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DIREITO EMPRESARIAL: TEORIAS DA EMPRESA E SOCIEDADES 
UNIDADE 01: EMPRESÁRIO INDIVIDUAL E SOCIEDADES EMPRESÁRIAS 
- Empresa: atividade econômica organizada para a produção ou a circulação de 
bens ou de serviço, é uma atividade exercida, não a PJ propriamente dita; 
- Pessoa Jurídica: sociedade cria a pessoa jurídica. O contrato deve ser registrado 
no próprio órgão registral; 
- Empresário Individual: pode ser uma pessoa física ou jurídica individual. 
Atividade econômica organizada para a produção ou a circulação de bens ou de 
serviço; 
- Sociedade Empresária: entidade composta para o exercício de atividades 
empresariais, composta por diferentes sócios unidos para atingir um fim 
econômico. Pode ser composta por pessoas naturais e/ou pessoas jurídicas. 
- A atividade empresarial poderá ser realizada por uma pessoa natural que se 
registra para tal fim, sem necessariamente se associar com terceiros. 
- A empresa, o empresário e a sociedade empresária: 
- Desde a antiguidade, as pessoas se unem para atingir uma finalidade em 
comum. 
• Babilônia: firmavam sociedades mediante contratos que se extinguiam 
com a morte de seus partícipes, por meio da liquidação realizada pelos 
seus herdeiros. 
• Grécia: as sociedades tinham diversos fins (comerciais, industriais, 
religiosos etc.). 
- Concepção moderna de sociedade: contrato de sociedade é o contrato pelo qual 
duas ou mais pessoas se vinculam, objetivando um fim comum. 
- Art. 981, CC: celebram contrato de sociedade as pessoas que reciprocamente se 
obrigam a contribuir, com bens ou serviços, para o exercício de atividade 
econômica e a partilha, entre si, dos resultados. 
- As expressões “fundo de comércio” e “estabelecimento comercial” referem-se 
ao conjunto de bens corpóreos e incorpóreos da atividade empresarial. 
- O direito brasileiro adotou a Teoria da empresa, originária da Itália, para 
caracterizar os atos empresariais, valorizando as atividades de produção e 
circulação de bens ou serviços, mas excluindo as de natureza intelectual, 
científica, literária ou artística. 
- É empresarial a atividade econômica organizada para a produção ou circulação 
de bens ou serviços. Empresário é aquele que exerce essa atividade 
profissionalmente. Existem diferentes abordagens para entender a empresa e o 
empresário. 
- Aspecto subjetivo: quem exerce a atividade (pessoa física ou jurídica); 
- Aspecto objetivo: se concentra nos bens utilizados na atividade empresarial; 
- Aspecto funcional: analisa as próprias atividades realizadas pela empresa para 
alcançar seus fins. 
- Aspecto corporativo: também chamado de institucional, não é considerado na 
Teoria da Empresa, é analisado o esforço empregado pelos colaboradores e 
empregados da empresa para que se realizem as atividades empresariais. Embora 
seja fundamental, é estudado pelo Direito do Trabalho. 
- Ulhoa Coelho define o empresário como a pessoa que organiza uma atividade 
econômica de produção ou circulação de bens ou serviços, destacando que o 
empresário é aquele que entende os ganhos e riscos de uma atividade e opta por 
empreendê-la. 
- Art. 968 do Código Civil, o registro da atividade empresarial se fará no Registro 
Público de Empresas Mercantis, em que deverão constar os dados do empresário, 
a sua firma, o capital empreendido, o objeto e a sede da empresa. 
- Distinguindo-se empresa de empresário e empresário individual de sociedade 
empresária 
- Direito Comercial é o ramo do Direito destinado a estudar os meios socialmente 
estruturados para a resolução de conflitos decorrentes de relações correlatas à 
atividade de produção e circulação de bens e serviços. Reforçada pelo Código 
Comercial. Posteriormente chamado de Direito Empresarial. 
- Existem dois sistemas principais que regulam a teoria empresarial: 
• francês: distingue as atividades em civis e comerciais, permitindo que 
qualquer pessoa que pratique atos de comércio (com habitualidade e 
profissionalidade) seja considerada comerciante, independentemente de 
inscrição em corporações. 
• Italiano: abandonou a concepção francesa de dividir as atividades 
(comerciais e civis), integrando-as e excepcionando quando não forem as 
atividades tipicamente empresariais. 
- As diferentes espécies de pessoas jurídicas de direito privado es tão descritas no 
art. 16 do Código Civil brasileiro, em que constam as associações, as sociedades, 
as fundações, as organizações religiosas e os partidos políticos. Destas, apenas 
as sociedades poderão exercer atividades empresariais. 
- A inclusão da atividade empresarial no CC incorporou a Teoria da Empresa do 
sistema italiano, segundo a qual é considerada empresarial toda atividade 
econômica organizada voltada à produção de bens ou serviços. 
- Profissionais intelectuais (cientistas, artistas, escritores) não são considerados 
atividade empresarial, salvo se suas atividades forem organizadas como empresa. 
