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33 CENTRO UNIVERSITÁRIO SUDOESTE PAULISTA INSTITUIÇÃO CHADDAD DE ENSINO LTDA ANA RITA DE C. VIEIRA DE MORAES MANEJO DO PROFISSIONAL PSICÓLOGO NA INTUBAÇÃO OROTRAQUEAL DE PACIENTE COVID19: NECESSIDADE DE REINVENÇÃO DOS PROCESSOS DE TRABALHO ITAPETININGA 2022 ANA RITA DE C. VIEIRA DE MORAES MANEJO DO PROFISSIONAL PSICÓLOGO NA INTUBAÇÃO OROTRAQUEAL DE PACIENTE COVID19: NECESSIDADE DE REINVENÇÃO DOS PROCESSOS DE TRABALHO Trabalho de Conclusão de Curso, apresentado como requisito parcial para a obtenção de grau de Bacharel em Psicologia, pelo Centro Universitário Sudoeste Paulista. Orientadora: Ms. Adriana Aparecida Almeida de Oliveira ITAPETININGA 2022 nome do autor (Caixa alta, fonte Arial 14, centralizado) título do trabalho: Subtítulo do Trabalho, se houver (Título em caixa alta, fonte Arial 14, em negrito; subtítulo em caixa alta, fonte Arial 16, sem negrito) “... sim, era nosso o lugar ao lado do paciente e do médico quando a intubação era decidida; sim éramos nós que estávamos lá na ligação realizada para o paciente se despedir da família; sim éramos nós que estávamos lá na chamada de reconhecimento do corpo e acolhimento da família”. Dra. Silvia Maria Cury Ismael Dedico este trabalho à minha família, em especial ao meu marido e companheiro de todas as horas, Tiago que, além de me incentivar, gerou condições adequadas para que eu pudesse chegar até aqui; aos meus amados filhos Willian, Geovana e Gustavo, pela compreensão diante da ausência, em tantos momentos, durante todo este percurso. Acrescento a essa dedicatória, os sobreviventes, os familiares, os trabalhadores da Saúde e todas as vítimas fatais da Covid-19. AGRADECIMENTOS A todos que, direta ou indiretamente, contribuíram para a realização deste trabalho, a todos os professores que influenciaram na minha trajetória, em especial à professora Adriana Aparecida Almeida de Oliveira, minha orientadora, com quem compartilhei minhas dúvidas e angústias a respeito do tema. “ Só se pode alcançar um grande êxito quando nos mantermos fiéis a nós mesmos.” Friedrich Nietzsch. Manejo do profissional psicólogo na intubação orotraqueal de paciente Covid19: Necessidade de reinvenção dos processos de trabalho Ana Rita de C. Vieira de Moraes[footnoteRef:1] [1: Graduanda em Psicologia pelo Centro Universitário Sudoeste Paulista. E-mail: anitavm.psi@gmail.com.] Adriana Aparecida Almeida de Oliveira[footnoteRef:2] [2: Mestre em Psicologia e Sociedade e docente de psicologia Centro Universitário Sudoeste Paulista. ] Resumo A presença de psicólogos nas Unidades de Terapia Intensiva não é novidade, porém, diante do surgimento da pandemia do Sars-CoV 2, novas demandas no contexto hospitalar se apresentaram. Nesse sentido, fez-se necessária a reinvenção dos processos de trabalho, a fim de atender não só os pacientes críticos como também seus familiares e os trabalhadores da saúde. O objetivo do presente artigo foi discutir o papel do psicólogo nas Unidades de Terapia Intensiva voltadas a esses pacientes, mais especificamente na intubação orotraqueal. Dessa forma, realizou-se uma revisão de artigos da literatura nacional nas bases PePSic, SciELO, LILACS, BVS e BJD sobre a atuação do psicólogo na intubação orotraqueal e os recursos utilizados em sua prática. Utilizou-se os descritores Psicologia Hospitalar, Intubação e Covid19. Encontrou-se um livro que apresenta capítulos com a temática deste trabalho. Ademais, complementou-se a pesquisa com livros nacionais sobre Psicologia Hospitalar e ventilação pulmonar e seus aspectos psicológicos. No entanto, descobriu-se um número reduzido de artigos relacionando o fazer psi e a intubação orotraqueal. O que demonstrou a necessidade de maiores estudos nesta área. Espera-se que novos processos de trabalho possam seguir na contribuição para a melhoria do atendimento de pacientes graves de Covid19 ou daqueles necessitarem de intubação. Palavras-chave: Psicologia hospitalar. Intubação. Covid19. Manejo do profissional psicólogo na intubação orotraqueal de paciente Covid19: Necessidade de reinvenção dos processos de trabalho Ana Rita de C. Vieira de Moraes[footnoteRef:3] [3: Graduanda em Psicologia pelo Centro Universitário Sudoeste Paulista. E-mail: anitavm.psi@gmail.com.] Adriana Aparecida Almeida de Oliveira[footnoteRef:4] [4: Mestre em Psicologia e Sociedade e docente de psicologia Centro Universitário Sudoeste Paulista. ] Abstract The presence of psychologists in the Intensive Care Units is nothing new, however, in the context of the Sars-CoV 2 pandemic, new demands are presented in the hospital. In this sense, it was necessary to reinvent work processes, in order to serve only critical patients as well as their families and health workers. The aim of the article was proposed for the importance of therapy or goal of intensive care for these patients, more specifically intubation or goal. Thus, a review of articles in the national literature was carried out in the PePSic, SciELO, LILACS, BVS and BJD databases on the role of psychologists in orotracheal intubation and the resources used in their practice. The descriptors Hospital Psychology, Intubation and Covid19 were used. A book was found that presents chapters with the theme of this work. In addition, the research is complemented with national books on Hospital Psychology. However, a reduced or non-existent number of articles was found relating to doing psi and the moment of intubation. There is a need for further studies in this area. It is hoped that the work processes can continue to contribute to the improvement of the care of serious patients of Covid19 and that they can improve intubation. Keywords: Hospital psychology. Intubation. Covid-19. LISTA DE QUADROS Quadro 1 - Aspectos Emocionais nas Fases de IOT e Principais Estratégias e Técnicas......31 LISTA DE ABREVIATURAS E SIGLAS OMG Organização Mundial da Saúde UTI Unidade de Terapia Intensiva CRP Conselho Regional de Psicologia TEPT Transtorno de Estresse Pós-traumático SRAG Síndrome Respiratória Aguda Grave IOT A Intubação Orotraqueal MERS Respiratória do Oriente Médio CTI Centro de Terapia Intensiva VV Visita Virtual SUMÁRIO 1. INTRODUÇÃO 14 2 metodologia 16 3. RESULTADOS E DISCUSSÃO........................................................................................17 3.1 A SAÚDE MENTAL DO PACIENTE............................................................................17 3.2 SÍNDROME RESPIRATÓRIA AGUDA GRAVE (SRAG/SARA).............................20 3.3 VENTILAÇÃO MECÂNICA E INTUBAÇÃO OROTRAQUEAL............................21 4. NOVAS DEMANDAS E DESAFIOS PARA A PSICOLOGIA.....................................24 4.1 Limitação da comunicação verbal...................................................................................27 4.2 Atendimento de familiares e visitas virtuais..................................................................28 