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Conceito. Fontes. Interpretação. 
Princípios 
 
 
 
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 DIREITO PROCESSUAL CIVIL 
Conceito. Fontes. Interpretação. Princípios 
 
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SUMÁRIO 
 
 
SUMÁRIO .......................................................................................................................................................... 3 
DIREITO PROCESSUAL CIVIL ...................................................................................................................... 5 
QUAL DEVE SER O FOCO? ...................................................................................................................................5 
1. CONCEITO DE PROCESSO ..............................................................................................................................5 
2. CONCEITO DE PROCESSO CIVIL ..................................................................................................................6 
3. RELAÇÃO ENTRE DIREITO PROCESSUAL E DIREITO MATERIAL. INSTRUMENTALIDADE 
DO PROCESSO ..........................................................................................................................................................6 
3. PROCESSO CIVIL CONSTITUCIONAL .........................................................................................................7 
4. FONTES DA NORMA JURÍDICA PROCESSUAL .......................................................................................9 
5. INTERPRETAÇÃO DO PROCESSO CIVIL ................................................................................................ 11 
5.1. Principais métodos de interpretação da norma ............................................................................. 11 
6. APLICAÇÃO DA LEI PROCESSUAL NO TEMPO .................................................................................. 12 
7. APLICAÇÃO DA LEI PROCESSUAL NO ESPAÇO ................................................................................ 14 
8. NORMAS FUNDAMENTAIS .......................................................................................................................... 14 
9. PRINCÍPIOS DO PROCESSO CIVIL ............................................................................................................ 14 
9.1. Devido Processo Legal ............................................................................................................................ 14 
9.2. Princípio da dignidade da pessoa humana ...................................................................................... 15 
9.3. Contraditório ............................................................................................................................................... 16 
9.4. Ordem cronológica de julgamento ...................................................................................................... 23 
 
 
 
 DIREITO PROCESSUAL CIVIL 
Conceito. Fontes. Interpretação. Princípios 
 
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DIREITO PROCESSUAL CIVIL 
 
TEMA DO DIA 
Conceito. Fontes. Interpretação. Princípios 
FILTRO DO TEMA NO BUSCADOR DO DIZER O DIREITO: 
DIREITO PROCESSUAL CIVIL – PRINCÍPIOS 
 
QUAL DEVE SER O FOCO? 
 
1. Constitucionalização do Processo Civil 
2. Princípios Processuais 
3. Aplicação da Lei Processual no Tempo 
 
1. CONCEITO DE PROCESSO 
 
Conceito de processo: há várias definições diferentes para processo, a depender da 
perspectiva de análise realizada. Assim, pode ser, segundo Fredie Didier Jr.1,: 
 
a) método de criação de normas jurídicas; 
b) ato jurídico complexo; e 
c) relação jurídica. 
 
Processo como método de produção de normas jurídicas: sob o enfoque da Teoria da Norma 
Jurídica, o processo é método de produção fontes normativas e, por consequência, de normas 
jurídicas. Lembrando que o poder normativo só pode ser exercido processualmente, seja pelo: 
 
a) Processo legislativo: criação de normas gerais pelo Poder Legislativo; 
b) Processo administrativo: produção de normas gerais e individualizadas pela 
Administração Pública; 
c) Processo jurisdicional: produção de normas pela jurisdição. Nesse caso, para ser válido, o 
processo deve seguir o modelo previsto na Constituição Federal com todos seus institutos 
e direitos fundamentais 
d) Processo negocial: criação de normas decorrentes do princípio da autonomia da vontade. 
 
Processo como ato jurídico complexo: Para essa acepção, o processo seria sinônimo de 
procedimento. É considerado um ato jurídico complexo, formado por vários atos jurídicos, em que 
temos o ato final que o caracteriza, mas também ato ou atos condicionantes do ato final, que se 
relacionam entre si, ordenadamente no tempo, de modo que constituem partes integrantes de um 
 
1 DIDIER JR., Fredie. Curso de direito processual civil: introdução ao direito processual civil. 17. ed. Salvador: Juspodivm, 
2015. p. 33-34. 
 DIREITO PROCESSUAL CIVIL 
Conceito. Fontes. Interpretação. Princípios 
 
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processo. É, assim, o conjunto ordenado de atos destinados a um fim; um “ato compexo de formação 
sucessiva”: os vários atos que compõem o tipo normativo sucedem-se no tempo 
 
Processo como relação jurídica: o processo é o conjunto das relações jurídicas que vão sendo 
estabelecidas entre os sujeitos processuais, que envolvem o juiz, as partes, os auxiliares da justiça, 
dentre outros. Assim, o conjunto de relações jurídicas formam uma relação jurídica maior, 
denominada processo. Nesse sentido, processo é uma relação jurídica complexa, composta por um 
feixe de relações jurídicas. 
 
2. CONCEITO DE PROCESSO CIVIL 
 
De acordo com Marcus Vinicius Rios Gonçalves2, o Processo Civil pode ser conceituado como 
“o ramo do direito que contém as regras e os princípios que tratam da jurisdição civil, isto é, da 
aplicação da lei aos casos concretos, para a solução dos conflitos de interesses pelo Estado-juiz. O 
conflito entre sujeitos é condição necessária, mas não suficiente para que incidam as normas de 
processo, só aplicáveis quando se recorre ao Poder Judiciário apresentando-se-lhe uma pretensão. 
Portanto, só quando há conflito posto em juízo.” 
 
Por sua vez, Fredie Didier3 conceitua como o “conjunto de normas que disciplinam o processo 
jurisdicional civil – visto como ato-jurídico complexo ou como feixe de relações jurídicas. Compõe-se 
das normas que determinam o modo como o processo deve estruturar-se e as situações jurídicas 
que decorrem dos fatos jurídicos processuais. 
 
Em resumo, o Processo Civil é o ramo do Direito que disciplina as normas da jurisdição civil, 
estabelecendo o procedimento e as relações jurídicas dele decorrentes, podendo ser entendido, 
ainda, como método do exercício da jurisdição. 
 
