exclusivas do coeficiente de vazão (4). Assim sendo, podemos concluir que, para dois pontos homólogos, também haverá uma igualdade entre os coeficientes de carga e de potência. Em relação à curva da bomba, vimos que a mesma pode ser modelada por uma parábola, conforme expresso na equação 5: Das leis da afinidade, temos que, para a vazão volumétrica, a relação com a variação da rotação é dada por: 1 2 3 4 5 E para a altura manométrica, pela equação 7: Partindo de um ponto 1 para um ponto 2, podemos escrever a equação 5 como: Assim: Observe que o fator A permanece invariável ao mudarmos o nível de rotação da bomba. Em princípio, a semelhança geométrica seria mantida quando bombas de mesma geometria, diferindo somente no tamanho por uma razão de escala, fossem testadas em uma mesma rotação. As variações da vazão, da altura manométrica e da potência em função do diâmetro do rotor da bomba são dadas pelas equações 10, 11e 12, respectivamente. As equações 10, 11 e 12 são variações das leis de afinidade. 6 7 8 9 10 11 12 Comentário Não é prático fabricar e testar uma série de modelos de bombas que diferem em tamanho por apenas uma razão de escala. Em vez disso, é comum testar uma dada carcaça de bomba com uma rotação constante com diversos rotores de diferentes diâmetros. Em relação à eficiência: Não é possível comparar diretamente as eficiências para duas rotações distintas. Entretanto, os efeitos viscosos vão se tornando cada vez menos importantes, conforme o tamanho da bomba aumenta. Na equação 13, temos uma equação empírica, proposta por Moody, que estima a eficiência máxima de um protótipo de bomba, baseado em testes de um modelo geometricamente semelhante. Em que: A equação 13 fornece apenas uma aproximação, uma vez que ela não leva em conta as perdas mecânicas devido ao atrito viscoso e também devido à impossibilidade de se manter a mesma rugosidade entre o protótipo e a bomba do processo. Ponto de operação Existe a chamada curva do sistema, a qual é definida como a dificuldade a ser vencida pela bomba. A curva do sistema é construída com a aplicação do balanço de energia mecânica entre o ponto de captação do líquido até o seu ponto de descarga. Matematicamente, a altura manométrica da curva do sistema é uma função dependenteda altura entre os pontos de captação e descarga de líquido , e principalmente, da perda de carga total na sucção e na descarga da bomba, conforme apresentado na equação 26 . A equação 1 é representada por uma parábola crescente, como apresentado na imagem a seguir. 13 1 Exemplo da curva do sistema. A perda de carga, tanto na sucção como na descarga, depende da velocidade média do escoamento, e por sua vez, da vazão volumétrica . Veja que, para uma vazão igual a zero, a altura manométrica na curva do sistema (equação 26) corresponde ao próprio desnível , o que pode ser observado na imagem anterior. Duas observações importantes sobre a curva do sistema: Quanto maior a vazão Q, maior será a altura manométrica exigida da bomba, ou seja, haverá um maior consumo de potência. Se algum acessório for adicionado ou removido da tubulação, a curva do sistema mudará de inclinação. Se a perda de carga diminuir, a curva ficará com uma inclinação mais suave, caso contrário, a inclinação será mais íngreme. Ao colocar a curva da bomba sobre a curva do sistema, haverá um ponto de intersecção que representa o ponto de operação daquela bomba naquele dado sistema, conforme apresentado na imagem a seguir. Ponto de operação. Se o ponto de operação ficar abaixo da vazão desejada, a bomba não será capaz de suprir esse sistema. Caso fique acima, a bomba é adequada. As formas de ambas as curvas, da bomba e do sistema, podem ser importantes para a estabilidade do sistema em certas condições. Veja que a curva da bomba apresentada na imagem anterior é típica para uma bomba centrífuga nova, para qual a altura manométrica decresce suavemente à medida que a vazão aumenta. 