5 CONSIDERAÇÕES FINAIS..............................................................................................31 REFERENCIAS......................................................................................................................32 15 1. INTRODUÇÃO No final de 2019 a OMG foi alertada sobre vários casos de pneumonia na cidade de Wuhan, na China, em decorrência da disseminação da nova cepa de coronavírus, o SARS CoV-2 (Síndrome Respiratória Aguda Grave 2) causador da Covid19, o qual ainda não havia sido identificado em seres humanos (OPAS, 2020). Cerca de três meses depois, o vírus já estava presente em quase todo o mundo, passando de emergência em saúde pública para pandemia. Em 2020, pesquisas já relatavam um aumento de vários problemas como medo, ansiedade, depressão, insônia, angústia traumática e suicídio (ENUMO; LINHARES, 2020; STEIN, 2020 apud, SOCORRO et al. 2020).Os resultados de estudos com a população da China demonstraram maior índice de ansiedade, depressão, uso nocivo de álcool e menor bem-estar mental do que os usuais. Ademais, pacientes com confirmação ou suspeita da COVID-19 podem vir a sentir medo das consequências da infecção, por sua alta letalidade, enquanto aqueles que estão em quarentena podem sentir tédio, solidão e raiva (DUARTE et al., 2020). Como forma não farmacológica de impedir a disseminação da contaminação da população, foi determinado o isolamento e distanciamento social, já que ainda não havia tratamento comprovadamente eficaz, tampouco vacina. Por conta disso, novas demandas foram endereçadas à Psicologia em contexto hospitalar, considerando que muitos pacientes críticos na UTI tiveram que ser submetidos à intubação orotraqueal, a qual era realizada geralmente em pacientes inconscientes ou sedados. De acordo com pesquisa realizada, o percentual de mortes entre os pacientes que utilizaram a ventilação mecânica no Brasil é extremamente alto, sendo a média de cerca de 80% de fevereiro a dezembro de 2020, ou seja, de cada 10 pacientes 8 evoluíram para o óbito, enquanto a média mundial era de 50%. A discrepância entre as médias está ligada à falta de protocolo nacional unificado e a utilização de pessoal sem o devido treinamento (PASSARINHO, 2022). A realidade poderia ter sido diferente, se houvesse uma administração a nível nacional eficiente que gerisse a crise sanitária, investisse na divulgação das informações corretas, sem propagar práticas anticientíficas. Sendo assim, a Covid19 trouxe contextos insólitos que apresentaram novos desafios para prática da (o) profissional psicóloga (o) atuante na saúde, exigindo dela (e) uma visão panorâmica do que ocorre em torno da pessoa, de sua doença e das especificidades do processo de intubação. O papel da psicologia em tempos de pandemia é fundamental, de forma que os profissionais da área hospitalar necessitam capacitar-se para lidar com as demandas emergentes, criando estratégias criativas e efetivas no combate ao adoecimento mental, auxiliando no enfrentamento da crise pela população em geral (VIEIRA et al., 2021). Nesse sentido, a (o) psicóloga (o) torna-se imprescindível dado que pode auxiliar no processo de internação, sensibilizando a equipe para aspectos psicossociais que impossibilitam a comunicação com o paciente, a fim de facilitar o envolvimento em seu tratamento, reabilitação e acolhimento da família (FISCHER et al., 2020). Para Simonetti (2004, p. 15) a Psicologia Hospitalar “é o campo de entendimento e tratamento dos aspectos psicológicos relacionados ao adoecer”. Nos últimos anos é uma das áreas que mais tem crescido, o que se pode verificar pelo número de procura por estágios na área, pelo número de psicólogos hospitalares, aumento de congressos e jornadas, publicação de livros periódicos, defesas de dissertações e teses sobre o tema, cursos de especialização, além de programas de residência em equipes multiprofissionais e regulamentação do título de especialista em Psicologia Hospitalar pelo CRP em 2.000 (SILVA, 2006). Traçando um breve histórico, em 1818 foram inseridas as atividades psicológicas no âmbito hospitalar em Massachusetts, onde estava incluído o psicólogo na equipe multiprofissional. Já no Brasil, os serviços referentes à saúde mental tiveram início a partir dos anos 30, ligados a hospitais psiquiátricos buscando alternativas a esse tipo de internação. Por sua vez, o psicólogo ao encontro da Psiquiatria, inaugura o trabalho clínico em instituições de saúde. A partir da década de 50, ocorre a inserção do psicólogo nos hospitais do Brasil com a pioneira Matilde Neder no Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo- USP (QUEIROZ; PEREIRA; SANTANA apud MOSIMANN; LUSTOSA, 2011, p. 4). O mercado de trabalho estava repleto de profissionais liberais e o modelo da clínica privada já não se mostrava suficiente, de forma que dentre as buscas por outras áreas de atuação, estavam as necessidades relacionadas à Psicologia na esfera hospitalar, atividades mais focadas no funcionamento da própria instituição, onde o trabalho consistia em criar serviços, investigando suas necessidades, qualificando-a e estabelecendo seus objetivos (SCHNEIDER; MOREIRA, 2017). Posteriormente, novos espaços foram abertos, permitindo que o saber psi contribuísse no cuidado da saúde, a qual segundo a Organização Mundial de Saúde - OMS pode ser definida como o mais completo bem-estar físico, mental e social e não apenas a ausência de doença (MEIRA; SPADONI, 2012). Já no que se refere à atuação do psicólogo nas unidades de terapia intensiva, pode-se dizer que a obrigatoriedade do profissional nesse contexto, surge a partir de 2005 após publicação da Portaria do Ministério da Saúde nº. 1.071/2005 a qual exige psicólogo disponível para a unidade. Em 2005, novo campo se abre após a instituição dos programas de Residência Multiprofissional com a Lei nº. 11.129/2005, com o objetivo de formar profissionais de diversas áreas que estão relacionados à instituição, propiciando o ingresso de variados conhecimentos, “visando ampliar a perspectiva do olhar das ciências da saúde sobre o sujeito adoecido” (SILVA; NOVAIS; ROSA, 2019). A Resolução nº. 7/2010 do Ministério da Saúde definiu a unidade de terapia intensiva como “área crítica destinada à internação de pacientes graves, que requerem atenção profissional especializada de forma contínua, materiais específicos e tecnologias necessárias ao diagnóstico, monitorização e terapia”, sendo classificadas pelo tipo de paciente. De acordo com Procópio e Carvalho (2021) a equipe intensivista possui caráter multidisciplinar, sendo de concordância dos profissionais que na UTI os cuidados com a saúde devem ser multidisciplinares também, os de ordem física, psicológica, bem como social. Nos termos do dispositivo acima mencionado, a atuação do psicólogo nesse contexto é garantida no art. 18, por meios próprios ou terceirizados, dentre