3. RELAÇÃO ENTRE DIREITO PROCESSUAL E DIREITO MATERIAL. INSTRUMENTALIDADE DO 
PROCESSO 
 
Para a doutrina4, há diferenças entre direito material e processual e uma relação íntima entre 
eles (“relação circular entre o direito material e o processo”), o que, em última análise, leva, como 
veremos, a uma ideia de “instrumentalidade do processo”: 
 
A) Direito Material: são normas que indicam os direitos das pessoas. Corresponde a uma 
situação jurídica da vida (bem da vida tutelado juridicamente). 
 
2 GONÇALVES, Marcus Vinicius Rios. Direito Processual Civil esquematizado. 6. ed. São Paulo: Saraiva, 2016. p. 84. 
3 DIDIER JR., Fredie. Curso de direito processual civil: introdução ao direito processual civil. 17. ed. Salvador: Juspodivm, 
2015. p. 34. 
4 GONÇALVES, Marcus Vinicius Rios. Direito Processual Civil esquematizado. 6. ed. São Paulo: Saraiva, 2016. p. 86. 
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Conceito. Fontes. Interpretação. Princípios 
 
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B) Direito Processual: são normas instrumentais, que pressupõem o desrespeito às 
normas de direito material, permitindo que seu titular possa recorrer ao Poder Judiciáriopara fazer cumprir seu direito. O Processo não é um fim em si mesmo, mas um meio para 
fazer valer o direito. 
 
E, assim, diante da clara e necessária relação existente entre direito material e processual, tem-
se o que convencionou denominar de “instrumentalidade do processo”: “O processo é o instrumento 
da jurisdição, o meio de que se vale o juiz para aplica a lei ao caso concreto. Não é um fim em si, já 
que ninguém deseja a instauração do processo por si só, mas meio de conseguir determinado 
resultado: a prestação jurisdicional, que tutelará determinado direito, solucionando o conflito.”5 
 
A instrumentalidade do processo é indispensável para a compreensão de diversos institutos 
do direito processual, como a causa de pedir, o conteúdo da sentença, a intervenção de terceiros, as 
defesas do acusado, dentre outras. 
 
O processo, enfim, realiza o direito material, e o direito material confere sentido ao processo, 
que não pode ser visto como um fim em si mesmo. 
 
3. PROCESSO CIVIL CONSTITUCIONAL 
 
O processo é o instrumento pelo qual a Democracia é exercida e, em um Estado Democrático 
de Direito, todo e qualquer ato estatal de poder deve ser construído através de processos, sob pena 
de não ter legitimidade democrática, e, por conseguinte, ser incompatível com o Estado 
Constitucional. 
 
Sob essa perspectiva, o processo civil brasileiro é construído – e deve ser entendido - a partir 
de um modelo estabelecido pela CF/88. É o chamado modelo constitucional de processo civil, 
formado pelos princípios do devido processo legal, da isonomia, do juiz natural, da inafastabilidade 
da jurisdição, do contraditório, da motivação das decisões judiciais, da duração razoável do processo, 
entre outros.6 
Como se percebe, não é possível compreender o processo civil de forma desvinculada da 
Constituição Federal, que serve ao processo como fonte de validade, influenciando a interpretação 
de seus dispositivos. 
 
As normas processuais não podem conflitar com as normas constitucionais, sobretudo no que 
tange ao devido processo legal. Em resumo, todas as normas processuais devem ser interpretadas 
de acordo com a CF. 
 
5 GONÇALVES, Marcus Vinicius Rios. Direito Processual Civil esquematizado. 6. ed. São Paulo: Saraiva, 2016. p. 86. 
6 Outros princípios que são expressamente referidos como normas fundamentais do processo civil são os da dignidade 
da pessoa humana, proporcionalidade, razoabilidade, legalidade, publicidade e eficiência (art. 8º, CPC). 
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Destaque-se que “O que hoje parece uma obviedade, era quase revolucionário numa época em 
que a nossa cultura jurídica hegemônica não tratava a Constituição como norma, mas como pouco 
mais do que um repositório de promessas grandiloquentes, cuja efetivação dependeria quase sempre 
da boa vontade do legislador e dos governantes de plantão.” (SARMENTO, Daniel. O 
neoconstitucionalismo no Brasil: riscos e possibilidades. Revista Brasileira de Estudos 
Constitucionais. Belo Horizonte, v. 3, n. 9, p. 95-133, jan./mar. 2009.) 
 
O modelo constitucional de processo, a propósito, impõe um processo 
COMPARTICIPATIVO/COOPERATIVO, POLICÊNTRICO, não mais centrado na pessoa do juiz, mas 
que é conduzido por diversos sujeitos (partes, juiz, MP), todos igualmente importantes na construção 
do resultado da atividade processual.7 Consequência disso é o princípio da cooperação, previsto no 
art. 6º do CPC. 
Todos os sujeitos processuais devem agir de modo a alcançar uma solução (de mérito) tão justa 
e rápida quanto possível, inclusive o juiz.8 Esse novo princípio processual ganha autonomia em face 
do princípio da boa-fé. Nesse contexto, a doutrina disciplina a existência de alguns deveres de 
conduta do juiz, segundo o modelo cooperativo: 
 
● Dever de esclarecimento: que se divide em dois aspectos: 1) O juiz tem o dever de esclarecer 
seus posicionamentos/decisão para as partes. 2) Dever do juiz de pedir esclarecimento para 
as partes, sanando dúvidas quanto às suas alegações e evitando, assim, proferimento de 
decisões equivocadas; 
● Dever de consulta: o juiz tem o dever de consultar as partes acerca de qualquer ponto de fato 
ou de direito relevante para sua decisão, mesmo que este ponto possa ser conhecido de ofício 
pelo juiz. A decisão do juiz não pode estar lastreada em ponto em que as partes não tiveram 
oportunidade de se manifestar. (busca evitar que a parte seja surpreendida); sobre o tema, 
vide art. 10/CPC, acerca do qual voltaremos a falar. 
● Dever de prevenção: se o juiz identifica alguma falha no processo, ele tem o dever de indicar 
a falha processual e o modo como ela deve ser corrigida, evitando o proferimento de decisões 
meramente formais (relação com o princípio da primazia da resolução de mérito). Ademais, 
 