1. 2. Dois efeitos ocorrem de forma gradativa quando o sistema envelhece: A bomba perde desempenho devido ao desgaste A curva da bomba move-se para baixo com a diminuição da pressão, no sentido de uma altura manométrica menor, para cada vazão. A resistência do sistema aumenta devido ao envelhecimento A curva do sistema move-se para cima no sentido de uma altura manométrica maior para cada vazão. Ocorre devido ao acúmulo de incrustações de sujeira ao decorrer da vida útil do processo. O ponto de operação original do sistema é geralmente escolhido de modo a coincidir com a eficiência máxima por meio de uma escolha adequada do tamanho da bomba e da sua rotação. O desgaste da bomba aumenta os vazamentos internos, reduzindo, assim, a vazão e abaixando o pico de eficiência. Além disso, o ponto de operação move-se no sentido de vazões mais baixas, para longe do ponto de eficiência máxima. Assim sendo, a redução no desempenho do sistema pode não ser acompanhada por uma redução no consumo de energia. Demonstração Um engenheiro foi contratado por uma fábrica produtora de bombas centrífugas para construir as curvas de bomba, de eficiência e de potência das bombas ali produzidas. Para tal, o engenheiro projetou um sistema de escoamento, conforme apresentado a seguir: Sistema de bombeamento para medição da curva da bomba. O engenheiro utilizou água a uma temperatura de . O motor empregado na bomba é trifásico, alimentado com 480V, fator de potência de 0,86 e eficiência constante de 0,88. Na tabela a seguir, estão apresentadas as pressões manométricas medidas na sucção da bomba ( , a pressão na descarga , a vazão volumétrica e a corrente elétrica do motor medida por um amperímetro. Vitor da Silva Rosa. Para a construção da curva da bomba, precisamos aplicar o balanço de energia mecânica em torno da bomba: Na equação 2, estamos considerando regime permanente e uniforme no escoamento que passa pela bomba. Em relação à variação da pressão na sucção e na descarga, os termos referentes à carga cinética, potencial e perda de carga são muito pequenos. Assim, podemos desconsiderá-los. No entanto, isso é válido apenas para fluidos newtonianos de baixa viscosidade como a água. Logo: O peso específico pode ser escrito como o produto da densidade pela gravidade, assim: Para a vazão volumétrica de 100m³/h, teremos uma altura manométrica de: O cálculo anterior deve ser repetido para as demais vazões volumétricas. Portanto: 2 3 4 5 Vitor da Silva Rosa. Plotando os resultados acima em um gráfico, temos a curva dessa bomba, conforme vemos na imagem a seguir. Curva da bomba. A curva de potência da bomba é calculada a partir da potência de saída do motor elétrico dada pela seguinte equação de máquinas elétricas: Em que: Aplicando a equação (E) para a vazão volumétrica de 100m³/h, temos que: 6 Na imagem a seguir, temos a curva de potência para as demais vazões volumétricas: Potência de entrada do motor da bomba. A curva de eficiência da bomba é calculada a partir da razão entre a potência hidráulica pela potência de entrada do motor. A potência hidráulica é dada por: Por exemplo, para a vazão de 200m³/h, temos que: Substituindo o resultado da equação 10 e o valor da potência de entrada para a vazão selecionada, temos o rendimento nesse ponto: Na imagem a seguir, está apresentada a curva de rendimento da bomba com as demais vazões volumétricas. 