outros serviços na beira do leito da UTI, sendo entendida como assistência psicológica. Importante destacar que, segundo Coppe e Miranda (1998, apud MEIRA; SPADONI, 2012) por conta do abandono e interrupção dos relacionamentos afetivos, emocionais, sociais e profissionais, há um maior desenvolvimento do sofrimento e da modificação da condição nervosa do paciente hospitalizado. Nesse sentido, o eixo principal do fazer psicológico no ambiente hospitalar é minimizar o sofrimento psicoemocional (ANGERAMI, 1998 apud SILVA; NOVAIS; ROSA, 2019). Dessa forma, a pergunta-problema que conduziu a pesquisa é: Como se dá a atuação do psicólogo na intubação orotraqueal de paciente Covid19? Portanto, o objetivo geral da presente pesquisa consistiu em analisar a atuação do psicólogo junto ao paciente Covid19 crítico com necessidade de intubação orotraqueal. No que se refere aos objetivos específicos, buscou-se primeiramente verificar estratégias e técnicas utilizadas com vistas a subsidiar a atuação do psicólogo junto ao paciente Covid19 com necessidade de suporte ventilatório; em segundo, identificar os principais aspectos emocionais desses pacientes nas fases de intubação; e demonstrar as dificuldades encontradas pelos profissionais. 2 metodologia O presente artigo é resultado de um estudo fundamentado em uma revisão da literatura nacional técnico-científica, o qual discute o papel da Psicologia na cena da intubação orotraqueal, utilizando-se as palavras-chave: “Covid19”, “Psicologia Hospitalar” e “Intubação”, nas bases de dados Scielo, Pepsic, BVS e LILACS, nas quais foram utilizadas diversas combinações de termos relacionados à presente temática. Ademais, complementou-se a pesquisa com livros nacionais sobre Psicologia Hospitalar, ventilação mecânica e seus aspectos psicológicos, além de buscas em outros repositórios de dados. Estudos centrados na importância da Psicologia Hospitalar no acompanhamento de casos críticos de Covid19 durante a pandemia foram incluídos. Considerando que esse estudo foi uma revisão bibliográfica,não há a exigência de aprovação do Comitê de Ética. Com o objetivo de analisar e selecionar os artigos a serem revisados, seus títulos foram avaliados por meio de busca nas plataformas pertinentes de maneira eletrônica, analisando-se os seus resumos. Posteriormente, os artigos selecionados foram lidos na íntegra, a fim de se confirmar o atendimento dos critérios ou sua exclusão. Os textos considerados pertinentes ao assunto foram lidos integralmente, a fim de se excluir os artigos considerados como fora dos critérios estabelecidos para sua inclusão. Encontrou-se 23 artigos relacionados à atuação da (o) psicóloga (o) junto ao paciente Covid19, além de 3 artigos cujo tema tratava do exercício profissional e proposta de protocolo especificamente na fase de desmame ventilatório do paciente Covid19, em relatos de caso, ensaios clínicos ou artigos de revisão. Considerando os critérios de inclusão, restringiu-se a data de publicação entre 2012 e 2022 em busca realizada no período de janeiro a setembro de 2022, com o intuito de sistematizar o conhecimento sobre presença e a necessidade do profissional psicólogo no âmbito hospitalar na intubação orotraqueal de pacientes Covid19, de forma que serão apresentados os resultados sobre o impacto da intubação orotraqueal na saúde mental desses pacientes, bem como desafios e estratégias para superá-la. 3 RESULTADOS E DISCUSSÃO Nas linhas abaixo o texto foi dividido em tópicos para maior compreensão do leitor, sendo estes: 1. A SAÚDE MENTAL DO PACIENTE E A ATUAÇÃO DO PSICÓLOGO NA UTI; 2. SÍNDROME RESPIRATÓRIA AGUDA GRAVE (SRAG/SARA); 3. VENTILAÇÃO MECÂNICA E INTUBAÇÃO OROTRAQUEAL; 4. NOVAS DEMANDAS PARA A PSICOLOGIA HOSPITALAR DURANTE A PANDEMIA DE COVID19; 4.1 Limitação da comunicação verbal 4.2 Atendimento de familiares e visitas virtuais. 3.1 A SAÚDE MENTAL DO PACIENTE E A ATUAÇÃO DO PSICÓLOGO NA UTI A Unidade de Terapia Intensiva (UTI) é definida pela Resolução nº. 2.271/2020 do Conselho Federal de Medicina, como o ambiente hospitalar com sistema organizado para oferecer suporte vital de alta complexidade, com múltiplas modalidades de monitorização e suporte orgânico avançados para manter a vida durante condições clínicas de gravidade extrema e risco de morte por insuficiência orgânica, 24 horas por dia, contando com equipe multidisciplinar especializada. Dessa forma, os pacientes direcionados às Unidades de Terapia Intensiva encontram-se em estado crítico, exigindo cuidados especializados, incluindo-se suporte tecnológico, “até que a patologia que motivou a internação seja compensada, ou que seus parâmetros fisiológicos atinjam níveis aceitáveis” (PREGNOLATTO; AGOSTINHO, 2014 apud ORTIZ; GIGUER; GRZYBOWSKI, 2016, p. 43). Para Simonetti (2016, p.154) “as características da UTI favorecem o surgimento de sintomas psicopatológicos”. Ao ser submetido ao tratamento voltado diretamente ao organismo doente, a própria internação na unidade de terapia intensiva poderá gerar estressores para o paciente, considerando o isolamento por ele vivenciado, longe dos ambientes que lhe trazem segurança. Haja vista o avanço da medicina, atualmente um número maior de pacientes tem possibilidade de sobreviver a doenças graves, traumas e internações, especialmente em unidades de terapia intensiva (UTI). Ocorre que, nesse contexto, além do sofrimento desencadeado pelo que motivou a internação do paciente, sua permanência na UTI pode estar associada a estressores físicos e psicológicos, de forma que há uma preocupação com o impacto na qualidade de vida desses pacientes e familiares decorrente desses estressores, fato que levou à realização de pesquisas sobre o tema (MIYAZAKI et al., 2016). O profissional deve atuar fornecendo o suporte psicoterapêutico necessário, diante da possibilidade de desenvolvimento de transtornos psicológicos, que pode ou não estar relacionado ao processo do adoecimento e internação na UTI, senão vejamos: A atuação do psicólogo na UTI se deve ao suporte psicoterapêutico que o paciente necessita em virtude da possibilidade de apresentar uma série de transtornos/distúrbios psicológicos, relacionados ou não ao processo do adoecimento e da internação na UTI. O psicólogo permite, dessa forma, que o paciente tenha uma expressão livre de seus sentimentos, medos e desejos, proporcionando-lhe uma elaboração do processo do adoecimento. Lidar com o sofrimento, com a dor, com a mudança de comportamento decorrente de tratamentos invasivos e com as intervenções que aumentam a sobrevida constitui um exemplo de situação que requer orientação da Psicologia Intensiva (GUSMÃO, 2012 apud SCNHEIDER; MOREIRA, 2017, p. 1.228). (grifamos) No que diz respeito ao paciente, estudos têm relacionado a internação em UTI ao sofrimento psicológico, inclusive “com prejuízos na qualidade de vida, delirium, sintomas de ansiedade, depressão e transtorno