- Para ser considerada empresarial, a atividade deve apresentar: 
• Economicidade: geração e circulação de riquezas ou bens com valor 
patrimonial; 
• Organização: uso estruturado de trabalho, tecnologia, insumos e capital; 
• Profissionalidade: atividade habitual, com assunção de riscos pelo próprio 
empreendedor. 
- Essa abordagem supera o antigo modelo medieval que vinculava o comércio à 
inscrição em corporações e valoriza a empresa como atividade, protegendo-a em 
si. 
- Chagas define o empresário como o empreendedor que assume o risco da 
atividade com seu patrimônio pessoal. Alerta que o exercício individual da 
atividade empresarial expõe o empreendedor a responsabilidades ilimitadas, e 
impede que a pessoa natural empresária invoque o princípio da separação 
patrimonial em seu favor. 
- Teixeira destaca a importância do empresário ao afirmar que este é um ativador 
do sistema econômico. É o elo entre os capitalistas (que tem capital disponível), 
os trabalhadores (que oferecem mão de obra) e os consumidores (que buscam 
produtos e serviços). 
- Não se deve confundir a empresa exercida por um empresário individual com a 
exercida por uma sociedade empresária. A empresa é a atividade econômica 
organizada com fins lucrativos, e o empresário é quem a exerce, podendo atuar 
sozinho (empresário individual) ou em grupo (sociedade empresária). 
- No caso do empresário individual, ele é o único titular da atividade. Já na 
sociedade empresária, duas ou mais pessoas (físicas ou jurídicas) se unem como 
sócios, sendo essa também chamada de empresário coletivo, por contar com 
múltiplos titulares da empresa. 
- Regulamentação da atividade empresarial 
- O Direito Comercial brasileiro teve início com a chegada da família imperial ao 
Brasil em 1808, durante a abertura dos portos às nações amigas, após o bloqueio 
de Napoleão a Portugal. Nesse contexto, foram criadas leis que permitiram a 
instalação de indústrias no Brasil para atender tanto à população vinda de 
Portugal quanto aos interesses comerciais da Inglaterra, que protegia Portugal em 
troca de benefícios tarifários. Enquanto os produtos ingleses importados de 
Portugal pagavam 16% de imposto, os do Brasil pagavam apenas 15%. Ainda em 
1808, foi criado o Tribunal da Real Junta do Comércio, Agricultura, Fábricas e 
Navegação, marco institucional do Direito Comercial no país. 
- Com o retorno de parte da família imperial a Portugal em 1815, cresceu a 
necessidade de desenvolver o comércio no Brasil, impulsionado pelo progresso 
econômico trazido pela vinda da Corte. Esse avanço resultou na criação do 
Código Comercial de 1850 (Lei nº 556/1850), inspirado no modelo francês e 
regulamentado pelo Decreto nº 737/1850. O Código definia como atos de 
comércio atividades como compra e venda, câmbio, bancos, corretagem, 
fábricas, transportes, seguros e navegação. 
- Esse sistema adotava uma distinção entre jurisdição civil e comercial, típica do 
Direito Comercial francês, modelo seguido no Brasil até a década de 1960. A partir 
daí, o país começou a se alinhar ao sistema italiano, queculminou na adoção da 
Teoria da Empresa no Código Civil de 2002. Apesar de revogado, o Código de 1850 
ainda é elogiado por sua técnica e precisão, tendo como base os códigos 
comerciais da França, Espanha e Portugal. 
- Profissionais liberais só se enquadram na regulamentação empresarial se sua 
atividade estiver organizada como empresa, o que se caracteriza pelo “elemento 
de empresa”. 
- O Livro II do CC, que trata do Direito da Empresa, permite que empresários 
registrados usufruam de prerrogativas como falência e recuperação judicial. Para 
isso, é exigido o registro no Registro Público de Empresas Mercantis antes do início 
da atividade, e a prática efetiva da atividade empresarial por pelo menos dois anos 
- O empresário, segundo o CC, pode ser individual ou coletivo. O empresário 
individual está regulamentado pela Lei Complementar nº 123/2006, que trata de 
microempresas, empresas de pequeno porte e microempreendedores individuais 
(MEI). As sociedades são classificadas como simples ou empresárias, sendo as 
empresárias aqueles que exercem atividade de empresa e requerem registro. As 
sociedades empresárias podem se dividir em: 
• Sociedade em nome coletivo; 
• Sociedade em comandita simples; 
• Sociedade limitada; 
• Sociedade anônima; 
• Sociedade em comandita por ações. 
UNIDADE 01- EMPRESÁRIO 
- Empresário individual: se materializa a partir da pessoa natural, que desenvolve 
uma atividade empresarial, exerce a atividade empresarial em nome próprio, 
figurando como titular da empresa. Seu capital como pessoa física e do 
empresário individual são os mesmos, assim o proprietário responde de forma 
ilimitada pelas obrigações. Uma das modalidades desse gênero é o 
Microempreendedor Individual (MEI). 