7 8 9 10 11 Rendimento da bomba. Mão na massa Questão 1 Uma turbobomba está sendo desenvolvida em laboratório para a operação com um fluido newtoniano em operação industrial. Podemos considerar essa bomba em escala de laboratório como um protótipo. Após alguns experimentos, o engenheiro verificou que para um rotor com diâmetro de 80mm, a eficiência da bomba é de 0,75. Se a bomba industrial possuir um rotor de 250mm, qual será a eficiência dela pela aproximação de Moody? A 0,78 B 0,80 C 0,82 D 0,84 E 0,86 A alternativa B está correta. A eficiência da bomba pela aproximação de Moody é calculada por: Isolando a eficiência da bomba industrial : Substituindo os valores numéricos na equação anterior: Questão 2 Em uma unidade de instalação, a curva do sistema é descrita pela equação . Um engenheiro pediu para a operação instalar uma bomba centrífuga que possui a seguinte equação para a curva da bomba: . Em ambas as equações, H é dado em metros e em m³/s. A vazão volumétrica no ponto de operação, em m³/h, aproximadamente, é A 8,6m³/h B 10,6m³/h C 11,6m³/h D 13,6m³/h E 14,6m³/h A alternativa D está correta. Assista ao vídeo para conferir a resolução da questão. Conteúdo interativo Acesse a versão digital para assistir ao vídeo. Questão 3 Uma instalação possui a seguinte curva do sistema: , com H e metros e Q em m³/s. Uma bomba centrífuga deve ser colocada nesse sistema e fornecer uma vazão de 5m³/s. O engenheiro responsável escolheu uma bomba no almoxarifado e verificou que ela pode fornecer a vazão desejada. Porém, nessas condições, qual a altura manométrica H que a bomba fornecerá? A 40m B 50m C 60m D 70m E 80m A alternativa A está correta. A altura manométrica é calculada com a substituição da vazão na equação da curva do sistema: Questão 4 Em uma tubulação industrial localizada entre um reator e uma coluna de destilação, a curva característica desse sistema é descrita pela equação . Visando trocar a bomba centrífuga danificada por uma nova, um engenheiro localizou uma bomba no almoxarifado, cuja curva característica é dada por . Em ambas as equações, é dado em metros e em m³/s. No ponto de operação, qual será a vazão volumétrica no ponto de operação, em m³/h? A 270,5m³/h B 280,8m³/h C 290,2m³/h D 300,6m³/h E 322,1m³/h A alternativa B está correta. No ponto de operação, a altura manométrica H é a mesma na curva da bomba e do sistema, logo a vazão será calculada igualando as equações para a curva da bomba e sistema, , reorganizando: , onde temos uma equação do 2 o grau. O cálculo de envolve a determinação das raízes pela equação de Bhaskara. Identificando a equação do 2º grau como: , temos que , e , assim: A equação fornece duas raízes, uma negativa ( igual a -41,37) e uma positiva ( . Como fisicamente não existe valores negativos para vazão, a raiz positiva deve ser escolhida, assim: Questão5 Uma bomba centrífuga com rendimento de 55% transporta 800m³/h de um líquido com peso específico de 9400N/m³. Se a altura manométrica fornecida é de 50 metros, a potência do hidráulica, em kW, é A 150kW B 160kW C 170kW D 180kW E 190kW A alternativa E está correta. Assista ao vídeo para conferir a resolução da questão. Conteúdo interativo Acesse a versão digital para assistir ao vídeo. Questão 6 Uma bomba centrífuga possui a seguinte curva característica: com em metros e Q em metros cúbicos por segundo. Se para um determinado sistema ela fornece uma altura manométrica de 50 metros, qual a vazão volumétrica na descarga? A 0,09m³/s B 0,10m³/s C 0,11m³/s D 0,12m³/s E 0,13m³/s A alternativa E está correta. A vazão volumétrica na descarga é calculada isolando o termo Q na equação característica: Como a raiz negativa não é fisicamente possível, tomamos como resposta a raiz positiva, logo, a vazão é igual a 0,13m³/s. Teoria na prática Em uma unidade de bancada de laboratório, os dados de testes de uma bomba foram fornecidos e o desempenho foi calculado. Os dados estão apresentados na tabela a seguir. Vitor da Silva Rosa. Ajuste a curva parabólica para esses resultados. Chave de resposta Utilizando um software como o Excel ou o Minitab, podemos pedir um ajuste desses dados para uma equação do segundo grau (parabólica). Porém, precisamos plotar no gráfico a variação de contra para encontrarmos uma função linear. Observe na imagem que a y corresponde ao corresponde ao parâmetro A (por acompanhar a variável que nesse caso é ) e corresponde a 159049. Logo: A equação acima é válida para em metros e em . Verificando