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UNIDADE 1- Surdez e o Surdo Prof(a).: Camila Diniz • O termo surdez é utilizado para designar a perda de audição, seja ela parcial (dificuldade em ouvir) ou total (impossibilidade de ouvir), temporária ou permanente. • A palavra orelha para se referir ao órgão da audição sendo dividida em orelha externa, orelha média e orelha interna. • O nosso sentido da audição é constituído por um conjunto de canais que conduz toda forma de som a orelha interna. Conceituando a surdez e o Surdo Anatomia da orelha (anteriormente chamado de Ouvido). Ilustração: SVETLANA VERBINSKAYA / Shutterstock.com • Decibéis (dB) referem-se à unidade de medida dos níveis de limiares auditivos (o quanto a pessoa escuta). Audição Normal – limiares entre 0 e 20 dB. Deficiência Auditiva Leve – limiares entre 20 e 40 dB. Deficiência Auditiva Moderna – limiares entre 41 e 70 dB. Deficiência Auditiva Severa – limiares entre 71 e 90 dB. Deficiência Auditiva Profunda – limiares acima de 90 dB. A deficiência auditiva (DA) • O Teste da Orelhinha ou Triagem Auditiva Neonatal (TAN) é um exame que deve ser realizado nos seis primeiros meses de vida do recém-nascido. • Teste gratuito desde 2010. • Antes desse ano o teste TAN era pago. • O reconhecimento da surdez (antes desse teste) ocorria de forma caseira. • Escola é outro ambiente para detectar a surdez na criança. • Fonoaudiologia (teste da audiometria). COMO SABER SE O SUJEITO É SURDO? • O Sujeito surdo é aquele que não consegue ouvir. • O primeiro contato do surdo com a sociedade é o ambiente familiar. • Parte dos pais não acreditam no diagnóstico de surdez. A surdez para esse grupo é uma doença. • Outros pais se disponibilizam compreendem a diferença na comunicação e buscam aprender Libras. • Visão Médica - surdez é uma doença. • Visão Antropológica – Bilinguismo. QUEM É ESSE SUJEITO SURDO? • Surdez é uma doença (patologia) que deve ser curada. VISÃO MÉDICA Surdez congênita: onde o bebê nasce surdo, pois a surdez é adquirida na gestação ou pouco tempo após o parto. Pré-gestacional. Pré-natal. Perinatal. Surdez adquirida: quando o indivíduo fica surdo devido a problemas após o nascimento. Outra forma de classificar a surdez é de acordo com a aquisição da língua. A surdez, segundo esta classificação, pode ser: pré-lingual. pós-lingual. IMPLANTE COCLEAR Na visão médica muitos pais acreditam que o implante coclear é o mecanismo correto para a criança ouvir e interagir na sociedade. • Bilinguismo: Libras – 1ª língua Português – 2ª língua. • Não prioriza a surdez como uma patologia. • Os surdos interagem no mundo das experiências visuais manifestando o empoderamento da cultura surda. • Não acreditam no implante coclear. VISÃO ANTROPOLÓGICA • De ordem educacional onde temos a necessidade de acessibilidade comunicacional (permitir comunicação do surdo com os demais); • De ordem trabalhistas com emprego em vagas de cotas, por exemplo. • De ordem terapêutica, mais focado no trabalho fonoaudiológico e em terapias que podem auxiliar na audição e na fala. • De ordem linguística que envolve a aquisição de uma língua diferente, a língua de sinais (no Brasil denominada Libras); • De ordem social que levará o surdo a interação com a maioria ouvinte dentro da sociedade; • De ordem política onde temos a luta pelos direitos do surdo, como o direito a intérpretes da Língua Brasileira de Sinais. FATORES • Linguagem é a capacidade do ser humano se comunicar. Transmite uma mensagem. Gestual. Visual. Oral. • Lingua possui uma estrutura organizada. • Língua de Sinais Americana (ASL) • As línguas de sinais começaram a receber status de línguas a partir dos trabalhos realizados em 1960 por William Stokoe. • Brasil • 1970 e 1980, a pesquisadora Lucinda Brito, começa a estudar a Língua Brasileira de Sinais e observa os aspectos fonológicos, morfológicos, semântico, sintaxe, léxico e pragmático, que oferece o status de língua a Libras. LIBRAS: LÍNGUA OU LINGUAGEM? UNIDADE 2 – Os Surdos e a Libras Profa.:Camila Diniz • Na Antiguidade, os deficientes eram vistos como seres castigados pelos deuses. • Com o passar do tempo passaram a ser vistos como pessoas doentes que poderiam passar a doença e por esse motivo viviam trancados . • Um médico italiano, Girolamo Cardano, no século XVI teve um filho surdo e começou a realizar pesquisas estudando o corpo humano, mais