- Algumas das condições para ser MEI: 
• Contratação de no máximo um funcionário, que recebe no piso da 
categoria ou 1 salário-mínimo; 
• Não pode ser ou se tornar titular, sócio ou administrador de outra empresa; 
• Não pode ter ou abrir filial; 
• Teto de renda anual: 81.000,00 (ou proporcional ao tanto de meses no ano 
da abertura) 
- MEI é aquele que trabalha por conta própria, tem registro de pequeno empresário 
e objetiva formalizar trabalhadores brasileiros, que até então, desempenhavam 
diversas funções sem nenhum amparo legal ou segurança jurídica. 
- Para se tornar MEI basta acessar o Portal do Empreendedor e realizar o cadastro 
com o número do CPF, endereço e telefone, e indicar a atividade principal que irá 
desempenhar como MEI. A arrecadação dos impostos é por meio do Simples 
Nacional, pois há isenção de impostos federais. Para usufruir do benefício, é 
necessário pagar a mensalidade do Documento de Arrecadação Mensal do 
Simples Nacional (DAS) que tem um valor fixo. 
- Sociedade empresária: associação de pessoas naturais ou jurídicas que unem 
esforços no intuito de desenvolver alguma atividade econômica, formalmente 
lavrada em cartório. 
- Pessoa Jurídica e Sociedade 
- O ímpeto humano de agrupamento motivou a necessidade de um regulamento 
que protegesse esse tipo de relação. Podemos sintetizar que a sociedade é a 
reunião de indivíduos que potencializam os seus esforços e dividem funções para 
adquirir patrimônio e compartilhar os rendimentos entre os seus sócios. 
- Formar uma sociedade permite que pessoas se unam para alcançar um objetivo 
comum que, sozinhas, não conseguiriam atingir ou que levaria mais tempo. Ao 
integrar uma sociedade, o indivíduo assume tanto os riscos quanto os lucros do 
negócio. Esse compartilhamento de responsabilidades e benefícios estimula a 
criação de novas sociedades. 
- Pessoa jurídica: 
- As pessoas jurídicas são entidades reconhecidas pelo ordenamento jurídico 
como sujeitos de direitos e deveres, com personalidade própria, distinta das 
pessoas físicas. Elas podem realizar atos civis, como comprar, vender ou alugar, 
mas estão excluídas de atos que exigem atributos exclusivamente humanos, 
como se casar ou adotar. 
- Segundo Fiuza, são entidades criadas para alcançar um fim específico e 
reconhecidas como pessoas pela lei. Coelho as define como sujeitos de direito 
não humanos, também chamadas de pessoas morais. Para adquirir personalidade 
jurídica, é necessário um ato constitutivo e seu registro público. A partir daí, a 
entidade pode exercer direitos e assumir obrigações, inclusive fora da esfera 
patrimonial — como ter nome, domicílio e nacionalidade. 
- Gonçalves destaca que essa personalidade é um atributo concedido pelo Estado 
às entidades que cumprem certos requisitos legais. 
- Autonomia Patrimonial: 
- Segundo Coelho, a autonomia patrimonial é uma técnica que separa o 
patrimônio da sociedade do patrimônio pessoal dos sócios. Isso significa que, em 
regra, somente a sociedade responde por suas obrigações, não atingindo os bens 
dos sócios. 
- A sociedade empresária, como pessoa jurídica, é considerada um sujeito de 
direito distinto dos seus sócios, e por isso, os sócios só podem ser 
responsabilizados após esgotados os bens da sociedade, e ainda assim, 
conforme limites legais. 
- No entanto, essa separação pode ser suspensa por meio da teoria da 
desconsideração da personalidade jurídica, prevista no art. 50 do CC e no CDC. 
Essa medida é aplicada quando há abuso da personalidade jurídica, como desvio 
de finalidade ou confusão patrimonial, permitindo que os bens dos sócios sejam 
alcançados judicialmente. 
- Registro: 
- A junta comercial é o órgão responsável pelo registro da sociedade empresária, 
formalizando sua constituição e conferindo-lhe personalidade jurídica. Segundo o 
art. 967 do CC, o empresário deve se inscrever no Registro Público de Empresas 
Mercantis antes de iniciar suas atividades. Se o registro for feito em até 30 dias 
após a assinatura do ato constitutivo, seus efeitos são retroativos (ex tunc). Após 
esse prazo, os efeitos são apenas a partir do registro (ex nunc). 
- A Lei nº 8.934/1994 estabelece que o registro tem como finalidades: garantir 
publicidade, autenticidade e segurança dos atos jurídicos, manter o cadastro 
atualizado das empresas, e matricular agentes auxiliares do comércio. 
- Importante: o registro não define quem é empresário, apenas é requisito para 
regularidade. Conforme o Enunciado 198 do CJF, é possível exercer atividade 
empresarial mesmo sem o registro (empresário irregular), desde que se cumpram 
os requisitos do art. 966 do CC. 
- Para as sociedades simples, o processo de registro é mais simples, mas com os 
mesmos efeitos legais. Essa obrigatoriedade está prevista na Lei nº 6.015/1973, 
que garante autenticidade, segurança e eficácia aos atos jurídicos registrados. 
