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Impresso por MADU ESTUDO, E-mail mariaeduardabrayner1@hotmail.com para uso pessoal e privado. Este material pode ser protegido por direitos autorais e não pode ser reproduzido ou repassado para terceiros. 31/03/2025, 10:39:24 O parto 11 Mapa mental 1. Estática fetal Altura da apresentação Estática fetal Apresentação Variedade de posição Planos de DeLee Cefálica Pélvica Córmica Fletida Deetida (graus 1, 2 e 3) Direitas Esquerdas Medianas ODA, ODT e ODP OEA, OET e OEP OP e OS Situação fetal Oblíqua Transversa Longitudinal Atitude fetal Flexão generalizada Volte a ser Premium e ganhe R$ 50 de desconto$ Você não paga nada agora Reativar Premium Impresso por MADU ESTUDO, E-mail mariaeduardabrayner1@hotmail.com para uso pessoal e privado. Este material pode ser protegido por direitos autorais e não pode ser reproduzido ou repassado para terceiros. 31/03/2025, 10:39:24 O parto 12 Obstetrícia Mapa Mental 2. Manobras de Leopold-Zweifel 4 manobras de Leopold- Zweifel. 1. Situação: Longitudinal, Transversa ou Obliqua. 3. Apresentação Fetal: Cefálica, pélvica ou córmica 2. Posição fetal: Diz respeito ao lado do dorso fetal em relação ao lado D ou E materno 4. Insinuação: Mostra o quando o feto está preenchendo a pelve materna Volte a ser Premium e ganhe R$ 50 de desconto$ Você não paga nada agora Impresso por MADU ESTUDO, E-mail mariaeduardabrayner1@hotmail.com para uso pessoal e privado. Este material pode ser protegido por direitos autorais e não pode ser reproduzido ou repassado para terceiros. 31/03/2025, 10:39:24 O parto 13 4. FASES CLÍNICAS DO PARTO BASES DA MEDICINA O parto é caracterizado por contrações das bras mio- metriais, cujas principais funções são a dilatação cervical e a expulsão do feto através do canal de parto. Essas contrações são dolorosas; porém, antes do seu início, o útero sofre modicações siológicas e bioquímicas locais, concomitantes ao aumento da frequência de contrações indolores (Contrações de Braxton Hicks), até que o ver- dadeiro trabalho de parto seja deagrado. O diagnóstico do trabalho de parto é muito impor- tante e nem sempre fácil de ser estabelecido. Deve ser considerado como um conjunto de alterações, e não por elementos isolados. Sendo assim, as alterações signicativas que devemos considerar são: presença de contrações dolorosas e rítmicas (no mínimo de 2 em 10 minutos, com duração de 50 a 60 segundos cada); que levam a modica- ções progressivas no colo uterino (apagamento e dilatação). Podemos dividir o parto em quatro fases clínicas: 4.1. 1º PERÍODO: DILATAÇÃO BASES DA MEDICINA No trabalho de parto, as contrações têm início no fundo, são mais duradouras e intensas, com propagação descen- dente. É o chamado TRÍPLICE GRADIENTE DESCENDENTE. O início do trabalho de parto (TP) depende de dois fatores principais: presença de contrações uterinas ritmadas (com duração e intensidade denidas) combinadas a mudanças progressivas do colo uterino (esvaecimento e dilatação). O esvaecimento (incorporação do colo à cavidade uterina) e a são fenômenos distindilatação cervical - tos. Nas primíparas, ocorrem nessa ordem, suces- sivamente: primeiro o esvaecimento, de cima para baixo, e depois, a dilatação do orifício interno. Já nas multíparas, geralmente ocorrem simultaneamente. Figura 20. Apagamento (ou esvaecimento) e dilatação do colo uterino. Fonte: Drp8/Shutterstock.com6. O primeiro período do trabalho de parto (dilatação) começa com as contrações iniciais e termina com a dilatação total de 10 cm. É dividido em duas fases: Fase latente: período de tempo não necessariamente contínuo, no qual são identicadas contrações dolo- rosas com alterações cervicais, incluindo dilatação de até 5 ou 6 cm. Fase ativa: contrações ritmadas e dolorosas, que promovem alterações cervicais progressivas de 5 a 6 cm até a dilatação total. Volte a ser Premium e ganhe R$ 50 de desconto$ Você não paga nada agora Impresso por MADU ESTUDO, E-mail mariaeduardabrayner1@hotmail.com para uso pessoal e privado. Este material pode ser protegido por direitos autorais e não pode ser reproduzido ou repassado para terceiros. 