especificamente o nariz, o ouvido e o cérebro. • Pedro Ponce de Léon ensinava os filhos dos nobres a ler, escrever, calcular e fazer orações para que essas crianças surdas fossem aceitas pela sociedade. CAMINHO HISTÓRICO PERCORRIDO PELA EDUCAÇÃO DE SURDOS CAMINHO HISTÓRICO PERCORRIDO PELA EDUCAÇÃO DE SURDOS • Um espanhol chamado Juan Pablo Bonet em 1620, foi um dos precursores do oralismo, por acreditar que os surdos deveriam saber ler e escrever. • No século XVII, O escocês Dalgarno criou um sistema primitivo do alfabeto manual. • L’Epeé no século XVIII na França. L'Epeé fundou a primeira escola para surdos em 1755. • Estados Unidos, a implantação do método gestual que chegou da França, aconteceu em 1816 por Thomas Gallaudet. • 1880- Congresso de Milão (marcado pelo Oralismo). CAMINHO HISTÓRICO PERCORRIDO PELA EDUCAÇÃO DE SURDOS • Oralismo Ensino com o foco na leitura labial. Com a língua de sinais proibida, muitos surdos tinham suas mãos amarradas para não poderem conversar através dos sinais. Muitos perderam o emprego e a educação de surdos entrou em decadência. • Comunicação Total Essa abordagem utiliza as línguas orais e de sinais simultaneamente, além de qualquer recurso de comunicação (fala, gestos, escrita, mímica). A principal crítica foi a de que essa abordagem descaracterizava e dificultava o aprendizado de ambas às línguas. CAMINHO HISTÓRICO PERCORRIDO PELA EDUCAÇÃO DE SURDOS • Ernest Huet, professor surdo, chegou ao Brasil vindo da França em 1855. • 26 de setembro de 1857 o Imperial Instituto de Surdos e Mudos, atual Instituto Nacional de Educação de Surdos – INES. • Atualmente, dada à importância do aprendizado de uma língua natural, a abordagem Bilíngue é a principal na educação de surdos no Brasil. • Esta abordagem propõe o aprendizado das duas línguas: a Língua de Sinais como L1, e a Língua Portuguesa da comunidade ouvinte, onde o surdo encontra-se inserido, como L2. O Bilinguismo. LIBRAS: A LÍNGUA MATERNA DOS SURDOS • Dentro do âmbito educacional, o trabalho bilíngue respeita as especificidades das crianças surdas desenvolvendo suas capacidades, rompendo suas barreiras para uma aprendizagem eficiente. • A língua materna é aquela aprendida de forma natural pelo sujeito. • Ouvintes: adquirem a Língua Portuguesa de forma natural através da audição. • Surdos: a libras deve ser a língua natural desses sujeitos. O indivíduo surdo, por não conseguir ouvir, não tem como adquirir a Língua Portuguesa de forma natural. Essa aquisição se dará de forma artificial, ou seja, como uma segunda língua (L2). LIBRAS: A LÍNGUA MATERNA DOS SURDOS Mas nem sempre o surdo terá a Libras como a L1. Muitas são as questões que levam o surdo a não ter contato com a Libras e adquiri- la de forma natural. As questões familiares: pais ouvintes que não dominam a língua de sinais; Questões individuais: se o sujeito surdo sente vergonha em ser surdo e sinalizante; Questões escolares: ele poderá ser oralizado e usar a Língua Portuguesa como forma de comunicação. O que pode perdurar, pois quando nos deparamos com a realidade da inclusão nos locais de ensino, observa-se a falta de materiais em Libras para se trabalhar com os surdos. CONSTITUIÇÃO DO SUJEITO SURDO: COMUNIDADE E CULTURA • Cultura: é o conjunto de comportamento de um grupo que tem a sua própria língua, valores, regras e comportamentos, tradições. • Comunidade: sistema social geral no qual um grupo de pessoas vivem juntas compartilham metas em comum. Partilham certas responsabilidadesumas com as outras. • Portanto na comunidade surda pode existir ouvintes, interpretes. Cultura surda: grupos de surdos que apresentam a mesma língua e os mesmos costumes. O que favorece a identificação dos surdos. CONSTITUIÇÃO DO SUJEITO SURDO: COMUNIDADE E CULTURA • Algumas instituições no Brasil foram fundadas pelos surdos e para os surdos, como: • Federação Nacional de Educação e Integração do Surdo – Feneis. Fundada em 1987 no Rio de Janeiro. • Confederação Brasileira de Desporto Surdo – CBDS. Fundada em 1984, promove a integração dos Surdos através dos esportes. Organiza torneios e campeonatos de diferentes modalidades esportivas. • Associações de Surdos. Existentes em todo o território nacional, formada por uma diretoria que administra as reuniões para lutar pelos direitos dos Surdos. UNIDADE 3 LÍNGUA BRASILEIRA DE SINAIS - LIBRAS Profa.: Camila Diniz • Libras é a segunda língua oficial no Brasil. Reconhecida por lei em 2002. • Careter visogestual. • A Libras segue parâmetros das línguas visuais: fonologia; Morfologia; Sintaxe; léxico próprios. O que denominamos itens lexicais (léxicos ou palavras) nas línguas orais auditivas aparece denominado como sinais nas LS. MORFOLOGIA DA LIBRAS • Cada sinal é formado por cinco parâmetros 1. Configuração de mãos. 2. Ponto de articulação. 