- Empresário Individual: a simples associação de pessoas a uma sociedade 
empresária com fins lucrativos não as torna empresários, mas sim 
empreendedores ou investidores, conforma sua participação. 
- Empreendedores investem capital e poder atuar na gestão; 
- Investidores apenas aplicam recursos. 
- O empresário individual é uma pessoa natural com CNPJ, mas não é considerado 
pessoa jurídica. Ele tem responsabilidade ilimitada, não há limite de faturamento 
nem exigência de capital mínimo, e seu nome completo (ou abreviado) deve 
constar na empresa, com indicação da atividade exercida. 
- Sociedade empresária: 
- O art. 966 do CC define o empresário como quem exerce profissionalmente 
atividade econômica organizada para a produção ou circulação de bens ou 
serviços. Isso implica três requisitos: 
• Profissionalismo: atividade habitual e principal; 
• Atividade econômica com fins lucrativos (animus lucrandi); 
• Organização dos meios de produção: como capital, insumos e tecnologia. 
- A sociedade empresária é uma associação de pessoas naturais ou jurídicas que 
se unem para desenvolver atividade econômica formalmente registrada. Ela é 
regida por regras especificas quanto à responsabilidade e deliberação entre os 
sócios. As principais formas de sociedades empresárias são: sociedade limitada 
(LTDA), anônima (S.A.), em nome coletivo, em comandita simplese por ações. 
- Importante destacar que os sócios da sociedade empresária não são 
empresários, mas sim empreendedores ou investidores, conforma sua 
participação (capital e/ou trabalho). 
- A sociedade, como pessoa jurídica, é quem assume a condição de empresária, 
com patrimônio próprio e responsabilidade subsidiária dos sócios, ou seja, em 
caso de dívidas, primeiro se executam os bens da empresa. Já o empresário 
individual não tem separação entre patrimônio pessoal e empresarial, assumindo 
responsabilidade direta e ilimitada pelas obrigações do negócio. 
- Servidor público e atividade empresária: 
- Só podem ser empresários aqueles com plena capacidade civil e que não 
tenham impedimentos legais. 
- Entre os impedidos estão servidores públicos em cargos incompatíveis com a 
atividade empresarial, como magistrados, membros do Ministério Público e 
militares, conforme leis específicas. 
- Servidores públicos federais não podem atuar na gerência, administração ou 
comércio. No entanto, podem participar como sócios investidores (acionistas, 
cotistas ou comanditários), desde que não administrem. O descumprimento pode 
levar à demissão e proibição de retorno ao serviço público por até cinco anos. 
- Nos níveis estadual e municipal, a participação de servidores em empresas 
depende das leis locais. Por exemplo, em MG e SP, é vedado participar da 
administração de empresas relacionadas ao governo. Mesmo assim, como no 
nível federal, o servidor pode atuar como sócio investidor, desde que não exerça 
funções de gestão. Em resumo, servidores públicos não podem atuar como 
empresários ou gestores de empresas, mas podem ser sócios sem função 
administrativa, respeitando os limites legais de cada esfera de governo. 
- Capacidade civil para ser empresário: 
- O incapaz pode figurar como empresário desde que isso ocorra por intermédio 
de um representante ou, então, desde que ele seja adequadamente assistido. 
- Sócio incapaz: quando uma sociedade tem um sócio incapaz, seu contrato ou 
alterações devem ser registrados pelas Juntas Comerciais, conforme o art. 947 do 
CC. O incapaz pode continuar uma empresa que já era exercida por ele (quando 
capaz), por seus pais ou por quem deixou herança. 
- O registro só é permitido se forem cumpridos três requisitos simultaneamente: 
1- O sócio incapaz não pode administrar a sociedade; 
2- O capital social deve estar totalmente integralizado; 
3- O sócio deve estar assistido (se relativamente incapaz) ou representado (se 
absolutamente incapaz) por seus representantes legais. 
- Indivíduos impedidos por lei específica: alguns indivíduos, mesmo com 
capacidade civil, por força da lei, não poderão praticar atos como empresário ou 
administradores de sociedade empresária. São eles: 
• Militares: militares em atividade e que integram Forças Armadas e as 
Polícias militares são vedados de atuação em atividades empresariais. 
• Magistrados: proibido exercer comércio ou participar de sociedade 
comercial, exceto como acionista ou quotista. Não podem administrar 
sociedades, salvo associação de classe sem remuneração. 
• Membros do MP: vedado o exercício do comércio, advocacia e participação 
em sociedades (exceto como cotista ou acionista), só podem exercer outra 
função pública se for cargo de magistério. 
• Servidores Públicos (União, estados e municípios): proibido gerenciar ou 
administrar empresa, salvo como acionista, cotista ou comanditário. 
Exceção: cargos e conselhos de empresas públicas ou em licença para 
tratar de assuntos particulares. 
• Políticos: presidentes, governadores, ministros, prefeitos e comissionados 
são totalmente impedidos de empreender. Senadores, deputados e 
vereadores são parcialmente impedidos, podendo ser empresários desde 
que não obtenham benefícios de contratos públicos. 