7 [...] a atividade de aplicação do ordenamento jurídico passa a exigir um recinto de procedimentalidade discursiva, 
marcado pela efetiva atuação das partes na construção do ato estatal, de forma que elas se identifiquem não apenas 
como destinatárias, mas, também, como coautoras das decisões judiciais. (FARIA, Gustavo. Jurisprudencialização do 
Direito: reflexões no contexto da processualidade democrática. Arraes. 2012, p. 61) 
8 “Observação importante que merece ser feita é que a cooperação prevista no dispositivo em comento deve ser 
praticada por todos os sujeitos do processo. Não se trata, portanto, de envolvimento apenas entre as partes (autor e 
réu), mas também de eventuais terceiros intervenientes (em qualquer uma das diversas modalidades de intervenção de 
terceiros), do próprio magistrado, de auxiliares da Justiça e, evidentemente, do próprio Ministério Público quando atue 
na qualidade de fiscal da ordem jurídica”. (BUENO, Celso Scarpinella. Novo Código de Processo Civil Anotado. São 
Paulo: Editora Saraiva. pág. 45). 
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deve o magistrado, quando constatar deficiências postulatórias das partes, indicá-las, 
precisamente, a fim de evitar delongas desnecessárias e a extinção do processo sem 
julgamento do mérito. (STJ, RHC 37587/2016) 
● Dever de auxílio: deve o juiz colaborar com as partes para a superação de dificuldades que 
comprometam o exercício de seus direitos, como se pode perceber, a título exemplificativo, 
da análise dos artigos 256, § 3º, 319, § 1º, 321, caput, entre outros. 
 
4. FONTES DA NORMA JURÍDICA PROCESSUAL 
 
Parte da doutrina divide as normas jurídicas processuais em formais e não formais, embora 
tal distinção não seja de grande relevância prática. 
 
4.1. FONTES FORMAIS 
 
São fontes formais as que expressam o direito positivo, as formas pelas quais ele se manifesta. 
A fonte formal por excelência é a lei (fonte formal primária). Além dela, podem ser mencionados 
a analogia, o costume e os princípios gerais do direito, necessários porque o ordenamento jurídico 
não pode conter lacunas, cumprindo-lhes fornecer os elementos para supri-las. Podem ser citadas 
também as súmulas do Supremo Tribunal Federal (STF), com efeito vinculante, bem como as 
decisões definitivas de mérito, proferidas também pelo STF, em controle concentrado de 
constitucionalidade, nas ações diretas de inconstitucionalidade e declaratórias de constitucionalidade 
(fontes formais acessórias ou indiretas) e, as demais hipóteses de precedentes vinculantes, 
enumeradas no art. 927 do CPC9. 
 
As fontes formais, nesse contexto, podem ser divididas em: 
 
Fonte formal primária – Lei decorrência do sistema romano germânico que prevalece no 
ordenamento jurídico brasileiro. É importante ressaltar que o 
CPC/15 será a principal lei em direito processual civil. No entanto, 
existem outras leis esparsas que serão abordadas ao longo das 
rodadas. Ex.: Lei do Mandado de Segurança, Lei da Ação Civil 
Pública etc. 
Fontes formais acessórias i) analogia, costume e princípios gerais do direito (art. 4º da Lei 
de Introdução às Normas do(princípio do “tempus regit actum”). Além disso, 
devem ser respeitados os atos processuais praticados e as situações jurídicas consolidadas sob a 
vigência da norma revogada anterior (“isolamento dos atos processuais”). 
 
Regra: normas de processo têm incidência imediata, atingindo os processos em curso. Nenhum 
litigante tem direito adquirido a que o processo iniciado na vigência da lei antiga continue sendo por 
ela regulado, em detrimento da lei nova15. 
 
Nesse contexto, vale lembrar que o art. 1.046/CPC estabelece que, quando da entrada em vigor 
do código, suas disposições se aplicam desde logo aos processos pendentes, ficando revogado o 
CPC/73, mas as disposições do código revogado, relativas ao procedimento sumário e aos 
procedimentos especiais que forem revogadas aplicar-se-ão às ações propostas e não sentenciadas 
até o início da vigência deste Código. 
 
No mesmo sentido, vide enunciado 568 do Fórum Permanente dos Processualistas Civis 
(FPPC): As disposições do CPC-1973 relativas aos procedimentos cautelares que forem revogadas 
aplicar-se-ão às ações propostas e não sentenciadas até o início da vigência do CPC/2015. 
 
Atos jurídicos perfeitos: atos já praticados devem ser respeitados na forma realizada pela lei 
anterior. Exemplo: recurso que tiver sido impetrado na vigência da lei anterior, quando ainda era 
cabível, deve ser recebido e processado, mesmo que a lei posterior o tenha excluído ou restringindo 
a incidência, pois trata-se de situação consolidada. 
 
Teoria do isolamento dos atos processuais16: os atos processuais são sucessivos e ordenados 
no tempo. Assim, há a necessidade de ser verificar a fase em que se encontra cada ato: a) já 
realizados; b) que serão ainda realizados; e c) situações pendentes. 
 
Por fim, uma observação em relação ao princípio do “tempus regit actum” e o direito probatório: 
dispõe o art. 1.047/CPC que as disposições de direito probatório adotadas no Código de 2015 
aplicam-se apenas às provas requeridas ou determinadas de ofício a partir da data de início de sua 
vigência. 
 
15 GONÇALVES, Marcus Vinicius Rios. Direito Processual Civil esquematizado. 6. ed. São Paulo: Saraiva, 2016. p. 112. 
16 GONÇALVES, Marcus Vinicius Rios. Direito Processual Civil esquematizado. 6. ed. São Paulo: Saraiva, 2016. p. 112. 
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Conceito. Fontes. Interpretação. Princípios 
 
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Em complemento à citada regra, vale lembrar que o enunciado 366 do FPPC dispõe que o 
protesto genérico por provas, realizado na petição inicial ou na contestação ofertada antes da 
vigência do CPC, não implica requerimento de prova para fins do art. 1047. 
 
7. APLICAÇÃO DA LEI PROCESSUAL NO ESPAÇO 
 
Aplicação espacial: versa sobre o espaço territorial que serão aplicadas as normas processuais. 
De acordo com o art. 16, do CPC/15, as normas de Processo Civil têm aplicação em todo território 
nacional. 
 