de estresse agudo e pós-traumático” (MIYAZAKI et al., 2016, p.811). Assim sendo, o transtorno de estresse agudo pode ser definido de acordo com o DSM-V (2014, p. 281) como o desenvolvimento de uma ansiedade característica, sintomas dissociativos e outros, que ocorrem dentro de 1 mês após a exposição a um estressor traumático extremo. Importante destacar que o referido estressor envolve morte ou ameaça à integridade física própria ou de outros, sentimento de impotência e intenso medo. Cumpre ressaltar que há diferença entre o transtorno de estresse agudo e transtorno de estresse pós-traumático (TEPT), tendo em vista que no primeiro o padrão sintomático ocorre dentro de um mês depois do evento traumático e cede dentro do período daquele mês, de forma que se os sintomas persistirem por mais de um mês e satisfizerem os critérios de TEPT, o diagnóstico muda de transtorno de estresse agudo para TEPT (DSM-V, p. 286). (grifos nossos). O delirium, por sua vez, tem como característica principal, uma perturbação da atenção e da consciência, se desenvolvendo em um breve período com um curso flutuante e agravamento vespertino com alteração aguda do estado mental, caracterizada por déficit de atenção, alteração do estado de consciência e da cognição. A prevalência quando as pessoas são admitidas em hospitais pode variar de 14 a 24%, estimando-se o aparecimento dessa condição durante a hospitalização variando de 6 a 56% em populações hospitalares em geral (DSM-V, p. 599-600; ALMEIDA et al., 2021; ROMANO, 2017). De acordo com dados obtidos por Miyazaki et al. (2016), calcula-se que 5 a 64% dos pacientes internados em UTI desenvolvem TEPT ou sintomas do transtorno. A autora afirma ainda que a prevalência, quando se trata de delirium, é entre 28 e 73% em pacientes de UTI. Outro dado importante, é que a prevalência de delirium quando se trata de paciente com necessidade de ventilação mecânica, cerca de 80% poderão apresentar delirium. (grifamos) Perante o exposto, verifica-se que a internação pode ocasionar sofrimento psicológico ao paciente, o qual pode apresentar ansiedade, delirium, TEPT, depressão, de modo que se deve utilizar estratégias de prevenção e monitorar os pacientes para fornecer o atendimento adequado. No que tange aos fatores que podem aumentar a vulnerabilidade para o sofrimento psicológico, para os transtornos mentais e acarretar a redução da qualidade de vida, pode-se dividi-los em pré-internação, internação, pós-internação e resultados (MIYAZAKI, 2016, p. 812). Faz-se necessário mencionar que após a internação, um número de pacientes mantém sintomas persistentes, podendo apresentar transtornos mentais, até vários anos após a alta, de modo que os sintomas devem ser verificados para o seu correto atendimento e resolução (MIYAZAKI, 2016) (grifos nossos). Já no caso de pacientes que receberam a intervenção psicológica (psicoeducação, aconselhamento, treino para o tratamento do estresse, apoio e ensino de estratégias de enfrentamento na UTI o grupo apresentou risco menor de desenvolver TEPT, menos sintomas, bem como redução da ansiedade e da depressão, conforme estudo realizado (PERIS et al., 2020 apud MIYAZAKI, 2016; MIYAZAKI,2016). Segundo Romano (2017) deve-se buscar a causa dos sintomas e o tratamento deve estar fundamentado em avaliação da ansiedade, depressão e delírio. Ademais, a intervenção precoce infere positivamente no prognóstico (RAMSAY, 1990; PERIS et al., 2011 apud ROMANO, 2017). Segundo Schneider e Moreira (2017) na UTI as intervenções psicológicas mais utilizadas podem ser de apoio, orientação ou psicoterapia, as quais podem ser realizadas com o paciente, família, equipe de saúde, sempre em benefício do paciente. Acolhimento, aconselhamento, apoio emocional, clarificação, estratégias de enfrentamento, escuta ativa, orientação, psicoeducação, treino para manejo do estresse, são estratégias úteis para auxiliar os psicólogos na UTI (MIYAZAKI, 2016, p. 815). Dentre as atividades rotineiras das psicólogas no CTI COVID destacadas por Zanini et al. (2021) estão além do atendimento aos pacientes no leito, o atendimento remoto a familiares, visitas virtuais e presenciais. Nessa trilha, o principal desafio do trabalho do psicólogo, para Ortiz, Giguer e Grzybowski (2016) tem sido fundamentar e desenvolver técnicas de intervenção psicológica que possam atender às demandas específicas desses ambientes hospitalares dos pacientes em condições especiais. Dentre as funções do psicólogo na UTI, Schneider e Moreira (2017) afirmam que o profissional necessita utilizar de técnicas de maneira diferente daquelas da clínica convencional, buscando diminuir a angústia e a ansiedade, auxiliando o paciente a aumentar seu conhecimento acerca de sua condição psíquica e a enfrentar a sua atual situação de vida. 3.2 SÍNDROME RESPIRATÓRIA AGUDA GRAVE (SRAG/SARA) Em março de 2020 a Organização Mundial de Saúde definiu como pandemia o surto de coronavírus da síndrome respiratória aguda grave 2 (SARS-CoV-2), o qual deu início a um surto de pneumonia viral grave no final de 2019 em Wuhan, na China, e após três meses o vírus foi disseminado por todo o mundo, “após 3 meses, países em todos os continentes, exceto a Antártida, tinham registros de casos” (TOMAZINI et al., 2020, p. 354-355). No Brasil, a liderança a nível nacional subestimou a crise, desaprovou medidas de isolamento e distanciamento defendidas pelos órgãos técnicos responsáveis, minimizou o problema e aderiu a práticas anticientíficas para o seu enfrentamento. “Esse fracasso na resposta à pandemia é frustrante porque poderia ter sido evitado” (THE LANCET, 2020; FERIGATO et al., 2020 apud FREITAS; BARCELLOS; VILLELA, p. 33). Como é sabido, a síndrome respiratória aguda grave, também conhecida como SRAG, é causada por coronavírus (Sars-CoV), sendo altamente transmissível, de forma que no contexto supracitado, considerando a ausência de contenção estratégica efetiva, “a infecção logo se espalhou por todo o país” (FREITAS, BARCELLOS,VILLELA, p. 33). É uma síndrome clínica comum, grave, podendo ser caracterizada por lesão pulmonar aguda, afetando pacientes clínicos, cirúrgicos, adultos ou crianças (WARE, 2003 apud GALHARDO; MARTINEZ, 2003). Esse quadro de insuficiência respiratória aguda se dá em consequência de uma resposta inflamatória pulmonar, por agentes agressores diversos, estando relacionado à dificuldade ventilatória e consequente piora na oxigenação e troca gasosa alveolar (DANTAS et al., 2020). Dados sugerem que 5% das pessoas irão desenvolver insuficiência respiratória, enquanto o índice entre pacientes hospitalizados é de que até 40% poderão desenvolvê-la, podendo ser considerada importante causa de morte neste contexto (TOMAZINI et al., 2020). Diante da SRAG, os pacientes podem vir a necessitar de ventilação mecânica, o que pode prolongar sua permanência no hospital, podendo acarretar a ocorrência da síndrome Pós UTI[footnoteRef:5]. Segundo Simonetti (2016 apud SEBASTIANI, 2001) o atendimento psicológico na UTI pode oferecer a estimulação visual e psíquica necessária para a prevenção da referida síndrome. [5: Não há consenso quanto sua definição, mas pode-se dizer que acarreta perda de uma função totalmente preservada antes da internação ou piora de quadro existente (MIKKELSEN et al., 2020 apud COELHO et al., 2022). ] Já existem estudos sobre a existência de síndrome Pós-Covid19, a qual apresenta-se com a manifestação de um ou mais sintomas persistentes após o adoecimento por SARS-CoV-2, dentre eles a cefaleia, fadiga, dispneia, paresias, alterações de humor, depressão, ansiedade, transtorno de estresse pós-traumático, alterações de humor e ansiedade, de forma que se torna necessário o acompanhamento após a alta hospitalar, não só pelo médico como também pelo psicólogo (OLIVEIRA et al., 2022; GOMES et al., 2022; SOBRINHO, 2022). 