• Médicos (no setor farmacêutico): são proibidos pelo Código de Ética 
Médica a atuar em conjunto com farmácias, laboratórios, óticas e 
similares, exceto em medicina do trabalho. Não podem obter vantagem por 
venda de produtos médicos influenciada por sua atuação. 
• Estrangeiros: não residentes não podem exercer diretamente, mas podem 
ser sócios de empresas brasileiras, dentro dos limites da lei. 
• Falidos não reabilitados: impedidos de empreender até obter reabilitação 
judicial ou penal, conforme a gravidade e a causa da falência. 
• Leiloeiros: vedado exercer atividade empresarial ou participar da 
administração de empresa, sob pena de cancelamento da matrícula. 
• Devedores do INSS: impedidas de comercializar, especialmente se forem 
comerciantes ou empresas inadimplentes. 
• Cônjuges: são impedidos os casados sob comunhão universal ou 
separação obrigatória de constituírem sociedade entre si. 
- Regra geral: Somente pode exercer atividade empresarial quem tem plena 
capacidade legal e não possui impedimento específico. Quem exerce ilegalmente 
assume responsabilidade ilimitada por dívidas da empresa, inclusive com seus 
bens pessoais. 
UNIDADE III- OBRIGAÇÕES DO EMPRESÁRIO 
Quem pode exercer a atividade de empresário: todos que estiverem com plena 
capacidade civil (maior de 18 anos ou maior de 16 se emancipados) e que não 
possuam impedimento legal para esse exercício. 
- O empresário pode ser pessoa física ou jurídica. Se for pessoa física, denomina-
se empresário individual. Se for pessoa jurídica, denomina-se sociedade 
empresária. 
- Condições para o exercício da atividade empresarial: 
- Os elementos centrais para essa definição são: 
• Profissionalismo: exige habitualidade (atividade contínua), pessoalidade 
(envolvimento direto na gestão) e monopólio de informações (domínio 
sobre o produto ou serviço oferecido). 
• Atividade econômica organizada: requer gestão eficiente de fatores como 
capital, mão de obra e insumos, com objetivo de lucro ou ao menos 
sustentabilidade econômica. 
- Obrigações fundamentais: proteger os interesses dos sócios e garantir os direitos 
dos credores, do fisco e da comunidade. Garantem a transparência e a legalidade 
na condução da empresa. Destacam-se: 
- Registro na junta comercial antes de iniciar a atividade, independentemente do 
ramo; 
- Manutenção da escrituração regular de todos os negócios; 
- Elaboração de demonstrações contábeis periódicas. 
- Registro: Registro Público de Empresas Mercantis e Atividades Afins. As 
principais funções desse registro são: 
• Matrícula e cancelamento de profissionais como leiloeiros, tradutores 
públicos, trapicheiros e administradores de armazéns; 
• Arquivamento de documentos relacionados à constituição, alteração, 
dissolução e extinção de firmas, sociedades e cooperativas, além de atos 
ligados a consórcios, grupos societários, empresas estrangeiras, 
microempresas e outros documentos legais. 
• Autenticação de livros contábeis e outros instrumentos de escrituração. 
- O nome empresarial deve seguir os princípios da veracidade e novidade, sendo 
automaticamente protegido após o arquivamento dos atos constitutivos. 
- A junta comercial verifica apenas as formalidades legais, não julgando o 
conteúdo (mérito) dos atos apresentados. 
- Escrituração: é uma das obrigações fundamentais do empresário. Trata-se da 
organização da contabilidade da empresa, com o objetivo de fornecer controle 
interno, informações gerenciais, suporte documental e cumprimento das 
exigências fiscais. São as funções da escrituração: 
1- Gerencial: ajuda na tomada de decisões internas; 
2- Documental: padroniza informações para terceiros; 
3- Fiscal: garante o cumprimento das obrigações tributárias. 
- Deve seguir as leis comerciais e fiscais; 
- Registra todas as operações, resultados e lucros, inclusive no exterior; 
- Pode ser centralizada ou descentralizada (para empresas com filiais); 
- Realizada por meio de livros contábeis (manuais ou eletrônicos). 
- Tipos de livros: 
• Obrigatórios: exigidos por lei, o principal é o Livro Diário. 
• Facultativos: como Livro Razão e Livro Caixa, usados para fins gerenciais. 
- Requisitosdos livros: 
• Intrínsecos: técnicas contábeis corretas; 
• Facultativos: segurança e validade formal, como autenticação na junta 
comercial. 
- Normas da escrituração: segundo a norma ITG 2000, deve ser feita: 
• Em português e em moeda nacional; 
• Em formato contábil, com data, contas, histórico e valores; 
• Em ordem cronológica; 
• Sem rasuras ou emendas; 
• Baseada em documentos válidos. 
- Escrituração Simplificada: 
- Permitida para microempresas e empresas de pequeno porte no Simples 
Nacional. 
- Conservação dos livros: 
- Devem ser guardados até que prescrevam todas as obrigações ali registradas. 