3. Movimento. 4. Orientação e direção. 5. Expressão não manual. MORFOLOGIA DA LIBRAS • Configuração de mão. Formação assumida pelas mãos para a realização de um sinal. Configuradas por letras ou alfabeto manual. 61 configurações de mãos. MORFOLOGIA DA LIBRAS • Ponto de articulação: Local onde se encontra a mão predominante configurada. Podendo tocar uma parte do corpo ou estar em espaço neutro vazio. • Movimento: Os sinais podem apresentar movimento ou não. Os movimentos podem ser ainda unidirecionais (em uma só direção), bidirecionais (realizados em duas direções) ou multidirecionais (várias direções). • Orientação e direção: Direção da realização do sinal, sua inversão pode oferecer ideia de oposição. • Expressão não manual: São as expressões realizadas com o rosto e o corpo, responsáveis por mostrar se os sinais e as frases são afirmativos, negativos, exclamativos ou interrogativos. MORFOLOGIA DA LIBRAS • A Libras por ser uma língua nova, oficializada apenas em 2002 no Brasil, necessita criar novos sinais para contemplar cerca de 400 mil palavras da língua portuguesa. • Os neologismos das línguas de sinais, vem a ofertar a tradução integral de todos os assuntos que surgem na língua oral do país. • Como toda língua também possui empréstimos linguísticos, que são os sinais de outro país adotados pela Língua Brasileira de Sinais e, empréstimo da Língua Portuguesa quando usa o alfabeto manual para realizar a sequência de letras escrita em português. MORFOLOGIA DA LIBRAS • O termo acessível implica tanto acessibilidade física como de comunicação. • A acessibilidade deve promover a possibilidade de utilização dos espaços, edificações, meios de comunicação, equipamentos, entre outros com autonomia e segurança pelas PcDs. • A acessibilidade comunicacional se faz necessária quando falamos de pessoas surdas. • Plano de Desenvolvimento da Educação – PDE (Decreto n° 6.094): formação de professores para a educação especial, bem como a implantação de salas de recursos multifuncionais e a questão da acessibilidade escolar. ACESSIBILIDADE E INCLUSÃO • Educação inclusiva como sendo uma adaptação da instituição de ensino à realidade de cada aluno, com modificações de metodologias, o aprendizado da Libras pelos docentes que ministram aulas dentro de classes inclusivas com alunos surdos, torna-se um diferencial que irá facilitar ou não a adequação do sistema de ensino ao aluno. Atenção: • Não se encontram, no quadro de docentes, sujeitos bem preparados no que tange a diferentes aspectos da diversidade e inclusão. • AEE: Atendimento Educacional Especializado, traz suportes pedagógicos para auxiliar a inclusão do aluno com deficiência no ensino regular. ACESSIBILIDADE E INCLUSÃO • A Constituição Federal No artigo 205, dispõe que o acesso à educação é um direito de todos e um dever do Estado e da família. • Lei de Diretrizes e Bases (LDB) – 9.394/96 os educandos com necessidades especiais devem ter a educação escolar oferecida preferencialmente na rede regular, bem como, serviços de apoio especializado o AEE. • Lei de Libras 10.436/02 Libras como língua materna dos surdos. LEGISLAÇÃO ESPECÍFICA • Decreto 5.626 de 2005 Obrigatoriedade do atendimento especializado, sendo que o mesmo deve ser realizado principalmente pelo professor, colocando ainda que a Libras tornou-se obrigatória para a formação no Magistério tanto em nível superior quanto médio. • Lei Brasileira de Inclusão (LBI) 13.146/16 A adaptação da Convenção sobre os Direitos da Pessoa com Deficiência da ONU (Organização das Nações Unidas). • Lei de Acessibilidade – 10.098/00 regulamenta os critérios básicos para da eliminação dos obstáculos e barreiras. LEGISLAÇÃO ESPECÍFICA UNIDADE 4- Aspectos Visuais da Libras Profa.:Camila Diniz • A comunicação através de imagens é muito presente nos veículos de comunicação como televisão, internet, mídias sociais, entre outros. Muitas vezes os gestos corporais são realizados junto a fala. Quantas vezes ao