31/03/2025, 10:39:24 O parto 14 Obstetrícia 4.1.1. Assistência ao 1º período Recomenda-se que a admissão hospitalar seja reali- zada na do trabalho de parto. A internação fase ativa precoce tem maior associação com intervenções como uso de ocitocina, analgesia e cesarianas. Estudos recentes mostraram que o melhor momento para a internação se congura quando a paciente apresentar: u Contrações uterinas com intensidade moderada a forte, ritmo de 3 contrações a cada 10 minutos e duração superior a 40 ou 50 segundos. u Dilatação cervical superior a 5 centímetros ou velocidade de dilatação de 1 cm/h mantida por, pelo menos, 2 horas. Uma boa avaliação inicial é fundamental para a indi- cação da internação no momento mais oportuno. A paciente deverá ser avaliada, detalhadamente (anamnese, antecedentes e exame físico), para que o prossional identique se a paciente está: u Em pródromos de trabalho de parto, e deverá ser liberada para casa. u Na fase latente do trabalho de parto, e deverá ser reexaminada em 1 ou 2 horas para avaliação do ritmo e da intensidade das contrações uterinas e da progressão da dilatação do colo. u Na fase ativa do trabalho de parto, devendo ser internada. O parto é um evento siológico e deve ser visto como tal. Durante a fase de dilatação, o ideal é que haja o mínimo de intervenções autonomia da e a paciente deve ser respeitada. Está liberada a dieta com alimentos nutritivos e de fácil ingestão, além de líquidos. O acesso venoso deve ser feito apenas se houver necessidade de administração de drogas, analgesia ou em casos de indução do parto. O decúbito dorsal deve ser evitado, pois diminui o retorno venoso; portanto, a deambulação é livre. A tricotomia não é recomendada, e a lavagem intestinal (enema) também não deve ser realizada. A amniotomia (rotura articial das membranas ovulares) só deve ser feita quando houver indicação, e não rotineiramente. O toque deve ser realizado com a menor frequência possível, principalmente em casos de bolsa rota, pois toques excessivos aumentam o risco de infecção. O registro do trabalho de parto em prontuário é parte imprescindível da assistência. Deve ser iniciado, em partograma, a partir do momento em que a fase ativa do trabalho de parto for diagnosticada. A ausculta intermitente com sonar deve ser reali- zada a cada 30 minutos, iniciada imediatamente após uma contração, e mantida por pelo menos 2 contrações subsequentes (antes, durante e após as contrações) e 3 minutos contínuos. Nas pacientes de alto risco, a ausculta deve ser realizada a cada 15 minutos, com a mesma técnica. Tabela 1. Intervalos para ausculta cardíaca fetal intermitente na fase de dilatação. Dilatação Risco habitual 30/30 minutos Alto risco 15/15 minutos Fonte: Zugaib et al.5 A cardiotocograa não deve ser feita como rotina em pacientes de baixo risco. Esse exame, para a monitorização da vitalidade fetal intraparto, está indicado se houver: u Alterações na ausculta intermitente. u Taquicardia materna (FC > 120 bpm). u Febre (T > 37,5ºC). u Suspeita de corioamnionite. u Dor suspeita referida pela paciente, não associa- da a contrações. u Presença de mecônio com signicado clínico. u Sangramento vaginal. u Hipertensão arterial. u Primeiro estágio do parto prolongado (dilatação 60 segun- dos ou frequência > 5 contrações em 10 minutos. u Uso de ocitocina endovenosa. Volte a ser Premium e ganhe R$ 50 de desconto$ Você não paga nada agora Impresso por MADU ESTUDO, E-mail mariaeduardabrayner1@hotmail.com para uso pessoal e privado. Este material pode ser protegido por direitos autorais e não pode ser reproduzido ou repassado para terceiros. 31/03/2025, 10:39:24 O parto 15 O uso de deveser feito em casos especíocitocina - cos, quando houver indicação precisa. A medicação não deve ser usada rotineiramente, já que o uso indevido pode aumentar o risco de taquissistolia, ruptura uterina, sofrimento fetal e embolia de líquido amniótico. Sua administração restringe-se aos casos de diagnóstico de parada de progressão do trabalho de parto, por hipocontratilidade uterina. Pelos novos parâmetros de acompanhamento do TP, considera-se parada de progressão a dilatação menor do que 1 cm em 2 horas. A decisão de iniciar ocitocina deve ser compartilhada com a paciente e, caso não exista consentimento, pode-se adotar conduta expectante, já que há efeito aparente no desfecho do parto. Com relação à presença de , não há evi-mecônio dências de que a classicação em gradação do líquido meconial tenha utilidade clínica, além de existir uma grande variação intra e interobservador. São discretas as evidências de que a monitoração contínua da frequência cardíaca fetal deva ser uti- lizada para avaliação do bem-estar fetal, diante da eliminação de mecônio durante o TP, especialmente nas gestações que ultrapassaram as 40 semanas. Se identicadas alterações durante a ausculta fetal intermitente a cardiotocograa deve ser realizada. O achado de líquido amniótico meconial, isolada- mente, não é indicação de cesariana. Figura 21. Livre movimentação durante o trabalho de parto. Fonte: SoaV/Shutterstock.com7. Volte a ser Premium e ganhe R$ 50 de desconto$ Você não paga nada agora Impresso por MADU ESTUDO, E-mail mariaeduardabrayner1@hotmail.com para uso pessoal e privado. Este material pode ser protegido por direitos autorais e não pode ser reproduzido ou repassado para terceiros. 