- Demonstrações contábeis: são representações estruturadas, em valores 
monetários que mostram a posição patrimonial e financeira de uma entidade em 
certa data, além das transações realizadas no período. Tem como objetivo 
fornecer informações uteis para a tomada de decisões por diversos usuários 
(como sócios, investidores, gestores e órgãos fiscais). 
- Finalidades: 
• Informas sobre a situação econômica e financeira da empresa; 
• Apresentar os resultados da administração dos recursos; 
• Ajudar a estimular fluxos financeiros futuros e possíveis resultados futuros. 
- Componentes de um conjunto completo de demonstrações contábeis: 
1. Balaço patrimonial 
2. Demonstração do resultado 
3. Demonstração de lucros ou prejuízos acumulados (ou demonstrações das 
mutações do patrimônio líquido) 
4. Demonstração do fluxo de caixa 
5. Demonstração do valor adicionado (se divulgada) 
6. Notas explicativas (com práticas contábeis adotadas) 
- Obrigatoriedade legal: 
- Obrigam as pessoas jurídicas a elaborarem, ao final de cada exercício, o balanço 
patrimonial e o de resultado. 
- A obrigatoriedade não se aplica a microempresários e empresários de pequeno 
porte do Simples Nacional. 
- Outras demonstrações contábeis podem ser exigidas conforme o tipo societário 
da empresa. 
- Essas demonstrações são essenciais para a transparência contábil e a prestação 
de contas dos administradores. 
- As notas explicativas são obrigatórias para todos os tipos societários e devem 
acompanhar as demonstrações contábeis. 
- Consequências do não cumprimento das obrigações: 
1- Tributárias e Administrativas: 
- Cobrança retroativa de tributos não pagos durante o período de irregularidade. 
- Os sócios podem responder com seus próprios bens pelas obrigações da 
empresa. 
2- Impedimentos Legais e Comerciais: 
- Não pode: 
• Requerer falência ou recuperação judicial/extrajudicial de outros 
empresários. 
• Autenticar livros comerciais (sem autenticação, não tem valor como prova 
legal). 
• Está impedido de participar de licitações públicas, obter inscrição em 
cadastros fiscais (como CNPJ e CCM), e matrícula no INSS. 
3- Consequências Civis: 
- Perda da eficácia probatória dos livros contábeis. 
- Se não apresentar os livros obrigatórios em um processo, os fatos alegados pela 
outra parte são presumidos como verdadeiros. 
4- Consequências Penais: 
- A falta de escrituração regular é considerada crime falimentar pela Lei de 
Falências. 
- A falência será considerada fraudulenta se não houver os documentos 
obrigatórios (como balanços contábeis). 
5- Perdas Adicionais: 
- Dificuldade de obter crédito bancário, já que os bancos analisam o balanço 
patrimonial. 
- Impossibilidade de participar de licitações por falta de documentos contábeis. 
- Responsabilidade dos administradores de sociedades por prejuízos causados 
pela falta de documentação contábil obrigatória. 
UNIDADE IV: ESTABELECIMENTO E PONTO EMPRESARIAL 
- Estabelecimento empresarial: complexo de bens tangíveis e intangíveis que, 
organizados pelos empresários, são utilizados no exercício da empresa. 
Elementos tangíveis: gôndolas, mercadorias, veículos, e até mesmo o prédio, bem 
imóvel. 
Elementos intangíveis: o título do estabelecimento, o direito à clientela. 
- Ponto empresarial: local específico em que o empresário se estabelece para o 
exercício da empresa. Em razão de tal atividade, aquele local específico onde o 
empresário se encontra passa a ter um valor agregado, tornando-se referência 
para a clientela, fornecedores, dentre outros. 
- Conceito e proteção do estabelecimento: 
- O estabelecimento empresarial é definido como o conjunto de bens organizados 
para o exercício da atividade econômica por empresário ou sociedade empresária, 
englobando tanto bens materiais (como imóveis e equipamentos) quanto 
imateriais (como marcas, patentes, nome empresarial, clientela etc.). 
- É importante diferenciar estabelecimento de patrimônio: o primeiro refere-se aos 
bens destinados à atividade da empresa, enquanto o segundo é um conceito mais 
amplo, incluindo todos os bens do empresário, inclusive os alheios à atividade 
empresarial. 
- Outro conceito relevante é o aviamento, que representa a capacidade de geração 
de lucros do estabelecimento, podendo ser positivo (valorização) ou negativo 
(prejuízo). Ele se divide em objetivo (relacionado à localização, por exemplo) e 
subjetivo (ligado à reputação e habilidade do empresário). 
- É possível haver diversos estabelecimentos com contabilidade própria dentro de 
uma mesma empresa, o que pode gerar benefícios fiscais e facilitar o controle 
contábil e jurídico. Contudo, essa divisão não cria novas pessoas jurídicas. 
- O estabelecimento virtual também é reconhecido juridicamente, sendo 
constituído por bens incorpóreos como o domínio do site, e pode existir mesmo 
sem estrutura física, desde que tenha registro legal e CNPJ. 