Sentença e processos estrangeiros: como regra, não tem eficácia no território nacional, salvo 
se houver a homologação pelo Superior Tribunal de Justiça17. 
 
8. NORMAS FUNDAMENTAIS 
 
Normas fundamentais do processo civil ou Direito Processual Fundamental18: compõe a 
estrutura do modelo do processo civil brasileiro e orienta a interpretação das demais normas 
processuais. Essas normas dividem-se em princípios e regras. 
 
Processo Fundamental Constitucional: são normas estruturais previstas expressamente no 
texto constitucional. 
 
Legislação infraconstitucional: também tem previsão de normas fundamentais com destaque 
para o Capítulo I do Título Único do CPC/15 que versa sobre Normas Fundamentais do Processo Civil 
e abrange os art. 1º ao 12º. 
 
9. PRINCÍPIOS DO PROCESSO CIVIL 
 
9.1. Devido Processo Legal 
 
Com inspiração na Carta Magna Inglesa, de 1.215,19 o due processo of law funciona como um 
princípio-base ou supraprincípio, norteador de todos os demais. Está associado à ideia de processo 
justo com ampla participação das partes e a efetiva proteção de seus direitos20. Por exemplo, os 
 
17 GONÇALVES, Marcus Vinicius Rios. Direito Processual Civil esquematizado. 6. ed. São Paulo: Saraiva, 2016. p. 111. 
18 DIDIER JR., Fredie. Curso de direito processual civil: introdução ao direito processual civil. 17. ed. Salvador: Juspodivm, 
2015. p. 61-62. 
19 Carta Magna (Inglaterra, 1215), art. 39. Nenhum homem livre será preso, aprisionado ou privado de uma propriedade, 
ou tornado fora-da-lei, ou exilado, ou de maneira alguma destruído, nem agiremos contra ele ou mandaremos alguém 
contra ele, a não ser por julgamento legal dos seus pares, ou pela lei da terra. 
20 NEVES, Daniel Amorim Assunção. Manual de Direito Processual Civil. 13. ed. Salvador: Juspodivm, 2021. p. 176-177. 
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Conceito. Fontes. Interpretação. Princípios 
 
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princípios do contraditório, da ampla defesa, da isonomia, da motivação das decisões, decorrem do 
devido processo legal. A Carta Magna dispõe, em seu art. 5º, LIV, da CF/88 que “ninguém será 
privado da liberdade ou de seus bens sem o devido processo legal”. 
É importante destacar que o processo deve se conformar com o Direito considerado em seu 
todo e não apenas com a previsão em lei21. 
Divisão do devido processo legal: 
 
● Devido processo legal substancial (ou material): Forma de controle de conteúdo das 
decisões (razoabilidade e proporcionalidade), para evitar abusividades. A interpretação das normas 
jurídicas deve ser realizada de forma a observar os princípios da razoabilidade e da 
proporcionalidade. Nesse sentido, prevê expressamente o art. 8º do CPC/15. 
 
● Devido processo legal formal (processual): Diz respeito ao conjunto de garantias 
processuais mínimas. É voltado ao processo, especialmente ao juiz para que observe os princípios 
processuais na condução dos atos processuais. De caráter instrumental, o “procedural due processo 
of law” significa o direito a um processo regular e justo, que legitima a atividade estatal (pela via do 
processo) e, em última análise, protege o cidadão contra abuso de poder. 
 
9.2. Princípio da dignidade da pessoa humana 
 
Conceito de dignidade da pessoa humana: é “um direito fundamental de conteúdo complexo, 
formado pelo conjunto de todos os direitos fundamentais, previstos ou não no texto constitucional.22” 
Note-se, portanto, que a dignidade humana não é princípio exclusivo do Processo Civil, mas permeia 
todos os ramos do direito invariavelmente e deve ser observado entre Estado e indivíduo e entre os 
próprios indivíduos nas suas relações particulares. 
 
Promoção da dignidade da pessoa humana no Processo: A promoção da dignidade da pessoa 
humana é fundamento da República Federativa do Brasil e serve como pilar interpretativo e 
orientativo dos direitos e garantias fundamentais. No âmbito do Processo Civil, o art. 8º do CPC/15 
estabelece expressamente que o juiz ao conduzir o processo deve resguardar e promover a dignidade 
da pessoa humana. 
 
Atuação proativa do juiz em prol da dignidade da pessoa humana: é possível a adoção de 
medidas de ofício que resguardem a dignidade da pessoa humana, como exemplo, a prioridade de 
tramitação processual de pessoa com doença grave não elencada no rol do art. 1.048 do CPC. 
 
21 DIDIER JR., Fredie. Curso de direito processual civil: introdução ao direito processual civil. 17. ed. Salvador: 
Juspodivm, 2015. p. 63. 
22 DIDIER JR., Fredie. Curso de direito processual civil: introdução ao direito processual civil. 17. ed. Salvador: 
Juspodivm, 2015. p. 75. 
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Conceito. Fontes. Interpretação. Princípios 
 
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9.3. Contraditório 
 
É princípio que encontra previsão constitucional no art. 5º, LV, da CF/88: “aos litigantes, em 
processo judicial ou administrativo, e aos acusados em geral são assegurados o contraditório e a 
ampla defesa, como os meios e recursos a ela inerentes.” 
 
Contraditório tradicional e o binômio informação e reação (“contraditório estático”; 
dimensão formal do contraditório):Tradicionalmente, é formado pelo binômio informação e 
possibilidade de reação. As partes devem ser devidamente comunicadas de todos os atos 
processuais, para que possam se manifestar em juízo, acaso desejem. 
Críticas ao modelo tradicional de contraditório e contraditório efetivo (também conhecido 
como substancial ou dinâmico; dimensão substancial do contraditório): indo além da mera 
possibilidade de informação + reação, prevê que para sua real efetividade seria necessário exigir que 
a reação no caso concreto tenha real poder de influenciar o juiz em seu convencimento23. Voltado 
para a concepção democrática atual do processo justo, entende-se que reagir sem obter a “atenção” 
do juiz não é suficiente para o respeito à garantia fundamental do contraditório. É necessário que o 
juiz efetivamente leve em consideração o que as partes manifestaram na formação de seu 
convencimento. 
 