o aprendizado Questão 1 Em uma instalação hidráulica, uma bomba possui um rendimento de 0,76 para uma entrada de potência no motor elétrico de 22kW e altura manométrica de 42 metros. O fluido possui uma massa específica de 980kg/ m³. Nessas condições, a vazão volumétrica na descarga em m³/h é A 146,16m³/h B 156,16m³/h C 166,16m³/h D 176,16m³/h E 186,16m³/h A alternativa A está correta. Com a potência de entrada do motor elétrico e o rendimento, podemos calcular a potência hidráulica fornecida pela bomba ao fluido: Assim: A vazão na descarga será calculada em função da potência hidráulica: Isolando a vazão e assumindo a aceleração local da gravidade como : Como 1 hora é equivalente a 3600 segundos, a vazão volumétrica em é 146,16 . Questão 2 Uma bomba centrífuga está sendo empregada para bombear água (massa específica de 1000kg/m³) com uma vazão de 200m³/h em uma instalação hidráulica. Sabendo que a altura manométrica correspondente é 32 metros, qual a potência hidráulica fornecida ao fluido? A 14,8 kW B 15,8 kW C 16,8 kW D 17,8 kW E 18,8 kW A alternativa D está correta. A potência hidráulica é calculada por: Assumindo a aceleração local da gravidade como e substituindo os valores numéricos na equação , temos que: 3. Associação de bombas centrífugas Vamos começar! Associação de bombas Conheça a seguir o conceito de bombas em série e em paralelo. Conteúdo interativo Acesse a versão digital para assistir ao vídeo. Bombas em série Sistemas de bombeamento que visam alimentar caldeiras para produzir vapor, pressurizar tanques, combater incêndios e irrigar lavouras por aspersão necessitam, muitas vezes, fornecer energia para vencer alturas manométricas maiores que 1400 metros (com vazões de até 500m³/h). Recomenda-se, para estas e outras aplicações que exigem elevadas pressões, o emprego de bombas horizontais de múltiplo estágio (bombas centrífugas radiais com dois ou mais conjuntos de difusores e rotores em série, acionados por um único rotor) ou duas ou mais bombas centrífugas em série. A associação de bombas centrífugas em série é obtida conectando-se a descarga de uma bomba na sucção da seguinte. A pressão total da descarga é praticamente a soma da pressão de cada uma das unidades. A vazão fornecida é próxima à da bomba de menor vazão. As curvas resultantes das associações de bombas centrífugas em série são obtidas somando-se, para cada valor da vazão Q, as alturas manométricas H de cada bomba. O ganho na vazão na operação depende da resistência do sistema que está sendo abastecido. Note, na imagem a seguir, a comparação entre as curvas características para apenas uma bomba e para duas bombas em série. Operação de bombas centrífugas em série. Podemos observar dois pontos importantes na imagem: Note que o uso de bombas em série implica um aumento da altura manométrica, porém a vazão volumétrica praticamente fica inalterada. 1. Para duas bombas iguais, a curva da bomba resultante é a soma geométrica da curva da bomba de apenas uma bomba. Matematicamente, podemos escrever que para cada bomba individual e igual, a curva característica é dada por: Somando as curvas, temos que: Para o cálculo da potência hidráulica, temos que: Não é recomendado associar, em série, bombas diferentes, devido à dificuldade que se tem de obter elevados rendimentos em todas elas. O rendimento total de bombas iguais, em série, é praticamente o mesmo obtido por uma de suas unidades. Recomendação Em função das características discutidas, a associação de bombas em série é particularmente recomendada na alimentação sucessiva de sistemas com altura manométrica diferente e no transporte de líquido a grandes distâncias.No deslocamento de líquidos através de tubulações extensas, é muitas vezes mais econômico instalar as bombas em série ao longo da tubulação ao invés de instalá-las logo no início da linha. Embora a energia seja praticamente a mesma nos dois casos, as bombas operando em série no início da linha, por gerarem uma pressão elevada na saída da última voluta, requerem tubulações resistentes e, consequentemente, mais caras. Voluta Forma geométrica em espiral tal como a concha de um caracol. Bombas em paralelo 2. 