31/03/2025, 10:39:24 O parto 16 Obstetrícia Métodos não farmacológicos para alívio da dor podem ser utilizados, tais como banho morno, bola de pilates, massagem e música. A analgesia via bloqueio peridural, no geral, pode ser feita a partir de 4 ou 5 cm de dilatação; porém, não é um procedimento de rotina, já que pode trazer complicações como vômitos, hipotensão, retenção urinária e período expulsivo prolongado, com maior uso do fórceps. Respeita-se o limiar individual de dor. Embora não integrem a equipe de assistência téc- nica ao trabalho de parto, os benefícios da atuação das doulas são amplamente reconhecidos. Elas prestam suporte físico e emocional durante o parto e auxiliam na educação perinatal. Uma metanálise da Cochrane demonstra que houve redução de 39% nas taxas de cesarianas em pacientes que tiveram suporte de uma doula durante o trabalho de parto, além de redução de 10% no uso de métodos farma- cológicos para alívio da dor, redução de 41 minutos na duração do trabalho de parto e queda de 38% no risco de Escore de Apgar 60’’ ou >5 contrações/10’ Uso de ocitocina Métodos não farmacológicos para alívio da dor Acompanhante Partograma Alimentação Vitalidade fetal Reavaliação em 2 horas Evitar internação precoce Contrações dolorosas Dilatação até 5-6 cm Internação Posição confortável Banheira/chuveiro Acupuntura Relaxamento Massagem Música Hipnose Mapa mental 3. Primeiro período do trabalho de parto (dilatação) Volte a ser Premium e ganhe R$ 50 de desconto$ Você não paga nada agora Impresso por MADU ESTUDO, E-mail mariaeduardabrayner1@hotmail.com para uso pessoal e privado. Este material pode ser protegido por direitos autorais e não pode ser reproduzido ou repassado para terceiros. 31/03/2025, 10:39:24 O parto 18 Obstetrícia 4.2. 2º PERÍODO: EXPULSÃO BASES DA MEDICINA O período expulsivo é considerado prolongado quando são ultrapassadas 3 horas de dilatação total sem nascimento, nas primíparas, ou 2 horas, nas multíparas. Se a paciente estiver sob analgesia, adiciona-se 1 hora para denição de período expulsivo prolongado, ou seja, 4 horas nas primíparas e 3 horas nas multíparas. A expulsão acontece no 2º período, e inicia-se quando a dilatação é total, ou seja, quando atinge 10 cm, e termina quando ocorre a completa expulsão do feto. Nessa fase, o feto é expelido do útero por meio da ação combinada das contrações uterinas e das contrações voluntárias e, aqui, ocorre o meca- nismo de parto. Nesse período, são esperadas 5 a 6 contrações em 10 minutos, com cerca de 50 ou 60 mmHg e duração de 60 a 80 segundos. A duração média em primípara é de 50 minutos e em multípara, de 20 minutos. Podem ocorrer os puxos, comparáveis à “vontade de empurrar”, como na evacuação ou micção di- cultadas. 4.2.1. Assistência ao 2º período Não existe uma posição ideal, sendo assim, a paciente pode escolher aquela em que se sentir mais confortável. No entanto, atualmente, as posi- ções verticalizadas são mais recomendadas do que a posição de litotomia. A ausculta cardíaca intermitente deve ser realizada com intervalos menores. Tabela 2. Intervalos para ausculta cardíaca fetal intermitente na fase de expulsão. Expulsão Risco habitual 15/15 minutos Alto risco 5/5 minutos Fonte: Zugaib et al.5 A antissepsia da região perineal e a colocação dos campos estéreis podem ser realizadas. No entanto, não são etapas obrigatórias, já que o parto não é um procedimento estéril. Para proteção do períneo, a manobra de Ritgen modicada pode ser realizada. Além disso, existe a possibilidade de realizar o parto , sem hands off interferência, só observando. Compressas e lubri- cantes também podem ser utilizados no períneo. Figura 22. A-E: Proteção do períneo durante o desprendimento fetal. F: Desfazer eventuais circulares de cordão após a saída do pólo cefálico. Fonte: udaix/Shutterstock.com8. DIA A DIA MÉDICO A Manobra de Ritgen modicada é tecnicamente reali- zada comprimindo-se a parte de baixo da