A dimensão substancial do contraditório também implica no contraditório como não 
surpresa24, de acordo com o qual, nos termos do art. 10/CPC, o juiz não pode decidir, em grau 
algum de jurisdição, com base em fundamento a respeito do qual não se tenha dado às partes 
oportunidade de se manifestar, ainda que se trate de matéria sobre a qual deva decidir de ofício. 
A decisão que desrespeita a citada norma é conhecida como decisão surpresa (ou decisão de terceira 
via), como se vê, inclusive, da orientação do STJ, ao dispor que “a proibição de decisão surpresa - 
também conhecida como decisão de terceira via - com obediência ao princípio do contraditório, 
assegura às partes o direito de serem ouvidas de maneira antecipada sobre todas as questões 
relevantes do processo, ainda que passíveis de conhecimento de ofício pelo magistrado.” (STJ, REsp 
1.676.027/2017) 
 
Contraditório inútil25: não há necessidade de se ouvir previamente a parte quando a decisão 
for proferida a seu favor, que se manifesta como a dispensa do contraditório inútil. Está indiretamente 
previsto no art. 9º do CPC, pois somente há vedação para que as decisões sejam proferidas contra 
uma das partes sem que ela seja ouvida. Não há proibição para decisões favoráveis à parte. 
 
 
23 NEVES, Daniel Amorim Assunção. Manual de Direito Processual Civil. 13. ed. Salvador: Juspodivm, 2021. p. 179. 
24 NEVES, Daniel Amorim Assunção. Manual de Direito Processual Civil. 13. ed. Salvador: Juspodivm, 2021. p. 180. 
25 NEVES, Daniel Amorim Assunção. Manual de Direito Processual Civil. 13. ed. Salvador: Juspodivm, 2021. p. 182-183. 
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Conceito. Fontes. Interpretação. Princípios 
 
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9.3.1. Princípios dispositivo e inquisitivo26 
 
Sistema inquisitivo: o juiz é a figura central do processo e cabe a ele a condução sem a 
necessidade de provocação das partes. O juiz tem ampla liberdade de atuação. 
 
Sistema dispositivo: o juiz tem participação condicionada à vontade das partes, que vão definir 
desde a existência até a extensão do processo. Depende para seu prosseguimento da manifestação 
das partes. 
 
Sistema misto: adotado pelo sistema processual brasileiro e prevê uma mistura entre sistema 
inquisitivo e dispositivo. Prevalece, contudo, o princípio do dispositivo. “Sistema misto temperado 
com toques de inquisitoriedade”. Juiz está vinculado à causa de pedir (dispositivo), mas poderá 
determinar provas de ofício (inquisitivo). 
 
Previsão no CPC/15 (art. 2º): “O processo começa por iniciativa da parte e se desenvolve por 
impulso oficial, salvo as exceções previstas em lei.” 
 
9.3.2. Motivação das decisões 
 
Previsão constitucional: Dispõe o art. 93, IX, da CF/88 a necessidade de motivação das 
decisões judiciais, a fim de demonstrar a correção e imparcialidade do julgador, além de possibilitar 
o controle da decisão pela coletividade. 
Previsão no art. 11 do CPC/15: “Todos os julgamentos dos órgãos do Poder Judiciário serão 
públicos, e fundamentadas todas as decisões, sob pena de nulidade.” (grifos acrescidos) 
 
Razões para a motivação das decisões judiciais27: 
1) Sucumbente: deve ter conhecimento das razões da decisão para poder elaborar seu 
recurso (função endoprocessual da motivação das decisões); 
2) Órgão jurisdicional recursal: deve ter conhecimento das razões da decisão para apreciar e 
julgar o recurso interposto (função endoprocessual da motivação das decisões); 
3) Motivo político: serve para demonstrar a imparcialidade e lisura do julgador na decisão 
judicial (função exoprocessual da motivação das decisões). 
 
Decisões que não são consideradas fundamentadas (art. 489, § 1º, CPC/15): o CPC/15 
estabeleceu hipóteses em que a decisão judicial não é considerada fundamentada. Diante da 
importância, recomendamos que o candidato leia atentamente o dispositivo! 
 
 
26 NEVES, Daniel Amorim Assunção. Manual de Direito Processual Civil. 13. ed. Salvador: Juspodivm, 2021. p. 186. 
27 NEVES, Daniel Amorim Assunção. Manual de Direito Processual Civil. 13. ed. Salvador: Juspodivm, 2021. p. 189. 
 DIREITO PROCESSUAL CIVIL 
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9.3.3. Publicidade dos atos processuais 
Previsão constitucional (art. 5º, LX, CF/88): “a lei só poderá restringir a publicidade dos atos 
processuais quando a defesa da intimidade ou o interesse social o exigirem;” Note-se, portanto, que 
há um limite constitucional expresso à possibilidade de restrição da publicidade dos atos processuais 
pela legislação. 
Previsão no CPC/15 (art. 8º e 11): infere-se dos dispositivos legais que todos os julgamentos 
dos órgãos do Poder Judiciário serão públicos, o que, também, é confirmado pelo art. 189, caput, do 
CPC. 
Funções do princípio da publicidade28: 
a) Proteção das partes: evita que sejam praticados atos arbitrários e secretos em desfavor 
das partes (aspecto interno); 
b) Proteção da sociedade: Possibilita o controle da opinião pública sobre o comportamento 
dos sujeitos processuais, guardando relação direta, portando, com o princípio da 
fundamentação29 (aspecto externo). 
 
Atenção! O princípio NÃO é absoluto, pois é possível a limitação da publicidade, nas hipóteses de 
exigência do interesse público ou de respeito ao princípio da intimidade. Nesse sentido, o art. 189 do 
CPC estabelece as hipóteses admitidas de tramitação em segredo de justiça. 
 
Direito de consultar os autos em segredo de justiça: é garantido às partes e aos seus 
procuradores (art. 189, § 1º, do CPC/15); 
Terceiro com interesse jurídico: pode requerer ao juiz certidão do dispositivo da sentença, bem 
como de inventário e de partilha resultantes de divórcio ou separação (art. 189, § 2º, do CPC/15). 
 