1 2 3 As grandes torres de resfriamento, os serviços públicos de abastecimento, as estações de tratamento de resíduos líquidos e de combate a incêndio requerem o transporte de grandes volumes de líquidos por unidade de tempo. Vazões de 10000m³/h (para alturas manométricas de até 100 metros) são obtidas com duas ou mais bombas associadas em paralelo. Na imagem a seguir, temos a curva característica de bombas associadas em paralelo. Associação de bombas em paralelo. Note que as curvas da bomba são somadas geometricamente na horizontal com a associação de bombas em paralelo, o que leva a grandes vazões na descarga combinada das bombas. Matematicamente, a altura manométrica total para duas bombas idênticas associadas em paralelo é dada por: A potência hidráulica é calculada por: E o rendimento total da associação em paralelo é dado por: Uma instalação real com bombas em paralelo também requer mais atenção, para permitir operação satisfatória com apenas uma bomba acionada. É necessário impedir o refluxo através da bomba que não está em operação. Comentário Para prevenir refluxo e permitir a remoção da bomba, uma configuração de tubulação mais complexa e dispendiosa é necessária. Muitos outros arranjos de tubulação e combinações de bombas são possíveis. Bombas de diferentes tamanhos, alturas de carga e capacidades podem ser combinadas em série, em paralelo, ou em arranjos série-paralelo. Obviamente, a complexidade da tubulação e controle do sistema aumenta rapidamente. 1 2 3 Em muitas aplicações, a complexidade é decorrente da exigência de que o sistema trabalhe com vazões variadas – uma faixa de vazões pode ser gerada pela utilização de bombas em série e em paralelo, e pelo uso de válvulas reguladoras de vazão (válvulas de estrangulamento). Válvulas reguladoras de vazão são normalmente necessárias porque boa parte das bombas industriais é acionada por motores de velocidade constante, de modo que o uso puro e simples de uma rede de bombas (algumas ligadas e outras desligadas), sem válvulas de estrangulamento, só permite que a vazão seja variada em degraus discretos.Em muitas aplicações, a complexidade é decorrente da exigência de que o sistema trabalhe com vazões variadas – uma faixa de vazões pode ser gerada pela utilização de bombas em série e em paralelo, e pelo uso de válvulas reguladoras de vazão (válvulas de estrangulamento). A desvantagem das válvulas de estrangulamento é que elas podem introduzir uma perda importante de energia, de modo que uma dada vazão exigirá maior potência na bomba do que aquela que seria requerida sem a válvula. O acionamento (motor) de velocidade variável permite um controle infinitamente variável da vazão no sistema com alta eficiência energética e sem a complexidade de encanamentos extras. Outra vantagem é que um sistema de acionamento de velocidade variável oferece controle de vazão mais simplificado no sistema. Comentário O custo de sistemas eficientes de acionamento de velocidade variável continua a decrescer por causa dos progressos em inversores de frequência e em circuitos e componentes da eletrônica de potência. A vazão no sistema pode ser controlada pela variação da velocidade de operação da bomba, com expressiva economia de potência de bombeamento e de consumo de energia. Em geral, empregam-se bombas iguais em paralelo para evitar que ocorra um fluxo de maior potência para a de menor potência. Apesar desse risco, não é raro encontrar associações de bombas diferentes em paralelo. Mão na massa Questão 1 Duas bombas centrífugas associadas em série fornecem uma vazão volumétrica de 0,05m³/s. Sabendo que as curvas características de cada bomba são iguais e dadas por com Q em m³/s, a