- As súmulas vinculantes 38 e 49 do STF reforça, a autonomia municipal para 
regulamentar horários de funcionamento e proíbem restrições à instalação de 
concorrentes, com base na livre concorrência e na defesa do consumidor, 
valorizando inclusive o ponto empresarial por sua localização estratégica próxima 
a concorrentes. 
- Proteção do ponto empresarial: 
- O ponto empresarial é a localização física onde o empresário exerce sua 
atividade, sendo distinto da propriedade do imóvel. Ou seja, o imóvel pode 
pertencer a um terceiro, mas o ponto é do empresário. Quando se fala em “passar 
o ponto”, está se referindo o direito de uso comercial daquele local, e não a 
propriedade do imóvel. 
- A valorização do ponto vai além da clientela, incluindo fatores como 
infraestrutura, logística e acesso. Existem duas formas de proteção ao ponto 
empresarial: 
1- Se o imóvel for próprio, aplica-se o Direito Civil, que protege a propriedade por 
meio dos direitos de usar, gozar, dispor ou reivindicar. 
2- Se for alugado, a Lei de Locações regula a proteção, com mecanismos como a 
ação renovatória do contrato e vedação a práticas abusivas, como cobrança de 
luvas, exigência de múltiplas garantias ou cobrança de aluguel antecipado (exceto 
em casos específicos). 
- Para ter direito à ação renovatória, o contrato deve: 
• Ser escrito e com prazo determinado. 
• Ter duração mínima (ou soma dos contratos) de 5 anos. 
• O locatário deve exercer a mesma atividade no local por no mínimo 3 anos 
ininterruptos. 
- A ação deve ser ajuizada entre 1 ano e 6 meses antes do fim do contrato. Fora 
desse intervalo, o direito se extingue (decadência). 
- Mesmo com a proteção legal, o proprietário pode retomar o imóvel em situações 
específicas, como reformas significativas, uso próprio (em outro ramo), ou 
transferência de fundo de comércio familiar. 
- Assim, a proteção ao ponto empresarial é relevante, mas não é um direito 
absoluto, estando sujeita a regras e exceções previstas em lei. 
- Mecanismos de alienação e tutela do estabelecimento e do ponto empresarial: 
- O estabelecimento empresarial pode ser objeto de negócios jurídicos, como a 
venda, que consiste na alienação onerosa do estabelecimento como um todo, 
incluindo todos os seus bens e direitos. 
- Para que essa transferência tenha efeitos perante terceiros, é necessário: 
• Averbação no Registro Público de Empresas Mercantis 
• Publicação em imprensa oficial.- Caso o alienante não tenha bens suficientes para pagar suas dívidas, a eficácia 
da alienação depende do pagamento aos credores ou do consentimento deles, no 
prazo de 30 dias após notificação. 
- Após a venda, o alienante não pode concorrer com o adquirente por 5 anos, 
salvo se houver autorização expressa. Em contratos de usufruto ou arrendamento, 
essa proibição vale durante a vigência contratual. 
- O adquirente se sub-roga nos contratos relacionados ao estabelecimento (como 
os de locação), salvo se forem pessoais. Terceiros podem rescindir esses 
contratos em até 90 dias após a publicação da transferência, desde que haja justa 
causa, respondendo o alienante por eventuais danos. 
- Por outro lado, a mera instalação de novo estabelecimento, mesmo no local e 
ramo de atividade, não implica sucessão de obrigações do anterior. 
- Sobre as responsabilidades: 
• O adquirente responde pelos débitos anteriores se estiverem regularmente 
contabilizados e, naturalmente, pelos posteriores. 
• O alienante continua responsável solidariamente por um ano, a partir da 
publicação da transferência (para créditos vencidos) ou da data do 
vencimento (para os vincendos). 
- Por fim, a cessão de créditos vinculados ao estabelecimento só produz efeitos 
para os devedores após a publicação, mas o devedor é liberado se pagar de boa-fé 
ao cedente. 
UNIDADE V- ESTATUTO DA MICROEMPRESA 
- Microempresa (ME) e empresa de pequeno porte (EPP): as ME e as EPP tem 
grande relevância na economia brasileira, pois geram emprego, renda e 
contribuem para o desenvolvimento social e econômico. Sua formalização foi 
incentivada com tratamentos diferenciados, o que também ajudou a reduzir a 
informalidade, fomentar o empreendedorismo e aumentar a arrecadação de 
tributos. 
- Essas empresas, possuem menor porte, com menos funcionários e faturamento 
reduzido em comparação com grandes empresas, mas sua importância é 
reconhecida legalmente, havendo regulamentações específicas que garantem 
benefícios jurídicos e tributários. 
- A definição de Mês e EPPs varia conforme o critério adotado: 
- SEBRAE: classifica com base no número de empregados: 
• Microempresa: até 9 (comércio/serviços) ou até 19 (indústria). 
• Pequena empresa: de 10 a 49 (comércio/serviço) ou de 20 a 99 (indústria). 
- BNDES: utiliza o faturamento bruto anual: 
• Microempresa: até R$ 360 mil. 