dizer “liga para mim” vemos as pessoas fazendo o gesto de telefone na orelha? • A comunicação visual está presente no nosso dia a dia e é fundamental para os surdos que usam a língua de sinais que apresenta-se visuo-gestual. Iconicidade: é quando um sinal parece uma foto da realidade sendo facilmente identificado com o que se deseja sinalizar. COMUNICAÇÃO VISUAL E SURDEZ • A linguagem é utilizada pelos sujeitos para produção, desenvolvimento e compreensão da língua e, manifestações simbólicas que sejam semelhantes a ela. • Portanto observa-se a utilização desta linguagem no campo da estética, na comunicação não verbal e sim visual, na informática, nas pinturas, fotografias, entre outros. As Descrições Imagéticas se referem aos classificadores nas línguas de sinais. COMUNICAÇÃO VISUAL E SURDEZ • Sabendo que a Libras tem cunho visuo-motor é possível avaliar a importância das imagens para o desenvolvimento do sujeito Surdo, bem como para sua comunicação, construção de conceitos e entendimento do mundo. • Os ouvintes utilizam a audição. • Os surdos utilizam as mãos para se comunicar. • Os signos linguísticos são unidades de significação tendo o pressuposto de conhecimento pelos seus usuários dando significado. COMUNICAÇÃO VISUAL E SURDEZ • A identidade aparece como um conjunto de relações que vinculam ou separam as pessoas entre si, formando grupos e sentindo de pertença. • As minorias são constituídas em determinado contexto histórico a partir da construção da identidade que ocorre do encontro entre o eu e o outro em uma relação contextualizada através da linguagem. • A linguagem viabiliza a existência. • A interação entre os surdos ocorre através da Libras para os surdos sinalizantes. • Muitos surdos chegam a uma idade avançada sem aprender o domínio da língua de sinais, o que dificulta sua inserção na comunidade surda, sua minoria linguística. INTERAÇÃO SURDO-SURDO • São cinco os sentidos que nos permitem perceber o mundo: visão, audição, olfato, paladar e tato. As pessoas surdas por não conseguirem ouvir, aprimoram o sentido da visão que compensa a perda auditiva. • A comunicação eficaz entre um surdo e um ouvinte ocorre através da Libras. • Lembrando que a Língua Portuguesa é a segunda língua dos surdos e muitas vezes pode ser uma barreira para comunicação. COMUNICAÇÃO SURDO-OUVINTE Prática de Libras I Profa.: Camila Diniz • A datilologia ou alfabeto manual faz parte da Libras, mas não é a Libras. • A Libras é composta pelo alfabeto manual que é a soletração de uma palavra da LínguaPortuguesa no espaço. • Essa soletração manual é escrita de forma linear, uma “escrita no ar”. • A escrita pode ser realizada tanto com a mão direita, quanto com a mão esquerda. São 27 configurações inclui a cedilha. DATILOLOGIA • Quando a pessoa ouvinte participa da comunidade surda (tem o contato com os surdos) esta pessoa é “batizada” POR UM SURDO com um sinal, ela irá se apresentar com seu sinal escrevendo seu nome somente se for perguntado. • Quando escrevemos palavras compostas, devemos escrever a primeira utilizando a datilologia e após uma pequena pausa escrever a segunda palavra. A datilologia não deve ser utilizada de forma excessiva, DATILOLOGIA • Os números em Libras também são muito utilizados pelos surdos sinalizantes . • Os números em Libras são divididos em: números cardinais e números ordinais. NÚMEROS • Ao expressarmos dois números iguais, como por exemplo o número 22, as mãos assumem a configuração dos números em Libras e passam a possuir movimento. Contudo, quando o número se repete três ou mais vezes o movimento não deve acontecer, sinalizamos com uma pausa entre eles. • Números na casa do milhar (mil, dois mil, três mil, etc.) assumem a ideia de quantidade e depois seguem a numeração em Libras, com os ordinais. O ponto referente a casa do milhar deverá ser sinalizado. • Observe que o número oito possui a mesma configuração de mão que a letra “S” em Libras. NÚMEROS • Os vocábulos básicos permitem o início da comunicação em Libras com as pessoas surdas. São sinais iniciais que garantem uma apresentação pessoal, saudação e agradecimento. • Os vocábulos básicos permitem o início da comunicação em Libras com as pessoas surdas. São sinais iniciais que garantem uma apresentação pessoal, saudação e agradecimento. VOCÁBULOS BÁSICOS Atenção! • Não devem ser sinalizados os sinais de exclamação, afirmação