3.3 VENTILAÇÃO MECÂNICA E INTUBAÇÃO OROTRAQUEAL A Psicologia no contexto hospitalar ganhou maior notoriedade por conta da Covid19 e muito se falava de intubação nos meios de comunicação. Ao acompanhar más notícias sobre a Covid19 na mídia, o medo e a ansiedade foram claramente percebidos como presentes em grande parte da população (VIEIRA et al., 2020). A ventilação mecânica trata-se de importante recurso, o qual é muito utilizado nas UTI´s, substituindo a atividade ventilatória do paciente, otimizando as trocas gasosas e melhorando seu estado clínico de baixa saturação de oxigênio[footnoteRef:6] (ECKERT et al., 2005; CHADA; NOGEL; SCHMIDT, 2008 apud BARROS 2016). [6: Significa dizer que os níveis de oxigênio no sangue estão abaixo do normal. A Covid19 provoca a redução desses níveis.] A intubação orotraqueal (IOT) visa a colocação de um tubo dentro da traqueia, por meio da via oral ou nasal, para salvar pacientes críticos, sendo realizado em situações em que há prejuízos na permeabilidade das vias aéreas. Dessa forma, como outros procedimentos, podem ocorrer complicações e riscos, os quais podem ser evitados se for executada da maneira correta. (YAMANAKA et al., 2010; MATUMOTO, 2007). Esse suporte ventilatório invasivo é indicado quando o paciente (por conta de angústia respiratória pode evoluir para falência) não é capaz de manter as trocas gasosas adequadamente, de maneira que o procedimento irá permitir a manutenção destas (CHEREGATTI; AMORIM, 2010). Pacientes que necessitam de intubação ou ventilação mecânica podem perder o controle da comunicação, ter medo da morte, sentem-se sufocados, privados do sono, vulneráveis e solitários (ROMANO, 2017). O procedimento de intubação orotraqueal é comum nas unidades de terapia intensiva, sendo essencial para a manutenção da vida. No entanto, até então era realizado em pacientes sedados ou inconscientes (com exceção de algumas doenças como a fibrose cística), ou seja, no caso de Covid19 o paciente participa ativamente do processo, o que causa preocupações, angústias, medo de morrer, de não voltar a estar com os seus familiares, do isolamento. Nesses casos, as pessoas são avisadas sobre o procedimento, sendo fundamental a explicação do que acontecerá. Tal fato aliado ao percentual de mortes de pacientes submetidos à ventilação mecânica no Brasil ter sido extremamente alto, provocou o recebimento da notícia da necessidade da realização da IOT, pelo paciente e familiares, como uma sentença de morte. Para Romano (2017, p. 101) a respiração insatisfatória provoca ansiedade, de modo que a ventilação mecânica, no entendimento da autora, por si só “já é provocadora de ansiedade”. Com o objetivo de esclarecer as etapas de realização da IOT, informamos que ela possui cinco fases, a saber: pré-intubação, intubação, paciente intubado, desmame e pós extubação (SIMONETTI et al., 2022). Em cada uma dessas fases existem aspectos que necessitam de intervenções e estratégias adequadas, citadas no quadro 1. FASE DA IOT Aspectos principais Estratégias e técnicas PRÉ Ansiedade antecipatória, preocupações e isolamento. Acolhimento, escuta, validação e orientação INTUBAÇÃO Medo de morrer, ansiedade Acolhimento, escuta validação, orientação, manejo da agitação e diluição da ansiedade. PACIENTE INTUBADO Inconsciente Acolhimento e atendimento familiar, além de cuidados com a privacidade dopaciente. DESMAME Desorientação, confusão mental (delirium/agitação) Orientação e diluição da ansiedade. PÓS EXTUBAÇÃO Memória ilusória, déficits cognitivos, ansiedade pós trauma, depressão, alegria pela superação. Acolhimento, escuta, acompanhamento, validação, catarse e encaminhamentos se necessário. Quadro 1: Aspectos Emocionais nas Fases de IOT e Principais Estratégias e Técnicas Fonte: SIMONETTI et al., 2022. Comment by Anita Moraes: obrigada Pro! Nossa presença sem uma ação padronizada é um diferencial nesse momento delicado onde o paciente está só. As necessidades surgem e nós devemos ter sensibilidade e condições de nos conectarmos com o paciente, estabelecendo a comunicação, ainda que não verbal. Neste caso, o importante é estar junto, ainda que em silêncio. Isto é, na intubação deve haver o raciocínio clínico ou pensamento estratégico, ou seja, a devida observação e avaliação da condição psíquica do paciente, refletindo sobre o que se pode fazer em seu benefício, como por exemplo, verificar o prontuário ou falar com a equipe para conhecermos a sua história, a partir de então, pensar sobre um atendimento personalizado. Por consequência, poderemos verificar, dentre outras questões importantes, quais são as necessidades do paciente, seus medos, angústias, se necessita de palavras ou de silêncio (SIMONETTI et al., 2022) Nesse ínterim, deve-se ter como prioridade a descontinuação do suporte ventilatório mecânico, com a remoção da via aérea artificial, assim que possível, com vistas a impedir a ocorrência de maiores riscos (CAROLEO et al., 2007; MACINTYRE, 2003 apud ARRUDA, 2019). Como se pode observar do que foi exposto, na UTI são tratados pacientes críticos, ou seja, aqueles que necessitam de cuidados 24 horas por dia, incluindo suporte tecnológico, até que seu sistema orgânico seja restabelecido, cuja internação poderá acarretar estressores tanto para eles quanto para os familiares, mais especificamente no que se refere à intubação orotraqueal, exigindo estratégias e intervenções adequadas. Em síntese, nosso papel não é apenas o de considerar a doença, mas também os aspectos relacionados a ela, olhando para o paciente de uma maneira sistêmica. 