9.3.4. Princípio da isonomia ou paridade de armas 
 
Princípio da isonomia: O princípio está pautado na “paridade de armas”, a fim de manter 
equilibrada a disputa judicial entre as partes. Nesse sentido, serve também para reafirmar a 
imparcialidade do juiz na condução do processo. 
 
 
28 DIDIER JR., Fredie. Curso de direito processual civil: introdução ao direito processual civil. 17. ed. Salvador: 
Juspodivm, 2015. p. 86. 
29 A publicidade é instrumento de eficácia da garantia da motivação (DIDER, Fredie. Ob. cit., p. 88) 
 DIREITO PROCESSUAL CIVIL 
Conceito. Fontes. Interpretação. Princípios 
 
 19 
 
 
Previsão na Constituição: art. 5º Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer 
natureza, garantindo-se aos brasileiros e aos estrangeiros residentes no País a inviolabilidade do 
direito à vida, à liberdade, à igualdade, à segurança e à propriedade, nos termos seguintes: 
 
Previsão no art. 7º do CPC/15: “É assegurada às partes paridade de tratamento em relação 
ao exercício de direitos e faculdades processuais, aos meios de defesa, aos ônus, aos deveres e à 
aplicação de sanções processuais, competindo ao juiz zelar pelo efetivo contraditório.” 
 
Previsão no art. 139/CPC: O juiz dirigirá o processo conforme as disposições deste Código, 
incumbindo-lhe: [...] I – assegurar às partes igualdade de tratamento; 
 
Aspecto material do princípio: Nãobasta tão somente a garantia formal da isonomia, em que 
todos são colocados, indistintamente, em posição de igualdade, desprezando-se eventuais 
disparidades no plano do direito material ou processual. Nesses casos, alguns sujeitos processuais 
possuem tratamento diferenciado no processo, seja pela qualidade de parte ou pela natureza do 
direito discutido, a exemplo da assistência judiciária gratuita, da possibilidade de inversão do ônus 
da prova do consumidor (art. 6º, VIII, CDC), da representação processual do incapaz, entre outros. 
 
Em outras palavras, o princípio da isonomia processual não deve ser entendido abstrata e sim 
concretamente, garantindo às partes manter paridade de armas, como forma de manter equilibrada 
a disputa judicial entre elas; assim, a isonomia entre partes desiguais só pode ser atingida por meio 
de um tratamento também desigual, na medida dessa desigualdade.30 
 
Necessário destacar ainda que decorre da isonomia a previsão no art. 12 do NCPC, pela qual 
os juízes e os tribunais atenderão, preferencialmente, à ordem cronológica de conclusão para proferir 
sentença ou acórdão (norma que será tratda adiante). 
 
9.3.5. Princípio da economia processual ou eficiência 
 
Objetivo do princípio: obtenção de menos atividade judicial e mais resultados (“obter o máximo 
de um fim com o mínimo de recursos”31). Encontra previsão expressa no art. 8º do CPC/15. 
 
9.3.6. Razoável duração do processo 
 
Busca preservar a celeridade processual. No entanto, deve haver uma harmonização, haja vista 
que o operador do Direito NÃO pode sacrificar direitos fundamentais das partes com o escopo de 
 
30 Fundação Carlos Chagas. Concurso da Magistratura – 2020, prova objetiva. 
31 DIDIER, Fredie. Ob. cit., p. 151. 
 DIREITO PROCESSUAL CIVIL 
Conceito. Fontes. Interpretação. Princípios 
 
 20 
 
 
obter a celeridade processual, "assegurando-se que o processo demore todo o tempo necessário 
para a produção de resultados legítimos” (CÂMARA, Alexandre Freitas). 
 
Em outras palavras, “Duração razoável tanto pode significar aceleração da marcha processual, 
a bem do princípio da celeridade, como desaceleração, em homenagem a garantias como o 
contraditório e a ampla defesa.” (SOUSA, José Augusto Garcia de. A tríade constitucional da 
tempestividade do processo (em sentido amplo). Revista Eletrônica da PGE. V. 2, nº 1, 2019) 
 
Previsão constitucional (art. 5º, LXXVIII, CF/88) – “a todos, no âmbito judicial e administrativo, 
são assegurados a razoável duração do processo e os meios que garantam a celeridade de sua 
tramitação.” 
 
Previsão no CPC/15 (art. 4º e 6º): No âmbito do Código de Processo Civil, a duração razoável 
do processo é associada à necessidade de se buscar uma decisão justa e efetiva em tempo razoável. 
Há também determinação para que haja a solução integral do mérito, inclusive em âmbito da 
atividade satisfativa. Note-se, portanto, que há relação intrínseca entre esse princípio e o princípio da 
primazia do julgamento de mérito que será abordado nos próximos tópicos. Instrumentos para a 
razoável duração do processo previstas no CPC/15: 
 
1) Possibilidade de representação por excesso de prazo com a possível perda da 
competência do juízo pela demora (art. 235 do CPC/15); 
2) Mandado de segurança contra omissão judicial com ordem para se proferir a decisão; 
3) Ação de reparação de danos com o Estado em razão da demora do julgamento; 
4) Vedação à promoção do juiz que retiver os processos além do prazo legal. 
 
Vale lembrar, por fim, que antes mesmo da EC 45/2004 introduzir a garantia fundamental no 
rol do art. 5º da CF, já havia previsão do princípio no Pacto de São José da Costa Rica (do qual o Brasil 
é signatário), nos termos do artigo 8º - Garantias judiciais. 1. Toda pessoa terá o direito de ser ouvida, 
com as devidas garantias e dentro de um prazo razoável, por um juiz ou Tribunal competente, 
independente e imparcial, estabelecido anteriormente por lei, na apuração de qualquer acusação 
penal formulada contra ela, ou na determinação de seus direitos e obrigações de caráter civil, 
trabalhista, fiscal ou de qualquer outra natureza. 
 