altura manométrica total é A 474m B 484m C 494m D 504m E 514m A alternativa C está correta. A altura manométrica total para um sistema associado em série com duas bombas centrífugas iguais é dada por: Assim: Assim: Substituindo os valores numéricos na equação anterior: Questão 2 Em uma instalação industrial, duas bombas centrífugas iguais foram colocadas em série. A altura manométrica total fornecida pela associação é de 420 metros para o bombeamento de um fluido newtoniano com massa específica de 1100kg/m³. A curva característica para cada bomba é dada por com Q em m³/s. Nessas condições, a potência hidráulica total fornecida ao fluido é A 722,3kW B 732,3kW C 742,3kW D 752,3kW E 762,3kW A alternativa E está correta. Assista ao vídeo para conferir a resolução da questão. Conteúdo interativo Acesse a versão digital para assistir ao vídeo. Questão 3 Um sistema possui duas bombas centrífugas diferentes associadas em série. A potência hidráulica total fornecida pelo sistema é de 500kW e a vazão volumétrica é de 0,052m³/s. O fluido possui massa específica de 1200kg/m³. Se a altura manométrica da bomba 1 é de 250 metros, qual será a altura manométrica da bomba 2? A 551,28m B 561,28m C 571,28m D 581,28m E 591,28m A alternativa A está correta. A potência hidráulica total fornecida pelas duas bombas ao fluido é calculada por: Substituindo os valores numéricos na equação anterior. Substituindo os valores numéricos na equação anterior. Importante: lembre-se de que na equação anterior, a potência deve estar em Watts, logo, 500kW é igual a 500000 W ! Questão 4 Duas bombas centrífugas iguais estão associadas em paralelo. A curva característica de cada bomba é descrita por com Q em m³/s. Sabendo que a vazão volumétrica total na descarga do sistema é de 1000m³/h, a altura manométrica correspondente para esta associação é A 208,44m B 218,44m C 228,44m D 238,44m E 248,44m A alternativa B está correta. A altura manométrica para uma associação de duas bombas centrífugas iguais em paralelo é dada por: Substituindo os valores numéricos na equação anterior: A vazão volumétrica deve estar em , logo, . Questão 5 Um sistema contendo duas bombas iguais associadas em paralelo possui uma vazão total na descarga de 0,88m³/s para uma altura manométrica de 100 metros. Sabendo que a massa específica do fluido é de 920kg/ m³, a potência hidráulica total desse sistema é A 795,3kW B 800,8kW C 805,3kW D 809,6kW E 819,6kW A alternativa D está correta. Para uma associação de duas bombas em paralelo, a potência hidráulica é dada por: Substituindo os valores numéricos: Questão 6 Um sistema constituído por duas bombas iguais associadas em paralelo fornece uma vazão total de 0,92m³/s. Dois terços da vazão total é devido a bomba 1 e o restante a bomba 2. Se a bomba 1 possui um rendimento de 0,72 e a bomba 2 um rendimento de 0,76, qual o rendimento total dessa associação? A 0,65 B 0,67 C 0,69 D 0,71 E 0,73 A alternativa E está correta. O rendimento total da associação em paralelo é dado por: Substituindo os valores numéricos na equação anterior: Teoria na prática Uma instalação industrial necessita de uma grande pressão no escoamento de um líquido newtoniano com massa específica de . O engenheiro responsável pelo projeto verificou que colocar apenas uma bomba centrífuga seria insuficiente para atender a essa necessidade. Dessa forma, ele resolveu colocar duas bombas centrífugas do mesmo modelo e capacidade em série. A altura manométrica total que as bombas devem fornecer é de 1000 metros de coluna d'água. Chave de resposta Assista ao vídeo para conferir a resolução da questão. Conteúdo interativo Acesse a versão digital para assistir ao vídeo. Verificando o aprendizado Questão 1 Um sistema contendo duas bombas centrífugas iguais associadas em série será utilizado para o transporte de um líquido fertilizante com massa específica de 820kg/m³. Sabendo que a potência hidráulica total desse