musculatura perineal com uma compressa na mão, enquanto a outra mão controla a deexão da cabeça. O procedimento de ampliação cirúrgica do canal de parto foi prática recorrente durante muitos anos na Obstetrícia moderna. Porém, recentes estudos demonstram que a técnica é obsoleta, uma vez que praticamente não há benefícios que corroborem seu emprego de rotina, além da possível associação com efeitos adversos. Por isso, a realização de epi- siotomia como rotina não é mais indicada. Apesar de ser uma técnica que já foi muito utilizada com a justicativa de prevenir as lacerações graves (de 3º e 4º graus), as evidências cientícas atuais não conrmam esse benefício. Pelo contrário, a episio- tomia consiste na secção dos músculos perineais Volte a ser Premium e ganhe R$ 50 de desconto$ Você não paga nada agora Impresso por MADU ESTUDO, E-mail mariaeduardabrayner1@hotmail.com para uso pessoal e privado. Este material pode ser protegido por direitos autorais e não pode ser reproduzido ou repassado para terceiros. 31/03/2025, 10:39:24 O parto 19 – transverso supercial do períneo, bulbocavernoso e puborretal – e, por denição, já é compatível comuma laceração de 2º grau. Ou seja, pode ser mais agressiva do que as lacerações naturais, conside- rando que grande parte das mulheres pode parir e ter períneo íntegro ou apenas lacerações de 1º grau. Além disso, sua execução tem mais associação com perdas sanguíneas aumentadas, infecções, dor no pós-parto e deiscência. No acompanhamento, pacientes também relataram maior incidência de insatisfação anatômica pós-cicatrização, dispare- unia e outros impactos na vida sexual. Existem algumas -indicações relativas para a reali zação deste procedimento, o que caracterizaria a prática da “episiotomia seletiva”: sofrimento fetal, parto instrumentalizado (uso de fórceps ou vácuo extrator), distocia de ombros, macrossomia fetal e identicação de risco aumentado de lesão peri- neal no momento do coroamento do polo cefálico. Quando indicada, a episiotomia deve ser médio lateral, pois a incisão mediana está associada a um maior risco de lacerações de 3º e 4º graus. Vale ressaltar que, assim como qualquer outra intervenção durante o trabalho de parto e o parto em si, a paciente deve ser informada sobre o pro- cedimento, e a decisão pela sua realização deve ser compartilhada. A Manobra de Kristeller (compressão do fundo ute- rino) é proibida devido aos riscos de rotura hepática materna, de rotura uterina e de trauma fetal. Após o nascimento do bebê, em situações de nor- malidade, o clampeamento tardio do cordão umbi- lical tem benefícios para o recém-nascido: melhora das reservas de ferro e dos níveis de hemoglobina nos primeiros seis meses de vida, sendo prática estimulada pelos principais guidelines. Não há evidência sobre o tempo ideal para deixar o cordão intacto. A maioria dos estudos recomenda de 2 a 5 minutos, mas não se observam malefícios em manter o cordão até que pare de pulsar ou até a dequitação placentária. A ordenha de cordão não deve ser realizada de rotina. Na ausência de complicações maternas ou fetais, o recém-nascido deve ser entregue diretamente à mãe após o nascimento. O contato pele a pele precoce oferece benefícios tanto para a mãe quanto para o bebê. Se possível, algum membro da equipe de assistência pode secar o bebê e colocar campos aquecidos, para que ele não tenha queda na tempe- ratura corporal. A amamentação na sala de parto deve ser estimulada, se não houver contraindicações Volte a ser Premium e ganhe R$ 50 de desconto$ Você não paga nada agora Impresso por MADU ESTUDO, E-mail mariaeduardabrayner1@hotmail.com para uso pessoal e privado. Este material pode ser protegido por direitos autorais e não pode ser reproduzido ou repassado para terceiros. 31/03/2025, 10:39:24 O parto 20 Obstetrícia Período expulsivo prolongado Sem analgesia Com analgesia Nulípara > 3 horas > 4 horas Multípara > 2 horas > 3 horas Período expulsivo Dilatação total até o nascimento Posição mais confortável Puxos livres (dirigidos se analgesia com perda da percepção) Períneo Nascimento Contato pele a pele Clampeamento tardio do cordão Amamentação na sala de parto Segundo período Compressas Lubricação Hands off Verticais Laterais Episiotomia: obsoleta! Não há benefícios Mapa mental 4. Segundo período do trabalho de parto (período expulsivo) Volte a ser Premium e ganhe R$ 50 de desconto$ Você não paga nada agora Volte a ser Premium e ganhe R$ 50 de desconto$ Você não paga nada agora