9.3.7. Primazia do julgamento do mérito 
 
Dispõe sobre a possibilidade de sanar eventuais falhas processuais que não maculem o 
processo, para buscar, sempre que possível, o julgamento do mérito. Nesse sentido, os arts. 4º e 6º 
do CPC. 
 
 DIREITO PROCESSUAL CIVIL 
Conceito. Fontes. Interpretação. Princípios 
 
 21 
 
 
Vale lembrar, ainda, que tal princípio também deve ser aplicado no julgamento de recursos, 
ocasião em que se fala do “princípio da primazia do julgamento do mérito recursal”. Como exemplo, 
é possível citar a concessão de prazo para o recorrente trazer peças eventualmente ausentes no 
recuso, antes de o relator inadmiti-lo por ausência de tais peças: 
 
O princípio NÃO é absoluto, pois eventuais falhas que maculem o processo 
irremediavelmente não poderão ser sanadas. 
 
 
9.3.8. Princípio da instrumentalidade das formas: 
 
Forma do ato: Como regra geral, os atos e os termos processuais independem de forma 
determinada, salvo quando a lei expressamente a exigir (art. 188/CPC). Se houver forma prevista em 
lei para a realização do ato, é necessário que ela seja observada, sob pena de nulidade. 
 
Finalidade do princípio: Busca aproveitar o ato viciado, ainda que praticado em desrespeito à 
forma legal, desde que: 
 
● O ato tenha preenchido a sua finalidade; 
● NÃO haja prejuízo à parte contrária ou ao processo (pas de nullité sans grief). 
 
Previsão no CPC/15: os atos serão considerados válidos, especialmente se forem preenchidas as 
finalidades pelas quais foram desenvolvidos. 
 
9.3.9. Princípio da boa-fé e lealdade processual 
 
A boa-fé é regra de conduta que deve nortear o comportamento das partes, bem como a 
interpretação da postulação e da sentença. Sua previsão consta do art. 5º do CPC, segundo o qual 
aquele que de qualquer forma participa do processo deve comportar-se de acordo com a boa-fé. 
 
A boa-fé, nas palavras do STJ, se apresenta como uma exigência de lealdade, modelo objetivo 
de conduta, arquétipo social pelo qual impõe o poder-dever de que cada pessoa ajuste a própria 
conduta a esse modelo, agindo como agiria uma pessoa honesta, escorreita e leal.” (STJ, REsp 
803.481/2007). 
 
Destaque-se que a boa-fé a que se refere o CPC é a boa-fé objetiva, ou seja, aquela em que 
não se analisa a intenção do sujeito ao praticar certo ato, sendo relevante, apenas, o seu 
comportamento. 
 
 DIREITO PROCESSUAL CIVIL 
Conceito. Fontes. Interpretação. Princípios 
 
 22 
 
 
Nesse sentido: enunciado 1, CJF – A verificação da violação à boa-fé objetiva dispensa a 
comprovação do animus do sujeito processual. 
 
Além disso, são aplicadas ao processo civil algumas figuras parcelares da boa-fé objetiva 
(comumente vistas no âmbito do direito material), tais como a: 
 
Supressio, que indica a possibilidade de um redimensionamento da obrigação pela inércia 
qualificada de uma das partes em exercer um direito ou uma faculdade, criando para a outra parte a 
legítima expectativa de ter havido a renúncia àquela prerrogativa. (STJ, AgInt no AREsp 
296.214/2018). 
Exemplo clássico de aplicação da supressio é a aplicação da teoria da “nulidade de algibeira”, 
entendida como “aquela que, podendo ser sanada pela insurgência imediata da defesa após ciência 
do vício, não é alegada, como estratégia, numa perspectiva de melhor conveniência futura. Observe-
se que tal atitude não encontra ressonância no sistema jurídico vigente, pautado no princípio da boa-
fé processual, que exige lealdade de todos os agentes processuais. (STJ, Informativo 741, AgRg no 
HC 732.642/2022) 
 
Venire contra factum proprium, que decorre da adoção de comportamentos contraditórios no 
processo, quebrando a expectativa de coerência gerada na parte contrária e no próprio Poder 
Judiciário: “Situação em que se cria expectativa por uma das partes, em razão de conduta indicativa 
de determinadocomportamento futuro do outro litigante, na qual haverá desrespeito injustificado 
do princípio da boa-fé, quando vier a ser praticado ato contrário ao previsto, com surpresa e prejuízo 
à contraparte". (STJ, AgInt nos EDcl nos EDcl no AREsp 366.050/2018) 
 
São exemplos de comportamentos contraditórios – venire contra factum proprium – violadores 
da boa-fé objetiva: 
 
Não tem interesse recursal o autor que, requerendo desistência do processo, argui, contra a 
decisão homologatória, haver mudado de opinião. (STF, MS 25.742/2006) 
 
A atuação jurisdicional veda a adoção pela parte de comportamentos contraditórios - venire 
contra factum proprium -, pelo que, tendo o recorrente atuado em juízo efetuando o pagamento das 
custas processuais, evidencia-se a dispensa do benefício da gratuidade anteriormente deferido. (STJ, 
AgRg no AREsp 646.158/2015) 
 
Lembrar, por fim, que a vedação do comportamento contraditório aplica-se ao órgão 
jurisdicional (En. 376, FPPC) 
 
9.3.10. Princípio da cooperação 
 
 DIREITO PROCESSUAL CIVIL 
Conceito. Fontes. Interpretação. Princípios 
 
 23 
 
 
Sobre tal princípio, remetemos o leitor ao item 3 (“Processo Civil Constitucional”), onde 
lançamos explicações sobre o assunto. Prevê que todos os sujeitos processuais devem cooperar 
entre si para obter, em tempo razoável, decisão de mérito justa e efetiva (art. 6º). 
 
9.4. Ordem cronológica de julgamento 
 
Ordem cronológica de julgamento: O CPC/15 estabelece em seu art. 12 uma ordem que deve 
ser observada pelo juiz para conclusão do processo destinado a proferir a decisão final. É a 
concretização dos princípios da igualdade e da duração razoável do processo, na medida em que 
evita que processos conclusos há um bom tempo permaneçam sem julgamento32: 
 
Ordem preferencial: A Lei nº 13.256/2016 modificou o art. 12 do CPC para prever que a ordem 
cronológica deve ser seguida preferencialmente pelos juízes. Ainda assim, a ordem prevista 
estabelece, como regra, a necessidade dos julgadores de decidirem os processos mais antigos. 
 