sistema é de 300kW e altura manométrica é de 800 metros, qual a vazão volumétrica fornecida pela associação em série? A 156m³/h B 166m³/h C 176m³/h D 186m³/h E 196m³/h A alternativa B está correta. A potência hidráulica total fornecida pelas duas bombas ao fluido é calculada por: Substituindo os valores numéricos na equação . Importante: lembre-se de que na equação A, a potência deve estar em Watts, logo, 300 kW é igual a ! Questão 2 Um sistema contendo duas bombas centrífugas iguais em paralelo será empregado para o escoamento de um líquido com massa específica de 840kg/m³. Sabendo que a potência hidráulica total é de 230kW e a altura manométrica é de 238 metros, a vazão volumétrica desse sistema é de A 384m³/h B 394m³/h C 404m³/h D 414m³/h E 424m³/h A alternativa D está correta. A potência hidráulica total fornecida pelas duas bombas ao fluido é calculada por: Substituindo os valores numéricos na equação . Importante: lembre-se de que na equação A, a potência deve estar em Watts, logo, 230 kW é igual a ! 4. Conclusão Considerações finais O funcionamento de uma turbobomba é um item essencial a ser aprendido na formação básica de um engenheiro, uma vez que, na maioria dos processos, temos escoamento de fluidos por bombeamento. Abordamos o conceito da altura manométrica e a sua dependência da vazão volumétrica e da rotação da bomba, bem como o uso das leis da afinidade para prever a altura manométrica com outros diâmetros de rotores. Estudamos o conceito de curva da bomba e de curva do sistema e a importância do ponto de operação. Finalizamos com a variação da altura manométrica e da vazão volumétrica em sistemas associados em série e em paralelo. Podcast Para encerrar, ouça os assuntos mais relevantes do conteúdo que você acabou de estudar. Conteúdo interativo Acesse a versão digital para ouvir o áudio. Explore + Para compreender melhor o estudo e o emprego de turbobombas, sugerimos que leia o artigo: Simulação de bombas com velocidade de rotação variável no EPANET, de Ricardo Santos Coutinho e Alexandre Kepler Soares, publicado em 2017. Referências FOX, R. W.; MCDONALD, A. T.; PRITCHARD, P. J. Introdução à mecânica dos fluidos. 8. ed. Rio de Janeiro: LTC, 2014. GREEN, D. W.; SOUTHARD, M. Z. Perry’s Chemical Engineer’s handbook. 9. ed. New York: McGrawHill, 2018. MACYNTYRE, A. J. Bombas e instalações de bombeamento.2. ed. Rio de Janeiro: LTC, 1997. MCCABE, W.; SMITH, J.; HARRIOT, P. Unit operations for Chemical Engineering. 7. ed. New York: McGraw-Hill, 2004. Funcionamento de uma turbobomba 1. Itens iniciais Propósito Preparação Objetivos Introdução Conteúdo interativo 1. Variação de parâmetros com a rotação e descarga Vamos começar! Variação de parâmetros de uma turbobomba Conteúdo interativo Cálculo da altura manométrica Similaridade hidrodinâmica das turbobombas A altura manométrica A vazão volumétrica A rotação do rotor da bomba Comentário Leis da afinidade Rotação máxima e invariante Rotação variante Comentário Vazão volumétrica Altura manométrica Potência Demonstração Mão na massa Conteúdo interativo Conteúdo interativo Teoria na prática Verificando o aprendizado 2. Curvas de funcionamento e características do sistema Vamos começar! Curvas da bomba e do sistema Conteúdo interativo Curva da bomba Potência de entrada na bomba Potência hidráulica Semelhança para curvas da bomba Comentário Ponto de operação A bomba perde desempenho devido ao desgaste A resistência do sistema aumenta devido ao envelhecimento Demonstração Mão na massa Conteúdo interativo Conteúdo interativo Teoria na prática Verificando o aprendizado 3. Associação de bombas centrífugas Vamos começar! Associação de bombas Conteúdo interativo Bombas em série Recomendação Bombas em paralelo Comentário Comentário Mão na massa Conteúdo interativo Teoria na prática Conteúdo interativo Verificando o aprendizado 4. Conclusão Considerações finais Podcast Conteúdo interativo Explore + Referências