• Pequena empresa: de R$ 360 mil a R$ 4,8 milhões. 
- Contudo, apenas a classificação do BNDES tem validade legal, sendo adotada 
nos mecanismos legais específicos para Mês e EPPs. 
- Mecanismos legais relativos às Mês e EPPs: 
- O Estatuto da Microempresa e da Empresa de Pequeno Porte foi instituído pela 
Lei Complementar nº 123/2006 para regulamentar o art. 179 da CF, que garante 
tratamento jurídico diferenciado às Mês e EPPs, com foco na simplificação de 
obrigações tributárias, administrativas, previdenciárias e creditícias. 
- O limite de faturamento é proporcional ao número de meses de atividade no ano. 
A receita bruta é composta pelas vendas e serviços, excluindo vendas canceladas 
e descontos incondicionais. 
- Reenquadramento: 
- MEs que ultrapassem o limite passam a ser EPPs no ano seguinte. 
- EPPs que faturem abaixo do mínimo viram Mês. 
- Empresas que excederem os limites em mais de 20% podem ser excluídas 
imediatamente do Simples Nacional. 
- Em caso de excesso inferior a 20%, a exclusão só ocorre no ano seguinte. 
- Enquadramento e Certificação: 
-É feito com base no faturamento estimado no primeiro ano e no faturamento real 
nos anos seguintes. 
- A comprovação da condição de ME ou EPP é feita com certidão na Junta 
Comercial. 
- A partir de 2018, não é mais permitido usar ME ou EPP no nome empresarial. 
- Tributação – Simples Nacional: 
• Sistema simplificado que unifica impostos federais, estaduais e municipais 
em uma única guia (DAS). 
• Abrange tributos como IRPJ, CSLL, PIS/Pasep, Cofins, IPI, ICMS, ISS e CPP. 
• As alíquotas variam conforme faixas de faturamento. 
- Vedações ao Simples Nacional: 
- Empresas não podem optar por esse regime se: 
• Tiverem outra pessoa jurídica como sócia. 
• Forem filiais de empresas estrangeiras. 
• Os sócios participarem de outras empresas com faturamento global 
superior ao limite legal. 
• Forem cooperativas (exceto de consumo) ou sociedades por ações. 
• Atuarem no setor financeiro ou de seguros, entre outras vedações. 
- Caso uma ME ou EPP se enquadre em alguma dessas vedações, será excluída do 
Simples Nacional e do tratamento jurídico diferenciado. 
- A Lei Complementar nº 123/2006, com suas alterações pelas Leis nº 147/2014 e 
nº 155/2016, é a principal norma que regula MEs e EPPs, definindo regras de 
enquadramento e benefícios legais e tributários. 
- Tratamento diferenciado e benefícios concedidos às MEs e EPPs: 
- A Constituição Federal de 1988, no Art. 179, determina que MEs e EPPs recebam 
tratamento jurídico diferenciado, com o objetivo de incentivar seu crescimento e 
contribuir para o desenvolvimento econômico e social do país. Esse tratamento foi 
regulamentado pela Lei Complementar nº 123/2006, com alterações posteriores 
pelas Leis nº 147/2014 e nº 155/2016. 
- Principais Benefícios e Vantagens: 
• Regularização fiscal tardia sem penalidades severas. 
• Emissão de cédula de crédito microempresarial para créditos não pagos 
por órgãos públicos em até 30 dias. 
• Licitações públicas com tratamento especial, incluindo: 
o Empate ficto: prioridade às MEs e EPPs em caso de empate. 
o Exclusividade em contratações até R$ 80 mil. 
o Subcontratação obrigatória de MEs/EPPs em licitações maiores. 
o Reserva de até 25% do objeto da licitação. 
o Prioridade local/regional com preço até 10% superior ao melhor 
lance. 
- Limitações do Tratamento Diferenciado: 
• Quando não houver pelo menos 3 MEs ou EPPs qualificadas. 
• Se o tratamento diferenciado causar prejuízo à administração. 
• Em licitações dispensáveis ou inexigíveis (com exceções). 
- Outras Vantagens: 
• Dispensa de advogado nos atos constitutivos. 
• Registro mais ágil e eletrônico com uso de assinatura digital. 
• Recolhimento unificado de tributos via Simples Nacional. 
• Tributação pelo regime de caixa (com base no que foi recebido, não só 
faturado). 
• Fiscalização orientadora (sem multa imediata se não houver risco). 
• Simplificação nas relações trabalhistas, como: 
o Dispensa de quadro de trabalho e anotação de férias. 
o Isenção de contratar aprendizes e manter livros específicos. 
• Facilidade de representação na Justiça do Trabalho. 
• Isenção de reuniões, assembleias e publicação de atos societários. 
• Acesso ao Juizado Especial. 
• Linhas de crédito exclusivas na Caixa e BNDES. 
• Facilidade para encerrar atividades sem exigência de quitação de débitos 
antigos. 
- Essas medidas visam reduzir a burocracia, facilitar a atuação das MEs e EPPs e 
estimular o empreendedorismo no Brasil.

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