4. NOVAS DEMANDAS E DESAFIOS PARA A PSICOLOGIA HOSPITALAR DURANTE A PANDEMIA DE COVID19 A pandemia provocou medo não só de contrair a doença, trouxe também a insegurança nas mais diversas áreas da vida, alterando o funcionamento da própria sociedade e das relações interpessoais. Tal fato, aliado a forma de controle de proliferação do vírus por meio de isolamento social, ocasionou impactos na saúde mental da população mundial. De acordo com dados da OMS, no primeiro ano da pandemia de COVID-19, a prevalência global de ansiedade e depressão aumentou em 25%, conforme dados publicados em 02 de março de 2022. Como estressores que podem levar à ansiedade e depressão, foram citados: solidão, medo de se infectar, sofrimento e morte de entes queridos, luto e preocupações financeiras. Destacou-se ainda que, entre os profissionais de saúde, a exaustão tem sido um importante gatilho para o pensamento suicida (OPAS, 2022). O isolamento social é uma forma de separar as pessoas já infectadas daquelas assintomáticas, sendo uma das principais consequências do afastamento das pessoas, haja vista que o distanciamento entre paciente-familiares é reflexo das recomendações de saúde para controle da disseminação do vírus e o número de infectados (DUARTE et al., 2020). O isolamento pode ser destacado como um dos fatores prenunciadores de sofrimento de ordem psicológica. Nesse entendimento, em um recente estudo sobre os impactos psicológicos em participantes de dez países, os quais foram submetidos ao isolamento em decorrência de exposição aos vírus como Ebola, Influenza H1N1, Severe Acute Respiratory Syndrome (Síndrome Respiratória Aguda Grave - SARS) e Middle East Respiratory Syndrome (Síndrome Respiratória do Oriente Médio, MERS), foram verificados os seguintes preditores, além de histórico de transtorno psiquiátrico prévio e ser profissional de saúde: Outros fatores observados como antecessores de maior sofrimento mental foram a duração do período de isolamento social por mais de dez dias, medo de ser infectado ou infectar outras pessoas, frustração, tédio, falta de suprimentos e informações inadequadas sobre a doença (Brooks et al., 2020). Alguns desses indicadores foram atrelados a um maior número de sintomas de Transtorno de Estresse Pós-Traumático (TEPT), transtornos de ansiedade e afetos negativos após o final do isolamento social. Desta forma, as perdas financeiras e os estigmas, bem como outras condições adversas ocasionadas pelo isolamento social, foram identificadas como fatores de risco quanto ao desenvolvimento de transtornos mentais e de afetos negativos prolongados (MAGALHÃES; GARCIA, 2021, p. 25). Nessa conjuntura, o isolamento afetou a vivência da terminalidade e da morte, haja vista que prejudica a participação da família e amigos nos cuidados e nos rituais de despedida (LOPES et al., 2021). De acordo com relatos contidos nos artigos estudados, verificamos a necessidade de se adequar as técnicas e estratégias às demandas que se apresentaram na pandemia, tendo em vista que houve uma alteração significativa na dinâmica não só dos hospitais, como de toda a sociedade, senão vejamos: Os profissionais da instituição constataram a necessidade de atendimento de familiares; aproximação do paciente e seus familiares; e a importância dos rituais de despedida no processo de luto de familiares, nos casos de pacientes que estavam em processo ativo de morte. A partir disso, os atendimentos de familiares passaram a ocorrer principalmente por meio de teleatendimento, já que os pacientes idosos não podiam ter mais acompanhantes; o contato entre paciente e familiares ocorreu por meio de videochamadas (o paciente não podia ficar com o próprio celular durante a internação em decorrência de norma da instituição); e ocorreram visitas presenciais, assistidas pelos psicólogos, de familiares mais próximos nos casos de pacientes em fim de vida. Os familiares foram paramentados com avental, touca, máscara cirúrgica descartável e face shield para realizar a visita presencial. (KUYBIDA, W.; KLAINE, G. J., KUROGI, L. T., 2021, p. 5). Comment by Anita Moraes: não achei a revista. Só o artigo e não tem numeração. Acompanhei o número de página do pdf Qual é o papel da Psicologia nesse momento? A psicologia hospitalar vem para auxiliar o sujeito a realizar sua travessia de adoecimento, podendo ser realizada de diversas maneiras, perseguindo objetivos diferentes, com foco em diversos aspectos e utilizando-se de variados recursos teóricos e técnicos (SIMONETTI, 2004 apud SIMONETTI, 2015, p. 14). No contexto hospitalar, enquanto estratégias podemos citar a entrevista, associação livre, escuta, silêncio, interpretação e o manejo. O manejo no hospital envolve uma ação concreta diante do adoecimento do paciente, como bem exemplifica o Professor Simonetti, “desde fechar uma janela na suspeita de um risco de suicídio, até se intrometer nas questões administrativas do hospital em prol do paciente, passando por ajeitar o travesseiro para o paciente ficar mais confortável” (2015, p. 172), ou seja, a humanização do ambiente físico e das ações realizadas, sejam administrativas ou operacionais (ROMANO, 2017). Assim sendo, a estratégia terapêutica da Psicologia no contexto hospitalar é um plano de ação, um modo de pensar que irá orientar nosso fazer terapêutico, apontar a direção do tratamento e mostrando o rumo do atendimento psicológico e encaminhamento, enquanto a técnica se refere à própria ação, situações concretas, ou seja, a maneira como o profissional executa suas intervenções e maneja situações no hospital (SIMONETTI, 2016). À vista disso, para Simonetti (2016) dentre as estratégias básicas que devem ser adequadas a cada situação, estão “escutar, escutar, escutar e fazer falar” de modo que a angústia possa ser dissolvida. Por sua vez, as técnicas utilizadas para o fazerfalar são a associação livre, entrevista e o silêncio. De acordo com estudo de Dantas et al. (2020) os principais desafios e contribuições dos profissionais, dentre eles o psicólogo, no tratamento intensivo de pacientes com COVID-19, podem ser destacados: comunicação diagnóstica, indicação de isolamento e impossibilidade de visita, despersonalização, agravamento de transtornos pré-existentes como desafios presentes e contribuições como: protocolo SPIKES[footnoteRef:7], protocolo de visitação virtual, valorização da subjetividade e singularidade e suporte psicológico e psiquiátrico. [7: O protocolo Spikes refere-se à estratégia de seis passos para comunicar más notícias, com a finalidade de facilitar o diálogo com o paciente e que busca reduzir o impacto emocional de um possível diagnóstico, tornando sua comunicação a menos desconfortável possível.] Sobre o assunto, Zanini et al. (2021) considera que um dos maiores desafios dos profissionais de saúde na pandemia foi cumprir a recomendação do distanciamento social concomitante à manutenção da Política de Humanização da Assistência, destacando os CTI´s (Centros de Terapia Intensiva), em que são essenciais o acolhimento e a comunicação, tanto para pacientes quanto para a família e os profissionais (LUIZ; CAREGNATO; COSTA, 2017 apud ZANINI et al., 2021). As autoras prosseguem, ressaltando que naquele momento era fundamental, dentre outras medidas, preservar o relacionamento com seus entes queridos e permitir o apoio no processo de luto (LISSONI et al., 2020 apud ZANINI, 2021). Devemos considerar ainda, dificuldades operacionais é éticas, tendo em vista que o sistema de saúde não possuía oferta imediata de aparelhos para comunicação para adaptar atendimentos, bem como não havia muitos locais com privacidade suficiente para garantir o sigilo no atendimento online, como também dificuldades relacionadas ao manuseio dos aparelhos para o atendimento ou a internet insuficiente prejudicando a qualidade desse atendimento (VIEIRA et, 2020). Ademais, é notório que a pandemia levou profissionais à exaustão e muitas vezes, o próprio profissional que trabalha com o cuidar, não é cuidado. Por isso, destacamos aqui, a dificuldade em estar exposto à contaminação de si próprio e da família, as angústias, as ansiedades, sobrecarga de trabalho, ainda assim se apresentar prontamente bem para ouvir e atender às demandas de sofrimento do outro (VIEIRA, 2020). 