Publicidade da lista de processos aptos a julgamento: deve estar à disposição pública em 
cartório e na rede mundial de computadores. 
 
Requerimento em processo já incluído na ordem de julgamento: não altera a ordem 
cronológica, exceto se implicar na reabertura da instrução ou a conversão do julgamento em 
diligência. Ademais, decidido o requerimento, o processo volta à mesma posição em que se 
encontrava anteriormente na lista. 
 
Exceções à ordem cronológica: 
 
1) Processos que devem ocupar o primeiro lugar da fila (art. 12, § 6º, CPC): 
 
a) tiver sua sentença ou acórdão anulado, salvo quando houver necessidade de realização de 
diligência ou de complementação da instrução; 
 
b) reexame de causa pelo tribunal quando submetido a julgamento repetitivo de recurso 
especial ou extraordinário que tiver fixado entendimento contrário ao do tribunal de segundo grau. 
 
2) Outros processos que tramitam fora da ordem cronológica: remetemos o leitor ao § 2º do 
art. 12 do CPC transcrito acima para memorização dessas hipóteses excepcionadas. 
 
Referências Bibliográficas: 
 
32 DIDIER JR., Fredie. Curso de direito processual civil: introdução ao direito processual civil. 17. ed. Salvador: 
Juspodivm, 2015. 
 DIREITO PROCESSUAL CIVIL 
Conceito. Fontes. Interpretação. Princípios 
 
 24 
 
 
Alexandre Freitas Câmara. O Novo Processo Civil Brasileiro. 
Daniel Amorim Assumpção Neves. Manual de Direito Processual Civil. 
Fredie Didier Júnior. Curso de direito processual civil: introdução ao direito processual civil. 
Marcus Vinicius Rios Gonçalves. Direito Processual Civil Esquematizado. 
Mozart Borba. Diálogos sobre o novo CPC.comportamento futuro do outro litigante, na qual haverá desrespeito injustificado 
do princípio da boa-fé, quando vier a ser praticado ato contrário ao previsto, com surpresa e prejuízo 
à contraparte". (STJ, AgInt nos EDcl nos EDcl no AREsp 366.050/2018) 
 
São exemplos de comportamentos contraditórios – venire contra factum proprium – violadores 
da boa-fé objetiva: 
 
Não tem interesse recursal o autor que, requerendo desistência do processo, argui, contra a 
decisão homologatória, haver mudado de opinião. (STF, MS 25.742/2006) 
 
A atuação jurisdicional veda a adoção pela parte de comportamentos contraditórios - venire 
contra factum proprium -, pelo que, tendo o recorrente atuado em juízo efetuando o pagamento das 
custas processuais, evidencia-se a dispensa do benefício da gratuidade anteriormente deferido. (STJ, 
AgRg no AREsp 646.158/2015) 
 
Lembrar, por fim, que a vedação do comportamento contraditório aplica-se ao órgão 
jurisdicional (En. 376, FPPC) 
 
9.3.10. Princípio da cooperação 
 
 DIREITO PROCESSUAL CIVIL 
Conceito. Fontes. Interpretação. Princípios 
 
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Sobre tal princípio, remetemos o leitor ao item 3 (“Processo Civil Constitucional”), onde 
lançamos explicações sobre o assunto. Prevê que todos os sujeitos processuais devem cooperar 
entre si para obter, em tempo razoável, decisão de mérito justa e efetiva (art. 6º). 
 
9.4. Ordem cronológica de julgamento 
 
Ordem cronológica de julgamento: O CPC/15 estabelece em seu art. 12 uma ordem que deve 
ser observada pelo juiz para conclusão do processo destinado a proferir a decisão final. É a 
concretização dos princípios da igualdade e da duração razoável do processo, na medida em que 
evita que processos conclusos há um bom tempo permaneçam sem julgamento32: 
 
Ordem preferencial: A Lei nº 13.256/2016 modificou o art. 12 do CPC para prever que a ordem 
cronológica deve ser seguida preferencialmente pelos juízes. Ainda assim, a ordem prevista 
estabelece, como regra, a necessidade dos julgadores de decidirem os processos mais antigos. 
 
Publicidade da lista de processos aptos a julgamento: deve estar à disposição pública em 
cartório e na rede mundial de computadores. 
 
Requerimento em processo já incluído na ordem de julgamento: não altera a ordem 
cronológica, exceto se implicar na reabertura da instrução ou a conversão do julgamento em 
diligência. Ademais, decidido o requerimento, o processo volta à mesma posição em que se 
encontrava anteriormente na lista. 
 
Exceções à ordem cronológica: 
 
1) Processos que devem ocupar o primeiro lugar da fila (art. 12, § 6º, CPC): 
 
a) tiver sua sentença ou acórdão anulado, salvo quando houver necessidade de realização de 
diligência ou de complementação da instrução; 
 
b) reexame de causa pelo tribunal quando submetido a julgamento repetitivo de recurso 
especial ou extraordinário que tiver fixado entendimento contrário ao do tribunal de segundo grau. 
 
2) Outros processos que tramitam fora da ordem cronológica: remetemos o leitor ao § 2º do 
art. 12 do CPC transcrito acima para memorização dessas hipóteses excepcionadas. 
 
Referências Bibliográficas: 
 
32 DIDIER JR., Fredie. Curso de direito processual civil: introdução ao direito processual civil. 17. ed. Salvador: 
Juspodivm, 2015. 
 DIREITO PROCESSUAL CIVIL 
Conceito. Fontes. Interpretação. Princípios 
 
 24 
 
 
Alexandre Freitas Câmara. O Novo Processo Civil Brasileiro. 
Daniel Amorim Assumpção Neves. Manual de Direito Processual Civil. 
Fredie Didier Júnior. Curso de direito processual civil: introdução ao direito processual civil. 
Marcus Vinicius Rios Gonçalves. Direito Processual Civil Esquematizado. 
Mozart Borba. Diálogos sobre o novo CPC.

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