e interrogação em Libras, estes são demostrados através das ENM. Não devem ser sinalizados os sinais de exclamação, afirmação e interrogação em Libras, estes são demostrados através das ENM. • Não devem ser sinalizados os sinais de exclamação, afirmação e interrogação em Libras, estes são demostrados através das ENM. VOCÁBULOS BÁSICOS UNIDADE 6 - Prática de Libras II Profa.:Camila Diniz • A construção frasal em Libras normalmente é realizada com a soma de sinais que são correspondentes as palavras na Língua Portuguesa. • A lógica da frase ocorre com a combinação dos sinais referentes ao que desejamos comunicar. • Uso da datilologia: a Língua Portuguesa possui cerca de 400 mil palavras, mas temos apenas cerca de 13 a 15 mil sinais registrados na Língua de Sinais para realizar a tradução. Isso nos leva a algumas vezes temos que utilizar a datilologia no meio da frase para conseguirmos explicitar o que desejamos, também quando falamos o nome de pessoas, locais, entre outros. CONSTRUÇÃO DE FRASES • Verbos: a Língua de Sinais não apresenta conjugação verbal, portanto temos apenas o sinal do verbo no infinitivo. Para darmos o sentido temporal ao que estamos sinalizando, devemos acrescentar um advérbio de tempo, como por exemplo: Frase na Língua Portuguesa: Eu fui para casa. Frase em Libras: Eu ir casa ontem. • Preposições e conectivos: note na frase abaixo, que palavras utilizadas como conectivos não são sinalizadas, como por exemplo: para, a, o, de, no, entre outros. LP: Ele é o meu irmão. Libras: Ele ser meu irmão. CONSTRUÇÃO DE FRASES Negação nas frases: a construção frasal negativa na Libras tem uma regra diferente. A palavra “não” deverá sempre vir após o verbo. LP: Eu não preciso de ajuda. Libras: Eu precisar não ajuda. • O fato da Libras não oferecer conjugação verbal, preposições, conectivos, entre outros, faz com que às vezes tenhamos a sensação estranha. CONSTRUÇÃO DE FRASES Negação nas frases: a construção frasal negativa na Libras tem uma regra diferente. A palavra “não” deverá sempre vir após o verbo. LP: Eu não preciso de ajuda. Libras: Eu precisar não ajuda. • O fato da Libras não oferecer conjugação verbal, preposições, conectivos, entre outros, faz com que às vezes tenhamos a sensação estranha. CONSTRUÇÃO DE FRASES • As expressões não manuais (ENM) também são chamadas de expressões faciais e corporais. • Essas expressões acompanham os sinais diferenciando-os. • Um sinal de desculpa em Libras poderá ter significado diferente de acordo com a ENM realizada: uma expressão de arrependimento dará o sentido de estar comovido com algo que aconteceu. Já uma expressão de sorriso dará um sentido sarcástico ao pedido de desculpas. ENM – EXPRESSÕES NÃO MANUAIS LIBRAS 2 Profª.: Dra. Bárbara Neves Salviano de Paula 1.1 O que é Competência Comunicativa A competência comunicativa é uma capacidade que inclui não só a habilidade linguística e gramatical de produzir frases bem construídas e de saber interpretar e fazer julgamentos sobre frases produzidas pelo falante [...] mas incluirá [...] uma série de habilidades extralinguísticas inter-relacionadas e sociais. (BERRUTO apud CASTELLANOS, 1992, p.100.) É a Competência Comunicativa que nos torna sujeitos comunicadores. Pilleux concorda ao indicar que: a competência comunicativa deve ser entendida como um conjunto de habilidades e conhecimentos que permitem que os falantes de uma comunidade linguística se entendam. [...] Refere-se, em outros termos, ao uso como sistema de regras de interação social. (PILLEUX, 2001, online. Tradução nossa) A Competência Comunicativa envolve: elaboração e decodificação. A elaboração A elaboração linguística compromete-se com a produção em todas as suas possibilidades de expressar-se: oral, escrita, imagética e/ou pantomímica, etc. A perícia linguística incluirá aspectos multifacetados que incluem conhecimentos lexicais, sintáticos, semânticos, morfológicos, fonológicos, pragmáticos, além de gramaticais. No entanto, ainda é necessário estabelecer relações extralinguísticas. Exemplo: provérbios, expressões idiomáticas, metáforas, etc. A decodificação A decodificação linguística está para a compreensão do discurso recebido. É o trabalho que o interlocutor realizará ao se deparar com um texto da língua em qualquer modalidade de apresentação. A a concretização da competência comunicativa depende de duas partes: o locutor e o interlocutor. Não basta que apenas a primeira cumpra seu papel, é preciso que a segunda tenha aptidão na recepção do texto que lhe foi oferecido. É preciso que o destinatário da mensagem se ocupe em interpretar, julgar e decifrar tal manifestação. 