4.1 Limitação da comunicação verbal Na UTI, a depender da evolução clínica, certos pacientes podem recobrar rapidamente o comprometimento sistêmico, outros podem ir a óbito, porém, é certo que parte deles permanecerão um longo tempo na internação, sendo submetidos a intervenções para resolução do problema orgânico, o que poderá resultar dentre outros prejuízos, a limitação da fala (BARROS; PORTAS; QUEIJA, 2009 apud ORTIZ et al., 2016). Poucas experiências são tão ansiogênicas quanto a dificuldade de respirar (ROMANO, 2017). Nas fases de intubação orotraqueal, pelos motivos explicitados acima, o paciente poderá se encontrar com a fala comprometida, e se a estratégia terapêutica da Psicologia no contexto hospitalar é “levar o paciente rumo à palavra" (SIMONETTI, 2016, p. 115), então como podemos intervir? Apesar da limitação para a comunicação verbal, são desenvolvidas estratégias para estabelecer o contato e comunicar-se com o paciente. Nesse sentido, há situações em que o profissional de Psicologia deve atuar facilitando a comunicação entre pacientes, equipe e família (FIUZA, 2010). No que se refere a pacientes críticos com prejuízos na comunicação verbal, o profissional deve ser flexível ao desenvolver suas práticas profissionais, tendo em vista que “a técnica centrada exclusivamente na fala e na escuta torna-se obsoleta e sem efetividade” (FILGUEIRAS, 2010, apud ORTIZ; GIGUER; GRZYBOWSKI, 2016 ). O profissional deve vencer o desafio por meio da linguagem não verbal, criando e inventando novas formas (SIMONETTI, 2016). A restrição na comunicação prejudica a capacidade da pessoa de expressar suas dificuldades, necessidades, sentimentos, dores e vontades, e em consequência também há prejuízos em sua autonomia nesse momento de sua vida (GUSMÃO, 2012). Nesses casos, onde há a dificuldade na fala, há prejuízos no cuidar, apresentando novos desafios à Psicologia, para que se possa favorecer a comunicação. Diante desses desafios, há a necessidade de técnicas e adaptações para o atendimento psicológico quando a fala se encontra prejudicada, como escrever bilhetes, comunicação gestual, pequenos toques, a lousa mágica, cartões e lâminas de comunicação devem fazer parte de um kit de atendimento, devendo estar sempre à mão do profissional, tendo em, vista que a demanda psicológica pode ocorrer a qualquer momento (SIMONETTI, 2016, p. 155; ALMEIDA, 2014, p. 42; SIMONETTI et al., 2022). As abordagens psicoterapêuticas tradicionais no contexto hospitalar podem ser inviáveis, daí a necessidade de adaptação de recursos já conhecidos, a fim de permitir o atendimento, considerando a condição que o indivíduo se encontra (NIGRO, 2004, apud ALMEIDA JUNIOR, 2014). Portanto, como ensina Simonetti (2016, p. 155) “então, se o paciente não fala, o psicólogo fala para ele”. 4.2 Atendimento de familiares e visitas virtuais Pode-se afirmar que quase todos os pacientes internados nas UTI´s encontravam-se intubados e sedados, ou seja, não apresentavam demandas frequentes de atendimento psicológico hospitalar in loco (VIEIRA et al., 2020). Conforme pesquisa realizada em hospital de urgência de Goiânia, uma das principais atribuições apontadas pelos entrevistados foi o contato com os familiares, visitantes e o próprio paciente. Nesse contexto, a figura do psicólogo foi percebida como uma figura de humanização e acalento, de acordo com respostas como a do participante cirurgião de “amenizar algumas dores e consequências que a doença traz para o paciente e seus familiares” (SILVA; NOVAIS; ROSA, 2019, p. 155). Fiuza (2010) ao discorrer sobre o cuidado global dos pacientes internados em UTI, afirma que o cuidado dos familiares é uma das partes mais importantes. A família possui um papel de fundamental importância na internação e recuperação do paciente. Quando há visitas ao paciente, o profissional pode acompanhar as famílias, inclusive auxiliando na comunicação, com vistas a promover o contato verbal e físico entre eles. Nessa perspectiva: O trabalho do psicólogo em propiciar espaços de encontro é fundamental para definir questões não resolvidas, agradecimentos, pedidos de perdão e partilha de momentos que encerram ciclos, observando a comunicação verbal e não verbal nesses rituais de despedida. Desta forma, cabe ao psicólogo, a mediação com a família, a fim de que a ligação e o vínculo emocional não sejam interrompidos, podendo ser utilizados objetos que confortem o paciente e fortaleçam o vínculo com sua rede de afeto e com a equipe (SANTI et al., 2020, p. 566). Dessa maneira, é importante destacarmos que a comunicação entre equipe-paciente deve ser realizada de maneira clara e compreensível aos familiares, permitindo sua assimilação. Quando há uma comunicação inadequada ou insuficiente, a família encontra dificuldades no processo de enfrentamento da hospitalização, o que aumenta o nível de ansiedade e insegurança em relação ao tratamento. O psicólogo facilita esse diálogo entre equipe-família e possibilita a humanização no atendimento. Nessa trilha: O psicólogo encontra-se neste ambiente também para intermediar as situações que acometem o doente, para garantir a qualidade da comunicação existente entre paciente, família e equipe, como também para auxiliar na promoção do ideal de humanização, zelando pelo bem-estar psíquico destes pacientes internados (ORTIZ; GIGUER; GRZYBOWSKI, 2016). É de extrema importância que os profissionais desenvolvam estratégias para se comunicar com a equipe, pois a falta de informação pode desencadear a ansiedade (MIYAZAKI, 2016). A base da assistência humanizada é a comunicação, ondea equipe é responsável por propiciar o diálogo aberto entre quem cuida e quem é cuidado, devendo estar disponível para fornecer informações sobre o paciente e seu estado de saúde, diminuindo assim a implicação da internação sobre a qualidade de vida da família, favorecendo o sentimento de controle da situação, além de promover a satisfação com o atendimento e minimizando a ansiedade da família (MIYAZAKI, 2016, p. 815-816). Considerando que a sedação e posterior intubação impedem o atendimento psicológico direto ao paciente, de acordo com Zanini et al. (2021) a prática mais rotineira da psicologia é o atendimento remoto aos familiares, por meio de acompanhamento psicológico, proporcionando escuta a demandas nesse contexto atípico, por meio de telefone. Após primeiros atendimentos, avaliação do desejo de continuidade do acompanhamento, a (o) profissional realiza escuta ativa e empática, identificando e fortalecendo estratégias de enfrentamento dos familiares. Diante da impossibilidade de visitas presenciais por conta do alto risco de contaminação, as chamadas de vídeo foram ferramentas essenciais durante a internação de pacientes COVID19, permitindo a presença da família virtualmente (Zanini et al., 2021), as quais foram realizadas primeiramente com os pacientes conscientes e após discussão entre a equipe e a pedido da família, as chamadas foram realizadas também com pacientes com pouca ou nenhuma interação. E os autores prosseguem: Em ambos os casos (paciente consciente ou não), a psicóloga avalia o desejo e as condições psicológicas dos familiares e/ou paciente para a intervenção. Durante a VV[footnoteRef:8], é incentivada a expressão verbal dos familiares, mesmo quando o paciente está inconsciente. É comum familiares solicitarem para a profissional tocar em seu ente querido, como um gesto representativo do afeto familiar. Assim, há possibilidade de maior participação e protagonismo dos familiares durante o tratamento. Neste momento, a psicóloga é percebida como uma extensão da família, que não pode estar presente (ZANINI et al., 2021, p. 51). Comment by Anita Moraes: visita virtual. Coloquei a nota de rodapé [8: Visita virtual.] Diante do estabelecimento do isolamento, como medida de combate a disseminação do vírus, o Serviço de Psicologia da Unidade de Emergência do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto - Universidade de São Paulo, teve seu papel construído como o de diminuir os efeitos do distanciamento por Meio de Tecnologias da Informação (TICs): ligações telefônicas, vídeo chamadas, redes sociais, celulares, bem como priorizou a escuta qualificada das demandas trazidas pelo familiar (FICHER, 2020) (grifamos). Medida similar foi adotada em outros Hospitais, como o de Fortaleza - Ceará, onde eram utilizadas videoconferências pela equipe técnica para falar com a família sobre quadro clínico, prognóstico e tirar dúvidas. Por sua vez a equipe de psicologia desse Hospital, entrava em contato por telefone apresentando o serviço de escuta ativa, acolhedora, realizando suporte emocional necessário (VIEIRA et al., 2020). Pacientes mantiveram contato com os familiares por meio de telefones celulares, tablets, quando podiam utilizá-los, tendo sido incentivado o contato entre pessoas na iminência da morte e seus familiares (ARANGO, 2020; INGRAVALLO, 2020 apud CREPALDI et al., 2020). Após a notícia da necessidade de intubação, é comum que o paciente peça para falar com a família. Esse contato pode ter o peso de uma despedida, então é uma oportunidade única, breve e importante para paciente e família. Nesses casos, fazemos a ponte entre equipe – família – paciente. Essa mediação não pode ser mecânica, requer atenção e cuidado da equipe. Isto posto, com auxílio da Psicologia novas estratégias para comunicação, visitas e até despedidas foram reinventadas, contribuindo para a participação ativa da família no tratamento. 5 CONSIDERAÇÕES FINAIS A pandemia ocasionou às (aos) profissionais psicólogas (os) uma nova forma de trabalhar no contexto hospitalar. Além disso, deixou a importância da Psicologia em evidência, em tempos de Covid19, não só no hospital, mas para toda a sociedade. O trabalho do psicólogo e da psicóloga não se restringe aos aspectos da doença, mas também se relaciona com os aspectos psicológicos e subjetividade nela implicada. Os profissionais reinventaram, adaptaram estratégias e técnicas, para intervir mesmo nos casos de comprometimento da fala, por meio de uma lousa mágica, cartões, lâminas de comunicação, celulares, tablets, mas também pelo gesto e pelo olhar. Tendo a presente pesquisa analisado a atuação da (o) profissional psicóloga (o) na intubação orotraqueal de paciente Covid19, situação em que há uma fragilização não só pela doença, mas também pelo isolamento, foi observado que nesses casos o paciente está consciente e participa ativamente do processo, recebendo a notícia da necessidade do procedimento (devendo decidir se deseja ou não ser intubado) como uma sentença de morte. Por isso, nesse momento surgem: medo de morrer, de nunca mais ver seus familiares, de ter sequelas, de não poder se despedir, e tantos outros. Pela impossibilidade de visitas presenciais por conta do alto risco de contaminação, as chamadas de áudio e vídeo foram ferramentas essenciais durante a internação de pacientes Covid19, permitindo a presença da família virtualmente, fornecendo o cuidado global ao paciente. Destacamos ainda, que muitos familiares pediram para que a (o) psicóloga (o) tocasse no paciente, o que nos transmite a ideia de que a (o) profissional pode ser a extensão da família e uma das únicas companhias daquela pessoa naquele ambiente. Ademais, as estratégias e técnicas foram pensadas e adaptadas inclusive para permitir a visitação de seus familiares e até despedidas. Acolhimento, escuta, acompanhamento de paciente, família, profissionais. Até mesmo ficar atento e garantir a privacidade do paciente quando se encontra intubado e inconsciente na UTI. Comunicar - muitas vezes más - notícias aos familiares. Clarificar informações médicas ao paciente e a família de maneira acessível. Além de técnicas e estratégias, em muitos momentos o importante mesmo, como bem destaca Prof. Simonetti (2022) é o “estar junto no medo”. Diante do exposto, o presente trabalho buscou compreender a atuação do psicólogo na intubação orotraqueal de paciente Covid19, levantando aspectos relacionados ao sofrimento mental de pacientes nas fases do procedimento, ressaltando possíveis estratégias e técnicas, bem como contribuindo para amenizar sintomas psicopatológicos permitindo a melhora do bem-estar do indivíduo. Ao longo da pesquisa pode-se notar o número reduzido de artigos relacionando o fazer psi e o momento de intubação orotraqueal do paciente Covid19. O que mostra a necessidade de maiores estudos nesta área. Espera-se que a presente pesquisa possa contribuir com a Psicologia no contexto hospitalar, mais especificamente no que se refere ao acompanhamento de pacientes com a necessidade de intubação orotraqueal pelos profissionais de Psicologia. Sugere-se que outras pesquisas sejam realizadas sobre as implicações da intubação na saúde mental para o aperfeiçoamento da prática. 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