1.2 Tipos textuais • Os textos serão rotulados em gêneros, isto é, levando-se em consideração a intenção e a forma desses discursos, lhes são atribuídas classificações. • O texto é lugar de interação e visa comunicar-se. Dependendo da forma como tal comunicação se dará, cada texto será produzido em uma devida estrutura composicional. São essas estruturas e o objetivo na construção de sentido que serão levados em conta na identificação dos gêneros textuais. Sequência Efeito Pretendido Fases Narrativa Manter a atenção do destinatário, estabelecendo uma tensão e subsequente resolução. Situação inicial; Complicação; Ações desencadeadas; Resolução; Situação Final. Descritiva Fazer o destinatário ver minuciosamente elementos de um objeto do discurso, segundo a orientação dada a seu olhar pelo produtor. Tematização; Aspectualização; Relação; Expansão. Argumentativa Convencer o destinatário da validade do ponto de vista do enunciador diante de um objeto do discurso visto como contestável pelo produtor e/ou pelo destinatário. Premissas; Suporte argumentativo; Contra-argumentação; Conclusão. Explicativa/Expositiva Levar o destinatário a compreender um objeto do discurso, visto pelo produtor como incontestável, mas de difícil compreensão para o destinatário. Constatação inicial; Problematização; Resolução; Conclusão/Avaliação. Injuntiva Fazero destinatário agir segundo uma direção para atingir um objetivo. Enumeração de ações temporalmente subsequentes. Dialogal O propósito é levar o destinatário a manter-se na interação proposta. Abertura; Operações transacionais; Fechamento. Fonte: MEDEIROS; TOMASI, 2017, p.55 1.2.1 A Narrativa Na sequência narrativa, temos uma sucessão de eventos: um evento ou fato é consequência de outro evento, constituindo seu elemento principal a delimitação do tempo. Observamos ainda na narrativa uma unidade temática: a ação narrada precisa apresentar um caráter de unidade; daí privilegiar um sujeito agente; embora possam ser muitas as personagens, haverá uma que será a principal. (MEDEIROS; TOMASI, 2017, p. 58) 1.2.2 A Descritiva Em geral, a sequência descritiva ocupa-se apenas de parte de um todo. [...] Preocupa-nos designar o que queremos informar, nomeando os objetos ou pessoas; em seguida, definimos objetos e pessoas para que o interlocutor tenha ideia precisa [...] dos atributos essenciais e específicos do objeto da descrição; finalmente, esse tipo de texto vale-se da individuação, necessária para tornar singular o objeto do enunciado; é essa individuação que especifica, distingue, particulariza. (MEDEIROS; TOMASI, 2017, p. 66) 1.2.3 O Dissertativo-argumentativo • O tipo dissertativo, tem por propósito dar ao interlocutor informações suficientes para que conheça o objeto de apresentação ofertado pelo remetente do discurso. Discorre sobre um objeto do discurso não familiar, de difícil compreensão para o destinatário. • As teses argumentativas terão o objetivo de “busca[r] a adesão do interlocutor ou de um auditório às teses defendidas”. (MEDEIROS; TOMASI, 2017, p.75) Na necessidade de não apenas apresentar um referente circunstancial, a argumentação quer convencer. 1.3 Tipos textuais no ensino de LP como L2 para surdos • A escola é mediadora na construção de sentido, portanto, deverá propiciar compreensão e refinamento de competência linguística, além de capacidade de reconhecimento e produção apta dos tipos textuais, a todo público que atenda; inclusive à comunidade surda. • Trabalhar as sequências textuais com surdos a fim de lhes desenvolver a competência comunicativa deverá, necessariamente, perpassar pela sua L1 como ferramenta de instrução e pelo aprendizado do Português na modalidade escrita como L2. Referências Bibliográficas CASTELLANOS, R.C.A. La competencia comunicativa, unidad 11. 1992. Disponível em: Acesso em: 27 jul 2021. MEDEIROS, J.B.; TOMASI, C. Como escrever textos: gêneros e sequências textuais. São Paulo: Atlas, 2017. PILLEUX, M. Competencia comunicativa y análisis del discurso. Estudios filológicos. Valdivia, nº 36, p.143-152, 2001. Disponível em: . Acesso em: 27 jul 2021. file:///C:/Users/Babi/Desktop/que estuda sistematicamente a rotulação e a designação de conceitos de diversos campos dos saberes relativos às atividades humanas, ou seja, estuda os termos e os conceitos empregados nas línguas de especialidade. Seu objetivo é pesquisar, documentar e promover o uso correto dos termos. (LIMA, 2014, p.75) 3.4 A Terminologia 3.4 A Terminologia • A Terminologia da Libras ainda é carente de produção. • O quantitativo de unidades terminológicas em Libras ainda é escasso. • Repertório terminológico diminuto dificulta o trabalho dos intérpretes e tradutores de Libras e impede o aprendiz surdo de ter acesso a uma padronização lexical que facilita sua aquisição de conhecimento. • Tal cenário gera dificuldades que perpassam pelo âmbito pedagógico, mas também social e cultural. Referências Bibliográficas ABBADE, C.M.S. A lexicologia e a teoria dos campos lexicais. Cadernos do CNLF, vol. XV, n.5, Rio de Janeiro: CiFEFil, 2011. LIMA, V.L.S. e. Língua de sinais: Proposta terminológica para a área de Desenho Arquitetônico. Orientadora: Maria Cândida Trindade Costa de Seabra. 2014. Tese (Doutorado em Linguística Teórica e Descritiva) – Faculdade de Letras, Universidade Federal de Minas Gerais, Belo Horizonte, 2014. PAULA, B.N.S.de. Dicionário de língua Português/Libras/Português: uma proposta lexicográfica. Orientador: Aderlande Pereira Ferraz. 2020. Tese (Doutorado em Linguística Aplicada) – Faculdade de Letras, Universidade Federal de Minas Gerais, Belo Horizonte, 2020. REY-DEBOVE, J. Léxico e dicionário. Tradução de Clovis B. de Morais. São Paulo: Alfa, 1984. LIBRAS 2 Profª.: Dra. Bárbara Neves Salviano de Paula 4.1 Localização Para estabelecer comunicação de localização utilizamos: Verbos de direção AdjetivosIndicações espaciais Fonte: MARCON et al., 2011. 4.1.1 Os espaços públicos 4.1.1 Os espaços públicos Fonte: Facebook página Libras Inclusão Pedagógica 4.1.2 Os cômodos da casa Fonte: Facebook página Libras Inclusão Pedagógica. Fonte: Autor 4.2 Os Pronomes Demonstrativos em Língua Portuguesa Pessoas verbais Pronomes demonstrativos 1ª pessoa este(s); esta(s); isto. 2ª pessoa esse(s); essa(s); isso. 3ª pessoa aquele(s); aquela(s); aquilo. 4.2 Os Pronomes Demonstrativos em Libras Fonte: PAULA, 2020. 4.3 Preposições de lugar Fonte: PAULA, 2020. 4.4 Aplicação Prática Depois de assistir ao vídeo prático que introduz a unidade, identifique: Vídeo: a) Heveraldo dá os sinais de alguns pontos turísticos do Rio de Janeiro. Quais são alguns pontos turísticos de sua cidade? Você sabe o sinal de algum deles? b) Analise as informações descritivas que o Renato faz à Andreza sobre Ipanema: sua extensão, proximidade com o Leblon e referência com a Lagoa Rodrigo de Freitas e Jardim Botânico. Escolha um bairro ou local de sua cidade e faça referenciação semelhante. http://tvines.org.br/?p=4141 Referências Bibliográficas FACEBOOK, Inclusão Pedagógica. Disponível em: Acesso em: 10 ago 2021. FELIPE, T.A. Libras em contexto. Curso Básico: Livro do estudante. Rio de Janeiro: WalPrint, 2007. MARCON, A.M. et al. Estudos da Língua Brasileira de Sinais. Passo Fundo: UPF Editora, 2011. PAULA, B.N.S.de. Panorama Libras. Belo Horizonte: Feneis, 2020. https://www.facebook.com/LibrasInclusaoPedagogica/photos/pcb.1778778792414291/1778778075747696/ LIBRAS 2 Profª.: Dra. Bárbara Neves Salviano de Paula 5.1 As Expressões não manuais As expressões não manuais são aquelas que não se realizam com as mãos. Podem ser, portanto, marcações faciais e corporais, como movimentos da cabeça, dos olhos, dos ombros, sobrancelhas, etc. no momento da realização da sinalização. Em alguns casos, as expressões não manuais ganham função gramatical, por exemplo, quando são o único parâmetro variável de pares mínimos. As ENM são classificadas por Quadros e Karnopp: Fonte: QUADROS; KARNOPP. 2004, p.61 5.2 Aspecto Em Libras, os verbos podem sofrer flexão em aspecto. A flexão em aspecto pode indicar algumas características específicas à ação, como, por exemplo, se ela está ou não concluída e/ou se ela é duradoura, momentânea ou contínua, bem como pode caracterizar o foco da ação, evidenciando quando ele acontece: se no início, no decorrer ou no fim da ação. Exemplo: Dentre as representações variáveis flexionais está a tensão. A alteração nas ENM também é um determinante de tensão nos nomes em Libras. Quadros e Karnopp oferecem um exemplo: 5.3 Foco O foco é uma construção que visa marcar uma informação da sentença dando-lhe maior entonação. Isso acontece, basicamente, por meio da mudança na ordem básica da expressão. [...] as construções com foco [são] “construções duplas”, [...] delimitadas quando não há uma “pausa significante antes do elemento duplicado”. As pesquisadoras encaram as construções duplas diferentes, por exemplo, das estratégias de discurso para sustentação de uma ideia. É possível que haja construções duplas com variadas classe de palavras. (RODRIGUES; SOUZA, 2017, p.21) Exemplos: EU PERDER LIVRO. EU PERDER LIVRO . Não basta apenas repetir a unidade que deseja ressaltar. É preciso associar ao realce, movimentos de cabeça, isto é, as expressões não manuais. 5.4 Tópico A topicalização dará conta da escolha de um eixo temático do discurso e se concentrará nele. Isso acontecerá com uma colocação sintática específica e também por meio do uso das ENM: Esse mecanismo está associado à marcação não-manual com a elevação das sobrancelhas. (...) A marca de tópico associada ao sinal topicalizado é seguida por outras marcas não-manuais, de acordo com esse tipo de construção. Ou seja, pode ser seguido por uma marca não-manual de foco (se a sentença for focalizada), de negação (se for negativa) e de interrogação (se for interrogativa). (QUADROS; KARNOPP, 2004, p. 146) Exemplos: JOÃO GOSTAR FUTEBOL. FUTEBOL JOÃO GOSTAR. FUTEBOL JOÃO GOSTAR FUTEBOL 5.5 Tipos de frases Afirmativa: Exclamativa: Interrogativa: Negativa: Referências Bibliográficas PAULA, B.N.S.de. Panorama Libras. Belo Horizonte: Feneis, 2020. QUADROS, R.; KARNOPP, L. Língua de Sinais Brasileira – Estudos Linguísticos. Porto Alegre: Artmed, 2004. RODRIGUES, E.; SOUZA, V. Músicas sinalizadas na internet: isso é Libras? Aspectos morfológicos, sintáticos e morfossintáticos da Língua Brasileira de Sinais. Disponível em: . Acesso em: 22 ago. 2021. LIBRAS 2 Profª.: Dra. Bárbara Neves Salviano de Paula 6.1 Ações cotidianas Fonte: PAULA, 2020. Fonte: PAULA, 2020. 6.2 Tipos de frases Afirmativas: Considerando a ordenação SVO e/ou SOV: Meu filho acordar escola [ir]direcional Eu acordar trabalhar [ir]direcional Negativas: Temos a formação em SOV para as frases negativas, pois a partícula de negação vem imediatamente após o elemento negado: Ele ficar sozinho poder [não]ENM Nós televisão ver [não]ENM 6.2 Tipos de frases Exclamativas: Manter a estrutura em SVO. Normalmente, as expressões não manuais serão as responsáveis por indicar a propriedade exclamativa. Ele ter amigos muitos [!]ENM Interrogativas: Teremos a necessidade de expressões não manuais para indicar que trata-se de interrogativas. Em alguns casos eles terão partículas interrogativas na formação: Você todos os dias fazer o quê[?]ENM 6.2 Partículas interrogativas Fonte: Acesso em: 12 set. 2021. https://cursos.escolaeducacao.com.br/artigo/vocabul-rio-da-libras-ii 6.2 Partículas interrogativas Função interrogativa direta Em Libras o mais comum para interrogativas diretas é que a frase apresente a forma SOV +palavra interrogativa: Você festa convidar quem [?] Alunos sala ter quantos [?] Caso a sentença não tenha um dos constituintes,como por exemplo, o objeto, mantemos a estrutura sugerida isenta do elemento omitido: Cibele trabalhar onde [?] 6.2 Partículas interrogativas Função interrogativa retórica [Nós dois] gostar estudar junto o quê [?] Inglês. Ele casa vovó [ir]direcional por que [?] Sozinho [não poder]. Essas frases trazem as informações da oração subordinada depois da introdução da palavra interrogativa para quê/por que. Esse tipo de construção sequencia as informações e destaca o que, nesse contexto, é selecionado como a referência mais importante a ser decodificada ou recebida. Assista à vídeo aula da unidade. Depois de identificar o texto sobre a rotina da personagem Selma, responda: a) Que horas Selma acorda e que horas ela acorda o filho? b) Quais as atividades do filho durante a tarde? c) O que eles fazem juntos à noite? d) O que o filho de Selma sempre quer para o jantar? e) Selma aceita a sugestão de jantar do filho? f) Encontre no texto uma estrutura de FOCO. 6.3 Aplicação Prática Referências Bibliográficas FACEBOOK, Inclusão Pedagógica. Disponível em: Acesso em: 10 ago. 2021. PAULA, B.N.S.de. Panorama Libras. Belo Horizonte: Feneis, 2020. https://www.facebook.com/LibrasInclusaoPedagogica/photos/pcb.1778778792414291/1778778075747696/